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18 de dezembro de 2014
Se viajar
para os Açores...
Escolha...
L u s oP r e s s e
Município da Lagoa
Homenagem
a Leonardo Amaral
A
utarquia lagoense prestou homenagem ao antigo Presidente
do Conselho executivo da Escola Secundária de Lagoa Prof. Leonardo
Amaral.
O auditório da Escola Secundária de Lagoa, encheu-se de convidados, professores, alunos e pessoal auxiliar, em véspera de férias de
natal, para assistir à justa e merecida homenagem que a Câmara Municipal
de Lagoa prestou ao Prof. Leonardo Amaral, antigo presidente do
Conselho Executivo desta escola.
Durante a cerimónia, João Ponte homenageou, quem pelo seu
mérito e dedicação, realizou um notório e exemplar trabalho em prol
da Escola Secundária de Lagoa, o Professor Leonardo Amaral, que com
certeza ainda terá muito a dar ao ensino, sendo por todos reconhecido
como uma pessoa íntegra e de valores nobres.
Na ocasião o edil lagoense salientou que “durante os seis anos de
liderança Leonardo Amaral fez surgir oportunidades, procurando sempre a melhor forma de as aproveitar, para que a Secundária da Lagoa,
para além da sua missão de ensinar e formar atingisse um lugar de destaque no panorama educativo regional, para que os seus alunos vingassem em projetos reconhecidos regional, nacional e internacionalmente”.
Segundo João Ponte, o Professor Leonardo Amaral, soube conciliar e colocar em prática a oportunidade, o sonho e a inovação, inovando
métodos de ensino, aproveitando as oportunidades, cativando os alunos
e “dando asas” a muitos sonhos destes, alguns dos quais elevaram o
nome da escola”.
Salientou ainda que, “foi precisamente pela dedicação, dinâmica e
sentido de responsabilidade que depositou no seu serviço à escola Secundária da Lagoa que o município prestou esta merecida homenagem
com a atribuição de um voto de louvor, pois são esses exemplos de
grande dedicação que devem ser tidos em conta para a consolidação de
uma escola melhor e também para a formação de melhores alunos e
professores, porque todos os sucessos e conquistas de professores,
alunos e também do pessoal auxiliar são também fruto da visão inova-
Paulo Duarte
SEDE:
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AÇORES
Página 2
João Ponte, presidente da Câmara, na entrega do diploma ao
professor Leonardo Amaral.
dora e profissional de quem gere e preside uma escola, como foi disso
exemplo o professor Leonardo Amaral, que foi capaz de motivar toda
a comunidade escolar em torno de um ensino inovador e de qualidade”.
Ao longo dos 13 anos de existência o percurso da Escola Secundária de Lagoa tem sido de prestígio e notoriedade, um percurso de sucesso
que a Câmara Municipal reconheceu e distinguiu com a atribuição da
medalha de mérito municipal científico, em 2011.
A homenagem culminou com a motivadora palestra “Oportunidade, Sonho e Inovação”, proferida pelo palestrante convidado, Dr.
Rui Manuel Barreiros de Lima e Silva que, de forma “descontraída” e
Há um ano, a LusaQ TV começava assim, com os apresentadores Carlos do Rio e Ludmila Aguiar. Foto LusoPresse.
Dia 24 de janeiro
LusaQ TV
marca encontro
com a Comunidade
A
cabadinha de comemorar o seu primeiro ano de vida,
a LusaQ TV, irmã siamesa do jornal LusoPresse, tem encontro
marcado com a comunidade no dia 24 de janeiro, em festa preparada para comemorar o seu primeiro aniversário.
Com efeito, no dia 24 de janeiro, pelas 19h30, a LusaQ TV
apresenta uma noite festiva, no auditório do Parque Lafontaine,
situado no 3710 da Calixa Lavalée, numa sala bastante conhecida
da comunidade, pois é lá que atuam grande parte dos artistas que
chegam a Montreal vindos de Portugal.
O espetáculo do dia 24, como já temos anunciado, conta
com a espetacular participação do grupo luso-americano The
Portuguese Kids, constituído por quatro jovens, qual deles o
mais hilariante. Muitas fábulas sobre tudo o que mexe, fazem do
The Portuguese Kids o grupo do momento no mundo da diáspora portuguesa, e não só, pois Portugal também já lhe tomou
o gosto, como é prova disso as reportagens que lhe foram dedicadas não faz muito tempo!
Para quem ainda não viu atuar ao vivo o The Portuguese
Kids, está na hora de o fazer, pois ele estará aí, à mão, no dia 24
de janeiro próximo, num espetáculo que muito promete.
Mas a festa do dia 24 não conta somente com o The Portuguese Kids. Também como já dissemos haverá, na primeira parte, um concurso de jovens artistas, onde há a particularidade do
vencedor, mediante a sua prestação, ser escolhido pelo público
presente na sala, por meio de voto da assistência. Depois do intervalo, momento em que serão recolhidas as senhas, será então
dado a conhecer o feliz vencedor, naquele que será o primeiro
concurso comunitário do género.
Um terceiro e quarto itens podem ainda estar de chegada ao
programa do dia 24. Mas, por razões alheias à nossa vontade
ainda não podemos assegurar que isso aconteça. Se acontecer,
como desejamos e acreditamos, o nível da festa ainda vai subir
muito na parada.
Entretanto, já há bilhetes à venda. Para os comprar ou reservar, basta contactar com este jornal através dos números de telefone (450) 628-0125 e/ou (514) 835-7199.
Na próxima edição do LusoPresse, que também estará em
festa pelos seus 18 anos de publicação ininterrupta, voltaremos
a dar mais novidades sobre este acontecimento, se possível já
com o programa completo.
N.A.
LP
apelativa cativou a atenção do público, sobretudo dos alunos, apelando
ao seu espírito positivo e empreendedor e motivando-os a estarem
atentos às oportunidades que aparecem, que devem sempre ser agarradas,
porque a sorte está nas nossas mãos, lançando assim o desafio para terem uma maior dinâmica de pensamento na decisão do seu futuro profissional.
LP
18 de dezembro de 2014
Telefone e fax: (514) 849-9966
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Vol. XIX • N° 321 • Montreal, 18 de dezembro de 2014
NATAL CHINÊS
A
senhora Tung chegava dois
dias antes da consoada. Costumava vê-la
logo de manhã, com a irmã jardineira, no
pátio maior, a admirar as laranjeiras anãs
nos vasos de loiça. Via-a casualmente a
contemplar, embevecida, o presépio do
convento. Encontrava-a por fim à mesa.
A senhora Tung viajava todos os
anos da Formosa para Macau, na época
do Natal, a fim de festejar o nascimento
de Cristo na companhia da sua primogénita, a irmã Chen-Mou.
Nesses dias, com as meninas em féri-
ENTO!
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Escrevem nesta edição:
• Carlos de Jesus
• Norberto Aguiar
• Adelaide Vilela
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Revisora de textos: Vitória Faria
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(Ver informações: páginas 16 e 29)
L u s oP r e s s e
Página 4
Editorial
China primeira potência económica mundial
•
Por Carlos DE JESUS
A
notícia passou praticamente despercebida, mas segundo certos cálculos do
Fundo Monetário Internacional (FMI), a China já passou à frente da América em termos de
Produto Interno Bruto (o famoso PIB).
Em outubro passado o PIB chinês situava-se a 17 400 mil milhões de dólares e o americano em 17 170 mil milhões de dólares.
Em termos de trocas comerciais a China
também já ultrapassou os americanos com
16,5% do comércio mundial contra 16,5% para
a América.
É isto suficiente para se dizer que a China
é já hoje a primeira potência económica mundial? Claro que não. Não basta ter em conta o
PIB ou o volume das trocas comerciais para se
fazer tal afirmação.
Há outros fatores. Por exemplo, o poder
de compra da moeda chinesa é ainda metade
do dólar, e em termos da riqueza da sua população os chineses ainda têm muito que andar.
Na lista dos 100 países mais ricos do mundo,
o país de Mao Tsé-Tung, encontra-se no fim
da lista, no 89º lugar.
Mas há mais. O poder dum país não se
mede só pelo seu saldo comercial internacional,
nem sequer pelo total de vendas a retalho, o que
não é de surpreender dada a dimensão da sua população, mais de 1,4 mil milhões de habitantes.
Em termos tecnológicos, em termos de
pesquisa médica, em termos de descobertas científicas, e até em termos de humanismo e de
democracia, a China ainda tem muitas côdeas
par roer.
Toda a tecnologia foi comprada ou roubada ao Ocidente. Não fizeram nenhuma descoberta científica digna de ser compensada com
um prémio Nobel.
São bons comerciantes, mas são maus
humanistas.
Veja-se por exemplo como eles se estão a
comportar em África.
Como precisam de matérias-primas vão
para lá oferecer-se para construir estradas, hospitais, escolas e ao mesmo tempo explorar as
minas e as terras. Mas para isso, nem sequer
utilizam a mão-de-obra local. Os empreiteiros
chineses em África, não só levam consigo os
seus próprios trabalhadores, como até a comida
e os cozinheiros! Não têm qualquer contacto
com as populações locais.
E, como prova que lhes falta ainda muito
no seu comportamento para poderem ser uma
potência mundial, quando rebentou a epidemia
da febre Ébola, agarraram nas malas e largaram
as zona infetadas sem se dignarem dar a mais
Ainda há Turismo?
•
F
Por Osvaldo CABRAL
altam apenas três meses para a revolução.
E o mais interessante é que os que não
acreditavam, os que esconjuravam a liberalização aérea, os que combatiam a vinda das
low-cost, são agora os que se apresentam sentados ao lado dessas companhias aéreas.
A política faz coisas extraordinárias...
Há por aí muita boa gente de queixo caído,
que ainda não recuperou do anúncio das intenções da Ryannair e da Easyjet.
São os tais que vivem fora deste mundo e
para quem a realidade não passa das alcatifas
dos confortáveis gabinetes, onde pululam diretores, consultores, assessores, adivinhadores
do futuro, e nenhum acerta com o pote mágico
das nossas potencialidades.
O turismo é um exemplo notável.
Há longos meses que é sabido – para quem
vive no mundo real – que as low-cost estariam
cá mais dia, menos dia.
Viram algum responsável pela área do turismo a mexer-se para preparar o impacto do
novo cenário que vem aí?
A famigerada ATA ainda existe?
E o célebre plano de turismo, o tal dos 30
milhões em promoções, mantém-se em vigor?
A vinda das low-cost vai alterar toda a estratégia até agora desenvolvida e é preocupante
assistir à passividade dos responsáveis do turismo desta região face à nova realidade.
A coisa é tão grave que até a SATA ainda
está a elaborar um “plano estratégico”, a três
meses da revolução que lhe vai entrar de estam-
panço pela cara dentro.
O turismo e o
transporte aéreo nestes últimos anos foram um enorme falhanço.
Infelizmente, no
meio desta trapalhada,
os trabalhadores da
SATA vão ser os mais
sacrificados, sem que tenham contribuído para
a gestão incompetente das sucessivas administrações e tutelas destes últimos anos.
E uma vez que chegaram tarde ao novo
mundo, era bom que aprendessem a lição e
pusessem já as barbas de molho para a outra
revolução que se vai seguir: a cobiça pelas rotas
dos EUA e Canadá, onde a SATA tem tratado
a comunidade emigrante abaixo de cão, para além de ter matado o turismo oriundo destes
países.
A região que mais prémios internacionais
tem recebido devido à sua beleza natural, tantos galardões incensados à nossa paisagem e
às nossas ilhas, e é a pior de todas as regiões
do país no que toca a trazer turistas.
Isto faz algum sentido?
A indústria turística está a ser o motor da
recuperação económica em Portugal, com taxas
de crescimento de dois dígitos, muito acima
do crescimento, também, a nível internacional.
Apenas nos Açores o turismo transformou-se numa coisa minguada, desmotivada e
desorientada.
E porquê?
Muito simples: falta de liderança!
Sem liderança no setor nestes últimos
pequena ajuda.
Quem é que tem estado a auxiliar as vítimas
da Ébola, com pessoal e material? A América
e a Europa. Assim se vêm quem são as verdadeiras potencias mundiais.
Continua a ser a América quem faz de
bombeiro quando rebenta um fogo em qualquer parte do mundo.
Por vezes podemos dizer, e com razão,
que se trata de um bombeiro pirómano, como
foi no caso do Vietname, do Iraque e no tempo
das ditaduras sul americanas.
Mas também foram eles quem foram ajudar os aliados nas duas guerras mundiais. O
que seria o mundo de hoje se tivessem sido os
japoneses, os alemães ou os soviéticos que
tivessem sido os vencedores?
Mas se há um aspeto que paralisa soberanamente a ascensão chinesa ao lugar de líder
mundial, é a sua forma de governo autoritária,
nas antípodas da democracia parlamentar.
As revoltas populares em Hong-Kong são
mais do que um exemplo em que a transparência,
a liberdade de imprensa e de pensamento, são incompatíveis com o regime político comunista.
E enquanto assim for, o Ocidente pode
dormir descansado sabendo que a China não
passa de um grande e rico merceeiro que para
ganhar a vida tem de estar nas boas graças dos
fregueses e pagar mal aos seus empregados. L P
anos, o resultado é o que está à vista.
Ora leiam o que disse a maior autoridade de
turismo mundial, Taleb Rifai, o Secretário-Geral
da OMT (Organização Mundial de Turismo), há
poucos dias em Portugal: “Se o governo não liderar, se não dá ao mercado os sinais certos, nada
resulta. O governo tem de dizer ao setor privado,
e aos cidadãos, e a todo o mundo, que o turismo
é importante, e tomar medidas concretas em relação a isso: facilidade de circulação, emissão de vistos, conectividade, incentivos, benefícios fiscais,
abordagens imaginativas do destino, encorajamento no desenvolvimento de novos produtos...
Em tudo isto o governo pode abrir caminho. Eu
acredito no papel da liderança.”
Mais claro do que isto?
Se o líder da OMT viesse aos Açores perceberia logo porque é que não acompanhamos
os países da Europa do Sul, que ganharam mais
de 10 milhões de turistas nos últimos tempos.
Ele acrescenta: “Isto não pode ser explicado
pela primavera árabe – mesmo que todos os 1,8
milhões de turistas que foram desviados (do
Egito e da Turquia) fossem para Portugal, isso
não explicaria a evolução dos indicadores. Portanto, deve haver alguma coisa que Portugal, a
Espanha, a Itália, a Grécia, estão a fazer bem
feito”.
E nós, nos Açores, o que é que estamos a
fazer de mal feito?
Enterrando a cabeça na areia.
Daqui a três meses vêm os outros de fora,
mais uma vez, dizer-nos como se faz.
E, como de costume, haverá personagens
da nossa paróquia política que hão de sentarse ao lado deles, ufanando-se de que o sucesso
é da sua autoria. L P
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L u s oP r e s s e
18 de dezembro de 2014
Página 5
Natal na Associação Angolana
Natal
No LusoPresse e na LusaQ TV
C
om esta edição, a última de 2014, o nosso jornal entra de
férias, umas pequenas e bem merecidas férias de Natal e Ano No-vo
para podermos estar todos juntos em família a celebrar este momento especial do ano.
Por esta mesma ocasião a Administração do LusoPresse e da
LusaQ TV aproveita a oportunidade para desejar a todos os nossos
anunciantes, colaboradores, leitores, telespectadores e à comunidade
em geral os nossos melhores votos de boas festas de um Natal Feliz
e o desejo de um Novo e Próspero Ano de 2015.
O jornal voltará na terceira semana de janeiro. A LusaQ TV não
tem férias e continua com a sua programação habitual.
Boas Festas
A Administração
LP
Do Consulado-geral de Portugal em Montreal
Mensagem de Natal e do Ano Novo
de 2015 do Cônsul-Geral
N
esta minha primeira mensagem de Natal e de Ano Novo
enquanto Cônsul-Geral de Portugal em Montreal, é com muita honra
que me dirijo aos portugueses e lusodescendentes residentes na área
de jurisdição deste posto consular, para vos desejar um Feliz Natal e
um próspero Ano Novo, em meu nome e de todos os funcionários
do Consulado-Geral de Portugal em Montreal.
Nesta quadra natalícia, gostaria também de enviar uma palavra
especial de solidariedade a todos aqueles que, por diversas razões, se
encontram impedidos de estarem junto dos seus familiares e amigos.
Neste momento em que devemos dar uma maior atenção àqueles
que enfrentam mais dificuldades, permitam-me evidenciar a
generosidade e o apoio que é prestado por diversas Associações de
cariz social da nossa Comunidade, e por inúmeros voluntários, em
prol dos mais desfavorecidos, sejam estes portugueses ou de outras
nacionalidades.
Numa altura em que se nos colocam diversos desafios, permitamme também aproveitar esta ocasião para salientar a importância de
um maior envolvimento dos jovens luso-canadianos nas atividades
da nossa Comunidade, particularmente no que diz respeito às
Associações.
Uma casa cheia de miudagem
•
Por Norberto AGUIAR
O
António Magalhães, um dos pilares da Associação Angolana de Montreal, ligounos a pedir para passarmos pela sede daquele organismo, pois uma festa de Natal, pelos vistos a
primeira da sua existência, seria organizada a favor
da criançada angolana de Montreal.
Acedemos ao convite do dirigente Magalhães
e lá fomos ao fim da tarde do passado sábado. Levámos um dos nossos habituais operadores de
câmara e assim tivemos oportunidade de registar,
para a LusaQ TV, algumas imagens do Pai Natal,
em papel desempenhado, mais uma vez, pelo António Magalhães, na entrega de prendas às muitas
crianças presentes e que no dizer de um dos dirigentes angolanos, nem todas eram de origem do
rico país africano.
Para além das prendas, muito populares na
época que se atravessa, como se sabe, as crianças
também foram convidadas para desenhar, ao disporem de uma mesa preparada para o devido efeito.
Escusado será dizer que as referências ao Natal e
seus considerandos faziam figura de destaque.
Boa comida e pastelaria variada fizeram igualmente parte integrante da festa de natal da Associação Angolana de Montreal, a primeira da sua
curta história.
Já com informações e imagens recolhidas (para a LusaQ TV), o agora repórter do LusoPresse
quis saber para quando estavam previstas as eleições para os corpos diretivos da casa de Angola
em Montreal. Sem dar garantias de nenhuma espécie, outro dirigente da Comissão Diretiva avançou com a possibilidade disso acontecer a breve
trecho.
Atentos como somos a tudo o que diz respeito à Comunidade Lusófona do Quebeque, cá ficamos à espera de novidades para, depois, as levarmos ao conhecimento dos nossos telespectadores e leitores. L P
Titulaire d'un permis du Québec
viagens
Na Associação Angolana de Montreal, apesar da muita
miudagem presente, o fotógrafo, sem condições para mais,
ficou-se pelo Pai Natal, acompanhado por vários elementos da Comissão Administrativa. Fotos LusoPresse.
4057, boul St-Laurent, Montréal, QC H2W 1Y7
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Numa época assinalada por diversas mudanças, importa encontrar
soluções apelativas à participação dos elementos mais jovens da nossa
Comunidade no movimento associativo. O papel dos jovens é
essencial para a assegurar uma maior visibilidade da nossa cultura e a
continuidade das nossas tradições neste país.
Aproximando-se um novo ano, queria igualmente expressar a
minha confiança e otimismo no trabalho conjunto que certamente
iremos levar a cabo em 2015. Pela nossa parte, o Consulado-Geral de
Portugal em Montreal continuará ao dispor dos portugueses e dos
luso-canadianos e disponível para desenvolver projetos conjuntos,
designadamente com as Associações e outras Instituições de raiz
portuguesa.
Gostaria assim de reiterar, a todos os membros da Comunidade
Portuguesa, os meus calorosos votos de um Feliz Natal e de um ano
de 2015 cheio de saúde e de prosperidade.
O Cônsul-Geral
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18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
Pastelaria
Página 6
Bilhete de Lisboa
Balanço do ano
•
Por Filipa CARDOSO
E
Especialidades de Natal
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s4RONCOSDEOVOSMOLES
s0ASTÏISDENATAEFEIJÍO
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stando quase a chegar ao fim
mais um ano, o de 2014, vou tentar fazer o
meu balanço, com referência a perspetivas
positivas, do que se passou em Portugal.
Sei que não vai ser fácil mas este País
continua a ser um país fantástico.
Do ponto de vista das eletrónicas a
“Via Verde”, que desde 1991 se expandiu
ao pagamento de combustíveis e estacionamento, tem o reconhecimento internacional. O seu mote é “circular é viver”.
O “multibanco” que em pouco mais
de 20 anos desenvolveu uma das mais sofisticadas redes interbancárias do mundo. Portugal é mesmo o país com maior número
de operações oferecidas através das máquinas ATM.
No setor da moda continuamos a inovar.
A indústria dos têxteis desenvolve os
tecidos do futuro – coletes que monitorizam
o batimento cardíaco, fatos de isolamento
térmico, malhas repelentes de mosquitos,
para dar alguns exemplos.
O calçado português está representado
nas maiores exposições do género. Corresponde a 7 mil postos de trabalho e a cerca
de 500 milhões de euros de exportações.
Os nossos embaixadores da moda têm
feito um trabalho fantástico além-fronteiras.
Estou-me a referir, entre outros, a Luís
Borges, o único português na lista dos 50
melhores manequins do mundo, e a Sara
Sampaio, que desde 2013 desfila para a Victoria’s Secret com grande sucesso.
Temos também várias personalidades
conhecidas internacionalmente:
Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova,
que ao assistir a um espetáculo do Cirque
de Soleil, quando os panos pretos o fizeram
lembrar rolos de papel – e daí a mudar-lhes
a cor foi um passo. Agora temos papel higiénico de qualidade e das mais variadas cores.
Joana Vasconcelos, artista plástica, foi
a primeira mulher a apresentar trabalhos
no Palácio de Versalhes, onde a sua peça
mais polémica, A Noiva, de 2005, um lustre
gigante todo feito com tampões higiénicos,
não pode ser exibido...
Joana Carneiro, maestrina, fez o mestrado em Chicago, o doutoramento em Mi-
chigan, foi diretora da Orquestra Sinfónica
de Berkley onde recebeu o Prémio Helen
M. Thompson atribuído a diretores excecionalmente promissores. Hoje é titular da
Orquestra Sinfónica Portuguesa.
Carlos do Carmo, fadista, foi recentemente distinguido com o Grammy de Excelência Musical pela Latin Recording Academy
José Miguel Júdice, advogado, nomeado recentemente para o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia, que visa a resolução de casos entre estados.
O Turismo continua a ser uma indústria, agora, em franco desenvolvimento.
Portugal tem dezasseis lugares inscritos na lista da UNESCO.
O Canto Alentejano foi o último a fazer parte do Património da Humanidade.
O surf em toda a nossa costa atlântica,
mas mais em especial na Nazaré e Ericeira,
tem trazido milhares de amantes desta prática desportiva.
Portugal continua a ser eleito como
um dos melhores destinos de golfe da Europa. Os campos de golfe do Algarve têm
sido galardoados com vários prémios internacionais.
Na agricultura temos conseguido sermos bons naquilo que produzimos.
Portugal tem desde 2010 o maior olival
do mundo e o nosso azeite continua a ser
premiado com altas distinções a par das
que continuam a ser atribuídas aos vinhos
portugueses.
Antigamente Portugal era conhecido
pelo Vinho do Porto. Hoje em dia todos
os vinhos, tintos, verdes, brancos e rosés,
do Norte ao Sul, são normalmente bons.
Os jovens enólogos têm desenvolvido um
trabalho fantástico que começa a dar os
seus frutos.
As frutas e os legumes também têm
acompanhado a procura do mercado e as
exportações, especialmente, para o norte
da Europa, não param de aumentar.
Tenho presente que há muito a fazer e
que nos domínios sociais, económico, financeiro e das políticas para o emprego,
para a saúde e para a cultura, são longos os
caminhos a percorrer.
Mas continuo a acreditar que YES WE
CAN, a esperança tem que ser a última a
morrer.
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18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
Página 7
Natal: V
er
dade
Ver
erdade
dade,, lenda, mito
•
Frei Bento Domingues, OP
O
jornal Público, na sua edição de 30-11-2014. Na sua crónica dominical
no Público [30-11-2014], Frei Bento Domingues, um dos mais respeitados teólogos
portugueses, publicou o seguinte comentário ao livro do Dr. Artur da Cunha Oliveira
com o título deste artigo:
«Falar do Advento é pensar no Natal. A. Cunha de Oliveira [1], sacerdote
católico, dispensado do ministério, casado e notável exegeta da Bíblia, publicou
uma obra minuciosa, erudita, volumosa, fundamentada e extremamente
clara, cuja leitura é indispensável para quantos se interessam pela
verdade, pelas lendas e mitos em torno do Natal. Não conheço nada
de comparável, em português.
O Natal significa que no cristianismo a salvação não se atinge pela fuga ou desprezo
do mundo, embora seja essa uma das tentações que, periodicamente, o assaltam.
Foi inscrito, pela pena de S. Lucas, no devir da história universal, colocando a figura mítica de Adão como o primeiro antepassado de Jesus Cristo. No impressionante
hino cósmico da Carta aos Colossenses, surge como princípio e sentido de todas as realidades, visíveis e invisíveis. No conhecido poema que abre o Evangelho de S. João, o
Verbo eterno fez-se carne, fragilidade humana. Numa dramática poesia de S. Paulo (Fl
2, 6-11), Cristo é reconhecido como divino na suprema humilhação da
cruz.
Como escreveu E. Schillebeeckx, O.P.[2], a história dos seres humanos é a
narrativa de Deus. Fora do mundo não há salvação, neutralizando o nefasto e abusado
aforismo: “fora da Igreja não há salvação”.
Recordo-me, como se fosse hoje, do espanto de muitos quando
ele surgiu, no congresso internacional de teólogos dominicanos, em
Valência (1966), a defender a obrigatória inclusão do mundo na lista
dos clássicos “lugares teológicos”.
3. A virtude do Advento é a esperança. Não pode ser a esperança de que
haverá Natal, mas que este produza o renascimento da Igreja e do Mundo. Precisamos
de voltar sempre às narrativas de S. Mateus e de S. Lucas chamadas, impropriamente,
Evangelhos da Infância. Para o seu estudo remeto para o citado livro de Cunha de
Oliveira.
Se forem entendidas como lições de pura história ou de biologia, como tantas vezes acontece, fazem-nos perder a esperança de acreditar na verdade mais profunda do
Novo Testamento: Jesus Cristo era em tudo igual a nós, exceto no pecado.
Quem melhor escreveu acerca desta virtude do Advento foi o poeta-teólogo,
Charles Péguy[3]: O que me espanta, diz Deus, é a esperança./E disso não me
canso./Essa pequena esperança que parece não ser nada./ (…) Que veio ao mundo
no dia de Natal do ano passado./ (…) Ama o que será./ No tempo e na eternidade.
A esperança merece todos os elogios. Sem ela é impossível viver. Mas melhor
do que esperar é ter a certeza de que somos desejados e esperados.
Afinal é este o evangelho dentro do Evangelho, a célebre parábola
do filho pródigo (Lc 15, 11-31). Deus tem eternas saudades de nós.
NOTAS:
[1] Natal: Verdade, Lenda, Mito, Instituto Açoriano de Cultura, 2012
[2] L´histoire des hommes, récit de Dieu, Cerf, 1992
[3] Os portais do mistério da segunda virtude, Paulinas, 2013
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18 de dezembro de 2014
Página 8
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DA
USOPRESSE – A partir de janeiro
2015, na Universidade da Colômbia Britânica,
Campus Kelowna, situado na cidade do mesmo nome e que fica no sul da província, mais
concretamente, no Vale Okanagan, será ministrado um curso sobre o grande jogador português de futebol, Cristiano Ronaldo.
Com efeito, o professor universitário Luís
Leonardo Marques Aguiar – irmão do nosso
editor –, e grande admirador do jogador madeirense, propôs à Universidade da Colômbia Britânica ministrar um curso sobre o fenómeno
Cristiano Ronaldo. E, surpreendentemente ou
não, a Universidade respondeu da melhor maneira, acedendo à proposta do sociólogo. É
assim que, a partir de janeiro que vem, Luís Aguiar estará dando lições de sociologia aos seus
alunos do quarto e último ano sobre tão elevada personalidade futebolística.
Para além de discutir as «Origens sociais»
do craque madeirense, o curso também explorará temas como a «Mediatização de Ronaldo
no Mundo», «Ronaldo e o seu portuguesismo», «Ronaldo versus Messi e a mundialização
do neoliberalismo», assim como «Ronaldo e a
diáspora portuguesa».
Para que o curso tivesse um conteúdo assaz completo, o professor Luís Aguiar deslocou-se à Madeira para, in loco, tomar contacto
com as verdadeiras origens de Cristiano Ronaldo. Dez dias a contactar com pessoas e a percorrer as ruas e recantos do Funchal, com destaque para a Freguesia de Santo António, lugar
de nascimento do fabuloso jogador do Real
Madrid, permitiram ao sociólogo reunir dados importantes sobre o internacional português de maneira a construir o respetivo curso.
De resto, os nossos leitores podem disso
se aperceber nesta edição do LusoPresse, onde
o universitário assina alguns textos, acompanhados de fotografias, a descrever a sua (primeira) passagem pela Madeira.
Pelo que sabemos, esta será a primeira
vez que uma universidade canadiana ministrará
um curso sobre uma personalidade de origem
portuguesa. Melhor ainda, com a chancela de
um professor de origem portuguesa!
Luís Leonardo Marques Aguiar
Natural de Cabouco, concelho de Lagoa,
na ilha de São Miguel (Açores), Luís Leonardo
Marques Aguiar emigrou para Montreal aos
10 anos de idade. Estudou nesta cidade até ao
primeiro ano da universidade (Universidade
Concordia), em seguida, agora na Universidade
MacMaster, em Hamilton, concluiu o seu mestrado; o doutoramento acabaria por ser feito
na Universidade York, de Toronto.
Um mês depois de certificado como professor doutor, Luís Leonardo Marques Aguiar
demandou à universidade em Kelowna, até hoje.
Luís Leonardo Marques Aguiar, que é casado e pai de três filhos, é sociólogo especialista
em «Sociologia do Trabalho», e «Sociologia
de Elites».
Já autor de algumas obras sobre, precisamente, a «Sociologia no trabalho», Luís Aguiar
tem intenções de terminar este curso com a
LP
publicação de mais um livro.
18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
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Para Cristiano Ronaldo
Agora, na Madeira, é o Funchal o seu poiso
•
Por Luís L. M. AGUIAR*
P
or fim, cheguei a Santo António,
mais precisamente ao seu centro cívico. Foi
nesta freguesia que nasceu o Cristiano Ronaldo.
Subi, a pé, os 4 km de distância entre o hotel
onde estou hospedado e o centro do Funchal,
acompanhado pelo sol, entremeado por uma
chuva tão miudinha que até dava para ficar
presa nos óculos. Qualquer coisa que, por
vezes, chegava a ser irritante. Enquanto o sol
e a chuva iam e vinham, o vento esteve sempre
Museu CR7
Falta a parte humana do Cristiano
•
Por Luís L. M. AGUIAR
C
omo a maior parte das ruas no Funchal, a rua Princesa Dona Amélia é curta,
estreita, modesta, mas com dois aspetos distintos. O primeiro é a vista espetacular do
mar ao fim da rua e a segunda é o que há no interior da morada número 10. É aqui que
existe talvez o museu mais famoso da ilha – o Museu CR7.
Inaugurado em dezembro 2013, e com 100/150 visitantes por dia na estação baixa
do turismo, os números duplicam por dia no verão. Concebido pelo irmão Hugo, que
também gera o museu, Nuno Mendes (primo e meu guia pessoal e orientador do dia-adia no museu), diz-me que o Cristiano Ronaldo só passa por lá uma vez por ano, e que
infelizmente para mim esta “vez” não é a boa. «Imagine, diz-me, parece que hoje está na
Suíça a disputar a Liga de Campeões!» Aparentemente, tenho mais “chance” de ganhar
o “jackpot” no Hotel Casino Madeira (que acolhe o museu) do que apanhar o Ronaldo
aqui, hoje, ou em qualquer outro dia.
Uma senhora ao canto da rua diz-me para descer e aponta-me a seguir a placa CR7
tesa e segura, presa do lado do prédio, quase ao fundo da rua Princesa Dona Amélia. À
primeira vista, nada de especial nos chama a atenção para a morada número 10. (Mais
tarde, pus-me a pensar até quando que o número 10 passará a ser o número 7...). Duas
ou três portas antes do museu há um café típico da ilha a servir bolos, pasteis, queijadas
e, claro, café aos poucos mas fiéis e “regulares” clientes. Em frente ao número 10, há um
baldio de erva alta, muito cerrado, com uma corrente e um anúncio de arrendamento para parque de estacionamento. É interessante verificar que o poder de atração do Museu
CR7 não seja suficientemente decisivo para que alguém queira “desenvolver” aquele espaço. Quando o Nuno me informa mais tarde que antes do museu o lugar agora ocupado
não era nada de significativo, eu penso que este tipo de espaço “perdido” deve já ter para
ele uma qualquer ideia. A frente do museu foi remodelada com vidros, mas não me parece nada de extravagante, nem sequer indica logo ao visitante o peso e presença do que está por detrás daquela vitrina.
Tudo muda. Ao passar pelas portas vidradas dando acesso para o lobby do museu,
um “portão” moderno com um gigante e imponente “poster” do Ronaldo (ver foto)
cobre de lado a lado as portas eletrónicas desse «portão» que dá acesso ao museu. O museu é grande, claro, brilhante, assim que estéril ao caso das muitas “caixas” de vidro que
separam os visitantes dos troféus e vários prémios individuais e coletivos, ganhos ou
adquiridos pelo Ronaldo através da sua ilustre carreira. Os troféus estão organizados
cronologicamente, começando pelos seus primeiros passos de futebolista no Clube
Andorinha, depois no Nacional, Sporting, Manchester United e finalmente no Real
Madrid. Estão todos aqui – as três Botas de ouro, as duas Bolas de ouro e um espaço já
identificado para a Taça da Liga dos Campeões, ganha a época passada pelo Real. Os troféus coletivos são réplicas montadas nos pódios do museu, enquanto os individuais são
autênticos. Talvez o mais impressionante seja a estátua de cera do Ronaldo, com dimensões exatas a ele e que está montada no centro do museu, logo visível quanto o visitante passa a porta de entrada. O Ronaldo não só é alto (no dia da minha visita ninguém
presente chegava à sua altura) como é forte e resistente. Quanto mais esforço é feito para o “normalizar,” mais o físico de Ronaldo é imponente, mesmo intimidador!
O Museu CR7 não dá espaço ou identidade ao Ronaldo se não o de futebolista. É
pena porque a oportunidade de lhe representar com outras dimensões – e então mais
humano – foi perdida. Gostava de ver documentação de casos humanitários, onde se
tem envolvido, e também recortes de artigos de jornais a falar do Ronaldo. Ainda mais,
a representação, admiração e identidade do Ronaldo na diáspora portuguesa não existe
no conteúdo do museu. É pena porque o Ronaldo duma certa maneira não é só da Madeira; é sim de todos os Portugueses. L P
omnipresente, de tal maneira que a senhora a
quem pedi a direção (os tabuleiros indicativos
das vias para as várias localidades nem sempre
eram claros e não me queria perder porque a
estafa das subidas íngremes e extenuantes à
procura de uma habitação situada num autêntico pico) me tentou desencorajar da caminhada
a pé, visto que podia ser perigoso, ao dizer-me
para me proteger dos galhos das árvores que o
vento fortemente agitado e em consequência
disso me podia cair em cima e me magoar.
Mas como vim ao Funchal com o propósito
de conhecer o “background” do Cristiano Ronaldo, para me informar e me enriquecer de
matéria suficiente para ministrar um curso na
Universidade sobre ele, que vou oferecer em
janeiro aos meus alunos, mandou mais alto!
Persisti a subir os 700 metros de elevação, desde
a rua da Carreira, passando depois pela estrada
da Universidade e, por fim, chegar ao caminho
de Santo António apenas orientado pela ribeira que transporta a água do norte para sul e
corre pelo meio da cidade. (Por acaso, as várias
ribeiras que desaguam de norte para sul e passam pelo «miolo» da cidade) Nessa caminhada
também tenho que dizer que fui seguido pelo
mais lindo arco-íris que jamais vi. Não só as
cores eram vibrantes, claras, definidas uma da
outra, como estavam instaladas como um domo logo por cima das últimas casas da Freguesia de Santo António, ponto mais alto da montanha. E maravilha das maravilhas, de vez quando aparecia outro arco-íris logo por detrás de
outro, num espetáculo nunca visto!
De vez quando pensava em voltar atrás e
pegar num táxi para não subir a ladeira, que me
parecia sem fim. Antes, o empregado do hotel
já me tinha dito de fazer exatamente isso e, então, depois, descer a distância a pé. Mas como
sou teimoso e com medo de não me aperceber
de sinais importantes marcando as ruas, prédios e habitações do urbanismo da Madeira,
baixei a cabeça, abotoei o casaco e comecei a
combater o vento com atitude e determinação.
De vez quando passava por um cidadão que
atravessava uma pontezinha – que me parecia
precária – para ir para o outro lado da ribeira
ou então entrava num carro à sua espera diante
da Universidade ou do Tecnopolo da Madeira.
As palavras entre nós eram poucas, e encontrava alguns a dar-me uma piscadela de olhos
estupefactos com o meu «trek».
Mais tarde, agora sentado num café em
frente do Centro de Saúde e Segurança de Santo
Cont. Pág. 20, Ronaldo...
Simon Bolívar...
Outros considerandos
•
Por Luís L. M. AGUIAR
D
epois de 19 horas de avião,
que me trouxeram de Kelowna à Madeira,
escalando Calgary, Frankfurt, Lisboa e, finalmente, o Funchal, estou no ‘roof top’
do bar do Hotel Madeira, situado diante
do Jardim Municipal. Deste ponto de vista,
só vejo as árvores do jardim, que já percorri
e que para além de ter muitas flores, bancos,
palco de espetáculos, curiosamente inclui
um busto de Simon Bolívar, o libertador
de vários países sul-americanos do jugo
espanhol. No entanto, acho que se era para
dar relevo àquele revolucionário, por que
não pô-lo no centro da cidade, num lugar
de maior relevância?
Deste mesmo local, de vez em quando,
oiço os sinos da igreja, que ficam nas minhas costas. É tal e qual como quando me
encontro em São Miguel, nos Açores, a
minha terra... Este edifício, por exemplo,
parece ser o mais alto da cidade, talvez por
estar construído num dos pontos mais altos da cidade. Já visto do lado do mar, não
é a igreja o edifício que se vê em primeira
instância, isto porque muitos outros prédios a encobrem, numa fila que quase chega
ao mar.
Impressionantes são também os telhados das casas, com telha castanho-laranja na maior parte do casario à volta do hotel. Mas aqui a telha parece ter um aspeto
mais estético do que funcional porque ela
é colada no telhado, lavada de vez quando,
e raramente substituída. O clima é mais seco do que nos Açores e por isso as telhas
não têm aquele musgo que frequentemente
se encontra nos telhados das casas açorianas, por exemplo.
A ilha da Madeira é muitíssima alta, o
que me faz lembrar a cidade de São Francisco, na Califórnia, com ruas a pico, onde
subi-las é cansativo, com as casas amontoadas montanha acima... Aqui, as ruas são
ainda mais inclinadas e as casas mais aconchegadas, como se fosse essencial na construção, pois uma casa protege a outra em
plena montanha.
Entretanto, hoje, quarta-feira, uma
vasta onda de nuvens cobre toda a montanha e restantes pontos altos da ilha como
querendo sugerir que não vale a pena ir para qualquer outro lado quando se sabe que
estamos no paraíso! L P
O Professor Luís Aguiar ainda teve tempo para dar uma volta pela lota do porto
de pesca do Funchal.
18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
Página 10
Centro Comunitário de Anjou
Sonho e magia de Natal ao alcance da criança
•
Por Adelaide VILELA (texto e fotos)
C
hega o Natal e faz-nos anunciar a
noite do Menino que treme de frio e necessita
de vaquinhas e de um estábulo para que os seus Santos Pais o possam aquecer, sem mais
demoras. Isolados, os homens de pouca Fé
renunciam ao Amor, à Paz e à Harmonia, quando deixam nascer o pequeno Deus na noite
gelada entre animais. Eis que brilha no Céu
uma estrelinha anunciando o nascimento de
Jesus em Belém. E tudo o que era escuro se ilu-
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sa é a magia que se quer, o gesto de amor, a
mão que acaricia o menino, sempre que haja
Natal: que nasça Natal a cada dia, no coração
do homem e no regaço da mãe!
A Direção do Centro Comunitário do Di-
minou: o gelo derreteu-se no mundo e no
coração do homem,
os rios voltaram a
correr; a calmaria voltou aos mares; os
ventos serenaram-se
e até os animaizinhos
pastorearam satisfeitos saciando a sua fome. Todavia, ficaram
alguns icebergs no
coração de alguns
mal-amados. São esses que desencantam
a humanidade e causam as tempestades
que afundam o mundo em que vivemos.
Eles quebram promessas, mentem,
provocam desgraças
inventando impossíveis; eles ocultam descobertas e acontecimentos importantes
que podiam consideravelmente mudar o
mundo, para que cada
um de nós fizesse da
terra o seu próprio
paraíso.
O refrão desta
melodia traz-nos o
calor do Natal que vive no sonho da criança. Ah! Como bela é
a vida e a magia que
transforma o pensar
inocente do menino,
que espera ardentemente pelo Pai Natal
carregado de prendinhas! No Natal da No Centro Comunitário do Espírito Santo de Anjou a festa de
Criança, no dia 13 de Natal teve muita alegria, não estivesse cheia de crianças, dos
dezembro, lá fora, o sócios e de alguns amigos. Quem não esteve com cara de
frio rachava passeios, amigo, pelo que se vê na foto, foi o Shéu. Parece que o Pai
árvores e nuvens no Natal não o convenceu...
céu, dentro, no Centro Comunitário do Divino Espírito Santo de vino Espírito Santo de Anjou aposta e arrisca
Anjou, a magia e o sonho consolidavam aque- bem. O jantar, tanto para as crianças como
para os pais, foi muito bem servido e entrou
les espíritos ino-centes.
Este foi dos melhores e mais interessantes nas delícias da festa e da noite. Até tivemos diconvívios, organizado pelo Centro, para con- reito a uma excelente fatia de bolo de chocolate
tentar os pequeninos. Na origem do sucesso e café. Que bom, valeu pelas calorias ingeridas!
Tudo o que aconteceu vai poder ver hoje,
esteve a maquilhadora que pintou o rostinho
lindo de cada uma das crianças, oferecendo- manhã e sempre, ficou gravado para a posterilhes ainda mais felicidade e encanto. A seguir dade. A LusaQ TV esteve presente, veio filmar
chegou a Fada das Neves, antes do Pai Natal, a festa da criança. O Norberto Aguiar, a esposa,
veio vestida de branco e trazia os cabelos cor- a filha Petra, e o genro trouxeram as duas prinde-laranja. Um à parte: se os pais são bonitos cesas e o principezinho da família. A seguir, à
a filha é uma autêntica princesa atlântica, ela é autora destas linhas foi-lhes entregue a respona Conny Pimentel. A fada cantou, dançou e sabilidade de promover a festa da televisão que
encantou os pequenitos que se portaram às chega (agora) a passos largos, logo ao nascer
mil maravilhas. E numa roda-viva todos clama- do Ano Novo, 24 dias depois, em janeiro. Que
ram: Pai Natal, Pai Natal, Pai Natal! Finalmente tudo corra à altura dos desejos da equipa da
apareceu... lá, ao fundo! Pobre, vinha cansado LusaQ TV. Estamos convencidos de que o
e por isso foi chegando lentamente com o sa- programa é excelente, por isso todos virão asco às costas. Vinha de longe, muito longe, do sistir ao espetáculo.
Como não há festa sem música, ouvimos
Polo Norte. Bravo Pai Natal, gabo-lhe a paciência! Obrigada pelo carinho imenso e pelos ges- melodias de Natal e cantos e cantigas de outras
tos de amor que teve para com as crianças. EsCont. Pág. seguinte...
18 de dezembro de 2014
•
L u s oP r e s s e
Página 11
Todos à nora...
Por Osvaldo CABRAL
E
u nunca vi processo tão mal
conduzido como este da vinda das lowcost.
Perante uma mão cheia de dúvidas e
de questões por esclarecer, os responsáveis
pelos transportes e turismo da região mantêm-se numa passividade nunca vista.
Até parece que não há vontade de que
as coisas corram pelo melhor.
Não admira, pois governo e SATA
andaram sempre em estado de negação.
Em 2009 o governo regional dizia que
não concordava com a vinda das low-cost
porque “elas queriam operar apenas em S.
Miguel”.
Em 2013 a SATA dizia que as low-cost
nos Açores “era um mito”.
É verdade que o discurso agora é outro
e só temos que dar as boas vindas à evolução, mas é preciso que a prática seja mais
di-nâmica em termos de esclarecimento à
opinião pública sobre as inúmeras questões
que se têm levantado relativamente a esta
operação.
Em todas as ilhas há um enorme desconhecimento sobre a história dos reencaminhamentos, das tarifas, do que é lowcost e do que é obrigações de serviço público, como se conjugam os dois cenários,
qual o papel dos operadores de turismo e
por aí fora.
A poderosa máquina governamental
já devia estar no terreno, há muito tempo,
a esclarecer os cidadãos e os operadores,
sobretudo os que lidam com o sector turístico.
Até alguns partidos, como o Bloco
de Esquerda e o CDS da Terceira, andam
atarantados com o novo advento.
Em vez do Secretário da tutela ir de arrasto para as conferências das companhias
de low-cost, ele já deveria ter posto toda a
máquina promocional a reunir com os
operadores destas ilhas, desde restauração
a táxis, agentes de viagens e rent-a-cars.
A própria ATA – Associação de Turismo dos Açores –, que ninguém sabe se
ainda funciona, já devia estar no campo
(não das vacas nos Restauradores), a esclarecer os operadores sobre a nova estratégia
promocional, porque tudo agora é diferente.
SONHO...
Cont. da pág anterior
origens, com o nosso DJ Machado.
E para pular, fazer abanar o corpo e abrilhantar as ideias chegou o roqueiro mais simpático de Montreal, o Jimmy Faria. Logo que
o nosso artista pegue no microfone a pista
compõe-se e enche-se de luz, cor, alegria, energia e vontade de romper a sola do sapato até
ao nascer do Sol.
Para concluir e pela parte que me toca estou
feliz por ter levado, por minha conta, gente de
mais duas nacionalidades, marroquina e canadiana. Espero que outros façam igual. Dizem,
pois, que a língua e a cultura portuguesas estão
na moda, mas o mais importante é partilhá-
Naturalmente que as companhias lowcost vão necessitar do apoio promocional
da ATA. E a pergunta que agora toda a
gente faz é esta: a ATA tem na sua administração um administrador da SATA. Não
haverá aqui conflito de interesses?
Tudo muda, por mais que custe à própria SATA.
E se as low-cost vão chegar, devemos
agradecer à SATA.
Foi ela – ou melhor, os seus administradores e tutela – que mergulharam a cabeça
na terra durante estes últimos anos, ignorando a pressão popular e o sector turístico, nunca imaginando que um Secretário
de Estado descobrisse o ovo de Colombo...
Se tivemos quase 1 milhão de passageiros em Ponta Delgada no ano passado,
imagine-se se este volume duplicar.
Não é só o turismo micaelense que fica a ganhar. É todo o arquipélago que beneficia com a notoriedade, com os possíveis
encaminhamentos e com a potencialidade
promocional destas companhias internacionais.
A seguir virão as rotas de Boston e
Toronto, que precisam também de uma
revolução.
O famoso “Plano Estratégico” da SATA, de que não há fumo branco que se
vislumbre, é o testamento da companhia
regional.
Se está a ser elaborado tarde e a más
horas, e provavelmente por gente que não
percebe de aviação, o mais provável é que
vamos ter uma aterragem turbulenta no
mundo real, acordando os seus responsáveis da doce navegação nas nuvens virtuais
do monopólio arrogante.
Custa ver uma companhia que foi nossa
– agora é da gente política – a perder um poderio aéreo marcante na nossa História.
Mas a política, como tenho dito, dá
cabo de tudo.
Deu cabo da RTP-Açores, deu cabo
da Universidade, dá cabo agora da SATA
e, no próximo ano, vai dar cabo da lavoura.
Da lavoura?
Exactamente, é um comportamento
padrão.
Tal como as low-cost, só vão medir as
consequências do fim das quotas leiteiras,
quando elas cá chegarem.
Até lá... andam todos à nora. L P
las em convívios salutares como o deste Natal,
ao revés de apontar uns aos outros os defeitos
dela.
Parabéns à Direção do CCDES de Anjou,
a minha mais profunda admiração pela forma
incansável e determinada como receberam os
convivas, ao longo dos dois mandatos, naquela
que é uma Casa onde todos trabalham e nada
ganham, apenas vale e prevalece o valor da
amizade.
Estou certa que nos próximos anos a vida
do Centro continuará a beneficiar do mesmo
sucesso. Felizmente que ainda há pessoas que
lutam pelo nome de Portugal no mundo!
CAROS LEITORES, FELIZ NATAL E
PRÓSPERO ANO NOVO! L P
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peixee fr
fresco
congg elado impor
importados
de Portugal.
Também todas as qualidades de marisco.
SER
VIÇO
SERVIÇO
PERSO
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PREÇOS IMBATÍVEIS
...visite-nos sem hesitar
Uma Ilha de bom humor
•
Por Lélia Pereira NUNES
P
arafraseando Luís Fernando Veríssimo, para quem as crônicas de Sérgio da
Costa Ramos em “Sorrisos meio sacanas”
foram salvas do destino natural da espécie
– e estavam em livro porque mereciam “esta
eternidade” – as crônicas de “Molecagens
Vernáculas” também merecem o amanhã,
porque apaixonam o leitor pela sua irreverência e estilo. São deliciosas, refinadas, líricas, marcadas pela ironia típica da cultura
“Mané” – um legado, talvez, da atmosfera
de seus ancestrais açorianos da Ilha Terceira,
em que paira uma certa inclinação pelo motejo, o dito mordaz, o espírito gozador.
Se fosse um pintor, diria que o seu
pincel mergulha no vermelho vivo e no
amarelo fulgente, jamais se repete nos entretons ou pincela cores mornas e frias.
Sua pena atrevida flana, livre, pelos cenários
da Ilha. E seu olhar arguto se debruça sobre
as sutilezas da vida insular, fonte inesgotável de sua inspiração – que também sabe
franzir o cenho e se indignar, quando o assunto é política.
Em “Molecagens Vernáculas”, 95 crônicas agrupadas por temas, ele compõe o
seu país “crônico” e hilário, aproveitando
a circunstância de que a realidade, no Brasil
de hoje, já nasce como piada, com som,
enredo e gargalhadas. Para se ter uma boa
ideia da diversidade cultural do livro, basta
espiar o sortimento do índice: Pra começo
de conversa; Eleiçõ[email protected] ; Brasil, brasileiro; Lá e Cá, com sabor ; As Quatro
Estações; Afetos da Ilha Mulher; Só pra
Inticar; Da Mulher e do Amor e Cumulus
Nimbus.
Sérgio pinta, escrevendo. Suas crônicas
revelam leveza poética ao alongar seu olhar
enamorado, descrevendo a beleza da IlhaMulher ou a paisagem vista do morro da
Lagoa da Conceição, como se sua pena fosse o pincel impressionista de Monet e, as
palavras, as cores de um arco-íris que ele vai
derramando na tela daquela crônica-emblema:
“A Ilha é mulher bonita de dorso verde
e dourado, costões sensuais, reentrâncias promissoras, praias abertas e coxas hospitaleiras, tem sexo híbrido e surpreendente –
varonil como um promontório, abrigado
como enseada de filme de pirata”.
Ora sua prosa é assim lírica, ora relampeja, contundente, incisiva, intolerante e
crítica frente a situações de descaso e desrespeito ao cidadão – ou se algo ou alguém
ameaça a qualidade de vida e as tradições
culturais do seu torrão natal, Florianópolis.
Sérgio sabe, como ninguém, desvendar a intimidade da Ilha ao trazer à baila os
usos e costumes de uma cidade guardada na
memória coletiva da sua gente. Inquieto,
não se cansa de cutucar, inticar, fender a
modorra dos nossos dias, mexer com o
nosso imaginário e com recordações de
uma época que ficou para trás. Mas o autor
é mais lúdico do que melancólico em seu
saudosismo. Sua pena navega, livre, por sua
Ilha querida e por outros mares – seja por
este “Brasil, brasileiro”, seja por ou-tras
margens, no além-mar, berço da Última
Flor do Lácio, no louvor poéti-co de Olavo
Bilac. No seu jeito viageiro e “culturalista”
vai buscar na margem do Tejo ou nas lavas
da Praia da Vitória, berço an-cestral, histórias desfiadas em crônicas mo-lecas, num
jogo irónico de benfazejo hu-mor, no “Lá
e cá com sabor”. Apetitosas como – Travéstis, Viagem de Livro, Lisa e Fresca, Quitanda Ambulante, Rabanadas e Queijadinhas,
Ilha sem Mar, Amores So-fridos. Vale conferir em Velha Língua, o seu amor pelo vernáculo quando, a certa altura, afirma: “Sim, o
português falado nas novelas está a caminho
de se tornar a primeira língua falada pelos
herdeiros de Luís Vaz de Camões. Prefiro ouvir
o relicário castiço de um povo que fala impecavelmente a sua língua, e que mesmo na sua
instantânea e apressada versão oral, jamais
apedreja a frase com um pronome mal colocado.”
Sérgio da Costa Ramos é uma das mais
influentes vozes da literatura catarinense
contemporânea, com uma expressiva e festejada produção literária, comprobatória da
riqueza do seu labor diário no domínio da
palavra, da escrita escorreita e leve que nos
prende da primeira à última linha, seja a falar de multivivências, seja no conduzir o
leitor pelos caminhos da ficção em enredos
fascinantes, calcados em factos do cotidiano e saídos da sua incrível capacidade de
fabulação.
Com Sérgio aprendemos que ele também é um moleque alegre, que carrega a
ilha no coração. Uma Ilha cercada de bom
humor por todos os lados. L P
LP
Vítor Carvalho
ADVOGADO
Escritório
Telef. e Fax. 244403805
2480, Alqueidão da Serra - PORTO DE MÓS
Leiria - Estremadura (Portugal)
18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
Página 13
O Natal do Lincas na América
•
Um conto de Adelaide R amos VILELA
L
embram-se do Blandino, aliás, do
Lincas? Não se lembram? Ele nasceu na Ajuda
das Furnas há uns dez anos. Então, ele é o rapazinho franzino, magricela, muito bonito,
de olhos muito azuis, de cabelo ruivo, brilhante, sempre enriçado no ar. Lincas, é ele mesmo!
Sabem. Quando ele nasceu o pai debruçou-se
sobre o berço dando um grito malvado e de
desespero: – Nunca mais te quero ver Lincas.
Entretanto, embarcou... só Deus sabe para onde! O recém-nascido ficou ao cuidado da avó
velhinha e doente.
O Lincas cresceu com um ar frágil, muito
delicado, mas faz das suas diabruras. Como
não tem a fortaleza dos miúdos da idade dele,
imagina-se forte como um gigante habitando
o mar azul da Prainha.
Da soleira da porta da avó lança umas pedritas redondinhas aos amigos e diz-lhes coisas
tão tolas que faz rir os mais palhaços e encrespar os cabelos dos outros de ar mais sério.
– Oi, ó patas rapadas, eu sou tão forte que
até deito lume p’los olhos quando me zango!
Três dos quatro que iam passando, ouviram e
não ligaram importância ao atrevimento do
Lincas. Mas um deles que também sofre de diabruras, fez finca-pé e deu uma corrida com o
intuito de malhar no Lincas. Os amigos acalmaram-no e, desta vez, o atrevido salvou-se de
boa.
No dia seguinte o rapazito de pai fugido
(como alguns lhe chamavam) provocou de novo os amigos mas o finório foi a correr esconder-se... finório, sabe que se não se agachar há
história. Por isso, parece um foguete. Logo,
mete-se no meio das cortinas, na única janela
que faz entrar o Sol, na casa da avó. Enquanto
vigia os amigos, até os ver escapar ao longe,
vai escutando o marulhar das ondas louquinhas
quando abraçam a areia da Prainha.
Lincas e a avó vivem pertinho do mar.
Num clima ameno no verão mas furioso no
inverno.
É verdade que por ser mais pequenito e
travesso o Lincas, às vezes, leva umas chapadas
dos rapazitos mais velhos da Ajuda. Mesmo
assim não se importa porque tem amigos atre-
Meia Noite
Na encosta da montanha
a choupana adormeceu
e na lareira sem lenha
o lume se esvaneceu.
No reduto que faz cama
de frio um corpo tremeu
veio um raio cor de chama
de calor a choça encheu.
Passa um anjo cantando
ao mundo anunciando
um presente sem igual.
Vai nascer o Deus menino
é meia noite e o sino:
diz a todos que é Natal.
© Laureano Soares
vidos e valentes que o defendem. E com esses,
ele tem mil formas de prazer nas diferentes
brincadeiras do dia. Brinca aos piratas de navios, corre ao redor das rochas negras luzidias,
salta e sonha com a América. Há quem diga
que o pai dele emigrou para terras americanas.
Às vezes mete-se-lhe na cabeça roubar o
barco do “ti” Zé moleiro e ir à procura do pai
que não conheceu. Pensa em escrever-lhe e logo pede ajuda à professora que por ali passa
naquela tarde a caminho da casa da ricaça. Mas
mandar a carta, para onde? A avó que vinha a
chegar, embrulhada no xaile preto, só se lhe
via a pontinha do nariz comprido, ouviu toda
a conversa.
– Escrever, nem pensar em tal. Ó rapaz
não há mais nada que fazer senão pensar nos
livros. Valha-me Santo António. Tu não vês
que livros não racham lenha nem guardam gado. Ao ouvi-la o Lincas fica em silêncio e pensa: – Um dia vovó há de mudar de ideias.
– Ao menos para me deixar ir às aulas, a
senhora Clarinha do duque, a ricaça, lá convenceu a minha velhota. De qualquer jeito ela faz
o que a rica lhe manda. E todos sabemos que
avó fica numa alegria de grilo, que canta escondidinho no buraco, quando chega a casa, aos
domingos depois da missa do dia. Traz sempre
comida para nós. Hoje, por exemplo, carreguei
eu com uma saca de batatas da terra e dois bolos de massa sovada. A senhora Clarinha tem
bom coração, é graças a ela que aprendo a ler
qualquer coisa.
Um, dois, três, lá vai ele cantarolando pela
encosta abaixo. Levando aos ombros uma sacola rota com um livro, um caderno e um lápis.
Afasta-se a correr até chegar à escola primária
de Cantarela, ainda fica longe. Frequentar as
aulas para ele, acontece uma dúzia de vezes no
ano. Um dia de escola tem menos significado
que as festas de Santo António da Ajuda.
O rapaz caminha que nem um foguete de
lume por aqueles caminhos fora, venha chuva
ou sol nunca se preocupa. Só que um dia ao
descer do seu monte de sonho ouviu um barulho tão ensurdecedor que mais parecia que o
som tinha saído do inferno. O ranger das pedras parecia obra do diabo e o rapazinho encheu-se de medo a partir desse dia. Contam-se
as vezes que as gentes da povoação o ouviam
rezar. Tudo porque o vento ao assobiar esventrava a terra e derrubava as árvores que o Lincas
tanto amava. Nas Ilhas dos Açores os vulcões
são naturais e alguns nascem do fundo do Oceano, de mil e uma cores lindas, brilhantes como
as estrelas do céu!
O menino da vovó descia depressa e rezava assim: “Senhor Santo Cristo dos Milagres
não abras barrigas na terra, não deixes o meu
mar atlântico vomitar fogo. Se me matas ou
me queimas nunca mais sei ler. Olha que eu
necessito de aprender o caminho que me levará
à América do meu pai. Ó Pai do céu e da minha
mãe morta protege as vaquinhas senão acabase o leite para eles e para mim”.
Até há quem diga lá na vizinhança que o
Santo ouvia as preces do garoto.
Todavia, ainda que na povoação fizessem
troça dele por não saber ler como os outros,
Lincas sentia-se feliz com o que aprendia. Maria dos Anjos Melo, outra professora, encorajava-o sempre:
– Meu menino, grão a grão enche a galinha
o serrão. Estuda muito e um dia aprenderás a
conhecer a geografia do país da América que
acolheu teu pai.
– Misericórdia senhora professora, isso é
que eu quero. Eu ainda hei de dizer aquele corisco porque me deixou com minha avó.
De todas as maneiras conhecer o pai,
sempre foi um dos objetivos do Lincas. O pai
dele abandonou-o com a raiva que guardou
quando a mulher morreu ao dar à luz.
Desde o falecimento da avó, o garoto era
muito infeliz. Vejam bem que havia quem dissesse que ele andava a pagar o que o ordinário
do pai fez anos a fio antes de emigrar para a
América. Consta-se que nem lá para Fall River
ele tomou juízo. Passa a vida a menosprezar
toda a mulher. Parece que todas lhe têm culpa
da Benzina ter morrido aos vinte anos.
Pobre Lincas abandonado, ao Deus dará.
Sabe-se, contudo, que o pequenino deixou a
escola quando perdeu a avó e arranjou um trabalho de guardador de vacas a troco de um bocado de pão e de uma malga de leite. Infelizmente nem sempre pode saciar a fome e a sede.
Travesso e irrequieto, deixa fugir os animais e
entretém-se no monte a brincar com os grilos
e os gafanhotos.
É dia do aniversário de Blandino e ele sente-se triste, como a escuridão da noite. Completamente sozinho, deita-se no tapete verde do
monte, no campo de pastagem do gado. Aquele lugar serve-lhe de cama vezes sem conta?
Arrepia-se e sente que a solidão o invade...
Mesmo entre verdes cercados de hortênsias
coloridas, ele clama: “O que sabe de mim o
tempo. O tempo não deve existir. O tempo
não tem razão de ser. Eu quero é morrer agora...
Estou a mais de mil metros de altitude. Ei…
Olha lá para baixo. Mas sou mais alto que o
mar?! Vou morrer. Quero ser feliz, quero sonhar. Quero alcançar a lua e o fundo do oceano
e ir para além do horizonte. Quero avistar o
mistério que me fez nascer e perguntar à minha
mãe porque partiu e me deixou sozinho. Quero
gritar bem alto: Pai, eu odeio-to. És um maldito.
O Lincas não gosta de ti”.
De tanto chorar, formaram-se fios de
água que corriam pelo monte. Até as hortênsias
que cercavam o campo baixaram as pétalas e
as folhas arrastavam-se no chão como mortas,
como se tivessem compreendido o desespero
do garoto.
– Ó Meu tesouro, és tu? Ouviu-se uma
voz tão linda e tão clara que mais parecia ter sido transportada por uma faísca de vulcão.
– Acredita em mim. Vais ser feliz. Nestes
Açores perdidos há tantas coisas lindas que tu
ainda desconheces. Se quiseres, até podemos
visitar a cidade do amigo em Portugal. Vamos
ver a Serra da Estrela? Vamos meu filho, vem
comigo. Sabes, meu querido, ia dizendo aquela
voz: – Havia um homem velho que várias vezes
tentou deitar-se ao mar. Porém, quando chegava ao rochedo negro da Prainha Santa chorava
arrependido.
– Mãe olha que nuvem tão linda! Mãe olha
vai rebentar. Ai tão branquinha e tão cheia de
sol. Mãe, mãe, o sol daquela nuvem é prateado.
Olha a avó a dizer-me adeus. Vou para junto
dela e serei feliz.
– Escuta: o tal homem de que te falei pensava sempre naquilo. Sabes, os meninos, tal
como os homens, quando sofrem são invadidos por muitos pensamentos. Quando fores
grande e tiveres pensamentos como os do homem que queria pôr termo à vida terás que enfrentar duas armas: a da cobardia e a da coragem.
Aprenderás a viver escolhendo a vida em detrimento da morte. Os momentos difíceis não
duram sempre. E os homens corajosos são
aqueles que aprendem a lutar sem se sentirem
derrotados. Hoje dormes ao relento, um dia
dormirás em berço de oiro.
– Mãe, olha lá vem a nuvem. Ela tem uma
cara redondinha e cabelos cor-de-rosa. É Natal!
Eu vou ver a neve. Vou ser feliz na neve. O
Francisquinho foi à terra da avó, à Covilhã, e
na noite de Natal a cidade ficou feita num manto prateado. Os vasos das janelas transformaram-se em flores brancas luminosas, (iii) e, eu
também lá quero ir.”
– Bom dia. Quem é o senhor?
– Bom dia, menino. Sou João Pinto, um
amigo e trago-te presentes. Vivo como a minha família que gosta de partilhar as prendas
de Natal com os mais pobres. Comprei imensas coisas, trago-te estas lembranças agora e
coloquei mais algumas para ti e para os meus
filhos, tudo, em carreirinha no presépio.
– Mãe estás aí? Pensei que fosses tu a falar
comigo.
Não obteve resposta, mas nem por isso
se preocupou. A vontade de ver a neve tiravalhe todas as preocupações.
Que sonho lindo e profundo!
– Já estou no alto da Serra da Estrela. Ó
como é grande, linda, rochosa, que formosa e
prateada! Olha que belo macho leva aquele homem a descer a Serra! Que altura! Tenho medo
mas vou deitar mais uma olhadela para baixo.
Mas, tudo se parece com o meu monte açoriano!
Cont. Pág. 28, Natal do Lincas...
18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
No Journal de Montréal
Cantinho de Lisboa distinguido
•
Por Norberto AGUIAR
E na grande maioria das vezes as referências
são positivas, não fossemos uma comunidade
pacata e de trabalho. Quando esses destaques
e vez em quando, a Comunidade Portuguesa desta provín- acontecem, verdade se diga, regozijamo-nos
cia aparece em destaque nos órgãos de Informação locais e nacionais. sobremaneira.
Desta vez o destaque vai inteirinho para
o novo «resto-boutique» Cantinho de Lisboa,
que sob a pena de Thierry Daraize, um especialista gastronómico com bastante espaço no
meio da restauração quebequense, foi classificado nos seus «10 lugares preferidos da cidade».
Para justificar a escolha, Thierry Daraize
considera que «Entrar neste resto-boutique
gourmande é como receber um grande abraço
ou receber uma prenda – os dois ao mesmo
tempo, porque não. Acessórios, produtos finos, práticos objetos decorativos… O melhor
de Portugal, quoi!»
Reforçando o seu raciocínio, Daraize conclui a sua tirada dizendo que «a cada uma das
minhas visitas descubro sempre qualquer coisa
de novo, e de muito
bom. Uma ode à
Votre
«gourmandise», com
chancela de Helena
Loureiro.»
Your
Estas afirmações
de Thierry Daraize
vêm seladas numa re*
*
*
cente edição do Journal de Montréal e onde o articulista, em jeiMerlot
to de revista de fim de
Cabernet Sauvignon - Pinot Noir Merlot
ano, elabora a lista dos
Chardonnay - Sauvignon Blanc - Icewine - Port
10 locais gastronómicos de que mais
Mais de 40 variedades, em brancos, tintos e rosés.
gosta em Montreal.
38 anos
Import
No alto da lista
dos seus «10 coups de
1265 Boul. O’Brien Ville St-Laurent - H4L-3W1 -514-747-3533
Aberto de terça-feira a sábado. Encerrado ao domingo e segunda-feira.
cœur», o gastronómiA maior loja de vinhos do Canadá - * ver pormenores na loja
co avança com os
restaurantes «Euro-
D
Página 14
pa» e «Thursdays». Daquele diz mesmo que
foi onde «… teve o repasto gastronómico do
ano».
Para além da «sua» positiva lista de restaurantes, o conhecido especialista nota no seu
artigo que a restauração em Montreal não está
fácil, dando o exemplo de grandes casas que
foram obrigadas a fechar, como o «Beaver
Club». De resto, ele avança com o número de
30 restaurantes que este ano fecharam as portas.
No entretanto, «abriram em 2014 mais 50
novos restaurantes».
Concluindo, está de parabéns a equipa do
Cantinho de Lisboa por mais esta simpática
referência, servida numa bandeja de mais de
meio milhão de jornais. L P
Vinho Vinho
$3.00 $3.50 $4.00
La Place du Vin
Desejo a toda a comunidade
portuguesa Boas Festas !
Adjoint parlementaire du ministre des Affaires
municipales et de l’Occupation du territoire
(volet habitation)
Hôtel du Parlement
1045, rue des Parlementaires, bureau 1.53a
Québec (Québec) G1A 1A4
Bureau de circonscription
4650, boul. des Laurentides, bur. 415, Laval QC H7K 2J4
Tél. : 450 628-9269 | Téléc. : 450 963-7547
[email protected]
Jean Rousselle
Député de Vimont
Cantinho de Lisboa - A LusaQ TV e o LusoPresse estiveram
lá, em maio, no dia da inauguração. Fotos Jules Nadeau/LusoPresse.
Fobia de andar de avião…
Afeta um em cada três portugueses
L
ISBOA – Um em cada três portugueses considera ser perigoso e
tem fobia de andar de avião, apesar de este ser um dos meios de transporte
mais seguros do mundo, revela um estudo pioneiro em Portugal sobre a prevalência da ansiedade do voo.
O estudo “Prevalência da ansiedade de voo numa amostra da população
portuguesa”, apresentado recentemente na Ordem dos Psicólogos Portugueses
e numa conferência internacional, em Malta, sobre psicologia da aviação, revela que há um conjunto de perceções que estão distorcidas, segundo Cristina
Albuquerque, uma das autoras.
“Trata-se de um estudo pioneiro em Portugal, e o interesse neste tipo de
assunto é perceber como as pessoas veem o transporte aéreo. A perceção que
têm de como é que, sendo um meio de transporte tão seguro, pode levar a que
cerca de 30 por cento dos inquiridos considere ser perigoso andar de avião”,
explicou em declarações à agência Lusa.
De acordo com dados de segurança da Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), em 2013 ocorreu um acidente por cada 2,4 milhões de
voos, não querendo dizer que estes tenham sido fatais.
Cristina Albuquerque sustentou que há a “ideia distorcida” de que num
acidente aéreo “ninguém sobrevive”.
“Temos esta realidade, que são os factos, a estatística, e de outro lado, temos a perceção do comum dos mortais de que viajar de avião é perigoso. É
uma realidade distorcida”, concluiu.
Para a psicóloga, especialista em casos de fobia de aviação há mais de 25
anos, um dos dados “mais surpreendentes” do estudo tem a ver com o facto
de 71,2 % dos inquiridos evitar viagens de longo curso, mas tolerar as viagens
de médio curso.
“Verificámos que nestas últimas pessoas, 88,5% sofrem de ansiedade de
voo. Há um conjunto de comportamentos que o passageiro aéreo tem e que
Cont. Pág. 26, Fobia do avião...
18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
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18 de dezembro de 2014
LE JOURNAL DE LA LUSOPHONIE
L u s oP r e s s e
Página 16
Éditeur et rédacteur en chef : Norberto Aguiar
Directeur : Carlos de Jesus
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18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
Página 17
A pecha liberal
•
Por Carlos DE JESUS
N
ão se trata de fazer aqui uma
revista política do ano que se acaba. Apenas
apontar para o aspeto mais negativo que
tem caracterizado o atual governo do Quebeque.
Ao ouvir e ao ler todas as críticas que
diariamente enchem as páginas e invadem
as ruas e as ondas da rádio e da televisão
por estas paragens, um estrangeiro que desembarcasse no Quebeque seria levado a
crer que estamos a viver um fim de reinado
com um governo gasto e desgasto por vários anos de má governança.
Ora, como todos sabemos, este governo ainda nem sequer fez um ano no poder.
Que devemos então concluir? Onde é que
está o erro?
O erro, por amadorismo ou estranho
cálculo político, é o de reduzir o discurso
político ao mínimo, isto é, de reagir e da
forma mais terna possível, às críticas que
lhe fazem. Exemplo deste estilo (ou de falta
de comunicação) está na resposta que o primeiro-ministro deu quando lhe perguntaram porque é que havia tanta urgência em
equilibrar as finanças do estado quebequense. Resposta: «Pour maintenir les conditions d’emprunt de l’État québécois».
É verdade que vivemos numa época
onde dominam as comunicações, onde por
vezes o conteúdo tem menos importância
que a embalagem. Mas neste campo, o governo Couillard é duma inépcia incrível.
Infelizmente – será por causa do seu
francês com sotaque português? – o nosso
ministro das finanças não vem suficientemente a terreiro para explicar a situação.
Da última vez, no parlamento, por altura do discurso da apresentação do orçamento de estado para este ano, ele foi bastante claro, que o problema não está na dívida geral do Quebeque mas no montante
dos juros que esta custa ao Estado – 30 milhões de dólares por dia! Sim por dia, apesar
das baixíssimas taxas de juro. Imaginem o
que vai ser quando os juros voltarem a subir,
como é certo e sabido que vai acontecer.
O que é confrangedor é ver os grupos
de pressão virem para a rua a gritar «On a
pas voté pour ça!». Claro que eles não votaram por isso. A maior parte dos sindicalistas
sempre votaram pelo Parti Québécois. Esquecem, assim como a maioria dos cronistas políticos, que o partido ganhou as eleições por uma franca maioria e que esquecer
este facto é menosprezar os eleitores que
apostaram neste partido contra a experiência política desastrosa do reinado de Madame Marois. Aliás, se tivessem sido o partido
quebequense ou mesmo a CAQ a serem
eleitos, todos sabemos que a política fiscal
seria a mesma, porque a realidade não mudou com a mudança de partido no governo.
Do que estou certo é que se fosse o
PQ a governar, teria muito mais aceitação
na classe sindicalista e jornalista, devido à
simpatia tradicional que estes dois campos
votam ao partido independentista, por um
lado, e por outro, pela extraordinária eficácia
Philippe Couillard.
da máquina de propaganda daquele partido.
Visto desta perspetiva, é urgentíssimo
que o Governo Liberal adote uma verdadeira
política de comunicação. Não comunicação
no sentido de propaganda mas no sentido
de informação. Porque é realmente a falta de
informação que deixa o campo livre a todos
os detratores do governo liberal.
Na boca dos seus detratores a palavra
de ordem é combater a austeridade. O governo replica que não há austeridade: o que há
é rigor. Não gastar mais do que se ganha.
Isto é uma confrangedora lapalissada.
Quando o «Institut de recherche et
d’informations socio-économiques (IRIS)»
– um think-tank de ideologia socialista –
veio a público com estatísticas a ‘comprovar’
que a Dívida Pública do Quebeque em relação ao PIB era menor que a da França ou
dos Estados Unidos, nenhum dos bonzos
da comunicação do Partido Liberal resolveu
esclarecer a população.
Ora o bom senso nos dita que utilizar
estes dados é passar completamente ao lado
da verdadeira questão. A lógica do IRIS é o
de enviar areia para os olhos do público. A
dívida do Quebeque não é grande comparada
à dos outros países mas é exagerada considerando os 30 milhões de dólares que ela nos
custa por dia. Isto é, por cada 100 dólares
de imposto que nós pagamos ao Estado
quebequense, o ministro das finanças apenas dispõe de 89 cêntimos para financiar a
Saúde, a Educação, o apoio às famílias e todos os outros milhentos serviços que a população espera receber do governo.
A verdade é esta: onze por cento das
receitas vão para os credores. Já imaginaram
o que o governo podia fazer com os 10,8
mil milhões de dólares que saem dos cofres
do Estado para pagar a dívida pública?
Infelizmente, os estrategas do Parti Libéral du Québec são duma incompetência
crassa. Assim como demoram a ajustar a
hora no que respeita à dita ‘austeridade’, assim também perderam uma excelente ocasião de explicar porque é que se devia fazer
uma reforma nas comissões escolares ou
criar um plano tarifário para os pais que entregam os filhos aos serviços de guarda subvencionados.
É esta, a meu ver, a pior lacuna da governança liberal. Infelizmente não vejo sinais de que vai haver melhoras num futuro
previsível. L P
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18 de dezembro de 2014
Mensagem de Natal
Nesta bela
quadra natalícia
saúdo toda a
Comunidade Portuguesa
endereçando-lhe os
meus melhores
votos de Saúde,
Paz e Prosperidade!
Luís Miranda
«Maire» de Anjou
L u s oP r e s s e
Página 18
A estrela da Manhenha
•
Por Osvaldo CABRAL
A
“
descer, todos os santos ajudam;
para cima, é que as coisas mudam”, murmura
o tio Norberto, sempre que põe o caniço de
pesca ao ombro e olha para o cimo das rochas
da baía do Céu de Abraão, ali para os lados da
Engrade.
Conhece os atalhos rochosos como as
palmas grossas das suas mãos, mas os 71 anos
não perdoam e as pernas já não são as mesmas
quando emigrou para o Brasil.
Saíu ainda muito cedo da Feteira Grande,
no concelho de Nordeste - “quase descalço” e quando desembarcou do vapor em S. Paulo,
a primeira coisa que fez foi prometer, ao
companheiro da aventura, que lhe procuraria
um dia para pagar os escudos emprestados para
a jornada.
Ali começou o seu sonho, culminando
hoje com a poderosa Padaria Joá, na Avenida
Nossa Senhora do Sabará, em plena cidade
paulista.
“Isso agora não interessa”, corta a
conversa a olhar-me de soslaio, para logo
concluir com meio sotaque brasileiro: “o
importante é isto aqui, esta paz da Manhenha,
do tamanho da ilha”.
O silêncio da Ponta da Ilha dá-lhe fogo à
inspiração.
Sentado no terraço da Adega do Luar,
olhando para o horizonte azul carregado, onde
só se sente uma leve brisa dos lados de S. Jorge,
ele vem com a frase do costume: “o que seria
de nós sem a gente!”...
Farto-me de gabar o seu sentido de humor
e quase que lhe digo que a sua profissão no
Brasil devia ser a de publicitário, porque ele é
bom naquelas frases criativas que só os
brasileiros sabem.
No outro dia, lá em baixo na Banda da
Fonte, segurando com força o caniço perante
um mar revoltoso, ouviu de lá de cima, do alto
das rochas, a voz da mulher: “Sai daí homem,
ainda morres no mar...”.
E ele responde: “Oi querida, vem cá
morrer com a gente”.
Na mesa do terraço está sempre a
caipirinha, feita por ele, “especialmente” para
mim. Para ele é o vinho do Pico.
“Ó tio, este vinho é bom?”
“Oi cara, é vinho caseiro. Você bebe aqui
e morre em casa”
O mar é a sua perdição. Na adega tem uma
colecção de caniços, “made in Manhenha”,
mas o outro dia foi às Lajes e trouxe uma cana
com carreto dos chineses.
Diz que é para testar se resulta pescar com
paciência de chinês.
Ao som dos cagarros que vão
Tio Norberto Medeiros e esposa.
A pesca como desporto.
sobrevoando a adega, vai cantarolando: “ o
meu amor ontem à noite / pela minha vida
jurou / que ele ia-se deitar ao mar / se ele vai eu
cá não vou”.
E sem perder o fôlego: “a maré enche e
vaza / e às vezes bate na costa / quando fores
à minha casa / porta aberta e mesa posta”.
Adora o repentismo.
É das melhores recordações que guarda
da sua infância em Nordeste.
O seu ídolo era o famoso José Plácido, da
Lombinha da Maia, um dos maiores cantadores
ao desafio que S. Miguel conheceu.
Tio Norberto recorda-se de uma troca de
galhardetes entre Plácido e a célebre Trulu,
quando esta chamou maricas ao seu desafiador.
A resposta de Plácido, segundo tio
Norberto: “Escreve um “p” e um “u” atrás de
um “t” e acrescenta um “a” / lê essa frase Trulu
/ vê o nome que te dá / e a culpada foste tu”.
Coisa forte, portanto.
“Oi cara, Plácido não brincava; quem se
metia com ele, levava lenha”.
Tio Norberto ri-se com a própria
memória. Acerta o boné na cabeça várias vezes
e conta que um outro desafiador muito
conhecido, Carvalho, atiçou Plácido com
insinuações de muitos cornudos para os lados
da sua freguesia.
Dizia Carvalho: “ carreguei uma carrada /
e fui vender para a Lombinha / cheguei lá não
vendi / porque toda a gente tinha”.
Resposta de Plácido: “carregaste uma
carroça / carregaste duas ou três / e se foi lenha
grossa / foi lá da mata de vocês”.
Norberto Correia de Medeiros é todo ele
uma história e uma longa cantiga ao desafio.
O seu Nordeste longínquo devia prestarlhe homenagem pelo exemplo de cidadão que
leva o nome da sua terra ao outro nordeste
brasileiro.
Por agora só pensa na Adega do Luar,
mas sem antes fazer escala na sua Feteira
Grande.
E neste Natal, quando a estrela maior devia
estar sobre a Manhenha, ele olha para o alto e
dispara: “sabes cara, o melhor Natal foi aquele
em que fui pagar ao meu companheiro de
viagem o que lhe devia”.
Há estrelas que não se apagam.
Manhenha, ilha do Pico, Dezembro 2014
18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
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Boas Festas!
18 de dezembro de 2014
RONALDO...
Cont. da pág 9
António, ganhei folgo a tomar uma bica. Pensei tirar os sapatos para dar um pouco de repouso aos meus pés... Afinal, estou num restaurante onde este tipo de comportamento
não é apreciado. Guardei-os nos pés que estavam a «pulsar» pelo abuso de tanto sofrimento.
Sentado, ainda observei as pessoas que passavam à minha frente, e preparei o ouvido para
me aperceber do que falavam as pessoas que
estavam no passeio ou ao meu lado no restaurante. Não fiquei surpreendido quando nada
ouvia sobre o Ronaldo. Inicialmente pensei
que quanto chegasse a Santo António ia visitar
a casa onde o Ronaldo nasceu, e me ia meter
em conversa com os locais sobre o Cristiano.
Ideia mais do que arrogante da minha parte,
demonstrativa da minha falta de respeito para
com os santo-antonienses... Imaginem: entrar
num café e sem mais nem menos logo poder
desfrutar da conversa das pessoas. Com efeito,
L u s oP r e s s e
era disso que eu precisava, visto estar ali com o
único intuito de saber a opinião da população
da freguesia sobre o Cristiano Ronaldo. Tão
metidas no seu dia-a-dia, essa possibilidade agora quase me pareceu remota. Acabei por me
dar conta que apesar da grande personalidade
que Cristiano Ronaldo «dégage» na sua terra, a
verdade é que os seus conterrâneos têm outras
coisas com que se preocupar. Mas que gringo
sou eu? Logo depois vim a reconhecer que a
minha ideia inicial padecia por falta de firmeza
e de espontaneidade. De facto, as pessoas abordadas por mim só podiam deixar-se influenciar
pelas minhas propostas de académico que tem
um curso a construir baseado na vida do grande
futebolista madeirense. Voltei a refletir e depois
duns minutos de claridade decidi que a melhor
maneira de saber o que as pessoas pensam do
Ronaldo era de as ouvir falar num contexto
“natural”, onde o tópico aparecesse sem formalidades e sem orientação do pesquisador que
põe o Ronaldo em destaque e «força» conhecêlo, ouvindo os santo-antonienses. Então, co-
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mo ideal a explorar sobre a vida e obra do Ro- do porquê...
Não me escapou o facto de Santo Antónaldo é mesmo integrar-me na vida de Santo
António, no seu dia-a-dia, se possível por um nio ser considerada uma freguesia economicatempo largo. Viver em Santo António por mente modesta. E ao ir a Santo António vi
uns meses e participar na cultura local, eis a re- muitas casas meias construídas, outras quase a
ceita mágica para aprender que Santo António caírem pela ribeira abaixo. Em Santo António
é, de facto, a terra do Cristiano Ronaldo. Mas as casas são estreitas, beijando o caminho e
que fazer? Não tenho esses meses para vir ha- muitas que precisam de pintura. Mas ao mesmo
tempo não vi muitas em estado de degradação.
bitar Santo António?!...
Satisfeito com o meu raciocínio, paguei o No centro da freguesia este tipo de casas é
café e pus-me a caminho, aventurando-me ainda mais disperso. Quanto ao seu interior, não
mais para o interior de Santo António. Logo posso dar opinião porque não entrei em neacima, oiço noutro café pessoas às gargalhadas, nhuma delas. Achei que a comunidade está focomentando sobre o que se passava na televi- cada no seu dia-a-dia. (Com mais tempo a falar
são. Mais adiante há cheiro a pão cozido vindo com o empregado do hotel onde estive alojade uma padaria que se encontrava de portas do, ele conta-me que na Madeira o pessoal não
abertas. Continuo a caminhar e acabo por en- vive, apenas sobrevive por causa do pobre estatrar noutro café onde peço uma garrafa de água. do da economia).
Satisfeito com as minhas observações soVejo um homem de meia-idade a embrulhar
um cigarro encostado a uma mesa, uma mãe a bre Santo António, e passados os difíceis perdar comida a um bebé, ao mesmo tempo que cursos, que o Ronaldo decerto já percorreu, e
observo outras pessoas encostadas ao balcão ainda percorre, centenas de vezes (agora quana tomar café e a comer alguns bolos. Subo ain- do visita a Madeira), dirijo-me para sul e camida mais a encosta – em Santo António ou se nho em direção ao Funchal. Ao entrar no meu
sobe ou se desce – e reparo que há pessoas a quarto de hotel vejo que recebi um mail de um
fazer compras no “Pingo Doce”, supermerca- jornalista do Jornal da Madeira que me informa
do que fica quase diante da igreja de que já vos que no dia 21 de dezembro uma estátua de Rofalei. Acabo por entrar no parque da igreja de naldo será instalada na Praça do Mar.
Depois de tudo o que vi e ouvi, concluo
Santo António e acho-o grande. Não consigo
– na verdade não me interesso – por entrar na que de mais em mais a presença de Cristiano
igreja. Mas fico surpreendido e impressionado Ronaldo é no Funchal (e em Madrid e no glocom o seu tamanho. Reparo no grande relógio bo) e cada vez menos em Santo António.
que tem a catedral e vejo que marca meio-dia.
* Professor de Sociologia na Universidade
Dou-me conta que o meu percurso para Santo
António começou duas horas antes. Da igreja da Colômbia Britânica, Campus de Kewlona.
atravesso o caminho e sento-me
num banco no parque do Padre
(e historiador!) Fernando Augusto da Silva. Pouco tempo depois, deixo o parque e desço uma
rua inclinadíssima de regresso à
rua central. Olho em todas as
direções e apercebo-me que ainda
não consegui ver nenhum campo de futebol... De resto, pergunto a mim mesmo como se
pode jogar à bola num sítio onde
tudo é terreno íngreme, meu
Deus?!... Mas, claro, se há lugares, na montanha para construir
casas, acho que também poderá
haver espaço para a feitura de
campos de futebol... Com pena,
não vejo maneira de encontrar
um campo de futebol até porque
já me faltam reservas de energia
para subir de novo a «montanha»
à procura dele (campo). Também não encontrei a casa onde
o Ronaldo nasceu... Mais tarde
vim a saber que ela foi demolida
por ordem do governo. Procurei
mas não me deram explicações Igreja de Santo António.
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18 de dezembro de 2014
LAÇOS E ABRAÇOS
FESTA DA POESIA PARA TI
A
delaide Ramos Vilela apresenta no
dia 31 de JANEIRO de 2015, pelas 16h30, no
Clube Portugal de Montreal, no nº. 4397 StLaurent, Montreal, a sua mais recente obra poética, LAÇOS E ABRAÇOS.
Avisamos os leitores e amigos que
esta obra é delas a mais interessante!
Nela enaltecemos o abraço, tão importante e tão olvidado.
Laços e abraços é poesia em língua portuguesa, e vai uma vez mais fazer pulsar, aqui
nesta comunidade lusa, o nome de Luís Vaz de
Camões. Para testemunhar o Evento contamos com ilustres convidados, famili-
L u s oP r e s s e
ares e amigos.
Dirigimo-nos a todos os portugueses,
sem esquecer os amigos dos países lusófonos,
esperando que marquem presença. Será um
gosto acolhê-los.
Tomem nota:
Portugal sempre na palavra e no coração:
é o Clube Portugal de Montreal que recebe a
FESTA DA POESIA E A CERIMÓNIA DE
LANÇAMENTO DE LAÇOS E ABRAÇOS.
Quem apresenta é a talentosa Viviana Lourenço, ótima profissional em comunicação, para
além de ser uma excelente artista. A Viviana
vai encantar com palavras e com as suas canções. Depois, o Fado na voz e no coração da
grande Cathy Pimentel. Chega-nos logo a doce
Elisabeth Machado, a jovem com voz de anjo,
a artista dos musicais. Ah! A nossa atleta Kayla
Página 22
Simões vai fazer as delícias dos mais pequenos.
Ela animará a tarde e a noite, o começo da festa da poesia às cambalhotas.
Haverá poesia e surpresas!
DJ Machado emprestará o seu
microfone ao Jymmi Faria, o nosso roqueiro português que virá fazer mover
o salão de festas revestido de bom humor e de alegria.
Só perde se ficar em casa… o jantar é divinal. Os minhotos são bons marotos a cozinhar, como só eles sabem!
Reserve e informe-se aqui: 514
622-2702; e no Clube Portugal: 514
844-1406. L P
Programa piloto
V
ancouver - O Governo do Canadá anunciou que vai lançar em janeiro de 2015
um programa piloto destinado a atrair empresários experientes imigrantes que podem investir
ativamente na economia canadiana.
O novo programa piloto Imigrante Investidor de Empreendimento Capital faz parte
de uma série de mudanças que as autoridades
canadianas estão a efetuar para tentar construir
um sistema da imigração económica rápido e
flexível.
“O nosso Governo está focado na construção de um sistema de imigração que satisfaça
as necessidades económicas e laborais do mercado no Canadá”, referiu na terça-feira o ministro da Imigração Federal, Chris Alexander.
Segundo a mesma nota, o governante,
através do lançamento deste programa piloto,
“espera atrair investidores que podem fazer
um investimento significativo e que têm a instrução e o negócio comprovado ou então a
experiência do investimento necessário para
alcançar o sucesso no Canadá”.
Além de terem de fazer um investimento
de dois milhões de dólares (1,6 milhões de euros) num período de 15 anos e de terem um
valor líquido de 10 milhões (oito milhões de
euros), os investidores imigrantes devem satisfazer alguns critérios de elegibilidade relacionados com a linguagem e grau de instrução.
Os requisitos vão garantir que os imigrantes investidores tenham um forte impacto na
economia canadiana, e também aqueles que
forem aprovados para residentes permanentes,
de que estão bem preparados para integrarem
o ramo de negócios e a sociedade canadiana,
segundo o Governo.
Este novo programa piloto começará a
aceitar inscrições no final de janeiro de 2015 e
irá proporcionar o acesso à residência permanente a cerca de 50 imigrantes e suas famílias.
R. S. Plomberie, inc.
ALFREDO
GALEGO
1951 – 2014
F
aleceu em Montreal, no
dia 5 de dezembro de 2014, com 63
anos de idade, Alfredo Galego, natural
da Lagoa, São Miguel, Açores.
Deixa na dor os seus filhos, o
seu irmão Eduardo Galego (Vidália
Costa), o seu sobrinho, assim como
restantes familiares e amigos.
Os serviços fúnebres estiveram
a cargo de:
MAGNUS POIRIER Inc.
6825, Sherbrooke Est, Montréal
Tel.: (514) 727-2847
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António Rodrigues
Telem.: (514) 918-1848
O velório teve lugar na quartafeira dia 10 de dezembro de 2014, a
partir das 9h00.
Seguiu-se a missa de corpo presente, às 13h00, na Igreja St-Donat,
situada no 6805 rue De Marseille,
Montréal. Foi sepultado em cripta no
Mausoléu La Résurrection no cemitério Le Repos St-François d’Assise.
A família vem por este meio agradecer a todas as pessoas que, de qualquer forma, se lhes associam neste
momento de dor. A todos o nosso
obrigado pelo vosso conforto. Bem
Hajam.
António Rodrigues
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18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
Eduardo Dias
Notário
«Maître» Eduardo Dias
deseja a toda
a Comunidade
os Melhores votos
de Boas Festas!
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Tél.: (514) 985-2411 - Fax: (514) 985-2599
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Club Portugal de Montreal
4397, Boul. St-Laurent
Montréal, Québec H2W 1Z8
A Direcção do Clube
Portugal
de Montreal deseja
a todos os seus
associados e amigos,
assim como
a toda a comunidade,
Festas de Natal muito
felizes.
Página 24
Problemas educacionais…
João Ponte preocupado
D
urante a cerimónia de homenagem prestada pela Câmara Municipal de
Lagoa ao Professor Leonardo Amaral, João
Ponte abordou algumas temáticas que caracterizam o panorama educacional atual.
Segundo o edil lagoense, nas últimas
semanas, muito se tem debatido, de forma
eufórica, acerca dos rankings e do sucesso
escolar e, no entender do autarca lagoense
“enquanto a educação servir de “arma de
arremesso” político será difícil obter-se
consensos e discutir os problemas do ensino com a serenidade e profundidade desejáveis”.
Para João Ponte, o ranking das escolas
é, “um modelo de avaliação redutor e até
pouco sério, que quase parece estar ao serviço das escolas privadas. Compara o que
não é comparável, esquecendo o contexto
social e económico dos territórios onde se
inserem as escolas.
Recorrendo ao futebol que usa uma
linguagem universal, João Ponte ousou
afirmar que: “comparar o ranking da Secundária da Lagoa com a que está em primeiro
lugar, o Colégio de Nossa Senhora do Rosário, na cidade do Porto, é como comparar
o Clube Operário Desportivo com o Futebol Clube do Porto!”
Está provado que o contexto social onde se inserem as escolas está intimamente
ligado ao sucesso escolar e contribui em
muito para baixar as médias escolares, e
que para melhorar os resultados e o sucesso escolar é preciso também melhorar a
condição social de muitos agregados deste
concelho.
Assim, João Ponte reportou-se ao caso
concreto do seu concelho que dispõe de
uma elevada taxa de agregados familiares
com apoio de RSI; que dispõe das taxas
mais elevadas de desemprego, que tem
muitos jovens que mesmo tendo estudado,
têm como resposta o desemprego e rematou
afirmando que “afinal parece que os resultados não são assim tão maus como parecem à primeira vista”.
Para o autarca, o que me parece mais
importante, neste momento, é olhar para
trás, ver de onde partimos e onde chegámos, sem tirarmos o foco no futuro e pensar
que vamos continuar a melhorar e que somos capazes de fazer melhor.
Segundo o ponto de vista do autarca,
“nos últimos anos investimos, e bem, na
educação, contudo, preocupamo-nos mais
com o património físico e com a construção de grandes edifícios, do que propriamente com aquilo que deve ser a razão da
existência da escola: o seu património
humano que são os alunos”.
É indiscutível que “a disponibilização
de novas escolas, melhor apetrechadas
proporcionou melhores condições ao ensino, mas está na altura de focar a atenção
nos alunos, inovar o ensino e investir ainda mais em programas de combate ao insucesso escolar”.
Nos últimos dez anos acentuaram-se
as tensões entre os sindicatos de professores e a tutela, bem como o descontentamento dos professores relativamente a
diversas matérias como a carreira docente,
o estatuto dos professores, os concursos
e as avaliações, que no entender do autarca em nada contribui de forma positiva
para o sistema educativo.
A desmotivação dos alunos e das próprias famílias que também é uma realidade
vivida na Lagoa devido aos problemas
sociais graves, não contribui positivamente para combater o abandono e o insucesso escolar.
São necessários pais e alunos mais
exigentes, professores ainda mais
motivados e auxiliares de educação ainda
mais dedicados que procurem atingir a
excelência na sua ação.
Aos professores: pede-se persistência
para garantir que todos aprendam, pese
embora saibamos que a priori esta é uma
missão “quase impossível”.
Aos pais: exige-se um papel insubstituível no processo de acompanhamento
da educação dos filhos!
Aos alunos: exige-se que primem pela
excelência na obtenção de bons resultados.
Para finalizar, João Ponte endereçou
um voto de confiança a todos (conselho
executivo, professores, auxiliares de
educação) que se dedicam à missão, não
de apenas ensinar, mas de garantir que
todos aprendam de forma igual, deixando
um apelo especial aos alunos para que,
dos 19 dias de férias de natal tirassem uns
minutos para fazerem uma pequena reflexão:
- “Será que fiz tudo o que estava ao
meu alcance para aprender?
- Será que podia ser mais persistente
comigo mesmo nos estudos?
- Afinal porque não vou ter uma boa
nota a matemática ou a português?
- Os testes eram difíceis? O professor
é muito rigoroso? E eu? Estudei o suficiente? Estive atento nas aulas?
- O que devo fazer para ser diferente?
- O que posso eu dar à minha escola?
Afinal ela dá-me tanto: instalações
espetaculares, professores “porreiros”,
auxiliares super pacientes e muitos amigos
para a vida!”
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latente”, sublinhou.
Cristina Albuquerque referiu ainda que há
muitas pessoas que recorrem aos medicamentos ou a bebidas alcoólicas para suportarem as
viagens de avião, mas outras há que desistem
de embarcar, optando por não enfrentar a sua
fobia.
A psicóloga exemplificou com um caso
de uma pessoa que, por seis vezes consecutivas,
embarcou e saiu dos voos, remarcando-os posteriormente e, só depois de um tratamento,
conseguiu fazer uma viagem de negócios “importantíssima e que ia mudar o seu rumo profissional”.
De acordo com a especialista, há pessoas
que prejudicam as suas vidas, familiares e profissionais, devido à fobia que têm em andar de
avião, contando que há luas de mel “que acabam
mesmo antes de começar, pois os noivos, tanto homens, como mulheres, saem do avião
ou nem sequer chegam a passar do check-in”.
Segundo Cristina Albuquerque, esta fobia
é desencadeada por um conjunto de causas, já
que não se pode dizer que a pessoa “ganhou
medo de viajar de avião ou depois de ter tido
um acidente ou ainda de ter apanhado um grande susto”.
“Na maior parte dos casos, como os acidentes são raros, não são estes que estão na
base do desenvolvimento da fobia”, considerou, adiantando que, normalmente, se trata de
pessoas “mais sensíveis e mais ansiosas em
relação a tudo na vida, não sendo o avião a exceção”.
Cristina Albuquerque sublinhou ainda que
o facto de não se deter o controlo depois de
escolhida a viagem, destino, companhia aérea
e horário, leva muitas pessoas a desencadear
esta fobia.
“Entramos no aeroporto e não controlamos mais nada. Não sabemos se o avião vai
partir a horas, não sabemos quem vai no ‘cockpit’ a comandar, temos de nos colocar à mercê
de um conjunto de procedimentos e pessoas
que não controlamos, e isto é gerador de muita
ansiedade em algumas pessoas. Há uma ausência total de controlo”, explicou.
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Na Lagoa e em 4ª edição
Mercadinho de Natal revelou-se um sucesso
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ais de 4 000 mil entradas foram registadas na 4ª edição do Mercadinho de Natal.
A Câmara Municipal de Lagoa considera, assim, que esta foi uma iniciativa que se revelou
num grande sucesso.
O Mercadinho de Natal, realizado na Praça de Nossa Senhora do Rosário, na cidade de Lagoa, encerrou no dia 8 de dezembro, registando uma afluência de cerca de 4 000 pessoas.
Promovida pela Câmara Municipal de Lagoa em parceria com o NELAG – Núcleo de Empresários da Lagoa, a 4ª edição do Mercadinho de Natal teve como grande novidade, a sua realização num novo espaço, tendo por objetivo dinamizar o centro urbano da cidade e simultaneamente promover o comércio local tradicional.
Assim, durante o prolongado fim de semana passado, a Lagoa ofereceu muita animação a
quem visitou este Mercadinho, bem como proporcionou a venda de produtos propícios a esta
época, aliada à boa gastronomia típica desta quadra, sempre com muita diversão para miúdos e
graúdos.
Mais de 35 instituições e artesãos participaram nesta iniciativa que, de ano para ano, tem registado uma grande adesão e tem-se revelado num evento de sucesso que cativa as pessoas nesta
quadra natalícia, proporcionando momentos de confraternização e diversão, apesar do frio que
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NATAL CHINÊS...
Cont. da pág 1
as, o refeitório do colégio parecia maior e mais
desconfortável: só eu e Miss Lu nos sentávamos à mesa comprida das professoras. Daí a
presença da senhora Tung, que noutra ocasião
passaria talvez despercebida (estirada a sala entre pátios de cimento e plantas verdes), se tornar nessa altura notável.
Baixa, seca de carnes, de olhos atenciosos,
pensativos, a senhora Tung sorria constantemente, falava inglês, gostava de comer, de fumar, de jogar mah-jong. As criadas cortejavamna nos corredores, preparavam-lhe pratos especiais, levavam-lhe chá ao quarto. Além de
ser mãe da subdiretora, tinha fama de rica e
distribuía moedas de prata a todo o pessoal na
noite de festa.
Nessa noite assistiam três freiras ao nosso
jantar (a regra não lhes permitia comer connosco): a diretora, a subdiretora e a mestra dos estudos. E muito empertigada, segurando com
ambas as mãos um tabuleiro de laca coberto
com um pano de seda, a senhora Tung recebiaas à porta do refeitório, entregando cerimoniosamente o presente à filha, que por sua vez o
oferecia à diretora. Eram bolos de farinha fina
de arroz amassada com óleo de sésamo. Toda
de vermelho, de sapatos bordados e ganchos
de jade no cabelo, a senhora Tung, quando a
superiora colocava o tabuleiro dos bolos na
mesa, dobrava-se quase até ao chão. Rezavase, depois. Para lá dos pátios, à porta da cozinha, as criadas espreitavam, curiosas.
Nem no primeiro, nem no segundo, nem
no terceiro Natal que passei em Macau, a senhora Tung era cristã, mas todos os anos se
nomeava catecúmena. A seguir ao jantar falavase nisso. A diretora, uma francesa de mãos engelhadas que noutros tempos frequentara a
Universidade de Pequim, perguntava em chinês
formal quando era o batizado. Inclinando a
cabeça para o peito, a senhora Tung balbuciava,
indicando a irmã Chen-Mou. A filha... a filha
sabia. Talvez se pudesse chamar cristã pelo espírito, mas o coração atraiçoava-a. O coração
continuava apegado a antigas devoções... Todavia, vestira-se de gala para a festividade da
meia-noite, tinha no quarto o Menino Jesus
cercado de flores, e a alma transbordava-lhe de
alegria como se cristã verdadeiramente fosse.
Com um sorriso meio complacente meio
contrariado, a irmã Chen-Mou desconversava,
passando a bandeja dos bolos à superiora, que
separava uns tantos para o convento. Os restantes comê-los-íamos nós, ao fim da Missa
do Galo, com chocolate quente.
O chocolate era a esperada surpresa da diretora. A senhora Tung chamava-lhe, em ar de
gracejo, «chá de Paris». No fim das três missas
vinham outra vez as três freiras ao refeitório
do colégio para trocarem connosco o beijo da
paz e nos oferecerem a tigela fumegante do
chocolate. Vinham e partiam logo (tarde de
mais para se demorarem), e Miss Lu, fanática
terceira-franciscana, sempre atenta aos passos
das monjas, sorvia à pressa o líquido escaldante, como quem cumprisse um dever, e saía
atrás delas.
Ficávamos, assim, a senhora Tung e eu,
uma em frente da outra. À luz das velas olorosas do centro de mesa, os seus olhos eram
dois riscos tremulantes. Sorríamos. Finalmente, o reposteiro ao fundo da sala apartava-se.
Uma das criadas entrava, silenciosa. Servia-se
vinho de arroz.
Creio que o vinho de arroz figurava entre
as bebidas proibidas no colégio e que chegava
L u s oP r e s s e
ali por portas travessas. O certo, contudo, é
que ambas o bebíamos, a acompanhar os bolos de sésamo, no grande e deserto refeitório,
na noite de Natal.
O vinho de arroz queimava-me a garganta
e fazia-me vir lágrimas aos olhos. Quanto à
senhora Tung, saboreava-o devagar, molhando nele o bolo, e, como mal provara o «chá de
Paris», bebia dois cálices.
Entretanto, Aldegundes, a criada macaense mais antiga do colégio, aparecia com as especialidades da terra: aluares, fartes e coscorões,
dizendo que aluá era o colchão do Minino Jesus, farte almofada, coscorão lençol. E eu traduzia em inglês para a senhora Tung, que achava isto enternecedor e gratificava a velha generosamente.
Quando por fim atravessávamos a cerca a
caminho de casa, sob uma lua branca, espantada, anunciadora do Inverno para a madrugada,
a senhora Tung abria-se em confidências.
A menina sabia... ¯ a «menina» era a irmã
Chen-Mou, a subdiretora do colégio ¯, sabia
que ela continuava a venerar a Deusa da Fecundidade. Tratava-se de uma pequena divindade,
toda nua e toda de oiro. Fora ela quem lhe dera
filhos. Estéril durante sete anos, a senhora
Tung recorrera à sua intercessão divina quando
o marido já se preparava para receber nova esposa. Não podia portanto deixar de a amar.
Toda a felicidade lhe provinha daí, dessa afortunada hora em que a deusa a escutara.
Parava a meio do largo átrio enluarado, de
olhar meditabundo, mãos cruzadas no colo. E
as palavras saíam-lhe lentas e soltas, como se
falasse sozinha.
... E aquele mistério da virgindade de Nossa Senhora! Virgem e mãe ao mesmo tempo...
Não se lia no Génesis: «O homem deixará o
pai e a mãe para se unir a sua mulher e os dois
serão uma só carne?» Não era essa a lei do Senhor? Porquê então a Mãe de Cristo diferente
das outras, num mundo de homens e de mulheres onde o Filho havia de vir pregar o amor?
A Deusa da Fecundidade, patrona dos lares,
operava milagres, sim, mas racionalmente, atraindo a vontade do homem à da sua companheira e exaltando essa atração. Como o Céu alagando a Terra na estação própria.
Retomávamos a marcha em direção aos
nossos aposentos. Difícil para mim responder
às dúvidas da senhora Tung, nem ela parecia
esperar resposta. Mudava, rápida, de assunto,
aludindo ao tempo, à viagem de regresso, às
saborosas guloseimas da criada macaísta.
Já em casa, convidava-me a ir ver o seu
presépio. O quarto cheirava fortemente a incenso. Em cima da cómoda, entre flores, lá estava o Menino Jesus, de cabaia de seda encarnada, sapatinhos de veludo preto, feições chinesas.
Depois, timidamente, a senhora Tung
abria a gaveta... e surgia a deusa.
O Menino Jesus era de marfim. A Deusa
da Fecundidade era de oiro. O Menino, de pé,
de um palmo de altura, trajando ricamente. A
deusa, sentada, pequenina, nua.
Os olhos da senhora Tung atentavam nos
meus, como se à procura de compreensão, mas
as suas palavras prontas (a deter as minhas?)
eram de autocensura. Não, não devia fazer
aquilo. A filha asseverara que o Menino Jesus
entristecia, em cima da cómoda, por causa da
deusa, na gaveta. E quem sabia mais do que a
filha ?
Eu já sentia frio, apesar da aguardente de
arroz. O Inverno, ali, chegava de repente. A
senhora Tung, no entanto, tinha as mãos
quentes e as faces afogueadas.
Página 28
Despedíamo-nos. Eu sempre me apetecia
dizer-lhe que estivesse sossegada, que de certeza o Menino Jesus não havia de se entristecer,
em cima da cómoda, por causa da deusa, na gaveta. Mas nunca lho disse nos três anos que
passei o Natal com ela. Palpitava-me que a senhora Tung se enervava com o assunto. E
que, de qualquer jeito, não me acreditaria.
Fonte: Instituto Camões
Autora: Maria Ondina Braga
Obra: A China Fica ao Lado,
Lisboa, Panorama, 1968
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No Centro Comunitário de Anjou - Jimmy Faria, que faz parte da casa, voltou a
impressionar a assistência com a sua alegria e boa disposição. Para bailar é com
ele!
NATAL DO LINCAS...
Cont. da pág 13
o menino ficou estupefacto. – És a minha mãe?
Onde estás Catarino? Soldado desconhecido
porque não estás aqui? Já andas no campo
com as vacas? Ei soldado, soldado, continência!
– Anda comigo, meu amor. Não tenhas
medo. Acorda. Hoje é dia 24 de dezembro.
Sou a mulher do teu pai. Sou a tua nova mamã.
O meu pai é americano e a minha mãe da Madeira. Sou luso-americana e fui professora de
música do teu pai. Conheci o Joe, o teu pai, na
prisão e apaixonei-me por ele. Vamos passar
aqui o Natal e depois regressaremos contigo.
A nossa prenda de anos e de Natal, para ti, é
uma viagem à América. A nossa casa é como
um palácio, lindo, grande! Lá terás tudo o que
necessitas para ser feliz! Na Ajuda estão o teu
irmãozinho Catarino e o Joe, o teu pai, ansiosos para te abraçarem.
Aconteceu tudo como no sonho do Lincas, aliás do Blandino... tudo como a mãe lhe
tinha dito. A partir daquele dia vinte e quatro
de dezembro, o Lincas passou a ser feliz, como
nunca, ganhou uma família e foi Natal no acordar de cada manhã, para o resto da sua vida.
Lincas fez dele um grande médico e ainda hoje
se fala da sua história em Bóston, nos Estados
Unidos da América. L P
Dois mil metros, até me faz arrepiar.
Mas... onde está o mar, o mar azul e os peixinhos? Olha, estão debaixo das casas, dos monumentos, dos jardins. Olha ali um soldado
naquele jardim tão viçoso. Ei, ó pá, faz-me
continência. Se tu quiseres... se tu quiseres, também és desconhecido, podes vir comigo. Assim
terei um companheiro para guardar as vaquinhas. Elas até são mansinhas. Até logo, pá!
Finalmente encontrei o paraíso. Tanta neve! É
a Serra da avó do Francisquinho, o único que
não me batia e não se zangava comigo. Ó pá,
vais chamar-te Catarino mas és frio como gelo!
Ai. As minhas mãos estão a ficar tão frias. Ó
boneco de neve será que me podes dizer onde
consiga arranjar lenha para nos aquecermos?
Tal era a inocência do Lincas.
Ouviu-se uma trémula saindo da neve:
– Não vês que se tentas aquecer o Catarino ele vai derreter. Esfrega as mãos e continua.
O Lincas fez então cinco bonecos lindos
como o Sol: o pai a mãe, a avó, ele e um menino
a quem deu o nome de Catarino.
Já o sol ia alto no horizonte quando alguém com uma mão muito delicada lhe tocou
no ombro:
– Blandino, meu filho, vem comigo. Olha,
o Sr. João Pinto passou por aqui, montado
no seu cavalo castanho doirado. Veio passar o
Natal à Ajuda e deixou todos estes presentes
para ti. A avó do Francisquinho, a D. FloEntrepreneur en
rinda também te deimaçonnerie générale
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Éditeur et rédacteur en chef : Norberto Aguiar
Directeur : Carlos de Jesus
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18 de dezembro de 2014
Página 30
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umas Festas felizes
18 de dezembro de 2014
L u s oP r e s s e
Página 31
Ter
minou a época na ML
Terminou
MLSS ...
La Galaxy bate recorde de vitórias!
•
Por Norberto AGUIAR
A
época de futebol da Major League
Soccer terminou domingo passado, com o jogo da final, entre o La Galaxy, da Zona Oeste,
e o Revolution, da Zona Este, disputado em
Los Angeles, casa daquele clube, por ter terminado o campeonato regular em melhor posição
(segundo) do que o seu brioso antagonista
(quinto). E como alegavam os apostadores, o
vencedor acabou por ser a rica e poderosa equipa de Los Angeles, embora com resistência
enorme dos bostonenses, mais azarados do
que incompetentes, futebolisticamente falando, entenda-se.
Na verdade, o encontro de domingo passado terminou com a vitória do La Galaxy,
por 2-1, com recurso ao prolongamento, já
que ao fim dos 90 minutos, o placard registava
um empate a um golo. Marcaram primeiro os
angelinos, através da sua jovem vedeta Zardes,
a passe do meio-campista brasileiro Marcelo.
Depois, numa excelente jogada dos homens
da Nova Inglaterra, que de resto sempre deram
uma grande réplica aos Brancos de Bruce Arena,
Chris Tierney empatou a contenda, levando
assim o jogo para os 30 minutos suplementares. Antes, porém, e praticamente em cima
da hora, Bunbury, sim, o filho do canadiano
do mesmo nome que aqui há anos foi vedeta
do Campeonato Português de Futebol quando
envergou as cores do Marítimo e que quase o
levou às fileiras do Benfica, dizia, Teal Bunbury,
num remate espetacular, que levou a bola à trave da baliza de Penedo, o panamiano guardaredes do La Galaxy, podia ter traçado em definitivo o destino do jogo e da respetiva taça em
disputa...
A bola não entrou. O jogo entretanto
chegou ao fim dos 90 minutos, mais alguns de
desconto... Ficou assim o desempate para resolver no tempo extra...
Se durante os noventa minutos as equipas
se equivaleram em jogo jogado e em oportunidades criadas – e concretizadas, como já se
percebeu –, no prolongamento tudo foi tirado
a papel químico. Menos o segundo golo do La
Galaxy, obra de Keane, que ave rapina de futebol como é, encontrou maneira de fugir, sem
No momento da despedida, Landon Donovan chora...
estar fora de jogo, aos defesas do Revolution
e, isolado, não deu a mínima hipótese de defesa
a Bobby Shuttleworth.
O resto do tempo que faltava já foi jogado
com os nervos à flor da pele, onde a cabeça
dos jogadores deixou que fosse o coração a falar... Assim sendo, o futebol passou a ser jogado de forma mais sôfrega, não dando para endireitar um ou outro remate em direção à baliza
de uma ou outra equipa.
Por ser um conjunto mais experiente, pelo
menos em termos de conquistas, o La Galaxy
decidiu, até ao fim do embate, não arriscar,
não fosse ser, num qualquer lance fortuito, surpreendido com um golo que levasse a partida
para a lotaria das grandes penalidades...
Teve razão o time angelino, pois chegou
o término dos 120 minutos, e com ele a vitória
no saco, a quinta da sua história, que fazem dela a equipa mais ganhadora da Major Soccer
League, ao ultrapassar, com esta vitória, o DC
United, da capital Washington.
De novo louros para o La Galaxy, uma
das melhores equipas da MLS, pelas conquistas, como já vimos, mas também pelo poderio
dos seus jogadores, a começar no guarda-redes,
um dos dois ou três melhores da CONCACAF,
e a acabar no jovem Zardes, um avançado que
com mais experiência vai dar muito que falar.
No entremeio há ainda o defesa internacional
americano Gonzalez – jogou no recente Mundial do Brasil –, os brasileiros Marcelo e Juninho, dois meio-campistas de valor internacional, acabando nos craques Keane e Landon
Donovan! Não falamos dos restantes por uma
questão de economia de espaço, visto quase
todos eles serem jogadores de primeira água!
Falámos atrás de Donovan, o melhor jogador americano de todos os tempos e um
dos melhores do Mundo – para nós, como
aqui já dissemos, está no top 5! E falámos em
Landon Donovan para dizer que tem um impacto enorme no seio desta formação do La
Galaxy. E este ano isso se viu mais uma vez ao
marcar, como meio-campista, 10 golos, aliados
à sensacional façanha de ainda ser o melhor
fabricador do último passe, aquele que decide
o golo. Neste aspeto, Landon Donovan registou 19 passes decisivos, mais cinco que o seu
próximo opositor, o argentino Valeri, que os
mais atentos saberão que já fez parte das fileiras
do Futebol Clube do Porto. Note-se que esses
passes e golos foram «marcados» apenas no
decorrer do Campeonato. Os que marcou ou
fabricou no decorrer das eliminatórias não fazem parte das estatísticas aqui mencionadas.
Mas a referência a Donovan que nos custa
mais fazer neste artigo é dar conta de que, com
esta final, a sua carreira de futebolista também
terminou... Para nós, que o admiramos sobremaneira, custa acreditar como é que um jogador
da sua classe, com apenas 32 anos de idade e
em plena posse de todas as suas qualidades
técnicas e físicas, deixa definitivamente o futebol!!!
Logo que Landon Donovan anunciou a
sua retirada, não houve um só jogo, no seu estádio ou nos estádios por onde passou que os
seus admiradores e simples adeptos de futebol
não lhe pedissem para que recuasse na sua decisão. Frases ao vento como «Donovan, a legenda!» sucederam-se, mas nada fez recuar o
grande futebolista que com apenas 17 anos de
idade já era considerado o melhor do mundo!
Por tudo o que acima fica dito se compreende a grande gana que Donovan tinha para
ganhar esta Taça da MLS de forma a abandonar
o futebol como campeão! E, para mais, a exemplo de se ir com os títulos de melhor marcador
da Liga, melhor de passes e por aí adiante,
também se foi com o título de ser o jogador
que ganhou mais títulos MLS, com seis, quatro
com o La Galaxy e dois com o San Jose.
Mais uma final perdida!...
Por um lado, o La Galaxy queria ganhar a
Taça para bater o recorde de conquistas e assim
dar alegria à sua grande vedeta de deixar o futebol como campeão. Por outro lado aparecia
uma equipa – o Revolution – que tinha como
objetivo por fim às quatro finais perdidas, uma
delas precisamente contra os homens de Los
Angeles... Mas não foi ainda desta que os homens da Nova Inglaterra chegaram ao título.
Não por não terem lutado e jogado no limite.
Simplesmente a sorte do jogo – aquela bola na
barra a escassos minutos dos 90, com o resultado em 1-1!... – nada quis com eles.
Por ter um quadro de jogadores muito
competente e cheio de juventude, estamos em
crer que a hora do Revolution está a chegar.
Não foi ainda desta vez?... Mas está por pouco,
estamos em crer.
À parte Agostinho Viana, que este ano
andou pelo banco dos suplentes do Columbus
Crew, e de Djaló, no San Jose, foi no Revolution
que pudemos encontrar jogadores de origem
portuguesa. José Gonçalves, nado e criado em
Lisboa, e AJ Soares, um luso-americano nascido na Califórnia. Ambos defesas centrais, contribuíram imenso para o êxito da equipa de tal
forma que um deles, o californiano, está de
abalada para o Verona da Série A de Itália.
Com mais tempo e espaço voltaremos
para analisar com mais profundidade esta equipa e algumas outras.
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A Família Dias deseja à Comunidade
Portuguesa um Natal muito Feliz e um ano
de 2015 muito próspero!
A época natalícia é a melhor ocasião para
(re)unir todos os familiares e amigos mais
chegados. O Restaurante Solmar, este ano,
receberá de novo o popular artista Luís Duarte
para dar as boas-vindas ao ano de 2015.
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