Axes de symétrie des triangles et des quadrilatères
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Axes de symétrie des triangles et des quadrilatères
CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO CEARÁ FACULDADE CEARENSE CURSO DE TURISMO JOYCE SILVA LIMA A INCLUSÃO DA 3ª IDADE NO MERCADO TURÍSTICO COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO FORTALEZA 2013 JOYCE SILVA LIMA A INCLUSÃO DA 3ª IDADE NO MERCADO TURÍSTICO COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO Monografia submetida à aprovação Coordenação do curso de turismo do Centro Superior do Ceará, como requisito Parcial para obtenção de Grau de graduação. FORTALEZA 2013 JOYCE SILVA LIMA A INCLUSÃO DA 3ª IDADE NO MERCADO TURÍSTICO COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO Monografia como pré-requisito para obtenção do título de Bacharelado em Turismo, outorgado pela Faculdade Cearense – Fac, tendo sido aprovada pela banca examinadora composta pelos professores. Data de aprovação: / / 2013 BANCA EXAMINADORA Professor Mansueto da Silva Brilhante Professora Ariane de Queiroz Souza Professor Paula Roberta de Oliveira Leite A Deus, minha MÃE e meu PAI. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar a Deus, pois sem ele nada seria possível, ao meu pai Valmir que foi a primeira pessoa que me incentivou a entrar neste mundo acadêmico e a minha mãe Elizabete pelo apoio de sempre, carinho e compreensão. Ao meu namorado Guilherme Miranda que teve a paciência de me agüentar por todos os momentos difíceis, por todas às vezes que pensei em desistir, em mudar o rumo da minha trajetória e que em diversos momentos, ele me ajudou bastante na conclusão dos meus trabalhos acadêmicos, tirando várias duvidas de como eu deveria fazer minhas pesquisas e estudos. A meu orientador, professor Mansueto Brilhante pelo aprendizado que levarei por toda vida, pela paciência e compreensão, pela maneira que me conduziu até chegar ao meu objetivo final e de como eu deveria fazer cada etapa deste trabalho. Aos meus professores que aceitaram participar da minha banca e que me ajudaram na minha formação e que agradeço pelo carinho e o tempo que tiveram para que eu pudesse tirar todas às duvidas. Ao meu amigo de sempre, Cícero Bezerra que, no decorrer dos semestres em que me acompanhou, contribuiu de alguma forma para a minha formação, com seu modo particular me ensinou algo, os trabalhos em equipe e as nossas aulas que eram de certo produtivas, os “bizus” e as dicas importantes. Levarei todos os momentos, toda a convivência e todo o aprendizado para o resto da minha vida. “Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar.” (Anatole France) RESUMO O envelhecimento da população é um fenômeno que está ocorrendo em todo o mundo desenfreadamente e, devido a este crescimento, houve a necessidade de se criar projetos para se trabalhar com este segmento, pois atualmente, a “Melhor Idade” chamada não é mais sinônimo de limitações e sedentarismo, mas sim de vida ativa e consumismo, daí entra a relação com o Turismo. O Turismo da Terceira Idade surge a partir do crescimento da população idosa e da preocupação de como se trabalhar com a mesma. A disponibilidade de tempo, situação financeira, otimismo e vontade de viajar são fatores que proporcionaram a harmoniosa relação entre o Turismo e a Terceira Idade. Para se analisar esta relação, este trabalho tem como objetivo geral a verificação de como o Turismo trabalha com este público na constituição dos pacotes ofertados e no foco, que é o principal que é a verificação se as atividades oferecidas são adequadas à idade e as limitações do cliente. A metodologia que será aplicada será uma pesquisa bibliográfica e uma entrevista, no qual serão obtidos dados para verificação da problemática relacionada as atividades oferecidas aos idosos adeptos ao Turismo. Com as informações levantadas na execução da entrevista verificou-se que o Turismo da Terceira Idade está de fato desenvolvendo não só o próprio segmento, mas o Turismo de maneira em geral, conscientizando as pessoas de que os idosos são parte da sociedade e devem ser integrados socialmente. A inclusão dos “jovens velhos” no Turismo é um essencial, pois observou-se que as agências tentam levá-la como ponto positivo para os grupos que viajam, mas muitas vezes a estrutura do atrativo turístico não permite esse acesso. Conclui-se que este mercado está continuamente em expansão e faz com que o público da terceira idade seja consumidores importantes para o desenvolvimento do mercado turístico. Palavras-chave: Idade. Mercado. Sociedade. Turismo. Acessibilidade ABSTRACT The aging population is a phenomenon that is happening around the world and due to this rampant growth, there was a need to create public policies and projects to work with this segment, because currently, the “Golden Age " is no longer called synonymous with limitations and inactivity , but active life and consumerism , then enters the relationship with tourism . Tourism of the Third Age comes from the growth of the elderly population and the concern of how to work with it. The availability of time , financial situation , optimism , willingness to travel , are factors that provided the harmonious relationship of these two segments that actually became one . To analyze this relationship, this study aims to check general as Tourism works with this audience in the constitution of the packages offered and the specific objectives, the main thing is to check whether the activities offered are age appropriate and client throttling. The methodology that will be applied in addition to the literature in other chapters will be the interview, in which data will be obtained to verify the accessibility issues related to the activities offered to elderly fans to Tourism. With the information gathered in the execution of the interview showed that the tourism of the Third Age is in fact developing not only the segment itself but the way tourism generally aware that elderly people are part of society and should be socially integrated. Accessibility is a key in this segment and it was observed that agencies try to take it as a positive point for groups traveling, but often the structure of tourist attraction does not allow this access. We conclude that this market is continually expanding and makes the audiences of elderly consumers are important for the development of the tourism marke. Keywords : Age , Market , Society , Tourism and Accessibility LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 Feira de Negócios/Rio de Janeiro ...................................................... 19 FIGURA 2 Círio de Nazaré ................................................................................... 20 FIGURA 3 Modalidade do Turismo de Aventura .................................................. 20 FIGURA 4 Turismo Cultural em Paraty ................................................................ 21 FIGURA 5 Turismo de Saúde na Tailândia .......................................................... 22 FIGURA 6 Litoral de Fortaleza ............................................................................. 23 FIGURA 7 Turismo da Terceira Idade .................................................................. 24 FIGURA 8 Gráfico sobre a população de 60 anos ou mais de idade ................... 27 FIGURA 9 Gráfico sobre a evolução da População de Idosos ............................ 29 FIGURA 10 Percentual da População Idosa por Faixa de Idade ......................... 30 FIGURA 11 BR 020 (acesso a Canindé CE) ........................................................ 32 FIGURA 12 Programa Viajamais Melhor Idade .................................................... 34 FIGURA 13 Agência especializada na Terceira Idade ......................................... 37 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................11 2 TURISMO: ANÁLISES E DEFINIÇÕES ...........................................12 2.1 Principais Conceitos ......................................................................13 2.2 História e desenvolvimento ...........................................................16 2.3 Principais tipos de Turismo ...........................................................17 3 TURISMO DA TERCEIRA IDADE ...................................................23 3.1 Conceitos Gerais e Históricos .......................................................24 3.2 Dados sobre o Envelhecimento da População ..............................26 3.3 Políticas Públicas do Turismo da Terceira Idade ...........................30 3.4 Mercado Turístico voltado a Terceira Idade ..................................35 4 METODOLOGIA APLICADA ...........................................................38 4.1 Entrevista aplicada na agência Mãe Rainha .................................39 4.2 Análise dos dados obtidos ............................................................45 5 CONCLUSÃO ..................................................................................47 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................49 APÊNDICE ...........................................................................................50 11 1 INTRODUÇÃO O envelhecimento da população é um processo contínuo em todo o mundo e é preciso que as pessoas saibam lidar com o mesmo para que não haja conflitos e integração social das pessoas pertencentes a esta categoria. O público da Terceira Idade ou Melhor Idade são pessoas com características peculiares, que precisam de orientação para praticar atividades condizentes com suas limitações físicas. O Turismo se encaixa com os desejos e motivações deste grupo citado, a prática de atividades e passeios que façam com que estas pessoas se sintam parte de um grupo são muito procuradas e alimenta um mercado abrangente envolvendo os dois elementos: Turismo e Terceira Idade. A escolha do tema foi composta por pesquisas no setor que cresce a cada dia, mas não é tão divulgado como deveria ser. Viu-se a necessidade e curiosidade de saber como este tipo de Turismo está sendo trabalhado e quais suas variações. Diferentemente de hoje, o público da Terceira anteriormente era vista como pessoas que talvez não pudessem usufruir de viagens e passeios, por conta de possíveis limitações da idade e saúde, porém essa realidade hoje é bastante diferente. O público da terceira idade, normalmente homens e mulheres acima dos 60 anos, é um segmento bastante visado entre agências e empresas ligadas ao Turismo. No Brasil, segundo dados estatísticos, a população idosa representa 14% da população total. Por esta causa que se viu a necessidade de se trabalhar com esse público que cresce a cada dia e que demanda viagens e pacotes adequados as suas motivações e, se for o caso, limitações.1 O público presente no Turismo da Terceira Idade é caracterizado por diversos fatores: normalmente, são pessoa já estão aposentados, com filhos criados e vida financeira estável. Então, diante dessas características, o indivíduo tem como motivação aproveitar esta etapa da vida, pois não há mais tanta preocupação nem atribuições ao salário mensal. Ao ser analisada essa demanda crescente do tipo de Turismo citado, pretendese verificar, de maneira geral, como estão sendo ofertados os pacotes para esse público e como os fatores que compõe o mesmo, estão presentes nos pacotes ofertados. Os 1 http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-69922012000100010&script=sci_arttext 12 objetivos específicos se constituem em identificar a praticidade das atividades oferecidas, se estes pacotes são adequados à idade das pessoas que o adquiriram e ainda verificar a assistência das agências para estas pessoas durante o período de viagem. Primeiramente a pesquisa bibliográfica será utilizada para a composição dos primeiros capítulos, através de pesquisas em livros, artigos e internet. Logo após este início basicamente conceitual, a entrevista será a maneira utilizada para identificação das hipóteses e de como, de fato, o Turismo da terceira idade acontece na prática e se a preocupação com o público e com as suas limitações e exigências, estão realmente presentes na constituição dos pacotes e na prática das atividades que são oferecidas. O trabalho é constituído primeiramente pela introdução, lá será exposto um pouco do que vai ser apresentado no decorrer do estudo e como serão obtidas essas informações. No capítulo 2 será conceituado o Turismo de maneira geral, na visão de autores e sua evolução, apresentando os principais tipos encontrados no Ceará. No capítulo 3 será analisado o Turismo da Terceira e seus aspectos históricos. No capítulo 4 será exibida a entrevista para verificação da problemática do trabalho e logo em seguida a análise dos dados obtidos com a mesma. No ultimo capítulo, a conclusão, logo em seguida as referências bibliográficas. 2 TURISMO: ANÁLISES E DEFINIÇÕES Desde a Antiguidade, a prática do Turismo já era caracterizada como forma de deslocamento entre pessoas com as mais variadas motivações. Em cada momento na história identificava-se uma motivação diferente para este deslocamento, como para busca de comida, moradias, comercialização de mercadorias, dentre outros. No início do século XIX, esses deslocamentos tiveram cada vez mais ênfase economicamente e o Turismo foi se tornando cada vez mais popular. As motivações que eram variadas foram se tornando mais específicas e particulares.2 Segundo Ignarra (2003, p. 2), “da Antiguidade até a Idade Moderna a prática do Turismo foi se aprimorando e se dividindo em diversos segmentos, assim como os motivos para as pessoas se deslocarem”. O Turismo passou a ser buscado como 2 http://www.cntur.com.br/oturismo.html 13 principal fonte de lazer, principal meio de se estreitar rotas comerciais e ainda na busca de conhecimento e saúde. Com o passar dos anos, necessitou-se que o Turismo fosse conceituado, então diversos autores apresentam suas visões sobre o assunto. As principais interpretações sobre a atividade estão expostas no tópico seguinte. 2.1 Principais Conceitos Na Idade Moderna foram surgindo estudos sobre o tema, que até então não havia exatamente um padrão de idéias, pois cada autor tinha sua maneira de interpretar esta nova atividade que estava aparecendo e se tornando cada dia mais popular. Uma das primeiras definições, datada de 1911, foi a do austríaco Hermann Von Shullern (apud BARRETTO, 2003, p.9), que via o Turismo como “um processo que compreende todos os segmentos, especialmente os econômicos, se manifestando na entrada, permanência e saída do turista de um determinado local”. Em uma análise geral, o Turismo já era visto como um conjunto de atividades, que se estende por toda a permanência do visitante até sua despedida, e não fazendo menção somente ao deslocamento do indivíduo, ou seja, pensou-se em um conjunto de fatores que fizessem com que esta pessoa se sentisse confortável e aproveitasse sua estadia. Após ser conceituado, foram criadas perspectivas para se analisar o Turismo e conceituado de diversas formas, uma delas é a prática do mesmo no ambiente, verificando assim um estudo por um lado social e o que este irá impactar na forma de vida das pessoas que convivem e o tem como principal fonte de renda. Oscar de La Torre Padilha (apud DIAS, 2006, p.10) analisa o Turismo como um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, por motivo de recreação, descanso, ou saúde, se deslocam de seu lugar de residência habitual a outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas interrelações de importância social, econômica e cultural”. Neste, além das atividades fora da rotina, engloba-se na definição as inter-relações pessoais, quando em uma viagem a pessoa acaba tendo contato com outras, trocando experiências e conhecimentos de outras culturas. 14 Na análise de Oscar de La Torre Padilha citada, o mesmo identifica além da importância social, econômica e cultural do Turismo, a questão da inter-relação pessoal, que é um dos pontos mais positivos que acontecem quando o indivíduo se propõe à prática do Turismo. A troca de experiências é um meio de adquirir conhecimento e propagar a atividade e a satisfação pessoal, sendo esta extremamente válida para quem se desloca. Segundo a Organização Mundial do Turismo (apud BOITEUX, 2009, p.4), o Turismo é definido como uma atividade que “é desenvolvida por pessoas durante suas viagens e estadias em lugares distintos de seu entorno habitual, por um período de tempo consecutivo inferior a um ano para fins de ócio, negócios ou outros”. De uma maneira mais simples, a OMT complementa a prática do Turismo como: “todo deslocamento para fora do local de residência por um período superior a 24 horas e inferior a 60 dias, motivado por questões não econômicas, pode ser entendido como turismo”. Cada definição engloba o Turismo de sua maneira considerada geral, mas em um conceito voltado para um segmento, ou seja, as perspectivas fazem com que os conceitos possuam diferentes interpretações, por esse motivo não existe um conceito padrão para se definir o Turismo. Na visão do autor Robert McIntosh (apud BOITEUX, 2009, p.4), Turismo é definido como “a ciência, a arte e a atividade de atrair e transportar visitantes, alojá-los e cortesmente satisfazer suas necessidades e desejos”. Nesta, a atividade é tida como uma maneira de recepção e tratamento dos visitantes de uma determinada localidade e não um simples deslocamento que o intuito é sair do seu local habitual. Com relação às definições de outros autores, Barretto (2003, p.13) identifica os elementos fundamentais para se verificar em uma conceituação sobre o Turismo. Os elementos mais importantes de todas estas definições são o tempo de permanência, o caráter não lucrativo da visita e, uma coisa que é pouco explorada pelos autores analisados é a procura de prazer por parte dos turistas. O Turismo é uma atividade em que a pessoa procura prazer por livre e espontânea vontade. Portanto, a categoria de livre escolha deve ser incluída como fundamental no estudo do turismo. 15 Na citação anterior, a autora conceitua Turismo mais para o segmento de satisfação pessoal, o que, de fato, é um dos itens importantes para que a atividade seja praticada com sucesso, atendendo as expectativas do indivíduo que está usufruindo. Em uma análise econômica, relacionando para o segmento comercial e social, onde de fato esta atividade também está inserida, Dias (2006, p.11) propõe a seguinte afirmativa: “o turismo é um fenômeno de várias dimensões – política, econômica, social, cultural, educativa, ambiental, entre outras – que, quando devidamente exploradas, podem trazer inúmeros benefícios tanto para os turistas quanto para os residentes de um destino turístico”. O Turismo engloba não só economia, lazer e hospitalidade, mas também um conjunto de atividades que funcionam como em um sistema. Para que este funcione, é preciso que todas as etapas sejam cumpridas com clareza e sucesso. Então, segundo as análises anteriores e em uma situação real, não e somente o fato do turista deslocar-se de sua residência em busca de prazer e descanso, mas também o local em que irá se hospedar, se alimentar, praticar passeios, o contato da população local, a forma de tratamento das pessoas e funcionários de estabelecimentos que por ventura irá frequentar, todos esses aspectos influenciam na prática da atividade e deveriam ser incorporados de uma maneira resumida em sua definição. Uma última visão relevante é a de Beni (2007, p.34), o que afirma que o Turismo, por sua definição, pode ser dividido em três campos: o econômico, em que serão analisados os pontos positivos da atividade no ramo comercial, sendo considerada industrial por englobar diversos setores; o técnico, que seria uma definição padrão para diferenciar esta atividade das outras semelhantes; e o holístico, que é uma abordagem do assunto em geral, em que se reconhecem todos os aspectos e centralizam-se os estudos no principal, o turista. As definições apresentadas de Turismo tiveram por toda sua história e seu desenvolvimento ao longo dos anos para que a atividade tivesse um reconhecimento merecido. Cada etapa da história protagoniza um crescimento da estrutura do Turismo, contada no próximo tópico. 16 2.2 História e Desenvolvimento Em termos históricos, o Turismo teve início quando o homem começou a se deslocar em busca de alimentos, não se sabe exatamente quando os mesmos começaram. A partir do século VIII esses deslocamentos ganharam uma importância comercial, por esse motivo se tornaram mais comuns e extensos.3 Ainda na Idade Média, segundo Ignarra (2003, p.4), as viagens sofreram um grande decréscimo. Com as sociedades organizadas em feudos auto-suficientes, as viagens tornaram-se uma grande aventura pelo perigo que elas representavam em termos de assaltos de grupo de bandidos. As exceções, na época, eram as cruzadas. Grandes expedições eram organizadas para visitação de centros religiosos da Europa e para libertar Jerusalém do domínio dos árabes. Durante este período, as viagens deixaram mais de serem praticadas por conta da grande quantidade de assaltos que aconteciam nas estradas. Os indivíduos, em sua grande maioria com grandes condições financeiras e pertences de valor, chamavam atenção de ladrões durante os percursos que não havia segurança nenhuma, por esse motivo a prática das viagens diminuiram. Conforme Ignarra (2003, p.4), após o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna, houve um progresso com relação ao comercio. A grande maioria dos deslocamentos feitos eram motivados por compra e troca de mercadorias, sendo esta circulação de pessoas que ocasionaram os primórdios das autoestradas de hoje. A circulação de pessoas identificada nessa determinada época foi o marco inicial para a popularidade do Turismo, pois o mesmo foi adicionando outras motivações para ser praticado. Além do comércio, havia também a busca por conhecimento (filhos de nobres que viajavam para universidades na Europa), a necessidade de ampliação do comércio (as grandes navegações), dentre outros. Observando esse grande número de pessoas com motivações cada vez mais aparentes para viajar, Thomas Cook inovou com a idéia de juntar todas as necessidades 3 http://turisticos.wordpress.com/historia-do-turismo/ 17 de um viajante em um só pacote: transporte, hospedagem e suporte durante a viagem. Conforme Dias (2006, p.9), em termos modernos, considera-se como marco inicial da popularização do turismo a viagem de Thomas Cook em 1841. A inovação da viagem de Thomas Cook foi tornar as viagens acessíveis a um maior número de pessoas, o que ele conseguiu organizando a viagem com um pacote de serviços, tais como: transporte, acomodação e atividades no local de destino. A inovação de Thomas Cook proporcionou aos viajantes mais conforto e liberdade ao praticar o Turismo. Considera-se, assim, o nascimento das empresas que ofertam pacotes já prontos, as agências de viagens. A facilidade de se ter todas as necessidades em um só pacote e torna-lo propicio não só aos nobres, também foi um ponto forte na idéia de Thomas Cook, pois o Turismo anteriormente só era praticado pelos nobres. Após esse período, o Turismo não parou mais de se desenvolver, daí vieram às tecnologias de vários setores que impulsionaram a propagação da atividade. O incremento das vias aéreas e rodoviárias fez com que as pessoas tivessem um poder maior de deslocamento, a facilidade da internet ajudou na acessibilidade aos destinos, mobilidade de pagamento das viagens, dentre outras. A partir deste desenvolvimento, o Turismo passou a ser segmentado para que pudesse atender a todos os gostos e as características da localidade em que é ofertado, tendo como base principal os atrativos que dispõe. Essa segmentação será mostrada no capítulo seguinte. 2.3 Principais Tipos de Turismo O Turismo é um fenômeno social diversificado. Dentre suas motivações, há uma grande variedade e modos de defini-las. De uma maneira geral, a prática desta atividade se adéqua tanto ao local onde se é desenvolvida quanto ao gosto do turista que se propõe a usufruí-la. Definir o perfil dos turistas que já visitam ou que pretendem visitar uma localidade ajuda no planejamento da oferta e diversificação dos produtos e serviços. A escolha do segmento vai ajudar na estruturação de produtos e elaboração de roteiros, pois a identidade dada a cada roteiro será criada levando em consideração o público ao 18 qual se destina. Os tipos de Turismo são vários, dentre os principais se destacam: o de Eventos, Religioso, Aventura, Cultural, de Saúde e o de Sol e Praia.4 O primeiro tipo de Turismo a ser comentado é o Turismo de Eventos que compreende, segundo o Ministério do Turismo (2010, p.15), “o conjunto de atividades turísticas decorrentes dos encontros de interesse profissional, associativo, institucional, de caráter comercial, promocional, técnico, científico social”. O estudo do Turismo de Eventos é bastante polêmico, pois há definições que afirmam que a viagem a trabalho não pode ser considerada Turismo, pois o indivíduo está naquele local por determinação da empresa e não por vontade própria. Alguns autores discutem esta questão, mas a relatividade acontece conforme os casos, pois há viagens dessas que, em sua programação, também ocorrem passeios culturais pela cidade, ou o contato com a gastronomia, dentre outros. A figura abaixo mostra uma feira de negócios. Figura 1: Feira de Negócios/Rio de Janeiro Fonte: http://www.nomercado.com.br/noticia/turismo-de-eventos-em-alta-no-rio-de-janeiro_3 A figura mostra uma feira de negócios como representação do Turismo de Eventos. O setor tem crescido cada vez mais por conta dos eventos internacionais que estão bem mais comuns na cidade do Rio de Janeiro, conforme mostra a foto acima e em 4 http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090515072311AAvs5xf 19 todo o Brasil. Este tipo de Turismo tem movido a economia de todo o estado e cria motivos favoráveis a investimentos em todos os setores.5 Outro tipo de Turismo é o Religioso, este se relaciona com o deslocamento motivado por sentimentos de fé, esperança e caridade de pessoas religiosas. Conforme o Ministério do Turismo (2010, p.19), “o turismo religioso é constituído pelas atividades turísticas relacionadas à busca espiritual e da prática religiosa em espaços e eventos relacionados às religiões institucionalizadas, independentemente da origem étnica ou do credo”. Um exemplo do Turismo Religioso é o Círio de Nazaré, que é realizado todos os anos em Belém do Pará no segundo domingo do mês de outubro e é considerado o maior evento religioso católico do mundo. Em todo o período do evento, estima-se que circulam aproximadamente 5 milhões de pessoas no centro de Belém, movendo assim, através do Turismo, a economia da cidade.6 Figura 2: Círio de Nazaré Fonte: http://turismoparaense.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html O Turismo de Aventura, o terceiro a ser comentado, compreende os deslocamentos turísticos relacionados à prática de atividades de aventura de caráter recreativo, não sendo este, portanto, competitivo. Estas atividades podem ocorrer em qualquer espaço: natural, construído, rural, urbano, dentre outros. Há também uma variação quanto a sua prática, que pode ser individual, ou seja, sem a ajuda de uma 5 6 http://www.nomercado.com.br/noticia/turismo-de-eventos-em-alta-no-rio-de-janeiro_3 http://turismoparaense.blogspot.com.br/2012_09_01_archive.html 20 prestadora de serviços turísticos, ou de forma guiada e organizada através de uma agência de turismo.7 A imagem abaixo mostra o de turismo de aventura. Figura 3: Modalidade do Turismo de Aventura Fonte: http://www.webventure.com.br/h/noticias/abeta-summit-pretende-difundir-novos-conceitos/26434 O próximo tipo de turismo á ser mostrado é o Turismo Cultural, afirma o Ministério do Turismo (2010, p.15), “é formado pelas atividades turísticas relacionadas à vivência do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos eventos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais”. O interesse por objetos ou manifestações e a visitação de locais que representam de certa forma a identidade de um povo é considerado turismo cultural. A figura a seguir é um exemplo da prática do Turismo Cultural. 7 http://www.adetunorp.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=98&Itemid=17 21 Figura 4: Turismo Cultural em Paraty Fonte: http://www.benitabrasil.com/viagem-noite/turismo-cultural-paraty/ O Turismo de Saúde é mais um dos tipos de turismo abordados e é constituído por atividades e serviços relacionados para fins estéticos, terapêuticos e médicos. É o tipo de turismo mais antigo reconhecido no Brasil desde o final do século XVIII, com as primeiras descobertas de águas e fontes termais. Com o avanço da medicina, o mesmo tem crescido de uma forma considerável em todo o mundo. Atualmente, os grandes números de pessoas que viajam em busca de tratamentos para manutenção e promoção da saúde, prevenção e cura de doenças e para fins estéticos. A urbanização, a expansão dos meios de transporte e a evolução da medicina e da indústria farmacêutica fizeram surgir uma tipologia do Turismo de Saúde, o chamado turismo médico-hospitalar, local onde o indivíduo procura por tratamentos de saúde em hospitais e clínicas localizadas em outras cidades.8 A figura a seguir mostra um exemplo de turismo de saúde praticado na Tailândia. 8 Brasil. Ministério do Turismo. 2010. Turismo de Saúde: orientações básicas. 22 Figura 5: Turismo de Saúde na Tailândia Fonte: http://marketeer.pt/2010/08/27/tailandia-lanca-portal-dedicado-ao-turismo-de-saude/ Por fim, o Turismo de Sol e Praia, segundo o Ministério do Turismo, “configurase em atividades turísticas relacionadas à recreação, entretenimento ou descanso em praias, em função da presença conjunta se água, sol e calor”. A cidade de Fortaleza-CE é um grande exemplo deste tipo de turismo por conter um amplo litoral, como mostra a imagem a seguir. Figura 6: Litoral de Fortaleza Fonte: http://viajamos.com.br/profiles/blog/list?tag=Fortaleza 23 Após expor diferentes tipos de Turismo, com vários segmentos englobados, no próximo capítulo será explorado outro tipo de turismo que vem sendo bastante estudado nos últimos tempos: o turismo da terceira idade. Na verdade, este pode ser inserido nos diversos outros apresentados anteriormente, só que com diferenças nas atividades, pois estas serão proporcionais para um público diferenciado, os idosos. 3 A TERCEIRA IDADE E O TURISMO O envelhecimento é uma conseqüência para qualquer pessoa, sendo que esta realidade, nos dias de hoje, nem sempre está relacionada ao sedentarismo, a incapacidade ou outra coisa do tipo. O envelhecimento social é um processo lento, onde a sociedade e seus segmentos precisam trabalhar sobre esse grupo, identificando suas necessidades e seu papel dentro da comunidade. O perfil traçado do público da terceira idade é: indivíduos normalmente com 60 anos de idade ou mais, aposentados e que tem uma vida ativa.9 O Turismo da Terceira Idade nada mais é do que um tipo de Turismo voltado para essas pessoas. A composição do pacote que o indivíduo classificado nesta categoria for usufruir deve estar adequada a sua idade e, se for o caso, as suas limitações. O mercado para o turismo da área sênior, também chamado, está em grande expansão e reflete na grande segmentação que o Turismo está possuindo a cada dia. A busca por lazer vem tendo grande destaque nesta área, mas o indivíduo desta faixa etária pode usufruir de todos os serviços adequados as suas condições dentro de outros segmentos como o turismo cultural, gastronômico, de saúde, dentre outros. A imagem a seguir mostra uma das grandes variedades de viagens e pacotes específicos nesta área, geralmente são viagens em grupos e com muita diversão. 9 http://www.efdeportes.com/efd98/tidade.htm 24 Figura 7: Turismo da Terceira Idade Fonte: http://turismo.culturamix.com/nacionais/turismo-senior No próximo tópico serão expostos os conceitos gerais sobre o segmento, na visão de autores, e ainda seus aspectos históricos, identificando como essa área chegou a ser popular em desenvolvimento e qualidade de serviços ofertados. 3.1 Conceitos Gerais e Históricos A velhice é um termo considerado atrasado com relação à nova perspectiva que se tem do público que constitui este determinado grupo. Os „jovens velhos‟, como são intitulados, possuem normalmente uma idade acima de sessenta anos, vida ativa e disponibilidade. Em alguns países, como no Brasil, esta faixa da população, segundo dados, crescerá aproximadamente três vezes a mais do que a perspectiva da população mundial.10 Antes de ser associado a um segmento do Turismo, precisou-se identificar a relação de lazer e turismo. Estes dois pontos estão diretamente ligados desde as mudanças ocasionadas pela revolução industrial, onde as atividades para se preencher o tempo livre foram se popularizando e ganhando motivações econômicas. 11 Na própria definição de Turismo entende-se que o mesmo está relacionado a lazer, de forma que este seja algo que está fora da rotina habitual do indivíduo. Após a popularização do Turismo em todas as classes sociais e faixas etárias, houve destaque para uma das faixas etárias por dois motivos: disponibilidade de tempo e 10 11 http://www.uesc.br/cursos/pos_graduacao/mestrado/turismo/artigos/turismo_terceiraidade.pdf http://www.proac.uff.br/turismo/sites/default/files/BRUNA_DOS_REIS_MONTEIRO_GUEDES-tcc.pdf 25 situação financeira favorável. As pessoas encaixadas nesta condição específica criaram um alto poder de consumo de produtos e serviços ligados ao turismo. Logo, houve a necessidade de se analisá-los, identificando quais suas características e desejos na área. Peterson (apud BACHA, SANTOS e STREHLAU, 2009, p.68) afirma que “o mercado para idosos tem crescido e se destacado por causa do seu poder de compra para vários tipos de produtos e serviços, a indústria do turismo e do lazer tem buscado manter estas pessoas porque muitas possuem dinheiro disponível”. Então, as pessoas que compõe o grupo de turistas da terceira idade possuem características bastantes presentes já apresentadas no parágrafo anterior, por esse motivo o segmento cresce e ganha destaque dentre os outros tipos de turismo. As mudanças saudáveis de hábitos e valores com relação à saúde, ao corpo e a convivência social são fatores que influenciam a atitude de viajar, principalmente quando se refere aos idosos. A sociedade se mostra cada vez mais preocupada com atividades que motivem à saúde e que encadeiam sentimentos de satisfação, felicidade e envolvimento. Então, a criação desse estímulo social exerce efeitos positivos sobre as pessoas que envelhecem, ou seja, acontece uma inclusão social destas pessoas.12 De acordo com a inclusão social estimulada, o Código Mundial de Ética do Turismo, elaborado pela Organização Mundial do Turismo, estabelece que, As atividades turísticas devem respeitar a igualdade entre homens e mulheres, devem tender a promover os direitos humanos e, especialmente, os particulares direitos dos grupos mais vulneráveis, especificamente as crianças, os idosos, os portadores de necessidades especiais, as minorias étnicas e os povos 13 autóctones. As atividades turísticas neste segmento então possuem o papel de promover não só hábitos mais saudáveis, diversão e entretenimento, mas também o de inclusão social como já falado. Este fator se torna o mais importante de todos os outros mencionados, pois as pessoas idosas precisam de incentivos para uma maior valorização da vida e se afastar da tristeza e sedentarismo muitas vezes trazidos pela idade. A expressão Terceira Idade surgiu na França nos anos 70 e acabou sendo adotado como substituição ao termo Velhice, que normalmente é considerado um termo ultrapassado. Associado ao Turismo, a terceira idade nada mais é do que “a prática da 12 13 http://www.portaldoenvelhecimento.org.br/acervo/artieop/Geral/artigo212.htm http://www.portaleducacao.com.br/turismo-e-hotelaria/artigos/6329/codigo-mundial-de-etica-do-turismo 26 atividade turística que lhe é agradável e que lhe proporcione bem estar e uma melhor condição de vida e satisfação pessoal”. Diversos tipos de turismo podem ser praticados com grupos da terceira idade como o de saúde, o cultural, o religioso, dentre outros.14 Com este segmento estabelecido no mercado turístico de forma bastante favorável ao seu desenvolvimento, foi-se criando um interesse também das partes públicas e privadas em investimentos no setor. No próximo tópico será explorado o assunto, explanando as políticas públicas para pessoas da terceira idade. 3.2 Dados sobre o Envelhecimento da população Com o crescimento da terceira idade em todo mundo, é bastante comum identificar oportunidades de mercado nesta área e para este público específico. No Turismo não é diferente, as agências ofertam pacotes de viagens totalmente adequados a estes indivíduos e propaga as idéias e diversas inovações na área. No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o processo de envelhecimento da população é lento, mas contínuo. O número de pessoas idosas passou de: 7,4% em 1989, para 8,3% em 1995, e de 9,1% em 1999, e de 9,4%, aproximadamente, 14,5 milhões de pessoas em 2000. No Sudeste, que deteve o maior nível de envelhecimento, em 1999, os idosos já representavam 10,0% da população. Os estados do Rio de Janeiro (10,7%), Rio Grande do Sul (10,5%) e São Paulo (9,2%) possuem uma relação de idosos15. O gráfico abaixo demonstra essa perspectiva abordada em todos os estados brasileiros. 14 15 http://turismofaibi2010.blogspot.com.br/2010/06/turismo-na-terceira-idade.html http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/25072002pidoso.shtm 27 Figura 8: Gráfico sobre a população de 60 anos ou mais de idade Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/25072002pidoso.shtm Observa-se com os dados apresentados um grande crescimento de pessoas idosas e com vida ativa. O fluxo dessas pessoas, que normalmente entram como preocupações para o governo em como lidar com essas pessoas podem ser considerado como uma grande oportunidade para se trabalhar na área do turismo, pois, são pessoas ociosas, com bastante disponibilidade de tempo, em sua maioria com situação financeira favorável e ainda com vontade de preencher este tempo livre. Daí o motivo do então desenvolvimento do turismo voltado para terceira idade (ou melhor idade), além de uma demanda alta os mesmos possuem uma série de motivações para prática da atividade. Ainda sobre as análises do IBGE, o crescimento da população de idosos é um fenômeno mundial e esta ocorrendo desenfreadamente. Os dados revelam que, em 1950, eram cerca de 204 milhões de idosos no mundo e, já em 1998, quase cinco décadas depois, este contingente alcançava 579 milhões de pessoas, um crescimento de quase 8 milhões de pessoas idosas por ano. As previsões indicam que, em 2050, a população idosa será de 1.900 milhões de pessoas. Os números mostram que, atualmente, uma em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou mais e, para 2050, estima-se que a relação será de uma para cinco em todo o mundo, e de uma para três nos países desenvolvidos16. 16 http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/25072002pidoso.shtm 28 O crescimento da população idosa é considerado um fato social que está sujeito a mudanças na estrutura das cidades e regiões. A comunidade precisa se adaptar ao convívio com pessoas idosas, e isso equivale não só ao respeito, mas também na preocupação em dar acessibilidade a estas pessoas, para que as mesmas possam usufruir o direito de ir e vir normalmente. O Turismo se encaixa nesta causa não só como um agente que se manifesta em trabalhar e ofertar atividades para estas pessoas, mas também como um agente social, com o papel principal de incluí-las de volta na sociedade. Nos pacotes ofertados, os idosos são tratados como pessoas normais, ou seja, suas limitações não são tidas como fatores influenciadores para não ocorrência da atividade proporcionada, normalmente os mesmos viajam em grupos para que haja um maior convívio com os demais participantes e para que também se sintam dentro de um grupo, à vontade, dentre outras adequações ao se trabalhar com este público específico. A perspectiva de crescimento da população idosa no estado do Ceará também se mantém relacionadas às já apresentadas. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do ano de 2008, existem 914.514 idosos no Ceará, o que representa 10,8% da população residente do estado. Em relação aos dados colhidos no ano de 1998, houve um crescimento de 48,6% neste segmento. O gráfico abaixo expõe sobre o crescimento dos idosos no Ceará. Figura 9: Gráfico sobre a evolução da População de Idosos Fonte: http://www.ipece.ce.gov.br/publicacoes/Perfil_Populacional_do_Ceara.pdf 29 É notável a grande evolução da população idosa no estado do Ceará em uma década. Isto se deve principalmente a uma maior expectativa de vida desenvolvida durante os anos, em que a população cuida mais da saúde, tem menos filhos, mantém uma vida mais saudável, dentre outros possíveis aspectos causadores deste fato. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), o estado do Ceará em 1998 era o segundo estado com maior proporção de população idosa (8,8%), perdendo apenas para o estado da Paraíba. Em 2008, o mesmo caiu no ranking ocupando assim a terceira posição neste segmento17. Deve-se atentar-se então, não só o governo, mas também a própria população, que este fenômeno está acontecendo muito rápido, exigindo um acompanhamento das pessoas perante a este público no que se diz respeito a todos os aspectos e, o mais importante, um planejamento para que os mesmos sejam integrados na sociedade como devem ser. Outro aspecto a ser analisado até mesmo quando se envolve o Turismo é a faixa etária, neste caso da população idosa. A figura abaixo representa a faixa etária de idosos do Brasil, Nordeste e Ceará, onde se observa que para as de 61 a 70 anos e a partir de 81 anos de idade, a variação percentual para o Ceará foi superior as do Nordeste e a nível Brasil, sendo que para esta ultima faixa etária, ou seja, idosos a partir de 81 anos, a população praticamente dobrou no período, com crescimento percentual de 96,99%. 17 http://www.ipece.ce.gov.br/publicacoes/Perfil_Populacional_do_Ceara.pdf 30 Figura 10: Percentual da População Idosa por Faixa de Idade Fonte: http://www.ipece.ce.gov.br/publicacoes/Perfil_Populacional_do_Ceara.pdf O envolvimento do Turismo com relação às faixas etárias da população idosa que adquire o pacote é justamente a adequação deste para as mesmas. A idade muitas vezes não é considerada um fator limitador onde estas pessoas não possam fazer atividades proporcionadas a elas. É sim algo que se deve ter atenção, principalmente para o agente que oferta o pacote e os passeios turísticos inclusos, é preciso atenção e conhecimento neste momento. A questão do acompanhamento na hora da execução das atividades, esta é feita por profissionais da área, onde estes irão analisar o idoso e seu perfil, assim como sua idade e definir se o mesmo está apto ou não para tarefa. Dados relacionados à cidade de Fortaleza apontam que 160.231mil pessoas, ou seja, 7,5% do total de habitantes são indivíduos com 60 anos ou mais e, assim como observado no Brasil, a cidade tem vivenciado um aumento considerável neste segmento. De acordo com dados do Censo Demográfico realizado nos anos de 1998 e 2000, verifica-se que o crescimento da população idosa de Fortaleza em 20 anos foi expressivo, em relação à população total, visto que, enquanto houve aumento de 63% na população total, houve um aumento de 130% na população idosa18. A cidade de fortaleza acompanha as estatísticas mundiais sobre o assunto, identificando o crescimento descontrolado deste público. A mesma tem trabalhado para que os idosos não fiquem inativos promovendo ações sociais que criam oportunidades de promoção de atividades para os mesmos, precisando ainda de um apoio maior dos governantes. Este assunto será exposto no próximo tópico com relação ao Turismo da Terceira Idade. 3.3 Políticas Públicas do Turismo da Terceira Idade Inicialmente, Políticas Públicas são ações determinadas pelo Estado com o apoio de Organizações Não Governamentais e empresas privadas, que tem por objetivo maior atender aos diversos setores da sociedade, como industrial, agrícola, educacional, dentre outros.19 Essas decisões são para benefício de um bem comum, e no setor do 18 19 http://www.scielo.br/pdf/rbepid/v10n2/04.pdf http://www.significados.com.br/politica/ 31 Turismo acontece da mesma forma, ocasionando pontos positivos envolvendo a comunidade receptora e o turista. No Turismo, a demanda aparece como principal fator motivacional para investimentos na área. No caso das empresas particulares, deve ocorrer uma uniformização de serviços ofertados para que todos os interessados possam tomar seu lugar no mercado e assim atender as suas necessidades, ofertando um serviço de boa qualidade e, conseqüentemente aumentando a clientela. Já as ações públicas, estas devem entrar em acordo com as empresas particulares, para que haja maior qualidade na estrutura dos acessos aos bens e assim viabilizar o desenvolvimento do Turismo na região específica.20 A parceria dos órgãos públicos e particulares deve haver em qualquer destino turístico, pois com a harmonização dessas ações, uma vez o Turismo estabelecido, a localidade se beneficiará em sua estrutura e manutenção dos bens envolvidos, como por exemplo, uma estrada construída ou reformada que dá acesso a uma localidade turística, esta ação consolidou-se em prol do Turismo, dos visitantes, mas a própria comunidade também é beneficiada com este processo. A figura abaixo representa uma estrada que se encaixa no exemplo citado anteriormente. A BR citada é a 020, que passa por Canindé Ceará, destino turístico de muitos romeiros em épocas de festejos do santo da cidade. A mesma já passou por diversas reformas em prol do Turismo, pois é um dos grandes destinos do Turismo Religioso. Os benefícios identificados, não foram somente para os visitantes, mas também de toda a comunidade que usufrui a mesma.21 20 21 http://connepi.ifal.edu.br/ocs/index.php/connepi/CONNEPI2010/paper/viewFile/183/169 http://www.portalcaninde.net/2011_12_01_archive.html 32 Figura 11: BR 020 (acesso a Canindé CE) Fonte: http://www.portalcaninde.net/2011_12_01_archive.html Nos procedimentos de investimentos na estrutura, seja ele particular ou pública, deve ser observado também à questão da inovação e qual demanda se pretende atingir. Relacionando estes ao público da Terceira Idade, os mesmos, como já citado, estão preparados para usufruir de mudanças feitas especificamente para o segmento, diante das várias motivações que dão um lugar aos mesmos no mercado, preenchendo assim, o retorno esperado pelas empresas, se investido de forma adequada. Os papeis exercidos pelo Estado e pelos empresários com relação aos investimentos turísticos voltados à Terceira Idade é de incentivador do primeiro ao segundo, onde o mesmo irá criar perspectivas de mercado e suporte para o segundo investir, e o outro papel seria de fiscalização, também do primeiro para o segundo. A questão da fiscalização remete-se ao envolvimento de um ponto principal a se incluir neste setor: a Acessibilidade. Para que o acesso as informações e a inclusão desse público no mercado seja um ponto forte na estrutura dos serviços ofertados as pessoas pertencentes à terceira idade, foi criado no ano de 2003 pelo Congresso o Estatuto do Idoso, onde visa assegurar os direitos dos cidadãos acima de 60 anos nos setores de saúde, transporte coletivo, entidades, trabalho, habitação, lazer, cultura e esporte. Em relação aos últimos três, o Estatuto do Idoso afirma que “todo idoso tem direito a 50% de desconto em atividades de 33 cultura, lazer e esporte”. Dentre outros benefícios, o Estatuto assegura e fiscaliza, principalmente nos setores de turismo, que os direitos sejam cumpridos.22 Muitas vezes, por falta de recursos disponíveis, o empreendimento trabalha com este tipo específico de público, mas não faz as adaptações necessárias para atendêlos, acarretando então a insatisfação dos usuários dos serviços. Os investimentos neste setor devem ser feitos não só na estrutura física disponível, mas também nos profissionais encarregados de acompanhar essas pessoas na realização das atividades ofertadas. A inclusão social faz com que os investimentos neste público em específico se tornem mais difíceis. As políticas públicas inserem a conscientização de incluir os idosos no meio social, sendo estes capazes de praticar as atividades de turismo e lazer. As definições de Turismo fazem com que a inclusão social seja algo fundamental no desenvolvimento das atividades, ou seja, o contato com outras culturas, as atividades em grupo, incentivam a uma vida não solitária, que muitos idosos possuem por diversos motivos. Segundo Rua (apud BRASIL, 2006, p.17), O turismo pode contribuir decisivamente para o desenvolvimento sustentável e para inclusão social por que agrega um conjunto de dimensões favoráveis à solidariedade e à integração social. O turismo opera pela ruptura do isolamento, provocando o contato entre diferentes culturas e ocasionando interações de múltiplos e variados atores. Com isso, propicia o conhecimento e a valorização de determinados ambientes e comunidades, estimulando o respeito e o interesse pela sua preservação. As atividades do Turismo propiciam a valorização dos segmentos trabalhados, como no caso da Terceira Idade. Se as políticas públicas incentivam os investimentos dos setores e os mesmos asseguram a execução destas mudanças, não há como não acontecer um desenvolvimento no setor e que todas as partes obtenham benefícios com relação a estes procedimentos. “Um programa criado pelo Ministério do Turismo chamado „Viajamais Melhor Idade” é um exemplo de política pública envolvendo todos os itens citados anteriormente. Este tem por objetivo promover a inclusão social de pessoas a partir de 60 anos, aposentados e pensionistas. O programa oferece descontos e vantagens em pacotes 22 http://www.serasaexperian.com.br/guiaidoso/20.htm 34 turísticos para que estas pessoas tenham mais oportunidades de viajar e usufruir de lazer e diversão.23 A imagem abaixo mostra a divulgação do programa. FIGURA 12: Programa Viajamais Melhor Idade FONTE:http://www.bahianegocios.com.br/turismo O Programa citado é um exemplo de como a parceria dos setores público e privados podem da certo. A execução destas atividades precisa funcionar como em um ciclo, uma dependendo da outra para que haja satisfação do produto final e o negócio flua como esperado. Cada atuante deste ciclo irá se beneficiar com um item: o setor público com o incentivo a economia do país, o privado com os lucros das vendas dos pacotes em baixa estação e os usuários com a inclusão social e experiência promovidas pelas atividades ofertadas. Dessa forma, cria-se uma nova tendência de mercado no setor turístico, o mercado voltado para a Terceira Idade. As inovações e adaptações, os investimentos em infra-estrutura, as novas visões dos setores públicos e privados são só o começo para o desenvolvimento desta tendência de mercado. No tópico seguinte, serão explanadas as diversidades do mercado voltadas para esse segmento e os pontos que devem ser priorizados no atendimento ao público da terceira idade. 23 http://www.viajamais.gov.br/vm/viajamais.mtur 35 3.4 Mercado Turístico voltado para terceira idade Para se atender a este público específico, o mercado turístico precisa possuir não só uma infra-estrutura com equipamentos necessários, mas também uma boa hospitalidade e um atendimento de qualidade. O atendimento é um dos grandes diferenciais nesta área e um ponto forte, que se torna até mesmo motivo de retorno de determinado turista. Se este é bem tratado e se satisfaz com o serviço ofertado, principalmente um idoso que requer mais atenção, está apto a retornar ao local e ainda divulgá-lo da melhor forma. Segundo o Ministério do Turismo (BRASIL, p.17), são vários pontos relevantes que devem ser prioridade no atendimento as pessoas da terceira idade, Ao dirigir-se a um idoso comunique-se com atenção, olhando na expressão facial e dos olhos; Identifique se o idoso apresenta boa comunicação verbal e não verbal; Dê atenção, saiba ouvir e demonstre compreensão no processo de comunicação com o idoso; Identifique se o idoso apresenta deficiências visuais, auditivas e motoras; Auxilie o idoso nas suas dificuldades para ter acesso aos diversos meios de comunicação; O idoso deve ser tratado como adulto; Chame o idoso pelo nome. Os pontos apresentados na citação anterior priorizam o quesito atendimento, que, como já falado, se torna um dos principais pontos neste segmento. Um bom atendimento é um ponto importante em todos os segmentos do turismo, mas diante de um público da terceira idade se torna essencial, pois os mesmos normalmente requerem mais atenção e paciência por parte das pessoas que estão ofertando o serviço. Os idosos preferem ser tratados da mesma forma que uma pessoa normal é com respeito e atenção por serem consumidores como qualquer outro. A atenção deve ser reforçada também diante da realização das atividades físicas, onde o profissional deverá observar se estas adéquam ao grupo, se terá pessoas com dificuldade de realizá-las e se ainda terá recurso médico disponível para ajudar caso ocorra algum incidente. Dessa forma, que outro ponto relevante além do atendimento é a qualificação dos profissionais que atuaram com o grupo nas atividades realizadas. Apresentados os pontos fortes a serem priorizados no mercado turístico para pessoas da terceira idade, outros fatores que são características das agências que ofertam pacotes para este público são: check-in antecipado para evitar filas, ficha médica 36 individual com remédios utilizados pelo turista e ainda um seguro-viagem. Estudos apontam que as agências ofertam pacotes para este público, mas não estão preparadas na manutenção do serviço, como um apoio maior durante a viagem e a oferta de profissionais capacitados.24 As maiores queixas, as que são mais freqüentes, são nos quesitos apresentados nos parágrafos anteriores, justamente os mais importantes neste segmento em questão. O atendimento, os destinos acessíveis, os profissionais capacitados e ainda o fator alimentação são os pontos fortes para o diferencial do mercado turístico envolvendo este público. Os destinos mais procurados por idosos são áreas serranas, praias, rurais, cidades culturais, resorts e destinos com neve. Normalmente optam por viagens em grupo, com programação específica e temática.25 O mercado deste segmento está a cada dia mais em alta e inovador por proporcionar a este público experiências não vividas, diversão e acima de tudo qualidade de vida. As falhas cometidas por agências em ofertar serviços para este público é ainda comum no Brasil, onde a falta de conhecimento sobre as características deste setor, apesar de ser crescimento, superam diante da oferta de produtos e serviços. Segundo Fromer e Vieira (2003, p.82 e 83), A terceira idade deve ser vista como sem concessões, como um segmento atuante participante atuante do mercado turístico, promovendo palestras sobre os locais a serem visitados, ofertando atividades físicas durante a viagem, resguardando a disposição de participação de cada um, estimulando a vivência de novas experiências, ou seja, adquirir conhecimento e interagir com o local visitado é motivação fundamental para o turista da terceira idade. Diante de um estudo sobre as características das pessoas da terceira idade, suas necessidades e preferências, podem ser ofertadas um serviço de qualidade e satisfatório no mercado contendo todas essas variações apresentadas. Este segmento deve ser visto como parte do Turismo em geral, e não como um setor isolado, pois fazendo parte deste grupo em geral terá atendimento e serviços adequados para suas necessidades, como em qualquer outro dentro do Turismo. A figura abaixo mostra uma viagem promovida por uma agência especializada em grupos da terceira idade. 24 25 http://www.gazetadopovo.com.br/turismo/conteudo.phtml?id=1362107 http://www.gazetadopovo.com.br/turismo/conteudo.phtml?id=1362107 37 FIGURA 13: Agência especializada na terceira idade FONTE: http://economia.uol.com.br/album/2012/12/06/conheca-casos-de-empreendedores-de-sucesso.htm A agência mostrada na figura anterior mostra um grupo de pessoas da terceira idade em uma mesquita em Dubai. A empresa cuida de todos os trâmites da viagem, da emissão do visto no caso de viagens internacionais, além do acompanhamento de guias que falam em português e do transporte do cliente durante todo o percurso da mesma. 26 O que levou essa empresária a investir no setor e ter dado certo foi o estudo de suas características e necessidades dos usuários, ou seja, criou-se uma oportunidade de mercado e um estudo do mesmo antes do investimento inicial. Dessa forma, a oportunidade de mercado nesta área está em aberto para investimentos e inovações, resta saber se as pessoas que estão investindo na mesma estão identificando de fato suas necessidades. A expansão do setor turístico para terceira idade é notável em alguns empreendimentos vistos em determinadas localidades turísticas, a questão da acessibilidade surge como um ponto forte dentro do Turismo nos atrativos ofertados. Sendo assim, o mercado está em alta e a identificação das suas características para melhor oferta de produtos e serviços está em constante desenvolvimento. 26 http://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2013/09/17/veja-as-oportunidade-de-negociospara-a-terceira-idade.htm 38 No próximo capítulo serão identificadas se a adequação nos serviços prestados é de fato feita em uma agência em específico que se dispõe a oferecer pacotes voltados para a terceira idade. Serão feitas perguntas sobre o assunto e análises das respostas. 4 METODOLOGIA APLICADA Nos capítulos anteriores foram apresentadas informações para verificar tamanha proporção de crescimento deste setor, ou seja, o Turismo da Terceira Idade. Este envolve pessoas normalmente com idades acima de 60 anos, que se sentem preparadas para aproveitar a vida, com boas condições financeiras e grande disponibilidade de tempo, além de serem ativas para prática de atividades e terem o desejo de uma maior convivência social, conhecer novas pessoas, participar de dinâmicas em grupo, todas essas motivações envolvem a proposta do Turismo da Terceira Idade. Após a apresentação de informações para um melhor conhecimento da área e dados que expõe a real situação do envelhecimento da população mundial através da pesquisa bibliográfica, será feita uma analise de informações em uma agência localizada em Fortaleza que trabalha com este público específico. Através de uma entrevista aplicada, a intenção seria verificar como acontece a oferta dos pacotes turísticos para este público, se há atividades adequadas, como são adaptadas as condições de viagens e ainda quais as preferências dos mesmos com relação a destinos, dinâmicas, grupos, dentre outros. Vários outros assuntos serão abordados além destes relacionados, como os motivos de se trabalhar neste segmento e qual a abrangência do mercado. Dentro do Turismo da Terceira Idade, a inclusão dos “jovens velhos” é um ponto essencial a ser trabalhado e incluído em todo e qualquer pacote ofertado. O objetivo da entrevista em uma agência especializada nesta demanda é verificar se há realmente á inclusão desse público e se as propostas que são impostas nos serviços ofertados, estão adequados e se há esta preocupação de fato. Outro ponto a ser verificado na entrevista é com relação ao mercado turístico. O público da Terceira Idade é tido como um grupo que cresce a cada dia com interesses turísticos, por isso uma maior probabilidade de investimentos na área. Então, como anda o mercado e as inovações na área? Existe uma fiel demanda? Os serviços ofertados estão de acordo com as motivações e adequados como outro qualquer ou requer uma 39 atenção especial? Este público já foi incluído como um segmento de mercado de boa rentabilidade? Todas estas perguntas serão feitas para uma melhor análise do desenvolvimento do mercado neste segmento. As respostas que serão expostas no trabalho a seguir serão comentadas e analisadas conforme as temáticas apresentadas e, logo após os comentários, uma verificação dos dados obtidos. 4.1 Entrevista aplicada na agência Mãe Rainha O local escolhido para se aplicar a entrevista e abordagem do assunto foi à empresa Mãe Rainha Viagens e Turismo. Esta fica localizada na Rua Vasco da Gama no bairro Montese na cidade de Fortaleza. A entrevista foi feita no dia 11 de novembro do ano de 2013, o gerente Alexandre foi o escolhido para responder as perguntas. Ele já trabalha no ramo há quase dez anos e tem um grande conhecimento no mercado turístico e suas variações. A entrevista foi realizada dentro da agência e possui uma estrutura de médio porte, mas que atua já no mercado já há 19 anos. A agência começou a atuar em 1994, e seu foco é o turismo religioso, oferta pacotes para várias localidades nacionais que apresentam este tipo de turismo. Os principais destinos eram Canindé no Ceará, Santuário de Aparecida em São Paulo e o Círio de Nazaré na cidade de Belém. Os destinos que envolvem o Turismo Religioso normalmente atraem pessoas idosas, portanto, no começo, havia um grande público da Terceira Idade usufruindo dos pacotes ofertados pela Mãe Rainha, embora a empresa não trabalhasse especificamente com estas pessoas. Em consequência deste fato e uma análise de demanda, a empresa começou a se especializar na área. Com o passar dos anos, além do Turismo Religioso, a Mãe Rainha foi atendendo á novas perspectivas e variando suas atividades na oferta dos pacotes. Atualmente, a empresa mantém pacotes fixos para diversos destinos e ainda trabalha com a montagem dos mesmos, podendo ser em grupo, familiar, casal, e ainda com a oferta de destinos internacionais. Segundo Alexandre, os pacotes fixos citados no parágrafo anterior são os mais procurados ainda mais no mês que foi realizada a entrevista (novembro), pois envolvem 40 datas comemorativas bastante disputadas como Reveillon e Carnaval. Então, as pessoas procuram antecipadamente para que possam se programar, principalmente financeiramente. Para o público da Terceira Idade, os mais procurados são os relacionados ao Turismo Religioso, como o Círio de Nazaré ou Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, só que este público não tem meses específicos para a procura por conta da disponibilidade de tempo. As agências fazem com que este público preencha os meses considerados de baixa estação para que haja uma estabilidade de demanda. A Mãe Rainha especificamente oferta os pacotes fixos todas as épocas do ano. A primeira pergunta foi relacionada ao mercado turístico para terceira idade atualmente, como ele está se mantendo diante de um mercado que abrange tantos outros segmentos? O Alexandre respondeu que o mercado neste segmento está crescendo a cada dia e que as empresas estão se especializando cada vez mais neste público devido a vários fatores que são importantíssimos para quem pratica o turismo frequentemente: a disponibilidade de tempo, situação financeira favorável e as motivações de se integrar novamente a sociedade, conhecer novas pessoas, dentre outras. Ainda segundo Alexandre, cada dia empresas entram com inovações no mercado para que se destaquem com algum diferencial e se mantenham firme no mesmo e no segmento de Turismo para a Terceira Idade não é diferente, como o público tende a crescer, ou seja, a demanda surge com muita procura, as empresas deste ramo tem que se apresentarem de forma diferenciada para atraí-los. A Mãe Rainha oferece pacotes para este público de acordo com as motivações e limitações de cada grupo, ou seja, a mesma procura se diferenciar nesta categoria e a oferta de um produto e serviço totalmente adequado para quem está adquirindo. A segunda pergunta é com base na verificação do motivo pelo qual a empresa Mãe Rainha escolheu este segmento, ou seja, por que trabalhar com este público? Alexandre fala positivamente os motivos de se trabalhar com este público afirmando que, além de seu crescimento e poder aquisitivo, é uma demanda que realmente aproveita os passeios, que os divulga e que sempre procuram deslocar-se. Alexandre afirma que: na Mãe Rainha acontece também uma abordagem pósviagem para saber se o grupo gostou dos serviços, o que é preciso melhorar, o que não gostaram, todos estes aspectos ajudam na oferta do produto com diferenciais e adequados as pessoas que o estão adquirindo. Quando se faz este procedimento, o 41 objetivo é a fidelização do cliente e uma motivação para que o mesmo possa vir a fazer uma nova viagem. Com o público da Terceira Idade, este procedimento é feito de forma contínua, fazendo com que os mesmos se identifiquem com os serviços ofertados e voltem a usufruir mais, divulgando também de forma positiva. A terceira pergunta se refere ao motivo que levou a empresa a trabalhar com o público da Terceira Idade. De quem foi á iniciativa e se, antes do investimento, a empresa fez uma análise de mercado para só assim iniciar um trabalho com este público? Alexandre comenta que, no início, a empresa atuava com todos os tipos de perfis e que até já atendia a turistas da terceira idade, mas não de forma tão específica. Foi observado que este público crescia e que, diante de uma análise de mercado, as empresas começaram a se especializar em oferecer viagens para grupos de idosos, com vários diferenciais e uma atenção redobrada a seus clientes. Alexandre afirma que a iniciativa partiu naturalmente eque já se trabalhava de forma esporádica com este público. À medida que foi crescendo a demanda e se viu a necessidade de um atendimento específico e diferenciado, a empresa criou um segmento dentro das suas ofertas de produtos e serviços para atendimento deste público. Antes do investimento de fato, houve uma análise de como atuava esse mercado separado dos outros mercados turísticos, o que se era ofertado e quais os diferenciais que eram necessários para atender ao turista idoso, além das inovações disponíveis para se ganhar um espaço em um mercado que já era bastante valorizado. Alexandre complementa ainda que o crescimento do turismo da terceira idade se deu proporcionalmente ao crescimento do envelhecimento da população e ao crescimento de idosos com vida ativa. Todos esses fatores contribuíram para que empresas investissem inicialmente neste segmento ou que empresas que já trabalhavam com turismo se especializassem em grupos de idosos, em atendimentos específicos e em produtos e serviços adequados, foi o caso da agência em questão, a Mãe Rainha. Esta já trabalhava com turismo e até mesmo com idosos, mas ainda com um atendimento não direcionado para os mesmos. Após um crescimento da demanda e uma análise do mercado foi que a empresa decidiu investir em um atendimento especializado e criar um direcionamento para este público, um segmento diferenciado dos outros, onde todos os serviços terão que ser ofertados de acordo com as limitações e motivações dos idosos pertencentes ao grupo. Pode-se ofertar qualquer tipo de turismo como de aventura, 42 cultural, ecoturismo, de sol e praia, sendo que todos de acordo com as especificidades do grupo trabalhado. A quarta pergunta aborda os diferenciais que a empresa oferece a este público, como é feita a oferta e a análise do perfil do cliente e do que ele necessitará durante a viagem. Segundo Alexandre, a empresa primeiramente verifica o perfil do grupo, as idades, se alguém tem alguma limitação física, para que assim determinem as atividades que o grupo terá disponíveis, só assim são escolhidas as mesmas de acordo com o desejo de todos, em uma igualdade de opiniões. Após a escolha das atividades, é feito um perfil de cada pessoa pertencente ao grupo, para que se possa identificar além das limitações físicas se a mesma possui algum tipo de problema de saúde que requer atenção, como diabetes ou pressão alta. A empresa disponibiliza um técnico de enfermagem e, em alguns casos, um segurança para que possam amparar se algum problema ocorrer durante o percurso da viagem. Ainda segundo Alexandre, com os diferenciais apresentados, as empresas que trabalham neste segmento conseguem se especializar no mesmo e ofertar um produto de qualidade e uma maior assistência ao turista, fazendo com que o mesmo se sinta amparado durante toda a viagem e aproveite ao máximo. Com produtos e serviços de qualidade, a empresa consegue se firmar no mercado, este em específico é bastante concorrido pelo fato do crescimento da demanda, por isso a busca por inovações e maior satisfação do usuário. A quinta pergunta envolve as preferências dos turistas da terceira idade e questiona a Alexandre quais os destinos mais procurados por este público. O mesmo responde que, primeiramente, são os destinos onde se pratica o Turismo Religioso como Canindé no sertão central do Ceará, o Círio de Nazaré na cidade de Belém, o Santuário de Aparecida no estado de São Paulo e ainda os Festejos de Padre Cícero em Juazeiro no Norte no Ceará. Para estes destinos citados, o grupo é variado, contendo homens, mulheres, crianças e adolescentes, mas normalmente o número de idosos é grande. Após os destinos de turismo religioso, estão os destinos onde se pratica o turismo de sol e praia, pois estes têm normalmente uma característica específica e os grupos são constituídos somente por idosos. Os destinos litorâneos como praias de Fortaleza, de Natal no Rio Grande do Norte e de Recife no estado de Pernambuco são os mais procurados. 43 Alexandre fala que os grupos constituídos por idosos que normalmente praticam o Turismo de Sol e Praia possui características bem peculiares, estes são bem dinâmicos, ativos e animados, seus maiores objetivos com a viagem são de conhecer pessoas, fazer amizade, conhecer locais, experimentar novas vivências e culturas e ainda procuram participar de todas as atividades oferecidas. A sexta pergunta questiona quais os tipos de turismo mais praticado pela Terceira Idade? Alexandre afirma que os tipos de turismo praticado por este segmento são dos mais variados e que dependem das motivações do grupo, mas, de acordo com os dados da agência Mãe Rainha, os mais procurados são o Turismo Religioso e o de Sol e Praia. Normalmente, com a prática destes dois tipos de turismo mencionados vem também automaticamente o Turismo de Cultural, pois a partir da viagem e do contato com outra cidade, com outras pessoas, já se pode dizer que estas pessoas estão vivenciando a cultura do local visitado. Sendo assim o Turismo Cultural é praticado de forma indireta, ou seja, não seria o maior objetivo destas pessoas, mas, com a prática dos outros tipos, este de uma maneira ou de outra é vivenciado de forma influente. A sétima pergunta se refere ao percurso da viagem, pergunto se há algum tipo de monitoramento durante a mesma? Alexandre responde que os carros (ônibus) em que são transportados os turistas são providos de tecnologias que permitem o acompanhamento da viagem através do GPS e ainda da total comunicação dos profissionais que acompanham o grupo. A questão de monitoramento das pessoas fica por conta de um Guia responsável, que terá o controle do número de passageiros durante as saídas para os passeios, à contagem é feita todo retorno ao ônibus para saber se está faltando alguém. Alexandre afirma que estes acompanhamentos são feitos não só em viagens com grupos de idosos, mas também em todas as viagens relacionadas ao Turismo. Portanto, não é uma especificidade somente deste segmento, mas que ajuda a ter um controle maior de tudo que está acontecendo durante o percurso da viagem e no direcionamento das atividades praticadas. A oitava se refere ao procedimento de suporte ao cliente após a viagem, pois o objetivo é fidelizar o mesmo para o uso novamente dos serviços da agência. Alexandre afirma que, na Mãe Rainha, o procedimento de fidelização acontece da seguinte forma: há uma análise após a viagem para saber se os produtos e serviços os atenderam a 44 todos os desejos do grupo e, após a viagem, a agência mantém contato com o cliente ofertando novos pacotes de acordo com suas motivações, estas já então conhecidas pelo agente por conta do primeiro procedimento. No caso do Turismo da Terceira Idade, a agência fica mantendo contato com o responsável pelo grupo ou pelo idoso, que serão ofertados pacotes relacionados à primeira viagem destas pessoas, com diferenciais e novos destinos para que chamem atenção e motivem os mesmos a adquirirem novamente. Segundo Alexandre, o processo de fidelização é fácil quando trabalhado com os turistas da terceira idade, pois os mesmos não se contem ao falar se gostaram ou não da viagem. Por esse motivo, torna-se fácil verificar quais foram os pontos positivos e os negativos aplicados nos aspectos produtos, destinos e serviços ofertados. Na pergunta de número nove é questionado como o grupo da terceira idade gosta de ser tratado, se eles priorizam o atendimento diferenciado ou querem ser tratados de maneira normal. Alexandre fala que, principalmente quando estão em grupos, os idosos querem ser tratados de forma normal. A principal motivação para a preferência de um tratamento como qualquer outro é o sentimento de não se sentir incapaz de fazer coisas, no caso da prática do turismo, não se sentir incapaz de fazer as atividades proporcionadas durante a viagem. Alexandre diz que muitas vezes há uma necessidade de um tratamento diferenciado, pois o profissional tem que estar atento a todos os movimentos dos idosos, se os mesmos estão fazendo corretamente o que lhes foram proporcionados, se o determinado atrativo tem uma acessibilidade á este público. Então, tudo isso deve ser observado antes da oferta dos pacotes, durante a viagem e na volta. Neste questionamento há também o fator da integração social, onde os idosos querem ser tratados de maneira normal, como qualquer outro turista e ainda fazer parte daquele grupo, sem diferenciais ou qualquer outros fatores que façam com que os mesmos se limitem aquilo que lhes foi delegado. Os tratamentos diferenciados ficariam evidentes somente no acesso a um atrativo, ou uma ajuda a uma limitação física de determinada pessoa, ou um procedimento médico se precisar, dentre outros. Estas situações são esporádicas, onde nem toda viagem acontece. Então, tenta-se ao máximo fazer com que o grupo se sinta livre e a vontade para usufruir dos atrativos e das atividades proporcionadas. 45 O último questionamento foi relacionado às motivações das pessoas que constituem o Turismo da Terceira Idade na opinião do entrevistado, ou seja, quais os principais desejos ao se adquirir os pacotes. Alexandre respondeu que os idosos de hoje precisam de um preenchimento nas suas horas vagas, pois já passaram por muita coisa em suas vidas e precisa mesmo é aproveitar a atual fase, pois em sua maioria não há tantas preocupações como antes, dinheiro disponível e vontade de conhecer pessoas, culturas diferentes, novas paisagens, para que assim redescubram o valor da vida. Segundo Alexandre, muitos idosos não sabem lidar com a vida atual, com a idade e com as limitações decorrentes da idade mesmo ou de alguma doença, então sofrem com o preconceito da sociedade e a falta de educação das pessoas; por estes motivos, sentem-se excluídas da sociedade. O Turismo surge como uma forma de reintegração na sociedade para este público. Quando se viaja em um grupo com as mesmas características, as pessoas tendem a não se sentirem tão diferentes e podem aproveitar mais o que é proporcionado e ainda dá valor ao seu estado atual, sua idade e sua forma física. Alexandre acredita que os principais desejos ao se adquirir os pacotes são relacionados aos já comentados, o de se sentir novamente presente em um grupo dentro da sociedade e compartilhando das mesmas experiências. Cada pessoa com seu diferencial, com seus objetivos, com seus desejos, mas com um desejo em comum: aproveitar a vida, ter uma vida ativa. Estes motivos também foram os responsáveis pelo crescimento da demanda do Turismo da Terceira Idade, pois houve um melhor aproveitamento da vida, uma carga maior de conhecimento e uma vivência em grupo foram os principais motivos da expansão deste mercado. Após se comentar cada pergunta feita relacionada ao tema, no próximo tópico serão feitas as análises dos dados obtidos com a entrevista aplicada, para que assim se chegue a uma conclusão sobre a problemática proposta neste trabalho acadêmico. 4.2 Análises dos dados obtidos Com as informações obtidas através da entrevista aplicada na agência especializada em Turismo da Terceira Idade verificou-se que este mercado tem crescido bastante no que se refere a produtos e serviços ofertados para idosos. Com uma 46 demanda alta, as agências começaram a se especializar nos serviços e a constituir pacotes de acordo com os perfis dessas pessoas. À proporção que esta demanda foi crescendo, pode-se perceber suas características e necessidades durante o percurso de viagem e prática de atividades. Com relação aos motivos de investimentos nesta área, fez-se menção às características da demanda constituída, como uma grande disponibilidade de tempo, uma condição financeira favorável e ainda o desejo de viver novas experiências de se sentir socialmente integrado novamente, tanto é que as maiorias destas viagens ocorrem em grupos que tem por particularidade serem bastante dinâmicos. O Turismo é identificado como um fator positivo quando relacionado à terceira idade, pois faz com que estas pessoas aproveitem melhor este período da vida, que normalmente as mesmas possuem baixa-estima, algumas com limitações físicas, problemas de saúde e que podem ocasionar uma não vivência social e estas pessoas acabam não querendo fazer parte da sociedade ativamente. Os diferenciais que o Turismo oferece para o turista da terceira idade, de acordo com a agência analisada, são dos mais variados e dependerão dos perfis das pessoas pertencentes ao grupo. Quando se trabalha com idosos, normalmente se precisa de profissionais especializados com este tipo de público, então, durante a viagem os mesmos são acompanhados por um técnico de enfermagem, algumas vezes por um segurança para que ajude nos deslocamentos do grupo e um guia, este é necessário na viagem de qualquer tipo de grupo de turismo. O Turismo da Terceira Idade é considerado um segmento do mercado turístico de grande importância, pois o mesmo foi suporte para o desenvolvimento da área e de outros tipos de Turismo, principalmente os mais praticados por este público. Os turistas da terceira idade são considerados consumidores dos produtos e serviços turísticos, que a cada dia se vê mais investimentos nesta área. 47 5 CONCLUSÃO Através das análises feitas durante este trabalho acadêmico e a coleta de informações primeiramente com a pesquisa bibliográfica e logo em seguida a entrevista aplicada em uma agência especializada, pode-se observar que a tamanha proporção do desenvolvimento do Turismo da Terceira Idade em todo o mundo. O desenvolvimento se deu, na verdade, através de alguns fatores que contribuíram para o mesmo em escalas. Observou-se de início um grande envelhecimento da população mundial, uma grande expectativa de vida e o crescimento do número de idosos com vida ativa, buscando novas experiências e atividades que mantivessem novamente integrados a sociedade. Uniu-se, uma demanda ativa desejando por uma resocialização com novas vivências e conhecimento de novas culturas e um mercado até então existente mas ainda não especializado. O Turismo da Terceira Idade surgiu então para unir o „útil ao agradável‟, ou seja, o mercado precisa de inovações constantemente e, para novos segmentos se manterem no mesmo, é preciso inovar e investir em produtos e serviços de qualidade. O segmento, então, surgiu se especializando em serviços adequados aos idosos, com profissionais qualificados e produtos turísticos que fossem compatíveis com este público, que por vezes tem algumas limitações, não impedindo dos mesmos de praticarem as atividades proporcionadas ao grupo. Verificou-se, na agência em que foi aplicada a entrevista, que é analisado o destino que se deseja ir, quais as preferências dos grupos e quais atividades mais adequadas para se fazer com os mesmos. Uma análise de perfis também é feita antes de seguir viagem, questões como doenças pré-existentes ou limitações físicas, para que os profissionais possam se preparar para um atendimento mais individualizado e assim é feito o percurso, normalmente com muito entretenimento e diversão. Verificando os estudos feitos neste trabalho, o Turismo veio como um marco na vida dos idosos ativos, pois foi um fator que contribuiu para uma maior integração social dos mesmos. O público da terceira idade sente a carência de serviços especializados, portanto o Turismo entra como um ponto positivo para que os mesmos valorizem esta fase ou ainda para que a idade não se torne um empecilho em seus afazeres, no dia-dia, ou até mesmo na convivência com outras pessoas. 48 Definiu-se que o Turismo de maneira geral deve se adaptar a este público, todos os tipos dele devem estar presente em todos os atrativos como fator essencial para que o mesmo funcione. Questiona-se então a problemática deste trabalho. Com as análises feitas durante sua constituição, pode-se perceber que as agências turísticas especializadas em Turismo da Terceira Idade tentam que fazer com que as viagens sejam mais acessíveis possíveis, mas muitas vezes o atrativo em si não possui a estrutura necessária para recebê-los. Conclui-se então, que o Turismo da Terceira Idade integrou-se no mercado como um fator de desenvolvimento no Turismo de maneira abrangente, mas que ainda se precisa de qualificação das pessoas que trabalham com o mesmo e, o mais importante, uma estrutura mais acessível dos atrativos para que os mesmos sejam usufruídos por todos. Acredita-se que, com o desenvolvimento deste segmento, haja uma reestruturação dos atrativos e uma maior acessibilidade para todos os tipos de pessoas e ainda uma reeducação da sociedade para com as pessoas da terceira idade com mais respeito e integração social. 49 REFERÊNCIAS BACHA, Maria de Lourdes. SANTOS, Jorgina. STREHLAU, Vivian Iara. Panorama comparativo do lazer na terceira idade nas classes A e C em São Paulo: um estudo sobre hábitos, atitudes e perfil psicográfico. São Paulo, 2009. BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do Turismo. Campinas SP. Papirus, 2003. BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. SP: Editora Senac São Paulo, 2007. BOITEUX, Bayard de Coutto. Introdução ao estudo do turismo. Bayard de Coutto Boiteux e Maurício Werner. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. BRASIL, Ministério do Turismo. Turismo de negócios e eventos: orientações básicas.Brasília: Ministério do Turismo, 2010. BRASIL, Ministério do Turismo. Turismo Cultural: orientações básicas. Brasília: Ministério do Turismo, 2010. BRASIL, Ministério do Turismo. Turismo de Saúde: orientações básicas. Brasília, Ministério do Turismo, 2010. BRASIL, Ministério do Turismo. Sol e Praia: orientações básicas. Brasília, Ministério do Turismo, 2010. BRASIL, Ministério do Turismo. Secretaria Nacional de Políticas de Turismo. Turismo e Acessibilidade: Manual de Orientações. Brasília, Ministério do Turismo, 2006 BRASIL, Ministério do Turismo. Turismo Social: diálogos do Turismo: uma viagem de inclusão. Instituto Brasileiro de Administração Municipal, Rio de Janeiro: IBAM, 2006. DIAS, Reinaldo. Turismo e patrimônio cultural. São Paulo: Saraiva 2006 FROMER, Betty. VIEIRA, Debora Dutra. Turismo e Terceira Idade. Coleção ABC do Turismo. São Paulo, 2003. IGNARRA, Luiz Renato. Fundamentos do Turismo. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. 50 APENDICE 01 – Como está o mercado do Turismo da Terceira Idade atualmente? 02 – Por que trabalhar com este segmento? 03 – O que levou a empresa a investir no Turismo da Terceira Idade? De quem foi a iniciativa? Houve uma análise e estudo antes do investimento? 04 – Quais os diferenciais que a empresa oferece para este grupo durante as viagens? 05 – Quais os destinos mais procurados pelos turistas da Terceira Idade? 06 – Quais os tipos de Turismo mais praticados por esse público? 07 – Há algum sistema de monitoração durante o período da viagem? 08 – Há algum procedimento pós-viagem, com o objetivo de fidelização do cliente? 09 – Como este público gosta de ser tratado durante a viagem? Eles sentem-se satisfeitos com o tratamento diferenciado ou querem ser tratados de forma normal? 10 – Na sua opinião, o que este público visa ao viajar nesta época da vida? Quais os principais desejos ao se adquirir o pacote?