Positionner le point de vente sur le marché

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Positionner le point de vente sur le marché
economia
social
- economia
solidária
- terceir o seto r - cultura
- educação
Ano 17 - nº 70 - dezembro 2014 - www.gestaocooperativa.com.br
Desenvolvimento
social e econômico
Em Santa Catarina, as cooperativas
de crédito estão presentes em
98% dos municípios, promovendo
integração, crescimento,
inclusão e cidadania.
OCB realiza 9º Prêmio
Cooperativa do Ano. Vinte e
uma entidades foram premiadas
Sistema Ocemg apresenta
ações de voluntariado e
de responsabilidade social
sicredi.com.br
O Sicredi é um dos maiores sistemas
cooperativos do País e da América Latina.
Unindo desenvolvimento econômico e
responsabilidade social, conta com 100
cooperativas de crédito, mais de 2,8 milhões
de associados, está presente em 11 estados
e 1.022 municípios, com mais de 1.300
pontos de atendimento que gerenciam
ativos superiores a R$ 45 bilhões. É essa
solidez e credibilidade que estão por trás da
Administradora de Consórcios Sicredi, a maior
do mercado no setor cooperativo brasileiro.
Administradora de Consórcios Sicredi: a união
de forças para realizar sonhos.
SAC Sicredi - 0800 724 7220 / Deficientes Auditivos ou de Fala - 0800 724 0525. Ouvidoria Sicredi - 0800 646 2519.
Administradora
de Consórcios
Sicredi.
Realizando
sonhos e grandes
negócios pelo
Brasil.
Expediente
Conselho editorial
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Diva Benevides Pinho - USP SP
Editorial
Foco em ações do bem
Eduardo Fontenla - CGCyM - Argentina
Lydia Costa - Editora - DF
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Remy Gorga Neto - Cooperativista - DF
Ronise de Magalhães Figueiredo - Educadora - MG
Sigismundo Bialoskorski Neto - USP/Fearp - SP
Diretora executiva
Lydia Costa
Editora
Lydia Costa
Redação
Luiz Carlos Cenci
Marcos Acypreste
Patrícia Távora
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Correspondente internacional
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Jornalista responsável
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Projeto gráfico
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Diagramação
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Revisão
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Gerente Comercial
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(61) 3039-1258
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desde que citada a fonte. Os artigos assinados são de
inteira responsabilidade de seus autores.
E
ducação financeira, organização de quadro social, pertencimento, estar onde o
cooperado está, identificar as necessidades,
crescimento, credibilidade, confiança, ser
cooperativa, voluntariado.
São palavras e expressões que estão
circulando e fazendo com que o cooperativismo tome um novo rumo. Um rumo que,
com certeza, contribuirá para a construção
de um novo mundo. Um mundo no qual seja possível viver em comunidade, ser respeitado como cidadão e que todos possam compartilhar do
fruto de seu trabalho e também sonhar, planejar e realizar. Nada acontece
por acaso, mas quando o sonho é coletivo, a transformação acontece.
Na matéria de capa, mostramos o desenvolvimento do cooperativismo de crédito em Santa Catarina, que hoje é modelo para todo o
País. As primeiras cooperativas surgiram do sonho, da necessidade de
os produtores rurais possuírem crédito para manterem suas atividades.
A seriedade, firmeza de propósitos e o compromisso de levar serviços
para o cooperado onde ele estivesse possibilitou que, hoje, o crédito
cooperativo se fizesse presente em quase todos os municípios e fosse
responsável por grande parcela da movimentação financeira no Estado,
contribuindo, assim, para o seu desenvolvimento socioeconômico.
Outro exemplo que mostra a transformação causada pelo compartilhamento do sonho vem de Minas Gerais. Uma iniciativa que, em princípio, era comum e simples, vem tomando dimensões extraordinárias.
Por que escolher um Dia para Cooperar, se a cooperação deve fazer
parte de todos os nossos dias indistintamente? Mas foi justamente o
fato de se escolher um dia que fez a diferença ao se mostrar a energia
que a solidariedade gera. Assim, o Dia C, Dia de Cooperar, que começou
em Minas Gerais, ganhou o Brasil e agora se prepara para ganhar o
mundo. Nesta edição, mostramos o balanço das ações do Dia C em
Minas, destacando alguns dos projetos executados.
Faço, aqui, o convite a todos para nos unirmos em busca da realização de mais um sonho: da ONU acatar a proposta a fim de que seja
instituído o Dia de Cooperar em todo o mundo.
E como o cooperativismo é inclusivo, por natureza, destacamos, nesta edição, os resultados do Fórum Banco Central de Inclusão Financeira
que, mais uma vez, contou com grande participação das cooperativas.
Na oportunidade, manifestamos os votos de sucesso e prosperidade,
no ano de 2015, aos nossos leitores e cooperativistas.
Boa leitura!
Lydia Costa
Gestão Cooperativa Editorial dezembro de 2014
1
Nesta edição
11
Destaque
30
Crédito
Cooperativismo de crédito é responsável
por grande parte do mercado financeiro
de Santa Catarina, revoluciona a forma
de trabalho de despachantes e contribui
para o desenvolvimento econômico e
social da região Sul.
Sebrae-SC estimula ações
voltadas a micro e pequenos
empresários.
22 Especial
26 Educação Financeira
24 Cooperativismo
4 Entrevista
18 Responsabilidade Social
32 Produto
6 Artigo
25 Educação Financeira
34 Turismo
Banco Central e Sebrae
realizaram evento para discutir
inclusão financeira no Brasil.
Representantes do cooperativismo de
crédito de Santa Catarina falam sobre a
evolução do movimento no estado.
Ênio Meinen explica as mudanças do
modelo regulatório para as cooperativas
de crédito.
J. W. Marriott Jr., presidente do Conselho
de Administração da redes hoteleira
Marriott International, explica como estar
preparado para situações adversas.
Projeto leva teatro às escolas e
ensina educação financeira.
Sistema Ocemg prioriza ações que visam
o bem-estar das pessoas e a integração
com a comunidade.
Álvaro Modernell dá um panorama sobre
como regular as finanças pessoais.
27 Cooperativismo
As cooperativas contribuem para o
desenvolvimento do Mato Grosso do Sul.
31 Gestão
Francisco Teixeira fala sobre a missão e
os valores de uma empresa para possuir
uma visão de crescimento.
2
Gestão Cooperativa Nesta Edição dezembro de 2014
OCB divulga projetos vencedores do
9º Prêmio Cooperativa do Ano.
Ricardo de Amorim apresenta planos de
consórcio na economia familiar.
O programa RTC apresenta Roteiro
Agropecuário da região Nordeste.
36 Auditoria
Antônio Alberto comenta a importância
e as novas formas de como os auditores
devem se comunicar com os usuários
das demonstrações contábeis.
Acontece
POR Cecred, Viacredi, Cresol, OCB FOTOS DIVULGAÇÃO
Viacredi ultprassa o número de 300 mil cooperados
A
Cooperativa de Crédito Vale do Itajaí (Viacredi) foi constituída em 26 de novembro
de 1951, em Blumenau (SC), por vinte e um
funcionários da Companhia Hering. O intuito
era de oportunizar aos cooperados opções
de poupança e, ao mesmo tempo, crédito de
forma barata e simples. Hoje, com 63 anos
de atuação no mercado financeiro, a Cooperativa possui mais de 300 mil cooperados e
está consolidada no mercado pela prestação
de serviços financeiros, transparência nas
relações, fortalecendo a participação do
cooperado nas atividades da Cooperativa.
Além disso, a cooperativa está presente em
A
dezoito municípios catarinenses com setenta
e nove Postos de Atendimento à disposição
dos cooperados e da comunidade.
Prefeitura e Cooperviva trabalham para
ampliar coleta seletiva
A
prefeitura de Rio Claro (SP) e a Cooperativa dos Catadores de Material
Reaproveitável de Rio Claro (Cooperviva)
estão mobilizadas para ampliar a estrutura
da entidade e a quantidade de lixo reciclado
no município. O município enviou projeto ao
governo federal para que a cooperativa seja
beneficiada com novos equipamentos. Para
isso, o governo municipal está auxiliando a
Cooperviva no levantamento da documentação necessária para efetivar o convênio. O
objetivo é garantir estrutura para aproveitar
as amplas condições de crescimento da
cooperativa, uma vez que mais da metade
dos moradores ainda não coloca o material
reciclável para ser recolhido.
Cecred recebe grupo de estudo de boas práticas
A
Central Cecred recebeu, em Blumenau
(SC), uma comitiva formada por representantes do Banco Central, Sebrae Nacional, Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB)
e Credicoamo para um intercâmbio sobre micro
finanças. Durante o encontro, integrantes da
diretoria da Cecred e da Viacredi apresentaram ações direcionadas à inclusão financeira
e ao microcrédito orientado. O grupo integra
Cooperativas de MG e ES
realizam planejamento
comercial
o Projeto de Prospecção de Boas Práticas e
Aprendizado Experimental em Cooperativismo
de Crédito Bacen/Sescoop, do qual o diretor
executivo da Cecred, Ivo José Bracht, também
faz parte. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre boas práticas no cooperativismo de
crédito nacional e internacional, por meio do
intercâmbio entre cooperativas, e estabelecer
propostas de aplicação destas experiências.
s cooperativas participantes do Programa de Boas Práticas Cresol dos
estados de Minas Gerais e Espírito Santo
se reuniram para compartilhar ações e
conhecimentos. O objetivo é a criação de
um planejamento comercial. “Os projetos
e ações, sejam institucionais, administrativos ou comerciais foram pensados de
forma que, cada vez mais, possamos ser
um diferencial positivo na vida de cada
cooperado e o planejamento comercial é,
com certeza, um destaque de boas práticas”, destaca o vice presidente da Central
Cresol Baser, Luiz Ademar Panzer.
Sescoop e Fecoagro
realizam Seminário Gestão
Estratégica
C
ooperativas gaúchas participaram do
Seminário Gestão Estratégica para
o Futuro das Cooperativas com foco no
ramo Agropecuário, realizado em Porto
Alegre (RS). O evento ocorreu na Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo
(Escoop). As palestras, ministradas por
profissionais de cooperativas brasileiras,
argentinas e alemãs, evidenciaram aspectos imprescindíveis para que as cooperativas tenham uma boa gestão e controles
internos e externos. O evento teve, ainda,
como objetivo oferecer um espaço de
debates e capacitação profissional.
Sicoob Executivo avalia ações realizadas em 2014
D
iretores, conselheiros, funcionários e
colaboradores do Sicoob Executivo
participaram de um evento na Pousada dos
Pireneus, em Pirenópolis (GO), para refletir
e avaliar o desempenho da cooperativa em
2014. A participação de todos fez com
que o espírito do cooperativismo estivesse
presente no planejamento da instituição e
na tomada de decisões.
Foram expostos vários panoramas e perspectivas da entidade, números reais e atualizados,
que foram discutidos em grupo. Foram realizadas, ainda, dinâmicas relativas aos temas
abordados, que proporcionaram descontração
a todos de forma lúdica e reflexiva. Segundo
Luiz Lesse, presidente do Sicoob Executivo,
“o evento foi um sucesso e melhora a cada
edição. Os objetivos da cooperativa se tornam
mais claros e nivelados. Dessa forma, podemos exercitar o cooperativismo em todas as
nossas ações.”
Gestão Cooperativa Acontece dezembro de 2014
3
Entrevista
POR LYDIA COSTA, Viviana Braga fOTOS Divulgação
Rumo ao progresso
O sonho das cooperativas de crédito de Santa Catarina de aumentar o volume de negócios e contribuir para o desenvolvimento de uma região foi o
marco inicial. Representando 40% das agências bancárias presentes no estado, as cooperativas pretendem estar em todos os municípios catarinenses.
Para entender esse sucesso, conversamos com representantes dos sistemas de cooperativas de crédito Sicoob, Unicred, Cecred, Sicredi e Cresol.
Lembro que, certa vez,
um Presidente da República me perguntou como fazer
para que o Nordeste chegue
ao mesmo nível do Sul, em
termos de cooperativismo de
crédito. Respondi que o nosso sucesso se deve ao povo
aguerrido, que está sempre
se profissionalizando, trabalhando mais e mais. A nossa
intenção não é apenas atender ao associado, momentaneamente, mas perpetuar o cooperativismo de crédito. E não
estou pensando só em Sicoob; as ações da nossa entidade
estão sendo feitas junto à Organização das Cooperativas do
Estado de Santa Catarina (Ocesc), que tem dado grande
apoio à capacitação, por meio do Sescoop.
Além disso, destaco nossa supervisão eficiente, com
cooperativas trabalhando de acordo com as normas, atendendo bem aos seus associados, por meio de uma Central
atuante, com apoio do nosso sistema cooperativo, que tenderá a crescer cada vez mais. Por essas razões, acredito
que, em breve, chegaremos a patamares de países como
Canadá, França, Espanha e Alemanha, que são referências
mundiais em cooperativismo de crédito. Aposto ainda no
fortalecimento das áreas de comunicação e marketing para
que as pessoas conheçam o cooperativismo de modo geral,
em especial, o cooperativismo de crédito”.
O cooperativismo de crédito tem importância fundamental no desenvolvimento local
de cada região, de cada cidade aonde atua. Nosso foco,
principalmente, é na agricultura familiar, mas também trabalhamos com diversas entidades, além do público urbano.
Mas, é mantendo o foco nos
pequenos agricultores, que as
cooperativas conseguem fazer a inclusão financeira dessas
famílias que, até então, sequer eram reconhecidas pelo setor financeiro nacional.
Sem dúvidas, o Sul do Brasil, sobretudo, Santa Catarina
vem liderando o cenário nacional no número de cooperativas
e também no número de cooperados, o que é uma imensa
satisfação por se tratar de um estado formado por pequenas
propriedades e micro empresas, que contribuem para o desenvolvimento da região. E o sistema cooperativo está inserido nesse processo de construção, nesse desenvolvimento da
população de Santa Catarina e de todo o Sul do país”.
Rui Schneider
presidente do Sicoob Central SC
Santa Catarina é um estado expoente no
Sul do Brasil pela inserção das cooperativas na sociedade. Se compararmos o número de habitantes do estado ao número
de associados das cooperativas, é o estado
que tem a maior presença de associados de
cooperativas na sociedade. Assim, a participação das cooperativas no mercado finan-
4
Gestão Cooperativa Entrevista dezembro de 2014
José Silva
diretor Financeiro da Cresol Central
ceiro é muito expressiva, o que faz com que
quando formos analisar o desenvolvimento
das comunidades e o nível de qualidade de
vida das pessoas, a contribuição que as
cooperativas estão dando para os catarinenses é significativa”.
Gerson Seefeld
diretor Executivo da Central Sicredi Sul
De modo geral, as cooperativas de crédito no Brasil
têm grande representatividade. Com mais ou menos sete
milhões de cooperados em
todo o país e uma participação de mais ou menos 2,7%
no sistema financeiro brasileiro, é um dos segmentos que
mais cresce.
Na prática, acredito ser
o relacionamento com os associados o fator fundamental
para esse sucesso. No caso da Cecred, temos relação diária
com os cooperados, porque, afinal de contas, a cooperativa
é deles, tanto é que, no planejamento estratégico das cooperativas foram definidos três diferenciais competitivos: o
primeiro deles é ser sempre uma cooperativa com soluções
locais e globais; depois fazer com que o cooperado se sinta
dono da cooperativa e participe ativamente dela; e o último,
bem direto e objetivo, é que, quando um cooperado chega
a um posto de atendimento, ele já tem um problema instalado, portanto precisa sair de lá com uma solução”.
Um dos lados mais interessantes do cooperativismo de
crédito é que ele vem trazendo
uma visão mais consciente e
mais justa do sistema financeiro. Atualmente, cada vez mais
a população tem amadurecido
e buscado alternativas que
sejam, de fato, justas, e o sistema cooperativo proporciona
isso. Além disso, incentiva a
participação dos sócios, por meio da geração de sobras,
aumento do capital, muitas vezes remunerado, e operações
tanto de crédito quanto de investimentos mais atrativas.
Dessa forma, a Unicred vem priorizando o uso consciente do dinheiro, por meio de algumas ações como o Guia de
Planejamento Financeiro, que conscientiza a população em
relação à necessidade de se ter reservas de curto, médio
e longo prazos. O grande desafio de educar as pessoas
financeiramente é justamente esse amadurecimento, pois o
brasileiro não tem a cultura de poupar”.
Para mim, um dos pontos
fortes do cooperativismo de
crédito perante a sociedade
é a manutenção dos recursos
no local em que são gerados,
ou seja, as comunidades são
beneficiadas com o reinvestimento do dinheiro. E a população vê de forma muito positiva essas iniciativas.
Na Sicoob de São Miguel,
investimos mais de R$ 200 mil por ano em ações de preservação do meio ambiente, educação financeira, além de ou-
tras atividades. E isso tem nos dado um retorno muito grande, principalmente, na área escolar, porque, antes, as escolas
tinham muita deficiência em material sobre esses temas.
Assim, temos colhido bons frutos pois, somente em
2014, recebemos um prêmio pelo Sicoobito, que é um gibi
sobre preservação ambiental e também fomos classificados
pela Editora Abril como uma das 150 melhores empresas
para se trabalhar no Brasil e estamos recebendo dois prêmios da Associação Brasileira de Recursos Humanos, um
também pelo Sicoobito e outro pelo Coaching”.
Moacir Krambeck
presidente do Conselho de Administração da Cecred
Vivien Tolla
especialista em Investimentos da Unicred Central de Santa Catarina
O cooperativismo financeiro de Santa Catarina não é um dos pioneiros, no
entanto, o diferencial está na disposição
do povo da região em trabalhar de forma
cooperada. Considero o cooperativismo de
crédito um impulsor, principalmente, do
desenvolvimento local, porque as finanças em forma de poupança e os recursos
captados são investidos no próprio local,
diferentemente dos bancos que captam o
dinheiro muitas vezes localmente e aca-
Edemar Fronchetti
presidente do Sicoob de São Miguel
bam investindo nos grandes centros, em
detrimento das pequenas cidades.
Além disso, o cooperativismo incentiva
as pessoas a criarem seu próprio negócio,
em vez de ser um apenas um trabalhador. A
atividade cooperativista fomenta para que as
pessoas consigam se desenvolver, melhorar
a qualidade de vida e a renda da família”.
Mafalda Wermuth
conselheira de Administração da Central Cresol Sicoper
Gestão Cooperativa Entrevista dezembro de 2014
5
Artigo
POR Ênio Meinen
O cooperativismo financeiro brasileiro
e a sofisticação do modelo regulatório
Foi o tempo que investiste em tua rosa que fez
tua rosa tão importante
(Antoine de Saint-Exupéry– em “O pequeno príncipe”)
J
á se disse, por diversas vezes,
que o marco regulatório aplicável
ao cooperativismo financeiro brasileiro, por sua generosidade, hoje,
deixa pouco espaço para reivindicações de “atacado”.
Mundo afora, como já havíamos
destacado em recente artigo publicado sobre o tema (www.cooperativismodecredito.coop.br), a busca por leis
e regulamentos mais flexíveis e indutores de um maior poder de competição
das instituições financeiras cooperativas é uma das principais aspirações
do setor, o que, segundo sabemos
nós – e eles reivindicam - passa por
uma interlocução mais profícua entre o
movimento, reguladores e respectivos
órgãos de supervisão.
A atual amplitude da matriz normativa, por sinal, molda-se à perfeição ao
disposto no §2º do art. 174 da Constituição Federal, dispositivo referência a
determinar que “A lei apoiará e estimulará o cooperativismo...”.
Por aqui, uma vez que o essencial
está mais do que atendido – fruto de
longos anos de amadurecimento da indústria e de sua relação com o Governo -, já se parte para um novo estágio.
Com efeito, o conjunto de medidas anunciadas pelo Banco Central
do Brasil (Bacen), no dia 18 de novembro último, aponta para a sofisticação do modelo.
A permissão para a emissão de Letras Financeiras, objeto da Resolução
nº 4.382, do Conselho Monetário Nacional (CMN), visa ao fortalecimento
6
Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014
da estrutura patrimonial das cooperativas e, à luz do que preconiza a parte
final do art. 2º da Lei Complementar
nº 130, de 2009 (LC 130/09), e o
seu nivelamento com o mercado. Com
esse instrumento, por ora de uso restrito, as entidades mutualistas terão à
disposição novo mecanismo de atração de recursos (estáveis) para compor o capital regulamentar (Patrimônio
de Referência). Por serem investimentos de prazo longo, servirão também
de lastro para atender a demandas de
crédito de idêntica duração.
A revisão da ponderação de risco
de ativos intrassistema (créditos, depósitos e garantias), nos termos da
Circular Bacen nº 3.730/14, aumenta
a eficiência da estrutura patrimonial
do conjunto das entidades (cooperativas singulares, centrais, confederações de crédito e bancos cooperativos), pondo-se em sintonia com os
novos níveis de governança experimentados pelo setor, cuja evolução
recente demonstra aperfeiçoamento
dos vínculos sistêmicos de forma a
possibilitar a redução da exigência
de capital nas operações entre instituições integrantes desses sistemas,
abrindo caminho para a desejada implementação formal do conceito de
conglomerado cooperativo.
Por certo, os motivos que determinaram referido ajuste, pena de conflito
conceitual e anulação de efeitos em
relação às cooperativas submetidas ao
regime prudencial completo (RPC) e
aos bancos cooperativos, haverão de
ser ponderados também na elaboração do texto final do normativo sobre a
Razão de Alavancagem (RA), cuja minuta fora aberta à participação pública
por meio do Edital Bacen nº 44/2014.
Adicionalmente, a redução da ponderação de risco da carteira de crédito
das cooperativas submetidas ao regime prudencial simplificado (RPS), de
85% para 75%, reforça a percepção
de melhoria da capacidade de gestão
de crédito dessas entidades, equiparando-as ao mesmo requerimento exigido das demais instituições de crédito
nas exposições em carteiras de varejo,
em que o segmento de fato atua. Mais
do que um bônus do regulador, ambas
as medidas devem ser vistas como um
voto de confiança na capacidade das
cooperativas de gerenciarem adequadamente seus riscos e responderem
de forma adequada e coordenada às
contingências e perdas inerentes ao
processo de intermediação financeira.
Como corolário, os avanços impulsionam a organização sistêmica e
desencorajam a desfiliação irrefletida.
Por sua vez, a iniciativa que prevê
a criação de cooperativas de crédito
que tenham por objeto a prestação
de garantias em operações creditícias
(Edital Bacen de Consulta Pública nº
46/2014), cuja modalidade cooperativa se encaixa na dicção do art. 5º
da Lei Cooperativista (Lei nº 5.764,
de 1971), pretende suprir um obstáculo inerente às micro e pequenas
empresas, que enfrentam dificuldades
para oferecer garantias compatíveis
com suas necessidades de financiamento. A estimativa de incremento de
funding a respaldar créditos de capital de giro e de investimento para o
pequeno negócio (público associado)
está baseada no fato de o novo ente,
como instituição financeira (de atuação limitada) que é, submeter-se à
supervisão do Bacen, com a segurança daí decorrente (controle de acesso, regulação e fiscalização).
Já o conjunto de proposições a comporem, nos termos da minuta veiculada
pelo Edital Bacen de Consulta Pública
nº 47/2014, o normativo sucessor da
Resolução nº 3.859/2010, do Conselho Monetário Nacional (CMN), trará
importantes novidades no que se refere
à segmentação das cooperativas.
Subdividido em cooperativas “plenas” (atuais componentes do grupo
RPC), “clássicas” (do grupo RPS) e
“de capital e empréstimo” (grupo que
não capta depósitos), o setor poderá
usufruir de carga regulatória mais equilibrada, conferindo-se atenção adequada e proporcional conforme o grau de
complexidade operacional e os níveis
de risco de cada entidade (“plenas”,
com maior custo regulatório; “capital e
empréstimo”, com menor custo regulatório). No novo cenário, acaba a complexa classificação hoje existente entre
cooperativas segmentadas, semiabertas e abertas (arts. 12 e 13 da Resolução CMN nº 3.859/2010), passando
a existir apenas o tipo “cooperativa de
crédito”, passando o nível de abertura
do quadro social a ser definido estatutariamente, pela assembleia geral, em
alinhamento com o disposto no art. 4º
da LC nº 130/09.
Também a governança sofrerá relevante adequação, já que apenas as
cooperativas “plenas” (todas) e as
“clássicas” com ativos a partir de R$ 50
milhões terão de adotar conselho de
administração e diretoria executiva, no
entanto, com segregação absoluta entre os órgãos, pois não mais será permitido a (qualquer) membro do conselho compor o colegiado executivo.
Na sua concepção, o futuro normativo dará, ainda, um passo adiante em
relação à consolidação sistêmica, pois
avançará nas condições a serem atendidas pelas cooperativas singulares
que venham a optar pela desfiliação,
estabelecendo que, previamente a
essa medida, sejam remetidas ao Bacen informações que permitam avaliar
a capacidade de as cooperativas sem
filiação funcionarem de forma segura
sem os serviços até então providos
pelas entidades de grau superior.
Finalmente, quanto às diversas estruturas de auditoria hoje existentes,
a novidade vem representada pelo
incentivo a entidades especializadas
em auditoria cooperativa (conhecidas como “EAC”) – modelo CNAC,
com funções ampliadas -, conforme
dá conta o Edital Bacen de Consulta
Pública nº 48/2014. A ideia, aqui, de
acordo com a prerrogativa concedida
pela LC nº 130/09, é instituir uma
auditoria cooperativa com escopo
especializado, de natureza universal
(alcançando todas as cooperativas de
crédito singulares, filiadas ou não) e
que operará em escala para produzir
trabalhos com a qualidade demandada pelo segmento.
A minuta de resolução permite a
integração entre a auditoria interna
e a externa (cuja periodicidade, nesse caso, se reduz), formando na sua
conjugação a “auditoria cooperativa”,
medida que induz à racionalização
dos dois blocos de atividades. Todas as cooperativas serão obrigadas
a submeterem-se a uma EAC no que
se refere à auditoria interna (inspeção
direta), ficando dispensada a realiza-
um grupo de
Vincere
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COMUNICAÇÃO
O que fa
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especializado em
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COOPERATIVISMO
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MARKE
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CRIAÇÃ ING WEB
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N
AGROC
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ADE
ICAÇÃO
ção dessa mesma atividade pelas cooperativas centrais. Quanto à auditoria
externa, embora possa também ser
executada por uma EAC, permanece
facultada a contratação de empresas
não especializadas ou de mercado.
As EAC (confederações cooperativas especializadas em auditoria cooperativa) serão submetidas ao controle
do Bacen e operarão com um roteiro
mínimo/padrão, definido pelo órgão de
supervisão, circunstância que, em linha
com a literatura econômico-financeira
internacional, fortalecerá o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito
(FGCoop), dando mais conforto às
entidades vinculadas ao Fundo e corresponsáveis solidárias pelos créditos
do conjunto dos cooperados. Aliás, o
desejável – em perspectiva – é que
as EAC tenham uma ligação societária mais íntima com o FGCoop, como
ocorre, por exemplo, no cooperativismo financeiro alemão, de onde provém
a inspiração para a solução brasileira.
Em síntese, esses movimentos regulamentares, de cunho mais “cirúrgico”, ao lado do aprimoramento da
governança interna a partir dos indicativos colhidos – e também há pouco divulgados - em pesquisa do Bacen
para essa finalidade (veja o resultado
consolidado em: http://www.bcb.gov.
br/pec/appron/apres/pesquisa_governanca_2013_2014_internet.pdf), tornarão o sistema financeiro cooperativo
ainda mais sólido e o colocarão num
novo patamar de competitividade.
*Ênio Meinen é advogado, pós-graduado
em direito (FGV/RJ) e em gestão estratégica
de pessoas (UFRGS) e autor/coautor de
vários artigos e livros sobre cooperativismo
financeiro – área na qual atua há 30 anos
-, entre eles “O cooperativismo de crédito
ontem, hoje e amanhã”. Atualmente, é
diretor de operações do Banco Cooperativo
do Brasil (Bancoob).
(61) 3039-1050
www.vincereassociados.com.br
[email protected]
Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014
7
POR REDAÇÃO
O desafio de estar
sempre preparado
As retrações da economia estarão sempre conosco. Assim é importante se
preparar para elas, estar pronto e nunca ficar excessivamente sobrecarregado.
P
roblemas e obstáculos são comuns
no cenário dos negócios e nem sempre estão sob o controle das lideranças.
Nesse contexto de possibilidade permanente de adversidades, J. W. Marriott Jr.,
presidente do Conselho de Administração de uma das maiores redes hoteleiras
do mundo, a Marriott International, defende a necessidade de as organizações
estarem preparadas para enfrentar os
obstáculos que podem surgir.
Segundo o empresário, cabe aos
gestores ter o cuidado permanente de
“manter a casa em ordem” para que,
quando a adversidade surgir, as soluções apareçam e sejam executadas
com mais facilidade. Partindo de premissas como essa, Marriott transformou o restaurante de sua família em
uma rede mundial de hotéis quando, no
final dos anos 1970, vendeu seu grupo
de hotéis e ampliou seus negócios que,
naquele momento, passaram a não se
restringir apenas ao ramo imobiliário.
Nesta lição* do programa CEO
Lessons da MindQuest, Marriott Jr.
ressalta a importância de ter um planejamento, ser cuidadoso e conseguir
superar os problemas que surgem.
“Compreenda que nem sempre o sol
estará brilhando, que haverá algumas
nuvens vindo por cima e, quando elas
vierem, você tem que estar pronto
para elas”, afirma.
“Todos nós sabemos que nenhuma
árvore cresce até o céu e que as retrações da economia estarão sempre
conosco. A era da tecnologia é maravilhosa, mas ela não pode dar garantia
às retrações e condições adversas da
8
Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014
economia, que são causadas quase
sempre por fatos além do nosso controle. Assim, é importante se preparar
para elas, estar pronto e nunca ficar
excessivamente sobrecarregado com
as obrigações financeiras.
Ao final da década de 1970, decidimos que iríamos ser uma empresa
de administração, e não empresa de
propriedade de hotéis. Assim, vendemos os hotéis que possuíamos e retomamos os contratos de administração.
Continuamos a usar nossas marcas,
administramos o negócio, mas não
estávamos no negócio imobiliário. Assim, decidimos que poderíamos fazer
um contrato de administração melhor
se tivéssemos um imóvel, construíssemos e vendêssemos a outro proprietário e retomássemos o contrato, ao
invés de termos alguém para desenvolvê-lo para nós. Assim, na realidade,
estávamos construindo hotéis para
venda. E, assim, ao longo de todos
os anos 1980, construímos e vendemos hotéis; provavelmente vendemos
algo em torno de 15 a 20 bilhões de
dólares com os hotéis. E crescemos
até por volta de 1989. Tínhamos 3 bilhões de dólares em hotéis, em nossos
catálogos de vendas.
Tínhamos compradores na fila de
espera para todos aqueles hotéis e o
mercado de imóveis estourou em 1989
e 1990. Repentinamente, estávamos
em uma recessão e tínhamos uma guerra no Golfo. O Kuwait foi invadido pelo
Iraque, e o Presidente Bush decidiu que
ele precisava ir lá e resgatar o Kuwait.
Assim, houve uma guerra e, durante a
recessão, tínhamos imóveis demais em
nossos catálogos e muitas dívidas. Assim, tivemos que realmente lutar com
vigor para imaginar o que fazer. Vendemos alguns dos hotéis e retomamos os
contratos, mas não conseguimos nos livrar de todos eles. Ainda tínhamos muitos. Assim fizemos uma transação corporativa da parte de administração do
negócio, criamos uma nova empresa e
deixamos os hotéis e seus débitos em
uma outra empresa. Mas aquelas eram
épocas de muitas tentativas para nós,
tempos muito difíceis, mas cumprimos
a meta, porque nos mantivemos fiéis
ao plano, que não era possuir hotéis,
mas administrá-los.
A lição aqui aprendida é que nenhuma árvore cresce até o céu. Pensamos que poderíamos fazer isso para
sempre e ficamos excessivamente sobrecarregados e, assim, penso que o
mais importante é ser cuidadoso à medida que você avança, que seu plano
vai sendo executado, e não sair precipitadamente. Compreenda que nem
sempre o sol estará brilhando, que
haverá algumas nuvens vindo por cima
e, quando elas vierem, você tem que
estar pronto para elas.”
* Ao transpor a lição em vídeo para
o meio impresso, pequenos trechos
foram editados, a fim de evitar repetições próprias da fala e garantir uma
leitura prazerosa.
*Este artigo foi publicado na Revista Entre
Líderes ANO 4 | EDIÇÃO 2
A Revista Entre Líderes é uma publicação da
MindQuest Educação S.A.
www.mindquest.com.br
POR Romeo Balzan
Consórcio:
opção moderna, prática e segura
Q
uem investe em consórcio, investe em planejamento e na garantia
da realização de projetos de vida. A
cada ano, o setor cresce e se consolida
como opção para adquirir bens ou serviços variados, de maneira gradual e segura, sem comprometer o orçamento.
Segundo a Associação Brasileira de
Administradoras de Consórcios (Abac),
os consórcios somaram R$ 62,2 bilhões em negócios, de janeiro a outubro de 2014, 8,4% menor que os
R$ 67,9 bilhões do mesmo período
do ano anterior. Esta leve retração
ocorreu em virtude do período pré e
durante a Copa do Mundo, que teve
uma quantidade menor de dias úteis
para comercialização e as decisões de
consumo ficaram em torno do evento.
Atualmente, os dados demonstram a retomada dos negócios e
do interesse do consumidor pela
modalidade, que apresenta planos
diferenciados, sob medida e a negociação é adaptada às necessidades
do associado. No sistema de consórcio, as parcelas são customizadas,
o que torna viável a aquisição, que
pode consistir em um imóvel, veículo
automotor, máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos e serviços de
diversos segmentos - lazer, viagens,
educação e saúde. No consórcio, os
sonhos não têm limites e estão ao
alcance de todos.
O consorciado poderá ser contemplado por sorteio mensal e sem necessidade de adiantamentos. Outra opção
é a contemplação por lance, possibilitando a programação da contemplação, através da utilização de recursos
próprios (antecipação de parcelas) ou
do próprio crédito. Neste formato, o
contemplado tem ainda a possibilidade de reprogramar o plano, solicitando
a redução do valor das próximas parcelas, mantendo o prazo, ou mesmo
reduzir o número de parcelas na ordem inversa do vencimento, reduzindo
dessa forma o prazo de pagamento
do seu plano. Entre as vantagens da
modalidade, o consumidor conta com
formas diversificadas de negociação,
como um desconto no momento da
aquisição do bem ou serviço, mesmo
que o plano ainda não tenha sido quitado, já que terá em suas mãos uma
carta de crédito para compra onde melhor lhe convier.
O mercado de consórcios vive
um excelente momento, com o crescimento das novas adesões e da
profissionalização cada vez mais
presente nas administradoras de
consórcios. Especialmente em serviços, um segmento novo, percebe-se
uma evolução percentual do número
de consorciados muito significativa. É
um produto abrangente, uma forma de
poupança programada para a realização de qualquer tipo de serviço como
cirurgias estéticas, festa de casamento, festa de formatura, pagamento da
faculdade, cursos técnicos, especialização, idiomas e aquela desejada viagem. O produto é indicado para pessoas que programam a realização dos
seus sonhos com antecedência, organização e de forma econômica. Além
da facilidade e abrangência do uso, o
consórcio de serviços apresenta entre
outros atrativos a redução de custos e
a ausência de juros.
Além de planejar de forma tranquila a aquisição, o consórcio consagra-se por ser um sistema disciplinador
de formação de poupança e planejamento financeiro para o aumento do
patrimônio das famílias brasileiras. A
segurança é outro atrativo dos grupos
de consórcios, cujas administradoras
são reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil.
*Superintendente de Consórcios da
Administradora de Consórcios Sicredi e
presidente da Associação Brasileira das
Administradoras de Consórcios (Abac) e do
Sindicato Nacional dos Administradores de
Consórcio (Sinac) - Regional Sul
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Gestão Cooperativa Artigo dezembro de 2014
Destaque
POR Viviana Braga FOTOS REPRODUÇÃO/INTERNET, SICOOB CENTRAL - SC/RS
Cooperativas de crédito: inclusão
e desenvolvimento socioeconômico
Quase 100% dos municípios catarinenses contam com pontos de atendimento de cooperativas de crédito
A
maior rede de cooperativas financeiras do Brasil. Foi com
esse status que as cooperativas de
crédito de Santa Catarina se apresentaram no VI Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, realizado em Florianópolis (SC). O título
é resultado dos números do sistema. Há mais de 30 anos prestando
serviços de apoio a produtores da
zona rural e urbana, o cooperativismo de crédito catarinense está
presente em 98% dos municípios,
com 810 pontos de atendimento
e mais de 1 milhão de associados
com acesso a crédito de modo mais
simples e vantajoso.
O presidente do Sicoob Central
SC, umas das entidades que integram a rede de cooperativas, Rui
Schneider, explica que tudo começou
quando o Banco Central, em meados
de 1980, autorizou que as cooperativas se juntassem e formassem
centrais. “Na época, tínhamos a necessidade maior de atendimento na
área de crédito rural. Foi quando, em
1985, sete cooperativas se uniram e
formaram a Cooperativa Central de
Crédito Rural de Santa Catarina, com
base num trabalho de confiança com
os associados. Eles depositavam e
faziam empréstimos na própria cooperativa e, assim, o nosso sistema
foi crescendo”, disse.
Ocupando o lugar de segunda
instituição financeira com maior número de pontos de atendimento em
Santa Catarina – total de 348 - o Sicoob Central SC/RS conta com 40
cooperativas, sendo 39 em Santa
Catarina e uma no Rio Grande do
Sul. “Temos casos de cooperativas
Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014
11
ral, por exemplo, hoje posso
dizer que as cooperativas do
Sicoob possuem mais de 1
bilhão e 320 milhões de reais
para emprestar, fora o que já
foi emprestado”, completa
Rui Schneider.
Para Carlos Armando Carreirão, gestor dos Projetos
de Inclusão Financeira do
Sebrae Santa Catarina, não
há dúvidas de que além de
grandes movimentações, o
estado se tornou um polo
de organizações que trabalham com microcrédito. “O
mais importante de tudo isso
é que essas organizações
atuam junto a um público que
geralmente é excluído do sisRui Schneider, presidente Sicoob Central SC/RS,
participou da evolução do crédito cooperativo no estado
tema financeiro tradicional,
que são as empresas inforque começaram com uma média de
mais e as recém formaliza30 associados e hoje possui mais das. As cooperativas têm conseguido
de 50 mil. Todas bem instaladas e identificar a capacidade de pagamensustentáveis”, acrescenta Schnei- to e de crescimento dos pequenos
der. Ainda segundo ele, o salto do empresários que, na prática, são incooperativismo de crédito no estado visíveis para os bancos tradicionais,
ocorreu a partir de 2005, ano em mas que possuem grande potencial
que as cooperativas deixaram de de desenvolvimento”, enfatiza.
ser segmentadas e passaram a ser
de livre admissão, atendendo a qual- Receita do sucesso
Cada vez mais alinhadas ao sistequer pessoa que residisse na área de
ma financeiro brasileiro, as cooperaatuação da cooperativa.
Em termos de movimentação tivas de crédito oferecem os mesmos
financeira, os diferentes sistemas produtos e serviços que as demais
– Sicoob, Cecred, Unicred, Cresol, instituições financeiras. No entanto,
Sicredi – e cooperativas indepen- está no relacionamento direto com
dentes possuíam, em dezembro de os associados e “donos” do negó2013, R$ 7,6 bilhões em depósitos cio, o ponto forte. É o que destaca
totais e realizaram R$ 7 bilhões de o presidente do Sicoob São Miguel,
operações de crédito. Os dados re- Edemar Fronchetti. “O nosso lema é
velam o bom desempenho do coo- estar onde o associado está. Temos
perativismo de crédito na região Sul municípios com 1,7 mil eleitores,
e em Santa Catarina. Enquanto o
ou seja, extremamente pequenos,
segmento tem participação de 3,1%
e mesmo assim estamos presentes
em empréstimos e 2,6% em depósicom um posto de atendimento cootos no Sistema Financeiro Nacional,
perativo, que atende todas as necesna região Sul representam 8,8% em
sidades dos associados”, afirma.
empréstimos e 10,1% em depósitos.
Outro ponto relevante das cooSanta Catarina, por sua vez, destacaperativas
de crédito é o fato de
-se ainda mais com participação de
11,9% nos empréstimos e 17,4% elas não possuírem fins lucrativos.
nos depósitos. “Se antigamente tí- Assim, as eventuais sobras ou exnhamos a necessidade de crédito ru- cedentes beneficiam diretamente
12
Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014
os associados, diferentemente das
instituições financeiras tradicionais.
“Manter os recursos onde são gerados é um dos fatores de fortalecimento das cooperativas. Somos
proibidos, por lei, de enviar dinheiro
para fora das comunidades em que
atuamos, então, automaticamente,
todo o excedente é reinvestido no
seu lugar de origem, gerando emprego e renda e desenvolvendo a
região. Essa é a filosofia que temos
adotado para que o cooperativismo
se fortaleça e desenvolva as comunidades”, completa Fronchetti.
Foco na expansão
Tendo como meta a totalização
dos municípios catarinenses sendo atendidos pelas cooperativas de
crédito, os sistemas têm, cada vez
mais, investido na profissionalização
dos funcionários. Isso porque, para
as cooperativas de crédito, está na
fidelização dos associados o segredo
para alcançar esse objetivo. Assim, o
Sicoob Central SC/RS mantém, desde o ano 2000, a Escola de Dirigentes e Executivos, e realiza parcerias
com faculdades que ministram cursos de acordo com as necessidades
das entidades, inclusive, intercâmbio
em vários países como a Alemanha
e o Canadá, tudo para que consigam
alcançar a competência desejada.
Tamanha dedicação ao atendimento refletiu, nos últimos anos,
num crescimento substancial no número de associados das cooperativas, tendo aumentado 16% de 2012
para 2013. Assim, sistemas como o
Sicoob, Unicred, Cecred, Sicredi e
Cresol têm apresentado dados exponenciais quando se trata do número
de associados, de depósitos e investimentos, por exemplo.
Somente o Sicredi deve encerrar o ano de 2014 com um total de
2,8 milhões de associados em todo
o Brasil. De acordo com o diretor
executivo do Sicredi RS/SC, Gerson
Seefeld, com menos de oito anos de
atuação em Santa Catarina, o siste-
ma já está presente em 23% dos municípios. “Temos uma projeção muito
otimista que é de estarmos expandindo em mais 12% a nossa base de
associados no ano de 2015”.
Vivien Tolla, especialista em investimentos da Unicred Central de
Santa Catarina, destaca que a Unicred pretende fechar 2014 com,
aproximadamente, 60 mil cooperados. “Já ultrapassamos os R$ 2
bilhões de ativos e só em recursos
administrados devemos ter R$ 2,5
bilhões até o fim do ano”, diz.
A Cresol possui os mesmos números positivos. A primeira cooperativa surgiu em meados de 1996 no
sudoeste do Paraná e, em seguida,
se expandiu para os estados do Rio
Grande do Sul e de Santa Catarina.
“Além desses três estados, estamos
presentes, desde o ano passado, na
região Nordeste e no estado do Mato
Grosso do Sul. Nosso objetivo é atingir todo o Brasil. Atualmente, temos
um quadro de mais de 270 mil associados, grande parte deles agricultores familiares”, enfatiza José Silva,
diretor Financeiro da Cresol Central.
Diante do cenário promissor, o
presidente do Sicoob Central SC/RS,
Rui Schneider, aponta que as perspectivas para o futuro do cooperativismo de crédito em Santa Catarina
são fusões e/ou incorporações de
cooperativas, profissionalização de
funcionários e dirigentes, aumento
da participação no litoral catarinense e nos grandes centros urbanos,
mais investimento em comunicação
e marketing, conscientização das
vantagens do cooperativismo, perpetuação do cooperativismo por meio
de trabalhos com crianças e adolescentes, aprovação da Lei Cooperativista Estadual, regulamentação
do Ato Cooperativo, acesso direto a
recursos oficiais, bem como a reformulação da Lei do Cooperativismo.
Para a presidente da Cooperativa
Familiar Agrícola Paranaense (Coperfap), Regina Maria, não há dúvidas de que o apoio das cooperativas de crédito é fundamental para o
desenvolvimento das comunidades.
“Há 15 anos trabalho com o microcrédito. Comecei fazendo conservas
em casa, com um investimento de
R$ 2 mil apenas para a compra de
material; a partir daí, o negócio foi
dando certo e decidi fundar uma associação até chegarmos à cooperativa, que está com três anos. Hoje,
a Coperfap possui 106 associados,
uma estrutura de 600m², além do
terreno, duas caminhonetes, empilhadeira, esteira e caldeira. O que
antes era apenas um sonho, agora
é realidade”, conta satisfeita.
Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014
13
POR Marcos Acypreste FOTOS Lydia Costa
Sicoob Creditran revoluciona a
atividade do despachante de trânsito
A
tes a veículos”, explica José
Fernandes. Mas, somente
em 2004 foi possível conseguir a contratação pelo
Estado. “Nós fomos contratados com a ajuda do atual
deputado estadual, Renato
Hinning, que, na época, era
diretor de administração tributária da fazenda. Ele viu
nossa necessidade, acreditou em nossa cooperativa e
nos ajudou junto ao governo a participar da arrecadação com total propriedade,
uma vez que a pulverização
de pontos de atendimento
José Fernandes Neto mostra que é possível realizar
era visível e ajudaria na aroperações pelo celular
recadação”, explica José.
rém, a adesão e as metas não foram
O grande diferencial da cooperativa
atingidas no primeiro e nem no segun- está na forma como o trabalho é dedo ano. “Fomos atrás do contrato com senvolvido. Foi criado um sistema de
a Secretaria de Fazenda do Estado internet banking, o Credinet, para que
para poder arrecadar tributos ineren- o Sicoob Creditran estivesse presente
no escritório dos despachantes virtualmente. “Foi um sucesso. O sistema é
moderno e recebeu elogios em todos
os setores”, explica Neto. O sistema foi
mais bem aceito pelos usuários porque
foi criado e montado para atender a uma
necessidade específica da categoria.
“Temos horários diferenciados para
fazer depósitos e a facilidade com o
relacionamento bancário, porque,
hoje, é como se o Sicoob Creditran
fosse extensão do escritório, bem diferente dos bancos comerciais”, afirma
Luiz Antônio, do Despachante Sonagli.
Atualmente, a cooperativa possui
equipamentos de ponta e que podem
ser utilizados através de qualquer plataforma, inclusive a móvel. “Trabalhamos
por meio do celular, por exemplo. Pelo
meu telefone, eu posso fazer a consulA cooperativa está presente em quase todos os municípios do estado de Santa Catarina
Cooperativa de Crédito Mútuo
dos Despachantes de Trânsito
do Estado de Santa Catarina e Rio
Grande do Sul foi criada para atender ao segmento de despachantes
de trânsito, de modo a oferecer ferramentas modernas para realização
dos serviços prestados pelos profissionais da área. A cooperativa tem
como propósito oferecer equilíbrio
financeiro entre a categoria, consolidar o cooperativismo e focar na arrecadação de tributos. “Há mais de
dez anos, o Sicoob Creditran tem
ajudado os profissionais no que se
refere à quitação de débitos e demais arrecadações relacionadas com
o próprio trabalho”, afirma o diretor
presidente do Sicoob Creditran, José
Fernandes Neto.
Fundada em 2000, a cooperativa
surgiu a partir da união de 27 despachantes que pensavam em trazer um
beneficio a mais para a profissão. Po-
14
Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014
de agilizar e aprimorar o serviço ainda
permite o atendimento personalizado
aos clientes e horários especiais.
Produtos
Para o despachante,
Luiz Antônio, o
serviço melhorou
muito depois de se
associar à Creditran
ta de um tributo, posso providenciar a
quitação do tributo para possibilitar o
licenciamento do carro”, explica Neto.
Ainda de acordo com o diretor presidente, o sistema de segurança é o
melhor possível. “Claro que estamos
vulneráveis como qualquer outro sistema de informática, mas temos um
nível de segurança muito bom”, afirma.
O que mudou?
Antigamente, o despachante praticamente mantinha uma pessoa que
encarava as filas de bancos pagando
e autenticando documentos. Com o
sistema Credinet não é mais preciso
ter a presença física. “Agora o despachante pode operar do escritório,
de casa ou de onde tiver acesso a
um computador ou smartphone. Assim, ele deixou de ser o tranca fila
de bancos e passou a ser o melhor
atendente em questão de quitação de
tributos”, afirma Neto.
Para o despachante e presidente da Associação Regional de Lages,
Wolnei Luiz Coelho, o Sicoob Creditran
representa uma série de benefícios
para os despachantes, pois facilita o
trabalho e ainda oferece produtos que
ajudam no crescimento de toda a ca-
Creditan pretende levar serviço a outros estados
tegoria, o que acaba por ser positivo
também para os clientes que procuram os escritórios despachantes.
A despachante e delegada da cooperativa, Mariza Heusi, de Itajaí, destaca
também que o trabalho que a diretoria
do Sicoob Creditran realiza, visa trazer
vantagens para todos os cooperados, e
ressalta que a estrutura de atendimento
(tanto a sede quanto o sistema de informática), foram pensados para trazer
o que há de melhor para os despachantes, valorizando os profissionais.
O Sicoob Creditran, através do
Bancoob, oferece todos os produtos e
serviços bancários existentes no mercado, praticando taxas que são atrativas e viáveis para auxiliar o crescimento profissional de seus cooperados.
Para se associar
O primeiro pré-requisito é ser
despachante ou estar associado a
ele como, por exemplo, família, funcionário e autoescola. O interessado
deve procurar um delegado da cooperativa, se apresentar e se candidatar.
Por sua vez, o delegado encaminha o
pedido para o Conselho de Administração, que vai analisar as condições
mínimas; se aprovado, ele estará apto
a ser associado.
Atendimento exclusivo e rápido é o diferencial da Creditran
Edison Delcio Cousseau, despachante e delegado da cooperativa na
região de Concórdia, entende que o
Sistema Credinet é a melhor ferramenta criada para a profissão, pois além
Futuro
O Sicoob Creditran foi uma das
primeiras instituições financeiras
a trabalhar on-line em Santa Catarina e hoje são arrecadados cerca
de 85% dos tributos referentes a
veículos. De acordo com programa
de avaliação financeira do Sicoob, a
Cooperativa está entre as primeiras
no Estado em retorno financeiro aos
seus cooperados.
Atualmente, o novo projeto da
cooperativa é a expansão territorial
para o Rio Grande do Sul e Paraná.
“Desejamos aumentar o nosso modelo de cooperar”, ressalta Neto.
Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014
15
POR Marcos Acypreste FOTOS LYDIA COSTA/ CECRED
Sistema Cecred é um dos pilares
do cooperativismo de crédito do Sul
U
m dos responsáveis pelo desenvolvimento do cooperativismo de crédito na região Sul do Brasil, o Sistema
CECRED completou 12 anos em 2014.
Criado em 2002, surgiu a partir da iniciativa das cooperativas Viacredi, Acredicoop
e Concredi, com o objetivo de apoiar,
desenvolver e integrar as cooperativas
de crédito, além de ampliar a oferta de
produtos e serviços. Hoje conta com 14
cooperativas singulares em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, além da
Central CECRED, com sede em Blumenau (SC). “A Central dá o suporte para
que as cooperativas de crédito filiadas
possam atender a seus cooperados. Com
isso, as integrantes do Sistema podem
oferecer soluções financeiras através
de uma rede de 145 Postos de Atendimento, que atendem aos cooperados de
forma presencial e também através do
autoatendimento”, explica o diretor executivo da CECRED, Ivo José Bracht.
Atualmente com mais
de 400 mil cooperados
e com um total de ativos que ultrapassa os
R$ 3 bilhões, o Sistema CECRED participa
ativamente do sistema
financeiro. Acompanhando
o histórico das instituições
cooperativistas do
mesmo ramo,
planeja encerrar 2014
registrando um
crescimento
de
31%, mantendo
a média dos últimos
anos. Nas operações de
crédito, a expectativa é de
um aumento de 39%, alcan16
Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014
çando um saldo superior a R$ 2 bilhões
em empréstimos.
Outro ponto importante para ser
destacado é o investimento dos associados nas cooperativas do Sistema.
Em 2014, deve ser registrado um crescimento de 31% superior ao ano passado, o que supera a marca de R$ 2
bilhões. A meta do planejamento estratégico do sistema prevê alcançar 800
mil cooperados e R$ 9 bilhões em ativos totais até 2017. “A nossa missão é
oferecer soluções financeiras por meio
do cooperativismo e assim contribuir
para o desenvolvimento social e econômico da comunidade”, afirma o presidente do Conselho de Administração
da CECRED, Moacir Krambeck.
O crescimento do Sistema CECRED se reflete no desenvolvimento
sustentável das regiões onde as cooperativas estão presentes, por meio
da inclusão financeira de seus cooperados, disponibilizando
produtos e serviços
adequados à sua
realidade. Além disso, são realizados
projetos sociais
em prol da comunidade. “Temos
a preocupação
de trazer o senso
de pertencimento
aos nossos cooperados para que
se sintam donos, pois
é importante que eles
participem das nossas
ações. Por isso, desenvolvemos uma série de atividades
ligadas às áreas de educação
financeira e cooperativista, desenvolvimento de competências profissionais, qualidade de vida, responsa-
Moacir Krambeck acredita que o
cooperativismo de crédito é o pilar do
desenvolvimento
bilidade socioambiental e formação
de empreendedores. Acreditamos que
através da educação podemos transformar uma comunidade. Pensando
nisso, trabalhamos com temas atuais
como: cuide bem do seu dinheiro, comunicação verbal e oratória, e saúde
emocional” explica a gerente de Governança Cooperativa e Organização
do Quadro Social da Central CECRED,
Elaine Aparecida Rodrigues.
As cooperativas do Sistema CECRED também contam com os comitês educativos que estudam a comunidade em que a cooperativa está
inserida para a criação de planos estratégicos. “Todo final de ano, elaboramos um planejamento para as cooperativas, verificando como querem
se posicionar em termos de mercado
e seus objetivos para o próximo ano”,
afirma Elaine. Ainda de acordo com a
gerente, o ano de 2014 foi voltado a
projetos de educação financeira. “Com
o tema educação financeira, realizamos cursos e palestras, para pessoas
de todas as idades”, ressalta.
Projetos
Progrid
Por meio do Programa de Integração
e Desenvolvimento de Cooperados e
Comunidade, as cooperativas do Sistema CECRED promovem a integração e o
desenvolvimento, instituindo as práticas
de educação, formação e informação.
São desenvolvidos palestras, cursos,
teatros, feiras e outros, voltados à educação cooperativista e financeira, à capacitação de empreendedores, à qualidade
de vida, ao desenvolvimento de competências, ao cooperativismo e à responsabilidade socioambiental. O programa
utiliza recursos do Fundo de Assistência
Técnica, Educacional e Social (FATES).
Cooperjovem
O Cooperjovem, idealizado pela
OCB, está implantado em seis escolas
e tem como objetivo disseminar a prática da pedagogia da cooperação nas
escolas públicas em que a Cooperativa
está inserida.
Cooperacriança
Idealizado pela Confebrás, o programa Cooperacriança visa proporcionar
um dia de lazer e cultura às crianças
carentes, em comemoração ao Dia da
Criança e Dia Internacional do Cooperativismo de Crédito. Em 2014, as cooperativas Viacredi, Viacredi Alto Vale,
Credifiesc, SCRcred, Credcrea, Crevisc
e Rodocrédito promoveram o evento,
alcançando mais de sete mil crianças.
Comitês Educativos
São órgãos consultivos da Cooperativa, compostos por três membros e organizados em cada posto de atendimento que visam ao desenvolvimento de
atividades educacionais, à ampliação da
participação dos cooperados nas atividades da Cooperativa e ao aprimoramento
do processo de comunicação entre a
Cooperativa e seus cooperados. Estão
implantados os Comitês Educativos nas
cooperativas Credifoz, Viacredi, SCRcred, Rodocrédito, Acredicoop e Viacredi
Alto Vale, envolvendo 252 membros.
Cooperjovem leva conhecimento pedagógico para as escolas onde há pontos de atendimento da cooperativa
Perfil
• Sistema CECRED: formado pela Central CECRED e 14 cooperativas de crédito.
• Atuação em 50 cidades de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
• 145 Postos de Atendimento.
• Mais de 400 mil cooperados.
• Quase 70 mil participações em 530 eventos em 2014.
• 2.064 eventos do PROGRID realizados, com 125.680 participações em
2014 (até outubro).
• Mais de R$ 3 bilhões em ativos.
• Mais de R$ 2 bilhões em empréstimos.
• Mais de R$ 2 bilhões em investimentos.
• R$ 88,6 milhões distribuídos aos cooperados como retorno das sobras de 2013.
Cooperativas do Sistema Cecred
Viacredi, Blumenau (SC); Acredicoop, Joinville (SC); Cecrisacred,
Criciúma(SC); Credifiesc, Florianópolis(SC); Credcrea, Florianópolis(SC);
Credelesc, Florianópolis(SC); Transpocred, Florianópolis(SC); Credifoz,
Itajaí(SC); Credicomin, Lages (SC); Crevisc, Guaramirim (SC); SCRcred, São
Bento do Sul(SC); Rodocrédito, Francisco Beltrão (SC); Viacredi Alto Vale,
Ibirama (SC); Transulcred, Bento Gonçalves (RS).
Características do Sistema
Desde a sua constituição, o Sistema CECRED possui características únicas,
produzindo resultados e conquistas que marcam sua trajetória, dentre elas:
-- Sistema cooperativo estruturado em apenas dois níveis (Singulares e Central), conferindo maior velocidade de decisão e menor custo;
-- Forte atuação na organização do quadro social por meio do Progrid (Programa
de Integração e Desenvolvimento de Cooperados e Comunidade), comitês educativos,
pré-assembleias e assembleias;
-- Sistema cooperativo puro, formado apenas por cooperativas;
-- Atuação exclusiva no crédito urbano;
-- Ampla rede de atendimento, com estrutura própria e por meio de parceiros;
-- Estrutura de decisão democrática – todas as Singulares têm direito a voto no Conselho de Administração da Central;
-- Governança cooperativa estruturada em práticas transparentes e padronizadas;
-- Primeiro sistema cooperativo com compensação própria, sem a constituição de um
banco, recebendo do Banco Central o número de instituição financeira 085.
Gestão Cooperativa Destaque dezembro de 2014
17
Responsabilidade Social
POR Marcos Acypreste FOTOS OCEMG
Sistema Ocemg
prioriza ações sociais
Presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato, durante abertura do Seminário Responsabilidade Social
O
cooperativismo brasileiro trabalha em prol do desenvolvimento
social e econômico. Pensando nisso,
o Sistema Ocemg (Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado
de Minas Gerais e o Serviço Nacional
de Aprendizagem do Cooperativismo
no Estado de Minas Gerais), atua em
benefício do crescimento do cooperativismo mineiro orientando as cooperativas na busca por uma gestão cada vez
mais eficiente e que impulsione o desenvolvimento do estado. Em 2014,
foram realizadas várias ações que priorizaram o atendimento à comunidade,
a troca de informações e a difusão do
conhecimento. “Nossa jornada é continuada e deve acontecer durante todo
o ano. Sentíamos que faltava algo para
que o cooperativismo fosse bem visto pelas pessoas e colaborasse para
o bem-estar da sociedade. Foi a partir
dessas premissas que desenvolvemos
os projetos”, afirma o presidente do
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Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato.
O Sistema Ocemg realizou a Corrida da Cooperação. O projeto tem o
intuito de promover um esporte que
visa a coletividade e a integração entre
seus participantes e, ao mesmo tempo, arrecadar alimentos não perecíveis
para doação. O evento foi realizado no
dia 20 de julho, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). O evento reuniu 4 mil atletas e arrecadou
cerca de oito toneladas de alimentos,
o que beneficiou treze instituições filantrópicas da cidade.
Segundo estudo feito pela empresa de marketing esportivo, a TBH, em
Na terceira edição da Corrida da Cooperação, o evento reuniu 4 mil esportistas
Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014
Jovens recebem instruções e conhecimento para ingressar no mercado de trabalho
apenas três anos de realização, a Corrida da Cooperação está entre as dez
principais competições da categoria no
estado. Nas duas primeiras edições, o
evento reuniu mais de sete mil atletas,
além de arrecadar mais de 13 toneladas de alimentos, beneficiando vinte e
cinco entidades da capital. “O evento
dá visibilidade ao Sistema e faz com
que a sociedade tome conhecimento
do trabalho que desenvolvemos. Ao
incentivar o esporte, a iniciativa promove, também, a prática do cooperativismo. Estamos muito satisfeitos com
o resultado”, afirma Scucato.
Outro ponto que o Sistema Ocemg prioriza é a educação. Em parceria com o Sescoop, desenvolve o
Programa Aprendiz Cooperativo. A
ação visa capacitar jovens para trabalhar nas cooperativas, em regime
especial, na condição de aprendizes.
Além do cumprimento das obrigações legais, o Sescoop Nacional e o
Sistema Ocemg praticam, com isso,
o 5° e o 7º princípios do Cooperativismo que preveem a promoção da
educação, formação e informação
nas cooperativas e o interesse pela
comunidade, respectivamente.
Ainda com foco na educação, é
realizado o Programa de Educação
Cooperativa, envolvendo escolas particulares e públicas - rurais e urbanas
- de todo o estado. Os números são
expressivos e reforçam a importância da iniciativa. Somente neste ano,
mais de cinco mil alunos participaram
do programa. Durante os meses de
agosto e setembro, mais de setenta
instituições de ensino, entre escolas
particulares, públicas - rurais e urbanas - e cooperativas de ensino, receberam a equipe da Gerência de Capacitação. A ideia é verificar se o projeto
está sendo desenvolvido de acordo
com as práticas pedagógicas de cada
local e despertar para a importância
da intercooperação, do trabalho em
equipe e da gestão integrada.
De Minas para o Brasil
Em 2009, o Sistema Ocemg criou
o programa Dia C - Dia de Cooperar
com o apoio e participação das cooperativas mineiras. O objetivo é promover e estimular a integração das
ações voluntárias num grande movimento de solidariedade cooperativista.
É um dia reservado para fazer o bem
ao próximo por meio de ações sociais
diversificadas e simultâneas em todo
o Estado. “A data foi escolhida para
demonstrar uma parcela das iniciativas
de mobilização social que o Sistema
vem desenvolvendo continuamente,
como um marco da identidade coo-
perativista e responsabilidade com o
entorno”, disse Scucato.
No grande dia, cooperados, colaboradores, familiares, parceiros, clientes
e fornecedores ajudam a transformar,
para melhor, a vida de muitas pessoas.
As próprias cooperativas definem as
ações que serão realizadas e mostram
o potencial cooperativo no âmbito da
Responsabilidade Social.
O que era uma ação promissora em Minas se tornou modelo para
todo o Brasil e agora é nacional. Em
2013, o Dia C foi realizado em sete
estados. Reuniu 248 cooperativas, de
201 municípios, contemplando cerca
de 44 mil voluntários e mais de 300
mil pessoas beneficiadas. Já neste ano,
a adesão foi muito maior com a participação de 25 estados e mais o Distrito
Federal, reunindo 858 cooperativas,
sendo 240 mineiras, de 216 municípios envolvidos, beneficiando mais de
700 mil pessoas.
Para finalizar os trabalhos de 2014,
debater novos métodos e meios de
como aplicar as atividades com responsabilidade socioambiental, analisar novas atuações na gestão para
alcançar os objetivos e homenagear as
ações desenvolvidas em 2014, o Sistema Ocemg realizou o VIII Seminário
de Responsabilidade Social das Cooperativas Mineiras. Durante o seminário, foi apresentado o fechamento das
atividades de voluntariado promovidas
pelas cooperativas do Estado, ações
para intensificar a geração de novas
iniciativas, além de palestras e exibição do vídeo que reuniu os dados e
resultados do programa.
Centenas de cooperativas participaram do Dia de Cooperar
Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014
19
Ações de sucesso do Dia C
Em 2014, cerca de 240 cooperativas mineiras participaram do Dia de Cooperar. Confira
algumas ações de sucesso:
A natureza agradece
A Cooperativa dos Produtores Rurais de Abaeté e Região e a Cooperativa de Crédito de Livre Admissão do Alto
e Médio São Francisco desenvolveram ações conjuntas
para o Dia de Cooperar. Os cuidados com a natureza fizeram parte da pauta de projetos. Para a preservação, várias
ações, promovidas pela Cooperabaeté e Sicoob São Francisco, trouxeram conscientização ambiental para Abaeté e
região, beneficiando, aproximadamente, 10 mil pessoas.
As iniciativas foram divididas em diversas frentes, com
direito a mutirão da limpeza e 16 toneladas de lixo retiradas das ruas. Escolas também receberam palestrantes
e 2,5 mil cartilhas educativas foram distribuídas. Houve,
ainda, a construção de “barraginhas” na região, um importante mecanismo de preservação do ambiente e represamento de água.
Dignidade para mulheres em situação de risco
A Cooperárvore inaugurou sua participação no Dia C
com uma tarefa nobre: ajudar moradoras de Betim em
situação de risco a se cuidarem e recuperarem a autoestima. A instituição escolhida para a tarefa foi a Associação Ação Social Ebenezer, que fica no bairro Jardim
Projeto busca recuperar autoestima das mulheres
Levando alegria aos mais velhos
Na visão do Sicoob Central Crediminas, o grupo da terceira idade demanda muito carinho e dedicação. Por isso,
pelo segundo ano consecutivo, a Central
dedicou seu projeto aos idosos. A instituição beneficiada em 2014 foi a Casa
do Ancião – Cidade Ozanam, que fica
no bairro Ipiranga, em Belo Horizonte, e
abriga oitenta e oito moradores.
Com o grande empenho da turma
de voluntários, foram arrecadadas
1700 fraldas geriátricas. A doação foi
entregue no Dia C, seis de setembro,
20
Cooperativa se preocupa com o meio ambiente e faz mutirão de limpeza
No Dia de Cooperar, foi realizada uma blitz educativa em
Abaeté, com a distribuição de duas mil lixeirinhas automotivas. As ações terminaram no sete de setembro, com um
desfile sobre o tema Responsabilidade Socioambiental. Cerca
de 100 voluntários trabalharam no projeto, que contou com
a parceria de Emater, Polícia Militar Ambiental e prefeituras.
Petrópolis e abriga mulheres com dependência química.
A cooperativa recolheu doações de produtos de higiene
e beleza com moradores e empresas da cidade. Sabonetes,
material para higiene bucal e pessoal, escovas de cabelo e hidratantes estavam entre os produtos arrecadados e
doados às treze beneficiadas por vinte e um voluntários
mobilizados pela ação. A entrega foi feita no Dia C, com um
delicioso café da manhã, oportunidade para confraternizar e
conhecer as histórias de vida dessas mulheres.
Vale ressaltar que a Associação, que sobrevive de doações, funciona na casa da Sra. Elza. Ela acolheu essas pessoas em seu lar, dando a elas uma nova oportunidade. A
história mostra que ajudar ao próximo vai muito além do
material. Compaixão, solidariedade e disponibilidade para o
outro não têm preço e estão dentro de cada um.
durante evento que contou com número musical e diversas brincadeiras.
Quem conduziu a festa foi o grupo
Força do Bem, parceiro do projeto.
Violeiros e um mágico ainda animaram os acamados.
A ação contou com trinta e quatro
voluntários no Dia C: dez colaboradores do Sicoob Central Crediminas, dois
de seus familiares e vinte e dois integrantes do grupo Força do Bem. Para
a arrecadação de fraldas, contribuíram,
ainda, cem colaboradores da Central e
vinte do Sicoob Minaseg.
Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014
Grupo faz idosos voltarem a ser criança
Uma ação para toda a cidade
A comunidade da cidade de Cláudio provou, no Dia C, que
a união faz mesmo a força. Mais de 90 parceiros, da iniciativa
pública e privada, se uniram ao Sicoob Copermec para proporcionar qualidade de vida e bem-estar à população.
O projeto Oficina Solidária existe desde 2009 e este
ano contou com a ajuda de 135 voluntários. A estimativa é
que cerca de 6500 pessoas tenham comparecido à Praça
dos Ex-Combatentes para participar da confraternização e
usufruir de uma série de benefícios.
A população pôde contar com serviços como aferição de
pressão arterial e emissão de Carteira de Identidade, CPF e
certidões de nascimento e casamento. Na Tenda do Meio
Ambiente, foram distribuídas 1200 mudas de plantas nativas
da região, de espécies como ipê, palmeira, amora, pitanga e
jacarandá. No Salão Escola, os participantes ganharam corte
de cabelo, escova e depilação de sobrancelha. Na Tenda do
Hemominas, setenta e cinco pessoas doaram sangue, retribuindo o gesto de amor para ajudar outras pessoas.
Mais saúde para a população
O Dia de Cooperar em Paraopeba foi grandioso. Sicoob
Crediparaopeba, Coapa e Coopardosia lideraram um batalhão de cinco mil voluntários para arrecadarem fundos e
reabrir a Unidade de Pronto Atendimento Médico do município, que estava fechada há dois anos.
Posto de saúde é reaberto durante ação do Dia de Cooperar
Comunidade conta com serviços oferecidos no Dia C
Uma campanha de arrecadação de alimentos também
fez parte da iniciativa, sendo arrecadados 1500 kg de mantimentos, distribuídos entre instituições sociais da cidade.
Para animar o evento, diversas apresentações culturais,
entre elas da Apae, de escolas municipais de Cláudio e do
Grupo Renascer - Maior Idade. A festa ainda contou com
pintura facial, cabine fotográfica, cama elástica, balão, pula-pula e tobogã. Pipoca, algodão-doce, suco e picolé garantiram a energia para participar de tantas atividades!
Para atingir o objetivo, uma série de eventos foram realizados no período de 5 a 7 de setembro. No dia cinco, pedágios nos semáforos da cidade convidaram o público para
a festa beneficente. No sábado, um show com a dupla Armando Lopes e Henrique animou a comunidade. O domingo começou com missa sertaneja, seguida de cavalgada,
almoço, bingo e leilão. Além dos colaboradores, associados
e seus familiares e a comunidade, em geral, atenderam ao
apelo solidário e aderiram à causa.
A iniciativa conseguiu levantar R$ 59.113,90 para a causa, que contou com o trabalho de trezentos voluntários diretos. A população de Paraopeba, aproximadamente, 22,5 mil
pessoas, será beneficiada após a reabertura da UPA.
Reforma da Alegria
Força de vontade, garra e muita disposição. O Hospital
São Vicente de Paula, na cidade de Conselheiro Lafaiete, referência no atendimento pediátrico na região, em funcionamento desde 1967, sempre deparou com inúmeras dificuldades para se manter e não fechar as portas. Devido a grande
demanda da população, houve a expansão de atendimentos
e a instituição sempre contou com a ajuda de voluntários.
A Unimed Conselheiro Lafaiete e o Posto de Atendimento do Sicoob Credicom, por meio do Projeto “Revitalizando Sonhos”, vem trabalhando para reestruturar a ala
infantil do hospital. Para isso, as cooperativas prepararam
um Dia C todo voltado para essa iniciativa. Cerca de 250
voluntários participaram da 1ª Gincana Cultural da Melhor
Idade, formada pela ala de idosos da instituição, que promoveu, entre outras atividades, a venda de uma rifa com
seis mil bilhetes distribuídos entre os colaboradores. Os
prêmios foram variados: um micro-ondas, um celular e três
aparelhos micro-system.
Cooperativa recupera ala infantil do hospital
A ação, que beneficiou trinta crianças, possibilitou a
troca de piso e colchões, pintura de berços e paredes,
remanejamento e nova disposição das alas, além da construção do posto de enfermagem dentro da pediatria, nova
iluminação, reforma de banheiros, entre outros, tudo para
dar mais conforto às crianças. Segundo os organizadores,
o sucesso da ação pode transformar o projeto em um programa, mas mesmo que isso não aconteça, o importante
foi o expressivo número de colaboradores cadastrados
como voluntários no hospital.
Gestão Cooperativa Responsabilidade Social outubro e novembro de 2014
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Especial
POR PATRÍCIA TÁVORA FOTOS LYDIA COSTA, patrícia távora
Florianópolis sedia Fórum
sobre Inclusão Financeira
Luiz Edson Feltrim, diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Bacen, destacou a realização do Fórum em Florianópolis
O
VI Fórum sobre Inclusão Financeira do Banco Central do Brasil
aconteceu no mês de novembro, em
Florianópolis (SC), e reuniu cerca de
1000 participantes. O evento debateu
os avanços e os desafios na promoção da inclusão financeira no Brasil e
no mundo, com destaque para as inovações em relação a instrumentos de
poupança e ao provimento de crédito
para os micro e pequenos empresários. Estiveram presentes representantes de instituições financeiras, cooperativas de crédito, operadores de
microfinanças, potenciais investidores,
representantes do setor educacional,
de organismos governamentais e multilaterais e do terceiro setor, além de
estudiosos e fomentadores.
Na abertura, o diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco Central do Brasil, Luiz Edson Feltrim,
destacou o desafio de realizar o Fórum
em uma localidade onde não há presença do Banco Central. “O que nos motivou
22
Gestão Cooperativa Especial dezembro de 2014
a aceitar esse desafio foi a convicção de
que Santa Catarina representa um verdadeiro caso de sucesso em termos de
inclusão financeira no Brasil. Santa Catarina é um polo do microcrédito produtivo no país. Assim, com tudo isso, aliado
ao convite do Governo e à atuação do
Sebrae, tanto nacional e particularmente
local, esse Fórum se torna uma realidade
em Santa Catarina”.
Além disso, Feltrim também chamou
a atenção para outra marca de sucesso
em Santa Catarina: o cooperativismo de
crédito. São quase 2 milhões de associados ao sistema cooperativista, o Estado com maior densidade associativa do
país. “Segundo dados da Organização
das Cooperativas do Estado de Santa Catarina, o setor cooperativista gera
quase 50 mil empregos diretos e possui faturamento anual correspondente a
11% do PIB do Estado”, informou.
Já Carlos Alberto dos Santos, diretor
técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebrae
Nacional), tratou, em seu discurso, da
importância de se discutir a inclusão financeira dentro do processo de inclusão
social vivido atualmente. “Nós temos um
enorme desafio que é o da inclusão financeira, que passa por modificação da
oferta de produtos financeiros e também por modificações e melhorias na
demanda, que tem a ver com educação
financeira, com gestão financeira, conhecimento, capacitação e informação”.
Para o ministro-chefe da Secretaria
da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República (SMPE), Guilherme Afif Domingos, o grande desafio
no Brasil é o crédito. “O momento é
o do crédito do investimento, do crescimento distribuído e não concentrado
em mãos de meia dúzia. Eu acho que
assim vamos construir uma filosofia
de um verdadeiro crescimento para
todos. E não é só pregar crescimento econômico, nós temos que ter desenvolvimento econômico que é uma
visão muito mais completa, porque o
Fórum reservou espaço para comercialização de produtos artesanais
principal objetivo é desenvolver e melhorar as pessoas, o maior patrimônio
do país”, argumentou.
O subsecretário de Ações Estratégicas da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
(SAE), Ricardo Paes de Barros, defendeu a inclusão financeira como uma
questão fundamentalmente estratégica.
“A inclusão financeira para todos é condição indispensável para a erradicação
estrutural da pobreza, e para o desenvolvimento com redução na desigualdade e acesso à economia formal”. Barros
ainda citou quatro desafios para serem
tratados na agenda voltada à inclusão
financeira e à promoção da cidadania
financeira como o desenho de novos
instrumentos de regulamentações que
fomentem a poupança popular, aprimorando a adequação da oferta de
serviços financeiros às necessidades
da população, reduzindo seus custos e
ampliando a capilaridade da oferta de
serviços, a promoção da educação financeira e o aumento da transparência,
aumentando a segurança em relação à
utilização de serviços financeiros, e a
ampliação e desenvolvimento de parcerias nacionais e internacionais entre
agentes públicos e privados.
O presidente substituto do Banco
Central do Brasil, Anthero de Moraes
Meirelles, falou dos esforços que o
Banco Central vem realizando, ao
longo da última década, para o aprimoramento do processo de inclusão
financeira no Brasil. Entre os importantes progressos obtidos, Meirelles
destacou o fortalecimento do segmento do cooperativismo de crédito,
e os avanços normativos voltados à
promoção da qualidade e adequação
dos serviços financeiros e da transparência e concorrência no Sistema
Financeiro Nacional.
Neste ano, o Fórum de Inclusão Financeira do Banco Central trouxe como
tema ‘Pense globalmente, atue localmente’, e contou com plenárias, mesas
temáticas, talk shows e oficinas temáticas sobre inclusão financeira. O evento
foi uma realização do Sebrae, do Banco
Central do Brasil e do Governo Federal, e contou com patrocínio do Sistema
OCB, Febraban, Associação Brasileira
de Bancos, e do Banco de Desenvolvimento da América Latina.
Banco Central anuncia medidas
para as cooperativas de crédito
Durante o VI Fórum de Inclusão
Financeira, o presidente substituto do
Banco Central do Brasil, Anthero de
Moraes Meirelles, anunciou algumas
medidas para o cooperativismo de
crédito. As medidas tratam da emissão de letras financeiras, dos requerimentos mínimos de capital, do aprimoramento no modelo de auditoria
cooperativa, da nova segmentação
de cooperativas de crédito e da cooperativa como sociedade garantidora
de crédito. “Todas essas inovações e
avanços foram feitos paulatinamente,
à medida que o próprio segmento
evoluía em sua capacidade operacio-
nal e de controle, atendendo também
à preocupação central e institucional
do Banco Central com a estabilidade
financeira. Entendemos, nesta altura,
que o sistema está suficientemente
maduro para dar outros importantes
passos regulamentares rumo à sua
consolidação”, disse Meirelles.
Nas novas resoluções que já estão
em vigor, entra a autorização para as
cooperativas de crédito emitirem Letras
Financeiras e, dessa forma, ter acesso
a um “funding” mais estável para o financiamento das operações de crédito de médio e longo prazo, e garantir
fonte adequada para a composição do
capital regulamentar. “O que estamos
fazendo é incluindo a cooperativa de
crédito como uma das instituições que
podem emitir letras financeiras com o
objetivo de compor capital, só que, no
caso das cooperativas, apenas com
cláusula de subordinação”, informou o
chefe do Departamento de Regulação
do Sistema Financeiro do Banco Central, Júlio Carneiro.
A outra resolução anunciada trata
do aprimoramento dos requerimentos
mínimos de capital, de forma a reduzir
os custos operacionais e dotar melhores condições para o crescimento
das cooperativas. O chefe de gabinete
da diretoria de regulação do Sistema
Financeiro do Banco Central, Aloísio
Tupinambá, informou que o Banco
Central reduziu o Fator de Ponderação
de Risco (FPR) de 50% para 20%
nas operações feitas entre instituições
de um mesmo sistema cooperativo. E
reduziu, também, de 85% para 75%,
no caso das operações de crédito das
cooperativas para seus associados, o
chamado Regime Prudencial Simplificado (RPS). “São operações de menor
risco e, por isso mesmo, estamos fazendo esse ajuste”, disse Tupinambá.
As outras três propostas anunciadas pelo Banco Central foram colocadas em consulta pública aberta para
discussão até o dia 16 de fevereiro
de 2015. A primeira minuta de resolução aborda o novo modelo de Auditoria Cooperativa nas cooperativas de
crédito. Esse novo modelo prevê que
o serviço será realizado pela chamaGestão Cooperativa Especial dezembro de 2014
23
da Entidade de Auditoria Cooperativa
(EAC), e que, entre suas atividades,
estarão a supervisão auxiliar, a verificação das informações contábeis e financeiras, o cumprimento dos dispositivos
legais e regulamentares e a qualidade
na gestão das cooperativas centrais de
crédito. “Uma medida simples de fortalecimento do setor”, disse o chefe de
Gabinete do Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania do Banco
Central, Fábio Coelho.
A segunda minuta de resolução
traz a nova segmentação das cooperativas de crédito. A proposta é que
seja criado um modelo em que classificaria as cooperativas em três tipos, de
acordo com as operações realizadas:
as Plenas, que fazem qualquer tipo de
operação para a qual a cooperativa é
autorizada; as Clássicas, aquelas que
fazem todas as operações com exceção às de maiores riscos; ou as de Capital e Empréstimo, aquelas que não
captam depósitos à vista dos seus associados. As condições de associação
às cooperativas de crédito passam ser
livres, definidas apenas pela assembleia geral e formalizadas no estatuto
social da cooperativa. “O que o Banco
Central vai fazer, e aí entram os três
segmentos, é que, dada a decisão da
assembleia, resulta a cooperativa com
determinadas características. Cooperativas mais complexas, maiores riscos;
cooperativas menos complexas, menores riscos. Então, dar-se-á o tratamento prudencial que seja adequado
ao grau de risco da cooperativa”, informou o consultor do Departamento de
Cerca de mil pessoas participaram do evento
Regulação do Sistema Financeiro do
Banco Central, Cleofas Júnior.
Por último, a minuta que trata a
possibilidade de constituição das cooperativas de crédito que tenham como
objeto social principal a prestação de
garantias em operações de crédito
realizadas com micro e pequenas empresas (MPE). “O Banco Central tem
conforto para lidar com a figura das
cooperativas de crédito. O que nós
fizemos foi adaptar as regulamentações para as cooperativas de crédito,
que são muito mais simples. Ela tem,
do lado do passivo, apenas capital;
do ativo, as aplicações do capital e de
outro, recursos recebidos de apoiadores. É com base nesse lastro que ela
concede garantias”, explicou Cleofas.
Na avaliação do presidente da
OCB/Sescoop-RJ, Marcos Dias, o Fórum deu ao segmento cooperativista avanços importantes. “Esse é um
marco importante na história do cooperativismo. Eu acho que, de agora
em diante, teremos os caminhos conquistados e o Banco Central reconhece isso”, disse. Já para o gestor dos
Projetos de Inclusão Financeira do
Sebrae Santa Catarina, Carlos Carreirão, o atendimento da micro e pequena empresa ganhou com a abertura
da livre admissão para as cooperativas de crédito. “Isso vai ajudar muito as cooperativas a avançarem no
atendimento aos pequenos negócios.
Fará toda diferença, daqui pra frente,
o trabalho com as pequenas empresas no acesso a serviços financeiros”.
Para Edson Feltrim, a nova regulamentação para o setor cooperativista de crédito reflete de forma mais
adequada o perfil atual do segmento.
“A maior parte das propostas são, de
fato, demandas trazidas pelo próprio
cooperativismo”, conclui.
“O segmento cooperativista de crédito reveste-se de importância especialmente para o fortalecimento de localidades menos assistidas
pelo sistema bancário tradicional. A missão do Banco Central de garantir um sistema financeiro sólido e eficiente está alinhada com o
desenvolvimento sustentável do segmento cooperativista. É, nesse sentido, prioridade em nossa Instituição”.
Alexandre Tombini, presidente do Banco Central do Brasil
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Gestão Cooperativa Especial dezembro de 2014
Educação Financeira
POR Álvaro Modernell
O que funciona e o que não funciona
nas finanças pessoais
V
iradas de anos são épocas em que
são publicados artigos, matérias, dicas e toda sorte de textos sobre finanças
pessoais. Há abordagens e receitas para
todos os gostos e bolsos.
Com tantas alternativas, porque há
tanta gente com problemas nas finanças?
Primeiramente, temos que aceitar
que manter as finanças em ordem não é
prioridade de todos. Já de saída, fica fácil
explicar o porquê de alguns índices alarmantes, como o alto endividamento familiar: 52%, segundo o Bacen; o baixo nível
de poupança: 14% segundo a Agência
de Notícias, sendo 7,6% das famílias,
segundo o Banco Central; a irrisória parcela da população com previdência complementar: pouco mais de 3%, segundo
a SUSEP; ou o irracional uso do crédito
rotativo do cartão de crédito, com taxas
que superam 14% ao mês, enquanto a
taxa básica anual de juros está por volta
de 11% a.a. Mas não são apenas números que explicam.
Mas não são apenas números que
explicam. Para funcionar, o básico tem
que existir: vontade, motivação, persistência. Algumas pessoas trazem isso do berço. Algumas despertam cedo, outras mais
tarde. Algumas nunca. Somos diferentes.
Temos que aceitar e conviver com isso.
Nem todos têm interesse por finanças. Alguns nem mesmo pelas suas, ainda que
isso lhes traga prejuízos à sua qualidade
de vida, presente ou futura.
Em segundo lugar, precisamos entender o princípio da negação, no qual
pessoas que estão enroladas com suas
finanças pessoais evitam ou se negam
a encarar a situação de frente e continuam agindo como se estivessem com a
situação financeira tranquila, como se o
cheque especial fosse extensão da renda e como se o uso recorrente de crédito
fosse natural. Esse grupo é o que mais
se enrola. Demora a perceber e a aceitar
que existe descontrole e descompasso financeiro e apenas quando a situação fica
crítica e as alternativas escassas, se deparam com uma realidade de difícil solução.
Há, ainda, um grupo que busca alternativas, mas se depara com metodologias
muito restritivas, com indicações de controles chatos, como ter que anotar até o
cafezinho e as gorjetas, fórmulas complexas, utopias financeiras e orientações distantes das suas realidades e problemas.
Às vezes, ao terminar de ler um artigo ou
livro sobre finanças pessoais parece que
leram um romance ou um conto. Algo interessante, mas que não se encaixa no
cotidiano do leitor, que não o ajuda ou
motiva a buscar melhores caminhos.
Por sorte, há uma parcela crescente da população que vem percebendo
que o valor do dinheiro não está naquilo que ele compra. Está no que ele
pode proporcionar, principalmente em
termos de tranquilidade e de qualidade de vida. Na hierarquia de valores,
o homem precisa atender às suas necessidades de segurança, conforto e
prazer, nessa ordem. Quando otimiza
e mantém as primeiras sob controle,
sobra mais para as demais. Assim, os
itens de conforto acabam por ser os
mais relevantes, pois ora estão mais
próximos da segurança, ora do prazer.
O conforto de um bom plano de
saúde, por exemplo, até certo ponto dá
mais segurança para enfrentar situações
adversas. Garantir mais coberturas aproxima-se mais da segurança, mas garantir
apartamentos no hospital com tv a cabo,
frigobar, aposentos para acompanhantes
e sala de visitas está mais para o prazer
do que para a necessidade.
Na busca por caminhos, meios ou
instrumentos para otimizar as finanças
pessoais, algumas coisas são fundamentais e farão muita diferença:
Saber o que se quer e o que
é mais relevante: sair todo final de
semana, ou fazer uma boa viagem nas
férias? Morar numa casa grande, ainda que distante, ou num apartamento
bem localizado? Melhor um carro do
ano financiado ou um seminovo quitado? Bons restaurantes uma ou duas
vezes por mês, ou pizzaria toda semana? Controlar as contas ou bancar os
juros do cheque especial? Ter paciência para pesquisar e pagar menos, ou
atender a impulsos de consumo ao
custo que for?
Buscar simplicidade: quanto mais
complexos os controles, as planilhas,
mais próximas da teoria e mais distante
da realidade elas ficarão. Evite detalhar
muito os registros. Lembre-se de que
os gastos com os controles, inclusive de
energia e tempo, não devem ser maiores
do que os benefícios esperados.
Fazer adaptações é melhor do
que fazer mudanças radicais: quando deparar-se com dicas ou metodologias interessantes, aproveite a essência,
adapte-as à sua realidade. Evite mudanças radicais que provoquem desconforto
e tendem a ser abandonadas rapidamente. Prefira ajustes que possam ser incorporados à rotina. Mais importante do que
a velocidade é a direção e a constância.
Faça aquilo que você sabe que já
deveria estar fazendo e ainda não faz.
Coloque em prática o básico, o simples, aquilo em que você acredita. Aos
poucos, incremente, melhore, busque
otimizar suas finanças para conquistar melhor qualidade de vida. Que tal
resgatar os planos da virada do ano
passado que você deixou de lado?
Só não deixe para fazer isso na
próxima virada de ano... a demora
pode custar caro!
*Álvaro Modernell é mestre em finanças,
especialista em metodologia da educação e
em educação financeira, palestrante, consultor,
autor de vários livros, projetos, cartilhas e
artigos sobre educação financeira, além de
sócio fundador da Mais Ativos Educação
Financeira, referência nacional na área.
Contatos: [email protected]
(61) 8161-0000 www.maisativos.com.br
Gestão Cooperativa Inclusão Financeira outubro e novembro de 2014
25
POR Marcos Acypreste FOTOS PATRÍCIA TÁVORA
Sicoob Credisulca estimula a educação financeira
D
e olho no futuro do Brasil, o Sicoob Credisulca desenvolveu um projeto para levar a educação financeira às
escolas para municípios de Santa Catariana que possuem
pontos de atendimentos e paraauxiliar a formação das
crianças no que diz respeito à administração consciente de
finanças, estimulando o hábito de poupar, investir, analisar, comparar e evitar a realização de maus negócios. “Nós
queríamos criar uma sementinha no coração das crianças
porque o nosso futuro está nas mãos dessa geração e estamos conseguindo atingir esse público com o nosso projeto”, explica a consultora de desenvolvimento organizacional
da cooperativa, Eveline Marcon Francisco Dagostin.
O programa “A Turminha do Sulca” surgiu em 2010. A
cooperativa atendia, principalmente adultos, mas os idealizadores queriam atingir também adolescentes e crianças.
Para isso, foi criada a revistinha Turminha do Sulca em que
é contada a história do cooperativismo, abordando um pouco de sustentabilidade, meio ambiente, como poupar e dar
valor ao orçamento familiar. “Nunca tivemos, no currículo
escolar, uma forma com que as crianças aprendessem o
que é a poupança, educação financeira, cooperativismo de
crédito, a importância da cooperativa de crédito para toda a
família. Então, esse projeto carrega essa essência”, afirma o
presidente, Romanim Dagostin.
Além da revista, o projeto leva, também, às escolas, uma
apresentação de teatro. No segundo semestre deste ano, a
Credisulca, em parceria com o Teatro Biriba, desenvolveu o
espetáculo “A Turminha do Sulca” em instituições de ensino
nos municípios em que há pontos de atendimento da cooperativa. O projeto começou em Turvo, onde foram feitas
apresentações em todas as escolas municipais, estaduais
e particulares. “Lá, eles conhecem muito o Sulca, que é o
mascote da cooperativa. Quando eles vêem, já perguntam
Biriba e sua turma ensina a garotada a importância de se ter
o controle financeiro
26
Gestão Cooperativa Inclusão Financeira outubro e novembro de 2014
Mascote da Credisulca é um símbolo do projeto social
cadê a menina da revista porque já sabem que vem uma
revistinha nova”, ressalta Eveline. Ainda de acordo com a
consultora, eles participam de toda edição escrevendo as
histórias e desenhos relacionados ao cooperativismo que
são publicadas.
Esta é a quarta edição do projeto em 2014. O espetáculo também aborda os temas da revistinha. Cerca de
12 mil crianças, do 1º ao 6º ano, com idades entre seis e
doze anos, das cidades de Turvo, São João do Sul, Timbé
do Sul, Meleiro, Morro Grande, Nova Veneza, Arroio do
Silva, Passo de Torres, Araranguá, Urussanga, Santa Luzia
e Cocal do Sul, assistiram à peça. “O mais importante é
ver a felicidade no rosto desses pequenos. A gente nota
que falar sobre educação financeira para crianças não é
uma tarefa fácil, mas a nossa energia sai quando percebemos que elas prestam a atenção querendo brincar e
aprender”, explica o palhaço Biriba.
Também faz parte do projeto palestras para adolescentes. Para isso, foi desenvolvido um guia financeiro para explicar como poupar água, falando também de previdência
e de como se planejar para o futuro. Por ser um programa
voltado a crianças e adolescentes, os idealizadores projetam resultados ao longo prazo
tendo em vista a aplicação desses ensinamentos no futuro. “A
gente não pode esperar resultados em curto prazo com esse
projeto. O planejamento do Sicoob Credisulca é voltado para
resultados daqui a 20, 30 anos,
quando essas crianças estiverem adultas”, afirma Eveline.
Eveline Dagostin, idealizadora do projeto
Cooperativismo
POR redação FOTO OCB/MS
Mato Grosso do Sul: cooperativismo
forte e organizado
Estado reuni 110 cooperativas e possui cerca de 135 mil cooperados
O
cooperativismo possui uma longa
história em Mato Grosso do Sul,
desde 1935, com a primeira cooperativa do estado que existe até hoje,
a Coop-Grande, sediada na Capital do
ramo Agropecuário, que envolve produtores do setor hortifrutigranjeiro. O cooperativismo movimenta, aproximadamente,
9% do PIB estadual e possui 110 cooperativas registradas, que reúnem mais de
135 mil cooperados, o que gera, aproximadamente, 5 mil empregos diretos.
Em 35 anos, muita coisa foi realizada e o cooperativismo se tornou um
pilar importante da economia estadual.
O crescimento é gradativo e sustentável – em 1984, eram pouco mais de
20 mil cooperados.
“Outro aspecto a ser considerado é
que a quantidade de cooperativas não
cresce no mesmo ritmo do número de
associados e funcionários, mas mostra
que cada empreendimento cooperativo
vem se fortalecendo e obtendo extraordinário crescimento em faturamento,
participação no mercado, enfim, um
número cada vez maior de pessoas e
comunidades usufruem dos produtos e
dos serviços ofertados pelas cooperativas sul mato-grossenses, promovendo,
de forma extraordinária, o desenvolvimento local”, afirma Celso Régis, presidente do Sistema OCB/MS.
Um dos ramos de destaque é o
Agropecuário, que representa 50% das
cooperativas. Com forte produção de
soja, sem contar a industrialização de
algodão, ovos, suínos e milho. As cooperativas de MS têm grande importância na produção estadual; 80% do algodão produzido no estado provêm de
empreendimentos cooperativos, como
também 50% do milho e da soja.
O estado também teve um crescimento em relação à capacidade de
armazenagem de grãos. A área de
estocagem de grãos das cooperativas
de Mato Grosso do Sul engloba 27
municípios, com 70 unidades armazenadoras. As cooperativas sul mato-grossenses possuem uma estrutura
de armazenagem estática de aproximadamente 2 milhões de toneladas.
Outro ramo de destaque é o Crédito
e, em suas principais operações no MS,
houve incremento de 51% nos recursos
próprios, com alta de 63% em depósitos
à vista, 73% em depósitos a prazo e 73%
na captação de recursos para repasses.
Mato Grosso do Sul conta com
cooperativas dos sistemas Sicredi, Sicoob e Uniprime e unidades não filiadas a centrais. O Crédito já é o ramo
com o maior número de associados,
chegando a 100 mil pessoas.
O ramo Saúde no estado está
distribuído em 14 cooperativas, sendo seis Unimeds, duas Uniodontos e
seis cooperativas de especialidades da
área de saúde, tais como psicologia,
angiologia, urologia, otorrinolaringologia, oftalmologia e endoscopia.
O ramo Saúde investe muito na
capacitação de seus colaboradores
e cooperados, além de infraestrutura
para atender a seus usuários, como
novos hospitais, laboratórios e equipamentos de última geração.
Temos outros ramos de destaque
como o de Transporte com sete unidades, sendo uma de táxi, duas de cargas,
uma de passageiros e três de transporte
de cargas e passageiros, além do ramo
Infraestrutura com cinco cooperativas,
que contribuem de forma elevada para o
desenvolvimento do estado.
Dessa forma, o cooperativismo de
MS vem, a cada dia, se estruturando de
forma sustentada e profissional, cumprindo o seu papel de indutor do progresso
econômico e do desenvolvimento das
pessoas. Conta com o apoio do Sescoop/MS-Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperatismo do MS, que tem
o objetivo de promover a capacitação, o
treinamento e a formação de dirigentes,
cooperados e trabalhadores do cooperativismo sul mato-grossense.
Gestão Cooperativa Cooperativismo dezembro de 2014
27
POR Marcos Acypreste FOTO OCB
OCB divulga vencedores
do 9º Prêmio Cooperativa do Ano
Vinte e um projetos, dos 273 inscritos, receberam o prêmio cooperativa do ano
A
Organização das Cooperativas
Brasileiras promoveu o 9º Prêmio Cooperativa do Ano. O intuito é
reconhecer e premiar os projetos das
cooperativas brasileiras que priorizam
o desenvolvimento econômico e social. “A ideia fundamental é perfilar o
trabalho que as cooperativas fazem
em qualquer atividade econômica, em
qualquer lugar desse país, não importando o tamanho da cooperativa e, sim,
o trabalho desenvolvido e o reflexo do
trabalho junto à comunidade”, afirmou
o presidente da OCB, Márcio Lopes.
Na última edição, realizada em
2012, 138 cooperativas, representando 20 unidades da Federação, inscreveram 212 projetos. Neste ano, 185
cooperativas, representando 21 estados e 10 ramos do cooperativismo,
inscreveram 273 projetos nas sete
categorias da disputa: atendimento,
benefício, comunicação e difusão do
cooperativismo, cooperativa cidadã, desenvolvimento sustentável, fidelização e
inovação e tecnologia. “Ao promover o
prêmio, ao reconhecer as cooperativas,
notamos que o evento está se tornando
bastante desejado. Então, elas vibram e
28
Gestão Cooperativa Cooperativismo dezembro de 2014
disputam esse espaço do prêmio para
serem reconhecidas e poderem se tornar referências”, explica Márcio Lopes.
A solenidade de entrega do 9º Prêmio reuniu cerca de 300 pessoas, entre
presidentes e superintendentes de unidades estaduais, cooperativas premiadas e parlamentares. A realização do
Prêmio tem apoio do Banco do Brasil,
Bancoob, Bansicredi e Seguros Unimed.
“O BB é uma instituição que desenvolve
ações em prol do cooperativismo brasileiro. O Prêmio é uma oportunidade
de reconhecer, em diversas categorias,
cooperativas e oferecer oportunidade
de mostrar um pouco do trabalho. Muitas vezes, esses programas acontecem
em comunidades no interior do país e
não são divulgados. As pessoas precisam saber o que está acontecendo e
disseminar melhores práticas”, explica
o gerente executivo da Gerência de Negócios com Cooperativas do Banco do
Brasil, Álvaro Tosetto.
Para as cooperativas vencedoras, o
evento é uma oportunidade de mostrar
as ações de sucesso e fazer com que as
pessoas vejam o que é possível desenvolver com responsabilidade. “É muito
importante ganhar esse prêmio, principalmente pela categoria em que fomos
vencedores. Hoje, a sustentabilidade
tem sido muito discutida e o prêmio para
uma cooperativa que consegue associar
a produção de alimentos à preservação
do ambiente é um indicativo de que estamos no caminho certo. Isso é importante
porque mostra que é possível produzir e
preservar”, afirma o gerente da Divisão
Cerrado da Cocari, Ronaldo Lopes.
Para a presidente da Querubim
Saúde, o prêmio é uma forma de
combustível para a atividade da cooperativa. “Nós estamos trabalhando
há cerca de 3 anos para realizarmos
um trabalho diferenciado. Valorizamos
muito a comunicação entre os cooperados e nossos colaboradores. Somos
jovens e ganhar um prêmio desse nos
mostra que estamos no caminho certo”, explica Shirley Rodrigues.
Cooperativas campeãs
Categoria Atendimento
Querubim Saúde / Trabalho
A Cooperativa de Trabalho e Ensino Querubim Saúde funciona em Sa-
mambaia, cidade do Distrito Federal. O
aumento rápido do quadro de cooperados motivou a instituição a planejar
uma reforma de otimizar o trabalho.
A planilha de Excel, por exemplo, já
não era mais suficiente para o departamento financeiro. Foram essas
dificuldades que motivaram a equipe
da cooperativa a elaborar o projeto
Sysccoperando Querubim, ferramenta
que garantiu ao quadro social a possibilidade de consultar informações
importantes pela internet, o que reformulou o atendimento. Ao todo, foram
beneficiados 963 cooperados.
Categoria Benefício
Coopertransc / Transporte
Em novembro de 2013, a Cooperativa de Transportadores Autônomos
de Cargas de São Carlos inaugurou
uma nova sede. Foram quase três
anos, desde a identificação da necessidade de mudança até a efetiva implementação. A antiga sede apresentava
problemas, como falta de estacionamento e de espaço para a realização
de reuniões e assembleias. A área
administrativa também precisava abrigar os funcionários com mais conforto. Com 20 mil metros quadrados, o
terreno para a nova sede foi adquirido
em maio de 2011. A empreitada teve
valor total aproximado de 3,5 milhões
de reais e contou apenas com recursos próprios, tendo sido a compra feita mediante o financiamento bancário.
Esse foi o primeiro desafio vencido. O
segundo foi dar o conforto oferecendo
auditório para a realização de cursos,
assembleias e reuniões, e melhorando
a estrutura física para melhor se adequar aos departamentos administrativos, possibilitando aos colaboradores
maior mobilidade. Ao todo, foram beneficiados cerca de oitenta mil habitantes da comunidade.
Categoria Comunicação e
Difusão do Cooperativismo
Sicredi Vale do Piquiri ABCD/
Crédito
O uso da tecnologia e de uma linguagem visual convidativa aos jovens
é a principal atração para os associa-
dos entre 16 e 25 anos para a conta
Touch. As lideranças perceberam que
o caminho para a perenidade do negócio seria conquistar esse público, que
não fazia parte de uma instituição financeira, mostrando a filosofia de cooperativismo e os atrativos do ramo crédito. Antes do projeto, cerca de 10%
da população de 61,5 mil jovens dessa faixa etária na área de abrangência do Sicredi Vale do Piquiri tinham
ligação com a cooperativa. Lançada
em janeiro de 2014, com cinco meses
de atuação, esse percentual chegou a
13%, um ponto acima da meta estabelecida para todo o ano. O trabalho
de divulgação com van temática adesivada, divulgação de vídeos, entre outros, ajudaram no sucesso do projeto.
Ao todo, foram beneficiados cerca de
2 milhões de cidadãos.
Categoria Cidadã
Coopercarga / Transporte
A Coopecarga detectou os aspectos sociais e ambientes de comunidade em que se insere e percebeu a
falta de programas focados na qualidade de vida, especialmente com relação a jovens e crianças. Em 2005,
a cooperativa desenvolveu ações para
ajudar a comunidade a se organizar.
Primeiramente, a cooperativa fortaleceu uma política interna. Para isso, foi
criado o Comitê de Sustentabilidade
para coordenar o processo por meio
de relatório, projetos e ações. A cooperativa assumiu, então, a captação de
recursos, além de auxiliar os colaboradores na administração do tempo para
o acompanhamento dos projetos patrocinados e das ações de voluntariado
fortalecendo as contribuições sociais.
Ao todo, foram beneficiados cerca de
30 mil cidadãos.
Categoria Desenvolvimento
Sustentável
Cocari / Agropecuário
Grande parte da água consumida
pelos produtores rurais da área de
abrangência da Corari era originária
das minas, que, normalmente abertas,
estavam constantemente expostas à
contaminação. A preocupação com a
qualidade da água mobilizou a cooperativa a desenvolver um projeto para a
recuperação das nascentes, já que, em
virtude dos fatores de contaminação,
muitas minas passaram a ter o uso limitado ou ficaram inativas. Em 2009,
por meio da parceira com a Nortox,
uma empresa paranaense consolidada
no ramo de desenvolvimento de soluções voltadas ao agronegócio, o projeto Olho d’Água foi lançado. A transformação positiva veio rápido com o
aumento da vazão de água, a melhora
na qualidade e a conscientização do
uso. Ao todo, foram beneficiadas cerca
de 790 mil pessoas.
Categoria Fidelização
Coopatos / Agropecuário
O projeto da Coopatos começou
a ser desenvolvido em 2004, época
em que foi detectada a necessidade
de redirecionar as ações da instituição com os cooperados. Para isso,
foi preciso ampliar a participação dos
cooperados no dia a dia da cooperativa e buscar novas alternativas de
negócio, a fim de melhorar a rentabilidade e gerar resultados. A criação de
eventos, reuniões, palestras técnicas,
feira de fornecedores, torneios, leilões, entre outros, são ações desenvolvidas para aproximar o cooperado.
Ao todo, foram beneficiados cerca de
10 mil moradores locais.
Categoria Inovação e Tecnologia
Colivre / Trabalho
A Colivre foi criada com a meta de
contribuir para a difusão e para o desenvolvimento de tecnologias livres.
A instituição trabalha para oferecer
soluções dessa natureza a empresas,
organizações da sociedade civil, órgãos públicos e instituições de ensino.
A ideia de desenvolver o programa
Noosfero surgiu em 2007, para suprir
a demanda de uma plataforma multimídia, com licença livre que reunisse
diversas funcionalidades e permitisse
total autonomia sobre a rede, controle
em relação aos dados gerados e garantia da segurança das informações.
Ao todo, foram beneficiados 8,8 mil
usuários do Cirandas.net.
Gestão Cooperativa Cooperativismo dezembro de 2014
29
Crédito
POR Marcos Acypreste FOTO REPRODUÇÃO/INTERNET
Sebrae-SC desenvolve
programa de boas práticas
O
projeto de Fomento e Disseminação de Boas Práticas no Cooperativismo de Crédito para Micro e
Pequenas Empresas, criado pelo Sebrae Nacional e realizado pelas sedes
estaduais, tem o objetivo de criar um
ambiente favorável a mecanismos do
crédito para as cooperativas. O Sebrae-SC reúne, no programa, quarenta cooperativas de crédito ligadas aos
sistemas Sicoob, Cecred e Sicredi.
A ideia surgiu a partir da necessidade de identificar e estudar quais
são as boas práticas no cooperativismo de crédito nacional, definir as
atividades que possam agregar valor
à agenda local e auxiliar o desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas. Para isso, são realizados encontros anuais, entre eles, o Workshop
Catarinense de Boas Práticas do Cooperativismo de Crédito, com a finalidade de apresentar os resultados do
projeto local, assim como divulgar as
boas práticas nacionais.
Além disso, o projeto oferece às
cooperativas palestras, seminários,
visitas técnicas em outros estados da
federação e dentro do próprio estado
para que haja a intercooperação e a
transferência de metodologias dentro
do próprio mercado de atuação e entre sistemas diferentes. Em 2014, o
programa conseguiu atingir as metas
estabelecidas pelas próprias cooperativas, o que representa a força do
cooperativismo de crédito atuante
com os pequenos e médios empresários de Santa Catarina.
A rede bancária de atendimento do
30
Gestão Cooperativa Crédito dezembro de 2014
Instituição desenvolve projeto que estimula crédito para micro e pequena empresas
estado contempla mil quatrocentos e
oitenta (1.480) pontos, sendo as cooperativas responsáveis por 40% desse total, com uma participação bem
superior à nacional - de 18,5%. Além
disso, estão presentes em 98% dos
municípios catarinenses, número que
possibilita a contribuição prestada no
aumento da oferta de crédito e serviços bancários adequados para o publico alvo do projeto.
Seminários
Desde o início do projeto, as instituições financeiras cooperativas têm
participado dos mais de 50 seminários regionais de crédito realizados
pelo Sebrae-SC. Acompanhadas pelo
Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social e outros agentes
financeiros, cerca de cinco mil micro e
pequenas empresas tiveram oportuni-
dade de conhecer e negociar os produtos e serviços com as cooperativas.
O último fórum de 2014 realizado pelo
Sebrae discutiu a ampliação do crédito
para empreendedores individuais, micro e pequenas empresas.
Parcerias institucionais
Planos de ação definidos no âmbito do Fórum Permanente provocaram
a aproximação de novos parceiros institucionais. O Badesc, Agência de Fomento de Santa Catarina ampliou o relacionamento ao estudar e liberar para
as cooperativas, pela primeira vez,
recursos de microcrédito produtivo e,
por consequência, a inclusão destas
no programa Juro Zero do Governo
do Estado. Em outubro de 2014, o
Badesc lançou o Edital de Credenciamento de Cooperativas como correspondestes do Badesc.
Gestão
POR Francisco Teixeira Neto
O porquê da visão, missão
e valores em uma empresa
C
omo diz o ditado popular: “para
quem não sabe o destino, não há
vento a favor!”. Isso vale tanto para
pessoas físicas quanto jurídicas. Ou
seja, aquelas que não têm uma visão
de futuro estão à deriva em suas jornadas: não possuem uma motivação
que as impulsione paral ugar algum,
pois não sabem o que almejam; não
conseguem definir estratégias e planos para chegar lá, nem inspirar outros a caminharem juntos, pois não
há uma inspiração; e nem avaliar se
suas ações do dia a dia estão contribuindo para aproximá-las ou não de
seus destinos, pois não sabem para
onde estão indo.
Ter um horizonte, um desejo e
uma inspiração é o que faz com que
uma empresa busque definir sua Visão pois, sem isso ela não é, de fato,
executora e responsável por seu
destino. Entretanto, no processo de
definição da Visão é importante considerar dois outros pontos que complementam e fortalecem sua concretização: Missão e Valores.
A Missão é fundamental, uma
vez que ela concilia a Visão com a
razão de existir de uma empresa e
faz com que ela não perca o foco
na condução de suas atividades. Afinal, constantemente surgem novas
demandas e oportunidades para um
negócio, que precisam ser avaliadas, pois nem todas estão alinhadas
com o papel que uma organização
escolhe para si mesma.
Um empreendimento que tem
como Missão vender alimento teria
que redefini-la caso passasse a vender
também medicamentos e utensílios
domésticos, já que isso implicaria uma
ampliação na sua razão de existir e,
consequentemente, um novo redimensionamento dos esforços, recursos e
de sua visão de futuro.
Portanto, a Missão faz com que
uma empresa permaneça nos trilhos
rumo à sua Visão e a auxilia na tomada
de decisão sobre quais tipos de negócios são coerentes com seus propósitos e quais não o são. Os Valores,
por sua vez, contribuem para explicitar que, no exercício da Missão e na
consecução da Visão, existem regras
e comportamentos a serem seguidos.
Quando uma empresa alega que um
de seus valores é o compromisso com
o cliente, ela deve demostrar isso sempre, inclusive nas situações em que há
problemas no fornecimento dos produtos e serviços.
Assim como os fins nem sempre justificam os meios, nem todas
atitudes são aceitas para se buscar
atingir uma Visão ou desempenhar
uma Missão. Ética, transparência e
segurança costumam aparecer na
relação de valores de uma empresa.
Afinal, a oferta de produtos e serviços não pode acontecer a qualquer
preço: existem comportamentos
inaceitáveis que uma organização
deve coibir e até punir no caso de
descumprimento, já que essas põem
em risco a continuidade do negócio.
Corrupção ativa, sonegação, não
prezar pela qualidade dos produtos podem levar a “aparentes” vantagens em relação à concorrência,
mas expõem a imagem da empresa
e a deixam na ilegalidade e sujeita a
sanções, entre tantas outras consequências indesejáveis.
Portanto, definir a Visão, Missão e
Valores serve para estabelecer o propósito, o foco e a forma de conduta das
pessoas e devem ser elaborados de forma conjunta e alinhada, além de serem
fundamentais para a identidade e integridade de qualquer indivíduo ou negócio.
*Francisco Teixeira Neto ocupa, atualmente,
o cargo de coordenador de projetos da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ). É engenheiro mecânico de produção formado pelo
Instituto Ensino de Engenharia Paulista (atual
Unip) e administrador de empresas graduado
pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Possui duas especializações em micro e pequenas empresas, realizadas no Centro de
Produtividade Japonês (JPC). Tem experiência, há mais de 25 anos, como palestrante,
instrutor e coordenador de projetos na área
de melhoria da gestão empresarial.
Envie-nos suas sugestões de temas
para a próxima edição da revista
[email protected]
Gestão Cooperativa Gestão outubro e novembro de 2014
31
Produto
POR Ricardo de Amorim Hermes
Planos de consórcios na economia familiar
brasileira. Como pode acontecer isso?
A
população brasileira está experimentando algo impensável para
as gerações anteriores: a possibilidade de planejamento financeiro de
médio e longo prazo. Nesse cenário, os planos de consórcios se destacam como uma ferramenta para
a aquisição e renovação de bens,
além da ampliação de patrimônio,
de forma planejada e sem juros.
Ainda que o Produto Interno Bruto (PIB) esteja em patamares percentuais bem abaixo da expectativa
e do potencial do País, conforme
amplamente divulgado pela mídia
nacional, o seu volume financeiro
tem crescido anualmente. O PIB
brasileiro passou de R$2,9 trilhões,
em 2003, para R$4,5 trilhões em
2013. Junto com o crescimento do
País, o índice per capita também
evoluiu nos últimos 10 anos: de
R$16 mil/ano para mais de R$22
mil, por família.
A mobilidade social entre as classes acompanhou tal dinâmica, resultando em modificações significativas.
Estudos da Fundação Getúlio
Vargas (FGV) apontam que, em
2003, havia 13 milhões de pessoas
pertencentes às classes A e B, isto
é, cerca de 7% da população brasileira. Em 2013, esse dado duplicou
para 14,8%, abrangendo 29 milhões de habitantes. No mesmo período, a classe C registrou aumento
de quase 80%: passou de 66 milhões para 118 milhões de pessoas,
o equivalente a 37,7% e 60,2% da
32
Gestão Cooperativa Produto outubro e novembro de 2014
população brasileira, respectivamente, ao passo que nas camadas
menos favorecidas, D e E, houve expressiva redução, passando de 96
milhões, em 2003, para 49 milhões
de pessoas em 2013.
Tais fatos positivos, ao longo
dos anos, proporcionaram consequências em vários setores da economia. Uma das principais delas foi
o acesso ao crédito, que se tornou
mais acessível em virtude da inclusão do povo brasileiro no mercado
financeiro. Dados de 2013, levantados pelo Banco Central, registraram
cerca de 32 milhões de pessoas
com créditos superiores a R$ 5 mil,
em contraponto aos 5 milhões de
tomadores em 2003.
Nesse ínterim, diversos produtos
financeiros foram criados e disponibilizados no mercado, visando ao atendimento das necessidades de crédito
dos brasileiros. Dentre eles, se destacaram as linhas de consórcios, uma
solução concebida no Brasil.
Os planos de consórcios exigem
comprometimento mensal e possibilitam que se alcance determinado objetivo de maneira facilitada e mais em
conta do que os financiamentos, embora estejam inseridos num ambiente
de pouca cultura de disciplina e planejamento financeiro, como é o brasileiro.
O arcabouço legal, desenvolvido a partir de 2008, proporcionou
mais segurança aos consorciados
e às administradoras de consórcios
em razão da transparência de di-
reitos e obrigações das partes. Os
processos administrativos também
foram normatizados, a fim de reduzir os riscos operacionais, com base
em critérios claros na contratação
de prestação de serviços pelas administradoras de consórcios.
Desde 2008, o número de consorciados vem aumentando consideravelmente, bem como o volume
de recursos administrados que, em
cinco anos, passou de R$1,9 bilhão
para mais de R$3,5 bilhões, envolvendo vários segmentos, dentre os
quais se destacam: automóveis de
passeio, imóveis e motocicletas.
Quanto ao montante de cotas ativas, as motos despontam com o
maior número: 4 milhões de cotas,
seguidas por 2,5 milhões das de automóveis de passeio e cerca de 1
milhão de cotas ativas de imóveis.
Outro fato histórico importante a
ser salientado envolve a evolução do
volume de recursos captados por tipo
de administradora. As administradoras ligadas a instituições financeiras
foram as que mais cresceram, ultrapassando as independentes, estas reconhecidas até então como as maiores captadoras de recursos, além das
administradoras de fabricantes.
Dentre os pontos que remetem a
uma reflexão sobre o modelo financeiro que constitui os planos de consórcios, um deles aponta para o fator de
necessidade da população. Afinal de
contas, embora em um cenário econômico de evolução, ainda há famílias
que buscam ter sua casa própria e/
ou comprar um carro. É nesse contexto de necessidade que surgem os
consórcios como uma grande oportunidade, por não haver incidência de
juros sobre os valores financiados.
Além disso, há potencialmente uma
margem para vencer a inércia econômica, denominada de propensão ao
consumo imediato. Boa parcela da
população brasileira ainda acredita
que não vale a pena guardar dinheiro ou buscar ajuda financeira para um
consumo consciente.
Embora o consumidor esteja, a
cada dia, mais ciente de seus direitos, ainda é notória a falta de cultura em economia familiar.
Por outro lado, as empresas vêm,
obstinadamente, buscando aumentar sua eficiência operacional, com
foco na redução de custos a qual é
perseguida como um troféu valiosíssimo em meio ao desafio de crescimento. A transparência, em virtude
do acesso às informações, facilita
que esse processo seja o mais justo e correto, apesar da sensação
transmitida de quando o negócio é
muito bom, a qual acaba remetendo
ao famoso ditado: “quando a esmola é grande, o santo desconfia”.
Assim, uma questão se levanta naturalmente: como alcançar a
educação financeira e aproveitar as
oportunidades disponíveis? A população pode avistar o horizonte
e vislumbrar a perspectiva de um
planejamento financeiro como algo
possível. E, deste modo, inserir os
planos de consórcios em seu orçamento familiar.
Vale citar que os funcionários
das administradoras de consórcios
estão preparados, e cada vez mais
bem treinados, para oferecer o produto certo, em condições justas,
aos potenciais consorciados.
*Ricardo de Amorim Hermes
Pós-graduado no MBA em Gestão
de Negócios pelo Ibmec Brasília/DF;
graduado em Administração pelo Centro
Universitário de Brasília - UniCeub. Atua
na área comercial de produtos e serviços
do Banco Cooperativo do Brasil - Bancoob
S.A. Profissional especialista também em
produtos de investimento.
cooperando nas
redes Sociais
#canalcooperativo
Gestão Cooperativa Produto outubro e novembro de 2014
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Turismo
POR redação
RTC Brasil fortalece
o cooperativismo e
promove intercooperação
Os roteiros apresentam experiências de sucesso das cooperativas de Norte a Sul do país
O
RTC Brasil é operado por cooperativas do Ramo Turismo e Lazer que
promovem o desenvolvimento do cooperativismo, por meio da realização de intercâmbios técnicos que geram negócios,
troca de informações e intercooperação.
Implantado pelo Sistema OCDF-Sescoop/DF, com recursos do Fundo
Solidário de Desenvolvimento Cooperativo (FUNDECOOP), o programa
de Roteiros Técnicos do Cooperativismo – RTC Brasilé fruto do Projeto
Nacional de Fortalecimento do Ramo
Turismo e Lazer e de Promoção à Integração Cooperativista.
O projeto teve início em 2011, e tem
como objetivo principal fortalecer cooperativas do ramo turismo e lazer e promover a integração cooperativista brasileira
e mundial, por meio da disseminação de
boas práticas de gestão, realizadas em
visitas técnicas às cooperativas de destaque no universo cooperativista brasileiro.
Nesse contexto, o Programa RTC Brasil reúne cooperativas nas cinco regiões
do país e está estruturado em dez roteiros de visitas técnicas, envolvendo vinte e
três cooperativas singulares, sete cooperativas centrais, duas Confederações de
cooperativas, dois bancos cooperativos e
o Sistema OCB/Sescoop/CNCOOP.
O resultado esperado por meio destas visitas técnicas consiste na geração
de novos cooperados, desenvolvimento
do turismo como atividade econômica
sustentável, maior movimentação financeiras para cooperativas de turismo e
lazer e disseminação de boas práticas
do cooperativismo.Além disso, o projeto
está alinhado aos princípios de sustentabilidade, intercooperação e governança.
Em continuidade a apresentação
dos roteiros que fazem parte do RTC-Brasil, nesta edição será abordado o
roteiro Misto da Região Nordeste.
sustento familiar e contribui para o desenvolvimento regional.
Na região, o cooperativismo se faz
presente por meio da produção açucareira, da cooperativa Pindorama; do
modelo educacional, da Escola Milênio
e na excelência nos serviços prestados
pela Unimed Recife. O frevo na capital
pernambucana, o centro histórico, a
praia de boa viagem, os coqueiros de
Maceió, entre outras atrações inspiram
o turismo da região.
Região Nordeste
Conhecida pelas suas belezas naturais, praias, cultura e povo acolhedora região nordeste conta com 1.738
cooperativas que somam 550 mil cooperados, ocupando o segundo lugar
do país. O cooperativismo garante o
Conheça as cooperativas que compõe o roteiro
Colégio 3° Milênio – Cooperativa
de Trabalhadores em Educação fundada em 1998, localizada na cidade de
Limoeiro, em Pernambuco, a Instituição
de ensino é reconhecida pela qualidadee
dedicação dos cooperados. O Colégio 3°
Milênio iniciou suas atividades com apenas uma turma de curso pré-vestibular;
em 2002, ampliou os serviços e passou a
oferecer os ensinos fundamental e médio.
Em 2011, recebeu o mérito de melhor
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Gestão Cooperativa Turismo outubro e novembro de 2014
escola do município e mantém a posição
de melhor escola do Agreste de da Mata
do estado de Pernambuco.
Unimed Recife – lprimeira cooperativa médica a ser fundada no estado de
Pernambuco, oferece tratamento humanizado, valorizando a saúde e a vida de
seus pacientes. A Unimed Recife conta
com o trabalho de 1.800 médicos e possui 130 mil clientes beneficiados, que são
atendidos em 70 especialidades, 24 ho-
ras por dia. A cooperativa de saúde atende também o setor público e entidades
de classe, com uma ampla rede de hospitais, clínicas e laboratórios com equipamentos modernos para oferecer serviços
de qualidade. A Unimed Recife é a instituição de saúde que mais cresce no estado
e o segundo polo médico do Brasil.
Pindorama – fundada em 1956 a
Cooperativa de Colonização Agropecuária e Industrial Pindoramaestálocalizada
entre os municípios de Feliz Deserto,
Penedo e Coruripe. A cooperativa possui uma área de 30 mil hectares e conta
com 1.160 associados. Sua produção
de frutas gera 1.500 caixa de sucos
concentrados, o que representa aproximadamente 6 mil garrafas, por hora.
Comandada por pequenos produtores, a
cooperativa Pindorama tem o desenvolvimento social como uma de suas prio-
ridades. Em 2003, a cooperativa obteve
uma de suas maiores conquistas: a usina de açúcar, considerada uma das mais
modernas do país, com capacidade para
produzir 10 mil sacas por dia.
RMF CONSULTORIA E ASSESSORIA JURÍDICA, TREINAMENTO,
CAPACITAÇÃO E ASSESSORIA CONTÁBIL
Na área de Sociedades Cooperativas
Na área do Terceiro Setor
Diagnóstico Institucional
Diagnóstico Institucional
Planejamento de marketing
Planejamento de marketing
Organização do Quadro Social e recadastramento de cooperados
Organização do Quadro Social e recadastramento de associados
Governança Corporativa
Governança Corporativa
Gestão Financeira e Tributária
Criação, assessoria e dissolução de associações e sindicatos
Criação, assessoria e liquidação de sociedades cooperativas
Gestão Financeira e Tributária
Assessoria Contábil e tributária
Assessoria Contábil e tributária
Na assessoria e consultoria jurídica, são contempladas as análises de
contratos, acompanhamento de assembleias e reuniões, análise de atas,
revisão de estatuto e regimentos, acompanhamento de ações trabalhistas,
ações de cobrança e execuções, orientações quanto à forma de
procedimentos específicos por ramo da cooperativa
Criação de Associações e Fundações em face aos diagnósticos das APLs de
cada município e das necessidades das mesmas
Capacitação do Conselho de Administração, Conselho Fiscal e quadro social
Na gestão das sociedades cooperativas inclui a implementação dos
controles internos, diagnóstico das referidas sociedades, assessoramento
preventivo judicial para minimizar ou evitar o contencioso.
Capacitação do Conselho de Administração, Conselho Fiscal e quadro social
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Gestão Cooperativa Turismo outubro e novembro de 2014
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Auditoria
POR Antonio Alberto Sica
Novo relatório
do auditor independente
Iminência de novas normas apontam mudanças significativas
na forma como os auditores se comunicam com os usuários das
demonstrações contábeis
A
linhando-se às expectativas de
investidores, analistas e demais
usuários das demonstrações contábeis
que almejam por maior transparência
e informações adicionais e relevantes
para a tomada de decisões e, buscando consolidar a importante função
que o trabalho do auditor possui neste contexto, encontra-se em processo
avançado de discussão na International Federation of Accountants - Ifac
proposta de nova estrutura de Relatório de Auditor Independente.
A nova estrutura de relatório manterá o caráter opinativo atual, mas será
complementada com descrições específicas de cada instituição, dissociando
de modelos padronizados de informações e passando a ser mais comunicativo em relação à auditoria realizada e
suas conclusões.
Neste sentido, entende-se como
maior mudança a inclusão de seção
que conterá “Questões Chave de Auditoria” proposta por uma nova norma, a
ISA 701 - “Comunicação das Questões
Chave de Auditoria”. Esta seção levará
ao relatório questões de julgamento
do auditor, específicos por entidade,
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Gestão Cooperativa Auditoria outubro e novembro de 2014
de áreas e fatos que foram entendidos
como significativos na auditoria, tais
como riscos, dificuldades encontradas
durante o processo de auditoria e modificações no planejamento em virtude
de deficiências de controle interno.
Os auditores também concluirão
sobre a consistência de outras informações divulgadas e que acompanham as demonstrações contábeis,
normalmente o relatório da administração, e sobre a capacidade de continuidade operacional, fatos que anteriormente somente eram abordados
caso constatassem inadequações ou
indícios de descontinuidade.
O parágrafo de opinião será deslocado para o caput do relatório, privilegiando a disposição das informações
em ordem decrescente de importância, diferentemente de sua localização
derradeira como praticado atualmente.
Pela maior quantidade de informações a serem alocadas, obviamente haverá impacto em sua extensão,
passando dos tradicionais quatro parágrafos usualmente aplicáveis quando da emissão de um relatório sem
modificações de opinião.
Espera-se que com estas propostas de alterações a comunicação do
auditor com os responsáveis pela governança se acentue, e que o trabalho
do auditor seja divulgado com maior
transparência. Possivelmente, ainda
refletirá num maior compromisso da
administração com os controles internos e suas avaliações, uma vez que
tais temas ganharão publicidade no
relatório do auditor.
A proposta é que a aplicação da
norma seja inicialmente obrigatória
para as companhias abertas, sendo
opcional para as demais entidades, todavia, proponho a reflexão de que seja
uma tendência que órgãos reguladores, tal como o Banco Central do Brasil, resolvam estender a obrigatoriedade de aplicação às instituições que
regulam. É possível que, em 2015,
tenhamos definições mais concretas.
*Antonio Alberto Sica,
auditor, especialista em auditoria,
graduado em ciências contábeis,
atua há doze anos em auditoria,
sendo sete no cooperativismo de crédito.
Atualmente é gerente da Cnac.
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