formation ANIM CLUB - FFESSM Nage en Eau Vive

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A POP U LAÇÃO P ORTU G U ESA
EM FINAIS DO S ÉC U LO XVIII
Fernando d e Sousa
Universidade do Porto
"Entre os objectos mais importantes de h umo republica deve ser numerada a
População do seu paiz; porque sem a [orça que rezulta da população, he
impossivel que a Republica possa conservar-se por m uitos annos, sem ser
dominada dos vizinhos, aos q uaes a fraqueza dos Estados confinan tes
cos tuma fazer inimigos ".
(António Henriques da Si lveira. "Racional discurso. sobre a Agri cultura. e
Popula ção da Província do Alem-Tejo", Memorias Economicas, I, Lisboa, 1 7 89).
"a felicidade da Rep ublica não se mede pelas s uas grandes conq u is tas,
nem pela extensão dos seus limites, ou pelas minas de ouro, ou prata, que
poss ue; mas sim pela sua povoação, e pelos braços que nella trabalhão".
uosé Verissi m o Alvares da Silva, "Memoria das Verdadeiras ca uzas porq u e
o L u x o t e m s i d o nocivo a o s Portuguezes". Memorias Economicas, I . Lisboa, 1 7 89)
1 . I ntro d u ç ã o
se o século XVI I I , na sugestiva frase de Mols, é a p ri m e i ra época a resse nti r-se "da
fasci nação dos n u m e rosos exactos"
1,
ta l não pa rece a p l i ca r-se a Portuga l.
Com efeito, a o l ongo d e quase todo o Setece ntismo portugu ês, os n ú m e ros não
surgem como dados rigorosos, estatísti cos, e n q u a nto expressã o de uma menta l i d a d e
q u a ntitativa , mas co mo conj u ntos de a l ga rismos rep rese ntativos d o s fa ctos sociais, q u e
p e r m i te m , a p e n a s , esti m a r, a i n d a q u e gross e i ra m e nte, os tri b u tos a reco l h e r e os
efectivos a recruta r.
Daí o ca rácte r precá rio da sua i m portâ n ci a , logo despreza dos uma vez atingido o
o bjectivo q u e se p rete n d i a . Não só despreza dos, destruídos, pois, ao contrário de outros
países como a Espa n h a ou a Fra nça , a s receitas dos i m postos a n u a l ou periodica m e n te
c o b ra d os p e l o Esta d o , as s é r i e s d e dízi m o s l e va n ta d a s n a s d i oceses, as l i stas d o s
n u m e ra m entos d e ca rá cte r m i l ita r ou eclesiástico chega ra m a t é n ó s , em n ú m e ro tã o
reduzido, q u e só a destru ição de ta is fo ntes pode explicar ta l fa cto.
Sob o aspecto d e m ográ fico, a p reocu pação do n ú m e ro d i fi ci l m e nte u ltra passou a
esfe ra restri ta do n u m e ra m e nto dos fogos. Quer para o Esta d o , q u e r para a Igrej a , o
fogo é, a fi n a l , a célula sign i fi cativa , se não ú n i ca da sociedade portuguesa.
A sociedade o rga n i za-se e m fu nção da fa m í l i a , não d o i n d ivíduo. o i n d ivíd uo conta ,
a penas, na m e d i d a e m q u e , soltei ro, casa d o ou viúvo, se assu m e co mo ca beça de casa l ,
isto é , eco n o m i ca m e nte ca paz de satisfazer os encargos ou tri butos q u e ao Estado e à
Igreja d izem respeito.
Os n u m e ra m e ntos ressentem-se, a i n d a , da pouca i m portâ n cia q u e era atri buída a o
co n h e c i m e nto d a popu lação d o Reino, pelo q u e , até fi nais d e setecentos, de â m bito
n a c i o n a l ou regi onais, são ra ros aqueles que ch ega ra m até nós e se revel a m dignos de
crédito.
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FERNANDO DE SOUSA
2.
D a i m p o rtâ n c i a d a p o p u l a ç ã o ...
Contu d o , n o ú l t i m o q u a rtel d o século XVI I I , - época e m q u e Portuga l , benefi ci a n d o
d e u m a c o nj u n t u ra i n t e r n a c i o n a l fa v o r á v e l e d a p o l í t i c a e co n ó m i ca p o m b a l i n a ,
conheceu u m signi fi cativo desenvolvimento com e rcial e i n d ustria l - , a preocu pação por
tudo q u a n to se p o d e medir ou expri m i r q u a ntitativa m e n te , até e ntã o , pratica m e nte
a p a nágio das a ctividades eco n ó m i cas, va i a l a rgar-se à d escrição e notação dos h o m e ns.
Pa ra u m a melhor com preensão d esta nova atitud e , i m porta sublinhar q u e , a pa rti r
de 1 7 7 2 - 1 7 7 5 , começam a d etectar-se tra ços de u m a renovação m enta l da sociedade
portuguesa, a qual, n o d o m í n i o das ciências, vai ca ra cterizar-se por u m a m a i o r exigência
crítica, pela va l o rização da observação e da experiência.
A criação d a s fa cu l d a d es d e matemática e fi losofi a , n a sequência da reforma da
U niversi d a d e d e Coi m bra, i n iciada e m 1 7 7 2 , a ss i m como a fu ndação da Aca d e m i a Real
da Ciências, e m 1 7 7 9 , vão d a r u m n ovo a l e nto a o ensino das ciências exactas e naturais.
" O p ri m e i ro passo de h u m a Nação, para a p roveita r as suas va ntagens, h e conhecer
perfeita m e n te as terras q u e ha bita , o q u e e m si ence rrã o, o q u e de si produzem, o de
q u e são ca pazes. A H istoria Natura l he a u n ica sciencia q u e taes luzes póde d a r; e sem
hum con heci m e nto solido n esta parte, tudo se fica rá devendo aos a casos, q u e ra ras
vezes bastão p a ra fazer a fortu n a , e riqueza de hum povo" 2
T a l n ã o q u e r d i z e r q u e n ã o c o n t i n u e a v e r i fi ca r - s e a p e rs i s t ê n c i a d e u m a
m e n ta l i d a d e t ra d i c i o n a l , créd u l a , e r u d ita n o p i o r s e n t i d o d o t e r m o , d e s p r o v i d a d e
q u a l q u e r fo r m a ç ã o m e tó d i ca e críti ca , rece ptiva a o m a ra v i l hoso e a o fa ntást i c o , à
ge n e a l o g i a l e n d á ri a e a o s e p i s ó d i o s o u a c o n te c i m e n t o s h e r ó i co s , d i v o rc i a d a d a
o b s e rv a ç ã o c i e n tí fi c a , d a d a t a ç ã o segu ra , d a n ot a ç ã o p re c i s a , a m e n ta l i d a d e d a s
t ra d i c i o n a i s c o r o g ra fi a s e d e s c r i ç õ e s g e o g r á f i c a s , i m p r e s s i v a s m a s i m p re c i s a s ,
ge neral istas m a s s e m p re lacunares, q u e re petem e eternizam e rros gross e i ros vindos
d e trata d o s a n te r i o re s , que regista m a va l i a ções d e s m e s u ra d a s e i n ve rosí m e i s nos
d o m í n i os da eco n o m i a e da d e m ogra fi a , contrad itórias até na mesma o b ra , e para as
q u a i s os n ú m e ros constituem e l e m e ntares ordens d e gra n d eza que, m u itas vezes,
pouco têm a ver com a rea l i d a d e q u e p rete n d e m tra d uzi r.
Mas o conheci m e nto da rea l i d a d e a fi rma-se de um modo mais profu n d o . As descri­
ções " físicas", eco n ó m i ca s ou sociais, tornam-se mais p recisas. A i ndagação e a p reensão
das causas que estã o na base dos temas ou p roblemas a n a l i sa dos, a prese nta m-se m a i s
c u i d a d a s e específicas. A p reocupação d e ca rácte r q u a ntitativo, estatístico, reve la-se
mais genera l izad a , a fi m d e j ustificar ou fu n d a m e nta r o d iagnóstico do corpo soci a l . Os
n ú me ros d e i x a m d e ser u n i ca m ente "um e l e m e nto de descrição regio n a l ou loca l " , ou
u m " o bjecto d e colecçã o " , e passa m a fo rmar a "base d e u m cá lculo" 3
Esta nova m e n ta li d a d e , "estra ngei ra d a " , de ra iz i l u m i n ista , este espírito crítico q u e
procu ra co m p ree n d e r e explicar rac i o n a l m ente os fenómenos naturais e sociais, este
"ousar s a b e r" , q u e é e será , a i n d a , por m u ito tempo, privilégio de a lguns, ou sej a , dos
q u e se socorrem " d e l uzes, d e observação, d e experiência"
4,
d etecta-se nos estudos d e
ca rácte r e co n ó m i co , s o ci a l e d e m ográfico e va i leva r m e s m o à a u t o n o m ização d a
própria eco n o m i a e n q u a nto d isci p l i n a cie ntífica.
A p o p u l a ç ã o , que j á c o n sti tu í ra um d o s fios co n d uto res d o m e rca n ti l is m o - o
n ú m e ro dos h o m e n s faz a ri q u eza do Esta do -, com as doutrinas fisi ocráticas, e ntão e m
voga , tra nsforma-se n u m a das preocupa ções fu n d a m e nta is d o Esta do. Pa ra este, " h e d e
sua p ri m e i ra n ecess i d a d e o t e r m u i tos vassa l os; porq u e he some nte nos s e u s b ra ços
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A POPULAÇÃO PORTUGUESA
q u e resi d e a Fo rça e a R i q ueza d e h u m a N a ç ã o " . M a s a p o p u l a çã o só cresce " e m
proporção da faci l i d a d e q u e há d ' e m p rega r e sustenta r o s homens"
massa geral d a s su bsiste ncias"
6,
s,
" e m proporção d a
é u m a co nsequência da agri cultura .
Pa ra q u e a p o p u l a çã o a u m e n t e , t o r n a - s e n e cessá r i o d e s e n v o l v e r a e co n o m i a ,
p ri ncipa l mente a agri cultura , q u e constitui o " p ri m e i ro ra mo da i n d ústri a " , a verda d e i ra
riqueza do Esta do. Ora, a p ro d u ção agríco l a , mais que da a d opção de novas técn icas, da
i ntrod ução d e outras culturas ou d e u m a p roveita me nto mais i ntensivo dos terre nos já
cultivados, depende, princi p a l mente, d o " ro m p i mento" dos i n cu ltos e bald ios. Rompi­
m e nto e fectivado através do homem, q u e tem a va ntage m não só de m o b i l iza r novos
b ra ços e contri b u i r para a exti nção da pobreza, mendicidade e vaga b u ndage m , como
de a u m e nta r a s re n d a s e tributos d o Esta d o . Torna-se necessá rio e l i m i n a r as ca usas
físi ca s e morais q u e i m pedem a expansão da agricu ltura , porque está é q u e assegu ra a
p o p u l a çã o , a q u a l se prete n d e n u m e rosa, sem dúvida, mas, igu a l m e nte, próspera.
A agricu l tu ra e a população constituem, pois, a base da riqueza - o h o m e m , afirma
Arth u r Young na s u a Politicai Arithmetic ( 1 7 7 4 - 1 7 7 9), o b ra que, através da tra d u çã o
fra ncesa , tanto i n fl u e n ci o u os econom istas portugueses de fi nais de Setecentos, como
Mord a u , José Antó n i o d e Sá e Chicharro, não tem q u a l q u e r uti l idade senão produzir um
excedente d e ri q u eza - e da fo rça do Esta d o , o principal se não o " ú n i co e l e me nto de
p rosperidade das nações". A riqueza p ú b l i ca da nação tem de se defi n i r "em p roporção
a sua povoa ção", pois só o desenvolvimento daquela poderá a d i a nta r esta .
Em conclusão, os fisiocratas e agra ristas portugueses de fi nais do sécu l o XVI I I , ass i m
como estad i stas d a enverga d u ra de Rod rigo d e Sousa Couti n h o , v ã o d e fe n d e r q u e a
p o p u l a çã o , " u m d o s o bj e ctos m a i s i n te ressa ntes d e u m a R e p ú b l i ca " , d e p e n d e d a
agricultura, q u e a fel i ci d a d e d e u m Esta do se m e d e p e l a s u a população, e q u e a sua
fa lta o u redução põe e m causa a i n d e p e n d ê n c i a n a c i o n a l e i m pede o p rogresso da
agricu l t u ra , "a m a i s i m p o rta nte d e todas as a rtes. A p o p u l a ção é , a ss i m , "a p ri m e i ra
fonte da força e ri q u eza dos Esta d os"
7
Ass i m se e x p l i ca o ca rácter necessário e confidencial dos censos.
Necessário porque é preciso conhecer "o estad o dos ca m pos", "as fo rças d o Reino", a
fi m de se verificar, é certo, "a consistê ncia do Patri m ó n i o da Coroa", mas ta m b é m para
d eterm i n a r as m e d i d a s necessá rias á boa " a d m i n i stração da agricultura "
a
As reformas
que se p rete n d e m efectuar, a adequada gestã o dos negócios p ú b l i cos, as medidas des­
tinadas a gara ntir a sa ú d e p ú b l ica, o i n crem ento agrícol a , passa m o b rigatoria me nte pelo
con h e c i m e nto da popu lação. Co n h e c i m e nto tã o m a i s necessá rio qua nto a p o p u l a ção
portuguesa , segu n d o os econ o mistas políticos do te mpo, se enco ntrava em declínio.
Confidencial p o rq u e a divu lgação dos resultados a p u rados atenta contra a segu ra nça
do Esta d o - s o b retu do, de pequenos Estados como Portuga l -, porque permite m e d i r "a
gra n d eza e a fo rça " d a n a ç ã o e , m e s m o , p l a n e a r m a i s e f i c a z m e n t e a s o p e ra ç õ e s
m i l itares, e m caso d e conflito, por pa rte d e u m Estado i nvasor. N ã o é por acaso q u e José
Corn i d e , na viagem q u e fez a Po rtuga l , p reced endo a i nvasão espa nhola de 1 8 0 1 , te nha
regista do, por fregu esias, co nce l h os e coma rcas, o n ú m e ro de fogos do Reino.
su rgia a ss i m e pela p ri m e i ra vez, a necess i d a d e d e se levanta r a p o p u l a çã o das
diversas coma rcas ou p rovíncias d o Reino, não com fins i m e d i atos de natu reza fisca l ,
m i l ita r ou eclesiástica , não ce rta m e nte, c o m o bj ectivos m e ra mente d e m ográ fi cos, m a s
" p a ra b e n e fício dos Povos" e da Repú b l ica.
A m e n ta l i d a d e q u a n titativa estatística , q u e já se a fi rm a ra e desenvolve ra esplendo­
rosa mente no m u n d o das fi nanças públicas e da economia, bem patente nos orça mentos
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FERNANDO DE SOUSA
ge ra i s d o Esta d o , em l i v ros de conta b i l i d a d e , n o s l i v ros d e registo de m e rca d orias,
ren d i m e ntos e d i reitos das a l fâ n d egas, nas l i stas de p reços dos produtos mais variados,
nos i nventários de bens e re ndas d o Esta d o , dos m u n i cípios e de particula res, e que, a
pa rti r de 1 7 7 4 , va i estar na origem das Balanças do comércio, fo ntes de excepcional
i m portâ n cia pa ra o estu d o de ta l secto r eco n ó m i co , chega , fi n a l m e nte á população.
3.
...
À contagem dos homens
Em 1 7 7 1 , te rá s i d o efectu a d o u m leva n ta m ento gera l d o R e i n o , n ã o de ca rácte r
" e co n ó m i co " m a s " i m p erfeita m e n te m i l i ta r". É a este n u m e ra m e nto q u e soa res d e
Ba rros pa rece referir-se, q u a n d o fa la das listas das freguesias e fogos do R e i n o , e l a bo­
radas pouco a ntes da d ivisão dos bispados, possivel m ente, com o fi m de servi r d e base
à criação das novas d i oceses, a partir do d e s m e m b ra m e nto das já existe ntes ( 1 7 7 0 - 1 7 7 4) e q u e teria a p u rado 6 3 3 4 3 2 fogos 9
É, ta m b é m , a pa rti r de 1 7 7 1 , q u e passa m a ser re metidas à I nte nd ência-Geral da
Polícia a s l istas dos ba ptismos, casa me ntos e ó b i tos das d i fere ntes ci rcu nscrições d o
rei n o , - à s e m e l h a n ça d o q u e a co ntecia e m Fra nça, d e s d e 1 7 70 - e que estã o na base
,
das n otícia s relativas a o m ovi m e nto da população, q u e a Gazew de Lisboa , u m pouco
m a i s ta rde, p o r curiosidade, i nseria nas suas pági nas.
Esforço estatístico desti nado, efectiva mente a co n h ecer, a n u a l mente , a evol u çã o da
população, ou tentativa d e , fa ce aos maus resulta dos obtidos com o censo de 1 7 7 1 ,
procura r d etecta r o v o l u m e da população portuguesa , através da p rática fu ndada no
l e va n ta m e n to dos b a p t i s m o s , c a s a m e n tos e ó b i tos e n o cé l e b re c o e fi c i e n te ou
m u ltiplicador u n iversa l , método util izado e m Fra nça desde meados do século XVIII?
E m 1 7 7 6 , fo ra m reco l h i da s a s listas dos povos d e todas a s c o m a rcas d o R e i n o ,
gra ça s " a o ta l e nto d e i ndagação, e à curiosi dade sempre a ctiva " de P i n a M a n i q u e . Ta l
levanta m e n to a p u rou 7 4 4 9 8 0 fogos, tota l de pouco crédito, pois. as listas referentes às
coma rcas de Pinhel, La m ego, Tomar, Leiria e Setú bal não chega ra m a a p u ra r-se, te ndo
d e se reco rre r à Geografia Historica, de Caeta n o de Lima, para se suprir tal lacu n a , o q u e
d e m on stra o ca rácter p recá rio d o leva nta me nto de 1 7 7 1 1 0
Após 1 7 8 0 , acelera-se um conj u nto de dispositivos favoráveis ao conhecime nto tota l
ou parcial da p o p u l a ção portuguesa, q u e r a través de medidas da I nte ndência da Polícia,
quer das propostas p rogra máticas da Aca d e m i a Real das Ciências para a ela boração de
leva n ta m e n tos d e coma rcas e regi ões, q u e r através de u m i nteresse particu l a r q u e este
ca m p o de o b s e rvação rep rese n tava p a ra o Corpo Rea l de Enge n h e i ros. Entre i n fo r­
ma ções de â m bito restrito ou docume ntos de m a i o r a b ra n gência geográ fica, d ispomos
d e variadas fo ntes de teor d e m ográ fico.
A i n d a n esse a n o . s u rg e , p o r e xe m p l o , um Plan o de Divisão e Tras ladação d a s
paró q u i a s d e Lisboa. q u e fo rnece o n ú m ero de fogos d e todas as freguesias da ca pita l .
A 3 d e Fevere i ro e 3 1 de j u l h o de 1 7 8 1 , P i n a M a n i q u e d á i n struções a o s p rovedores.
pa ra que lhe sej a m e n v i a d o s os ma pas estatísticos dos na sci m e ntos, casa m e n tos e
ó b i tos ocorridos nas coma rcas e ouvidorias do Reino. Ordens reiteradas a 1 5 de j u n h o
d e 1 7 8 2 , desta vez, a todos os corregedores d a s coma rcas do R e i n o , pa ra que. em 1 7 8 3 ,
a q u e l e s m a g i s t ra d o s e n v i a s s e m à I n te n d ê n c i a u m a re l a ç ã o i n d i v i d u a l d a s a l m a s
existentes e m cada coma rca , referida a 1 7 8 2 , da q u a l constassem o s varões, as fê meas
e o n ú m e ro d e nasci m e n tos e ó b i tos re lativos a o mesmo ano, e q u e seria pedida aos
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A POPULAÇÃO PORTUGUESA
pá rocos. Pa ra ta l , devia m os co rregedores enviar ca rtas ci rcu la res aos j u ízes de fora e
j u ízes o rd i n á rios, a fi m de estas fo rnecerem, até 20 de Deze m b ro de 1 7 8 3 , a re laçã o
exacta dos habitadores dos s e u s respectivos distritos, c o m a declaração d o s chefes de
fa míia e seus fi l h os/as, o n ú m e ro de criad os/as, escravos/as, re ligi osos/as, e eclesiás­
ticos. Por o rd e m d e u m de J u l h o d o mesmo ano, Pina M a n i q u e solici tava , a i n d a , o envio
do n ú m e ro d e casa me ntos efectua d os e m 1 7 8 2 . E, a p a rti r deste ano - i nsistia a q u e l e
magistra d o -. casa m e n tos, nasci m e n tos e óbitos ti n h a m de ser enviados, a n u a l m ente ,
n o mês d e Fevereito, á I nte n d ê ncia Geral da Polícia da Corte e R e i n o .
Tratava-se, pois, d e u m a utêntico recenseamento, a co m p a n h a d o da i n tenção de se
dete cta r o m o v i m e nto a n u a l da p o p u l a çã o , a d e m o nstra r que as medidas to m a d a s
n esse s e n t i d o , e m 1 7 7 1 , não t i n h a m o b t i d o q u a l q u e r êxito. Desco n h ecemos a exte nsão
e valor dos res u ltados q u e a s i nstruções de 1 7 8 1 - 1 7 8 2 tive ra m . Mas sabemos que as
mesmas fo ra m c u m p ridas, pelo m e n os, na lgumas p rovíncias d o Reino.
Ass i m , fo ra m l eva ntados, cuidadosa m e n te , os m a pas da população da coma rca d e
G u i m a rã e s , a n u a l m e n te , e n t r e 1 7 8 1 - 1 7 9 0 , i n d i ca n d o , p o r c o n c e l h o s , h o m e n s e
m u l h e res, rel igi osos/as, clé rigos, o rd i n a ndos, ass i m como os nasci me ntos - m e n i n os/as
- casa m e ntos e ó b i tos - mascu l i nos e fem i n i nos 1 1 .
Na sequência das mesmas o rd e ns, D. Manuel do Cenácu lo p romove um i n q u é rito na
d i ocese d e Bej a , a fi m d e a p u ra r os h a bita ntes e os ó b i tos a n uais das suas paróquias,
e ntre 1 7 8 0 - 1 7 8 6 , te n d o s i d o postos á disposição de Pina Manique os resultados fi n a i s
1 2.
E, em 1 7 8 9 , o dese m b a rgad o r Almeida Pa is, na d i l igência de que foi i nc u m b i d o , q u a l
a de averigu a r a s ca usas q u e d e ra m origem a o "despovoa mento e r u í n a " da agricu ltu ra
do Ale ntej o , regista , em 1 7 8 8 , a populaçã o da coma rca de Beja e o movime nto a n u a l
d o s nasci m e ntos e ó b i tos, i n c l u i n d o o s expostos, n o conce l h o de Bej a , entre 1 7 8 1 - 1 7 8 8 ,
o q u e l eva a ente n d e r q u e ta is dados já s e encontrava m leva ntados
n
N u m a l i n h a fisiocráti ca , considera n d o a população estreita mente relacionada com a
produção agríco l a , " porque b raços, e terra j u ntos, são como ca lor, e h u m i d a d e de cuja
fe rme ntação toma m vida as essê ncias e l e m e nta res" , o i ntendente da Agricu ltu ra , Ferrari
M o rd a u , e l a b o ra o p ri m e i ro e s b o ç o co n h e c i d o de um ca d a stro d o R e i n o , n o s e u
Despertador d a Agricultura, de 1 7 8 2 . Entre j u d iciosas sente n ças no sentido de ca n a l iza r
p a ra a agricu ltura as fo rças vivas do Reino, propõe a elaboração de u m a ca rta - resumo
da população, q u e deveria
a p u ra r, por coma rcas, os diversos tipos de povoa ções, os
corpos c o l e ctivos (co n v e ntos, reco l h i m e ntos, c o l é g i o s , h o s p i ta i s , etc.) a p o p u l a çã o
segu n d o os sexos, o n ú mero de nasci m e ntos e ó b itos, a l é m d o s re l i giosos e ce rtos
gru pos soci o p rofiss i o n a i s como os lavra d o res, a rtistas, criados e tra ba l ha d o res
14
Pa ra esse mesmo a n o , 1 7 8 2 , e já no labor propiciado pela actividade da Aca d e m i a
Real das C i ê n c i a s , Fra n cisco R e b e l o da Fonseca a p rese nta a Descripção economica d o
territorio que vulgarmen te se chama Alto- Douro , o n d e i n c l u i os tota i s da população
res i d ente nas fregu esias da região. o l eva nta mento baseava-se nos róis de confessa dos,
pelo q u e só fo ra m i nc l u í d os os efectivos m a i o res d e confissão
1 s.
Em 1 7 8 3 , José Antó n i o de Sá, "o p ri m e i ro e ntre os portugueses" a a p resenta r u m
modelo p a ra as observações fi losófico-pol íticas q u e s e devem fazer no rei n o - o b ra q u e
passou a exercer u m a gra n d e i nfl uência n o s eco n o m i stas políticos da época - , entre o s
pri n cípios q u e e n u n ci a , i n c l u i a a ve riguação do " n ú me ro d a s gentes da p rovín cia", a s
fa mílias existentes e m cada povo, ocupação d o s h a bita ntes, etc. 1 6
No a n o segu i n te, d a n d o cu m p ri m e n to a este p rogra ma teórico, um d iscí p u l o d e
D o m i ngos Va n d e l l i e fectua a Viagem mineralogico-botanica . . . d e Coimbra a Coja, n a
45
FERNANDO DE SOUSA
q u a l regista o l e va nta m e nto do n ú m e ro de fogos desta ú l tima v i l a , assim como a s
a l mas, fo rnece n d o , a i n d a , outros i n te ressa ntes d a d o s d e natu reza sociodem ográfi ca ,
nomeadamente, a estrutura p rofiss i o n a l e o movi me nto dos tota i s a nu a i s de baptismos,
casa mentos e ó bitos, entre 1 7 7 7 e 1 7 8 3 1 7
Entre 1 7 8 5 e 1 7 9 1 , L i m a Bezerra , em Os Estrangeiros no Lima , na descrição e n fa ­
d o n h a q u e faz da R i b e i ra Lima, i n c l u i n d o V i a n a d o Castel o (então, V i a n a da F o z d o Lima),
e n a qual, como escreveu Ivo Ca rneiro, a região é u m " pretexto" e a erud i ção o "texto",
espraia-se e m l a rgas cons i d e ra ções sobre a popu lação, o comé rcio , a agricu ltura , e a
n o b reza do rei n o . Procu ra n d o com b i n a r "as notícias mais seguras que encontrou nos
escritores d e boa n ota sobre a s matérias", a verd a d e é q u e , e m termos de população
deixa m u i to a desej a r, esti m a n d o , por exemplo, o n ú m e ro de h a bita n tes de Portuga l
n u n s exagera d íssimos 3 , 8 m i l hões 1 B
Em 1 7 8 6 , é a i nda José Antó n i o de Sá q u e e fectua a excele nte Descripção economica
da Torre de Moncorvo. Nela se a p resenta o m a pa da população, por freguesias, d iscri m i ­
n a n d o o n ú m e ro d e fogos e os i n d ivíduos m a i o res e menores de com u n h ã o e i n c l u i n d o ,
ta m b é m , o movi m e nto natura l de nasci m entos, ó bitos e casa mentos ocorridos no a n o
d e 1 7 8 4 . E , pouco d e p o i s , este mesmo a utor va i escrev e r a Memoria academica d a
provincia de Traz o s Mon tes, a q u a l n o s fo rnece i n forma ções d e ca rácte r estatísti co,
i n c l u i n d o a popu lação 1 9 _
Em 1 7 8 7 , José D i ogo de Masca re n h a s Neto produz, re la tiva m e nte á coma rca d e
G u i m a rães, o n d e exerceu fu nções d e corregedor, u m a estatística de gra n d e q u a l i d a d e ,
segu n d o Ba l b i , a p ri m e i ra no género efectuada e m Po rtuga l , d e q u e se co n hece, a penas,
o Mappa s tatistico da comarca de Guimarães, o qual, e m termos d e m ográ ficos, i n d i ca o
n ú m e ro de fogos, h o m ens, m u l heres e eclesiásticos daquela ci rcu nscrição 2 o _
No â m b ito co rográ fi co, u m a das m e l h ores o b ra s d este período, q u e constitui u m
ma rco d e referência p e l a subti l eza e a b ra ngência d o poder d e observação do s e u a utor,
é a rigo rosa Descripção topograph ica e h is torica da cidade do Porto, d e Agosti n h o
Rebelo d a costa , d e 1 7 8 8 . Abunda nte e m n ú m e ros e a preci a ções q u a l i tativas, i n te ressa
ta nto à d e m ogra fia como à h istó ria eco n ó m i ca , constitu i n d o um teste m u n h o precioso
sobre a d i n â m i ca u rbana e seus reflexos sobre a região. No capítu lo populaci o n a l , refere
o tota l d e fogos (que i d e nti fica , como outros a utores, com "vizi nhos" ou " fa m í l ias") e
a l ma s existentes nas freguesias da cidade do Porto em 1 7 8 7 , d iscri m i na os sexos dos
res i d e ntes e i n c l u i o tota l de casa m entos, nasci m e ntos e mortes ocorridos em 1 7 8 6 . A
gra n d e i novação d este estu d o está no fa cto do autor se basea r em esti mativas a q u e
ch ega depois d e corrigi r os d a d os fornecidos pelos catá logos (róis) e livros de registo
p a ro q u i a l , q u e r e p u ta de má q u a l i d a d e , p o r s e r e m " i rregu l a res no seu m é to d o " e
l a c u n a re s , e a i n d a , d e n ã o p r a t i c a r , n a i n fo r m a ç ã o q u a n t i ta t i v a , os t ra d i c i o n a i s
a rred o n d a mentos d o s n ú m e ros 2 1 _
Nesse mesmo a n o , s u rge u ma fo nte igua l m e nte i m porta nte pa ra o S u l do País, o
Mappa do Reino do Algarve, cód i ce m a nuscrito q u e se enco ntra em p u b l i cação. Com
gra ndes pote n c i a l i dades d e tipo d e mográ fico, i n d i ca o n ú m e ro de homens e m u l h e res,
p o r conce l h os. A p o p u l a çã o e n contra-se d i stri b u í d a por fogos, fi l i a ções ou outros gra u s
d e r e l a ç ã o c o m o ca b eça d e fogo. R e fe r e m -se a s i d a d e s até a o s 1 0 0 a n os, a clas­
s i fi ca ç ã o p r o f i ss i o n a l d o s res i d e n t e s e a i n d a o n ú m e ro d e n a s c i m e n tos e ó b i to s
ocorridos n a p rovíncia , e m 1 7 8 8 . Embora c o m uma estrutura semelha nte à d o s r ó i s d e
c o n fessa d o s , a g ra n d e i n ova ção d este d o c u m e n to re l a c i o na - s e com o s e u a l ca n ce
gl o b a l , a o a rro l a r de forma sistemática toda a populaçã o d e u m a p rovíncia 22
46
A POPULAÇÃO PORTUGUESA
A i n d a em 1 7 8 8 , o dese m b a rga d o r G e rvás i o de A l m e i da Pa is, já referido, nas suas
excele ntes e b e m d o c u m e ntadas Observaçoens e exames feitos sobre as ca uzas do
atrazamento e ruína da agricultura e povoação na Província do Alentejo , oferece-nos
p reciosas i n formações estatísticas qua nto à população da coma rca de Beja.
o a n o d e 1 7 8 8 conti n u a , todavia, a produzi r d escrições de q u a l i dade. Em Salvate rra
de Magos, são os engen h e i ros m i l i ta res Teodoro Marques Pere i ra da Si lva e Inácio José
Leão que rea l izam o levanta m ento n o m i n a l da popu lação da vila. Apuram o n ú mero de
fogos, os ca beças de casa l ou d o n os d e casas, os residentes por sexos, d istingu i n d o o
seu esta d o rel i gioso, os clé rigos e frad es. Procedem à classificação soci o p rofissional da
p o p u la ç ã o , r e p a r t i d a por gru pos d e i d a d e d e c e n a i s e ntre 1 e 1 1 o a n os. E refere m ,
ta m b é m , o tota l d e nasci m e ntos e ó bi tos d o a n o d e 1 7 8 8 , d isti ngu i ndo a morta l idade
dos m e no res e m a i o res d e 7 anos
n
A pa rti r de 1 7 8 8 e até 1 8 2 6 , nos su cessivos a l m a n a q u e s p a ra os d i versos a n os ,
começam a divu lgar-se i n fo rmações cu riosas, d e natu reza estatística, sobre comércio,
p o p u l a ç ã o , etc.. o a l ma n a q u e d e 1 7 8 8 i n tro d u z uma r u b r i ca i n titu l a d a Aritmé tica
Política, i n d i ca n d o os níveis d e nata l i dade e morta l i d a d e , bem como uma esti mativa da
d u ração média d e vida das populações. Este tipo d e i n formação p rossegue nos a n os
i m e d iatos, até 1 7 9 0 , desta feita , i n d i ca n d o o n ú m e ro de nasci m e n tos, casa m e n tos e
ó bitos regista dos na cidade de Lisboa. o Almanach de 1 7 90 i nclui a i n d a registos demo­
grá ficos s o b re a s fregu esias d e Lisboa e d o bispado de Porta legre, bem como o n ú mero
d e freguesias d o re i no. A mesma i n formação sobre várias loca l i dades é a p resentada em
1 7 9 1 , d a n d o especial relevo à população da i l ha de São Migu e l , nos Açores.
Entreta nto, a a cção dos enge n h e i ros m i l ita res p rossegu e. Em 1 7 8 9 , à semelhança do
a rro l a m e nto e fectuado e m Salvaterra de Magos, Teodoro Pere i ra da Si lva e Inácio Leão
rea l iza m o levanta me nto da vila de Coruche. o esquema segu i d o , bem como o tipo d e
i n formação são i d ê nticos a o d e Salvate rra. E e m 1 7 90, rea l i za-se o leva nta m e nto d a v i l a
de Sa m o ra Correia e m m o l d e s iguais a o s util izados a nteriorme nte 24 .
Em 1 7 9 2 , a p resenta-se o leva nta m e n to dos res i d e n tes em Lei ria e mais dez fre­
guesias da Alta Estre m a d u ra , refe re ntes a 1 7 9 1 . I n d i ca-se o tota l de homens e m u l h eres,
d i s t i n gu i n d o m a i o res e m e n o res d e 7 a n os, e o movi m e nto natu ra l d a p o p u l a ç ã o .
Provave l m e nte na s e q u ê n c i a de u m leva nta m e nto ordenado pela Intendência G e r a l da
Polícia, o A lmanach refe re n te a o ano d e 1 7 9 3 i n fo r m a , p o r b i s p a d o s , o n ú m e ro de
freguesias d o rei n o .
A pa rti r d e 1 7 9 1 - 1 7 9 2 depara m o-nos c o m vários leva nta m e ntos, a lguns dos quais s e
rela ci o n a m d i recta m e n te com a l egislação d e 1 7 9 0 (ca rta de lei d e 1 9 de J u l ho) e d e
1 79 2 (a lvará d e 7 de j a n e i ro), que p revia uma dema rcação do reino, através de uma nova
divisão que corrigisse o l a b i ri nto das isenções, j u risdições e encravame ntos de circuns­
crições tã o critica d o na época, dada a i rraci o n a l i dade a d m i n istrativa q u e então vigorava .
Nesta l i n ha , em 1 7 9 1 , José Antó n i o de Sá elabora o plano de correi ção da coma rca
de M o n co rvo. N e l e i n clui um levanta m e nto do n ú mero de h a bita ntes de ca da fogo, os
respectivos ca beças de casa l e seus fi l hos, criados e outros. I n d i ca as ida des, o ofíci o , a
n a t u ra l i d a d e , o esta d o re l i gioso, a d i stri b u i çã o da p o p u l a çã o mascu l i na por gra n d es
gru pos de idades (menores de 2 0 , e ntre 20 e 50 e maiores de 5 0 a n os). Refere, a i n d a , o
tota l de ó b i tos, nasci m e n tos e matri m ó n i os da região, a p resenta n d o como modelo u m
mapa da p o p u l a çã o d o conce l h o de Vila Flor.
A i n d a de a co rd o com a mesma orie ntação, em 1 7 9 2 , o corregedor Antó n i o Xav i e r
Teixeira H o m e m tra ça o mapa da populaçã o da coma rca de Viana. M a p a q u e u ltra passa
47
FERNANDO DE SOUSA
o â m bito p o p u l a c i o n a l p a ra se espra i a r p e l a s acti v i d a d es eco n ó m i ca s , a p resenta n d o
d iversos q u a d ros d e produções. Pa ra a popu lação, a i n formação é d a d a p o r conce l h o , de
acordo com a s relações fornecidas pelos pá rocos, d isti ngu i n d o homens e m u l h e res e m
quatro gra ndes gru pos etá rios, de 1 a 1 4 a nos, de 1 4 a 3 0 , de 3 0 a 70 e m a i s de 70 a n os 25 .
Nesse mesmo a n o , Tomás Antó n i o Portuga l chama a atenção para a n ecessidade d e
u m a n u m e ração gera l d o R e i n o , da q u a l constassem o n ú m e ro d e h o m e n s e m u l h e res,
esta d o civi l - os soltei ros, d iv i d i dos e m m a i o res e menores de 1 5 a n os -, respectivas
profissões e os nasci m e ntos, casa mentos, ó bitos - e causas que origi naram estes -, q u e
ocorri a m , a n u a l m ente, n o re i n o
26
Pa ra o A l e n tej o , te m o s co n h e ci m e nto q u e To rres S a l gu e i ro , p rove d o r d e Évo ra ,
ta m b é m e m 1 7 9 2 , e m resposta á p rovisão d e 2 0 d e Abri l d o mesmo a n o , l eva ntou os
dados d e natu reza d e m ográ fica , social e eco n ó m i ca relativos à coma rca de Vila Vi çosa ,
d e q u e r e s u l t o u u m a " e x c e l e n t e i n fo r m a ç ã o " , a Es tatís tica, s o b re a agric u l t u ra,
população e c. da comarca de Vil/a Viçosa", p u b l i cada em 1 8 2 0 , mas, l a m e ntave l m e nte,
desprovida dos q u a d ros estatísticos
n
A i n d a e m 1 7 9 2 , o m a re c h a l de ca m p o F ra ncisco X a v i e r de N o r o n h a red ige u m
p a r e c e r s o b re o m é t o d o m a i s va ntaj osos p a ra s e v e ri fica r a p o p u l a çã o d o R e i n o ,
p o n d e ra n d o q u e , p a ra ta l exa m e , o s magistra d os m a i s i n d icados seri a m o s corregedores
e proved o res, p o r terem o pe rfeito conhecimento das v i ntenas da sua á rea de j u risdição
e poderem d i s p o r dos "soco rros" dos pá rocos, q u e lhes dariam as "cla rezas necessa rias".
Por outro lado, devia-se lançar mão dos l i vros das ordenanças, existentes nas câ m a ras e
dos q u a i s constava m os fogos e mora d o res de ca da conce l h o 2B
o n u m e ra m e nto d esse a n o , efectua d o pela I ntendência Geral da Polícia, a p u ro u , e m
t o d o s os b i s p a d o s d o R e i n o , prelazia de To m a r e m a i s a lguns isen tos , 3 9 7 4 fregu esias e
6 3 7 3 8 2 fogos 2 9
F i n a l m e n te , em 1 7 9 3 , são n o m e a d os os j u ízes d e m a rca n tes pa ra a s d i v e rs a s
coma rcas d o Reino: José d e Abreu Bace l a r Chicharro, para a Estre m a d u ra ; João Bernardo
da Costa Falcão, p a ra a B e i ra ; Fra ncisco Antó n i o d e Fa ria, para o M i n ho; Col u m b a n o Pi nto
R i b e i ro d e castro, para Trás-os-Montes; Joa q u i m J osé Marques To rres Salgu e i ro , para o
Alentejo; e José Antó n i o Barahona Ferna ndes, pa ra o Algarve.
Ca d a u m d e s t e s m a g i st ra d os estava i n c u m b i d o de e fectu a r a v e r i g u a ç õ e s d e
ca rácte r a d m i n i s t ra t i v o , e co n ó m i c o e soci a l , e x i g i n do-se a i n d a o l e va n ta m e nto d a
p o p u l a ç ã o res i d e nte. U m a s e q u ê n c i a d e a c o n t e c i m e n tos, c o n tu d o , v i rá a i m p e d i r,
l i m itar, o u , p e l o menos, a d i a r esses tra b a l hos.
Em relação a o Alga rve não se conhecem quaisquer resultados, sendo de colocar a
h i p ó t e s e d e ta l l e v a n ta m e nto s e r co n s i d e ra d o d i s p e n s á ve l , te n d o e m a t e n ç ã o a
existência do exce l ente M a pa do Re i n o de Alga rve, de 1 7 8 8 , atrás referido.
Quanto a o Alentej o, há notícias ce rtas d e Torres Salgu e i ro, a pesa r da hosti l i d a d e das
a utori d a d es regi o n a i s , ter e fectua d o o l eva nta mento da popu lação da p rovíncia
em
1 7 9 4 - 1 7 9 5 . P e r d e u - s e , contu d o , a docume ntação rela tiva a esta vasta regiã o , s o b re­
vive n d o a pe n a s os dados refe rentes a o conce l h o d e Serpa , posteriormente uti l i za d os
p o r José da G raça Afreixo, na sua Memoria h istorico-economica do concelho de Serpa 30.
S o b re a Estre m a d u ra não se c o n h ece q u a l q u e r c ô m p uto globa l , e m b o ra Bace l a r
Chicharro t e n h a redigido u m a m e m ó ria i m po rta nte e m q u e expende doutrina sobre o
ca m i n h o a s e gu i r p a ra esse e fe i to . S e n d o esta m e m ó ri a d i v i d i d a e m d u a s pa rtes ,
Chicha rro a p resenta , na p ri m e i ra , a sua doutrina sobre o conceito de " ri q ueza p ú b l ica" e
os meios de a o bter. Pa ra a segu nda pa rte, p ro p u n ha-se fazer uma "espécie de a ritmé48
A POPULAÇÃO PORTUGUESA
tica politi ca a cada u m a das vilas da p rovíncia", regista ndo os tem p l os, pontes, fá b ri ca s e
m a n u fa cturas gera i s , terras cu ltas e i n cu l tas, o esta d o da sua lavoura ; a quantidade d e
gé n e ros reco l h i dos, povoa ção, com é rcio, d i reitos, b e n s da coroa e das ordens religi osas,
a presen ta nd o , n o fi n a l , os mapas gerais de povoa ção , e dos frutos" 3 1 . Este proj ecto,
contu d o , não chegou a rea l i za r-se, pois, p a ra a l é m das d i fi c u l d a d es e n co n tra das nos
magistrados locais, Chicharro terá tentado o recenseamento por 1 7 9 7 - 1 7 9 8 , isto é, numa
altura e m q u e a população a n dava já mu ito alvoroçada com boatos de gue rra e m i n ente.
Pa ra a B e i ra , não se con h e ce q u a l q u e r documentação que d i recta mente expresse a
a ctividade do j u i z d e m a rca n te. Mas sa be-se q u e , na seq u ê n cia das suas i nstruções, o
j u i z de fora de Recardães, j osé Antó n i o Leão, efectuou o l eva nta me nto da respectiva
vila e termo p a ra o ano d e 1 79 3 . I n c l u i a população por sexos e gru pos de i d a d e , - os
h o m e n s d e um a 1 4 a nos, 1 4-60 e mais d e 60; a s m u l h e res de u m a 1 2 a n os, 1 2 - 6 0 e
m a i s de 60 a n os - o respectivo estad o civil e a i n d a os nasci me ntos (legítimos, i l egítimos
e expostos), os ó bitos (naturais e por acide nte) e os casa mentos entre 1 7 8 9 e 1 7 9 3 . E,
e m 1 7 9 5 , J e ró n i m o Couce i ro d e A l m e i d a , secretá rio da d e m a rcação da B e i ra , a p u rou a
tá bua da p o p u l a çã o da cidade de Coi m b ra e seu termo, design a n d o o tota l de h o m e n s
e m u l h e res p o r g r u p o s de i d a d e i d ê nti cos aos util izados e m relação a Reca rdães, bem
como o seu respectivo esta d o civi l 32 .
D este vasto e i nteressa n tíss i m o p rojecto da "dema rca ção" do Reino, co n h ecem-se,
a i n d a , duas d escrições d e gra n d e q u a l i d a d e , q u e a testa m as i nvu lga res ca pacidades
i n te l e ctu a i s e t é c n i ca s d o s seus res p o n s á v e i s e n o s dão um re l a to q u a l i t a t i v o e
q u a ntitativo m i n ucioso sobre as duas gra n d es províncias do Norte de Portuga l , o M i n h o
e Trás-os-Montes.
Ass i m , e m 1 7 9 4 - 1 7 9 5 , Co l u m ba n o Pinto d e Castro , num tra b a l h o excepci o n a l q u e
a cusa os e n s i n a m e ntos co l h i dos na o b ra e nos conta ctos pessoa is ma ntidos c o m José
Antó n i o d e Sá - exerceu fu n ções de p roved o r e m Monco rvo quando este aí se encon­
trava como co rregedor -, leva a efeito o recensea m e nto siste máti co da populaçã o d e
toda a p rovíncia d e Trás-os-Montes. No respectivo Mappa do estado actual d a província
de Tras -os-M o n tes , p o r v i n t e n a s , c o n ce l h o s e c o m a rca s , a p re s e nta a p o p u l a çã o
d istri buída p o r sexos e p rofissões, b e m como o tota l de ó bitos (divididos e ntre m a i o res
e m e n o res de comun hão) e os nasci m entos ocorri dos e m cada co nce l h o , entre 1 7 6 8 1 7 7 2 e 1 7 8 8 - 1 7 9 2 , p a ra a l é m d e c o n t e r , a i n d a , va l i os a s i n fo r m a çõ e s d e ca rá cte r
a d m i n istrativo e económ ico 33 .
Nos mesmos a nos, l eva nta m ento semel ha nte foi rea lizado por Fra ncisco Antó n i o de
Faria e p e l o te n e nte d e e n ge n h a ri a
custó d i o V i l a s Boas pa ra a p rovíncia d o M i n ho.
Desta vez, o levanta mento fo i a co m p a n h a d o por u m magnífi co estud o ca rtográ fi co da
regiã o , e fectu a d o por Vilas Boas, e cuja rea lização se reporta aos mesmos a nos. Pa ra
cada u m a das coma rcas designa-se o n ú mero de fogos, os homens e m u l heres m a i o res
e m e n o res d e 1 4 a nos, o tota l d e a l mas, os clérigos, os conventos de frades e frei ras,
re l i gi o s o s e re l i g i o s a s , o s reco l h i m e n tos e reco l h i d a s . I n c l u e m -se dados s o b re as
cidades, a s v i l a s com j u i z d e fora , os conce l hos, coutos e h o n ras, j u lgados e freguesias,
priora d os, a ba d ias, reitorias, curatos, pá rocos, re n d i m e ntos dos dízi mos, comendas da
Ordem d e Cristo e da Ordem d e Malta, fe i ra s , e outras i n fo rmações, e m b o ra s e m a
ela boração da m e m ó ria eco n ó m i ca de q u e se conhece a penas o p l a n o , data d o de 1 7 9 9
e p u b l i ca d o n esse mesmo a n o 34
Antó n i o cruz, a o d a r á l u z o Cadastro da Província do Minho, desco n h ecendo o plano
n a c i o n a l e m que este s e i n s e r i a , i n fl u e n ci a d o pela a p rova ç ã o , e m 1 7 9 9 , d o p l a n o
4
49
FERNANDO DE SOUSA
o rga ni za d o p o r Vilas Boas pa ra u m a d escrição geográfica e eco n ó m i ca da provínci a , e
pela data de 1 8 0 0 , registada no mapa ca rtográfi co do M i n h o , q u e reproduz, concl u i u
a p ressa d a me n te q u e a q u e l e ce nso representava a pa rte d e mográ fi ca da d escrição e
q u e , p o rta nto, datava de 1 8 0 0 35 .
o ra , na ú l t i m a década do século XVI I I , a penas se efectivo u , para o M i n h o , u m só
recensea mento, que data d e 1 7 9 4 - 1 7 9 5 . E o fa cto de nos surgirem dois cômputos tota is
da p o p u l a çã o , q u e seria m , um, d e 1 7 9 8 , outro, d e 1 8 0 0 , não nos permite concl u i r que
esta mos p e ra nte d o i s recensea me ntos d isti ntos - ou três, se tivermos e m consideração
o d e 1 7 9 4 - , o utross i m , q u e s e trata , a p e n a s , d e d u a s versões d e um s ó c e n s o ,
registadas, e m é p o cas d i ferentes, nas ca rtas geográ ficas de V i l a s Boas.
C o m e fe i t o , os m a p a s d a povoação d o M i n h o e os p a p é i s relativos à d escrição
eco n ó m i ca da p rovíncia, enviados pelas câ m a ras a Antó n i o de Fari a , na sequência d o
i n q u é rito q u e e s t e m a n d a ra i m p ri m i r e d i stri b u i r p o r t o d o s os conce l h o s m i n h otos,
e n co ntrava m - s e j á reco l h i dos e m 1 7 9 5 , pelo que a q u e l e magi stra d o e n v i o u toda a
docume nta çã o p a ra Lisboa.
Esses fu n d os docume nta is, a pós terem passa d o por outras mãos, fo ra m e ntregu es,
e m 1 7 de Agosto d e 1 7 9 6 , a Vilas Boas, q u e conti n uava a tra b a l h a r na ca rta geográfica
d o M i n h o , fa lta n d o - l h e , então, p a ra co m p l eta r a q u e l a , l eva nta r pa rte da coma rca de
G u i m a rães e a coma rca d e Penafiel 36
o estud o ca rtográ fico da p rovíncia term i n a e m 1 7 9 8 , ten d o Vilas Boas regista d o no
m a p a , p o r coma rcas, o q u a d ro da população d o Minho, a nota n d o q u e , para o a p u ra ­
m e nto da m e s m a , se teria servi d o d o concurso d e pá rocos, de pessoas i ntel igentes e d e
u m " l a b o ri ozo tra ba l h o " .
E m c ó p i a p o s t e r i o r d o m e s m o m a p a , fo i regi sta d o , n o v a m e n t e , o q u a d ro d a
p o p u l a çã o da província, referido a 1 8 00 e q u e d i fere, a penas, em 8 0 pessoas, do tota l d a
p o p u l a ção i nseri d o n o mapa d e 1 7 9 8 , o q u e i n d icia u m a mera correcção n u m é ri ca 3 7 .
Ass i m , n u m a fase primária, em 1 79 8 , os resultados do censo de 1 7 9 4- 1 7 9 5 fora m
i n tegra d o s no m a pa d o M i n h o , res u l ta d o s q u e a c u sa m , a t é , u m gross e i ro e rro n a
contagem dos fogos da coma rca de G u i m a rães, j ustificável, devido à d e m a rcação d o s
co n c e l h os, e ntã o e m c u rso. N u ma segu nda fase, a pós trata m e n to m a i s c u i d a d o d a s
fontes o rigi nais, os resulta d os d o mesmo censo passa ra m a fazer pa rte de u m a cópia d a
ca rta geográfica d e V i l a s Boas, atri bui ndo-se-lhe a data de 1 8 00.
Outras fontes, a l iás, para além das i n formações d o j u iz d e m a rca nte, Antó n i o d e Faria
- para não fa la rmos na a meaça d e gue rra q u e p a i rava sobre o Reino, nos anos de 1 7 991 8 0 0 , c o n fi rm a d a pelo p r ó p r i o Vilas B o a s e que d i fi c u lta ria terri ve l m e nte q u a l q u e r
levanta m e nto d e mográ fico - , confirmam q u e o recensea mento do M i n h o é de 1 7 94- 1 7 9 5 :
o ca rdeal Sara iva, a utor da obra Os Frades julgados no Tribunal da
Razão, i n d ica , pa ra a populaçã o e para o clero regu l a r e secu l a r
d o M i n h o , os m e s m o s n ú m e ros q u e os referidos a 1 8 0 0 , n a
ca rta d e V i l a s Boas, m a s , expressamente declara " o exacto e
m i u d o rece nsea m e nto, q u e fez o e n ge n h e i ro Custó d i o J o s é
Gomes de Vilas B o a s em 1 7 94 " 3 8 .
n o A rq u i v o H i s t ó r i c o M i l i ta r e n c o n t ra - s e a R e l l a ç ã o d a s
jurisdicções e freguesias d a província do M i n h o em 1794, cópia
fi e l d o cadastro p u b l icado por Antó n i o Cruz, ignora n d o apenas
o sexo fe m i n i n o, a d e n u ncia r, porta nto, o seu fi m m i l ita r 3 9 .
50
A POPULAÇÃO PORTUGUESA
•
Vilas Boas. em 1 802. numa carta-resposta atinente à obra do enca­
namento d o Cáva d o . fa l a d a " n u m e ração d e 1 7 9 4 " e a ponta .
p a ra este a n o . o n ú m e ro d e fogos d e Espose n d e . igu a i s aos
registados no Ca dastro 4 0 .
fi n a l m e nte. e datada de 1 8 0 0 , conhece m os uma fonte m a n us­
crita da autoria d e Vilas Boas. que diz respeito ao Alto- M i n h o .
i n d i ca n d o a população das v i l a s e concelhos das coma rcas d e
Va l e n ça e Viana. nesse a n o . n ú m e ros tota l m e nte d i ferentes d o s
q u e se e n contra m no Cadastro de 1 7 94 - 1 7 9 5 4 1 .
o a p u ra m ento d a p o p u lação a norte d o D o u ro . n a ú ltima d écada d o sécu l o XVI I I .
data . p o i s . d e 1 7 9 4- 1 7 9 5 .
Os censos d o M i n ho e d e Trás-os-Montes constitu e m . pois. a nível populaciona l . o s
ú n i cos recenseame ntos provinciais q u e se conhece m . l i mitados resu ltados de uma d e ­
m a rcação e levanta m e nto da população q u e se p rete n d i a m extensivos a tod o o Reino.
Que. e m 1 7 9 8 , não se t i n h a m conta d o . ainda. os portugueses. d e m onstra-o o censo
d e P i n a M a n i q u e . por fogos. com propósitos d e l i b e ra d a m e nte m i l ita res e e fectua d o
a t r a v é s d o s co rrege d o re s . j u ízes d e fo ra e j u ízes o rd i n á ri o s . o fi c i a i s d o e x é rcito e
ca p i tã e s - m o re s . p r o m e te n d o o I n t e n d e n t e G e r a l da P o l í c i a . a o s m a g i s t ra d o s d a
a d m i n i s t ra ç ã o l o ca l . p r o m o çõ e s i m e d i a ta s . c a s o s e d e s e m p e n h a s s e m . d i l i g e n te e
ra p i d a mente. da m i ssão q u e l h e s e ra confiada.
o c ô m p uto fi n a l registou 4 2 3 9 fregu e s i a s - n ú m e ro s u p e r i o r a o rea l . j á q u e .
a lgumas freguesias. d istri buídas p o r mais q u e u m conce l h o . fora m contadas duas vezes
- e 746 864 fogos. tota l a necessita r igua l m e nte. d e a lgumas correcções.
Os va l o res globais. a p resentados no Almanach para o anno de 1802 - a q u i . regis­
ta n d o 4 2 6 2 fregu esias e 760 402 fogos -. tra nscritos i n tegra l mente por José Corn i d e .
e m a p ê n d i ce a os t r ê s volumes d o seu Esrado de Portugal en e/ ano de 1800. conheceu
e d i çã o a u t ó n o m a . d a r e s p o n sa b i l i d a d e d e Veríss i m o Serrã o . s e m q u a l q u e r a p a rato
crítico e q u e erra d a m e nte o a p resentou co mo i néd ito 4 2 E. até 1 8 0 1 . não se re nova m
q u a i s q u e r tentativas sérias q u e visem o conhecime nto global da população portugu esa .
N u m a p e rs p e ctiva m i l i ta r. registe-se. p a ra 1 7 9 9 . o m a p a gera l da p o p u l a ç ã o d a
comarca d e Castelo Bra nco. por freguesias. d istinguindo h o m e n s e mulheres. ela borado por
J osé Pereira de Lacerda. Esta tarefa visava dar cumprimento ao alva rá de 2 2 de Feverei ro
desse mesmo a n o . tendo em vista o recruta mento do corpo da legião de tropas ligeiras 43
N esse mesmo ano. e ra a p rova d o . através da Secreta ria d e Esta do dos Negócios d o
Reino. o m i n ucioso p l a n o d e Vilas B o a s pa ra uma descrição geográ fi co-econ ó m ica d o
M i n h o - p l a n o . s e m dúvida. i ns p i ra d o na o b ra teoriza d o ra de J o s é Antó n i o de Sá-. q u e .
a
n í v e l d e mográ fico. p rete n d i a re nova r o Cadastro de 1 7 9 4 e reco l h e r o n ú m e ro d e
ó b i tos. casa m e ntos e nasci m en tos da p rovíncia d e " h a 1 o a nos a esta parte". Pla n o
a m b i ci oso q u e . i n fe l izmente. não chegou a con cretiza r-se.
E m 1 8 0 1 . é a i nda Col u m b a n o Pinto R i b e i ro de Castro. que. enqua nto correge d o r da
coma rca da F e i ra . segu i n d o o modelo já utilizado por si na descrição d e Trás-os-Montes.
nos fornece uma rigorosa Descripção da Comarca da Feira. fo rnecendo-nos o volume da
p o p u l a çã o - fogos. a l mas. homens e m u l h e res -. a classificação soci o p rofiss i o n a l da
população a ctiva . e o utras i n fo rma ções d e ca rácte r estatístico. q u e vão desde as rendas
d o con d a d o e a l m oxarifados até ao ren d i m ento dos dízimos 44
51
FERNANDO DE SOUSA
A i n d a em 1 8 0 1 , como resu ltad o de um lo ngo tra ba l ho i n i ciado em 1 7 94 45 , - e q u e
visava a u m p l a n o ge ra l d e correição, a p rova d o e m 1 7 9 7 - , são p u b l icadas, da a utoria
de J o s é A n tó n i o de Sá, as I n s truções G e rais para s e form a r o Cadas tro o u Mapa
Arithmetico - Politico do Reino, a s q u a i s , n o ca pítu l o relativo à povoaçã o , s i n tetiza m
todas as co n s i d e rações q u e a q u e l e magistra do até aí tecera sobre este tem a , preco­
n i za n d o o a p u ra m e nto d o n ú me ro d e " pessoas", ou " h a b i ta ntes" , as suas idades, sexos,
estados e "classe", os nasci m entos, casa m entos, m o rtes, causas d o despovoa m e n to de
alguns l uga res, etc.
Tornava-se n ecessá r i o q u e , p a ra a averiguação d a p o p u l a çã o , como dos ou tros
o bj e ctos d o C a d a stro d o R e i n o , se esco l h essem " c o m i ssá rios", o u sej a , " m i n istros e
pessoas i ntel igentes nas materias respectivas". A responsa b i l i d a d e de tal a p u ra m e n to
seri a , assi m , do Esta d o , na conti n uação do p l a n o da d e m a rca ção das p rovíncias, i n i ciado
e m 1 7 9 3 , mas q u e não d e ra os resu ltados p revistos.
Nesse sentido, a "saudosiss i m a lei d e 9 d e j u n h o d e 1 80 1 " dete r m i nava q u e , em
cada coma rca d o R e i n o , existisse um matemático, que fosse o seu cosmógrafo, a fi m de
se leva nta r o cadastro das terras. Procu rava-se, d este modo, cri a r u m serviço especial
" p a ra as a v e ri g u a ç õ e s e s t a t í st i c a s " , à s e m e l h a n ça dos d e p a rta m e n t o s o fi c i a i s
r e s p o n s á v e i s p e l a E s t a t í st i ca , q u e , e m 1 8 0 0 , t i n h a m s i d o fu n d a d o s n a F ra n ça e
I nglaterra. o proj e cto, c o n t u d o , n ã o v i n g o u , ou p e l a s d e s p esas q u e oca s i o n a v a , o u
porq ue, n ã o esta n d o " e m h a r m o n i a c o m as i nstitui ções . . . p o d i a p roduzi r confl i ctos de
j u risd i cçã o " 46
Mas, p a ra já, term i n a d o o confl i to com a Espa n h a , q u e ocorre ra e m 1 8 0 1 , a Guerra
das Laranjas, e esta belecida a paz com o rei n o vizi n h o , não seria possíve l , pelo menos
n o q u e d izia respeito à p o p u l a ção, proceder a o recenseamento geral do rei n o , através
das a u t o ri d a d e s eclesiásticas, uma vez que n i n g u é m m e l h o r que os pá rocos p o d i a
fornecer, com " m a i o r certeza e comod i d a d e " , o n ú mero de h a bita ntes das freguesias d e
Portuga l ?
4 . Co n c l u s ã o
A a n á l ise d a s d outri nas da população e dos l eva nta m e n tos, nacionais e regi onais,
e fectu a d os , a nível d e m ográ fi c o , n o ú l t i m o q u a rte l d o s é c u l o XVI I I , e m P o rtuga l ,
permite-nos chega r a a lgumas concl usões.
Em p r i m e i ro lugar, i m po rta referir que ga n h a corpo a tese de que já não basta mais,
q u a nto a o a p u ra m e nto da popu lação, a s i m ples contagem por fogos, vinda da Idade
M é d i a , mas q u e se torna necessá rio i r m a i s longe, isto é , recensea r toda a população,
h o m e n s , m u l h eres e cri a n ças.
O fogo, u n i d a d e d e contage m privil egiada e quase exclusiva do Antigo Regi me, cede
o passo, ra p i d a m e nte, à q u a ntifi cação das almas, i sto é , das pessoas ou habitan tes.
se o fogo c o n t i n u a a s e r s i n ó n i m o d e vizi n h o e fa m íl i a , a s a l m as p e r d e m o
sign i fi ca d o de m a i ores de com u n h ã o ou de co n fissão e passa m a i d entifica r-se com os
h o m e n s e a s m u l h e re s e x i s t e n t e s , c o m a s pessoas o u habita n tes . E o tra d i c i o n a l
vocá b u l o povoação v a i d a r lugar à designação de recenseamento.
Estes n ovos conceitos, fruto da ren ovação mental e conceptu a l que ca racte riza os
fi n a i s d e Setecentos, não tra d u ze m , a penas, uma m u d a nça fo rma l , mas traze m consigo,
n o d o m í n i o da popu lação, u m a maior exigência, u m maior rigor.
52
A POPULAÇÃO PORTUGUESA
As estimativas ced e m l u ga r a o cá l c u l o , os n ú m e ros q u e e x p ri m e m os fogos , a s
a l m a s o u os h a b i ta n tes l i b e rta m - s e d o s h a b i t u a i s e grosse i ros a rred o n d a m e ntos e m b o ra m a n te n d o a atracção p e l os n ú m e ros pa res, e n a s i d a d es , p e l o s n ú m e ros
te rm i nados e m o e 5 - e ga n h a m outra segu ra n ça , u m a vez q u e a população, pa ra a l é m
d e e n t e n d i d a n u m a p e r s p e ct i v a e c l e s i á s t i ca , t r i b u tá r i a o u m i l i ta r , p a s s a a s e r
co n s i d e ra d a , ta m b é m , c o m o u m a d a s v a r i á v e i s a t e r e m c o n ta n o s p l a n o s d e
desenvolvimento eco n ó m i co.
A q u a ntifica ção da população, i n tegra d a , logica mente, na proble mática mais a m pla
da qua ntifi ca çã o da rea l i d a d e eco n ó m i ca e social d o rei n o , passa a ser, deste modo, um
i nstru m e nto esse n c i a l d a política eco n ó m i ca d o Governo e u m dos fu n d a m e ntos d e
u ma a d m i n i stra ção eficaz.
S a b e m o s q u e , l a m e n tave l m e n t e , este esforço q u a n ti t a t i v o não é, a i n d a , u m a
con q u i sta defin itiva, i rreve rsíve l , u m a a q u isição para sempre. Com efeito, o rei n a d o d o
fogo, a esti m a tiva grosse i ra , no p l a n o d e m ográ fi co, conti n u a rá a ma nte r-se d u ra nte
pa rte da segu n d a meta d e d o século XIX, por razões que têm a ver com a i nsta b i l i d a d e
política, a s gue rras c i v i s , e n fi m , a d e b i l i d a d e da a d m i n istração p ú b l ica.
S a b e m o s , ta m b é m , q u e , p o r ta i s r a z õ e s , e s t e r e t r o c e s s o e s t a t í s t i c o não se
ci rcu nscre v e rá , a p e n a s à p o p u l a ç ã o , m a s o utrossi m , a b ra nge rá , c o m o e m Espa n h a ,
todos o s e l e m e ntos susce ptíveis d e permiti r a ava l i a ção da riqueza de Portuga l , desde o
co m é rc i o e x t e r n o e a i n d ú s t ri a , a t é à a va l i a ç ã o d a s co l h e i ta s e à e s t r u t u ra d a
propriedade 4 7
Contu d o , p a ra j á , as ú l t i m a s décadas d o século XIX e ncerra m a primeira tentativa
séria e conti nuada d e se " m e d i r" o País, m u i to especia l mente, a sua população.
Sendo assi m , é d e a d m i ra r q u e , como corolário d este notável esforço estatístico­
d e m o g rá fi c o , te n h a s u rgi d o , em 1 8 0 1 , o p ri m e i ro r e c e n s e a m e n t o d a p o p u l a çã o
portugu esa , graças à d eterm i nação desse esta d ista excepcio n a l q u e d á pelo nome d e
Rod rigo d e Sousa Couti n h o , n o m e a d o , a 6 d e J a n e i ro d esse a n o , secretá rio de Esta d o da
Faze n d a e p res i d e n te d o Real Erário ?
N O TAS
1 . Roger Mols, ln troduction a l a démographíe historique des vílles d 'Europe, 1 1 , Louva i n , 1 95 5 , p. 1 5.
2. José Correia da Serra, no Discu rso Pre l i m i n a r as Memorias Economícas da Academia Real das Sciencias, t.
Lisboa , 1 789, p. VIII.
3 . Mols, ob. c i t., I I I . 1 9 5 5 , p. 1 2 5 .
4. Discu rso de José Correia da serra, Memorias Economicas, I , p. X.
5 . José Bacelar Chicharro, Memoria ... da Estremadura, Lisboa, 1 94 3 , p. 4 5 e 49.
6. "Viagem m i n e ra l ogico-bota n ica . . . " , jornal Encyclopedico, Lisboa , Setem bro de 1 789, p. 307.
7. Ver António Henriques da Silveira , Ara újo Travaços, Domi ngos Va n d e l l i , Á lva res da Si lva e Soares de Ba rros nas
m e m ó ri a s que p u b l i c a ra m n a é p oca; Gervásio Pa i s Observa çoens e exa m es feitos s o b re as ca uzas do
a traza m e n t o e ruína da agricultura e povoa ção n a província de Alen tejo, especial m e n te nas terras da
commarca de Beja, onde os abuzos são símilhan tes aos que se praticão nas outras commarcas da mesma
província, códice ms. da BNl; e o. Rodrigo de Souza Coutinho. Textos políticos. económicos e financeiros ( 1 783-
· 1 8 1 1 ) , 1 1 tomos, Lisboa, 1 99 3 (in trodução de André Ma nsuy Diniz Si lva).
53
FERNANDO DE SOUSA
8. Ferrari Morda u , Despertador da agricultura , Lisboa, 1 9 5 1 , p. 1 0 1 .
9 . José J oa q u i m soares d e Ba rros, "Memorias sobre a s cauzas d a d i ffe rente popu\açao d e Portuga l", Memorias
Economicas, I, Lisboa , 1 78 9 , p. 1 3 9; e Tomas António Portuga l , "O bservações ... ", Memorias Economicas, I I I ,
Lisboa, 1 79 1 , p . 300.
1 o. Soares d e Ba rros, " M e moria sobre as cauzas . . . " ob. e v o\. cits., p. 1 3 8 - 1 39.
1 1 . Mappa da população da comarca de Guimarães, ms. do A.H.M.
1 2. Jacques M a rca d é , une comarque portugaise . . . , Pa ris, 1 9 7 1 , p. 5 4 - 5 7 .
1 3. Gervasio P a i s , Observaçoens e exames feitos ... na provincia do Alentejo ...
1 4 . Cf. o Despertador da agricultura de Portugal, obra nova e a riqueza do Reino dedicada ao serenissimo Principe
do Brazil Nosso Senhor no deliciosissimo dia natalicio de sua alteza real, por Dom Luis Ferrari de Mord a u ,
Lisboa , 1 7 8 2 , e Suplemento, tra nscritos por M oses Bensabat A m za \ a k , o "Despertador da agricultura d e
Portugal" e o seu autor D. Luiz Ferrari Mordau, Lisboa, 1 9 5 1 .
1 5. Memorias economicas, t . I I I , Lisboa, 1 79 1 .
1 6. Compendio d e observaçoens . . . , Lis boa , 1 78 3 .
1 7. ]ornai encyclopedico, Lisboa , Sete m b ro de 1 789; e Memórias económicas inéditas ( 1 780- 1 808), Lisboa, 1 98 7 .
1 8. o s Estrangeiros no U m a , 2 t . , 1 78 5- 1 79 1 .
1 9. Memorias economicas, 1 1 1 .
20. Câ n d i d o Xavier, "Considerações sobre a statistica " , Annaes das Sciencias, das Artes e das Letras, t. X., Pa ris,
1 8 20.
2 1 . Agostinho Rebelo da Costa , Descripção topographica e historica da cidade do Porto, Porto, 1 788.
2 2 . Códice 9 2 2 da B i b l ioteca N a c i o n a l de Lisboa. Cf. Fernando de Sousa, A população portuguesa nos inicias do
século XIX, Porto, 1 9 79.
2 3 . Cf. Fernand o de Sousa, ob. cit., e ) . Manuel Naza reth e Fernando de Sousa. Salvaterra de Magos nos finais do
séc.. XVIII: aspectos sócio-demográficos, "Analise Social", XVII, 2', Lisboa , 1 98 1 .
24. Cf. Fernand o d e Sousa, ob. cit.; ) . M a n u e l Naza reth e Fernando d e Sousa, Coruche nos finais do séc. XVIII: as­
pectos sócio-demográficos, "Cadernos de H istória Económica e socia l", n" 4, Lisboa . 1 98 3 ; ). Manuel Nazareth e
F e rn a n d o de S o u s a , Sam ora Carreira nos finais do séc. XVIII: aspectos sócio-demográficos . " Estudos e
Docu mentos do ICS", n" 1 7 , Lisboa, 1 98 7 .
2 5 . Mappas da população, produccoens. fundos das confrarias .. por António Xavier de Morais P i n t o Teixeira
Homem, códice ms. 902 da BNL.
2 6 . Observações ... , ob. e vol. cits., p. 299-300.
2 7 . )ornal Encyclopédico de Lisboa, t. 11, Lisboa , 1 820.
2 8 . Parecer sobre a propozição do methodo ... para se verificar a populaçao do Reyno ... , ms. do A.H.M.
29. Povoação do Reyno, 1 792, ms. do A.H.M.
30. Coimbra, 1 88 4 , p. 26.
3 1 . Cf Memoria economico-po/itica da provincia da Extremadura traçada sobre as instruções regias de 1 1 de janeiro
de 1 793 por )osé de Abreu Bacellar Chicharro, ministro encarregado da divisão das comarcas, e objectos
d 'economia politica da mesma provincia, 1 79 5 , p. 28 (edição de M . B. Amzal ak, Lisboa, 1 943).
3 2 . Memorias sobre o estado actual da vil/a de Recardaens e annexas, 1 794, ms. da B.A.R., ex. 1 04; Cf. Fernando de
Sousa, ob. cit.; e Taboa da popu/Jação das nove freguesias da cidade de Coimbra, aros e arrabaldes; predios
urbanos e rusticos, m a n u scrito da B.A.R., ex. 1 04.
54
A POPULAÇÃO PORTUGUESA
3 3 . Pa ra um estudo e edição critica desta fonte, cf. José Maria Amado Mendes, Trás-os-Montes nos fins do século
XVIII segundo um manuscrito de 1 796, Coi m bra , 1 9 8 1 .
3 4 . Ver a n á l ise critica d e Fernando d e Sousa, ob. cit.. Cf. a i n da António cruz, Geografia e economia da província do
Minho nos fins do século XVIII, Porto, 1 9 70.
35. Geografia e economia da província do Minho nos fins do séc. XVIII, Porto, 1 9 70.
36. B.A.R., ex. 1 04 e 1 05 . consulte, a i n d a , de custódio Vilas Boas, Memoire sur les [orces militaires de la province du
Minho . . . , datada de 1 796, p u b l i cada por António Pedro Vicente, "Memórias políticas, geográ ficas e m i l i ta res de
Portuga l - 1 76 2 / 1 796", Boletim do Arquivo Histórico Militar, 4 1 " v a i . , Lisboa, 1 9 7 1 , p. 204.
3 7 . Ma pas da p rovíncia de Entre Douro e M i n h o , datados de 1 798, existentes no Instituto Geográ fico e Ca dastra l ,
regista dos sob os n ú m e ros 60 e 6 1 , por Gabriel Mendes, Catálogo de cartas antigas da Mapoteca do Instituto
Geográfico e cadastral, Lisboa, 1 969 (dacti logra fado). o resumo do quadro da população do M i n h o , q u e nos
aparece na ca rta d e Vi las-Boas, foi p u b l icado por Câ ndido José Xavier, em anexo á s "Consid erações sobre a
statistica", Annaes das sciencias, das Artes, e das Letras, X, Pa ris, 1 8 20. Os mapas q u e referem a população do
M i n h o ao a n o de 1 800, podem ser consu ltados no I.G.C., A.H.M. e B.N.L.
3 8 . Lisboa, 1 8 1 4 , nota ( 1 ) à p. 1 5 e nota (3) à p. 20.
39. Censo da província do Miho em 1 794, cõd ice ms. do A.H.M.
40. Arq u ivo Distrital de B raga, ms. 9 1 2/7.
41.
o
Alto Minho em finais de Setecentos, de Fernando de Sousa e Jorge Fernandes Alves (em p u b l icação) . .
4 2 . Publ icado no Memorial Historico Espano/, X X V I , XXVII e XXVI I I , M a d r i d ( 1 8 9 3 , 1 894 e 1 898; e de verissi m o
serrão, A população de Portugal em 1 789, Pa ris, 1 9 70.
4 3 . Mappa geral da grandeza do território e população, que contém a comarca de Castello-Branco, 1 799, ms. do
Arq u ivo H istórico M i l i ta r; cf. Fernando de Sousa, ob. cit.
4 4 . Descrição da Comarca da Feira , códice ms. do Arq u i vo H i stórico do M i n i stério das Fina nças, p u b l i cado na
d isserta ção de mestrado d e Jorge Manuel Garcia Vi cente, Unidade e Diversidade regional: Feira ( 1 757- 1 833) e
por I nês Amorim, " Descrição da comarca da Feira - 1 8 0 1 , Revista da Faculdade de Letras, , 11 Série, vai. X I ,
Porto, 1 994.
4 5 . Index geral dos títulos e provas do plano de correição, B.A.R., ex. 1 03 . E cadastro do Reino 1 80 1 - 1 8 1 2, Lisboa ,
1 94 5 , p. 6-7.
46. Câ n d i d o J o s é X a v i e r , "Considera ções sobre .a statistica ", ob. e vai. cits., p. 1 49.
4 7 . Ver, d e Ferna ndo de Sousa, a História da Estatística em Portugal, Lisboa, 1 995; Estadisticas historicas de Espana
(siglas XIX-XX), Madrid, 1 989; e joel serrão, Demografia portuguesa, Lisboa , 1 9 73.
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