ÉTÉ 2016 - Espace 110

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ÉTÉ 2016 - Espace 110
FACULDADE DE PARÁ DE MINAS
Bacharelado em Administração
Samara Rodrigues Soares Rosa
ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DE CUSTOS PRODUTIVOS EM UMA
FÁBRICA DE TIJOLOS DO CENTRO-OESTE MINEIRO.
Pará de Minas
2013
Samara Rodrigues Soares Rosa
ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DE CUSTOS PRODUTIVOS EM UMA
FÁBRICA DE TIJOLOS DO CENTRO-OESTE MINEIRO.
Monografia apresentada à Banca Examinadora do Curso de
Administração da Faculdade de Pará de Minas como
requisito para a obtenção do título de Bacharel em
Administração.
Orientador: Flávio Linhares
Pará de Minas
2013
Samara Rodrigues Soares Rosa
ANÁLISE DO GERENCIAMENTO DE CUSTOS PRODUTIVOS EM UMA
FÁBRICA DE TIJOLOS DO CENTRO-OESTE MINEIRO.
Monografia apresentada à Banca Examinadora do Curso de
Administração da Faculdade de Pará de Minas como
requisito para a obtenção do título de Bacharel em
Administração.
Orientador: Flávio Linhares
Aprovada em:____/____/20___.
__________________________________________________
Prof. Flávio Linhares
___________________________________________________
Avaliador
Dedico esta monografia aos meus pais
que me deram apoio nos momentos mais
difíceis da minha vida; ao meu irmão que
me acompanhou ao longo de todo o curso;
aos meus amigos que estiveram comigo
nessa jornada e aos professores que
foram fundamentais nesta formação, pois
foi com eles que adquiri mais
conhecimentos.
Obrigada por tudo!
Agradeço a Deus pelo dom da vida, por
seu amor infinito, pela superação de todos
os obstáculos e pela realização deste
trabalho.
Aos meus pais Vanda e Antônio, pelo
incentivo nesta caminhada, por todo
apoio, por toda a compreensão e por
estarem sempre ao meu lado.
Ao meu irmão Rafael por ter me
incentivando nesta conquista.
Aos meus amigos e colegas de curso que
estiveram ao meu lado nesta jornada.
Ao Prof. Flávio Linhares pela orientação
deste trabalho.
Muito obrigada a todos vocês.
“Se quiser triunfar na vida, faça da perseverança
a sua melhor amiga; da experiência, o seu
conselheiro; da prudência, o seu irmão mais
velho; e da esperança; o seu anjo da guarda. ”
Joseph Addison
Resumo
Este trabalho apresenta uma análise da gestão de custos, mostrando qual sua importância
dentro das organizações e quais os reflexos que ela impõe sobre a tomada de decisão.
Ressaltando que, para promover uma gestão focada no processo decisório, é conveniente que
as decisões sejam baseadas em técnicas de estudos e planejamento no âmbito financeiro e
operacional. Diante disto, percebe-se que um controle contínuo na gestão de custos é valioso
para levantar informações essenciais para um melhor resultado. A pesquisa foi aplicada em
uma indústria cerâmica, fabricante de tijolos, e foi realizada através da coleta de dados por
planilhas desenvolvidas especificamente para apurar os custos e despesas na empresa
estudada. A metodologia utilizada consiste em um estudo descritivo obtido através de uma
abordagem qualitativa. Os resultados do estudo revelaram que há espaço e informações para
que a análise proposta seja incluída nos demonstrativos gerenciais da empresa, tornando
possível atingir os objetivos, que era analisar os custos industriais com os indicadores
propostos e demonstrar que quanto maior o nível de detalhamento, maior é o poder da
informação.
Palavras-chave: Gestão de Custos, tomada de decisão, custos e despesas.
Lista de Figuras
Figura 1: Ligação entre a produção com a Contabilidade Financeira e a de Custos ................ 16
Figura 2: Comparação entre CF e CV ...................................................................................... 25
Figura 3: Departamentos .......................................................................................................... 32
Figura 4: Componentes do preço .............................................................................................. 37
Figura 5: Ponto de Equilíbrio Contábil .................................................................................... 40
Figura 6: Fluxograma da elaboração do Trabalho Científico ................................................... 44
Lista de Tabelas
Tabela 1: Critérios de Rateio dos CIF ................................................................................................... 22
Tabela 2: Comparação entre Custeio Direto x Custeio por Absorção................................................... 29
Tabela 3: Resolução do Exemplo .......................................................................................................... 33
Tabela 4: Matéria- Prima utilizada na fabricação do tijolo ................................................................... 49
Tabela 5: Custos com Mão-de-obra ...................................................................................................... 50
Tabela 6: Cálculo das Obrigações Trabalhistas .................................................................................... 51
Tabela 7: Cálculo da Depreciação ......................................................................................................... 52
Tabela 8: Custo Indireto Total .............................................................................................................. 53
Tabela 9: Custo Total de Produção ....................................................................................................... 53
Tabela 10: Despesas Totais ................................................................................................................... 54
Tabela 11: Demonstração de Resultado ................................................................................................ 55
Tabela 12: Custos e Despesas Variáveis ............................................................................................... 56
SUMÁRIO
1. Introdução ...................................................................................................... 12
1.1. Problema ........................................................................................................................ 12
1.2. Justificativa .................................................................................................................... 12
1.3. Objetivo Geral ................................................................................................................ 13
1.4. Objetivos Específicos .................................................................................................... 13
1.5. Caracterização da Empresa ............................................................................................ 13
2. Referencial Teórico ....................................................................................... 14
2.1. A importância da gestão de custos ................................................................................. 14
2.2. Diferença entre Contabilidade Financeira, Contabilidade de Custos e Contabilidade
Gerencial ............................................................................................................................... 15
2.3. Terminologia em Gastos ................................................................................................ 17
2.3.1. Gastos.......................................................................................................................... 17
2.3.2. Desembolso ................................................................................................................. 17
2.3.3. Investimento................................................................................................................ 18
2.3.4. Despesa ....................................................................................................................... 18
2.3.5. Perda ........................................................................................................................... 18
2.3.6. Desperdícios ................................................................................................................ 19
2.3.7 Subprodutos ................................................................................................................. 19
2.3.8 Sucatas ......................................................................................................................... 19
2.4. Definição de Custos ....................................................................................................... 20
2.4.1. Materiais Diretos ......................................................................................................... 20
2.4.2. Mão-de-obra Direta..................................................................................................... 21
2.4.3. Custos indiretos de Fabricação (CIF) ......................................................................... 21
2.4.3.1 Depreciação .............................................................................................................. 22
2.4.4. Conceitos de Custos quanto à Formação .................................................................... 22
2.4.5 Custos Diretos e Custos Indiretos ................................................................................ 23
2.4.6. Custos Fixos e Custos Variáveis ................................................................................. 24
2.5. Métodos de Custeio ....................................................................................................... 26
2.5.1. Custeio por absorção ................................................................................................... 26
2.5.2. Custeio Direto ou Variável ......................................................................................... 27
2.5.3. Custeio Baseado em Atividades (ABC) ...................................................................... 28
2.5.4. Comparação entre os métodos de custeio ................................................................... 29
2.6. Processos de Custos ....................................................................................................... 29
2.6.1. Matéria-prima ............................................................................................................. 29
2.6.2. Questão da Avaliação dos Estoques ........................................................................... 30
2.6.2.1. Preço Específico ...................................................................................................... 30
2.6.2.2. FIFO ou Peps – Primeiro a entrar, primeiro a sair ................................................ 30
2.6.3. Departamentalização ................................................................................................... 31
2.6.3.1 Exemplo de Departamentalização ............................................................................ 32
2.6.5 Custo do produto vendido (CPV) ................................................................................ 35
2.6.5.1 Apuração do CPV ..................................................................................................... 35
2.6.5.2. Etapas da Apuração do CPV ................................................................................... 35
2.7. Custos para Decisão ....................................................................................................... 36
2.7.1 Gestão de Custos e Preços ........................................................................................... 36
2.7.2. Margem de Contribuição ............................................................................................ 37
2.7.3. Relações de custo/volume/lucro ................................................................................. 38
2.7.4. Ponto de Equilíbrio ..................................................................................................... 38
2.7.4.1. Ponto de equilíbrio contábil (PEC) ......................................................................... 38
2.7.4.2. Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) .................................................................... 40
2.7.4.3. Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) .................................................................... 41
2.7.4.4 Limitações ao Uso do Ponto de Equilíbrio ............................................................... 41
2.7.5. Margem de Segurança ................................................................................................ 41
2.7.6. Alavancagem .............................................................................................................. 42
2.7.6.1. Grau de Alavancagem Operacional (GAO) ............................................................ 42
2.8. Maximização de Resultados .......................................................................................... 43
3. Metodologia.................................................................................................... 44
3.1. Natureza ......................................................................................................................... 44
3.2. Abordagem ..................................................................................................................... 45
3.3. Quanto aos Objetivos ..................................................................................................... 46
3.4. Estudo de Casos ............................................................................................................. 46
3.5. Coleta de dados .............................................................................................................. 46
4. Análise de Dados............................................................................................ 48
4.1. Gestão de Custos ............................................................................................................ 48
4.2. Apuração dos Custos ..................................................................................................... 49
4.2.1. Matéria-Prima ............................................................................................................. 49
4.2.2 Mão-de-Obra ................................................................................................................ 49
4.2.2.1 Obrigações Trabalhistas referentes à Folha Salarial .............................................. 50
4.2.4. Apuração dos Custos Indiretos ................................................................................... 51
4.2.5. Custos Totais de Produção .......................................................................................... 53
4.2.6. Despesas ...................................................................................................................... 53
4.2.6.1. Impostos incidentes sobre a venda .......................................................................... 54
4.3. Demonstração de Resultado........................................................................................... 55
4.4.1 Margem de Contribuição ............................................................................................. 55
Para o cálculo dos custos e despesas variáveis, vamos considerar os seguintes gastos: ...... 56
4.4.2. Ponto de Equilíbrio ..................................................................................................... 56
4.4.2.1. Ponto de Equilíbrio Contábil - PEC ........................................................................ 57
4.4.2.2 Ponto de Equilíbrio Financeiro- PEF ...................................................................... 57
4.4.2.3. Ponto de Equilíbrio Econômico ............................................................................... 58
4.4.4. Margem de Segurança ................................................................................................ 58
4.4.5 Grau de Alavancagem .................................................................................................. 59
5. Considerações Finais ..................................................................................... 61
5.1. Limitações ao Trabalho ................................................................................................. 62
5.2. Sugestões para trabalhos futuros.................................................................................... 62
6. Referências ..................................................................................................... 63
12
1. Introdução
Nos dias atuais, o mercado se encontra altamente competitivo e cada vez mais as
organizações buscam a excelência empresarial, investindo em novas tecnologias e no capital
intelectual de seus colaboradores, porém muitas organizações encontram dificuldades que
freiam o alcance desta excelência e a gestão de custos é a resposta para atender às demandas
do sistema econômico com relação às perspectivas do mercado. Sendo que, toda empresa tem
como meta produzir, planejar e comercializar com qualidade.
Para que uma empresa tenha sucesso é de extrema importância que ela esteja cercada
de informações financeiras para uma boa tomada de decisão e consequentemente consiga ter a
sustentação e crescimento do seu negócio, destacando principalmente a gestão do sistema de
custos como um forte aliado. Porém são necessárias varias técnicas, a maioria delas bastante
apuradas para se obter êxitos no sentido de detectar os pontos contábeis que reduzem a
lucratividade. Uma boa gestão neste setor tem como objetivos obter e estudar o custo em cada
nível de gerenciamento, buscando o entendimento de quais são os gastos controláveis e quais
componentes contribuem para um aumento ou diminuição das despesas.
O presente trabalho enfatizará a importância da gestão de custos para as organizações,
estudando uma empresa no ramo cerâmico, mostrando que com um bom controle desta gestão
é possível ter uma tomada de decisão eficaz e mais segura, bem como planejar e colocar em
prática estratégias de crescimento.
1.1. Problema
Qual o impacto da apuração total dos custos no resultado mensal em uma indústria
cerâmica?
1.2. Justificativa
No atual cenário econômico, as empresas estão a cada dia necessitando de mais
informações que contribuam em seus processos de gestão. Neste contexto, as ferramentas
administrativas utilizadas pelos gestores são baseadas em controles financeiros e operacionais,
concentrando-se na necessidade de informações gerenciais da atual estrutura de custos da
organização. O resultado encontrado através dessa pesquisa trará informações relevantes para
13
uma correta tomada de decisão, procurando indicar os pontos que podem se tornar um
diferencial para que a empresa fique mais competitiva, trazendo melhores resultados,
possibilitando uma visão detalhada da parte financeira, bem como acompanhando seu capital
de giro e a prevenção de ações a serem tomadas antes que a empresa tenha prejuízos.
1.3. Objetivo Geral
Apurar os custos totais de produção em uma Indústria Cerâmica a fim de obter dados
para tomadas de decisões gerenciais.
1.4. Objetivos Específicos

Classificar os gastos dentro da empresa.

Apurar os custos de produção.

Apurar o resultado contábil.

Elaborar uma análise gerencial do resultado encontrado.
1.5. Caracterização da Empresa
A empresa a ser analisada está localizada na cidade de Esmeraldas, Minas Gerais, e
possui, atualmente, 19 funcionários com produção mensal (em média) de 388.000 mil
unidades de tijolos. É uma empresa recém-criada, fundada em Julho de 2011. Seu ramo é
cerâmico, produz apenas tijolos furados. É uma empresa ainda em crescimento mais que já
tem um mercado amplo, vende tudo que produz e tem como principais consumidores
depósitos e construções civis em toda região.
14
2. Referencial Teórico
2.1. A importância da gestão de custos
A globalização define um mercado que se apresenta cada dia mais competitivo e as
empresas buscam um diferencial para que possam continuar inseridas nele, surgindo assim à
necessidade de se conhecer detalhadamente a gestão de custos com o objetivo de gerir a
capacidade de produção e obter lucros, pois não se deve esperar a empresa passar por
dificuldades financeiras para começar a observar os seus custos, e sim criar uma gestão
estratégica desde o início. Controlá-los é uma forma de verificar o desempenho e corrigir
falhas com agilidade, com isso as mudanças no sistema de produção e a introdução de novas
tecnologias conduzem as empresas a buscar qualidade na fabricação e redução dos gastos em
seu negócio.
Junior Perez, Oliveira e Costa (2012, p. 171) afirmam sobre a gestão estratégica de
custos que:
A análise de custos, ao comparar o desempenho real com os padrões, constatará
rapidamente os desvios ocorridos no período, o que facilitará sobremaneira a
identificação de possíveis irregularidades e influências na utilização dos recursos
produtivos. Por exemplo, qualquer variação anormal no consumo de matériasprimas em determinado período ou departamento será facilmente percebida pelo
analista de custos, que deve efetuar as necessárias investigações e averiguações.
(JÚNIOR PEREZ; OLIVEIRA E COSTA, 2012, p.171).
Toda empresa busca maximizar seus lucros e nessa busca os gestores necessitam de
informações sobre como e quanto produzir, e para isso contam com várias ferramentas que
tentam eliminar os riscos inerentes ao negócio, como técnicas matemáticas e estatísticas. A
apuração dos custos de produção em uma indústria tornou-se grande aliada no
acompanhamento financeiro por parte dos gestores, pois assim eles conseguem relatórios de
como andam os gastos na produção, se há ou não desperdícios. Outra técnica que está
começando a ser utilizada nestas empresas é o custeio que antes era utilizado de forma muito
simples e hoje vem sendo sofisticado, surgindo novas formas e métodos, como exemplo o
custeio direto ou por absorção, tornando assim a tomada de decisão cada vez mais eficiente.
15
2.2. Diferença entre Contabilidade Financeira, Contabilidade de Custos e
Contabilidade Gerencial
Segundo Martins (2010) até a Revolução Industrial (século XVIII), apenas existia a
Contabilidade Financeira, que, desenvolvida na Era Mercantilista, estava bem estruturada para
servir as empresas comerciais. Para a apuração do resultado de cada período, bastava apenas o
levantamento do estoque em termos físicos, o contador verificava o montante pago por item
estocado valorizando as mercadorias e fazendo o cálculo basicamente por diferença,
computando o quanto possuía de estoques iniciais, adicionando as compras do período e
comparando com as anteriores, mas com o passar do tempo os gestores necessitaram de algo a
mais na hora dessa contabilização, surgindo assim um novo conceito de Contabilidade
Financeira.
Bruni (2008, p.02) define Contabilidade Financeira como:
A ciência ou o conjunto de técnicas que tem o objetivo de registrar o patrimônio de
uma entidade. Por registrar entende-se que ela deve oficializar transcrever os fatos
acontecidos e que alteram de qualquer forma o patrimônio – que, por sua vez, é
representado pelo conjunto de bens, direitos e obrigações da entidade. De modo
geral, três grandes visões moderam a forma de processar os números na
Contabilidade Financeira: a visão do patrimônio – que consiste no objeto central de
análise da Contabilidade, cuidando dos registros de bens, direitos e obrigações; a
visão do resultado – que apresenta a evolução da riqueza e do patrimônio; e a visão
do caixa – que apresenta os recursos mais importantes para a liquidez e solvência do
negócio, representadas pelo dinheiro disponível na empresa. (BRUNI, 2008, p.02).
Com o passar do tempo a contabilidade financeira deu espaço para que outras
diferentes contabilidades fossem surgindo para ajudar no controle das empresas. A
Contabilidade de Custos veio logo atrás quando houve um dever de avaliar estoques nas
indústrias. Nasceu da necessidade de ter um controle maior sobre os valores a serem
atribuídos aos produtos, sobre a ótica de como, quando e quanto o que produzir, desenvolveuse com a Revolução Industrial, tendo como principal fonte a Contabilidade Financeira (que
era na época uma maneira bem simples de conduzir a empresa, suprindo as necessidades de
tal). Logo após esse período as empresas começaram a produzir em grande escala, surgindo a
necessidade de conhecer os custos dos produtos para avaliar estoques e apurar o resultado das
indústrias. (CREPALDI, 2010, p.5).
Nesse sentido, “Contabilidade de custos é uma técnica utilizada para identificar,
mensurar e informar os custos dos produtos e/ou serviços. Ela tem a função de gerar
16
informações precisas e rápidas para a administração, para a tomada de decisão.”
(CREPALDI, 2010, p.02).
Seguindo o conceito de Crepaldi (2010) a contabilidade de custos planeja, classifica,
acumula, organiza, registra, analisa, interpreta e relata os custos dos produtos fabricados e
vendidos. Para Martins (2010) ela tem duas funções, auxiliar no Controle fornecendo dados
para o estabelecimento de padrões e outras formas de previsão e ajudar na tomada de decisão.
Passou a ser vista desta forma após o crescimento das empresas, pois cada vez mais se tornava
difícil a comunicação entre administrador e ativos e pessoas administradas, isto é, tornou-se
mais gerencial, já que antes era voltada apenas para a avaliação de estoques. Com isso, surge
outro conceito, que é o da Contabilidade Gerencial, que de acordo com Bruni (2008) tem
como objetivo suprir com informações relevantes o processo de tomada de decisão da
empresa, preocupando-se com o que ocorrerá no futuro. Seu foco é a decisão e a análise de
suas consequências. Assim, os três diferentes tipos de contabilidade trabalham unidos, um
completa o outro, fornecendo informações valiosas para seus gestores.
Para Crepaldi (2010, p.6) “a contabilidade de custos opera integrada às funções de
Produção e da Contabilidade Financeira”. Essa integração está representada a seguir:
Figura 1: Ligação entre a produção com a Contabilidade Financeira e a de Custos
Fonte: Adaptado de Crepaldi (2010, p.6).
17
2.3. Terminologia em Gastos
De acordo com Martins (2010) gastos, custos e despesas dizem respeito a conceitos
diferentes e podem se confundir com desembolso. Ele questiona se investimento tem alguma
similaridade com eles e ainda se perda confunde com alguns desses grupos. Seguindo as
ideias de Martins (2010) Custos e Despesas não são sinônimos, têm sentido próprio assim
como Investimento, Gasto e Perda. A utilização de uma terminologia homogênea simplifica o
entendimento e a comunicação. Diferenciar estes conceitos é fundamental para um bom
entendimento, porque apesar de fazerem parte de toda organização ocupam espaço diferente,
cada um com um determinado grupo. Assim, serão estabelecidos os conceitos de cada termo
utilizado nos estudos de custos.
2.3.1. Gastos
Para Leone (2012) gastos é um sacrifício financeiro que a entidade arca para a
obtenção de um produto ou serviço qualquer. Sacrifício esse representado por entrega ou
promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro). Já em outras palavras, Junior Perez,
Oliveira e Costa (2012) descrevem gastos como um consumo genérico de bens e serviços,
podendo ocorrer a qualquer momento e em qualquer setor de uma empresa, sendo os bens e
serviços obtidos por meio do desembolso imediato ou futuro, como exemplo a matéria-prima
consumida no processo produtivo, ou mesmo gastos com a mão-de-obra.
O conceito de gastos é amplo e se aplica a todos os bens e serviços adquiridos. Só
existe gasto no ato da passagem para a propriedade de um bem ou serviço, ou seja, no
momento em que existe o reconhecimento contábil da dívida assumida ou da redução do ativo
dado em pagamento. (Martins, 2010).
2.3.2. Desembolso
De acordo com Martins (2010) Desembolso é o pagamento resultante da aquisição de
um bem ou serviço. Pode ocorrer antes, durante ou após a entrada da utilidade comprada,
portanto defasada ou não no momento do gasto, sendo fruto de um gasto, e pode ser custo,
despesa ou investimento. Segundo Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) desembolso são as
saídas de dinheiro do caixa ou do banco e ocorrem devido ao pagamento de uma compra
18
efetuada à vista ou de uma obrigação assumida anteriormente, como pagamento de salários
aos funcionários.
2.3.3. Investimento
“Investimento é um Gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios
atribuíveis a futuro(s) período(s).” (Martins, 2010). Isto é, a aplicação de algum recurso hoje
para se receber um retorno futuro maior do que foi aplicado. Martins (2010) ressalta que todos
os sacrifícios havidos pela aquisição de bens ou serviços (gastos) que são “estocados” nos
Ativos da empresa para baixa ou amortização quando de sua venda, de seu consumo, de seu
desaparecimento ou de sua desvalorização são especificadamente chamados de investimentos.
2.3.4. Despesa
Seguindo os conceitos de Martins (2010), despesas são bens ou serviços consumidos
direta ou indiretamente para a obtenção de receita. As despesas são itens que reduzem o
Patrimônio Líquido e que têm características de representar sacrifícios no processo de
obtenção de receitas. Conceitos muito simplificados afirmam que “quando uma despesa for
atribuída aos vários produtos de uma empresa, ela pode se denominar Custo ou Custo de
Produção”. (Leone, 2012). Isso explica que o custo sendo a despesa atribuída à produção, a
denominação de despesa fica reservada aos dispêndios atribuídos aos exercícios contábeis.
Martins (2010) ainda esclarece que todos os custos que são ou foram gastos se transformam
em despesas quando há entrega dos bens ou serviços a que se referem. Muitos gastos são
automaticamente transformados em despesas, outros passam primeiro pela fase de custos e
outros ainda fazem a via-sacra completa, passando por investimentos, custo e despesa.
2.3.5. Perda
É definida como gastos anormais ou involuntários que não geram um novo bem ou
serviço e tampouco receitas e são apropriados diretamente no resultado do período em que
ocorrem. Esses gastos não mantem nenhuma relação com a operação da empresa e geralmente
ocorrem de fatos não previstos. (Junior Perez, Oliveira e Costa, 2012).
Para Martins (2010), são itens que vão diretamente à conta de Resultado, assim como
as despesas, mas não representam sacrifícios normais ou derivados de forma voluntária das
19
atividades destinadas à obtenção da receita. Como exemplo seria o material com prazo de
validade vencido, visto como uma perda para a empresa em si, ou seja, não tem validade
alguma.
2.3.6. Desperdícios
De acordo com Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) desperdícios são gastos
incorridos no processo produtivo ou de geração de receitas que possa ser eliminados sem
prejuízo da qualidade ou quantidade dos bens, serviços ou receitas geradas. Manter
desperdícios é sinônimo de prejuízo, pois é considerado um gasto ou despesa inútil e não
poderão ser repassados aos preços. Como exemplo, o retrabalho decorrente de defeitos de
fabricação.
2.3.7 Subprodutos
Segundo Crepaldi (2010) Subprodutos podem ser definidos como algo que nasce de
forma natural durante o processo produtivo da empresa, possui mercado de venda e preço
definido, porém sua participação é íntima no faturamento total da empresa. Por exemplo, as
sobras de matéria-prima e a serragem.
2.3.8 Sucatas
Crepaldi (2010) define Sucatas como os produtos que surgem da produção com
defeitos ou estragados. Suas vendas são esporádicas e realizadas por valor não previsível na
data em que surgem na fabricação. Não recebem custos e também não servem para a redução
dos custos de produção. Para Martins (2010) elas podem ou não ser decorrência normal do
processo de produção, não tem valor de venda ou condições de negociabilidade boas. Como
exemplo são os azulejos com defeitos e cadeira faltando uma perna.
20
2.4. Definição de Custos
Segundo Martins (2010) custo é um gasto relativo a um bem ou serviço utilizado na
produção de outros bens ou serviços, já para Dutra (2003) custo está inserido na vida de todo
indivíduo desde seu nascimento até sua morte, uma vez que todos os bens necessários à seu
consumo ou a sua utilização tem custos.
Custos é a parcela do gasto que é aplicada na produção ou em qualquer outra função
de custo, gasto esse desembolso ou não. Custo é o valor aceito pelo comprador para
adquirir um bem ou é a soma de todos os valores agregados ao bem desde sua
aquisição, até que ele atinja o estágio de comercialização. (Dutra, 2010 p. 17).
De acordo com Crepaldi (2010) os custos podem também ser denominados como
gastos, porém é reconhecido como custo no momento da fabricação ou na execução de um
serviço. Pode ser definido como todo o gasto que a empresa possa vir a ter com o processo
produtivo ou, na fabricação do produto, afetando assim o resultado da parcela que
corresponde aos produtos vendidos.
Seguindo as ideias de Bruni (2008) custos estão associados aos produtos ou serviços
produzidos pela entidade. Como exemplo, podem ser citados os gastos com matérias-primas,
embalagens, mão-de-obra fabril, alugueis e seguros de instalações fabris etc. E, podem ser
divididos em vários tipos, como diretos e indiretos, fixos e variáveis, matéria-prima ou mãode-obra, dentre outros.
2.4.1. Materiais Diretos
Para Dutra (2003) Material é definido como sendo o componente da natureza, que
pode apresentar-se com algum beneficiamento, e que se transformará, pela ação da mão-deobra e a utilização de diversos insumos em outro bem diferente, após a elaboração no
processo produtivo. Surgi aqui o conceito de materiais diretos, “que são os que incorporam
(se identificam) diretamente aos produtos, como matéria-prima, embalagem, materiais
auxiliares, tais como cola, tinta, parafuso etc.” (Crepaldi, 2010).
Conforme Bruni (2008), material direto é aquele que pode ser identificado como uma
unidade do produto que está sendo fabricado e que sai da fábrica incorporado ao produto ou
utilizado como embalagem. O material direto pode ser entendido como o material que faz
parte do produto final, por exemplo, o aço usado no processo de fabricação de um automóvel
21
é considerado um produto final, já a mão-de-obra direta é caracterizada pelos operários
responsáveis pela parte de montagem, que abrange todo o processo.
2.4.2. Mão-de-obra Direta
De acordo com Crepaldi (2010) mão-de-obra direta representa custos relacionados
com o pessoal que trabalha diretamente na elaboração dos produtos, por exemplo, o
empregado que opera um torno mecânico. Para facilitar sempre será mão-de-obra direta
quando for possível medir tal quantidade, quando for ao contrário, ou seja, quando houver
necessidade de rateio será denominada indireta. Bruni (2008) explica: todo salário devido ao
operário que trabalha diretamente no produto, cujo tempo pode ser identificado com a unidade
que está sendo produzida é denominada mão-de-obra direta.
2.4.3. Custos indiretos de Fabricação (CIF)
Segundo Bruni (2008) custos indiretos de fabricação são todos os custos relacionados
com a fabricação, que não podem ser identificados com as unidades que estão sendo
produzidas. Em virtude disso são considerados no total e normalmente são alocados mediante
rateio. São os custos que dizem respeito à existência do setor fabril, como depreciação das
máquinas e equipamentos, valor dos materiais, seguros, impostos, materiais indiretos, mãode-obra indireta, etc. Crepaldi (2010) descreve que quando a empresa fabrica apenas um
produto, todos os custos são considerados diretos em relação a esse produto, não havendo a
existência de custos indiretos. “Porém quando múltiplos produtos são elaborados e
comercializados, a aplicação de rateios de custos – divisões e alocações aos diferentes
produtos ou serviços – torna-se necessária”. (Bruni, 2008 p.168)
A importância do critério de rateio está intimamente ligada à manutenção ou
uniformidade em sua aplicação. Representa a alocação de custos indiretos aos produtos em
fabricação, segundo critérios racionais. Exemplo: depreciação de máquinas rateada segundo o
tempo de utilização por produto, etc. (Crepaldi, 2010).
Crepaldi (2010, p. 94) salienta que “nem sempre o rateio é tão simples; existem
empresas que fabricam vários produtos, aos quais sofrem várias fases de processamento,
sendo necessário que passem por departamentos diferentes”. A Tabela 1, mostra como é feito
o rateio dentre os custos indiretos de fabricação de alguns departamentos.
22
Tabela 1: Critérios de Rateio dos CIF
CIF Comuns ou Indiretos em Relação dos
Departamentos
Gastos relacionados com o edifício da fábrica.
Exemplo: aluguel, depreciação, seguros, limpeza,
reparos e imposto predial.
Critérios de Rateio para os Departamentos
Área ocupada.
Iluminação da fábrica.
Área ocupada, número de lâmpadas ou ponto de luz.
Gastos com escritório da fábrica (inclusive os
relativos à Contabilidade de Custos).
Número de empregados, horas/máquina trabalhos ou horas
trabalhadas/MOD.
Material Indireto.
Material Direto.
Mão de obra Indireta.
Número de empregados, horas trabalhadas/MOD.
Almoxarifado.
Custos de Materiais.
Manutenção das máquinas.
Horas/máquinas trabalhadas.
Número de empregados.
Custo do refeitório, transportes e assistência
médica dos empregados.
Energia Elétrica.
Kilowatt-hora consumido.
Fonte: Crepaldi (2010, p.94).
2.4.3.1 Depreciação
Seguindo as ideias de Santos (2011), todo bem avaliado monetariamente poderá ser
objeto de depreciação em função do uso e desgastes provocados pela natureza ou ainda em
função de sua natural obsolescência tecnológica. Resumindo é a perda de valores que o bem
sofre pela sua utilização com o tempo.
A depreciação pode ser calculada por três métodos: pelas somas dos dígitos dos anos;
pelas horas de trabalho; e pelas quotas constantes ou lineares, que será o método usado neste
trabalho por ser mais simples. Trata-se de um método em que o valor do bem é depreciado
linearmente pela sua vida útil estimada, considera-se linear porque todo valor depreciado
anual ou mensal é semelhante.
2.4.4. Conceitos de Custos quanto à Formação
Custos de Transformação: Representam o esforço empregado pela empresa no
processo de fabricação de determinado item (mão-de-obra direta e indireta, energia, etc.). Não
incluem matéria- prima nem outros produtos adquiridos para consumo. (Crepaldi, 2010)
23
Custos Primários: Martins (2010) define como a soma de matéria-prima com mão-deobra direta, não são a mesma coisa que Custos Diretos que é mais amplo.
Custo Marginal: Segundo Crepaldi (2010) é definido como o acréscimo de custo que a
empresa obtém para produzir uma unidade adicional do produto.
Custo de oportunidade: Para Martins (2010) representa o quanto à empresa sacrificou
em termos de remuneração por ter aplicado seus recursos numa alternativa ao invés de em
outra. Usando seus recursos para a compra de equipamentos ou para a produção de roupas, o
custo de oportunidade desse investimento é o quanto deixou de ganhar por não ter aplicado
aquele valor em outra forma de investimento que estivesse ao seu alcance.
2.4.5 Custos Diretos e Custos Indiretos
Os custos podem ser definidos em dois grandes grupos, podendo ser diretos ou
indiretos, como define Crepaldi:
“Custos Diretos: São os que podem ser diretamente (sem rateio) apropriados aos
produtos, bastando existir uma medida de consumo (quilos, horas de mão-de-obra
ou de máquina, quantidade de força consumida etc.). De maneira geral, associam-se
a produtos e variam proporcionalmente à quantidade produzida.
Custos Indiretos: São os que, para serem incorporados, necessitam da utilização de
algum critério de rateio. Exemplos: aluguel, iluminação, depreciação, salário de
supervisores etc.” (Crepaldi, 2010 p. 08).
Os custos diretos como definidos, são diretamente ligados a produção, podem ser
imediatamente apropriado ao produto ou a só um tipo de serviço. CREPALDI (2010, p.42)
Como exemplo a matéria-prima, e a mão-de-obra direta, etc.
Crepaldi (2010) explica que o aluguel de um galpão pode ser classificado como custo
direto se nesse local apenas um tipo de produto for elaborado e, todo custo cuja parcela
pertencente a uma função de custo possa ser separada e medida no momento de sua
ocorrência, classifica-se como direto.
Já os Custos Indiretos logicamente serão aqueles que não forem ligados à produção,
isto é, os que necessitarem de alguma forma de rateio, como exemplo o aluguel, supervisão e
combustíveis, dentre vários outros. Crepaldi (2010) define custo indireto como aquele que
não se pode apropriar diretamente a cada tipo de bem ou função de custo no momento de sua
ocorrência. Já para Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) são os custos que, por não serem
perfeitamente identificados nos produtos ou serviços, não podem ser apropriados de forma
24
direta para unidades específicas de ordens de serviços ou produto, etc. Necessitam de alguma
forma de rateio.
Para Grepaldi (2010), a separação de custos em diretos e indiretos, além de sua
natureza, leva em conta a relevância e o grau de dificuldade de medição. Como exemplo a
energia elétrica que pode ser confundida entre estes grupos, pois quando se trata de “força” é
entendida como sendo um custo direto, porém devido à dificuldade de medição por produto é
quase sempre considerada como custo indireto de fabricação. De acordo com Dutra (2003), a
grande virtude dessa classificação é a possibilidade de alocar os custos em cada tipo diferente
de função de acumulação de custos. Essa alocação é, paradoxalmente, o grande desafio no que
diz respeito aos custos indiretos, tendo em vista as distorções que podem resultar de uma
alocação inadequada das parcelas desses custos.
É necessário que haja essa separação de custos para que a empresa possa se organizar
melhor e ter uma contabilização mais eficiente, pois a partir daí se terá uma visão mais ampla
de toda a formação de gastos que ela possa vir a ter, e para qual departamento estarão se
direcionando.
2.4.6. Custos Fixos e Custos Variáveis
Os custos podem ainda ser definidos em fixos e variáveis quanto à formação, ou seja,
na quantidade produzida pela empresa ou no volume de atividade, assim Dutra (2003) define
como custos fixos os de estrutura que ocorreram período após período sem variações, como
exemplo: supervisão, impostos periódicos, etc. Custos variáveis são os que variam em função
da quantidade produzida, como matéria-prima, mão- de- obra direta, dentre outros. Para uma
melhor visualização a Figura 2 mostra a comparação entre estes dois conceitos, que de acordo
com Dutra (2003, p.47) a representação gráfica dos custos fixos totais “evidência a não
variação dos custos fixos totais em função da variação da quantidade produzida no período”,
enquanto a representação gráfica dos custos fixos variáveis mostra “que a reta do custo
variável total é ascendente à medida que a quantidade produzida aumenta”. (Dutra 2003, p.48)
25
Figura 2: Comparação entre CF e CV
Custos fixos totais (CF)
Custos variáveis totais (CV)
Valor
Valor
CF
CV
Quantidade
Quantidade
Fonte: Dutra (2003, p. 47 e 49).
Segundo Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) custos fixos são os que permanecem
constantes dentro de determinada capacidade instalada do volume de produção, ou seja, uma
alteração no volume de produção para mais ou para menos não altera no valor total do custo.
Suas características são:
a) “O valor total permanece constante dentro de determinada faixa da produção;
b) O valor por unidade produzida varia à medida que ocorre variação no volume
de produção por tratar de um valor fixo diluído por uma quantidade maior;
c) Sua alocação para os departamentos ou centros de custos necessita, na maioria
das vezes, de critérios de rateio denominados pela administração;
d) A variação dos valores totais pode ocorrer em função de desvalorização da
moeda ou por aumento ou redução significativa no volume de produção”.
(Junior, et al., 2012 p. 12).
Um exemplo comum é o aluguel de uma determinada indústria, não importa o quanto
ela produz, o preço será o mesmo durante todo o período, sendo assim, um custo fixo.
Para um melhor entendimento dos Custos Variáveis Junior Perez, Oliveira e Costa
(2012) o definem como sendo os custos que mantêm relação direta com o volume de
produção ou serviço. Dessa maneira, o valor absoluto dos custos variáveis cresce à medida
que o volume de atividades na empresa aumenta. As suas características são:
a) “Seu valor total varia na proporção direta do volume de produção;
b) O valor é constante por unidade, independente da quantidade produzida;
c) A alocação dos produtos é feita de forma direta, sem a necessidade de critério de
rateio.” (Junior, et al., 2012 p. 14).
26
Exemplificando: se para construir um produto apenas, gasto x de matéria-prima, para
produzir mais unidades logicamente meu gasto aumentará, isto é, o custo com a produção será
variável, dependerá do quanto produzirá.
2.5. Métodos de Custeio
Com a Revolução Industrial surgiu à necessidade de aprimorar e capacitar os
administradores para uma tomada de decisão mais eficaz, nascendo assim a Contabilidade de
Custos que busca agregar todos os custos, reunindo-os em diferentes grupos, todos estes que a
empresa possa vir a obter voltados para a apuração de resultados, isto é, para o controle da
gestão financeira. Segundo Martins (2010), a Contabilidade de Custos tem duas funções
relevantes: o auxílio ao Controle e a ajuda na tomada de decisão. Assim a contabilidade mais
moderna vem criando sistema de informações que permitem melhor gerenciamento dos
Custos, com os diversos métodos de rateio, que são divididos em três tipos:

Por absorção

Direto ou Variável

Baseado em atividades (ABC)
2.5.1. Custeio por absorção
Conforme Dutra (2003) “o Método de Custeio por absorção é o mais utilizado quando
se trata de apuração de resultado e consiste em associar aos produtos e serviços os custos que
ocorrem na área de elaboração, ou seja, os gastos referentes às atividades de execução de bens
e serviços.” E de acordo com Crepaldi (2010) o método é válido para a apresentação de
demonstrações financeiras e obedece a legislação, sendo adotado pela legislação comercial e
fiscal.
“Nesse método de custeio, todos os Custos de produção são apropriados aos
produtos do período. Os Custos de produção podem ser apropriados diretamente,
como é o caso do material direto e mão-de-obra direta, ou indiretamente, como é o
caso dos custos indiretos de fabricação. Os gastos que não pertencem ao processo
produtivo, como as despesas, são excluídos. Nele, todos os custos de produção fixos
e variáveis são incluídos no custo de produção para fins de custeio de estoque e por
sua vez de todas as despesas fixas e variáveis são incluídas. Não é muito utilizado
para tomada de decisões.” (Crepaldi, 2010 p. 229).
27
Para simplificar, o custeio por absorção utiliza todos os custos, sejam diretos ou
indiretos, fixos ou variáveis, como sendo integrados ao produto. Esse método de custeio é
derivado da aplicação dos princípios fundamentais da Contabilidade, pois é considerado como
despesa do período apenas o custo de produção referente aos produtos que foram vendidos no
exercício. “Ele possibilita a apuração de resultados e o cálculo dos impostos e dos dividendos
a distribuir, pois todos os custos de produção (variáveis e fixos; diretos e indiretos) são
incluídos no custo dos produtos para fins de valorização dos estoques.” (Dutra, 2003).
2.5.2. Custeio Direto ou Variável
De acordo com Dutra (2003) o custeio Direto é baseado na margem de contribuição,
conceituada como a diferença entre o total da receita e a soma de custos e despesas variáveis,
e possui a faculdade de tornar bem mais facilmente visível a potencialização de cada produto
para absorver custos fixos e proporcionar lucro, ou seja, considera como custo de produção de
um período apenas os variáveis incorridos, desprezando os custos fixos.
Dutra (2003, p.231) ainda salienta que:
“O conceito de custeio direto surgiu pelo fato de as empresas terem seus custos
fixos, isto é, os custos de sua estrutura, independente do nível de produção efetiva e
pela principal necessidade de cada produto ou serviço de gerar recursos acima de
seus custos e despesas variáveis, sendo o excesso, por menor que seja, uma
contribuição para absorver custos e despesas fixos.”
Seguindo os conceitos de Crepaldi (2010) a fundamentação do custeio direto baseia-se
na separação dos gastos em variáveis e fixos, isto é, em gastos que oscilam proporcionalmente
ao volume de produção/venda e gastos que se mantêm estáveis perante aos volumes de
produção/venda oscilantes dentro de certos limites. Para tanto esse método não atende aos
princípios fundamentais da contabilidade e não é aceito pelas autoridades ficas, sendo apenas
para controle interno. Crepaldi (2010) ainda ressalta que os custos fixos têm o mesmo
tratamento das despesas, pois são considerados as despesas do período independente dos
produtos terem sido ou não vendidos.
Para Dutra (2003) o custeio direto é de extrema utilidade e amplamente utilizado na
determinação da viabilidade econômico-financeira de um empreendimento, na elaboração de
orçamento flexível (ou variável) e do gráfico do ponto de equilíbrio, bem como na análise do
lucro marginal.
28
2.5.3. Custeio Baseado em Atividades (ABC)
Martins (2010) descreve o Custeio baseado em atividades (Activity-Based Costing),
mais conhecido como ABC, sendo um método que procura reduzir sensivelmente as
distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos, podendo ser também
aplicado aos custos diretos, principalmente à mão-de-obra direta. Para Dutra (2003) esse
método originou-se da tentativa de melhorar a qualidade da informação contábil para a
tomada de decisão, tendo em vista a parte gerencial que considera a totalidade dos gastos,
custos e despesas, do período e os confrontam com as receitas potenciais, os correspondentes
ao total da produção de bens e serviços. Crepaldi (2010) considera que este método propicia
uma avaliação mais precisa dos custos das atividades e dos processos, favorecendo a redução
dos custos por meio de aprimoramentos contínuos e descontínuos, preenchendo, assim, o
vazio representado pela distorção dos rateios pregados pela tradicional contabilidade de
custos.
O método ABC consiste em agregar os custos que a empresa tem em atividades, assim
definida por Dutra (2003) como o conjunto de recursos de qualquer natureza necessária à
execução de tarefas que gerarão bens e serviços, formando um sistema de informação mais
transparente para tomada de decisão e facilitando a visualização dos custos para que o gestor
possa ter um melhor acompanhamento. “A metodologia ABC trata de definir e custear as
atividades desenvolvidas pela empresa e entender como são demandadas pelos produtos ou
serviços. Dessa maneira, reduzem- se sensivelmente as distorções do sistema tradicional de
custeio.” CREPALDI (2010, p.322).
Para melhor entendimento desta técnica, entende-se por atividade como sendo a
combinação de pessoas, materiais, tecnologias, métodos e seu ambiente com o objetivo de
produzir produtos ou serviços. CREPALDI (2010, p.323)
O custeio baseado em atividades para Martins (2010) pode ser visto como uma
ferramenta de análise dos fluxos de custos, e quanto mais processos interdepartamentais
houver na empresa, maiores serão os benéficos. Contudo esse método de custeio também é
restrito, pois não é aceito pelo fisco, porém é considerado um grande aliado para a gestão de
custos por fornecer informações importantes para a organização na hora da tomada de
decisão, sendo seu principal objetivo rastrear as atividades mais relevantes, para que se
identifiquem as mais diversas rotas de consumo dos recursos da empresa.
29
2.5.4. Comparação entre os métodos de custeio
Segundo Crepaldi (2010) “as decisões devem ser tomadas pelos administradores
baseadas na margem de contribuição fornecida pelo custeio direto e não pelo lucro fornecido
pelo sistema de custeio por absorção”. Pois através da margem de contribuição pode-se
analisar o potencial de cada produto e o volume adequado da produção, com o intuito de
diminuir os custos e as despesas fixas, como mostra a Tabela 2, comparando os dois métodos
de custeio.
Tabela 2: Comparação entre Custeio Direto x Custeio por Absorção
Custeio Variável ou Direto
Utilização da Margem de Contribuição e Ponto de
Equilíbrio.
Destaca o Custo Fixo e facilita o controle.
Obedece aos preceitos contábeis.
Evita rateio de custos.
É aceito para fins de relatório externo.
As vendas aumentam e o lucro aumenta.
As vendas aumentam e o lucro pode cair.
Dificuldades para classificar os custos e valor do estoque
sem relação com o custo.
Não faz distinção entre dispêndio e utilização da
capacidade.
No rateio podem perder de vista os custos
controláveis e áreas à que se aplicam.
Os lucros são dissociados das vendas,
variando com produtos no período anterior.
As alocações, os Custos Fixos podem
distorcer análises para fins gerenciais.
Pode Relegar os Custos Fixos nos preços de vendas.
Custeio por Absorção
Pode melhorar a utilização dos recursos.
Fonte: Adaptado de Crepaldi (2010, p.253).
2.6. Processos de Custos
2.6.1. Matéria-prima
De acordo com Crepaldi (2010) matéria-prima é o principal material que entra na
composição do produto final, sofrendo transformação no processo de fabricação. “As
matérias-primas em estoque serão aplicadas diretamente no produto e, ao serem transferidas
do estoque para o processo produtivo, transformam-se em custos de produção”. Santos (2005)
ainda a define como sendo um custo primário, formada pelos materiais consumidos no
processo de produção e que fazem parte integrante no final de um bem ou serviço. Pode então
ser entendida como a principal fonte da criação do produto, ou seja, ela envolve todo o
produto, sendo o material mais empregado na produção.
30
2.6.2. Questão da Avaliação dos Estoques
Segundo Crepaldi (2010, p.43) “os métodos de avaliação de estoques objetivam
exclusivamente separar o custo dos produtos entre o que foi vendido e o que permaneceu em
estoque”. Para Bruni (2008, p.133) “quando os preços unitários de compra e venda é
uniformes, este controle é razoavelmente simples. Porém, quando existem alterações nos
preços de compra e venda, a complexidade da operação de controle aumenta”.
Para Bruni (2008, p.133) há três critérios que são empregados na apuração de custos
com operações de mercadorias, são: Preço específico, Peps e custo médio ponderado. Estes
métodos já são utilizados pelas empresas individualmente, contudo, “a utilização de forma
conjunta constitui não só um avanço nos estudos da área de custos, mas também uma
necessidade das empresas, já que elas possuem diferentes estratégias para uma abordagem e
resolução de seus problemas”. (Crepaldi, 2010 p.43).
2.6.2.1. Preço Específico
Para Crepaldi (2010, p.43) “este tipo de método de avaliação de estoques é utilizado
quando é possível fazer a determinação do preço específico de cada unidade do estoque e
pode-se dar baixa, em cada venda, por esse valor”. Com isso o estoque final terá como valor a
soma de todos os custos específicos de cada unidade existente. Para Dutra (2003, p.96) “cada
unidade necessita de uma ficha de identificação especifica, com os dados mais importantes,
tais como número de série atribuído pelo fabricante, data de fabricação, data de aquisição,
valor unitário, fabricante, fornecedor etc.”.
2.6.2.2. FIFO ou Peps – Primeiro a entrar, primeiro a sair
O método do Peps (primeiro a entrar, primeiro a sair), mais conhecido com FIFO é
feito da seguinte forma como descrito por Bruni (2008, p.133) “o custo a ser contabilizado em
decorrência de consumo no processo produtivo é feito de trás para frente. São baixados, em
primeiro lugar, os materiais diretos adquiridos há muito tempo e, depois, os mais novos, nessa
ordem”.
De acordo com Crepaldi (2010, p.44) “nesse sistema, as saídas do estoque obedecem
ao critério de que os primeiros produtos a sair receberão o custo correspondente ao das
primeiras entradas no estoque da seguinte forma”:
31
Dia 1° entrada
50 unidades a $ 5 cada uma
Dia 10 entrada
50 unidades a $ 10 cada uma
Completando Crepaldi (2010, p.44) “se tivermos uma saída no dia 15, de 100
unidades, o custo utilizado será o da primeira entrada, ou seja”:
100 x $10 = $ 1.000
2.6.2.3. Lifo ou Ueps – Último a entrar, primeiro a sair
Segundo Crepaldi (2010) o Ueps (ultimo a entrar, primeiro a sair), mais conhecido
como Lifo não é totalmente aceito pela legislação fiscal brasileira, pois o custo a ser
contabilizado é feito de trás para frente, ou seja, são baixados os materiais que são adquiridos
mais recentes, e depois os mais antigos, com isso nas épocas de altas taxas da inflação o
benefício fiscal podem ser significativos.
2.6.2.4. Custo Médio Ponderado
De acordo com Crepaldi (2010, p.45) “é o mais utilizado. Consiste em calcular a cada
entrada o novo custo dos produtos em estoque, dividindo o custo total pela quantidade total.
Nesse método o valor de cada unidade em estoque se altera pela compra de outras unidades
por preço diferente”. Dutra (2003, p.98) diz que “o valor é determinado pela divisão do saldo
por sua quantidade após cada entrada de material, já que as saídas não alteram o valor médio
do estoque”.
2.6.3. Departamentalização
Para Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) departamentalização é a divisão da empresa
em áreas distintas, de acordo com as atividades desenvolvidas em cada uma dessas áreas,
podendo ser chamadas de departamentos, setores, centros de custos ou centro de despesas. Em
outras palavras Martins (2010) a define como sendo a unidade mínima administrativa para a
Contabilidade de Custos, representada por pessoas e máquinas, em que se desenvolvem
atividades homogêneas. Diz-se unidade mínima administrativa porque sempre deve haver um
responsável por cada departamento. A departamentalização de custos é realizada por vários
aspectos, “um deles é o desejo de eliminar o maior número possível de custos indiretos, outro
32
seria o desejo de se apurar o custo de cada componente, sejam produtos ou serviços.” (Leone,
2012 p.190).
2.6.3.1 Exemplo de Departamentalização
Figura 3: Departamentos
Fonte: Adaptado de Crepaldi 2010 p.96.
De acordo com Crepaldi (2010, p.96) “a fábrica está dividida em dois departamentos
(departamento de serviços e departamento produtivo) e em quatro setores (manutenção,
almoxarifado, prensas e usinagem). Ela produz dois produtos A e B”, com os seguintes CIFs
em cada área:
Gerência Geral
Gerência Geral
Almoxarifado
Prensas
Usinagem
$ 2.000
$ 4.800
$ 1.600
$ 10.400
$ 5.600
A distribuição das horas trabalhadas em outros departamentos é feito da seguinte
maneira:
Almoxarifado
Prensas
Usinagem
400 h
600 h
1.000 h
O valor da matéria-prima consumida em cada departamento será de:
Prensa
Usinagem
$ 160.000
$ 40.000
33
Seguindo as ideias de Crepaldi (2010, p.96) “é necessário determinar uma ordem de
distribuição de custos, na qual o departamento que rateia seus custos não recebe mais nenhum
custo; depois, é necessário determinar o critério de rateio desses custos”. Os critérios de rateio
que usaremos serão os seguintes:

Os custos da Gerência Geral são rateados para os outros departamentos de forma
igual, ou seja, 25% para cada um;

O rateio dos custos de manutenção será em função das horas trabalhadas de cada
departamento;

O rateio dos custos do almoxarifado será em função do valor da matéria-prima
consumida de cada departamento produtivo.
Segundo Crepaldi (2010, p.97) “os custos dos departamentos produtivos são rateados
aos produtos em função das horas trabalhadas”:
Produto A
Produto B
Prensas
500 h
1.000 h
Usinagem
200 h
600 h
Tabela 3: Resolução do Exemplo
Fonte: Adaptado de Crepaldi (2010, p.97).
Demonstração dos Cálculos:
1 Rateio da Gerência Geral
$ 2.000 : 4 = $ 500 ou $ 2.000 x 25% = $ 500
34
2 Rateio da Manutenção
Almoxarifado:
Prensas:
Usinagem:
$2,65 x 400h = $ 1.060
$2,65 x 600h = $ 1.590
$2,65 x 1.000h = $ 2.650
3 Rateio do Almoxarifado
160.000
Produto A:
Produto B:
40.000
0,0158 por de matéria prima
$10,12 x 500h = $ 5.006
$10,12 x 1.000h = $ 10.012
4 Rateio dos Produtos
Prensas:
Prensas:
$0,0158 x 160.000 = $ 2.528
Usinagem: $0,0158 x 40.000 = $ 632
Usinagem:
Produto A:
Produto B:
$11,7275 x 200h = $ 2.346
$11,7275 x 300h = $ 7.036
Para Crepaldi (2010, p.98) “é importante lembrar que os rateios são feitos
apenas para os CIFs, pois não é necessário ratear MD e MOD, visto que são identificados
indiretamente com os produtos”. Lembrando que o critério de rateio pode ser definido pela
pessoa que o fará, contudo critérios diferentes podem levar a resultados diferentes.
35
2.6.5 Custo do produto vendido (CPV)
Segundo Dutra (2003) custo do produto vendido “refere-se ao valor da quantidade que
sai do estoque para a venda e pode ser constituída pelos produtos fabricados no período
(transferidos para o estoque), podendo ainda contar com saldos remanescentes de produtos
fabricados do período anterior.” Em outras palavras Crepaldi (2010) conceitua custo do
produto vendido como a soma dos custos incorridos na fabricação dos produtos que foram
vendidos em determinado período. “É determinado pela produção fabricada no período
diminuído do estoque final de produtos acabados e somado ao estoque inicial de produtos
acabados. Não existindo estoques iniciais de produtos acabados, o custo dos produtos
vendidos é igual ao custo dos produtos fabricados.” (Dutra, 2003 p.60).
Já para Crepaldi (2010) o CPV é calculado considerando as diversas fases por onde
passa a matéria-prima até ser vendida como produto pronto em determinado período,
corresponde aos custos incorridos na fabricação dos produtos.
2.6.5.1 Apuração do CPV
Seguindo as ideias de Crepaldi (2010) o custo dos produtos vendidos é formado pela
soma dos Materiais Diretos (MD) mais Mão-de-obra Direta (MOD) mais os Custos Indiretos
de Fabricação (CIF), ajustado para mais ou para menos pela variação dos estoques de
produtos acabados e em processo. A formula para o Calculo do CPV é a seguinte:
CPA = EIPA + CP – EFPA
(Custo dos produtos vendidos = Estoque Inicial de Produtos Acabados + Custo de Produtos
Acabados – Estoque Final de Produtos Acabados)
2.6.5.2. Etapas da Apuração do CPV
Para Crepaldi (2010) para fazer a apuração do Custo dos Produtos Vendidos, deve-se
seguir as seguintes etapas:

Classificação entre Custos e Despesas

Classificação entre Custos Diretos e Indiretos

Apropriação dos Custos Diretos aos produtos
36

Rateio dos Custos Indiretos aos produtos
2.7. Custos para Decisão
2.7.1 Gestão de Custos e Preços
Segundo Crepaldi (2010) o preço é um dos principais indicadores do valor que uma
empresa entrega a seus clientes, considerada como uma expressão do valor monetário dos
benefícios que a empresa acredita que seus produtos ou serviços trazem para seus clientes. Ele
demonstra diversas informações sobre as empresas, como a quem dentro do mercado o
produto se dirige e como a empresa se coloca em relação a seus concorrentes.
De acordo com Bruni (2008) existem três processos distintos que podem ser
empregados na definição de preços, sendo custos, demanda ou concorrência. Os processos de
preços baseados no custo se referem a qualquer método no qual o custo é utilizado como base
no preço para sua fixação em um produto ou serviço, buscando de alguma forma adicionar um
acréscimo de margem sobre o custo. (Crepaldi, 2010). Bruni (2008) usa como exemplo
“empresas construtoras que apresentam propostas de serviço estimando o custo total do
projeto e adicionando uma margem padrão de lucro”. Para os processos baseados em
demanda, as empresas costumam olhar para o mercado externo, o que ele está pagando por
determinado produto, como Crepaldi (2010) descreve que quando os produtos de uma
empresa são altamente diferenciados aos olhos do consumidor e são bastante procurados, a
empresa pode simplesmente fixar o nível mais alto para a procura estimada no mercado
selecionado. Por exemplo, “um consumidor pode aceitar pagar R 1,00 por uma cerveja em
lata em um bar e R 2,50 pelo mesmo produto em um restaurante de luxo”. (Bruni, 2008
p.259). E para os processos baseados na concorrência também são levado em consideração o
mercado externo, seguindo as ideias de Bruni (2008) “os preços podem ser de oferta – quando
a empresa cobra mais ou menos que seus concorrentes, ou de proposta – quando a empresa
determina o seu preço segundo o seu julgamento sobre como os concorrentes irão fixar os
preços deles”.
Devemos considerar que o preço pode ser apresentado em função de quatro
componentes caracterizados na Figura 4:
37
Figura 4: Componentes do preço
Fonte: Adaptado de Bruni (2008, p.261).
2.7.2. Margem de Contribuição
De acordo com Leone (2012) Margem de Contribuição é a diferença entre as receitas e
os custos diretos e variáveis identificados a um produto, ou a linha de produtos, serviços,
processos, segmentos, enfim, a cada um dos objetos em que se pode dividir a atividade de
uma empresa. Para Crepaldi (2010) ela representa o valor que cobrirá os Custos e Despesas
fixos da empresa e proporcionará lucro. Para um melhor entendimento Junior Perez, Oliveira
e Costa (2012) definem margem de contribuição como a parcela do preço de venda que
ultrapassa os custos e despesas variáveis e que contribuirá para a absorção dos custos fixos e,
ainda, para a formação do lucro. Para o cálculo da Margem de Contribuição Total, usa-se a
fórmula:
MC = RV – CDV
(Margem de contribuição total = Vendas totais – Custo/Despesa variável total)
38
Para Crepaldi (2010) a finalidade da margem de contribuição é cobrir as despesas
fixas e formar o lucro da empresa. As vantagens de utilizar a margem de contribuição podem
ser resumidas em:

Ajudar a empresa a decidir quais produtos merecem mais atenção ou maior
esforço de vendas e qual será o seu preço se acaso for necessário um desconto;

São essenciais para a administração para ajudar a decidir se determinados
produtos precisaram de manutenção ou não;

Podem ser usadas para avaliar alternativas de redução de preços e para
determinar o ponto de equilíbrio da empresa.
2.7.3. Relações de custo/volume/lucro
De acordo com Crepaldi (2010) é definido como a técnica que permite estudar os
inter-relacionamentos entre Custos, Volume ou Nível de Atividade e Receitas, para medir sua
influência sobre o lucro. Na verdade essa relação está intimamente relacionada ao uso de
sistemas de custo no auxílio de decisões de curto prazo, características do custeio variável.
2.7.4. Ponto de Equilíbrio
Seguindo as ideias de Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) a expressão ponto de
equilíbrio, tradução do termo em inglês break-even point, refere-se ao nível de venda em que
não há lucro nem prejuízo, no qual os gastos totais (custos totais + despesas totais) são iguais
às receitas totais. De acordo com Crepaldi (2010) é o ponto onde os Custos Totais e as
Receitas Totais se igualam. Para Dutra (2003) quando a empresa encontra-se no ponto de
equilíbrio ela produz o suficiente, ou seja, está gerando recursos suficientes apenas para
remunerar seus fatores de produção, indicando o mínimo de receita gerada pela produção para
que a empresa não sofra prejuízos.
2.7.4.1. Ponto de equilíbrio contábil (PEC)
Segundo Crepaldi (2010) o Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC) é obtido quando há
volume (monetário ou físico) suficiente para cobrir todos os custos e despesas fixas, ou seja, o
ponto em que não há lucro ou prejuízo contábil. É o ponto de igualdade entre a receita total e
o custo total. Para Bruni (2008), apresenta o volume de vendas ou faturamento que
39
determinado empreendimento precisa obter para cobrir todos os seus gastos, no qual o ponto
de equilíbrio contábil, o lucro é considerado nulo. A quantidade a ser produzida e
comercializada para um lucro nulo ou Ponto de Equilíbrio contábil em quantidade (PECq),
pode ser apresentada pela seguinte fórmula:
Para se calcular o Ponto de Equilíbrio Contábil em unidades monetárias (PEC$), usase a equação:
PEC$ = PECq x Preço
Multiplicando-se o preço anterior pelo preço, e substituindo-o na equação anterior,
ficando assim:
De acordo com Bruni (2008, p.88) a relação [(Preço – Gasto Variável Unitário)/Preço]
costuma ser apresentada como margem de contribuição percentual, assim pode ser
apresentada como:
A representação gráfica dos Pontos de Equilíbrios Contábeis em quantidades e
unidades monetárias pode ser vistos a seguir:
40
Figura 5: Ponto de Equilíbrio Contábil
Fonte: Bruni (2008 p.88.)
2.7.4.2. Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF)
Conforme descrito por Crepaldi (2010) o Ponto de Equilíbrio Financeiro é
representado pelo volume de vendas necessárias para que a empresa possa cumprir com seus
compromissos financeiros, exclui as despesas que não representam desembolso, ou seja,
depreciação, amortização, exaustão. Completando está definição Bruni (2008) descreve que este
apresenta o volume de vendas, em quantidades ou em unidades monetárias, para uma geração
de caixa igual a zero. Para ser calculado, deve-se subtrair os gastos não desembolsáveis, como
as depreciações, do volume de gastos fixos, como segue a equação:
(
)
Para o cálculo do ponto de equilíbrio financeiro “os custos considerados são apenas os
custos desembolsados que realmente oneram financeiramente a empresa.” (Crepaldi 2010).
41
2.7.4.3. Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE)
Santos (2005) define o Ponto de Equilíbrio Econômico como aquele em que as
receitas totais são iguais aos custos totais acrescidos de um lucro mínimo de retorno do capital
investido. Em outras palavras Crepaldi (2010) explica que este ocorre quando existe lucro na
empresa e busca comparar e demonstrar o lucro da empresa em relação à taxa de atratividade
que o mercado financeiro oferece ao capital investido. Para o cálculo são considerados nos
custos e despesas fixos todos os custos de oportunidade referentes ao capital próprio.
Segundo Bruni (2008) para calcular o PEE, deve-se adicionar os gastos fixos a
remuneração desejada sobre o capital próprio, algebricamente pode ser representado por:
(
)
2.7.4.4 Limitações ao Uso do Ponto de Equilíbrio
Crepaldi (2010) descreve que a aplicação do Ponto de Equilíbrio de um único produto
é facilmente entendida e simplificada, isso acontece justamente quando existem vários
produtos, pelo fato que cada um possui custos e despesas variáveis diferenciados, tornando
assim impossível o cálculo do ponto de equilíbrio num âmbito global.
2.7.5. Margem de Segurança
De acordo com Crepaldi (2010), Margem de Segurança “é um indicador de risco que
aponta a quantidade que as vendas podem cair antes de ter prejuízos. É a parcela de produção
e vendas que a empresa tem que estar acima do Ponto de equilíbrio.” Para Bornia (2010) ele
representa o quanto às vendas pode cair sem que haja prejuízo para empresa, podendo ser
expressa quantitativamente em unidades físicas ou monetárias. A fórmula para o cálculo é a
seguinte:
42
MAR EM DE SE
RAN A ( )
ENDAS PON O DE E
ENDAS
IL BRIO
2.7.6. Alavancagem
Seguindo as ideias de Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) alavanca é uma ferramenta
que multiplica a força empregada numa das extremidades, provocando uma força maior na
outra, segundo este conceito a alavancagem ocorre quando o crescimento percentual nos
lucros é maior que o das vendas, implicando que quando ocorre um impulso nas vendas
provocará um aumento nos lucros.
Junior Perez, Oliveira e Costa (2012) ainda ressaltam que quando se multiplica o “ A
pelo percentual de acréscimo nas vendas, encontra-se o percentual de acréscimo no lucro. Por
exemplo, se o GA for 1,5, significa que um acréscimo de 10% na quantidade vendida
provocará um acréscimo de 15
no lucro”.
2.7.6.1. Grau de Alavancagem Operacional (GAO)
Segundo Crepaldi (2010)
rau de alavancagem operacional “é o índice que relaciona
o aumento percentual nos lucros com o aumento percentual na quantidade vendida em
determinado nível de atividade”. Em outras palavras Dutra (2012) define como sendo a
“relação entre o acréscimo proporcional de lucro e de produção física ou de receita total,
tendo como referência o nível de operação normal”. Junior Perez, Oliveira e Costa (2012)
para simplificar a definição deste conceito, o descreve como o efeito que um aumento na
quantidade de vendas pode provocar no resultado operacional.
43
2.8. Maximização de Resultados
Conforme descreve Dutra (2003) a maximização do resultado de uma empresa
depende da formação dos gastos, ou seja, da estrutura dos seus custos e despesas que
envolvem todas as atividades ou serviços praticados pela empresa. Para que isso aconteça é
necessário que se faça uma análise detalhada em todos os processos que ela desenvolve. Dutra
(2003, p.365) ressalta que “não se pode escolher o que produzir na quantidade máxima sem
levar em consideração os fatores limitativos”. O mais viável a se fazer é priorizar os produtos
que melhor remuneram o fator limitativo individual, pois quanto maior for o resultado,
melhor será remunerado o fator limitativo.
44
3. Metodologia
Segundo Vergara (2000, p.12), “método é um caminho, uma forma, uma lógica de
pensamento”. Marconi e Lakatos (2007, p.46) descrevem “que a finalidade científica é a
obtenção da verdade, por intermédio da comprovação de hipóteses, que por sua vez, são
pontes entre a observação da realidade e a teoria científica que explica a realidade”, através de
vários tipos de pesquisa.
Figura 6: Fluxograma da elaboração do Trabalho Científico
Elaboração
do projeto
de pesquisa
Levantamento
Das fontes
Pesquisa
teórica
Processo
dedutivo
Atividades de
Pesquisa e
documentação
Análise dos dados
e construção
lógica do
raciocínio
demonstrativo
Pesquisa
empírica
Processo
indutivo
Redação do
texto/relatório
Fonte: Adaptado de Severino (2010, p.128).
3.1. Natureza
De acordo com
ergara (2010, p.42), “há varias taxinomias de tipos de pesquisas”,
porém os critérios básicos são apenas dois:

Quanto aos fins – Trata-se de uma pesquisa descritiva, que de acordo com Gil (2010),
têm como objetivo a descrição das características de determinada população ou fenômeno,
ou o estabelecimento de relações entre variáveis, salientam-se aquelas que têm por
45
objetivo estudar as características de um grupo, como exemplo a distribuição por idade,
sexo, entre outros.

Quanto aos meios – Trata-se de uma pesquisa tanto documental quanto bibliográfica,
que segundo Gil (2010), é desenvolvida com base em material já elaborado, como
exemplos os encontrados em livros e artigos científicos.
Quanto aos fins uma pesquisa se caracteriza como: exploratória, descritiva,
explicativa, metodológica, aplicada, intervencionista. Já quanto aos meios pode ser: pesquisa
de campo, de laboratório, documental, bibliográfica, experimental, ex post facto, participante,
pesquisa-ação, estudo de caso. O presente trabalho utiliza da pesquisa descritiva.
A pesquisa pode ser classificada em dois grupos conforme descreve Gil (2010):
1. Pesquisa Básica: tem como propósito reunir estudos que tem como função
preencher as lacunas de conhecimento, procurando resolver problemas
práticos.
2. Pesquisa Aplicada: tem a finalidade de desenvolver estudos com o intuito de
solucionar problemas identificados no âmbito da sociedade que atua, sugerindo
novas questões a serem investigadas voltadas a aplicação em uma situação
específica.
Segundo as classificações destes dois grupos, a natureza desse trabalho será a pesquisa
aplicada, porque seguindo o conceito de Vergara (2000, p.47) “é fundamentalmente motivada
pela necessidade de resolver problemas concretos, mais imediatos, ou não. Tem, portanto
finalidade prática”.
3.2. Abordagem
Para Roesch (1999), todo projeto possui uma característica, podendo ser quantitativa
ou qualitativa. A primeira é usada para medir e examinar hipóteses de caráter particular,
usando estatísticas. Já a segunda é utilizada para colher informações, levantar possíveis
variáveis para esclarecer o verdadeiro significado da questão.
Através desses conceitos, o presente trabalho caracteriza-se pelo enfoque qualitativo,
pois se trata de uma análise da gestão de custos de uma Indústria Cerâmica, pois, assim
46
definido por Roesch (1999, p.155), a pesquisa de característica qualitativa “é apropriada para
a avaliação formativa quando se trata de melhorar a efetividade de um programa, ou plano, ou
mesmo quando é o caso da proposição de planos”.
3.3. Quanto aos Objetivos
Trata-se de uma pesquisa de natureza descritiva, que de acordo com Vergara (2010,
p.42), “expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno”. Para
Gil (2010) a pesquisa de natureza descritiva tem a finalidade de identificar possíveis relações
entre variáveis.
Os meios de pesquisa mais utilizados são: a pesquisa bibliográfica e a documental.
Seguindo as definições de Vergara (2010) a primeira é desenvolvida em documentos de
órgãos públicos e privados, ou com pessoas, ou seja, que se desenvolvem como exemplo em
registros, ofícios, livros, revistas, dentre outros. A segunda baseia-se no estudo desenvolvido
com base em materiais publicados em livros, revistas, jornais, ou qualquer material acessível
ao público.
3.4. Estudo de Casos
Conforme Severino (2011, p.121), estudo de caso é uma “pesquisa que se concentra no
estudo de um caso particular, de um conjunto de casos análogos, por ele significativamente
representativo. A coleta de dados e sua análise se dão da mesma forma que nas pesquisas de
campo”. A pesquisa de campo procura o objeto que é abordado em seu meio, sendo que a
coleta de dados é feita na mesma proporção que os fenômenos acontecem , abrangendo os
levantamentos descritivos até os estudos mais analíticos.
De acordo com Gil (2010), o estudo de casos consiste em uma pesquisa mais profunda
de um ou poucos objetos, com uma rigorosa coleta de dados, seguindo todos os
procedimentos de uma pesquisa de campo, apresentados em relatórios qualificados.
3.5. Coleta de dados
De acordo com Vergara (2010), coleta de dados é maneira de levar dados para
responder o problema proposto. São várias as formas para levantar essas informações, como
47
formulação de questões, questionário, formulário, entre outros, podendo ser coletados por
meio de técnicas interativas diversas. O método deve ser condizente com sua pesquisa. Para
il (2010), “é importante assegurar a confidencialidade dos gravados”, deixando claro para os
participantes qual será o tempo necessário para a obtenção das informações. Após a coleta dos
dados, será feita a sua análise, que visa juntar todas as informações levantadas através dessa
coleta, que será usado para ajudar a solucionar o problema proposto.
O presente trabalho buscará analisar todos os custos de produção de uma determinada
empresa que opera no ramo cerâmico, através de uma coleta de dados que procurará apurar
todos os custos em grupos, como: matéria-prima, mão-de-obra, custos indiretos e despesas.
Serão coletados também dados referentes aos bens que a empresa possui, como maquinário,
caminhões e peças de grande valia. A coleta de dados será feita através de planilhas que foram
criadas especificadamente para o levantamento das informações na empresa estudada, de
acordo com o que ela apresenta. Após a coleta, as informações começaram a ser analisadas,
sendo exposta em planilhas distintas, cada uma representando o grupo que a atividade
pertence. Será utilizado de métodos fundamentais na gestão de custos, como critérios de
rateio, da margem de segurança e ponto de equilíbrio, que auxiliam na análise do sistema de
custos, fornecendo informações importantes para os gestores;
48
4. Análise de Dados
4.1. Gestão de Custos
A gestão de Custos tem como finalidade registrar e relatar informações sobre todos os
custos apresentados pela empresa, procurando ter um controle das operações e da tomada de
decisão, monitorando a evolução do empreendimento. A análise de dados busca disponibilizar
informações para a gerência administrar e controlar as operações, e apresenta indicadores de
desempenho para planejar o andamento e projetar o desenvolvimento das atividades efetuadas
pela empresa. Utilizando da gestão de custos que propicia melhores visões do andamento dos
custos da empresa. Foram elaboradas algumas planilhas para apuração de todos os custos e
despesas que a empresa obtém para o seu funcionamento, deste a matéria-prima utilizada até a
entrega do produto final.
A aplicação da gestão de custos busca oferecer informações para que a empresa
consiga manter a qualidade do produto com um menor preço em relação aos seus
concorrentes, possibilitando assim o aumento das vendas, que de acordo com Junior Perez,
Oliveira e Costa (2012) é uma grande preocupação dos empresários devido à busca de
melhores posicionamentos nas fases de evolução do ambiente empresarial e da sociedade.
Pode-se dizer que esta gestão é um processo que conta com técnicas multidisciplinares
que permitem melhor a compreensão dos custos, procurando reduções e melhores níveis de
produtividade. Para que isso ocorra utiliza de diversos indicadores, como margem de
contribuição, ponto de equilíbrio e alavancagem, que mostram como a empresa está em
relação aos seus custos, ou seja, se está ou não conseguindo suprir com suas necessidades. O
presente trabalho utilizará destas técnicas para demonstrar como está o andamento dos custos
de uma indústria cerâmica do centro-oeste mineiro, através de uma coleta de dados, e depois
calculando os indicadores citados acima para uma análise de sua gestão dando um parecer
final.
49
4.2. Apuração dos Custos
4.2.1. Matéria-Prima
A matéria-prima consiste em um conjunto de produtos necessários em diversos
processos de produção, que podem ser extraídos da natureza. Constituem a primeira fase da
cadeia de transformação para a obtenção do produto final. Na tabela 1 é destacado o tipo de
matéria-prima necessária para compor o produto na empresa em análise.
Tabela 4: Matéria- Prima utilizada na fabricação do tijolo
Quantidade Gasta
Mensalmente
Valor Unitário
Valor Total
Barro
R$
10,00
2.250 Toneladas
R$
22.500,00
Lenha
R$
60,00
380 Metros
R$
22.800,00
Pó de Balão
R$
-
90 Toneladas
R$
1.125,00
Água
R$
-
80.000 Litros
R$
-
R$
46.425,00
Total
Fonte: Pesquisa feita pela Autora (2013).
Observando a tabela, podemos notar que a água, usada na fabricação do tijolo não gera
nenhum custo, pois é oferecida gratuitamente. Assim como o pó de balão que também é
oferecido gratuitamente, sendo que este gera um custo com o transporte para a sua aquisição.
Já o Barro e a Lenha devem ser adquiridos para a formação do produto, e foi calculado em
média o quanto a empresa gasta mensalmente de acordo com o preço que lhe é oferecido no
mercado.
4.2.2 Mão-de-Obra
A mão-de-obra é considerada como os esforços produtivos das pessoas que trabalham
em prol da realização de um determinado bem ou serviço. Para o processo de fabricação do
tijolo, na empresa em análise, são necessárias 19 pessoas a nível produtivo. A tabela a seguir
mostra especificadamente quantas pessoas são necessárias em cada função, quanto recebem
50
por seu trabalho e quantas horas trabalham por dia considerando cinco dias na semana, de
segunda a sexta-feira.
Tabela 5: Custos com Mão-de-obra
Quantidade de
Funcionários
Horas
trabalhadas /Dia
Enfornadores
6
8 Horas
R$
1.200,00
R$
7.200,00
Empilhadores
4
8 Horas
R$
1.000,00
R$
4.000,00
Queimador
2
12 Horas
R$
1.400,00
R$
2.800,00
Operador de Maromba
1
8 Horas
R$
1.200,00
R$
1.200,00
Operador de Maquina
1
8 Horas
R$
1.400,00
R$
1.400,00
Encarregado
1
8 Horas
R$
1.400,00
R$
1.400,00
Maromba
3
8 Horas
R$
750,00
R$
2.250,00
Vigia
1
12 Horas
R$
700,00
R$
700,00
Totais
Pagamento
Mensal
19
Total
R$ 20.950,00
Fonte: Pesquisa feita pela Autora (2013).
4.2.2.1 Obrigações Trabalhistas referentes à Folha Salarial
Sobre o salário dos funcionários é incidido encargos trabalhistas, tais como férias,
indenização de 13° salário, fundo de garantia por tempo de serviço e pagamentos feitos à
previdência social. A tabela 6 demonstra estes cálculos mensais:
51
Tabela 6: Cálculo das Obrigações Trabalhistas
Décimo
Terceiro
Salário Total
FGTS (8%)
Multa
Rescisória
600,00 R$ 200,00 R$
333,33 R$ 111,11 R$
640,00 R$
320,00
355,56 R$
177,78
233,33 R$ 77,78 R$
100,00 R$ 33,33 R$
248,89 R$
124,44
106,67 R$
53,33
116,67 R$ 38,89 R$
116,67 R$ 38,89 R$
124,44 R$
62,22
124,44 R$
62,22
187,50 R$ 62,50 R$
58,33 R$ 19,44 R$
200,00 R$
100,00
62,22 R$
31,11
R$ 1.745,83 R$ 581,94 R$ 1.862,22 R$
931,11
Enfornadores
R$ 7.200,00
R$
Empilhadores
R$ 4.000,00
R$
Queimador
R$ 2.800,00
R$
Operador de Maromba
R$ 1.200,00
R$
Operador de Maquina
R$ 1.400,00
R$
Encarregado
R$ 1.400,00
R$
Maromba
R$ 2.250,00
R$
Vigia
R$
R$
Total
R$ 20.950,00
700,00
Férias
Fonte: Pesquisa feita pela Autora (2013)
Vale ressaltar que os dados da tabela acima foram com base no salário mensal descrito
na Tabela 5, que demostra quantos funcionários é necessário em cada função e seu respectivo
salário. Foi aplicada a alíquota do FGTS (8%) sobre o salário pago. As férias são
denominadas como um descanso remunerado concedido ao empregado, e ele recebe por isso a
quantia do seu salário mais um terço. O décimo terceiro é uma gratificação paga ao
empregado pela entidade patronal, geralmente o valor aproximado de um salário mensal pago
no final de cada ano. Lembrando que os resultados encontrados foram divididos por 1/12 avos
para obter o valor mensal que a empresa arca com estes custos.
Outro ponto aqui destacado foi no caso do empregado ser despedido pelo empregador
sem justa causa, resultando em mais um custo para a empresa que é o da multa rescisória.
Essa multa é calculada através do somatório do salário, do décimo terceiro e das férias.
Aplicando um percentual de 50% sobre o valor do fundo de garantia encontrado.
4.2.4. Apuração dos Custos Indiretos
Os custos indiretos podem ser definidos como custos ligados indiretamente a
produção, necessitando, portanto de rateio para se apropriar ao produto, ou seja, são os custos
que não oferecem condição de medida objetiva de alocação. Por exemplo, a depreciação, a
manutenção, o seguro e o combustível. A depreciação pode ser considerada como a
52
diminuição do valor do bem resultante do desgaste pelo seu uso, ação da natureza ou
obsolescência normal. Para este cálculo foi considerado todos os bens que a empresa possui.
Tabela 7: Cálculo da Depreciação
Valor de
Mercado
Tempo de
Vida Útil
(Anos)
Maquina –
Carregadeira
R$120.000,00
15
R$ 60.000,00 R$ 60.000,00
R$
333,33
Maromba
R$100.000,00
20
R$ 60.000,00 R$ 40.000,00
R$
166,67
Caixão de Pó
R$ 50.000,00
20
R$ 30.000,00 R$ 20.000,00
R$
83,33
Homogeneizador R$ 35.000,00
15
R$ 20.000,00 R$ 15.000,00
R$
83,33
Misturador
R$ 25.000,00
12
R$ 15.000,00 R$ 10.000,00
R$
69,44
Cilindro
R$ 28.000,00
15
R$ 22.000,00 R$ 6.000,00
R$
33,33
R$
6.000,00
7
R$
3.500,00 R$ 2.000,00
R$
23,81
R$ 15.000,00
8
R$
9.000,00 R$ 6.000,00
R$
62,50
R$ 14.000,00
5
R$
8.000,00 R$ 6.000,00
R$
100,00
R$
5
R$
5.000,00 R$ 3.000,00
R$
50,00
Bem
Bomba de
Vácuo
Correia
Transportadora
Veículo –
Kombi
Veículo - Uno
Mile
8.000,00
Valor
Residual
Valor a ser
Depreciado
Total
Valor
Depreciação
Mensal
R$ 1.005,74
Fonte: Pesquisa da Autora (2013)
Para chegar aos valores apresentados na Tabela 7, foi observado que o limite da
depreciação é o valor do próprio bem, que mesmo sendo utilizados por determinado período
tem um valor residual. O valor a ser depreciado é calculado através do valor atual de mercado
subtraindo seu valor residual. Em seguida, deve-se usar este valor e dividi-lo pelo tempo de
vida útil para se chegar ao valor a ser depreciado anualmente. Como a Tabela demostra
valores mensais, foi divido o valor encontrado por 12 (meses).
Calculado o valor da depreciação, segue a apuração total do Custo Indireto. Os demais
custos foram com base em dados do ano anterior para se calcular em média o que a empresa
gasta com os itens apresentados a seguir.
53
Tabela 8: Custo Indireto Total
Valor Mensal
(Estimado)
Manutenção de Veículos
R$
250,00
Manutenção de Maquinário
R$
2.200,00
Energia Elétrica
R$
4.216,65
Combustível
R$
2.400,00
Depreciação
R$
1.005,74
IPVA (Veículos)
R$
159,50
Seguro (Veículos)
R$
83,33
Taxa de Licenciamento (Veículos) R$
112,50
Total
R$
10.427,72
Fonte: Pesquisa feita pela Autora (2013).
4.2.5. Custos Totais de Produção
Após apurado todos os grupos que caracterização os custos referentes à produção, será
calculado o custo total. Na tabela abaixo serão utilizados todos os custos apurados
anteriormente, em grupos, para se chegar ao custo total:
Tabela 9: Custo Total de Produção
Custos
Valor Mensal
Matéria-Prima
R$ 46.425,00
Mão-de-obra
R$ 26.071,11
Custo Indireto
R$ 10.427,72
Total
R$ 82.923,83
Fonte: Feito pela Autora (2013).
4.2.6. Despesas
Despesa é considerada como sendo o gasto para obtenção de uma receita. Como
exemplo temos, retirada de pró-labore, matérias de escritório, comissão de vendedores, etc. A
tabela destaca as principais despesas adquiridas pela empresa em análise, ressaltando que para
54
o cálculo do frete com vendas, a base foi o que a empresa produz mensalmente, o equivalente
a 388.500 mil unidades de tijolo, considerando em média o valor frete a um custo de R$0,09.
Tabela 10: Despesas Totais
Valor Mensal em média
Material de Escritório
R$
247,50
Retirada de Pró-labore
R$
4.100,00
Telefone
R$
140,00
Empresa Terceirizada – Contador
R$
960,00
Material de Limpeza
R$
164,50
Alvará de Funcionamento
R$
77,67
Frete com vendas
R$
34.965,00
Imposto (Simples Nacional)
R$
17.607,60
Total
R$
58.262,27
Fonte: Pesquisa feita pela Autora (2013).
4.2.6.1. Impostos incidentes sobre a venda
O regime de tributação que a empresa está enquadrada é o Simples Nacional que se
conceitua como o regime compartilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização de tributos
aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Sendo que este é pago todo mês,
aplicando-se uma alíquota de acordo com sua receita de vendas, denominando-se uma despesa
variável. No caso desta indústria, sua receita de vendas anual varia de R$1.980.000,01 a
R$2.160.000,00 o que de acordo com a tabela do Simples Nacional implica uma alíquota de
10,54 % sobre sua receita mensal, abrangendo os seguintes tributos: IRPJ, CSLL,
PIS/PASEP, Cofins, IPI, ICMS, ISS e a Contribuição para a Seguridade Social destinada à
Previdência Social a cargo da pessoa jurídica (CPP). Sendo o valor encontrado somado aos
custos e despesas variáveis para o cálculo da margem de contribuição.
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4.3. Demonstração de Resultado
A demonstração do resultado do exercício (DRE) é uma demonstração contábil que se
destina a evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício, através do confronto
das receitas, custos e despesas, apuradas segundo o princípio contábil do regime de
competência. Na empresa em estudo de acordo com as informações levantadas anteriormente,
pode ser representado por:
Tabela 11: Demonstração de Resultado
(=) Receita Bruta
(-) Impostos Incidentes sobre a Venda
(=) Receita Líquida
(-) Custo do Produto Vendido
(=) Lucro Bruto
(-) Despesas Operacionais
(=) Lucro Líquido
R$ 167.055,00
R$ 17.607,60
R$ 149.447,40
R$ 82.923,83
R$ 66.523,57
R$ 40.654,67
R$ 25.868,90
Fonte: Pesquisa feita pela Autora (2013).
4.4. Custos para tomada de decisão
As informações são tão importantes como úteis determinado que o objetivo de um
sistema de custos está relacionado com o auxílio à administração, por fornecer dados com
menor ou maior custo e ainda possibilitar a elaboração de estratégias empresariais e ajudar no
controle das operações na organização. E para uma tomada de decisão eficaz, a organização
conta com uma análise mais profunda, começando pela margem de contribuição, ponto de
equilíbrio e depois grau de alavancagem, que serão calculados a seguir para que se possa ter
uma visão do controle de custos da empresa em estudo.
4.4.1 Margem de Contribuição
Na indústria, a margem de contribuição pode ser denominada entre a diferença do
preço de venda do produto e a soma de seus custos e despesas variáveis. Ela indica o quanto a
empresa tem para pagar as suas despesas e seus custos e gerar o lucro líquido. Contudo para
obtê-la é necessário um controle de custos e despesas eficientes que são obtidos através dos
56
controles financeiros. Na empresa em análise, foram coletados e apurados todos os seus
custos e despesas separadamente como demonstrados anteriormente. E, considerando que ela
tem uma venda de aproximadamente 388.500 unidades por mês a um preço de R$0,43 a
unidade, gerando uma receita no valor de R$167.055,00, podemos calcular qual sua margem
de contribuição usando a seguinte fórmula:
MC = RV – CDV
MC = R$167.055,00 – R$105.614,25
MC = R$61.440,75
Onde: MC = Margem de Contribuição
RV= Receita com vendas
CDV= Custos e Despesas Variáveis
Isso implica que a empresa com a receita de venda que ela obtém, subtraindo seus
custos e despesas, tem um lucro positivo no final de cada mês. Lembrando que se aumentar
ou diminuir seus custos pode alterar seu lucro para mais ou para menos.
Para o cálculo dos custos e despesas variáveis, vamos considerar os seguintes gastos:
Tabela 12: Custos e Despesas Variáveis
Matéria-Prima
Energia Elétrica
Combustível
Frete com vendas
Imposto (Simples Nacional)
R$
R$
R$
R$
R$
R$
Valor
46.425,00
4.216,65
2.400,00
34.965,00
17.607,60
105.614,25
Fonte: Pesquisa feita pela Autora (2013).
4.4.2. Ponto de Equilíbrio
O ponto de equilíbrio indica qual o ponto que a empresa deve operar para não ter
prejuízo, mesmo que ao custo de um lucro zero. Possibilita a empresa conhecer a composição
de todos os seus gastos e a quantidade a ser produzida para atender a sua necessidade de
vendas. Existem três tipos de ponto de equilíbrio: o contábil que considera os custos e
57
despesas que são relacionados com a atividade da empresa; o econômico que agrega aos
custos e despesas os custos de oportunidade referente ao capital próprio; e o financeiro que
considera apenas os gastos que foram alvos de desembolso para a empresa.
4.4.2.1. Ponto de Equilíbrio Contábil - PEC
O ponto de equilíbrio contábil representa em quantidade ou unidade monetária o
quanto a empresa deve produzir para suprir os seus gastos fixos. Abaixo segue o cálculo
expresso algebricamente pela expressão:
O cálculo demonstra que a empresa deve vender aproximadamente 222.324 mil
unidades para conseguir pagar os seus gastos fixos, não havendo nem lucro e nem prejuízo.
4.4.2.2 Ponto de Equilíbrio Financeiro- PEF
O ponto de equilíbrio financeiro não leva em conta a depreciação, amortização e
exaustão (que diminuem o lucro, mas não representam saída de caixa). Pode ser representado
por:
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Com o resultado encontrado, mostra que a empresa deve vender 216.038 unidades
para que possa suprir todas as obrigações assumidas.
4.4.2.3. Ponto de Equilíbrio Econômico
É definido como a quantidade que se iguala a receita com a soma dos custos e
despesas acrescida de uma remuneração mínima sobre o capital investido pela empresa, ou
seja, indica o que a empresa deve vender para conseguir atingir uma remuneração esperada,
como demonstrado pelo cálculo a seguir.
Considerando que a empresa queira obter um lucro de R$40.000,00 mensais, ela deve
vender 472.324 mil unidades para atingir a meta estabelecida.
4.4.4. Margem de Segurança
A Margem de segura é um indicador que determina a folga do nível de vendas que
pode ocorrer diminuição, sem que a empresa entre na faixa de prejuízo operacional. É
calculada pela diferença entre as vendas reais e o ponto de equilíbrio contábil.
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MAR EM DE SE
RAN A ( )
MAR EM DE SE
ENDAS PON O DE E
ENDAS
RAN A ( )
MAR EM DE SE
IL BRIO
R 167.055,00 R
167.055,00
RAN A ( )
Através do Resultado encontrado, nota-se que as vendas da empresa podem cair em
43% que ela não sofrerá nenhum prejuízo.
4.4.5 Grau de Alavancagem
Pode-se dizer que o grau de alavancagem é o método que utiliza recursos de terceiros
com o fim de aumentar a taxa de lucros sobre o capital próprio. Procura evidenciar sua
importância na estrutura de capital. É usado para multiplicar a rentabilidade através do
endividamento, e pode-se ser definido como operacional.
O grau de alavancagem operacional é entendido como a capacidade que a empresa
possui, de acordo com a sua estrutura de custos fixos, para aumentar as vendas e gerar um
resultado ainda maior. Quanto mais elevados os custos fixos aos custos variáveis em
comparação á Margem de Contribuição, maior será o grau de alavancagem. E quanto maior o
grau de alavancagem, mais sensível ficará o resultado operacional, se houver qualquer
alteração na venda bruta. De acordo com este cálculo iremos considerar que as vendas
aumentassem em 83.824 para que ele pudesse ter um retorno de aproximadamente
R$40.000,00 como desejado e calculado pelo ponto de equilibro econômico, passassem de
388.500 mil unidades para 472.324 mil unidades, provocando um lucro superior a
R$36.044,32. Isso resultaria em um grau de alavancagem de:
60
O Grau de Alavancagem (GAO) encontrado, foi de 2,33% o que indica que se a
empresa aumentar suas vendas em 6,8%, seu lucro aumentaria neste percentual, de acordo
com seus custos e despesas.
61
5. Considerações Finais
Ter um bom planejamento e ferramentas adequadas é de vital importância quando se
toma decisões na empresa. Mas, não há um padrão de informações que supra a necessidade de
todas as organizações, visto que cada uma tem necessidades informais. Com isso, pode-se
entender que a gestão de custos só é completa quando se consegue atingir todas as áreas de
uma empresa.
No presente trabalho observou-se que os custos surgiram pela necessidade de avaliar
os estoques nas indústrias, por volta do século XVIII, quando acontecera a Revolução
Industrial. Começou com a Contabilidade Financeira que foi desenvolvida na Era
Mercantilista, depois, com o passar dos anos as necessidades das organizações foram
aumentando e surgindo novos métodos avaliadores de custos, abrindo espaço para a
Contabilidade de Custos e a Gerencial. Os custos começaram a serem apurados pelos gestores
em grupos, ou seja, os custos são divididos por departamentos, podendo ser custos diretos e
indiretos, fixos e variáveis, estes ligados à produção, e a despesa voltada para a parte
administrativa. Tornando mais fácil a visualização para os cálculos gerenciais.
Como o objetivo deste trabalho era analisar a gestão de custos de uma indústria
cerâmica, mostrando que através deste estudo pode-se ter uma visão mais detalhada dos seus
gastos, começou-se com um estudo das metodologias aplicadas a custos, sua terminologia e
classificações, demostrando seus sistemas e conceitos. E, com uma coleta de dados foi
levantado informações consistentes na identificação das variáveis para execução dos cálculos
e aplicações de ferramentas para análise dos custos e despesas da empresa, bem como detalhar
a importância dos resultados obtidos.
O resultado da análise da empresa mostrou que através da margem de contribuição, ela
consegue com o que vende pagar todos os seus custos e despesas variáveis com um saldo
positivo, sendo que a quantidade de receita que vai precisar ter para cobrir suas despesas antes
de fazer um centavo de lucro, ou seja, seu ponto de equilíbrio contábil deve ser
aproximadamente de 222.324 mil unidades vendidas, o que de acordo com o calculado através
da margem de segurança suas vendas podem cair em até 43% que não haverá prejuízo. Outro
ponto foi quantificar o quanto a empresa deve vender para retornar a quantia desejada de
lucro, como demonstrado pelo ponto de equilíbrio econômico que calculou o necessário para
alcançar um lucro desejado, que foi de R$40.000,00 mensais. Mediante o calculado a empresa
deverá vender 472.324 mil unidades para conseguir atingir a meta de lucro estabelecida,
62
aumentando em um percentual de aproximadamente 21,58% (472.324 ÷ 388.500 = 1,2158 – 1
= 0,2158), em suas vendas, que calculado pelo Grau de alavancagem resultaria em um lucro
de 2,33%, caso suas vendas aumentasse neste percentual.
Assim sendo, conclui-se que a análise da gestão de custos pode suprir a deficiência em
algumas empresas quando se trata deste gerenciamento, desde que a empresa tenha um banco
de dados estruturado, que possa identificar custos e despesas, e as demais informações
necessárias, podendo-se utilizar dessa ferramenta positivamente. Contudo, para que a empresa
tenha sucesso não dependerá somente de um excelente sistema de custos, é necessário
também que haja um aprimoramento em todos os seus processos com a participação de toda a
equipe da empresa proporcionando um bom planejamento e boas estratégias a qual inclui a
contabilidade de custos.
5.1. Limitações ao Trabalho
O presente trabalho foi limitado quanto às informações, pois a empresa não possui um
sistema de dados suficiente para cadastrar todas as entradas e saídas que ela tem no período,
fazendo com que o levantamento das informações não seja muito eficiente. Foi necessário
fazer uma média ponderada de todos os seus custos e despesas do ano anterior para se chegar
aos dados mostrados anteriormente.
5.2. Sugestões para trabalhos futuros
Devido este trabalho ser apenas voltado para uma análise contábil da gestão de custos
dentro da empresa, deixo uma sugestão para a implementação de um Fluxo de Caixa, pois
assim, a mesma poderá acompanhar detalhadamente todas as entradas e saídas financeiras, o
que tornará mais fácil o levantamento de dados para apuração e demonstração de resultado,
seguindo a análise gerencial para tomada de decisão.
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6. Referências
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BRUNI, Adriano Leal. Administração de Custos, Preços e Lucros.7.ed. São Paulo : Atlas,
2012.
BRUNI, Adriano Leal. Administração de Custos, Preços e Lucros. 6.ed. São Paulo : Atlas,
2008.
CREPALDI, Silvio Aparecido. Curso Básico de Contabilidade de Custos. 5.ed. São Paulo :
Atlas S.A., 2010.
DUTRA, René Gomes. Custos Uma Abordagem Prática.4.ed. São Paulo : Atlas, 2003.
DUTRA, René Gomes. Custos Uma Abordagem Prática.7.ed. São Paulo : Atlas, 2010.
GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 5.ed. São Paulo : Atlas, 2010.
JUNIOR, José Hernandez Perez, OLIVEIRA, Luís Martins e COSTA, Rogério Guedes.
Gestão Estratégica de Custos. 8. ed. São Paulo : Atlas, 2012.
LEONE, George Sebastião Guerra. Custos, Planejamento, Implementação e Controle. 3.
ed. São Paulo : Atlas , 2012.
MARCONI, Marina de Andrade e LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica. Atlas
S.A. 5.ed. São Paulo, 2007.
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 10.ed. São Paulo : Atlas, 2010.
ROESCH, Sylia Maria Azevedo. Projetos de Estágio e de Pesquisa em Administração.
2.ed. São Paulo : Atlas S.A., 1999.
64
SANTOS, Joel José dos. Fundamentos de Custos para Formação do Preço e do Lucro.
São Paulo : Atlas, 2005.
Santos, Joel José. Contabilidade e Análise de Custos. 6. Ed. São Paulo : Atlas, 2011.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 23.ed. São Paulo :
Cortez Editora, 2011.
VERGARA, Sylia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 3.ed.
São Paulo : Atlas S.A., 2000.
VERGARA, Sylia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 12.ed.
São Paulo : Atlas S.A., 2010.