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Jornal 10 io ÑH m o Prém c l a a orn DE LEIRIA PUBLICIDADE Semanário Regional Director de Mérito José Ribeiro Vieira Director João Nazário Ano XXVIII Edição 1558 Quinta-feira, 22 de Maio de 2014 € 1,00 www.jornaldeleiria.pt J ign d or des melh ula Ibérica s Penín 2.º ano pelo utivo c conse Rendimento Social de Inserção triplica em Caldas, Marinha e Leiria Carência Caldas da Rainha, Marinha Grande e Leiria foram os concelhos do distrito onde o número de beneficiários de RSI mais cresceu entre 2003 e 2012. Figueiró dos Vinhos é o município onde maior percentagem de residentes recebe a prestação Pág. 10 RICARDO GRAÇA Nesta edição Dia da Cidade Leiria distingue a Roca e oito personalidades Pág. 12 Menina (quase) não entra! Minoria Excluindo a voz, o mundo musical fora do universo clássico é esmagadoramente masculino, sendo raros os projectos onde as mulheres estão em destaque Págs. 36/37 RICARDO GRAÇA Batalha José Fabião, fotógrafo Avaria fecha Centro de Interpretação do Mosteiro Pág. 13 “Há alguma casa nos arredores de Leiria que não tenha fotografias do Fabião?” Desporto T José Fabião é, porventura, quem mais fotografou a região e as suas gentes. Porque hoje se comemora o Dia da Cidade de Leiria, o JORNAL DE LEIRIA foi ouvir um pouco da história de vida deste republicano, feita de muitas paixões Jovens da União de Leiria fazem a melhor época de sempre Pág. 32 (sobretudo a mulher, a sua arte e também o desporto) mas também das perseguições de que foi alvo, nomeadamente por se ter recusado sempre a ser um fotógrafo conotado com o regime de Salazar. Págs. 8/9 PUBLICIDADE Inn Av. Marquês de Pombal ÚNICA AGÊNCIA FORA DE LISBOA NO TOP 10 NACIONAL AV. MARQUÊS DE POMBAL, N.º 24 R/C ESQ. 2410-152 LEIRIA . TEL. 244 812 715 NA ZONA CENTRO 2 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Somos o País das Capelas Imperfeitas, não sabemos levar nada até ao fim Manuel Mota, presidente do Spinpark, Jornal de Negócios Radar A criação artística é financiada com o equivalente com o que o Estado gasta em pioneses Catarina Martins, deputada do BE, ARTV Comentário enigmático João dos Santos Olho clínico Opinião Anabela Graça A vereadora da Educação da Câmara de Leiria foi alertada, numa reunião na DirecçãoGeral de Estabelecimentos de Ensino, para a falta de apoios do Estado para com as crianças deficientes que estão nas escolas regulares. Anabela Graça já está no terreno a fazer o levantamento das dificuldades que existem nos agrupamentos do concelho, que irá enviar à tutela num relatório com as informações recolhidas. Vá votar… Valdemar Alves Foi uma ideia feliz aquela que tiveram a Câmara de Pedrógão Grande, presidida por Valdemar Alves, e a direcção da Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal, que vão transformar antigas escolas primárias em residências para alunos que venham de longe para estudar naquele estabelecimento de ensino. Com a ajuda de espaços desactivados assegura-se o futuro dos alunos e o emprego dos docentes. Jorge Barreto Xavier O actual secretário de estado da Cultura nada parece ter feito para evitar que uma avaria tenha acabado por fechar ao público o Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha. Este espaço, inaugurado há dois anos, pelo seu homólogo Francisco José Viegas, nunca funcionou em pleno, apesar de ter custado mais de 700 mil euros. esmo depois destes anos de crise, as sondagens de opinião em toda a Europa fazem prever ganhos “deslumbrantes” para os eurocéticos nas eleições para o Parlamento Europeu no próximo fim-de-semana, diz Dona Mécia. Não me diga, reage, D. Genuíno. E não se dão conta que sem a União Europeia a crise seria muito mais profunda e Portugal teria falido? Tem razão, responde Dona Mécia, mas as sondagens dizem-nos que os eurocéticos, onde encontramos a extrema-direita xenófoba e os alguns esquerdistas, poderão vir a ter ganhos em três grandes países: a França, a Itália e o Reino Unido, tornarem-se uma força política importante na Grécia, na República Checa e na Holanda e obter um bom impulso na Dinamarca, na Áustria, na Lituânia, na Hungria e na Finlândia. Com uma crescente base de poder transnacional, num cada vez mais poderoso Parlamento Europeu, continua Dona Mécia, estes partidos podem ser capazes de retardar uma maior integração da zona do euro e minar a legitimidade do projecto europeu. Lembro que foi graças à União Europeia, mesmo com as suas hesitações, que conseguimos apoios para a restruturação da dívida portuguesa. Mas com uma vitória eurocética podem estar em causa as políticas da União Europeia. Em vez de entrarmos em pânico, continua Dona Mécia (escutada atentamente pelo D. Genuíno), devem-se dar aos cidadãos possibilidades escolha para que decidam o que querem. Mas lembro que os pró-europeus não devem cair no logro da dicotomia entre o pró e o anti- Europa. É nas propostas políticas - por exemplo, sobre quais as respostas da esquerda e da direita para enfrentar os desafios que afectaram já hoje toda a UE, como o emprego, a migração, o crescimento e a ascensão económica e política da China – que se devem debruçar. Lembro que as frases feitas “não pagamos” ou “fora do euro”, não são credíveis e M Ricardo Charters d’Azevedo quem os faz não é credível. Claro que se devem enfatizar os problemas europeus, como as insuficiências institucionais do euro e que o défice democrático na UE exige uma solução construtiva a nível europeu, em vez de recorrer ao nacionalismo e à xenofobia para serem populares. Mas tudo isso é muito bonito, mas para quem tem no dia 25 de se decidir, que fazer, pergunta D. Genuíno? Muito simples, responde Dona Mécia: se quiser votar nos partidos que são contra este modelo de União Europeia deverá votar no PCP, BE, e em outros da direita e da esquerda, sem assento parlamentar; se quiser votar nos partidos que defendem esta União Europeia, aprofundando-a, discutindo-a e encontrando soluções em conjunto, terá de votar no PS, ou na aliança CDS-PP/PSD Olhe que a abstenção, ou seja ficar em casa, não é uma opção pois, dado o Método de Hondt, quem se abstém está, na prática, a votar no partido mais votado. Poderá também votar branco, ou anular o voto, o que dá um sinal de protesto contra a UE, mas nada diz sobre a política nacional, conclui Dona Mécia com enfado. Engenheiro D. Genuíno Dona Mécia Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 3 Uma casa de 500 mil euros não é nada de especial para um chinês Michael Liu, presidente da KH Real Estate, Diário de Notícias Se o Presidente da República e o primeiro-ministro são criticados, porque não pode ser criticado o seleccionador? Paulo Bento, seleccionador nacional, Revista A verdade é que trabalhar naquilo que se faz bem ainda é a melhor maneira de passar a vida Miguel Esteves Cardoso, escritor, Público Alguém viu a Europa por aí? Como querem que o povo vá votar? Em quê? Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão, Correio da Manhã Fórumdasemana Governo quer controlar presentes dos médicos Os funcionários do Serviço Nacional de Saúde vão ter de passar a encaminhar qualquer presente que recebam para a Secretaria-Geral do Ministério da Saúde. As ofertas serão depois doadas a instituições de solidariedade. A medida está prevista num projecto de despacho sobre a obrigatoriedade de códigos de ética em todas as instituições do SNS, que deu entretanto origem a um parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. Mas a ideia já está a gerar Ana Barros representante da Ordem dos Médicos em Leiria Micael Sousa engenheiro civil Ana Narciso ex-deputada do PSD A ideia está a provocar um bocadinho de indignação nos profissionais. Trata-se de uma medida gratuita, que não tem nada a ver com ética, mas com outras coisas, que não sei quais. Ainda ontem [terça-feira] uma menina de dez anos me deu um anel de plástico que ela mesma fez. Não sei como, mas terei de o encaminhar para o ministério, com pena, porque é um presente simbólico. Este é mais um daqueles exemplos que me fazem lembrar a frase: “os portugueses fazem mais do que a lei permite e menos do que a ética obriga”. Continuamos a seguir pelo legalismo extremo e a esquecer a ética de base individual. Obviamente que é eticamente condenável receber presentes por favorecimento, mas de que serve na prática legislar isso ao extremo? Será só mais uma lei para não cumprir se a dimensão ética, com atitudes adequadas a cada caso concreto, não prevalecer, compreendendo e decidindo sobre o correcto e o errado. Só posso manifestar a minha total surpresa e indignação. É absolutamente intolerável que o Estado se intrometa na vida dos cidadãos e interfira na relação médico doente ferindo quer o profissionalismo dos médicos quer a generosidade dos doentes, que querem e desejam agraciar, livremente, quem os tratou e acolheu. Há uma relação doentia entre Estado e cidadão, só curável com uma excelente dose de confiança entre ambas as partes. Para quando? Que comentários lhe merece este assunto? Roque da Cunha secretário geral do SIM António Mendes investigador Valdemar J. Rodrigues Prof. Associado, ULHT indignação. “Vai-se instituir um sistema nacional de recolha de livros, de esferográficas, de galinhas, de ovos e de couves?”, pergunta o bastonário da Ordem dos Médicos, citado pelo Público. Defendendo que “o Ministério da Saúde não sabe o que é ética”, José Manuel Silva pergunta ainda se este código “vai ser extensível aos partidos políticos e ao seu obscuro financiamento e claros conflitos de interesses, aos autarcas, a todo o serviço público”. O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) nada tem contra doações a instituições de solidariedade. Mas fica com enorme curiosidade em ver como vai ser montada a logística da recepção, envio, transporte e armazenamento de ofertas na Secretaria-Geral do Ministério da Saúde, nomeadamente as vivas e as perecíveis. Às tantas estão a pensar criar um “Casão” à boa maneira militar… e até pode dar para catering…quem sabe? Ironia à parte, coisas mais importantes têm de ser salientadas no projecto de despacho sobre o tal Código de Ética. E quanto a essas sim, o SIM não pode deixar de manifestar a sua discordância e firme oposição. Estou de acordo que seja instituído um código de conduta muito claro sobre ofertas e presentes dados a funcionários públicos, sejam eles funcionários do SNS ou de outra instituição de serviço público, incluindo órgãos de governo local, regional, nacional, polícias... Este tipo de legislação é comum em muitos outros países, onde existem igualmente comissões que avaliam e julgam casos de má conduta. Coisas de valor nominal como canetas e outros brindes publicitários podem ficar isentas. Não percebo porquê a discriminação dos funcionários do SNS, quando muitos outros podem ser, e provavelmente são, alvo da mesma forma de corrupção. Trata-se de uma medida legislativa populista, inútil e que, nos casos graves de corrupção e tráfico de influência na área médica, não terá quaisquer consequências. As autoridades de saúde com deveres de fiscalização em nada serão ajudadas com esta medida. É além disso duvidoso que faça falta às instituições de solidariedade o produto destas ofertas, que eticamente as empresas do sector farmacêutico e da biomedicina poderian directamente encaminhar para elas. O envolvimento do Estado na vida privada dos cidadãos é indesejável, tal como a violação sistemático da privacidade de cada um, que esta medida fomenta. Em absoluto desacordo, portanto. Editorial Parabéns Caixa de Crédito de Leiria sta edição do Jornal de Leiria traz consigo uma revista sobre o centenário da Caixa de Crédito de Leiria. Cem anos são cem anos! É muito tempo. Merecem, sem dúvida, ser comemorados com orgulho e alegria. Principalmente se esse período foi bem vivido, com objectivos cumpridos e conquistas diversas, se respeitou os princípios que foram definidos de início e a passagem dos anos foi sinónimo de crescimento e desenvolvimento. É precisamente disso tudo que se pode orgulhar a Caixa de Crédito de Leiria no ano em que comemora um século de existência. De ter sido sempre uma instituição que não se afastou do rumo que traçou para a sua actividade e de ter estado constantemente ao lado da comunidade da região de Leiria, crescendo com ela, acompanhando o seu desenvolvimento e envolvendo-se nos seus projectos, muitos dos quais contribuíram para gerar riqueza e emprego. Quem tem tido a oportunidade de observar a actividade da Caixa de Crédito de Leiria, perceberá facilmente que do seu 'ADN' não fazem parte práticas “aventureiras” seguidas por outros bancos e que tantos problemas trouxeram à economia portuguesa, com os impostos dos contribuintes a serem usados para tapar buracos em algumas dessas instituições. Ao contrário de outros bancos, cujos administradores cederam à tentação dos lucros fáceis e rápidos, de que receberam prémios chorudos, a Caixa de Crédito de Leiria manteve-se afastada da especulação, fiel à actividade para que foi criada, à prudência e ao rigor. No meio da tempestade financeira que abanou meio Mundo, que fez encerrar alguns grandes bancos e obrigou outros a serem intervencionados, com o sistema bancário nacional a não fugir à tendência, a instituição liderada por Mário Matias manteve-se firme como uma das mais sólidas do País, recolhendo os frutos da sua estratégia que, anos antes, na altura da 'grande ilusão', alguns poderiam considerar conservadora. A verdade é que enquanto os principais bancos nacionais apresentavam rácios de crédito sobre depósitos na ordem dos 160%, tendo sido obrigados pela troika a reduzi-los em pouco tempo para 120%, com as consequências que se conhecem para muitas empresas, a quem, de um momento para o outro, foi 'tirado o tapete', a Caixa de Leiria, em 2011, só tinha emprestado 40% do montante que tinha em depósitos. Mesmo depois de todos estes anos em crise, que tem tido também, naturalmente, repercussões nesta instituição criada em 1915, o rácio de solvabilidade – indicador mais fiável para avaliar a solidez financeira – apresentado no ano que terminou pela Caixa de Crédito de Leiria foi de cerca de 35%, quando a média dos principais bancos se situava no valor mínimo imposto pelo Banco de Portugal: 10% São diferentes formas de estar e de fazer que dizem muito sobre as instituições e sobre quem as dirige, com a Caixa de Crédito de Leiria a evidenciar ao longos dos anos uma responsabilidade social que merece registo, devolvendo à comunidade parte do que esta lhe deu a ganhar, desde há alguns anos, principalmente, através da sua Fundação. Parabéns à Caixa de Crédito de Leiria e a todos os seus antigos e actuais colaboradores. E João Nazário 4 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Abertura O que fazer para pais e professores darem as mãos? Iniciativa O Fórum Famílias, que se realiza no sábado, vai tentar ajudar a aproximar pais e professores, numa relação que deve ser saudável e nunca resultar em divórcio Elisabete Cruz [email protected] T Pais e professores têm um objectivo comum, mas andam, muitas vezes, de costas voltadas. O problema surge, por vezes, porque ambos querem ter sempre razão e têm dificuldade em ceder e aceitar sugestões do outro lado para que possam melhorar o desenvolvimento do estudante. Maria José Coutinho, presidente da Federação Regional de Associações de Pais e Encarregados de Educação de Leiria (Ferlei), considera que, na maioria dos casos, “a escola está muito fechada em si mesma e há da parte dos pais e encarregados de educação, também, uma atitude deliberada de afastamento, em relação à mesma, bem como em relação às organizações que os representam, parece terem outras prioridades”. Os pais reagem apenas “quando surgem questões relacionadas directamente com os seus filhos”. Para uma maior aproximação, a encarregada de educação entende que “terá de haver entre as partes envolvidas uma atitude concertada de humildade, receptividade e assertividade, com um único objectivo, ou seja, as crianças e jovens”. Para o director do Agrupamento de Escolas de Cister, Gaspar Vaz, a história das relações entre a escola e as famílias divide-se em três fases. “Numa primeira fase, a escola, baseada numa desproporção acentuada entre as suas competências e as 'incompetências' dos pais, tratou os encarregados de educação com sobranceria. Estes eram chamados à escola apenas para saber as más notícias sobre os seus filhos, sobre os problemas que haviam causado.” Mais tarde, “os pais, muito mais informados e instruídos, começaram a contestar a escola, com razão e sem ela”. Segundo este docente, nestas duas fases, “o paradigma relacional era o da confrontação, como se entre estes dois actores houvesse uma barricada invisível”. Gaspar Vaz defende um modelo, “que já está em construção”, que passa pela “colaboração e compromisso”. “Temos de tomar consciência que o modelo de uma escola/aba- dia, sobranceira à vida secular e dela afastada, não corresponde a nada. As competências começam a existir tanto fora da escola como dentro dela - e cada vez mais, felizmente, fora dela, mas por influência dela.” Professora no Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, em Leiria, Graça Simões, defende uma “estreita e profícua relação entre a escola e a família”, considerando “crucial” uma parceria “cooperante entre estes dois agentes educativos com vista ao sucesso escolar dos alunos”. Segundo a docente doutorada em Ciências da Educação, a promoção dessa relação passa por “um maior envolvimento dos pais na vida das escolas”, “a promoção de uma cultura de comunicação entre a escola e as famílias” e “formação parental e de professores”. Para Graça Simões, “a escola deve preocupar-se em encontrar soluções inovadoras”, mas também “diversificadas” para promover a “comunicação entre os pais e a escola”. A promoção de reuniões, diálogo com Ensino secundário Mais velhos, menos interesse À medida que os alunos vão crescendo, diminui a participação dos pais na escola. O adjunto da direcção do Agrupamento de Escolas Gualdim Pais, em Pombal, Paulo Pinheiro confirma que os encarregados de educação estão muito próximos dos educadores de infância e professores titulares no pré-escolar e 1.º ciclo, esbatendo-se a ligação nos 2.º e 3.º ciclos. “No secundário há um afastamento muito grande, também porque alguns estudantes até já são maiores de idade.” Paulo Pinheiro defende a importância do director de turma ou professor titular no envolvimento dos pais na dinâmica na escola. “Também a associação de pais pode ser um meio de chamamento dos pais.” os professores, participação em eventos escolares, formação parental e formação dos docentes são medidas que devem ser adoptadas. “O diálogo permanente entre a escola e a família promove uma relação de confiança entre ambas as instituições, propiciando um maior envolvimento dos pais. Outra forma interessante de promover a construção de pontes entre a escola e a família é a dinamização de formação parental regular, com professores receptivos a esta iniciativa e com preparação para tal”, acrescenta Graça Simões. Gaspar Vaz entende ainda que “se os pais forem chamados a tomar parte das decisões da escola, e não apenas para ouvirem o que não querem sobre os seus filhos” e “não entenderem a escola como um entreposto em que deixam os filhos enquanto trabalham, vamos ganhar em confiança, entendimento e compromisso”. Só quando pais e professores “se considerarem, de vez em quando, dispensáveis na discussão de certos assuntos que, por norma, devem ser da competência de um deles” a “barricada invisível deixará, finalmente, de ser operante e de modelar as relações entre a escola e as famílias”. Raquel Sampaio, professora aposentada há dois anos, entende que a escola deve “conquistar” os pais para as suas actividades. Apesar de salientar que se registou uma evolução positiva entre a relação de pais e professores, a docente aconselha à compreensão de ambas as partes. “Recordo-me de pais que não queriam ir à escola, porque só ouviam falar mal dos filhos. Há que haver sensibilidade da parte dos professores em elogiar, mesmo que pequenas coisas, de modo a cativar os pais”, afirma. Graça Simões acrescenta que “todos os contactos com a escola devem ser fonte de motivação para melhor contribuir para o sucesso escolar dos filhos”. Concordando que “o que geralmente acontece é que os pais são chamados à escola para que lhes seja transmitido o mau aproveitamento/e ou mau comportamento dos seus educandos”, a docente frisa que “o elogio e a valorização de algo de po- sitivo é tão ou mais importante do que penalizar aquando do incumprimento dos deveres”. Por isso, defende que “uma postura positiva evita choques e torna a necessária interacção possível”. “Uma escola preocupada em promover relações mais positivas, precisa-se”, sublinha. Também Maria José Coutinho concorda que “o mais sensato será promover o mérito para o sucesso de todos e não a desvalorização ou a crítica constante, sem que a mesma resulte na evolução ou na supressão de quem é desvalorizado”. Luís Lobo, coordenador dos directores de turma do Agrupamento de Escolas D. Dinis, concorda com o elogio e até acrescenta que “não é fácil para um professor dizer mal de uma criança ao pai”, sobretudo, se “também for pai”. No seu caso, só chama o pai à escola “quando é grave”, mas avisa que “os pais devem terem consciência que o comportamento dos filhos em casa nem sempre é igual quando estão em grupo”. “Houve uma altura em que os professores não aceitavam bem a ida dos encarregados de educação à escola, porque entendiam que estavam a intrometer-se no seu trabalho e os pais também não gostavam que lhes falassem sobre a educação dos filhos”, recorda ainda Raquel Sampaio. As relações melhoraram, embora “ainda não estejam bem”. A docente considera que uma “boa relação entre pais e escola ajuda a escola a compreender melhor os alunos e os pais a perceberem a escola”. Raquel Sampaio considera que o trabalho casa/escola é indissociável. “Os pais e a escola complementam-se, mas não se substituem um ao outro. Esse afastamento não depende só dos pais como dos professores”, adverte a docente, que considera que as associações de pais também têm um papel “fundamental” no envolvimento dos encarregados de educação. A encarregada de educação Maria Monteiro também destaca a importância da comunicação directa e frequente entre a escola e os pais. “Hoje existem meios de fácil acesso, como o email, que possibilita ao director de turma pôr os pais a par de tudo o que se passa com o aluno.” Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 5 RICARDO GRAÇA Elo de ligação entre pais e escola Director de turma: um parceiro fundamental Melhoramentos nas escolas têm ajuda de encarregados de educação Associação de pais metem mãos à obra Recentemente, pais, professores e alunos do Jardim de Infância e da Escola Básica do 1.º ciclo de Andrinos, em Leiria, decidiram meter mãos à obra e melhorar as condições do estabelecimento de ensino. Pintura, limpeza e pequenos arranjos tornaram o espaço escolar mais agradável às crianças. É sobretudo no 1.º ciclo que as associações de pais têm um envolvimento maior. Ricardo Moreira, vice-presidente da associação de pais, considera que a presença dos pais na escola é “fundamental”, pelo que lamenta que nem todos os encarregados de educação se envolvam. A iniciativa deste grupo de pais não é única. Por exemplo, nas escolas do 1.º ciclo Amarela, Branca, Capuchos e Marrazes, o empenho de toda a comunidade escolar tem ajudado a melhorar as condições físicas e a dar respostas aos jovens, através da criação de ATL. Maria José Coutinho, presidente da Ferlei, adianta que “as associações de pais devem dirimir constrangimentos, promover a união de interesses com acuidade e zelo” e são elas que “actualmente estabelecem as pontes, entre a escola e as famílias”. DR T Os directores de turma e professores titulares dos alunos são o elo principal entre os encarregados de educação e a escola. A relação deve ser de cooperação para que qualquer problema possa ser resolvido em parceria. Luís Lobo, coordenador dos directores de turma do Agrupamento de Escolas D. Dinis, afirma que é “fundamental que os pais estejam presentes na escola”, lembrando, todavia que “os pais educam e os professores formam”. Para o docente, “se houver colaboração entre pais e escola, se os pais dialogarem mais e colaborarem na resolução dos conflitos dos filhos e se houver uma aproximação entre as partes” a relação é “mais harmoniosa”. O docente explica que “os alunos portam-se melhor quando sabem que os pais estão envolvidos e que recebem informação do director de turma sobre o seu comportamento”. No entanto, alerta que, por vezes, “os pais imiscuem-se nos assuntos da escola sem estarem por dentro da sala de aula”, baseando-se apenas “na opinião que o filho lhes transmite” e que “pode não ser a correcta”. Raquel Sousa, encarregada de educação, concorda que os directores de turma têm um “papel de intermediário entre a escola e a família”, pelo que devem ter o “perfil adequado”. Ou seja, “serem conciliadores, atentos e tentarem resolver os problemas em conjunto com os pais”, “sem apontarem o dedo a ninguém”. “A família deve desempenhar o seu papel e a escola o seu, sem intromissão de parte a parte. Os pais não devem andar sempre na escola, mas também não se devem desligar completamente. Tem de haver um bomsenso e colaborarem mutuamente.” Da sua experiência, Luís Lobo considera que “um bom pai tem um bom filho” e que “não há filhos mal comportados de pais bem comportados”. Ou seja, “cada filho leva o modelo de casa, salvo raríssimas excepções”. Luís Lobo acrescenta que “alunos mal-criados e hostis, têm normalmente pais que também o são”, explicando que não se está a referir à “conversa nas aulas”, perturbação que “cabe ao professor resolver dentro da sala”. Convidar os pais para participarem em actividades como o Dia da Poesia, Dia do Livro ou festa de Natal podem ser estratégias para estabelecer um “elo de ligação”, diz Raquel Sampaio, professora aposentada. Graça Simões, docente no Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, afirma que “devem ser promovidas formas efectivas de comunicação entre a escola e a família sobre os programas escolares e o progresso das crianças”. Essa comuni- Pais atentos, que transmitem aos filhos o respeito pelo professor têm filhos bem comportados Luís Lobo cação pode ser efectuada “através de telefonemas, visitas, relatórios, conferências, etc”. “Bom senso” é a palavra que deve reinar. “O envolvimento não deve ser exagerado, sob pena de se tornar negativo para todos os intervenientes. É importante que os pais se envolvam, supervisionem e desenvolvam um trabalho articulado com os professores. Cada qual tem o seu papel e não deve interferir no do outro”, esclarece Graça Simões. Importante é que, “sintam que estão no mesmo barco, remando no mesmo sentido, ou seja, rumo ao sucesso escolar dos seus filhos/alunos”, destaca. Por sua vez, “filhos de pais negligentes, manifestam frequentemente comportamentos problemáticos, uma vez que sentem que os seus actos não terão consequências, contando com o desinteresse e a impunidade por parte dos pais”. No entanto, “há sempre excepções”, admite. Algumas escolas têm integrado a formação parental nas suas actividades. Graça Simões afirma que esta acção “deve fomentar uma atitude educativa e preventiva, que transmita aos intervenientes neste processo um sentimento de confiança e competência, bem como, uma atitude colaborativa entre famílias e professores e uma parentalidade positiva”. A docente lamenta que ainda sejam poucas as escolas que apostam neste “investimento”. “Não é ainda uma prática comum nos agrupamentos, sendo pois, muito importante que se partilhem estas boas práticas e que se considere esta iniciativa um recurso a integrar num plano de melhoria das escolas. Seria desejável que a formação parental viesse a constar nos planos de atividades e nos regulamentos internos de cada agrupamento.” PUBLICIDADE 6 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Abertura Objectivos comuns mas papéis distintos Mediação escolar deve integrar alunos, pais e professores RICARDO GRAÇA Os alunos não devem ficar de fora da mediação escolar Elisabete Cruz [email protected] T A mediação em contexto escolar pode ser uma ferramenta útil para ajudar a resolver os problemas dos alunos e ajudar à integração de jovens problemáticos na escola. A intervenção é, muitas vezes, feita através dos Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família (GAAF), que a maioria das escolas possui. A função destes gabinetes é, sobretudo, procurar dar resposta às situações a partir de uma intervenção local, definindo uma metodologia de abordagem individual, apoiada num clima de confiança entre técnico, aluno e família, sempre em articulação com os restantes parceiros da comunidade escolar. Os GAAF funcionam como um observatório da vida na escola, detectando as problemáticas que afectam alunos, famílias e comunidade escolar, propondo-se reflectir sobre as mesmas de modo a planear a intervenção mais adequada. “Muito se tem falado de mediação em contexto escolar, mas, ainda numa mediação “entre pares”, ou seja, aquela à qual chamamos efectivamente “mediação escolar”. No entanto, é emergente uma nova forma de mediação nas es- colas do nosso país”, afirma Rafaela Azevedo. A mediadora familiar defende que a “aprendizagem não se dá no vazio, mas em contextos, tanto situacionais quanto interpessoais”. Assim, “o contexto não só escolar”, mas, “sobretudo, familiar deve ser considerado e objecto de intervenção especializada”. Para Rafaela Azevedo, os alunos nunca devem ficar de fora de uma mediação. “É muito importante que os alunos sejam ouvidos e quanto mais velhos eles forem, mais se manifesta essa importância. Não devemos discutir nunca problemas de um determinado aluno 'nas suas costas'. Isto não significa que em todas as reuniões que se façam ele tenha que estar presente ou ao corrente de todos os detalhes, mas em algum momento deverá estar.” A especialista considera que o aluno “deverá sentir que as suas opiniões, vivências e sugestões são imprescindíveis”, pois será uma “forma de o responsabilizar por determinada situação e também de o trazer a uma cada vez maior maturidade cognitiva”. Rafaela Azevedo considera ainda “indispensável que a escola seja a primeira a intervir directamente com a família de forma a tratar de raiz todos os mais varia- dos problemas do aluno”. A especialista salienta que professores e encarregados de educação devem “ter consciência que têm determinados objectivos que são comuns”. E, para que ambos caminhem no mesmo sentido é “necessário definir e distinguir muito bem qual o papel dos pais ou cuidadores e qual o papel da escola”. Rafaela Azevedo concorda que “ambos devem ter objectivos comuns, mas papéis distintos e bem delineados para que não haja aquilo a que, não raras vezes, se assiste, que são pais e professores de costas voltadas”. Pedro Biscaia, director da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira, em Leiria, avança que “os encarregados de educação são, por natureza, os clientes de um serviço público educativo” e, como tal, “os seus contributos devem ser entendidos como essenciais à melhoria desse serviço”. Por isso, “todas as formas de facilitar e incentivar essa participação serão positivas”. Para o director da escola, “toda a participação dos encarregados de educação tem sido, quase sempre, muito útil”. Pedro Biscaia lamenta que a presença dos pais na escola “nem sempre seja mais assídua”. “O associativismo também aqui, como noutras áreas, vive um momento de refluxo. Também a precariedade laboral não ajuda a essa intervenção cívica.” Rafaela Azevedo destaca uma boa definição dos papéis de cada um dos agentes escolares, para que não haja uma intromissão mal-interpretada deteriorando as relações. “Se cada um compreender qual o seu papel naquele processo educativo, os limites virão naturalmente. É muito importante os pais perceberem que devem intervir na escola até ao limite da vida escolar do seu filho, sem chegar aos 'saberes formais' e que a escola deve intervir naquela família, tendo por objectivo uma melhoria das questões de aprendizagem de determinado aluno, até ao limite dos 'saberes formais' sem chegar aos valores familiares.” Da experiência que tem como mediadora familiar, a especialista revela que os principais problemas que surgem entre escola e pais devem-se à “inversão das suas respectivas funções o que se reflecte de forma não saudável nos filhos”. Neste sentido, “não raras vezes, a escola e a família caminham numa perspectiva de culpabilização do outro quanto à “educação” de determinado aluno”. 8 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Entrevista José da Silva Fabião Porque se comemora hoje (22 de Maio) o Dia da Cidade de Leiria, o JORNAL DE LEIRIA foi ouvir uma das suas personalidades incontornáveis, que acompanhou de perto os principais momentos da sua história recente “Enfrentei sempre os tipos da Pide” Graça Menitra [email protected] T Nasceu em Sismaria, Marrazes, concelho de Leiria. O que recorda da cidade da sua infância e juventude, e que entretanto se perdeu? Locais, pessoas? Fui sempre estimado por toda a gente e tive sempre uma certa maneira de ser (indicada pelo meu pai). Ele dizia-me: “para seres respeitado tens de respeitar tudo e todos”. E eu segui sempre essas directrizes. Quanto aos locais, havia realmente alguns que gostava de fotografar e que hoje já não existem. Um era um arco numa rua da zona histórica (não me lembro o nome) que fotografei imenso porque era muito bonito. Como deixou de existir, pronto, ficou só a memória e a fotografia. É a evolução natural da vida. Depois de 75 anos a fotografar, não tem saudades da objectiva? Nem máquina tenho aqui no lar para poder fotografar. Acabou, acabou... Os anos já pesam muito. Mas ainda leio todos os dias o jornal e vejo as notícias na televisão, assim como alguns programas ligados à natureza e outros que me interessem. Tenho de passar o tempo de alguma maneira. Só tenho pena de já não conduzir. Depois de fazer 92 anos, recusaram-se a entregar-me a carta de condução. Eu tenho a noção exacta de saber conduzir mas se pensam assim, tenho de aceitar. Nunca tive um acidente, com excepção de um tipo que veio contra mim e me amachucou o carro à frente. Gostava muito de conduzir, de dar as minhas voltinhas, sozinho, e sobretudo de ir até à praia. Adoro praia. Não foi por acaso que fiz uma casa no Pedrógão, em 1964. Na altura, custou-me 300 contos. Já tenho alguma dificuldade em andar, porque a minha perna esquerda é uma marota (já nasceu assim: é mais curta dois centímetros e mais fina que outra. De resto tenho uma saúde impecável. Faço uma alimentação vulgar e como de tudo um pouco. Mas todos os dias de manhã faço ginástica. Até porque foi um desportista e chegou a receber algumas distinções. Esteve igualmente ligado à fundação da União Desportiva de Leiria e de outros clubes... Sim, sim, fui medalhado quando era jogador de basquetebol no Leiria Ginásio Clube. Comecei a jogar aos 15 anos e só terminei depois dos 20 e tal, pouco antes de casar. A vida familiar e o trabalho já não me deixavam grande tempo livre. Mas ainda fui dirigente durante uns anos do Leiria Ginásio, do Grémio Literário e Recreativo e também do Ateneu. Quanto à União Desportiva de Leiria fui um dos seus sócios fundadores. Assim como do Benfica. Ainda hoje sou sócio e também fui condecorado, em Lisboa, com uma medalha por ser um dos sócios mais antigos. A sua primeira máquina, assim com todo o seu espólio de décadas de profissão, está à guarda do Museu da Imagem em Movimento (Mimo). Como foi desprender-se de todo este material que marcou a sua vida? Não me custou nada tomar essa decisão. Vim para o lar e não ia vender as máquinas a este e àquele. Tinha um laboratório completo e com as melhores máquinas, e por isso decidi oferecer esse espólio à Câmara Municipal de Leiria. Os meus filhos concordaram que o fizesse. Deste modo, o meu nome não ficará esquecido. E se tiver saudades, posso sempre lá ir ver. A 10 de Outubro de 2006, o Ministério da Cultura prestou-lhe uma homenagem pública, concedendo-lhe aMedalha de Mérito Cultural, em reconhecimento pelo “inestimável trabalho de uma vida dedicada à fotografia e à imagem em Portugal, ao longo de mais de 60 anos”. Ficou surpreendido? Fiquei. Fui chamado ao Governo Ci- vil de Leiria e quando lá cheguei apresentaram-me a senhora ministra. Foi ela que me graduou. É sempre bom que reconheçam o nosso trabalho, nas não eram as medalhas que me moviam. Sempre fui uma pessoa modesta, felizmente. Mais tarde, a Câmara Municipal de Leiria, atribuiu-me também a Medalha de Prata da Cidade. Como fotojornalista, alguma vez teve medo ou sentiu a sua integridade física ameaçada? Nunca tive medo. Mas fui ameaçado. A Pide perseguiu-me muito. Chegaram a ir a minha casa e mandarem-me imediatamente acompanhá-los Em destaque Aos 93 anos, José Fabião continua afável, lúcido e independente. Viúvo, vive numa residencial de idosos e apesar de ter colocado as objectivas de lado, o seu olhar traça, na hora, o melhor perfil do rosto de quem consigo fala. Ossos do ofício!!! até ao meu estúdio. Respondia que não, porque primeiro tinha que jantar com a família. A Pide não gostava de algumas fotografias que eu fazia e que saiam nos jornais. Eu fotografava sempre, por exemplo, as comemorações do 5 de Outubro com os republicanos. Porque eu também era republicano. Esse dia era sempre festejado com vivas à República. A Pide pedia-me as fotografias do Dr. Vasco da Gama, do Dr. Serafim e mais deste e daquele. Queriam apreendê-las. Respondia que não as arranjava, dizendo que só o meu funcionário de laboratório é que fazia e sabia dessas fotografias. Mas eles mandavam lá ir buscá-las no dia seguinte. Mas pagavam-nas. Eu não dava as fotografais sem dinheiro. Chegou a ser preso pela Pide? Não, nunca cheguei a ser preso mas também ninguém podia comandar o meu trabalho. Na altura, morava em frente ao antigo quartel, junto ao castelo de Leiria. E muitas vezes quando passava em frente à Polícia, chamavam-me para me informar que dia tal haveria uma reunião no Hotel Central e que eu teria de lá ir fazer as fotografias. Estavam os tipos da Pide, o Comandante da Polícia e o Comandante do Regimento. Respondialhes: “se os senhores me obrigarem ir lá fotografar, eu vou. Mas não vou de livre vontade”. E o Bessa, que era o comissário, voltou-se para o tipo da Pide e disse: “O Fabião tem razão, porque é uma pessoa muito estimada em Leiria e isso não seria bom para ele”. E recusei-me a ir. Outro dia, estava no estúdio e tinha três clientes à espera. Telefonaram-me da Pide para eu ir fazer umas fotografias ao Regimento na Cruz da Areia. Disse que não ia mas que mandava um funcionário. Levei por esse trabalho 120 escudos. No outro dia, apareceram-me lá uns tipos da Pide a perguntarem-me que direito tinha eu em cobrar dinheiro pelas fotos. Respondi que tinha o direito de Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 9 ENTREVISTA COM O APOIO DE: RICARDO GRAÇA Fotografia e desporto Homem de paixões Alma sã em Lutou dez anos corpo são José Fabião nasceu em Sismaria, Marrazes, Leiria. Com 12 anos, aprendeu a fotografar com um seu tio avô e aos 19 iniciou abriu o seu próprio estúdio no Bairro dos Anjos. Foi dirigente distrital do Sindicato dos Tipógrafos Fotógrafos e Ofícios Correlativos e correspondente da região para os jornais Record, Diário de Notícias, O Século e O Primeiro de Janeiro. A ele se devem fotos únicas e históricas de diversos acontecimentos em Leiria, como a passagem de Humberto Delgado em campanha presidencial, a visita do Papa Paulo VI, o 25 de Abril, o PREC ou o Verão Quente de 1975. A par da profissão, foi atleta de basquetebol e de ginástica no Leiria Ginásio Clube, director do Ateneu Desportivo de Leiria e do Grémio Literário e Recreativo de Leiria, entre outras actividades. levar os preços que queria na minha casa, de acordo com a tabela, que respeitava em todas as circunstâncias. Viram a tabela e foram-se embora. Era o que faltava eu ter medo. Estava em minha casa e fazia o meu trabalho. Recorda alguma reportagem que o tenha marcado? Trabalhava para diversos jornais nacionais e recordo, por exemplo, a reportagem que fiz quando a Senhora de Fátima visitou Leiria. Também fotografei os presidentes da República que visitaram Leiria. Comecei pelo General Franco e pelo Haile Selassie, da Etiópia. Mas fiz milhares de outras reportagens. Casamentos então, era todos os fins de semana. E também trabalhei para o Record na área desportiva. Tem pena que a empresa Fabião se tenha extinguido? Não, porque o Fabião era eu e por isso a empresa terminou comigo. Nunca obriguei os meus filhos a trabalhar na fotografia. Eles estudaram e seguiram a sua vida. Mais tarde, o meu filho mais velho é que optou por trabalhar comigo. Mas sim, o Fabião era um referência não só na cidade como na região. Toda a gente conhecia o Fabião. Há alguma casa nos arredores de Leiria que não tenha fotografias do Fabião? Ainda hoje quando vou a qualquer lado todos me reconhecem: “Olha o Fabião, o fotógrafo que fez o meu casamento, isto e aquilo”. É sempre muito agradável de ouvir. Foram muitos anos e por isso são milhares e milhares de películas. Já é avô e bisavô. Acha que alguns dos seus descendentes vai ter queda para a fotografia? Não faço ideia. Mas obrigar não. Cada um tem é de fazer aquilo que gosta. E hoje é diferente de antigamente, em que tínhamos de fazer o que os pais mandavam. Hoje um filho vai crescendo, estuda e segue a sua vida. para casar T A par da fotografia, teve uma outra grande paixão... Sim. E só casei com 27 anos porque não me deixaram casar mais cedo. Comecei a gostar da minha mulher quando tinha 15 anos. Não me deixavam namorá-la porque ela era uma menina diferente. Ia agora casar com um fotógrafo? Os pais diziam que eu era maroto e que andava sempre em bailes. E lá isso é verdade, porque adorava dançar. Mas fui insistente e acabei por casar, com a ajuda de uma tia dela, que também era minha madrinha de baptismo. Ela é que fez pressão junto dos pais da minha mulher: “deixem namorar a Quinita com o Fabião. Ela só gosta do Fabião e não quer mais nenhum”. E foi assim... uma luta de dez anos mas que valeu a pena porque casei com a mulher de quem sempre gostei. Alguns amigos diziam-me: “Ó Fabião não te compreendo. Conheces raparigas lindíssimas...”. Eu respondia: “Não sei porquê. Ela não é bonita mas eu gosto dela...”. Fotografava em estúdio mas também era fotojornalista. Qual a modalidade de que gostava mais? Gostava mais do estúdio. Adorava estudar o perfil das pessoas para as poder fotografar do melhor ângulo. É que todos temos uma face mais perfeita que outra (tem que ver para o lado que se dorme). Aprendi isto pela minha maneira de ver e observar. Fui sempre um bocado exigente na minha profissão. Um dia, na Alemanha, estava a ver um fotógrafo francês a fotografar uma modelo. Decidi entrar em acção e dizer ao tipo que ele não sabia distribuir as luzes para as caras das manequins. Avancei e disse que gostava de a fotografar. Comecei a distribuir a luz à minha maneira e a mostrar que as fotos que ele tinha feito tinham uma chapa branca nos cabelos da modelo. O fotógrafo aceitou e agradeceu a minha intervenção. Era realmente muito exigente com o meu trabalho. Evolui muito porque fui a muitos congressos, através da Kodak e da Afga. Fui três vezes à Exposição Internacional de Fotografia de Colónia, Alemanha, onde aprendi bastante. Eram oito dias de muita aprendizagem. Não me dava ao trabalho de andar a passear aqui ou acolá. Dedicava-me, isso sim, a ver como se trabalhava. Conheci bastantes e bons fotógrafos nas havia um do Porto, Teófilo Rego, que era um verdadeiro mestre. Era ele que me telefonava para saber se eu queria ia à feira de Colónia com ele. 10 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Sociedade Desemprego torna Norte do distrito mais dependente de RSI Carência Sem emprego nem jovens, os concelhos a Norte do distrito de Leiria são aqueles onde há maior número de beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI) por habitante Daniela Franco Sousa [email protected] Situados no Interior, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Pedrógão Grande estão entre os concelhos do distrito de Leiria com maior número de beneficiários de Rendimento Social de Inserção (RSI) por população residente. Convidados a comentar os dados disponibilizados pelo portal da Pordata, responsáveis por instituições de solidariedade justificam o aumento da carência com a subida do desemprego e, nalguns municípios, com a população envelhecida, muito penalizada com o aumento do custo de vida. Em 2003, em Figueiró dos Vinhos, 3,7% da população beneficiava de Rendimento Mínimo Garantido (RMG), programa de apoio que viria a denominar-se RSI. Já em 2012, o concelho viu aumentar a percentagem de beneficiários de RSI para 6,7% dos residentes. Se forem considerados os Censos de 2011, que registavam como população residente em Figueiró dos Vinhos apenas 6148 pessoas, significa que em 2012, entre estes munícipes, mais de 400 dependiam desta ajuda. De salientar também o aumento de beneficiários de RSI em Castanheira de Pera, que passaram de 3,6% para 4,7% da população, e em Pedrógão Grande, onde subiram de 1,6% para 3,5%. Fernando Conceição, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Figueiró dos Vinhos, explica que o seu concelho é “relativamente pobre e envelhecido, e tem falta de emprego”. De acordo com o responsável, nos últimos anos, a população foi penalizada com o encerramento de empresas, desde serrações a negócios de recauchutagem e confecções, pelo que, presentemente, os principais empregadores do concelho são a câmara, as escolas e a Santa Casa. Expressivo foi também o aumento dos beneficiários em concelhos habitualmente associados a maior dinâmica sócio-económica, como Leiria, Caldas da Rainha e Marinha Grande, onde o número de beneficiários de RSI triplicou. A Marinha Grande, por exemplo, passou de 1,3% de beneficiários de RMG, em 2003, para 3,8% de beneficiários de RSI por população residente, em 2012. Para Joaquim João Pereira, pro- Beneficiários do RMG e do RSI em % da população residente 1,5 1,7 Alcobaça 2003 1,8 Alvaiázere 2,6 2,5 Ansião 2,8 1,1 1,1 Batalha 1,5 Bombarral Caldas da Rainha 2,4 0,7 2,2 Castanheira de Pera 3,6 4,7 3,7 Figueiró dos Vinhos Leiria 6,7 0,9 2,7 1,3 Marinha Grande 3,8 2,5 2,5 Nazaré Óbidos Pedrógão Grande 1,0 1,8 Média em Portugal Continental 1,6 3,5 3,2 Peniche Pombal Porto de Mós 2012 4,1 4,5 2,7 1,8 1,8 2003 2012 1,9 2,4 O Rendimento Social de Inserção (RSI) teve antes a designação de Rendimento Mínimo Garantido (RMG) Fonte: Pordata. Com ligeira quebra de 0,5% Peniche foi o único concelho onde baixaram os beneficiários Emídio Barradas é provedor da Santa Casa da Misericórdia de Peniche, o único concelho do distrito onde, segundo a Pordata, o número de beneficiários de RSI (antes RMG) baixou de 3,2%, em 2003, para 2,7%, em 2012. Os números são novidade para o provedor, que prefere ser “cauteloso” em relação a qualquer dado não oficial difundido em período de campanha eleitoral. Além disso, tanto quanto sabe, “houve alteração no programa e nos critérios de apoio” pelo que em causa estão dados “incomparáveis”. No terreno, o provedor não tem observado RICARDO GRAÇA grande mudança. Aliás, refere que as cantinas sociais continuam a lotadas, reflexo de que continua a existir carência.. vedor da Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande, este aumento deve-se ao desemprego. Se a juventude vai estando bem, de forma geral, o mesmo não se pode afirmar em relação a pessoas com mais de 45 anos, para quem é muito difícil conseguir oportunidades de trabalho nas empresas de moldes, vidros e plásticos, expõe o provedor. Para Ana Patrícia Nobre, directora da Associação Novo Olhar II, a justificação passa pelo desemprego, que afecta a população mais velha e também os mais novos, alguns dos quais com formação superior. Neste concelho, entre os jovens desempregados, contam-se também cidadãos imigrantes. Alguns deles perderam os seus empregos e na realidade, observa a directora, nunca chegaram a ter contratos formais de trabalho. Além disso, defende, os números espelham ainda o aumento do custo de vida, uma realidade que atinge desempregados e não só. A autarquia diz que “está atenta e procura dar resposta a todas as necessidades e carências económicas neste período de crise social, que também afecta a população da Marinha Grande”. “Todas as situações sinalizadas e todos os pedidos que recebemos são devidamente tratados e merecem o apoio camarário”, informa ainda. “A câmara não conhece todas as situações dos beneficiários do RSI, pelo que não pode formular um juízo geral sobre a sua dimensão. Uma avaliação séria e rigorosa depende da análise concreta da situação de todos os beneficiários, designadamente do respectivo percurso profissional”, frisa o município, para quem “os números indicados não obscurecem a pujança económica do concelho, que se reflecte por exemplo na baixa taxa de desemprego registada”. Será de salientar que, apesar da subida do número de beneficiários no distrito de Leiria, à excepção de Figueiró dos Vinhos e de Castanheira de Pera, os restantes concelhos deste território apresentam, mesmo assim, números inferiores à média registada em Portugal Continental, que em 2012 era de 4,5% da população. Até ao fecho da edição não foi possível ouvir a Câmara da Figueiró dos Vinhos, também convidada a comentar os dados. Faltam passeios e passadeiras Cortes pede mais segurança na EN356-2 Circular a pé junto à EN356-2 na zona das Cortes, concelho de Leiria, é uma “verdadeira aventura”. Face à falta de passeios e à obstrução das bermas com vegetação, os peões vêem-se obrigados a circular no alcatrão, numa estrada classificada como nacional, mas que, no centro da povoação, não tem qualquer passadeira. Nuno Amaro, que reside numa urbanização construída recentemente, frisa que se trata da uma via “bastante movimentada”, onde “a generalidade dos automobilistas” não respeita os limites de velocidade. “Atravessar a estrada, para ir ao centro das Cortes, é um caos”, afirma o morador, que, em 2012, solicitou à Estradas de Portugal (EP) a colocação de uma passadeira. “Disseram que não era possível, por motivos técnicos, nomeadamente, pelo facto de não haver passeios”, conta. Célia Marques, outra moradora, frisa a preocupação com a circulação das crianças. “Têm de andar pela estrada e atravessar sem qualquer segurança”, sublinha, referindo que, quando o seu filho começou a ir sozinho para a escola, acompanhava-o sempre até ele passar para o outro lado da estrada. José Cunha, presidente da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, diz partilhar as preocupações dos moradores, assegurando que já as fez chegar à câmara e à EP”. Mas, admite que a resolução do problema “fique em stand by”, até à conclusão da negociação entre o município e a EP para a desclassificação da estrada. MAS Problema foi comunicado à autarquia Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 11 PUBLICIDADE Sociedade GNR e PSP percorrem terrenos rústicos Mais de 2000 infracções detectadas em Leiria e Pombal Elisabete Cruz [email protected] TMais de duas mil infracções foram detectadas nos concelhos de Leiria e Pombal pelas forças de segurança, no âmbito das acções de fiscalização e sensibilização para a limpeza dos terrenos rústicos, de modo a evitar a propagação de incêndios florestais. Os números podem ainda subir, uma vez que agentes e militares continuam no terreno. Rui Teixeira, comandante do GIPS sediado em Alvados (grupo que está responsável pelo concelho de Leiria), revelou que já foram fiscalizados 58.703 prédios rústicos, tendo sido detectadas 1.374 infracções nas freguesias de Cortes, Maceira, Caranguejeira, Santa Catarina da Serra e Chainça, Santa Eufémia e Boa Vista. Além da preocupação de sensibilização para a limpeza, com o objectivo de diminuir a área ardida, Rui Teixeira explica que a GNR alerta também as populações para o risco de deposição irregular de resíduos industriais e domésticos, abandono e queima de pneus, queima de resíduos domésticos, poços sem cobertura e veículos em fim de vida. O comandante disse ainda que só estão a contabilizar a propriedade privada: "Se juntarmos aqui as áreas protegidas e das competências da Estradas de Portugal, estradas concessionadas, da rede eléctrica nacional, então deveríamos ficar muito aflitos". Para aquele responsável, as infracções devem-se, sobretudo, "à falta de fiscalização". "Somos um país em que as pessoas têm necessidade de serem fiscalizadas para cumprirem. Podese juntar ainda a falta de sensibilidade das pessoas", frisa. Rui Teixeira lembra que, "até mea- Os números 1.374 infracções foram detectadas pelos GIPS no concelho de Leiria. O número poderá subir, uma vez que ainda há freguesias que não foram alvo da acção de sensibilização 671 infracções foram registadas até ao momento pelos GIPS e PSP de Pombal. As acções de fiscalização ainda decorrem em Abiul, e nas localidades de Santiago de Litém e S. Simão de Litém dos de 1990", as pessoas "faziam a gestão de combustível, porque tinham necessidade de utilizar os sobrantes da sua exploração para aquecer as suas casas ou para a agricultura". Com a tecnologia, "esse combustível deixou de ser usado e foram negligenciando aquilo que é a propriedade rústica". "Mais vale prevenir do que remediar": as palavras são do presidente da Câmara de Leiria, Raul Castro, que avisou que não terá contemplações para com os infractores. "Depois da primeira sensibilização, vamos fiscalizar quem continua em incumprimento e vamos aplicar as coimas previstas na lei. Se calhar, nem nós ficamos pelos mínimos", salientou. A acção dos GIPS tem duas fases: "identificação de todas as situações irregulares" e, posteriormente, "um levantamento dos respetivos autos de contra-ordenação nas situações que não forem corrigidas". Pombal apela à limpeza voluntária No município de Pombal, a vereadora Catarina Silva revela que os GIPS e a PSP do concelho, que também estão no terreno a promover uma campanha de sensibilização junto das populações para a limpeza e conservação das suas propriedades, “registam, até ao momento, 671 infracções, das quais 48 resultaram na limpeza voluntária dos terrenos identificados (7,15% do total)”. No total, estas duas forças policiais “identificaram 38 infractores e 42 proprietários lesados”. Contudo, “com as acções de fiscalização ainda a decorrer, o número de infracções já ultrapassou as mil”, sendo que, “com algumas freguesias ainda por fechar, os resultados apresentados são ainda preliminares”. Na freguesia da Redinha as forças de segurança detectaram inicialmente 167 infracções, em que 13 terrenos foram limpos voluntariamente, 7,78% de cumprimento voluntário. Na Pelariga foram assinaladas inicialmente 141 infracções, tendo-se registado seis limpezas voluntárias das propriedades, o que corresponde a 4,25%. “As acções de fiscalização ainda decorrem na freguesia de Abiul, e nas localidades de Santiago de Litém e S. Simão de Litém, pelo que até ao fim das acções em curso os números deverão sofrer alterações”, lembra a vereadora. Rui Teixeira entende que “se estas acções de fiscalização se desmultiplicarem pelas 3881 freguesias do país, ao fim do terceiro ano, as pessoas vão ser mais responsáveis e perceber que, como têm um tempo para plantar e um tempo para colher, também vão ter um tempo para fazer a gestão de combustível”. 12 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Sociedade Leiria homenageia uma empresa e oito personalidades Figuras empreendedoras e solidárias distinguidas no Dia da Cidade ARQUIVO/JL Daniela Franco Sousa [email protected] T Leiria comemora hoje o Dia da Cidade, com a habitual homenagem a instituições e personalidades que, das mais diversas formas, têm contribuído para o desenvolvimento do concelho. Este ano, o município escolheu uma instituição e oito figuras de Leiria que partilham valores como o empreendedorismo, a solidariedade e a cultura. De acordo com a autarquia, a Roca (na foto central) será a empresa distinguida com a medalha de ouro, “pelo seu exemplo de empreendedorismo, produção sustentável e responsabilidade social”. Entre as personalidades distinguidas com medalha de prata contam-se Gabriel Oliveira, fundador do Grupo Valco (que recebe a distinção a título póstumo), também João Morais, médico, Maria Luísa dos Santos, professora aposentada, e Maria Natalina da Fonseca, freira dedicada ao ensino. Quanto às personalidades agraciadas com medalha de bronze, são este ano o jornalista Adélio Amaro e o jornalista Joaquim Santos, o capitão José Lourenço Faria, e também Manuel Sousa, vice-presidente da Direcção da Delegação Distrital de Leiria da Associação Portuguesa de Deficientes. A cerimónia solene será realiza- Ex-presidente da Junta de Freguesia da Caranguejeira e fundador do Grupo Valco recebe a distinção (a título póstumo) “pelo seu carácter empreendedor, exemplar percurso empresarial e ao nível do associativismo. João Morais Cardiologista do Centro Hospitalar de Leiria, “tem-se notabilizado pela adopção de técnicas clínicas de vanguarda, que contribuem para uma prestação exímia de cuidados de saúde”. Os vereadores do PSD na Câmara de Leiria propuseram, na última reunião de executivo, uma campanha de sensibilização para a promoção da higiene pública na cidade, com Álvaro Madureira a chamar a atenção para o facto de os passeios e espaços ajardinados se encontrarem “bastante conspurcados com dejectos animais”. Os sociais-democratas defendem ainda um reforço da iluminação em alguns pontos da cidade, nomeadamente na zona do Polis. Marinha Câmara apela à população para combater vandalismo “Alguns jardins, floreiras e espaços públicos da Marinha Grande têm sido vandalizados, provocando elevados custos para a câmara, que repudia estes actos e apela à vigilância da população”. A mensagem partiu da autarquia, depois do último caso, que ocorreu na semana passada no jardim da Avenida da Liberdade, espaço que circunda o cemitério e que foi alvo de recente arranjo paisagístico. Município destaca responsabilidades da Roca da no Teatro José Lúcio da Silva, a partir das 10:30 horas, onde serão também distinguidos todos os funcionários do Município de Leiria com mais de 25 anos no activo. Esta cerimónia conta ainda com as intervenções do presidente da Assembleia Municipal, José Manuel Silva, e do presidente da autarquia, Raul Castro. Quanto ao mo- mento musical estará a cargo do grupo coral AdesbaChorus. Já o final da cerimónia contará com a intervenção de Fernando Santo, ex-secretário de Estado da Justiça e ex-bastonário da Ordem dos Engenheiros, que dissertará sobre Desafios do Futuro, o novo conceito de reabilitação urbana como factor de desenvolvimento. O dia será marcado por espectáculos e actividades em vários pontos da cidade, sendo que “o ponto alto tem lugar pelas 23 horas com a actuação dos leirienses Silence 4, no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, num reencontro carregado de simbolismo com Leiria e a sua população”, adianta a autarquia. Adélio Amaro José Lourenço Faria Os homenageados Gabriel de Jesus Oliveira Leiria Vereadores do PSD pedem mais higiene pública Maria Luísa dos Santos Destaca-se a intervenção cívica desta antiga professora e ex-presidente da Junta da Chainça, “pelo notável percurso profissional, na formação das nossas crianças, pela total entrega e dedicação ao próximo”. Maria Natalina Fonseca Conhecida como Irmã Manuel “é homenageada pelo notável desempenho de mais de quatro décadas na direcção do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, com total dedicação ao serviço do ensino”. Premiado “pelo seu percurso profissional, onde se destaca o jornalismo, a fotografia, a pintura, a investigação histórica e percurso enquanto editor”. Joaquim Santos O jornalista é “homenageado pelo seu papel na divulgação da cultura leiriense, pelo trabalho meritório de investigador e enquanto dinamizador da freguesia de Colmeias”. Distinguido pelo “percurso profissional de excelência na área militar, na escrita e na intervenção cívica”, seja no Hóquei Clube de Leiria, na Associação de Patinagem de Leiria ou na Filarmónica das Chãs. Manuel Sousa Vice-Presidente da Direcção da Delegação Distrital de Leiria da Associação Portuguesa de Deficientes é homenageado pelo “brilhantismo da sua carreira desportiva e pela defesa da inclusão”. Vieira de Leiria Incêndio faz dois desalojados Um incêndio numa habitação em Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande, provocou no domingo à noite dois desalojados, informou à Lusa fonte dos Bombeiros Voluntários de Vieira de Leiria, que enviaram para o local cinco viaturas e 16 elementos. O incêndio foi extinto, mas foi depois necessário proceder à ventilação do imóvel, pelo que os moradores ficaram em casa de amigos, adiantou a mesma fonte. S. Pedro de Moel Abertas inscrições para campos de férias A Câmara Municipal da Marinha Grande vai abrir as inscrições para a participação de crianças e jovens nas colónias de férias na Casa Afonso Lopes Vieira, em São Pedro de Moel, iniciativa a decorrer entre 7 de Julho e 31 de Agosto. As inscrições poderão ser realizadas nos dias 27, 28 e 30 de Maio, entre as 9 e as 16 horas, na recepção do Arquivo Municipal, junto à Biblioteca Municipal, no Núcleo Stephens. Sociedade Espaço foi inaugurado há dois anos, mas quase nunca funcionou em pleno Avaria fecha Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha RICARDO GRAÇA Maria Anabela Silva [email protected] T Em Março de 2012, o então secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, inaugurava o Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha, instalado na antiga adega dos frades dominicanos e que custou mais de 700 mil euros. No entanto, durante estes dois anos, sofreu sucessivas avarias. A mais recente, aconteceu em Fevereiro, quando cerca de 80% dos dispositivos deixaram de funcionar, o que levou os responsáveis do mosteiro a fechar o espaço por tempo indeterminado. Segundo Joaquim Ruivo, director do monumento, “as soluções técnicas para a resolução dos diversos problemas que têm afectado o funcionamento do centro encontram-se em estudo/implementação, não sendo, de momento, possível avançar com uma data concreta para a reabertura do espaço”. O director explica que o sistema de hardware, que controla os automatismos e os produtos multimédia, “é muito complexo” e, desde cedo, apresentou alguns problemas de funcionamento. “Quando as avarias são pontuais não se justifica encerrar o centro. O seu fecho só acontece quando vários componentes multimédia são afectados ao mesmo tempo, impedindo uma clara leitura dos conteúdos expositivos [o que aconteceu em Fevereiro]”, acrescenta Joaquim Ruivo. A solução deverá passar pela Legenda da foto O número 700 mil euros foi o investimento feito na criação do Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha, financiada pelo QREN, no âmbito da Rota dos Mosteiros Património da Humanidade “reconversão” do sistema de hardware e de software,“simplificando os automatismos, por exemplo”, adianta o director do mosteiro, frisando que essa intervenção “acarretará alguns custos, que estão a ser devidamente equacionados”. O Centro de Interpretação está integrado no circuito de visita do mosteiro e pretende proporcionar “um novo olhar” sobre o monumento, possibilitando aos visitantes uma melhor compreensão dos seus espaços, da sua evolução construtiva e da sua contextualização histórica e simbólica. Uma das atracções do espaço é a projecção em 3D das fases da construção do mosteiro ao longo dos séculos. O território e a paisagem envolvente, a Batalha de Aljubarrota, a doação do mosteiro aos frades dominicanos, a vida em convento e o seus restauro a partir de 1840 constituem outros dos temas abordados pelo centro de interpretação. Câmara de Perdrógão Grande celebra contrato com ETPZP Escolas primárias viram residência para estudantes T Duas escolas do 1.º ciclo de Pedrógão Grande, no Norte do distrito de Leiria, desactivadas há três anos, vão reabrir em Setembro como residência de estudantes da Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal (ETPZP). João Marques, director-geral da escola profissional, disse à Lusa que as duas residências vão ter capacidade para um total de 25 alunos, sendo a prioridade no alojamento dada aos estudantes deslocados de países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), aos que residam a mais de 50 quilómetros de Pedrógão Grande ou aos que sejam oriundos de zonas onde não estejam assegurados transportes públicos. Para este efeito, foi celebrado um DR Iniciativa mantém empregos em zona de Interior contrato de comodato entre a ETPZP e Câmara de Pedrógão Grande, que também colaborou nas obras de adaptação dos dois imóveis, orçadas em cerca de 100 mil euros. O responsável pela escola justificou o investimento com o facto de o Estado ter deixado de financiar os alunos oriundos dos PALOP, o que se torna “muito difícil em zonas despovoadas e em zonas de baixa densidade demográfica, como é o caso de Pedrógão Grande”, onde é complicado conseguir 26 alunos para abrir uma turma. Esta foi a forma encontrada para manter postos de trabalho, de pessoal docente e não docente, e de garantir este tipo de oferta formativa no concelho, sublinhou o director. PUBLICIDADE Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 13 14 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Sociedade Motoristas com dificuldade de controlar bilhetes e bagagens Passageiros queixam-se de insegurança na gare de Leiria Elisabete Cruz [email protected] T Vários furtos têm sido registados na gare da rodoviária de Leiria. Os passageiros colocam as malas na bagageira do autocarro da rede expressos e entram no veículo. As portas da bagageira ficam abertas até à entrada da totalidade dos passageiros. Durante esse tempo, é fácil retirar as malas e desaparecer quase sem deixar rasto. Foi precisamente isto que sucedeu a uma jovem universitária. “Entrou no autocarro, que só parou em Coimbra. Quando foi para retirar a mala ela não estava lá”, conta a mãe M. J. Ao apresentar reclamação pelo facto, na rodoviária de Coimbra, foram informadas de que “são comuns furtos de malas em Leiria”. Com o objectivo de tranquilizar a filha, M.J. passou a acompanhá-la ao terminal rodoviário em Leiria. “Fiquei chocada com o que vi. É mesmo PUBLICIDADE assustador. Junto aos autocarros permanecem umas pessoas com ar esquisito. A sua presença é muito desconfortável e gera muita insegurança a quem lá está.” Levar a mala para o autocarro é proibido, pelo que os passageiros não têm outra solução que não arriscar a sua sorte. “Não há polícia no local, nem, qualquer agente de segurança que afastasse aquelas pessoas da zona. Talvez devessem colocar uma cancela, que permitisse a entrada para a zona da garagem apenas aos portadores de bilhete, um pouco à semelhança do que sucede nos aeroportos”, sugere M.J. Por outro lado, quando os autocarros fazem paragens em vários pontos do percurso “é fácil para quem sai ou para quem está na garagem levar malas de outros passageiros, intencionalmente ou não”, refere Adriana S. “Eu tento ficar sempre do lado onde coloquei a minha mala para ARQUIVO/JL Furtos preocupam utilizadores tentar controlar, o que nem sempre é possível, porque há lugares marcados”, acrescenta. Joana C. também é frequentadora da gare de Leiria e confessa que se sente “insegura”, devido à presença “de algumas pessoas com ar estranho que andam por lá a rondar”. A jovem acrescenta que tem “cuidado com a mala” para evitar ser assaltada. De acordo com informação da PSP, foram registadas três ocorrências por furto nas instalações da rodoviária nacional, das quais duas durante o mês de Fevereiro e uma em Março deste ano. “Apenas foi apresentada denúncia pelo furto de uma mala de viagem, estando o processo em fase de inquérito. Os restantes dois casos reportam-se ao furto de carteiras, em que num caso o lesado se esqueceu do objecto em cima do balcão do café ali existente. No outro caso tratou-se de uma carteira de um dos motorista que veio, à posteriori, a ser recuperada num autocarro por um outro motorista”, acrescenta a PSP. Esta força policial refere ainda estar a “acompanhar a situação, tendo adotado as adequadas medidas visando evitar o cometimento deste tipo de ilícitos”. O JORNAL DE LEIRIA tentou contactar a rede expressos via telefone e email, mas nunca obteve resposta. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 15 Sociedade Saúde 2.º Educar na Diabetes em Monte Real Durante o próximo fim-de-semana realiza-se o encontro Educar na Diabetes, no Palace Hotel Monte Real, destinado a profissionais de saúde que visa a partilha de experiências e ideias sobre a prevenção da Diabetes – e complicações associadas – por via da educação terapêutica. Sintomas ainda são desvalorizados por alguns médicos Fibromialgia: a doença que se sente mas não se vê DR Elisabete Cruz [email protected] T Para quem sente são dores insuportáveis. Para quem não vê, as queixas são falsas e de “preguiçosos”. A fibromialgia é uma doença crónica, que provoca dores, mas não é visível a quem olha, nem é perceptível em exames médicos. No dia 12 de Maio, assinalou-se o Dia Mundial da Fibromialgia. Joana Vicente, 24 anos, residente em S. Martinho do Porto, criou o grupo Jovens Portadores de Fibromialgia para ajudar a dar resposta às perguntas que muitos doentes sentem, sobretudo, no início da doença. “Sempre que procurava informação percebia que havia pouca coisa em português. Pensei, por que não traduzir artigos e publicações para ajudar outras pessoas?”, revela ao JORNAL DE LEIRIA. Desde os 11 anos que sofre com dores, mas a fibromialgia só foi diagnosticada com 17 anos. Durante vários anos ouviu dizerem-lhe que era “tudo da cabeça” e “o problema era ser preguiçosa”. “Tinha dores numa das pernas e, por vezes, ficava sem andar. Andei de médico em médico. Mas só quando consultei um neurologista foi detectada a doença”, conta, referindo que a fadiga extrema e as dores por todo o corpo impediamna de ir à escola. Joana Vicente lamenta a hostilização a que é, muitas vezes, alvo, até por parte de alguns elementos da família. “É frustrante. Já fui go- A maioria dos casos são mulheres com idades entre os 30 e os 50 anos O número 2% De acordo com o site da Associação Portuguesa de Doentes com Fibromialgia, entre 2 a 8% da população adulta sofre de fibromialgia. zada por professores, que perguntavam se as minhas férias tinham sido boas. Se partir um pé as pessoas vêem, como a dor não é visível...” A depressão é uma doença que acaba por surgir nestes doentes, pelo que a jovem aconselha um acompanhamento psicológico, porque “ajuda muito a encarar a doença” e a “melhorar a auto-estima”. Fernando Morgado, neurologista no Hospital de Santa Maria, explica que a fibromialgia caracteri- za-se por quatro sintomas nucleares. “Dores em todos os grupos musculares, fadiga extrema, que não é recuperável pelo repouso, perturbações do sono, com muitos acordares nocturnos, e problemas emocionais.” O médico acrescenta ainda que existem cerca de 18 pontos que quando pressionados desencadeiam uma dor intensa. “É uma doença que levanta dúvidas, mesmo ao médico, que não sabe avaliar os pontos dolorosos.” Segundo Fernando Morgado, “o aspecto da pessoa é normal” e “todos os exames e análises são normais”. A reacção aos estímulos é que é“anormal”. Ao contrário do que, muitas vezes, se pensa, a fibromialgia “não é uma doença reumatológica” e estes doentes têm “uma limiar de resposta muito baixa à dor”, pois têm uma “sensibilidade álgica muita elevada”. “Pequenos estímulos em pessoas com fibromialgia dão a sensação de uma lesão grave.” Fernando Morgado explica que “os receptores nevrálgicos podem ser desencadeados em situações de maior stress, mais cansaço ou actividades mais intensas do diaa-dia”. A resposta do corpo “é uma contratura e dor”. O especialista defende que os doentes sejam acompanhados por um médico, que sirva de conselheiro de saúde, a quem podem entrar em contacto de imediato, de forma a ajustar a medicação em situações de crises. Além disso, aconselha a uma actividade física moderada. “A imobilização é péssima. Não podem ficar muito tempo sentados ou em pé, porque agrava”. A hidroterapia é das actividades de “excelência”. A família e as pessoas que co-habitam com o doente “devem informa-se” sobre a doença, de modo a “evitar os mal-entendidos. que são também factores de agravamento da dor”, reforça Fernando Morgado. José Carlos Gomes debate profissão nas Jornadas do Centro Hospitalar de Leiria Não temos enfermeiros de mais, mas a menos Daniela Franco Sousa [email protected] T A vaga de emigração dos nossos jovens enfermeiros não se deve ao excesso de licenciados nesta área do saber, mas antes à qualidade destes nossos profissionais, que é cada vez mais reconhecida lá fora. Resultado? Enquanto os nossos enfermeiros são recrutados para trabalhar no estrangeiro, em Portugal “a dotação dos serviços está nalguns casos a roçar o grau do incomportável”. Esta é uma das ideias a reter do discurso de José Carlos Gomes, presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Saúde do João Carlos Gomes Instituto Politécnico de Leiria, também presidente do Conselho de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros, um dos oradores convidados nas Jornadas do Centro Hospitalar de Leiria, que se realizaram entre quinta-feira e sextafeira. De acordo com José Carlos Gomes, existem 90 milhões de enfermeiros no mundo, seis milhões de enfermeiros na Europa e cerca de 64 mil enfermeiros em Portugal. Ou seja, cerca de 12 enfermeiros por cada mil habitantes, em termos mundiais, também cerca de 12 enfermeiros por cada mil habitantes na Europa, mas apenas 6,23 enfermeiros por cada mil portugueses. E mais, estima-se que até 2020 a Europa vá precisar de pelos menos mais um milhão de enfermeiros, aponta José Carlos Gomes. O que temos vindo a fazer por cá não é formar enfermeiros para acompanhar o crescimento das necessidades do País, mas a formar enfermeiros para satisfazer as necessidades de outras paragens, critica o presidente. José Carlos Gomes recordou elogios tecidos pela Organização Mundial de Saúde aos enfermeiros portugueses, “de qualidade reconhecida” e com capacidade para se integrarem em sociedades com outras filosofias, e referiu ainda o interesse recentemente manifes- tado pelos Emirados Árabes em recrutar enfermeiros portugueses.“Não temos demasiados enfermeiros em Portugal. Só não estamos a aproveitar a mão-de-obra qualificada no nosso País”, reforçou o responsável. Uma das formas de valorizar a profissão e os cuidados prestados passa, do seu ponto de vista, pela implementação do sistema de certificação de competências, que entre outras mudanças, introduziria a figura do tutor dos recém-licenciados em enfermagem, com os quais poderiam aprender em contexto de trabalho, durante cerca de um ano, até puderem obter a cédula profissional definitiva. 16 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Sociedade Educação Só com instrução, emprego e família se geram “cidadãos válidos” Visita D. Ximenes Belo apelOU aos alunos da Marinha Grande para que sejam “construtores da paz”, cultivando o amor pelas comunidades lusófonas JOANA CARRIÇO Daniela Franco Sousa [email protected] T O Nobel da Paz, D. Carlos Ximenes Belo, visitou na passada quinta-feira a Escola Secundária Pinhal do Rei e o Agrupamento de Escolas de Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande, onde brindou os alunos com palavras de incentivo e lembrou a estudantes, pais e professores que para ter paz é preciso reunir bem mais condições do que aquelas que ditam os acordos internacionais. “Dêmos graças a Deus porque em Portugal há paz. Não é um país como a Ucrânia, a Síria ou o Bangladeche, onde pessoas continuam a morrer, onde as crianças não têm pão nem têm livros”, dizia D. Ximenes Belo. “Mas creio eu que é não suficiente”, considerava o bispo emérito de Díli. “Na Marinha Grande há paz? Dentro das vossas casas há paz? Dentro de cada um de vós há paz? Há tranquilidade? Há realização pessoal?”, perguntava D. Ximenes Belo. Bispo de Díli recebido na Escola Secundária de Pinhal do Rei “Quando ouvimos dizer que numa cidade há crimes, que há violência doméstica, pais que batem nos filhos, filhos que desprezam os pais, não há paz”, defendeu o bispo, para quem esta palavra é mais profunda, “mais exigente do que dizem os acordos internacionais”. Para os jovens, que são “a alegria e a esperança do mundo”, o Nobel pediu a Deus saúde e o dom da inteligência para levarem a bom porto este ano lectivo. Desejou que entrem na faculdade, que encontrem emprego e que constituam família, porque “só assim se tornam cidadãos válidos” para si mesmos e para o mundo. Aos estudantes, D. Ximenes Belo pediu ainda que fossem “construtores da paz”, aceitando e cooperando com o outro, mantendo o amor pelas comunidades lusófonas. “Que da Escola Secundária de Pinhal do Rei saiam também candidatos ao Prémio Nobel da Paz”, desejou o bispo. Entrevistado pelos alunos, bispo emérito dá lição de história e de humildade Nobel da Paz recorda tempos difíceis sem o apoio de Portugal T Depois de se ter formado em Portugal, que cenário encontrou quando chegou a Timor? Não havia liberdade. Estudei em Portugal e quando regressei a Timor percorri 130 quilómetros de Díli e uma outra localidade, sem estradas alcatroadas. Ao longo desse percurso estavam 14 postos de controlo, onde militares registavam todos os carros que por ali passavam. Queriam saber quem era, de onde vinha e para onde ia. Vi que não erapaís para uma pessoa viver. Visitei aldeias onde a vida durava até às 15 horas, porque a partir desse momento os militares voltavam para defender a aldeia de infiltrações da resistência. Não se falava de liberdade, não havia liberdade de reunião nem de expressão. Timor não era um país livre, era uma ilha-prisão. E era preciso rebentar com o cerco. Foram 24 anos bem difíceis. Mesmo hoje, já com independência, há pessoas a viver em palhotas, onde não há medicamentos nem venda de pão. Com quem contava quando era totalmente controlado? Timor era meia ilha perdida no Oceano Pacífico, de onde as nos- Para ter coragem é preciso ter cabeça e intervir nos momentos próprios D. Ximenes Belo sas vozes não saiam, também devido ao controlo da comunicação social. Quando recebia telefonemas da imprensa internacional dizia-lhes 'falai de nós! Porque quando pararem estaremos todos mortos.' Isto servia para alertar a comunicação social internacional. Eles foram os altifalantes do nosso sofrimento. Em 1991, aquando do massacre no cemitério de Santa Cruz, deu abrigo a muitos jovens. O que admira mais na juventude? O jovem é intemerato, não só para fazer o mal, mas também para fazer o bem. Em ambiente de opressão, muitos jovens ganharam coragem para enfrentar o inimigo e muitas vezes fizeram manifestações, onde foram presos e torturados. Faziamno por Timor. Admirava-os, mas dizia-lhes que para ter coragem é preciso ter cabeça e intervir nos momentos próprios. Mas nem todos eram corajosos e alguns fugiam para debaixo das saias do bispo. E por vezes também lhes dizia: se gritam pela independência, gritem lá fora. Numa ocasião houve alguns que se esconderam na minha despensa sem eu saber. Afinal, entre esses jovens estava também gente infiltrada da In- donésia. Peguei numa vassoura e enxotei-os de lá para fora. É preciso saber lidar com os jovens. Sentiu falta de apoio de Portugal durante estes 24 anos de ditadura em Timor? Claro que senti. Primeiro foram os anos do PREC em Portugal e foi como se Timor estivesse já arrumado. Mais tarde, em 85, com Mário Soares como primeiro-ministro, Portugal estava a preparar um documento para que Timor fosse considerado uma região autónoma. A abertura deu-se mais com Jaime Gama e com Durão Barroso. O que o levou a renunciar ao cargo de bispo de Díli? Foram vinte anos difíceis, de paz podre, com vigilância por todo o lado, com viagens e correspondência controladas. Quando chegámos a 2002 e Timor Leste ganhou a sua independência, reconhecida internacionalmente, julguei que era chegado o momento de deixar a diocese. Fi-lo em boa altura. Entreguei o cargo a outros com visão. Mas estou na retaguarda e rezo por Timor. Hoje é símbolo de coragem e de luta pelos mais desfavorecidos... Estudai sem perder o serviço à comunidade. Devem pensar 'tiro os diplomas para quê?'. Para a vossa realização pessoal? Sim, mas vocês não são uma ilha! Que desafio lança aos jovens de hoje, no que respeita à promoção da paz? Nesta sociedade onde têm tudo, têm os bens materiais, cultura, comunicação social, internet e telemóveis, os jovem podem correr o perigo de cair num certo individualismo. Vivem sozinhos, não têm capacidade de dialogar com os seus pais nem com os seus professores. Hoje já há jovens que se suicidam, porque não encontram razões para viver. Por isso fazem noitadas, entregam-se ao álcool, a isto e àquilo. É responsabilidade do governo, da igreja, dos pais e da escola fazê-los sair deste mundo fechado onde possam viver, sem desprezar estes meios modernos de que a sociedade dispõe. Ajudá-los a serem mais abertos, mais solidários. É nossa responsabilidade chamar a atenção e, sobretudo, apelar à juventude para a abertura, para a solidariedade, para a proximidade entre as pessoas. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 17 Vereadora da Câmara de Leiria visita escolas do concelho Inscrições abertas Alunos com deficiência sem recursos para aprender Mestrados em português e inglês no IPL ARQUIVO/JL Elisabete Cruz [email protected] T Falta de terapeutas e técnicos especializados são alguns dos diversos problemas que enfrentam os jovens com deficiência que estudam no ensino regular. Alertada por encarregados de educação e directores de estabelecimentos de ensino para os problemas que enfrentam os jovens com deficiência no concelho, a vereadora da Educação da Câmara de Leiria, Anabela Graça, foi para o terreno visitar as escolas do concelho a fim de fazer o levantamento de todos os problemas e dificuldades existentes. No final, Anabela Graça irá elaborar um relatório com as conclusões e entregar à delegada regional da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), com o objectivo de assegurar as melhores condições para que estes alunos possam estudar sem problemas. “Sei que há alunos que não têm terapeuta da fala ou terapeuta ocupacional e há falta de recursos humanos para acompanhar estes jovens nas refeições”, revela Anabela Graça, exemplificando ainda com o caso de uma criança, que durante cerca de uma hora viaja sozinha com o motorista do táxi para ir à escola, não tendo acompanhamento de qualquer adulto. “E trata-se de um aluno com deficiência acentuada.” Com o alargamento do ensino obrigatório para os 18 anos, as escolas se- T O Instituto Politécnico do Leiria reforçou a sua oferta formativa em mestrados, com destaque para os cursos ministrados em inglês nas áreas das engenharias, do design, da biotecnologia e do turismo. A oferta de 39 mestrados leccionados em português e oito mestrados em língua inglesa integra a estratégia de melhorar os níveis de atractividade e notoriedade a nível nacional e internacional. As inscrições para a primeira fase estão abertas até 2 de Junho. Mais informações para os mestrados em inglês em www.mastersportugal. ipleiria.pt. Leiria Sarau da Cercilei em 30ª edição Escolas secundárias não estão preparadas para receber alunos com deficiência O número 934 alunos do concelho de Leiria têm Necessidades Educativas Especiais (não significa deficiência), num universo de 13.167 estudantes que frequentam as escolas públicas cundárias vão ser obrigadas a receber estes jovens deficientes, não estando preparadas fisicamente ou com recursos humanos para dar respostas adequadas. Este é outro problema com que a vereadora foi confrontada e que espera resolver a tempo do início do ano lectivo 2014/15. “Já neste ano lectivo, houve alunos que ficaram retidos no 9.º ano, na Escola Correia Mateus, por falta de condições nas escolas secundárias para os receber. Não podemos permitir que estes alunos, que já deviam estar a terminar o 10.º ano, fiquem de novo retidos por falta de condições”, sublinha Anabela Graça. Do roteiro da vereadora constam visitas às unidades de apoio especializado para a educação de alunos com multideficiência e surdocegueira congénita, unidades de ensino estrutural a alunos com espectro de autismo, escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão, e escola de referência para educação bilingue de alunos surdos. T O 30º Sarau de Actividades Corporais da Cercilei-Cooperativa de Ensino e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Leiria, terá lugar nos próximos dias 30 e 31, no Pavilhão Municipal dos Marrazes, Leiria, pelas 21 horas. O evento contará com a presença de 26 grupos do distrito, com atletas dos 3 aos 50 anos das mais diversas modalidades: iniciação motora ainda na primeira infância, movimentos acrobáticos, actividades de expressão corporal (patinagem), artes marciais e danças variadas, entre outras. PUBLICIDADE 18 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Leitores A direcção do Jornal de Leiria recebe com agrado para publicação a correspondência dos leitores que tratem de questões do interesse público. Reserva-se o direito de seleccionar os trechos mais importantes das Cartas ao Director devidamente identificadas, publicadas nesta secção. [email protected] Maçonaria Excelente empresário e cidadão, Henrique Neto (HN). Na última edição do JL, carregou uma vez mais sobre a Maçonaria. Sob um pretexto que vai ao encontro das preocupações mais pertinentes da cidadania, e sem saber (como admite) se o seu alvo é ou não culpado, dispara mais umas violentas rajadas sobre aquela respeitável ordem iniciática que ele, teimosa e preconceituosamente, mostra ignorar mas que o parece atrair. E, em mais um libelo, onde a ignorância é o traço dominante, arrasa à trouxe-mouche e de cabo a rabo, a respeitável Ordem Maçónica, mantendo ainda assim com a mesma um ponto em comum: o repúdio pela violação da ética republicana e a falta de virtude cívica que alguns maçons, encadeados pelo brilho efémero dos poderes, demonstram no exercício de cargos públicos, cedendo onde deveriam ser exemplos paradigmáticos de integridade e violando os mais sagrados valores maçónicos a que estão obrigados. Ressalta a forma grosseira e o conteúdo ofensivo implícito nas considerações que o HN articula ao longo do seu texto. Cunhado de forma manhosa, sob o título Maçonaria e Corrupção, o que desde logo sugere duas faces da mesma moeda, levanta suspeitas sobre pessoas impolutas e outras que já nem se encontram entre nós e “faz a ponte” habermasiana do singular para o geral, tomando a parte pelo todo, num processo que nem a ética reconhece nem o rigor cientifico (que HN tanto apregoa) concede. Se aplicarmos, experimentalmente, este seu expedito método epistemológico a qualquer grupo, corporação ou fenómeno, transformaremos as meias verdades em grandes mentiras, num processo que é aliás comum no debate político. Apesar dos modernos desenvolvimentos científicos apontarem para a importância da espiritualidade, vivemos ainda num período em que a tradicional ciência materialista é formatada no seio das elites intelectuais dominantes, incapazes de pensar por “fora da caixa” e veiculada pelos tudólogos do sistema que definirem o que é aceitável para os outros pensarem e crerem. E neste contexto, a espiritualidade e a mística continuam a ser levianamente vistas como patéticas excentricidades que raiam a loucura. Os ataques à Maçonaria pelo pensamento único dominante não são coisa nova. Todos sabemos ao longo da História e principalmente nos seus momentos de fractura, como os totalitarismos odeiam o livre Leiria jogada às feras ou cidade moribunda? Dedico este meu escrito à minha amada cidade de Leiria. As cidades são fruto da necessidade das populações de uma região usufruírem de bemestar, que não seria possível obter pela disseminação, a não ser através de gastos incomportáveis para a grande maioria dos cidadãos. Paralelizando, é o caso dos condomínios, que, a um preço aceitável, até podem ter piscina colectiva. Assim, a cidade não deixa de ser um condomínio gigante, com partes de utilização comum, que seriam impossíveis de ter de outra maneira. Tal e qual um condomínio, a cidade tem de ser gerida por uma administração, que, neste caso, é a câmara, sendo as cotas realizadas através da cobrança do IMI. Todavia, no que concerne a Leiria, constato que as receitas existem, mas que a administração não as sabe utilizar para o bem comum, ou seja, na manutenção e reabilitação das partes de utilização colectiva. Objectivando: Na primeira Repartição de Finanças, na Travessa do Município – parte da calçada já não existe. Rua Capitão Mouzinho de Albuquerque - apesar de ter um único sentido e duas faixas, a maior parte do dia tem uma faixa sempre ocupada por veículos que nela estacionam; A zona histórica encontra-se em estado de préruína, sem que nenhuma acção se tome para a sua reabilitação, sendo certo que já não tem gente, mas tão só ratazanas; A grande maioria das ruas está com o piso impraticável, algumas delas mais parecendo as estradas de um país bombardeado. Estes são pequenos exemplos da omissão da administração, que, se fora de um condomínio, já teria sido corrida e responsabilizada pelas omissões, algumas com carácter doloso ou negligente. E não releva a apresentação de filmes ou fotografias, que só mostram aquilo que querem que se veja, pois que a imundície, a desqualificação e a degradação são patentes a qualquer desatento. Os exemplos da cidade são seguidos pelas freguesias urbanas, como é o caso de Marrazes. Nesta, basta atentar para a Rua Santo André e Praceta Fernando Pessoa, entre outras. Buracos, ervas daninhas por todo o lado, passeios destruídos ou inexistentes, jardins totalmente descuidados e pensamento e a Maçonaria. Vimos nesse cortejo, os inquisidores e os fascistas entre outros, como hoje por hoje alguns arautos do vazio pensamento niilista, que deixa o mundo ocidental no estado penoso em que se encontra. Fernando Pessoa, poeta maior e místico, saiu a terreiro defendendo a Maçonaria, à qual não pertencia, dos ataques do Estado Novo e do fascista Costa Cabral, no célebre artigo do Diário de Lisboa (à disposição na net). Nesse artigo notável, o poeta responde a algumas das questões que curiosamente ou talvez não HN dá à estampa, 80 anos mais tarde, como por exemplo a natureza do secretismo, nas sociedades iniciáticas. Outras questões são-lhe respondidas por “co-incidência” ou qualquer outra razão em perecimento, ou seja, tudo próprio de um país subdesenvolvido. Pergunto: para onde vai o dinheiro dos nossos impostos? Eu tenho resposta! Muito do dinheiro que entra nos cofres da Câmara é desperdiçado em gastos totalmente dispensáveis, que é o caso da iluminação da Urbanização Quinta do Vale-Sepal, que, apesar de nenhuma construção ter, tem 40 candeeiros, dos quais seis duplos, ligados todas as noites. Será que a câmara ilumina tal espaço por ser um local de engate? Será uma nova atracção para práticas de cariz sexual? Melhor seria transformar a zona histórica da cidade em espaço de luz vermelha, como em Amesterdão, pois que tal chamaria gente, trazendo vivência à zona. Este meu texto, reconheço, tem algo de provocador, mas há que alertar consciências! Por último digo-vos: É mais fácil encontrar um melro branco que um político com nobreza! Anjos Fernandes [email protected] esotérica, nas páginas suculentas dessa mesma edição do JL, na qual o filósofo Rob Riemen nos fala mais de “sabedoria” e menos de smart power, Vitor H. Ferreira acusa governos liberais de transferirem os custos das más opções das instituições financeiras para a totalidade dos contribuintes, Clarisse Louro reflecte “…na mentira em que transformaram as eleições e a democracia…” e Márcio Lopes antecipa que “…a Europa vai a votos e finge que nada de grave lhe está a acontecer por dentro…”. Enquanto a tempestade neste mar dito democrático porfia e o navio sem rumo se afunda, o bom do Henrique Neto, tolhido no seu solipsismo, e com o norte pelas costas, corre no convés cego pela densa surriada e tomando as sombras por realidade, enxerga seitas de DR mostrengos e clama bravamente contra a Maçonaria… que não sabe o que é. E assim permanece, incapaz de ver o mar sem fim à sua volta e de perceber porque “…muita gente, nomeadamente jovem…” abandona tal navio, procurando abrigo na intemporal ciência maçónica, arribando aos seus míticos portos iniciáticos. João Tomé [email protected] Fantasmas atacam centro histórico de Leiria O centro histórico (CH) de Leiria deve ser um dos maiores refúgios dessa espécie de fantasmas que ao longo dos últimos anos vem atacando o património urbano da cidade e com maior incidência o seu C.H. numa deterioração progressiva que torna aquele espaço um local triste, sem dinamismo a necessitar de uma reabilitação que vem sendo prometida e adiada ao longo dos tempos! A imagem que se vislumbra das arcadas do Castelo é impressionante, com múltiplas casas destelhadas, prédios em ruínas e abandonados e um quase total silêncio nas suas ruas, apenas alterado pelo movimento dos bares durante a noite e nalguns casos com muito barulho nas ruas e vielas prejudicando o descanso de quem ali mora! … Todo o espaço do CH, com uma área desde a zona envolvente do Castelo e que se estende pela baixa citadina até ao rio Lis, faz parte de um Plano de Reabilitação e Requalificação, para o qual foi criado um Gabinete há mais de dez anos no âmbito do Programa QREN que envolvia 93 milhões de euros para obras na região incluindo o C.H.! A verdade é que o Plano iniciou-se com alguns projectos levados à prática mas rapidamente tudo parou e o que resta são promessas…O espaço histórico e emblemático da cidade a exemplo de outras localidades deveria ser um símbolo de ordem social, cultural comercial e lúdico para que Leiria, pudesse ombrear com outros Centros Históricos de grande beleza e que atraem milhares de turistas nacionais e estrangeiros, como são exemplos, Guimarães, Viseu e Évora, entre outros. Esta é a questão vital do CH, porque muitos outros problemas continuam a subsistir um pouco por toda a cidade. Leiria pelas suas gentes, pela sua localização e pelo seu monumental edificado merece que as entidades autárquicas e o poder central apoiem e contribuam para melhorar o seu visual urbano de modo a colocá-la no lugar que merece no mapa das mais belas cidades de Portugal! Edgar Carvalho [email protected] Rectificações Na passada edição do JORNAL DE LEIRIA (pág 46), na rubrica Gente Ilustre, é referido que João Garcia Miguel é docente da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha, quando na verdade deveria ter sido escrito ex-docente. Aos visados as nossas desculpas. A propósito da página Arquivologias (pág 37), publicada na passada edição do JORNAL DE LEIRIA, a legenda está incorrecta. Em vez “Fotografia de José Fabião, 1946”, deveria ler-se “Fotografia de José Fabião, 1967". Aos visados as nossas desculpas Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 19 Opinião Ainda as eleições para o Parlamento Europeu eu Caro Zé, Neste domingo vão ocorrer as eleições para o Parlamento Europeu e não resisto a voltar a falar-te do assunto. Deixa-me começar por citar algumas das mais recentes notícias, comentário e afins sobre estas eleições: Uma das líderes de um dos partidos representados na Assembleia da República criticava os partidos do que é designado por “arco da governação” (mas esta designação é aceitável em democracia?) porque não apresentavam nenhuma indicação clara sobre um Programa de Governo! E eu que julgava que os Programas de Governo tinham pleno cabimento em eleições para a Assembleia da República e consequente escolha do Governo! Na mesma linha – e maior estupefacção da minha parte – o Prof. Doutor Freitas do Amaral vem dizer que estas eleições são um plebiscito ao Governo! Mas elas não são para escolher os deputados portugueses ao Parlamento Europeu? E o Senhor Professor não tem conhecimento de Ciência Política suficiente para saber o que é um plebiscito? Agora os conceitos e os termos que os traduzem já não valem nada? Por acaso nos boletins de voto está escrito “Voto na destituição deste Governo – Sim/Não”? Ainda não os vi, mas não me parece! Na propaganda eleitoral, um candidato de um pequeno partido dizia claramente que havia uma alternativa simples a permanecer no Euro. É sair do Euro, emitir uma moeda nova (seria “Tuga”?) com o mesmo valor e… pronto! Com o mesmo valor? “Ele há cada um!”, como dizia o meu saudoso Pai. Mas deixa-me continuar: o candidato socialista à Presidência da Comissão Europeia, Martin Schulz, afirmava, numa entrevista a um diário português: “Os especuladores fizeram milhares de milhões de euros de lucros e não pagam impostos, geram milhares de milhares de milhões de perdas e os M J. M. Amado da Silva contribuintes têm de pagar por eles. Não é justo!” Até aqui, tem a minha completa benção, pois não sou eu que vou pôr em causa este diagnóstico. O meu problema vem a seguir, e cito: “Se votarem em mim, terão um Presidente da Comissão Europeia que põe o interesse dos cidadãos no primeiro lugar.” Pergunta minha, impertinente, do tipo de “menino Zéquinha malandreco”: “Algum candidato a Presidente diz coisa diferente?” E, continuando no papel de “menino Zéquinha” acrescento: “E como vai fazer isso? E por que meios? Como vai defrontar os “poderosos”? É por isso que talvez tenha razão o Prof. José Filipe Pinto, Catedrático de Ciência Política, que no mesmo diário titulava um artigo de opinião: Campanha eleitoral: a Feira da Ladra revisitada! E, no entanto meu Caro Zé, os poderes do Parlamento Europeu e, portanto, dos seus deputados, tem vindo a crescer e é importante que se saiba para quê e quem os vai exercer e com que capacidades. A um deputado europeu exige-se muito, em particular a capacidade da difícil conjugação entre a defesa dos interesses do país que representa, da família política em que se insere e da qualidade do projecto europeu que se quer (quer mesmo?) construir! Era isto que eu gostaria de ter visto discutir na campanha eleitoral, mas o que importa é dar vida aos “mexericos” locais! E depois espantam-se com o nível de abstenção e com a desafectação crescente dos cidadãos face à democracia formal! É tempo de os políticos substituírem promessas por compromissos claros, ou seja, compromissos ligados aos poderes que estão em causa em cada eleição e que sejam susceptíveis de verificação de cumprimentos por todos nós! Zé Amado Reitor da Universidade Autónoma Eleições e liberdade as últimas semanas, para além do “tocar a reunir” das forças partidocratas no caminho de uma redistribuição do poder para satisfação de novas clientelas, pondo de lado as velhas caras e os discursos cheios de palavras ocas como “renovação”, “futuro”, “prosperidade”, entre outras a que vou poupar os eventuais leitores, alguns acontecimentos mostraram que a memória do nosso povo ainda leva a sério os grandes acontecimentos que marcaram, transformando-a, a nossa história. Se os nossos ouvidos ainda ouvissem o que o poder, com os aparelhos ideológicos que tem ao seu serviço, nos pretende transmitir e acima de tudo convencer, poderíamos sentir que estaríamos como Alice reflectindo-se no espelho que leva ao país das maravilhas. Seria interessante comparar, por exemplo, o discurso balofo dos actuais candidatos (que só fisicamente não parecem os irmãos Dupont, do Tintin) ao discurso bem tratado e conhecedor da nossa língua que, mesmo assim, com um homem de outra qualidade, não escapou à verrina de Marcelo Rebelo de Sousa. Sim, refiro-me a António Guterres, aquele a que chamou “picareta falante”, quando foi primeiro-ministro e se desenvolveu esse programa idiota dos estádios de futebol sem bola, que nos conduziu, como “novos ricos”, ao “Estado a que isto chegou”, como disse em 25 de Abril de N Orlando Cardoso 1974 o capitão Salgueiro Maia. Não pretendia falar das eleições europeias de domingo, uma vez que os principais candidatos pouco têm dito sobre o assunto, o que demonstra as enormes diferenças (como nas “Farpas”, do Eça) existentes nos partidos do “arco do poder”, ou da “manjedoura”, diria Mestre Bordalo. Contudo, apesar do desencanto que a inépcia das nossas elites provoca nos portugueses, não pode deixar-se de referir que as consequências são conhecidas e pagas por todos, enquanto os responsáveis serão sempre desconhecidos e ressarcidos. Quero, neste texto, falar de um caso que aconteceu em Pombal e incidiu sobre o homem a quem o país deve em grande parte a sua liberdade. Pasmei quando li num jornal que Salgueiro Maia tinha vivido com a família alguns anos na cidade de Pombal, acompanhando o pai que era ferroviário. Naturalmente, devido ao conhecimento da sua intervenção em prol da liberdade, há alguns anos as autoridades municipais resolveram atribuir-lhe a medalha de ouro da cidade, o que até hoje não se concretizou. As razões apontadas em acta pela câmara, embora claras, não permitem entender o que se passou. Há alguém que explique? No próximo Domingo há eleições europeias. Eu voto! [email protected] Inevitavelmente a Europa omingo a Europa vai a votos. Domingo elegem-se os representantes dos países da União Europeia. Domingo talvez até esteja de chuva. Domingo vote. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensará ou percepcionará, a Europa não é apenas aquela instituição distante para onde vão uns quantos deputados ganhar muito dinheiro. Também é mas não só. Domingo vote. A Europa define o nosso futuro. A Europa define a nossa política. A Europa manda e nós fazemos. E, por isso, porque são os países fortes da União Europeia que ditam os nosso dias, as nossas crises, a nossa austeridade, os nossos elogios, os nossos raspanetes… porque são os senhores da Europa que definem se somos bons ou maus trabalhadores, se somos muito ou pouco produtivos, se merecemos aplausos ou assobios, domingo temos que ir votar, mesmo. Porque se não formos, estamos a dizer aos senhores da Europa para fazerem como quiserem que para nós é indiferente. Domingo vote. Muitos pensarão: mas votar em quem? É uma questão pertinente! Em quem quiser, incluindo o voto em branco e o voto nulo. Domingo vote. Como já escrevi anteriormente, do ponto de vista da análise sociológica votar em branco é completamente diferente de não votar. A abstenção é um enorme vazio de desinteresse, afastamento, critica passiva. É um sinal, sem dúvida, mas um sinal muito mais difícil de interpretar porque nunca conseguimos perceber porque não foram as pessoas votar. Pode ser uma afirmação política mas também pode ser apenas uma ida à praia. Domingo vote. O voto em branco revela que alguém saiu de casa e se deslocou às urnas para dizer: no meio de toda esta gente, não quero votar em ninguém. Domingo vote. Por isso, nos partidos, em branco ou nulo, no Domingo vote. Vote por nós que precisamos de encontrar uma luz ao fundo do túnel! D Patrícia Ervilha Socióloga 20 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Economia Paris-Asia Business Center é a “maior afirmação de Portugal em França” Investimento Centro de negócios lançado por empresário de Leiria poderá ajudar a internacionalizar empresas da região e contribuir para o aumento das exportações portuguesas ELISABETE CRUZ Elisabete Cruz [email protected] T O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, considera o empreendimento do empresário leiriense, Carlos de Matos, a “maior afirmação de Portugal em França, por representar um passo muito significativo na imagem do investimento e dos investidores portugueses em França”. As palavras do governante foram proferidas ao JORNAL DE LEIRIA – que viajou a convite do Grupo St. Germain - no dia da cerimónia do lançamento da primeira pedra do Paris-Asia Business Center, um projecto que conta com um investimento de cerca de 600 milhões de euros. Elogiando a “imaginação” e “capacidade” de Carlos de Matos, o governante reconhece o “trabalho” e “empreendedorismo” do Grupo St. Germain e do grupo Alves Ribeiro, as duas empresas que estão à frente do projecto. “Tenho a certeza que vai ter o maior sucesso. Esta obra promove a nossa imagem e qualidade e liga Portugal aquilo que de melhor se faz em França”, destaca ainda José Cesário, que não duvida da capacidade do povo português. “Nós não somos um pequeno país, nem em termos quantitativos, nem qualitativos. Somos um grande país. Estamos presentes em todo o mundo, temos gente com muita capacidade, muito poder, presença e imagem. Se nos juntarmos todos temos condições para ter muito mais sucesso.” Carlos de Matos, presidente do Grupo St. Germain, explica que a primeira pedra foi lançada no dia 18, porque o “número oito tem um significado importante para os chineses”. Segundo o emigrante natural de Carvide, a cerimónia do lançamento da construção do empreendimento comercial junto ao aeroporto Charles de Gaulle é “o culminar de um trabalho de quatro anos” e o “início de uma construção, que durará entre seis e oito anos, e que vai ficar para as próximas gerações”. Ainda sem contratos feitos, Carlos de Matos revela que existem várias empresas da região de Leiria que poderão participar no projecto. “Caberá à Alves Ribeiro contratar outras empresas. Serão necessárias cerca de 15, em diversas Depoimentos Carlos Vinhas Pereira presidente da Câmara do Comércio em França Vai ser uma grande zona de atividade comercial, onde vão estar comércio chinês e português e que vai criar 2500 empregos directos e indirectos. Vamos continuar a atrair empresas para porem aqui os produtos portugueses, aproveitando o facto de haver tráfego aqui tão perto do aeroporto. Damos os parabéns ao Carlos de Matos, que teve o espírito patriótico de fazer trabalhar empresas portuguesas, como a Alves Ribeiro. Carlos Gonçalves deputado do PSD François Asensi, deputado francês, Carlos de Matos, empresário de Leiria e José Cesário, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas Convite sem resposta Carlos de Matos crítica ausência da Nerlei Carlos de Matos lamentou a ausência do presidente da Nerlei, Jorge Santos, na cerimónia do lançamento da construção do Paris-Asia Business Center. “Tenho pena que a única pessoa que não veio fosse a pessoa mais importante da região de Leiria. O presidente da Nerlei, Jorge Santos, foi convidado, mas não veio e não sei porquê. Ele quer que as empresas da região de Leiria possam ser conhecidas para trabalharem e instalarem-se noutros países. Seria importante que tivesse vindo para analisar quais as empresas que poderiam investir e trabalhar aqui, para produzir riqueza para eles e para Portugal”, referiu o presidente do Grupo St. Germain. áreas. De Leiria podem trabalhar no empreendimento empresas da área do alumínio, betão, electricidade ou canalização”, admite o empresário. Segundo Carlos de Matos, o investimento de 600 milhões de euros foi feito sem dinheiro. Ou seja, “estão vendidas 250 lojas, pelo que o financiamento do conjunto da primeira fase está assegurado pelas vendas que já foram feitas”, explica, garantindo que “ainda não foi preciso ir ao banco”. Por vezes, “o investimento é uma questão de imaginação”. João Pereira de Sousa, presidente do Conselho de Administração do grupo Alves Ribeiro, considera que este projecto é o “exemplo” daquilo que “os portugueses são capazes” e “mostra como as ligações entre a comunidade emigrante e as empresas portuguesas podem fazer coisas fantásticas”. Reforçando que a intenção é dar trabalho a “muitas empresas portuguesas durante a obra”, João Pereira de Sousa espera que o centro de negócios possa trazer a indústria exportadora portuguesa para Paris, ajudando “as exportações e o equi- líbrio das contas externas” de Portugal. “Como vai ser o maior centro de exposições europeu de comércio entre a Ásia e a Europa, o Paris-Asia Business Center será uma porta para exportar para qualquer parte do mundo. Qualquer empresa portuguesa que esteja aqui instalada consegue fazer negócios de exportação com os vizinhos. Por exemplo, empresas italianas trazem camisas do seu país e levam sapatos portugueses. Tudo isto em Paris, a duas horas de avião de Lisboa”, sublinha o administrador do grupo Alves Ribeiro. O novo centro de negócios é essencialmente dedicado às trocas comerciais entre a Europa e a Ásia, fazendo parte do AeroliensParis, um parque internacional de negócios projectado para Tremblay-enFrance, nos arredores da capital francesa. Com um total de 280 mil metros quadrados, o empreendimento terá centenas de showrooms individuais, três hotéis, um centro de exposições, um museu do vinho do Douro, cinco restaurantes, um supermercado, um infantário e um centro de fitness. “Isto demonstra a capacidade das nossas empresas, de se internacionalizarem e se adaptarem às novas realidades e de perceberem a importância que tem para um país como o nosso contar com a rede empresarial das comunidades portuguesas. Um elogio aos empresários que estão ligados a este projeto e, em particular, ao Carlos de Matos. É um projecto que deve honrar Portugal e aqueles que são das comunidades portuguesas. Paulo Pisco deputado do PS É um dos maiores projectos que alguma vez foi feito por empresários portugueses na Europa. Tem a importância acrescida de grande parte das empresas que vão trabalhar neste projeto serem oriundas de Portugal, o que dará um grande contributo para a dinamização e projecção das empresas portuguesas. A internacionalização de empresas num projecto com esta dimensão tem sempre um grande potencial de poder multiplicar-se noutros projectos. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 21 Economia Leiria Global Empresa de Pombal trabalha sobretudo com mercado externo Reynaers cimenta negócios em Angola, Moçambique e África do Sul JOANA CARRIÇO Daniela Franco Sousa [email protected] O número A multinacional belga Reynaers Aluminium escolheu Pombal para se fixar. Foi em 2008 e desde então esta unidade sediada no Parque Industrial Manuel da Mota não parou de se reinventar, adaptando-se às necessidades do mercado de escala global. A sua aposta centra-se agora em Angola, Moçambique e África do Sul, países onde a empresa tem expectativas de poder crescer. Segundo Ricardo Vieira, director-geral da unidade, a Reynaers de Pombal é uma empresa dedicada à concepção e comercialização de sistemas de alumínio, que recorre a parceiros locais, e não só, para produzir portas, janelas, fachadas, sistemas de correr, sistemas de fachada e de sombreamento. Até 2012, a Reynaers estava mais focada no mercado nacional que, devido à crise, mas também por falta de informação, não apostava muito nas soluções oferecidas pela empresa, propostas de valor acrescentado, mais amigas do ambiente e de elevada performance térmica. Assim, face à quebra de vendas no mercado interno, a Reynaers mudou a sua estratégia comercial, passando a apostar em mercados internacionais, onde as soluções da empre- 25% Foi esta a percentagem de crescimento registada pela Reynaers de Pombal entre 2012 e 2013 Unidade de Pombal dedica-se à concepção e venda de soluções de alumínio sa têm obtido reconhecimento. Cerca de 25% das soluções da Reynaers seguem agora directamente para Angola e Moçambique, sendo que mais 65% dos seus produtos são também canalizados, indirectamente, através de clientes, para o mercado francês. O resultado desta mudança de estratégia não tardou. Entre 2012 e 2013, a Reynaers de Pombal cresceu 25% e investiu em novas contratações, passando a empregar 35 trabalhadores. No ano passado, o volume de negócios foi já de cinco milhões de euros. Reconhecendo o saber fazer dos colaboradores portugueses e da sua capacidade de se adaptarem à cultura empresarial africana, a Reynaers de Pombal foi escolhida pela casa mãe para supervisionar todos os países da África Subsariana. E nalguns deles, a unidade portu- guesa está já a implementar empresas. É o caso de Moçambique, onde foi constituída uma empresa no ano passado, gerida a partir de Pombal, que estará operacional em Setembro, empregando cerca de dez pessoas. Também em África do Sul está a ser constituído um entreposto técnico, que ficará pronto em Agosto. Em 2016, quando ficar concluído o centro de formação em África do Sul, serão 12 os postos de emprego criados neste país. Já em Angola, a Reynaers de Pombal conta um distribuidor local e com dois comerciais. É também pelo conhecimento demonstrado pelos colaboradores portugueses que a casa mãe tem recorrido a um conjunto de profissionais da Reynaers Pombal para conceber soluções de alumínio para implementar em vários pontos do globo, explica o director-geral desta unidade. Entre as obras onde a Reynaers mais se orgulha de ter participado estão o Estoril Sol Residence, obra assinada pelo arquitecto Gonçalo Byrne, espaço voltado para o mar onde cada apartamento, comprado em fase de projecto, custou cerca de 2,5 milhões de euros. Já lá fora, destaca-se o emblemático Ferrari World Abu Dhabi, construido nos Emirados Árabes. Ricardo Vieira, director-geral “Fala-se muito de corrupção, mas nunca a senti” Em 2012 decidiram mudar o vosso foco, centrando-se mais no exterior do que no mercado interno. Os portugueses não estão dispostos a pagar mais pela qualidade? Os portugueses estão dispostos a pagar mais para terem qualidade, desde que devidamente informados. É esse o grande problema. Então, redefinimos os nossos mercados, apontando para aqueles onde vendemos melhor. Começámos a visitar África todos os meses e a vender para grandes projectos, onde nos sentimos bem, pois é aí que somos especialistas. Esta estratégica teve sucesso. Crescemos 25% no último ano. Que vantagens encontraram nestes mercados? Angola tem muito potencial, é um país de oportunidades, onde há falta de competências técnicas. O nosso know-how neste mercado é JOANA CARRIÇO de extrema importância, porque podemos assegurar aos nossos clientes relações de confiança, assegurar que os nossos técnicos não vão falhar e que, em termos comerciais, estaremos lá para os apoiar. Neste mercado apostamos em obras de grande dimensão. É um mercado de volume, de facturação. Já Moçambique é um mercado de futuro. Não é de todo o mercado onde pensemos ficar ricos. Aliás, a estratégia do grupo passa sempre pela aposta a longo prazo, por criar âncoras. Não faz parte da nossa estratégia ir para esses países fazer negócios e voltar. Sendo Moçambique um mercado lento, a ideia é marcar presença, para dentro de alguns anos poder colher frutos. África do Sul, por outro lado, é um mercado evoluído e onde os nossos concorrentes ainda não estão. Alguns empresários vêem estes países como mercados difíceis. Concorda? Muitos empresários vêem o mercado de África numa perspectiva de toca e foge. Chegam, fazem negócio e vão embora. Em Angola isso pode funcionar para alguns negócios, mas para outros não funciona. Em Moçambique talvez não funcione também. E não funciona de todo em África do Sul. Não faz parte da estratégia deste grupo chegar, fazer negócio e ir embora. Estamos em África e é para ficar. Também já se depararam com situações de corrupção? Fala-se muito de corrupção, mas nunca a senti. Nalguns casos até senti o oposto. Deixar de fazer um negócio, por parecer que poderia haver algo de menos claro. Deparei-me com pessoas que além de sê-lo têm a preocupação de parecê-lo. O que não quer dizer que não exista. Ou melhor, existe muito ao nível do pequeno negócio, quando se é parado pela polícia, quando se é atendido num organismo público. É cultural. Mas não o encontrei nos grandes negócios. Quanto à burocracia... Existe muita burocracia, em Angola é brutal. São os vistos que demoram meses a chegar, obtidos através de um processo complexo, etc. E em Angola há também incerteza nos negócios. Até ser concretizado, o negócio pode sempre avançar ou não. Mas não temos de ir para lá a achar que o nosso prisma é que é o correcto, porque é uma questão cultural. Já África do Sul é um país incrível, cujo único senão é o sentimento de insegurança, uma tensão que se sente em todo o lado. 22 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Economia Trabalhadores prestam serviço em hotel de Óbidos Sindicato acusa Grupo Béltico de despedimento colectivo “ilegal” correr negociações para melhores condições para os trabalhadores, processo durante o qual o grupo nunca terá falado em dificuldades. “Interrompido” o processo, o sindicato foi surpreendiO Marriot Praia D'El Rey, “um do com a intenção do despediparaíso de luxo de cinco estrelas”, mento colectivo. Lamenta ainda onde trabalham algumas das que o grupo esteja a contratar trapessoas que poderão ser alvo de balhadores temporários “para as despedimento colectivo, é aquele mesmas funções” dos que preonde a selecção portuguesa de tende despedir. futebol fica quando faz estágios na A Béltico confirma que, “no âmzona Oeste. Depois de lhe ter sido bito da sua reestruturação interna” concedida uma licença directa pela existe um “processo de intenção e Marriott Internacional, o Grupo negociação” [para dispensar pesBéltico foi responsável pelo soas], mas frisa que se trata de “meprimeiro hotel da cadeia em nos de 2% dos recursos humanos” Portugal. Tem 179 quartos de luxo, do grupo. A direcção diz que este incluindo 11 suites. As instalações processo resulta da “necessidade “são de primeira qualidade, incluindo uma espectacular piscina de reestruturação da empresa e dos seus recursos” e que se encontra exterior de 50 metros, piscina interior, o SPA e Health Club Atlantic “sempre disponível para dialogar e desenvolver negociações junto dos Coast e restaurantes de qualidade trabalhadores em questão”. superior”. T O Grupo Béltico pretende despedir 11 trabalhadores das empresas Belticorest e Hotel da Praia, na Serra D'El Rey, em Óbidos, processo que o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro considera “ilegal”. O grupo fala em “necessidade de reestruturação”. Em comunicado datado de quinta-feira passada, o sindicato considera que “não existe motivo para este despedimento colectivo”, posição da qual já informou o Grupo Béltico. “Reafirmámos nas reuniões que no documento enviado não existe indicação de critérios objectivos para a escolha destes trabalhadores”. Por isso, entende estar-se “perante uma violação dos requisitos de objectividade, trans- parência e não discriminação que devem ser observados no decurso do processo de despedimento colectivo, o que conduz a que o processo tenha de ser considerado ilícito”. A comissão representativa dos trabalhadores solicitou ao grupo um conjunto de elementos para análise, por forma a preparar a sua argumentação “de que este despedimento é ilegal” e para apresentar “propostas alternativas à sua realização”. Para amanhã está marcada uma reunião entre a comissão que representa os trabalhadores, o grupo e a Direcção Geral das Relações do Trabalho. Caso a Béltico “não recue na sua intenção de despedimento dos trabalhadores envolvidos” o sindicato equaciona a realização de “iniciativas públicas”. António Baião, dirigente do sindicato, explica que estavam a de- Leiria Iniciativa arrancou a semana passada em Peniche Associação de Cuidados Corporais reforça formação Campanha contra sinistralidade no sector das pescas Raquel de Sousa Silva [email protected] Marriot O hotel onde fica a selecção ARQUIVO/JL Com mais salas de formação e um auditório, as novas instalações da Associação Nacional de Cuidados Corporais (ANCC) vêm responder aos “níveis de conforto e tecnologia compatíveis e necessários aos serviços que presta”. Inauguradas no domingo, as instalações situadas em Leiria representam um investimento de 50 mil euros, revela Cristóvão Silva. O presidente da associação revela que o novo espaço permitirá responder às necessidades de formação sentidas pelo sector, já que dispõe de salas adequadas. Por outro lado, o auditório poderá acolher sessões de apresentação de produtos e de tendências. De âmbito nacional, a ANCC tem 30 anos e, além do apoio aos associados, faz formação profissional. Segundo o presidente, foi a primeira escola certificada na área de cabeleireiro, certificação que já obteve também para a área estética. SABRINA RODRIGUES Raquel de Sousa Silva [email protected] T Entre 2010 e 2012 registaram-se 28 mortes e mais de 3500 feridos em acidentes ocorridos no sector da pesca, dos quais resultaram 103.500 dias de trabalho perdido. Números que justificam a oportunidade da campanha lançada quinta-feira passada em Peniche, considera a Autoridade para as Condições do Trabalho. De acordo com a ACT, a taxa de incidência de acidentes nas pescas é, em média, 1,7 vezes superior à de outros sectores. Por isso, a campanha, “inédita no sector”, vai decorrer até 2015 e pretende “promover a melhoria das condições de trabalho, a redução da sinistralidade laboral e das doenças profissionais e a regularização das relações de trabalho, contando com o envolvimento e participação dos principais actores sociais e profissionais”, aponta a ACT. O seu desenvolvimento será sustentado num protocolo estabelecido entre esta entidade e as principais associações representativas dos empregadores e dos trabalhadores, e de parceiros institucionais, documento assinado num Alcobaça Jantarconferência sobre Estratégia 2020 Manuel Castro Almeida, secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, é o orador do jantar-conferência que se realiza na próxima quarta-feira no Your Hotel & Spa, em Alcobaça. O tema é Estratégia 2020 para Portugal - novos desafios e responsabilidades para a região Centro. O evento insere-se nos Encontros para a Competitividade, que incluem ainda uma conferência, às 9 horas, no Cineteatro de Alcobaça, sob o tema Estratégia 2020 Desafios e Responsabilidades. Marinha Grande Cefamol festeja 45.º aniversário com jantar A Associação Nacional da Indústria de Moldes (Cefamol) celebra na próxima terça-feira o seu 45.º aniversário, com um jantar no edifício da Escola Profissional e Artística da Marinha Grande. “Ao longo destas quadro décadas e meia de actividade, a Cefamol tem-se afirmado pela constante determinação e empenho em apoiar o sector a definir novos rumos de actuação, a conhecer mercados e tecnologias, a estabelecer e consolidar formas de cooperação, a dar visibilidade e reconhecimento junto de entidades oficiais e do público em geral, contribuindo decisivamente para a sua incontestável notoriedade, tanto no plano nacional como internacional”, lê-se no seu site. Pombal Grupo Preceram distinguido pela Tektónica Entre 2010 e 2012 registaram-se mais de 3500 feridos em acidentes seminário realizado na quinta-feira em Peniche. Segundo a ACT, a maioria dos acidentes de trabalho no sector está relacionada com a actividade da faina, constatandose que ocorrem mais vítimas mortais em naufrágios. João Delgado, director da Mútua dos Pescadores, diz que de modo geral a sinistralidade tem descido devido a campanhas como esta e ao uso de mais e melhores equipamentos. Aponta, por exemplo, a obrigatoriedade de uso de colete insuflável por parte dos pescadores de embarcações até nove metros, dizendo que no primeiro ano em vigor da medida (2012) permitiu evitar 11 mortes. Defende, por isso, que devia ser alargada a todas as embarcações. A diminuição de rendimentos tem levado muitos pescadores a trabalhar “cada vez mais horas”, aumentando o risco de acidentes devido a “fadiga e falta de discernimento”. As empresas do Grupo Preceram participaram na Tektónica 2014, que decorreu no início deste mês em Lisboa. As suas iniciativas durante o certame “foram um contributo incontestável na dinamização do evento” e a organização distinguiu o grupo de Pombal pela sua “proactividade, competência e diferenciação”. Em comunicado, o grupo diz ter recebido o prémio Promotor Academia, que valoriza o esforço colocado nas acções de formação, e o prémio Portugal constrói uma identidade, que reconhece as empresas e produtos que revelam atributos relacionados com a experiência e a consolidação da marca Portugal. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 23 Economia Empresas não cobram multas por atrasos Em Portugal, 40% das empresas ouvidas no estudo não aplica a legislação específica para atrasos de pagamento (que permite cobrar 40 euros mais juros). Mais de metade delas justifica com o facto de que tal iria “ferir seriamente” as relações com os clientes. Estudo da Intrum Justitia Empresas portuguesas pagam com atraso médio de 33 dias Raquel de Sousa Silva [email protected] T Embora tenha havido uma melhoria nos últimos anos, as empresas portuguesas continuam a pagar aos seus fornecedores com um atraso médio de 33 dias, face a um prazo inicial de 50 dias, revela o último estudo da Intrum Justitia. Também os particulares e o sector público pagam com atrasos, de 30 e 69 dias, respectivamente, face aos 30 e 60 dias a que deveriam pagar. As empresas inquiridas apontam como consequências desta situação a perda de rendimentos (70%), a falta de liquidez da empresa (84%) e entraves ao crescimento (66%). Por isso, 45% dos inquiridos afirmava não ter intenções de contratar novos colaboradores, revela o estudo divulgado a semana passada. “Os atrasos ou não pagamentos continuam diariamente a in- Dias de atraso médio nos pagamentos Particulares Empresas Sector público 84 82 79 72 30 35 32 37 2009 2010 34 41 2011 73 40 30 2012 30 35 2013 69 30 33 2014 Fonte: Intrum Justitia viabilizar negócios e aceleram uma reacção em cadeia negativa para a economia. As mais atingidas são as PME, que representam uma fatia significativa do crescimento económico”, aponta Luís Salvaterra, director-geral da Intrum Justitia Portugal, lembran- do que “os atrasos exigem um esforço de vendas extra para compensar essas perdas”. Os resultados do estudo revelam ainda que as empresas portuguesas têm dado particular atenção à gestão do crédito, colocando-a na lista de priorida- des como forma de “combater a crise que ensombrou a maioria dos negócios”. Contudo, 43% dos inquiridos afirmou esperar 125 dias antes de recorrer a empresas especializadas na recuperação de crédito. Na Europa, a maioria das empresas espera apenas 80 dias antes de dar este passo. António Poças afirma que no último ano se registou uma “deterioração” do cumprimento dos prazos, sendo que hoje há “mais dificuldade em receber”. O administrador da inCentea diz que a situação leva a “desequilíbrios de tesouraria paralisantes da actividade”, que a médio/longo prazo podem conduzir a “problemas graves de gestão de risco, desequilíbrios da estrutura económico-financeira e, em última análise, problemas de rentabilidade insustentáveis pelos incobráveis e custos de cobrança”. Para Aurélio Ferreira, quando se fala em atrasos nos pagamen- tos “generalizar pode ser abusivo”. “Tenho clientes que pagam hoje melhor do que antigamente e outros que continuam a pagar muito tarde”. O responsável da DEM2 frisa que o importante é que os pagamentos sejam feitos no prazo acordado, porque os atrasos se repercutem no dia-adia das empresas que deviam receber e não recebem. No imediato, afectam a sua liquidez e provocam dificuldades de tesouraria. A médio/longo prazo prejudicam o investimento, que poderia dar origem a novos produtos e novos postos de trabalho, refere o empresário. Também Elsa Almeida, da cerâmica Perpétua, Pereira e Almeida, aponta como consequências dos atrasos de pagamento a possibilidade de “asfixia financeira”, que poderá levar uma empresa a entrar em incumprimento e, em última instância, à insolvência. PUBLICIDADE Publireportagem Leiriconsulte com novas acções de formação T A Leiriconsulte II – Recursos Humanos, Lda., Entidade Formadora Certificada pela DGERT em diversas áreas de Educação e Formação, no mercado desde 1999, actua como um veículo no saber saber, saber fazer e saber ser, a todos aqueles que frequentam as suas acções de formação, caracterizando-se como uma equipa jovem e dinâmica. Atenta, às necessidades de mercado do distrito de Leiria, distingue-se mais uma vez, em inovadoras áreas de formação, com enfase, nos meses de Junho e Julho: Consultoria de Imagem: uma nova área de formação que tem vindo a assumir uma importância cada vez maior na vida quotidiana de grande parte da população mundial, quer seja no contexto pessoal, quer seja no contexto profissional, pois qualquer um que deseje a inserção no mercado de trabalho precisa de um esforço de marketing para promover a sua própria imagem. Na Leiriconsulte II irá desenvolver workshop’s de Imagem, com a colaboração de uma profissional da área, com uma vasta experiência no meio artístico/Moda e Televisão. Cozinha e Pastelaria: com o Verão a chegar, chegam também as férias, de pequenos e graúdos. Assim, e sendo a área da Hotelaria e Restauração uma área em desen- volvimento constante, a Leiriconsulte II volta a apostar em ofertas formativas inovadoras, que permitam desenvolver e/ou aprofundar o gosto e as capacidades de todos na cozinha/pastelaria: para os mais novos, a Leiriconsulte II lança o Curso de Verão – “Uma Aventura na Cozinha…”, um projeto destinado a crianças e jovens com idades entre os 10 e os 15 anos, com o qual se pretende ensinar conhecimentos e técnicas básicas na área da cozinha e pastelaria, bem como elaborar alguns petiscos, bolos e sobremesas elementares. Os participantes terão ainda a oportunidade de dar asas à sua criatividade através da arte do cake design, isto é, decoração de bolos e bolachas. Para os adultos, a Leiriconsulte II, continua a apostar nos Workshop’s de Cozinha para todas as pessoas com interesse na área ou que pretendam adquirir mais e novos conhecimentos. Presentemente estão previstos o Workshop de Cozinha Vegetariana, Workshop de Petiscos e Companhia e Workshop Cake Design. Todas as novidades atualizadas no nosso Site e Facebook. Contate-nos através do email: [email protected] ou através do 244 856 032 / 916631851 / 960364425 Esperamos por si. Veja mais anúncios de emprego na página 29 Para saber como anunciar na secção de classificados do Jornal de Leiria ligue 244 800400 24 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Economia Seminário na segunda-feira deu a conhecer vários mercados Empresários de Pombal desafiados a investir na América Latina DR Paula Sofia Luz [email protected] Vender vinho no Brasil? Sapatos na Bolívia? Programas informáticos no Paraguai? Fazer estradas no Perú ou escolas no Uruguai? O céu pode ser o limite para os empresários portugueses que aceitarem o desafio de investir nos países da América Latina, depois de calculado o risco. Foi esse o repto lançado em Pombal na segunda-feira passada, durante um seminário promovido pela câmara municipal, IPADL e ADILPOM e no qual participaram várias dezenas de empresários do concelho, seduzidos pela internacionalização. “O segredo é conhecer as oportunidades. Não pensem que só as grandes empresas é que podem exportar para lá”, disse à plateia Paulo Neves, presidente da direcção do IPDAL (Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina), que se apresentou aos empresários locais como amigo de longa data do presidente da câmara, Diogo Mateus. De resto, já durante a campanha eleitoral o autarca sublinhara esse contacto, quando anunciou estarem reunidas as condições “para acolher representantes diplomáticos da América Latina que procuram oportunidades de investimento”. Desta vez, o presidente quis pro- A Carvalhos e Ferreira, empresa detentora da Voga, um dos mais antigos pronto-a-vestir de Leiria, solicitou em tribunal a insolvência. José Carvalho, um dos sócios, explica que o recurso a esta via tem como objectivo “resolver um pequeno litígio com um dos sócios”, mas frisa que a empresa não tenciona ficar a dever “nem um centavo seja a quem for”. A loja, situada na Heróis de Angola, está fechada desde o início desta semana por indicação do tribunal. Alcobaça Made in Cister debate sector da cerâmica Inúmeros empresários quiseram conhecer oportunidades mover a troca de contactos, lançar as oportunidades e apresentar “algumas cautelas”. O encontro serviu essencialmente para promoção das oportunidades de negócio em países como o Brasil, Bolívia, Colômbia, Argentina, Peru, Chile, Uruguai e Paraguai, México ou Venezuela. A propósito deste último, Paulo Banco juntou 300 convidados em almoço Neves lembrou a importância do envolvimento das autarquias e governo como agentes privilegiados para fomentar a internacionalização das empresas: “Não vendíamos nada para lá até que um primeiro-ministro [José Sócrates] apostou naquele país”. O exemplo serve de mote ao IPDAL, cuja última missão decorreu em Fevereiro, no Paraguai. O sucesso não é ainda quantificável em números, mas a presença, no encontro em Pombal, da ministra da embaixada do Paraguai, Ana Rodrigues, bem como do empresário Raul Pinto, deixou perceber os frutos. A próxima missão empresarial está agendada para a semana de 15 a 22 de Junho, à Colômbia. Campos e Cunha num debate em Leiria Dinamismo empresarial de Leiria Retoma do investimento atrai atenção do Montepio depende de estabilidade fiscal O dinamismo empresarial da região de Leiria está a ser “alvo de uma atenção muito especial” por parte do Montepio, que procura “ganhar quota de mercado e uma maior profundidade” na sua relação com o tecido empresarial, afirma António Tomás Correia. Em declarações ao JORNAL DE LEIRIA antes de um almoço com clientes realizado na terçafeira nas Cortes, o presidente do banco referiu que o peso da região na actividade da instituição “está alinhado” com o peso que tem no contexto da economia portuguesa. O responsável nega que o crédito às empresas esteja mais difícil ou mais caro, até porque se tem “vindo a assistir a uma grande competitividade” entre bancos, que tentam reforçar a Insolvência Voga em tribunal para resolver “pequeno litígio” sua posição junto do “conjunto das melhores empresas”. Segundo revelou, o Montepio concedeu o ano passado um total de dois mil milhões de euros de crédito às empresas portuguesas. António Tomás Correia reconhece que “vivemos um quadro muito difícil”, mas acredita que, à semelhança do que aconteceu noutros períodos, o País terá capacidade de ultrapassar as dificuldades. “Para isso é decisiva a atitude dos empresários e das empresas”, cujo trabalho e capacidade em muito tem contribuído para o “quadro de estabilidade” que o País apresenta. O almoço em Leiria integrou um roadshow nacional que visa aproximar o banco do tecido empresarial e estimular o empreendedorismo. Os chumbos do Tribunal Constitucional foram um “sinal de confiança para os agentes económicos”, defendeu Luís Campos e Cunha na segunda-feira num debate em Leiria, iniciativa do Instituto Politécnico e da Visão. No evento subordinado ao tema Impostos - a inevitabilidade do sufoco fiscal?, onde participaram ainda Tiago Caiado Guerreiro, Joaquim Paulo Conceição e Manuel Carvalho da Silva, o antigo ministro das Finanças, citado pela Lusa, disse que as posições daquele tribunal “traçaram linhas para o Governo, dizendo que essas linhas não podem ser ultrapassadas”, o que funcionou como “primeiro sinal de confiança para os agentes económicos”. “Ninguém pode criticar o Tribunal Constitu- cional por fazer a sua obrigação”, que é “velar pela constitucionalidade das leis”. Relativamente ao futuro, Campos e Cunha afirmou que “não podemos ter uma retoma significativa do investimento” sem um “mínimo de estabilidade das políticas”, nomeadamente fiscais. “Para haver investimento tem que haver um business plan e para haver um business plan tem que haver uma ideia de quais são as leis laborais, quanto é que se vai pagar de IMI, de IRS, de IVA, de TSU”, declarou, lembrando que “ainda hoje se estão a alterar” leis laborais e alguns impostos, existindo “a ameaça de mais uma subida de impostos se houver um chumbo do Tribunal Constitucional”. A primeira sessão do projecto Made in Cister, do jornal Região de Cister, tem lugar no sábado. O auditório da empresa Spal acolherá um evento que se desevolve em vários momentos: apresentação de um documentário e da história da cerâmica na região e uma conferência sobre o sector, que abordará aspectos como os novos mercados, perspectivas de futuro e turismo industrial, entre outros. O projecto terá continuidade em Julho, com o sector das pescas. Leira Sondalis festejou 25.º aniversário A Sondalis, empresa de captações de água com sede em Amor, Leiria, celebrou no domingo os seus 25 anos com um almoço na Quinta do Paul, Ortigosa. O evento juntou cerca de 350 pessoas, entre colaboradores, clientes, fornecedores, amigos, representantes da banca e entidades oficiais. Com 35 trabalhadores, a Sondalis, fundada em 1989 por Jorge Cordeiro, tem como principal actividade a execução de furos de captação de água e montagem de bombas. O RETRATISTA Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 25 Economia Motores Velocidade em formato 4C A. Braz Heleno apresentou novo coupé da Alfa Romeo JOANA CARRIÇO Jacinto Silva Duro [email protected] T Um design arrojado, prestações de 4,5 segundos dos 0 aos 100 km/h e 137 cv são apenas algumas das coisas que se pode dizer do novo Alfa Romeo 4C que a A. Braz Heleno, concessionário em Leiria da marca, apresentou na sexta-feira. Perante este carro, a marca lança-nos um convite: “just drive”. E parece ser assim mesmo. O 4C pede apenas para ser conduzido. Este carro respira velocidade e prazer de condução e a Alfa Romeo não poderia ter escolhido melhor automóvel para assinalar o regresso do fabricante ao mundo dos coupés desportivos. Na sessão de apresentação não foi possível testar o 4C na estrada, contudo, foi possível perceber a grande influência do 8C Competizione e do Alfa Romeo 33 Stradale neste veículo. Além da utilização de materiais como o carbo- O Alfa Romeo 4C será comercializado nos principais mercados mundiais, sendo a produção anual limitada a apenas 3500 unidades, mil destas destinadas à Europa. Os primeiros 4C a chegar a Portugal custam 65 mil euros – o valor depende dos extras - e pertencem à primeira série de lançamento chamada Opening Edition. 4C foi projectado pela Alfa Romeo e produzido na fábrica da Maserati no e alumínio, e tracção traseira, com uma frente em V, o design é profundamente marcado pelo mesmo espírito velocista. Destaque para o novo motor 1750 Turbo Benzina, colocado em posição Sodicentro leva Mercedes Simplex Spider a jantar-tertúlia T A fim de estar em exposição estática e prestigiar o jantar-tertúlia de apresentação do segundo fascículo da História da Indústria na Região de Leiria, dedicado ao sector da cerâmica, publicado com o JORNAL DE LEIRIA, que irá decorrer amanhã, sexta-feira, a partir das 19:30 horas, no Hotel Villa Batalha, na Batalha, a Sodicentro, concessionário Mercedes-Benz na região, vai levar para aquele hotel um exemplar do raríssimo Mercedes Simplex Spider, datado de 1907. É impossível deixar de admirar este veículo excepcional. O “conforto através da simplicidade” - daí o nome Simplex – foi um dos grandes objectivos da sua concepção pela central, com injecção directa e bloco de alumínio, e para a caixa de velocidades de dupla embraiagem a seco Alfa TCT de última geração e o selector Alfa D.N.A. evoluído com nova modalidade Race. Projectado pela Alfa Romeo e produzido na fábrica da Maserati, em Modena, o coupé de dois lugares tem um comprimento de cerca de quatro metros e distância entre eixos de 2,4 metros, o que realça as suas dimensões compactas, ao mesmo tempo que lhe atribui uma relação peso/potência inferior a 4 kg/cv. Se não ficou impressionado, fique a saber que se trata do valor típico de um super-desportivo. Prevêem-se, portanto, acelerações de colar ao banco e perder a respiração. A velocidade máxima é de 258 km/h. Just drive Para optimizar o modo como o condutor sente o 4C, foi projectado um banco envolvente que liga o piloto ao volante da viatura. Além disso, a força do travão, tal como nos automóveis de competição, é modulável, para proporcionar a resposta mais acertada, mesmo nas travagens mais exigentes, a direcção não é assistida, mas progressiva e directa. Por fim, o acelerador oferece resposta pronta, para gerir as saídas de curvas com a maior aceleração possível. Dito isto, parece-nos apenas justificável que o novo lema da marca italiana seja “just drive”. PUBLICIDADE História da Indústria na Região de Leiria Miguel Sampaio [email protected] Mil para a Europa Preço a partir de 65 mil euros Daimler através da veia criativa de Wilhelm Maybach. Destinado sobretudo a clientes da “alta sociedade”, o veículo foi também carro de corrida muito admirado pelo imperador alemão Guilherme II, sendo que o seu aparecimento no mercado, enquanto modelo de produção, em 1902, quase coincide com a criação do nome Mercedes para a linha de modelos da fábrica Daimler-Benz. A designação - Mercedes - foi registada a 23 de Junho de 1902 e a marca foi consagrada a 26 de Setembro desse ano. Tudo porque o empresário Emil Jellinek usava o pseudónimo Mercedes – o nome da sua filha de 10 anos – quando corria com os carros da Daimler-Motoren-Gesellschaft dando grande fama aos automóveis da marca. Veja mais anúncios de diversos na página 31 MIGUEL SAMPAIO Para saber como anunciar na secção de classificados do Jornal de Leiria ligue 244 800400 26 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Economia Investimento de 30 milhões de euros em Figueiró dos Vinhos Biodinâmica Dental inicia produção durante o Verão Babetes e embalagens de esterilização são alguns dos produtos que a Biodinâmica Dental Products vai começar a fabricar este Verão na unidade de Figueiró dos Vinhos. A fábrica de produtos de odontologia e de ortodontia, que representará um investimento total de 30 milhões de euros, deverá estar a laborar em pleno dentro de um ano, revelou à Lusa Eduardo Scarchetti. O director-executivo explicou que, nessa altura, a unidade deverá empregar 80 pessoas. Para já foram contratados sete trabalhadores, preven- PUBLICIDADE O número 100 produtos diferentes, mas todos relacionados com odontologia, deverão ser produzidos a partir do Verão de 2015 na unidade de Figueiró dos Vinhos do-se que no início de Junho outros quatro integrem o quadro da empresa. O responsável acrescentou que, até ao final de Maio, terão sido investidos “22 milhões de euros”, verba que inclui a compra do imóvel e a sua adaptação, assim como os equipamentos. “O que aqui se vai produzir são produtos odontológicos, que o médico dentista utiliza nas consultas, como cimentos, resinas, adesivos, ‘bráquetes’ metálicas ou cerâmicas”, exemplificou Eduardo Scarchetti. Segundo o responsável, o destino da produção da unidade de Figueiró dos Vinhos é o mercado mundial, destacando, além do mercado nacional, a Europa, Ásia e Estados Unidos, prevendo-se igualmente que “uma linha de produtos vá para o Brasil”, onde está sediado o grupo Biodinâmica. O director-executivo disse à Lusa que está prevista a produção de 100 produtos diferentes, mas todos relacionados com odontologia e explicou que a escolha de Figueiró dos Vinhos se prendeu com a localização mas também com o “acolhimento” sentido pelo grupo, que assim pode dar o seu “contributo para o desenvolvimento da região”. Para a câmara de Figueiró dos Vinhos, esta é uma unidade inovadora e relevante que vai contribuir para o desenvolvimento sustentável do concelho. Em Setembro do ano passado, antes da apresentação pública do projecto, a autarquia apontava que o projecto, que conta com incentivos já aprovados pelo Governo, “em muito irá contribuir para a dinamização do tecido económico e social do concelho”, sendo um “sinal de esperança e confiança” nesta época difícil. Prémio anual foi entregue a Andressa Bertranda Gallo Vidro distingue aluna do ISDOM com prémio Rocha e Silva Daniela Franco Sousa [email protected] Andressa Bertranda, aluna do Instituto Superior D. Dinis (ISDOM), da Marinha Grande, que concluiu em 2013 o curso de Contabilidade e Administração, foi a estudante agraciada com o Prémio Doutor Joaquim Rocha e Silva, entregue esta terçafeira pela Gallo Vidro. A distinção foi instituída há vários anos e pretende, por um lado, não esquecer Joaquim Rocha e Silva, pessoa sempre muito ligada à Gallo Vidro e também docente no ISDOM, explica Paulo Mateus, responsável pelos Recursos Humanos nesta empresa da Marinha Grande. Por outro lado, prossegue Paulo Mateus, a distinção é também uma forma de incentivar os alunos a prosseguirem estudos superiores. Assim, todos os anos, a Gallo Vidro entrega um prémio de valor monetário ao melhor aluno do curso de Contabilidade e Administração do ISDOM. Este ano, a entrega do prémio realizou-se nas instalações da Gallo Vidro, no museu da empresa, que conta a história desta fábrica vidreira da Marinha Grande, na presença de alguns membros da administração da Gallo Vidro, do presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande e da directora do ISDOM. A distinção foi entregue à aluna (na foto, à esquerda) por Carlos Delclaux (à direita), presidente do Conselho de Administração da Vidrala, multinacional espanhola que integra a unidade da Marinha Grande. A ocasião serviu ainda para prestar homenagem a 16 colaboradores da Gallo Vidro, 14 dos quais por 25 anos de carreira na empresa, e dois deles por um percurso profissional de 40 anos nesta fábrica. DR Responsável pela Vidrala entrega prémio a aluna Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 27 Economia Opinião E o PIB caiu Ser ou não ser economia nacional, de Janeiro a Março de 2014, recuou 0,7% face ao último trimestre. Este resultado está associado ao aumento das importações, devido à recuperação da venda de carros e ao abrandamento das exportações, na sequência da paragem técnica na refinaria da Galp, em Sines. Estes resultados demonstram que a economia portuguesa continua demasiado frágil e que os valores alcançados, em trimestres anteriores, e tão efusivamente elogiados pelo governo, não correspondiam a uma trajectória sustentável, que era afinal suportada, essencialmente, pela venda de combustíveis. Uma ligeira brisa e o PIB caiu! O desempenho da economia portuguesa continua amarrado a um modelo que não se reconverteu e um tecido económico que se fragilizou em consequência das políticas adoptadas. No essencial as reformas estruturais continuam por fazer, não obstante todos os sacrifícios impostos aos portugueses, supostamente para inverter a situação. Ora, um novo modelo económico, para além de potenciar o que nos diferencia, tem de desenvolver um perfil produtivo assente na inovação, capaz de gerar valor acrescentado num mundo globalizado cada vez mais competitivo. A Odete João Neste contexto o capital humano é um dos factores determinantes para operar as mudanças desejadas, de onde se destaca a qualificação dos portugueses como imprescindível para garantir uma nova etapa no desenvolvimento do país. A educação e formação desempenham um papel fundamental nas sociedades modernas e são o garante para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo, não só dotando os cidadãos das competências e aptidões necessárias para que a economia e a sociedade sejam mais competitivas e inovadoras, mas, também, para garantir a melhoria de oportunidades e a coesão social. O actual governo promoveu a emigração dos mais qualificados, em particular dos mais jovens, como uma inevitabilidade para o país, a par da asfixia do mercado interno. O desinvestimento em todas as áreas do conhecimento e em todos os níveis de ensino faz com que o país retroceda em todos os patamares alcançados: na ciência, na tecnologia e na inovação. As políticas encetadas desbaratam a aposta fulcral para o desenvolvimento do país, degradam as condições de vida e esmagam a esperança no futuro do país. Deputada do PS União Económica e Monetária: A crise continua dentro de momentos inda mal se levantava das cinzas da primeira Grande Guerra, logo eclodia a segunda (1939-45) e com ela uma gravíssima crise. Tais efeitos aconselhavam medidas conducentes à reconstrução de uma Europa em escombros. Nessa esteira, logo em 1948 nasce o primeiro tratado, o “Tratado de Bruxelas”, que tinha por objectivo encontrar um modelo de gestão de crises. Na sequência desse muitos outros foram subscritos até aos dias de hoje numa União composta 28 estados-membros. Convirá referir, contudo, que muito antes daqueles períodos bélicos a União já o era no pensamento e na pena de um dos maiores humanistas; Vítor Hugo, que, embora provindo dum meio burguêscastrense, já aí perscrutava latentes crises. E, nesse modus vivendi se inspirou para escrever Os Miseráveis (1862). Ao tempo colocou o dedo na ferida dando conta de assimetrias económicas agravadas por um despotismo jacente na Europa. E disse; “Virá um dia em que todas as nações do continente (europeu), sem perderem a sua qualidade distintiva e a sua gloriosa individualidade, se fundirão estreitamente numa unidade superior e constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia em que não haverá outros campos de batalha para além dos mercados abrindo-se às ideias. Virá um dia em que as balas e as bombas serão substituídas pelos votos”. Mas, voltando ao período do pós segunda Guerra Mundial as crises tinham por corolário o ditado português “casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”. E, ante a emergência de novos confrontos bélicos urgia organizar a Europa obviando mais e maiores crises. Ao tempo cada país daquela Europa tinha a sua própria divisa. E diziam os sábios: só vamos lá com uma moeda única. Nessa esteira, de discussões/negociações nasce o tratado Tratado da União Europeia, também A Leonel Pontes conhecido pelo “Tratado de Maastricht” por ter sido assinado nessa localidade holandesa. O termo União, desde o início do Tratado, usa-se para representar o avanço num projecto histórico: moeda única europeia – o euro – que, efectivamente, nasceu a 1 de Janeiro de 1999. E pensava-se: agora é que isto vai! Porventura, o que não seria expectável, decorridas praticamente sete décadas de Tratados constitutivos da União esta continua à procura de uma estratégia de gestão de crises em ordem a encontrar sustentabilidade. Porém, hoje sabemo-lo que na gestão e na vida das organizações, jamais podemos ignorar que sempre hão-de existir crises e, por isso, esta – a nossa, a da Europa -, dela muito se falou, fala e vai falar sobretudo até ao próximo acto eleitoral no próximo dia 25; após o que a crise segue o seu percurso como se fora mesmo “o pão nosso de cada dia”. Enquanto isso o despotismo acerta o passo por esta, ou vice-versa! Técnico oficial de Contas DR a passada segunda-feira o jornal Público citava um interessante estudo sobre o impacto económico dos institutos politécnicos. Segundo este estudo, o IPLeiria tem um impacto regional combinado (direto e indireto) de 171 milhões de euros, representando cerca de 6% do PIB de Leiria. Por outro lado, caso este número não impressione e seja adepto da eficiência do uso de fundos públicos (como todos deveríamos ser), o estudo afirma que, por cada Euro de financiamento, o IPLeiria gera cerca de 8 euros. Ou seja, o retorno do investimento público é extraordinariamente elevado, retirando argumentos aos arautos do desperdício orçamental. Este Politécnico tem registado uma impressionante dinâmica no capítulo da produção de conhecimento básico (a nível de artigos científicos), mas também aplicado (como demonstram as estatísticas de patentes, que colocam o IPLeiria entre as 3 instituições mais dinâmicas do país). Ora, dirá o leitor, com um politécnico destes, quem precisa de uma universidade? Na verdade, todos precisamos. As instituições de ensino superior têm-se transformado ao longo dos séculos, sendo a última transmutação talvez a mais significativa com o nascimento das “universidades de investigação”. Universidades como o MIT são caraterizadas por estarem centradas em doutoramentos e mestrados (onde estão cerca de 70% dos alunos), desenvolvendo conhecimento que é potenciado em empresas (em parceria ou que nascem de dentro da instituição). A função de formação inicial torna-se secundária (até porque o envelhecimento da população o torna inevitável). Ora, curiosamente apesar da citada dinâmica do IPLeiria, a região tem um desempenho pobre em termos de gastos de I&D como percentagem do PIB, estando abaixo da média da região Centro e do país (gastando apenas 0,8% do seu PIB em I&D), e muito distante dos quase 3% da região do Baixo Mondego. Estes gastos em I&D têm, segundo as “Novas Teorias do Crescimento”, um impacto profundo no crescimento regional. Esta I&D é feita maioritariamente em empresas e universidades (em projetos de mestrado e doutoramento), que terão o potencial de criar novas empresas ou mesmo novos setores (veja-se o caso de alguns spin-offs da Universidade de Coimbra, ou à escala global, como o Google nasce de um projeto de Doutoramento). No fundo, a investigação produzida em doutoramentos (e mestrados) é vital não por uma questão de vaidade institucional, mas pelos efeitos económicos daí resultantes. Ser uma universidade pode ser um imperativo da economia do conhecimento, mas também uma questão de justiça na avaliação e no acesso ao mercado. Membro do Conselho de Administração da D. Dinis Business School e docente do IPLeiria N Vítor Hugo Ferreira Saúde/Imobiliário 28 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 J. A. SILVA GORDO CLÍNICA MÉDICA, FISIOTERAPIA & ESTÉTICA OFTALMOLOGIA GERAL E PEDIATRICA (ESTRABISMO) Nova Morada Médico Especialista de Oftalmologia pelo H.U.Coimbra e Ordem dos Médicos Ed. Beira Rio, R. 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Os interessados deverão enviar o seu CV atualizado para: [email protected] Diversos/Institucional 30 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 José Figueiredo Advogado Pós-Graduado em Direito Fiscal das Empresas Pós-Graduado em Fiscalidade G G G G G G Áreas de Atividade Direito Fiscal Contencioso Tributário Direito Comercial / Sociedades Comerciais Direito da Insolvência Recuperação de Pessoas Singulares Reestruturação / Revitalização de Empresas Av.ª Comb. G. Guerra, 43 - 2º.C - 2400-123 Leiria - Portugal Tel. 244 823 755 | Telem. 917 274 532 | Fax 244 813 522 E-mail - [email protected] Website - www.josefigueiredoadvogado.com serviços de topografia . Levantamentos Topográficos . Medição e Rectificação de Áreas para IMI . Implantação de Limites . Levantamentos Arquitetónicos 912621186/938411224 [email protected] Gabinete de Apoio à Presidência Divisão de Aprovisionamento e Património EDITAL N.º 46/2014/DIAP ASSUNTO: Hasta Pública n.º 3/2014 – Alienação de Imóveis do domínio privado do Município de Leiria. Raul Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, no uso da competência que lhe é conferida pela alínea t) do n.º 1 do artigo 35.º do Anexo I da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, torna público que a Câmara Municipal de Leiria, em sua reunião ordinária de 22 de abril de 2014, conjugado com o seu despacho de 08 de maio de 2014, relativo à determinação da data do ato público, autorizou o procedimento de hasta pública para a alienação de imóveis do domínio privado do Município de Leiria, nos termos e condições abaixo: Data, hora e local da praça: A hasta pública realizar-se-á no dia 19 de junho de 2014, pelas 10:30 horas, na sala de reuniões da Câmara Municipal de Leiria, sita no edifício dos Paços do Concelho, Largo da República, 2414-006, Leiria. Critério de adjudicação: O critério de adjudicação de cada lote é o da licitação de valor mais elevado. Valor base de licitação de cada um dos lotes a alienar: O constante do quadro seguinte: Lote 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Designação/localização Prédio rústico sito em Lourais, Telheiro - Barreira. Composto pinhal destinado a reservatório de água. Confrontações: a norte, sul, nascente e poente, Hermínio Carreira Borges. Área total: 235,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “A”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 14 e arruamento; Nascente, herdeiros de Joaquim de Oliveira e outros; Poente: Parcela “B”. Área total: 346,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “B”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 15; Nascente, Parcela "A"; Poente, Parcela "C". Área total: 78,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “C”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 16; Nascente, Parcela "B"; Poente, Parcela "D". Área total: 72,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “D”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 17; Nascente, Parcela "C"; Poente, Parcela "E". Área Total: 76,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “E”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 18; Nascente, Parcela "D"; Poente, Parcela "F". Área total: 86,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “F”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 19; Nascente, Parcela "E"; Poente, Parcela "G"., Área total: 187,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “G”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 21 Nascente, Parcela "F"; Poente, Parcela "H". Área total: 75,00 m2. Prédio urbano designado por parcela “H”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes. Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, arruamento público; Nascente, Parcela "G" e lote 21; Poente, outros. Área total: 424,00 m2. Prédio urbano, sito na Rua das Hortas (atualmente Rua do Moreiro), Barosa, destinado a furo de captação de água (selado). Confrontações: Norte, Sul e Nascente, António dos Santos Melo e Francisco Melo; Poente, Caminho público. Área total: 816,00 m2. Prédio urbano em regime de propriedade horizontal, designado por “Fração E”, PISO 1, LT 3, sita na Av. Adelino Amaro da Costa, Marrazes, destinado a comércio ou serviços, com a área bruta privativa de 38,20 m2. Área total: 38,20 m2. Prédio urbano em regime de propriedade horizontal, designado por “Fração F”, PISO 1, LT 3, sita na Av. Adelino Amaro da Costa, Marrazes, destinado a comércio ou serviços, com a área bruta privativa de 157,60 m2 e área bruta dependente de 11,25 m2. Prédio rústico sito em Cardosa, Sismaria – Monte Redondo, composto por terra de semeadura. Confrontações: Norte e Poente, Canal 4; Sul, António Duarte Rolo e Nascente, Agostinho Duarte Rolo., Área total: 2.560,00 m2. Freguesia União de freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes Artigo Matricial R-11973 Descrição CRP 4216/Barreira Valor base licitação € 284,35 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7113 9049/Marrazes € 1.730,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7114 9050/Marrazes € 390,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7115 9051/Marrazes € 360,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7116 9052/Marrazes € 380,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7117 9053/Marrazes € 430,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7118 9054/Marrazes € 935,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7119 9055/Marrazes € 375,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-7120 9056/Marrazes € 2.120,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-843 1104/Barosa € 34.270,00 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-6863/E 7633-E/ Marrazes € 43.169,79 União de freguesias de Marrazes e Barosa U-6863/F 7633-F/ Marrazes € 133.153,48 União de freguesias de Monte Redondo e Carreira R-5461 433/Monte Redondo € 5.573,00 AVISO n.º 24/2014 Assunto: Alteração ao Regulamento e Tabela de Taxas do Município de Leiria Raul Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, em cumprimento do disposto no n.º 1 do artigo 56.º da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, torna público que a Assembleia Municipal de Leiria, em sua sessão ordinária de 30 de abril de 2014, sob proposta da Câmara Municipal deliberada em sua reunião ordinária de 22 de abril de 2014, aprovou, por unanimidade, a quinta alteração do Regulamento e Tabela de Taxas do Município de Leiria, que procedeu à eliminação do ponto 4 do artigo 89.º da Tabela Geral de Taxas Municipais, que constitui anexo a este Regulamento, relativo à taxa por parecer ou emissão de informação prévia sobre plantação de árvores, por hectare ou fração. Mais torna público que a presente alteração do Regulamento e Tabela de Taxas do Município de Leiria consta do teor do Edital n.º 47/2014, afixado no edifício dos Paços do do Município de Leiria. Entrega de propostas: As propostas devem ser entregues até às 16:30 horas do dia 18 de junho de 2014, no Balcão de Único de Atendimento da Câmara Municipal de Leiria, contra recibo, ou remetidas por correio, sob registo e com aviso de receção, endereçado a Município de Leiria, Divisão de Aprovisionamento e Património, Largo da República, 2414-006 Leiria. No caso de envio das propostas através de correio, deverá o proponente assegurar a entrada na Câmara Municipal de Leiria até à data e horas previstas no presente Edital. Participação no ato público: Qualquer interessado poderá assistir e intervir na hasta pública ou seus representantes, devidamente identificados e, no caso de pessoas coletivas, habilitados com poderes bastantes para tal. Ofertas de licitação: As ofertas de licitação são aceites em lances múltiplos de cinquenta euros para os lotes 1 a 9 e de quinhentos euros para os lotes 10 a 13. Modo de pagamento: A importância devida pela alienação de cada lote é paga nos seguintes termos: a) 25% do valor da alienação no ato da praça, a título de sinal e princípio de pagamento, devendo o adjudicatário provisório apresentar o respetivo comprovativo de pagamento à comissão da hasta pública; b) 75% até à data da realização da escritura de compra e venda. Impostos devidos: Serão da responsabilidade do adquirente, todos os impostos incidentes sobre a alienação do imóvel, nomeadamente, o IMT se houver lugar à sua liquidação, bem como os encargos decorrentes da sua transmissão (imposto de selo e escritura pública). Informação adicional: É parte integrante do programa da hasta pública a planta de localização dos imóveis e plantas dos edifícios bem como a caracterização do local face ao Plano Diretor Municipal em vigor no concelho de Leiria. Consulta do programa da hasta pública: A presente informação não dispensa a leitura do programa da hasta pública que poderá ser consultado no sítio do Município de Leiria em www.cm-leiria.pt ou no Balcão Único de Atendimento do Município de Leiria, sito no Largo da República, 2414-006 Leiria, das 9:00 horas às 16:30 horas. Para constar se lavrou o presente edital que vai ser afixado no edifício dos Paços do Concelho, inserido na Intranet e na página electrónica do Município de Leiria e publicado em dois jornais do Concelho de Leiria. Leiria, 12 de maio de 2014. O Presidente da Câmara Municipal Raul Castro Jornal de Leiria - Edição n.º 1558.22.05.2014 Largo da República, 2414-006 Leiria • N.I.P.C.: 505 181 266 • Telef.: 244 839 500 • N.º Verde: 800 202 791 . Sítio: www.cm-leiria.pt • email: [email protected] Concelho e publicitado no sítio na internet Leiria, 13 de maio de 2014. O Presidente da Câmara Municipal de Leiria Raul Castro Jornal de Leiria - Edição n.º 1558.22.05.2014 Largo da República, 2414-006 Leiria • N.I.P.C.: 505 181 266 • Telef.: 244 839 500 • N.º Verde: 800 202 791 Sítio: www.cm-leiria.pt • email: [email protected] Diversos Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 31 Ficha Técnica Fotodepilação - Estética Medicina Complementar 10€ Buço Facial Completo 30€ Virilhas Completas 30€ Axilas 18€ Pernas Completas + Pés 60€ Prepare-se para o seu Verão CAMPANHAS MENSAIS TODO O ANO Avenida Marquês de Pombal - Leiria 244 092 411 - 918 879 540 Facebook/VintageBeautyandCare LAVAGENS MANUAIS Lavagens completas (Interior e Exterior) Estofos Motor Chassis Parafinar FAZEMOS A RECOLHA E ENTREGA DA SUA JORLIS, LDA. Gerência Maria Alexandra Vieira, João Nazário Direcção Editorial Maria Alexandra Vieira, Arnaldo Sapinho Orlando Cardoso Director João Nazário ([email protected]) Redacção Raquel de Sousa Silva (coordenação) ([email protected]) Daniela Franco Sousa, Elisabete Cruz, Graça Menitra, Jacinto Silva Duro, Maria Anabela Silva, Miguel Sampaio Copydesk Orlando Cardoso [email protected] Colaboradores permanentes Adriana Afonso, Ana Cristina, Bruno Gaspar, Joaquim Paulo, Luci Pais, Lurdes Trindade, Paula Sofia Luz, Sal Nunkachov, Sara Vieira Direcção Gráfica Gabinete Técnico Jorlis Paginação e Produção Isilda Trindade (coordenação) ([email protected]) Rita Carlos ([email protected]) Serviços Administrativos/Assinantes Cília Ribeiro ([email protected]) ([email protected]) Tesouraria Patrícia Carvalho ([email protected]) Serviços Comerciais Lúcia Alves ([email protected]), Rui Pereira ([email protected]) e Sandra Nicolau ([email protected]) Área de Projectos Sandra Nicolau ([email protected]) Propriedade/Editor Jorlis - Edições e Publicações, Lda. Capital Social: €600.000 NIF 502010401 MOVICORTES - Serviços e Gestão - 90% José Ribeiro Vieira (Herdeiros) - 10% Morada Parque Movicortes 2404-006 Azoia - Leiria Email [email protected] Telefones Geral: 244 800 400 Redacção: 244 800 405 Fax: 244 800 401 Impressão Grafedisport Distribuição VASP Dia de publicação: Quinta-feira Preço avulso: 1€ Assinatura anual: 35€ (Portugal) 65€ (Europa) 93€ (outros países do mundo) Tiragem média por edição Mês de Abril: 15 000 exemplares N.º de registo: 109980 Depósito legal n.º 5628/84 Palavras cruzadas (COM 16 CASA PRETAS) HORIZONTAIS: 1- Alvitrei, julguei. O m. q. curiúva (Bras.). 2 – Tecido fino, espécie de escumilha (pl.). Determinares a extensão. 3 – Ave semelhante à avestruz (pl.). O m. q. Namaz. 4 – Derrubei. Pia ou gamela dos porcos. 5 – saia do sono, desperte. 6 – Césio (s.q.). Planta labiada medicinal. Porco (Prov.). 7 – Tempo, época (Fig.). 8 – Repetiu. Junte o que estava disperso. 9 – Agregarei. Sensação da necessidade de beber, principalmente água. 10 – Insecto ortóptero dos lugares húmidos. Estudar. 11 – Amola, aguça (Arc.). Membrana que liga os dedos de certas aves, répteis e mamíferos aquáticos. VERTICAIS: 1 – Grande navio antigo de carga. Intriga secreta, trama. 2 – Fêmeas do pombo. Da mesma maneira. 3 – Filho de Abraão e de Sara. Suarda da lã. 4 – Um dos sinais de trânsito. Língua vernácula indiana. 5 – Sobre. Uma das línguas dos indígenas americanos. 6 – O m. q. iene. Entregou. Imperfeito (abrev.). 7 – Cortejar, galantear. Autores (abrev). 8 – Alto, cimo. Composições poéticas. 9 – Cordão que vai da bexiga ao umbigo do feto (Anat.). Viela, arruela. 10 – Ore. Bicicleta de dois assentos. 11 – Relativo à deusa Isis. Prefixo, o m. q. aeri. Solução do problema anterior: Horizontais: 1 – ATEAREI. AAM. 2 – DEITEI. URRE. 3 – OMS. GRANEAR. 4 – XI. SOALHADO. 5 – ADIA. SOAR. S. 6 – ONDA. UDAS. 7 – A. SURI. OMIO. 8 – REACUSAR. NB. 9 – CINEMAS. LAR. 10 – ADIU. ANGOLA. 11 – ROA. ACALCAR. Verticais: 1 – ADOXA. ARCAR. 2 – TEMIDO. EIDO. 3 - EIS. INSANIA. 4 – AT. SADUCEU. 5 – REGO. ARUM. A. 6 – EIRAS. ISAAC. 7 – I. ALOU. ASNA. 8 – UNHADOR. GL. 9 – AREARAM. LOC. 10 – ARAD. SINALA. 11 – MEROS. OBRAR. Sudoku O Jornal de Leiria está aberto à participação de todos os cidadãos de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial VIATURA NO SEU LOCAL DE TRABALHO OU RESIDÊNCIA ABERTOS AOS SÁBADOS ATÉ ÀS 13H00 244 103 077/962 546 463 Rua Heróis do Ultramar, Armaz. “D” 2410-287 LEIRIA GARE - LEIRIA ANDREIA SUSETE F. BARCELOS R. D. José Alves Correia da Silva, 109 Cruz da Areia - Leiria Tel. 244 835 103 [email protected] Boletim de assinatura Nome | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Morada | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | CP | | | | | - | | | | Localidade | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | País | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Telefone | | | | | | | | | | | | | | | | | | Profissão | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Habilitações Literárias | | | | | | | | | | | N.º Elementos agregado familiar | | | NIF | | | | | | | | | | Data de nascimento | | | - | | | - | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Junto envio cheque/vale postal n.º | | | | | | | | | | no valor de 35€ (Portugal), 65€ (Europa), 93€ (outros países do Mundo) emitido à ordem de Jorlis, Lda., para pagamento da minha assinatura anual do Jornal de Leiria (renovável anualmente, salvo indicações em contrário). 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E nem todas as dificuldades de sobrevivência do projecto põe em causa a qualidade do trabalho efectuado. “Foi, claramente, a melhor época de sempre para o futebol de formação da União de Leiria”, garante Fernando Encarnação, vice-presidente com aquele pelouro. “Conseguimos resultados nunca antes obtidos, não só ao nível pontual, como da própria classificação.” Senão, vejamos: a equipa de iniciados apurou-se para a fase final – só com os quatro melhores – e garantiu um inédito terceiro lugar, com 4 pontos, à frente do FC Porto, equipa que foi derrotada (2-1) em Leiria. O onze de José Horta empatou ainda em casa com o campeão nacional Benfica e só perdeu as duas partidas com o Sporting. Os juvenis chegaram à 10.ª posição geral entre todas as equipas que disputaram o Campeonato Nacional do escalão. Apesar de não ser um resultado arrebatador, Fernando Encarnação valoriza o facto de ter passado à segunda fase da prova, altura em que conseguiram a coroa de glória ao nível dos resultados: uma goleada por 4-1 sobre o Sporting de Portugal, “mais um facto inédito pela diferença esmagadora de golos”. Finalmente, os juniores, que à semelhança de 2011/12 e 2010/11 se apuraram para a fase final, com os oito melhores. Desta vez, a equipa de Tiago Vicente obteve a sexta posição, com novo recorde de pontos, 12, contra 7 e 4 nas últimas presenças. Mais, alcançou empates com o FC Porto, com o Sporting, e o campeão Sporting de Braga pôde comemorar o título depois de empatar na Academia (2-2). No cômputo geral, elhor do que a União de Leiria, só os óbvios Benfica, FC Porto, Sporting e Sporting de Braga. Mais ninguém. “Se me perguntasse se estava à espera destes resultados diria claramente que não, nem nos sonhos mais ousados”, garante Fernando Encarnação. “Esta época é divinal, histórica e impressiva, resultado de um trabalho sem qualifi- Principais clubes passam por dificuldades quando defrontam a União de Leiria Os números 293 atletas, dos 5 aos 19 anos, compõem as 19 equipas de formação da União Desportiva de Leiria 15.000 euros é o orçamento mensal do departamento de futebol juvenil da União de Leiria cação possível por parte dos treinadores, dos dirigentes e dos atletas, que com sacrifício e empenho transformaram as dificuldades em superação e aprendizagem.” Na génese destes êxitos está, entende o dirigente, a criação há meiadúzia de anos da Academia de Santa Eufémia, que permitiu uma coisa tão simples quanto isto: um relvado sintético para trabalhar. Só que o espaço já é manifestamente insuficiente para as 19 equipas que lá treinam. Custa a acreditar, mas é verdade, há alturas em que um relvado onde deveriam estar 22 indivíduos a jogar estão nada menos do que uma centena. Na segunda-feira, por exemplo, quatro equipas treinavam em simultâneo na Academia, entre as 19:30 e as 21:30 horas: os juniores em meio campo, os juvenis A e os iniciados A num quarto de campo cada e ainda os iniciados B no campo de futebol de cinco. E de vez em quando – mais vezes do que certamente gostariam - lá têm de ir sofrer para o pelado dos Pi- Aposta Os jovens e o plantel sénior nheiros, que não tem local para tomar banho e muitas vezes é vandalizado por alguns indivíduos que fazem do rectângulo de jogo uma pista de rali. Ora, para Fernando Encarnação está aqui o segredo do sucesso: a forma Com um trabalho de formação de novos jogadores deste quilate, seria como são encaradas as dificuldades. “Não ficamos a chorar pela inexisexpectável que a União de Leiria tência de espaços ou pelos problemas apostasse fortemente na prata da financeiros. Conseguimos muito com casa para a equipa sénior, política pouco. Há amor, muito querer e saque foi perdendo fulgor com o crifício pessoal. E sorte, claro.” desenrolar da temporada. “O que Depois de uma temporada histódefendo é que só é possível construir um clube com fidelidade e rica, o que podemos esperar da próxima época? Mais do mesmo? “Recritério financeiro se for feita uma sultados não podemos prometer, aposta clara e paciente dos activos que são formados no departamento mas tudo faremos para replicar o trabalho, o empenho, o espírito de sade futebol jovem. Não me digam, que não aceito, que os os jogadores crifício e o acompanhamento quase paternal. Não podemos prometer não têm qualidade, pois se servem um ginásio – que todos têm menos para estar nos melhores lugares do nós – nem treinar a campo inteiro – campeonato nacional de juniores, que todos fazem menos nós – nem também têm qualidade para jogar que a cidade nos valorizem da mesno plantel sénior. É óbvio que têm. Só precisam de uma oportunidade e ma forma que os de fora dão. Uma coisa é certa, em Leiria vai continuar que a aposta seja coerente”, disse a trabalhar-se da mesma maneira.” Fernando Encarnação. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 33 Desporto Última jornada decisiva para a atribuição do título nacional de futebol feminino Caldas ou Ourém? As novas campeãs vão morar na região RICARDO GRAÇA Miguel Sampaio [email protected] T Domingo, 16 horas. Os corações vão precipitar-se num batimento descontrolado. Está na hora do apito inicial para os jogos que irão decidir o novo campeão nacional de futebol feminino. Certo e sabido é que o título não irá fugir à área de influência geográfica de Leiria, pois as hipóteses em cima da mesa são Ourém e A-dosFrancos, no concelho de Caldas da Rainha. E pensar que há apenas dois anos não havia equipas da região na 1.ª Divisão feminina... A ascensão tem sido, desde então, meteórica. Em 2012/13, o Atlético Ouriense estreouse no patamar mais alto e foi logo campeão nacional. Esta temporada foi a vez do GDC A-dos-Francos se apresentar nos grandes palcos e não se quis ficar atrás. Venceu a primeira fase e só perdeu gás nesta etapa final. Mas vamos a contas. Quando falta Campeão em título, Atlético Ouriense parte em vantagem pontual uma jornada para terminar a competição, o Atlético Ouriense é líder, com 31 pontos. O segundo é o GDC A-dosFrancos, com menos um ponto. No domingo, a equipa de Ourém recebe Alavarium venceu os dois jogos Colégio João de Barros cai nas meias-finais da 1.ª Divisão T A equipa de Paulo Félix foi incapaz de repetir o feito da temporada passada - em que chegou à final do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de andebol feminino - ao ser derrotada na meia-final da competição pelo Alavarium, que venceu a série por duas vitórias a zero. Depois de na semana passada ter perdido por apenas uma bola no reduto do adversário, em Aveiro, por 23-22, o Colégio João de Barros precisava de vencer o jogo do sábado pretérito para adiar as decisões para domingo. Não foi o que sucedeu, com o Alavarium, actual campeão nacional, a triunfar por 23-25 e a conseguir o apuraRICARDO GRAÇA mento para a final, onde vai encontrar o Madeira SAD. “Tem sido uma época muito difícil, cheia de lesões em atletas nucleares, já para não falar do eterno problema de haver várias jogadoras a estudar e a trabalhar fora da região de Leiria, o que dificulta – e muito – o treino colectivo. Não fizemos um bom jogo e a semana também foi complicada por motivos profissionais das jogadoras. A Eduarda Pinheiro, por exemplo, só chegou na segunda parte do jogo porque teve a bênção das pastas. O primeiro jogo, em Aveiro, podíamos e devíamos ter vencido, de qualquer forma o Alavarium tem armas que nós não temos e foi isso que fez a diferença. Resta-nos trabalhar para alcançar o terceiro posto”, disse o treinador ao JORNAL DE LEIRIA. Na disputa pelo último lugar do pódio, posição que o Colégio João de Barros alcançou em 2011/12 e 2010/11, a equipa de Meirinhas, concelho de Pombal, irá defrontar o Colégio de Gaia, numa série uma vez mais disputada à melhor de três. O primeiro jogo é em Gaia, este sábado, pelas 19 horas. Sejam quais forem os resultados destes jogos de atribuição do terceiro lugar, o sete de Meirinhas tem uma vez mais garantido um lugar nas competições europeias na temporada que se avizinha, o que acontecerá pela sexta temporada consecutiva. o Clube de Albergaria, terceiro classificado, enquanto as miúdas de Caldas da Rainha vão a Lisboa defrontar o Futebol Benfica, quarto e último desta fase final. A vantagem está, pois, do lado das actuais campeãs nacionais, que procuram revalidar o título depois de terem entrado com pouco gás na competição, o que obrigou a uma mudança de técnico nos derradeiros jogos da primeira fase. Depois de uma goleada sofrida perante o Futebol Benfica (5-0), foi preciso agitar as águas. Saiu o técnico Mauro Moderno, que tinha levado a equipa ao título, e entrou Marco Ramos. Desde então, a equipa não voltou a perder. Mais, apurou-se para a final da Taça de Portugal. Segredos? Não há. “As jogadoras aperceberam-se que não podiam continuar a vacilar. Tentámos pensar essas mensagem e as atletas assimilaram. Qualidade, elas tinham”, salienta o novo treinador. O Atlético Ouriense partiu de trás, mas ainda foi a tempo de ultrapassar todas as adversárias.”Na fase final ganhámos a todas as equipas e não perdemos com ninguém e, por isso, merecemos o título. Somos a equipa mais consistente”, reforça Marco Ramos. Resta um jogo. Com o Clube de Albergaria. O técnico está confiante. “As atletas têm sentido de responsabilidade e sabem que temos de ganhar. O futebol é fértil em surpresas, a bola pode bater no poste e não entrar, mas, com a nossa qualidade, temos tudo para revalidar o título.” Mais a sul, o GDC A-dos-Francos aguarda por um deslize e ainda sonha com o título na temporada de estreia. “Temos de fazer o nosso papel. O adversário, ainda por cima em casa dele, não será fácil, mas o trabalho do Atlético Ouriense também o será”, garante Paulo Sousa, treinador da equipa das Caldas da Rainha, que lamenta o facto de não ter conseguido vencer nenhum jogo em casa na fase final. “Se tivéssemos ganhado um desses jogos – e tivemos condições para isso – chegaríamos à última jornada em primeiro. São meninas de 16 e 17 anos que no último jogo, em Ourém, acusaram a pressão.” PUBLICIDADE Veja mais anúncios de diversos na página 30 Para saber como anunciar na secção de classificados do Jornal de Leiria ligue 244 800400 34 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Desporto Futebol Campeonato Nacional de Seniores Apuramento de subidas – Zona Sul Classificação P J V E Oriental 26 13 8 2 Benfica C. Branco 23 13 7 2 União Leiria 21 13 6 3 Sertanense 20 13 5 5 FC Ferreiras 19 13 6 1 CD Mafra 16 13 4 4 Pinhalnovense 11 13 3 2 Sportivo Loures 10 13 3 1 D 3 4 4 3 6 5 8 9 G 22-12 24-11 14-16 19-17 23-21 12-13 19-24 14-33 Última jornada 24 de Maio Benfica C. Branco-Pinhalnovense, CD MafraUnião Leiria, FC Ferreiras-Oriental, Sportivo Loures-Sertanense Divisão de Honra – AF Leiria Resultados GD Peniche-Sporting Pombal Ginásio Alcobaça-GRAP AC Marinhense-Guiense AR Meirinhas-Figueiró Vinhos Moita Boi-Pataiense Nazarenos-Leiria e Marrazes GD Pelariga-Alqueidão Serra Vieirense-Beneditense 1-1 1-1 1-4 3-2 3-3 1-0 1-2 2-1 Classificação Sporting Pombal GD Peniche Guiense Ginásio Alcobaça Pataiense Alqueidão Serra Vieirense GD Pelariga GRAP Moita Boi Leiria e Marrazes Nazarenos Beneditense AR Meirinhas Figueiró Vinhos AC Marinhense P 70 62 54 54 54 46 44 43 34 30 29 27 27 27 26 17 J 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 29 V E D G 22 4 3 64-19 18 8 3 59-25 16 6 7 62-36 15 9 5 54-40 15 9 5 47-34 12 10 7 40-40 12 8 9 31-25 12 7 10 44-37 10 4 15 37-45 8 6 15 48-59 8 5 16 40-55 6 9 14 33-49 6 9 14 27-39 7 6 16 30-62 8 2 19 34-52 5 2 22 22-55 Última jornada 25 de Maio Alqueidão Serra-Vieirense, Beneditense-Nazarenos, Figueiró Vinhos-GD Peniche, GRAP-AR Meirinhas, Guiense-Ginásio Alcobaça, Leiria e Marrazes-AC Marinhense, Pataiense-GD Pelariga, Sporting Pombal-Moita Boi 1.ª Divisão feminina – Apuramento de campeão Classificação P J V E D G Atlético Ouriense 31 5 3 2 0 6-3 A-dos-Francos 30 5 1 3 1 6-5 Clube Albergaria 26 5 2 1 2 7-7 Futebol Benfica 24 5 0 2 3 3-7 Última jornada 25 de Maio Atlético Ouriense-Clube Albergaria, Futebol Benfica-A-dos-Francos Futsal 6-5 4-2 8-2 9-6 6-5 4-2 4-1 Classificação P Burinhosa 58 AM Portela 58 Quinta Lombos 53 Os Vinhais 49 Fabril Barreiro 44 Operário 37 Sportivo Loures 34 Amarense 34 Fonsecas e Calçada25 AMSAC 24 UP Venda Nova 24 Rabo Peixe 23 Albufeira Futsal 21 Mendiga 20 J 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 V 19 19 17 16 13 11 11 10 8 6 7 6 6 5 E 1 1 2 1 5 4 1 4 1 6 3 5 3 5 D 5 5 6 8 7 10 13 11 16 13 15 14 16 15 7-3 3-7 3-3 1-1 5-1 6-4 Classificação P Olho Marinho 53 Boa Esperança 52 MTBA 52 Eléctrico P. Sôr 49 Retaxo 38 Alhadense 38 GR Vilaverdense 29 Quiaios 29 Caldas SC 25 Os Patos 22 GARECUS 19 GDR São Bento 18 Belhó 3 J 23 23 23 23 22 23 23 22 23 24 23 23 23 V 17 15 17 15 12 11 8 8 8 6 6 5 1 E 2 7 1 4 2 5 5 5 1 4 1 3 0 D 4 1 5 4 8 7 10 9 14 14 16 15 22 G 86-62 93-44 93-45 98-55 89-56 74-65 81-91 81-91 86-95 82-111 73-111 54-81 53-136 Última jornada 24 de Maio Alhadense-Belhó, GDR São Bento-Caldas SC, GR Vilaverdense-MTBA, Olho Marinho-GARECUS, Quiaios-Eléctrico P. Sôr, Retaxo-Boa Esperança Nacional feminino – Apuramento de campeão Resultados 1-4 CR Golpilheira-Rest. Avintenses FC Vermoim-Novasemente 2-3 Quinta Lombos-ACRD Louriçal 3-0 ARJ Mogege-Benfica 0-2 Classificação FC Vermoim CR Golpilheira Benfica Rest. Avintenses Quinta Lombos Novasemente ARJ Mogege ACRD Louriçal P 18 18 16 14 14 11 9 4 J 9 9 10 9 9 10 10 10 V 5 5 4 4 4 3 2 1 E 3 3 4 2 2 2 3 1 D 1 1 2 3 3 5 5 8 G 34-23 21-19 22-15 25-16 21-16 32-34 21-28 16-41 Próxima jornada 24 de Maio CR Golpilheira-Quinta Lombos, Rest. Avintenses-FC Vermoim Hóquei em patins 1.ª Divisão Resultados CH Carvalhos-Física T. Vedras FC Porto-Benfica HC Braga-HC Mealhada HC Turquel-Paço Arcos Juv. Viana-HA Cambra Óquei Barcelos-Sporting Sporting Tomar-Candelária SC AD Valongo-Oliveirense G 131-69 122-81 112-71 97-93 119-90 96-97 109-113 72-89 67-93 108-119 87-101 94-109 105-148 97-143 Última jornada 24 de Maio Albufeira Futsal-AM Portela, AMSAC-Amarense, Fabril Barreiro-Quinta Lombos, Mendiga-Os Vinhais, Operário-UP Venda Nova, Rabo Peixe-Burinhosa, Sportivo Loures-Fonsecas e Calçada AD Valongo FC Porto Benfica Juv. Viana Oliveirense HC Turquel Óquei Barcelos Candelária SC Sporting HC Braga Paço Arcos CH Carvalhos Física T. Vedras HC Mealhada Sporting Tomar HA Cambra P 71 71 68 62 58 47 38 37 30 30 29 27 25 21 16 16 J 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 V 23 23 22 20 19 14 11 10 8 9 8 8 7 6 5 5 3-2 3-2 5-6 2-2 4-2 4-3 3-2 4-3 E 2 2 2 2 1 5 5 7 6 3 5 3 4 3 1 1 D 3 3 4 6 8 9 12 11 14 16 15 17 17 19 22 22 G 128-70 172-63 187-83 157-113 144-90 89-92 91-101 75-83 99-121 93-136 68-84 82-142 67-102 95-143 70-137 80-137 Próxima jornada 24 de Maio Benfica-AD Valongo, Candelária SC-FC Porto, Física T. Vedras-HC Turquel, HA Cambra-Sporting Tomar, HC Mealhada-Óquei Barcelos, Oliveirense-HC Braga, Paço Arcos-Juv. Viana, SportingCH Carvalhos 2.ª Divisão – Zona Sul Resultados Última jornada AD Oeiras-Ac. Coimbra Alcobacense-Biblioteca IR Escola Livre-Juv. Salesiana HCP Grândola-Santa Cita HC Sintra-Campo Ourique Marítimo SC-Alenquer e Benf. Entroncamento-Tigres Almeirim Classificação final P HC Sintra 70 Tigres Almeirim 70 AD Oeiras 53 Alenquer e Benf. 48 Marítimo SC 44 Juv. Salesiana 39 GD Sesimbra 38 Alcobacense 36 HCP Grândola 35 Escola Livre 35 Biblioteca IR 34 Entroncamento 34 Campo Ourique 29 Ac. Coimbra 28 Santa Cita 9 J 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 28 V 23 23 17 14 13 12 11 11 10 9 10 11 8 8 2 E 1 1 2 6 5 3 5 3 5 8 4 1 5 4 3 D 4 4 9 8 10 13 12 14 13 11 14 16 15 16 23 G 158-88 162-94 135-102 124-109 151-152 114-119 130-125 106-123 121-123 102-109 79-100 112-136 106-123 103-121 69-148 6-5 1-3 3-0 4-3 8-2 6-6 8-6 Duarte Delgado subiu Plonéour-Lanvern Emigrante de sucesso pelas terras de Astérix DR Nota: As equipas da região – Alcobacense e Biblioteca, de Valado dos Frades – asseguraram a manutenção no segundo escalão do hóquei em patins nacional. Nacional feminino – Fase final Resultados Ac. Coimbra-Sanjoanense CH Carvalhos-HC Mealhada HC Turquel-Benfica Stuart HC Massamá-FC Alverca 4-3 2-1 0-4 9-1 Classificação P Benfica 31 Stuart HC Massamá26 Ac. Coimbra 25 CH Carvalhos 19 Sanjoanense 11 HC Turquel 7 HC Mealhada 6 FC Alverca 3 J 11 11 11 11 11 11 11 11 V 10 8 8 6 3 2 2 1 E 1 2 1 1 2 1 0 0 D 0 1 2 4 6 8 9 10 G 48-13 45-16 36-20 39-30 35-33 22-34 14-54 18-57 Próxima jornada 25 de Maio Benfica-CH Carvalhos, FC Alverca-Ac. Coimbra, HC Mealhada-Stuart HC Massamá, SanjoanenseHC Turquel Andebol 2.ª Divisão – Fase de manutenção – Zona Sul Resultados 28-33 Boa Hora FC-V. Setúbal Ginásio Sul-Samora Correia 20-23 Marienses-AC Sismaria 34-30 NA Redondo-Vela Tavira 31-26 Torrense-Alto Moinho 27-27 Classificação Maio-ACD Monte 2.ª Divisão – Série B Resultados AM Portela-Fabril Barreiro Amarense-Operário Burinhosa-Sportivo Loures Fonsecas e Calçada-Mendiga Os Vinhais-Albufeira Futsal Quinta Lombos-AMSAC UP Venda Nova-Rabo Peixe 3.ª Divisão – Série C Resultados Belhó-Retaxo Caldas SC-GR Vilaverdense Eléctrico P. Sôr-Olho Marinho GARECUS-GDR São Bento MTBA-Alhadense Os Patos-Quiaios Classificação Boa Hora FC Marienses V. Setúbal Torrense Ílhavo AC NA Redondo Alto Moinho Samora Correia Ginásio Sul AC Sismaria Vela Tavira P 42 36 33 32 31 30 29 28 27 27 23 J 4 3 4 3 3 4 3 4 3 4 3 V 3 1 3 2 1 3 1 2 0 1 1 E 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 D 1 2 1 0 2 1 1 2 3 3 2 G 128-118 81-87 128-110 79-66 73-77 102-102 88-96 98-99 66-74 99-108 75-80 Próxima jornada Ílhavo AC-NA Redondo, Samora Correia-Torrense, V. Setúbal-Marienses, Vela Tavira-Boa Hora FC (24 de Maio), AC Sismaria-Ginásio Sul (25 de Maio) 3.ª Divisão – 2.ª fase – Zona Norte Resultados ACD Monte-Gondomar Cultural Arsenal Devesa-Juventude Lis Boavista -Estarreja AC SIR 1.º Maio-Albicastrense 36-26 25-22 22-22 24-24 Classificação Arsenal Devesa Estarreja AC Boavista ACD Monte Albicastrense Juventude Lis Gondomar SIR 1.º Maio P 33 26 25 23 22 22 13 12 J 11 11 11 11 11 11 11 11 V 11 7 6 6 5 5 1 0 E 0 1 2 0 1 1 0 1 D 0 3 3 5 5 5 10 10 G 371-257 331-299 283-266 301-290 312-305 267-249 268-356 244-35 Próxima jornada 24 de Maio Albicastrense-ACD Monte, Estarreja AC-Arsenal Devesa, Gondomar Cultural-Boavista , Juventude Lis-SIR 1.º Maio Duarte Delgado, ao centro, comemora subida de divisão Miguel Sampaio [email protected] T Foi há pouco mais de meio ano que o JORNAL DE LEIRIA deu a conhecer os desportistas da região a dar cartas no estrangeiro. Entre vários nomes falámos de Duarte Delgado, acabado de chegar a Plonéour-Lanvern, uma pequena e “tranquila” vila bretã, bem perto da aldeia de Astérix, para ajudar a fazer subir o nível do hóquei em patins em França. Duarte partiu para assumir a dupla função de treinador e jogador e as coisas dificilmente poderiam ter corrido melhor. Foi o melhor marcador da equipa e em 18 partidas da zona Norte da 2.ª Divisão, venceu 17, empatou apenas uma e festejou a subir ao escalão principal cinco jogos antes do fim da competição. Numa altura em que a colocação de professores em Portugal é, cada vez mais, um “pesadelo”, este licenciado em Desporto, de 30 anos, resolveu arriscar. Para trás ficaram a Benedita, a família e os amigos. O objectivo foi sempre subir de divisão e ter concluído com sucesso a missão de que foi incumbido deixa Duarte Delgado, jogador formado no HC Tur- quel e com passagens pelo Sporting Marinhense e Alcobacense, muito satisfeito. “A principal dificuldade foi a barreira linguística, mas ser em simultâneo jogador e treinador não foi nada fácil os primeiros tempos. Explicar o objectivo do treino e do exercício, e corrigir aqueles que no fundo são meus colegas foi, de início, um processo complicado. No entanto, ultrapassada essa fase, começou a ser mais fácil. Tive a sorte de ter um grupo que rapidamente compreendeu a minha posição e todos foram exemplares na dedicação ao treino e respeitaram sempre as minhas opções.” Tudo correu pelo melhor, e neste momento, a equipa encontra-se a disputar o título nacional da 2.ª Divisão, com o Biarritz, vencedor da zona Sul. No primeiro jogo conheceu o sabor da derrota, por 9-7, mas há esperança de inverter o resultado na segunda mão, que será disputada a 7 de Junho. Duarte Delgado deverá continuar no Plonéor-Lanvern em 2014/5, onde tem a companhia de outro jogador português, mas outros lusos deverão chegar na próxima temporada para ajudar na luta pela manutenção. Será mais algum da região? BTT 40 quilómetros Cross country David Rosa volta a ganhar na a Pedalar com Solidariedade Taça de Portugal Depois de alguns resultados de nível em provas no estrangeiro, David Rosa impôs-se no passado fim-de-semana na terceira etapa da Taça de Portugal, realizada no Fundão. O atleta olímpico, de Fátima, cortou a meta isolado, relegando o campeão nacional, Mário Costa, para o segundo posto, a praticamente três minutos. No troféu tem agora 15 pontos de vantagem sobre Mário Costa. Em veteranos, Marco Sousa, da Benedita, foi o vencedor. A Santa Casa da Misericórdia de Leiria organiza no próximo domingo, dia 25 de Maio, o Passeio de BTT Cidade de Leiria. A prova, cuja inscrição custa seis euros mais um alimento, com 40 quilómetros de extensão e com grau de dificuldade médio, tem um carácter solidário, pois todos os valores averbados revertem para a causa social da Santa Casa da Misericórdia de Leiria. Inscrições e informações através do telemóvel 912 987 071. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 35 Desporto Equipa de Kitó Ferreira está a uma vitória da promoção Novos órgãos sociais “A 1.ª Divisão é o sonho do povo da Burinhosa e nós estamos à porta” Bairro dos Anjos traça objectivos para o próximo biénio RICARDO GRAÇA é agitada pela viagem. Queremos que seja apenas mais um jogo, mas claro que após o apito final do árbitro pode acontecer algo especial. O Rabo de Peixe é um adversário difícil, que se bate muito e adora estes jogos. Pena que não seja possível levar mais apoio – há falta de voos disponíveis – porque adoramos jogar para os nossos adeptos.” No ano passado, as coisas correram mal já perto do final da temporada, mas Kitó espera dar uma alegria a toda a aldeia. “A 1.ª Divisão é o sonho do povo da Burinhosa desde que arrancaram com o futsal e nós estamos à porta. É para isso que temos trabalhado.” T A Associação Desportiva Cultural e Recreativa do Bairro aos Anjos (BA), de Leiria, a cumprir no presente ano o 30.º aniversário, elegeu no passado dia 9 de Maio, em assembleia-geral, os novos órgãos sociais. Numa linha de continuidade, Mário Monteiro mantém o cargo de presidente da direcção, ao passo que Rodrigo Cardoso renova como vice-presidente da direcção e gestor das piscinas de Leiria, Caranguejeira e Maceira. Abílio Figueira é vice-presidente para as actividades desportivas e Maria Dolores Varino para as actividades de cultura e recreio. As prioridades alinhadas pela direcção para o próximo biénio assentam na manutenção da actividade desportiva “ao nível dos últimos anos, com cerca de 250 atletas” nas três modalidades que a associação pratica, a natação – pura, adaptada, sincronizada e pólo aquático – atletismo e pentatlo moderno. Ao nível dos complexos desportivos municipais que estão a ser geridos pelo BA, é objectivo desenvolver “actividades regulares ao fim-de-semana de zumba e ginástica sénior”, promover torneios de futsal, andebol e basquetebol, e colocar barcos de aluguer no rio Lis no parque da cidade. Relativamente ao complexo de piscinas de Leiria, Rodrigo Cardoso salienta a necessidade de “manter uma gestão de contenção de custos e ter a instalação o mais cuidada possível para os utentes”, e “continuar a incrementar provas de nível nacional”. Nas piscinas de Caranguejeira e Maceira é objectivo promover a utilização das instalações pela população local e “manter uma gestão de contenção de custos, face ao défice que apresentam”. Futsal Olho Marinho garante subida à 2.ª Divisão Atletismo Juventude Vidigalense disputa 1.ª Divisão A equipa sénior masculina de futsal da União de Amigos de Olho Marinho, do concelho de Óbidos, garantiu este sábado a promoção à 2ª Divisão Nacional, ao empatar em Ponte de Sôr, reduto do Eléctrico, actual quarto classificado, a três bolas. Com este resultado, a equipa de Artur Morais, que lidera a classificação, garantiu uma vaga entre os três primeiros, lugares que dão acesso à subida de divisão. O clube de Leiria garantiu, pelos 10.º ano consecutivo entre os homens e 16.º entre as senhoras, a presença na 1ª Divisão por equipas, ao classificar-se entre as oito primeiras na fase de apuramento, quer decorreu em vários pontos do País durante o fim-de-semana. A equipa masculina apurou-se em segundo e a feminina em quarto. A competição será disputada nos dias 31 de Maio e 1 de Junho, em Fátima. Miguel Sampaio [email protected] T Há meia-dúzia de anos a pequena aldeia da Burinhosa, ali bem perto da praia de Paredes de Vitória, não tinha futsal. Não tinha, tão pouco, pavilhão. No entanto, hoje, está em posição de subir à 1.ª Divisão daquela modalidade, onde o distrito de Leiria esteve representado até 2011, quando o Instituto D. João V, do Louriçal, abandonou a prática da modalidade. Na localidade da freguesia de Pataias, que não tem mais de 800 habitantes, não há jogo que decorra sem pelo menos três quartos destas pessoas estarem presentes, dos um aos 90 anos. É uma paixão recente, mas avassaladora e os jogadores correspondem em campo com muitas vitórias. Tantas que a promoção ao principal escalão está a uma vitória de se tornar realidade. Este sábado, em Rabo de Peixe, na ilha de São Miguel, o jogo da última jornada será absolutamente decisivo Na aldeia do futsal, como já é conhecida, todos gritam, vibram e sofrem com o futsal. O Centro Cultural Recreativo e Desportivo da Burinhosa é protagonista de uma evolução meteórica e muitos se interrogam como uma aldeia tão pequena chega a este patamar. O bairrismo explica. Cem a duzentas pessoas passam diariamente pelo pavilhão. Uns entregam-se à organização do clube, outros apoiam a equipa. “É o resultado do querer e do apoio de dois grandes filhos da Burinhosa que estão emigrados, o engenheiro Coutinho Duarte e o doutor Rosas”, diz Kitó Ferreira, treinador de equipa sénior, que considera que o clube tem condições para estar na 1.ª Divisão, não só ao nível da estrutura, como de capacidade financeira e da pró- Ultimate frisbee Equipa de Leiria obtém quinto lugar A equipa Gambozinos, de Aveiro, sagrou-se este fim-de-semana, no Estádio Municipal de Leiria, campeã nacional e ibérica de ultimate frisbee de relva, derrotando na final o Lisboa Ultimate Club (10-7). Frisbillanas, de Sevilha, fechou o pódio, ao passo que a equipa da casa, o LFO – Leiria Flying Objects (na foto), alcançou a quinta posição. A competição nacional de ultimate frisbee prossegue a 1 de Junho, com o início da Liga de Praia, em Aveiro. Burinhosa tem de ganhar em Rabo de Peixe O número 2 é o número de atletas brasileiros que compõem o plantel do CCRD Burinhosa. Cássio e Nino são dos melhores jogadores a actuar em Portugal pria moldura humana que assiste aos jogos. Em casa são cera de meio milhar e fora há sempre um autocarro acompanhar a comitiva A equipa parte amanhã para os Açores, onde no sábado irá defrontar o Rabo de Peixe, antepenúltimo classificado. Ao Burinhosa só a vitória interessa para manter o primeiro lugar da classificação, o único que dará acesso ao patamar mais alto do futebol português, onde Sporting e Benfica dominam. Depois de ter falhado este mesmo objectivo na temporada passada por não mais do que dois pontos, Kitó Ferreira prefere não mostrar demasiado entusiasmo. “Tentámos que a semana de trabalho fosse igual, mas a semana já JOÃO LAGOA 36 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Viver Mulheres são minoria no pop-rock Género Num momento em que nunca, como agora, a música feita por artistas portugueses – cena musical de Leiria, incluída - teve tantos e bons projectos musicais, as mulheres, são ainda uma minoria e, na maior parte das vezes, em vez de serem as intérprete são elas a razão para as canções. Fomos tentar saber o que as demove de integrar mais projectos musicais Jacinto Silva Duro [email protected] T Quando se fala de mulheres no rock, há quem se lembre de Courtney Love, vocalista das Hole, PJ Harvey, Anna Calvi, Pink ou Janis Joplin e há também quem se recorde de Miley Cirus aspirante a bad girl que, aparentemente, se fartou de ser a melhor amiga do Rato Mickey, Britney Spears, que seguiu um caminho parecido, Beyoncé, Aguilera ou outras divas da música actual. Por cá, com menos fogo de artificio e muito talento, vêm-nos à memória Aurea, Rita Red Shoes, Emmy Curl, Sónia Tavares, Sofia Lisboa, Minta, Sequin (Ana Miró) e, pelo menos duas bandas de rock femininas que têm levando o girl power à mente e ouvidos de muita gente: Anarchicks, que passaram há pouco pelo Texas Bar, em Leiria, e Pega-Monstro. Quando comparamos o número de mulheres que formam bandas, a cantar a solo ou que integram grupos, com o de homens, percebe-se facilmente que, estes últimos, estão em maioria, em termos de projectos colectivos ou em nome próprio. E quando analisamos à lupa meios musicais mais pequenos, a discrepância é inegavelmente evidente. Estarão as mulheres “condenadas” a ser a razão das canções de amor, amizade e vida, em vez de suas intérpretes, compositoras e instrumentistas? O circuito musical de Leiria que lançou Silence 4, como um dos maiores fenómenos da música con- temporânea nacional está de novo em crescendo e pretende regressar ao vigor desses tempos. Por que razão há tão poucas senhoras na música, sendo que, na região, as que há estão integradas em bandas de rapazes? Por que razão não existem mais bandas exclusivamente femininas? Estarão as mulheres de Leiria conscientes do papel que poderão ter neste fenómeno? Fomos tentar saber por que razão existe o défice de participação feminina e quem são as mulheres na música da região. Mais vocalistas que instrumentistas “Realmente, foram poucas as instrumentistas ao longo dos anos aqui em Leria, e as que havia eram, maioritariamente também vocalistas”, diz Carlos Matos. O promotor musical e presidente da Fade In – Associação de Acção Cultural, admite, contudo, que há uma nova geração que mostra uma tendência para subverter essa situação. “Atente-se, por exemplo, no caso de bandas como Backwater And The Screaming Trees, Holy Northern Lights, Les Crazy Coconuts, António Cova e os Bordel Ravel, Dirty Coal Train – três mulheres e um homem, sendo que uma dela é baixista e leiriense -, Black Sheep ou The Red Sones que têm elementos de sexo feminino nas suas formações e que são instrumentistas”, adianta. São exemplos recentes que o promotor entende que podem desencadear “uma espécie de emancipação da mulher leiriense” em termos musicais, de composição e instrumentista entre as jovens. “Assim pode- 1 – Miss Cat e o Rapaz Cão 2 - Holy Northern Lights 3 – Sequin 4- Sofia Lisboa se vir a equilibrar a balança entre os sexos que, tem vindo a ser, ao longo dos anos, definitivamente desequilibrada. A mudança de paradigma está efectivamente nas mãos e na atitude desta nova fornada de jovens criadores”. Pedro Vindeirinho, responsável pela editora Rastilho Records, de Leiria, admite que, de modo geral, não há, de facto, tradição de bandas femininas na música portuguesa. “Existem algumas - Anarchicks, por exemplo -, mas a verdade é que o mundo da música continua 'dominado' pelos homens.” E porquê? Vindeirinho, diz que não há uma razão aparente “porque elas conseguem ser tão dotadas tecnicamente como os homens”. Mulheres numa banda são mais-valia “A emancipação da mulher na música portuguesa não está tão adiantada quanto se pode julgar”, afirma outro homem da música de Leiria. Hugo Ferreira, um dos responsáveis pela Omnichord Records, cujo projecto mais recente dá pelo nome de Leiria Calling e pretende lançar a música da cena musical de Leiria a nível nacional e, eventualmente, internacional, afirma que não se trata apenas de uma questão local e procura na memória e na história razões para que o baixo número de senhoras atrás da bateria ou com as cordas de aço do baixo nos dedos. “Um factor que devia ter sido mais determinante foi o aparecimento das Voodoo Dolls em Coimbra nos anos 90, do século passado, que acabou por originar vários casos Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 37 DR JACINTO SILVA DURO Rockalheiras Questão de educação e mentalidades 3 RUI MIGUEL PEDROSA I LIGHT PHOTOGRAPHY 1 DR 2 Amália de Alcobaça Quando ter uma voz demasiado grave ajuda No caso de Sónia Tavares, a aclamada vocalista da banda de Alcobaça The Gift, o facto de ser uma menina de voz “demasiado grave” fez com que, ainda antes de se lhe adivinhar a fulgurante carreira durante a qual chegou mesmo a cantar Amália, não fosse aceite no Conservatório Nacional, conforme recordou ao JORNAL DE LEIRIA. E ela que até tinha levado a sua flauta para as provas. “Concorri ao Conservatório e não fui aceite. Fui completamente enxovalhada e até me chamaram freak, porque, aparentemente, não podiam pôr-me a cantar com as mulheres e não fazia sentido porem-me com os homens. Não fui admitida. E ainda bem que não o fui! Fui bastante bem preparada, levava uma ária de música antiga, que tinha ensaiado com um cantor lírico, e RICARDO GRAÇA/ARQUIVO a minha flauta para o caso de não haver piano e ter de cantar na capela e precisar da afinação correcta. No entanto, às primeiras três notas, fui logo mandada calar e chamada de 'ridícula'.” 4 nacionais de mulheres a tocar, inclusive duas, também de Coimbra, que foram ocupando o lugar de baixista na última década dos Mão Morta. É difícil ver mulheres a tocar bateria mas na guitarra, baixo e teclas já se começa a ter alguns bons exemplos nas bandas mais recentes de Leiria, basta olhar para os projectos que este ano foram seleccionados para o Concurso ZUS!”, entende. Veja-se o exemplo da nova coqueluche da música de Leiria, First Breath After Coma, que começou o seu percurso com Isabel Santos nas teclas. “Uma ou mais mulheres numa banda podem marcar a diferença e são uma mais-valia extremamente importante.” Os tempos são de mudança, assegura Hugo Ferreira que aponta novos exemplos de grandes senhoras na música nacional: “no hip-hop, a Capicua é a maior figura nacional, no fado, a Ana Moura e a Gisela João estão a ultrapassar Carlos do Carmo e Camané e, dos poucos exemplos de bandas que se fizeram grandes nos últimos anos há quase sempre uma mulher. É o caso da Deolinda, Linda Martini e Amor Electro. Estou convencido que projectos como Pega-Monstro ou Anarchicks tiveram maior impacto nos media precisamente porque são integralmente femininos. As mulheres são, cada vez mais, precisas e necessárias”. Esta é uma ideia de que Pedro Vindeirinho também comunga. “Diria que há alguma falta de coragem para subir a um palco. Quando elas perderem essa aparente 'vergonha' e forem incentivadas a pegar num instrumento, o mundo da música passará a ser dominado pela beleza e sensibilidade femininas!” “Há uma questão ao nível da educação e mentalidades. Os pais aceitam mais facilmente olhar para um filho, homem, numa banda do que uma filha” T E elas? O que pensam sobre o reduzido número de mulheres no mundo da música? Catarina Trocado Ribeiro, artista de Pombal, também conhecida pelo seu alter ego Miss Cat, quando actua ao lado de Rapaz Cão e sua guitarra, recorda que, antigamente, nos estratos sociais mais altos as senhoras sempre foram convidadas a tocar um instrumento musical; piano, harpa, flauta, mas a participação em bandas de rock, pop ou indie não é algo que seja incitado. “O que leva alguém a participar em bandas é o gosto pela música e penso que isso tem de ser incentivado durante o crescimento ou algo que vem da própria personalidade da pessoa. Posso estar a exagerar, mas acredito que as mulheres não participam mais porque ainda nos é difícil conjugar essas actividades com a vida familiar.” Miss Cat afirma que há ainda um certo estigma de ver meninas rockalheiras, mas, feitas as contas, entende que não se trata de um assunto de géneros, mas de gostos, empenho e incentivo. “Já fui comparada com dezenas de cantoras e parece que temos que estar sempre num patamar acima para sermos vistas.” Catarina já tentou aprender a tocar viola baixo, com o pai, contudo, admite que não tem nem a disciplina nem a paciência necessárias. Até já o tentou usar no projecto Miss Cat e o Rapaz Cão, mas tocar e cantar ao mesmo tempo com rigor em ambos os instrumentos – voz e guitarra - não é fácil. “Não podemos comprometer a voz em detrimento do instrumento, quando ela, entende-se no meio, é a cara da banda. Eu não penso assim, pois acredito que as bandas vivem do conjunto.” Raquel Laíns, promotora e responsável pela agência Let's Start a Fire, não toca, não canta, não compõe, mas é uma verdadeira olheira de novos talentos musicais. Esta menina, de ar frágil e ouvido apurado, montou a sua agência em Lisboa, mas é de Leiria, e é também a responsável pela promoção de bandas e projectos como os Mão Morta, Alex d’Alva Teixeira, The Glockenwise, You Can't Win Charlie Brown, Noiserv, Anarchicks. Minta, e mesmo Lloyd Cole, quando o cantor escocês decide fazer tournées por Portugal. “Há uma questão ao nível da educação e mentalidades. Os pais aceitam mais facilmente olhar para um filho, homem, numa banda do que uma filha”, diz. Para logo adiantar que a imagem de uma mulher a tocar um instrumento numa banda é muito forte e menos comum. “Embora seja compreensível que elas tenham menos à vontade para estar e progredir num meio controlado por homens.” 38 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Curtas Caldas Late Night regressa com Reacção 3.0 O Caldas Late Night está quase aí. Nos dias 29, 30 e 31, sai à rua, com performances, concertos, instalações, teatro, entre outras iniciativas culturais e artísticas, dinamizadas pela Escola Superior de Artes e Design. A 18.ª edição deste evento tem como mote Reacção 3.0. LARA JACINTO Marinha Grande Já cheira a Pinhal das Artes De 1 a 6 de Julho regressa mais uma edição do Pinhal das Artes, a sétima deste festival para a primeira infância que se realiza no Lugar das Árvores, no Pinhal do Rei, junto à praia de São Pedro de Moel, Marinha Grande. Teatro, música, performance, ateliers, brincadeiras para pais, filhos e famílias num cenário natural de grande paz e beleza são apenas algumas das atracções por que vale a pena ir a este evento, criado no seio da Sociedade Artística Musical de Pousos, sediada em Leiria e pela equipa responsável pelos famosos Concertos para Bebés. Apesar de ainda não terem feito a apresentação pública do evento, a equipa liderada pelo maestro Paulo Lameiro levantou já uma pontinha do véu e assegura que haverá novidades e também alguns “repetentes”. É o caso da companhia belga Theater De Spiegel que ocuparão o novo Jardim da Luz com o espectáculo Bzzz'T, na foto. DR O Projecto Troika precisa de ajuda O Projecto Troika, documento de memória futura sobre os tempos difíceis por que o povo português vive actualmente e que resulta da intervenção da Troika em Portugal conseguiu já 41% do financiamento necessário mas precisa de mais ajuda para alcançar os restantes 51% até Setembro, através de uma campanha de crowdfunding. Além de Adriano Miranda, Paulo Pimenta, Bruno Simões Castanheira, António Pedrosa, José Carlos Carvalho, Rodrigo Cabrita, Vasco Célio, também o cineasta de Leiria Pedro Neves e a fotógrafa, também de Leiria, Lara Jacinto, fazem parte do grupo de nove autores – documentaristas e fotógrafos - que pretendem editar um livro de fotografias e um filme. Há meses, que o grupo está a trabalhar no terreno. “Foi por Apresentação Books&Movies arranca a 31 de Maio em Alcobaça As Edições Escafandro lançam, a 31 de Maio, a Antologia de Contos Escrever Alcobaça, que conta com a participação de 11 autores do concelho: A. M. Catarino, Domingos José Soares Rebelo, Filomena da Cunha, JERO, José Alberto Vasco, Luís de Sousa Alves, Maria Vicente, Nuno Matos Valente, Sofia Quaresma, Vanda Furtado Marques e Victor Amorim Guerra. O livro inclui ainda fotografias ilustrativas dos contos pelos fotógrafos João Costa e Eduardo Barrento. A apresentação está integrada no festival Books&Movies e decorre às 21 horas, na esplanada do Café O Capador. O Books&Movies acontece entre 31 de Maio e 8 de Junho e contará com vários eventos ligados ao cinema e letras e convidados como Beatriz Batarda (foto), Valter Hugo Mãe, Pilar del Río e Raquel Ochoa, entre outros. ESAD.CR Alunos criaram ilustrações do Ingrediente secreto vontade nossa que dissemos que nos queríamos apenas financiar com a sociedade civil. Precisamos de 15 mil euros para o projecto chegar a bom porto. São os custos da paginação e impressão do livro e do DVD”, explica Pedro Neves. Desde a década de 60 que não saía tanta gente do País. Para muitos será uma viagem sem regresso. Como partem estes portugueses? Em que circunstâncias? O que sacrificam? Como sobrevivem à partida os que ficam? O ajustamento está longe de ser apenas financeiro. Em www.projectotroika.com estão todos as informações sobre o projecto e as instruções de como ajudar, a partir de um euro. “Se não puderem contribuir com nada, ajudem-nos a passar a mensagem”, pede Pedro Neves. DR Os estudantes da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha (ESAD.CR) estão a mostrar o seu talento gráfico no programa Ingrediente Secreto, do chef Henrique Sá Pessoa, na RTP1. Coube a um grupo de alunos desenvolver as ilustrações dos “ingredientes secretos” do mestre cozinheiro, no âmbito da unidade curricular de Ilustração para Design e Design Gráfico. A sexta temporada do programa de culinária, estreou no dia 27 de Abril na RTP1 e, durante 13 emissões, exibe as ilustrações feitas na ESAD.CR. “Esta colaboração vai enriquecer o programa e as receitas do chef Henrique Sá Pessoa e, ao mesmo tempo, mostrar ao País o talento dos nossos estudantes”, diz Teresa Amaral, docente e orientadora do projecto. Rita Gaspar Vieira expõe Linha d’Água em Santa Clara-a-Velha Rita Gaspar Vieira estreia no dia 24, a exposição intitulada Linha d'água, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, às 17 horas, com comissariado de Andreia Poças. Residente em Leiria, docente no Instituto Politécnico de Tomar, no curso de Artes Plásticas Pintura e Intermédia e doutoranda na Faculdade de Belas Artes de Lisboa, explora a eterna relação do monumento com as águas do Mondego, nesta mostra. “Ao simular (replicar) por momentos a sua anterior função, Rita Gaspar Vieira foi tornando visível a sua forma. A posterior deslocação do molde-desenho para colocação no interior do espaço-museu e aí, a sua exposição com recurso a apetrechos modernos de semelhante cariz utilitário, conferem à peça valor acrescido enquanto registo das características do modelo”, entende a curadora da mostra. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 39 Almanaque RICRDO GRAÇA Um problema (de)mente... Mesa de Cabeceira Carlos Matos Gil Jerónimo, músico Gostava de não ter o vício de usar óculos de sol dentro de casa Se não estivesse ligado ao mundo da arte, o que seria? Cozinheiro. Sempre tive um gostinho especial pela culinária. Principalmente quando ouvia as músicas do Quim Barreiros e pensava em comprar uma panela de pressão. O projecto que mais gosto lhe deu fazer Les Crazy Coconuts. Foi um desafio e continua a ser. Inicialmente, deixou-me um pouco confuso... e na indefinição se iria resultar em algo com pés e cabeça (pés já tínhamos). É muito desafiante e todos os dias surgem ideias novas. O espectáculo, concerto ou exposição que mais lhe ficou na memória Patrick Watson, no Festival para Gente Sentada, em Sta Maria da Feira O livro da sua vida O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry. Foi-me oferecido quando tinha 25/26 anos, no meu primeiro ano de faculdade, e disseram que não podia acabar o curso sem ler aquele livro. Li-o num dia. Foi na altura certa. Um filme inesquecível I am Sam, de Jessie Nelson, com Sean Penn, Michelle Pfeiffer e Dakota Fanning Se tivesse de escolher uma banda sonora para si, qual seria? O álbum Grace, de Jeff Buckley. Um artista que gostaria de ter visto no Teatro José Lúcio da Silva Jeff Buckley Uma viagem inevitável Islândia. Pelas paisagens e acho que a ilha tem uma mística qualquer, que me deixa muito curioso. Um vício que gostava de não ter Usar óculos de sol dentro de casa... Uma personalidade que admira Carlos Matos. Pelo que faz pela música independente e alternativa. Pelas pessoas que gostam de ouvir coisas estranhas e do underground. Se eu fosse presidente da Câmara de Leiria dava o nome dele a uma rua da cidade! Uma actriz que gostasse de levar a jantar Laura Haddock, da série Da Vinci's Demons Um restaurante da região O Cardamomo, na rua Direita, em Leiria Um prato de eleição Salmão grelhado com migas feito pela minha mãe Um refúgio (na região) O meu quarto! Um sonho para Leiria Que não perca esta imensa onda criativa, cultural e que continue dinâmica. Jeff Buckley Laura Haddock Talvez seja pretensioso achar que, não ter preconceitos, é uma virtude. Talvez até ande na ilusão de ter essa qualidade e não tê-la plenamente, o que fará com que, neste particular, viva numa falsa concepção de mim próprio... A ser verdade, fico desconfortável e enfurecido, pois causa-me náusea a ideia de me encontrar a fugir de mim mesmo. Adiante... Quero focar-me no essencial e começo logo em retóricas desviantes e algo enviesadas. Não, não é falta de nicotina. Já deixei o tabaco há 14 anos e drogas, por opção, nunca experimentei (Não acreditam? Seus... Seus preconceituosos!). Vamos lá sintetizar, que esta verborreia distrativa, a lado nenhum nos leva. Sou a favor das liberdades individuais de todo e qualquer cidadão que goze das suas plenas faculdades intelectuais, desde que – condição sine qua non – essa liberdade não interfira na minha nem na dos outros. Respeito todos os estilos de vida diferentes do meu, os comportamentos, as orientações sexuais e religiosas, os hábitos e culturas distintas da minha (desde que não haja tortura animal, desrespeito pela natureza, ou discriminação e violência humana – lá está, afinal sou mesmo preconceituoso, não é?). Nunca julguei ninguém apenas pela aparência. Quando era pequenito li Este livro que vos deixo do poeta popular semi-analfabeto António Aleixo, e nunca me esqueci desta quadra: “Sei que pareço um ladrão, mas há muitos que eu conheço, que não parecendo o que são, são aquilo que eu pareço!”. Portanto o que importa é ver o cerne além da embalagem; deslindar a alma em vez do rótulo; considerar o âmago em lugar do invólucro. O preconceito é inimigo da descoberta. É castrador da sabedoria. Torna-nos obtusos, promove a tacanhez, glorifica a ignorância, camufla a essência, castra a vivência de experiências surpreendentes e, num estádio agudo, aniquila toda e qualquer manifestação de inteligência, ao impedir, a priori, quaisquer tipos de reflexões que possam contribuir para o natural devir de que o ser humano necessita para a sua própria evolução. Não nos contentemos com estereótipos ou intervalos hermeticamente circunscritos. Nunca digamos “dessa água não beberei” pois pode ser mesmo essa que um dia nos matará a sede e nos salvará o escalpe. E agora, para desanuviar destes considerandos, vou dançar o kuduro inovador dos portugueses Throes + The Shine com o mesmo prazer com esta manhã contemplei serenamente Die Kulturnacht, o grandioso e épico disco dos russo-dinamarqueses Parzival. Que triste seria o (meu) mundo a uma só cor… Presidente da Fade In 40 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Entrevista Pablo Pizarroartista plástico, autor da exposição Travessiasexposta no Núcleo de Arte Contemporânea do Museu do Vidro Trabalhar o vidro é uma filosofia de vida JOANA CARRIÇO Jacinto Silva Duro [email protected] T Como aconteceu a sua ida à Marinha Grande, para expor no Núcleo de Arte Contemporânea? Foi através de uma exposição que eu tinha na Real Fábrica de Vidros de la Granja, em San Ildefonso, cidade geminada com a Marinha Grande, na província de Segóvia, em Espanha. A mostra foi visitada pela directora do Museu do Vidro, Catarina Carvalho, e pelo presidente da Câmara, Álvaro Pereira, e eles acabaram por me contactar. Enviei-lhes novas informações sobre obras que lá não estavam expostas, o trabalho agradou-lhes, acabaram por me convidar e aqui estou eu. O que faz com que o vidro seja o seu material de eleição? Sobretudo, a sua plasticidade... É um material “plástico” e facilmente moldável, quando o trabalhamos. Quando está exposto, é rígido, mas conserva muita alma. Todos os materiais, tal como o vidro, a têm, é certo. Mas é preciso procurá-la... O vidro não foi a sua primeira paixão. No início da sua carreira, procurou outros materiais para expressar a sua obra... As minhas primeiras esculturas foram de cerâmica, pois eu estava a trabalhar numa oficina que a trabalhava. Antes disso, tinha experimentado a pintura, mas a transição para o vidro fez-se a partir da cerâmica, já que estava a trabalhar com fornos e muitos materiais da cerâmica também se utilizam no vidro. A pouco e pouco, comecei a conhecer artistas que criam a partir do vidro, troquei experiências e ideias e tive uma formação na produção de vidro na Real Fábrica de Vidro de la Granja. Calculo que comecei esta aventura no vidro há cerca de 20 anos. O vidro reciclado é algo que está presente em praticamente todas as suas peças. Agrada-lhe a ideia de lhe poder dar uma nova vida? Trabalhar o vidro, e em especial o reciclado, é uma verdadeira filosofia de vida. Além disso, é um material que tem muitas outras vantagens. Por exemplo, é uma matéria-prima económica e, quando se trabalha com vidro reciclado e em grandes quantidades, torna-se mais fácil ter acesso a mais material, pois ele abunda. Por vezes, a transformação não é completa na sua obra. Conseguimos entrever as formas, usos e desenhos anteriores. É uma forma preservação da identidade? Sim. Por exemplo, uso muito as garrafas. É uma forma interessante que me dá muito conforto. Por vezes, se tenho de utilizar uma forma prévia, prefiro usar o que já existia e manter essa identidade. Fabricar uma garrafa é demasiado complicado para mim, por isso, reaproveito as suas formas, corto-as, estico-as e faço-as renascer. Que temas aborda preferencialmente nas suas esculturas? Gosto de trabalhar livremente. Quando entro no meu atelier/oficina, não tenho nada pré-concebido na cabeça. Inconscientemente, suponho que me inspiro noutras expressões de arte, na escultura, cerâmica, na literatura... Mas gosto, acima de tudo, de ter liberdade no momento de me expressar. Entro na minha oficina, sem qualquer condicionante, e, nesse momento, deixo-me levar para onde as minhas emoções resolverem ir. Uma obra pode mesmo começar de uma maneira e terminar de outra forma completamente distinta. O que se pode ver na sua exposição na Marinha Grande? Chamei Travessias à minha exposição, pois queria encontrar uma relação entre o meu trabalho e a epopeia dos marinheiros, da Marinha Grande e também da minha travessia pessoal, nestes últimos anos. Levei também trabalhos que concebi nos últimos dez anos e outras peças para as quais não tinha tido ainda espaço para as poder expor. Abordo com elas várias temáticas: os medos, as pessoas, as alegrias, as emoções e tudo o que tem a ver com o mundo dos sentimentos. Para agradecer à Mari- Madeira, aço e vidro fundido Simbioses quase perfeitas Desde sábado passado que o Núcleo de Arte Contemporânea do Museu do Vidro – Edifício da Resinagem, na Marinha Grande, acolhe a exposição Travessias, vidro artístico contemporâneo, do escultor espanhol Pablo Pizarro. A mostra ficará aberta ao público até 14 de Setembro. Antes da inauguração, ainda com as peças a serem desencaixotadas, o JORNAL DE LEIRIA esteve à conversa com este artista plástico que junta madeira, aço e vidro fundido, numa simbiose quase perfeita e quase natural. Pablo Pizarro nasceu em Madrid, em 1969, é licenciado em Engenharia Técnico-Industrial pela Universidade Politécnica de Madrid, mas há vários anos que tem uma oficina de escultura e murais, em Toledo. A exposição Travessias, apresenta um conjunto de esculturas em vidro, aço e madeira reciclados, que testemunham várias etapas criativas da obra de Pablo Pizarro: Espacios de Luz (2004/2005), Arqueologia Industrial (2006), Sinergias (2010), Inhospito Habitado (2011) e Primitivismo Emocional (2013). Exibe ainda um conjunto de esculturas do seu mais recente projecto artístico Vidrio y Floresta (2014) no qual, além do aço e do vidro reciclados, o escultor incorpora e reutiliza materiais lenhosos, numa alusão clara à cidade da Marinha Grande nha Grande o convite para ir expor no Núcleo de Arte Contemporânea, criei uma nova colecção dedicada à cidade, da qual trouxe dez peças comigo e que os visitantes vão poder ver. Também há uma “travessia pessoal” nas peças que trouxe... É a minha “travessia da vida”. Evidentemente, se a pessoa vai evoluindo, também a sua obra o faz. É essa a ideia que eu pretendo passar; o modo como a evolução emocional de uma pessoa influencia a evolução do seu trabalho. Uso o vidro para o exprimir, mas também o aço e, na nova colecção dedicada à Marinha Grande, utilizei o vidro e a floresta. Ou melhor, a madeira de árvores com o vidro. Dois dos materiais que identificam a cidade da Marinha Grande. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 41 Arquivologias PUBLICIDADE 42 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Obrigatório RICARDO GRAÇA/ARQUIVO Estreia Cadernos de Estudos Leirienses apresentados T A Textiverso inaugura hoje uma nova colecção denominada Cadernos de Estudos Leirienses cujo primeiro volume vai ser apresentado, pelas 17 horas, na sala da biblioteca particular de Afonso Lopes Vieira, na Biblioteca Municipal de Leiria. A apresentação estará a cargo do historiador Saul Gomes, que também é o coordenador científico da colecção, e Ricardo Charters d'Azevedo. Os Cadernos têm como objectivo proporcionar aos investigadores, um veículo para a divulgação dos seus trabalhos que tenham como cenário o distrito de Leiria e territórios limítrofes. A edição do 2.º volume dos Cadernos está agendada para Setembro, em Pombal. Para encomendar os Cadernos ou para submeter textos com vista a publicação, os interessados deve ser usado email [email protected]. DR Batalha 24.ª Fiaba mostra etnografia e tradições T Está tudo a postos para a XXIV Feira de Artesanato e Gastronomia da Batalha (Fiaba), que acontece entre 29 de Maio a 1 de Junho. Este ano, a exposição Mostra do Mundo Rural e instalação de equipamentos de diversão reforçam este evento dedicado à identidade e etnografia portuguesa e da Alta Estremadura em especial, com a presença de 60 artesãos de todo o País e 16 tasquinhas. Além da animação que conta com Florde-Lis, David Antunes & The Midnight Band e ainda Les Crazy Coconuts, o destaque vai para a apresentação de produtos endógenos como o mel, azeite, vinho e doçaria. Para Paulo Batista Santos, presidente da Câmara, a Fiaba assume-se como um evento de importância para a Batalha e para a região, projectando o concelho”. O certame será inaugurado no dia 29 às 18:30 horas. Laborinho Lúcio à conversa sobre O Chamador TÁlvaro Laborinho Lúcio é o convidado da rubrica À conversa com... que acontece no sábado, dia 24, 18 horas, na Arquivo Livraria, em Leiria. O antigo ministro da Justiça, natural da Nazaré, apresentará o livro O chamador, obra que marca a sua chegada à ficção e que foge dos temas que o autor até agora preferia abordar. Homem institucional, juiz, ministro, deputado, Laborinho Lúcio sempre falou em nome das instituições que representava. Agora, aos 72 anos, o discurso é seu e refere as suas memórias e o seu desejo de verdade e ficção. Em O Chamador, editado pela Quetzal, convivem o teatro, romance, memórias, cinema e literatura. "Vivi toda a vida, devido às profissões que exerci, a lidar com a verdade factual das coisas. Mas dentro de mim sempre percebi que a verdade que é aceite como tal corresponde tão-só a uma expressão do poder. Porque a verdade, pois, pela própria natureza das coisas, essa nunca se atinge. Não estou a dizer que há um relativismo absoluto. Apenas penso que a verdade não é uma chegada. É um caminho", explicou o autor recentemente ao Diário de Notícias. Leiturasdasemana O Chamador Álvaro Laborinho Lúcio Editora: Quetzal Mundo Ardente Siri Hustvedt Editora: D. Quixote Na estreia ficcional de Álvaro Laborinho Lúcio, a itinerância intelectual, a mobilidade geográfica e social, a diversidade de tipos humanos retratados e a total disponibilidade para melhor os conhecer e compreender derivam certamente do riquíssimo percurso pessoal e profissional do autor: foi juiz, procurador da República, procurador delegado do PGR, inspector do Ministério Público, ministro da Justiça, deputado à Assembleia da República, além de figura tutelar de organizações humanitárias e de cidadania.Sempre ligado à Justiça, operando num sector da vida pública em que a garantia dos direitos de uns passa pela supressão dos direitos de outros, Laborinho Lúcio presta aqui homenagem aos proscritos e esquecidos da sociedade, e restitui-lhes a estatura humana que lhe é devida. Harriet Burden é uma artista plástica consumida pela fúria. Sistematicamente menosprezada pelo meio intelectual nova-iorquino, Harriet decide levar a cabo uma experiência extrema a que chama Máscaras. Escondida por detrás de três identidades masculinas, ela tenciona revelar os preconceitos que imperam no mundo das artes. Pretende também desvendar os mecanismos da perceção humana e provar que ideias sobre sexo, raça e celebridade influenciam a maneira como olhamos para uma obra de arte. "O Mundo Ardente" é um puzzle complexo e rigoroso, irónico e lúdico, que o leitor vai montando de capítulo em capítulo, decifrando pistas e mistérios. Uma obra visceral, comovente e provocadora. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 43 Cidade Encantadana biblioteca de Leiria A Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria, acolhe hoje e amanhã a iniciativa Cidade Encantada, organizada em parceria com a câmara e com o curso profissional de apoio à infância da Secundária Afonso Lopes Vieira. Destina-se a crianças em idade pré-escolar, que terão ao dispor brincadeiras e outras actividades. RUI MIGUEL PEDROSA I LIGHT PHOTOGRAPHY DR Arquivo João, Teresa, Raimundo, Maria, Joaquim, Lili expostos T Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema e Ana Fróis desenhou a exposição João, Teresa, Raimundo, Maria, Joaquim, Lili em exposição na sala de exposições da Arquivo Livraria, em Leiria. Porquê? Por causa da Quadrilha. “João amava Teresa que amava Raimundo; que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém; João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento; Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia; Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.” Pelo menos, foi assim que Drummond de Andrade escreveu a história. Obrigatório visitar esta magnífica exposição de desenhos de Ana Fróis, em Leiria. Silence 4, XL, Xutos e Zus! encerram Feira de Maio TO mau tempo que se previa para ontem à noite fez com que o primeiro dos concerto previstos para a Feira de Maio, em Leiria, fosse adiado para domingo. O concurso Zus!, que tem como objectivo encontrar e promover novos talentos da música entre alunos das escolas do concelho, num evento que conta com actuações de Nice Weather for Ducks, First Breath After Coma, Backwater & The Screaming Fantasy, Holy Northern Lights, The Black Sheep, Rooster Claw, Task Force e The Redsnakes terá lugar, no Estádio Municipal Magalhães Pessoa, a partir das 20 horas de 25 de Maio, último dia da Feira. Esta quinta-feira, sexta e sábado, o recinto vai sofrer uma enchente de público, para o “derradeiro” e, há muito, esperado concerto da banda de Leiria, Silence 4, esperando-se mais de dez mil espectadores. Amanhã, dia 23, é a vez de XL, na foto, levar a sua Alternativa Live Band ao palco do estádio. A partir das 23 horas, a Porta 3, do estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, abre-se para o MC de Leiria apresentar nada menos que seis discos, incluindo o recente Xpressão Lírica e ainda Got the Game Locked, da Alternativa Família, ambos foram editados este ano. O concerto de sábado será de Xutos & Pontapés. Os “comendadores do rock” passam pela cidade do Lis para apresentar ao vivo os temas do seu mais recente álbum, Puro, que conta com canções como Milagre de Fátima, mas também os grandes êxitos da sua carreira, como Minha Casinha ou Homem do Leme, canções que fazem a delícia de quem, de braços cruzados ao alto, segue uma carreira que começou há 35 anos, no palco dos Alunos de Apolo, em Lisboa. DR Marinha GrandePorquê?estreia no Auditório da Fábrica de Emoções T Sábado é dia de estreia de nova peça no Auditório da Fábrica de Emoções, na Marinha Grande. Porquê? sobe ao palco pelas 19:30 horas, pela mão do Triopulante - Teatro para todos. Porquê? é espectáculo feito a pensar em crianças com uma mensagem para todos. “Porque vivemos num mundo em que cada vez mais somos avaliados por aquilo que temos e não por aquilo que somos.” Este é um espectáculo que desconstrói a nossa forma de estar em sociedade e enaltece a coragem de ser diferente”. Porquê? é uma peça criada a partir do conto de Robert Finsher, com tradução e dramaturgia de João Pedrosa e interpretação de Rita Soares, Rebeca Aizic, Sofia Duarte e João Pedrosa, que também assina a encenação. O espectáculo é destinado a crianças maiores de 4 anos. DR Ourém Música dos nossos avós junta música, teatro e dança T Inserido no Festambo – Festival de Música e Dança da Academia de Música Banda de Ourém, a Orquestra Típica de Ourém apresenta no sábado, pelas 21:30 horas, na Praça Mouzinho de Albuquerque, o espectáculo Música dos Nossos Avós. Este projecto envolverá perto de duas centenas de participantes. Além dos 60 músicos da orquestra, haverá a participação de outros grupos musicais, de dança e de teatro, como Os Romeiros, Coral Infantil, Escola de Dança, Tuna Templária, ATL Mágico, Jardim Infantil, Clube de Artes da EBSO, Ourearte, Rui Sérgio e Ana Brás (Chorus Auris). Esta iniciativa visa recordar temas cantados na infância de outras gerações, convidando os espectadores a recuarem no tempo através das palavras e das danças que se faziam ao som destas melodias. Leiria Desassossego das Palavras e Pedras apresentados sábado T Bernardo Soares, heterónimo de Fernando Pessoa, é o autor do Livro do Desassossego, obra grande da literatura portuguesa e inspiradora do escultor de Leiria, Abílio Febra, para a colecção Desassossego das Pedras e para o livro Desassossego das Palavras, da autoria de dez escritores e coordenado por Paulo Kellerman. O conjunto de dez esculturas e a obra literária têm lançamento marcado para as 17 horas, deste sábado, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria. A exposição inspirada naquele que é considerado o mais difícil dos livros da obra de Pessoa, terá patente os trechos onde foram inspiradas as peças esculpidas em azul valverde, pedra calcária azul escura/cinza da Serra de Aire e Candeeiros, estará patente até ao dia 14 de Junho. DR 44 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Cá dentro não chove, exposição de João Gabriel Pereira, patente na SEDE do colectivo a9)))), Leiria, patente até 11 de Junho N.º 91, exposição que reúne o trabalho dos jovens artistas Catarina Vicente, Daniel Fernandes e João Gabriel Pereira (alunos de mestrado em Artes Plásticas na E.S.A.D), patente no Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, até 1 de Junho O Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, apresenta o projecto WWW.TIPO.PT (consiste numa base de dados sobre livros de artista e edição de autor produzidos em Portugal ou por artistas portugueses), da autoria de Catarina Figueiredo Cardoso e Isabel Baraona, até domingo, dia 25 Dança A Praça da Gastronomia da Feira de Leiria recebe hoje, 22, a partir das 15 horas, um espectáculo de Hip Hop, pela Associação Cultura e Juventude Inatel, seguindo-se às 16:30 horas, Dance Fusion, pela Associação de Solidariedade Académico de Leiria. Às 18:30 horas, será a vez da Academia de Dança e Música do Colégio Sr. dos Milagres apresentarem diversas actividades artísticas, que voltam a subir ao palco à mesma hora do próximo sábado. Domingo, às 17:30 horas, haverá dança pelo Rans Studio Integrado na Semana Cultural do Lions Clube de Leiria, hoje, dia 22, pelas 11 horas, haverá uma sessão de filmes infantis (variadas curtasmetragens), no Teatro Miguel Franco (TMF), Leiria. Para maiores de 6 anos Atelier Olhar, olhar... para a arte (re)inventar, pelo Núcleo de Arte Contemporânea do Museu do Vidro, Marinha Grande, hoje e amanhã, dias 22 e 23 e também nos próximos dias 27, 28 e 30, das 9:30 às 11:30 horas. Para crianças do ensino pré-escolar do concelho O Festival de Teatro de Pombal 2014 apresenta Tarará-Tchim (dança e música para bebés), pela companhia Passos e Compassos, sábado, em Pombal Cinema Teatro O Festival de Teatro de Pombal 2014 apresenta Tarará-Tchim (dança e música para bebés), pela companhia Passos e Compassos, sábado, dia 24, às 15:30 e 16:30 horas, no Teatro Cine de Pombal. A concepção artística e espaço cénico são de António Machado, Ricardo Mondim e Sofia Belchior Pequenos Grandes Olhares, fotografia para crianças, entre as 15 e as 17 horas, na Arquivo Livraria, Leiria A exposição fotográfica Arte Xávega na Nazaré- Fotografias de António Balau, está patente na Sala do Governador da Fortaleza de Peniche, até 29 de Junho A Companhia Teatro Amador de Pombal apresenta a sua mais recente criação, Romeu e Julieta, amanhã, dia 23, às 21:30 horas, no Teatro Cine de Pombal. A encenação é José Carlos Garcia e Nádia Santos. Para maiores de 12 anos. Também no âmbito do Festival de Teatro de Pombal 2014, a Companhia Gata apresenta a comédia O Último Golo (dramaturgia e encenação de Adélia Ferreira), sábado, dia 24, às 21:30 horas, no auditório da Junta de Freguesia de Abiul, Pombal. Entrada livre DR Workshop Brincar com (a) Arte Pintores Famosos (Van Gogh), sábado, dia 24, das 10 às 12:30 horas, na pimpumplay Leiria (em frente ao Orfeão de Leiria), com Liliana Gomes. Para maiores de 6 anos Música para Crianças (dos 0 aos 3 anos), domingo, 25, pelas 11 horas, no Espaço Jovem, Ourém, a cargo da Ourearte - Escola de Música e Artes de Ourém Música João, Teresa, Raimundo, Maria, Joaquim, Lili, exposição de ilustração de Ana Frois (visita guiada ao poema de Carlos Drummond de Andrade), na galeria da Arquivo Livraria, Leiria Leiria não se faz sozinha 2, tertúlia sobre as potencialidades da cidade para a inclusão, promovida pela InPulsar-Associação para o Desenvolvimento Comunitário, hoje, dia 22, pelas 16 horas, na Arquivo Livraria, Leiria. O evento integra uma exposição de fotografia de Ricardo Graça com textos de Vanda Baião, Um olhar sobre a cidade, assim como um momento musical, por Bruno Homem (SAMP) e ainda um Momento de Leitura, às 18 horas, por Vanda Baião 1º Festival de Caril, sábado, dia 25, a partir das 13 horas, na sede da Acrenarmo - Associação Cultural, Recreativa dos Naturais e Exresidentes de Moçambique (junto ao castelo de Leiria), para comemorar o Dia de África. Estarão presentes cinco restaurantes da região, que darão a degustar especialidades de caril, ao som de muita música e danças africanas Desassossego das pedras, exposição de escultura de Abílio Febra, inspirada no livro Desassossego de Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa), inaugura sábado, dia 24, pelas 17 horas, na Biblioteca Municipal de Leiria (BML), onde fica patente até 14 de Junho Crianças Artes DR Eventos Agenda Silence 4 em concerto ao vivo hoje, 22, pelas 23 horas, no estádio municipal de Leiria (Porta 3). Sábado, 24, pelas 23 horas, será a vez do concerto com os Xutos & Pontapés, no mesmo espaço e à mesma hora. Amanhã haverá Hip-hop com XL (autor, compositor literário, intérprete, produtor musical e locutor de rádio) e Noite de DJ’s, com Litos Diaz (colaborou no disco Desfado, de Ana Moura), Pedro Carrilho e Pedro Cazanova Combos Rockschool do Instituto Jovens Músicos, em concerto amanhã, dia 23, pelas 22 horas, na Feira de Leiria. Sábado, à mesma hora, actua o Grupo Cantares d’Amigos - ACRM Silveirinha Grande e Claras Brincando e Pianando, por Eurico Faria, domingo, 25, às 15 horas, no TMF, Leiria, no âmbito da Semana Cultural 30 anos Lions Clube de Leiria Grupos corais Obras Sociais do Pessoal da Câmara Municipal de Leiria e Ninfas do Lis em concerto sábado, dia 24, às 21 horas, na igreja matriz de Colmeias, Leiria. Entrada livre O ciclo de cinema, integrado na Semana Cultural do Lions Clube de Leiria exibe amanhã, dia 23, no Teatro Miguel Franco, o filme holandês Meet the Fokkens-Que belas irmãs! Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 45 LEIRIA Cineplace Leiria Shopping . Tel. 760789789 De quinta a quarta-feira Sala 1 . Godzilla- 3D . 14:00 e 19:00 horas; Sala 1 . Godzilla - 2D . 16:30, 21:30 e 00:00* horas; Sala 2 . O Fantástico Homem Aranha - 2D . 16:00, 21:40 e 00:30* horas; Sala 2 . O Fantástico Homem Aranha - 3D . 13:10** e 18:50 horas; Sala 3 . Transcendence - 2D . 14:20, 16:50, 19:20, 21:50 e 00:20* horas; Sala 4 . Rio 2 - 2D . 14:00 e 16:20 horas; Sala 4 . Joe - 2D . 18:40, 21:10 e 23:40* horas; Sala 5 . Hercules a Lenda Começa - 2D . 13:00**, 17:30 e 22:00 horas; Sala 5 . Não Há Duas sem Três 2D . 15:10, 19:40 e 00:10* horas; Sala 6 . Os Marretas (35mm) . 13:50** e 16:10 horas; Sala 6 . Noé (35 mm) . 18:30, 21:20 e 00:15* horas; Sala 7 . Má Vizinhança - 35 mm . 13:20**, 15:30, 17:40, 19:50, 22:00 e 00:05* horas; * Sessão Válida Sábado e Domingo; ** Sessão Válida Sexta, Sábado e Véspera de Feriados CALDAS DA RAINHA VIVACINE . Tel. 262 840 197 De quinta a quarta-feira Sala 1 . Grace do Mónaco . 12:50***, 15:20, 17:50, 21:25 e 23:45** horas; Sala 2 . Má Vizinhança . 13:00***, 15:40, 18:05, 21:30 e 00:05** horas; Sala 3 . X-Men 2D . 12:40***, 15:30, 18:25, 21:20 e 00:10** horas; DR Letras O ciclo de cinema integrado na Semana Cultural do Lions Clube de Leiria (que este ano comemora 30 anos de existência) continua hoje, dia 22, pelas 21:30 horas, no TMF, com Linha Vermelha (documentário de José Filipe Costa, numa revisitação do emblemático filme A Torre Bela, sobre a ocupação de uma herdade no Alentejo pelos seus trabalhadores, no pós 25 de Abril. Amanhã, dia 23, à mesma hora, será exibido o filme holandês Meet the Fokkens-Que belas irmãs! (na foto), de Gabriëlle Provaas e Rob Schröder (maiores de 16 anos). Este divertido documentário fala sobre duas irmãs gémeas, com mais de 70 anos, prostitutas no Red Light District de Amesterdão, há mais de 50 anos À conversa com... Álvaro Laborinho Lúcio, a propósito do livro O Chamador, sábado, dia 24, às 18 horas, na Arquivo Livraria, Leiria. No mesmo espaço mas na próxima quartafeira, dia 28, pelas 18:30 horas, haverá mais um sessão do Clube de Leitura Arquivo, sobre o livro Intempérie, de Jesús Carrasco Apresentação do primeiro volume de Cadernos de Estudos Leirienses, hoje, dia 22 (Dia da Cidade de Leiria) pelas 17 horas, na BML, por Saul António Gomes e Ricardo Charters d’Azevedo Lançamento do livro Nas asas do corvo, de Maria Gaspar, sábado, dia 24, pelas 17 horas, no auditório dos Paços do Concelho de Ourém, numa organização da Chiado Editora Lançamento do livro Desassossego das Palavras, a partir da exposição de Abílio Febra com o mesmo nome, sábado, dia 24, pelas 17 horas, na BML. A obra é coordenada pelo escritor Paulo Kellerman, com participação de diversos outros autores Palavras Acompanhadas é o mote de mais um Café com Livros (pretexto para mais um encontro, uma conversa e um café), sábado, dia 24, às 15:15 horas, no Moinho do Papel, Leiria. Com uma especial estreia de sons e um doce sabor a Primavera. A iniciativa é do grupo Trestúlias com(vida) e conta com a participação de Janus.pt (projecto musical) PUBLICIDADE 46 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 Gente&lustre Desenvolvimento Academia Cidadã Regional Ana Abrunhosa Pedro Santos é vai presidir à CCDRC Personalidade do Ano Festival Português Contratenor de Alcobaça em Boston Annarella Sanchez Convidada a dar aulas em Nova Iorque Eleições Lino Ferreira é o novo presidente da Acilis A economista Ana Abrunhosa vai presidir à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), sucedendo a Pedro Saraiva, segundo avança o Jornal de Notícias. A também professora da Universidade de Coimbra foi vice-presidente da CCDRC, nomeada por José Sócrates, entre 2008 e 2010, ano em que passou a vogal executiva do Programa Mais Centro. Luís Peças actuou na passada sexta-feira na Emmanuel Church, em Boston (USA), acompanhado por João Paulo Santos, organista oficial da Sé de Leiria. A actuação deste contratenor de Alcobaça inseriu-se no Festival Português de Boston, organizado pelo Camões-Instituto da Cooperação e da Língua. Luís Peças tem realizado recitais em diversos festivais internacionais. O trabalho e os prémios alcançados pelos seus alunos, no Youth America Grand Prix, concurso que decorreu no mês passado em Nova Iorque, não passou despercebido. Annarella Sanchez, professora de bailado cubana radicada há décadas em Leiria, recebeu um convite para integrar o corpo docente da American Academy of Ballet, de Nova Iorque, em Julho. Foram eleitos e empossados na passada sexta-feira os novos órgãos sociais da Associação Comercial e Industrial de Leiria, Batalha e Porto de Mós (Acilis) para o triénio 2014-16. Lino Ferreira (na foto), em representação da inCentea Capital, preside à direcção, cargo que já tinha ocupado entre 1998 e 2003. À Assembleia Geral preside António Lucas (Gesfil-Gestão e Fundos Financeiros) e ao Conselho Fiscal preside Luís Coelho (Codi). Activista e jornalista (Visão) natural de Porto de Mós, Pedro Santos recebeu a distinção de Personalidade do Ano, nos Prémios Europeus da Cidadania Democrática 2014, ao lado de João Labrincha, ambos fundadores da Associação Academia Cidadã. Organizado pelo European Civic Forum (Fórum Cívico Europeu), votaram para este prémio mais de 10 mil pessoas, através da internet. HistóriadeVida Manuel Sousa “Sinto que sirvo de exemplo para os miúdos” GRAÇA MENITRA Graça Menitra [email protected] Manuel Sousa recebe hoje a medalha de bronze da Cidade de Leiria, atribuída pela Câmara Municipal, “pelo brilhantismo da sua carreira desportiva e pela defesa da inclusão”, sendo mesmo apontado com um verdadeiro exemplo de “coragem e estoicismo”. Praticante de desporto há mais de 20 anos, este atleta paraplégico, 60 anos de idade, destacou-se no atletismo, maratona e meia-maratona, com participações em competições em vários países, como Japão e Estados Unidos. Uma distinção a juntar a muitas outras, entre elas o Prémio Liz de Ouro - Melhor Atleta do Distrito de Leiria em Atletismo em Cadeira de Rodas, em 1996. Actualmente, integra a equipa de basquetebol em cadeira de rodas, juntamente com vários colegas paraplégicos, amputados e com outras deficiências, da delegação distrital de Leiria da Associação Portuguesa de Deficientes, sediada na Marinha Grande e da qual tanbém é vice-presidente. A par de dirigente e atleta, a sua polivalência na associação vai de mecânico a psicólogo. “E, apesar das dificuldades, este ano conseguimos ser campeões nacionais de basquetebol e vice-campeões de andebol”, diz orgulhoso. “Sinto que sirvo de exemplo para os miúdos e sou muito solicitado para dar força aos recém traumatizados que integram a nossa equipa. O que me dá mais prazer é as crianças entrarem completamente limitados e, passado algum tempo, ficarem autónomas. Saio sempre mais reforçado e com baterias carregadas para enfrentar o dia-a-dia”, continua este voluntário há quase 30 anos. É igualmente muito solicitado para dar palestras em escolas um pouco por todo o País e também na Escola Superior de Saúde de Leiria. Participa também assiduamente no Projecto da Rede Social de Leiria, Barreiras Arquitectónicas e Urbanísticas e Transportes Adaptados. Manuel Sousa só lamenta a falta de apoio de instituições e autarquias: “Estas vitórias só se conseguem com muito trabalho, unidade e espírito de sacrifício, já que somos a equipa pior equipada a nível nacional. As nossas cadeiras ao pé das outras são como comparar um Fiat a um Porsche, diz. E exemplifica: “Quando vamos jogar a Braga ou qualquer outro destino do País, temos de levar comida de casa. Isto é muito triste para mim, como dirigente. Para não falar no meio de transporte. Temos uma Ford Transit normal não adaptada, que tem de levar nove cadeiras de basquetebol, mais quatro normais e ainda nove atletas. Levamos as rodas ao colo. Além da dificuldade que temos em subir para a carrinha”. Manuel Sousa recebe hoje a medalha de bronze da Cidade de Leiria, atribuída pela Câmara Municipal, “pelo brilhantismo da sua carreira desportiva e pela defesa da inclusão” Unidade é, assim, a palavra chave do sucesso desta equipa, tal como já o era na infância de Manuel Sousa, nascido no seio de uma família pobre e problemática em Maceirinha, Leiria. “Eram os sacrifícios, sobretudo da minha mãe e dos cinco irmãos, que nos uniam a todos”, lembra. Em 1957/58, ainda não tinha quatro anos, quando os pais foram presos pela Pide. O pai esteve mais de um ano no forte de Elvas e a mãe, grávida do seu irmão, esteve em Leiria e depois foi transferida para Tires. Nessa altura, Manuel Sousa foi viver para casa de uma avó. “Era-se preso por pedir mais pão para dar aos filhos. O meu pai, era muito revoltado e inconformado e, por isso, denunciado até por pessoas da família. A sua revolta, à mistura com o álcool, reflectia-se na família”, diz. Manuel Sousa ficou paraplégico aos 20 num acidente de viação. A par da pobreza familiar, ver-se numa cadeira de rodas ainda o deixou mais revoltado. De tal modo que nos dez anos seguintes, após sair de Alcoitão, se entregou à droga e ao álcool. “Não desejo o que passei a ninguém e ainda hoje tenho pesadelos com isso, já lá vão mais de 30 anos. Consegui sair porque me agarrei ao desporto e ao exemplo da minha mãe para contornar as dificuldades”, reconhece. Já em cadeira de rodas, trabalhou durante muitos anos em fibra de vidro, na Maceira, e até barcos já fez. Um percurso que começou na infância (tinha de tomar conta dos irmãos mais novos), seguindo-se, aos 11 anos, o trabalho por turnos na Crisal e, mais tarde, na Fábrica Escola Irmãos Stephens. “Hoje continuo à procurar trabalho”, refere. Quando teve o acidente de viação, Manuel Sousa estava integrado nas tropas pára-quedistas, caminho que o seu irmão também tinha seguido, estando já em Angola. “O que eu queria era fugir ao ambiente familiar”, reconhece hoje. Em 1997, Manuel de Sousa acabou por concretizar esse sonho amputado, tornando-se no primeiro paraplégico a saltar de pára quedas em Portugal. Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 47 Ponto Aconteceu Fuga Sal Nunkachov Gosimat inaugurou nova fábrica Num evento que assinalou os seus 20 anos, a Gosimat inaugurou no sábado a sua nova unidade de produção dedicada ao fabrico de caixilhos e sistemas para portas de correr da marca Openspace. A cerimónia contou com a presença de cerca de 400 convidados. Além da abertura oficial desta unidade fabril, na Ponte da Pedra, o evento incluiu a apresentação do novo showroom dos Marrazes, totalmente remodelado, o lançamento da revista institucional da empresa e o sorteio de um prémio de cliente. DR Misericórdia de Leiria solidária em Sarau Cultural O Teatro Miguel Franco, em Leiria, foi pequeno para acolher o entusiasmo e emoção do concerto solidário que a Santa Casa da Misericórdia de Leiria organizou na quinta-feira, com as bandas Dream Pawn Shop, Disposable Heroes e The Quiet Mambo. Este Sarau Cultural foi mais uma das acção que esta entidade está a organizar, no âmbito de uma iniciativa solidária, humanitária que se prolonga até ao fim deste mês. Esta semana, segue-se o 1.º Dia Aberto do Hospital D. Manuel de Aguiar, a 24, e o 1.º Passeio de BTT Cidade de Leiria, a 25. DR Empresários falam do poder da comunicação Os empresários Jorge Santos e Henrique Neto demonstraram quinta-feira aos alunos do ISDOM (Instituto Superior D. Dinis), na Marinha Grande, a importância da comunicação organizacional num universo cada vez mais sobrepovoado de mensagens de negócios. Para os dois empresários, a sobrevivência e o crescimento dos negócios num mercado competitivo e globalizado passa hoje, em primeiro lugar, por assegurar uma boa comunicação interna e ter regras bem definidas e formalizadas no seio das empresas, que devem ser conhecidas e envolver todos os colaboradores. DR Modelo - Joana Hamrol (Best) Gola - Diana Veloso No inferno os lugares mais quentes são reservados aos que escolheram a neutralidade em tempo de crise Dante Alighieri Jorlis - Edições e Publicações, Lda. Parque Movicortes 2404-006 Azoia - Leiria Tel. 244 800 400 Fax 244 800 401 [email protected] Em causa espaço no jardim Luís de Camões Revista nesta edição Diferendo entre câmara e Glam em tribunal RAQUEL DE SOUSA SILVA Raquel de Sousa Silva [email protected] T Confrontado com uma ordem de despejo no início deste ano, Rui Pedro Silva, responsável pelo Glam, recorreu a tribunal para contestar a iniciativa da Câmara de Leiria. A semana passada, em primeira instância, viu ser-lhe dada razão. A autarquia vai recorrer. Rui Pedro Silva explica ao JORNAL DE LEIRIA que o contrato de arrendamento do espaço onde funciona o Glam, no jardim Luís de Camões, terminava em 2010 e que, como nenhuma das partes o denunciou nessa altura, ele se renovava automaticamente por mais cinco anos, ou seja, até 2015. “A câmara entendeu que não havia razões para renovar e andámos este tempo todo a trocar argumentos”, afirma. Segundo foi possível apurar, a posição da câmara estará relacionada com o seu entendimento de que o contrato terminou e, cumulativamente, com o facto de haver rendas em falta e com irregularidades no fornecimento de água, que por várias vezes terá sido cortada. Conforme já foi noticiado, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento chegaram mesmo a detectar ligações clandestinas no Glam em mais do que um momento, no ano passado, tendo encaminhado o assunto para avaliação jurídica. Contactada, a câmara de Leiria re- fere apenas que “o processo está a ser dirimido em tribunal e que enquanto não estiverem concluídas todas as etapas não fará comentários”. Questionado sobre se os motivos que terão levado a câmara a intentar a ordem de despejo, Rui Pedro Silva entende que “não têm nada a ver com rendas em atraso nem com outros problemas”. Considera tratar-se de uma “guerra pessoal do presidente”. “Posso estar enganado, mas é o que acho”, diz, admitindo contudo algumas nuances no que toca à renda. “Em Janeiro fomos à tesouraria da câmara para pagar e disseram-nos que havia ordens para não receberem”. Viagens (fora) da minha terra DR TNo âmbito do projecto Folk & Art (Programa Grundtvig) em que a Optidados participa junto com parceiros de mais quatro países, Ley Garcia, Lina Garcia e Jaime Silva deslocaram-se à Hungria, de 13 a 18 de Maio, mais propriamente a Hollókõ, uma aldeia tradicional que fica a cerca de 200 Km a Norte de Budapeste. Este projecto tem por objectivo promover uma cultura de aprendizagem e de envolvimento dos adultos para melhorar a qualidade de vida nas comunidades rurais em desvantagem. Entre muitas coisas úteis, nesta viagem observaram-se duas ideias que podem ser aproveitadas para incrementar o turismo na região de Leiria: A primeira Hungria Mário João Ley Garcia DR tem a ver com a forma como a aldeia se organizou para, mesmo sem hotéis nem restaurantes, conseguir dar alojamento e alimentação a grandes grupos de turistas e, simultaneamente, manter um ambiente caseiro. Para as refeições os turistas são divididos em pequenos grupos e dirigem-se a várias casas, previamente definidas, dos habitantes da aldeia onde tomam as refeições cozinhadas e servidas pelos próprios habitantes das casas. Para as dormidas, os turistas também são divididos em pequenos grupos e são alojados em várias casas. Neste caso, podem ocupar apenas alguns quartos e partilhar a habitação com os donos, ou então toda a casa é libertada pelos donos para os turistas (neste caso os habitantes vão para casa de outros habitantes da aldeia para dormirem) Existe uma associação que organiza toda esta logística, incluindo passeios e outras actividades, faz a promoção turística e trata das questões administrativas e burocráticas. Tem ainda um espaço ao ar livre (com instalações de apoio) onde pode juntar o grupo de turistas para dar as indicações relativas à organização, servir os pequenosalmoços e desenvolver algumas actividades, tais como as danças tradicionais que uma das fotos documenta. PUBLICIDADE E Q U I PA A V . N . º 1 . Z O N A C E N T R O M A R Q U Ê S D E . T O P 1 0 O Jornal de Leiria convida os seus leitores a partilharem ideias para a região observadas noutros locais do País ou do estrangeiro. Basta enviarem duas ou três fotografias e um texto com 1500 caracteres para direccao@jor naldeleiria.pt N A C I O N A L P O M B A L