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DE LEIRIA
PUBLICIDADE
Semanário Regional
Director de Mérito
José Ribeiro Vieira
Director João Nazário
Ano XXVIII
Edição 1558
Quinta-feira, 22 de Maio de 2014
€ 1,00
www.jornaldeleiria.pt
J
ign d
or des
melh ula Ibérica
s
Penín 2.º ano
pelo utivo
c
conse
Rendimento Social de Inserção
triplica em Caldas, Marinha e Leiria
Carência Caldas da Rainha, Marinha Grande e Leiria foram os concelhos do distrito onde o número
de beneficiários de RSI mais cresceu entre 2003 e 2012. Figueiró dos Vinhos é o município onde
maior percentagem de residentes recebe a prestação Pág. 10
RICARDO GRAÇA
Nesta edição
Dia da Cidade
Leiria distingue
a Roca e oito
personalidades
Pág. 12
Menina (quase) não entra!
Minoria Excluindo a voz, o mundo musical fora do universo
clássico é esmagadoramente masculino, sendo raros os projectos onde as
mulheres estão em destaque Págs. 36/37
RICARDO GRAÇA
Batalha
José Fabião, fotógrafo
Avaria fecha
Centro de
Interpretação do
Mosteiro Pág. 13
“Há alguma casa nos arredores
de Leiria que não tenha
fotografias do Fabião?”
Desporto
T José Fabião é, porventura, quem
mais fotografou a região e as suas
gentes. Porque hoje se comemora
o Dia da Cidade de Leiria, o JORNAL DE LEIRIA foi ouvir um pouco da história de vida deste republicano, feita de muitas paixões
Jovens da União
de Leiria fazem
a melhor época
de sempre Pág. 32
(sobretudo a mulher, a sua arte e
também o desporto) mas também
das perseguições de que foi alvo,
nomeadamente por se ter recusado sempre a ser um fotógrafo conotado com o regime de Salazar.
Págs. 8/9
PUBLICIDADE
Inn
Av. Marquês de Pombal
ÚNICA AGÊNCIA FORA
DE LISBOA NO TOP 10 NACIONAL
AV. MARQUÊS DE POMBAL, N.º 24 R/C ESQ. 2410-152 LEIRIA . TEL. 244
812 715
NA ZONA CENTRO
2 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Somos o País das Capelas
Imperfeitas, não sabemos levar
nada até ao fim
Manuel Mota, presidente do
Spinpark, Jornal de Negócios
Radar
A criação artística é financiada
com o equivalente com o que o
Estado gasta em pioneses
Catarina Martins, deputada do BE,
ARTV
Comentário enigmático João dos Santos
Olho clínico
Opinião
Anabela Graça
A vereadora da Educação
da Câmara de Leiria foi alertada, numa reunião na DirecçãoGeral de Estabelecimentos de Ensino, para a falta de apoios do Estado
para com as crianças deficientes
que estão nas escolas regulares.
Anabela Graça já está no terreno a
fazer o levantamento das dificuldades que existem nos agrupamentos
do concelho, que irá enviar à tutela
num relatório com as informações
recolhidas.
Vá votar…
Valdemar Alves
Foi uma ideia feliz aquela
que tiveram a Câmara de
Pedrógão Grande, presidida por
Valdemar Alves, e a direcção da Escola Tecnológica e Profissional da
Zona do Pinhal, que vão transformar antigas escolas primárias em
residências para alunos que venham de longe para estudar naquele estabelecimento de ensino. Com
a ajuda de espaços desactivados assegura-se o futuro dos alunos e o
emprego dos docentes.
Jorge Barreto Xavier
O actual secretário de estado da Cultura nada parece ter feito para evitar que uma
avaria tenha acabado por fechar
ao público o Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha. Este
espaço, inaugurado há dois anos,
pelo seu homólogo Francisco José
Viegas, nunca funcionou em pleno, apesar de ter custado mais de
700 mil euros.
esmo depois destes anos de crise, as
sondagens de opinião em toda a Europa
fazem prever ganhos “deslumbrantes”
para os eurocéticos nas eleições para o
Parlamento Europeu no próximo fim-de-semana,
diz Dona Mécia. Não me diga, reage, D. Genuíno. E
não se dão conta que sem a União Europeia a crise
seria muito mais profunda e Portugal teria falido?
Tem razão, responde Dona Mécia, mas as
sondagens dizem-nos que os eurocéticos, onde
encontramos a extrema-direita xenófoba e os
alguns esquerdistas, poderão vir a ter ganhos em
três grandes países: a França, a Itália e o Reino
Unido, tornarem-se uma força política importante
na Grécia, na República Checa e na Holanda e
obter um bom impulso na Dinamarca, na Áustria,
na Lituânia, na Hungria e na Finlândia.
Com uma crescente base de poder
transnacional, num cada vez mais poderoso
Parlamento Europeu, continua Dona Mécia, estes
partidos podem ser capazes de retardar uma maior
integração da zona do euro e minar a legitimidade
do projecto europeu. Lembro que foi graças à
União Europeia, mesmo com as suas hesitações,
que conseguimos apoios para a restruturação da
dívida portuguesa. Mas com uma vitória
eurocética podem estar em causa as políticas da
União Europeia. Em vez de entrarmos em pânico,
continua Dona Mécia (escutada atentamente pelo
D. Genuíno), devem-se dar aos cidadãos
possibilidades escolha para que decidam o que
querem.
Mas lembro que os pró-europeus não devem cair
no logro da dicotomia entre o pró e o anti- Europa.
É nas propostas políticas - por exemplo, sobre
quais as respostas da esquerda e da direita para
enfrentar os desafios que afectaram já hoje toda a
UE, como o emprego, a migração, o crescimento e
a ascensão económica e política da China – que se
devem debruçar. Lembro que as frases feitas “não
pagamos” ou “fora do euro”, não são credíveis e
M
Ricardo
Charters
d’Azevedo
quem os faz não é credível. Claro que se devem
enfatizar os problemas europeus, como as
insuficiências institucionais do euro e que o défice
democrático na UE exige uma solução construtiva
a nível europeu, em vez de recorrer ao
nacionalismo e à xenofobia para serem populares.
Mas tudo isso é muito bonito, mas para quem
tem no dia 25 de se decidir, que fazer, pergunta D.
Genuíno?
Muito simples, responde Dona Mécia: se quiser
votar nos partidos que são contra este modelo de
União Europeia deverá votar no PCP, BE, e em
outros da direita e da esquerda, sem assento
parlamentar; se quiser votar nos partidos que
defendem esta União Europeia, aprofundando-a,
discutindo-a e encontrando soluções em conjunto,
terá de votar no PS, ou na aliança CDS-PP/PSD
Olhe que a abstenção, ou seja ficar em casa, não
é uma opção pois, dado o Método de Hondt, quem
se abstém está, na prática, a votar no partido mais
votado. Poderá também votar branco, ou anular o
voto, o que dá um sinal de protesto contra a UE,
mas nada diz sobre a política nacional, conclui
Dona Mécia com enfado.
Engenheiro
D. Genuíno
Dona Mécia
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 3
Uma casa de 500 mil euros não é
nada de especial para um chinês
Michael Liu, presidente da KH Real
Estate, Diário de Notícias
Se o Presidente da República e o
primeiro-ministro são
criticados, porque não pode ser
criticado o seleccionador?
Paulo Bento, seleccionador nacional,
Revista
A verdade é que trabalhar
naquilo que se faz bem ainda é a
melhor maneira de passar a vida
Miguel Esteves Cardoso, escritor,
Público
Alguém viu a Europa por aí? Como querem que o
povo vá votar? Em quê?
Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão, Correio da
Manhã
Fórumdasemana
Governo quer controlar presentes dos médicos
Os funcionários do Serviço Nacional de Saúde vão
ter de passar a encaminhar qualquer presente que
recebam para a Secretaria-Geral do Ministério da
Saúde. As ofertas serão depois doadas a
instituições de solidariedade. A medida está
prevista num projecto de despacho sobre a
obrigatoriedade de códigos de ética em todas as
instituições do SNS, que deu entretanto origem a
um parecer do Conselho Nacional de Ética para as
Ciências da Vida. Mas a ideia já está a gerar
Ana Barros
representante
da Ordem dos
Médicos em
Leiria
Micael Sousa
engenheiro
civil
Ana Narciso
ex-deputada do
PSD
A ideia está a provocar um
bocadinho de indignação nos
profissionais. Trata-se de uma
medida gratuita, que não tem
nada a ver com ética, mas com
outras coisas, que não sei quais.
Ainda ontem [terça-feira] uma
menina de dez anos me deu um
anel de plástico que ela mesma
fez. Não sei como, mas terei de o
encaminhar para o ministério,
com pena, porque é um presente
simbólico.
Este é mais um daqueles
exemplos que me fazem lembrar
a frase: “os portugueses fazem
mais do que a lei permite e
menos do que a ética obriga”.
Continuamos a seguir pelo
legalismo extremo e a esquecer a
ética de base individual.
Obviamente que é eticamente
condenável receber presentes
por favorecimento, mas de que
serve na prática legislar isso ao
extremo? Será só mais uma lei
para não cumprir se a dimensão
ética, com atitudes adequadas a
cada caso concreto, não
prevalecer, compreendendo e
decidindo sobre o correcto e o
errado.
Só posso manifestar a minha
total surpresa e indignação. É
absolutamente intolerável que o
Estado se intrometa na vida dos
cidadãos e interfira na relação
médico doente ferindo quer o
profissionalismo dos médicos
quer a generosidade dos doentes,
que querem e desejam agraciar,
livremente, quem os tratou e
acolheu. Há uma relação doentia
entre Estado e cidadão, só
curável com uma excelente dose
de confiança entre ambas as
partes. Para quando?
Que
comentários
lhe merece
este assunto?
Roque da
Cunha
secretário geral
do SIM
António
Mendes
investigador
Valdemar J.
Rodrigues
Prof. Associado,
ULHT
indignação. “Vai-se instituir um sistema nacional
de recolha de livros, de esferográficas, de
galinhas, de ovos e de couves?”, pergunta o
bastonário da Ordem dos Médicos, citado pelo
Público. Defendendo que “o Ministério da Saúde
não sabe o que é ética”, José Manuel Silva
pergunta ainda se este código “vai ser extensível
aos partidos políticos e ao seu obscuro
financiamento e claros conflitos de interesses, aos
autarcas, a todo o serviço público”.
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) nada
tem contra doações a instituições de solidariedade.
Mas fica com enorme curiosidade em ver como vai
ser montada a logística da recepção, envio,
transporte e armazenamento de ofertas na
Secretaria-Geral do Ministério da Saúde,
nomeadamente as vivas e as perecíveis. Às tantas
estão a pensar criar um “Casão” à boa maneira
militar… e até pode dar para catering…quem sabe?
Ironia à parte, coisas mais importantes têm de ser
salientadas no projecto de despacho sobre o tal
Código de Ética. E quanto a essas sim, o SIM não
pode deixar de manifestar a sua discordância e
firme oposição.
Estou de acordo que seja instituído um código de
conduta muito claro sobre ofertas e presentes
dados a funcionários públicos, sejam eles
funcionários do SNS ou de outra instituição de
serviço público, incluindo órgãos de governo
local, regional, nacional, polícias... Este tipo de
legislação é comum em muitos outros países,
onde existem igualmente comissões que avaliam
e julgam casos de má conduta. Coisas de valor
nominal como canetas e outros brindes
publicitários podem ficar isentas. Não percebo
porquê a discriminação dos funcionários do SNS,
quando muitos outros podem ser, e
provavelmente são, alvo da mesma forma de
corrupção.
Trata-se de uma medida legislativa populista,
inútil e que, nos casos graves de corrupção e
tráfico de influência na área médica, não terá
quaisquer consequências. As autoridades de saúde
com deveres de fiscalização em nada serão
ajudadas com esta medida. É além disso duvidoso
que faça falta às instituições de solidariedade o
produto destas ofertas, que eticamente as
empresas do sector farmacêutico e da biomedicina
poderian directamente encaminhar para elas. O
envolvimento do Estado na vida privada dos
cidadãos é indesejável, tal como a violação
sistemático da privacidade de cada um, que esta
medida fomenta. Em absoluto desacordo,
portanto.
Editorial
Parabéns Caixa
de Crédito de Leiria
sta edição do Jornal de Leiria traz consigo
uma revista sobre o centenário da Caixa
de Crédito de Leiria. Cem anos são cem
anos! É muito tempo. Merecem, sem
dúvida, ser comemorados com orgulho e alegria.
Principalmente se esse período foi bem vivido,
com objectivos cumpridos e conquistas diversas,
se respeitou os princípios que foram definidos de
início e a passagem dos anos foi sinónimo de
crescimento e desenvolvimento.
É precisamente disso tudo que se pode
orgulhar a Caixa de Crédito de Leiria no ano em
que comemora um século de existência. De ter
sido sempre uma instituição que não se afastou
do rumo que traçou para a sua actividade e de ter
estado constantemente ao lado da comunidade
da região de Leiria, crescendo com ela,
acompanhando o seu desenvolvimento e
envolvendo-se nos seus projectos, muitos dos
quais contribuíram para gerar riqueza e emprego.
Quem tem tido a oportunidade de observar a
actividade da Caixa de Crédito de Leiria,
perceberá facilmente que do seu 'ADN' não
fazem parte práticas “aventureiras” seguidas por
outros bancos e que tantos problemas trouxeram
à economia portuguesa, com os impostos dos
contribuintes a serem usados para tapar buracos
em algumas dessas instituições.
Ao contrário de outros bancos, cujos
administradores cederam à tentação dos lucros
fáceis e rápidos, de que receberam prémios
chorudos, a Caixa de Crédito de Leiria manteve-se afastada da especulação, fiel à actividade
para que foi criada, à prudência e ao rigor.
No meio da tempestade financeira que abanou
meio Mundo, que fez encerrar alguns grandes
bancos e obrigou outros a serem
intervencionados, com o sistema bancário
nacional a não fugir à tendência, a instituição
liderada por Mário Matias manteve-se firme
como uma das mais sólidas do País, recolhendo
os frutos da sua estratégia que, anos antes, na
altura da 'grande ilusão', alguns poderiam
considerar conservadora.
A verdade é que enquanto os principais bancos
nacionais apresentavam rácios de crédito sobre
depósitos na ordem dos 160%, tendo sido
obrigados pela troika a reduzi-los em pouco
tempo para 120%, com as consequências que se
conhecem para muitas empresas, a quem, de um
momento para o outro, foi 'tirado o tapete', a
Caixa de Leiria, em 2011, só tinha emprestado
40% do montante que tinha em depósitos.
Mesmo depois de todos estes anos em crise, que
tem tido também, naturalmente, repercussões
nesta instituição criada em 1915, o rácio de
solvabilidade – indicador mais fiável para avaliar
a solidez financeira – apresentado no ano que
terminou pela Caixa de Crédito de Leiria foi de
cerca de 35%, quando a média dos principais
bancos se situava no valor mínimo imposto pelo
Banco de Portugal: 10%
São diferentes formas de estar e de fazer que
dizem muito sobre as instituições e sobre quem
as dirige, com a Caixa de Crédito de Leiria a
evidenciar ao longos dos anos uma
responsabilidade social que merece registo,
devolvendo à comunidade parte do que esta lhe
deu a ganhar, desde há alguns anos,
principalmente, através da sua Fundação.
Parabéns à Caixa de Crédito de Leiria e a todos
os seus antigos e actuais colaboradores.
E
João Nazário
4 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Abertura
O que fazer para
pais e professores
darem as mãos?
Iniciativa O Fórum Famílias, que se realiza no sábado, vai
tentar ajudar a aproximar pais e professores, numa relação
que deve ser saudável e nunca resultar em divórcio
Elisabete Cruz
[email protected]
T Pais e professores têm um objectivo comum, mas andam, muitas vezes, de costas voltadas. O problema
surge, por vezes, porque ambos querem ter sempre razão e têm dificuldade em ceder e aceitar sugestões do
outro lado para que possam melhorar
o desenvolvimento do estudante.
Maria José Coutinho, presidente da
Federação Regional de Associações de
Pais e Encarregados de Educação de
Leiria (Ferlei), considera que, na maioria dos casos, “a escola está muito fechada em si mesma e há da parte dos
pais e encarregados de educação,
também, uma atitude deliberada de
afastamento, em relação à mesma,
bem como em relação às organizações
que os representam, parece terem outras prioridades”. Os pais reagem
apenas “quando surgem questões
relacionadas directamente com os
seus filhos”. Para uma maior aproximação, a encarregada de educação
entende que “terá de haver entre as
partes envolvidas uma atitude concertada de humildade, receptividade
e assertividade, com um único objectivo, ou seja, as crianças e jovens”.
Para o director do Agrupamento de
Escolas de Cister, Gaspar Vaz, a história das relações entre a escola e as famílias divide-se em três fases. “Numa
primeira fase, a escola, baseada numa
desproporção acentuada entre as
suas competências e as 'incompetências' dos pais, tratou os encarregados de educação com sobranceria.
Estes eram chamados à escola apenas
para saber as más notícias sobre os
seus filhos, sobre os problemas que
haviam causado.” Mais tarde, “os
pais, muito mais informados e instruídos, começaram a contestar a escola, com razão e sem ela”. Segundo
este docente, nestas duas fases, “o paradigma relacional era o da confrontação, como se entre estes dois actores houvesse uma barricada invisível”.
Gaspar Vaz defende um modelo,
“que já está em construção”, que
passa pela “colaboração e compromisso”. “Temos de tomar consciência que o modelo de uma escola/aba-
dia, sobranceira à vida secular e dela
afastada, não corresponde a nada. As
competências começam a existir tanto fora da escola como dentro dela - e
cada vez mais, felizmente, fora dela,
mas por influência dela.”
Professora no Agrupamento de Escolas Rainha Santa Isabel, em Leiria,
Graça Simões, defende uma “estreita e profícua relação entre a escola e
a família”, considerando “crucial”
uma parceria “cooperante entre estes
dois agentes educativos com vista ao
sucesso escolar dos alunos”. Segundo a docente doutorada em Ciências
da Educação, a promoção dessa relação passa por “um maior envolvimento dos pais na vida das escolas”,
“a promoção de uma cultura de comunicação entre a escola e as famílias” e “formação parental e de professores”.
Para Graça Simões, “a escola deve
preocupar-se em encontrar soluções
inovadoras”, mas também “diversificadas” para promover a “comunicação entre os pais e a escola”. A
promoção de reuniões, diálogo com
Ensino secundário
Mais velhos,
menos interesse
À medida que os alunos vão
crescendo, diminui a
participação dos pais na escola.
O adjunto da direcção do
Agrupamento de Escolas
Gualdim Pais, em Pombal, Paulo
Pinheiro confirma que os
encarregados de educação estão
muito próximos dos educadores
de infância e professores
titulares no pré-escolar e 1.º
ciclo, esbatendo-se a ligação nos
2.º e 3.º ciclos. “No secundário
há um afastamento muito
grande, também porque alguns
estudantes até já são maiores de
idade.” Paulo Pinheiro defende a
importância do director de
turma ou professor titular no
envolvimento dos pais na
dinâmica na escola. “Também a
associação de pais pode ser um
meio de chamamento dos pais.”
os professores, participação em eventos escolares, formação parental e
formação dos docentes são medidas
que devem ser adoptadas.
“O diálogo permanente entre a escola e a família promove uma relação
de confiança entre ambas as instituições, propiciando um maior envolvimento dos pais. Outra forma interessante de promover a construção de
pontes entre a escola e a família é a dinamização de formação parental regular, com professores receptivos a
esta iniciativa e com preparação para
tal”, acrescenta Graça Simões.
Gaspar Vaz entende ainda que “se
os pais forem chamados a tomar parte das decisões da escola, e não apenas para ouvirem o que não querem
sobre os seus filhos” e “não entenderem a escola como um entreposto
em que deixam os filhos enquanto trabalham, vamos ganhar em confiança,
entendimento e compromisso”.
Só quando pais e professores “se
considerarem, de vez em quando,
dispensáveis na discussão de certos
assuntos que, por norma, devem ser
da competência de um deles” a “barricada invisível deixará, finalmente,
de ser operante e de modelar as relações entre a escola e as famílias”.
Raquel Sampaio, professora aposentada há dois anos, entende que a
escola deve “conquistar” os pais para
as suas actividades. Apesar de salientar que se registou uma evolução
positiva entre a relação de pais e professores, a docente aconselha à compreensão de ambas as partes. “Recordo-me de pais que não queriam ir
à escola, porque só ouviam falar mal
dos filhos. Há que haver sensibilidade da parte dos professores em elogiar,
mesmo que pequenas coisas, de
modo a cativar os pais”, afirma.
Graça Simões acrescenta que “todos
os contactos com a escola devem ser
fonte de motivação para melhor contribuir para o sucesso escolar dos filhos”. Concordando que “o que geralmente acontece é que os pais são
chamados à escola para que lhes seja
transmitido o mau aproveitamento/e
ou mau comportamento dos seus
educandos”, a docente frisa que “o
elogio e a valorização de algo de po-
sitivo é tão ou mais importante do que
penalizar aquando do incumprimento dos deveres”. Por isso, defende
que “uma postura positiva evita choques e torna a necessária interacção
possível”. “Uma escola preocupada em
promover relações mais positivas,
precisa-se”, sublinha. Também Maria
José Coutinho concorda que “o mais
sensato será promover o mérito para
o sucesso de todos e não a desvalorização ou a crítica constante, sem que
a mesma resulte na evolução ou na supressão de quem é desvalorizado”.
Luís Lobo, coordenador dos directores de turma do Agrupamento de Escolas D. Dinis, concorda com o elogio
e até acrescenta que “não é fácil para
um professor dizer mal de uma criança ao pai”, sobretudo, se “também for
pai”. No seu caso, só chama o pai à escola “quando é grave”, mas avisa que
“os pais devem terem consciência
que o comportamento dos filhos em
casa nem sempre é igual quando estão em grupo”.
“Houve uma altura em que os professores não aceitavam bem a ida dos
encarregados de educação à escola,
porque entendiam que estavam a intrometer-se no seu trabalho e os pais
também não gostavam que lhes falassem sobre a educação dos filhos”,
recorda ainda Raquel Sampaio. As relações melhoraram, embora “ainda
não estejam bem”. A docente considera que uma “boa relação entre pais
e escola ajuda a escola a compreender
melhor os alunos e os pais a perceberem a escola”.
Raquel Sampaio considera que o trabalho casa/escola é indissociável. “Os
pais e a escola complementam-se,
mas não se substituem um ao outro.
Esse afastamento não depende só dos
pais como dos professores”, adverte a
docente, que considera que as associações de pais também têm um papel
“fundamental” no envolvimento dos
encarregados de educação.
A encarregada de educação Maria
Monteiro também destaca a importância da comunicação directa e frequente entre a escola e os pais. “Hoje
existem meios de fácil acesso, como o
email, que possibilita ao director de turma pôr os pais a par de tudo o que se
passa com o aluno.”
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 5
RICARDO GRAÇA
Elo de ligação entre pais e escola
Director de turma: um
parceiro fundamental
Melhoramentos nas escolas têm ajuda de encarregados de educação
Associação de pais metem mãos à obra
Recentemente, pais, professores e
alunos do Jardim de Infância e da
Escola Básica do 1.º ciclo de
Andrinos, em Leiria, decidiram
meter mãos à obra e melhorar as
condições do estabelecimento de
ensino. Pintura, limpeza e
pequenos arranjos tornaram o
espaço escolar mais agradável às
crianças. É sobretudo no 1.º ciclo
que as associações de pais têm um
envolvimento maior. Ricardo
Moreira, vice-presidente da
associação de pais, considera que a
presença dos pais na escola é
“fundamental”, pelo que lamenta
que nem todos os encarregados de
educação se envolvam. A iniciativa
deste grupo de pais não é única.
Por exemplo, nas escolas do 1.º
ciclo Amarela, Branca, Capuchos e
Marrazes, o empenho de toda a
comunidade escolar tem ajudado a
melhorar as condições físicas e a
dar respostas aos jovens, através
da criação de ATL. Maria José
Coutinho, presidente da Ferlei,
adianta que “as associações de
pais devem dirimir
constrangimentos, promover a
união de interesses com acuidade
e zelo” e são elas que
“actualmente estabelecem as
pontes, entre a escola e as
famílias”.
DR
T Os directores de turma e professores titulares dos alunos são o elo
principal entre os encarregados de
educação e a escola. A relação deve
ser de cooperação para que qualquer problema possa ser resolvido em
parceria. Luís Lobo, coordenador dos
directores de turma do Agrupamento de Escolas D. Dinis, afirma que é
“fundamental que os pais estejam
presentes na escola”, lembrando, todavia que “os pais educam e os professores formam”. Para o docente, “se
houver colaboração entre pais e escola, se os pais dialogarem mais e colaborarem na resolução dos conflitos
dos filhos e se houver uma aproximação entre as partes” a relação é
“mais harmoniosa”. O docente explica que “os alunos portam-se melhor quando sabem que os pais estão
envolvidos e que recebem informação do director de turma sobre o seu
comportamento”. No entanto, alerta
que, por vezes, “os pais imiscuem-se nos assuntos da escola sem estarem por dentro da sala de aula”, baseando-se apenas “na opinião que o
filho lhes transmite” e que “pode não
ser a correcta”.
Raquel Sousa, encarregada de educação, concorda que os directores de
turma têm um “papel de intermediário entre a escola e a família”,
pelo que devem ter o “perfil adequado”. Ou seja, “serem conciliadores, atentos e tentarem resolver os
problemas em conjunto com os pais”,
“sem apontarem o dedo a ninguém”.
“A família deve desempenhar o seu
papel e a escola o seu, sem intromissão de parte a parte. Os pais não devem andar sempre na escola, mas
também não se devem desligar completamente. Tem de haver um bomsenso e colaborarem mutuamente.”
Da sua experiência, Luís Lobo considera que “um bom pai tem um
bom filho” e que “não há filhos mal
comportados de pais bem comportados”. Ou seja, “cada filho leva o modelo de casa, salvo raríssimas excepções”. Luís Lobo acrescenta que “alunos mal-criados e hostis, têm normalmente pais que também o são”,
explicando que não se está a referir à
“conversa nas aulas”, perturbação
que “cabe ao professor resolver dentro da sala”.
Convidar os pais para participarem
em actividades como o Dia da Poesia,
Dia do Livro ou festa de Natal podem
ser estratégias para estabelecer um
“elo de ligação”, diz Raquel Sampaio,
professora aposentada.
Graça Simões, docente no Agrupamento de Escolas Rainha Santa
Isabel, afirma que “devem ser promovidas formas efectivas de comunicação entre a escola e a família sobre os programas escolares e o progresso das crianças”. Essa comuni-
Pais atentos, que
transmitem aos
filhos o respeito
pelo professor
têm filhos bem
comportados
Luís Lobo
cação pode ser efectuada “através de
telefonemas, visitas, relatórios, conferências, etc”.
“Bom senso” é a palavra que deve
reinar. “O envolvimento não deve
ser exagerado, sob pena de se tornar
negativo para todos os intervenientes.
É importante que os pais se envolvam,
supervisionem e desenvolvam um
trabalho articulado com os professores. Cada qual tem o seu papel e não
deve interferir no do outro”, esclarece Graça Simões. Importante é que,
“sintam que estão no mesmo barco,
remando no mesmo sentido, ou seja,
rumo ao sucesso escolar dos seus filhos/alunos”, destaca. Por sua vez, “filhos de pais negligentes, manifestam frequentemente comportamentos problemáticos, uma vez que sentem que os seus actos não terão consequências, contando com o desinteresse e a impunidade por parte dos
pais”. No entanto, “há sempre excepções”, admite.
Algumas escolas têm integrado a
formação parental nas suas actividades. Graça Simões afirma que esta acção “deve fomentar uma atitude educativa e preventiva, que transmita aos
intervenientes neste processo um
sentimento de confiança e competência, bem como, uma atitude colaborativa entre famílias e professores
e uma parentalidade positiva”. A docente lamenta que ainda sejam poucas as escolas que apostam neste
“investimento”. “Não é ainda uma
prática comum nos agrupamentos,
sendo pois, muito importante que se
partilhem estas boas práticas e que se
considere esta iniciativa um recurso
a integrar num plano de melhoria das
escolas. Seria desejável que a formação parental viesse a constar nos planos de atividades e nos regulamentos
internos de cada agrupamento.”
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6 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Abertura
Objectivos comuns mas papéis distintos
Mediação escolar deve integrar
alunos, pais e professores
RICARDO GRAÇA
Os alunos não devem ficar de fora da mediação escolar
Elisabete Cruz
[email protected]
T A mediação em contexto escolar
pode ser uma ferramenta útil para
ajudar a resolver os problemas dos
alunos e ajudar à integração de jovens problemáticos na escola. A intervenção é, muitas vezes, feita
através dos Gabinetes de Apoio ao
Aluno e à Família (GAAF), que a
maioria das escolas possui.
A função destes gabinetes é, sobretudo, procurar dar resposta às
situações a partir de uma intervenção local, definindo uma metodologia de abordagem individual, apoiada num clima de confiança entre técnico, aluno e família, sempre em articulação com os
restantes parceiros da comunidade
escolar.
Os GAAF funcionam como um
observatório da vida na escola, detectando as problemáticas que
afectam alunos, famílias e comunidade escolar, propondo-se reflectir sobre as mesmas de modo a
planear a intervenção mais adequada.
“Muito se tem falado de mediação em contexto escolar, mas, ainda numa mediação “entre pares”,
ou seja, aquela à qual chamamos
efectivamente “mediação escolar”. No entanto, é emergente uma
nova forma de mediação nas es-
colas do nosso país”, afirma Rafaela Azevedo. A mediadora familiar defende que a “aprendizagem não se dá no vazio, mas em
contextos, tanto situacionais quanto interpessoais”. Assim, “o contexto não só escolar”, mas, “sobretudo, familiar deve ser considerado e objecto de intervenção especializada”.
Para Rafaela Azevedo, os alunos
nunca devem ficar de fora de
uma mediação. “É muito importante que os alunos sejam ouvidos e quanto mais velhos eles forem, mais se manifesta essa importância. Não devemos discutir
nunca problemas de um determinado aluno 'nas suas costas'.
Isto não significa que em todas as
reuniões que se façam ele tenha
que estar presente ou ao corrente de todos os detalhes, mas em
algum momento deverá estar.”
A especialista considera que o
aluno “deverá sentir que as suas
opiniões, vivências e sugestões
são imprescindíveis”, pois será
uma “forma de o responsabilizar
por determinada situação e também de o trazer a uma cada vez
maior maturidade cognitiva”.
Rafaela Azevedo considera ainda “indispensável que a escola
seja a primeira a intervir directamente com a família de forma a
tratar de raiz todos os mais varia-
dos problemas do aluno”. A especialista salienta que professores e
encarregados de educação devem
“ter consciência que têm determinados objectivos que são comuns”. E, para que ambos caminhem no mesmo sentido é “necessário definir e distinguir muito
bem qual o papel dos pais ou cuidadores e qual o papel da escola”.
Rafaela Azevedo concorda que
“ambos devem ter objectivos comuns, mas papéis distintos e bem
delineados para que não haja aquilo a que, não raras vezes, se assiste, que são pais e professores de
costas voltadas”.
Pedro Biscaia, director da Escola Secundária Afonso Lopes Vieira,
em Leiria, avança que “os encarregados de educação são, por natureza, os clientes de um serviço
público educativo” e, como tal,
“os seus contributos devem ser
entendidos como essenciais à melhoria desse serviço”. Por isso, “todas as formas de facilitar e incentivar essa participação serão positivas”.
Para o director da escola, “toda
a participação dos encarregados
de educação tem sido, quase sempre, muito útil”. Pedro Biscaia lamenta que a presença dos pais na
escola “nem sempre seja mais assídua”. “O associativismo também aqui, como noutras áreas,
vive um momento de refluxo.
Também a precariedade laboral
não ajuda a essa intervenção cívica.”
Rafaela Azevedo destaca uma
boa definição dos papéis de cada
um dos agentes escolares, para
que não haja uma intromissão
mal-interpretada deteriorando as
relações. “Se cada um compreender qual o seu papel naquele processo educativo, os limites virão
naturalmente. É muito importante os pais perceberem que devem
intervir na escola até ao limite da
vida escolar do seu filho, sem
chegar aos 'saberes formais' e que
a escola deve intervir naquela família, tendo por objectivo uma
melhoria das questões de aprendizagem de determinado aluno,
até ao limite dos 'saberes formais'
sem chegar aos valores familiares.”
Da experiência que tem como
mediadora familiar, a especialista
revela que os principais problemas
que surgem entre escola e pais devem-se à “inversão das suas respectivas funções o que se reflecte de forma não saudável nos filhos”. Neste sentido, “não raras
vezes, a escola e a família caminham numa perspectiva de culpabilização do outro quanto à
“educação” de determinado aluno”.
8 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Entrevista
José da Silva Fabião Porque se comemora hoje (22 de Maio) o Dia da Cidade
de Leiria, o JORNAL DE LEIRIA foi ouvir uma das suas personalidades
incontornáveis, que acompanhou de perto os principais momentos da sua
história recente
“Enfrentei sempre
os tipos da Pide”
Graça Menitra
[email protected]
T Nasceu em Sismaria, Marrazes,
concelho de Leiria. O que recorda da
cidade da sua infância e juventude,
e que entretanto se perdeu? Locais,
pessoas?
Fui sempre estimado por toda a gente e tive sempre uma certa maneira
de ser (indicada pelo meu pai). Ele dizia-me: “para seres respeitado tens de
respeitar tudo e todos”. E eu segui
sempre essas directrizes. Quanto aos
locais, havia realmente alguns que
gostava de fotografar e que hoje já
não existem. Um era um arco numa
rua da zona histórica (não me lembro
o nome) que fotografei imenso porque era muito bonito. Como deixou
de existir, pronto, ficou só a memória e a fotografia. É a evolução natural da vida.
Depois de 75 anos a fotografar, não
tem saudades da objectiva?
Nem máquina tenho aqui no lar para
poder fotografar. Acabou, acabou...
Os anos já pesam muito. Mas ainda
leio todos os dias o jornal e vejo as notícias na televisão, assim como alguns
programas ligados à natureza e outros
que me interessem. Tenho de passar
o tempo de alguma maneira. Só tenho pena de já não conduzir. Depois
de fazer 92 anos, recusaram-se a entregar-me a carta de condução. Eu tenho a noção exacta de saber conduzir mas se pensam assim, tenho de
aceitar. Nunca tive um acidente,
com excepção de um tipo que veio
contra mim e me amachucou o carro à frente. Gostava muito de conduzir, de dar as minhas voltinhas, sozinho, e sobretudo de ir até à praia.
Adoro praia. Não foi por acaso que fiz
uma casa no Pedrógão, em 1964. Na
altura, custou-me 300 contos. Já tenho alguma dificuldade em andar,
porque a minha perna esquerda é
uma marota (já nasceu assim: é mais
curta dois centímetros e mais fina que
outra. De resto tenho uma saúde impecável. Faço uma alimentação vulgar e como de tudo um pouco. Mas todos os dias de manhã faço ginástica.
Até porque foi um desportista e chegou a receber algumas distinções. Esteve igualmente ligado à fundação da
União Desportiva de Leiria e de outros
clubes...
Sim, sim, fui medalhado quando era
jogador de basquetebol no Leiria Ginásio Clube. Comecei a jogar aos 15
anos e só terminei depois dos 20 e tal,
pouco antes de casar. A vida familiar
e o trabalho já não me deixavam
grande tempo livre. Mas ainda fui dirigente durante uns anos do Leiria Ginásio, do Grémio Literário e Recreativo e também do Ateneu. Quanto à
União Desportiva de Leiria fui um dos
seus sócios fundadores. Assim como
do Benfica. Ainda hoje sou sócio e
também fui condecorado, em Lisboa, com uma medalha por ser um
dos sócios mais antigos.
A sua primeira máquina, assim com
todo o seu espólio de décadas de
profissão, está à guarda do Museu da
Imagem em Movimento (Mimo).
Como foi desprender-se de todo este
material que marcou a sua vida?
Não me custou nada tomar essa decisão. Vim para o lar e não ia vender
as máquinas a este e àquele. Tinha um
laboratório completo e com as melhores máquinas, e por isso decidi oferecer esse espólio à Câmara Municipal de Leiria. Os meus filhos concordaram que o fizesse. Deste modo, o
meu nome não ficará esquecido. E se
tiver saudades, posso sempre lá ir ver.
A 10 de Outubro de 2006, o Ministério da Cultura prestou-lhe uma homenagem pública, concedendo-lhe
aMedalha de Mérito Cultural, em reconhecimento pelo “inestimável trabalho de uma vida dedicada à fotografia e à imagem em Portugal, ao
longo de mais de 60 anos”. Ficou surpreendido?
Fiquei. Fui chamado ao Governo Ci-
vil de Leiria e quando lá cheguei
apresentaram-me a senhora ministra.
Foi ela que me graduou. É sempre
bom que reconheçam o nosso trabalho, nas não eram as medalhas que
me moviam. Sempre fui uma pessoa
modesta, felizmente. Mais tarde, a Câmara Municipal de Leiria, atribuiu-me também a Medalha de Prata da
Cidade.
Como fotojornalista, alguma vez
teve medo ou sentiu a sua integridade física ameaçada?
Nunca tive medo. Mas fui ameaçado.
A Pide perseguiu-me muito. Chegaram a ir a minha casa e mandarem-me imediatamente acompanhá-los
Em destaque
Aos 93 anos, José
Fabião continua
afável, lúcido e
independente.
Viúvo, vive numa
residencial de
idosos e apesar de
ter colocado as
objectivas de lado,
o seu olhar traça,
na hora, o melhor
perfil do rosto de
quem consigo
fala. Ossos do
ofício!!!
até ao meu estúdio. Respondia que
não, porque primeiro tinha que jantar com a família. A Pide não gostava
de algumas fotografias que eu fazia e
que saiam nos jornais. Eu fotografava sempre, por exemplo, as comemorações do 5 de Outubro com os republicanos. Porque eu também era republicano. Esse dia era sempre festejado com vivas à República. A Pide
pedia-me as fotografias do Dr. Vasco
da Gama, do Dr. Serafim e mais deste e daquele. Queriam apreendê-las.
Respondia que não as arranjava, dizendo que só o meu funcionário de laboratório é que fazia e sabia dessas fotografias. Mas eles mandavam lá ir
buscá-las no dia seguinte. Mas pagavam-nas. Eu não dava as fotografais
sem dinheiro.
Chegou a ser preso pela Pide?
Não, nunca cheguei a ser preso mas
também ninguém podia comandar o
meu trabalho. Na altura, morava em
frente ao antigo quartel, junto ao
castelo de Leiria. E muitas vezes
quando passava em frente à Polícia,
chamavam-me para me informar
que dia tal haveria uma reunião no
Hotel Central e que eu teria de lá ir fazer as fotografias. Estavam os tipos da
Pide, o Comandante da Polícia e o Comandante do Regimento. Respondialhes: “se os senhores me obrigarem ir
lá fotografar, eu vou. Mas não vou de
livre vontade”. E o Bessa, que era o
comissário, voltou-se para o tipo da
Pide e disse: “O Fabião tem razão, porque é uma pessoa muito estimada em
Leiria e isso não seria bom para ele”.
E recusei-me a ir. Outro dia, estava no
estúdio e tinha três clientes à espera.
Telefonaram-me da Pide para eu ir fazer umas fotografias ao Regimento na
Cruz da Areia. Disse que não ia mas
que mandava um funcionário. Levei
por esse trabalho 120 escudos. No outro dia, apareceram-me lá uns tipos da
Pide a perguntarem-me que direito tinha eu em cobrar dinheiro pelas fotos. Respondi que tinha o direito de
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 9
ENTREVISTA COM O APOIO DE:
RICARDO GRAÇA
Fotografia e desporto Homem de paixões
Alma sã em
Lutou dez anos
corpo são
José Fabião nasceu em Sismaria,
Marrazes, Leiria. Com 12 anos,
aprendeu a fotografar com um
seu tio avô e aos 19 iniciou abriu
o seu próprio estúdio no Bairro
dos Anjos. Foi dirigente distrital
do Sindicato dos Tipógrafos
Fotógrafos e Ofícios Correlativos
e correspondente da região para
os jornais Record, Diário de
Notícias, O Século e O Primeiro
de Janeiro. A ele se devem fotos
únicas e históricas de diversos
acontecimentos em Leiria, como
a passagem de Humberto
Delgado em campanha
presidencial, a visita do Papa
Paulo VI, o 25 de Abril, o PREC ou
o Verão Quente de 1975. A par da
profissão, foi atleta de
basquetebol e de ginástica no
Leiria Ginásio Clube, director do
Ateneu Desportivo de Leiria e do
Grémio Literário e Recreativo de
Leiria, entre outras actividades.
levar os preços que queria na minha
casa, de acordo com a tabela, que respeitava em todas as circunstâncias.
Viram a tabela e foram-se embora. Era
o que faltava eu ter medo. Estava em
minha casa e fazia o meu trabalho.
Recorda alguma reportagem que o
tenha marcado?
Trabalhava para diversos jornais nacionais e recordo, por exemplo, a reportagem que fiz quando a Senhora
de Fátima visitou Leiria. Também fotografei os presidentes da República
que visitaram Leiria. Comecei pelo
General Franco e pelo Haile Selassie,
da Etiópia. Mas fiz milhares de outras
reportagens. Casamentos então, era
todos os fins de semana. E também
trabalhei para o Record na área desportiva.
Tem pena que a empresa Fabião se
tenha extinguido?
Não, porque o Fabião era eu e por
isso a empresa terminou comigo.
Nunca obriguei os meus filhos a trabalhar na fotografia. Eles estudaram e seguiram a sua vida. Mais
tarde, o meu filho mais velho é que
optou por trabalhar comigo. Mas
sim, o Fabião era um referência não
só na cidade como na região. Toda a
gente conhecia o Fabião. Há alguma
casa nos arredores de Leiria que não
tenha fotografias do Fabião? Ainda
hoje quando vou a qualquer lado todos me reconhecem: “Olha o Fabião,
o fotógrafo que fez o meu casamento, isto e aquilo”. É sempre muito
agradável de ouvir. Foram muitos
anos e por isso são milhares e milhares de películas.
Já é avô e bisavô. Acha que alguns dos
seus descendentes vai ter queda
para a fotografia?
Não faço ideia. Mas obrigar não.
Cada um tem é de fazer aquilo
que gosta. E hoje é diferente de antigamente, em que tínhamos de fazer o que os pais mandavam. Hoje
um filho vai crescendo, estuda e
segue a sua vida.
para casar
T A par da fotografia, teve uma
outra grande paixão...
Sim. E só casei com 27 anos porque não me deixaram casar mais
cedo. Comecei a gostar da minha
mulher quando tinha 15 anos.
Não me deixavam namorá-la porque ela era uma menina diferente. Ia agora casar com um fotógrafo? Os pais diziam que eu
era maroto e que andava sempre
em bailes. E lá isso é verdade,
porque adorava dançar. Mas fui
insistente e acabei por casar, com
a ajuda de uma tia dela, que também era minha madrinha de baptismo. Ela é que fez pressão junto dos pais da minha mulher:
“deixem namorar a Quinita com
o Fabião. Ela só gosta do Fabião
e não quer mais nenhum”. E foi
assim... uma luta de dez anos
mas que valeu a pena porque
casei com a mulher de quem
sempre gostei. Alguns amigos
diziam-me: “Ó Fabião não te
compreendo. Conheces raparigas lindíssimas...”. Eu respondia: “Não sei porquê. Ela não é
bonita mas eu gosto dela...”.
Fotografava em estúdio mas
também era fotojornalista. Qual
a modalidade de que gostava
mais?
Gostava mais do estúdio. Adorava estudar o perfil das pessoas
para as poder fotografar do melhor ângulo. É que todos temos
uma face mais perfeita que outra
(tem que ver para o lado que se
dorme). Aprendi isto pela minha maneira de ver e observar.
Fui sempre um bocado exigente
na minha profissão. Um dia, na
Alemanha, estava a ver um fotógrafo francês a fotografar uma
modelo. Decidi entrar em acção
e dizer ao tipo que ele não sabia
distribuir as luzes para as caras
das manequins. Avancei e disse
que gostava de a fotografar. Comecei a distribuir a luz à minha
maneira e a mostrar que as fotos
que ele tinha feito tinham uma
chapa branca nos cabelos da
modelo. O fotógrafo aceitou e
agradeceu a minha intervenção.
Era realmente muito exigente
com o meu trabalho. Evolui muito porque fui a muitos congressos, através da Kodak e da Afga.
Fui três vezes à Exposição Internacional de Fotografia de Colónia,
Alemanha, onde aprendi bastante. Eram oito dias de muita
aprendizagem. Não me dava ao
trabalho de andar a passear aqui
ou acolá. Dedicava-me, isso sim,
a ver como se trabalhava. Conheci bastantes e bons fotógrafos
nas havia um do Porto, Teófilo
Rego, que era um verdadeiro
mestre. Era ele que me telefonava para saber se eu queria ia à feira de Colónia com ele.
10 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Sociedade
Desemprego torna Norte do
distrito mais dependente de RSI
Carência Sem emprego nem jovens, os concelhos a Norte do distrito de Leiria
são aqueles onde há maior número de beneficiários de Rendimento Social de
Inserção (RSI) por habitante
Daniela Franco Sousa
[email protected]
Situados no Interior, Figueiró
dos Vinhos, Castanheira de Pera e
Pedrógão Grande estão entre os
concelhos do distrito de Leiria com
maior número de beneficiários de
Rendimento Social de Inserção (RSI)
por população residente. Convidados a comentar os dados disponibilizados pelo portal da Pordata,
responsáveis por instituições de
solidariedade justificam o aumento da carência com a subida do desemprego e, nalguns municípios,
com a população envelhecida, muito penalizada com o aumento do
custo de vida.
Em 2003, em Figueiró dos Vinhos, 3,7% da população beneficiava de Rendimento Mínimo Garantido (RMG), programa de apoio
que viria a denominar-se RSI. Já em
2012, o concelho viu aumentar a
percentagem de beneficiários de
RSI para 6,7% dos residentes.
Se forem considerados os Censos
de 2011, que registavam como população residente em Figueiró dos
Vinhos apenas 6148 pessoas, significa que em 2012, entre estes munícipes, mais de 400 dependiam
desta ajuda. De salientar também o
aumento de beneficiários de RSI em
Castanheira de Pera, que passaram
de 3,6% para 4,7% da população, e
em Pedrógão Grande, onde subiram
de 1,6% para 3,5%.
Fernando Conceição, provedor
da Santa Casa da Misericórdia de Figueiró dos Vinhos, explica que o seu
concelho é “relativamente pobre e
envelhecido, e tem falta de emprego”. De acordo com o responsável,
nos últimos anos, a população foi
penalizada com o encerramento de
empresas, desde serrações a negócios de recauchutagem e confecções, pelo que, presentemente, os
principais empregadores do concelho são a câmara, as escolas e a
Santa Casa.
Expressivo foi também o aumento dos beneficiários em concelhos habitualmente associados a
maior dinâmica sócio-económica,
como Leiria, Caldas da Rainha e Marinha Grande, onde o número de beneficiários de RSI triplicou. A Marinha Grande, por exemplo, passou
de 1,3% de beneficiários de RMG,
em 2003, para 3,8% de beneficiários
de RSI por população residente,
em 2012.
Para Joaquim João Pereira, pro-
Beneficiários do RMG e do RSI
em % da população residente
1,5
1,7
Alcobaça
2003
1,8
Alvaiázere
2,6
2,5
Ansião
2,8
1,1
1,1
Batalha
1,5
Bombarral
Caldas
da Rainha
2,4
0,7
2,2
Castanheira
de Pera
3,6
4,7
3,7
Figueiró
dos Vinhos
Leiria
6,7
0,9
2,7
1,3
Marinha Grande
3,8
2,5
2,5
Nazaré
Óbidos
Pedrógão Grande
1,0
1,8
Média em Portugal
Continental
1,6
3,5
3,2
Peniche
Pombal
Porto de Mós
2012
4,1 4,5
2,7
1,8
1,8
2003
2012
1,9
2,4
O Rendimento Social de Inserção (RSI) teve antes a designação de Rendimento Mínimo Garantido (RMG) Fonte: Pordata.
Com ligeira quebra de 0,5%
Peniche foi o único concelho onde
baixaram os beneficiários
Emídio Barradas é provedor da
Santa Casa da Misericórdia de
Peniche, o único concelho do
distrito onde, segundo a
Pordata, o número de
beneficiários de RSI (antes RMG)
baixou de 3,2%, em 2003, para
2,7%, em 2012. Os números são
novidade para o provedor, que
prefere ser “cauteloso” em
relação a qualquer dado não
oficial difundido em período de
campanha eleitoral. Além disso,
tanto quanto sabe, “houve
alteração no programa e nos
critérios de apoio” pelo que em
causa estão dados
“incomparáveis”. No terreno, o
provedor não tem observado
RICARDO GRAÇA
grande mudança. Aliás, refere
que as cantinas sociais
continuam a lotadas, reflexo de
que continua a existir carência..
vedor da Santa Casa da Misericórdia da Marinha Grande, este aumento deve-se ao desemprego. Se
a juventude vai estando bem, de
forma geral, o mesmo não se pode
afirmar em relação a pessoas com
mais de 45 anos, para quem é muito difícil conseguir oportunidades
de trabalho nas empresas de moldes, vidros e plásticos, expõe o
provedor.
Para Ana Patrícia Nobre, directora
da Associação Novo Olhar II, a justificação passa pelo desemprego,
que afecta a população mais velha
e também os mais novos, alguns
dos quais com formação superior.
Neste concelho, entre os jovens
desempregados, contam-se também cidadãos imigrantes. Alguns
deles perderam os seus empregos
e na realidade, observa a directora,
nunca chegaram a ter contratos
formais de trabalho. Além disso, defende, os números espelham ainda
o aumento do custo de vida, uma
realidade que atinge desempregados e não só.
A autarquia diz que “está atenta
e procura dar resposta a todas as necessidades e carências económicas
neste período de crise social, que
também afecta a população da Marinha Grande”. “Todas as situações sinalizadas e todos os pedidos
que recebemos são devidamente
tratados e merecem o apoio camarário”, informa ainda. “A câmara
não conhece todas as situações dos
beneficiários do RSI, pelo que não
pode formular um juízo geral sobre
a sua dimensão. Uma avaliação séria e rigorosa depende da análise
concreta da situação de todos os beneficiários, designadamente do
respectivo percurso profissional”,
frisa o município, para quem “os
números indicados não obscurecem a pujança económica do concelho, que se reflecte por exemplo
na baixa taxa de desemprego registada”.
Será de salientar que, apesar da
subida do número de beneficiários no distrito de Leiria, à excepção
de Figueiró dos Vinhos e de Castanheira de Pera, os restantes concelhos deste território apresentam,
mesmo assim, números inferiores
à média registada em Portugal Continental, que em 2012 era de 4,5%
da população.
Até ao fecho da edição não foi
possível ouvir a Câmara da Figueiró dos Vinhos, também convidada
a comentar os dados.
Faltam passeios
e passadeiras
Cortes
pede mais
segurança
na EN356-2
Circular a pé junto à EN356-2 na
zona das Cortes, concelho de
Leiria, é uma “verdadeira aventura”. Face à falta de passeios e
à obstrução das bermas com vegetação, os peões vêem-se obrigados a circular no alcatrão,
numa estrada classificada como
nacional, mas que, no centro da
povoação, não tem qualquer passadeira.
Nuno Amaro, que reside numa
urbanização construída recentemente, frisa que se trata da
uma via “bastante movimentada”, onde “a generalidade dos
automobilistas” não respeita os
limites de velocidade. “Atravessar a estrada, para ir ao centro
das Cortes, é um caos”, afirma o
morador, que, em 2012, solicitou
à Estradas de Portugal (EP) a colocação de uma passadeira. “Disseram que não era possível, por
motivos técnicos, nomeadamente, pelo facto de não haver
passeios”, conta.
Célia Marques, outra moradora, frisa a preocupação com a
circulação das crianças. “Têm
de andar pela estrada e atravessar sem qualquer segurança”,
sublinha, referindo que, quando
o seu filho começou a ir sozinho
para a escola, acompanhava-o
sempre até ele passar para o outro lado da estrada. José Cunha,
presidente da União de Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e
Cortes, diz partilhar as preocupações dos moradores, assegurando que já as fez chegar à câmara e à EP”. Mas, admite que a
resolução do problema “fique
em stand by”, até à conclusão da
negociação entre o município e a
EP para a desclassificação da estrada. MAS
Problema foi comunicado
à autarquia
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 11
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Sociedade
GNR e PSP percorrem terrenos rústicos
Mais de 2000
infracções detectadas
em Leiria e Pombal
Elisabete Cruz
[email protected]
TMais de duas mil infracções foram detectadas nos concelhos de Leiria e
Pombal pelas forças de segurança, no
âmbito das acções de fiscalização e sensibilização para a limpeza dos terrenos
rústicos, de modo a evitar a propagação de incêndios florestais. Os números podem ainda subir, uma vez que
agentes e militares continuam no terreno.
Rui Teixeira, comandante do GIPS
sediado em Alvados (grupo que está
responsável pelo concelho de Leiria),
revelou que já foram fiscalizados
58.703 prédios rústicos, tendo sido
detectadas 1.374 infracções nas freguesias de Cortes, Maceira, Caranguejeira, Santa Catarina da Serra e
Chainça, Santa Eufémia e Boa Vista.
Além da preocupação de sensibilização para a limpeza, com o objectivo
de diminuir a área ardida, Rui Teixeira explica que a GNR alerta também as
populações para o risco de deposição
irregular de resíduos industriais e domésticos, abandono e queima de
pneus, queima de resíduos domésticos, poços sem cobertura e veículos em
fim de vida. O comandante disse ainda que só estão a contabilizar a propriedade privada: "Se juntarmos aqui
as áreas protegidas e das competências
da Estradas de Portugal, estradas concessionadas, da rede eléctrica nacional,
então deveríamos ficar muito aflitos".
Para aquele responsável, as infracções devem-se, sobretudo, "à falta de
fiscalização". "Somos um país em que
as pessoas têm necessidade de serem
fiscalizadas para cumprirem. Podese juntar ainda a falta de sensibilidade
das pessoas", frisa.
Rui Teixeira lembra que, "até mea-
Os números
1.374
infracções foram detectadas pelos
GIPS no concelho de Leiria. O
número poderá subir, uma vez que
ainda há freguesias que não foram
alvo da acção de sensibilização
671
infracções foram registadas até ao
momento pelos GIPS e PSP de
Pombal. As acções de fiscalização
ainda decorrem em Abiul, e nas
localidades de Santiago de Litém e
S. Simão de Litém
dos de 1990", as pessoas "faziam a gestão de combustível, porque tinham necessidade de utilizar os sobrantes da
sua exploração para aquecer as suas casas ou para a agricultura". Com a tecnologia, "esse combustível deixou de
ser usado e foram negligenciando
aquilo que é a propriedade rústica".
"Mais vale prevenir do que remediar": as palavras são do presidente da
Câmara de Leiria, Raul Castro, que avisou que não terá contemplações para
com os infractores. "Depois da primeira
sensibilização, vamos fiscalizar quem
continua em incumprimento e vamos aplicar as coimas previstas na lei.
Se calhar, nem nós ficamos pelos mínimos", salientou.
A acção dos GIPS tem duas fases:
"identificação de todas as situações irregulares" e, posteriormente, "um levantamento dos respetivos autos de
contra-ordenação nas situações que
não forem corrigidas".
Pombal apela à limpeza
voluntária
No município de Pombal, a vereadora Catarina Silva revela que os GIPS e
a PSP do concelho, que também estão
no terreno a promover uma campanha
de sensibilização junto das populações
para a limpeza e conservação das suas
propriedades, “registam, até ao momento, 671 infracções, das quais 48 resultaram na limpeza voluntária dos terrenos identificados (7,15% do total)”.
No total, estas duas forças policiais
“identificaram 38 infractores e 42 proprietários lesados”.
Contudo, “com as acções de fiscalização ainda a decorrer, o número de infracções já ultrapassou as mil”, sendo
que, “com algumas freguesias ainda
por fechar, os resultados apresentados
são ainda preliminares”.
Na freguesia da Redinha as forças de
segurança detectaram inicialmente
167 infracções, em que 13 terrenos foram limpos voluntariamente, 7,78% de
cumprimento voluntário. Na Pelariga
foram assinaladas inicialmente 141
infracções, tendo-se registado seis
limpezas voluntárias das propriedades,
o que corresponde a 4,25%.
“As acções de fiscalização ainda decorrem na freguesia de Abiul, e nas localidades de Santiago de Litém e S. Simão de Litém, pelo que até ao fim das
acções em curso os números deverão
sofrer alterações”, lembra a vereadora. Rui Teixeira entende que “se estas
acções de fiscalização se desmultiplicarem pelas 3881 freguesias do país, ao
fim do terceiro ano, as pessoas vão ser
mais responsáveis e perceber que,
como têm um tempo para plantar e um
tempo para colher, também vão ter um
tempo para fazer a gestão de combustível”.
12 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Sociedade
Leiria homenageia uma empresa e oito personalidades
Figuras empreendedoras e solidárias
distinguidas no Dia da Cidade
ARQUIVO/JL
Daniela Franco Sousa
[email protected]
T Leiria comemora hoje o Dia da Cidade, com a habitual homenagem
a instituições e personalidades
que, das mais diversas formas, têm
contribuído para o desenvolvimento do concelho. Este ano, o
município escolheu uma instituição e oito figuras de Leiria que
partilham valores como o empreendedorismo, a solidariedade e
a cultura.
De acordo com a autarquia, a
Roca (na foto central) será a empresa distinguida com a medalha
de ouro, “pelo seu exemplo de
empreendedorismo, produção sustentável e responsabilidade social”.
Entre as personalidades distinguidas com medalha de prata contam-se Gabriel Oliveira, fundador
do Grupo Valco (que recebe a distinção a título póstumo), também
João Morais, médico, Maria Luísa
dos Santos, professora aposentada,
e Maria Natalina da Fonseca, freira dedicada ao ensino.
Quanto às personalidades agraciadas com medalha de bronze,
são este ano o jornalista Adélio
Amaro e o jornalista Joaquim Santos, o capitão José Lourenço Faria,
e também Manuel Sousa, vice-presidente da Direcção da Delegação
Distrital de Leiria da Associação
Portuguesa de Deficientes.
A cerimónia solene será realiza-
Ex-presidente
da Junta de
Freguesia da
Caranguejeira e
fundador do
Grupo Valco
recebe a
distinção (a
título póstumo)
“pelo seu
carácter
empreendedor,
exemplar
percurso
empresarial e
ao nível do
associativismo.
João
Morais
Cardiologista
do Centro
Hospitalar de
Leiria,
“tem-se
notabilizado
pela adopção
de técnicas
clínicas de
vanguarda,
que
contribuem
para uma
prestação
exímia de
cuidados de
saúde”.
Os vereadores do PSD na Câmara de
Leiria propuseram, na última
reunião de executivo, uma
campanha de sensibilização para a
promoção da higiene pública na
cidade, com Álvaro Madureira a
chamar a atenção para o facto de os
passeios e espaços ajardinados se
encontrarem “bastante conspurcados com dejectos animais”. Os
sociais-democratas defendem ainda
um reforço da iluminação em
alguns pontos da cidade,
nomeadamente na zona do Polis.
Marinha Câmara apela
à população para
combater vandalismo
“Alguns jardins, floreiras e espaços
públicos da Marinha Grande têm
sido vandalizados, provocando
elevados custos para a câmara, que
repudia estes actos e apela à
vigilância da população”. A
mensagem partiu da autarquia,
depois do último caso, que ocorreu
na semana passada no jardim da
Avenida da Liberdade, espaço que
circunda o cemitério e que foi alvo
de recente arranjo paisagístico.
Município destaca responsabilidades da Roca
da no Teatro José Lúcio da Silva, a
partir das 10:30 horas, onde serão
também distinguidos todos os funcionários do Município de Leiria
com mais de 25 anos no activo. Esta
cerimónia conta ainda com as intervenções do presidente da Assembleia Municipal, José Manuel
Silva, e do presidente da autarquia, Raul Castro. Quanto ao mo-
mento musical estará a cargo do
grupo coral AdesbaChorus.
Já o final da cerimónia contará
com a intervenção de Fernando
Santo, ex-secretário de Estado da
Justiça e ex-bastonário da Ordem
dos Engenheiros, que dissertará
sobre Desafios do Futuro, o novo
conceito de reabilitação urbana
como factor de desenvolvimento.
O dia será marcado por espectáculos e actividades em vários pontos da cidade, sendo que “o ponto
alto tem lugar pelas 23 horas com
a actuação dos leirienses Silence 4,
no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, num reencontro carregado de simbolismo com Leiria e
a sua população”, adianta a autarquia.
Adélio
Amaro
José Lourenço
Faria
Os homenageados
Gabriel de
Jesus Oliveira
Leiria Vereadores
do PSD pedem mais
higiene pública
Maria Luísa
dos Santos
Destaca-se a
intervenção
cívica desta
antiga
professora e
ex-presidente
da Junta da
Chainça, “pelo
notável
percurso
profissional,
na formação
das nossas
crianças, pela
total entrega e
dedicação ao
próximo”.
Maria Natalina
Fonseca
Conhecida
como Irmã
Manuel “é
homenageada
pelo notável
desempenho
de mais de
quatro décadas
na direcção do
Colégio de
Nossa Senhora
de Fátima, com
total
dedicação ao
serviço do
ensino”.
Premiado
“pelo seu
percurso
profissional,
onde se
destaca o
jornalismo, a
fotografia, a
pintura, a
investigação
histórica e
percurso
enquanto
editor”.
Joaquim
Santos
O jornalista é
“homenageado
pelo seu papel
na divulgação
da cultura
leiriense, pelo
trabalho
meritório de
investigador e
enquanto
dinamizador
da freguesia
de Colmeias”.
Distinguido
pelo “percurso
profissional de
excelência na
área militar, na
escrita e na
intervenção
cívica”, seja no
Hóquei Clube
de Leiria, na
Associação de
Patinagem de
Leiria ou na
Filarmónica
das Chãs.
Manuel
Sousa
Vice-Presidente
da Direcção da
Delegação
Distrital de
Leiria da
Associação
Portuguesa de
Deficientes é
homenageado
pelo
“brilhantismo
da sua carreira
desportiva e
pela defesa da
inclusão”.
Vieira de Leiria
Incêndio faz
dois desalojados
Um incêndio numa habitação em
Vieira de Leiria, no concelho da
Marinha Grande, provocou no
domingo à noite dois
desalojados, informou à Lusa
fonte dos Bombeiros Voluntários
de Vieira de Leiria, que enviaram
para o local cinco viaturas e 16
elementos. O incêndio foi
extinto, mas foi depois
necessário proceder à ventilação
do imóvel, pelo que os
moradores ficaram em casa de
amigos, adiantou a mesma fonte.
S. Pedro de Moel
Abertas inscrições
para campos de férias
A Câmara Municipal da Marinha
Grande vai abrir as inscrições
para a participação de crianças e
jovens nas colónias de férias na
Casa Afonso Lopes Vieira, em
São Pedro de Moel, iniciativa a
decorrer entre 7 de Julho e 31 de
Agosto. As inscrições poderão ser
realizadas nos dias 27, 28 e 30 de
Maio, entre as 9 e as 16 horas, na
recepção do Arquivo Municipal,
junto à Biblioteca Municipal, no
Núcleo Stephens.
Sociedade
Espaço foi inaugurado há dois anos, mas quase nunca funcionou em pleno
Avaria fecha Centro de Interpretação
do Mosteiro da Batalha
RICARDO GRAÇA
Maria Anabela Silva
[email protected]
T Em Março de 2012, o então secretário de Estado da Cultura,
Francisco José Viegas, inaugurava
o Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha, instalado na antiga adega dos frades dominicanos
e que custou mais de 700 mil euros. No entanto, durante estes
dois anos, sofreu sucessivas avarias. A mais recente, aconteceu
em Fevereiro, quando cerca de
80% dos dispositivos deixaram
de funcionar, o que levou os responsáveis do mosteiro a fechar o
espaço por tempo indeterminado.
Segundo Joaquim Ruivo, director do monumento, “as soluções
técnicas para a resolução dos diversos problemas que têm afectado o funcionamento do centro
encontram-se em estudo/implementação, não sendo, de momento, possível avançar com uma
data concreta para a reabertura do
espaço”.
O director explica que o sistema
de hardware, que controla os automatismos e os produtos multimédia, “é muito complexo” e,
desde cedo, apresentou alguns
problemas de funcionamento.
“Quando as avarias são pontuais
não se justifica encerrar o centro.
O seu fecho só acontece quando
vários componentes multimédia
são afectados ao mesmo tempo,
impedindo uma clara leitura dos
conteúdos expositivos [o que
aconteceu em Fevereiro]”, acrescenta Joaquim Ruivo.
A solução deverá passar pela
Legenda da foto
O número
700
mil euros foi o investimento
feito na criação do Centro de
Interpretação do Mosteiro da
Batalha, financiada pelo QREN,
no âmbito da Rota dos Mosteiros
Património da Humanidade
“reconversão” do sistema de
hardware e de software,“simplificando os automatismos, por
exemplo”, adianta o director do
mosteiro, frisando que essa intervenção “acarretará alguns custos, que estão a ser devidamente
equacionados”.
O Centro de Interpretação está
integrado no circuito de visita do
mosteiro e pretende proporcionar
“um novo olhar” sobre o monumento, possibilitando aos visitantes uma melhor compreensão
dos seus espaços, da sua evolução
construtiva e da sua contextualização histórica e simbólica. Uma
das atracções do espaço é a projecção em 3D das fases da construção do mosteiro ao longo dos
séculos. O território e a paisagem
envolvente, a Batalha de Aljubarrota, a doação do mosteiro aos frades dominicanos, a vida em convento e o seus restauro a partir de
1840 constituem outros dos temas
abordados pelo centro de interpretação.
Câmara de Perdrógão Grande celebra contrato com ETPZP
Escolas primárias viram residência para estudantes
T Duas escolas do 1.º ciclo de Pedrógão
Grande, no Norte do distrito de Leiria,
desactivadas há três anos, vão reabrir
em Setembro como residência de estudantes da Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal (ETPZP).
João Marques, director-geral da escola profissional, disse à Lusa que as
duas residências vão ter capacidade
para um total de 25 alunos, sendo a
prioridade no alojamento dada aos
estudantes deslocados de países africanos de língua oficial portuguesa
(PALOP), aos que residam a mais de 50
quilómetros de Pedrógão Grande ou
aos que sejam oriundos de zonas onde
não estejam assegurados transportes
públicos.
Para este efeito, foi celebrado um
DR
Iniciativa mantém empregos em zona de Interior
contrato de comodato entre a ETPZP
e Câmara de Pedrógão Grande, que
também colaborou nas obras de adaptação dos dois imóveis, orçadas em
cerca de 100 mil euros. O responsável
pela escola justificou o investimento
com o facto de o Estado ter deixado de
financiar os alunos oriundos dos PALOP, o que se torna “muito difícil em
zonas despovoadas e em zonas de baixa densidade demográfica, como é o
caso de Pedrógão Grande”, onde é
complicado conseguir 26 alunos para
abrir uma turma. Esta foi a forma encontrada para manter postos de trabalho, de pessoal docente e não docente, e de garantir este tipo de oferta formativa no concelho, sublinhou o
director.
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Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 13
14 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Sociedade
Motoristas com dificuldade de controlar bilhetes e bagagens
Passageiros queixam-se de insegurança na gare de Leiria
Elisabete Cruz
[email protected]
T Vários furtos têm sido registados
na gare da rodoviária de Leiria. Os
passageiros colocam as malas na
bagageira do autocarro da rede expressos e entram no veículo. As portas da bagageira ficam abertas até à
entrada da totalidade dos passageiros. Durante esse tempo, é fácil retirar as malas e desaparecer quase
sem deixar rasto. Foi precisamente
isto que sucedeu a uma jovem universitária.
“Entrou no autocarro, que só parou
em Coimbra. Quando foi para retirar
a mala ela não estava lá”, conta a mãe
M. J. Ao apresentar reclamação pelo
facto, na rodoviária de Coimbra, foram informadas de que “são comuns
furtos de malas em Leiria”.
Com o objectivo de tranquilizar a
filha, M.J. passou a acompanhá-la ao
terminal rodoviário em Leiria. “Fiquei chocada com o que vi. É mesmo
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assustador. Junto aos autocarros
permanecem umas pessoas com ar
esquisito. A sua presença é muito
desconfortável e gera muita insegurança a quem lá está.”
Levar a mala para o autocarro é
proibido, pelo que os passageiros
não têm outra solução que não arriscar a sua sorte. “Não há polícia no
local, nem, qualquer agente de segurança que afastasse aquelas pessoas da zona. Talvez devessem colocar uma cancela, que permitisse a
entrada para a zona da garagem apenas aos portadores de bilhete, um
pouco à semelhança do que sucede
nos aeroportos”, sugere M.J.
Por outro lado, quando os autocarros fazem paragens em vários
pontos do percurso “é fácil para
quem sai ou para quem está na garagem levar malas de outros passageiros, intencionalmente ou não”, refere Adriana S.
“Eu tento ficar sempre do lado
onde coloquei a minha mala para
ARQUIVO/JL
Furtos preocupam utilizadores
tentar controlar, o que nem sempre
é possível, porque há lugares marcados”, acrescenta.
Joana C. também é frequentadora
da gare de Leiria e confessa que se
sente “insegura”, devido à presença
“de algumas pessoas com ar estranho
que andam por lá a rondar”. A jovem
acrescenta que tem “cuidado com a
mala” para evitar ser assaltada.
De acordo com informação da
PSP, foram registadas três ocorrências por furto nas instalações da rodoviária nacional, das quais duas durante o mês de Fevereiro e uma em
Março deste ano. “Apenas foi apresentada denúncia pelo furto de uma
mala de viagem, estando o processo em fase de inquérito. Os restantes
dois casos reportam-se ao furto de
carteiras, em que num caso o lesado
se esqueceu do objecto em cima do
balcão do café ali existente. No outro caso tratou-se de uma carteira de
um dos motorista que veio, à posteriori, a ser recuperada num autocarro
por um outro motorista”, acrescenta a PSP.
Esta força policial refere ainda estar a “acompanhar a situação, tendo
adotado as adequadas medidas visando evitar o cometimento deste
tipo de ilícitos”.
O JORNAL DE LEIRIA tentou contactar a rede expressos via telefone e
email, mas nunca obteve resposta.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 15
Sociedade Saúde
2.º Educar na Diabetes em Monte Real
Durante o próximo fim-de-semana realiza-se o
encontro Educar na Diabetes, no Palace Hotel Monte
Real, destinado a profissionais de saúde que visa a
partilha de experiências e ideias sobre a prevenção da
Diabetes – e complicações associadas – por via da
educação terapêutica.
Sintomas ainda são desvalorizados por alguns médicos
Fibromialgia: a doença que se sente
mas não se vê
DR
Elisabete Cruz
[email protected]
T Para quem sente são dores insuportáveis. Para quem não vê, as
queixas são falsas e de “preguiçosos”. A fibromialgia é uma doença
crónica, que provoca dores, mas
não é visível a quem olha, nem é
perceptível em exames médicos.
No dia 12 de Maio, assinalou-se o
Dia Mundial da Fibromialgia. Joana Vicente, 24 anos, residente em
S. Martinho do Porto, criou o grupo Jovens Portadores de Fibromialgia para ajudar a dar resposta
às perguntas que muitos doentes
sentem, sobretudo, no início da
doença.
“Sempre que procurava informação percebia que havia pouca
coisa em português. Pensei, por
que não traduzir artigos e publicações para ajudar outras pessoas?”,
revela ao JORNAL DE LEIRIA.
Desde os 11 anos que sofre com
dores, mas a fibromialgia só foi
diagnosticada com 17 anos. Durante vários anos ouviu dizerem-lhe que era “tudo da cabeça” e “o
problema era ser preguiçosa”. “Tinha dores numa das pernas e, por
vezes, ficava sem andar. Andei de
médico em médico. Mas só quando consultei um neurologista foi
detectada a doença”, conta, referindo que a fadiga extrema e as dores por todo o corpo impediamna de ir à escola.
Joana Vicente lamenta a hostilização a que é, muitas vezes, alvo,
até por parte de alguns elementos
da família. “É frustrante. Já fui go-
A maioria dos casos são mulheres com idades entre os 30 e os 50 anos
O número
2%
De acordo com o site da Associação
Portuguesa de Doentes com
Fibromialgia, entre 2 a 8% da
população adulta sofre de
fibromialgia.
zada por professores, que perguntavam se as minhas férias tinham
sido boas. Se partir um pé as pessoas vêem, como a dor não é visível...” A depressão é uma doença
que acaba por surgir nestes doentes, pelo que a jovem aconselha um
acompanhamento psicológico, porque “ajuda muito a encarar a doença” e a “melhorar a auto-estima”.
Fernando Morgado, neurologista no Hospital de Santa Maria, explica que a fibromialgia caracteri-
za-se por quatro sintomas nucleares. “Dores em todos os grupos
musculares, fadiga extrema, que
não é recuperável pelo repouso,
perturbações do sono, com muitos
acordares nocturnos, e problemas
emocionais.”
O médico acrescenta ainda que
existem cerca de 18 pontos que
quando pressionados desencadeiam uma dor intensa. “É uma
doença que levanta dúvidas, mesmo ao médico, que não sabe avaliar
os pontos dolorosos.” Segundo
Fernando Morgado, “o aspecto da
pessoa é normal” e “todos os exames e análises são normais”. A
reacção aos estímulos é que
é“anormal”.
Ao contrário do que, muitas vezes, se pensa, a fibromialgia “não
é uma doença reumatológica” e estes doentes têm “uma limiar de
resposta muito baixa à dor”, pois
têm uma “sensibilidade álgica
muita elevada”. “Pequenos estímulos em pessoas com fibromialgia dão a sensação de uma lesão
grave.”
Fernando Morgado explica que
“os receptores nevrálgicos podem
ser desencadeados em situações
de maior stress, mais cansaço ou
actividades mais intensas do diaa-dia”. A resposta do corpo “é uma
contratura e dor”.
O especialista defende que os
doentes sejam acompanhados por
um médico, que sirva de conselheiro de saúde, a quem podem entrar em contacto de imediato, de
forma a ajustar a medicação em situações de crises. Além disso,
aconselha a uma actividade física
moderada. “A imobilização é péssima. Não podem ficar muito tempo sentados ou em pé, porque
agrava”. A hidroterapia é das actividades de “excelência”.
A família e as pessoas que co-habitam com o doente “devem informa-se” sobre a doença, de
modo a “evitar os mal-entendidos.
que são também factores de agravamento da dor”, reforça Fernando Morgado.
José Carlos Gomes debate profissão nas Jornadas do Centro Hospitalar de Leiria
Não temos enfermeiros de mais, mas a menos
Daniela Franco Sousa
[email protected]
T A vaga de emigração dos nossos
jovens enfermeiros não se deve ao
excesso de licenciados nesta área
do saber, mas antes à qualidade
destes nossos profissionais, que é
cada vez mais reconhecida lá fora.
Resultado? Enquanto os nossos
enfermeiros são recrutados para
trabalhar no estrangeiro, em Portugal “a dotação dos serviços está
nalguns casos a roçar o grau do incomportável”.
Esta é uma das ideias a reter do
discurso de José Carlos Gomes,
presidente do Conselho Directivo
da Escola Superior de Saúde do
João Carlos Gomes
Instituto Politécnico de Leiria,
também presidente do Conselho
de Enfermagem da Ordem dos Enfermeiros, um dos oradores convidados nas Jornadas do Centro
Hospitalar de Leiria, que se realizaram entre quinta-feira e sextafeira.
De acordo com José Carlos Gomes, existem 90 milhões de enfermeiros no mundo, seis milhões de
enfermeiros na Europa e cerca de
64 mil enfermeiros em Portugal. Ou
seja, cerca de 12 enfermeiros por
cada mil habitantes, em termos
mundiais, também cerca de 12 enfermeiros por cada mil habitantes
na Europa, mas apenas 6,23 enfermeiros por cada mil portugueses. E
mais, estima-se que até 2020 a Europa vá precisar de pelos menos
mais um milhão de enfermeiros,
aponta José Carlos Gomes.
O que temos vindo a fazer por cá
não é formar enfermeiros para
acompanhar o crescimento das necessidades do País, mas a formar
enfermeiros para satisfazer as necessidades de outras paragens, critica o presidente.
José Carlos Gomes recordou elogios tecidos pela Organização
Mundial de Saúde aos enfermeiros
portugueses, “de qualidade reconhecida” e com capacidade para se
integrarem em sociedades com
outras filosofias, e referiu ainda o
interesse recentemente manifes-
tado pelos Emirados Árabes em
recrutar enfermeiros portugueses.“Não temos demasiados enfermeiros em Portugal. Só não estamos a aproveitar a mão-de-obra
qualificada no nosso País”, reforçou o responsável.
Uma das formas de valorizar a
profissão e os cuidados prestados
passa, do seu ponto de vista, pela
implementação do sistema de certificação de competências, que entre outras mudanças, introduziria
a figura do tutor dos recém-licenciados em enfermagem, com os
quais poderiam aprender em contexto de trabalho, durante cerca de
um ano, até puderem obter a cédula profissional definitiva.
16 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Sociedade Educação
Só com instrução, emprego e família
se geram “cidadãos válidos”
Visita D. Ximenes Belo apelOU aos alunos da Marinha Grande para que sejam “construtores da paz”,
cultivando o amor pelas comunidades lusófonas
JOANA CARRIÇO
Daniela Franco Sousa
[email protected]
T O Nobel da Paz, D. Carlos Ximenes
Belo, visitou na passada quinta-feira
a Escola Secundária Pinhal do Rei e o
Agrupamento de Escolas de Vieira de
Leiria, no concelho da Marinha Grande, onde brindou os alunos com palavras de incentivo e lembrou a estudantes, pais e professores que para ter
paz é preciso reunir bem mais condições do que aquelas que ditam os
acordos internacionais.
“Dêmos graças a Deus porque em
Portugal há paz. Não é um país como
a Ucrânia, a Síria ou o Bangladeche,
onde pessoas continuam a morrer,
onde as crianças não têm pão nem
têm livros”, dizia D. Ximenes Belo.
“Mas creio eu que é não suficiente”,
considerava o bispo emérito de Díli.
“Na Marinha Grande há paz? Dentro
das vossas casas há paz? Dentro de
cada um de vós há paz? Há tranquilidade? Há realização pessoal?”, perguntava D. Ximenes Belo.
Bispo de Díli recebido na Escola Secundária de Pinhal do Rei
“Quando ouvimos dizer que numa
cidade há crimes, que há violência doméstica, pais que batem nos filhos, filhos que desprezam os pais, não há
paz”, defendeu o bispo, para quem
esta palavra é mais profunda, “mais
exigente do que dizem os acordos internacionais”.
Para os jovens, que são “a alegria e
a esperança do mundo”, o Nobel pediu a Deus saúde e o dom da inteligência para levarem a bom porto
este ano lectivo. Desejou que entrem na faculdade, que encontrem
emprego e que constituam família,
porque “só assim se tornam cidadãos
válidos” para si mesmos e para o
mundo.
Aos estudantes, D. Ximenes Belo
pediu ainda que fossem “construtores da paz”, aceitando e cooperando com o outro, mantendo o
amor pelas comunidades lusófonas. “Que da Escola Secundária de
Pinhal do Rei saiam também candidatos ao Prémio Nobel da Paz”,
desejou o bispo.
Entrevistado pelos alunos, bispo emérito dá lição de história e de humildade
Nobel da Paz recorda tempos difíceis sem o apoio de Portugal
T Depois de se ter formado em
Portugal, que cenário encontrou
quando chegou a Timor?
Não havia liberdade. Estudei em
Portugal e quando regressei a Timor percorri 130 quilómetros de
Díli e uma outra localidade, sem estradas alcatroadas. Ao longo desse
percurso estavam 14 postos de
controlo, onde militares registavam todos os carros que por ali passavam. Queriam saber quem era,
de onde vinha e para onde ia. Vi
que não erapaís para uma pessoa
viver. Visitei aldeias onde a vida durava até às 15 horas, porque a partir desse momento os militares
voltavam para defender a aldeia de
infiltrações da resistência. Não se
falava de liberdade, não havia liberdade de reunião nem de expressão. Timor não era um país livre, era uma ilha-prisão. E era preciso rebentar com o cerco. Foram
24 anos bem difíceis. Mesmo hoje,
já com independência, há pessoas
a viver em palhotas, onde não há
medicamentos nem venda de pão.
Com quem contava quando era totalmente controlado?
Timor era meia ilha perdida no
Oceano Pacífico, de onde as nos-
Para ter coragem é
preciso ter cabeça
e intervir nos
momentos
próprios
D. Ximenes Belo
sas vozes não saiam, também devido ao controlo da comunicação social. Quando recebia telefonemas
da imprensa internacional dizia-lhes
'falai de nós! Porque quando pararem
estaremos todos mortos.' Isto servia
para alertar a comunicação social internacional. Eles foram os altifalantes do nosso sofrimento.
Em 1991, aquando do massacre no
cemitério de Santa Cruz, deu abrigo a muitos jovens. O que admira
mais na juventude?
O jovem é intemerato, não só para fazer o mal, mas também para fazer o
bem. Em ambiente de opressão,
muitos jovens ganharam coragem
para enfrentar o inimigo e muitas vezes fizeram manifestações, onde foram presos e torturados. Faziamno por Timor. Admirava-os, mas dizia-lhes que para ter coragem é preciso ter cabeça e intervir nos momentos próprios. Mas nem todos
eram corajosos e alguns fugiam para
debaixo das saias do bispo. E por vezes também lhes dizia: se gritam
pela independência, gritem lá fora.
Numa ocasião houve alguns que se
esconderam na minha despensa sem
eu saber. Afinal, entre esses jovens
estava também gente infiltrada da In-
donésia. Peguei numa vassoura e enxotei-os de lá para fora. É preciso saber lidar com os jovens.
Sentiu falta de apoio de Portugal
durante estes 24 anos de ditadura
em Timor?
Claro que senti. Primeiro foram os
anos do PREC em Portugal e foi
como se Timor estivesse já arrumado. Mais tarde, em 85, com Mário
Soares como primeiro-ministro, Portugal estava a preparar um documento para que Timor fosse considerado uma região autónoma. A
abertura deu-se mais com Jaime
Gama e com Durão Barroso.
O que o levou a renunciar ao cargo
de bispo de Díli?
Foram vinte anos difíceis, de paz
podre, com vigilância por todo o
lado, com viagens e correspondência controladas. Quando chegámos a 2002 e Timor Leste ganhou a sua independência, reconhecida internacionalmente, julguei que era chegado o momento
de deixar a diocese. Fi-lo em boa altura. Entreguei o cargo a outros
com visão. Mas estou na retaguarda e rezo por Timor.
Hoje é símbolo de coragem e de
luta pelos mais desfavorecidos...
Estudai sem perder o serviço à comunidade. Devem pensar 'tiro os
diplomas para quê?'. Para a vossa
realização pessoal? Sim, mas vocês
não são uma ilha!
Que desafio lança aos jovens de
hoje, no que respeita à promoção
da paz?
Nesta sociedade onde têm tudo,
têm os bens materiais, cultura, comunicação social, internet e telemóveis, os jovem podem correr o
perigo de cair num certo individualismo. Vivem sozinhos, não
têm capacidade de dialogar com os
seus pais nem com os seus professores. Hoje já há jovens que se suicidam, porque não encontram razões para viver. Por isso fazem
noitadas, entregam-se ao álcool, a
isto e àquilo. É responsabilidade do
governo, da igreja, dos pais e da escola fazê-los sair deste mundo fechado onde possam viver, sem
desprezar estes meios modernos de
que a sociedade dispõe. Ajudá-los
a serem mais abertos, mais solidários. É nossa responsabilidade chamar a atenção e, sobretudo, apelar
à juventude para a abertura, para a
solidariedade, para a proximidade
entre as pessoas.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 17
Vereadora da Câmara de Leiria visita escolas do concelho
Inscrições abertas
Alunos com deficiência
sem recursos para aprender
Mestrados
em português
e inglês no IPL
ARQUIVO/JL
Elisabete Cruz
[email protected]
T Falta de terapeutas e técnicos especializados são alguns dos diversos
problemas que enfrentam os jovens
com deficiência que estudam no ensino regular. Alertada por encarregados de educação e directores de estabelecimentos de ensino para os
problemas que enfrentam os jovens
com deficiência no concelho, a vereadora da Educação da Câmara de
Leiria, Anabela Graça, foi para o terreno visitar as escolas do concelho a
fim de fazer o levantamento de todos
os problemas e dificuldades existentes.
No final, Anabela Graça irá elaborar
um relatório com as conclusões e
entregar à delegada regional da Direcção-Geral dos Estabelecimentos
Escolares (DGEstE), com o objectivo
de assegurar as melhores condições
para que estes alunos possam estudar
sem problemas.
“Sei que há alunos que não têm terapeuta da fala ou terapeuta ocupacional e há falta de recursos humanos
para acompanhar estes jovens nas refeições”, revela Anabela Graça, exemplificando ainda com o caso de uma
criança, que durante cerca de uma
hora viaja sozinha com o motorista do
táxi para ir à escola, não tendo acompanhamento de qualquer adulto. “E
trata-se de um aluno com deficiência
acentuada.”
Com o alargamento do ensino obrigatório para os 18 anos, as escolas se-
T O Instituto Politécnico do Leiria
reforçou a sua oferta formativa em
mestrados, com destaque para os
cursos ministrados em inglês nas
áreas das engenharias, do design,
da biotecnologia e do turismo. A
oferta de 39 mestrados leccionados
em português e oito mestrados
em língua inglesa integra a estratégia de melhorar os níveis de
atractividade e notoriedade a nível
nacional e internacional. As inscrições para a primeira fase estão
abertas até 2 de Junho. Mais informações para os mestrados em inglês em www.mastersportugal.
ipleiria.pt.
Leiria
Sarau da Cercilei
em 30ª edição
Escolas secundárias não estão preparadas para receber alunos com deficiência
O número
934
alunos do concelho de Leiria têm
Necessidades Educativas
Especiais (não significa
deficiência), num universo de
13.167 estudantes que
frequentam as escolas públicas
cundárias vão ser obrigadas a receber
estes jovens deficientes, não estando
preparadas fisicamente ou com recursos humanos para dar respostas
adequadas. Este é outro problema
com que a vereadora foi confrontada
e que espera resolver a tempo do início do ano lectivo 2014/15.
“Já neste ano lectivo, houve alunos que ficaram retidos no 9.º
ano, na Escola Correia Mateus, por
falta de condições nas escolas secundárias para os receber. Não podemos permitir que estes alunos,
que já deviam estar a terminar o
10.º ano, fiquem de novo retidos
por falta de condições”, sublinha
Anabela Graça.
Do roteiro da vereadora constam visitas às unidades de apoio especializado para a educação de alunos com multideficiência e surdocegueira congénita, unidades de
ensino estrutural a alunos com espectro de autismo, escolas de referência para alunos cegos e com baixa visão, e escola de referência para
educação bilingue de alunos surdos.
T O 30º Sarau de Actividades Corporais da Cercilei-Cooperativa de Ensino e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados de Leiria, terá lugar nos
próximos dias 30 e 31, no Pavilhão Municipal dos Marrazes, Leiria, pelas 21
horas. O evento contará com a presença de 26 grupos do distrito, com
atletas dos 3 aos 50 anos das mais diversas modalidades: iniciação motora ainda na primeira infância, movimentos acrobáticos, actividades de
expressão corporal (patinagem), artes
marciais e danças variadas, entre outras.
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18 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Leitores
A direcção do Jornal de Leiria recebe com agrado
para publicação a correspondência dos leitores que
tratem de questões do interesse público. Reserva-se
o direito de seleccionar os trechos mais importantes
das Cartas ao Director devidamente identificadas,
publicadas nesta secção.
[email protected]
Maçonaria
Excelente empresário e cidadão,
Henrique Neto (HN). Na última
edição do JL, carregou uma vez
mais sobre a Maçonaria. Sob um
pretexto que vai ao encontro das
preocupações mais pertinentes
da cidadania, e sem saber (como
admite) se o seu alvo é ou não
culpado, dispara mais umas
violentas rajadas sobre aquela
respeitável ordem iniciática que
ele, teimosa e preconceituosamente, mostra ignorar mas
que o parece atrair. E, em mais
um libelo, onde a ignorância é o
traço dominante, arrasa à
trouxe-mouche e de cabo a rabo,
a respeitável Ordem Maçónica,
mantendo ainda assim com a
mesma um ponto em comum: o
repúdio pela violação da ética
republicana e a falta de virtude
cívica que alguns maçons,
encadeados pelo brilho efémero
dos poderes, demonstram no
exercício de cargos públicos,
cedendo onde deveriam ser
exemplos paradigmáticos de
integridade e violando os mais
sagrados valores maçónicos a
que estão obrigados.
Ressalta a forma grosseira e o
conteúdo ofensivo implícito nas
considerações que o HN articula
ao longo do seu texto. Cunhado
de forma manhosa, sob o título
Maçonaria e Corrupção, o que
desde logo sugere duas faces da
mesma moeda, levanta suspeitas
sobre pessoas impolutas e outras
que já nem se encontram entre
nós e “faz a ponte” habermasiana
do singular para o geral,
tomando a parte pelo todo, num
processo que nem a ética
reconhece nem o rigor cientifico
(que HN tanto apregoa) concede.
Se aplicarmos,
experimentalmente, este seu
expedito método epistemológico
a qualquer grupo, corporação ou
fenómeno, transformaremos as
meias verdades em grandes
mentiras, num processo que é
aliás comum no debate político.
Apesar dos modernos
desenvolvimentos científicos
apontarem para a importância da
espiritualidade, vivemos ainda
num período em que a
tradicional ciência materialista é
formatada no seio das elites
intelectuais dominantes,
incapazes de pensar por “fora da
caixa” e veiculada pelos
tudólogos do sistema que
definirem o que é aceitável para
os outros pensarem e crerem. E
neste contexto, a espiritualidade
e a mística continuam a ser
levianamente vistas como
patéticas excentricidades que
raiam a loucura.
Os ataques à Maçonaria pelo
pensamento único dominante
não são coisa nova. Todos
sabemos ao longo da História e
principalmente nos seus
momentos de fractura, como os
totalitarismos odeiam o livre
Leiria jogada às feras ou cidade
moribunda?
Dedico este meu escrito à minha amada cidade de
Leiria. As cidades são fruto da necessidade das
populações de uma região usufruírem de bemestar, que não seria possível obter pela
disseminação, a não ser através de gastos
incomportáveis para a grande maioria dos
cidadãos. Paralelizando, é o caso dos condomínios,
que, a um preço aceitável, até podem ter piscina
colectiva. Assim, a cidade não deixa de ser um
condomínio gigante, com partes de utilização
comum, que seriam impossíveis de ter de outra
maneira.
Tal e qual um condomínio, a cidade tem de ser
gerida por uma administração, que, neste caso, é a
câmara, sendo as cotas realizadas através da
cobrança do IMI. Todavia, no que concerne a Leiria,
constato que as receitas existem, mas que a
administração não as sabe utilizar para o bem
comum, ou seja, na manutenção e reabilitação das
partes de utilização colectiva.
Objectivando: Na primeira Repartição de
Finanças, na Travessa do Município – parte da
calçada já não existe. Rua Capitão Mouzinho de
Albuquerque - apesar de ter um único sentido e
duas faixas, a maior parte do dia tem uma faixa
sempre ocupada por veículos que nela estacionam;
A zona histórica encontra-se em estado de préruína, sem que nenhuma acção se tome para a sua
reabilitação, sendo certo que já não tem gente, mas
tão só ratazanas; A grande maioria das ruas está
com o piso impraticável, algumas delas mais
parecendo as estradas de um país bombardeado.
Estes são pequenos exemplos da omissão da
administração, que, se fora de um condomínio, já
teria sido corrida e responsabilizada pelas
omissões, algumas com carácter doloso ou
negligente.
E não releva a apresentação de filmes ou
fotografias, que só mostram aquilo que querem que
se veja, pois que a imundície, a desqualificação e a
degradação são patentes a qualquer desatento.
Os exemplos da cidade são seguidos pelas
freguesias urbanas, como é o caso de Marrazes.
Nesta, basta atentar para a Rua Santo André e
Praceta Fernando Pessoa, entre outras. Buracos,
ervas daninhas por todo o lado, passeios destruídos
ou inexistentes, jardins totalmente descuidados e
pensamento e a Maçonaria.
Vimos nesse cortejo, os
inquisidores e os fascistas entre
outros, como hoje por hoje
alguns arautos do vazio
pensamento niilista, que deixa o
mundo ocidental no estado
penoso em que se encontra.
Fernando Pessoa, poeta maior
e místico, saiu a terreiro
defendendo a Maçonaria, à qual
não pertencia, dos ataques do
Estado Novo e do fascista Costa
Cabral, no célebre artigo do
Diário de Lisboa (à disposição na
net). Nesse artigo notável, o
poeta responde a algumas das
questões que curiosamente ou
talvez não HN dá à estampa, 80
anos mais tarde, como por
exemplo a natureza do
secretismo, nas sociedades
iniciáticas.
Outras questões são-lhe
respondidas por “co-incidência”
ou qualquer outra razão
em perecimento, ou seja, tudo próprio de um país
subdesenvolvido.
Pergunto: para onde vai o dinheiro dos nossos
impostos? Eu tenho resposta! Muito do dinheiro
que entra nos cofres da Câmara é desperdiçado em
gastos totalmente dispensáveis, que é o caso da
iluminação da Urbanização Quinta do Vale-Sepal,
que, apesar de nenhuma construção ter, tem 40
candeeiros, dos quais seis duplos, ligados todas as
noites. Será que a câmara ilumina tal espaço por ser
um local de engate? Será uma nova atracção para
práticas de cariz sexual? Melhor seria transformar a
zona histórica da cidade em espaço de luz
vermelha, como em Amesterdão, pois que tal
chamaria gente, trazendo vivência à zona. Este
meu texto, reconheço, tem algo de provocador, mas
há que alertar consciências!
Por último digo-vos: É mais fácil encontrar um
melro branco que um político com nobreza!
Anjos Fernandes
[email protected]
esotérica, nas páginas suculentas
dessa mesma edição do JL, na
qual o filósofo Rob Riemen nos
fala mais de “sabedoria” e menos
de smart power, Vitor H. Ferreira
acusa governos liberais de
transferirem os custos das más
opções das instituições
financeiras para a totalidade dos
contribuintes, Clarisse Louro
reflecte “…na mentira em que
transformaram as eleições e a
democracia…” e Márcio Lopes
antecipa que “…a Europa vai a
votos e finge que nada de grave
lhe está a acontecer por
dentro…”.
Enquanto a tempestade neste
mar dito democrático porfia e o
navio sem rumo se afunda, o
bom do Henrique Neto, tolhido
no seu solipsismo, e com o norte
pelas costas, corre no convés
cego pela densa surriada e
tomando as sombras por
realidade, enxerga seitas de
DR
mostrengos e clama bravamente
contra a Maçonaria… que não
sabe o que é. E assim permanece,
incapaz de ver o mar sem fim à
sua volta e de perceber porque
“…muita gente, nomeadamente
jovem…” abandona tal navio,
procurando abrigo na intemporal
ciência maçónica, arribando aos
seus míticos portos iniciáticos.
João Tomé
[email protected]
Fantasmas
atacam centro
histórico
de Leiria
O centro histórico (CH) de Leiria
deve ser um dos maiores refúgios
dessa espécie de fantasmas que
ao longo dos últimos anos vem
atacando o património urbano da
cidade e com maior incidência o
seu C.H. numa deterioração
progressiva que torna aquele
espaço um local triste, sem
dinamismo a necessitar de uma
reabilitação que vem sendo
prometida e adiada ao longo dos
tempos! A imagem que se
vislumbra das arcadas do Castelo
é impressionante, com múltiplas
casas destelhadas, prédios em
ruínas e abandonados e um
quase total silêncio nas suas ruas,
apenas alterado pelo movimento
dos bares durante a noite e
nalguns casos com muito barulho
nas ruas e vielas prejudicando o
descanso de quem ali mora! …
Todo o espaço do CH, com uma
área desde a zona envolvente do
Castelo e que se estende pela
baixa citadina até ao rio Lis, faz
parte de um Plano de Reabilitação
e Requalificação, para o qual foi
criado um Gabinete há mais de
dez anos no âmbito do Programa
QREN que envolvia 93 milhões de
euros para obras na região
incluindo o C.H.! A verdade é que
o Plano iniciou-se com alguns
projectos levados à prática mas
rapidamente tudo parou e o que
resta são promessas…O espaço
histórico e emblemático da
cidade a exemplo de outras
localidades deveria ser um
símbolo de ordem social, cultural
comercial e lúdico para que
Leiria, pudesse ombrear com
outros Centros Históricos de
grande beleza e que atraem
milhares de turistas nacionais e
estrangeiros, como são exemplos,
Guimarães, Viseu e Évora, entre
outros. Esta é a questão vital do
CH, porque muitos outros
problemas continuam a subsistir
um pouco por toda a cidade.
Leiria pelas suas gentes, pela sua
localização e pelo seu
monumental edificado merece
que as entidades autárquicas e o
poder central apoiem e
contribuam para melhorar o seu
visual urbano de modo a colocá-la
no lugar que merece no mapa das
mais belas cidades de Portugal!
Edgar Carvalho
[email protected]
Rectificações
Na passada edição do JORNAL
DE LEIRIA (pág 46), na rubrica
Gente Ilustre, é referido que João
Garcia Miguel é docente da
Escola Superior de Artes e Design
de Caldas da Rainha, quando na
verdade deveria ter sido escrito
ex-docente. Aos visados as
nossas desculpas.
A propósito da página
Arquivologias (pág 37), publicada
na passada edição do JORNAL DE
LEIRIA, a legenda está
incorrecta. Em vez “Fotografia de
José Fabião, 1946”, deveria ler-se
“Fotografia de José Fabião, 1967".
Aos visados as nossas desculpas
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 19
Opinião
Ainda as eleições para o Parlamento
Europeu
eu Caro Zé,
Neste domingo vão ocorrer as eleições
para o Parlamento Europeu e não resisto
a voltar a falar-te do assunto. Deixa-me
começar por citar algumas das mais recentes
notícias, comentário e afins sobre estas eleições:
Uma das líderes de um dos partidos
representados na Assembleia da República criticava
os partidos do que é designado por “arco da
governação” (mas esta designação é aceitável em
democracia?) porque não apresentavam nenhuma
indicação clara sobre um Programa de Governo! E
eu que julgava que os Programas de Governo
tinham pleno cabimento em eleições para a
Assembleia da República e consequente escolha do
Governo!
Na mesma linha – e maior estupefacção da minha
parte – o Prof. Doutor Freitas do Amaral vem dizer
que estas eleições são um plebiscito ao Governo!
Mas elas não são para escolher os deputados
portugueses ao Parlamento Europeu? E o Senhor
Professor não tem conhecimento de Ciência
Política suficiente para saber o que é um plebiscito?
Agora os conceitos e os termos que os traduzem
já não valem nada? Por acaso nos boletins de voto
está escrito “Voto na destituição deste Governo –
Sim/Não”? Ainda não os vi, mas não me parece!
Na propaganda eleitoral, um candidato de um
pequeno partido dizia claramente que havia uma
alternativa simples a permanecer no Euro. É sair do
Euro, emitir uma moeda nova (seria “Tuga”?) com
o mesmo valor e… pronto! Com o mesmo valor?
“Ele há cada um!”, como dizia o meu saudoso Pai.
Mas deixa-me continuar: o candidato socialista à
Presidência da Comissão Europeia, Martin Schulz,
afirmava, numa entrevista a um diário português:
“Os especuladores fizeram milhares de milhões de
euros de lucros e não pagam impostos, geram
milhares de milhares de milhões de perdas e os
M
J. M.
Amado
da Silva
contribuintes têm de pagar por eles. Não é justo!”
Até aqui, tem a minha completa benção, pois não
sou eu que vou pôr em causa este diagnóstico. O
meu problema vem a seguir, e cito: “Se votarem em
mim, terão um Presidente da Comissão Europeia
que põe o interesse dos cidadãos no primeiro
lugar.” Pergunta minha, impertinente, do tipo de
“menino Zéquinha malandreco”: “Algum candidato
a Presidente diz coisa diferente?” E, continuando
no papel de “menino Zéquinha” acrescento: “E
como vai fazer isso? E por que meios? Como vai
defrontar os “poderosos”?
É por isso que talvez tenha razão o Prof. José
Filipe Pinto, Catedrático de Ciência Política, que no
mesmo diário titulava um artigo de opinião:
Campanha eleitoral: a Feira da Ladra revisitada!
E, no entanto meu Caro Zé, os poderes do
Parlamento Europeu e, portanto, dos seus
deputados, tem vindo a crescer e é importante que
se saiba para quê e quem os vai exercer e com que
capacidades. A um deputado europeu exige-se
muito, em particular a capacidade da difícil
conjugação entre a defesa dos interesses do país
que representa, da família política em que se insere
e da qualidade do projecto europeu que se quer
(quer mesmo?) construir!
Era isto que eu gostaria de ter visto discutir na
campanha eleitoral, mas o que importa é dar vida
aos “mexericos” locais! E depois espantam-se com
o nível de abstenção e com a desafectação
crescente dos cidadãos face à democracia formal!
É tempo de os políticos substituírem promessas
por compromissos claros, ou seja, compromissos
ligados aos poderes que estão em causa em cada
eleição e que sejam susceptíveis de verificação de
cumprimentos por todos nós!
Zé Amado
Reitor da Universidade Autónoma
Eleições e liberdade
as últimas semanas, para além do “tocar a
reunir” das forças partidocratas no
caminho de uma redistribuição do poder
para satisfação de novas clientelas, pondo
de lado as velhas caras e os discursos cheios de
palavras ocas como “renovação”, “futuro”,
“prosperidade”, entre outras a que vou poupar os
eventuais leitores, alguns acontecimentos
mostraram que a memória do nosso povo ainda
leva a sério os grandes acontecimentos que
marcaram, transformando-a, a nossa história.
Se os nossos ouvidos ainda ouvissem o que o
poder, com os aparelhos ideológicos que tem ao seu
serviço, nos pretende transmitir e acima de tudo
convencer, poderíamos sentir que estaríamos como
Alice reflectindo-se no espelho que leva ao país das
maravilhas. Seria interessante comparar, por
exemplo, o discurso balofo dos actuais candidatos
(que só fisicamente não parecem os irmãos Dupont,
do Tintin) ao discurso bem tratado e conhecedor da
nossa língua que, mesmo assim, com um homem
de outra qualidade, não escapou à verrina de
Marcelo Rebelo de Sousa. Sim, refiro-me a António
Guterres, aquele a que chamou “picareta falante”,
quando foi primeiro-ministro e se desenvolveu esse
programa idiota dos estádios de futebol sem bola,
que nos conduziu, como “novos ricos”, ao “Estado
a que isto chegou”, como disse em 25 de Abril de
N
Orlando
Cardoso
1974 o capitão Salgueiro Maia.
Não pretendia falar das eleições europeias de
domingo, uma vez que os principais candidatos
pouco têm dito sobre o assunto, o que demonstra
as enormes diferenças (como nas “Farpas”, do Eça)
existentes nos partidos do “arco do poder”, ou da
“manjedoura”, diria Mestre Bordalo. Contudo,
apesar do desencanto que a inépcia das nossas
elites provoca nos portugueses, não pode deixar-se
de referir que as consequências são conhecidas e
pagas por todos, enquanto os responsáveis serão
sempre desconhecidos e ressarcidos.
Quero, neste texto, falar de um caso que
aconteceu em Pombal e incidiu sobre o homem a
quem o país deve em grande parte a sua liberdade.
Pasmei quando li num jornal que Salgueiro Maia
tinha vivido com a família alguns anos na cidade de
Pombal, acompanhando o pai que era ferroviário.
Naturalmente, devido ao conhecimento da sua
intervenção em prol da liberdade, há alguns anos as
autoridades municipais resolveram atribuir-lhe a
medalha de ouro da cidade, o que até hoje não se
concretizou. As razões apontadas em acta pela
câmara, embora claras, não permitem entender o
que se passou. Há alguém que explique?
No próximo Domingo há eleições europeias.
Eu voto!
[email protected]
Inevitavelmente
a Europa
omingo a Europa vai
a votos.
Domingo elegem-se
os representantes dos
países da União Europeia.
Domingo talvez até esteja
de chuva.
Domingo vote.
Ao contrário do que a
maioria das pessoas pensará
ou percepcionará, a Europa
não é apenas aquela
instituição distante para onde
vão uns quantos deputados
ganhar muito dinheiro.
Também é mas não só.
Domingo vote.
A Europa define o nosso
futuro. A Europa define a
nossa política. A Europa
manda e nós fazemos. E, por
isso, porque são os países
fortes da União Europeia que
ditam os nosso dias, as
nossas crises, a nossa
austeridade, os nossos
elogios, os nossos
raspanetes… porque são os
senhores da Europa que
definem se somos bons ou
maus trabalhadores, se
somos muito ou pouco
produtivos, se merecemos
aplausos ou assobios,
domingo temos que ir votar,
mesmo. Porque se não
formos, estamos a dizer aos
senhores da Europa para
fazerem como quiserem que
para nós é indiferente.
Domingo vote.
Muitos pensarão: mas votar
em quem? É uma questão
pertinente! Em quem quiser,
incluindo o voto em branco e
o voto nulo.
Domingo vote.
Como já escrevi
anteriormente, do ponto de
vista da análise sociológica
votar em branco é
completamente diferente de
não votar. A abstenção é um
enorme vazio de desinteresse,
afastamento, critica passiva. É
um sinal, sem dúvida, mas
um sinal muito mais difícil de
interpretar porque nunca
conseguimos perceber porque
não foram as pessoas votar.
Pode ser uma afirmação
política mas também pode ser
apenas uma ida à praia.
Domingo vote.
O voto em branco revela
que alguém saiu de casa e se
deslocou às urnas para dizer:
no meio de toda esta gente,
não quero votar em ninguém.
Domingo vote.
Por isso, nos partidos, em
branco ou nulo, no Domingo
vote.
Vote por nós que
precisamos de encontrar uma
luz ao fundo do túnel!
D
Patrícia
Ervilha
Socióloga
20 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Economia
Paris-Asia Business Center é a “maior
afirmação de Portugal em França”
Investimento Centro de negócios lançado por empresário de Leiria poderá ajudar a
internacionalizar empresas da região e contribuir para o aumento das exportações portuguesas
ELISABETE CRUZ
Elisabete Cruz
[email protected]
T O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, considera o empreendimento do empresário leiriense, Carlos
de Matos, a “maior afirmação de
Portugal em França, por representar um passo muito significativo na
imagem do investimento e dos investidores portugueses em França”. As palavras do governante foram proferidas ao JORNAL DE LEIRIA – que viajou a convite do Grupo St. Germain - no dia da cerimónia do lançamento da primeira pedra do Paris-Asia Business Center,
um projecto que conta com um investimento de cerca de 600 milhões de euros.
Elogiando a “imaginação” e “capacidade” de Carlos de Matos, o governante reconhece o “trabalho” e
“empreendedorismo” do Grupo
St. Germain e do grupo Alves Ribeiro, as duas empresas que estão
à frente do projecto.
“Tenho a certeza que vai ter o
maior sucesso. Esta obra promove
a nossa imagem e qualidade e liga
Portugal aquilo que de melhor se
faz em França”, destaca ainda José
Cesário, que não duvida da capacidade do povo português. “Nós
não somos um pequeno país, nem
em termos quantitativos, nem qualitativos. Somos um grande país.
Estamos presentes em todo o mundo, temos gente com muita capacidade, muito poder, presença e
imagem. Se nos juntarmos todos
temos condições para ter muito
mais sucesso.”
Carlos de Matos, presidente do
Grupo St. Germain, explica que a
primeira pedra foi lançada no dia
18, porque o “número oito tem
um significado importante para
os chineses”. Segundo o emigrante natural de Carvide, a cerimónia
do lançamento da construção do
empreendimento comercial junto
ao aeroporto Charles de Gaulle é “o
culminar de um trabalho de quatro
anos” e o “início de uma construção, que durará entre seis e oito
anos, e que vai ficar para as próximas gerações”.
Ainda sem contratos feitos, Carlos de Matos revela que existem várias empresas da região de Leiria
que poderão participar no projecto. “Caberá à Alves Ribeiro contratar outras empresas. Serão necessárias cerca de 15, em diversas
Depoimentos
Carlos Vinhas Pereira
presidente da Câmara do
Comércio em França
Vai ser uma
grande zona de
atividade
comercial, onde
vão estar
comércio chinês
e português e que vai criar 2500
empregos directos e indirectos.
Vamos continuar a atrair
empresas para porem aqui os
produtos portugueses,
aproveitando o facto de haver
tráfego aqui tão perto do
aeroporto. Damos os parabéns
ao Carlos de Matos, que teve o
espírito patriótico de fazer
trabalhar empresas portuguesas,
como a Alves Ribeiro.
Carlos Gonçalves
deputado do PSD
François Asensi, deputado francês, Carlos de Matos, empresário de Leiria e José Cesário, secretário de
Estado das Comunidades Portuguesas
Convite sem resposta
Carlos de Matos
crítica ausência
da Nerlei
Carlos de Matos lamentou a
ausência do presidente da
Nerlei, Jorge Santos, na
cerimónia do lançamento da
construção do Paris-Asia
Business Center. “Tenho pena
que a única pessoa que não
veio fosse a pessoa mais
importante da região de Leiria.
O presidente da Nerlei, Jorge
Santos, foi convidado, mas não
veio e não sei porquê. Ele quer
que as empresas da região de
Leiria possam ser conhecidas
para trabalharem e instalarem-se noutros países. Seria
importante que tivesse vindo
para analisar quais as
empresas que poderiam
investir e trabalhar aqui, para
produzir riqueza para eles e
para Portugal”, referiu o
presidente do Grupo St.
Germain.
áreas. De Leiria podem trabalhar no
empreendimento empresas da área
do alumínio, betão, electricidade
ou canalização”, admite o empresário.
Segundo Carlos de Matos, o investimento de 600 milhões de euros foi feito sem dinheiro. Ou seja,
“estão vendidas 250 lojas, pelo
que o financiamento do conjunto
da primeira fase está assegurado
pelas vendas que já foram feitas”,
explica, garantindo que “ainda não
foi preciso ir ao banco”. Por vezes,
“o investimento é uma questão de
imaginação”.
João Pereira de Sousa, presidente do Conselho de Administração do grupo Alves Ribeiro, considera que este projecto é o “exemplo” daquilo que “os portugueses
são capazes” e “mostra como as ligações entre a comunidade emigrante e as empresas portuguesas
podem fazer coisas fantásticas”.
Reforçando que a intenção é dar
trabalho a “muitas empresas portuguesas durante a obra”, João Pereira de Sousa espera que o centro
de negócios possa trazer a indústria
exportadora portuguesa para Paris,
ajudando “as exportações e o equi-
líbrio das contas externas” de Portugal.
“Como vai ser o maior centro de
exposições europeu de comércio
entre a Ásia e a Europa, o Paris-Asia Business Center será uma
porta para exportar para qualquer
parte do mundo. Qualquer empresa portuguesa que esteja aqui instalada consegue fazer negócios de
exportação com os vizinhos. Por
exemplo, empresas italianas trazem camisas do seu país e levam
sapatos portugueses. Tudo isto em
Paris, a duas horas de avião de
Lisboa”, sublinha o administrador
do grupo Alves Ribeiro.
O novo centro de negócios é essencialmente dedicado às trocas
comerciais entre a Europa e a Ásia,
fazendo parte do AeroliensParis,
um parque internacional de negócios projectado para Tremblay-enFrance, nos arredores da capital
francesa. Com um total de 280 mil
metros quadrados, o empreendimento terá centenas de showrooms
individuais, três hotéis, um centro
de exposições, um museu do vinho
do Douro, cinco restaurantes, um
supermercado, um infantário e um
centro de fitness.
“Isto demonstra
a capacidade das
nossas
empresas, de se
internacionalizarem e se
adaptarem às novas realidades e
de perceberem a importância
que tem para um país como o
nosso contar com a rede
empresarial das comunidades
portuguesas. Um elogio aos
empresários que estão ligados a
este projeto e, em particular, ao
Carlos de Matos. É um projecto
que deve honrar Portugal e
aqueles que são das
comunidades portuguesas.
Paulo Pisco
deputado do PS
É um dos maiores
projectos que
alguma vez foi
feito por
empresários
portugueses na
Europa. Tem a importância
acrescida de grande parte das
empresas que vão trabalhar neste
projeto serem oriundas de
Portugal, o que dará um grande
contributo para a dinamização e
projecção das empresas
portuguesas. A internacionalização
de empresas num projecto com
esta dimensão tem sempre um
grande potencial de poder
multiplicar-se noutros projectos.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 21
Economia Leiria Global
Empresa de Pombal trabalha sobretudo com mercado externo
Reynaers cimenta negócios em Angola,
Moçambique e África do Sul
JOANA CARRIÇO
Daniela Franco Sousa
[email protected]
O número
A multinacional belga Reynaers
Aluminium escolheu Pombal para
se fixar. Foi em 2008 e desde então
esta unidade sediada no Parque Industrial Manuel da Mota não parou
de se reinventar, adaptando-se às
necessidades do mercado de escala global. A sua aposta centra-se
agora em Angola, Moçambique e
África do Sul, países onde a empresa tem expectativas de poder
crescer.
Segundo Ricardo Vieira, director-geral da unidade, a Reynaers de
Pombal é uma empresa dedicada à
concepção e comercialização de
sistemas de alumínio, que recorre
a parceiros locais, e não só, para
produzir portas, janelas, fachadas,
sistemas de correr, sistemas de fachada e de sombreamento.
Até 2012, a Reynaers estava
mais focada no mercado nacional
que, devido à crise, mas também
por falta de informação, não apostava muito nas soluções oferecidas pela empresa, propostas de
valor acrescentado, mais amigas
do ambiente e de elevada performance térmica. Assim, face à quebra de vendas no mercado interno, a Reynaers mudou a sua estratégia comercial, passando a
apostar em mercados internacionais, onde as soluções da empre-
25%
Foi esta a percentagem de
crescimento registada pela
Reynaers de Pombal entre 2012 e
2013
Unidade de Pombal dedica-se à concepção e venda de soluções de
alumínio
sa têm obtido reconhecimento.
Cerca de 25% das soluções da
Reynaers seguem agora directamente para Angola e Moçambique, sendo que mais 65% dos seus
produtos são também canalizados, indirectamente, através de
clientes, para o mercado francês.
O resultado desta mudança de
estratégia não tardou. Entre 2012 e
2013, a Reynaers de Pombal cresceu
25% e investiu em novas contratações, passando a empregar 35 trabalhadores. No ano passado, o volume de negócios foi já de cinco milhões de euros.
Reconhecendo o saber fazer dos
colaboradores portugueses e da
sua capacidade de se adaptarem à
cultura empresarial africana, a Reynaers de Pombal foi escolhida pela
casa mãe para supervisionar todos
os países da África Subsariana. E
nalguns deles, a unidade portu-
guesa está já a implementar empresas.
É o caso de Moçambique, onde
foi constituída uma empresa no
ano passado, gerida a partir de
Pombal, que estará operacional
em Setembro, empregando cerca
de dez pessoas. Também em África do Sul está a ser constituído um
entreposto técnico, que ficará
pronto em Agosto. Em 2016, quando ficar concluído o centro de formação em África do Sul, serão 12
os postos de emprego criados neste país. Já em Angola, a Reynaers
de Pombal conta um distribuidor
local e com dois comerciais.
É também pelo conhecimento
demonstrado pelos colaboradores portugueses que a casa mãe
tem recorrido a um conjunto de
profissionais da Reynaers Pombal
para conceber soluções de alumínio para implementar em vários
pontos do globo, explica o director-geral desta unidade.
Entre as obras onde a Reynaers
mais se orgulha de ter participado estão o Estoril Sol Residence,
obra assinada pelo arquitecto
Gonçalo Byrne, espaço voltado
para o mar onde cada apartamento, comprado em fase de projecto, custou cerca de 2,5 milhões de euros. Já lá fora, destaca-se o emblemático Ferrari
World Abu Dhabi, construido nos
Emirados Árabes.
Ricardo Vieira, director-geral
“Fala-se muito de corrupção, mas nunca a senti”
Em 2012 decidiram mudar o vosso foco, centrando-se mais no exterior do que no mercado interno.
Os portugueses não estão dispostos a pagar mais pela qualidade?
Os portugueses estão dispostos a
pagar mais para terem qualidade,
desde que devidamente informados. É esse o grande problema.
Então, redefinimos os nossos mercados, apontando para aqueles
onde vendemos melhor. Começámos a visitar África todos os meses
e a vender para grandes projectos,
onde nos sentimos bem, pois é aí
que somos especialistas. Esta estratégica teve sucesso. Crescemos
25% no último ano.
Que vantagens encontraram nestes mercados?
Angola tem muito potencial, é um
país de oportunidades, onde há
falta de competências técnicas. O
nosso know-how neste mercado é
JOANA CARRIÇO
de extrema importância, porque
podemos assegurar aos nossos
clientes relações de confiança, assegurar que os nossos técnicos
não vão falhar e que, em termos
comerciais, estaremos lá para os
apoiar. Neste mercado apostamos
em obras de grande dimensão. É
um mercado de volume, de facturação. Já Moçambique é um mercado de futuro. Não é de todo o
mercado onde pensemos ficar ricos. Aliás, a estratégia do grupo
passa sempre pela aposta a longo
prazo, por criar âncoras. Não faz
parte da nossa estratégia ir para esses países fazer negócios e voltar.
Sendo Moçambique um mercado
lento, a ideia é marcar presença,
para dentro de alguns anos poder
colher frutos. África do Sul, por outro lado, é um mercado evoluído e
onde os nossos concorrentes ainda não estão.
Alguns empresários vêem estes
países como mercados difíceis.
Concorda?
Muitos empresários vêem o mercado de África numa perspectiva
de toca e foge. Chegam, fazem negócio e vão embora. Em Angola
isso pode funcionar para alguns
negócios, mas para outros não
funciona. Em Moçambique talvez não funcione também. E não
funciona de todo em África do Sul.
Não faz parte da estratégia deste
grupo chegar, fazer negócio e ir
embora. Estamos em África e é
para ficar.
Também já se depararam com situações de corrupção?
Fala-se muito de corrupção, mas
nunca a senti. Nalguns casos até
senti o oposto. Deixar de fazer um
negócio, por parecer que poderia
haver algo de menos claro. Deparei-me com pessoas que além de
sê-lo têm a preocupação de parecê-lo. O que não quer dizer que não
exista. Ou melhor, existe muito
ao nível do pequeno negócio,
quando se é parado pela polícia,
quando se é atendido num organismo público. É cultural. Mas não
o encontrei nos grandes negócios.
Quanto à burocracia...
Existe muita burocracia, em Angola é brutal. São os vistos que demoram meses a chegar, obtidos
através de um processo complexo,
etc. E em Angola há também incerteza nos negócios. Até ser concretizado, o negócio pode sempre
avançar ou não. Mas não temos de
ir para lá a achar que o nosso prisma é que é o correcto, porque é
uma questão cultural. Já África
do Sul é um país incrível, cujo único senão é o sentimento de insegurança, uma tensão que se sente
em todo o lado.
22 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Economia
Trabalhadores prestam serviço em hotel de Óbidos
Sindicato acusa Grupo Béltico
de despedimento colectivo “ilegal”
correr negociações para melhores condições para os trabalhadores, processo durante o qual o
grupo nunca terá falado em dificuldades. “Interrompido” o processo, o sindicato foi surpreendiO Marriot Praia D'El Rey, “um
do com a intenção do despediparaíso de luxo de cinco estrelas”,
mento colectivo. Lamenta ainda
onde trabalham algumas das
que o grupo esteja a contratar trapessoas que poderão ser alvo de
balhadores temporários “para as
despedimento colectivo, é aquele
mesmas funções” dos que preonde a selecção portuguesa de
tende despedir.
futebol fica quando faz estágios na
A Béltico confirma que, “no âmzona Oeste. Depois de lhe ter sido
bito da sua reestruturação interna”
concedida uma licença directa pela
existe um “processo de intenção e
Marriott Internacional, o Grupo
negociação” [para dispensar pesBéltico foi responsável pelo
soas], mas frisa que se trata de “meprimeiro hotel da cadeia em
nos de 2% dos recursos humanos”
Portugal. Tem 179 quartos de luxo,
do grupo. A direcção diz que este
incluindo 11 suites. As instalações
processo resulta da “necessidade
“são de primeira qualidade,
incluindo uma espectacular piscina de reestruturação da empresa e dos
seus recursos” e que se encontra
exterior de 50 metros, piscina
interior, o SPA e Health Club Atlantic “sempre disponível para dialogar e
desenvolver negociações junto dos
Coast e restaurantes de qualidade
trabalhadores em questão”.
superior”.
T O Grupo Béltico pretende despedir 11 trabalhadores das empresas Belticorest e Hotel da Praia, na
Serra D'El Rey, em Óbidos, processo que o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do
Centro considera “ilegal”. O grupo
fala em “necessidade de reestruturação”.
Em comunicado datado de quinta-feira passada, o sindicato considera que “não existe motivo para
este despedimento colectivo”, posição da qual já informou o Grupo
Béltico. “Reafirmámos nas reuniões que no documento enviado
não existe indicação de critérios
objectivos para a escolha destes trabalhadores”. Por isso, entende estar-se “perante uma violação dos
requisitos de objectividade, trans-
parência e não discriminação que
devem ser observados no decurso
do processo de despedimento colectivo, o que conduz a que o processo tenha de ser considerado ilícito”.
A comissão representativa dos
trabalhadores solicitou ao grupo
um conjunto de elementos para
análise, por forma a preparar a sua
argumentação “de que este despedimento é ilegal” e para apresentar “propostas alternativas à
sua realização”. Para amanhã está
marcada uma reunião entre a comissão que representa os trabalhadores, o grupo e a Direcção Geral das Relações do Trabalho. Caso
a Béltico “não recue na sua intenção de despedimento dos trabalhadores envolvidos” o sindicato
equaciona a realização de “iniciativas públicas”.
António Baião, dirigente do sindicato, explica que estavam a de-
Leiria
Iniciativa arrancou a semana passada em Peniche
Associação
de Cuidados
Corporais reforça
formação
Campanha contra sinistralidade
no sector das pescas
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
Marriot
O hotel onde
fica a selecção
ARQUIVO/JL
Com mais salas de formação e um
auditório, as novas instalações da
Associação Nacional de Cuidados
Corporais (ANCC) vêm responder aos
“níveis de conforto e tecnologia compatíveis e necessários aos serviços que
presta”. Inauguradas no domingo,
as instalações situadas em Leiria representam um investimento de 50 mil
euros, revela Cristóvão Silva. O presidente da associação revela que o
novo espaço permitirá responder às
necessidades de formação sentidas
pelo sector, já que dispõe de salas adequadas. Por outro lado, o auditório poderá acolher sessões de apresentação
de produtos e de tendências. De âmbito nacional, a ANCC tem 30 anos e,
além do apoio aos associados, faz
formação profissional. Segundo o
presidente, foi a primeira escola certificada na área de cabeleireiro, certificação que já obteve também para a
área estética.
SABRINA RODRIGUES
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
T Entre 2010 e 2012 registaram-se
28 mortes e mais de 3500 feridos
em acidentes ocorridos no sector
da pesca, dos quais resultaram
103.500 dias de trabalho perdido.
Números que justificam a oportunidade da campanha lançada quinta-feira passada em Peniche, considera a Autoridade para as Condições do Trabalho.
De acordo com a ACT, a taxa de
incidência de acidentes nas pescas
é, em média, 1,7 vezes superior à de
outros sectores. Por isso, a campanha, “inédita no sector”, vai decorrer até 2015 e pretende “promover a melhoria das condições de
trabalho, a redução da sinistralidade laboral e das doenças profissionais e a regularização das relações de trabalho, contando com o
envolvimento e participação dos
principais actores sociais e profissionais”, aponta a ACT.
O seu desenvolvimento será sustentado num protocolo estabelecido entre esta entidade e as principais associações representativas
dos empregadores e dos trabalhadores, e de parceiros institucionais, documento assinado num
Alcobaça Jantarconferência sobre
Estratégia 2020
Manuel Castro Almeida,
secretário de Estado do
Desenvolvimento Regional, é o
orador do jantar-conferência que
se realiza na próxima quarta-feira
no Your Hotel & Spa, em
Alcobaça. O tema é Estratégia
2020 para Portugal - novos
desafios e responsabilidades para
a região Centro. O evento
insere-se nos Encontros para a
Competitividade, que incluem
ainda uma conferência, às 9
horas, no Cineteatro de Alcobaça,
sob o tema Estratégia 2020 Desafios e Responsabilidades.
Marinha Grande
Cefamol festeja 45.º
aniversário com
jantar
A Associação Nacional da
Indústria de Moldes (Cefamol)
celebra na próxima terça-feira o
seu 45.º aniversário, com um
jantar no edifício da Escola
Profissional e Artística da
Marinha Grande. “Ao longo
destas quadro décadas e meia
de actividade, a Cefamol tem-se
afirmado pela constante
determinação e empenho em
apoiar o sector a definir novos
rumos de actuação, a conhecer
mercados e tecnologias, a
estabelecer e consolidar formas
de cooperação, a dar visibilidade
e reconhecimento junto de
entidades oficiais e do público
em geral, contribuindo
decisivamente para a sua
incontestável notoriedade, tanto
no plano nacional como
internacional”, lê-se no seu site.
Pombal Grupo
Preceram distinguido
pela Tektónica
Entre 2010 e 2012 registaram-se mais de 3500 feridos em acidentes
seminário realizado na quinta-feira em Peniche. Segundo a ACT, a
maioria dos acidentes de trabalho
no sector está relacionada com a
actividade da faina, constatandose que ocorrem mais vítimas mortais em naufrágios.
João Delgado, director da Mútua
dos Pescadores, diz que de modo
geral a sinistralidade tem descido
devido a campanhas como esta e
ao uso de mais e melhores equipamentos. Aponta, por exemplo, a
obrigatoriedade de uso de colete
insuflável por parte dos pescadores
de embarcações até nove metros,
dizendo que no primeiro ano em
vigor da medida (2012) permitiu
evitar 11 mortes. Defende, por isso,
que devia ser alargada a todas as
embarcações. A diminuição de rendimentos tem levado muitos pescadores a trabalhar “cada vez mais
horas”, aumentando o risco de acidentes devido a “fadiga e falta de
discernimento”.
As empresas do Grupo Preceram
participaram na Tektónica 2014,
que decorreu no início deste mês
em Lisboa. As suas iniciativas
durante o certame “foram um
contributo incontestável na
dinamização do evento” e a
organização distinguiu o grupo
de Pombal pela sua
“proactividade, competência e
diferenciação”. Em comunicado,
o grupo diz ter recebido o prémio
Promotor Academia, que valoriza
o esforço colocado nas acções de
formação, e o prémio Portugal
constrói uma identidade, que
reconhece as empresas e
produtos que revelam atributos
relacionados com a experiência e
a consolidação da marca
Portugal.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 23
Economia
Empresas não cobram multas por atrasos
Em Portugal, 40% das empresas ouvidas no estudo
não aplica a legislação específica para atrasos de
pagamento (que permite cobrar 40 euros mais
juros). Mais de metade delas justifica com o facto
de que tal iria “ferir seriamente” as relações com os
clientes.
Estudo da Intrum Justitia
Empresas portuguesas pagam com atraso médio de 33 dias
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
T Embora tenha havido uma melhoria nos últimos anos, as empresas portuguesas continuam a
pagar aos seus fornecedores com
um atraso médio de 33 dias, face
a um prazo inicial de 50 dias, revela o último estudo da Intrum
Justitia. Também os particulares
e o sector público pagam com
atrasos, de 30 e 69 dias, respectivamente, face aos 30 e 60 dias
a que deveriam pagar.
As empresas inquiridas apontam como consequências desta
situação a perda de rendimentos
(70%), a falta de liquidez da empresa (84%) e entraves ao crescimento (66%). Por isso, 45%
dos inquiridos afirmava não ter
intenções de contratar novos colaboradores, revela o estudo divulgado a semana passada.
“Os atrasos ou não pagamentos continuam diariamente a in-
Dias de atraso médio nos pagamentos
Particulares
Empresas
Sector público
84
82
79
72
30
35
32 37
2009
2010
34
41
2011
73
40
30
2012
30
35
2013
69
30 33
2014
Fonte: Intrum Justitia
viabilizar negócios e aceleram
uma reacção em cadeia negativa
para a economia. As mais atingidas são as PME, que representam
uma fatia significativa do crescimento económico”, aponta Luís
Salvaterra, director-geral da Intrum Justitia Portugal, lembran-
do que “os atrasos exigem um esforço de vendas extra para compensar essas perdas”.
Os resultados do estudo revelam ainda que as empresas portuguesas têm dado particular
atenção à gestão do crédito, colocando-a na lista de priorida-
des como forma de “combater a
crise que ensombrou a maioria
dos negócios”. Contudo, 43% dos
inquiridos afirmou esperar 125
dias antes de recorrer a empresas
especializadas na recuperação
de crédito. Na Europa, a maioria
das empresas espera apenas 80
dias antes de dar este passo.
António Poças afirma que no
último ano se registou uma “deterioração” do cumprimento dos
prazos, sendo que hoje há “mais
dificuldade em receber”. O administrador da inCentea diz que
a situação leva a “desequilíbrios
de tesouraria paralisantes da actividade”, que a médio/longo prazo podem conduzir a “problemas graves de gestão de risco, desequilíbrios da estrutura económico-financeira e, em última análise, problemas de rentabilidade
insustentáveis pelos incobráveis
e custos de cobrança”.
Para Aurélio Ferreira, quando
se fala em atrasos nos pagamen-
tos “generalizar pode ser abusivo”. “Tenho clientes que pagam
hoje melhor do que antigamente
e outros que continuam a pagar
muito tarde”. O responsável da
DEM2 frisa que o importante é
que os pagamentos sejam feitos
no prazo acordado, porque os
atrasos se repercutem no dia-adia das empresas que deviam receber e não recebem. No imediato, afectam a sua liquidez e
provocam dificuldades de tesouraria. A médio/longo prazo prejudicam o investimento, que poderia dar origem a novos produtos e novos postos de trabalho, refere o empresário.
Também Elsa Almeida, da cerâmica Perpétua, Pereira e Almeida, aponta como consequências dos atrasos de pagamento a
possibilidade de “asfixia financeira”, que poderá levar uma empresa a entrar em incumprimento e, em última instância, à insolvência.
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Publireportagem
Leiriconsulte com novas
acções de formação
T A Leiriconsulte II – Recursos Humanos, Lda., Entidade Formadora
Certificada pela DGERT em diversas
áreas de Educação e Formação, no
mercado desde 1999, actua como um
veículo no saber saber, saber fazer e
saber ser, a todos aqueles que frequentam as suas acções de formação,
caracterizando-se como uma equipa
jovem e dinâmica.
Atenta, às necessidades de mercado do distrito de Leiria, distingue-se mais uma vez, em inovadoras áreas de formação, com enfase, nos meses de Junho e Julho:
Consultoria de Imagem: uma
nova área de formação que tem
vindo a assumir uma importância
cada vez maior na vida quotidiana
de grande parte da população
mundial, quer seja no contexto
pessoal, quer seja no contexto profissional, pois qualquer um que deseje a inserção no mercado de trabalho precisa de um esforço de
marketing para promover a sua
própria imagem. Na Leiriconsulte
II irá desenvolver workshop’s de
Imagem, com a colaboração de
uma profissional da área, com uma
vasta experiência no meio artístico/Moda e Televisão.
Cozinha e Pastelaria: com o Verão a chegar, chegam também as
férias, de pequenos e graúdos. Assim, e sendo a área da Hotelaria e
Restauração uma área em desen-
volvimento constante, a Leiriconsulte II volta a apostar em ofertas
formativas inovadoras, que permitam desenvolver e/ou aprofundar o gosto e as capacidades de todos na cozinha/pastelaria: para os
mais novos, a Leiriconsulte II lança o Curso de Verão – “Uma Aventura na Cozinha…”, um projeto
destinado a crianças e jovens com
idades entre os 10 e os 15 anos, com
o qual se pretende ensinar conhecimentos e técnicas básicas na
área da cozinha e pastelaria, bem
como elaborar alguns petiscos, bolos e sobremesas elementares. Os
participantes terão ainda a oportunidade de dar asas à sua criatividade através da arte do cake design, isto é, decoração de bolos e
bolachas. Para os adultos, a Leiriconsulte II, continua a apostar nos
Workshop’s de Cozinha para todas
as pessoas com interesse na área ou
que pretendam adquirir mais e
novos conhecimentos. Presentemente estão previstos o Workshop de Cozinha Vegetariana,
Workshop de Petiscos e Companhia e Workshop Cake Design.
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24 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Economia
Seminário na segunda-feira deu a conhecer vários mercados
Empresários de Pombal desafiados
a investir na América Latina
DR
Paula Sofia Luz
[email protected]
Vender vinho no Brasil? Sapatos
na Bolívia? Programas informáticos no Paraguai? Fazer estradas
no Perú ou escolas no Uruguai? O
céu pode ser o limite para os empresários portugueses que aceitarem o desafio de investir nos
países da América Latina, depois
de calculado o risco. Foi esse o
repto lançado em Pombal na segunda-feira passada, durante um
seminário promovido pela câmara municipal, IPADL e ADILPOM e no qual participaram várias dezenas de empresários do
concelho, seduzidos pela internacionalização.
“O segredo é conhecer as oportunidades. Não pensem que só as
grandes empresas é que podem
exportar para lá”, disse à plateia Paulo Neves, presidente da
direcção do IPDAL (Instituto para
a Promoção e Desenvolvimento
da América Latina), que se apresentou aos empresários locais
como amigo de longa data do
presidente da câmara, Diogo Mateus. De resto, já durante a campanha eleitoral o autarca sublinhara esse contacto, quando
anunciou estarem reunidas as
condições “para acolher representantes diplomáticos da América Latina que procuram oportunidades de investimento”.
Desta vez, o presidente quis pro-
A Carvalhos e Ferreira, empresa
detentora da Voga, um dos mais
antigos pronto-a-vestir de Leiria,
solicitou em tribunal a
insolvência. José Carvalho, um
dos sócios, explica que o recurso
a esta via tem como objectivo
“resolver um pequeno litígio
com um dos sócios”, mas frisa
que a empresa não tenciona ficar
a dever “nem um centavo seja a
quem for”. A loja, situada na
Heróis de Angola, está fechada
desde o início desta semana por
indicação do tribunal.
Alcobaça Made in
Cister debate sector
da cerâmica
Inúmeros empresários quiseram conhecer oportunidades
mover a troca de contactos, lançar as oportunidades e apresentar
“algumas cautelas”.
O encontro serviu essencialmente para promoção das oportunidades de negócio em países
como o Brasil, Bolívia, Colômbia,
Argentina, Peru, Chile, Uruguai e
Paraguai, México ou Venezuela.
A propósito deste último, Paulo
Banco juntou 300 convidados em almoço
Neves lembrou a importância do
envolvimento das autarquias e
governo como agentes privilegiados para fomentar a internacionalização das empresas: “Não
vendíamos nada para lá até que
um primeiro-ministro [José Sócrates] apostou naquele país”.
O exemplo serve de mote ao IPDAL, cuja última missão decorreu
em Fevereiro, no Paraguai. O sucesso não é ainda quantificável em
números, mas a presença, no encontro em Pombal, da ministra da
embaixada do Paraguai, Ana Rodrigues, bem como do empresário
Raul Pinto, deixou perceber os frutos. A próxima missão empresarial
está agendada para a semana de 15
a 22 de Junho, à Colômbia.
Campos e Cunha num debate em Leiria
Dinamismo empresarial de Leiria Retoma do investimento
atrai atenção do Montepio
depende de estabilidade fiscal
O dinamismo empresarial da região de Leiria está a ser “alvo de uma
atenção muito especial” por parte do
Montepio, que procura “ganhar quota de mercado e uma maior profundidade” na sua relação com o tecido
empresarial, afirma António Tomás
Correia. Em declarações ao JORNAL DE LEIRIA antes de um almoço com clientes realizado na terçafeira nas Cortes, o presidente do
banco referiu que o peso da região na
actividade da instituição “está alinhado” com o peso que tem no
contexto da economia portuguesa.
O responsável nega que o crédito às
empresas esteja mais difícil ou mais
caro, até porque se tem “vindo a assistir a uma grande competitividade”
entre bancos, que tentam reforçar a
Insolvência Voga em
tribunal para resolver
“pequeno litígio”
sua posição junto do “conjunto das
melhores empresas”. Segundo revelou, o Montepio concedeu o ano
passado um total de dois mil milhões
de euros de crédito às empresas
portuguesas. António Tomás Correia
reconhece que “vivemos um quadro
muito difícil”, mas acredita que, à semelhança do que aconteceu noutros
períodos, o País terá capacidade de
ultrapassar as dificuldades. “Para
isso é decisiva a atitude dos empresários e das empresas”, cujo trabalho e capacidade em muito tem
contribuído para o “quadro de estabilidade” que o País apresenta. O almoço em Leiria integrou um roadshow nacional que visa aproximar o
banco do tecido empresarial e estimular o empreendedorismo.
Os chumbos do Tribunal Constitucional foram um “sinal de confiança para os agentes económicos”,
defendeu Luís Campos e Cunha na
segunda-feira num debate em Leiria,
iniciativa do Instituto Politécnico e da
Visão. No evento subordinado ao
tema Impostos - a inevitabilidade do
sufoco fiscal?, onde participaram ainda Tiago Caiado Guerreiro, Joaquim
Paulo Conceição e Manuel Carvalho
da Silva, o antigo ministro das Finanças, citado pela Lusa, disse que as
posições daquele tribunal “traçaram linhas para o Governo, dizendo
que essas linhas não podem ser ultrapassadas”, o que funcionou como
“primeiro sinal de confiança para os
agentes económicos”. “Ninguém
pode criticar o Tribunal Constitu-
cional por fazer a sua obrigação”,
que é “velar pela constitucionalidade das leis”. Relativamente ao futuro, Campos e Cunha afirmou que
“não podemos ter uma retoma significativa do investimento” sem
um “mínimo de estabilidade das
políticas”, nomeadamente fiscais.
“Para haver investimento tem que
haver um business plan e para haver
um business plan tem que haver
uma ideia de quais são as leis laborais, quanto é que se vai pagar de
IMI, de IRS, de IVA, de TSU”, declarou, lembrando que “ainda hoje
se estão a alterar” leis laborais e alguns impostos, existindo “a ameaça de mais uma subida de impostos
se houver um chumbo do Tribunal
Constitucional”.
A primeira sessão do projecto
Made in Cister, do jornal Região
de Cister, tem lugar no sábado. O
auditório da empresa Spal
acolherá um evento que se
desevolve em vários momentos:
apresentação de um
documentário e da história da
cerâmica na região e uma
conferência sobre o sector, que
abordará aspectos como os novos
mercados, perspectivas de futuro
e turismo industrial, entre
outros. O projecto terá
continuidade em Julho, com o
sector das pescas.
Leira Sondalis
festejou
25.º aniversário
A Sondalis, empresa de
captações de água com sede em
Amor, Leiria, celebrou no
domingo os seus 25 anos com um
almoço na Quinta do Paul,
Ortigosa. O evento juntou cerca
de 350 pessoas, entre
colaboradores, clientes,
fornecedores, amigos,
representantes da banca e
entidades oficiais.
Com 35 trabalhadores, a
Sondalis, fundada em 1989 por
Jorge Cordeiro, tem como
principal actividade a execução
de furos de captação de água e
montagem de bombas.
O RETRATISTA
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 25
Economia Motores
Velocidade em formato 4C
A. Braz Heleno apresentou novo coupé da Alfa Romeo
JOANA CARRIÇO
Jacinto Silva Duro
[email protected]
T Um design arrojado, prestações
de 4,5 segundos dos 0 aos 100 km/h
e 137 cv são apenas algumas das
coisas que se pode dizer do novo Alfa
Romeo 4C que a A. Braz Heleno, concessionário em Leiria da marca,
apresentou na sexta-feira.
Perante este carro, a marca lança-nos um convite: “just drive”. E parece ser assim mesmo. O 4C pede
apenas para ser conduzido. Este
carro respira velocidade e prazer de
condução e a Alfa Romeo não poderia ter escolhido melhor automóvel para assinalar o regresso do fabricante ao mundo dos coupés desportivos.
Na sessão de apresentação não
foi possível testar o 4C na estrada,
contudo, foi possível perceber a
grande influência do 8C Competizione e do Alfa Romeo 33 Stradale neste veículo. Além da utilização de materiais como o carbo-
O Alfa Romeo 4C será
comercializado nos principais
mercados mundiais, sendo a
produção anual limitada a
apenas 3500 unidades, mil
destas destinadas à Europa. Os
primeiros 4C a chegar a Portugal
custam 65 mil euros – o valor
depende dos extras - e
pertencem à primeira série de
lançamento chamada Opening
Edition.
4C foi projectado pela Alfa Romeo e produzido na fábrica da Maserati
no e alumínio, e tracção traseira,
com uma frente em V, o design é
profundamente marcado pelo
mesmo espírito velocista.
Destaque para o novo motor 1750
Turbo Benzina, colocado em posição
Sodicentro leva Mercedes
Simplex Spider a jantar-tertúlia
T A fim de estar em exposição estática e prestigiar o jantar-tertúlia de
apresentação do segundo fascículo da
História da Indústria na Região de Leiria, dedicado ao sector da cerâmica,
publicado com o JORNAL DE LEIRIA,
que irá decorrer amanhã, sexta-feira,
a partir das 19:30 horas, no Hotel Villa Batalha, na Batalha, a Sodicentro,
concessionário Mercedes-Benz na
região, vai levar para aquele hotel um
exemplar do raríssimo Mercedes Simplex Spider, datado de 1907.
É impossível deixar de admirar
este veículo excepcional. O “conforto através da simplicidade” - daí o
nome Simplex – foi um dos grandes
objectivos da sua concepção pela
central, com injecção directa e bloco de alumínio, e para a caixa de velocidades de dupla embraiagem a
seco Alfa TCT de última geração e o
selector Alfa D.N.A. evoluído com
nova modalidade Race.
Projectado pela Alfa Romeo e
produzido na fábrica da Maserati,
em Modena, o coupé de dois lugares tem um comprimento de cerca
de quatro metros e distância entre
eixos de 2,4 metros, o que realça as
suas dimensões compactas, ao
mesmo tempo que lhe atribui uma
relação peso/potência inferior a 4
kg/cv. Se não ficou impressionado,
fique a saber que se trata do valor típico de um super-desportivo. Prevêem-se, portanto, acelerações de
colar ao banco e perder a respiração.
A velocidade máxima é de 258
km/h.
Just drive
Para optimizar o modo como o condutor sente o 4C, foi projectado um
banco envolvente que liga o piloto ao
volante da viatura. Além disso, a força do travão, tal como nos automóveis
de competição, é modulável, para
proporcionar a resposta mais acertada, mesmo nas travagens mais exigentes, a direcção não é assistida, mas
progressiva e directa. Por fim, o acelerador oferece resposta pronta, para
gerir as saídas de curvas com a maior
aceleração possível.
Dito isto, parece-nos apenas justificável que o novo lema da marca
italiana seja “just drive”.
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História da Indústria na Região de Leiria
Miguel Sampaio
[email protected]
Mil para a Europa
Preço a partir de 65
mil euros
Daimler através da veia criativa de Wilhelm Maybach. Destinado sobretudo a clientes da “alta sociedade”, o
veículo foi também carro de corrida
muito admirado pelo imperador alemão Guilherme II, sendo que o seu
aparecimento no mercado, enquanto modelo de produção, em 1902,
quase coincide com a criação do
nome Mercedes para a linha de modelos da fábrica Daimler-Benz.
A designação - Mercedes - foi registada a 23 de Junho de 1902 e a marca foi consagrada a 26 de Setembro
desse ano. Tudo porque o empresário Emil Jellinek usava o pseudónimo
Mercedes – o nome da sua filha de 10
anos – quando corria com os carros da
Daimler-Motoren-Gesellschaft dando grande fama aos automóveis da
marca.
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MIGUEL SAMPAIO
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26 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Economia
Investimento de 30 milhões de euros em Figueiró dos Vinhos
Biodinâmica Dental inicia produção durante o Verão
Babetes e embalagens de esterilização são alguns dos produtos que a
Biodinâmica Dental Products vai começar a fabricar este Verão na unidade de Figueiró dos Vinhos. A fábrica de produtos de odontologia e de
ortodontia, que representará um investimento total de 30 milhões de euros, deverá estar a laborar em pleno
dentro de um ano, revelou à Lusa
Eduardo Scarchetti.
O director-executivo explicou que,
nessa altura, a unidade deverá empregar 80 pessoas. Para já foram contratados sete trabalhadores, preven-
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O número
100
produtos diferentes, mas todos
relacionados com odontologia,
deverão ser produzidos a partir
do Verão de 2015 na unidade de
Figueiró dos Vinhos
do-se que no início de Junho outros
quatro integrem o quadro da empresa. O responsável acrescentou que, até
ao final de Maio, terão sido investidos
“22 milhões de euros”, verba que inclui a compra do imóvel e a sua adaptação, assim como os equipamentos.
“O que aqui se vai produzir são produtos odontológicos, que o médico
dentista utiliza nas consultas, como
cimentos, resinas, adesivos, ‘bráquetes’ metálicas ou cerâmicas”,
exemplificou Eduardo Scarchetti. Segundo o responsável, o destino da
produção da unidade de Figueiró
dos Vinhos é o mercado mundial, destacando, além do mercado nacional,
a Europa, Ásia e Estados Unidos, prevendo-se igualmente que “uma linha
de produtos vá para o Brasil”, onde
está sediado o grupo Biodinâmica.
O director-executivo disse à
Lusa que está prevista a produção
de 100 produtos diferentes, mas
todos relacionados com odontologia e explicou que a escolha de
Figueiró dos Vinhos se prendeu
com a localização mas também
com o “acolhimento” sentido pelo
grupo, que assim pode dar o seu
“contributo para o desenvolvimento da região”.
Para a câmara de Figueiró dos Vinhos, esta é uma unidade inovadora
e relevante que vai contribuir para o
desenvolvimento sustentável do concelho. Em Setembro do ano passado,
antes da apresentação pública do
projecto, a autarquia apontava que o
projecto, que conta com incentivos já
aprovados pelo Governo, “em muito
irá contribuir para a dinamização do
tecido económico e social do concelho”, sendo um “sinal de esperança e
confiança” nesta época difícil.
Prémio anual foi entregue a Andressa Bertranda
Gallo Vidro distingue aluna do
ISDOM com prémio Rocha e Silva
Daniela Franco Sousa
[email protected]
Andressa Bertranda, aluna do Instituto Superior D. Dinis (ISDOM),
da Marinha Grande, que concluiu em
2013 o curso de Contabilidade e Administração, foi a estudante agraciada com o Prémio Doutor Joaquim
Rocha e Silva, entregue esta terçafeira pela Gallo Vidro.
A distinção foi instituída há vários anos e pretende, por um lado,
não esquecer Joaquim Rocha e Silva, pessoa sempre muito ligada à
Gallo Vidro e também docente no
ISDOM, explica Paulo Mateus, responsável pelos Recursos Humanos nesta empresa da Marinha
Grande. Por outro lado, prossegue
Paulo Mateus, a distinção é também uma forma de incentivar os
alunos a prosseguirem estudos superiores.
Assim, todos os anos, a Gallo
Vidro entrega um prémio de valor
monetário ao melhor aluno do curso de Contabilidade e Administração do ISDOM.
Este ano, a entrega do prémio
realizou-se nas instalações da Gallo Vidro, no museu da empresa,
que conta a história desta fábrica
vidreira da Marinha Grande, na
presença de alguns membros da
administração da Gallo Vidro, do
presidente da Câmara Municipal da
Marinha Grande e da directora do
ISDOM.
A distinção foi entregue à aluna
(na foto, à esquerda) por Carlos Delclaux (à direita), presidente do
Conselho de Administração da Vidrala, multinacional espanhola
que integra a unidade da Marinha
Grande.
A ocasião serviu ainda para prestar homenagem a 16 colaboradores
da Gallo Vidro, 14 dos quais por 25
anos de carreira na empresa, e dois
deles por um percurso profissional
de 40 anos nesta fábrica.
DR
Responsável pela Vidrala entrega prémio a aluna
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 27
Economia Opinião
E o PIB caiu
Ser ou não ser
economia nacional, de Janeiro a Março de
2014, recuou 0,7% face ao último trimestre.
Este resultado está associado ao aumento
das importações, devido à recuperação da
venda de carros e ao abrandamento das
exportações, na sequência da paragem técnica na
refinaria da Galp, em Sines.
Estes resultados demonstram que a economia
portuguesa continua demasiado frágil e que os
valores alcançados, em trimestres anteriores, e tão
efusivamente elogiados pelo governo, não
correspondiam a uma trajectória sustentável, que
era afinal suportada, essencialmente, pela venda de
combustíveis. Uma ligeira brisa e o PIB caiu!
O desempenho da economia portuguesa continua
amarrado a um modelo que não se reconverteu e
um tecido económico que se fragilizou em
consequência das políticas adoptadas. No essencial
as reformas estruturais continuam por fazer, não
obstante todos os sacrifícios impostos aos
portugueses, supostamente para inverter a
situação.
Ora, um novo modelo económico, para além de
potenciar o que nos diferencia, tem de desenvolver
um perfil produtivo assente na inovação, capaz de
gerar valor acrescentado num mundo globalizado
cada vez mais competitivo.
A
Odete
João
Neste contexto o capital humano é um dos
factores determinantes para operar as mudanças
desejadas, de onde se destaca a qualificação dos
portugueses como imprescindível para garantir
uma nova etapa no desenvolvimento do país. A
educação e formação desempenham um papel
fundamental nas sociedades modernas e são o
garante para um crescimento inteligente,
sustentável e inclusivo, não só dotando os
cidadãos das competências e aptidões necessárias
para que a economia e a sociedade sejam mais
competitivas e inovadoras, mas, também, para
garantir a melhoria de oportunidades e a coesão
social.
O actual governo promoveu a emigração dos
mais qualificados, em particular dos mais jovens,
como uma inevitabilidade para o país, a par da
asfixia do mercado interno. O desinvestimento em
todas as áreas do conhecimento e em todos os
níveis de ensino faz com que o país retroceda em
todos os patamares alcançados: na ciência, na
tecnologia e na inovação. As políticas encetadas
desbaratam a aposta fulcral para o
desenvolvimento do país, degradam as condições
de vida e esmagam a esperança no futuro do país.
Deputada do PS
União Económica e Monetária:
A crise continua dentro de momentos
inda mal se levantava das cinzas da primeira
Grande Guerra, logo eclodia a segunda
(1939-45) e com ela uma gravíssima crise.
Tais efeitos aconselhavam medidas
conducentes à reconstrução de uma Europa em
escombros. Nessa esteira, logo em 1948 nasce o
primeiro tratado, o “Tratado de Bruxelas”, que
tinha por objectivo encontrar um modelo de gestão
de crises. Na sequência desse muitos outros foram
subscritos até aos dias de hoje numa União
composta 28 estados-membros.
Convirá referir, contudo, que muito antes daqueles
períodos bélicos a União já o era no pensamento e
na pena de um dos maiores humanistas; Vítor
Hugo, que, embora provindo dum meio burguêscastrense, já aí perscrutava latentes crises. E, nesse
modus vivendi se inspirou para escrever Os
Miseráveis (1862). Ao tempo colocou o dedo na
ferida dando conta de assimetrias económicas
agravadas por um despotismo jacente na Europa. E
disse;
“Virá um dia em que todas as nações do continente
(europeu), sem perderem a sua qualidade distintiva
e a sua gloriosa individualidade, se fundirão
estreitamente numa unidade superior e
constituirão a fraternidade europeia. Virá um dia
em que não haverá outros campos de batalha para
além dos mercados abrindo-se às ideias. Virá um
dia em que as balas e as bombas serão substituídas
pelos votos”.
Mas, voltando ao período do pós segunda Guerra
Mundial as crises tinham por corolário o ditado
português “casa onde não há pão, todos ralham e
ninguém tem razão”. E, ante a emergência de novos
confrontos bélicos urgia organizar a Europa
obviando mais e maiores crises. Ao tempo cada país
daquela Europa tinha a sua própria divisa. E diziam
os sábios: só vamos lá com uma moeda única.
Nessa esteira, de discussões/negociações nasce o
tratado Tratado da União Europeia, também
A
Leonel
Pontes
conhecido pelo “Tratado de Maastricht” por ter
sido assinado nessa localidade holandesa. O termo
União, desde o início do Tratado, usa-se para
representar o avanço num projecto histórico:
moeda única europeia – o euro – que,
efectivamente, nasceu a 1 de Janeiro de 1999. E
pensava-se: agora é que isto vai!
Porventura, o que não seria expectável, decorridas
praticamente sete décadas de Tratados
constitutivos da União esta continua à procura de
uma estratégia de gestão de crises em ordem a
encontrar sustentabilidade. Porém, hoje sabemo-lo
que na gestão e na vida das organizações, jamais
podemos ignorar que sempre hão-de existir crises
e, por isso, esta – a nossa, a da Europa -, dela muito
se falou, fala e vai falar sobretudo até ao próximo
acto eleitoral no próximo dia 25; após o que a crise
segue o seu percurso como se fora mesmo “o pão
nosso de cada dia”.
Enquanto isso o despotismo acerta o passo por
esta, ou vice-versa!
Técnico oficial de Contas
DR
a passada segunda-feira o
jornal Público citava um
interessante estudo sobre o
impacto económico dos
institutos politécnicos. Segundo este
estudo, o IPLeiria tem um impacto
regional combinado (direto e indireto)
de 171 milhões de euros, representando
cerca de 6% do PIB de Leiria. Por outro
lado, caso este número não
impressione e seja adepto da eficiência
do uso de fundos públicos (como todos
deveríamos ser), o estudo afirma que,
por cada Euro de financiamento, o
IPLeiria gera cerca de 8 euros. Ou seja,
o retorno do investimento público é
extraordinariamente elevado,
retirando argumentos aos arautos do
desperdício orçamental. Este
Politécnico tem registado uma
impressionante dinâmica no capítulo
da produção de conhecimento básico
(a nível de artigos científicos), mas
também aplicado (como demonstram
as estatísticas de patentes, que
colocam o IPLeiria entre as 3
instituições mais dinâmicas do país).
Ora, dirá o leitor, com um politécnico
destes, quem precisa de uma
universidade? Na verdade, todos
precisamos. As instituições de ensino
superior têm-se transformado ao longo
dos séculos, sendo a última
transmutação talvez a mais
significativa com o nascimento das
“universidades de investigação”.
Universidades como o MIT são
caraterizadas por estarem centradas
em doutoramentos e mestrados (onde
estão cerca de 70% dos alunos),
desenvolvendo conhecimento que é
potenciado em empresas (em parceria
ou que nascem de dentro da
instituição). A função de formação
inicial torna-se secundária (até porque
o envelhecimento da população o
torna inevitável). Ora, curiosamente
apesar da citada dinâmica do IPLeiria, a
região tem um desempenho pobre em
termos de gastos de I&D como
percentagem do PIB, estando abaixo da
média da região Centro e do país
(gastando apenas 0,8% do seu PIB em
I&D), e muito distante dos quase 3% da
região do Baixo Mondego. Estes gastos
em I&D têm, segundo as “Novas
Teorias do Crescimento”, um impacto
profundo no crescimento regional.
Esta I&D é feita maioritariamente em
empresas e universidades (em projetos
de mestrado e doutoramento), que
terão o potencial de criar novas
empresas ou mesmo novos setores
(veja-se o caso de alguns spin-offs da
Universidade de Coimbra, ou à escala
global, como o Google nasce de um
projeto de Doutoramento). No fundo, a
investigação produzida em
doutoramentos (e mestrados) é vital
não por uma questão de vaidade
institucional, mas pelos efeitos
económicos daí resultantes. Ser uma
universidade pode ser um imperativo
da economia do conhecimento, mas
também uma questão de justiça na
avaliação e no acesso ao mercado.
Membro do Conselho de
Administração da D. Dinis Business
School e docente do IPLeiria
N
Vítor
Hugo
Ferreira
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28 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
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EDITAL N.º 46/2014/DIAP
ASSUNTO: Hasta Pública n.º 3/2014 – Alienação de Imóveis do domínio privado do Município de Leiria.
Raul Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, no uso da competência que lhe é conferida pela alínea t) do n.º 1 do artigo 35.º do Anexo I da Lei n.º 75/2013, de 12 de setembro, torna público que a Câmara Municipal de Leiria, em sua
reunião ordinária de 22 de abril de 2014, conjugado com o seu despacho de 08 de maio de 2014, relativo à determinação da data do ato público, autorizou o procedimento de hasta pública para a alienação de imóveis do domínio privado do
Município de Leiria, nos termos e condições abaixo:
Data, hora e local da praça: A hasta pública realizar-se-á no dia 19 de junho de 2014, pelas 10:30 horas, na sala de reuniões da Câmara Municipal de Leiria, sita no edifício dos Paços do Concelho, Largo da República, 2414-006, Leiria.
Critério de adjudicação: O critério de adjudicação de cada lote é o da licitação de valor mais elevado.
Valor base de licitação de cada um dos lotes a alienar: O constante do quadro seguinte:
Lote
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
Designação/localização
Prédio rústico sito em Lourais, Telheiro - Barreira. Composto pinhal destinado
a reservatório de água. Confrontações: a norte, sul, nascente e poente,
Hermínio Carreira Borges. Área total: 235,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “A”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte,
Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 14 e arruamento; Nascente, herdeiros
de Joaquim de Oliveira e outros; Poente: Parcela “B”. Área total: 346,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “B”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte, Joaquim de Oliveira
Caseiro e outros; Sul, lote 15; Nascente, Parcela "A"; Poente, Parcela "C". Área total: 78,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “C”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte,
Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 16; Nascente, Parcela "B"; Poente,
Parcela "D". Área total: 72,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “D”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte,
Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 17; Nascente, Parcela "C"; Poente,
Parcela "E". Área Total: 76,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “E”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte,
Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 18; Nascente, Parcela "D"; Poente,
Parcela "F". Área total: 86,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “F”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte,
Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 19; Nascente, Parcela "E"; Poente,
Parcela "G"., Área total: 187,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “G”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte,
Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, lote 21 Nascente, Parcela "F"; Poente,
Parcela "H". Área total: 75,00 m2.
Prédio urbano designado por parcela “H”, sito na Zona Industrial Casal do Cego, Marrazes.
Destinado a zona verde não impermeabilizada. Confrontações: Norte,
Joaquim de Oliveira Caseiro e outros; Sul, arruamento público; Nascente,
Parcela "G" e lote 21; Poente, outros. Área total: 424,00 m2.
Prédio urbano, sito na Rua das Hortas (atualmente Rua do Moreiro), Barosa,
destinado a furo de captação de água (selado). Confrontações: Norte, Sul e Nascente,
António dos Santos Melo e Francisco Melo; Poente, Caminho público. Área total: 816,00 m2.
Prédio urbano em regime de propriedade horizontal, designado por “Fração E”, PISO 1,
LT 3, sita na Av. Adelino Amaro da Costa, Marrazes, destinado a comércio ou serviços,
com a área bruta privativa de 38,20 m2. Área total: 38,20 m2.
Prédio urbano em regime de propriedade horizontal, designado por “Fração F”, PISO 1, LT 3,
sita na Av. Adelino Amaro da Costa, Marrazes, destinado a comércio ou serviços,
com a área bruta privativa de 157,60 m2 e área bruta dependente de 11,25 m2.
Prédio rústico sito em Cardosa, Sismaria – Monte Redondo, composto por terra de semeadura.
Confrontações: Norte e Poente, Canal 4; Sul, António Duarte Rolo e Nascente,
Agostinho Duarte Rolo., Área total: 2.560,00 m2.
Freguesia
União de freguesias de Leiria,
Pousos, Barreira e Cortes
Artigo Matricial
R-11973
Descrição CRP
4216/Barreira
Valor base licitação
€ 284,35
União de freguesias de
Marrazes e Barosa
U-7113
9049/Marrazes
€ 1.730,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-7114
9050/Marrazes
€ 390,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-7115
9051/Marrazes
€ 360,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-7116
9052/Marrazes
€ 380,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-7117
9053/Marrazes
€ 430,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-7118
9054/Marrazes
€ 935,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-7119
9055/Marrazes
€ 375,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-7120
9056/Marrazes
€ 2.120,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-843
1104/Barosa
€ 34.270,00
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-6863/E
7633-E/ Marrazes
€ 43.169,79
União de freguesias
de Marrazes e Barosa
U-6863/F
7633-F/ Marrazes
€ 133.153,48
União de freguesias
de Monte Redondo e Carreira
R-5461
433/Monte Redondo
€ 5.573,00
AVISO n.º 24/2014
Assunto:
Alteração ao Regulamento e Tabela de
Taxas do Município de Leiria
Raul Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, em cumprimento do disposto
no n.º 1 do artigo 56.º da Lei n.º 75/2013, de
12 de setembro, torna público que a Assembleia Municipal de Leiria, em sua sessão ordinária de 30 de abril de 2014, sob proposta da
Câmara Municipal deliberada em sua reunião ordinária de 22 de abril de 2014, aprovou, por unanimidade, a quinta alteração
do Regulamento e Tabela de Taxas do Município de Leiria, que procedeu à eliminação
do ponto 4 do artigo 89.º da Tabela Geral de
Taxas Municipais, que constitui anexo a este
Regulamento, relativo à taxa por parecer ou
emissão de informação prévia sobre plantação de árvores, por hectare ou fração.
Mais torna público que a presente alteração
do Regulamento e Tabela de Taxas do Município de Leiria consta do teor do Edital n.º
47/2014, afixado no edifício dos Paços do
do Município de Leiria.
Entrega de propostas: As propostas devem ser entregues até às 16:30 horas do dia 18 de junho de 2014, no Balcão de Único de Atendimento da Câmara Municipal de Leiria, contra recibo, ou remetidas por correio, sob registo e com aviso de receção,
endereçado a Município de Leiria, Divisão de Aprovisionamento e Património, Largo da República, 2414-006 Leiria.
No caso de envio das propostas através de correio, deverá o proponente assegurar a entrada na Câmara Municipal de Leiria até à data e horas previstas no presente Edital.
Participação no ato público: Qualquer interessado poderá assistir e intervir na hasta pública ou seus representantes, devidamente identificados e, no caso de pessoas coletivas, habilitados com poderes bastantes para tal.
Ofertas de licitação: As ofertas de licitação são aceites em lances múltiplos de cinquenta euros para os lotes 1 a 9 e de quinhentos euros para os lotes 10 a 13.
Modo de pagamento: A importância devida pela alienação de cada lote é paga nos seguintes termos:
a) 25% do valor da alienação no ato da praça, a título de sinal e princípio de pagamento, devendo o adjudicatário provisório apresentar o respetivo comprovativo de pagamento à comissão da hasta pública;
b) 75% até à data da realização da escritura de compra e venda.
Impostos devidos: Serão da responsabilidade do adquirente, todos os impostos incidentes sobre a alienação do imóvel, nomeadamente, o IMT se houver lugar à sua liquidação, bem como os encargos decorrentes da sua transmissão (imposto de selo
e escritura pública).
Informação adicional: É parte integrante do programa da hasta pública a planta de localização dos imóveis e plantas dos edifícios bem como a caracterização do local face ao Plano Diretor Municipal em vigor no concelho de Leiria.
Consulta do programa da hasta pública: A presente informação não dispensa a leitura do programa da hasta pública que poderá ser consultado no sítio do Município de Leiria em www.cm-leiria.pt ou no Balcão Único de Atendimento do Município de
Leiria, sito no Largo da República, 2414-006 Leiria, das 9:00 horas às 16:30 horas.
Para constar se lavrou o presente edital que vai ser afixado no edifício dos Paços do Concelho, inserido na Intranet e na página electrónica do Município de Leiria e publicado em dois jornais do Concelho de Leiria.
Leiria, 12 de maio de 2014.
O Presidente da Câmara Municipal
Raul Castro
Jornal de Leiria - Edição n.º 1558.22.05.2014
Largo da República, 2414-006 Leiria • N.I.P.C.: 505 181 266 • Telef.: 244 839 500 • N.º Verde: 800 202 791 . Sítio: www.cm-leiria.pt • email: [email protected]
Concelho e publicitado no sítio na internet
Leiria, 13 de maio de 2014.
O Presidente
da Câmara Municipal de Leiria
Raul Castro
Jornal de Leiria - Edição n.º 1558.22.05.2014
Largo da República, 2414-006 Leiria • N.I.P.C.: 505 181
266 • Telef.: 244 839 500 • N.º Verde: 800 202 791
Sítio: www.cm-leiria.pt • email: [email protected]
Diversos
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 31
Ficha
Técnica
Fotodepilação - Estética
Medicina Complementar
10€
Buço
Facial Completo
30€
Virilhas
Completas
30€
Axilas 18€
Pernas Completas
+ Pés
60€
Prepare-se para o seu Verão
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244 092 411 - 918 879 540
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Lavagens completas
(Interior e Exterior)
Estofos Motor
Chassis Parafinar
FAZEMOS A RECOLHA
E ENTREGA DA SUA
JORLIS, LDA.
Gerência
Maria Alexandra Vieira,
João Nazário
Direcção Editorial
Maria Alexandra Vieira,
Arnaldo Sapinho
Orlando Cardoso
Director
João Nazário
([email protected])
Redacção
Raquel de Sousa Silva (coordenação)
([email protected])
Daniela Franco Sousa, Elisabete Cruz,
Graça Menitra, Jacinto Silva Duro,
Maria Anabela Silva, Miguel Sampaio
Copydesk
Orlando Cardoso
[email protected]
Colaboradores permanentes
Adriana Afonso, Ana Cristina, Bruno
Gaspar, Joaquim Paulo, Luci Pais,
Lurdes Trindade, Paula Sofia Luz, Sal
Nunkachov, Sara Vieira
Direcção Gráfica
Gabinete Técnico Jorlis
Paginação e Produção
Isilda Trindade (coordenação)
([email protected])
Rita Carlos
([email protected])
Serviços Administrativos/Assinantes
Cília Ribeiro
([email protected])
([email protected])
Tesouraria
Patrícia Carvalho
([email protected])
Serviços Comerciais
Lúcia Alves ([email protected]),
Rui Pereira ([email protected])
e Sandra Nicolau
([email protected])
Área de Projectos
Sandra Nicolau
([email protected])
Propriedade/Editor
Jorlis - Edições e Publicações, Lda.
Capital Social: €600.000
NIF 502010401
MOVICORTES - Serviços e Gestão - 90%
José Ribeiro Vieira (Herdeiros) - 10%
Morada
Parque Movicortes
2404-006 Azoia - Leiria
Email [email protected]
Telefones
Geral: 244 800 400
Redacção: 244 800 405
Fax: 244 800 401
Impressão Grafedisport
Distribuição VASP
Dia de publicação: Quinta-feira
Preço avulso: 1€
Assinatura anual: 35€ (Portugal)
65€ (Europa)
93€ (outros países do mundo)
Tiragem média por edição
Mês de Abril: 15 000 exemplares
N.º de registo: 109980
Depósito legal n.º 5628/84
Palavras cruzadas
(COM 16 CASA PRETAS)
HORIZONTAIS: 1- Alvitrei, julguei. O m. q. curiúva (Bras.). 2 – Tecido fino, espécie de
escumilha (pl.). Determinares a extensão. 3 – Ave semelhante à avestruz (pl.). O m. q.
Namaz. 4 – Derrubei. Pia ou gamela dos porcos. 5 – saia do sono, desperte. 6 – Césio
(s.q.). Planta labiada medicinal. Porco (Prov.). 7 – Tempo, época (Fig.). 8 – Repetiu.
Junte o que estava disperso. 9 – Agregarei. Sensação da necessidade de beber, principalmente água. 10 – Insecto ortóptero dos lugares húmidos. Estudar. 11 – Amola,
aguça (Arc.). Membrana que liga os dedos de certas aves, répteis e mamíferos aquáticos.
VERTICAIS: 1 – Grande navio antigo de carga. Intriga secreta, trama. 2 – Fêmeas do
pombo. Da mesma maneira. 3 – Filho de Abraão e de Sara. Suarda da lã. 4 – Um dos
sinais de trânsito. Língua vernácula indiana. 5 – Sobre. Uma das línguas dos indígenas americanos. 6 – O m. q. iene. Entregou. Imperfeito (abrev.). 7 – Cortejar, galantear.
Autores (abrev). 8 – Alto, cimo. Composições poéticas. 9 – Cordão que vai da bexiga
ao umbigo do feto (Anat.). Viela, arruela. 10 – Ore. Bicicleta de dois assentos. 11 – Relativo à deusa Isis. Prefixo, o m. q. aeri.
Solução do problema anterior: Horizontais: 1 – ATEAREI. AAM. 2 – DEITEI. URRE. 3
– OMS. GRANEAR. 4 – XI. SOALHADO. 5 – ADIA. SOAR. S. 6 – ONDA. UDAS. 7 – A.
SURI. OMIO. 8 – REACUSAR. NB. 9 – CINEMAS. LAR. 10 – ADIU. ANGOLA. 11 – ROA.
ACALCAR.
Verticais: 1 – ADOXA. ARCAR. 2 – TEMIDO. EIDO. 3 - EIS. INSANIA. 4 – AT. SADUCEU. 5 – REGO. ARUM. A. 6 – EIRAS. ISAAC. 7 – I. ALOU. ASNA. 8 – UNHADOR.
GL. 9 – AREARAM. LOC. 10 – ARAD. SINALA. 11 – MEROS. OBRAR.
Sudoku
O Jornal de Leiria está aberto à participação de
todos os cidadãos de acordo com o ponto 5 do
Estatuto Editorial
VIATURA NO SEU
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CP | | | | | - | | | | Localidade | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |
País | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Telefone | | | | | | | | | | | | | | | | | |
Profissão | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Habilitações Literárias | | | | | | | | | | |
N.º Elementos agregado familiar | | | NIF | | | | | | | | | | Data de nascimento | | | - | | | - | | | | |
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32 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Desporto
A melhor época de sempre
dos miúdos da União de Leiria
Sucesso Os iniciados ficaram em terceiro, os juvenis em décimo e os juniores em sexto. Às
dificuldades financeiras e de estruturas respondem os jogadores com empenho e superação
RICARDO GRAÇA
Miguel Sampaio
[email protected]
T Não, o Benfica, o Sporting e o FC Porto já não assustam os futebolistas de
formação da União de Leiria. Quer
uma prova? Na temporada que agora terminou, todas elas acabaram por
tropeçar frente aos miúdos com o emblema do castelo ao peito. É só mais
um sinal de que cada vez se obtêm
melhores resultados na Academia de
Santa Eufémia. E nem todas as dificuldades de sobrevivência do projecto
põe em causa a qualidade do trabalho
efectuado.
“Foi, claramente, a melhor época de
sempre para o futebol de formação da
União de Leiria”, garante Fernando
Encarnação, vice-presidente com
aquele pelouro. “Conseguimos resultados nunca antes obtidos, não só
ao nível pontual, como da própria classificação.” Senão, vejamos: a equipa
de iniciados apurou-se para a fase final – só com os quatro melhores – e garantiu um inédito terceiro lugar, com
4 pontos, à frente do FC Porto, equipa que foi derrotada (2-1) em Leiria. O
onze de José Horta empatou ainda em
casa com o campeão nacional Benfica e só perdeu as duas partidas com
o Sporting.
Os juvenis chegaram à 10.ª posição
geral entre todas as equipas que disputaram o Campeonato Nacional do
escalão. Apesar de não ser um resultado arrebatador, Fernando Encarnação valoriza o facto de ter passado
à segunda fase da prova, altura em
que conseguiram a coroa de glória ao
nível dos resultados: uma goleada por
4-1 sobre o Sporting de Portugal,
“mais um facto inédito pela diferença esmagadora de golos”.
Finalmente, os juniores, que à semelhança de 2011/12 e 2010/11 se apuraram para a fase final, com os oito
melhores. Desta vez, a equipa de Tiago Vicente obteve a sexta posição,
com novo recorde de pontos, 12, contra 7 e 4 nas últimas presenças. Mais,
alcançou empates com o FC Porto,
com o Sporting, e o campeão Sporting
de Braga pôde comemorar o título depois de empatar na Academia (2-2).
No cômputo geral, elhor do que a
União de Leiria, só os óbvios Benfica,
FC Porto, Sporting e Sporting de Braga. Mais ninguém. “Se me perguntasse se estava à espera destes resultados diria claramente que não, nem
nos sonhos mais ousados”, garante
Fernando Encarnação. “Esta época é
divinal, histórica e impressiva, resultado de um trabalho sem qualifi-
Principais clubes passam por dificuldades quando defrontam a União de Leiria
Os números
293
atletas, dos 5 aos 19 anos,
compõem as 19 equipas de
formação da União Desportiva
de Leiria
15.000
euros é o orçamento mensal do
departamento de futebol juvenil
da União de Leiria
cação possível por parte dos treinadores, dos dirigentes e dos atletas, que
com sacrifício e empenho transformaram as dificuldades em superação
e aprendizagem.”
Na génese destes êxitos está, entende o dirigente, a criação há meiadúzia de anos da Academia de Santa
Eufémia, que permitiu uma coisa tão
simples quanto isto: um relvado sintético para trabalhar. Só que o espaço já é manifestamente insuficiente
para as 19 equipas que lá treinam. Custa a acreditar, mas é verdade, há alturas em que um relvado onde deveriam estar 22 indivíduos a jogar estão
nada menos do que uma centena.
Na segunda-feira, por exemplo,
quatro equipas treinavam em simultâneo na Academia, entre as 19:30 e as
21:30 horas: os juniores em meio
campo, os juvenis A e os iniciados A
num quarto de campo cada e ainda os
iniciados B no campo de futebol de
cinco. E de vez em quando – mais vezes do que certamente gostariam - lá
têm de ir sofrer para o pelado dos Pi-
Aposta
Os jovens
e o plantel sénior
nheiros, que não tem local para tomar
banho e muitas vezes é vandalizado
por alguns indivíduos que fazem do
rectângulo de jogo uma pista de rali.
Ora, para Fernando Encarnação está
aqui o segredo do sucesso: a forma
Com um trabalho de formação de
novos jogadores deste quilate, seria como são encaradas as dificuldades.
“Não ficamos a chorar pela inexisexpectável que a União de Leiria
tência de espaços ou pelos problemas
apostasse fortemente na prata da
financeiros. Conseguimos muito com
casa para a equipa sénior, política
pouco. Há amor, muito querer e saque foi perdendo fulgor com o
crifício pessoal. E sorte, claro.”
desenrolar da temporada. “O que
Depois de uma temporada histódefendo é que só é possível
construir um clube com fidelidade e rica, o que podemos esperar da próxima época? Mais do mesmo? “Recritério financeiro se for feita uma
sultados não podemos prometer,
aposta clara e paciente dos activos
que são formados no departamento mas tudo faremos para replicar o trabalho, o empenho, o espírito de sade futebol jovem. Não me digam,
que não aceito, que os os jogadores crifício e o acompanhamento quase
paternal. Não podemos prometer
não têm qualidade, pois se servem
um ginásio – que todos têm menos
para estar nos melhores lugares do
nós – nem treinar a campo inteiro –
campeonato nacional de juniores,
que todos fazem menos nós – nem
também têm qualidade para jogar
que a cidade nos valorizem da mesno plantel sénior. É óbvio que têm.
Só precisam de uma oportunidade e ma forma que os de fora dão. Uma
coisa é certa, em Leiria vai continuar
que a aposta seja coerente”, disse
a trabalhar-se da mesma maneira.”
Fernando Encarnação.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 33
Desporto
Última jornada decisiva para a atribuição do título nacional de futebol feminino
Caldas ou Ourém? As novas campeãs vão morar na região
RICARDO GRAÇA
Miguel Sampaio
[email protected]
T Domingo, 16 horas. Os corações vão
precipitar-se num batimento descontrolado. Está na hora do apito inicial para os jogos que irão decidir o
novo campeão nacional de futebol feminino. Certo e sabido é que o título
não irá fugir à área de influência geográfica de Leiria, pois as hipóteses em
cima da mesa são Ourém e A-dosFrancos, no concelho de Caldas da
Rainha.
E pensar que há apenas dois anos
não havia equipas da região na 1.ª Divisão feminina... A ascensão tem
sido, desde então, meteórica. Em
2012/13, o Atlético Ouriense estreouse no patamar mais alto e foi logo campeão nacional. Esta temporada foi a
vez do GDC A-dos-Francos se apresentar nos grandes palcos e não se
quis ficar atrás. Venceu a primeira fase
e só perdeu gás nesta etapa final.
Mas vamos a contas. Quando falta
Campeão em título, Atlético Ouriense parte em vantagem pontual
uma jornada para terminar a competição, o Atlético Ouriense é líder, com
31 pontos. O segundo é o GDC A-dosFrancos, com menos um ponto. No
domingo, a equipa de Ourém recebe
Alavarium venceu os dois jogos
Colégio João de Barros cai
nas meias-finais da 1.ª Divisão
T A equipa de Paulo Félix foi incapaz de repetir o feito da temporada passada - em que chegou à final
do Campeonato Nacional da 1.ª Divisão de andebol feminino - ao ser
derrotada na meia-final da competição pelo Alavarium, que venceu a série por duas vitórias a
zero. Depois de na semana passada ter perdido por apenas uma
bola no reduto do adversário, em
Aveiro, por 23-22, o Colégio João de
Barros precisava de vencer o jogo
do sábado pretérito para adiar as
decisões para domingo. Não foi o
que sucedeu, com o Alavarium, actual campeão nacional, a triunfar
por 23-25 e a conseguir o apuraRICARDO GRAÇA
mento para a final, onde vai encontrar o Madeira SAD.
“Tem sido uma época muito difícil,
cheia de lesões em atletas nucleares, já para não falar do eterno
problema de haver várias jogadoras
a estudar e a trabalhar fora da região de Leiria, o que dificulta – e
muito – o treino colectivo. Não fizemos um bom jogo e a semana
também foi complicada por motivos profissionais das jogadoras. A
Eduarda Pinheiro, por exemplo,
só chegou na segunda parte do
jogo porque teve a bênção das pastas. O primeiro jogo, em Aveiro, podíamos e devíamos ter vencido,
de qualquer forma o Alavarium
tem armas que nós não temos e foi
isso que fez a diferença. Resta-nos
trabalhar para alcançar o terceiro
posto”, disse o treinador ao JORNAL DE LEIRIA.
Na disputa pelo último lugar do pódio, posição que o Colégio João de
Barros alcançou em 2011/12 e
2010/11, a equipa de Meirinhas,
concelho de Pombal, irá defrontar
o Colégio de Gaia, numa série uma
vez mais disputada à melhor de
três. O primeiro jogo é em Gaia, este
sábado, pelas 19 horas. Sejam quais
forem os resultados destes jogos de
atribuição do terceiro lugar, o sete
de Meirinhas tem uma vez mais garantido um lugar nas competições
europeias na temporada que se
avizinha, o que acontecerá pela
sexta temporada consecutiva.
o Clube de Albergaria, terceiro classificado, enquanto as miúdas de Caldas
da Rainha vão a Lisboa defrontar o Futebol Benfica, quarto e último desta
fase final.
A vantagem está, pois, do lado das
actuais campeãs nacionais, que procuram revalidar o título depois de terem entrado com pouco gás na competição, o que obrigou a uma mudança de técnico nos derradeiros jogos da primeira fase. Depois de uma
goleada sofrida perante o Futebol
Benfica (5-0), foi preciso agitar as
águas. Saiu o técnico Mauro Moderno, que tinha levado a equipa ao título, e entrou Marco Ramos. Desde
então, a equipa não voltou a perder.
Mais, apurou-se para a final da Taça
de Portugal. Segredos? Não há. “As jogadoras aperceberam-se que não podiam continuar a vacilar. Tentámos
pensar essas mensagem e as atletas
assimilaram. Qualidade, elas tinham”,
salienta o novo treinador.
O Atlético Ouriense partiu de trás,
mas ainda foi a tempo de ultrapassar
todas as adversárias.”Na fase final
ganhámos a todas as equipas e não
perdemos com ninguém e, por isso,
merecemos o título. Somos a equipa
mais consistente”, reforça Marco Ramos. Resta um jogo. Com o Clube de
Albergaria. O técnico está confiante.
“As atletas têm sentido de responsabilidade e sabem que temos de ganhar. O futebol é fértil em surpresas,
a bola pode bater no poste e não entrar, mas, com a nossa qualidade, temos tudo para revalidar o título.”
Mais a sul, o GDC A-dos-Francos
aguarda por um deslize e ainda sonha
com o título na temporada de estreia.
“Temos de fazer o nosso papel. O adversário, ainda por cima em casa
dele, não será fácil, mas o trabalho do
Atlético Ouriense também o será”, garante Paulo Sousa, treinador da equipa das Caldas da Rainha, que lamenta o facto de não ter conseguido vencer nenhum jogo em casa na fase final. “Se tivéssemos ganhado um desses jogos – e tivemos condições para
isso – chegaríamos à última jornada
em primeiro. São meninas de 16 e 17
anos que no último jogo, em Ourém,
acusaram a pressão.”
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como
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classificados
do Jornal de
Leiria ligue
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34 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Desporto
Futebol
Campeonato Nacional de Seniores
Apuramento de subidas – Zona Sul
Classificação
P J V E
Oriental
26 13 8 2
Benfica C. Branco 23 13 7 2
União Leiria
21 13 6 3
Sertanense
20 13 5 5
FC Ferreiras
19 13 6 1
CD Mafra
16 13 4 4
Pinhalnovense
11 13 3 2
Sportivo Loures 10 13 3 1
D
3
4
4
3
6
5
8
9
G
22-12
24-11
14-16
19-17
23-21
12-13
19-24
14-33
Última jornada 24 de Maio
Benfica C. Branco-Pinhalnovense, CD MafraUnião Leiria, FC Ferreiras-Oriental, Sportivo Loures-Sertanense
Divisão de Honra – AF Leiria
Resultados
GD Peniche-Sporting Pombal
Ginásio Alcobaça-GRAP
AC Marinhense-Guiense
AR Meirinhas-Figueiró Vinhos
Moita Boi-Pataiense
Nazarenos-Leiria e Marrazes
GD Pelariga-Alqueidão Serra
Vieirense-Beneditense
1-1
1-1
1-4
3-2
3-3
1-0
1-2
2-1
Classificação
Sporting Pombal
GD Peniche
Guiense
Ginásio Alcobaça
Pataiense
Alqueidão Serra
Vieirense
GD Pelariga
GRAP
Moita Boi
Leiria e Marrazes
Nazarenos
Beneditense
AR Meirinhas
Figueiró Vinhos
AC Marinhense
P
70
62
54
54
54
46
44
43
34
30
29
27
27
27
26
17
J
29
29
29
29
29
29
29
29
29
29
29
29
29
29
29
29
V E D
G
22 4 3 64-19
18 8 3 59-25
16 6 7 62-36
15 9 5 54-40
15 9 5 47-34
12 10 7 40-40
12 8 9 31-25
12 7 10 44-37
10 4 15 37-45
8 6 15 48-59
8 5 16 40-55
6 9 14 33-49
6 9 14 27-39
7 6 16 30-62
8 2 19 34-52
5 2 22 22-55
Última jornada 25 de Maio
Alqueidão Serra-Vieirense, Beneditense-Nazarenos, Figueiró Vinhos-GD Peniche, GRAP-AR Meirinhas, Guiense-Ginásio Alcobaça, Leiria e
Marrazes-AC Marinhense, Pataiense-GD Pelariga,
Sporting Pombal-Moita Boi
1.ª Divisão feminina – Apuramento de campeão
Classificação
P J V E D
G
Atlético Ouriense 31 5 3 2 0
6-3
A-dos-Francos
30 5 1 3 1
6-5
Clube Albergaria 26 5 2 1 2
7-7
Futebol Benfica 24 5 0 2 3
3-7
Última jornada 25 de Maio
Atlético Ouriense-Clube Albergaria, Futebol
Benfica-A-dos-Francos
Futsal
6-5
4-2
8-2
9-6
6-5
4-2
4-1
Classificação
P
Burinhosa
58
AM Portela
58
Quinta Lombos 53
Os Vinhais
49
Fabril Barreiro
44
Operário
37
Sportivo Loures 34
Amarense
34
Fonsecas e Calçada25
AMSAC
24
UP Venda Nova 24
Rabo Peixe
23
Albufeira Futsal 21
Mendiga
20
J
25
25
25
25
25
25
25
25
25
25
25
25
25
25
V
19
19
17
16
13
11
11
10
8
6
7
6
6
5
E
1
1
2
1
5
4
1
4
1
6
3
5
3
5
D
5
5
6
8
7
10
13
11
16
13
15
14
16
15
7-3
3-7
3-3
1-1
5-1
6-4
Classificação
P
Olho Marinho
53
Boa Esperança
52
MTBA
52
Eléctrico P. Sôr
49
Retaxo
38
Alhadense
38
GR Vilaverdense 29
Quiaios
29
Caldas SC
25
Os Patos
22
GARECUS
19
GDR São Bento
18
Belhó
3
J
23
23
23
23
22
23
23
22
23
24
23
23
23
V
17
15
17
15
12
11
8
8
8
6
6
5
1
E
2
7
1
4
2
5
5
5
1
4
1
3
0
D
4
1
5
4
8
7
10
9
14
14
16
15
22
G
86-62
93-44
93-45
98-55
89-56
74-65
81-91
81-91
86-95
82-111
73-111
54-81
53-136
Última jornada 24 de Maio
Alhadense-Belhó, GDR São Bento-Caldas SC, GR
Vilaverdense-MTBA, Olho Marinho-GARECUS,
Quiaios-Eléctrico P. Sôr, Retaxo-Boa Esperança
Nacional feminino – Apuramento de campeão
Resultados
1-4
CR Golpilheira-Rest. Avintenses
FC Vermoim-Novasemente
2-3
Quinta Lombos-ACRD Louriçal
3-0
ARJ Mogege-Benfica
0-2
Classificação
FC Vermoim
CR Golpilheira
Benfica
Rest. Avintenses
Quinta Lombos
Novasemente
ARJ Mogege
ACRD Louriçal
P
18
18
16
14
14
11
9
4
J
9
9
10
9
9
10
10
10
V
5
5
4
4
4
3
2
1
E
3
3
4
2
2
2
3
1
D
1
1
2
3
3
5
5
8
G
34-23
21-19
22-15
25-16
21-16
32-34
21-28
16-41
Próxima jornada 24 de Maio
CR Golpilheira-Quinta Lombos, Rest. Avintenses-FC Vermoim
Hóquei em patins
1.ª Divisão
Resultados
CH Carvalhos-Física T. Vedras
FC Porto-Benfica
HC Braga-HC Mealhada
HC Turquel-Paço Arcos
Juv. Viana-HA Cambra
Óquei Barcelos-Sporting
Sporting Tomar-Candelária SC
AD Valongo-Oliveirense
G
131-69
122-81
112-71
97-93
119-90
96-97
109-113
72-89
67-93
108-119
87-101
94-109
105-148
97-143
Última jornada 24 de Maio
Albufeira Futsal-AM Portela, AMSAC-Amarense,
Fabril Barreiro-Quinta Lombos, Mendiga-Os Vinhais, Operário-UP Venda Nova, Rabo Peixe-Burinhosa, Sportivo Loures-Fonsecas e Calçada
AD Valongo
FC Porto
Benfica
Juv. Viana
Oliveirense
HC Turquel
Óquei Barcelos
Candelária SC
Sporting
HC Braga
Paço Arcos
CH Carvalhos
Física T. Vedras
HC Mealhada
Sporting Tomar
HA Cambra
P
71
71
68
62
58
47
38
37
30
30
29
27
25
21
16
16
J
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
V
23
23
22
20
19
14
11
10
8
9
8
8
7
6
5
5
3-2
3-2
5-6
2-2
4-2
4-3
3-2
4-3
E
2
2
2
2
1
5
5
7
6
3
5
3
4
3
1
1
D
3
3
4
6
8
9
12
11
14
16
15
17
17
19
22
22
G
128-70
172-63
187-83
157-113
144-90
89-92
91-101
75-83
99-121
93-136
68-84
82-142
67-102
95-143
70-137
80-137
Próxima jornada 24 de Maio
Benfica-AD Valongo, Candelária SC-FC Porto, Física T. Vedras-HC Turquel, HA Cambra-Sporting
Tomar, HC Mealhada-Óquei Barcelos, Oliveirense-HC Braga, Paço Arcos-Juv. Viana, SportingCH Carvalhos
2.ª Divisão – Zona Sul
Resultados Última jornada
AD Oeiras-Ac. Coimbra
Alcobacense-Biblioteca IR
Escola Livre-Juv. Salesiana
HCP Grândola-Santa Cita
HC Sintra-Campo Ourique
Marítimo SC-Alenquer e Benf.
Entroncamento-Tigres Almeirim
Classificação final
P
HC Sintra
70
Tigres Almeirim 70
AD Oeiras
53
Alenquer e Benf. 48
Marítimo SC
44
Juv. Salesiana
39
GD Sesimbra
38
Alcobacense
36
HCP Grândola
35
Escola Livre
35
Biblioteca IR
34
Entroncamento 34
Campo Ourique 29
Ac. Coimbra
28
Santa Cita
9
J
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
28
V
23
23
17
14
13
12
11
11
10
9
10
11
8
8
2
E
1
1
2
6
5
3
5
3
5
8
4
1
5
4
3
D
4
4
9
8
10
13
12
14
13
11
14
16
15
16
23
G
158-88
162-94
135-102
124-109
151-152
114-119
130-125
106-123
121-123
102-109
79-100
112-136
106-123
103-121
69-148
6-5
1-3
3-0
4-3
8-2
6-6
8-6
Duarte Delgado subiu Plonéour-Lanvern
Emigrante de sucesso
pelas terras de Astérix
DR
Nota: As equipas da região – Alcobacense e Biblioteca, de Valado dos Frades – asseguraram a
manutenção no segundo escalão do hóquei em
patins nacional.
Nacional feminino – Fase final
Resultados
Ac. Coimbra-Sanjoanense
CH Carvalhos-HC Mealhada
HC Turquel-Benfica
Stuart HC Massamá-FC Alverca
4-3
2-1
0-4
9-1
Classificação
P
Benfica
31
Stuart HC Massamá26
Ac. Coimbra
25
CH Carvalhos
19
Sanjoanense
11
HC Turquel
7
HC Mealhada
6
FC Alverca
3
J
11
11
11
11
11
11
11
11
V
10
8
8
6
3
2
2
1
E
1
2
1
1
2
1
0
0
D
0
1
2
4
6
8
9
10
G
48-13
45-16
36-20
39-30
35-33
22-34
14-54
18-57
Próxima jornada 25 de Maio
Benfica-CH Carvalhos, FC Alverca-Ac. Coimbra,
HC Mealhada-Stuart HC Massamá, SanjoanenseHC Turquel
Andebol
2.ª Divisão – Fase de manutenção – Zona Sul
Resultados
28-33
Boa Hora FC-V. Setúbal
Ginásio Sul-Samora Correia
20-23
Marienses-AC Sismaria
34-30
NA Redondo-Vela Tavira
31-26
Torrense-Alto Moinho
27-27
Classificação
Maio-ACD Monte
2.ª Divisão – Série B
Resultados
AM Portela-Fabril Barreiro
Amarense-Operário
Burinhosa-Sportivo Loures
Fonsecas e Calçada-Mendiga
Os Vinhais-Albufeira Futsal
Quinta Lombos-AMSAC
UP Venda Nova-Rabo Peixe
3.ª Divisão – Série C
Resultados
Belhó-Retaxo
Caldas SC-GR Vilaverdense
Eléctrico P. Sôr-Olho Marinho
GARECUS-GDR São Bento
MTBA-Alhadense
Os Patos-Quiaios
Classificação
Boa Hora FC
Marienses
V. Setúbal
Torrense
Ílhavo AC
NA Redondo
Alto Moinho
Samora Correia
Ginásio Sul
AC Sismaria
Vela Tavira
P
42
36
33
32
31
30
29
28
27
27
23
J
4
3
4
3
3
4
3
4
3
4
3
V
3
1
3
2
1
3
1
2
0
1
1
E
0
0
0
1
0
0
1
0
0
0
0
D
1
2
1
0
2
1
1
2
3
3
2
G
128-118
81-87
128-110
79-66
73-77
102-102
88-96
98-99
66-74
99-108
75-80
Próxima jornada
Ílhavo AC-NA Redondo, Samora Correia-Torrense, V. Setúbal-Marienses, Vela Tavira-Boa
Hora FC (24 de Maio), AC Sismaria-Ginásio Sul
(25 de Maio)
3.ª Divisão – 2.ª fase – Zona Norte
Resultados
ACD Monte-Gondomar Cultural
Arsenal Devesa-Juventude Lis
Boavista -Estarreja AC
SIR 1.º Maio-Albicastrense
36-26
25-22
22-22
24-24
Classificação
Arsenal Devesa
Estarreja AC
Boavista
ACD Monte
Albicastrense
Juventude Lis
Gondomar
SIR 1.º Maio
P
33
26
25
23
22
22
13
12
J
11
11
11
11
11
11
11
11
V
11
7
6
6
5
5
1
0
E
0
1
2
0
1
1
0
1
D
0
3
3
5
5
5
10
10
G
371-257
331-299
283-266
301-290
312-305
267-249
268-356
244-35
Próxima jornada 24 de Maio
Albicastrense-ACD Monte, Estarreja AC-Arsenal
Devesa, Gondomar Cultural-Boavista , Juventude Lis-SIR 1.º Maio
Duarte Delgado, ao centro, comemora subida de divisão
Miguel Sampaio
[email protected]
T Foi há pouco mais de meio ano que
o JORNAL DE LEIRIA deu a conhecer os desportistas da região a dar
cartas no estrangeiro. Entre vários
nomes falámos de Duarte Delgado,
acabado de chegar a Plonéour-Lanvern, uma pequena e “tranquila”
vila bretã, bem perto da aldeia de Astérix, para ajudar a fazer subir o nível do hóquei em patins em França.
Duarte partiu para assumir a dupla
função de treinador e jogador e as
coisas dificilmente poderiam ter corrido melhor. Foi o melhor marcador
da equipa e em 18 partidas da zona
Norte da 2.ª Divisão, venceu 17, empatou apenas uma e festejou a subir
ao escalão principal cinco jogos antes do fim da competição.
Numa altura em que a colocação de
professores em Portugal é, cada vez
mais, um “pesadelo”, este licenciado em Desporto, de 30 anos, resolveu
arriscar. Para trás ficaram a Benedita, a família e os amigos. O objectivo
foi sempre subir de divisão e ter
concluído com sucesso a missão de
que foi incumbido deixa Duarte Delgado, jogador formado no HC Tur-
quel e com passagens pelo Sporting
Marinhense e Alcobacense, muito satisfeito. “A principal dificuldade foi a
barreira linguística, mas ser em simultâneo jogador e treinador não foi
nada fácil os primeiros tempos. Explicar o objectivo do treino e do
exercício, e corrigir aqueles que no
fundo são meus colegas foi, de início,
um processo complicado. No entanto, ultrapassada essa fase, começou a ser mais fácil. Tive a sorte de ter
um grupo que rapidamente compreendeu a minha posição e todos foram exemplares na dedicação ao
treino e respeitaram sempre as minhas opções.”
Tudo correu pelo melhor, e neste momento, a equipa encontra-se a disputar o título nacional da 2.ª Divisão,
com o Biarritz, vencedor da zona Sul.
No primeiro jogo conheceu o sabor
da derrota, por 9-7, mas há esperança de inverter o resultado na segunda mão, que será disputada a 7 de Junho. Duarte Delgado deverá continuar no Plonéor-Lanvern em 2014/5,
onde tem a companhia de outro jogador português, mas outros lusos
deverão chegar na próxima temporada para ajudar na luta pela manutenção. Será mais algum da região?
BTT 40 quilómetros
Cross country David
Rosa volta a ganhar na a Pedalar com
Solidariedade
Taça de Portugal
Depois de alguns resultados de
nível em provas no estrangeiro,
David Rosa impôs-se no passado
fim-de-semana na terceira etapa
da Taça de Portugal, realizada no
Fundão. O atleta olímpico, de
Fátima, cortou a meta isolado,
relegando o campeão nacional,
Mário Costa, para o segundo posto,
a praticamente três minutos. No
troféu tem agora 15 pontos de
vantagem sobre Mário Costa. Em
veteranos, Marco Sousa, da
Benedita, foi o vencedor.
A Santa Casa da Misericórdia de
Leiria organiza no próximo
domingo, dia 25 de Maio, o Passeio
de BTT Cidade de Leiria. A prova,
cuja inscrição custa seis euros mais
um alimento, com 40 quilómetros
de extensão e com grau de
dificuldade médio, tem um
carácter solidário, pois todos os
valores averbados revertem para a
causa social da Santa Casa da
Misericórdia de Leiria. Inscrições e
informações através do telemóvel
912 987 071.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 35
Desporto
Equipa de Kitó Ferreira está a uma vitória da promoção
Novos órgãos sociais
“A 1.ª Divisão é o sonho do povo
da Burinhosa e nós estamos à porta”
Bairro dos Anjos
traça objectivos
para o próximo
biénio
RICARDO GRAÇA
é agitada pela viagem. Queremos
que seja apenas mais um jogo, mas
claro que após o apito final do árbitro pode acontecer algo especial. O Rabo de Peixe é um adversário difícil, que se bate muito e
adora estes jogos. Pena que não
seja possível levar mais apoio – há
falta de voos disponíveis – porque
adoramos jogar para os nossos
adeptos.”
No ano passado, as coisas correram mal já perto do final da
temporada, mas Kitó espera dar
uma alegria a toda a aldeia. “A 1.ª
Divisão é o sonho do povo da Burinhosa desde que arrancaram
com o futsal e nós estamos à porta. É para isso que temos trabalhado.”
T A Associação Desportiva Cultural e Recreativa do Bairro aos Anjos
(BA), de Leiria, a cumprir no presente ano o 30.º aniversário, elegeu
no passado dia 9 de Maio, em assembleia-geral, os novos órgãos
sociais. Numa linha de continuidade, Mário Monteiro mantém o
cargo de presidente da direcção, ao
passo que Rodrigo Cardoso renova
como vice-presidente da direcção
e gestor das piscinas de Leiria, Caranguejeira e Maceira. Abílio Figueira é vice-presidente para as actividades desportivas e Maria Dolores Varino para as actividades
de cultura e recreio.
As prioridades alinhadas pela
direcção para o próximo biénio assentam na manutenção da actividade desportiva “ao nível dos últimos anos, com cerca de 250 atletas” nas três modalidades que a associação pratica, a natação – pura,
adaptada, sincronizada e pólo
aquático – atletismo e pentatlo
moderno.
Ao nível dos complexos desportivos municipais que estão a ser geridos pelo BA, é objectivo desenvolver “actividades regulares ao
fim-de-semana de zumba e ginástica sénior”, promover torneios de
futsal, andebol e basquetebol, e colocar barcos de aluguer no rio Lis
no parque da cidade. Relativamente ao complexo de piscinas de
Leiria, Rodrigo Cardoso salienta a
necessidade de “manter uma gestão de contenção de custos e ter a
instalação o mais cuidada possível
para os utentes”, e “continuar a incrementar provas de nível nacional”. Nas piscinas de Caranguejeira e Maceira é objectivo promover a utilização das instalações
pela população local e “manter
uma gestão de contenção de custos, face ao défice que apresentam”.
Futsal Olho Marinho
garante subida
à 2.ª Divisão
Atletismo Juventude
Vidigalense disputa
1.ª Divisão
A equipa sénior masculina de
futsal da União de Amigos de Olho
Marinho, do concelho de Óbidos,
garantiu este sábado a promoção à
2ª Divisão Nacional, ao empatar
em Ponte de Sôr, reduto do
Eléctrico, actual quarto
classificado, a três bolas. Com este
resultado, a equipa de Artur
Morais, que lidera a classificação,
garantiu uma vaga entre os três
primeiros, lugares que dão acesso à
subida de divisão.
O clube de Leiria garantiu, pelos
10.º ano consecutivo entre os
homens e 16.º entre as senhoras, a
presença na 1ª Divisão por equipas,
ao classificar-se entre as oito
primeiras na fase de apuramento,
quer decorreu em vários pontos do
País durante o fim-de-semana. A
equipa masculina apurou-se em
segundo e a feminina em quarto. A
competição será disputada nos
dias 31 de Maio e 1 de Junho, em
Fátima.
Miguel Sampaio
[email protected]
T Há meia-dúzia de anos a pequena aldeia da Burinhosa, ali bem
perto da praia de Paredes de Vitória, não tinha futsal. Não tinha, tão
pouco, pavilhão. No entanto, hoje,
está em posição de subir à 1.ª Divisão daquela modalidade, onde o
distrito de Leiria esteve representado até 2011, quando o Instituto D.
João V, do Louriçal, abandonou a
prática da modalidade. Na localidade da freguesia de Pataias, que
não tem mais de 800 habitantes,
não há jogo que decorra sem pelo
menos três quartos destas pessoas
estarem presentes, dos um aos 90
anos. É uma paixão recente, mas
avassaladora e os jogadores correspondem em campo com muitas
vitórias. Tantas que a promoção ao
principal escalão está a uma vitória de se tornar realidade. Este sábado, em Rabo de Peixe, na ilha de
São Miguel, o jogo da última jornada será absolutamente decisivo
Na aldeia do futsal, como já é conhecida, todos gritam, vibram e sofrem com o futsal. O Centro Cultural Recreativo e Desportivo da
Burinhosa é protagonista de uma
evolução meteórica e muitos se
interrogam como uma aldeia tão
pequena chega a este patamar. O
bairrismo explica. Cem a duzentas
pessoas passam diariamente pelo
pavilhão. Uns entregam-se à organização do clube, outros apoiam a
equipa. “É o resultado do querer e
do apoio de dois grandes filhos da
Burinhosa que estão emigrados, o
engenheiro Coutinho Duarte e o
doutor Rosas”, diz Kitó Ferreira,
treinador de equipa sénior, que
considera que o clube tem condições para estar na 1.ª Divisão, não
só ao nível da estrutura, como de
capacidade financeira e da pró-
Ultimate frisbee
Equipa de Leiria
obtém quinto lugar
A equipa Gambozinos, de Aveiro,
sagrou-se este fim-de-semana, no
Estádio Municipal de Leiria, campeã
nacional e ibérica de ultimate frisbee
de relva, derrotando na final o
Lisboa Ultimate Club (10-7).
Frisbillanas, de Sevilha, fechou o
pódio, ao passo que a equipa da
casa, o LFO – Leiria Flying Objects
(na foto), alcançou a quinta posição.
A competição nacional de ultimate
frisbee prossegue a 1 de Junho, com
o início da Liga de Praia, em Aveiro.
Burinhosa tem de ganhar em Rabo de Peixe
O número
2
é o número de atletas brasileiros
que compõem o plantel do CCRD
Burinhosa. Cássio e Nino são dos
melhores jogadores a actuar em
Portugal
pria moldura humana que assiste
aos jogos. Em casa são cera de
meio milhar e fora há sempre um
autocarro acompanhar a comitiva
A equipa parte amanhã para os
Açores, onde no sábado irá defrontar o Rabo de Peixe, antepenúltimo classificado. Ao Burinhosa só a vitória interessa para manter o primeiro lugar da classificação, o único que dará acesso ao patamar mais alto do futebol português, onde Sporting e Benfica dominam. Depois de ter falhado este
mesmo objectivo na temporada
passada por não mais do que dois
pontos, Kitó Ferreira prefere não
mostrar demasiado entusiasmo.
“Tentámos que a semana de trabalho fosse igual, mas a semana já
JOÃO LAGOA
36 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Viver
Mulheres são minoria
no pop-rock
Género Num momento em que nunca, como agora, a
música feita por artistas portugueses – cena musical de
Leiria, incluída - teve tantos e bons projectos musicais, as
mulheres, são ainda uma minoria e, na maior parte das
vezes, em vez de serem as intérprete são elas a razão para
as canções. Fomos tentar saber o que as demove de
integrar mais projectos musicais
Jacinto Silva Duro
[email protected]
T Quando se fala de mulheres no rock, há quem se
lembre de Courtney Love, vocalista das Hole, PJ Harvey, Anna Calvi, Pink ou Janis Joplin e há também
quem se recorde de Miley Cirus aspirante a bad girl
que, aparentemente, se fartou de ser a melhor amiga do Rato Mickey, Britney Spears, que seguiu um
caminho parecido, Beyoncé, Aguilera ou outras divas da música actual.
Por cá, com menos fogo de artificio e muito talento, vêm-nos à memória Aurea, Rita Red Shoes, Emmy
Curl, Sónia Tavares, Sofia Lisboa, Minta, Sequin (Ana
Miró) e, pelo menos duas bandas de rock femininas
que têm levando o girl power à mente e ouvidos de
muita gente: Anarchicks, que passaram há pouco pelo
Texas Bar, em Leiria, e Pega-Monstro.
Quando comparamos o número de mulheres que
formam bandas, a cantar a solo ou que integram grupos, com o de homens, percebe-se facilmente que, estes últimos, estão em maioria, em termos de projectos colectivos ou em nome próprio. E quando analisamos à lupa meios musicais mais pequenos, a discrepância é inegavelmente evidente. Estarão as mulheres “condenadas” a ser a razão das canções de amor,
amizade e vida, em vez de suas intérpretes, compositoras e instrumentistas?
O circuito musical de Leiria que lançou Silence 4,
como um dos maiores fenómenos da música con-
temporânea nacional está de novo em crescendo e
pretende regressar ao vigor desses tempos. Por que
razão há tão poucas senhoras na música, sendo que,
na região, as que há estão integradas em bandas de
rapazes? Por que razão não existem mais bandas exclusivamente femininas? Estarão as mulheres de
Leiria conscientes do papel que poderão ter neste fenómeno? Fomos tentar saber por que razão existe o
défice de participação feminina e quem são as mulheres na música da região.
Mais vocalistas que instrumentistas
“Realmente, foram poucas as instrumentistas ao
longo dos anos aqui em Leria, e as que havia eram,
maioritariamente também vocalistas”, diz Carlos
Matos. O promotor musical e presidente da Fade In
– Associação de Acção Cultural, admite, contudo, que
há uma nova geração que mostra uma tendência para
subverter essa situação. “Atente-se, por exemplo, no
caso de bandas como Backwater And The Screaming
Trees, Holy Northern Lights, Les Crazy Coconuts, António Cova e os Bordel Ravel, Dirty Coal Train – três
mulheres e um homem, sendo que uma dela é baixista e leiriense -, Black Sheep ou The Red Sones que
têm elementos de sexo feminino nas suas formações
e que são instrumentistas”, adianta.
São exemplos recentes que o promotor entende que
podem desencadear “uma espécie de emancipação
da mulher leiriense” em termos musicais, de composição e instrumentista entre as jovens. “Assim pode-
1 – Miss Cat e o
Rapaz Cão
2 - Holy
Northern
Lights
3 – Sequin
4- Sofia
Lisboa
se vir a equilibrar a balança entre os sexos que, tem
vindo a ser, ao longo dos anos, definitivamente desequilibrada. A mudança de paradigma está efectivamente nas mãos e na atitude desta nova fornada de
jovens criadores”.
Pedro Vindeirinho, responsável pela editora Rastilho Records, de Leiria, admite que, de modo geral, não
há, de facto, tradição de bandas femininas na música portuguesa. “Existem algumas - Anarchicks, por
exemplo -, mas a verdade é que o mundo da música
continua 'dominado' pelos homens.” E porquê? Vindeirinho, diz que não há uma razão aparente “porque
elas conseguem ser tão dotadas tecnicamente como
os homens”.
Mulheres numa banda são mais-valia
“A emancipação da mulher na música portuguesa não
está tão adiantada quanto se pode julgar”, afirma outro homem da música de Leiria. Hugo Ferreira, um dos
responsáveis pela Omnichord Records, cujo projecto
mais recente dá pelo nome de Leiria Calling e pretende
lançar a música da cena musical de Leiria a nível nacional e, eventualmente, internacional, afirma que não
se trata apenas de uma questão local e procura na memória e na história razões para que o baixo número de
senhoras atrás da bateria ou com as cordas de aço do
baixo nos dedos.
“Um factor que devia ter sido mais determinante foi o
aparecimento das Voodoo Dolls em Coimbra nos anos 90,
do século passado, que acabou por originar vários casos
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 37
DR
JACINTO SILVA DURO
Rockalheiras
Questão de
educação e
mentalidades
3
RUI MIGUEL PEDROSA I LIGHT PHOTOGRAPHY
1
DR
2
Amália de Alcobaça
Quando ter uma voz demasiado grave ajuda
No caso de Sónia Tavares, a
aclamada vocalista da banda de
Alcobaça The Gift, o facto de ser
uma menina de voz “demasiado
grave” fez com que, ainda antes
de se lhe adivinhar a fulgurante
carreira durante a qual chegou
mesmo a cantar Amália, não
fosse aceite no Conservatório
Nacional, conforme recordou ao
JORNAL DE LEIRIA. E ela que
até tinha levado a sua flauta
para as provas. “Concorri ao
Conservatório e não fui aceite.
Fui completamente
enxovalhada e até me
chamaram freak, porque,
aparentemente, não podiam
pôr-me a cantar com as
mulheres e não fazia sentido
porem-me com os homens. Não
fui admitida. E ainda bem que
não o fui! Fui bastante bem
preparada, levava uma ária de
música antiga, que tinha
ensaiado com um cantor lírico, e
RICARDO GRAÇA/ARQUIVO
a minha flauta para o caso de
não haver piano e ter de cantar
na capela e precisar da afinação
correcta. No entanto, às
primeiras três notas, fui logo
mandada calar e chamada de
'ridícula'.”
4
nacionais de mulheres a tocar, inclusive duas, também de
Coimbra, que foram ocupando o lugar de baixista na última década dos Mão Morta. É difícil ver mulheres a tocar bateria mas na guitarra, baixo e teclas já se começa a
ter alguns bons exemplos nas bandas mais recentes de Leiria, basta olhar para os projectos que este ano foram seleccionados para o Concurso ZUS!”, entende.
Veja-se o exemplo da nova coqueluche da música
de Leiria, First Breath After Coma, que começou o seu
percurso com Isabel Santos nas teclas. “Uma ou mais
mulheres numa banda podem marcar a diferença e são
uma mais-valia extremamente importante.”
Os tempos são de mudança, assegura Hugo Ferreira que aponta novos exemplos de grandes senhoras
na música nacional: “no hip-hop, a Capicua é a maior
figura nacional, no fado, a Ana Moura e a Gisela João
estão a ultrapassar Carlos do Carmo e Camané e, dos
poucos exemplos de bandas que se fizeram grandes
nos últimos anos há quase sempre uma mulher. É o
caso da Deolinda, Linda Martini e Amor Electro. Estou convencido que projectos como Pega-Monstro ou
Anarchicks tiveram maior impacto nos media precisamente porque são integralmente femininos. As
mulheres são, cada vez mais, precisas e necessárias”.
Esta é uma ideia de que Pedro Vindeirinho também
comunga. “Diria que há alguma falta de coragem para
subir a um palco. Quando elas perderem essa aparente
'vergonha' e forem incentivadas a pegar num instrumento, o mundo da música passará a ser dominado
pela beleza e sensibilidade femininas!”
“Há uma
questão ao
nível da
educação e
mentalidades.
Os pais
aceitam mais
facilmente
olhar para um
filho, homem,
numa banda
do que uma
filha”
T E elas? O que pensam sobre o reduzido número de mulheres no
mundo da música? Catarina Trocado Ribeiro, artista de Pombal, também conhecida pelo seu alter ego
Miss Cat, quando actua ao lado de
Rapaz Cão e sua guitarra, recorda
que, antigamente, nos estratos sociais mais altos as senhoras sempre
foram convidadas a tocar um instrumento musical; piano, harpa,
flauta, mas a participação em bandas
de rock, pop ou indie não é algo que
seja incitado.
“O que leva alguém a participar em
bandas é o gosto pela música e penso que isso tem de ser incentivado
durante o crescimento ou algo que
vem da própria personalidade da
pessoa. Posso estar a exagerar, mas
acredito que as mulheres não participam mais porque ainda nos é difícil conjugar essas actividades com a
vida familiar.”
Miss Cat afirma que há ainda um
certo estigma de ver meninas rockalheiras, mas, feitas as contas, entende que não se trata de um assunto de
géneros, mas de gostos, empenho e
incentivo. “Já fui comparada com dezenas de cantoras e parece que temos
que estar sempre num patamar acima para sermos vistas.”
Catarina já tentou aprender a tocar
viola baixo, com o pai, contudo, admite que não tem nem a disciplina
nem a paciência necessárias. Até já o
tentou usar no projecto Miss Cat e o
Rapaz Cão, mas tocar e cantar ao
mesmo tempo com rigor em ambos
os instrumentos – voz e guitarra - não
é fácil. “Não podemos comprometer
a voz em detrimento do instrumento, quando ela, entende-se no meio,
é a cara da banda. Eu não penso assim, pois acredito que as bandas vivem do conjunto.”
Raquel Laíns, promotora e responsável pela agência Let's Start a
Fire, não toca, não canta, não compõe, mas é uma verdadeira olheira de
novos talentos musicais. Esta menina, de ar frágil e ouvido apurado,
montou a sua agência em Lisboa,
mas é de Leiria, e é também a responsável pela promoção de bandas
e projectos como os Mão Morta, Alex
d’Alva Teixeira, The Glockenwise,
You Can't Win Charlie Brown, Noiserv, Anarchicks. Minta, e mesmo
Lloyd Cole, quando o cantor escocês
decide fazer tournées por Portugal.
“Há uma questão ao nível da educação e mentalidades. Os pais aceitam
mais facilmente olhar para um filho,
homem, numa banda do que uma filha”, diz. Para logo adiantar que a
imagem de uma mulher a tocar um
instrumento numa banda é muito
forte e menos comum. “Embora seja
compreensível que elas tenham menos à vontade para estar e progredir
num meio controlado por homens.”
38 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Curtas
Caldas Late Night regressa com Reacção 3.0
O Caldas Late Night está quase aí. Nos dias 29, 30 e
31, sai à rua, com performances, concertos,
instalações, teatro, entre outras iniciativas
culturais e artísticas, dinamizadas pela Escola
Superior de Artes e Design. A 18.ª edição deste
evento tem como mote Reacção 3.0.
LARA JACINTO
Marinha Grande Já cheira
a Pinhal das Artes
De 1 a 6 de Julho regressa mais uma edição do
Pinhal das Artes, a sétima deste festival para a
primeira infância que se realiza no Lugar das
Árvores, no Pinhal do Rei, junto à praia de São
Pedro de Moel, Marinha Grande. Teatro, música,
performance, ateliers, brincadeiras para pais,
filhos e famílias num cenário natural de grande
paz e beleza são apenas algumas das atracções por
que vale a pena ir a este evento, criado no seio da
Sociedade Artística Musical de Pousos, sediada
em Leiria e pela equipa responsável pelos famosos
Concertos para Bebés. Apesar de ainda não terem
feito a apresentação pública do evento, a equipa
liderada pelo maestro Paulo Lameiro levantou já
uma pontinha do véu e assegura que haverá
novidades e também alguns “repetentes”. É o
caso da companhia belga Theater De Spiegel que
ocuparão o novo Jardim da Luz com o espectáculo
Bzzz'T, na foto.
DR
O Projecto Troika
precisa de ajuda
O Projecto Troika, documento de memória futura sobre
os tempos difíceis por que o povo português vive
actualmente e que resulta da intervenção da Troika em
Portugal conseguiu já 41% do financiamento necessário
mas precisa de mais ajuda para alcançar os restantes 51%
até Setembro, através de uma campanha de
crowdfunding. Além de Adriano Miranda, Paulo
Pimenta, Bruno Simões Castanheira, António Pedrosa,
José Carlos Carvalho, Rodrigo Cabrita, Vasco Célio,
também o cineasta de Leiria Pedro Neves e a fotógrafa,
também de Leiria, Lara Jacinto, fazem parte do grupo de
nove autores – documentaristas e fotógrafos - que
pretendem editar um livro de fotografias e um filme. Há
meses, que o grupo está a trabalhar no terreno. “Foi por
Apresentação Books&Movies
arranca a 31 de Maio em Alcobaça
As Edições Escafandro lançam, a 31 de Maio, a
Antologia de Contos Escrever Alcobaça, que conta
com a participação de 11 autores do concelho: A.
M. Catarino, Domingos José Soares Rebelo,
Filomena da Cunha, JERO, José Alberto Vasco,
Luís de Sousa Alves, Maria Vicente, Nuno Matos
Valente, Sofia Quaresma, Vanda Furtado Marques
e Victor Amorim Guerra. O livro inclui ainda
fotografias ilustrativas dos contos pelos fotógrafos
João Costa e Eduardo Barrento. A apresentação
está integrada no festival Books&Movies e decorre
às 21 horas, na esplanada do Café O Capador. O
Books&Movies acontece entre 31 de Maio e 8 de
Junho e contará com vários eventos ligados ao
cinema e letras e convidados como Beatriz
Batarda (foto), Valter Hugo Mãe, Pilar del Río e
Raquel Ochoa, entre outros.
ESAD.CR Alunos criaram
ilustrações do Ingrediente secreto
vontade nossa que dissemos que nos queríamos apenas
financiar com a sociedade civil. Precisamos de 15 mil
euros para o projecto chegar a bom porto. São os custos
da paginação e impressão do livro e do DVD”, explica
Pedro Neves. Desde a década de 60 que não saía tanta
gente do País. Para muitos será uma viagem sem
regresso. Como partem estes portugueses? Em que
circunstâncias? O que sacrificam? Como sobrevivem à
partida os que ficam? O ajustamento está longe de ser
apenas financeiro. Em www.projectotroika.com estão
todos as informações sobre o projecto e as instruções de
como ajudar, a partir de um euro. “Se não puderem
contribuir com nada, ajudem-nos a passar a mensagem”,
pede Pedro Neves.
DR
Os estudantes da Escola Superior de Artes e Design
de Caldas da Rainha (ESAD.CR) estão a mostrar o seu
talento gráfico no programa Ingrediente Secreto, do
chef Henrique Sá Pessoa, na RTP1. Coube a um grupo
de alunos desenvolver as ilustrações dos
“ingredientes secretos” do mestre cozinheiro, no
âmbito da unidade curricular de Ilustração para
Design e Design Gráfico. A sexta temporada do
programa de culinária, estreou no dia 27 de Abril na
RTP1 e, durante 13 emissões, exibe as ilustrações
feitas na ESAD.CR. “Esta colaboração vai enriquecer o
programa e as receitas do chef Henrique Sá Pessoa e,
ao mesmo tempo, mostrar ao País o talento dos
nossos estudantes”, diz Teresa Amaral, docente e
orientadora do projecto.
Rita Gaspar Vieira expõe Linha
d’Água em Santa Clara-a-Velha
Rita Gaspar Vieira estreia no dia 24, a exposição
intitulada Linha d'água, no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, às 17 horas, com
comissariado de Andreia Poças. Residente em
Leiria, docente no Instituto Politécnico de Tomar,
no curso de Artes Plásticas Pintura e Intermédia e
doutoranda na Faculdade de Belas Artes de Lisboa,
explora a eterna relação do monumento com as
águas do Mondego, nesta mostra. “Ao simular
(replicar) por momentos a sua anterior função, Rita
Gaspar Vieira foi tornando visível a sua forma. A
posterior deslocação do molde-desenho para
colocação no interior do espaço-museu e aí, a sua
exposição com recurso a apetrechos modernos de
semelhante cariz utilitário, conferem à peça valor
acrescido enquanto registo das características do
modelo”, entende a curadora da mostra.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 39
Almanaque
RICRDO GRAÇA
Um problema (de)mente...
Mesa de
Cabeceira
Carlos
Matos
Gil Jerónimo, músico
Gostava de não ter o vício de usar
óculos de sol dentro de casa
Se não estivesse ligado ao mundo da arte, o que
seria?
Cozinheiro. Sempre tive um gostinho especial
pela culinária. Principalmente quando ouvia as
músicas do Quim Barreiros e pensava em comprar
uma panela de pressão.
O projecto que mais gosto lhe deu fazer
Les Crazy Coconuts. Foi um desafio e continua a
ser. Inicialmente, deixou-me um pouco confuso...
e na indefinição se iria resultar em algo com pés e
cabeça (pés já tínhamos).
É muito desafiante e todos os dias surgem ideias
novas.
O espectáculo, concerto ou exposição que mais
lhe ficou na memória
Patrick Watson, no Festival para Gente Sentada,
em Sta Maria da Feira
O livro da sua vida
O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry.
Foi-me oferecido quando tinha 25/26 anos, no
meu primeiro ano de faculdade, e disseram que
não podia acabar o curso sem ler aquele livro. Li-o
num dia. Foi na altura certa.
Um filme inesquecível
I am Sam, de Jessie Nelson, com Sean Penn,
Michelle Pfeiffer e Dakota Fanning
Se tivesse de escolher uma banda sonora para si,
qual seria?
O álbum Grace, de Jeff Buckley.
Um artista que gostaria de ter visto no Teatro
José Lúcio da Silva
Jeff Buckley
Uma viagem inevitável
Islândia. Pelas paisagens e acho que a ilha tem
uma mística qualquer, que me deixa muito
curioso.
Um vício que gostava de não ter
Usar óculos de sol dentro de casa...
Uma personalidade que admira
Carlos Matos. Pelo que faz pela música
independente e alternativa. Pelas pessoas que
gostam de ouvir coisas estranhas e do
underground. Se eu fosse presidente da Câmara de
Leiria dava o nome dele a uma rua da cidade!
Uma actriz que gostasse de levar a jantar
Laura Haddock, da série Da Vinci's Demons
Um restaurante da região
O Cardamomo, na rua Direita, em Leiria
Um prato de eleição
Salmão grelhado com migas feito pela
minha mãe
Um refúgio (na região)
O meu quarto!
Um sonho para Leiria
Que não perca esta imensa onda criativa,
cultural e que continue dinâmica.
Jeff Buckley
Laura
Haddock
Talvez seja pretensioso achar que,
não ter preconceitos, é uma virtude.
Talvez até ande na ilusão de ter essa
qualidade e não tê-la plenamente, o
que fará com que, neste particular,
viva numa falsa concepção de mim
próprio... A ser verdade, fico
desconfortável e enfurecido, pois
causa-me náusea a ideia de me
encontrar a fugir de mim mesmo.
Adiante... Quero focar-me no
essencial e começo logo em retóricas
desviantes e algo enviesadas. Não,
não é falta de nicotina. Já deixei o
tabaco há 14 anos e drogas, por
opção, nunca experimentei (Não
acreditam? Seus... Seus
preconceituosos!). Vamos lá
sintetizar, que esta verborreia
distrativa, a lado nenhum nos leva.
Sou a favor das liberdades
individuais de todo e qualquer
cidadão que goze das suas plenas
faculdades intelectuais, desde que –
condição sine qua non – essa
liberdade não interfira na minha
nem na dos outros. Respeito todos
os estilos de vida diferentes do meu,
os comportamentos, as orientações
sexuais e religiosas, os hábitos e
culturas distintas da minha (desde
que não haja tortura animal,
desrespeito pela natureza, ou
discriminação e violência humana –
lá está, afinal sou mesmo
preconceituoso, não é?). Nunca
julguei ninguém apenas pela
aparência. Quando era pequenito li
Este livro que vos deixo do poeta
popular semi-analfabeto António
Aleixo, e nunca me esqueci desta
quadra: “Sei que pareço um ladrão,
mas há muitos que eu conheço, que
não parecendo o que são, são aquilo
que eu pareço!”. Portanto o que
importa é ver o cerne além da
embalagem; deslindar a alma em vez
do rótulo; considerar o âmago em
lugar do invólucro. O preconceito é
inimigo da descoberta. É castrador
da sabedoria. Torna-nos obtusos,
promove a tacanhez, glorifica a
ignorância, camufla a essência,
castra a vivência de experiências
surpreendentes e, num estádio
agudo, aniquila toda e qualquer
manifestação de inteligência, ao
impedir, a priori, quaisquer tipos de
reflexões que possam contribuir para
o natural devir de que o ser humano
necessita para a sua própria
evolução. Não nos contentemos com
estereótipos ou intervalos
hermeticamente circunscritos.
Nunca digamos “dessa água não
beberei” pois pode ser mesmo essa
que um dia nos matará a sede e nos
salvará o escalpe. E agora, para
desanuviar destes considerandos,
vou dançar o kuduro inovador dos
portugueses Throes + The Shine
com o mesmo prazer com esta
manhã contemplei serenamente Die
Kulturnacht, o grandioso e épico
disco dos russo-dinamarqueses
Parzival. Que triste seria o (meu)
mundo a uma só cor…
Presidente da Fade In
40 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Entrevista
Pablo Pizarroartista plástico, autor da exposição Travessiasexposta no Núcleo de Arte Contemporânea do Museu do Vidro
Trabalhar o vidro é uma filosofia de vida
JOANA CARRIÇO
Jacinto Silva Duro
[email protected]
T Como aconteceu a sua ida à Marinha Grande, para expor no Núcleo de Arte Contemporânea?
Foi através de uma exposição que eu tinha na Real Fábrica de Vidros de la Granja, em San Ildefonso, cidade geminada com a Marinha Grande, na província de Segóvia,
em Espanha. A mostra foi visitada pela directora do Museu do Vidro, Catarina Carvalho, e pelo presidente da Câmara, Álvaro Pereira, e eles acabaram por me contactar.
Enviei-lhes novas informações sobre obras que lá não estavam expostas, o trabalho agradou-lhes, acabaram
por me convidar e aqui estou eu.
O que faz com que o vidro seja o seu material de eleição?
Sobretudo, a sua plasticidade... É um material “plástico”
e facilmente moldável, quando o trabalhamos. Quando
está exposto, é rígido, mas conserva muita alma. Todos
os materiais, tal como o vidro, a têm, é certo. Mas é preciso procurá-la...
O vidro não foi a sua primeira paixão. No início da sua
carreira, procurou outros materiais para expressar a sua
obra...
As minhas primeiras esculturas foram de cerâmica,
pois eu estava a trabalhar numa oficina que a trabalhava. Antes disso, tinha experimentado a pintura, mas a
transição para o vidro fez-se a partir da cerâmica, já que
estava a trabalhar com fornos e muitos materiais da cerâmica também se utilizam no vidro. A pouco e pouco,
comecei a conhecer artistas que criam a partir do vidro,
troquei experiências e ideias e tive uma formação na produção de vidro na Real Fábrica de Vidro de la Granja. Calculo que comecei esta aventura no vidro há cerca de 20
anos.
O vidro reciclado é algo que está presente em praticamente todas as suas peças. Agrada-lhe a ideia de lhe poder dar uma nova vida?
Trabalhar o vidro, e em especial o reciclado, é uma verdadeira filosofia de vida. Além disso, é um material que
tem muitas outras vantagens. Por exemplo, é uma matéria-prima económica e, quando se trabalha com vidro
reciclado e em grandes quantidades, torna-se mais fácil
ter acesso a mais material, pois ele abunda.
Por vezes, a transformação não é completa na sua obra.
Conseguimos entrever as formas, usos e desenhos anteriores. É uma forma preservação da identidade?
Sim. Por exemplo, uso muito as garrafas. É uma forma
interessante que me dá muito conforto. Por vezes, se tenho de utilizar uma forma prévia, prefiro usar o que já
existia e manter essa identidade. Fabricar uma garrafa é
demasiado complicado para mim, por isso, reaproveito
as suas formas, corto-as, estico-as e faço-as renascer.
Que temas aborda preferencialmente nas suas esculturas?
Gosto de trabalhar livremente. Quando entro no meu atelier/oficina, não tenho nada pré-concebido na cabeça. Inconscientemente, suponho que me inspiro noutras expressões de arte, na escultura, cerâmica, na literatura...
Mas gosto, acima de tudo, de ter liberdade no momento de me expressar. Entro na minha oficina, sem qualquer
condicionante, e, nesse momento, deixo-me levar para
onde as minhas emoções resolverem ir. Uma obra pode
mesmo começar de uma maneira e terminar de outra forma completamente distinta.
O que se pode ver na sua exposição na Marinha Grande?
Chamei Travessias à minha exposição, pois queria encontrar uma relação entre o meu trabalho e a epopeia dos
marinheiros, da Marinha Grande e também da minha travessia pessoal, nestes últimos anos. Levei também trabalhos que concebi nos últimos dez anos e outras peças
para as quais não tinha tido ainda espaço para as poder
expor. Abordo com elas várias temáticas: os medos, as
pessoas, as alegrias, as emoções e tudo o que tem a ver
com o mundo dos sentimentos. Para agradecer à Mari-
Madeira, aço e vidro fundido
Simbioses quase perfeitas
Desde sábado passado que o
Núcleo de Arte Contemporânea do
Museu do Vidro – Edifício da
Resinagem, na Marinha Grande,
acolhe a exposição Travessias,
vidro artístico contemporâneo, do
escultor espanhol Pablo Pizarro. A
mostra ficará aberta ao público até
14 de Setembro. Antes da
inauguração, ainda com as peças a
serem desencaixotadas, o JORNAL
DE LEIRIA esteve à conversa com
este artista plástico que junta
madeira, aço e vidro fundido,
numa simbiose quase perfeita e
quase natural. Pablo Pizarro
nasceu em Madrid, em 1969, é
licenciado em Engenharia Técnico-Industrial pela Universidade
Politécnica de Madrid, mas há
vários anos que tem uma oficina de
escultura e murais, em Toledo.
A exposição
Travessias,
apresenta um
conjunto de
esculturas em
vidro, aço e
madeira
reciclados, que
testemunham
várias etapas
criativas da
obra de Pablo
Pizarro:
Espacios de Luz
(2004/2005),
Arqueologia
Industrial
(2006),
Sinergias
(2010),
Inhospito
Habitado (2011)
e Primitivismo
Emocional
(2013). Exibe
ainda um
conjunto de
esculturas do
seu mais
recente
projecto
artístico Vidrio
y Floresta
(2014) no qual,
além do aço e
do vidro
reciclados, o
escultor
incorpora e
reutiliza
materiais
lenhosos, numa
alusão clara
à cidade da
Marinha
Grande
nha Grande o convite para ir expor no Núcleo de Arte
Contemporânea, criei uma nova colecção dedicada à cidade, da qual trouxe dez peças comigo e que os visitantes
vão poder ver.
Também há uma “travessia pessoal” nas peças que trouxe...
É a minha “travessia da vida”. Evidentemente, se a pessoa vai evoluindo, também a sua obra o faz. É essa a ideia
que eu pretendo passar; o modo como a evolução emocional de uma pessoa influencia a evolução do seu trabalho. Uso o vidro para o exprimir, mas também o aço
e, na nova colecção dedicada à Marinha Grande, utilizei
o vidro e a floresta. Ou melhor, a madeira de árvores com
o vidro. Dois dos materiais que identificam a cidade da
Marinha Grande.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 41
Arquivologias
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42 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Obrigatório
RICARDO GRAÇA/ARQUIVO
Estreia Cadernos de Estudos Leirienses
apresentados
T A Textiverso inaugura hoje uma nova colecção
denominada Cadernos de Estudos Leirienses cujo
primeiro volume vai ser apresentado, pelas 17 horas, na
sala da biblioteca particular de Afonso Lopes Vieira, na
Biblioteca Municipal de Leiria. A apresentação estará a
cargo do historiador Saul Gomes, que também é o
coordenador científico da colecção, e Ricardo Charters
d'Azevedo. Os Cadernos têm como objectivo
proporcionar aos investigadores, um veículo para a
divulgação dos seus trabalhos que tenham como
cenário o distrito de Leiria e territórios limítrofes. A
edição do 2.º volume dos Cadernos está agendada para
Setembro, em Pombal. Para encomendar os Cadernos
ou para submeter textos com vista a publicação, os
interessados deve ser usado email
[email protected].
DR
Batalha 24.ª Fiaba mostra
etnografia e tradições
T Está tudo a postos para a XXIV Feira de Artesanato e
Gastronomia da Batalha (Fiaba), que acontece entre 29
de Maio a 1 de Junho. Este ano, a exposição Mostra do
Mundo Rural e instalação de equipamentos de diversão
reforçam este evento dedicado à identidade e
etnografia portuguesa e da Alta Estremadura em
especial, com a presença de 60 artesãos de todo o País e
16 tasquinhas. Além da animação que conta com Florde-Lis, David Antunes & The Midnight Band e ainda Les
Crazy Coconuts, o destaque vai para a apresentação de
produtos endógenos como o mel, azeite, vinho e
doçaria. Para Paulo Batista Santos, presidente da
Câmara, a Fiaba assume-se como um evento de
importância para a Batalha e para a região, projectando
o concelho”. O certame será inaugurado no dia 29 às
18:30 horas.
Laborinho Lúcio à conversa sobre
O Chamador
TÁlvaro Laborinho Lúcio é o convidado da rubrica
À conversa com... que acontece no sábado, dia 24,
18 horas, na Arquivo Livraria, em Leiria. O antigo
ministro da Justiça, natural da Nazaré,
apresentará o livro O chamador, obra que marca a
sua chegada à ficção e que foge dos temas que o
autor até agora preferia abordar. Homem
institucional, juiz, ministro, deputado, Laborinho
Lúcio sempre falou em nome das instituições que
representava. Agora, aos 72 anos, o discurso é seu
e refere as suas memórias e o seu desejo de
verdade e ficção. Em O Chamador, editado pela
Quetzal, convivem o teatro, romance, memórias,
cinema e literatura. "Vivi toda a vida, devido às
profissões que exerci, a lidar com a verdade
factual das coisas. Mas dentro de mim sempre
percebi que a verdade que é aceite como tal
corresponde tão-só a uma expressão do poder.
Porque a verdade, pois, pela própria natureza das
coisas, essa nunca se atinge. Não estou a dizer
que há um relativismo absoluto. Apenas penso
que a verdade não é uma chegada. É um
caminho", explicou o autor recentemente ao
Diário de Notícias.
Leiturasdasemana
O Chamador
Álvaro Laborinho Lúcio
Editora: Quetzal
Mundo Ardente
Siri Hustvedt
Editora: D. Quixote
Na estreia ficcional de Álvaro Laborinho Lúcio, a itinerância
intelectual, a mobilidade geográfica e social, a diversidade
de tipos humanos retratados e a total disponibilidade para
melhor os conhecer e compreender derivam certamente
do riquíssimo percurso pessoal e profissional do autor: foi
juiz, procurador da República, procurador delegado do
PGR, inspector do Ministério Público, ministro da Justiça,
deputado à Assembleia da República, além de figura tutelar
de organizações humanitárias e de cidadania.Sempre
ligado à Justiça, operando num sector da vida pública em
que a garantia dos direitos de uns passa pela supressão dos
direitos de outros, Laborinho Lúcio presta aqui
homenagem aos proscritos e esquecidos da sociedade, e
restitui-lhes a estatura humana que lhe é devida.
Harriet Burden é uma artista plástica consumida pela
fúria. Sistematicamente menosprezada pelo meio
intelectual nova-iorquino, Harriet decide levar a cabo
uma experiência extrema a que chama Máscaras.
Escondida por detrás de três identidades masculinas, ela
tenciona revelar os preconceitos que imperam no
mundo das artes. Pretende também desvendar os
mecanismos da perceção humana e provar que ideias
sobre sexo, raça e celebridade influenciam a maneira
como olhamos para uma obra de arte. "O Mundo
Ardente" é um puzzle complexo e rigoroso, irónico e
lúdico, que o leitor vai montando de capítulo em
capítulo, decifrando pistas e mistérios. Uma obra
visceral, comovente e provocadora.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 43
Cidade Encantadana biblioteca de Leiria
A Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, em Leiria,
acolhe hoje e amanhã a iniciativa Cidade Encantada,
organizada em parceria com a câmara e com o curso
profissional de apoio à infância da Secundária Afonso
Lopes Vieira. Destina-se a crianças em idade pré-escolar,
que terão ao dispor brincadeiras e outras actividades.
RUI MIGUEL PEDROSA I LIGHT PHOTOGRAPHY
DR
Arquivo João, Teresa, Raimundo,
Maria, Joaquim, Lili expostos
T Carlos Drummond de Andrade escreveu o poema
e Ana Fróis desenhou a exposição João, Teresa,
Raimundo, Maria, Joaquim, Lili em exposição na
sala de exposições da Arquivo Livraria, em Leiria.
Porquê? Por causa da Quadrilha. “João amava
Teresa que amava Raimundo; que amava Maria
que amava Joaquim que amava Lili que não amava
ninguém; João foi para os Estados Unidos, Teresa
para o convento; Raimundo morreu de desastre,
Maria ficou para tia; Joaquim suicidou-se e Lili
casou com J. Pinto Fernandes que não tinha
entrado na história.” Pelo menos, foi assim que
Drummond de Andrade escreveu a história.
Obrigatório visitar esta magnífica exposição de
desenhos de Ana Fróis, em Leiria.
Silence 4, XL,
Xutos e Zus!
encerram Feira
de Maio
TO mau tempo que se previa para ontem à noite fez
com que o primeiro dos concerto previstos para a Feira
de Maio, em Leiria, fosse adiado para domingo. O
concurso Zus!, que tem como objectivo encontrar e
promover novos talentos da música entre alunos das
escolas do concelho, num evento que conta com
actuações de Nice Weather for Ducks, First Breath
After Coma, Backwater & The Screaming Fantasy, Holy
Northern Lights, The Black Sheep, Rooster Claw, Task
Force e The Redsnakes terá lugar, no Estádio
Municipal Magalhães Pessoa, a partir das 20 horas de
25 de Maio, último dia da Feira. Esta quinta-feira, sexta
e sábado, o recinto vai sofrer uma enchente de público,
para o “derradeiro” e, há muito, esperado concerto da
banda de Leiria, Silence 4, esperando-se mais de dez
mil espectadores. Amanhã, dia 23, é a vez de XL, na
foto, levar a sua Alternativa Live Band ao palco do
estádio. A partir das 23 horas, a Porta 3, do estádio
Municipal Dr. Magalhães Pessoa, abre-se para o MC de
Leiria apresentar nada menos que seis discos,
incluindo o recente Xpressão Lírica e ainda Got the
Game Locked, da Alternativa Família, ambos foram
editados este ano. O concerto de sábado será de Xutos
& Pontapés. Os “comendadores do rock” passam pela
cidade do Lis para apresentar ao vivo os temas do seu
mais recente álbum, Puro, que conta com canções
como Milagre de Fátima,
mas também os
grandes êxitos da sua
carreira, como Minha
Casinha ou Homem
do Leme, canções
que fazem a delícia
de quem, de braços
cruzados ao alto,
segue uma carreira
que começou há
35 anos, no palco
dos Alunos de
Apolo, em
Lisboa.
DR
Marinha GrandePorquê?estreia no
Auditório da Fábrica de Emoções
T Sábado é dia de estreia de nova peça no
Auditório da Fábrica de Emoções, na Marinha
Grande. Porquê? sobe ao palco pelas 19:30 horas,
pela mão do Triopulante - Teatro para todos.
Porquê? é espectáculo feito a pensar em crianças
com uma mensagem para todos. “Porque vivemos
num mundo em que cada vez mais somos
avaliados por aquilo que temos e não por aquilo
que somos.” Este é um espectáculo que
desconstrói a nossa forma de estar em sociedade e
enaltece a coragem de ser diferente”. Porquê? é
uma peça criada a partir do conto de Robert
Finsher, com tradução e dramaturgia de João
Pedrosa e interpretação de Rita Soares, Rebeca
Aizic, Sofia Duarte e João Pedrosa, que também
assina a encenação. O espectáculo é destinado a
crianças maiores de 4 anos.
DR
Ourém Música dos nossos avós
junta música, teatro e dança
T Inserido no Festambo – Festival de Música e
Dança da Academia de Música Banda de Ourém, a
Orquestra Típica de Ourém apresenta no sábado,
pelas 21:30 horas, na Praça Mouzinho de
Albuquerque, o espectáculo Música dos Nossos
Avós. Este projecto envolverá perto de duas
centenas de participantes. Além dos 60 músicos
da orquestra, haverá a participação de outros
grupos musicais, de dança e de teatro, como Os
Romeiros, Coral Infantil, Escola de Dança, Tuna
Templária, ATL Mágico, Jardim Infantil, Clube de
Artes da EBSO, Ourearte, Rui Sérgio e Ana Brás
(Chorus Auris). Esta iniciativa visa recordar temas
cantados na infância de outras gerações,
convidando os espectadores a recuarem no tempo
através das palavras e das danças que se faziam ao
som destas melodias.
Leiria Desassossego das Palavras e
Pedras apresentados sábado
T Bernardo Soares, heterónimo de Fernando Pessoa, é
o autor do Livro do Desassossego, obra grande da
literatura portuguesa e inspiradora do escultor de
Leiria, Abílio Febra, para a colecção Desassossego das
Pedras e para o livro Desassossego das Palavras, da
autoria de dez escritores e coordenado por Paulo
Kellerman. O conjunto de dez esculturas e a obra
literária têm lançamento marcado para as 17 horas,
deste sábado, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes
Vieira, em Leiria. A exposição inspirada naquele que é
considerado o mais difícil dos livros da obra de Pessoa,
terá patente os trechos onde foram inspiradas as peças
esculpidas em azul valverde, pedra calcária azul
escura/cinza da Serra de Aire e Candeeiros, estará
patente até ao dia 14 de Junho.
DR
44 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Cá dentro não chove, exposição
de João Gabriel Pereira, patente
na SEDE do colectivo a9)))),
Leiria, patente até 11 de Junho
N.º 91, exposição que reúne o
trabalho dos jovens artistas
Catarina Vicente, Daniel
Fernandes e João Gabriel
Pereira (alunos de mestrado em
Artes Plásticas na E.S.A.D),
patente no Museu José Malhoa,
Caldas da Rainha, até 1 de Junho
O Museu José Malhoa, Caldas da
Rainha, apresenta o projecto
WWW.TIPO.PT (consiste numa
base de dados sobre livros de
artista e edição de autor
produzidos em Portugal ou por
artistas portugueses), da autoria
de Catarina Figueiredo Cardoso
e Isabel Baraona, até domingo,
dia 25
Dança
A Praça da Gastronomia da Feira
de Leiria recebe hoje, 22, a partir
das 15 horas, um espectáculo de
Hip Hop, pela Associação
Cultura e Juventude Inatel,
seguindo-se às 16:30 horas,
Dance Fusion, pela Associação
de Solidariedade Académico de
Leiria. Às 18:30 horas, será a vez
da Academia de Dança e Música
do Colégio Sr. dos Milagres
apresentarem diversas
actividades artísticas, que
voltam a subir ao palco à mesma
hora do próximo sábado.
Domingo, às 17:30 horas, haverá
dança pelo Rans Studio
Integrado na Semana Cultural do
Lions Clube de Leiria, hoje, dia 22,
pelas 11 horas, haverá uma sessão
de filmes infantis (variadas curtasmetragens), no Teatro Miguel
Franco (TMF), Leiria. Para maiores
de 6 anos
Atelier Olhar, olhar... para a arte
(re)inventar, pelo Núcleo de Arte
Contemporânea do Museu do
Vidro, Marinha Grande, hoje e
amanhã, dias 22 e 23 e também nos
próximos dias 27, 28 e 30, das 9:30
às 11:30 horas. Para crianças do
ensino pré-escolar do concelho
O Festival de
Teatro de
Pombal 2014
apresenta
Tarará-Tchim
(dança e
música para
bebés), pela
companhia
Passos e
Compassos,
sábado, em
Pombal
Cinema
Teatro
O Festival de Teatro de Pombal 2014
apresenta Tarará-Tchim (dança e
música para bebés), pela
companhia Passos e Compassos,
sábado, dia 24, às 15:30 e 16:30
horas, no Teatro Cine de Pombal. A
concepção artística e espaço cénico
são de António Machado, Ricardo
Mondim e Sofia Belchior
Pequenos Grandes Olhares,
fotografia para crianças, entre as 15
e as 17 horas, na Arquivo Livraria,
Leiria
A exposição fotográfica Arte
Xávega na Nazaré- Fotografias
de António Balau, está patente
na Sala do Governador da
Fortaleza de Peniche, até 29 de
Junho
A Companhia Teatro Amador de
Pombal apresenta a sua mais
recente criação, Romeu e Julieta,
amanhã, dia 23, às 21:30 horas,
no Teatro Cine de Pombal. A
encenação é José Carlos Garcia e
Nádia Santos. Para maiores de 12
anos. Também no âmbito do
Festival de Teatro de Pombal
2014, a Companhia Gata
apresenta a comédia O Último
Golo (dramaturgia e encenação
de Adélia Ferreira), sábado, dia
24, às 21:30 horas, no auditório
da Junta de Freguesia de Abiul,
Pombal. Entrada livre
DR
Workshop Brincar com (a) Arte Pintores Famosos (Van Gogh),
sábado, dia 24, das 10 às 12:30
horas, na pimpumplay Leiria (em
frente ao Orfeão de Leiria), com
Liliana Gomes. Para maiores de 6
anos
Música para Crianças (dos 0 aos 3
anos), domingo, 25, pelas 11 horas,
no Espaço Jovem, Ourém, a cargo
da Ourearte - Escola de Música e
Artes de Ourém
Música
João, Teresa, Raimundo, Maria,
Joaquim, Lili, exposição de
ilustração de Ana Frois (visita
guiada ao poema de Carlos
Drummond de Andrade), na
galeria da Arquivo Livraria,
Leiria
Leiria não se faz sozinha 2, tertúlia
sobre as potencialidades da cidade
para a inclusão, promovida pela
InPulsar-Associação para o
Desenvolvimento Comunitário,
hoje, dia 22, pelas 16 horas, na
Arquivo Livraria, Leiria. O evento
integra uma exposição de fotografia
de Ricardo Graça com textos de
Vanda Baião, Um olhar sobre a
cidade, assim como um momento
musical, por Bruno Homem (SAMP)
e ainda um Momento de Leitura, às
18 horas, por Vanda Baião
1º Festival de Caril, sábado, dia 25, a
partir das 13 horas, na sede da
Acrenarmo - Associação Cultural,
Recreativa dos Naturais e Exresidentes de Moçambique (junto
ao castelo de Leiria), para
comemorar o Dia de África. Estarão
presentes cinco restaurantes da
região, que darão a degustar
especialidades de caril, ao som de
muita música e danças africanas
Desassossego das pedras,
exposição de escultura de Abílio
Febra, inspirada no livro
Desassossego de Bernardo Soares
(heterónimo de Fernando
Pessoa), inaugura sábado, dia
24, pelas 17 horas, na Biblioteca
Municipal de Leiria (BML), onde
fica patente até 14 de Junho
Crianças
Artes
DR
Eventos
Agenda
Silence 4 em concerto ao vivo hoje,
22, pelas 23 horas, no estádio
municipal de Leiria (Porta 3).
Sábado, 24, pelas 23 horas, será a
vez do concerto com os Xutos &
Pontapés, no mesmo espaço e à
mesma hora. Amanhã haverá
Hip-hop com XL (autor, compositor
literário, intérprete, produtor
musical e locutor de rádio) e Noite
de DJ’s, com Litos Diaz (colaborou
no disco Desfado, de Ana Moura),
Pedro Carrilho e Pedro Cazanova
Combos Rockschool do Instituto
Jovens Músicos, em concerto
amanhã, dia 23, pelas 22 horas, na
Feira de Leiria. Sábado, à mesma
hora, actua o Grupo Cantares
d’Amigos - ACRM Silveirinha
Grande e Claras
Brincando e Pianando, por Eurico
Faria, domingo, 25, às 15 horas, no
TMF, Leiria, no âmbito da Semana
Cultural 30 anos Lions Clube de
Leiria
Grupos corais Obras Sociais do
Pessoal da Câmara Municipal de
Leiria e Ninfas do Lis em concerto
sábado, dia 24, às 21 horas, na igreja
matriz de Colmeias, Leiria. Entrada
livre
O ciclo de
cinema,
integrado na
Semana
Cultural do
Lions Clube de
Leiria exibe
amanhã, dia
23, no Teatro
Miguel
Franco, o
filme
holandês
Meet the
Fokkens-Que
belas irmãs!
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 45
LEIRIA
Cineplace
Leiria Shopping . Tel. 760789789
De quinta a quarta-feira
Sala 1 . Godzilla- 3D . 14:00 e 19:00
horas; Sala 1 . Godzilla - 2D . 16:30,
21:30 e 00:00* horas; Sala 2 . O
Fantástico Homem Aranha - 2D .
16:00, 21:40 e 00:30* horas; Sala 2 .
O Fantástico Homem Aranha - 3D .
13:10** e 18:50 horas; Sala 3 .
Transcendence - 2D . 14:20, 16:50,
19:20, 21:50 e 00:20* horas; Sala 4 .
Rio 2 - 2D . 14:00 e 16:20 horas;
Sala 4 . Joe - 2D . 18:40, 21:10 e
23:40* horas; Sala 5 . Hercules a
Lenda Começa - 2D . 13:00**, 17:30
e 22:00 horas; Sala 5 . Não Há Duas
sem Três 2D . 15:10, 19:40 e 00:10*
horas; Sala 6 . Os Marretas (35mm) .
13:50** e 16:10 horas; Sala 6 . Noé
(35 mm) . 18:30, 21:20 e 00:15*
horas; Sala 7 . Má Vizinhança - 35
mm . 13:20**, 15:30, 17:40, 19:50,
22:00 e 00:05* horas;
* Sessão Válida Sábado e Domingo;
** Sessão Válida Sexta, Sábado e Véspera de
Feriados
CALDAS DA RAINHA
VIVACINE . Tel. 262 840 197
De quinta a quarta-feira
Sala 1 . Grace do Mónaco . 12:50***,
15:20, 17:50, 21:25 e 23:45** horas;
Sala 2 . Má Vizinhança . 13:00***,
15:40, 18:05, 21:30 e 00:05** horas;
Sala 3 . X-Men 2D . 12:40***, 15:30,
18:25, 21:20 e 00:10** horas;
DR
Letras
O ciclo de cinema integrado na
Semana Cultural do Lions Clube de
Leiria (que este ano comemora 30
anos de existência) continua hoje,
dia 22, pelas 21:30 horas, no TMF,
com Linha Vermelha
(documentário de José Filipe Costa,
numa revisitação do emblemático
filme A Torre Bela, sobre a
ocupação de uma herdade no
Alentejo pelos seus trabalhadores,
no pós 25 de Abril. Amanhã, dia 23,
à mesma hora, será exibido o filme
holandês Meet the Fokkens-Que
belas irmãs! (na foto), de Gabriëlle
Provaas e Rob Schröder (maiores de
16 anos). Este divertido
documentário fala sobre duas irmãs
gémeas, com mais de 70 anos,
prostitutas no Red Light District de
Amesterdão, há mais de 50 anos
À conversa com... Álvaro
Laborinho Lúcio, a propósito do
livro O Chamador, sábado, dia
24, às 18 horas, na Arquivo
Livraria, Leiria. No mesmo
espaço mas na próxima quartafeira, dia 28, pelas 18:30 horas,
haverá mais um sessão do Clube
de Leitura Arquivo, sobre o livro
Intempérie, de Jesús Carrasco
Apresentação do primeiro
volume de Cadernos de Estudos
Leirienses, hoje, dia 22 (Dia da
Cidade de Leiria) pelas 17 horas,
na BML, por Saul António Gomes
e Ricardo Charters d’Azevedo
Lançamento do livro Nas asas
do corvo, de Maria Gaspar,
sábado, dia 24, pelas 17 horas,
no auditório dos Paços do
Concelho de Ourém, numa
organização da Chiado Editora
Lançamento do livro
Desassossego das Palavras, a
partir da exposição de Abílio
Febra com o mesmo nome,
sábado, dia 24, pelas 17 horas,
na BML. A obra é coordenada
pelo escritor Paulo Kellerman,
com participação de diversos
outros autores
Palavras Acompanhadas é o
mote de mais um Café com
Livros (pretexto para mais um
encontro, uma conversa e um
café), sábado, dia 24, às 15:15
horas, no Moinho do Papel,
Leiria. Com uma especial
estreia de sons e um doce
sabor a Primavera. A iniciativa
é do grupo Trestúlias
com(vida) e conta com a
participação de Janus.pt
(projecto musical)
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46 Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014
Gente&lustre
Desenvolvimento
Academia Cidadã
Regional Ana Abrunhosa Pedro Santos é
vai presidir à CCDRC
Personalidade do Ano
Festival Português
Contratenor de
Alcobaça em Boston
Annarella Sanchez
Convidada a dar aulas
em Nova Iorque
Eleições Lino Ferreira
é o novo presidente
da Acilis
A economista Ana Abrunhosa vai
presidir à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do
Centro (CCDRC), sucedendo a
Pedro Saraiva, segundo avança o
Jornal de Notícias. A também
professora da Universidade de
Coimbra foi vice-presidente da
CCDRC, nomeada por José
Sócrates, entre 2008 e 2010, ano em
que passou a vogal executiva do
Programa Mais Centro.
Luís Peças actuou na passada
sexta-feira na Emmanuel Church,
em Boston (USA), acompanhado
por João Paulo Santos, organista
oficial da Sé de Leiria. A actuação
deste contratenor de Alcobaça
inseriu-se no Festival Português
de Boston, organizado pelo
Camões-Instituto da Cooperação e
da Língua. Luís Peças tem
realizado recitais em diversos
festivais internacionais.
O trabalho e os prémios
alcançados pelos seus alunos, no
Youth America Grand Prix,
concurso que decorreu no mês
passado em Nova Iorque, não
passou despercebido. Annarella
Sanchez, professora de bailado
cubana radicada há décadas em
Leiria, recebeu um convite para
integrar o corpo docente da
American Academy of Ballet, de
Nova Iorque, em Julho.
Foram eleitos e empossados na
passada sexta-feira os novos órgãos
sociais da Associação Comercial e
Industrial de Leiria, Batalha e Porto de
Mós (Acilis) para o triénio 2014-16.
Lino Ferreira (na foto), em representação da inCentea Capital, preside à
direcção, cargo que já tinha ocupado
entre 1998 e 2003. À Assembleia Geral
preside António Lucas (Gesfil-Gestão
e Fundos Financeiros) e ao Conselho
Fiscal preside Luís Coelho (Codi).
Activista e jornalista (Visão)
natural de Porto de Mós, Pedro
Santos recebeu a distinção de
Personalidade do Ano, nos Prémios
Europeus da Cidadania Democrática
2014, ao lado de João Labrincha,
ambos fundadores da Associação
Academia Cidadã. Organizado pelo
European Civic Forum (Fórum
Cívico Europeu), votaram para este
prémio mais de 10 mil pessoas,
através da internet.
HistóriadeVida Manuel Sousa
“Sinto que sirvo de exemplo para os miúdos”
GRAÇA MENITRA
Graça Menitra
[email protected]
Manuel Sousa recebe hoje a medalha de bronze da
Cidade de Leiria, atribuída pela Câmara Municipal,
“pelo brilhantismo da sua carreira desportiva e pela
defesa da inclusão”, sendo mesmo apontado com um
verdadeiro exemplo de “coragem e estoicismo”.
Praticante de desporto há mais de 20 anos, este atleta
paraplégico, 60 anos de idade, destacou-se no
atletismo, maratona e meia-maratona, com
participações em competições em vários países, como
Japão e Estados Unidos. Uma distinção a juntar a
muitas outras, entre elas o Prémio Liz de Ouro - Melhor
Atleta do Distrito de Leiria em Atletismo em Cadeira de
Rodas, em 1996.
Actualmente, integra a equipa de basquetebol em
cadeira de rodas, juntamente com vários colegas
paraplégicos, amputados e com outras deficiências, da
delegação distrital de Leiria da Associação Portuguesa
de Deficientes, sediada na Marinha Grande e da qual
tanbém é vice-presidente. A par de dirigente e atleta, a
sua polivalência na associação vai de mecânico a
psicólogo. “E, apesar das dificuldades, este ano
conseguimos ser campeões nacionais de basquetebol e
vice-campeões de andebol”, diz orgulhoso. “Sinto que
sirvo de exemplo para os miúdos e sou muito solicitado
para dar força aos recém traumatizados que integram a
nossa equipa. O que me dá mais prazer é as crianças
entrarem completamente limitados e, passado algum
tempo, ficarem autónomas. Saio sempre mais
reforçado e com baterias carregadas para enfrentar o
dia-a-dia”, continua este voluntário há quase 30 anos. É
igualmente muito solicitado para dar palestras em
escolas um pouco por todo o País e também na Escola
Superior de Saúde de Leiria. Participa também
assiduamente no Projecto da Rede Social de Leiria,
Barreiras Arquitectónicas e Urbanísticas e Transportes
Adaptados.
Manuel Sousa só lamenta a falta de apoio de
instituições e autarquias: “Estas vitórias só se
conseguem com muito trabalho, unidade e espírito de
sacrifício, já que somos a equipa pior equipada a nível
nacional. As nossas cadeiras ao pé das outras são como
comparar um Fiat a um Porsche, diz. E exemplifica:
“Quando vamos jogar a Braga ou qualquer outro
destino do País, temos de levar comida de casa. Isto é
muito triste para mim, como dirigente. Para não falar
no meio de transporte. Temos uma Ford Transit normal
não adaptada, que tem de levar nove cadeiras de
basquetebol, mais quatro normais e ainda nove atletas.
Levamos as rodas ao colo. Além da dificuldade que
temos em subir para a carrinha”.
Manuel Sousa
recebe hoje a
medalha de
bronze da
Cidade de
Leiria,
atribuída pela
Câmara
Municipal,
“pelo
brilhantismo
da sua
carreira
desportiva e
pela defesa da
inclusão”
Unidade é, assim, a palavra chave do sucesso desta
equipa, tal como já o era na infância de Manuel Sousa,
nascido no seio de uma família pobre e problemática
em Maceirinha, Leiria. “Eram os sacrifícios, sobretudo
da minha mãe e dos cinco irmãos, que nos uniam a
todos”, lembra. Em 1957/58, ainda não tinha quatro
anos, quando os pais foram presos pela Pide. O pai
esteve mais de um ano no forte de Elvas e a mãe,
grávida do seu irmão, esteve em Leiria e depois foi
transferida para Tires. Nessa altura, Manuel Sousa foi
viver para casa de uma avó. “Era-se preso por pedir
mais pão para dar aos filhos. O meu pai, era muito
revoltado e inconformado e, por isso, denunciado até
por pessoas da família. A sua revolta, à mistura com o
álcool, reflectia-se na família”, diz.
Manuel Sousa ficou paraplégico aos 20 num acidente
de viação. A par da pobreza familiar, ver-se numa
cadeira de rodas ainda o deixou mais revoltado. De tal
modo que nos dez anos seguintes, após sair de
Alcoitão, se entregou à droga e ao álcool. “Não desejo o
que passei a ninguém e ainda hoje tenho pesadelos
com isso, já lá vão mais de 30 anos. Consegui sair
porque me agarrei ao desporto e ao exemplo da minha
mãe para contornar as dificuldades”, reconhece. Já em
cadeira de rodas, trabalhou durante muitos anos em
fibra de vidro, na Maceira, e até barcos já fez. Um
percurso que começou na infância (tinha de tomar
conta dos irmãos mais novos), seguindo-se, aos 11 anos,
o trabalho por turnos na Crisal e, mais tarde, na Fábrica
Escola Irmãos Stephens. “Hoje continuo à procurar
trabalho”, refere.
Quando teve o acidente de viação, Manuel Sousa
estava integrado nas tropas pára-quedistas, caminho
que o seu irmão também tinha seguido, estando já em
Angola. “O que eu queria era fugir ao ambiente
familiar”, reconhece hoje. Em 1997, Manuel de Sousa
acabou por concretizar esse sonho amputado,
tornando-se no primeiro paraplégico a saltar de pára quedas em Portugal.
Jornal de Leiria 22 de Maio de 2014 47
Ponto
Aconteceu
Fuga Sal Nunkachov
Gosimat inaugurou nova fábrica
Num evento que assinalou os seus 20 anos, a Gosimat
inaugurou no sábado a sua nova unidade de produção
dedicada ao fabrico de caixilhos e sistemas para portas
de correr da marca Openspace. A cerimónia contou com
a presença de cerca de 400 convidados. Além da
abertura oficial desta unidade fabril, na Ponte da Pedra,
o evento incluiu a apresentação do novo showroom dos
Marrazes, totalmente remodelado, o lançamento da
revista institucional da empresa e o sorteio de um
prémio de cliente.
DR
Misericórdia de Leiria solidária em Sarau Cultural
O Teatro Miguel Franco, em Leiria, foi pequeno para
acolher o entusiasmo e emoção do concerto solidário
que a Santa Casa da Misericórdia de Leiria organizou
na quinta-feira, com as bandas Dream Pawn Shop,
Disposable Heroes e The Quiet Mambo. Este Sarau
Cultural foi mais uma das acção que esta entidade está
a organizar, no âmbito de uma iniciativa solidária,
humanitária que se prolonga até ao fim deste mês.
Esta semana, segue-se o 1.º Dia Aberto do Hospital D.
Manuel de Aguiar, a 24, e o 1.º Passeio de BTT Cidade
de Leiria, a 25.
DR
Empresários falam do poder da comunicação
Os empresários Jorge Santos e Henrique Neto
demonstraram quinta-feira aos alunos do ISDOM
(Instituto Superior D. Dinis), na Marinha Grande, a
importância da comunicação organizacional num
universo cada vez mais sobrepovoado de mensagens de
negócios. Para os dois empresários, a sobrevivência e o
crescimento dos negócios num mercado competitivo e
globalizado passa hoje, em primeiro lugar, por assegurar
uma boa comunicação interna e ter regras bem definidas
e formalizadas no seio das empresas, que devem ser
conhecidas e envolver todos os colaboradores.
DR
Modelo - Joana
Hamrol (Best)
Gola - Diana
Veloso
No inferno os lugares mais quentes são
reservados aos que escolheram a
neutralidade em tempo de crise
Dante Alighieri
Jorlis - Edições e Publicações, Lda.
Parque Movicortes
2404-006 Azoia - Leiria
Tel. 244 800 400 Fax 244 800 401
[email protected]
Em causa espaço no jardim Luís de Camões
Revista
nesta edição
Diferendo entre câmara e Glam em tribunal
RAQUEL DE SOUSA SILVA
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
T Confrontado com uma ordem de
despejo no início deste ano, Rui Pedro
Silva, responsável pelo Glam, recorreu
a tribunal para contestar a iniciativa da
Câmara de Leiria. A semana passada,
em primeira instância, viu ser-lhe
dada razão. A autarquia vai recorrer.
Rui Pedro Silva explica ao JORNAL
DE LEIRIA que o contrato de arrendamento do espaço onde funciona o
Glam, no jardim Luís de Camões,
terminava em 2010 e que, como nenhuma das partes o denunciou nessa altura, ele se renovava automaticamente por mais cinco anos, ou
seja, até 2015. “A câmara entendeu
que não havia razões para renovar e
andámos este tempo todo a trocar argumentos”, afirma.
Segundo foi possível apurar, a posição da câmara estará relacionada
com o seu entendimento de que o
contrato terminou e, cumulativamente, com o facto de haver rendas
em falta e com irregularidades no fornecimento de água, que por várias vezes terá sido cortada. Conforme já foi
noticiado, os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento chegaram mesmo a detectar ligações clandestinas no Glam em mais do que um
momento, no ano passado, tendo
encaminhado o assunto para avaliação jurídica.
Contactada, a câmara de Leiria re-
fere apenas que “o processo está a ser
dirimido em tribunal e que enquanto não estiverem concluídas todas as
etapas não fará comentários”.
Questionado sobre se os motivos
que terão levado a câmara a intentar a ordem de despejo, Rui Pedro Silva entende que “não têm
nada a ver com rendas em atraso
nem com outros problemas”. Considera tratar-se de uma “guerra
pessoal do presidente”. “Posso estar enganado, mas é o que acho”,
diz, admitindo contudo algumas
nuances no que toca à renda. “Em
Janeiro fomos à tesouraria da câmara para pagar e disseram-nos
que havia ordens para não receberem”.
Viagens (fora) da minha terra
DR
TNo âmbito do projecto Folk & Art (Programa Grundtvig)
em que a Optidados participa junto com parceiros de
mais quatro países, Ley Garcia, Lina Garcia e Jaime Silva
deslocaram-se à Hungria, de 13 a 18 de Maio, mais propriamente a Hollókõ, uma aldeia tradicional que fica a
cerca de 200 Km a Norte de Budapeste. Este projecto
tem por objectivo promover uma cultura de aprendizagem e de envolvimento dos adultos para melhorar a qualidade de vida nas comunidades rurais em desvantagem.
Entre muitas coisas úteis, nesta viagem observaram-se
duas ideias que podem ser aproveitadas para
incrementar o turismo na região de Leiria: A primeira
Hungria
Mário
João Ley
Garcia
DR
tem a ver com a forma como a aldeia se organizou para,
mesmo sem hotéis nem restaurantes, conseguir dar
alojamento e alimentação a grandes grupos de turistas
e, simultaneamente, manter um ambiente caseiro.
Para as refeições os turistas são divididos em pequenos
grupos e dirigem-se a várias casas, previamente
definidas, dos habitantes da aldeia onde tomam as
refeições cozinhadas e servidas pelos próprios
habitantes das casas. Para as dormidas, os turistas
também são divididos em pequenos grupos e são
alojados em várias casas. Neste caso, podem ocupar
apenas alguns quartos e partilhar a habitação com os
donos, ou então toda a casa é libertada pelos donos
para os turistas (neste caso os habitantes vão para casa
de outros habitantes da aldeia para dormirem)
Existe uma associação que organiza toda esta logística,
incluindo passeios e outras actividades, faz a promoção
turística e trata das questões administrativas e
burocráticas.
Tem ainda um espaço ao ar livre (com instalações de
apoio) onde pode juntar o grupo de turistas para dar as
indicações relativas à organização, servir os pequenosalmoços e desenvolver algumas actividades, tais como
as danças tradicionais que uma das fotos documenta.
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E Q U I PA
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N . º
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Z O N A
C E N T R O
M A R Q U Ê S
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O Jornal de
Leiria convida
os seus
leitores a
partilharem
ideias para a
região
observadas
noutros locais
do País ou do
estrangeiro.
Basta
enviarem
duas ou três
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