Positionner le point de vente sur le marché
Transcription
Positionner le point de vente sur le marché
economia social - economia solidária - terceir o seto r - cultura - educação Ano 17 - nº 70 - dezembro 2014 - www.gestaocooperativa.com.br Desenvolvimento social e econômico Em Santa Catarina, as cooperativas de crédito estão presentes em 98% dos municípios, promovendo integração, crescimento, inclusão e cidadania. OCB realiza 9º Prêmio Cooperativa do Ano. Vinte e uma entidades foram premiadas Sistema Ocemg apresenta ações de voluntariado e de responsabilidade social sicredi.com.br O Sicredi é um dos maiores sistemas cooperativos do País e da América Latina. Unindo desenvolvimento econômico e responsabilidade social, conta com 100 cooperativas de crédito, mais de 2,8 milhões de associados, está presente em 11 estados e 1.022 municípios, com mais de 1.300 pontos de atendimento que gerenciam ativos superiores a R$ 45 bilhões. É essa solidez e credibilidade que estão por trás da Administradora de Consórcios Sicredi, a maior do mercado no setor cooperativo brasileiro. Administradora de Consórcios Sicredi: a união de forças para realizar sonhos. SAC Sicredi - 0800 724 7220 / Deficientes Auditivos ou de Fala - 0800 724 0525. Ouvidoria Sicredi - 0800 646 2519. Administradora de Consórcios Sicredi. Realizando sonhos e grandes negócios pelo Brasil. Expediente Conselho editorial Cristina Rocha - Jornalista - SP Diva Benevides Pinho - USP SP Editorial Foco em ações do bem Eduardo Fontenla - CGCyM - Argentina Lydia Costa - Editora - DF Marcos Bedin - Jornalista - SC Remy Gorga Neto - Cooperativista - DF Ronise de Magalhães Figueiredo - Educadora - MG Sigismundo Bialoskorski Neto - USP/Fearp - SP Diretora executiva Lydia Costa Editora Lydia Costa Redação Luiz Carlos Cenci Marcos Acypreste Patrícia Távora Viviana Braga Correspondente internacional Josiane Cotrim Jornalista responsável Guida Gorga - MTB 8.000/36/79 Projeto gráfico Tiago Oliveira Diagramação Laiana Dias Revisão Luiz Alberto Guimarães Gerente Comercial Taine Côrte (61) 3039-1258 Distribuição e Assinaturas [email protected] Tiragem 10.000 exemplares Impressão Ideal Gráfica Editada por Vincere Consultoria e Editora Eireli Revista Gestão Cooperativa SAAN Quadra 02 Lote 1150 Sala 102 Brasília - DF - Cep: 70632-260 Tel: (61) 3039-1258 - Telefax: (61) 3447-1998 E-mail: [email protected] Site: www.gestaocooperativa.com.br Registro INPI: 820.864.803 É permitida a reprodução parcial ou total das matérias desde que citada a fonte. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. E ducação financeira, organização de quadro social, pertencimento, estar onde o cooperado está, identificar as necessidades, crescimento, credibilidade, confiança, ser cooperativa, voluntariado. São palavras e expressões que estão circulando e fazendo com que o cooperativismo tome um novo rumo. Um rumo que, com certeza, contribuirá para a construção de um novo mundo. Um mundo no qual seja possível viver em comunidade, ser respeitado como cidadão e que todos possam compartilhar do fruto de seu trabalho e também sonhar, planejar e realizar. Nada acontece por acaso, mas quando o sonho é coletivo, a transformação acontece. Na matéria de capa, mostramos o desenvolvimento do cooperativismo de crédito em Santa Catarina, que hoje é modelo para todo o País. As primeiras cooperativas surgiram do sonho, da necessidade de os produtores rurais possuírem crédito para manterem suas atividades. A seriedade, firmeza de propósitos e o compromisso de levar serviços para o cooperado onde ele estivesse possibilitou que, hoje, o crédito cooperativo se fizesse presente em quase todos os municípios e fosse responsável por grande parcela da movimentação financeira no Estado, contribuindo, assim, para o seu desenvolvimento socioeconômico. Outro exemplo que mostra a transformação causada pelo compartilhamento do sonho vem de Minas Gerais. Uma iniciativa que, em princípio, era comum e simples, vem tomando dimensões extraordinárias. Por que escolher um Dia para Cooperar, se a cooperação deve fazer parte de todos os nossos dias indistintamente? Mas foi justamente o fato de se escolher um dia que fez a diferença ao se mostrar a energia que a solidariedade gera. Assim, o Dia C, Dia de Cooperar, que começou em Minas Gerais, ganhou o Brasil e agora se prepara para ganhar o mundo. Nesta edição, mostramos o balanço das ações do Dia C em Minas, destacando alguns dos projetos executados. Faço, aqui, o convite a todos para nos unirmos em busca da realização de mais um sonho: da ONU acatar a proposta a fim de que seja instituído o Dia de Cooperar em todo o mundo. E como o cooperativismo é inclusivo, por natureza, destacamos, nesta edição, os resultados do Fórum Banco Central de Inclusão Financeira que, mais uma vez, contou com grande participação das cooperativas. Na oportunidade, manifestamos os votos de sucesso e prosperidade, no ano de 2015, aos nossos leitores e cooperativistas. Boa leitura! Lydia Costa Gestão Cooperativa Editorial dezembro de 2014 1 Nesta edição 11 Destaque 30 Crédito Cooperativismo de crédito é responsável por grande parte do mercado financeiro de Santa Catarina, revoluciona a forma de trabalho de despachantes e contribui para o desenvolvimento econômico e social da região Sul. Sebrae-SC estimula ações voltadas a micro e pequenos empresários. 22 Especial 26 Educação Financeira 24 Cooperativismo 4 Entrevista 18 Responsabilidade Social 32 Produto 6 Artigo 25 Educação Financeira 34 Turismo Banco Central e Sebrae realizaram evento para discutir inclusão financeira no Brasil. Representantes do cooperativismo de crédito de Santa Catarina falam sobre a evolução do movimento no estado. Ênio Meinen explica as mudanças do modelo regulatório para as cooperativas de crédito. J. W. Marriott Jr., presidente do Conselho de Administração da redes hoteleira Marriott International, explica como estar preparado para situações adversas. Projeto leva teatro às escolas e ensina educação financeira. Sistema Ocemg prioriza ações que visam o bem-estar das pessoas e a integração com a comunidade. Álvaro Modernell dá um panorama sobre como regular as finanças pessoais. 27 Cooperativismo As cooperativas contribuem para o desenvolvimento do Mato Grosso do Sul. 31 Gestão Francisco Teixeira fala sobre a missão e os valores de uma empresa para possuir uma visão de crescimento. 2 Gestão Cooperativa Nesta Edição dezembro de 2014 OCB divulga projetos vencedores do 9º Prêmio Cooperativa do Ano. Ricardo de Amorim apresenta planos de consórcio na economia familiar. O programa RTC apresenta Roteiro Agropecuário da região Nordeste. 36 Auditoria Antônio Alberto comenta a importância e as novas formas de como os auditores devem se comunicar com os usuários das demonstrações contábeis. Acontece POR Cecred, Viacredi, Cresol, OCB FOTOS DIVULGAÇÃO Viacredi ultprassa o número de 300 mil cooperados A Cooperativa de Crédito Vale do Itajaí (Viacredi) foi constituída em 26 de novembro de 1951, em Blumenau (SC), por vinte e um funcionários da Companhia Hering. O intuito era de oportunizar aos cooperados opções de poupança e, ao mesmo tempo, crédito de forma barata e simples. Hoje, com 63 anos de atuação no mercado financeiro, a Cooperativa possui mais de 300 mil cooperados e está consolidada no mercado pela prestação de serviços financeiros, transparência nas relações, fortalecendo a participação do cooperado nas atividades da Cooperativa. Além disso, a cooperativa está presente em A dezoito municípios catarinenses com setenta e nove Postos de Atendimento à disposição dos cooperados e da comunidade. Prefeitura e Cooperviva trabalham para ampliar coleta seletiva A prefeitura de Rio Claro (SP) e a Cooperativa dos Catadores de Material Reaproveitável de Rio Claro (Cooperviva) estão mobilizadas para ampliar a estrutura da entidade e a quantidade de lixo reciclado no município. O município enviou projeto ao governo federal para que a cooperativa seja beneficiada com novos equipamentos. Para isso, o governo municipal está auxiliando a Cooperviva no levantamento da documentação necessária para efetivar o convênio. O objetivo é garantir estrutura para aproveitar as amplas condições de crescimento da cooperativa, uma vez que mais da metade dos moradores ainda não coloca o material reciclável para ser recolhido. Cecred recebe grupo de estudo de boas práticas A Central Cecred recebeu, em Blumenau (SC), uma comitiva formada por representantes do Banco Central, Sebrae Nacional, Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Credicoamo para um intercâmbio sobre micro finanças. Durante o encontro, integrantes da diretoria da Cecred e da Viacredi apresentaram ações direcionadas à inclusão financeira e ao microcrédito orientado. O grupo integra Cooperativas de MG e ES realizam planejamento comercial o Projeto de Prospecção de Boas Práticas e Aprendizado Experimental em Cooperativismo de Crédito Bacen/Sescoop, do qual o diretor executivo da Cecred, Ivo José Bracht, também faz parte. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre boas práticas no cooperativismo de crédito nacional e internacional, por meio do intercâmbio entre cooperativas, e estabelecer propostas de aplicação destas experiências. s cooperativas participantes do Programa de Boas Práticas Cresol dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo se reuniram para compartilhar ações e conhecimentos. O objetivo é a criação de um planejamento comercial. “Os projetos e ações, sejam institucionais, administrativos ou comerciais foram pensados de forma que, cada vez mais, possamos ser um diferencial positivo na vida de cada cooperado e o planejamento comercial é, com certeza, um destaque de boas práticas”, destaca o vice presidente da Central Cresol Baser, Luiz Ademar Panzer. Sescoop e Fecoagro realizam Seminário Gestão Estratégica C ooperativas gaúchas participaram do Seminário Gestão Estratégica para o Futuro das Cooperativas com foco no ramo Agropecuário, realizado em Porto Alegre (RS). O evento ocorreu na Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop). As palestras, ministradas por profissionais de cooperativas brasileiras, argentinas e alemãs, evidenciaram aspectos imprescindíveis para que as cooperativas tenham uma boa gestão e controles internos e externos. O evento teve, ainda, como objetivo oferecer um espaço de debates e capacitação profissional. Sicoob Executivo avalia ações realizadas em 2014 D iretores, conselheiros, funcionários e colaboradores do Sicoob Executivo participaram de um evento na Pousada dos Pireneus, em Pirenópolis (GO), para refletir e avaliar o desempenho da cooperativa em 2014. A participação de todos fez com que o espírito do cooperativismo estivesse presente no planejamento da instituição e na tomada de decisões. Foram expostos vários panoramas e perspectivas da entidade, números reais e atualizados, que foram discutidos em grupo. Foram realizadas, ainda, dinâmicas relativas aos temas abordados, que proporcionaram descontração a todos de forma lúdica e reflexiva. Segundo Luiz Lesse, presidente do Sicoob Executivo, “o evento foi um sucesso e melhora a cada edição. Os objetivos da cooperativa se tornam mais claros e nivelados. Dessa forma, podemos exercitar o cooperativismo em todas as nossas ações.” Gestão Cooperativa Acontece dezembro de 2014 3 Entrevista POR LYDIA COSTA, Viviana Braga fOTOS Divulgação Rumo ao progresso O sonho das cooperativas de crédito de Santa Catarina de aumentar o volume de negócios e contribuir para o desenvolvimento de uma região foi o marco inicial. Representando 40% das agências bancárias presentes no estado, as cooperativas pretendem estar em todos os municípios catarinenses. Para entender esse sucesso, conversamos com representantes dos sistemas de cooperativas de crédito Sicoob, Unicred, Cecred, Sicredi e Cresol. Lembro que, certa vez, um Presidente da República me perguntou como fazer para que o Nordeste chegue ao mesmo nível do Sul, em termos de cooperativismo de crédito. Respondi que o nosso sucesso se deve ao povo aguerrido, que está sempre se profissionalizando, trabalhando mais e mais. A nossa intenção não é apenas atender ao associado, momentaneamente, mas perpetuar o cooperativismo de crédito. E não estou pensando só em Sicoob; as ações da nossa entidade estão sendo feitas junto à Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc), que tem dado grande apoio à capacitação, por meio do Sescoop. Além disso, destaco nossa supervisão eficiente, com cooperativas trabalhando de acordo com as normas, atendendo bem aos seus associados, por meio de uma Central atuante, com apoio do nosso sistema cooperativo, que tenderá a crescer cada vez mais. Por essas razões, acredito que, em breve, chegaremos a patamares de países como Canadá, França, Espanha e Alemanha, que são referências mundiais em cooperativismo de crédito. Aposto ainda no fortalecimento das áreas de comunicação e marketing para que as pessoas conheçam o cooperativismo de modo geral, em especial, o cooperativismo de crédito”. O cooperativismo de crédito tem importância fundamental no desenvolvimento local de cada região, de cada cidade aonde atua. Nosso foco, principalmente, é na agricultura familiar, mas também trabalhamos com diversas entidades, além do público urbano. Mas, é mantendo o foco nos pequenos agricultores, que as cooperativas conseguem fazer a inclusão financeira dessas famílias que, até então, sequer eram reconhecidas pelo setor financeiro nacional. Sem dúvidas, o Sul do Brasil, sobretudo, Santa Catarina vem liderando o cenário nacional no número de cooperativas e também no número de cooperados, o que é uma imensa satisfação por se tratar de um estado formado por pequenas propriedades e micro empresas, que contribuem para o desenvolvimento da região. E o sistema cooperativo está inserido nesse processo de construção, nesse desenvolvimento da população de Santa Catarina e de todo o Sul do país”. Rui Schneider presidente do Sicoob Central SC Santa Catarina é um estado expoente no Sul do Brasil pela inserção das cooperativas na sociedade. Se compararmos o número de habitantes do estado ao número de associados das cooperativas, é o estado que tem a maior presença de associados de cooperativas na sociedade. Assim, a participação das cooperativas no mercado finan- 4 Gestão Cooperativa Entrevista dezembro de 2014 José Silva diretor Financeiro da Cresol Central ceiro é muito expressiva, o que faz com que quando formos analisar o desenvolvimento das comunidades e o nível de qualidade de vida das pessoas, a contribuição que as cooperativas estão dando para os catarinenses é significativa”. Gerson Seefeld diretor Executivo da Central Sicredi Sul De modo geral, as cooperativas de crédito no Brasil têm grande representatividade. Com mais ou menos sete milhões de cooperados em todo o país e uma participação de mais ou menos 2,7% no sistema financeiro brasileiro, é um dos segmentos que mais cresce. Na prática, acredito ser o relacionamento com os associados o fator fundamental para esse sucesso. No caso da Cecred, temos relação diária com os cooperados, porque, afinal de contas, a cooperativa é deles, tanto é que, no planejamento estratégico das cooperativas foram definidos três diferenciais competitivos: o primeiro deles é ser sempre uma cooperativa com soluções locais e globais; depois fazer com que o cooperado se sinta dono da cooperativa e participe ativamente dela; e o último, bem direto e objetivo, é que, quando um cooperado chega a um posto de atendimento, ele já tem um problema instalado, portanto precisa sair de lá com uma solução”. Um dos lados mais interessantes do cooperativismo de crédito é que ele vem trazendo uma visão mais consciente e mais justa do sistema financeiro. Atualmente, cada vez mais a população tem amadurecido e buscado alternativas que sejam, de fato, justas, e o sistema cooperativo proporciona isso. Além disso, incentiva a participação dos sócios, por meio da geração de sobras, aumento do capital, muitas vezes remunerado, e operações tanto de crédito quanto de investimentos mais atrativas. Dessa forma, a Unicred vem priorizando o uso consciente do dinheiro, por meio de algumas ações como o Guia de Planejamento Financeiro, que conscientiza a população em relação à necessidade de se ter reservas de curto, médio e longo prazos. O grande desafio de educar as pessoas financeiramente é justamente esse amadurecimento, pois o brasileiro não tem a cultura de poupar”. Para mim, um dos pontos fortes do cooperativismo de crédito perante a sociedade é a manutenção dos recursos no local em que são gerados, ou seja, as comunidades são beneficiadas com o reinvestimento do dinheiro. E a população vê de forma muito positiva essas iniciativas. Na Sicoob de São Miguel, investimos mais de R$ 200 mil por ano em ações de preservação do meio ambiente, educação financeira, além de ou- tras atividades. E isso tem nos dado um retorno muito grande, principalmente, na área escolar, porque, antes, as escolas tinham muita deficiência em material sobre esses temas. Assim, temos colhido bons frutos pois, somente em 2014, recebemos um prêmio pelo Sicoobito, que é um gibi sobre preservação ambiental e também fomos classificados pela Editora Abril como uma das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil e estamos recebendo dois prêmios da Associação Brasileira de Recursos Humanos, um também pelo Sicoobito e outro pelo Coaching”. Moacir Krambeck presidente do Conselho de Administração da Cecred Vivien Tolla especialista em Investimentos da Unicred Central de Santa Catarina O cooperativismo financeiro de Santa Catarina não é um dos pioneiros, no entanto, o diferencial está na disposição do povo da região em trabalhar de forma cooperada. Considero o cooperativismo de crédito um impulsor, principalmente, do desenvolvimento local, porque as finanças em forma de poupança e os recursos captados são investidos no próprio local, diferentemente dos bancos que captam o dinheiro muitas vezes localmente e aca- Edemar Fronchetti presidente do Sicoob de São Miguel bam investindo nos grandes centros, em detrimento das pequenas cidades. Além disso, o cooperativismo incentiva as pessoas a criarem seu próprio negócio, em vez de ser um apenas um trabalhador. A atividade cooperativista fomenta para que as pessoas consigam se desenvolver, melhorar a qualidade de vida e a renda da família”. Mafalda Wermuth conselheira de Administração da Central Cresol Sicoper Gestão Cooperativa Entrevista dezembro de 2014 5 Artigo POR Ênio Meinen O cooperativismo financeiro brasileiro e a sofisticação do modelo regulatório Foi o tempo que investiste em tua rosa que fez tua rosa tão importante (Antoine de Saint-Exupéry– em “O pequeno príncipe”) J á se disse, por diversas vezes, que o marco regulatório aplicável ao cooperativismo financeiro brasileiro, por sua generosidade, hoje, deixa pouco espaço para reivindicações de “atacado”. Mundo afora, como já havíamos destacado em recente artigo publicado sobre o tema (www.cooperativismodecredito.coop.br), a busca por leis e regulamentos mais flexíveis e indutores de um maior poder de competição das instituições financeiras cooperativas é uma das principais aspirações do setor, o que, segundo sabemos nós – e eles reivindicam - passa por uma interlocução mais profícua entre o movimento, reguladores e respectivos órgãos de supervisão. A atual amplitude da matriz normativa, por sinal, molda-se à perfeição ao disposto no §2º do art. 174 da Constituição Federal, dispositivo referência a determinar que “A lei apoiará e estimulará o cooperativismo...”. Por aqui, uma vez que o essencial está mais do que atendido – fruto de longos anos de amadurecimento da indústria e de sua relação com o Governo -, já se parte para um novo estágio. Com efeito, o conjunto de medidas anunciadas pelo Banco Central do Brasil (Bacen), no dia 18 de novembro último, aponta para a sofisticação do modelo. A permissão para a emissão de Letras Financeiras, objeto da Resolução nº 4.382, do Conselho Monetário Nacional (CMN), visa ao fortalecimento 6 Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014 da estrutura patrimonial das cooperativas e, à luz do que preconiza a parte final do art. 2º da Lei Complementar nº 130, de 2009 (LC 130/09), e o seu nivelamento com o mercado. Com esse instrumento, por ora de uso restrito, as entidades mutualistas terão à disposição novo mecanismo de atração de recursos (estáveis) para compor o capital regulamentar (Patrimônio de Referência). Por serem investimentos de prazo longo, servirão também de lastro para atender a demandas de crédito de idêntica duração. A revisão da ponderação de risco de ativos intrassistema (créditos, depósitos e garantias), nos termos da Circular Bacen nº 3.730/14, aumenta a eficiência da estrutura patrimonial do conjunto das entidades (cooperativas singulares, centrais, confederações de crédito e bancos cooperativos), pondo-se em sintonia com os novos níveis de governança experimentados pelo setor, cuja evolução recente demonstra aperfeiçoamento dos vínculos sistêmicos de forma a possibilitar a redução da exigência de capital nas operações entre instituições integrantes desses sistemas, abrindo caminho para a desejada implementação formal do conceito de conglomerado cooperativo. Por certo, os motivos que determinaram referido ajuste, pena de conflito conceitual e anulação de efeitos em relação às cooperativas submetidas ao regime prudencial completo (RPC) e aos bancos cooperativos, haverão de ser ponderados também na elaboração do texto final do normativo sobre a Razão de Alavancagem (RA), cuja minuta fora aberta à participação pública por meio do Edital Bacen nº 44/2014. Adicionalmente, a redução da ponderação de risco da carteira de crédito das cooperativas submetidas ao regime prudencial simplificado (RPS), de 85% para 75%, reforça a percepção de melhoria da capacidade de gestão de crédito dessas entidades, equiparando-as ao mesmo requerimento exigido das demais instituições de crédito nas exposições em carteiras de varejo, em que o segmento de fato atua. Mais do que um bônus do regulador, ambas as medidas devem ser vistas como um voto de confiança na capacidade das cooperativas de gerenciarem adequadamente seus riscos e responderem de forma adequada e coordenada às contingências e perdas inerentes ao processo de intermediação financeira. Como corolário, os avanços impulsionam a organização sistêmica e desencorajam a desfiliação irrefletida. Por sua vez, a iniciativa que prevê a criação de cooperativas de crédito que tenham por objeto a prestação de garantias em operações creditícias (Edital Bacen de Consulta Pública nº 46/2014), cuja modalidade cooperativa se encaixa na dicção do art. 5º da Lei Cooperativista (Lei nº 5.764, de 1971), pretende suprir um obstáculo inerente às micro e pequenas empresas, que enfrentam dificuldades para oferecer garantias compatíveis com suas necessidades de financiamento. A estimativa de incremento de funding a respaldar créditos de capital de giro e de investimento para o pequeno negócio (público associado) está baseada no fato de o novo ente, como instituição financeira (de atuação limitada) que é, submeter-se à supervisão do Bacen, com a segurança daí decorrente (controle de acesso, regulação e fiscalização). Já o conjunto de proposições a comporem, nos termos da minuta veiculada pelo Edital Bacen de Consulta Pública nº 47/2014, o normativo sucessor da Resolução nº 3.859/2010, do Conselho Monetário Nacional (CMN), trará importantes novidades no que se refere à segmentação das cooperativas. Subdividido em cooperativas “plenas” (atuais componentes do grupo RPC), “clássicas” (do grupo RPS) e “de capital e empréstimo” (grupo que não capta depósitos), o setor poderá usufruir de carga regulatória mais equilibrada, conferindo-se atenção adequada e proporcional conforme o grau de complexidade operacional e os níveis de risco de cada entidade (“plenas”, com maior custo regulatório; “capital e empréstimo”, com menor custo regulatório). No novo cenário, acaba a complexa classificação hoje existente entre cooperativas segmentadas, semiabertas e abertas (arts. 12 e 13 da Resolução CMN nº 3.859/2010), passando a existir apenas o tipo “cooperativa de crédito”, passando o nível de abertura do quadro social a ser definido estatutariamente, pela assembleia geral, em alinhamento com o disposto no art. 4º da LC nº 130/09. Também a governança sofrerá relevante adequação, já que apenas as cooperativas “plenas” (todas) e as “clássicas” com ativos a partir de R$ 50 milhões terão de adotar conselho de administração e diretoria executiva, no entanto, com segregação absoluta entre os órgãos, pois não mais será permitido a (qualquer) membro do conselho compor o colegiado executivo. Na sua concepção, o futuro normativo dará, ainda, um passo adiante em relação à consolidação sistêmica, pois avançará nas condições a serem atendidas pelas cooperativas singulares que venham a optar pela desfiliação, estabelecendo que, previamente a essa medida, sejam remetidas ao Bacen informações que permitam avaliar a capacidade de as cooperativas sem filiação funcionarem de forma segura sem os serviços até então providos pelas entidades de grau superior. Finalmente, quanto às diversas estruturas de auditoria hoje existentes, a novidade vem representada pelo incentivo a entidades especializadas em auditoria cooperativa (conhecidas como “EAC”) – modelo CNAC, com funções ampliadas -, conforme dá conta o Edital Bacen de Consulta Pública nº 48/2014. A ideia, aqui, de acordo com a prerrogativa concedida pela LC nº 130/09, é instituir uma auditoria cooperativa com escopo especializado, de natureza universal (alcançando todas as cooperativas de crédito singulares, filiadas ou não) e que operará em escala para produzir trabalhos com a qualidade demandada pelo segmento. A minuta de resolução permite a integração entre a auditoria interna e a externa (cuja periodicidade, nesse caso, se reduz), formando na sua conjugação a “auditoria cooperativa”, medida que induz à racionalização dos dois blocos de atividades. Todas as cooperativas serão obrigadas a submeterem-se a uma EAC no que se refere à auditoria interna (inspeção direta), ficando dispensada a realiza- um grupo de Vincere a s s o c i a d o s COMUNICAÇÃO O que fa zemo especializado em PUBLICID COOPERATIVISMO s? MARKE T CRIAÇÃ ING WEB O DESIG N AGROC OMUN ADE ICAÇÃO ção dessa mesma atividade pelas cooperativas centrais. Quanto à auditoria externa, embora possa também ser executada por uma EAC, permanece facultada a contratação de empresas não especializadas ou de mercado. As EAC (confederações cooperativas especializadas em auditoria cooperativa) serão submetidas ao controle do Bacen e operarão com um roteiro mínimo/padrão, definido pelo órgão de supervisão, circunstância que, em linha com a literatura econômico-financeira internacional, fortalecerá o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), dando mais conforto às entidades vinculadas ao Fundo e corresponsáveis solidárias pelos créditos do conjunto dos cooperados. Aliás, o desejável – em perspectiva – é que as EAC tenham uma ligação societária mais íntima com o FGCoop, como ocorre, por exemplo, no cooperativismo financeiro alemão, de onde provém a inspiração para a solução brasileira. Em síntese, esses movimentos regulamentares, de cunho mais “cirúrgico”, ao lado do aprimoramento da governança interna a partir dos indicativos colhidos – e também há pouco divulgados - em pesquisa do Bacen para essa finalidade (veja o resultado consolidado em: http://www.bcb.gov. br/pec/appron/apres/pesquisa_governanca_2013_2014_internet.pdf), tornarão o sistema financeiro cooperativo ainda mais sólido e o colocarão num novo patamar de competitividade. *Ênio Meinen é advogado, pós-graduado em direito (FGV/RJ) e em gestão estratégica de pessoas (UFRGS) e autor/coautor de vários artigos e livros sobre cooperativismo financeiro – área na qual atua há 30 anos -, entre eles “O cooperativismo de crédito ontem, hoje e amanhã”. Atualmente, é diretor de operações do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob). (61) 3039-1050 www.vincereassociados.com.br [email protected] Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014 7 POR REDAÇÃO O desafio de estar sempre preparado As retrações da economia estarão sempre conosco. Assim é importante se preparar para elas, estar pronto e nunca ficar excessivamente sobrecarregado. P roblemas e obstáculos são comuns no cenário dos negócios e nem sempre estão sob o controle das lideranças. Nesse contexto de possibilidade permanente de adversidades, J. W. Marriott Jr., presidente do Conselho de Administração de uma das maiores redes hoteleiras do mundo, a Marriott International, defende a necessidade de as organizações estarem preparadas para enfrentar os obstáculos que podem surgir. Segundo o empresário, cabe aos gestores ter o cuidado permanente de “manter a casa em ordem” para que, quando a adversidade surgir, as soluções apareçam e sejam executadas com mais facilidade. Partindo de premissas como essa, Marriott transformou o restaurante de sua família em uma rede mundial de hotéis quando, no final dos anos 1970, vendeu seu grupo de hotéis e ampliou seus negócios que, naquele momento, passaram a não se restringir apenas ao ramo imobiliário. Nesta lição* do programa CEO Lessons da MindQuest, Marriott Jr. ressalta a importância de ter um planejamento, ser cuidadoso e conseguir superar os problemas que surgem. “Compreenda que nem sempre o sol estará brilhando, que haverá algumas nuvens vindo por cima e, quando elas vierem, você tem que estar pronto para elas”, afirma. “Todos nós sabemos que nenhuma árvore cresce até o céu e que as retrações da economia estarão sempre conosco. A era da tecnologia é maravilhosa, mas ela não pode dar garantia às retrações e condições adversas da 8 Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014 economia, que são causadas quase sempre por fatos além do nosso controle. Assim, é importante se preparar para elas, estar pronto e nunca ficar excessivamente sobrecarregado com as obrigações financeiras. Ao final da década de 1970, decidimos que iríamos ser uma empresa de administração, e não empresa de propriedade de hotéis. Assim, vendemos os hotéis que possuíamos e retomamos os contratos de administração. Continuamos a usar nossas marcas, administramos o negócio, mas não estávamos no negócio imobiliário. Assim, decidimos que poderíamos fazer um contrato de administração melhor se tivéssemos um imóvel, construíssemos e vendêssemos a outro proprietário e retomássemos o contrato, ao invés de termos alguém para desenvolvê-lo para nós. Assim, na realidade, estávamos construindo hotéis para venda. E, assim, ao longo de todos os anos 1980, construímos e vendemos hotéis; provavelmente vendemos algo em torno de 15 a 20 bilhões de dólares com os hotéis. E crescemos até por volta de 1989. Tínhamos 3 bilhões de dólares em hotéis, em nossos catálogos de vendas. Tínhamos compradores na fila de espera para todos aqueles hotéis e o mercado de imóveis estourou em 1989 e 1990. Repentinamente, estávamos em uma recessão e tínhamos uma guerra no Golfo. O Kuwait foi invadido pelo Iraque, e o Presidente Bush decidiu que ele precisava ir lá e resgatar o Kuwait. Assim, houve uma guerra e, durante a recessão, tínhamos imóveis demais em nossos catálogos e muitas dívidas. Assim, tivemos que realmente lutar com vigor para imaginar o que fazer. Vendemos alguns dos hotéis e retomamos os contratos, mas não conseguimos nos livrar de todos eles. Ainda tínhamos muitos. Assim fizemos uma transação corporativa da parte de administração do negócio, criamos uma nova empresa e deixamos os hotéis e seus débitos em uma outra empresa. Mas aquelas eram épocas de muitas tentativas para nós, tempos muito difíceis, mas cumprimos a meta, porque nos mantivemos fiéis ao plano, que não era possuir hotéis, mas administrá-los. A lição aqui aprendida é que nenhuma árvore cresce até o céu. Pensamos que poderíamos fazer isso para sempre e ficamos excessivamente sobrecarregados e, assim, penso que o mais importante é ser cuidadoso à medida que você avança, que seu plano vai sendo executado, e não sair precipitadamente. Compreenda que nem sempre o sol estará brilhando, que haverá algumas nuvens vindo por cima e, quando elas vierem, você tem que estar pronto para elas.” * Ao transpor a lição em vídeo para o meio impresso, pequenos trechos foram editados, a fim de evitar repetições próprias da fala e garantir uma leitura prazerosa. *Este artigo foi publicado na Revista Entre Líderes ANO 4 | EDIÇÃO 2 A Revista Entre Líderes é uma publicação da MindQuest Educação S.A. www.mindquest.com.br POR Romeo Balzan Consórcio: opção moderna, prática e segura Q uem investe em consórcio, investe em planejamento e na garantia da realização de projetos de vida. A cada ano, o setor cresce e se consolida como opção para adquirir bens ou serviços variados, de maneira gradual e segura, sem comprometer o orçamento. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), os consórcios somaram R$ 62,2 bilhões em negócios, de janeiro a outubro de 2014, 8,4% menor que os R$ 67,9 bilhões do mesmo período do ano anterior. Esta leve retração ocorreu em virtude do período pré e durante a Copa do Mundo, que teve uma quantidade menor de dias úteis para comercialização e as decisões de consumo ficaram em torno do evento. Atualmente, os dados demonstram a retomada dos negócios e do interesse do consumidor pela modalidade, que apresenta planos diferenciados, sob medida e a negociação é adaptada às necessidades do associado. No sistema de consórcio, as parcelas são customizadas, o que torna viável a aquisição, que pode consistir em um imóvel, veículo automotor, máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos e serviços de diversos segmentos - lazer, viagens, educação e saúde. No consórcio, os sonhos não têm limites e estão ao alcance de todos. O consorciado poderá ser contemplado por sorteio mensal e sem necessidade de adiantamentos. Outra opção é a contemplação por lance, possibilitando a programação da contemplação, através da utilização de recursos próprios (antecipação de parcelas) ou do próprio crédito. Neste formato, o contemplado tem ainda a possibilidade de reprogramar o plano, solicitando a redução do valor das próximas parcelas, mantendo o prazo, ou mesmo reduzir o número de parcelas na ordem inversa do vencimento, reduzindo dessa forma o prazo de pagamento do seu plano. Entre as vantagens da modalidade, o consumidor conta com formas diversificadas de negociação, como um desconto no momento da aquisição do bem ou serviço, mesmo que o plano ainda não tenha sido quitado, já que terá em suas mãos uma carta de crédito para compra onde melhor lhe convier. O mercado de consórcios vive um excelente momento, com o crescimento das novas adesões e da profissionalização cada vez mais presente nas administradoras de consórcios. Especialmente em serviços, um segmento novo, percebe-se uma evolução percentual do número de consorciados muito significativa. É um produto abrangente, uma forma de poupança programada para a realização de qualquer tipo de serviço como cirurgias estéticas, festa de casamento, festa de formatura, pagamento da faculdade, cursos técnicos, especialização, idiomas e aquela desejada viagem. O produto é indicado para pessoas que programam a realização dos seus sonhos com antecedência, organização e de forma econômica. Além da facilidade e abrangência do uso, o consórcio de serviços apresenta entre outros atrativos a redução de custos e a ausência de juros. Além de planejar de forma tranquila a aquisição, o consórcio consagra-se por ser um sistema disciplinador de formação de poupança e planejamento financeiro para o aumento do patrimônio das famílias brasileiras. A segurança é outro atrativo dos grupos de consórcios, cujas administradoras são reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil. *Superintendente de Consórcios da Administradora de Consórcios Sicredi e presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac) e do Sindicato Nacional dos Administradores de Consórcio (Sinac) - Regional Sul produções PRODUÇÃO DE FILMES CORPOR ATIVOS, PUBLICITÁRIOS, E CONTEÚDOS VARIADOS PAR A DIVERSAS MÍDIAS. streaming VIA INTERNET COM A TECNOLOGIA DE STREAMING DE VÍDEO. TR ANSMISSÃO AO VIVO DE QUALQUER EVENTO WEBTV, TVS CORPOR ATIVAS E MUITO MAIS! webtv www.a3filmeseproducoes.com.br | 61 3346-6087 10 Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014 Destaque POR Viviana Braga FOTOS REPRODUÇÃO/INTERNET, SICOOB CENTRAL - SC/RS Cooperativas de crédito: inclusão e desenvolvimento socioeconômico Quase 100% dos municípios catarinenses contam com pontos de atendimento de cooperativas de crédito A maior rede de cooperativas financeiras do Brasil. Foi com esse status que as cooperativas de crédito de Santa Catarina se apresentaram no VI Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, realizado em Florianópolis (SC). O título é resultado dos números do sistema. Há mais de 30 anos prestando serviços de apoio a produtores da zona rural e urbana, o cooperativismo de crédito catarinense está presente em 98% dos municípios, com 810 pontos de atendimento e mais de 1 milhão de associados com acesso a crédito de modo mais simples e vantajoso. O presidente do Sicoob Central SC, umas das entidades que integram a rede de cooperativas, Rui Schneider, explica que tudo começou quando o Banco Central, em meados de 1980, autorizou que as cooperativas se juntassem e formassem centrais. “Na época, tínhamos a necessidade maior de atendimento na área de crédito rural. Foi quando, em 1985, sete cooperativas se uniram e formaram a Cooperativa Central de Crédito Rural de Santa Catarina, com base num trabalho de confiança com os associados. Eles depositavam e faziam empréstimos na própria cooperativa e, assim, o nosso sistema foi crescendo”, disse. Ocupando o lugar de segunda instituição financeira com maior número de pontos de atendimento em Santa Catarina – total de 348 - o Sicoob Central SC/RS conta com 40 cooperativas, sendo 39 em Santa Catarina e uma no Rio Grande do Sul. “Temos casos de cooperativas Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014 11 ral, por exemplo, hoje posso dizer que as cooperativas do Sicoob possuem mais de 1 bilhão e 320 milhões de reais para emprestar, fora o que já foi emprestado”, completa Rui Schneider. Para Carlos Armando Carreirão, gestor dos Projetos de Inclusão Financeira do Sebrae Santa Catarina, não há dúvidas de que além de grandes movimentações, o estado se tornou um polo de organizações que trabalham com microcrédito. “O mais importante de tudo isso é que essas organizações atuam junto a um público que geralmente é excluído do sisRui Schneider, presidente Sicoob Central SC/RS, participou da evolução do crédito cooperativo no estado tema financeiro tradicional, que são as empresas inforque começaram com uma média de mais e as recém formaliza30 associados e hoje possui mais das. As cooperativas têm conseguido de 50 mil. Todas bem instaladas e identificar a capacidade de pagamensustentáveis”, acrescenta Schnei- to e de crescimento dos pequenos der. Ainda segundo ele, o salto do empresários que, na prática, são incooperativismo de crédito no estado visíveis para os bancos tradicionais, ocorreu a partir de 2005, ano em mas que possuem grande potencial que as cooperativas deixaram de de desenvolvimento”, enfatiza. ser segmentadas e passaram a ser de livre admissão, atendendo a qual- Receita do sucesso Cada vez mais alinhadas ao sistequer pessoa que residisse na área de ma financeiro brasileiro, as cooperaatuação da cooperativa. Em termos de movimentação tivas de crédito oferecem os mesmos financeira, os diferentes sistemas produtos e serviços que as demais – Sicoob, Cecred, Unicred, Cresol, instituições financeiras. No entanto, Sicredi – e cooperativas indepen- está no relacionamento direto com dentes possuíam, em dezembro de os associados e “donos” do negó2013, R$ 7,6 bilhões em depósitos cio, o ponto forte. É o que destaca totais e realizaram R$ 7 bilhões de o presidente do Sicoob São Miguel, operações de crédito. Os dados re- Edemar Fronchetti. “O nosso lema é velam o bom desempenho do coo- estar onde o associado está. Temos perativismo de crédito na região Sul municípios com 1,7 mil eleitores, e em Santa Catarina. Enquanto o ou seja, extremamente pequenos, segmento tem participação de 3,1% e mesmo assim estamos presentes em empréstimos e 2,6% em depósicom um posto de atendimento cootos no Sistema Financeiro Nacional, perativo, que atende todas as necesna região Sul representam 8,8% em sidades dos associados”, afirma. empréstimos e 10,1% em depósitos. Outro ponto relevante das cooSanta Catarina, por sua vez, destacaperativas de crédito é o fato de -se ainda mais com participação de 11,9% nos empréstimos e 17,4% elas não possuírem fins lucrativos. nos depósitos. “Se antigamente tí- Assim, as eventuais sobras ou exnhamos a necessidade de crédito ru- cedentes beneficiam diretamente 12 Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014 os associados, diferentemente das instituições financeiras tradicionais. “Manter os recursos onde são gerados é um dos fatores de fortalecimento das cooperativas. Somos proibidos, por lei, de enviar dinheiro para fora das comunidades em que atuamos, então, automaticamente, todo o excedente é reinvestido no seu lugar de origem, gerando emprego e renda e desenvolvendo a região. Essa é a filosofia que temos adotado para que o cooperativismo se fortaleça e desenvolva as comunidades”, completa Fronchetti. Foco na expansão Tendo como meta a totalização dos municípios catarinenses sendo atendidos pelas cooperativas de crédito, os sistemas têm, cada vez mais, investido na profissionalização dos funcionários. Isso porque, para as cooperativas de crédito, está na fidelização dos associados o segredo para alcançar esse objetivo. Assim, o Sicoob Central SC/RS mantém, desde o ano 2000, a Escola de Dirigentes e Executivos, e realiza parcerias com faculdades que ministram cursos de acordo com as necessidades das entidades, inclusive, intercâmbio em vários países como a Alemanha e o Canadá, tudo para que consigam alcançar a competência desejada. Tamanha dedicação ao atendimento refletiu, nos últimos anos, num crescimento substancial no número de associados das cooperativas, tendo aumentado 16% de 2012 para 2013. Assim, sistemas como o Sicoob, Unicred, Cecred, Sicredi e Cresol têm apresentado dados exponenciais quando se trata do número de associados, de depósitos e investimentos, por exemplo. Somente o Sicredi deve encerrar o ano de 2014 com um total de 2,8 milhões de associados em todo o Brasil. De acordo com o diretor executivo do Sicredi RS/SC, Gerson Seefeld, com menos de oito anos de atuação em Santa Catarina, o siste- ma já está presente em 23% dos municípios. “Temos uma projeção muito otimista que é de estarmos expandindo em mais 12% a nossa base de associados no ano de 2015”. Vivien Tolla, especialista em investimentos da Unicred Central de Santa Catarina, destaca que a Unicred pretende fechar 2014 com, aproximadamente, 60 mil cooperados. “Já ultrapassamos os R$ 2 bilhões de ativos e só em recursos administrados devemos ter R$ 2,5 bilhões até o fim do ano”, diz. A Cresol possui os mesmos números positivos. A primeira cooperativa surgiu em meados de 1996 no sudoeste do Paraná e, em seguida, se expandiu para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. “Além desses três estados, estamos presentes, desde o ano passado, na região Nordeste e no estado do Mato Grosso do Sul. Nosso objetivo é atingir todo o Brasil. Atualmente, temos um quadro de mais de 270 mil associados, grande parte deles agricultores familiares”, enfatiza José Silva, diretor Financeiro da Cresol Central. Diante do cenário promissor, o presidente do Sicoob Central SC/RS, Rui Schneider, aponta que as perspectivas para o futuro do cooperativismo de crédito em Santa Catarina são fusões e/ou incorporações de cooperativas, profissionalização de funcionários e dirigentes, aumento da participação no litoral catarinense e nos grandes centros urbanos, mais investimento em comunicação e marketing, conscientização das vantagens do cooperativismo, perpetuação do cooperativismo por meio de trabalhos com crianças e adolescentes, aprovação da Lei Cooperativista Estadual, regulamentação do Ato Cooperativo, acesso direto a recursos oficiais, bem como a reformulação da Lei do Cooperativismo. Para a presidente da Cooperativa Familiar Agrícola Paranaense (Coperfap), Regina Maria, não há dúvidas de que o apoio das cooperativas de crédito é fundamental para o desenvolvimento das comunidades. “Há 15 anos trabalho com o microcrédito. Comecei fazendo conservas em casa, com um investimento de R$ 2 mil apenas para a compra de material; a partir daí, o negócio foi dando certo e decidi fundar uma associação até chegarmos à cooperativa, que está com três anos. Hoje, a Coperfap possui 106 associados, uma estrutura de 600m², além do terreno, duas caminhonetes, empilhadeira, esteira e caldeira. O que antes era apenas um sonho, agora é realidade”, conta satisfeita. Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014 13 POR Marcos Acypreste FOTOS Lydia Costa Sicoob Creditran revoluciona a atividade do despachante de trânsito A tes a veículos”, explica José Fernandes. Mas, somente em 2004 foi possível conseguir a contratação pelo Estado. “Nós fomos contratados com a ajuda do atual deputado estadual, Renato Hinning, que, na época, era diretor de administração tributária da fazenda. Ele viu nossa necessidade, acreditou em nossa cooperativa e nos ajudou junto ao governo a participar da arrecadação com total propriedade, uma vez que a pulverização de pontos de atendimento José Fernandes Neto mostra que é possível realizar era visível e ajudaria na aroperações pelo celular recadação”, explica José. rém, a adesão e as metas não foram O grande diferencial da cooperativa atingidas no primeiro e nem no segun- está na forma como o trabalho é dedo ano. “Fomos atrás do contrato com senvolvido. Foi criado um sistema de a Secretaria de Fazenda do Estado internet banking, o Credinet, para que para poder arrecadar tributos ineren- o Sicoob Creditran estivesse presente no escritório dos despachantes virtualmente. “Foi um sucesso. O sistema é moderno e recebeu elogios em todos os setores”, explica Neto. O sistema foi mais bem aceito pelos usuários porque foi criado e montado para atender a uma necessidade específica da categoria. “Temos horários diferenciados para fazer depósitos e a facilidade com o relacionamento bancário, porque, hoje, é como se o Sicoob Creditran fosse extensão do escritório, bem diferente dos bancos comerciais”, afirma Luiz Antônio, do Despachante Sonagli. Atualmente, a cooperativa possui equipamentos de ponta e que podem ser utilizados através de qualquer plataforma, inclusive a móvel. “Trabalhamos por meio do celular, por exemplo. Pelo meu telefone, eu posso fazer a consulA cooperativa está presente em quase todos os municípios do estado de Santa Catarina Cooperativa de Crédito Mútuo dos Despachantes de Trânsito do Estado de Santa Catarina e Rio Grande do Sul foi criada para atender ao segmento de despachantes de trânsito, de modo a oferecer ferramentas modernas para realização dos serviços prestados pelos profissionais da área. A cooperativa tem como propósito oferecer equilíbrio financeiro entre a categoria, consolidar o cooperativismo e focar na arrecadação de tributos. “Há mais de dez anos, o Sicoob Creditran tem ajudado os profissionais no que se refere à quitação de débitos e demais arrecadações relacionadas com o próprio trabalho”, afirma o diretor presidente do Sicoob Creditran, José Fernandes Neto. Fundada em 2000, a cooperativa surgiu a partir da união de 27 despachantes que pensavam em trazer um beneficio a mais para a profissão. Po- 14 Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014 de agilizar e aprimorar o serviço ainda permite o atendimento personalizado aos clientes e horários especiais. Produtos Para o despachante, Luiz Antônio, o serviço melhorou muito depois de se associar à Creditran ta de um tributo, posso providenciar a quitação do tributo para possibilitar o licenciamento do carro”, explica Neto. Ainda de acordo com o diretor presidente, o sistema de segurança é o melhor possível. “Claro que estamos vulneráveis como qualquer outro sistema de informática, mas temos um nível de segurança muito bom”, afirma. O que mudou? Antigamente, o despachante praticamente mantinha uma pessoa que encarava as filas de bancos pagando e autenticando documentos. Com o sistema Credinet não é mais preciso ter a presença física. “Agora o despachante pode operar do escritório, de casa ou de onde tiver acesso a um computador ou smartphone. Assim, ele deixou de ser o tranca fila de bancos e passou a ser o melhor atendente em questão de quitação de tributos”, afirma Neto. Para o despachante e presidente da Associação Regional de Lages, Wolnei Luiz Coelho, o Sicoob Creditran representa uma série de benefícios para os despachantes, pois facilita o trabalho e ainda oferece produtos que ajudam no crescimento de toda a ca- Creditan pretende levar serviço a outros estados tegoria, o que acaba por ser positivo também para os clientes que procuram os escritórios despachantes. A despachante e delegada da cooperativa, Mariza Heusi, de Itajaí, destaca também que o trabalho que a diretoria do Sicoob Creditran realiza, visa trazer vantagens para todos os cooperados, e ressalta que a estrutura de atendimento (tanto a sede quanto o sistema de informática), foram pensados para trazer o que há de melhor para os despachantes, valorizando os profissionais. O Sicoob Creditran, através do Bancoob, oferece todos os produtos e serviços bancários existentes no mercado, praticando taxas que são atrativas e viáveis para auxiliar o crescimento profissional de seus cooperados. Para se associar O primeiro pré-requisito é ser despachante ou estar associado a ele como, por exemplo, família, funcionário e autoescola. O interessado deve procurar um delegado da cooperativa, se apresentar e se candidatar. Por sua vez, o delegado encaminha o pedido para o Conselho de Administração, que vai analisar as condições mínimas; se aprovado, ele estará apto a ser associado. Atendimento exclusivo e rápido é o diferencial da Creditran Edison Delcio Cousseau, despachante e delegado da cooperativa na região de Concórdia, entende que o Sistema Credinet é a melhor ferramenta criada para a profissão, pois além Futuro O Sicoob Creditran foi uma das primeiras instituições financeiras a trabalhar on-line em Santa Catarina e hoje são arrecadados cerca de 85% dos tributos referentes a veículos. De acordo com programa de avaliação financeira do Sicoob, a Cooperativa está entre as primeiras no Estado em retorno financeiro aos seus cooperados. Atualmente, o novo projeto da cooperativa é a expansão territorial para o Rio Grande do Sul e Paraná. “Desejamos aumentar o nosso modelo de cooperar”, ressalta Neto. Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014 15 POR Marcos Acypreste FOTOS LYDIA COSTA/ CECRED Sistema Cecred é um dos pilares do cooperativismo de crédito do Sul U m dos responsáveis pelo desenvolvimento do cooperativismo de crédito na região Sul do Brasil, o Sistema CECRED completou 12 anos em 2014. Criado em 2002, surgiu a partir da iniciativa das cooperativas Viacredi, Acredicoop e Concredi, com o objetivo de apoiar, desenvolver e integrar as cooperativas de crédito, além de ampliar a oferta de produtos e serviços. Hoje conta com 14 cooperativas singulares em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, além da Central CECRED, com sede em Blumenau (SC). “A Central dá o suporte para que as cooperativas de crédito filiadas possam atender a seus cooperados. Com isso, as integrantes do Sistema podem oferecer soluções financeiras através de uma rede de 145 Postos de Atendimento, que atendem aos cooperados de forma presencial e também através do autoatendimento”, explica o diretor executivo da CECRED, Ivo José Bracht. Atualmente com mais de 400 mil cooperados e com um total de ativos que ultrapassa os R$ 3 bilhões, o Sistema CECRED participa ativamente do sistema financeiro. Acompanhando o histórico das instituições cooperativistas do mesmo ramo, planeja encerrar 2014 registrando um crescimento de 31%, mantendo a média dos últimos anos. Nas operações de crédito, a expectativa é de um aumento de 39%, alcan16 Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014 çando um saldo superior a R$ 2 bilhões em empréstimos. Outro ponto importante para ser destacado é o investimento dos associados nas cooperativas do Sistema. Em 2014, deve ser registrado um crescimento de 31% superior ao ano passado, o que supera a marca de R$ 2 bilhões. A meta do planejamento estratégico do sistema prevê alcançar 800 mil cooperados e R$ 9 bilhões em ativos totais até 2017. “A nossa missão é oferecer soluções financeiras por meio do cooperativismo e assim contribuir para o desenvolvimento social e econômico da comunidade”, afirma o presidente do Conselho de Administração da CECRED, Moacir Krambeck. O crescimento do Sistema CECRED se reflete no desenvolvimento sustentável das regiões onde as cooperativas estão presentes, por meio da inclusão financeira de seus cooperados, disponibilizando produtos e serviços adequados à sua realidade. Além disso, são realizados projetos sociais em prol da comunidade. “Temos a preocupação de trazer o senso de pertencimento aos nossos cooperados para que se sintam donos, pois é importante que eles participem das nossas ações. Por isso, desenvolvemos uma série de atividades ligadas às áreas de educação financeira e cooperativista, desenvolvimento de competências profissionais, qualidade de vida, responsa- Moacir Krambeck acredita que o cooperativismo de crédito é o pilar do desenvolvimento bilidade socioambiental e formação de empreendedores. Acreditamos que através da educação podemos transformar uma comunidade. Pensando nisso, trabalhamos com temas atuais como: cuide bem do seu dinheiro, comunicação verbal e oratória, e saúde emocional” explica a gerente de Governança Cooperativa e Organização do Quadro Social da Central CECRED, Elaine Aparecida Rodrigues. As cooperativas do Sistema CECRED também contam com os comitês educativos que estudam a comunidade em que a cooperativa está inserida para a criação de planos estratégicos. “Todo final de ano, elaboramos um planejamento para as cooperativas, verificando como querem se posicionar em termos de mercado e seus objetivos para o próximo ano”, afirma Elaine. Ainda de acordo com a gerente, o ano de 2014 foi voltado a projetos de educação financeira. “Com o tema educação financeira, realizamos cursos e palestras, para pessoas de todas as idades”, ressalta. Projetos Progrid Por meio do Programa de Integração e Desenvolvimento de Cooperados e Comunidade, as cooperativas do Sistema CECRED promovem a integração e o desenvolvimento, instituindo as práticas de educação, formação e informação. São desenvolvidos palestras, cursos, teatros, feiras e outros, voltados à educação cooperativista e financeira, à capacitação de empreendedores, à qualidade de vida, ao desenvolvimento de competências, ao cooperativismo e à responsabilidade socioambiental. O programa utiliza recursos do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES). Cooperjovem O Cooperjovem, idealizado pela OCB, está implantado em seis escolas e tem como objetivo disseminar a prática da pedagogia da cooperação nas escolas públicas em que a Cooperativa está inserida. Cooperacriança Idealizado pela Confebrás, o programa Cooperacriança visa proporcionar um dia de lazer e cultura às crianças carentes, em comemoração ao Dia da Criança e Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito. Em 2014, as cooperativas Viacredi, Viacredi Alto Vale, Credifiesc, SCRcred, Credcrea, Crevisc e Rodocrédito promoveram o evento, alcançando mais de sete mil crianças. Comitês Educativos São órgãos consultivos da Cooperativa, compostos por três membros e organizados em cada posto de atendimento que visam ao desenvolvimento de atividades educacionais, à ampliação da participação dos cooperados nas atividades da Cooperativa e ao aprimoramento do processo de comunicação entre a Cooperativa e seus cooperados. Estão implantados os Comitês Educativos nas cooperativas Credifoz, Viacredi, SCRcred, Rodocrédito, Acredicoop e Viacredi Alto Vale, envolvendo 252 membros. Cooperjovem leva conhecimento pedagógico para as escolas onde há pontos de atendimento da cooperativa Perfil • Sistema CECRED: formado pela Central CECRED e 14 cooperativas de crédito. • Atuação em 50 cidades de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. • 145 Postos de Atendimento. • Mais de 400 mil cooperados. • Quase 70 mil participações em 530 eventos em 2014. • 2.064 eventos do PROGRID realizados, com 125.680 participações em 2014 (até outubro). • Mais de R$ 3 bilhões em ativos. • Mais de R$ 2 bilhões em empréstimos. • Mais de R$ 2 bilhões em investimentos. • R$ 88,6 milhões distribuídos aos cooperados como retorno das sobras de 2013. Cooperativas do Sistema Cecred Viacredi, Blumenau (SC); Acredicoop, Joinville (SC); Cecrisacred, Criciúma(SC); Credifiesc, Florianópolis(SC); Credcrea, Florianópolis(SC); Credelesc, Florianópolis(SC); Transpocred, Florianópolis(SC); Credifoz, Itajaí(SC); Credicomin, Lages (SC); Crevisc, Guaramirim (SC); SCRcred, São Bento do Sul(SC); Rodocrédito, Francisco Beltrão (SC); Viacredi Alto Vale, Ibirama (SC); Transulcred, Bento Gonçalves (RS). Características do Sistema Desde a sua constituição, o Sistema CECRED possui características únicas, produzindo resultados e conquistas que marcam sua trajetória, dentre elas: -- Sistema cooperativo estruturado em apenas dois níveis (Singulares e Central), conferindo maior velocidade de decisão e menor custo; -- Forte atuação na organização do quadro social por meio do Progrid (Programa de Integração e Desenvolvimento de Cooperados e Comunidade), comitês educativos, pré-assembleias e assembleias; -- Sistema cooperativo puro, formado apenas por cooperativas; -- Atuação exclusiva no crédito urbano; -- Ampla rede de atendimento, com estrutura própria e por meio de parceiros; -- Estrutura de decisão democrática – todas as Singulares têm direito a voto no Conselho de Administração da Central; -- Governança cooperativa estruturada em práticas transparentes e padronizadas; -- Primeiro sistema cooperativo com compensação própria, sem a constituição de um banco, recebendo do Banco Central o número de instituição financeira 085. Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014 17 Responsabilidade Social POR Marcos Acypreste FOTOS OCEMG Sistema Ocemg prioriza ações sociais Presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, durante abertura do Seminário Responsabilidade Social O cooperativismo brasileiro trabalha em prol do desenvolvimento social e econômico. Pensando nisso, o Sistema Ocemg (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Minas Gerais), atua em benefício do crescimento do cooperativismo mineiro orientando as cooperativas na busca por uma gestão cada vez mais eficiente e que impulsione o desenvolvimento do estado. Em 2014, foram realizadas várias ações que priorizaram o atendimento à comunidade, a troca de informações e a difusão do conhecimento. “Nossa jornada é continuada e deve acontecer durante todo o ano. Sentíamos que faltava algo para que o cooperativismo fosse bem visto pelas pessoas e colaborasse para o bem-estar da sociedade. Foi a partir dessas premissas que desenvolvemos os projetos”, afirma o presidente do 18 Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato. O Sistema Ocemg realizou a Corrida da Cooperação. O projeto tem o intuito de promover um esporte que visa a coletividade e a integração entre seus participantes e, ao mesmo tempo, arrecadar alimentos não perecíveis para doação. O evento foi realizado no dia 20 de julho, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). O evento reuniu 4 mil atletas e arrecadou cerca de oito toneladas de alimentos, o que beneficiou treze instituições filantrópicas da cidade. Segundo estudo feito pela empresa de marketing esportivo, a TBH, em Na terceira edição da Corrida da Cooperação, o evento reuniu 4 mil esportistas Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014 Jovens recebem instruções e conhecimento para ingressar no mercado de trabalho apenas três anos de realização, a Corrida da Cooperação está entre as dez principais competições da categoria no estado. Nas duas primeiras edições, o evento reuniu mais de sete mil atletas, além de arrecadar mais de 13 toneladas de alimentos, beneficiando vinte e cinco entidades da capital. “O evento dá visibilidade ao Sistema e faz com que a sociedade tome conhecimento do trabalho que desenvolvemos. Ao incentivar o esporte, a iniciativa promove, também, a prática do cooperativismo. Estamos muito satisfeitos com o resultado”, afirma Scucato. Outro ponto que o Sistema Ocemg prioriza é a educação. Em parceria com o Sescoop, desenvolve o Programa Aprendiz Cooperativo. A ação visa capacitar jovens para trabalhar nas cooperativas, em regime especial, na condição de aprendizes. Além do cumprimento das obrigações legais, o Sescoop Nacional e o Sistema Ocemg praticam, com isso, o 5° e o 7º princípios do Cooperativismo que preveem a promoção da educação, formação e informação nas cooperativas e o interesse pela comunidade, respectivamente. Ainda com foco na educação, é realizado o Programa de Educação Cooperativa, envolvendo escolas particulares e públicas - rurais e urbanas - de todo o estado. Os números são expressivos e reforçam a importância da iniciativa. Somente neste ano, mais de cinco mil alunos participaram do programa. Durante os meses de agosto e setembro, mais de setenta instituições de ensino, entre escolas particulares, públicas - rurais e urbanas - e cooperativas de ensino, receberam a equipe da Gerência de Capacitação. A ideia é verificar se o projeto está sendo desenvolvido de acordo com as práticas pedagógicas de cada local e despertar para a importância da intercooperação, do trabalho em equipe e da gestão integrada. De Minas para o Brasil Em 2009, o Sistema Ocemg criou o programa Dia C - Dia de Cooperar com o apoio e participação das cooperativas mineiras. O objetivo é promover e estimular a integração das ações voluntárias num grande movimento de solidariedade cooperativista. É um dia reservado para fazer o bem ao próximo por meio de ações sociais diversificadas e simultâneas em todo o Estado. “A data foi escolhida para demonstrar uma parcela das iniciativas de mobilização social que o Sistema vem desenvolvendo continuamente, como um marco da identidade coo- perativista e responsabilidade com o entorno”, disse Scucato. No grande dia, cooperados, colaboradores, familiares, parceiros, clientes e fornecedores ajudam a transformar, para melhor, a vida de muitas pessoas. As próprias cooperativas definem as ações que serão realizadas e mostram o potencial cooperativo no âmbito da Responsabilidade Social. O que era uma ação promissora em Minas se tornou modelo para todo o Brasil e agora é nacional. Em 2013, o Dia C foi realizado em sete estados. Reuniu 248 cooperativas, de 201 municípios, contemplando cerca de 44 mil voluntários e mais de 300 mil pessoas beneficiadas. Já neste ano, a adesão foi muito maior com a participação de 25 estados e mais o Distrito Federal, reunindo 858 cooperativas, sendo 240 mineiras, de 216 municípios envolvidos, beneficiando mais de 700 mil pessoas. Para finalizar os trabalhos de 2014, debater novos métodos e meios de como aplicar as atividades com responsabilidade socioambiental, analisar novas atuações na gestão para alcançar os objetivos e homenagear as ações desenvolvidas em 2014, o Sistema Ocemg realizou o VIII Seminário de Responsabilidade Social das Cooperativas Mineiras. Durante o seminário, foi apresentado o fechamento das atividades de voluntariado promovidas pelas cooperativas do Estado, ações para intensificar a geração de novas iniciativas, além de palestras e exibição do vídeo que reuniu os dados e resultados do programa. Centenas de cooperativas participaram do Dia de Cooperar Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014 19 Ações de sucesso do Dia C Em 2014, cerca de 240 cooperativas mineiras participaram do Dia de Cooperar. Confira algumas ações de sucesso: A natureza agradece A Cooperativa dos Produtores Rurais de Abaeté e Região e a Cooperativa de Crédito de Livre Admissão do Alto e Médio São Francisco desenvolveram ações conjuntas para o Dia de Cooperar. Os cuidados com a natureza fizeram parte da pauta de projetos. Para a preservação, várias ações, promovidas pela Cooperabaeté e Sicoob São Francisco, trouxeram conscientização ambiental para Abaeté e região, beneficiando, aproximadamente, 10 mil pessoas. As iniciativas foram divididas em diversas frentes, com direito a mutirão da limpeza e 16 toneladas de lixo retiradas das ruas. Escolas também receberam palestrantes e 2,5 mil cartilhas educativas foram distribuídas. Houve, ainda, a construção de “barraginhas” na região, um importante mecanismo de preservação do ambiente e represamento de água. Dignidade para mulheres em situação de risco A Cooperárvore inaugurou sua participação no Dia C com uma tarefa nobre: ajudar moradoras de Betim em situação de risco a se cuidarem e recuperarem a autoestima. A instituição escolhida para a tarefa foi a Associação Ação Social Ebenezer, que fica no bairro Jardim Projeto busca recuperar autoestima das mulheres Levando alegria aos mais velhos Na visão do Sicoob Central Crediminas, o grupo da terceira idade demanda muito carinho e dedicação. Por isso, pelo segundo ano consecutivo, a Central dedicou seu projeto aos idosos. A instituição beneficiada em 2014 foi a Casa do Ancião – Cidade Ozanam, que fica no bairro Ipiranga, em Belo Horizonte, e abriga oitenta e oito moradores. Com o grande empenho da turma de voluntários, foram arrecadadas 1700 fraldas geriátricas. A doação foi entregue no Dia C, seis de setembro, 20 Cooperativa se preocupa com o meio ambiente e faz mutirão de limpeza No Dia de Cooperar, foi realizada uma blitz educativa em Abaeté, com a distribuição de duas mil lixeirinhas automotivas. As ações terminaram no sete de setembro, com um desfile sobre o tema Responsabilidade Socioambiental. Cerca de 100 voluntários trabalharam no projeto, que contou com a parceria de Emater, Polícia Militar Ambiental e prefeituras. Petrópolis e abriga mulheres com dependência química. A cooperativa recolheu doações de produtos de higiene e beleza com moradores e empresas da cidade. Sabonetes, material para higiene bucal e pessoal, escovas de cabelo e hidratantes estavam entre os produtos arrecadados e doados às treze beneficiadas por vinte e um voluntários mobilizados pela ação. A entrega foi feita no Dia C, com um delicioso café da manhã, oportunidade para confraternizar e conhecer as histórias de vida dessas mulheres. Vale ressaltar que a Associação, que sobrevive de doações, funciona na casa da Sra. Elza. Ela acolheu essas pessoas em seu lar, dando a elas uma nova oportunidade. A história mostra que ajudar ao próximo vai muito além do material. Compaixão, solidariedade e disponibilidade para o outro não têm preço e estão dentro de cada um. durante evento que contou com número musical e diversas brincadeiras. Quem conduziu a festa foi o grupo Força do Bem, parceiro do projeto. Violeiros e um mágico ainda animaram os acamados. A ação contou com trinta e quatro voluntários no Dia C: dez colaboradores do Sicoob Central Crediminas, dois de seus familiares e vinte e dois integrantes do grupo Força do Bem. Para a arrecadação de fraldas, contribuíram, ainda, cem colaboradores da Central e vinte do Sicoob Minaseg. Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014 Grupo faz idosos voltarem a ser criança Uma ação para toda a cidade A comunidade da cidade de Cláudio provou, no Dia C, que a união faz mesmo a força. Mais de 90 parceiros, da iniciativa pública e privada, se uniram ao Sicoob Copermec para proporcionar qualidade de vida e bem-estar à população. O projeto Oficina Solidária existe desde 2009 e este ano contou com a ajuda de 135 voluntários. A estimativa é que cerca de 6500 pessoas tenham comparecido à Praça dos Ex-Combatentes para participar da confraternização e usufruir de uma série de benefícios. A população pôde contar com serviços como aferição de pressão arterial e emissão de Carteira de Identidade, CPF e certidões de nascimento e casamento. Na Tenda do Meio Ambiente, foram distribuídas 1200 mudas de plantas nativas da região, de espécies como ipê, palmeira, amora, pitanga e jacarandá. No Salão Escola, os participantes ganharam corte de cabelo, escova e depilação de sobrancelha. Na Tenda do Hemominas, setenta e cinco pessoas doaram sangue, retribuindo o gesto de amor para ajudar outras pessoas. Mais saúde para a população O Dia de Cooperar em Paraopeba foi grandioso. Sicoob Crediparaopeba, Coapa e Coopardosia lideraram um batalhão de cinco mil voluntários para arrecadarem fundos e reabrir a Unidade de Pronto Atendimento Médico do município, que estava fechada há dois anos. Posto de saúde é reaberto durante ação do Dia de Cooperar Comunidade conta com serviços oferecidos no Dia C Uma campanha de arrecadação de alimentos também fez parte da iniciativa, sendo arrecadados 1500 kg de mantimentos, distribuídos entre instituições sociais da cidade. Para animar o evento, diversas apresentações culturais, entre elas da Apae, de escolas municipais de Cláudio e do Grupo Renascer - Maior Idade. A festa ainda contou com pintura facial, cabine fotográfica, cama elástica, balão, pula-pula e tobogã. Pipoca, algodão-doce, suco e picolé garantiram a energia para participar de tantas atividades! Para atingir o objetivo, uma série de eventos foram realizados no período de 5 a 7 de setembro. No dia cinco, pedágios nos semáforos da cidade convidaram o público para a festa beneficente. No sábado, um show com a dupla Armando Lopes e Henrique animou a comunidade. O domingo começou com missa sertaneja, seguida de cavalgada, almoço, bingo e leilão. Além dos colaboradores, associados e seus familiares e a comunidade, em geral, atenderam ao apelo solidário e aderiram à causa. A iniciativa conseguiu levantar R$ 59.113,90 para a causa, que contou com o trabalho de trezentos voluntários diretos. A população de Paraopeba, aproximadamente, 22,5 mil pessoas, será beneficiada após a reabertura da UPA. Reforma da Alegria Força de vontade, garra e muita disposição. O Hospital São Vicente de Paula, na cidade de Conselheiro Lafaiete, referência no atendimento pediátrico na região, em funcionamento desde 1967, sempre deparou com inúmeras dificuldades para se manter e não fechar as portas. Devido a grande demanda da população, houve a expansão de atendimentos e a instituição sempre contou com a ajuda de voluntários. A Unimed Conselheiro Lafaiete e o Posto de Atendimento do Sicoob Credicom, por meio do Projeto “Revitalizando Sonhos”, vem trabalhando para reestruturar a ala infantil do hospital. Para isso, as cooperativas prepararam um Dia C todo voltado para essa iniciativa. Cerca de 250 voluntários participaram da 1ª Gincana Cultural da Melhor Idade, formada pela ala de idosos da instituição, que promoveu, entre outras atividades, a venda de uma rifa com seis mil bilhetes distribuídos entre os colaboradores. Os prêmios foram variados: um micro-ondas, um celular e três aparelhos micro-system. Cooperativa recupera ala infantil do hospital A ação, que beneficiou trinta crianças, possibilitou a troca de piso e colchões, pintura de berços e paredes, remanejamento e nova disposição das alas, além da construção do posto de enfermagem dentro da pediatria, nova iluminação, reforma de banheiros, entre outros, tudo para dar mais conforto às crianças. Segundo os organizadores, o sucesso da ação pode transformar o projeto em um programa, mas mesmo que isso não aconteça, o importante foi o expressivo número de colaboradores cadastrados como voluntários no hospital. Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014 21 Especial POR PATRÍCIA TÁVORA FOTOS LYDIA COSTA, patrícia távora Florianópolis sedia Fórum sobre Inclusão Financeira Luiz Edson Feltrim, diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Bacen, destacou a realização do Fórum em Florianópolis O VI Fórum sobre Inclusão Financeira do Banco Central do Brasil aconteceu no mês de novembro, em Florianópolis (SC), e reuniu cerca de 1000 participantes. O evento debateu os avanços e os desafios na promoção da inclusão financeira no Brasil e no mundo, com destaque para as inovações em relação a instrumentos de poupança e ao provimento de crédito para os micro e pequenos empresários. Estiveram presentes representantes de instituições financeiras, cooperativas de crédito, operadores de microfinanças, potenciais investidores, representantes do setor educacional, de organismos governamentais e multilaterais e do terceiro setor, além de estudiosos e fomentadores. Na abertura, o diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central do Brasil, Luiz Edson Feltrim, destacou o desafio de realizar o Fórum em uma localidade onde não há presença do Banco Central. “O que nos motivou 22 Gestão Cooperativa Especial dezembro de 2014 a aceitar esse desafio foi a convicção de que Santa Catarina representa um verdadeiro caso de sucesso em termos de inclusão financeira no Brasil. Santa Catarina é um polo do microcrédito produtivo no país. Assim, com tudo isso, aliado ao convite do Governo e à atuação do Sebrae, tanto nacional e particularmente local, esse Fórum se torna uma realidade em Santa Catarina”. Além disso, Feltrim também chamou a atenção para outra marca de sucesso em Santa Catarina: o cooperativismo de crédito. São quase 2 milhões de associados ao sistema cooperativista, o Estado com maior densidade associativa do país. “Segundo dados da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, o setor cooperativista gera quase 50 mil empregos diretos e possui faturamento anual correspondente a 11% do PIB do Estado”, informou. Já Carlos Alberto dos Santos, diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Nacional), tratou, em seu discurso, da importância de se discutir a inclusão financeira dentro do processo de inclusão social vivido atualmente. “Nós temos um enorme desafio que é o da inclusão financeira, que passa por modificação da oferta de produtos financeiros e também por modificações e melhorias na demanda, que tem a ver com educação financeira, com gestão financeira, conhecimento, capacitação e informação”. Para o ministro-chefe da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República (SMPE), Guilherme Afif Domingos, o grande desafio no Brasil é o crédito. “O momento é o do crédito do investimento, do crescimento distribuído e não concentrado em mãos de meia dúzia. Eu acho que assim vamos construir uma filosofia de um verdadeiro crescimento para todos. E não é só pregar crescimento econômico, nós temos que ter desenvolvimento econômico que é uma visão muito mais completa, porque o Fórum reservou espaço para comercialização de produtos artesanais principal objetivo é desenvolver e melhorar as pessoas, o maior patrimônio do país”, argumentou. O subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), Ricardo Paes de Barros, defendeu a inclusão financeira como uma questão fundamentalmente estratégica. “A inclusão financeira para todos é condição indispensável para a erradicação estrutural da pobreza, e para o desenvolvimento com redução na desigualdade e acesso à economia formal”. Barros ainda citou quatro desafios para serem tratados na agenda voltada à inclusão financeira e à promoção da cidadania financeira como o desenho de novos instrumentos de regulamentações que fomentem a poupança popular, aprimorando a adequação da oferta de serviços financeiros às necessidades da população, reduzindo seus custos e ampliando a capilaridade da oferta de serviços, a promoção da educação financeira e o aumento da transparência, aumentando a segurança em relação à utilização de serviços financeiros, e a ampliação e desenvolvimento de parcerias nacionais e internacionais entre agentes públicos e privados. O presidente substituto do Banco Central do Brasil, Anthero de Moraes Meirelles, falou dos esforços que o Banco Central vem realizando, ao longo da última década, para o aprimoramento do processo de inclusão financeira no Brasil. Entre os importantes progressos obtidos, Meirelles destacou o fortalecimento do segmento do cooperativismo de crédito, e os avanços normativos voltados à promoção da qualidade e adequação dos serviços financeiros e da transparência e concorrência no Sistema Financeiro Nacional. Neste ano, o Fórum de Inclusão Financeira do Banco Central trouxe como tema ‘Pense globalmente, atue localmente’, e contou com plenárias, mesas temáticas, talk shows e oficinas temáticas sobre inclusão financeira. O evento foi uma realização do Sebrae, do Banco Central do Brasil e do Governo Federal, e contou com patrocínio do Sistema OCB, Febraban, Associação Brasileira de Bancos, e do Banco de Desenvolvimento da América Latina. Banco Central anuncia medidas para as cooperativas de crédito Durante o VI Fórum de Inclusão Financeira, o presidente substituto do Banco Central do Brasil, Anthero de Moraes Meirelles, anunciou algumas medidas para o cooperativismo de crédito. As medidas tratam da emissão de letras financeiras, dos requerimentos mínimos de capital, do aprimoramento no modelo de auditoria cooperativa, da nova segmentação de cooperativas de crédito e da cooperativa como sociedade garantidora de crédito. “Todas essas inovações e avanços foram feitos paulatinamente, à medida que o próprio segmento evoluía em sua capacidade operacio- nal e de controle, atendendo também à preocupação central e institucional do Banco Central com a estabilidade financeira. Entendemos, nesta altura, que o sistema está suficientemente maduro para dar outros importantes passos regulamentares rumo à sua consolidação”, disse Meirelles. Nas novas resoluções que já estão em vigor, entra a autorização para as cooperativas de crédito emitirem Letras Financeiras e, dessa forma, ter acesso a um “funding” mais estável para o financiamento das operações de crédito de médio e longo prazo, e garantir fonte adequada para a composição do capital regulamentar. “O que estamos fazendo é incluindo a cooperativa de crédito como uma das instituições que podem emitir letras financeiras com o objetivo de compor capital, só que, no caso das cooperativas, apenas com cláusula de subordinação”, informou o chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, Júlio Carneiro. A outra resolução anunciada trata do aprimoramento dos requerimentos mínimos de capital, de forma a reduzir os custos operacionais e dotar melhores condições para o crescimento das cooperativas. O chefe de gabinete da diretoria de regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, Aloísio Tupinambá, informou que o Banco Central reduziu o Fator de Ponderação de Risco (FPR) de 50% para 20% nas operações feitas entre instituições de um mesmo sistema cooperativo. E reduziu, também, de 85% para 75%, no caso das operações de crédito das cooperativas para seus associados, o chamado Regime Prudencial Simplificado (RPS). “São operações de menor risco e, por isso mesmo, estamos fazendo esse ajuste”, disse Tupinambá. As outras três propostas anunciadas pelo Banco Central foram colocadas em consulta pública aberta para discussão até o dia 16 de fevereiro de 2015. A primeira minuta de resolução aborda o novo modelo de Auditoria Cooperativa nas cooperativas de crédito. Esse novo modelo prevê que o serviço será realizado pela chamaGestão Cooperativa Especial dezembro de 2014 23 da Entidade de Auditoria Cooperativa (EAC), e que, entre suas atividades, estarão a supervisão auxiliar, a verificação das informações contábeis e financeiras, o cumprimento dos dispositivos legais e regulamentares e a qualidade na gestão das cooperativas centrais de crédito. “Uma medida simples de fortalecimento do setor”, disse o chefe de Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central, Fábio Coelho. A segunda minuta de resolução traz a nova segmentação das cooperativas de crédito. A proposta é que seja criado um modelo em que classificaria as cooperativas em três tipos, de acordo com as operações realizadas: as Plenas, que fazem qualquer tipo de operação para a qual a cooperativa é autorizada; as Clássicas, aquelas que fazem todas as operações com exceção às de maiores riscos; ou as de Capital e Empréstimo, aquelas que não captam depósitos à vista dos seus associados. As condições de associação às cooperativas de crédito passam ser livres, definidas apenas pela assembleia geral e formalizadas no estatuto social da cooperativa. “O que o Banco Central vai fazer, e aí entram os três segmentos, é que, dada a decisão da assembleia, resulta a cooperativa com determinadas características. Cooperativas mais complexas, maiores riscos; cooperativas menos complexas, menores riscos. Então, dar-se-á o tratamento prudencial que seja adequado ao grau de risco da cooperativa”, informou o consultor do Departamento de Cerca de mil pessoas participaram do evento Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, Cleofas Júnior. Por último, a minuta que trata a possibilidade de constituição das cooperativas de crédito que tenham como objeto social principal a prestação de garantias em operações de crédito realizadas com micro e pequenas empresas (MPE). “O Banco Central tem conforto para lidar com a figura das cooperativas de crédito. O que nós fizemos foi adaptar as regulamentações para as cooperativas de crédito, que são muito mais simples. Ela tem, do lado do passivo, apenas capital; do ativo, as aplicações do capital e de outro, recursos recebidos de apoiadores. É com base nesse lastro que ela concede garantias”, explicou Cleofas. Na avaliação do presidente da OCB/Sescoop-RJ, Marcos Dias, o Fórum deu ao segmento cooperativista avanços importantes. “Esse é um marco importante na história do cooperativismo. Eu acho que, de agora em diante, teremos os caminhos conquistados e o Banco Central reconhece isso”, disse. Já para o gestor dos Projetos de Inclusão Financeira do Sebrae Santa Catarina, Carlos Carreirão, o atendimento da micro e pequena empresa ganhou com a abertura da livre admissão para as cooperativas de crédito. “Isso vai ajudar muito as cooperativas a avançarem no atendimento aos pequenos negócios. Fará toda diferença, daqui pra frente, o trabalho com as pequenas empresas no acesso a serviços financeiros”. Para Edson Feltrim, a nova regulamentação para o setor cooperativista de crédito reflete de forma mais adequada o perfil atual do segmento. “A maior parte das propostas são, de fato, demandas trazidas pelo próprio cooperativismo”, conclui. “O segmento cooperativista de crédito reveste-se de importância especialmente para o fortalecimento de localidades menos assistidas pelo sistema bancário tradicional. A missão do Banco Central de garantir um sistema financeiro sólido e eficiente está alinhada com o desenvolvimento sustentável do segmento cooperativista. É, nesse sentido, prioridade em nossa Instituição”. Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil Veja nossa revista também em versão digital www.gestaocooperativa.com.br 24 Gestão Cooperativa Especial dezembro de 2014 Educação Financeira POR Álvaro Modernell O que funciona e o que não funciona nas finanças pessoais V iradas de anos são épocas em que são publicados artigos, matérias, dicas e toda sorte de textos sobre finanças pessoais. Há abordagens e receitas para todos os gostos e bolsos. Com tantas alternativas, porque há tanta gente com problemas nas finanças? Primeiramente, temos que aceitar que manter as finanças em ordem não é prioridade de todos. Já de saída, fica fácil explicar o porquê de alguns índices alarmantes, como o alto endividamento familiar: 52%, segundo o Bacen; o baixo nível de poupança: 14% segundo a Agência de Notícias, sendo 7,6% das famílias, segundo o Banco Central; a irrisória parcela da população com previdência complementar: pouco mais de 3%, segundo a SUSEP; ou o irracional uso do crédito rotativo do cartão de crédito, com taxas que superam 14% ao mês, enquanto a taxa básica anual de juros está por volta de 11% a.a. Mas não são apenas números que explicam. Mas não são apenas números que explicam. Para funcionar, o básico tem que existir: vontade, motivação, persistência. Algumas pessoas trazem isso do berço. Algumas despertam cedo, outras mais tarde. Algumas nunca. Somos diferentes. Temos que aceitar e conviver com isso. Nem todos têm interesse por finanças. Alguns nem mesmo pelas suas, ainda que isso lhes traga prejuízos à sua qualidade de vida, presente ou futura. Em segundo lugar, precisamos entender o princípio da negação, no qual pessoas que estão enroladas com suas finanças pessoais evitam ou se negam a encarar a situação de frente e continuam agindo como se estivessem com a situação financeira tranquila, como se o cheque especial fosse extensão da renda e como se o uso recorrente de crédito fosse natural. Esse grupo é o que mais se enrola. Demora a perceber e a aceitar que existe descontrole e descompasso financeiro e apenas quando a situação fica crítica e as alternativas escassas, se deparam com uma realidade de difícil solução. Há, ainda, um grupo que busca alternativas, mas se depara com metodologias muito restritivas, com indicações de controles chatos, como ter que anotar até o cafezinho e as gorjetas, fórmulas complexas, utopias financeiras e orientações distantes das suas realidades e problemas. Às vezes, ao terminar de ler um artigo ou livro sobre finanças pessoais parece que leram um romance ou um conto. Algo interessante, mas que não se encaixa no cotidiano do leitor, que não o ajuda ou motiva a buscar melhores caminhos. Por sorte, há uma parcela crescente da população que vem percebendo que o valor do dinheiro não está naquilo que ele compra. Está no que ele pode proporcionar, principalmente em termos de tranquilidade e de qualidade de vida. Na hierarquia de valores, o homem precisa atender às suas necessidades de segurança, conforto e prazer, nessa ordem. Quando otimiza e mantém as primeiras sob controle, sobra mais para as demais. Assim, os itens de conforto acabam por ser os mais relevantes, pois ora estão mais próximos da segurança, ora do prazer. O conforto de um bom plano de saúde, por exemplo, até certo ponto dá mais segurança para enfrentar situações adversas. Garantir mais coberturas aproxima-se mais da segurança, mas garantir apartamentos no hospital com tv a cabo, frigobar, aposentos para acompanhantes e sala de visitas está mais para o prazer do que para a necessidade. Na busca por caminhos, meios ou instrumentos para otimizar as finanças pessoais, algumas coisas são fundamentais e farão muita diferença: Saber o que se quer e o que é mais relevante: sair todo final de semana, ou fazer uma boa viagem nas férias? Morar numa casa grande, ainda que distante, ou num apartamento bem localizado? Melhor um carro do ano financiado ou um seminovo quitado? Bons restaurantes uma ou duas vezes por mês, ou pizzaria toda semana? Controlar as contas ou bancar os juros do cheque especial? Ter paciência para pesquisar e pagar menos, ou atender a impulsos de consumo ao custo que for? Buscar simplicidade: quanto mais complexos os controles, as planilhas, mais próximas da teoria e mais distante da realidade elas ficarão. Evite detalhar muito os registros. Lembre-se de que os gastos com os controles, inclusive de energia e tempo, não devem ser maiores do que os benefícios esperados. Fazer adaptações é melhor do que fazer mudanças radicais: quando deparar-se com dicas ou metodologias interessantes, aproveite a essência, adapte-as à sua realidade. Evite mudanças radicais que provoquem desconforto e tendem a ser abandonadas rapidamente. Prefira ajustes que possam ser incorporados à rotina. Mais importante do que a velocidade é a direção e a constância. Faça aquilo que você sabe que já deveria estar fazendo e ainda não faz. Coloque em prática o básico, o simples, aquilo em que você acredita. Aos poucos, incremente, melhore, busque otimizar suas finanças para conquistar melhor qualidade de vida. Que tal resgatar os planos da virada do ano passado que você deixou de lado? Só não deixe para fazer isso na próxima virada de ano... a demora pode custar caro! *Álvaro Modernell é mestre em finanças, especialista em metodologia da educação e em educação financeira, palestrante, consultor, autor de vários livros, projetos, cartilhas e artigos sobre educação financeira, além de sócio fundador da Mais Ativos Educação Financeira, referência nacional na área. Contatos: [email protected] (61) 8161-0000 www.maisativos.com.br Gestão Cooperativa Inclusão Financeira outubro e novembro de 2014 25 POR Marcos Acypreste FOTOS PATRÍCIA TÁVORA Sicoob Credisulca estimula a educação financeira D e olho no futuro do Brasil, o Sicoob Credisulca desenvolveu um projeto para levar a educação financeira às escolas para municípios de Santa Catariana que possuem pontos de atendimentos e paraauxiliar a formação das crianças no que diz respeito à administração consciente de finanças, estimulando o hábito de poupar, investir, analisar, comparar e evitar a realização de maus negócios. “Nós queríamos criar uma sementinha no coração das crianças porque o nosso futuro está nas mãos dessa geração e estamos conseguindo atingir esse público com o nosso projeto”, explica a consultora de desenvolvimento organizacional da cooperativa, Eveline Marcon Francisco Dagostin. O programa “A Turminha do Sulca” surgiu em 2010. A cooperativa atendia, principalmente adultos, mas os idealizadores queriam atingir também adolescentes e crianças. Para isso, foi criada a revistinha Turminha do Sulca em que é contada a história do cooperativismo, abordando um pouco de sustentabilidade, meio ambiente, como poupar e dar valor ao orçamento familiar. “Nunca tivemos, no currículo escolar, uma forma com que as crianças aprendessem o que é a poupança, educação financeira, cooperativismo de crédito, a importância da cooperativa de crédito para toda a família. Então, esse projeto carrega essa essência”, afirma o presidente, Romanim Dagostin. Além da revista, o projeto leva, também, às escolas, uma apresentação de teatro. No segundo semestre deste ano, a Credisulca, em parceria com o Teatro Biriba, desenvolveu o espetáculo “A Turminha do Sulca” em instituições de ensino nos municípios em que há pontos de atendimento da cooperativa. O projeto começou em Turvo, onde foram feitas apresentações em todas as escolas municipais, estaduais e particulares. “Lá, eles conhecem muito o Sulca, que é o mascote da cooperativa. Quando eles vêem, já perguntam Biriba e sua turma ensina a garotada a importância de se ter o controle financeiro 26 Gestão Cooperativa Inclusão Financeira outubro e novembro de 2014 Mascote da Credisulca é um símbolo do projeto social cadê a menina da revista porque já sabem que vem uma revistinha nova”, ressalta Eveline. Ainda de acordo com a consultora, eles participam de toda edição escrevendo as histórias e desenhos relacionados ao cooperativismo que são publicadas. Esta é a quarta edição do projeto em 2014. O espetáculo também aborda os temas da revistinha. Cerca de 12 mil crianças, do 1º ao 6º ano, com idades entre seis e doze anos, das cidades de Turvo, São João do Sul, Timbé do Sul, Meleiro, Morro Grande, Nova Veneza, Arroio do Silva, Passo de Torres, Araranguá, Urussanga, Santa Luzia e Cocal do Sul, assistiram à peça. “O mais importante é ver a felicidade no rosto desses pequenos. A gente nota que falar sobre educação financeira para crianças não é uma tarefa fácil, mas a nossa energia sai quando percebemos que elas prestam a atenção querendo brincar e aprender”, explica o palhaço Biriba. Também faz parte do projeto palestras para adolescentes. Para isso, foi desenvolvido um guia financeiro para explicar como poupar água, falando também de previdência e de como se planejar para o futuro. Por ser um programa voltado a crianças e adolescentes, os idealizadores projetam resultados ao longo prazo tendo em vista a aplicação desses ensinamentos no futuro. “A gente não pode esperar resultados em curto prazo com esse projeto. O planejamento do Sicoob Credisulca é voltado para resultados daqui a 20, 30 anos, quando essas crianças estiverem adultas”, afirma Eveline. Eveline Dagostin, idealizadora do projeto Cooperativismo POR redação FOTO OCB/MS Mato Grosso do Sul: cooperativismo forte e organizado Estado reuni 110 cooperativas e possui cerca de 135 mil cooperados O cooperativismo possui uma longa história em Mato Grosso do Sul, desde 1935, com a primeira cooperativa do estado que existe até hoje, a Coop-Grande, sediada na Capital do ramo Agropecuário, que envolve produtores do setor hortifrutigranjeiro. O cooperativismo movimenta, aproximadamente, 9% do PIB estadual e possui 110 cooperativas registradas, que reúnem mais de 135 mil cooperados, o que gera, aproximadamente, 5 mil empregos diretos. Em 35 anos, muita coisa foi realizada e o cooperativismo se tornou um pilar importante da economia estadual. O crescimento é gradativo e sustentável – em 1984, eram pouco mais de 20 mil cooperados. “Outro aspecto a ser considerado é que a quantidade de cooperativas não cresce no mesmo ritmo do número de associados e funcionários, mas mostra que cada empreendimento cooperativo vem se fortalecendo e obtendo extraordinário crescimento em faturamento, participação no mercado, enfim, um número cada vez maior de pessoas e comunidades usufruem dos produtos e dos serviços ofertados pelas cooperativas sul mato-grossenses, promovendo, de forma extraordinária, o desenvolvimento local”, afirma Celso Régis, presidente do Sistema OCB/MS. Um dos ramos de destaque é o Agropecuário, que representa 50% das cooperativas. Com forte produção de soja, sem contar a industrialização de algodão, ovos, suínos e milho. As cooperativas de MS têm grande importância na produção estadual; 80% do algodão produzido no estado provêm de empreendimentos cooperativos, como também 50% do milho e da soja. O estado também teve um crescimento em relação à capacidade de armazenagem de grãos. A área de estocagem de grãos das cooperativas de Mato Grosso do Sul engloba 27 municípios, com 70 unidades armazenadoras. As cooperativas sul mato-grossenses possuem uma estrutura de armazenagem estática de aproximadamente 2 milhões de toneladas. Outro ramo de destaque é o Crédito e, em suas principais operações no MS, houve incremento de 51% nos recursos próprios, com alta de 63% em depósitos à vista, 73% em depósitos a prazo e 73% na captação de recursos para repasses. Mato Grosso do Sul conta com cooperativas dos sistemas Sicredi, Sicoob e Uniprime e unidades não filiadas a centrais. O Crédito já é o ramo com o maior número de associados, chegando a 100 mil pessoas. O ramo Saúde no estado está distribuído em 14 cooperativas, sendo seis Unimeds, duas Uniodontos e seis cooperativas de especialidades da área de saúde, tais como psicologia, angiologia, urologia, otorrinolaringologia, oftalmologia e endoscopia. O ramo Saúde investe muito na capacitação de seus colaboradores e cooperados, além de infraestrutura para atender a seus usuários, como novos hospitais, laboratórios e equipamentos de última geração. Temos outros ramos de destaque como o de Transporte com sete unidades, sendo uma de táxi, duas de cargas, uma de passageiros e três de transporte de cargas e passageiros, além do ramo Infraestrutura com cinco cooperativas, que contribuem de forma elevada para o desenvolvimento do estado. Dessa forma, o cooperativismo de MS vem, a cada dia, se estruturando de forma sustentada e profissional, cumprindo o seu papel de indutor do progresso econômico e do desenvolvimento das pessoas. Conta com o apoio do Sescoop/MS-Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperatismo do MS, que tem o objetivo de promover a capacitação, o treinamento e a formação de dirigentes, cooperados e trabalhadores do cooperativismo sul mato-grossense. Gestão Cooperativa Cooperativismo dezembro de 2014 27 POR Marcos Acypreste FOTO OCB OCB divulga vencedores do 9º Prêmio Cooperativa do Ano Vinte e um projetos, dos 273 inscritos, receberam o prêmio cooperativa do ano A Organização das Cooperativas Brasileiras promoveu o 9º Prêmio Cooperativa do Ano. O intuito é reconhecer e premiar os projetos das cooperativas brasileiras que priorizam o desenvolvimento econômico e social. “A ideia fundamental é perfilar o trabalho que as cooperativas fazem em qualquer atividade econômica, em qualquer lugar desse país, não importando o tamanho da cooperativa e, sim, o trabalho desenvolvido e o reflexo do trabalho junto à comunidade”, afirmou o presidente da OCB, Márcio Lopes. Na última edição, realizada em 2012, 138 cooperativas, representando 20 unidades da Federação, inscreveram 212 projetos. Neste ano, 185 cooperativas, representando 21 estados e 10 ramos do cooperativismo, inscreveram 273 projetos nas sete categorias da disputa: atendimento, benefício, comunicação e difusão do cooperativismo, cooperativa cidadã, desenvolvimento sustentável, fidelização e inovação e tecnologia. “Ao promover o prêmio, ao reconhecer as cooperativas, notamos que o evento está se tornando bastante desejado. Então, elas vibram e 28 Gestão Cooperativa Cooperativismo dezembro de 2014 disputam esse espaço do prêmio para serem reconhecidas e poderem se tornar referências”, explica Márcio Lopes. A solenidade de entrega do 9º Prêmio reuniu cerca de 300 pessoas, entre presidentes e superintendentes de unidades estaduais, cooperativas premiadas e parlamentares. A realização do Prêmio tem apoio do Banco do Brasil, Bancoob, Bansicredi e Seguros Unimed. “O BB é uma instituição que desenvolve ações em prol do cooperativismo brasileiro. O Prêmio é uma oportunidade de reconhecer, em diversas categorias, cooperativas e oferecer oportunidade de mostrar um pouco do trabalho. Muitas vezes, esses programas acontecem em comunidades no interior do país e não são divulgados. As pessoas precisam saber o que está acontecendo e disseminar melhores práticas”, explica o gerente executivo da Gerência de Negócios com Cooperativas do Banco do Brasil, Álvaro Tosetto. Para as cooperativas vencedoras, o evento é uma oportunidade de mostrar as ações de sucesso e fazer com que as pessoas vejam o que é possível desenvolver com responsabilidade. “É muito importante ganhar esse prêmio, principalmente pela categoria em que fomos vencedores. Hoje, a sustentabilidade tem sido muito discutida e o prêmio para uma cooperativa que consegue associar a produção de alimentos à preservação do ambiente é um indicativo de que estamos no caminho certo. Isso é importante porque mostra que é possível produzir e preservar”, afirma o gerente da Divisão Cerrado da Cocari, Ronaldo Lopes. Para a presidente da Querubim Saúde, o prêmio é uma forma de combustível para a atividade da cooperativa. “Nós estamos trabalhando há cerca de 3 anos para realizarmos um trabalho diferenciado. Valorizamos muito a comunicação entre os cooperados e nossos colaboradores. Somos jovens e ganhar um prêmio desse nos mostra que estamos no caminho certo”, explica Shirley Rodrigues. Cooperativas campeãs Categoria Atendimento Querubim Saúde / Trabalho A Cooperativa de Trabalho e Ensino Querubim Saúde funciona em Sa- mambaia, cidade do Distrito Federal. O aumento rápido do quadro de cooperados motivou a instituição a planejar uma reforma de otimizar o trabalho. A planilha de Excel, por exemplo, já não era mais suficiente para o departamento financeiro. Foram essas dificuldades que motivaram a equipe da cooperativa a elaborar o projeto Sysccoperando Querubim, ferramenta que garantiu ao quadro social a possibilidade de consultar informações importantes pela internet, o que reformulou o atendimento. Ao todo, foram beneficiados 963 cooperados. Categoria Benefício Coopertransc / Transporte Em novembro de 2013, a Cooperativa de Transportadores Autônomos de Cargas de São Carlos inaugurou uma nova sede. Foram quase três anos, desde a identificação da necessidade de mudança até a efetiva implementação. A antiga sede apresentava problemas, como falta de estacionamento e de espaço para a realização de reuniões e assembleias. A área administrativa também precisava abrigar os funcionários com mais conforto. Com 20 mil metros quadrados, o terreno para a nova sede foi adquirido em maio de 2011. A empreitada teve valor total aproximado de 3,5 milhões de reais e contou apenas com recursos próprios, tendo sido a compra feita mediante o financiamento bancário. Esse foi o primeiro desafio vencido. O segundo foi dar o conforto oferecendo auditório para a realização de cursos, assembleias e reuniões, e melhorando a estrutura física para melhor se adequar aos departamentos administrativos, possibilitando aos colaboradores maior mobilidade. Ao todo, foram beneficiados cerca de oitenta mil habitantes da comunidade. Categoria Comunicação e Difusão do Cooperativismo Sicredi Vale do Piquiri ABCD/ Crédito O uso da tecnologia e de uma linguagem visual convidativa aos jovens é a principal atração para os associa- dos entre 16 e 25 anos para a conta Touch. As lideranças perceberam que o caminho para a perenidade do negócio seria conquistar esse público, que não fazia parte de uma instituição financeira, mostrando a filosofia de cooperativismo e os atrativos do ramo crédito. Antes do projeto, cerca de 10% da população de 61,5 mil jovens dessa faixa etária na área de abrangência do Sicredi Vale do Piquiri tinham ligação com a cooperativa. Lançada em janeiro de 2014, com cinco meses de atuação, esse percentual chegou a 13%, um ponto acima da meta estabelecida para todo o ano. O trabalho de divulgação com van temática adesivada, divulgação de vídeos, entre outros, ajudaram no sucesso do projeto. Ao todo, foram beneficiados cerca de 2 milhões de cidadãos. Categoria Cidadã Coopercarga / Transporte A Coopecarga detectou os aspectos sociais e ambientes de comunidade em que se insere e percebeu a falta de programas focados na qualidade de vida, especialmente com relação a jovens e crianças. Em 2005, a cooperativa desenvolveu ações para ajudar a comunidade a se organizar. Primeiramente, a cooperativa fortaleceu uma política interna. Para isso, foi criado o Comitê de Sustentabilidade para coordenar o processo por meio de relatório, projetos e ações. A cooperativa assumiu, então, a captação de recursos, além de auxiliar os colaboradores na administração do tempo para o acompanhamento dos projetos patrocinados e das ações de voluntariado fortalecendo as contribuições sociais. Ao todo, foram beneficiados cerca de 30 mil cidadãos. Categoria Desenvolvimento Sustentável Cocari / Agropecuário Grande parte da água consumida pelos produtores rurais da área de abrangência da Corari era originária das minas, que, normalmente abertas, estavam constantemente expostas à contaminação. A preocupação com a qualidade da água mobilizou a cooperativa a desenvolver um projeto para a recuperação das nascentes, já que, em virtude dos fatores de contaminação, muitas minas passaram a ter o uso limitado ou ficaram inativas. Em 2009, por meio da parceira com a Nortox, uma empresa paranaense consolidada no ramo de desenvolvimento de soluções voltadas ao agronegócio, o projeto Olho d’Água foi lançado. A transformação positiva veio rápido com o aumento da vazão de água, a melhora na qualidade e a conscientização do uso. Ao todo, foram beneficiadas cerca de 790 mil pessoas. Categoria Fidelização Coopatos / Agropecuário O projeto da Coopatos começou a ser desenvolvido em 2004, época em que foi detectada a necessidade de redirecionar as ações da instituição com os cooperados. Para isso, foi preciso ampliar a participação dos cooperados no dia a dia da cooperativa e buscar novas alternativas de negócio, a fim de melhorar a rentabilidade e gerar resultados. A criação de eventos, reuniões, palestras técnicas, feira de fornecedores, torneios, leilões, entre outros, são ações desenvolvidas para aproximar o cooperado. Ao todo, foram beneficiados cerca de 10 mil moradores locais. Categoria Inovação e Tecnologia Colivre / Trabalho A Colivre foi criada com a meta de contribuir para a difusão e para o desenvolvimento de tecnologias livres. A instituição trabalha para oferecer soluções dessa natureza a empresas, organizações da sociedade civil, órgãos públicos e instituições de ensino. A ideia de desenvolver o programa Noosfero surgiu em 2007, para suprir a demanda de uma plataforma multimídia, com licença livre que reunisse diversas funcionalidades e permitisse total autonomia sobre a rede, controle em relação aos dados gerados e garantia da segurança das informações. Ao todo, foram beneficiados 8,8 mil usuários do Cirandas.net. Gestão Cooperativa Cooperativismo dezembro de 2014 29 Crédito POR Marcos Acypreste FOTO REPRODUÇÃO/INTERNET Sebrae-SC desenvolve programa de boas práticas O projeto de Fomento e Disseminação de Boas Práticas no Cooperativismo de Crédito para Micro e Pequenas Empresas, criado pelo Sebrae Nacional e realizado pelas sedes estaduais, tem o objetivo de criar um ambiente favorável a mecanismos do crédito para as cooperativas. O Sebrae-SC reúne, no programa, quarenta cooperativas de crédito ligadas aos sistemas Sicoob, Cecred e Sicredi. A ideia surgiu a partir da necessidade de identificar e estudar quais são as boas práticas no cooperativismo de crédito nacional, definir as atividades que possam agregar valor à agenda local e auxiliar o desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas. Para isso, são realizados encontros anuais, entre eles, o Workshop Catarinense de Boas Práticas do Cooperativismo de Crédito, com a finalidade de apresentar os resultados do projeto local, assim como divulgar as boas práticas nacionais. Além disso, o projeto oferece às cooperativas palestras, seminários, visitas técnicas em outros estados da federação e dentro do próprio estado para que haja a intercooperação e a transferência de metodologias dentro do próprio mercado de atuação e entre sistemas diferentes. Em 2014, o programa conseguiu atingir as metas estabelecidas pelas próprias cooperativas, o que representa a força do cooperativismo de crédito atuante com os pequenos e médios empresários de Santa Catarina. A rede bancária de atendimento do 30 Gestão Cooperativa Crédito dezembro de 2014 Instituição desenvolve projeto que estimula crédito para micro e pequena empresas estado contempla mil quatrocentos e oitenta (1.480) pontos, sendo as cooperativas responsáveis por 40% desse total, com uma participação bem superior à nacional - de 18,5%. Além disso, estão presentes em 98% dos municípios catarinenses, número que possibilita a contribuição prestada no aumento da oferta de crédito e serviços bancários adequados para o publico alvo do projeto. Seminários Desde o início do projeto, as instituições financeiras cooperativas têm participado dos mais de 50 seminários regionais de crédito realizados pelo Sebrae-SC. Acompanhadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e outros agentes financeiros, cerca de cinco mil micro e pequenas empresas tiveram oportuni- dade de conhecer e negociar os produtos e serviços com as cooperativas. O último fórum de 2014 realizado pelo Sebrae discutiu a ampliação do crédito para empreendedores individuais, micro e pequenas empresas. Parcerias institucionais Planos de ação definidos no âmbito do Fórum Permanente provocaram a aproximação de novos parceiros institucionais. O Badesc, Agência de Fomento de Santa Catarina ampliou o relacionamento ao estudar e liberar para as cooperativas, pela primeira vez, recursos de microcrédito produtivo e, por consequência, a inclusão destas no programa Juro Zero do Governo do Estado. Em outubro de 2014, o Badesc lançou o Edital de Credenciamento de Cooperativas como correspondestes do Badesc. Gestão POR Francisco Teixeira Neto O porquê da visão, missão e valores em uma empresa C omo diz o ditado popular: “para quem não sabe o destino, não há vento a favor!”. Isso vale tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Ou seja, aquelas que não têm uma visão de futuro estão à deriva em suas jornadas: não possuem uma motivação que as impulsione paral ugar algum, pois não sabem o que almejam; não conseguem definir estratégias e planos para chegar lá, nem inspirar outros a caminharem juntos, pois não há uma inspiração; e nem avaliar se suas ações do dia a dia estão contribuindo para aproximá-las ou não de seus destinos, pois não sabem para onde estão indo. Ter um horizonte, um desejo e uma inspiração é o que faz com que uma empresa busque definir sua Visão pois, sem isso ela não é, de fato, executora e responsável por seu destino. Entretanto, no processo de definição da Visão é importante considerar dois outros pontos que complementam e fortalecem sua concretização: Missão e Valores. A Missão é fundamental, uma vez que ela concilia a Visão com a razão de existir de uma empresa e faz com que ela não perca o foco na condução de suas atividades. Afinal, constantemente surgem novas demandas e oportunidades para um negócio, que precisam ser avaliadas, pois nem todas estão alinhadas com o papel que uma organização escolhe para si mesma. Um empreendimento que tem como Missão vender alimento teria que redefini-la caso passasse a vender também medicamentos e utensílios domésticos, já que isso implicaria uma ampliação na sua razão de existir e, consequentemente, um novo redimensionamento dos esforços, recursos e de sua visão de futuro. Portanto, a Missão faz com que uma empresa permaneça nos trilhos rumo à sua Visão e a auxilia na tomada de decisão sobre quais tipos de negócios são coerentes com seus propósitos e quais não o são. Os Valores, por sua vez, contribuem para explicitar que, no exercício da Missão e na consecução da Visão, existem regras e comportamentos a serem seguidos. Quando uma empresa alega que um de seus valores é o compromisso com o cliente, ela deve demostrar isso sempre, inclusive nas situações em que há problemas no fornecimento dos produtos e serviços. Assim como os fins nem sempre justificam os meios, nem todas atitudes são aceitas para se buscar atingir uma Visão ou desempenhar uma Missão. Ética, transparência e segurança costumam aparecer na relação de valores de uma empresa. Afinal, a oferta de produtos e serviços não pode acontecer a qualquer preço: existem comportamentos inaceitáveis que uma organização deve coibir e até punir no caso de descumprimento, já que essas põem em risco a continuidade do negócio. Corrupção ativa, sonegação, não prezar pela qualidade dos produtos podem levar a “aparentes” vantagens em relação à concorrência, mas expõem a imagem da empresa e a deixam na ilegalidade e sujeita a sanções, entre tantas outras consequências indesejáveis. Portanto, definir a Visão, Missão e Valores serve para estabelecer o propósito, o foco e a forma de conduta das pessoas e devem ser elaborados de forma conjunta e alinhada, além de serem fundamentais para a identidade e integridade de qualquer indivíduo ou negócio. *Francisco Teixeira Neto ocupa, atualmente, o cargo de coordenador de projetos da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). É engenheiro mecânico de produção formado pelo Instituto Ensino de Engenharia Paulista (atual Unip) e administrador de empresas graduado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Possui duas especializações em micro e pequenas empresas, realizadas no Centro de Produtividade Japonês (JPC). Tem experiência, há mais de 25 anos, como palestrante, instrutor e coordenador de projetos na área de melhoria da gestão empresarial. Envie-nos suas sugestões de temas para a próxima edição da revista [email protected] Gestão Cooperativa Gestão outubro e novembro de 2014 31 Produto POR Ricardo de Amorim Hermes Planos de consórcios na economia familiar brasileira. Como pode acontecer isso? A população brasileira está experimentando algo impensável para as gerações anteriores: a possibilidade de planejamento financeiro de médio e longo prazo. Nesse cenário, os planos de consórcios se destacam como uma ferramenta para a aquisição e renovação de bens, além da ampliação de patrimônio, de forma planejada e sem juros. Ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) esteja em patamares percentuais bem abaixo da expectativa e do potencial do País, conforme amplamente divulgado pela mídia nacional, o seu volume financeiro tem crescido anualmente. O PIB brasileiro passou de R$2,9 trilhões, em 2003, para R$4,5 trilhões em 2013. Junto com o crescimento do País, o índice per capita também evoluiu nos últimos 10 anos: de R$16 mil/ano para mais de R$22 mil, por família. A mobilidade social entre as classes acompanhou tal dinâmica, resultando em modificações significativas. Estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que, em 2003, havia 13 milhões de pessoas pertencentes às classes A e B, isto é, cerca de 7% da população brasileira. Em 2013, esse dado duplicou para 14,8%, abrangendo 29 milhões de habitantes. No mesmo período, a classe C registrou aumento de quase 80%: passou de 66 milhões para 118 milhões de pessoas, o equivalente a 37,7% e 60,2% da 32 Gestão Cooperativa Produto outubro e novembro de 2014 população brasileira, respectivamente, ao passo que nas camadas menos favorecidas, D e E, houve expressiva redução, passando de 96 milhões, em 2003, para 49 milhões de pessoas em 2013. Tais fatos positivos, ao longo dos anos, proporcionaram consequências em vários setores da economia. Uma das principais delas foi o acesso ao crédito, que se tornou mais acessível em virtude da inclusão do povo brasileiro no mercado financeiro. Dados de 2013, levantados pelo Banco Central, registraram cerca de 32 milhões de pessoas com créditos superiores a R$ 5 mil, em contraponto aos 5 milhões de tomadores em 2003. Nesse ínterim, diversos produtos financeiros foram criados e disponibilizados no mercado, visando ao atendimento das necessidades de crédito dos brasileiros. Dentre eles, se destacaram as linhas de consórcios, uma solução concebida no Brasil. Os planos de consórcios exigem comprometimento mensal e possibilitam que se alcance determinado objetivo de maneira facilitada e mais em conta do que os financiamentos, embora estejam inseridos num ambiente de pouca cultura de disciplina e planejamento financeiro, como é o brasileiro. O arcabouço legal, desenvolvido a partir de 2008, proporcionou mais segurança aos consorciados e às administradoras de consórcios em razão da transparência de di- reitos e obrigações das partes. Os processos administrativos também foram normatizados, a fim de reduzir os riscos operacionais, com base em critérios claros na contratação de prestação de serviços pelas administradoras de consórcios. Desde 2008, o número de consorciados vem aumentando consideravelmente, bem como o volume de recursos administrados que, em cinco anos, passou de R$1,9 bilhão para mais de R$3,5 bilhões, envolvendo vários segmentos, dentre os quais se destacam: automóveis de passeio, imóveis e motocicletas. Quanto ao montante de cotas ativas, as motos despontam com o maior número: 4 milhões de cotas, seguidas por 2,5 milhões das de automóveis de passeio e cerca de 1 milhão de cotas ativas de imóveis. Outro fato histórico importante a ser salientado envolve a evolução do volume de recursos captados por tipo de administradora. As administradoras ligadas a instituições financeiras foram as que mais cresceram, ultrapassando as independentes, estas reconhecidas até então como as maiores captadoras de recursos, além das administradoras de fabricantes. Dentre os pontos que remetem a uma reflexão sobre o modelo financeiro que constitui os planos de consórcios, um deles aponta para o fator de necessidade da população. Afinal de contas, embora em um cenário econômico de evolução, ainda há famílias que buscam ter sua casa própria e/ ou comprar um carro. É nesse contexto de necessidade que surgem os consórcios como uma grande oportunidade, por não haver incidência de juros sobre os valores financiados. Além disso, há potencialmente uma margem para vencer a inércia econômica, denominada de propensão ao consumo imediato. Boa parcela da população brasileira ainda acredita que não vale a pena guardar dinheiro ou buscar ajuda financeira para um consumo consciente. Embora o consumidor esteja, a cada dia, mais ciente de seus direitos, ainda é notória a falta de cultura em economia familiar. Por outro lado, as empresas vêm, obstinadamente, buscando aumentar sua eficiência operacional, com foco na redução de custos a qual é perseguida como um troféu valiosíssimo em meio ao desafio de crescimento. A transparência, em virtude do acesso às informações, facilita que esse processo seja o mais justo e correto, apesar da sensação transmitida de quando o negócio é muito bom, a qual acaba remetendo ao famoso ditado: “quando a esmola é grande, o santo desconfia”. Assim, uma questão se levanta naturalmente: como alcançar a educação financeira e aproveitar as oportunidades disponíveis? A população pode avistar o horizonte e vislumbrar a perspectiva de um planejamento financeiro como algo possível. E, deste modo, inserir os planos de consórcios em seu orçamento familiar. Vale citar que os funcionários das administradoras de consórcios estão preparados, e cada vez mais bem treinados, para oferecer o produto certo, em condições justas, aos potenciais consorciados. *Ricardo de Amorim Hermes Pós-graduado no MBA em Gestão de Negócios pelo Ibmec Brasília/DF; graduado em Administração pelo Centro Universitário de Brasília - UniCeub. Atua na área comercial de produtos e serviços do Banco Cooperativo do Brasil - Bancoob S.A. Profissional especialista também em produtos de investimento. cooperando nas redes Sociais #canalcooperativo Gestão Cooperativa Produto outubro e novembro de 2014 33 Turismo POR redação RTC Brasil fortalece o cooperativismo e promove intercooperação Os roteiros apresentam experiências de sucesso das cooperativas de Norte a Sul do país O RTC Brasil é operado por cooperativas do Ramo Turismo e Lazer que promovem o desenvolvimento do cooperativismo, por meio da realização de intercâmbios técnicos que geram negócios, troca de informações e intercooperação. Implantado pelo Sistema OCDF-Sescoop/DF, com recursos do Fundo Solidário de Desenvolvimento Cooperativo (FUNDECOOP), o programa de Roteiros Técnicos do Cooperativismo – RTC Brasilé fruto do Projeto Nacional de Fortalecimento do Ramo Turismo e Lazer e de Promoção à Integração Cooperativista. O projeto teve início em 2011, e tem como objetivo principal fortalecer cooperativas do ramo turismo e lazer e promover a integração cooperativista brasileira e mundial, por meio da disseminação de boas práticas de gestão, realizadas em visitas técnicas às cooperativas de destaque no universo cooperativista brasileiro. Nesse contexto, o Programa RTC Brasil reúne cooperativas nas cinco regiões do país e está estruturado em dez roteiros de visitas técnicas, envolvendo vinte e três cooperativas singulares, sete cooperativas centrais, duas Confederações de cooperativas, dois bancos cooperativos e o Sistema OCB/Sescoop/CNCOOP. O resultado esperado por meio destas visitas técnicas consiste na geração de novos cooperados, desenvolvimento do turismo como atividade econômica sustentável, maior movimentação financeiras para cooperativas de turismo e lazer e disseminação de boas práticas do cooperativismo.Além disso, o projeto está alinhado aos princípios de sustentabilidade, intercooperação e governança. Em continuidade a apresentação dos roteiros que fazem parte do RTC-Brasil, nesta edição será abordado o roteiro Misto da Região Nordeste. sustento familiar e contribui para o desenvolvimento regional. Na região, o cooperativismo se faz presente por meio da produção açucareira, da cooperativa Pindorama; do modelo educacional, da Escola Milênio e na excelência nos serviços prestados pela Unimed Recife. O frevo na capital pernambucana, o centro histórico, a praia de boa viagem, os coqueiros de Maceió, entre outras atrações inspiram o turismo da região. Região Nordeste Conhecida pelas suas belezas naturais, praias, cultura e povo acolhedora região nordeste conta com 1.738 cooperativas que somam 550 mil cooperados, ocupando o segundo lugar do país. O cooperativismo garante o Conheça as cooperativas que compõe o roteiro Colégio 3° Milênio – Cooperativa de Trabalhadores em Educação fundada em 1998, localizada na cidade de Limoeiro, em Pernambuco, a Instituição de ensino é reconhecida pela qualidadee dedicação dos cooperados. O Colégio 3° Milênio iniciou suas atividades com apenas uma turma de curso pré-vestibular; em 2002, ampliou os serviços e passou a oferecer os ensinos fundamental e médio. Em 2011, recebeu o mérito de melhor 34 Gestão Cooperativa Turismo outubro e novembro de 2014 escola do município e mantém a posição de melhor escola do Agreste de da Mata do estado de Pernambuco. Unimed Recife – lprimeira cooperativa médica a ser fundada no estado de Pernambuco, oferece tratamento humanizado, valorizando a saúde e a vida de seus pacientes. A Unimed Recife conta com o trabalho de 1.800 médicos e possui 130 mil clientes beneficiados, que são atendidos em 70 especialidades, 24 ho- ras por dia. A cooperativa de saúde atende também o setor público e entidades de classe, com uma ampla rede de hospitais, clínicas e laboratórios com equipamentos modernos para oferecer serviços de qualidade. A Unimed Recife é a instituição de saúde que mais cresce no estado e o segundo polo médico do Brasil. Pindorama – fundada em 1956 a Cooperativa de Colonização Agropecuária e Industrial Pindoramaestálocalizada entre os municípios de Feliz Deserto, Penedo e Coruripe. A cooperativa possui uma área de 30 mil hectares e conta com 1.160 associados. Sua produção de frutas gera 1.500 caixa de sucos concentrados, o que representa aproximadamente 6 mil garrafas, por hora. Comandada por pequenos produtores, a cooperativa Pindorama tem o desenvolvimento social como uma de suas prio- ridades. Em 2003, a cooperativa obteve uma de suas maiores conquistas: a usina de açúcar, considerada uma das mais modernas do país, com capacidade para produzir 10 mil sacas por dia. RMF CONSULTORIA E ASSESSORIA JURÍDICA, TREINAMENTO, CAPACITAÇÃO E ASSESSORIA CONTÁBIL Na área de Sociedades Cooperativas Na área do Terceiro Setor Diagnóstico Institucional Diagnóstico Institucional Planejamento de marketing Planejamento de marketing Organização do Quadro Social e recadastramento de cooperados Organização do Quadro Social e recadastramento de associados Governança Corporativa Governança Corporativa Gestão Financeira e Tributária Criação, assessoria e dissolução de associações e sindicatos Criação, assessoria e liquidação de sociedades cooperativas Gestão Financeira e Tributária Assessoria Contábil e tributária Assessoria Contábil e tributária Na assessoria e consultoria jurídica, são contempladas as análises de contratos, acompanhamento de assembleias e reuniões, análise de atas, revisão de estatuto e regimentos, acompanhamento de ações trabalhistas, ações de cobrança e execuções, orientações quanto à forma de procedimentos específicos por ramo da cooperativa Criação de Associações e Fundações em face aos diagnósticos das APLs de cada município e das necessidades das mesmas Capacitação do Conselho de Administração, Conselho Fiscal e quadro social Na gestão das sociedades cooperativas inclui a implementação dos controles internos, diagnóstico das referidas sociedades, assessoramento preventivo judicial para minimizar ou evitar o contencioso. Capacitação do Conselho de Administração, Conselho Fiscal e quadro social Entre em contato conosco: (31) 3771 7279 | 9928 0806 | 8979 3105 [email protected] | [email protected] www.rmfconsultoria.com.br Gestão Cooperativa Turismo outubro e novembro de 2014 35 Auditoria POR Antonio Alberto Sica Novo relatório do auditor independente Iminência de novas normas apontam mudanças significativas na forma como os auditores se comunicam com os usuários das demonstrações contábeis A linhando-se às expectativas de investidores, analistas e demais usuários das demonstrações contábeis que almejam por maior transparência e informações adicionais e relevantes para a tomada de decisões e, buscando consolidar a importante função que o trabalho do auditor possui neste contexto, encontra-se em processo avançado de discussão na International Federation of Accountants - Ifac proposta de nova estrutura de Relatório de Auditor Independente. A nova estrutura de relatório manterá o caráter opinativo atual, mas será complementada com descrições específicas de cada instituição, dissociando de modelos padronizados de informações e passando a ser mais comunicativo em relação à auditoria realizada e suas conclusões. Neste sentido, entende-se como maior mudança a inclusão de seção que conterá “Questões Chave de Auditoria” proposta por uma nova norma, a ISA 701 - “Comunicação das Questões Chave de Auditoria”. Esta seção levará ao relatório questões de julgamento do auditor, específicos por entidade, 36 Gestão Cooperativa Auditoria outubro e novembro de 2014 de áreas e fatos que foram entendidos como significativos na auditoria, tais como riscos, dificuldades encontradas durante o processo de auditoria e modificações no planejamento em virtude de deficiências de controle interno. Os auditores também concluirão sobre a consistência de outras informações divulgadas e que acompanham as demonstrações contábeis, normalmente o relatório da administração, e sobre a capacidade de continuidade operacional, fatos que anteriormente somente eram abordados caso constatassem inadequações ou indícios de descontinuidade. O parágrafo de opinião será deslocado para o caput do relatório, privilegiando a disposição das informações em ordem decrescente de importância, diferentemente de sua localização derradeira como praticado atualmente. Pela maior quantidade de informações a serem alocadas, obviamente haverá impacto em sua extensão, passando dos tradicionais quatro parágrafos usualmente aplicáveis quando da emissão de um relatório sem modificações de opinião. Espera-se que com estas propostas de alterações a comunicação do auditor com os responsáveis pela governança se acentue, e que o trabalho do auditor seja divulgado com maior transparência. Possivelmente, ainda refletirá num maior compromisso da administração com os controles internos e suas avaliações, uma vez que tais temas ganharão publicidade no relatório do auditor. A proposta é que a aplicação da norma seja inicialmente obrigatória para as companhias abertas, sendo opcional para as demais entidades, todavia, proponho a reflexão de que seja uma tendência que órgãos reguladores, tal como o Banco Central do Brasil, resolvam estender a obrigatoriedade de aplicação às instituições que regulam. É possível que, em 2015, tenhamos definições mais concretas. *Antonio Alberto Sica, auditor, especialista em auditoria, graduado em ciências contábeis, atua há doze anos em auditoria, sendo sete no cooperativismo de crédito. Atualmente é gerente da Cnac. [email protected] www.cnac.coop.br A TECNOLOGIA QUE MOVIMENTA O MERCADO FINANCEIRO ESTÁ NA TECNOCRED As soluções da TECNOCRED são desenvolvidas especialmente para as instituições financeiras. São produtos e serviços que oferecem o melhor em funcionalidade e segurança para atender as demandas tecnológicas do segmento financeiro. Para conhecer melhor as nossas soluções, ligue e agende a visita de um de nossos especialistas: (51) 3375.1300. www.tecnocred.com.br UMA MARCA DE PRODUTOS TECNOLÓGICOS E SERVIÇOS DA UNICRED LOGGIA *Operação sujeita à análise e aprovação de crédito. **Nos casos em que os recursos são repassados pelo Bancoob, banco cooperativo cujo controle acionário pertence às cooperativas do Sicoob. Crédito Consignado Sicoob. Uma linha de crédito com muitas facilidades para você. O Crédito Consignado Sicoob é um empréstimo* especial para funcionários de empresas públicas e privadas conveniadas e também para aposentados e pensionistas do INSS. O valor das parcelas é fixo e descontado diretamente no contracheque ou no benefício. Além disso, o não associado também pode ter acesso ao empréstimo**. Crédito Consignado Sicoob. Solução em crédito para todos. Procure uma cooperativa Sicoob. Central de Atendimento - 0800 642 0000. Ouvidoria - 0800 725 0996. Deficientes auditivos ou de fala - 0800 940 0458. www.sicoob.com.br