Notice Classe Prépa bac IFSI ST Brieuc

Transcription

Notice Classe Prépa bac IFSI ST Brieuc
Jornal
10
io ÑH
m
o
Prém
c
l
a
a
orn
DE LEIRIA
J
ign d
or des
melh ula Ibérica
s
Penín 2.º ano
pelo utivo
c
conse
PUBLICIDADE
Semanário Regional
Director de Mérito
José Ribeiro Vieira
Director João Nazário
Ano XXVIII
Edição 1549
Quinta-feira, 20 de Março de 2014
€ 1,00
www.jornaldeleiria.pt
CMMG
Economia
recupera mas
trabalhadores
estão à beira
da exaustão
Estudo Mais de 70% dos profissionais
inquiridos estão em risco de exaustão,
e 62% sofrem de stress. Pág. 20
JOANA CARRIÇO
Latoeiro, vedor, cesteiro, pastor ou amolador
Profissões onde o tempo
e a paciência ainda mandam
T Resistente ao compasso acelerado das tecnologias, um punhado de
gente luta todos os dias por manter acesa a sua profissão ances-
tral. Com a sua paixão e ao seu ritmo, lavadeiras, moleiros ou
tecedeiras são os últimos guardiões
desse saber popular. Págs. 4/6
Leiria
Suplemento nesta edição
MARINHA GRANDE
Raul Castro
ameaça fechar
bares no centro
histórico Pág. 11
Receba fascículo sobre o sector dos Moldes com esta edição
História da indústria: memórias
que não se podem deixar perder
T O JORNAL DE LEIRIA inicia com
o sector dos Moldes a publicação
de sete fascículos sobre a História
da Indústria na região de Leiria,
com os quais pretende não deixar
morrer as memórias e homenagear
os empresários e trabalhadores
que contribuíram para a dinâmica
empresarial desta região
PUBLICIDADE
2 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
A Grécia tem mais reservas de
capital e mais recursos
económicos e geográficos do que
Portugal, apesar de ser mais mal
governada e mais corrupta
Clara Ferreira Alves, jornalista,
Expresso
Radar
Pintar o Papa como uma espécie
de Super-Homem, uma espécie
de estrela, parece-me ofensivo
Papa Francisco, Corriere della Sera
Comentário enigmático João dos Santos
Olho clínico
Passado e Futuro
António Poças
A inCentea, cujo Conselho
de Administração é presidido por António Poças, viu a sua política de gestão de recursos humanos ser distinguida recentemente
com um prémio Masters Capital
Humano. A empresa de Leiria foi
premiada na categoria de Melhor
política de integração e promoção
do bem-estar. Emprega 272 colaboradores.
Algumas Perplexidades
Jorge Santos
É o presidente da Nerlei, associação que tem sido um
“excelente embaixador” da região e das suas empresas. O reconhecimento foi feito recentemente
numa sessão pública por Ana Abrunhosa, vogal executiva do Mais
Centro, que destacou o papel da
Nerlei na melhoria da competitividade e da internacionalização do
tecido empresarial da região.
Filipa Alves
É a administradora-delegada delegada da Simlis, empresa que está a promover um ciclo
de mini-concertos no âmbito da
campanha de sensibilização ambiental O cano é que paga. As actuações decorrem nos sanitários do
LeiriaShopping, em Leiria, pela
mão de músicos da SAMP.
a semana passada houve dois
acontecimentos que me causaram
alguma perplexidade: as primeiras
declarações de Francisco Assis como
cabeça de lista do PS às próximas eleições
europeias e as reacções provocadas pelo
Manifesto dos 70 sobre a chamada reestruturação
da dívida do Estado.
No primeiro caso Francisco Assis não
encontrou nada melhor para fazer do que a
tentativa canhestra de reabilitar José Sócrates e
os seus governos, com o argumento simplório da
unidade do PS. Ou seja, encontrou o melhor
argumento para perder as próximas eleições, já
que não sendo fácil saber se no PS a memória de
José Sócrates conta para alguma coisa, há a
certeza de que no País quase ninguém quer ouvir
falar mais de José Sócrates e menos ainda da sua
herança política. De facto José Sócrates é,
provavelmente, o mais odiado político português,
pelo que fez de destruição da economia e do
Estado Social e pela pouca seriedade e sentido
ético com que conduziu a sua governação.
Compreende-se que Francisco Assis esteja
reconhecido a José Sócrates por favores pessoais
em que o ex -Primeiro ministro era fértil para
com os seus amigos, já que não por serviços
prestados ao País, mas não ao ponto de prejudicar
o PS nas próximas eleições.
Nada tenho contra Francisco Assis como líder
da lista do PS ao Parlamento Europeu, ou que ele
pertença à ala direita ou à ala esquerda do
partido, o que para alguns parece ser um
problema, essa não é a questão, a minha
estupefacção é apenas com a tentativa de
reabilitação de José Sócrates, porque isso é
condenar o actual PS pelos desmandos e erros
cometidos pela anterior direcção. António José
Seguro deveria compreender isso, mas
aparentemente não se dá conta de que a
convivência com este problema lhe pode custar o
lugar de Primeiro Ministro.
N
Henrique
Neto
Quanto ao Manifesto dos 70 subscritores, de
facto foram 74, a minha surpresa vem da
enormidade dos ataques que foram feitos ao
texto publicado, cuja única explicação deriva da
má consciência de muita gente, incluindo a do
Primeiro Ministro. Este, em dois dias seguidos,
só faltou chamar traidores aos signatários na
melhor tradição de Salazar e de Marcelo
Caetano. Como se não fosse um direito, nas
actuais circunstâncias um dever, que a
sociedade civil, ou algumas elites portuguesas,
procurem alternativas ao bloqueio político e
económico a que Portugal chegou. Como se não
soubéssemos que a questão da dívida é
intratável com as actuais políticas de Passos
Coelho de empurrar as soluções para um futuro
incerto, ao mesmo tempo que deixa acumular
mais dívida por força das reformas do Estado
que não fez, dos juros que aceitou pagar e da
amizade e consideração para com os grupos
económicos e financeiros em cujos interesses se
recusa a tocar. Como se os portugueses
pudessem aceitar mais vinte anos de
austeridade e mais cortes nos seus rendimentos,
como previsto nos escritos recentes do
Presidente da República.
O que explica a animosidade da classe política
relativamente ao Manifesto, bem como de
alguns comentaristas do sistema, é que eles
continuam a viver bem e com rendimentos
muito acima da média nacional e, assim sendo,
não surpreende que não queiram perturbar a
paz dos credores e do sistema financeiro
mundial. E tal é o seu medo da Troika e
companhia que pensam com os bolsos e não
vêem qualquer problema no desemprego, na
velhice amargurada e na emigração da
juventude. Por isso, felizmente, que o Manifesto
os confrontou com a procura de novos
caminhos e com o debate de novas alternativas.
Empresário
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 3
O Evereste é hoje uma montanha
de turistas e não de alpinistas
João Garcia, alpinista, i
Os paparazzi deviam ser todos
presos
Eduardo Gajeiro, fotógrafo, Tabu
Os professores foram
robotizados ao longo dos anos e
isso agravou-se muitíssimo
Maria Filomena Mónica, socióloga,
Diário de Notícias
Na primeira tournée [como The Legendary
Tigerman] estive para acabar: na última data andei
à pancada, toquei em sítios horríveis, foi uma cena
terrífica!
Paulo Furtado, músico, Atual
Fórumdasemana
Um em cada seis jovens fora da escola ou sem emprego
Um em cada seis jovens entre os 15 e os 24 anos não
estava a trabalhar, estudar ou a ter formação em
Portugal, o que coloca o País na oitava posição entre
as taxas mais elevadas. Os dados (referentes ao
quarto trimestre de 2012, último período disponível),
foram divulgados a semana passada pela Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e
revelam que a taxa NEET (sigla em inglês que se
refere a jovens que não estão a trabalhar, estudar ou
em formação) era de 15,3%, acima da média dos 33
Fábio Franco,
técnico agrário
Margarida
Balseiro Lopes,
consultora
fiscal
Paulo Tojeira,
professor
Esta situação deve-se,
essencialmente, a hábitos sociais e
mentalidades. À minha geração foi
incutida a ideia de que apenas os
'doutores' poderiam viver bem.
Como se vê, essa ideia revelou-se
errada e desactualizada e está a
afectar a vida de muitos jovens.
Trabalho não falta, há que
arregaçar as mangas. Actividades
até aqui vistas como inferiores
estão agora a alavancar a
economia.
É preocupante. Falamos de pessoas
sem projecto de vida. Acontece
porque há universidades com
cursos que não correspondem às
necessidades do mercado, e porque
a legislação laboral também impede
a integração de jovens no mercado
de trabalho. A crise não ajuda.
Terão de ser analisados cursos e
reduzidas vagas. E sejamos
honestos com os jovens mostrando
à partida a empregabilidade dos
cursos. O Garantia Jovem é um
programa centrado nesta questão.
Penso que a realidade é ainda mais
dura. Alguns jovens não fazem
parte destes números porque estão
em empregos precários ou em
escolas sem qualidade. É assim que
estamos a formar o amanhã? Quem
provocou isto não foram eles, nem
os pais deles, que trabalham, mas
outros que têm interesses no
Iraque, Croácia, Venezuela e outros
países. Temos de trabalhar no
sentido de lhes dar consciência
cívica do querem para si e para a
sociedade.
Que
comentários
lhe merece
este assunto?
Elísio
Estanque,
sociólogo
João José
Almeida,
Agrupamento
Escolas Porto
Mós
Isabel Rufino,
socióloga do
trabalho
países que pertencem à organização, que ronda os
12,6%. A crise e consequente subida da taxa de
desemprego, especialmente a dos jovens, que em
2013 alcançou pela primeira vez os 40% em Portugal,
estarão na origem de uma subida de 1,5 pontos
percentuais da taxa NEET em Portugal entre o quarto
trimestre de 2007 e igual período de 2012. Na média
dos países da OCDE, a taxa subiu também, mas a um
ritmo mais baixo, passando de 11,5% em 2007 para
12,6% em 2012.
Estamos a falar da chamada geração 'nem nem'. Penso
que na base desta situação está uma relação directa
com a crise. As dificuldades económicas das famílias, a
subida dos índices de pobreza e os cortes nas despesas
de educação são as razões que estarão na origem do
fenómeno, que é preocupante para Portugal. Tem-se
assistido ao abandono de estudantes do ensino
superior, que deixaram de poder pagar propinas. A
taxa de desemprego entre os jovens atingiu valores
inéditos e a isto junta-se a sangria da emigração, com
os mais qualificados e dinâmicos a saírem do País.
Falta uma viragem económica e medidas que ajudem
a fixar os jovens.
Esses números pecam por defeito. Vejo esta situação
com muita apreensão. Os jovens acabam a sua
formação superior e sentem-se defraudados, porque
não encontram emprego na sua área, ou só encontram
trabalho precário. Depois, a perspectiva é de novo o
desemprego. Esta mensagem vai-se espalhando e os
jovens do ensino secundário interrogam-se por que
hão-de estudar. Procuram outras saídas, mas também
não conseguem. Vivem o dia-a-dia sem se
preocuparam muito com o futuro, porque o descrédito
se instalou. Na sequência de tudo isto surgem muitas
vezes comportamentos desviantes.
Portugal está mal colocado em vários indicadores
que se interligam com esse. Mas mesmo uma taxa
de 12,6% de jovens inactivos é um absurdo. Não
acredito que todos esses jovens estejam
obrigatoriamente inactivos. Podem não estar na
escola ou num emprego e fazer muita coisa. Temos
de criar uma outra sociedade, que não assente
apenas na escolarização e no emprego, mas na
acção. Há a educação não formal e toda uma série
de dinâmicas do mundo do trabalho que se podem
accionar.
Editorial
História da Indústria
na região de Leiria
JORNAL DE LEIRIA publica nesta
edição o primeiro fascículo da História
da Indústria na região de Leiria,
projecto inserido nas comemorações do
seu trigésimo aniversário, que se assinala este
ano. Com este projecto, que se inicia com os
moldes e que abordará seis outros sectores da
indústria transformadora com tradição e
relevância nesta região, o JORNAL DE LEIRIA
pretende homenagear os muitos empresários e
seus colaboradores que ao longo dos anos
empreenderam, investiram e inovaram, não
raras vezes com sacrifícios pessoais e familiares
e quase sempre com muita dedicação, tornando
possível que Leiria seja actualmente das
economias mais dinâmicas e exportadoras do
País. Tem também o objectivo de preservar
memórias e deixar registado o testemunho de
alguns dos actores principais da história da
indústria na região de Leiria, de intervenientes
cimeiros no rumo que seguiu até aos dias de
hoje.
Não é, nem pretende ser, naturalmente, um
trabalho exaustivo e de investigação profunda,
características que ficarão para trabalhos
académicos e estudos de outra natureza, sendo
muito provável, inclusive, que os conteúdos
destes fascículos não surpreendam quem está
mais ligado aos respectivos sectores de
actividade.
Esperamos, no entanto, que ajude os leitores
em geral, nomeadamente os mais jovens e com
menos memórias, a perceberem as razões das
características que o tecido empresarial da
região de Leiria apresenta. A conhecerem a
génese das diferentes actividades industriais,
os acontecimentos que influenciaram os seus
percursos e as personalidades que o marcaram.
A terem consciência que o êxito é muito difícil
de alcançar e de manter, exigindo visão, rigor,
inovação, resiliência, muito trabalho e, por
vezes, porque não, alguma dose de sorte. Terão
estado nestes aspectos (ou na falta deles), as
razões do êxito e do fracasso de muitos
projectos industriais, com a história a
evidenciar a importância da acção das
lideranças, que incluiu muita ousadia e
verdadeiros golpes de génio. São histórias que
poderão, inclusive, motivar e inspirar novos
empresários a garantirem para esta região um
futuro que dignifique a sua história
empresarial.
A terminar, uma palavra para as empresas e
instituições que acreditaram no valor deste
projecto e decidiram apoiá-lo, mesmo sem que
isso lhes proporcione a visibilidade da
publicidade em trabalhos mais comerciais.
O
João Nazário
PUBLICIDADE
C L Í N I C A M AT E R N O I N F A N T I L D E L E I R I A
> Alexandra Luz - Pediatra > Alicia Rita -Obstetra Ginecologista > Bilhota Xavier - Pediatra > Manuela Soares - Pedopsiquiatra > João Morgado - Ortopedista
> Matos Cabeças - Psiquiatra e Sexologia Clínica> Alexandre Pena - Psicólogo Clínico > Inês Lopes - Terapeuta da Fala > Raquel Oliveira - Dietista > Paulo Enes - Otorrinolaringologista
> Profas. Amélia do Vale e Isabel Lopes - Oficinas do comportamento e apoio ao estudo (solicitar informações complementares [email protected])
Consultas por marcação todos os dias úteis a partir das 14.00h | R.Paulo VI- Ed. Olhalvas Piso 0, Porta 2 A , 5 E | 2400-502 Leiria | Tm. 912 483 731 | Tel. 244 827 956 | Email: [email protected]
4 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Abertura
JOANA CARRIÇO
1
Ainda há pastores? Há!
E vedores, lavadeiras,
amoladores…
Tradição Num mundo apressado e pautado pela
tecnologia, o JORNAL DE LEIRIA foi ao encontro daqueles
que, tranquilamente, trabalham os materiais com as suas
mãos, tecendo, cortando e entrelaçando séculos de mestria
popular.
Daniela Franco Sousa
[email protected]
T O que têm em comum Maria
Antónia, lavadeira da Nazaré, e
José Marques, latoeiro da Batalha?
São embaixadores de actividades
seculares que, apesar de um mundo dominado pelas tecnologias,
teimam, orgulhosamente, em trabalhar como no tempo dos seus
avós.
À conversa com estes e outros
guardiões de antigos ofícios, o
JORNAL DE LEIRIA foi perceber
que ainda existem pessoas para
quem as máquinas têm importância muito relativa. Gente para
quem trabalhar os materiais à mão
é fonte de prazer e garantia de perfeição.
São negócios rentáveis? É quase
certo que não. Mas enchem o coração dos que fazem e os olhos de
quem compra um pedaço de tradição.
Lavadeira sem máquina
Maria Antónia Meco tem 78 anos e
uma vida cheia de trabalho como
lavadeira. É uma das últimas nazarenas que ainda se dedica a lavar
roupa para fora, e não lhe faltam
clientes.
Na sua casa nunca entrou nem
vai entrar nenhuma máquina de lavar a roupa, garante a nazarena, orgulhosa do que as suas mãos sabem fazer com mais perfeição do
que qualquer electrodoméstico.
Não há engenhoca que consiga,
como ela, tirar todos os vincos e
nódoas e deixar a roupa a cheirar
tão bem.
Maria Antónia não conheceu os
bancos da escola. Em menina ajudava a mãe a empilhar lenha no pinhal, para vender e alimentar a
família. E aos 14 anos já ia ao rio lavar roupa para outras senhoras. Sabão azul, cloreto, e muito bate e esfrega deixavam a roupa num primor. “E hoje ainda fica melhor”,
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 5
JOANA CARRIÇO
2
PAULA SOFIA LUZ
1. José
Marques,
latoeiro;
2. Bernardino
Jorge, pastor;
3. Maria
Antónia
Meco,
lavadeira;
4. Manuel
Salvador,
amolador e
moleiro;
5. Fernado
Lopes,
alfaiate
4
MARCELO BRITES
MARCELO BRITES
5
3
nota a lavadeira, agradada com a
aparição do sabão líquido, da lixivia e do amaciador. Cerca de 15 euros é quanto Maria Antónia cobra
por cada carpete grande ou édredon. Peças mais leves e mais pequenas custam menos.
Antes de ficar viúva, era o marido quem a levava até ao rio, em Valado dos Frades. Eram duas da
manhã e já tinha as mãos dentro da
água gelada. O esposo fazia companhia até aos primeiros raios de
sol e depois partia. Regressava
mais tarde para a levar. Outras vezes, era a própria nazarena, desembaraçada, que fazia o caminho inverso, com as roupas, de
camioneta.
Aposentada à custa de uma persistente tendinite, Maria Antónia
continuou sempre a lavar e a esfregar. Quando não há boleia para
o rio, põe-se a bacia à cabeça e soube-se a calçada até ao lavadouro
municipal. “É isto que eu gosto de
fazer”, remata de forma simples a
lavadeira.
Fazer vida da lata
Na Jardoeira, concelho da Batalha, todos conhecem José Marques
por “Latas”, alcunha conquistada
depois de longos anos de dedicação
à arte da latoaria. Do bater do seu
martelo e do corte dos metais saem
regadores, recipientes para resina, lamparinas e tudo o que a imaginação e a destreza dos seus 70
anos lhe permitem.
Foi na oficina por baixo da casa
onde mora que aprendeu o ofício,
tinha 13 anos. Nessa velha oficina,
havia por essa altura seis trabalhadores. Hoje, resta-se a si mesmo,
com esperança de que algum familiar possa seguir-lhe as pisadas.
Antes da indústria do plástico tomar expressão, boa parte dos artigos usados na agricultura eram
feitos de lata. As próprias tubagens para o regadio também o
eram, lembra José Marques.
A explosão dos plásticos e as lojas de pechinchas, com as suas
imitações de qualidade duvidosa
não ajudam o negócio. Mas a ideia
do mestre é manter a cabeça a trabalhar e dar forma à arte que ama.
Noutros tempos, oito horas chegavam para fazer quatro regadores.
“Hoje, se conseguir terminar três já
fico contente”, admite o artesão,
lembrando que cada regador é
composto por 14 peças. Vinte e
cinco euros é quanto pede por
cada um, que, bem estimado, dura
um quarto de século, assegura José
Marques.
Ainda há pastores
“Meninas, meninas, meninas!” Ao
chamado doce de Bernardino Jorge justam-se 58 cabras. Estamos na
serra, em São Bento, concelho de
Porto de Mós, e sim, ainda há pastores.
Sem feriados, domingos ou dias
santos, a profissão de Bernardino
Jorge, 56 anos, exige compromisso
a tempo inteiro. O pastor sai da
cama todos os dias às 7 horas e vai
directo para o campo, onde solta e
vigia as cabras, que conhece uma a
uma. Noutras pastagens tem mais
uma vintena de vacas, com as quais
também divide o seu tempo.
Acompanhar e alimentar o gado é
a única profissão de Bernardino
Jorge, que chegou a ser calceteiro
mas que, com a derrocada da construção, decidiu voltar às origens
onde se estreara ainda menino.
Já foram muitos os pastores em
São Bento. O bisavô de Bernardino
chegou a ter 400 cabras. Mas os
mais novos emigraram ou fixaram-se nas vilas, deixando a pastorícia para trás.
É com pena que o pastor assiste
ao abandono da actividade, defendendo que nenhuma outra forma de criar animais proporciona
tanta qualidade à carne e ao leite.
Manuel Salvador
O homem
dos sete ofícios
É a meio de um caminho estreito,
de terra batida, ali entre o Louriçal
e as Matas (Pombal) que Manuel
Gomes da Silva Salvador passa os
dias a trabalhar. É assim há 79
anos, desde que ali nasceu, no
lugar do Furadouro, na velha casa
do moinho de água. “O meu pai já
trabalhava nisto. E eu comecei
cedo a ajudá-lo. Primeiro a picar
uns foicinhos, depois a trabalhar o
ferro, e fui aprendendo tudo”. E
tudo quer dizer o conjunto de
ofícios que lhe cabem na vida:
amolador, ferreiro, moleiro,
agricultor e tudo o que envolva
alfaias. De resto, passa os dias
numa espécie de oficina onde há
ainda de tudo, até um fole, que
ainda trabalha. Naquele dia está a
moer uma farinha para um cliente,
e já arranjou “umas máquinas de
sulfatar”, o grosso do trabalho que
lhe aparece, por estes dias. Vem de
um tempo em que toda aquela
ribeira era povoada por outros
moleiros e muitos campos de
arroz, hoje ao abandono. Foi assim
que retirou sustento para criar
duas filhas, que lhe deram quatro
anos e quatro bisnetos. Namorou a
vida inteira com a mulher, com
quem só casou há menos de cinco
anos, meio século depois do
prometido e no mesmo dia do
casamento do neto Márcio, talvez
o mais próximo. Por insistência da
família acabou por aceder morar
em casa de uma das filhas, numa
aldeia próxima, mas nada lhe
altera a rotina: às 9 em ponto
estaciona a velha motorizada no
alpendre da oficina e agarra-se ao
trabalho. “Podem aparecer
pessoas, clientes a precisar de
moer uma farinha ou arranjar
alguma coisa…”
Paula Sofia Luz
Trabalha até às 21 horas, é certo,
mas disfruta do ar livre, come bons
queijos e assados de se lhe tirar o
chapéu.
O último da dinastia
Fernando Lopes, do Arrabal, é o último alfaiate de uma longa dinastia de homens dedicados à costura. Por graça, costuma dizer que até
as ceroulas de D. Dinis terão sido
feitas por algum familiar seu.
Fernando Lopes tem hoje 84
anos, 73 dos quais dedicados a
esta arte, que ainda o apaixona. Era
adolescente quando, às escondidas
do pai, conseguiu fazer o seu primeiro casaco. Quando descobriu o
autor da proeza, o homem até chorou, recorda o alfaiate.
Primeiro sozinho, depois como
empresário de confecções, Fernando Lopes já perdeu a conta aos
fatos que terá feito ao longo da
vida. Lembra, com carinho, que
quase todas as bandas filarmónicas
>>>
PUBLICIDADE
6 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Abertura
JOANA CARRIÇO
JOANA CARRIÇO
2
1
DANIELA FRANCO SOUSA
3
da região encomendaram fardas
no seu atelier.
Os alfaiates que conhecia já morreram quase todos. Poucos continuam a cortar e a coser roupas por
medida. Foram os negócios do
pronto-a-vestir e as lojas de chineses que vieram matar o negócio
da alfaiataria, aponta Fernando
Lopes, que, apesar de tudo, reconhece enorme “perfeição” no trabalho dos asiáticos.
Sempre que começa o noticiário
na televisão, o seu olhar recai de
imediato sobre o fato do apresentador. Para estas coisas, Fernando
Lopes tem olho de lince e detecta
à primeira uma fatiota de bom
corte.
A tecer para os netos
Na mesma freguesia de Bernardino Jorge, o pastor, em São Bento,
uma artesã luta todos os dias para
manter a tradição das tecedeiras
no concelho de Porto de Mós.
Deonilde Fortunato tem 67 anos
e depois do emprego no posto
médico e de anos de dedicação às
suas vacas, achou que também
gostaria de aprender tecelagem.
Foi há cerca de 20 anos que o gosto se aguçou. Pediu a alguém que
montasse o tear e a teia de fios, seguiram-se breves explicações sobre o objectivo e, em menos de
nada, Deonilde Fortunato já sabia
seguir os livros de pontos e replicar nos tapetes os desenhos estampados nas páginas.
É um trabalho que requer mui-
ta concentração e que demora
tempo a ficar concluído, mas que
vale a pena. Ao contrário de outros,
estes tapetes podem ser lavados à
máquina e mantêm-se iguais durante anos, garante a tecedeira.
Além disso, é um trabalho bonito
e uma forma de arte que é importante preservar, considera a artesã,
que já ensinou alguns truques à filha e à neta.
Com muitas cores ou mais sóbrios, Deonilde Fortunato tem feito tapetes de inúmeros desenhos.
A ideia é fazer para si e para os netos, para que possam ter recordações da avó e de uma actividade
que, acredita, pode ter os dias
contados.
Apesar da concorrência asiática
e da famigerada crise, vai conquistando clientes através de uma
publicidade que nasce do boca-em-boca. Não é trabalho que enriqueça, adverte. São precisos dois
ou três dias consecutivos de trabalho de alta concentração para
produzir um tapete de 50 euros.
Entrelaçar o vime
Jacinto Pedro, 77 anos, é um dos
últimos cesteiros numa terra que
até há umas décadas era conhecida precisamente pelo número de
artesãos ligados à cestaria. Com o
tempo, o saber foi-se perdendo, o
plástico foi ganhando expressão e,
em Casal dos Claros, Leiria, restam
apenas os poceiros de Jacinto Pedro.
Aprendeu o ofício com o pai, que
1. Deonilde Fortunato,
tecedeira;
2. Manuel Passadouro, vedor;
3. Jacinto Pedro, cesteiro.
se dedicou à cestaria toda a vida.
Teria 4 ou 5 anos e já tentava seguir
os seus passos. Aos 14, conseguia
perfeitamente dividir tarefas com
ele.
Foi quando casou e se tornou
também ele pai, de quatro raparigas, que Jacinto Pedro teve de juntar ao negócio dos cestos, e da
agricultura, o trabalho operário
numa fábrica de vidro, na Marinha
Grande, de forma a equilibrar o
orçamento. Agora aposentado, continua a trabalhar nos cestos.
“É uma arte em extinção e que
não dá para enriquecer nada”, salienta o artesão, lembrando que é
preciso o dia inteiro de labuta para
fazer cinco poceiros, vendidos a
sete euros cada. Ao tempo e ao engenho necessários para entrelaçar
as braças, é preciso somar o trabalho de colher e limpar o vime, frisa Jacinto Pedro.
Apesar da proliferação do plástico, certo é que “não há máquina
que substitua o homem nesta actividade”, e que cestos bem feitos
duram dezenas de anos, nota Jacinto Pedro, que continua a traba-
lhar num produto em que acredita.
Furo de água. Foi você que
pediu?
Manuel Passadouro tem 51 anos
e reside na Mata dos Milagres, em
Leiria. Profissão? Vedor. Como?
Vedor, aquele que sem recurso a
qualquer máquina ou engenhoca
consegue afirmar com segurança
por onde passa água no subsolo.
De que modo? Manuel Passadouro explica e demonstra de forma simples a sua forma de actuação. Basta pegar numa qualquer
braça fina de uma árvore, torcêla no sentido do seu corpo e caminhar. Ao passar sobre um local
onde passe água, mesmo que a alguns metros de profundidade, a
braça torcida começa a fazer força
no sentido oposto, e por vezes até
se parte. É este o sinal de que há
água sob o solo, diz Manuel Passadouro, explicando, contudo, que
este tipo de actividade depende
muito do magnetismo de cada corpo. Manuel aprendeu esta prática
com o seu avô, e com ele próprio
também resulta, mas o seu filho,
por exemplo, não consegue fazê-lo.
É uma técnica “certeira” observa Manuel Passadouro, para quem
são “falsas” todas as notícias acerca de máquinas capazes de detectar água.
A detecção de água, e a respectiva captação, são de resto as actividades principais de Manuel Passadouro.
8 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Entrevista
Fernando Veloso Gomes Especialista em hidráulica costeira diz que muitos
dos problemas da costa têm por trás a mão humana, que permitiu, por exemplo,
que a “moda de construir quase em cima do mar” vingasse
Erros na ocupação do litoral
estão a sair-nos caros
Maria Anabela Silva
[email protected]
Em destaque
O ministro do Ambiente anunciou,
na semana passada, a demolição, já
este ano, de mais de 800 construções
ilegais ao longo da costa. É uma medida que peca por tardia?
Não é minimamente viável demolir
essa quantidade de construções em
apenas um ano. Só no concelho de Esposende estão previstas relocalizações
e demolições em três zonas (São Bartolomeu do Mar, Cedovém e Pedrinhas). Apenas está preparado o processo de São Bartolomeu, que é a situação mais simples. São cerca de 20
habitações, sendo que apenas duas ou
três estão permanentemente habitadas. Todos os outros processos só poderão ser resolvidos a cinco ou dez
anos. O mais simples seria deixar o
mar avançar e planear a retirada das
populações.
A maioria dos POOC [Plano de Ordenamento da Orla Costeira], em vigor
há mais de dez anos, já previa deslocalizações. Por que é que a medida
ainda não avançou?
Sobretudo, pela sua complexidade.
Mais do que questões técnicas, há
problemas de percepção social, jurídicos e económicos. A retirada de populações de forma planeada implica
dar-lhes condições de vida noutros locais, sendo que, muitas dessas pessoas, têm o direito de viver relativamente perto do mar. Mesmo que, em
alguns casos, se faça a deslocalização
da primeira frente marítima e se deixe o mar avançar, teremos depois segundas frentes que, mais tarde, poderão vir a ter problemas. Devíamos
ter uma atitude preventiva.
E por que é que não temos?
Por vezes, somos confrontados com
decisões jurídicas, que eu respeito,
mas que nem sempre acautelam as
questões de segurança e que, muitas
vezes, são baseadas em actos administrativos. Veja-se o que aconteceu
no Furadouro [Ovar], onde parte da
área atingida ultimamente pelo mar
foi ocupada por um empreendimento construído há cerca de dez anos. O
mar não chegou ao edifício, que está
rodeado por um muro, mas foi circundado pela água. O empreendimento teve a oposição de técnicos do
Ministério do Ambiente e de especialistas na área, devido aos proble-
Se um dia o mar
chegar mesmo ao
edifício, quem
vamos responsabilizar? Em muitas
situações
conseguiu-se
travar a expansão
urbana em zonas
de risco, noutras
criaram-se novas
situações
mas de erosão que já se faziam sentir, mas houve uma decisão do tribunal favorável, com base em compromissos assumidos anos antes. Se um
dia o mar chegar mesmo ao edifício,
quem vamos responsabilizar? Em
muitas situações conseguiu--se travar
a expansão urbana em zonas de risco, noutras criaram-se novas situações. Mas temos casos centenários,
como Espinho, onde os problemas de
erosão são reportados há 200 anos. A
linha de costa de Espinho estava
avançada cinco quarteirões em relação à actual frente marítima, que é
hoje mais ou menos igual àquela que
era há 100 anos. A Sul há, no entanto, situações com recuos da linha de
costa de dezenas de metros. A costa
continua a evoluir a uma escala preocupante e galopante.
Os estragos da intempérie do último
Inverno são apenas resultado de um
fenómeno natural ou resultam de
problemas provocados pela acção
do homem?
Muitos desses estragos estão relacionados com o tipo de ocupação do
solo. Foram destruídos quilómetros
de passadiços ao longo da costa. Há 30
ou 40 anos, este temporal não destruiria qualquer passadiço, porque estes não existiam. Nos últimos anos, foi
feita uma grande intervenção de pro-
tecção de dunas, permitindo que as
pessoas tenham acesso a esses espaços, mas de forma controlada. Fizeram-se quilómetros e quilómetros
de passadiços, alguns demasiado
próximos da linha de água. Há 30 ou
40 anos quase não havia apoios de
praia, que foram, de alguma forma, incentivados pelos POOC. Cometemos
muitos erros na ocupação do litoral,
que nos estão a sair caros. Ocupámos
aquilo que era dinâmico. A partir dos
anos 60 do século XX, vingou a moda
de construir quase em cima do mar.
As Torres de Ofir quando foram
construídas, nos anos 70, eram um
exemplo de modernidade. Braga estava também a começar a construir
em altura e isso era visto como sinal
de desenvolvimento. Guimarães, que
hoje é património mundial, não seguiu essa prática e era considerado
um 'atraso de vida'.
Essa política de ocupação do litoral
coincidiu também com um aumento do número de barragens.
Houve uma grande transformação
nas bacias hidrográficas. Os rios, nomeadamente aqueles que alimentavam as praias de areia, foram artificializados, com a construção de barragens. Há mais de 20 anos que não
podemos contar com sedimentos
transportados pelos rios para alimentar as praias. Por outro lado, queremos controlar cheias, mas esquecemo-nos que elas são fundamentais
para alimentar as praias. Depois, temos os portos com canais de navegação cada vez mais profundos. A
areia que chega lá é depositada e
tem depois de ser dragada.
Por que é que essas areias dragadas
não são depois colocadas nas praias?
Até há cerca de dez anos uma das
grandes fontes de receitas dos portos
de Aveiro, Viana do Castelo e Figueira da Foz provinha da venda de areias.
As que não eram vendidas para a
construção civil, eram colocadas em
alto mar. Ninguém fazia barulho
contra isso. Em Lisboa, por exemplo,
as areias retiradas do porto são levadas para alto mar ou colocadas em
grandes aterros. Se dizemos para as
colocarem na Costa da Caparica, dizem que estamos a deitar dinheiro
fora, porque o mar as leva. Os portos
precisam, cada vez mais, de aumentar as suas condições de segurança,
com canais mais profundos e quebra-
mares mais extensos, como aconteceu na Figueira da Foz, com o prolongamento do molhe.
Esse prolongamento já está a ter reflexos nas praias a Sul.
Mas o que dizia o estudo de impacto
ambiental era que o efeito seria localizado no tempo e no espaço e que depois esses efeitos desapareceriam.
Protestei contra isso e quase que fui
insultado. Um engenheiro do Ambiente de um porto da região Centro
acusou-me de desonestidade intelectual por eu dizer que havia um problema de erosão a Sul de Aveiro relacionado com o porto e que as areias
dragadas teriam de ser colocadas a
Sul. Em Aveiro o prolongamento foi
de 200 metros, na Figueira foi de
400 metros. Não ponho em causa a
importância dessas intervenções para
o desenvolvimento regional, mas temos de mitigar os aspectos negativos.
Como se podem minimizar os efeitos
do prolongamento do molhe do Mondego?
O bypasse é uma solução, mas não é
simples. Estamos a falar de um sistema de transposição de areias, que faz
a bombagem de água com areia de
Norte, onde os sedimentos se acumulam, para Sul, onde eles chegariam
se não houvesse esse obstáculo artificial. Há alguns a funcionar bem na
Austrália, mas nos EUA alguns foram
desactivados. São estruturas com
custos de manutenção muito elevados. Na Austrália essas zonas são visitáveis, sendo cobrado uma pequena verba aos visitantes. É uma forma
de gerar alguma receita para tentar
custear a manutenção do sistema.
Sempre que se dragam areias, estas
têm de ser colocadas na praia. Com a
situação crítica a que chegámos, temos de saturar as praias com areia e
só depois colocá-la no mar. Foi isso
que se fez na Holanda, onde existe
um plano nacional de reposição de
areia. Há 30 anos que os holandeses
andam a pôr areia nas praias. Isso
teve implicações nos impostos.
Quando, por uma questão de segurança e defesa nacional, decidiram
fazer essa intervenção, consultaram
a população para perceber se os contribuintes estavam dispostos a pagar
a factura. As soluções técnicas existem, mas têm custos e não há soluções perfeitas do ponto de vista ambiental ou técnico.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 9
ENTREVISTA COM O APOIO DE:
RICARDO GRAÇA
Controvérsia
“Há uma diabolização
dos esporões”
T Uma das soluções para combater
o problema da erosão é a construção de esporões, que, se por um
lado resolvem o problema a Norte,
por outro, agravam-no a Sul. É uma
solução a evitar?
Nos últimos dez anos foram construídos apenas dois: Areão e Poço
da Cruz.
Essa paragem foi o reconhecimento de que a estratégia não era a mais
correcta?
Até há 20 ou 30 anos, a estratégia
era construir em todo o lado e, depois, erguer esporões para proteger
esses locais. Isso foi travado. Alguns
esporões funcionaram bem até há
pouco tempo e salvaram muitas
zonas urbanas. Se eles não estivesse lá, essas zonas já não existiam. O que aconteceria se retirássemos os esporões de Ofir, Esmoriz,
Vagueira ou Cortegaça? Já se tentou
fazer isso em Ofir, mas ninguém assinou um termo de responsabilidade para retirada. Os esporões
servem para interceptar correntes
de areia. Ao interceptarmos essa
areia, estamos a beneficiar uma
área, mas estamos a antecipar problemas noutra. Mas os problemas
nesta última zona existiriam na mesma. O que se vê a Sul dos esporões
não é o impacto negativo dessas estruturas, mas o que teria sucedido
normalmente, sem qualquer protecção, antecipado no tempo pela
construção dos esporões, para proteger uma zona urbana. Há uma diabolização dos esporões, mas há povoações que sobrevivem à custa deles. Espinho é disso exemplo.
O problema da falta de areia registado nos últimos Verões nas Praias do
Pedrógão e São Pedro de Moel, poderia ter ocorrido mesmo sem o prolongamento do molhe do Mondego?
Já no passado houve situações dessas no Pedrógão. São ondas cíclicas.
Há um problema de erosão gene-
ralizado que, depois, é agravado
por certas intervenções, até uma
nova estabilidade, que pode atingir-se ao fim de cinco, dez ou 15
anos ou que nunca mais se conseguirá. Antes da obra avançar, defendi que o prolongamento iria
agravar as situações de erosão a
Sul. Mas também está a trazer problemas a Norte. A praia da Figueira da Foz já se torna desagradável
para usufruto público, por estar tão
afastada do mar.
Considera que é um “mito” pensar
que é possível resolver definitivamente os problemas das orlas
costeiras. Por que diz isso?
Essa não uma questão que se aplica apenas à orla costeira, mas à sociedade em geral. Temos muito a
ideia de procurar soluções para resolver definitivamente os nossos
problemas de dividia pública, de
pobreza..., quando muitas vezes o
que podemos fazer é mitigar ou
adiar problemas. Isso já é muito.
Em Espinho conseguimos adiar
um problema que era crítico há
100 ou 200 anos. O quebra-mar de
Leixões está, na parte mais alta, 15
metros a cima do zero hidrográfico. E foi galgado por ondas. Se quisermos fazer uma parede com 20
metros pela costa baixo, provavelmente evitaremos galgamentos. Mas isso cabe na cabeça de alguém? Então, ou recuámos ou fazemos mais estruturas (quebras-mares) ou trabalhamos para minimizar as consequências. Choca-me ver banquinhos frágeis junto
ao mar, onde a água chega, e que
facilmente são arrastados pelo
mar. Não tem pés nem cabeça fazer calcetamentos em cima de
areia onde o mar chega. Há questões de desenho urbano que não
se podem manter. Temos de preparar essas frentes urbanas pensando que são galgáveis.
Perfil
Especialista em hidráulica
Professor catedrático da Faculdade
de Engenharia da Universidade do
Porto (Departamento de
Engenharia Civil), Fernando
Veloso Gomes é licenciado em
Engenharia Civil e doutorado em
Hidráulica Aplicada. É especialista
nas áreas de hidráulica, recursos
hídricos e ambiente, sendo
responsável por mais de 350
publicações, entre teses, livros,
relatórios técnicos e artigos
publicados em revistas científicas
nacionais e internacionais.
Fernando Veloso Gomes
desempenha, desde 1993, as
funções de director do Instituto de
Hidráulica e Recursos Hídricos,
uma associação sem fins lucrativos
criada em 1986 com o objectivo de
ser uma instituição de
transferência de conhecimentos e
de prestação de serviços de
investigação, desenvolvimento
experimental e outras actividades
científicas e técnicas, nos
domínios da hidráulica e da
engenharia de recursos hídricos e
ambiente. O docente integra ainda
o Centro Interdisciplinar de
Investigação Marinha e Ambiental
da Universidade do Porto.
10 Jornal de Leiria 13 de Março de 2014
ONU cria Dia Internacional Contra a Discriminação
Sociedade
O Dia Internacional Contra a Discriminação Racial foi
criado pela ONU, em memória do Massacre de
Sharpeville, no dia 21 de Março de 1960. Foi nesta data, na
África do Sul, que se realizou um protesto contra a lei do
passe, que obrigava os negros daquele país a usarem uma
caderneta onde estavam descriminados os espaços que
podiam frequentar.
Discriminação racial diminui
mas não desaparece
Efeméride Comemora-se amanhã o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. A
globalização aumentou a tolerância entre os povos, mas a cor e a etnia ainda fazem a diferença
Elisabete Cruz
[email protected]
T “Vai-te embora para a tua terra”.
“Estas brasileiras vêm aqui só para sacar homem...” Estas são duas das
muitas frases que alguns estrangeiros
já ouviram em Portugal. O estigma
tem vindo a cair, mas teima em não
desaparecer.
Amanhã assinala-se o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. O JORNAL DE LEIRIA foi ouvir
pessoas de vários países. Todos concordam que a globalização diminuiu
a discriminação e que os novos imigrantes também mudaram a má imagem que alguns compatriotas deixaram.
Há 14 anos em Portugal, Natanael
Gomes sofreu na pele a discriminação. “Trabalhava e não me pagavam
e quando pedia o dinheiro o patrão
ameaçava que me ia entregar ao SEF
[Serviço de Estrangeiros e Fronteiras],
porque ainda estava ilegal. Diziam
constantemente 'vai-te embora, saíste do mato para vir aprender aqui'...”,
recorda o mecânico de automóveis,
que têm formação técnica e especializações na área.
Segundo conta, naquela época os
brasileiros eram “olhados com desconfiança”. Os homens “estavam
em Portugal para fugir de algum crime cometido” e as mulheres eram
“prostitutas”. “Não vim tirar o lugar
a ninguém, vim procurar melhores
condições de vida como fazem os
portugueses”, salienta, recordando
que muitas mulheres brasileiras acabaram em bares, “porque foram enganadas”.
Ana Carvalho é filha de pai português e mãe brasileira. “Vim para Portugal, depois de estar no Canadá,
em 1990. Lembro-me de entrar num
café para comprar tabaco e vestia um
top e umas bermudas. A mulher do
dono do café virou-se para ele e disse: 'não atendas essa gaja. Tu és o meu
homem'. E em seguida disse-me:
'vai-te embora sua p..., não te quero
mais aqui.”
A discriminação não foi só no atendimento, mas também no trabalho.
Ana Carvalho não concluiu o último
ano de Sociologia “por falta de dinheiro”, e a maioria dos empregos
que teve foi de cozinheira, limpeza ou
a cuidar de idosos. “Nunca me deram
um emprego de acordo com o meu
estatuto cultural”, lamenta, criticando os rótulos que lhes são aplicados.
Por isso, sentiu sempre “uma gran-
Associação critica ineficácia da justiça
Imigrantes querem direitos e não caridade
A associação Solidariedade
Imigrante luta pela igualdade de
direitos dos cidadãos imigrantes
há vários anos e lamenta a
ineficácia da justiça e das
instituições governamentais. “Se
um imigrante vai à polícia
apresentar queixa por
discriminação racial, os agentes
estão pouco interessados na sua
reclamação. Por isso, há muita
gente que nem faz queixa
porque não acredita que se
venha a fazer justiça”, salienta
Timóteo Macedo, presidente da
Solidariedade Imigrante.
“Quando uma cidadã romena é
vítima de tráfico humano,
denuncia a situação e depois não
tem resposta das autoridades,
algo está mal. A justiça tem de
ser mais célere, isenta e não
discriminatória.” Timóteo
Macedo frisa que a
discriminação “não é só chamar
nomes”. Há estigmas que não
são visíveis. “É sentir, quando se
vai ao hospital ou a uma
instituição pública, a forma
diferente como se é tratado. Não
somos um país de brandos
costumes como se costuma
dizer. Existe muito racismo em
Portugal, mas, por vezes,
oculto”, acrescenta o dirigente.
Para Timóteo Macedo, a Guerra
Colonial deixou marcas na
cultura de alguns portugueses,
“que mantiveram uma postura
de supremacia sobre o africano”.
Por outro lado, “há muito a
atitude do coitadinho e da
caridade”. Estas posturas
“também são actos de submissão
e de dar a entender que os outros
são burros e que temos de cuidar
deles”. Os imigrantes “não
querem caridade, mas direitos”.
“Eles têm de ter o poder de
decidir e de serem cidadãos
iguais aos outros, sem terem de
viver da caridade”.
de vigilância” sobre si e era obrigada
a fazer o trabalho que outros, com o
mesmo cargo, não faziam. “Passados
20 anos as coisas estão muito melhores. As pessoas têm a mente mais
aberta e o modo de vestir de homens
e mulheres portugueses também se
alterou”, constata.
Ana Carvalho diz ainda que deixou
de se auto-marginalizar. “Quando
vou a algum lado já não falo quase
como que a pedir desculpa. Tenho
uma postura idêntica a qualquer
pessoa e isso faz com que conquiste
o respeito das pessoas.”
Cláudio Renê, angolano, 25 anos,
chegou a Portugal com 8 anos com os
pais. Foi bem acolhido pela comunidade, primeiro em Coimbra e mais
tarde em Leiria. “Os meus melhores
amigos até eram portugueses, que
iam a minha casa e eu à deles.” Curiosamente, foi no futebol, um mundo onde a multiculturalidade predomina, que sentiu a discriminação.
“Lembro-me de marcar um golo,
em Peniche, e de me chamarem preto e outras coisas. Mantive-me calmo,
apesar de ter ficado triste e magoa-
do”, conta. O pior ainda estava para
vir. Já a jogar no escalão de seniores,
Cláudio Renê foi fortemente discriminado pela cor num jogo na Mata
Mourisca, em Pombal. “No decorrer
do jogo, ouço colegas de profissão a
chamarem-me barrote queimado,
preto, entre outros nomes. Uma coisa são as bocas vindas da bancada, outra é o racismo vindo dos próprios colegas e dirigentes. Deixaram-me triste e revoltado, sobretudo, porque
nem a polícia interveio”, critica.
O jovem admite que “ainda existe
alguma discriminação”, e muita dela
“silenciosa”. “As coisas melhoraram
bastante. A globalização tem vindo a
unir as pessoas, mas mesmo assim,
nunca vamos conseguir controlar na
totalidade o racismo”, constata.
Tatiana, 39 anos, deixou a Ucrânia
há 12 anos, onde era médica parteira.
Em Portugal, tem trabalhado nas
limpezas, cafés e cozinha. “Faço o trabalho mais duro e difícil, que as portuguesas não fazem, apesar de terem
a minha função”, lamenta, revelando que pedir a equivalência da licenciatura “é muito caro”, pelo que não
tem condições para o fazer.
É também por precisar do dinheiro que nunca reclama, pois tem medo
de perder o emprego. “Ouvi algumas
pessoas dizerem: 'isto não é a Ucrânia'.
Muitas vezes chegava a casa e desatava a chorar. No início não sabia a língua, mas agora consigo pôr algumas
pessoas no seu lugar, de forma educada.” De qualquer forma, Tatiana
considera que entre a reclamação de
uma portuguesa e de uma ucraniana,
“vão dar razão à portuguesa”.
Trabalhos sem receber são experiências que não esquece. “Além de
não pagarem o salário, também não
me pagavam os meus direitos”, revela, admitindo que os patrões “se
aproveitavam” do facto de desconhecer as leis portuguesas e por estar
ilegal. “Tive amigos que trabalharam no duro nas obras e no final disseram-lhes que ter comida já era
muito bom.”
A vida não tem sido fácil, mas Tatiana agradece a Portugal a oportunidade que lhe deu para melhorar a
vida. “Nem toda a gente me tratou
mal. Também tive ajuda e este foi o
País que me legalizou. Estou grata por
isso.”
Tatiana também reconhece que
alguns imigrantes vieram para a prostituição ou para trabalhos ilícitos, o
que contribuiu para uma má imagem.
“As pessoas têm de pensar que não
somos todos iguais.”
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 11
Sociedade
Moradores do centro histórico voltam a queixar-se do excesso de barulho
Leiria
Raul Castro admite fechar bares incumpridores
Empresa oferece
árvores em troca
de 'likes'
RICARDO GRAÇA/ARQUIVO
Maria Anabela Silva
[email protected]
T No rescaldo de mais uma reunião
com moradores do centro histórico,
realizada na segunda-feira, o presidente da Câmara de Leiria veio a público admitir o encerramento de
bares que não cumpram a legislação. Neste momento, existe já um
estabelecimento notificado para
encerrar.
“Quando há abusos, devidamente confirmados por testes acústicos, só há um caminho a seguir:
notificar para encerrar”, afirmou
Raul Castro no final da reunião de câmara de terça-feira. Em declarações
aos jornalistas, o autarca explicou
que o caso já notificado se trata de
um estabelecimento “várias vezes
avisado”, cuja “avaliação acústica
demonstrou incumprimento”. Face
a isso, “o caminho é o encerramento, a não ser que consigam insonorizar o espaço devidamente”, adianta o presidente da câmara, para
Moradores pedem à câmara actuação mais firme
quem a entrada em vigor do Licenciamento Zero veio trazer dificuldades acrescidas. “A legislação veio
agravar a situação, porque permite
que se abra o estabelecimento sem
as condições adequadas e depois
se trate do licenciamento”, diz, assegurando que a câmara irá “continuar as acções de fiscalização”.
Segundo o autarca, a reunião com
moradores do centro histórico realizou-se a pedido dos residentes,
T A propósito do Dia Mundial da Árvore, a Efficit, empresa de Leiria, desenvolveu uma campanha, em parceria com os Viveiros Quinta da
Gândara, que consiste na oferta de
uma árvore por cada 'Gosto' e/ou
partilha da sua imagem promocional através do facebook. Para amanhã, está marcada a plantação de 20
árvores junto à Ribeira do Amparo,
na zona da Quinta do Bispo, em Leiria, que será feita por crianças do
Jardim de Infância Divertidos e Geniais, supervisionadas por técnicos da câmara. As restantes árvores
– cerca de 300 – destinam-se a florestar uma zona junto ao Parque de
Campismo do Pedrógão, tarefa que
caberá à câmara. Entretanto, a autarquia irá, em pareceria com a
Junta Regional de Leiria do Corpo
Nacional de Escutas, plantar cerca
de 100 árvores em vários locais da
cidade e do concelho.
PUBLICIDADE
No fim-de-semana, em Lisboa
NEL – Pédatleta/HRV e atletas
“especiais” correram a maratona
DR
Veja
anúncios
de
emprego
na página
27
Dos 127 atletas que o NEL levou à maratona, dois eram muito especiais
T O Pédatleta, secção de corrida, do
Núcleo de Espeleologia de Leiria
(NEL) através de uma parceria com
a HRV - Equipamentos de Processo,
S.A., da Marinha Grande, participou
na 24.ª Meia Maratona de Lisboa e
na Mini Maratona de Lisboa com o
objectivo de angariar fundos para a
Associação Portuguesa de Paralisia
Cerebral – Leiria (APPC-Leiria).
As provas decorreram no domingo, 16 de Março, tendo alinhado 127 atletas da Equipa NEL - Pédatleta/HRV, entre eles dois utentes da APPC-Leiria. Em parceria
com a Santa Casa da Misericórdia
de Figueiró dos Vinhos, o NEL-Pé-
que voltaram a queixar-se do excesso de barulho provocado por alguns estabelecimentos. “Somos
muito sensíveis aos problemas dos
moradores. Há pessoas com problemas de saúde preocupantes, por
terem alterado hábitos de sono, porque há estabelecimentos que teimam em fazer barulho às 3 ou 4 horas da manhã sem estarem legitimados para tal”, acrescentou.
Fernanda Sobreira, uma das moradoras presentes na reunião, explica que o encontro pretendeu,
“mais uma vez”, chamar para os
problemas com os quais se debate
quem vive naquela zona da cidade,
como o barulho e o vandalismo.
“Com o bom tempo, voltou a ser impossível dormir antes das três horas
da manhã nas noites de terça e
quinta-feiras e de sábado”, conta .
Convicta que “a coabitação saudável entre bares e moradores é possível”, pede, no entanto, à câmara
“uma actuação mais firme” em relação aos incumpridores.
datleta levou ainda os atletas “especiais”, Tony Johnathan e Nuno
Costa, em duas cadeiras adaptadas
(joelettes).
Os dois percorreram os mais de
21 quilómetros do percurso, impulsionados por elementos da
equipa NEL – Pédatleta/HRV. Por
cada inscrição na prova, a HRV
efectuou um donativo à Delegação
de Leiria da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, correspondente ao valor da inscrição.
Assim, foi possível reunir um montante final superior a dois mil euros
que será entregue, em breve, à
instituição.
Para saber
como
anunciar na
secção de
classificados
do Jornal de
Leiria ligue
244 800400
12 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Sociedade
Pombal divulga lista de benefícios atribuídos
O município de Pombal vai passar a divulgar
mensalmente as subvenções e benefícios públicos
aprovados em reunião de câmara. A publicação no site
da autarquia vai ao encontro da “política de
transparência de gestão” prometida pelo presidente da
câmara, Diogo Mateus, no início do seu mandato.
Gestão dos parquímetros passará a ser feita directamente pela câmara
Batalha alarga zonas de estacionamento
pago e cria novo parque gratuito
MARIA ANABELA SILVA
Maria Anabela Silva
[email protected]
T A zona central da vila da Batalha
vai passar a ficar coberta com parquímetros, com o alargamento do
estacionamento pago às Ruas Infante D. Fernando (em frente à câmara), Dona Filipa de Lencastre
(paralela à primeira) e Luís Silva
Mouzinho de Albuquerque (em
frente ao posto da GNR). Também
o Parque dos Canteiros, localizado
junto à rotunda de acesso ao IC2, e
a zona frontal à estátua de D. Nuno
Alvares Pereira, na envolvente ao
Hotel Mestre Afonso Domingues,
passarão a ser tarifadas. Ao todo
serão mais 50 lugares pagos, que a
autarquia pretende compensar
com a criação de um novo parque
gratuito no terreno existente em
frente à sede da Junta de Freguesia
da Batalha e que terá capacidade
para cerca de 60 viaturas.
Assegurando que as mudanças
foram feitas em “articulação” com
os comerciantes, o presidente da
câmara diz que “o estacionamento é um instrumento fundamental
das políticas de ordenamento do
território e de mobilidade, sobretudo para uma vila turística como
a Batalha”. “O objectivo é favorecer o turista e quem nos visita, promovendo alguma rotatividade do
parqueamento nas zonas mais centrais da vila”, afirma Paulo Batista dos
Santos, frisando que houve a preocupação de fixar valores “baixos”.
Nessa lógica, a primeira fracção de 15
minutos custará dez cêntimos, enquanto as seguintes têm um preço de
O Segredo de Fátima – uma
abordagem histórico-cultural será o
tema do primeiro de vários
jantares-conferência que o Museu
de Arte Sacra e Etnologia, dos
Missionários da Consolata, em
Fátima, irá promover este ano. O
primeiro está marcado para o
próximo dia 27, a partir das 19:45
horas, e terá como orador
convidado Marco Daniel Duarte,
director do Serviço de Estudos e
Difusão do Santuário de Fátima
Distrital Margarida
Balseiro Lopes
recandidata-se na JSD
A actual presidente da Regional de
Leiria da JSD, Margarida Balseiro
Lopes, vai recandidatar-se ao cargo.
As eleições irão decorrer durante o
II Congresso Regional de Leiria, a
realizar no início de Abril.
Margarida Balseiro Lopes diz que
volta a apresentar-se a sufrágio
porque o projecto iniciado há dois
anos “tem de continuar”,
mantendo a aposta na produção de
propostas políticas e na formação
de quadros.
Rua em frente à câmara vai passar a ter parquímetros
O número
413
mil euros é o valor da receita
anual que a câmara poderá
arrecadar com a gestão directa
do estacionamento pago
15 cêntimos, o que perfaz um custo de
55 cêntimos por hora.
Além da aprovação da expansão
do estacionamento tarifado na vila,
que passará totalizar cerca de 200
lugares, a câmara aprovou, na segunda-feira, a alteração do modelo de gestão das áreas abrangidas
pelos parquímetros, que passará a
ser assegurada directamente pela
autarquia. “De acordo com o estudo económico que fizemos, se for o
município a assumir a gestão há
uma receita prevista de cerca de 413
mil euros por ano. Seguindo o modelo de concessão com a partilha de
receitas, a autarquia receberia metade desse valor”, explica Paulo
Batista dos Santos. De acordo com
o autarca, esta alteração já está em
curso com a abertura de concurso
para a aquisição de parquímetros,
estimada em cerca de 50 mil euros,
prevendo-se que as novas máquinas estejam a funcionar ainda antes do Verão.
Junto ao antigo hotel Lis, em Leiria
Quiosque há mais de três anos em contentor
T Inicialmente previa-se que fosse
uma situação provisória, enquanto
decorressem as obras de recuperação
do antigo Hotel Lis, em Leiria. Mas os
anos passaram e o quiosque, que
antes estava no rés-do-chão daquele edifício, continua num contentor,
instalado em frente ao que resta do
antigo hotel, localizado numa das
principais artérias da cidade.
A situação arrasta-se desde finais de
2010, quando a câmara emitiu uma licença de ocupação de espaço público, permitindo a instalação do contentor no local. Uma autorização
que, segundo o vereador do Desenvolvimento Económico, Vítor Marques, “tem sido renovada”, sendo que
esse deferimento “dependeu sempre
Ourém Jantar-conferência sobre
o segredo de Fátima
MARIA ANABELA SILVA
de um parecer por parte do Igespar
[actual Direcção- Geral do Património
Cultural]”. Alice Lopes, proprietária
do quiosque, considera que o contentor “não dá má imagem ao local”.
Pelo contrário: “até disfarça as ruínas
do antigo hotel”. A comerciante assegura ainda que tem a preocupação
de “manter o espaço cuidado”, tendo,
no ano passado.
Ex-proprietário do edifício do antigo Hotel Lis, Jorge Santo explica que
o contentor seria uma solução “provisória enquanto decorriam as
obras”, findas as quais a inquilina regressaria ao edifício”. O problema é
que as obras não avançaram e não há
previsão de quando isso possa acontecer. MAS
Ansião Assembleia
aprova moção
em defesa do IC8
A Assembleia Municipal de Ansião
aprovou, por unanimidade, uma
moção de protesto pelo facto do
Governo não ter incluído a
conclusão da requalificação do IC8
no relatório Infra-estruturas de
Elevado Valor Acrescentado. Os
deputados entendem a não inclusão
daquele investimento “como
contrária aos princípios de coesão
territorial, pela sua importância
estratégica e por ser um investimento reivindicado há 30 anos”.
Pombal Intervenções
urgentes nas
margens dos rios
O mau tempo provocou “debilidade
das margens” dos rios Carnide (nas
freguesias da Mata Mourisca e
Almagreira) e Pranto (na freguesia
do Louriçal), pelo que a autarquia
considera que “há um conjunto de
intervenções que têm que ser
realizadas rapidamente, sob pena
de impossibilitar o cultivo dos
campos de arroz aí existentes”,
salienta o vereador Pedro Murtinho,
após uma visita ao local com
técnicos da Administração da
Região Hidrográfica do Centro.
14 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Sociedade
Serviço gratuito de apoio ao preenchimento de IRS
O Movimento para uma Civilização do Amor, de Pombal,
está a informar quem está obrigado a preencher
declaração de IRS, apoiando gratuitamente nesta tarefa
aqueles que tenham vencimento/pensão/reforma
inferior ao ordenado mínimo nacional, ou superior se o
agregado for numeroso.
Secretário de Estado do Ambiente em Leiria
Cardeal visitava quase todas as freguesia onde fez a instrução primária
“Os aterros sanitários
têm de acabar”
D. José Policarpo tinha
a Benedita no coração
T “A lógica de enterrar os resíduos
é para terminar. Os aterros [sanitários] têm de acabar”. Quem o diz
é o secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, que defende
que, cada vez mais, os resíduos devem ser encarados como “um recurso”, frisando que o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos
2020 já preconiza uma estratégia
que passa por “voltar a colocar na
economia tudo aquilo que é produzido”. As declarações do secretário de Estado foram proferidas à
margem da sessão de abertura da
conferência Recursos energéticos renováveis, que decorre, desde ontem,
em Leiria e que termina hoje.
Na sua intervenção, o secretário
de Estado defendeu ainda a criação de “interconexões” que permitam aos países trocarem energia, uma medida que colocaria
Portugal como um país exportador
nesta área. “Este Inverno tivemos
energia em excesso, quer hidráulica quer eólica, que poderíamos
estar a exportar”, disse o governante, sublinhando ainda o “grande potencial” que o País tem ao nível solar, um sector que, no seu
entender, representará a “próxima
PUBLICIDADE
revolução em termos de energia
renovável”.
Em declarações aos jornalistas,
o secretário de Estado admitiu
também que a crise contribuiu
para “sermos mais eficientes no
uso dos recursos”, situação que
teve reflexos na redução das emissões de carbono (12% desde 2005).
“O nosso PIB [Produto Interno
Bruto] não baixou tanto. Isso significa que houve um grande esforço por parte das empresas e dos
cidadãos. Quanto mais eficientes
formos, menos custos teremos e
isso torna-nos mais competitivos”, afirmou.
Por seu lado, o presidente da Câmara de Leiria frisou que “a responsabilidade social das autarquias exige hoje, mais do que
nunca, uma aposta na área ambiental”. Raul Castro sublinhou
ainda a importância de, neste domínio, os municípios adoptarem
“uma filosofia de cooperação”,
dando como exemplo o trabalho
que as autarquias da região têm
vindo a fazer na área dos resíduos, com a eliminação de lixeiras
e o investimento na valorização de
resíduos sólidos urbanos. MAS
DR
D. José Policarpo morreu aos 78 anos
Luci Pais
[email protected]
T Ao longo de dois anos lectivos, Rui
Fialho partilhou a mesma sala e o recreio que José da Cruz Policarpo, na
Escola Primária de Frei Domingos. Na
Benedita, o antigo cardeal, natural de
Alvorninha (Caldas da Rainha) que faleceu no passado dia 12, é admirado
como um homem simples e bom ouvinte. Na sala de aula, o cardeal patriarca emérito de Lisboa já deixava
adivinhar, entre colegas e professora, o futuro de relevo e promissor que
viria, anos mais tarde, a abraçar e desempenhar.
“Era um rapaz muito pacato, sossegado, compenetrado e de uma inteligência impressionante”, testemunha Rui Fialho, de 75 anos. Como
todos os meninos, gostava de brincar,
embora “sempre de uma forma mais
calma e pensada”. Refere o septuagenário que, naquela ocasião, D. José
ainda não deixava transparecer a
forte ligação à Igreja Católica: “Todos
éramos e não éramos. Naquele tempo, era uma obrigação. Tínhamos todos de alinhar”. Na escola primária,
agora encerrada, continua exposta
uma fotografia do antigo Patriarca de
Lisboa. A história daquele senhor da
Alvorninha era partilhada, como
exemplo, juntos das crianças que
frequentavam aquele estabelecimento de ensino.
Praticamente todas as semanas, D.
José Policarpo visitava a Benedita.
Vila que sempre frequentou, dada a
proximidade com a sua aldeia. A
sua casa foi construída na extremidade do concelho das Caldas da Rainha. Havia paragens obrigatórias. O
Café dos Carmos foi sempre o espaço
que escolheu para beber o seu café, fumar o seu cigarro e ler o jornal. “Era
uma simpatia de pessoa. Tinha sempre uma palavra amiga. Gostava muito de ficar no seu canto”, conta Luís Pereira. Há mais de quatro décadas que
o cardeal patriarca emérito frequentava
o Café dos Carmos, juntamente com a
família. “Por vezes, juntava-se aqui
com os irmãos e os sobrinhos”, relembra.
Era nas mãos do cabeleireiro Rui
Fialho que D. José Policarpo confiava, há cerca de 24 anos, o seu cabelo. “Era um cliente muito regular. Era,
sem dúvida, uma pessoa muito fiel à
Benedita”. As conversas eram variadas, normalmente os temas da actualidade eram os mais debatidos. “O
D. José era muito inteligente. Falava,
sobre os mais variados temas, com
muita facilidade. Eu muitas vezes é
que não tinha conversa para ele”, salienta o cabeleireiro.
O antigo presidente da Junta da Benedita e ex-vereador na Câmara de Alcobaça, José Vinagre, partilha uma
“história engraçada” que viveu com
o patriarca. A rua que dava acesso à
casa de D. José recebeu o seu nome.
Na ocasião, ao maior representante da
Igreja Católica em Portugal José Vinagre prometeu manter a via e a placa limpa. Acto que lhe exigia sempre
que o encontrava, relembra, entre
sorrisos, o antigo presidente da Junta.
É à conversa com Ferreira Vicente
que ficamos a conhecer melhor José
da Cruz Policarpo. “Era um homem
tão normal e simples como outro
qualquer”, esclarece o primo em segundo grau. O advogado, com escri-
tório na Benedita, testemunha que
o cardeal patriarca “ajudava e dava
apoio moral, sempre que necessário,
à família”. A sua simplicidade é explicada pelas suas raízes: “é uma pessoa com origens no campo. Cresceu
no meio rural”.
Há dias, relembra Ferreira Vicente, “chegou muito bem-disposto de
Roma. Era uma pessoa do mais normal que se pode imaginar, no seio da
família”. Além do patriarca, também
dois primos ordenaram-se padres.
Dos oito irmãos, apenas D. José Policarpo seguiu a vida religiosa, embora outros tenham estudado no
seminário.
Conduzia o seu carro com mais de
duas décadas. Apenas teve motorista
durante os anos em que foi patriarca, por questões de agenda. “Ainda
assim, muitas vezes, fazia as viagens
sozinho entre Alvorninha e Lisboa
ou outras paragens”, revela o primo.
A morte chegou aos 78 anos, depois de D. José Policarpo se ter sentido mal num retiro de bispos em
que participava em Fátima. Foi de
emergência para o Hospital do SAMS
(Serviços de Assistência Médico Social), em Lisboa, onde lhe foi detectado um aneurisma na aorta. Morreu
na sala de operações, durante a intervenção cirúrgica de emergência.
O corpo do Patriarca Emérito de
Lisboa foi sepultado no Panteão dos
Patriarcas, no Convento de S. Vicente
de Fora.
José da Cruz Policarpo continuará a ser uma referência da Benedita
e a sua fotografia continuará, nem
que não seja na memória, pendurada na antiga sala de aula, que um dia
foi a sua.
Sociedade Ciência e Tecnologia
Setenta investigadores contribuíram para o site que assinala os locais geológicos do País
Leiria tem 20 dos 300 geossítios
mais importantes de Portugal
RICARDO GRAÇA
Miguel Sampaio
[email protected]
T Quando pensamos em fenómenos
geológicos da região, as pegadas de dinossauros da Pedreira do Galinha e as
grutas do Parque Natural das Serras de
Aire e Candeeiros, são, por norma, as
primeiras a ser lembradas. No entanto, o distrito de Leiria e o concelho de
Ourém são particularmente ricos neste tipo de herança natural. Há pelo
menos duas dezenas de locais que estão referenciados como estando entre os 300 mais importantes do País.
Esta informação consta do portal
geossitios.progeo.pt, lançado recentemente, e que resulta do projecto
Identificação, caracterização e conservação do património geológico:
uma estratégia de conservação para
Portugal.
“Em Portugal, de um ponto de vista histórico, o património natural tem
sido abordado apenas na perspectiva
biótica, ou seja, como se a natureza
apenas fosse formada por elementos
da fauna e flora. Assim, era imperioso saber o que existe no País de relevante no que diz respeito à geodiversidade, como minerais, rochas, fósseis
e formas de relevo”, explica ao JORNAL DE LEIRIA José Brilha, professor
da Universidade do Minho e coordenador do projecto de investigação.
“Só depois de saber o que temos,
podemos tomar medidas concretas
para proteger o que é mais relevante.
A conservação da natureza em Portugal pode agora agir, não só na protecção da biodiversidade, mas também da geodiversidade”, adianta o investigador. Para José Brilha, a geodi-
Península de Peniche e Berlengas, dois geossítios de referência
versidade marca, de forma directa e
indirecta, todas as características do
território. “Se quisermos compreender porque temos um relevo montanhoso na metade Norte do País e
mais aplanado a Sul, por que é que no
Minho chove mais, porque temos
uma tão grande diversidade de regiões demarcadas de vinhos, ou porque é na Nazaré que existem as ondas
gigantes usadas pelos surfistas... temos de conhecer a geodiversidade de
Portugal.”
A conservação é uma preocupação
constante e este inventário permite
que se passe a proteger o que é ver-
dadeiramente relevante.. “Claro que
não podemos nem queremos proteger toda a geodiversidade, uma vez
que necessitamos de consumir enormes quantidades de minerais e rochas
para fabricar tudo aquilo que necessitamos para a nossa vida quotidiana,
apesar da maior parte das pessoas
nem se aperceber deste facto. Porém,
existem alguns elementos que devem
ser conservados devido ao seu valor
científico, educativo e turístico excepcionais.”
Quanto à região de Leiria, o docente
entende ter “um apreciável número
de geossitios e com características dis-
tintas”, o que revela bem a existência de uma “razoável geodiversidade”. As pegadas de dinossauro da Pedreira do Galinha são já classificadas
como Monumento Natural, mas José
Brilha destaca ainda as “ocorrências
da Península de Peniche”, que do
ponto de vista científico “são particularmente interessantes e estão em
processo de reconhecimento pela
comunidade internacional”. Tratase, segundo o portal, de uma “plataforma calcária lapiasada, parcialmente fossilizada e parcialmente
exumada pelo mar, associada a grutas habitadas pelo Homem.”
Lista dos geossítios referenciados na região de Leiria
ALCOBAÇA
• Arriba da Praia da Senhora da
Vitória
Valor científico (0-100): 43,75
Vulnerabilidade (100-400): 220
• Grutas e nascentes do Vale do
Mogo
Valor científico (0-100): 31,25
Vulnerabilidade (100-400): 260
• Vale Furado
Valor científico (0-100): 57,5
Vulnerabilidade (100-400): 250
ANSIÃO
• Deslizamento sin-sedimentar
da Ateanha
Valor científico (0-100): 41,25
Vulnerabilidade (100-400): 240
• Início de enchimento da Bacia
Lusitaniana
Valor científico (0-100): 61,25
Vulnerabilidade (100-400): 205
• Transversal Ateanha – Dueça
Valor científico (0-100): 53,75
Vulnerabilidade (100-400): 210
LEIRIA
• Vale da Grota e Nascentes do
Lis
Valor científico (0-100): 31,25
Vulnerabilidade (100-400): 240
• Vale do Lapedo
Valor científico (0-100): 33,75
Vulnerabilidade (100-400): 190
MARINHA GRANDE
• São Pedro de Moel
Valor científico (0-100): 61,25
Vulnerabilidade (100-400): 250
NAZARÉ
• Rochas cretácicas do Sítio da
Nazaré
Valor científico (0-100): 50
Vulnerabilidade (100-400): 190
ÓBIDOS
• Deformação sin-sedimentar no
Jurássico Superior da Bacia
Lusitaniana
Valor científico (0-100): 32,5
Vulnerabilidade (100-400): 350
• Vale tifónico de Óbidos
Valor científico (0-100): 41,25
Vulnerabilidade (100-400): 275
OURÉM
• Monumento Natural Pegadas
de Dinossáurios da Serra de Aire
Valor científico (0-100): 85
Vulnerabilidade (100-400): 190
PENICHE
• Granito da Berlenga
Valor científico (0-100): 67,5
Vulnerabilidade (100-400): 100
• Península de Peniche
Valor científico (0-100): 92,5
Vulnerabilidade (100-400): 280
POMBAL
• Nascentes de Anços e Vale dos
Poios
Valor científico (0-100): 33,75
Vulnerabilidade (100-400): 205
PORTO DE MÓS
• Arriba Fóssil da Serra dos
Candeeiros
Valor científico (0-100): 53,75
Vulnerabilidade (100-400): 220
• Campos de lapiás, dolinas e
algares das serras da Mendiga e
São Bento
Valor científico (0-100): 53,75
Vulnerabilidade (100-400): 220
• Faixa Transpressiva
de Minde – Alvados
Valor científico (0-100): 72,5
Vulnerabilidade (100-400): 240
• Barranco do Zambujal
Valor científico (0-100): 68,75
Vulnerabilidade (100-400): 145
Fonte: http://geossitios.progeo.pt/
PUBLICIDADE
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 15
16 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Sociedade Educação
Correcções já estão a ser feitas pela nova administração da escola de Pombal
Controlo de Gestão
Auditoria à ETAP revela ‘incorrecções’
e 149 mil euros de prejuízo
Jovem de Leiria
conquista
bolsa de estágio
no CERN
Elisabete Cruz
[email protected]
A auditoria pedida pela Câmara de
Pombal à Pombal Prof, empresa que
detém a Escola Tecnológica e Artística e Profissional do concelho, revelou
várias “incorrecções” e 149 mil euros
de prejuízo, entre 1 de Janeiro e 30 de
Setembro de 2013.
De acordo com a auditoria, o balanço às contas da empresa dariam
um resultado líquido negativo de
74.788 euros. No entanto, após os
ajustes e reclassificações que o auditor entendeu serem mais correctos, o
resultado líquido apurado foi de
149.481 euros negativos. Tendo em
conta o balanço no período homólogo de 2012, houve um acréscimo de
prejuízo de 2.752 euros.
Outra situação detectada foi o incumprimento das regras do Código
dos Contratos Públicos (CCP). “Dos 15
contratos celebrados apenas dois foram rubricados em resultado da selecção dos fornecedores ter por base
as regras do CCP”, refere o docu-
mento. O auditor considera ainda
que o processo de decisão de aquisição de imobilizado “não deve ser decidido apenas pela direcção geral,
mas também em sede de gerência da
sociedade”.
No período analisado registou-se
uma diminuição de 10.974 euros
(14,3%) nos sub-contratos e uma redução no sector da limpeza na ordem
dos 11.877 euros (38,5%) e de honorários de 180.625 euros (61,1%), “essencialmente pelas actividades do
CNO terem terminado”. Por seu lado,
houve um aumento de 10.959 euros
na rubrica de rendas e alugueres.
De realçar ainda o aumento da remuneração de 8,5% com directores,
de 69.901 euros para 75.816 euros.
A auditoria concluiu que “estava
tudo em ordem” relativamente ao
fundo fixo de caixa, mas foram detectados saldos “incorrectos” relativos
a algumas candidaturas do Programa
Operacional Potencial Humano
(POPH).
O relatório realça ainda as certidões
de não dívida à Autoridade Tributá-
ETAP
PS alertou para
irregularidades
Após a análise do relatório, a
Concelhia do PS de Pombal adianta
que “a gestão da ETAP foi uma
preocupação constante do PS”, que
“identificou vários problemas
financeiros na Pombal Prof/ETAP,
que os responsáveis pela gerência à
data sempre procuraram sonegar e
branquear”. Os socialistas destacam
o “elevado passivo, a excessiva
dependência de créditos bancários
de curto prazo, a diminuição das
receitas próprias, a insuficiência dos
capitais próprios e a situação de
falência técnica em que a sociedade
esteve vários anos”. O PS lembra
ainda que, em 2011, votou contra a
alienação parcial da participação da
autarquia no capital social da
Pombal Prof, pois iria “diminuir o
acompanhamento municipal sobre
o funcionamento da escola”.
ria e à Segurança Social, não obstante de existirem dívidas de 16.314 euros à Segurança Social respeitando ao
mês de Novembro de 2013 e de cerca
de 2400 euros à ADSE.
O auditor apontou também a inexistência de um organograma, plano
anual de actividades, orçamento e plano de investimento anuais.
A Câmara de Pombal adianta que o
“relatório está a ser analisado” e que
várias irregularidades detectadas no
auditoria “já foram rectificadas”.
Além disso, “está a ser desenhada
uma nova oferta formativa, mais
ajustada à realidade actual” e estão a
ser estabelecidas “novas parcerias
com empresas e com o Instituto Politécnico de Leiria”.
“Queremos abrir a escola à comunidade, pelo que já avançámos para
a criação do Conselho Consultivo,
que não existia. Este é o momento de
credibilizar aquela que foi a primeira
escola profissional do País”, acrescenta fonte do gabinete do presidente, revelando que o relatório e contas
será apresentado no próximo mês.
Young Business Talents Sessão solene junta forças vivas da Marinha Grande
Secundária de
Leiria conquista
dois prémios
Duas equipas da Escola Secundária Domingos Sequeira, em Leiria,
conquistaram o primeiro lugar dos
respectivos grupos na edição de estreia do Young Business Talents, cuja
final decorreu no fim-de-semana, no
Colégio Salesianos, em Lisboa. A
escola de Leiria foi a única a obter
dois primeiros lugares, num total de
15 grupos, com cinco equipas cada.
Akobir Akhrorov, Ana Filipa Inês
Góis e Rute Marlene Vieira (Halloffame) e Daniel Marques Henriques,
Carla Lourenço e Cristina Santos
Martins (ContaConnosco) venceram
a simulação 14 e 4, respectivamente, entre 300 participantes. A Escola Secundária do Restelo foi a vencedora do concurso, sendo a representante de Portugal na final internacional, que vai decorrer em Madrid.
Na edição que agora terminou, Leiria
foi o quarto distrito mais representado, com 13 escolas, atrás de Porto
(37), Lisboa (28) e Setúbal (15). O
concurso, que tem como objectivo
melhorar as competências de gestão
dos alunos do ensino secundário, regressa no próximo ano e tem a ambição de atingir as cinco mil inscrições.
Procura de engenheiros do ISDOM
é já superior à oferta
DANIELA FRANCO SOUSA
Daniela Franco Sousa
[email protected]
Uma estreita ligação entre o Instituto Superior D. Dinis e o tecido
empresarial, que se reflecte numa
elevada procura por alunos do ISDOM, sobretudo pelos das engenharias, onde a procura ultrapassa
já a oferta disponível. Estes foram
alguns dos motivos de orgulho
partilhados por Cristina Simões,
directora do instituto, na sessão solene 2013/2014 do ISDOM, que juntou diversas forças vivas da Marinha Grande e o orador convidado,
professor Almeida Santos.
“O curso de licenciatura em Engenharia da Produção Industrial do ISDOM é um exemplo de sucesso. A
qualificação e competências adquiridas pelos nossos alunos são reconhecidas pelos empresários e pelas
entidades empregadoras, sendo crescente a procura de alunos a terminar
o curso”, sublinhou Cristina Simões.
“A recepção de ofertas de emprego
para Engenheiros da Produção Industrial é uma constante, o que nos
deixa certos de que este curso é uma
forte aposta para os nossos alunos.
Sara Macena, aluna do mestrado
Controlo de Gestão, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão
(ESTG), do Instituto Politécnico
de Leiria, garantiu um estágio remunerado na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear
(CERN), na Suíça. Sara Macena de
23 anos concorreu a uma bolsa
para estudantes na área da administração e foi contemplada com
um estágio de seis meses, a começar no próximo mês de Maio. A jovem enviou o seu currículo, duas
cartas de recomendação e o certificado de habilitações com as notas
obtidas. Depois de seleccionada
foi alvo de uma entrevista via
skype. Passou no teste. “Vou trabalhar no departamento de engenharia de metais, na gestão de projectos”, conta Sara Macena, salientando que esta oportunidade
surge depois de muitos currículos
enviados sem resposta ou com
propostas pouco aliciantes. “Já andava um bocadinho desanimada.”
Licenciada em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de
Lisboa, a falta de oportunidades na
área levou-a a arriscar o mestrado
em Controlo de Gestão, na ESTG.
“Estou bastante entusiasmada. As
condições de trabalho não têm
nada a ver com as de Portugal e o
valor da bolsa é bastante acima
da média, apesar do custo de vida
também ser mais elevado na Suíça”, revela.
A estudante possui amigos na
Suíça, pelo que tem garantido o
apoio inicial, nomeadamente na
procura de alojamento. “Dizem
que é mais difícil encontrar cada na
Suíça do que trabalho.” Sara Macena admite que será difícil ficar a
trabalhar no CERN, mas confessa
que irá “explorar outras áreas” na
Suíça para poder trabalhar após o
estágio.
Instituto promove ligação com empresas da região
Neste momento, temos os nossos
alunos todos colocados e alguns estão ainda no primeiro ano e já os conseguimos colocar no mercado de
trabalho”, explicou a directora, realçando que, “na área da engenharia, a
procura é superior à oferta”.
O facto de o ISDOM funcionar em
horário pós-laboral, apresentar
uma oferta formativa adaptada às
necessidades de uma a região fortemente industrializada, bem como
o estabebelicimento de protocolos
com com entidades e empresas
para realização de estágios, são algumas das razões do sucesso do
instituto e dos seus alunos, defende a directora. Só em 2013, foram realizadas parcerias com 120
empresas, nota a responsável.
Sara Macena vai para a Suíça
em Maio
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 17
Sociedade Saúde
Atlas organiza workshop sobre alimentação
Como fazer escolhas alimentares saudáveis em altura de
crise? Este é o tema do segundo workshop organizado
pela associação Atlas, a realizar no próximo dia 27, pelas
21:30 horas. A dietista Raquel Godinho será a oradora do
evento, cuja inscrição tem o valor simbólico de três
euros ou a entrega de bens alimentares.
Secretário de Estado admite alterações ao nível da urgência e em algumas consultas
Região
Parte dos utentes de Ourém a caminho Leiria
Sindicato
alerta para falta
de enfermeiros
MARIA ANABELA SILVA
Maria Anabela Silva
[email protected]
Parte do concelho de Ourém pode
vir a ser servida, em termos de consultas de especialidade e de urgências,
pelo hospital de Leiria. A informação
foi dada na terça-feira pelo secretário
de Estado adjunto do ministro da
Saúde, Fernando Leal da Costa, durante a inauguração da Unidade de
Saúde Familiar (UFS) Auren, que,
desde o início do ano, funciona no
Centro de Saúde de Ourém
“Num plano de reorganização dos
serviços não deixaremos de olhar
com muita atenção para a forma
mais conveniente de disponibilizar
cuidados hospitalares à população de
Ourém”, disse o governante durante inauguração. Em declarações aos
jornalistas, Fernando Leal da Costa
reconheceu que o actual mapa das
Administrações Regionais de Saúde
provoca “constrangimentos às populações que estão nas fronteiras”.
No caso de Ourém defendeu a necessidade de criar condições para
Unidade de Saúde Familiar, inaugurada na terça-feira,
abrange 7500 utentes
que, em especialidades onde o hospital de Leiria tenha capacidade de
resposta, parte da população do concelho possa utilizar esta unidade
hospitalar.
O secretário de Estado adiantou
ainda que, no âmbito “redefinição de
mapas” que está a ser feita com o
INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), “os utentes do Norte e Oeste do concelho de Ourém
possam ser encaminhados directa-
mente para Leiria”, para que “as
ambulâncias não tenham de fazer
viagens tão longas”.
“Com bom senso, tentaremos encontrar equilíbrios que possam melhorar as respostas à população”, disse Fernando Leal da Costa, frisando,
no entanto, que a transferência total
de um município de uma região de
saúde para outra não é simples. “Há
um centro hospitalar que fica descapitalizado em termos de trabalho e outro que fica sobrecarregado”, referiu,
sublinhando que o Centro Hospitalar
de Leiria “já tem uma carga assistencial muito grande”.
A cerimónia de inauguração serviu
para o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, garantir que,
na área da saúde, a autarquia “quer
ser parte da solução”, e reforçar algumas das reivindicações que o município tem vindo a fazer, como a disponibilização de duas viaturas medicalizada para prestar apoio às povoações mais distantes e a abertura
do Centro de Saúde de Ourém até à
meia-noite.
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) alerta para uma
“carência grave” destes profissionais nos centros de saúde da região,
onde também falta material clínico e de apoio. À Agência Lusa, a Administração Regional de Saúde do
Centro (ARSC) reconhece a falta de
cerca de 20 enfermeiros e nega
problemas de material clínico. Segundo o sindicato, cuja direcção regional de Leiria efectuou, no último mês, reuniões de trabalho nos
vários centros de saúde do agrupamento Pinhal Litoral, estima-se em 50 o número de enfermeiros em falta, situação que determina o encerramento de “várias extensões de saúde”, algumas há mais
de dois anos. A ARSC adianta que
“está em curso um concurso, lançado em Março de 2013, para 122 vagas
de enfermagem” para os agrupamentos da região Centro, 27 das
quais para o Pinhal Litoral.
PUBLICIDADE
18 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Leitores
A direcção do Jornal de Leiria recebe com agrado
para publicação a correspondência dos leitores que
tratem de questões do interesse público. Reserva-se
o direito de seleccionar os trechos mais importantes
das Cartas ao Director devidamente identificadas,
publicadas nesta secção.
[email protected]
É Preciso Ter Lata
O Agrupamento de Escolas de
Caranguejeira - Santa Catarina da
Serra abraçou o desafio de
participar no projecto É Preciso Ter
Lata, sob a orientação dos docentes
do Departamento de Educação
Especial. É um projecto
internacional de solidariedade com
20 anos, patenteado pela Society
for canstruction® Design
Administration- American Institute
of Architect (Atlanta, Geórgia,
E.U.A.). Em Portugal, o
Agrupamento de Escolas de Fajões
é a instituição organizadora do
evento oficial Canstruction®, que
conta este ano com a 2.ª edição.
Este evento traduz-se numa causa
contra a fome que é,
simultaneamente, um concurso e
um desafio à criatividade e à
capacidade de mobilização das
comunidades educativas. Um
evento canstruction® é um
divertido concurso de esculturas
construídas com latas de comida,
angariadas junto de toda a
comunidade educativa,
permitindo, nomeadamente aos
alunos, compreender o alcance e a
nobreza de um valor como a
solidariedade. Também foi e está a
ser uma oportunidade de se
estreitar relações entre o
Agrupamento e as comunidades,
mediante o pedido de apoios que
dirigimos a empresas diversas e
grandes superfícies. É de salientar
que os produtos enlatados foram
angariados exclusivamente junto
da comunidade educativa
envolvente.
Encontramo-nos na fase de
construção da escultura com as
latas recolhidas. Esta escultura
consiste em reproduzir o símbolo
like que foi um dos projectos
desenvolvidos por um dos alunos
participantes. A escultura será
construída no Pavilhão
gimnodesportivo da Escola Básica
e Secundária de Fajões – Concelho
de Oliveira de Azeméis, distrito de
Aveiro - por uma equipa de seis
docentes de Educação Especial, no
dia 11 de Abril e estará em
exposição entre 12 e 16 de Abril,
juntamente com as restantes 19
esculturas dos agrupamentos de
escola e escolas não agrupadas
participantes. No dia 17 as
esculturas serão desmanteladas e,
posteriormente, as latas da
escultura construída no nosso
Agrupamento reverterão a favor da
Cáritas da Caranguejeira e da
Conferência de S. Vicente de Paulo
em Stª Catarina da Serra e Stª
Eufémia, instituições de
solidariedade social previamente
seleccionadas pela direcção do
Agrupamento. O júri atribuirá três
prémios: melhor refeição; melhor
escultura e melhor uso de rótulos.
As obras vencedoras representarão
Portugal no concurso anual
internacional. Pelo segundo ano
consecutivo, a marca Bom Petisco
associa-se ao evento, doando, desta
vez, mais de duas toneladas de
É bom viver em Leiria?
“O Lis da minha Leiria/ Faz recordar belos
tempos/Eram anos de alegria/Hoje sopram outros
ventos”.
Quando li algures, na imprensa, que Leiria foi
classificada como uma das primeiras cidades do País
onde “é bom viver”!... Acreditei que sim!!! Está
localizada numa bonita região entre o mar e a serra,
tem recantos maravilhosos, as suas gentes são
hospitaleira! Mas a cidade senhor, porque a tratam
assim, porque está tão “desarrumada” e também tão
esburacada? Poetas e escritores como Rodrigues Lobo,
Acácio de Paiva, Américo Cortês Pinto, Afonso Lopes
Vieira, Eça de Queirós e Miguel Torga, entre outros,
viveram junto ao Lis e escreveram sobre os seus
encantos! Hoje, os tempos de outrora são vividos
numa época em que os valores históricos desta urbe
são esquecidos e, por vezes, “abandonados” no
silêncio do seu valioso património monumental e dos
velhos casarios, que davam alegria aos típicos bairros
de antigamente… Com a crise económica e financeira
e a austeridade que coarctou drasticamente os
orçamentos das autarquias, o município local vai ter
muitas dificuldades para cumprir com os seus
projectos e planos de conservação e reabilitação!
Apenas algumas “imagens” para turista ver: centro
histórico (a solidão sem população), ex-Hotel Lis e D.
João III (espantalhos), Igreja da Misericórdia
(degradada e fechada), museu de Sto. Agostinho…(em
standby), Estádio…(milhões a pesar nas contas da
Câmara), Loja do Cidadão… (uma ilusão), Torre sineira
(relógio para quê?), etc. Se é esta a Leiria onde “Viver é
bom” venham os 400 eventos previstos para 2014!!! A
cidade precisa de mais gente, mais alegria e muito
turismo…
Edgar de Carvalho
[email protected]
DR
deveras positivo, demonstrativo,
mais uma vez, da união, espírito
associativo e humanitário das
gentes das freguesias de Arrabal,
Caranguejeira e UF St Catarina e
Chaínça, bem como demais
cidadãos que comungam desta
causa que é o bem comum, ora
representado pelos bombeiros. A
associação agradece especialmente
a todos, particulares e empresas,
que contribuíram com a doação das
sopas, sobremesas, bebidas e
demais víveres, bem como com o
seu esforço, dedicação e empenho,
sem os quais aquela iniciativa e
outras do género, não são possíveis
de concretizar. Esperanos
continuar a contar com o apoio de
todos os cidadãos em geral, em
futuras e novas iniciativas de cariz
social, cultural, desportivo e
humanitário, promovidas e/ou
apoiadas por esta associação. Bem
hajam.
Pela Direcção,
Filipe Ferreira, presidente
@: [email protected]
Os “ventos de
cobiça” e os
“traidores” na
Guerra Colonial
atum. Estas 18 mil latas serão
utilizadas por artistas convidados,
que irão conceber e construir três
esculturas à margem do concurso.
No final da exposição, estes
enlatados serão distribuídos pelas
instituições ou projectos
comunitários indicados pelas
equipas participantes. Podem ser
consultadas as imagens das
esculturas da 1ª edição, que se
realizou no ano lectivo anterior, no
site www.eprecisoterlata.org. É
com muita expectativa e
entusiasmo que se está a viver a
experiência da primeira
participação do Agrupamento de
escolas de Caranguejeira – Santa
Catarina da Serra num Projecto
aglutinador, cuja grandiosidade
reside na sua essência solidária e
altruísta, retratada no lema “Ajuda a
Ajudar”, que por si só nos tem
impelido ao optimismo e a uma
imensa felicidade de contribuirmos
de mãos dadas para a concretização
de uma causa tão nobre.
Lurdes Guarda, Coordenadora de
Educação Especial do
Agrupamento de Escolas de
Caranguejeira e Santa Catarina da
Serra
[email protected]
A queda da ponte
em Rebotim,
Alcobaça
Há mais de 21 anos que não se faz
nada para melhorar as estradas
municipais de acesso a Alpedriz,
em Alcobaça. Alerto para o péssimo
estado em que se encontra a ligação
entre a Ribeira do Pereiro e a
Rebotim e para a necessidade de
alargar as outras pontes de ligação a
Neste ano de mau tempo, vento e
chuvas fortes, as águas do rio
DR
fizeram abater as terras e a ponte de
Rebotim. Mas tudo isto já vem de
tempos anteriores! Passaram anos a
tapar buracos nas vias, esquecendo
que boas acessibilidades
contribuiriam para desenvolver as
localidades desta nova freguesia de
União das Freguesias de Coz,
Alpedriz e Montes
Darlindo Gil, Alpedriz
[email protected]
Nota de
agradecimento
Festival das Sopas
2014
A Associação dos Amigos da Secção
dos Bombeiros do Sul do Concelho
de Leiria (Bombeiros em Cardosos),
com sede em Cardosos, St. Catarina
(Leiria), juntamente com a
Associação Humanitária dos
Bombeiros Voluntários de Leiria
(que ali possuem aquartelada a sua
6ª Companhia), realizou no
passado dia 22 de Fevereiro o 3º
Festival de Sopas. O evento resultou
Acerca do artigo Os “ventos de
cobiça” e os “traidores” na Guerra
Colonial, publicado na edição de
13 de Março, de 2014, do JORNAL
DE LEIRIA, afirma o antigo 1.º
cabo João Vicente Teixeira o
seguinte: “fiz parte de uma
companhia que cumpriu,
obrigado, o serviço militar em
Angola, durante quatro anos.
Estive em Onzo, a quatro
quilómetros de Nambuangongo.
Estive um ano fechado na mata e
integrei uma Bateria de Artilharia
e, de facto, as únicas duas baixas
que sofremos foram devido a
esse traidor de que fala o artigo.
Foi um “cobarde” porque fugiu à
tropa e um “traidor”, porque fez
chorar tantas lágrimas a tanta
mãe e porque fez tantos filhos
morrer, devido às informações
que dava ao inimigo. Fui ferido
numa perna, estive 60 dias no
Hospital Militar e nunca pedi um
tostão de indemnização, ao
contrário dele que recebe uma
pensão do Estado”.
João Vicente Teixeira, 1.º cabo,
371/64, Angola 1964-1968
Rectificação
Na página 23 da edição da semana
passada, a legenda da foto saiu
errada. Assim, onde se lia
“Trabalhadores da Nemoto têm,
em média, 12 anos de casa” deveria
ler-se “A empresa da Benedita
produz cutelarias para segmentos
doméstico e profissional”. Aos
visados as nossas desculpas.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 19
Opinião
Itinerários jacobeus por terras de Leiria
noção de património cultural da Humanidade
assume, nos nossos dias, um significado
amplo e plural. Há alguns anos atrás, falar de
património cultural era reduzir o debate a
património monumental ou a património histórico. A
evolução do pensamento e do conhecimento
científico em torno dos marcos culturais dos povos
teve como consequência o derrube dos muros que
tornavam demasiado redutoras as ideias sobre o que
se queria significar quando se aludia a património.
Hoje em dia, o património tornou-se num assunto
central das políticas económicas e culturais dos
governos de todas as nações. Não se considera já e
apenas o património reduzido a monumentos, a sítios
arqueológicos ou a colecções artísticas em museus,
prevalecendo, antes, uma nova e mais ampla noção de
património cultural, material e imaterial, dos povos. O
património deixou de ser uma "alegoria" do passado
para se tornar na afirmação de uma realidade social
que diz respeito a todas as pessoas. Mais do que
nunca, percorremos um tempo em que se vive
realmente o património cultural e em que este
assumiu uma dimensão de cidadania
verdadeiramente irrevogável nas agendas políticas
nacionais e mundiais.
Uma das faces desta nova vivência do património
cultural revela-se na reanimação das rotas culturais
muitas delas assumindo a conotação do religioso ou
redimensionando o significado dessas memórias
espirituais de antanho. Penso, por exemplo, nos
roteiros de caminhos de peregrinação de que os mais
famosos serão, por herança história, cultural e
espiritual, os de São Tiago de Compostela, de tanta
A
Saul
Gomes
relevância na Europa medieval. Portugal não foi um
país alheio a esses itinerários que são bem conhecidos
e que tiveram uma expressão muito forte no Norte.
A região de Leiria, todavia, também oferece um
conjunto diversificado de marcas jacobeias que
permanecem em igrejas, ermidas e lugares que
relembram antigas devoções a este Apóstolo. Teria
interesse, nomeadamente económico, que as
autarquias do distrito de Leiria e sua região
valorizassem significativamente os antigos itinerários
jacobeses atlânticos, pelos quais, todos quantos
desejassem caminhar no usufruto único de uma
experiência de viagem e de descoberta da natureza, da
história, do conhecimento e do espírito, encontrassem
motivos de satisfação e de visita e estadia nestas
paragens. Antigas igrejas e ermidas, entre outras
marcas patrimoniais materiais e imateriais, atestam
um caminho litoral estremenho e atlântico de matiz
jacobeia. Outros existiram ou ainda existem,
assinalando devoções diferentes, com especial
destaque para os caminhos que conduzem a Fátima.
O potencial da região leiriense, neste domínio, é
significativo para uma oferta turístico-cultural mais
qualificada e diversificada. Foi um itinerário de
peregrinação, aliás, que deu origem ao conceito de
"turismo", entroncado no nome da cidade de Tours e
das peregrinações religiosas ao lugar da memória
matricial de S. Martinho de Tours. Uma devoção bem
incorporada, aliás, nas tradições populares
portuguesas que o comemoram na partilha do
alimento quente e do vinho novo.
Historiador
O amor
s vezes, esquecemo-nos do poder que
temos para fazer os outros felizes.
Centramo-nos nos nossos umbigos e
apenas vemos como valiosos e a merecer
atenção, os nossos interesses, as nossas angústias,
em suma, os nossos “quereres”. Quando assim é,
ignoramos o valor do outro nas nossas vidas e
passamos, voluntariamente, a viver no centro de
uma bolha auto transformando-nos num alvo fácil
para sermos, mais tarde ou mais cedo, atingidos,
certeira e brutalmente, por quem lá está connosco:
apenas os nossos “quereres”. Num espaço tão
limitado, corremos o risco de nos eternizarmos
como vítimas e de nos acharmos num permanente
estado de insatisfação. Insatisfação sedutora, sem
dúvida, de tão útil que se nos apresenta na
conservação da nossa, exclusiva e preciosa,
identidade da qual não queremos abdicar! Dentro
da bolha tornamo-nos inacessíveis, do tipo: eu não
saio, tu não entras! Sim, às vezes, esquecemo-nos
do poder que temos para fazer os outros felizes e
dessa forma, ignoramos o quanto fazer parte da
felicidade de alguém nos transporta a patamares
de suprema felicidade. E, é isso mesmo, estou a
falar de amor, dessa coisa maravilhosa que apesar
de ser o mais poderoso sentimento humano ainda
surge, quando referido no quotidiano e como
agora, no discurso de uma pessoa vulgar, como
algo piegas e quase “pimba”. Como algo com
necessidade de ser tipificado para ser
compreendido! Amor físico, amor platónico, amor
materno, paterno, fraterno, conjugal etc., etc.,
etc., o que é isso? Que me desculpem os religiosos,
os filósofos, os poetas e os “psis”, mas para mim o
amor é só um. Invisível e com um imenso
À
Amélia
do Vale
potencial, só se manifesta quando e só quando,
alguém o quer mesmo transmitir a outro com uma
única intensão: o de o transformar numa pessoa
mais feliz! Entendo, por isso, o amor como a chave
da felicidade. Transferindo-se de pessoa para
pessoa é uma fonte primária e inesgotável na
fabricação do que está certo e é um bem, nas
decisões e ações humanas, em todos os contextos.
Talvez por pensar assim, tornam-se-me
incompreensíveis múltiplas situações geradas e
protagonizadas voluntariamente por adultos. São
disso exemplos, as separações litigiosas de casais
em que os filhos são instrumentalizados como
armas de arremesso; mães ou pais idosos
esquecidos e abandonados pelos filhos que
criaram e a quem dedicaram toda uma vida;
crianças e jovens a quem pessoas concretas
negaram a possibilidade de ter legalmente
constituída a sua família, apenas porque nela
existem dois pais ou duas mães. Pais, filhos e
pessoas (parlamentares), cada um a viver na sua
bolha e que, de tão preocupados com o seus
“quereres”, ainda não tocaram a suprema felicidade
de se libertarem através da transmissão do amor!
Como se fossem elos defeituosos de uma cadeia de
amor, mais tarde ou mais cedo, serão substituídos e
deitados fora. Talvez pelos filhos que no meio dos
seus conflitos transformaram em armas, talvez pelos
filhos a quem mostraram o que fazer com os pais
idosos, talvez pelos filhos a quem negaram o direito
de ter legalmente uma família. Não, não vou dizer
ámen. Apetece-me, mas não quero sucumbir à
sedução de viver numa bolha, quero ser feliz!
Professora
Os incêndios florestais
de 2013 (II)
m texto recente, publicado
neste jornal, abordei os
resultados do combate aos
incêndios no ano de 2013
face aos objectivos do Plano
Nacional de Defesa da Floresta
Contra Incêndios, identificando
algumas causas dos resultados
alcançados, nomeadamente na
área do combate.
Importa agora abordar as causas
relacionadas com os outros pilares
do sistema nacional de defesa da
floresta contra incêndios. Refiro,
desde logo, o fraco investimento na
prevenção estrutural,
nomeadamente nas redes primária
(executada a 15%), secundária e
terciária de gestão de combustível,
desaproveitando-se os abundantes
recursos do PRODER.
Destacam-se ainda as
insuficiências na fiscalização das
obrigações das entidades públicas e
privadas no âmbito da gestão de
combustível, bem como na
instauração e decisão dos processos
de contra-ordenação. Os
municípios e a GNR têm de
desenvolver, necessariamente, um
trabalho mais consistente e eficaz
neste domínio.
Além disso, num contexto em
que é preciso investir na
diminuição do número de
ocorrências, as acções de
sensibilização e fiscalização no que
diz respeito ao uso negligente do
fogo – responsável por mais de 1/3
das ocorrências – devem ser
intensificadas, bem como o
controlo de indivíduos com
antecedentes de incendiarismo.
Por último, foi notória a ausência
de um trabalho de planeamento
distrital, nos âmbitos da prevenção
operacional, da vigilância, da
detecção e da primeira intervenção,
com a participação e mobilização
dos diversos agentes. No passado,
este trabalho era desenvolvido
pelos governos civis. A partir deste
ano, espera-se que as novas
comunidades intermunicipais
assumam um papel decisivo no
âmbito da protecção e socorro.
Em conclusão, importa corrigir
os erros e melhorar a eficácia no
combate, relançar a coordenação
da prevenção operacional e alargar
a vigilância da floresta com recurso
a meios tecnológicos. Na prevenção
estrutural importa aplicar os
normativos legais em vigor; avaliar
os resultados das medidas;
trabalhar em novas políticas para o
ordenamento, a gestão e a
valorização económica e social da
floresta; implementar novos
modelos de gestão territorial, com
incentivos ao cultivo de áreas
abandonadas com aptidão agrícola.
É preciso transformar a
economia no mais importante
factor de resiliência do território.
E
Adelino
Mendes
Geógrafo e Gestor
20 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Economia
Sobrecarga e falta de perspectivas
levam trabalhadores à exaustão
Trabalho A degradação das condições laborais está a traduzir-se no agravamento das situações de
stress e de esgotamento dos trabalhadores, com impactos na produtividade das organizações
RICARDO GRAÇA
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
T José tem cada vez mais dificuldade em desempenhar as suas tarefas na empresa de plásticos onde
trabalha. Sente-se pressionado com
tanto trabalho, cansado física e
psicologicamente, e não vê da parte dos superiores hierárquicos grande reconhecimento pelo seu esforço. Este profissional integra a
cada vez maior percentagem de
pessoas que a Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional (APPSO) aponta como estando em situação de risco.
Um estudo da APPSO, apresentado a semana passada à Comissão
Parlamentar de Saúde, revela que
73% dos inquiridos (38791 no total,
dos quais 24493 do sector privado)
apresentavam risco moderado de
exaustão. Por outro lado, 89% encontravam-se em risco elevado no
indicador energia (sentem que não
têm energia suficiente para fazer
face aos desafios colocados).
O trabalho revela ainda que, entre 2008 e o ano passado, vários indicadores se agravaram: subiu de
36% para 62% a percentagem de
trabalhadores em situação de stress
e passaram de 9% para 15% os casos diagnosticados de burnout (esgotamento).
Outro indicador que, segundo a
associação, é revelador do mal-estar que se vive nas organizações é
a intenção de abandonar o emprego (turnover), que está a aumentar
e que tem impacto na produtividade. Em 2008, cerca de 35% das
pessoas manifestavam esta vontade, quando agora são 78%. De acordo com os resultados do estudo, o
sector público apresenta piores resultados do que o privado em todas
as variáveis analisadas.
Segundo o documento, as mudanças na natureza e conteúdo do
trabalho, incorporando novas tecnologias, maior flexibilidade, extrema competitividade e alterações
das características dos próprios locais de trabalho, estão na origem do
cenário apurado. “A globalização e
maior abertura da economia, a facilidade de mobilidade dentro do
espaço europeu e a presente crise
económica originaram novos modelos de trabalho com repercussões
nas características laborais e na
qualidade de vida e bem-estar psicológico do trabalhador em Portugal”, lê-se no estudo.
A situação económica, política e
Cerca de 60% dos inquiridos prevê crescimento do stress no trabalho nos próximos anos
financeira do País tem impactos
nas pessoas e na sua energia, concorda João Paulo Pereira. Mas para
o presidente da APPSO, o que realmente contribuiu para o agravamento da situação foram as mudanças: nas organizações, no modelo de trabalho e nas exigências
pessoais no trabalho. “As pessoas
não estavam culturalmente preparadas”, diz o especialista, apontando como exemplos de mudança
os novos regimes de relação laboral,
os open office e o teletrabalho. Por
outro lado, as pessoas “sentem-se
cada vez menos recompensadas”,
seja em termos salariais seja ao nível do reconhecimento.
Esta situação leva a um sentimento de “sobrecarga” que contribui
para a exaustão. Para ela contribui
igualmente a falta de perspectivas. “A
pessoa não está bem, sonha com algo
melhor, mas não consegue ou tem
medo de mudar, e por isso também
não investe naquilo que tem”, aponta João Paulo Pereira.
Para as empresas, as consequências do cenário apurado no estudo
Os números
38791
foi o número de inquiridos no
trabalho da associação. Destes,
24493 eram trabalhadores do
sector privado
92
por cento dos inquiridos
apresentam risco elevado no
indicador implicação, ou seja,
não se sentem suficientemente
implicados nas tarefas laborais
“são graves”, quer no que diz respeito à produtividade, que baixa,
quer no que se refere aos custos,
que aumentam. “Se as pessoas trabalham em piores condições podem
aumentar os acidentes, faltam e
torna-se um ciclo vicioso”. E se
não faltam mais – o estudo concluiu
por uma manutenção deste indicador – é porque “não podem abdicar
de rendimentos que lhes fazem
muita falta”, frisa o especialista em
work-engagement, burnout e stress.
Ao consultório de João Borges
Lopes chegam cada vez mais pessoas com diagnóstico de depressão,
“mas que na verdade sofrem de
burnout”. Na origem destes casos –
que “têm aumentado muito significativamente” - estão as relações
inter-pessoais em contexto de trabalho, aponta o especialista em psicologia do trabalho. “Em muitas
empresas falta pessoal, as pessoas
têm mais trabalho e o grau de exigência não é compatível com o grau
de motivação”.
Também este investigador em
saúde ocupacional diz que por trás
desta problemática está um mundo
do trabalho que é hoje “muito exigente e dinâmico”, para o qual os
profissionais precisam de uma estrutura de competências diferente
da do passado. “O novo paradigma
impõe mudanças a todos os níveis
e nem todos estão preparados”,
diz João Lopes, que considera mesmo que a mudança veio para ficar.
Mas o presidente da APPSO entende que a situação “não é uma
fatalidade”. Há práticas que as empresas podem adoptar para minimizar os impactos daquele cenário.
Na área da formação, por exemplo,
e sem “gastar muito”, podem apostar em acções que ajudem a “atenuar e inverter a espiral negativa”.
Podem ainda envolver os trabalhadores, criando um compromisso organizacional top down, ou
seja, desde os níveis de topo aos inferiores. “As organizações saudáveis não são as que não têm doentes, mas as que criam condições
para fazer face aos desequilíbrios
que vão surgindo”, frisa João Paulo Pereira.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 21
Economia Leiria Global
Recursos humanos em debate na Nerlei
Construção de uma empresa baseada na
valorização dos recursos humanos é o tema sobre o
qual falará Joaquim Tarré, vice-presidente da
Gelpeixe, numa conferência que se realiza na
próxima quarta-feira, às 18 horas, na Nerlei, em
Leiria.
Metalmarinha vende mais de 90% da sua produção no exterior
Exportação de resíduos metálicos
chega à China e à Índia
DANIELA FRANCO SOUSA
Daniela Franco Sousa
[email protected]
T Marco Pereira fundou a Metalmarinha em 2002 para se dedicar
ao comércio internacional de resíduos metálicos, negócio onde havia de resto uma certa tradição
familiar, na Marinha Grande. Em
poucos anos, a actividade da empresa cresceu de forma significativa, e hoje, a partir das instalações
de Brejo da Água, no concelho Alcobaça, a Metalmarinha exporta já
cerca de 90% dos resíduos metálicos quer para destinos mais próximos, como Espanha e Alemanha, quer para paragens distantes
como Índia e China. Emprega 19
colaboradores.
Com escritório na Marinha Grande e armazém no concelho de Alcobaça, a Metalmarinha dedica-se à recolha de resíduos metálicos,
que adquire junto de outras empresas, desde alumínio, bronze,
níquel, cobre, inox, latão ou tungsténio, passando ainda por resíduos eléctricos e electrónicos.
Compra, selecciona, prensa e revende os resíduos de acordo com
as necessidades dos clientes. E,
através de outsoursing, executa
também transformação de latão
em barras e lingotes, que comercializa a partir das instalações situadas em Avintes.
Apesar de ter registado no ano
passado um volume de negócios
inferior ao de 2012, justificado pelo
fundador e director-executivo da
Empresa sediada na Marinha Grande emprega 19 colaboradores
O número
55
Milhões de euros foi o volume
de negócios registado pela
Metalmarinha em 2013
empresa com a diminuição do preço médio dos metais, a empresa de
Marco Pereira alcançou mesmo assim negócios na casa dos 55 milhões de euros.
Este limite foi também determinado pela actuação das próprias seguradoras que decidiram baixar
os tectos dos seguros prestados às
suas empresas clientes, salienta o
director-executivo. A Metalmarinha optou por não correr riscos e
vender apenas até aos montantes
cobertos pelos seguros, nota o empresário.
Apesar da conjuntura de crise,
projectos não faltam à Metalmarinha, que pretende investir tanto
na unidade de Brejo de Água como
em Avintes. Na calha está o projecto de construção de um novo
armazém, junto ao existente, no
concelho de Alcobaça, equipado
com máquina compactadora au-
tomática e linha de separação de
resíduos. Este investimento, orçado em cerca de 250 mil euros,
resultará na criação de mais três
ou quatro postos de emprego,
adianta o responsável pela empresa. Em Avintes está também
prevista a transferência para um
novo armazém, de maior dimensão, um investimento que rondará os 300 mil euros, expõe Marco
Pereira.
Marco Pereira, director-executivo
“O nosso sistema alfandegário é o mais complicado da Europa”
T Que constrangimentos tem esta
actividade, que tanto depende
pelo transporte das mercadorias?
Os custos com os portos e com os
transportes marítimos em Portugal
são algo completamente surreal.
Recentemente, durante a greve
dos portos, tivemos cerca de 30
contentores no Porto de Lisboa,
que ficaram lá parados dois meses.
Acabámos por ter de pagar para os
transferir para o Porto de Leixões.
Ter milhões de euros de material
parado também causa contratempos aos clientes. Nunca sabemos se
os contentores que temos no Porto de Lisboa embarcam ou não,
por causa das greves. Além disso,
o nosso sistema alfandegário é o
mais complicado da Europa.
Porquê?
É um sistema muito burocrático,
JOANA CARRIÇO
que apresenta mil e uma complicações. Presentemente, temos
mais de vinte contentores vendidos a uma empresa da Europa,
que não está a conseguir importá-los, porque não entende as nossas
leis alfandegárias. Em causa está
uma empresa que está habituada
a comprar em Espanha, França ou
Alemanha, onde os sistemas alfandegários são muito idênticos,
mas que em Portugal encontra uma
série de condições diferentes para
importar.
Essas condicionantes têm afectado a nossa imagem no exterior?
Passamos a imagem de que não é
fácil trabalhar em Portugal. Muitas
vezes perdemos clientes, que preferem desistir dos negócios a resolver tantos problemas.
E em Portugal, é já diferente a
imagem sobre quem trabalha com
resíduos?
Por trabalharmos com sucata, havia algumas reticências na forma
como éramos percepcionados. No
entanto, com a tendência crescente para reciclar, começámos a
ser vistos de outra maneira. O
problema prende-se agora com os
roubos de cobre, que criam uma
imagem um tanto ou quanto deturpada sobre as empresas. Há
empresas que, como nós, tentam combater o problema. Instalámos câmaras de vídeo-vigilância nas nossas instalações e filmamos todos aqueles que chegam, assim como todos os materiais que são descarregados, no
sentido de dissuadir ao máximo
a entrada de resíduos de proveniência duvidosa. É também por
essa razão que não compramos
materiais a particulares, mas só a
empresas devidamente licenciadas. A nova lei também vem ajudar, porque é mais apertada e
exige a identificação de quem
vende, assim como da proveniência dos materiais.
22 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Economia
Girândola com nova loja na Batalha
Abriu no final de Fevereiro no Edifício Avis, na
Batalha, uma loja Girândola. O espaço vende
roupas e acessórios “100% feitos em Portugal”,
para bebés e crianças até aos 12 anos.
Empresa da Marinha Grande em parceria com Centimfe
Leiria
Planimolde desenvolve pedaleiro
inovador para bicicletas
Aricop certificada
pela DGERT para
fazer formação
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
T A Planimolde, empresa de moldes da Marinha Grande, está a desenvolver um pedaleiro de baixo
peso, materiais diferentes dos
habituais e novo design que, num
conceito inovador, poderá ser
usado tanto em bicicletas de
montanha como de estrada. Pretende-se que o produto, que deverá chamar-se BestCRANK, chegue ao mercado até ao primeiro
semestre de 2015, revela Telmo
Ferraz, director-geral da empresa.
O desenvolvimento do produto
está a ser feito em parceria com o
Centimfe e com a Tomazzini, empresa nacional distribuidora de
acessórios e produtos para bicicletas. O target do novo produto
é o mercado profissional e de
média e alta gama. Neste momento estão a ser criados modelos 3D e a ser feitos estudos de automação e resistência de materiais.
“O projecto nasce por acção de
um quadro superior da empresa,
que nos propõe investigar e desenvolver um novo produto fora
Produto deverá
estar no mercado
no próximo ano
da fabricação de moldes, usando
saberes, tecnologia e equipamentos que existem na empresa”, explica o empresário.
“Em termos de rentabilidade, o
que se pretende numa primeira
fase é tão só dar maior ocupação
aos equipamentos de alta tecnologia instalados ou a instalar na
empresa, aproveitando períodos
de menor carga, fabricando automaticamente este novo produto que, para ser fabricado,
Empresa de tecnologias de Leiria
aproveita saberes acumulados
na empresa na área da modelação
e metodologias de maquinação
de diferentes materiais”, adianta Telmo Ferraz.
O projecto foi aprovado para
apoio ao investimento pela Agência de Inovação Adi e co-financiado pelo Compete e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento
Regional, revela o empresário,
sem contudo adiantar o valor do
investimento elegível.
Com 50 trabalhadores, a Planimolde exporta 90% da sua produção de moldes que destina aos
mercados da Alemanha, Áustria,
Suécia, Noruega e França. Telmo
Ferraz prevê que 2014 seja de
crescimento, “porque há uma
recuperação da economia europeia”, principalmente da alemã.
“Quando a Alemanha recupera,
tudo cresce ou, pelo menos, não
decresce”, afirmou à revista Gestão PME.
Para atrair mais turistas à região
inCentea premiada por boas
Turismo Centro de Portugal
práticas nos recursos humanos quer rede de programação
T As boas práticas de gestão de
pessoas da inCentea foram reconhecidas na terceira edição
dos Masters Capital Humano, que
decorreu recentemente no âmbito da Expo RH. A empresa de
Leiria recebeu o prémio na categoria de Melhor política de integração e promoção do bem-estar,
revela em comunicado. Foram
distinguidas quatro outras empresas, em outras tantas categorias.
O prémio agora atribuído à inCentea destina-se às organizações que demonstrem que “o desenvolvimento de uma política
de promoção de integração social
e do bem-estar dos colaboradores
teve um claro impacto na performance da organização, quer ao
nível da motivação quer ao nível
da retenção dos colaboradores”.
Para Raquel Rita, directora de
recursos humanos da inCentea,
este prémio significa que o caminho que a empresa tem percorrido ao nível da cidadania em-
presarial “vai no bom sentido”.
Segundo diz, “há práticas, iniciativas e actividades desenvolvidas internamente há já algum
tempo que acabamos por encarar
como naturais e, talvez por esse
motivo, algumas vezes nem lhes
atribuímos o devido valor”.
Externamente, tem havido um
“reconhecimento simpático” dessas práticas, “que são expressão
do nosso compromisso de sermos
socialmente intervenientes, de
incentivar a participação cívica
dos nossos colaboradores e de
apoiá-los enquanto cidadãos responsáveis”.
Foi a primeira vez que a empresa de tecnologias de informação e comunicação concorreu, “numa atitude de simples
partilha” do que tem feito ao nível da conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, igualdade de género, diagnóstico do
clima organizacional, gestão da
diversidade, apoio a causas sociais, entre outras.
T Pedro Machado, presidente do
Turismo Centro de Portugal, defendeu a semana passada na Batalha a criação de uma rede de
programação e gestão cultural que
possa potenciar a região. A ideia é
que esta entidade, com o envolvimento de outros parceiros, como a
Direcção Regional da Cultura e os
municípios, pegue na programação
existente, mas dispersa, e a uniformize, através de uma “agenda
comum”, por forma a promover o
património natural e classificado.
À margem da conferência sobre
os novos apoios comunitários, o
responsável reconheceu que a região Centro não tem “uma rede
instalada que permita ter uma
oferta integrada daquilo que é a diversidade do património” e que,
por isso, faria sentido que a criação
desta rede fosse um dos projectos
a apoiar publicamente.
O presidente do Turismo Centro
de Portugal considera a sazonalidade e a estadia média como dois
problemas da região Centro, que
RICARDO GRAÇA/ARQUIVO
tem uma média de 1,8 noites de estadia média, contra as 2,2 a nível
nacional. Para este dirigente, para
que os turistas fiquem na região é
preciso criar respostas à pergunta:
“O que é que podemos fazer
aqui?”. Lembrou, a este propósito,
que um dos mercados “mais emergentes e com maior crescimento
para a região Centro tem sido o
Brasil” e que o brasileiro “é ávido
de shopping e de programação cultural”.
T A Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria (Aricop) viu recentemente o seu processo de certificação como entidade formadora
aprovado pela Direção-Geral do
Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). Estão abrangidas pela
certificação as seguintes áreas de
formação: secretariado e trabalho
administrativo; enquadramento
na organização/empresa; metalurgia e metalomecânica; electricidade e energia; construção civil e
engenharia civil; segurança e higiene no trabalho. “Apesar da profunda crise que o sector atravessa,
[a associação] procura proporcionar aos seus associados novos conhecimentos e práticas, fundamentais para enfrentarem e vencerem os novos desafios que, assim
desejamos, os próximos tempo
trarão”, aponta a direcção. “Como
também no sector da construção o
futuro exigirá competência, qualidade e recursos humanos habilitados e motivados, serão estes os
parâmetros que balizarão as próximas acções de formação a serem
promovidas pela Aricop”.
Alcobaça
Seminário
incentiva promoção
de inovação
na agricultura
T O Crédito Agrícola de Alcobaça vai
realizar um seminário para promover a cultura de inovação na agricultura, agro-indústria e floresta em
Portugal. O evento está agendado
para o dia 2 de Abril, às 15:30 horas,
no Cine-teatro de Alcobaça. O seminário, que pretende sensibilizar os
participantes para as medidas de
apoio ao investimento, à inovação e
aos jovens empresários rurais, no
âmbito do novo Quadro Comunitário, contará com a presença de Carlos Courelas, presidente do Conselho
Geral e de Supervisão do Grupo
Crédito Agrícola, e por Maria Elizete Jardim, directora regional da Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do
Tejo. Na mesma ocasião, José Fernando Alexandre, presidente do
Conselho de Administração Executivo da Caixa Agrícola de Alcobaça,
vai apresentar o Prémio Inovação
Crédito Agrícola – Agricultura, AgroIndústria e Floresta, que pretende
contribuir para a disseminação de
uma cultura de inovação no sector
primário.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 23
Economia
Concelho apresenta nova “identidade agregadora”
Marinha Grande
Marinha assume-se como centro de engenharia
Centimfe e IEFP
assinam protocolo
para formação
profissional
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
T Reforçar o posicionamento estratégico, corporizar a identidade industrial,
promover uma política de promoção
agregada e potenciar a visibilidade
“inovadora e integradora” são alguns
dos objectivos da identidade criada
para promover a Marinha Grande.
A marca, Marinha Grande – centro
da engenharia & design, pretende traduzir a imagem que o concelho tem
hoje nos mercados, nomeadamente
externos, onde é conhecida por ser
“geradora de produtos e projectos
inovadores e tecnologicamente avançados”, já que “desenvolve e implementa conceitos como a inovação, design e criatividade, que se constituem
como uma vantagem competitiva”,
lembrou Álvaro Pereira na sessão de
apresentação da nova identidade, na
segunda-feira.
“O trabalho de excelência desenvolvido pelo tecido empresarial do
concelho faz com que a Marinha
Grande seja conhecida no estrangeiro, junto dos mercados de vanguarda
com quem trabalha. Neste contexto,
pretendemos garantir o reforço do território como região propícia ao desenvolvimento de negócios”, acrescentou o presidente da câmara.
O autarca explicou que a definição
de uma marca para o território “de-
Escola tem 20 cursos previstos este ano
D. Dinis Business School quer ser
instituto de referência no Centro
Veja
anúncios
de
emprego
na página
Vítor Hugo Ferreira
visto o começo de quatro cursos: Liderança e Gestão de Equipas, Estratégias de Internacionalização, Marketing para PME e Programa Executivo Agroindústria, de acordo com informação disponível no site.
Durante o ano passado foram realizados seis cursos de formação executiva, no qual participaram cerca de
70 pessoas, sobretudo empresários,
quadros intermédios e superiores,
revela o director executivo da DDBS.
O responsável reconhece que o ano de
arranque de uma instituição “é sempre difícil”, porque é preciso “ganhar notoriedade”, mas acredita que
a escola já conseguiu criar uma boa
imagem e está a responder às necessidades do tecido empresarial.
T O Centimfe e o Instituto de Emprego e Formação Profissional
(IEFP) assinam amanhã às 16 horas,
nas instalações do centro tecnológico da Marinha Grande, um acordo de cooperação para o desenvolvimento de um projecto no âmbito da formação profissional. O
Tooling Vida Activa – projecto, programação e tecnologias de produção
resulta de uma parceria entre estas
duas entidades e tem como objectivo a dinamização de um conjunto de acções de formação profissional (técnica e tecnológica), direccionadas para licenciados desempregados, promovendo a sua
requalificação profissional por forma a aumentar a taxa de empregabilidade, em especial nas indústrias de moldes de plásticos, explica o Centimfe.
PUBLICIDADE
27
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
T Ser uma “alavanca para a competitividade das empresas” é um dos
grandes objectivos da D. Dinis Business School (DDBS), em Leiria, cuja actividade lectiva foi iniciada há cerca de
um ano, período do qual Vítor Hugo
Ferreira faz um balanço “muito positivo”. “Estamos a conseguir atingir os
objectivos a que nos propusemos, a
estender as parcerias e a ser um instituto de referência na região Centro”,
aponta o director-executivo.
Os responsáveis da escola de negócios acreditam que 2014 será um
ano de consolidação deste projecto direccionado a empresários, gestores,
quadros e empreendedores da região
Centro. Para este ano o catálogo da
oferta formativa conta com uma panóplia variada de propostas, num
total de cerca de 20 cursos, entre
formação executiva, pós-graduações,
cursos de pequena duração e formação à medida de cada empresa.
“Depois do sucesso da primeira edição”, voltou a ser lançado o curso de
Gestão para PME actualmente a decorrer. Já iniciado foi também o de
Controlo de Gestão. Para hoje está
previsto o arranque do curso de Administração de Insolvências; em Maio
prevê-se o início da acção sobre Criação e Gestão de Negócios de Turismo;
em Setembro deverá arrancar um
Mini-MBA e para Outubro está pre-
corre da necessidade identificada
pelo município e pelos diversos agentes económicos de afirmar a região de
acordo com as suas características diferenciadoras”, realçando que o concelho é um espaço “pleno de potencialidades”. Agora, “o maior desafio
é continuar a afirmar o nome da
Marinha Grande como território de
excelência, rigor, inovação, trabalho
e vanguarda tecnológica”, acrescentou Álvaro Pereira.
A acompanhar a designação Marinha Grande – centro da engenharia
& design, a nova identidade apresenta uma imagem composta por
“um conjunto de linhas que caminham para o centro”, reflectindo o
“fluxo de pessoas, ideias, perspectivas, em busca de um único objectivo comum, explicou na apresentação Pedro Jerónimo, técnico da
autarquia.
“As cidades, as regiões, são hoje
como produtos. Como tal, devem ter
uma identidade, que deve ser comunicada”, disse na ocasião Vítor
Hugo Ferreira. O docente do Politécnico de Leiria lembrou que, neste caso, se trata de um produto
“complexo, com história”, aspectos
que influenciam a comunicação.
Por outro lado, referiu, criar e afirmar uma identidade “não acontece
de um dia para o outro”. “Demora
tempo e implica investimento”.
Para saber
como
anunciar na
secção de
classificados
do Jornal de
Leiria ligue
244 800400
24 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Economia
Sessão na Batalha sobre fundos comunitários
Produtividade e eficiência energética
prioritárias no novo quadro de apoio
Portugal 2020
Mais de 2,1 mil
milhões para o Centro
Os custos energéticos “podem
colocar em causa” a competitividade das empresas e o relançamento
da economia, reconheceu no evento a oradora, lembrando que o Estado tem um papel importante nesta matéria, mas cabe também às
empresas investir em processos produtivos mais eficientes energeticamente. Por isso, a eficiência energética é uma área prioritária de
apoio, quer para projectos apresentados por empresas quer por municípios, disse Ana Abrunhosa.
O presidente do IAPMEI, Miguel
Campos Cruz, frisou que “este é o
momento de olhar para os vários
sistemas de incentivo e para a forma como os podemos gerir”, defendendo a importância da simplificação. Defendeu que “faz todo
o sentido” olhar para as empresas
a apoiar e diferenciar em função
dos níveis de risco. O responsável
disse ainda que se espera que as
candidaturas abram no segundo semestre do ano.
Competitividade, internacionalização, eficiência energética e inovação
são “palavras-chave” a ter em conta
pelas empresas que pretendam ter
acesso a incentivos no âmbito do
novo quadro estratégico, frisou Ana
Abrunhosa numa sessão de esclarecimentos realizada a semana passada
na Batalha.
No evento, subordinado ao tema O
novo quadro estratégico europeu 20142020, oportunidade económica - novos
desafios para as empresas, a vogal
executiva do programa Mais Centrofrisou que este quadro europeu denota
uma “preocupação muito grande”
com o desemprego, a coesão social e
territorial. No que toca às empresas, internacionalização e competitividade
são as linhas orientadoras.
A melhoria da competitividade é,
para aquela responsável, um dos desafios das empresas portuguesas. Por
isso, deixou um alerta: “não é no cus-
to da mão-de-obra que pode ser encontrada a solução para o problema da
produtividade. Um país com mão-deobra barata é geralmente de baixa
produtividade”. Para aumentar este
indicador, e além da tecnologia, “é necessário investir em modernização,
métodos de gestão e organização”.
Para Ana Abrunhosa é ainda preciso “aproximar a academia e os centros
de investigação às empresas”, para
que haja transferência de conhecimento. “Estas entidades são fundamentais para o reposicionamento
das empresas na cadeia de valor”.
“Componente importante” da competitividade, a inovação não pode
igualmente ser descurada. Portugal
está já “bem posicionado” no que toca
ao investimento em Investigação &
Desenvolvimento, “mas os resultados
ainda ficam aquém” do desejado. “O
desafio não se prende tanto com o investimento, mas com a melhoria do
processo de transferência do conhecimento, para que haja criação de riqueza”.
Alcobaça
Lis, em Leiria, e Cela, em Alcobaça
Dino’s abre
estúdio feminino
em Leiria
Regadios classificados como
projectos de interesse regional
Há duas décadas na Benedita, há
dez anos em Alcobaça, no final
deste mês em São Martinho do
Porto e a partir de Abril em Leiria
(Avenida Marquês de Pombal),
onde a Dino’s Health & Fitness
Centers vai abrir um ginásio feminino, com o nome Chic by Dino’s. “O conceito de fitness é muito mais alargado do que aquele
que tem chegado ao grande público e para o grupo Dino’s esta
questão adquire uma grande importância, tornando-se assim fundamental abrir e alargar este conceito”, explica Dino Pedras, responsável da empresa. “Trata-se de
um conceito de treino funcional
onde iremos utilizar padrões de
movimento do quotidiano feminino, como pegar no bebé ao colo,
empurrar o carrinho das compras
ou tirar objectos de um armário e
transformá-los em programas de
exercício e treino”, explica o empresário, confessando que a abertura do espaço representa um
grande desafio. Em Alcobaça, o espaço vai receber entretanto equipamentos de última geração, resultado de um investimento na ordem dos 170 mil euros.
“O elevado interesse destes empreendimentos para o desenvolvimento agrícola das respectivas regiões
impõe a sua classificação como obras
de aproveitamento hidroagrícola de
interesse regional”. Foi esta a justificação para a classificação dos regadios
do Vale do Lis, em Leiria, e da Cela, no
concelho de Alcobaça, no início deste mês, em Conselho de Ministros.
Henrique Damásio, da Associação
de Regantes do Vale do Lis, diz que a
associação está ainda a tentar perceber o que significa esta classificação
e que impactos práticos poderá ter naquela obra de aproveitamento hidroagrícola, que abrange 2145 hectares (cerca de 11 mil parcelas), distribuídos por perto de quatro mil proprietários.
Para Carlos Malhó, presidente da
Associação de Beneficiários da Cela,
a classificação “é o reconhecimento
que faltava, sendo mais uma prova de
que o perímetro da Cela tem os melhores campos de Alcobaça e Nazaré”.
Também Paulo Mateus, presidente da Junta de Freguesia da Cela, entende tratar-se de “um reconhecimento do trabalho que os agricultores têm desenvolvido ao longo dos
anos”, sublinhando o valor do espa-
Raquel de Sousa Silva
[email protected]
No nosso País, o novo quadro
(chamado Portugal 2020) estrutura
as intervenções, os investimentos e
as prioridades de financiamento
fundamentais para promover o
crescimento “inteligente,
sustentável e inclusivo” entre 2014
e 2020, no pressuposto de que hoje
o principal défice não é de
infraestruturas “mas sim de
competitividade”. Por isso, o
primeiro objectivo para a aplicação
dos fundos é a “dinamização de
uma economia aberta ao exterior,
capaz de gerar riqueza de maneira
sustentada”. O quadro está
estruturado em quatro programas
operacionais temáticos e cinco
programas operacionais regionais,
entre outros. Para o PO Centro
estão disponíveis 2,1 mil milhões
de euros.
A quarta edição do workshop Os sete
hábitos das pessoas altamente
eficazes com ferramentas criativas
decorre sábado, entre as 15 e as 18
horas, na Arquivo Livraria, em
Leiria. Será orientado por Sandrina
Leal e Djanira Costa e tem como
objectivos despertar e desenvolver
as capacidades já existentes no
indivíduo e consolidar o
conhecimento através das
ferramentas criativas (pintura,
modelagem e corte e colagem).
Abertura “Pão com
tradição” em nova
padaria na Barosa
Foi inaugurado sábado passado
na Barosa, Leiria, um novo espaço
onde é possível comprar pão
“acabadinho de sair do forno”,
com “sabor a tradição”. Trata-se
da Padaria Antiga, projecto
familiar que nasce da necessidade
de preencher uma lacuna
existente na zona, onde não havia
nenhuma padaria com fabrico
próprio, apontam os
responsáveis. O novo espaço
“promete redescobrir o conceito
de padaria de bairro”, com pão e
bolos tradicionais.
Jornadas Escola
Profissional de Leiria
debate emprego
ARQUIVO/JL
Obra do Vale do Lis abrange 2145 hectares de terreno
ço mas também dos solos, “que em
termos de matéria orgânica são muito superiores aos da região e até do
País”. O autarca quer acreditar que
“isto significa ainda o acelerar do
processo da requalificação do regadio,
que já se arrasta alguns anos”.
Da mesma ambição partilha Paulo Inácio, presidente da Câmara de
Alcobaça. “Esta classificação vem ao
encontro do projecto de sete milhões de euros para o regadio”,
acrescentando que “se trata de uma
Leiria Workshop
ensina hábitos para
aumentar eficácia
candidatura estratégica e vital para
o concelho”.
O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural,
Francisco Gomes da Silva, em Fevereiro, aquando da visita aos campos
da Cela, Bárrio e Valado dos Frades,
depois da intempérie, reiterou a garantia relativamente à aprovação da
candidatura ao PRODER para a reabilitação do aproveitamento hidroagrícola da Cela, pelo que a obra deverá
avançar até ao final do ano.
Debater temáticas com
incidência sobre o ensino
profissional, quer do ponto de
vista técnico e institucional, quer
no âmbito das áreas de
empregabilidade e perspectivas
futuras é o objectivo das IV
Jornadas da Escola Profissional
de Leiria, que se realizam nos
próximos dias 24 e 25, no
auditório do Isla. Cozinha,
pastelaria, climatização, energias
renováveis e electrónica são
algumas das áreas em análise.
Ourém Feira estimula
actividades
do mundo rural
A III Feira dos produtos da terra
decorre nos dias 29 e 30 em
Ourém e tem como principal
objectivo estimular e apoiar os
agentes económicos ligados às
actividades relacionadas com o
mundo rural. Além dos “muitos e
bons produtos” produzidos na
região, será ainda possível contar
com animação no Centro de
Negócios.
Economia Motores
Classe A e GLA no centro histórico de Leiria
Mercedes com novos
modelos à conquista
de outros mercados
GRAÇA MENITRA
Marca animou cidade no passado fim-de-semana
Graça Menitra
[email protected]
T A dança e a música animaram, em
Leiria, a apresentação nacional dos
novos modelos Classe A e GLA da
Mercedes – Benz. A festa, organizada
pela Sodicentro, empresa concessionária na região desta marca, decorreu no passado fim-de-semana, no
Mercado de Sant’Ana. O objectivo, segundo Sérgio Gil, director comercial
da Sodicentro, foi sair do espaço habitual da concessão e vir até ao centro histórico da cidade, desenvolvendo não só a actividade comercial
mas trazendo também alguma animação. Ainda segundo este responsável, para fazer face à conjuntura
económica, a marca Mercedes tem,
nos últimos anos, alargado o seu espectro de vendas e mercados alvos,
com outro tipo de produtos que,
sem perderem o denominador comum da marca e dos seus valores
(exemplo da fiabilidade e elegância), tenta chegar a mais públicos, designadamente com preços mais baixos. Essa mudança começou em
2012, com o lançamento do novo
Classe A, a que se seguiu quer o SLA,
lançado em 2013, quer agora o GLA,
com incidência para segmentos para
quem a Mercedes antes não tinha produto. Já relativamente ao Classe C é
diferente, porque se trata de um produto tradicional da marca mas que
também tem vindo a evoluir ao longo do tempo, pelo design e inovação,
indo buscar públicos ao segmento
médio-alto, antes direccionados para
marcas concorrentes. Em 2013, as
vendas da Mercedes cresceram acima
da média nacional e em 2014 essa subida está a acentuar-se ainda mais.
Estas acções fora do concessionário,
ainda segundo Sérgio Gil, têm a mais
valia de fazer também um certo tipo
de desmistificação em relação à marca Mercedes.
No fim-de-semana, no Mercado de Sant'Ana
Equipa de Formula Student
apresenta-se em Leiria
T Equipa de Formula Student do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) irá
apresentar-se ao público este fim-de-semana, dias 22 e 23 de Março, no
Mercado de Sant'Ana, em Leiria. O
evento destina-se a apresentar a equipa, as competições e o protótipo do
automóvel de competição da FSIPLeiria, equipa de Formula Student do
IPL. Paralelamente, acontecem também várias oficinas temáticas. Além
disso, durante o evento, vários espaços darão a conhecer o trabalho de
cada departamento, havendo ainda
um espaço dedicado aos mais novos
onde lhes será proposto desenharem
a sua interpretação do veículo e experimentarem conduzir o original
em versão digital. Integram a FSIPLeiria 62 alunos, de vários cursos das
escolas superiores do Politécnico, participando em várias categorias da
competição. A Formula Student é
um dos maiores eventos de desporto automóvel estudantil de todo o
mundo, sendo que a competição
visa, não apenas, o desempenho do
carro nas provas, mas também toda
a sua concepção e construção, incluindo a sustentabilidade, viabilidade, produção e plano de inserção
no mercado.
PUBLICIDADE
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 25
26 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Economia Opinião
O óbvio custa muito a compreender!
sto de ser cronista amador de economia está a
tornar-se um pesadelo. Não há assunto, as
novidades não existem e os protagonistas são cada
vez mais cinzentos. A teoria económica estiolou
desde as discussões apaixonantes sobre economia
iniciadas há 80 anos atrás. O que existiu de novas
teorias económicas é comparável ao fado, ou seja
variações de letra sobre temas musicais básicos: fado
corrido, fado-canção, fado vadio, fado menor, etc. até
às aparentes novas categorias de fado dos nossos
tempos. Como se dizia na minha aldeia nos tempos da
grafonola do clube lá da terra: “vira o disco e toca o
mesmo!” O clube só tinha dois ou três discos e,
portanto, tínhamos que dançar toda a noite ao som
fanhoso da mesma música. Fartos do mesmo velho
disco de 78 rotações sempre louvando as virtudes da
austeridade, apareceu há dias um grupo de 70
notáveis com uma nova música: temos que pedir a
renegociação da dívida para nos tirarem a corda do
pescoço! Confesso que não tenho opinião formada
sobre as virtudes desta solução por estarmos nas mãos
de uma rede internacional de malfeitores,
exactamente aqueles que provocaram a Grande
Recessão de 2008, ou seja os tais mercados compostos
por especuladores financeiros de variadas
proveniências incluindo os banqueiros, embora nutra
uma enorme admiração por alguns dos subscritores
desse manifesto, a começar por Adriano Moreira. É
evidente que me parece racional que, para quem é
sério e quer pagar a dívida, peça mais prazo e juro
mais baixo para poder honrar os seus compromissos
sem definhar de fome e de angústia. Contudo, estou
inclinado a pensar que, no contexto do pensamento
europeu dos nossos dias e da ditadura dos chamados
I
Manuel
Gomes
mercados, continuaremos com a corda ao pescoço
pelos próximos 20 anos ou mais como muito bem diz,
finalmente, o Presidente da República no prefácio ao
novo volume dos seus “Roteiros”. Claro que estes dois
documentos perturbaram muito o nosso Primeiroministro já embalado para uma nova vitória eleitoral à
força de passar continuamente o velho disco do fado
corrido, cantando as alegrias do regresso aos
mercados à custa da espoliação dos mais pobres. E
logo ele, o nosso Grande Líder, que nem vai querer um
programa cautelar após a saída dos burocratas da
troika, armados em quadros de grande inteligência
porque ganham bem e saem cedo mas não percebem
nada da vida. Mas, como disse Tom Peters (mais ou
menos) “se o óbvio fosse assim tão óbvio, toda a gente
o faria”. E o óbvio foi dito pela excelente economista
Teodora Cardoso, Presidente do Conselho de Finanças
Públicas (e crítica do Manifesto dos 70), sempre com o
seu aspecto humilde do tipo “dona de casa”, em
recente entrevista à Agência Lusa: "Ficamos mais
seguros se tivermos um programa cautelar"
acrescentando que as incertezas em torno deste tipo
de assistência financeira não são necessariamente
negativas: "Podemos jogar exactamente com isso
porque, como não se sabe muito bem o que é, será
muito aquilo que for negociado". Pois é, caros leitores,
tenhamos esperança! Ainda há gente inteligente,
sensata e bem-intencionada no nosso País,
independentemente de estarmos sempre de acordo
ou não com as suas opiniões. É pena que sejam os
últimos representantes de uma elite admirável, num
país hoje dominado pelos carreiristas das “jotas” do
Centrão.
Economista
Mais um
iscutiu-se (?) muito nos últimos dias um certo
manifesto de umas dezenas de indivíduos,
sobre uma qualquer dívida de não sei quem.
Como é característico de indivíduos que
apreciam e apelam ao consenso, o Primeiro-ministro
apressou-se a explicar que aquela coisa era um
disparate masoquista. E nem precisou de ler o
documento para concluir que aqueles indivíduos de
extrema esquerda – como o presidente da CIP, da CCP,
Bagão Félix, Adriano Moreira ou Anacoreta Correia –
estavam à procura de protagonismo político e não eram
patriotas! Uma reacção em linha com a actuação
recente do PM: ainda há algumas semanas amuou no
Parlamento. Faz sentido portanto que José Gomes
Ferreira se tenha apressado a mandar calar os setenta e
tal indivíduos para deixar “a nova geração” resolver
estes problemas.
E, para além de todas estas cortinas de fumo, o que
dizia o Manifesto: Preparar a reestruturação da dívida
para crescer sustentadamente? Pouca coisa nova. Que é
fundamental conjugar crescimento económico e
criação de emprego para assegurar a coesão nacional e
assim poder pagar a dívida pública portuguesa. E que
isto só se consegue se mudarmos as condições da
dívida a que nos comprometemos. O argumento
simplificado é que o brutal serviço da dívida (os juros
que pagamos todos os anos) superior a € 8.000 milhões
– mais que TODO o orçamento do Ministério da Saúde –
impede todas as políticas de estímulo à economia e de
melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Juntando
a este montante anual (crescente!) a amortização
(devolver a quantia que nos emprestaram) que será
necessária fazer nos próximos anos, rapidamente
compreendemos porque a dívida é insustentável nestas
circunstâncias. E são feitas propostas para ultrapassar
este problema: redução da taxa média de juros,
D
Nuno
Reis
alargamento do prazo de pagamento e mutualização da
dívida à escala da UE. Não pagar? Não é o que leio no
documento.
As reacções dos fãs da austeridade não se fizeram
esperar. Os mesmos que clamam por consensos entre
os partidos políticos apressaram-se a desvalorizar um
documento assinado por personalidades de todos os
espectros políticos, todas as classes profissionais e
experiências de vida diversas. Argumentando que este
é o caminho correto (Carlos Moedas dixit) e que a
dívida é pagável – agora que se aproxima de 140% do
PIB e com a economia aos níveis de 2000 mas em
escombros, ao contrário do que acontecia quando a
dívida era “só” 90% do PIB. Para estes nefelibatas a
austeridade está a resultar e o país está melhor, mesmo
que as pessoas estejam pior. Sobretudo, livre-nos Deus
de “Os mercados” ouvirem esta gente anti-patriota:
ainda podem seguir a reacção do nosso PM e fazer uma
birra. Cito, a propósito deste caminho, o Professor
Viriato Soromenho Marques (DN, 13/03/2014): “O país e
a Europa só poderão sobreviver se forem resgatados de
líderes medíocres, com fobia da verdade”.
Não ouso colocar-me em bicos de pés e afirmar que
também subscreveria um manifesto repleto de gente
experiente, qualificada e com larga experiência na vida
política, empresarial e académica. Nem tampouco
consigo dizer que o caminho que o Manifesto dos 70
propõe é o certo ou sequer se é possível. Sei, contudo,
que este caminho da austeridade não permite resolver
a situação sem que nos tornemos no Vietname da
Europa. Aprendi, como todos os portugueses, que
assim estão a destruir o país e não só a vida das pessoas.
Sou, apenas, mais um a considerar que esta situação é
insustentável.
Professor e investigador
Destruição Criativa
a passada semana, Bill Gates
declarou que muitos dos
empregos que existem hoje
serão feitos por
robots/software. No mundo moderno,
a pressão para a automação tem
partido da possibilidade de substituir
recursos humanos (tendo em conta o
valor acrescentado gerado por estes),
ponderando os custos do trabalho a
longo prazo. Por exemplo, na tarefa de
embalar um produto, a empresa pode
ter um incentivo racional para
comprar uma máquina de
embalamento. Alguns economistas
afirmam que salários baixos, para
tarefas que exigem poucos ou
nenhuns conhecimentos, impedem a
automação. Contudo, muitas
empresas estão hoje a substituir
trabalho relativamente barato por
máquinas (a chinesa Foxconn
procedeu à aquisição de um milhão de
robots para substituir centenas de
milhar de trabalhadores). Neste
sentido, as tarefas de maior valor
acrescentado ou serviços poderiam
estar livres deste negro futuro. A
verdade é que talvez não. O futuro
próximo será de carros que se
conduzem a si próprios (destruindo a
profissão de condutor), de
telemarketing robotizado (nos Estados
Unidos existem hoje soluções de
software capazes de conversar,
tornando-se quase indistinguíveis de
pessoas reais), de programas
automatizados de contabilidade e até
de software capaz de fazer ciência,
resolver problemas complexos ou apto
para aprender melhorando-se a si
próprio (como acontece já com alguns
algoritmos do Google). Por outro lado,
empresas com menos pessoas
significam menos posições de gestão e
estruturas bem mais achatadas. Um
caso interessante, onde o software e os
grandes sistemas de TI transformaram
a face das empresas, é a Banca, onde
há 30 anos uma agência média teria 20
a 30 colaboradores, mas que hoje tem
2 a 4 (com funções eminentemente
comerciais, uma vez que parte do
trabalho técnico é hoje feito por
software em servidores). Temos
bancos com menos pessoas mas com
mais funções comerciais e menos
técnicas (e outras novas funções, que
empregam matemáticos e
informáticos, a desenhar software de
arbitragem de risco ou novas formas
de servir o cliente online). No fundo,
esta é uma descrição da “destruição
criativa” de Schumpeter, onde novas
tecnologias transformam/destroem
velhos setores, criando novos. O
problema é que com a crescente
automação do mundo, com o advento
de formas mais complexas de
inteligência artificial, talvez seja
necessário um novo modelo social que
permita a criação de novas profissões,
mas que contemple também menos
horas de trabalho (de resto, uma
previsão feita há cerca de 240 anos
pelo pai da Economia – Adam Smith).
N
Vítor
Hugo
Ferreira
Membro do Conselho de Administração da D. Dinis Business School e
docente do Inst. Politécnico de Leiria
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 27
Trespassa-se
Salão
de Cabeleireiro
e Estética
Moderno. Boa clientela. 2 km
de Leiria.
Tm. 914 972 347
Trespassa-se
Café bar
bem localizado, em
funcionamento com
boa clientela Leiria.
Comerciais
Independentes (M/F)
Multinacional americana, no setor
da Saude&Beleza procura
Comerciais para desenvolver o seu
próprio negócio. Atrativo plano de
comissões em função das vendas.
Tm. 917 847 966
ImobiliárioArrenda
ESCRITÓRIOS (SALAS) LEIRIA
ARRENDAM-SE
localizados na Z. Ind. da Barosa
junto ao nó da A8, com frente
para a variante Leiria - Mª Grande.
Excelentes infra-estruturas de
apoio: cantina e serviços administrativos. Bons Preços.
Tm: 914 655 373/ 918 724 417
Tel. 255 495 459 | 255 495 461
E-mail: [email protected]
Somos uma empresa do grupo KEY PLASTICS de origem americana, tendo como principais clientes, as empresas do sector automóvel a nível mundial e, seleccionamos para entrada imediata:
Advogados/Solicitadores
TÉCNICO DE MANUTENÇÃO
DE MOLDES
TELEFONE, FAX, INTERNET, A.C., SERV. LIMP. INCLUÍDOS
M/F
(Junto aos Tribunais, Câmara, Seg. Social e Finanças)
Renda: 200,00 €
Armazéns c/ 300, 800 e 1.000
m2 licenciados p/ industria
DESIGN – MODELAÇÃO –
MAQUINAÇÃO CNC
KEY PLASTICS PORTUGAL, S.A.
ARRENDAM-SE
T2 como novo, equipado e mobilado, centro da cidade de Leiria.
Excelente localização. Tm: 914
655 373/ 918 724 417.
Admitimos 2 colaboradores/as
para as áreas de:
Se pretende integrar uma equipa dinâmica, informe-se:
Tm. 933 208 336
T2, T3 e Águas Furtadas junto ao
Cinema City (acesso Mobilis). Excelentes preços. Tm: 914 655 373/
918 724 417.
Somos uma empresa em expansão a operar no mercado há 21 anos. Especializada em componentes de
calçado e de modo a responder às solicitações do mercado, apostámos no desenvolvimento de prototipagem
e serralharia para a elaboração de moldes próprios.
Tel. 934 293 806 / 966 868 046
REQUISITOS:
• 9.º ano de escolaridade;
• Experiência na função como Serralheiro de Moldes;
• Conhecimentos de manutenção preventiva de moldes;
• Experiência de ajustamento de moldes;
• Dinâmico e gosto pelo trabalho em equipa;
OFERECE-SE:
• Situação compatível com as exigências da função.
Resposta com C.V. para:
e-mail: [email protected]
os
trabalhinhos
da Laurinda
de
Laurinda Timóteo Costa e
Oliveira
artesanato . ajours . rendas e afins .
arranjos de costura
loja: Rua D.António Costa, nº10-Leiria .
tel. 244 112 525/965 481 194
e-mail: [email protected] .
blog: http://trabalhinhosdalaurinda.tumblr.com
facebook.com/trabalhinhosdalaurinda
Pretende admitir para os seus
quadros: (m/f)
. ENCARREGADOS
E CHEFES DE EQUIPA
. ELECTRICISTAS
LAVAGENS MANUAIS
Lavagens completas
(Interior e Exterior)
Estofos Motor
Chassis Parafinar
FAZEMOS A RECOLHA
E ENTREGA DA SUA
VIATURA NO SEU
LOCAL DE TRABALHO OU
RESIDÊNCIA
ABERTOS AOS SÁBADOS ATÉ ÀS 13H00
244 103 077/962 546 463
Rua Heróis do Ultramar, Armaz. “D”
2410-287 LEIRIA GARE - LEIRIA
. TÉCNICO DE GÁS
Resposta ao email [email protected]
ou por telefone para o
nº 244833693
28 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Osteopatia
Terapia Sacro Craniana
Iridologia
Acupuntura
Psicoterapia
Av. Marquês de Pombal - Leiria
244 092 411 - 918 879 540
Facebook/VintageBeautyandCare
Dulce Castanheira
JOÃO FILIPE
MÉDICO RADIOLOGISTA
Urgência todos os dias
Consultas . Cirurgias . Lentes de Contacto . Laser
. Campos Visuais . Exercícios de Ortótica
Acordos: SAMS Centro . CGD . SAVIDA . SAMS-SIB
RX CONVENCIONAL/
ORTOPANTOMOGRAFIA
OFTALMOLOGIA
Consultas, exames e cirurgias
Terças, quintas e sextas-feiras a partir das 14h30
Largo Cândido dos Reis, n.º 1 | Leiria
Tel. 244 831 553
MAXILENA
Rua João de Deus, 11, 1º Dtº - Leiria
Tel. 244 832 801/244 832 870
JOÃO GOMES
VIVA MELHOR
VIVA SEM DORES
NAS COSTAS
Dep. Terapêutico
C e n t r o d e Tr a t a m e n t o s d a C o l u n a Ve r t e b r a l
DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E PREVENÇÃO
cal
o lo elo
es n
p
açõ as ou 3
c
r
Ma .as feir 55 00
0
às 4 . 915
Tm
Av. D. João III, Edifício 2000 . 1.º Piso . Loja N.º 53 . 2400-164 Leiria . Email: [email protected]
Virgolino Cardoso
MÉDICO ESPECIALISTA DE OFTALMOLOGIA
Médico do Hospital dos Covões em Coimbra
Rotunda de Santana, 12 - 1.º Dt.º
2400-223 Leiria
(Em frente ao Mercado Santana)
Tel. 244 832 616
anabela vitorino costa
GINECOLOGIA - OBSTETRÍCIA
Nova
Morada
Informa que mudou para a Clínica Natércia Roque
Edifício Beira Rio - Rua Anzebino da Cruz Saraiva, n.º 342 - 1.º . 2415-371 LEIRIA
Tel. 244 813 360 . Tm. 963 334 958
A descoberta de si mesmo
PSICOLOGIA CLÍNICA
COACHING
Diagnóstico, Tratamento e
Prevenção de
Patologias do Pé
FORMAÇÃO EM
DESENVOLVIMENTO PESSOAL
CLÍNICA MÉDICA, FISIOTERAPIA & ESTÉTICA
PODOLOGISTA
Alcobaça | Coimbra | Leiria
(Licenciada pelo ISPN)
Cátia Santos
Enfermagem . Clínica Geral
Fisioterapia . Osteopatia
Serviço ao domicílio
Fisiatria . Avaliação de incapacidade
Neurologia . Acupuntura . Estética
Acordos:
ARS, ADM, ADSE, CGD, PT, SAMS,
SAD, SEGUROS
R. Henrique Sommer, 2, Cave . 2410-107 Leiria
T.: 244 828 098 / 244 836 086
E. [email protected]
www.cepomel.com
Psicóloga
e Psicoterapeuta
estrada de Leiria, n.º 212 . ed. pinus park,
fracção t
2430-091 Marinha Grande
tlm. 969 463 631
[email protected]
CARLOS PEREIRA
CHEFE DE SERVIÇO H.U.C (AP)
Médico Especialista
CIRURGIA GERAL - OPERAÇÕES
Consultório: Ed. Nª Sra do Amparo, n.º 1A - 1º
Est. Marrazes - Arrabalde da Ponte - 2400 Leiria
Tel.: 244 819 010
962 976 879
Urb. Vale do Mocho, Lt. 6 Rc/Dto
Rua Paulo VI (Calçada do Bravo) . 2410-146 Leiria
Tel. 244 855 353 (das 15h. às 19h.) . Tlm. 914 552 051
Email: [email protected]
www.anabelacosta-coach.com
[email protected]
Tm. 961 940 040
/AnabelaCostaCoach
EMÍLIA FARIA
Especialista Imuno - Alergologia (H.U.C.)
(ASMA E DOENÇAS ALÉRGICAS)
TESTES CUTÂNEOS E PROVAS VENTILATÓRIAS
POLICLÍNICA DE S. TIAGO
CLÍNIGRANDE
PUERICIA - CLÍNICA DA CRIANÇA
Tel. 244824805 - LEIRIA
Tel. 244574060 - Mª GRANDE
Tel. 244503809 - Mª GRANDE
Análise de emissões gasosas
Análises de ruído e vibração
Avaliação da acústica das construções
Análise da Qualidade do Ar Interior
Certificação e auditoria energética
Análise de fibras de Amianto
Análise de poeiras PM10 no ar ambiente
SEDE:
Rua da Indústria 13
2430-069 Marinha Grande
Tel. 244 560 534 . Fax 244 568 071
[email protected]
DEL. NORTE:
Rua D. Manuel Trindade Salgueiro, 29
3830-655 Gafanha da Nazaré
Tel. 234 087 820 Fax 234 087 844
[email protected]
www.pedamb.com
Dr. Eduardo Fatela
ADS MONTE REAL
AGRUPAMENTO
DEFESA SANITÁRIA
ESPECIALISTA OUVIDOS, NARIZ E GARGANTA
MEDICINA INTERNA
CONVOCATÓRIA
Jornal de Leiria - Edição 1549 - 20.03.2014
Consultas, exames e cirurgias
Convenções: GNR, PSP, PT, SAMS, CGD, EDP, Medis, Advance Care, AMI
EUROMEDIC - Olhalvas Park, 1º Andar (Intermarché)
Contactos: 244 832 136 / 967 042 005
NOS TERMOS DOS ESTATUTOS DESTE ADS CONVOCO UMA ASSEMBLEIA GERAL PARA REUNIR NO
DIA 28 DE MARÇO DE 2014, PELAS 11.00 HORAS, NAS
INSTALAÇÕES SITAS NO PRÉDIO DA ASSOCIAÇÃO DE
REGA NTES, QUINTA DO PICOTO, MONTE REAL, COM
A SEGUINTE:
ORDEM DE TRABALHOS
Para saber como anunciar na secção de classificados
do Jornal de Leiria ligue
244 800 400
ELSA ABRAÚL
CHEFE DE SERVIÇO DE GINECOLOGIA DOS H.U.C
Médica Especialista
GINECOLOGIA/DOENÇAS DA MAMA
Consultório: Ed. Nª Sra do Amparo, n.º 1A - 1º
Est. Marrazes - Arrabalde da Ponte - 2400 Leiria
Tel.: 244 819 010
PONTO ÚNICO
- APRECIAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DO RELATÓRIO DE CONTAS E
EXERCÍCIO REFERENTE AO ANO 2013
- OUTROS ASSUNTOS DE INTERESSE PARA O ADS E SEUS ASSOCIADOS.
CASO À HORA DETERMINADA NÃO ESTEJAM PRESENTES PELO MENOS 1/3 DOS ASSOCIADOS A MESMA FUNCIONARÁ 30 MINUTOS DEPOIS COM QUALQUER NÚMERO DE ASSOCIADOS
O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA-GERAL
MANUEL LEAL ROSA
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 29
Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística
AVISO N.º 11/14/SODPGU
Jornal de Leiria - Edição 1549 - 20.03.2014
Alteração à licença de loteamento. Abertura de procedimento de consulta pública e notificação
para pronúncia dos proprietários dos lotes. Processo de loteamento n.º 3/91.
Ricardo Miguel Faustino Santos, Vereador da Câmara Municipal de Leiria, no uso da competência
que lhe é conferida pelo Edital n.º 136/2013, e ao abrigo do disposto no artigo 27.º do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, conjugado com o artigo 17.º do Regulamento de Operações Urbanísticas do Município de Leiria e a alínea d) do n.º 1 do artigo 70.º do Código do Procedimento
Administrativo, torna público que se submete a discussão pública o pedido de alteração à licença
de loteamento, bem como a pronúncia dos proprietários dos lotes constantes do alvará de loteamento n.º 696/94, emitido em 16/09/1994 e respetivos aditamentos, cuja apreciação decorre na
Câmara Municipal em sede do processo n.º 3/91.
O pedido de alteração é apresentado por Armando de Sousa Rato, incide sobre o Lote n.º 12, descrito na Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o n.º 3662/19950306 e inscrito em matriz
omissa, da extinta freguesia de Marrazes, atual União de Freguesias de Marrazes e Barosa, lote este
resultante da operação de loteamento do prédio sito em Vale da Fonte, na referida freguesia.
A alteração pretendida visa o aumento da área de implantação e a alteração da área bruta de construção.
O período de discussão pública e pronúncia decorre pelo prazo de quinze dias úteis, contados a
partir do primeiro dia útil seguinte à data da última publicação em jornal e no site do Município
de Leiria, podendo no decorrer deste período os interessados vir a pronunciar-se por escrito sobre
a alteração à operação de loteamento pretendida, mediante requerimento dirigido ao Ex.mo Sr.
Presidente da Câmara Municipal de Leiria.
Para eventual consulta, informa-se que o respetivo processo se encontra patente no Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística, sito no edifício da Câmara Municipal, todos os dias úteis
entre as 09:00 horas e as 16:30 horas.
Para constar se lavrou o presente Aviso que vai ser inserido na Intranet, na página eletrónica do
Município de Leiria e publicado em dois jornais de âmbito local, bem como o correspondente edital que vai ser afixado no edifício dos Paços do Concelho e no edifício sede da respetiva freguesia.
Leiria, 26 de fevereiro de 2014.
O Vereador
(Por subdelegação – Edital n.º 136/2013)
Ricardo Santos
Largo da República, 2414-006 Leiria • N.I.P.C.: 505 181 266 • Telef.: 244 839 500 • N.º Verde: 800 202 791
Sítio: www.cm-leiria.pt • email: [email protected]
CARTÓRIO NOTARIAL
DE MANUEL FONTOURA CARNEIRO
Rua Francisco Serra Frazão, lote B, 4.º r/c dto — 2480-337 Porto de Mós
Telt": 244 401 344 * Fax: 244 401 385
PORTO DE MÓS
Jornal de Leiria - Edição 1549 - 20.03.2014
Certifico para fins de publicação, que por escritura de justificação celebrada neste Cartório Notarial, no dia catorze de março de dois mil e catorze, exarada a folhas cinquenta e duas do livro de Notas para Escrituras Diversas Duzentos e Noventa e Oito— A:
ADRIANO PEREIRA RODRIGUES e cônjuge MARIA DE FÁTIMA CARREIRA ANTUNES RODRIGUES, casados sob
o regime da comunhão geral de bens, naturais da freguesia de Caranguejeira, concelho de Leiria, residentes na Rua
Nossa Senhora de Fátima, 490, Mourã, Barreira, Leiria, Nifs: 115 303 375 e 115 303 367, declararam:
Que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores dos seguintes bens:
UM: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, concelho de Leiria, composto de eucaliptal, com a área de três mil seiscentos e vinte metros quadrados, a confrontar do
norte com Manuel Lopes Antunes, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Rua António Antunes e do poente com Regueira, não descrito na Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz
sob o artigo 11969, por proveniência do artigo rústico 2727 da freguesia de Barreira (extinta), com o valor patrimonial
IMT de €1.090,00.
DOIS: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, concelho de Leiria, composto de terra de cultura, com a área de mil quatrocentos e noventa metros quadrados, a confrontar do norte com Henriqueta Lopes Antunes Machado, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Maria de Fátima Carreira Antunes Rodrigues e do poente com Rua Nossa Senhora de Fátima, não descrito na
Ficha
Técnica
JORLIS, LDA.
Gerência
Maria Alexandra Vieira,
João Nazário
Direcção Editorial
Maria Alexandra Vieira,
Arnaldo Sapinho
Orlando Cardoso
Director
João Nazário
([email protected])
Redacção
Raquel de Sousa Silva (coordenação)
([email protected])
Daniela Franco Sousa, Elisabete Cruz,
Graça Menitra, Jacinto Silva Duro,
Maria Anabela Silva, Miguel Sampaio
Copydesk
Orlando Cardoso
[email protected]
Colaboradores permanentes
Joaquim Paulo, Lurdes Trindade,
Orlando Cardoso, Sal Nunkachov,
Sara Vieira
Direcção Gráfica
Gabinete Técnico Jorlis
Paginação e Produção
Isilda Trindade (coordenação)
([email protected])
Rita Carlos ([email protected])
Serviços Administrativos/Assinantes
Cília Ribeiro
([email protected])
([email protected])
Tesouraria
Patrícia Carvalho
([email protected])
Serviços Comerciais
Lúcia Alves ([email protected]),
Rui Pereira ([email protected])
e Sandra Nicolau
([email protected])
Área de Projectos
Sandra Nicolau
([email protected])
Propriedade/Editor
Jorlis - Edições e Publicações, Lda.
Capital Social: €600.000
NIF 502010401
Sócios com mais de 10%: Movicortes,
Serviços e Gestão, Lda.
José Ribeiro Vieira
Morada
Parque Movicortes
2404-006 Azoia - Leiria
Email [email protected]
Telefones
Geral: 244 800 400
Redacção: 244 800 405
Fax: 244 800 401
Impressão Grafedisport
Distribuição VASP
Dia de publicação: Quinta-feira
Preço avulso: 1€
Assinatura anual: 35€ (Portugal)
65€ (Europa)
93€ (outros países do mundo)
Tiragem média por edição
Mês de Fevereiro: 15 000 exemplares
N.º de registo: 109980
Depósito legal n.º 5628/84
Palavras cruzadas
HORIZONTAIS:1- Atascadeiro. Cevada ou aveia verde para penso dos animais. 2-Prefixo de
posição. Com forma de ouriço. Lugar de sacrifícios. 3-Quantia que recebe diariamente um
soldado. Abrev. de altitude. Perseguir a caça até a obrigar a acantoar-se. 4-Monógamo. Negação (pref). Actínio (s.q). 5-Nome da quinta letra do alfabeto grego, correspondente ao latino.
Feito ás avessas. 6-Abrev. de avenida. Relativo ao rio Sado ou à cidade de Setúbal. Alternativa (fig.) 7- Rádio (s.q). Ganhar crosta. Macho. 8- Juntar. Vinagre na sua maior pureza. Medida de líquidos usada na Holanda, Alemanha e Suiça. 9- Simb. químico do cobre. Coberta
leve de cama. Montanha da Arábia Pétrea. 10- Larva de uma pequena ténia que, neste estado,
se pode localizar em diferentes órgão do organismo humano, desenvolvendo os chamados
quistos hidáticos. Árvore cuja casca aromatiza o vinho. Centro e cinquenta (rom.). 11- Rezar.
Descrição das propriedades e dimensões da atmosfera.
VERTICAIS: 1- Pequenino. 2- Prefixo de privação. Neptúnio (s.q.). Consentir. 3- Acto de pisar.
Quinto filho de Jacob (Bíbl.). 4- Voltar as costas. 5- Praia.Abrev. De Antigo Testamento. 6Símb. químico do níquel. Grande quantidade de moscas. 7- Enfezado. Pertencente à arcádia.
8- Simb. químico do alumínio. Tornar doente. 9- Partidário da doutria dos que pretendem
realizar pela acção. 10- Nome de letra. Queixo. Prata (s.q.). 11- Rio de Portugal. Sobradar. 12Cabelos brancos. Onda. 13- Valores depositados ou aceites para garantirem qualquer responsabilidade. Aspecto. 14- Período. Combinação da preposição de com o artigo ou
pronome uma. 101 (rom.) 15- Toucinho cortado em tiras para entremear em peças de outra
carne. Peixe teleósteo.
Solução do problema anterior: Horizontais: 1-VILEGIATURA. ANT; 2-AL. MAN. I. ALIMPA;
3 - G. EPIDIDIMO. A. G; 4 - ANTRO. RO. PENSAR; 5 - BOCELAR. PA. ASCA; 6 - UR. IE. IPO.
COAR; 7 - N. ATINGIVEL. DEI; 8 - DESERTAR. SOPE. B; 9-ESTIO. CANTARIDE; 10 - ASAR.
AAL. ACERAR; 11 - RE. ORTOEPIA. ARO.
Verticais: 1-VAGABUNDEAR; 2-IL.NOR.ESSE; 3-L.ETC.ASTA; 4-EMPREITEIRO; 5GAIOLEIRO.R; 6-IND.A.NT.AT; 7-A.IRRIGACAO; 8-TIDO.PIRALE; 9-U.I.POV.N.P; 10RAMPA.ESTAI; 11 - ALOE. CLOACA; 12 - I. NAO. PRE; 13 - AMASSADEIRA; 14 -NP. ACRE.
DAR. 15 - TAGRA. IBERO.
Sudoku
Grau: Suave
O Jornal de Leiria está aberto à participação de
todos os cidadãos de acordo com o ponto 5 do
Estatuto Editorial
Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 11970, por proveniência do artigo
rústico 2728 da freguesia de Barreira (extinta), com o valor patrimonial IMT de €810,00.
TRÊS: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, concelho de Leiria, composto de terra de semeadura, com a área de dois mil quinhentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com Henriqueta Lopes Antunes Machado, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Rua do Areeiro e do poente com Adriana Pereira Rodrigues, não descrito na Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 11971, por proveniência do artigo rústico 2729 da freguesia de Barreira (extinta), com o valor patrimonial IMT de €1.370,00.
QUATRO: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes,
concelho de Leiria, composto de olival, com a área de mil trezentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte
com Henriqueta Lopes Antunes Machado, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Rua Nossa
Senhora de Fátima e do poente com Rua António Antunes, não descrito na Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 11972, por proveniência do artigo rústico 2730 da freguesia de Barreira
(extinta), com o valor patrimonial IMT de €640,00.
Que os prédios vieram à sua posse por doação verbal de António Antunes Júnior e esposa Eva Carreira, residentes que foram em Mourã, Barreira, Leiria, doação essa que teve lugar no ano de mil novecentos e setenta e um, já no
seu estado de casados.
Que, não obstante não terem título formal de aquisição dos referidos prédios, foram eles que sempre os possuíram, desde aquela data até hoje, logo há mais de vinte anos, em nome próprio, gozaram todas as utilidades por eles
proporcionadas, pagaram os respectivos impostos, cultivaram-nos, colheram os seus frutos sempre com o ânimo de
quem exerce direito próprio, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, fazendo-o ostensivamente, e
sem oposição de quem quer que seja, posse essa de boa — fé, por ignorarem lesar direito alheio, pacífica, porque sem
violência, contínua e pública, por ser exercida sem interrupção e de modo a ser conhecida pelos interessados.
Tais factos integram a figura jurídica da usucapião, que os justificantes invocam, como causa de aquisição dos
referidos prédios, por não poderem comprovar a sua aquisição pelos meios extrajudiciais normais.
Porto de Mós, catorze de março de dois mil e catorze.
A colaboradora com delegação de poderes,
(Ana Paula Cordeiro Pires de Sousa Mendes)
Emitida Factura/Recibo n°02/497/001/2014
Boletim de assinatura
Nome | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |
| | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |
Morada | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |
| | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |
CP | | | | | - | | | | Localidade | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | |
País | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Telefone | | | | | | | | | | | | | | | | | |
Profissão | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Habilitações Literárias | | | | | | | | | | |
N.º Elementos agregado familiar | | | NIF | | | | | | | | | | Data de nascimento | | | - | | | - | | | | |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Junto envio cheque/vale postal n.º | | | | | | | | | | no valor de 35€ (Portugal), 65€ (Europa), 93€ (outros países
do Mundo) emitido à ordem de Jorlis, Lda., para pagamento da minha assinatura anual do Jornal de Leiria (renovável anualmente, salvo indicações em contrário). Para pagamento por transferência bancária para o NIB 003503930008317863056
(anexar comprovativo). Para mais informações contactar pelo Tel. 244 800 400 - E-mail: [email protected]
Assinatura
|
|
|
|
|
|
|
30 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Desporto
Fernando Niza O histórico treinador, nascido em Vieira de Leiria há 65 anos, explica o segredo do
seu sucesso e o que o impediu de chegar ao topo do futebol português
“A minha transpiração é perfumada
e o seu cheiro é a futebol”
ALBINO BRANCO
Miguel Sampaio
[email protected]
O mestre, mestre dos mestres,
mago ou Mourinho da zona centro.
Não faltam epítetos para classificar
Fernando Niza, treinador do FC Pampilhosa, clube do concelho da Mealhada, pela décima temporada. Nascido em Vieira de Leiria há 65 anos,
terra da qual saiu aos 15 anos para ir
jogar no Benfica, é um nome incontornável do futebol português. Pela
forma como vive apaixonadamente
a modalidade, pela forma diferente
com encara o jogo, o treino e o balneário. Tio de Rui Nascimento, está a
comemorar a 30.ª época enquanto
técnico. Subiu oito vezes de divisão,
só que a oportunidade para treinador
noutros patamares jamais chegou, por
“nunca” ter hipotecado os seus princípios. É administrativo em Coimbra,
onde vive há quatro décadas, cidade
onde representou o União local na 1.ª
Divisão.
Gosta de ser tratado por mestre. Porquê?
Mestre não, o mestre! Cansei-me, ao
fim de 30 anos de carreira de treinador, de ser tratado por mister. Mas, sobretudo, a experiência enriquecedora, adquirida e vivida intensamente
no mundo que é o futebol fazem de
mim, de facto, um mestre. Digamos
que a minha transpiração é perfumada e o seu cheiro é a futebol.
Nesses 30 anos conseguiu oito subidas de divisão. Por que razão nunca
teve possibilidade de liderar uma
equipa das competições profissionais?
Resolvi seguir a carreira de treinador
por intuição e por paixão pelo futebol,
e, de facto, possuía uma ambição
sem limite. Comecei logo a vencer e
acreditei que, com mérito, chegaria –
e sem grande dificuldade – à 1.ª Divisão. Nas minhas primeiras seis épocas consegui quatro subidas de divisão. As direcções pediam a manutenção e eu dava-lhes as subidas.
Fui convidado por um ou outro empresário e inclusive, por colegas e
amigos treinadores, a frequentar os
bastidores do mundo do futebol. Dirigentes, jornalistas, empresários e
treinadores em grandes jantaradas e
noitadas. Recusei sempre tais convites, uma vez que tenho uma forte personalidade e nunca iria bajular quem
quer que fosse.
Vendo agora que a oportunidade
não surgiu...
Nunca hipotequei os meus princípios
e não estou arrependido. Fiz a minha
carreira, que foi aquela que desejei,
“Nunca hipotequei os meus princípios e não estou arrependido. Fiz a minha carreira, que foi aquela que desejei, sem mácula.”
Treinar um
grande do futebol
português? Seria o
mesmo que
engordar a minha
conta bancária, só
que ela está de
dieta
sem mácula. Era e sou um ganhador.
Não faz sentido estar no futebol sem
espírito de conquista. Sendo assim, o
caminho é e será sempre o da vitória
e quando surge a derrota ser digno da
mesma. É este o meu lema.
Ainda acredita que é possível orientar uma equipa na 1.ª Liga?
Mentir-lhe-ia se lhe dissesse que sim.
Vivo num país em que a idade define
uma pessoa. Aos 50 anos é considerada velha e garanto-lhe que não é só
no futebol. A experiência, o conhecimento e o saber é considerado lixo. Pobre da mentalidade que pensa assim.
As suas palestras são consideradas
míticas. Canta, põe a equipa a rezar,
coloca os jogadores a dar o onze...
Com que objectivo o faz?
A competição eleva os índices de ansiedade dos atletas. Este estado explica-se pela pressão decorrente da necessidade de vencer o adversário. A
motivação e a descontracção, minutos antes do jogo, dão aos atletas uma
maior confiança para ir ao encontro do
êxito.
Quer dar exemplos de algumas das
mais originais?
Num certo jogo em Viseu inspireime em Viriato. Nós seriamos os guer-
reiros com alma lusitana e iríamos
vencer essa batalha. O jogo foi mesmo uma grande luta e vencemos o
Académico de Viseu, por 5-4.
É verdade que nas palestras não há
referências ao adversário? Porquê?
Sim! Dedico os cinco a dez minutos de
palestra aos meus jogadores. Valorizo a minha equipa e faço o estudo do
adversário nos primeiros dez minutos de jogo.
O que acha da periodização táctica e
do treino integrado, tão em voga
pelo nova vaga de treinadores?
Respeito quem se dedica ao estudo e
que faz dele a sua arma. Já eu prefiro outros métodos, que é estar na linha da frente da psicologia e retirar o
máximo rendimento do atleta.
Como? Tem de ter a cabeça limpa e
saber que vai competir para vencer,
com grande motivação e sem pressão
de espécie alguma. Para que isso
seja possível, no período pré-competitivo, nas primeiras semanas da
época, dedico-me ao estudo das personalidades dos jogadores que vão
trabalhar comigo.
Disse que quanto mais novo for o treinador adversário mais gozo lhe dá
derrotá-lo. Porquê?
É uma questão de aprendizagem
com um dinossauro do futebol...
Como deve ser um treino?
O mais simples e com grande intensidade possíveis, sem grandes quebras
de dinâmica. É preciso evitar muitas
interrupções e intervenções de correcção. Uma hora de treino tem de ser
uma hora e não duas.
Aos 65 anos o que o motiva a continuar a treinar?
Ainda tenho paixão pelo futebol e
quero continuar a ganhar. Quando começar a perder, aí sim, será o final da
carreira e a motivação perde-se, mas
estou preparado para tomar essa decisão a qualquer momento. O banco
é um modo de viver e não de morrer.
E treina o Pampilhosa sem receber
nada em troca. Sente-se bem lá?
Se me sinto! Já lá vão uns anitos e o
Pampilhosa é o Niza e o Niza é o Pampilhosa: Existe uma identificação e
uma ligação muito forte desde o primeiro dia.
É um orgulhoso desalinhado?
Direi que o desalinhamento vem das
minhas fortes convicções e do grande respeito que tenho pelo futebol.
Até quando vai continuar a espalhar
magia pelos campos de futebol do
País?
Até a saúde o permitir...
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 31
Desporto
Pavilhão da Maceira acolhe ronda do Campeonato Nacional em cadeira de rodas
Andebol adaptado jogado pela primeira vez em Leiria
Miguel Sampaio
[email protected]
T Leiria, todos o sabem, é uma cidade que dedica particular atenção ao andebol. Juventude do Lis
e Atlético Clube da Sismaria continuam a ser os elos de ligação com
a modalidade, que já teve na União
e no Académico focos de pujança.
Pois bem, no próximo fim-desemana, o concelho, que já recebeu jogos da selecção nacional e finais da Taça de Portugal, vai estrear-se numa prova de completamente diferente, com a realização da terceira jornada do Campeonato Nacional de andebol em
cadeira de rodas, modalidade que
arrancou formalmente esta temporada.
A defender as cores da casa estará a equipa da delegação de Leiria da Associação Portuguesa de
Deficientes (APD Leiria) que agora alia os sucessos no basquetebol
– já conquistou campeonatos nacionals, taças de Portugal e supertaças – ao andebol. O que é certo é que tem dominado por completo os encontros disputados até
agora, não tendo sofrido qualquer
derrota. Ainda no passado sábado,
em Setúbal, na segunda jornada da
competição, não deixou os créditos por mãos alheias e goleou os
adversários.
Na parte da manhã, na variante
de 7, bateu o ACM/YCMA-Vitória
de Setúbal, por 23-3, e a Associação
Rovisco Pais, da Tocha, por 18-4.
À tarde, já na variante de 4, triunfou por dois sets a zero os mesmos
adversários. Ora, depois destes
resultados, o objectivo para o próximo não pode ser outro que não
seja mais e mais vitórias e, assim,
ficar com o apuramento para a
fase final nacional, que irá decorrer em Viseu, mais próximo. E depois será hora de sonhar com o título.
RICARDO GRAÇA
APD Leiria defende a honra da região
Mas vamos lá saber, afinal de
contas, quais são as principais diferenças entre o andebol e a variante em cadeira de de rodas. Se-
PUBLICIDADE
Voleibol da Marinha Grande em destaque
Veja
anúncios
de Saúde
na página
Operário Marinhense apura-se
para a fase final da 3.ª Divisão
T A equipa masculina de voleibol do
Sport Operário Marinhense (SOM)
garantiu no sábado um lugar na fase
final da 3.ª Divisão, depois de vencer
em casa do FC Amares, por 1-3 (16-25,
21-25, 25-13 e 13-25). O grupo de Cláudio Sousa, que destacou o “espírito de
grupo” da sua equipa, bem como a
“demonstração de grande sabedoria
na interpretação do esquema táctico”
da equipa adversária, garante o 2.º lugar da série e o consequente apuramento para a fase final, onde só o primeiro será promovido à 2.ª Divisão.
28
DR
Triatlo João Silva em
Ténis Ekaterina Lopes
12.º na Taça do Mundo vence Azores
de Moolooba
Ladies Open
O triatleta da Benedita João Silva
terminou neste sábado na 12.ª
posição a Taça do Mundo de
Mooloolaba, na Austrália, a 1.19
minutos do vencedor, o espanhol
Mario Mola. Nono do ranking
mundial, o atleta do Benfica assume
como objectivo o Campeonato do
Mundo, disputado em oito etapas, a
primeira das quais já a 4 e 5 de abril,
em Auckland, na Austrália
gundo o treinador João Jerónimo, na variante de 7, “muito poucas”. O andebol de 4 é mais semelhante ao andebol de praia. “É
espectacular. Os pontas fazem
grandes chapeladas e são partidas
muito emocionantes, com choques entre as cadeiras, muitos
remates, grandes defesas e contra-ataques.”
Por isso, já sabe. Sábado é dia
de fazer uma visita ao pavilhão da
Maceira. A manhã está reservada
ao andebol de 4 e a APD Leiria
joga logo às 10:15 horas com a Associação Rovisco Pais e às 11:45
coma equipa do Vitória de Setúbal. À tarde joga-se andebol de 7,
com os mesmos adversários, a
partir das 14:30 horas.
João Jerónimo deixa o convite
a todos os amantes da modalidade. “Venham, sentem-se na bancada, e sintam e vivam o andebol
connosco. Leiria é, sem dúvida,
uma idade de andebol e creio
que todos irão ficar orgulhosos de
termos a nossa modalidade na
vertente adaptada.” Está à espera
de quê?
A russa Ekaterina Lopes, radicada
em Leiria, foi a grande vencedora
do Azores Ladies Open em ténis,
competição com 10 mil dólares de
prémio e que decorreu até domingo
na ilha de São Miguel. A actual 741ª
tenista do mundo, esposa do
seleccionador nacional feminino
André Lopes, bateu na final a
portuguesa Bárbara Luz, n,º 372 do
ranking ATP, por 6-4 e 6-2.
Para saber
como
anunciar na
secção de
classificados
do Jornal de
Leiria ligue
244 800400
32 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Desporto
Classificação
Hóquei em patins
1.ª Divisão
Resultados
CH Carvalhos-Óquei Barcelos
Física T. Vedras-HC Mealhada
HA Cambra-Benfica
HC Turquel-HC Braga
Juv. Viana-AD Valongo
Paço Arcos-Oliveirense
Sporting Tomar-FC Porto
Sporting-Candelária SC
3-2
2-2
1-6
3-5
8-3
2-0
2-3
1-2
Classificação
FC Porto
AD Valongo
Benfica
Oliveirense
Juv. Viana
HC Turquel
Candelária SC
HC Braga
Óquei Barcelos
Paço Arcos
Física T. Vedras
Sporting
CH Carvalhos
HA Cambra
HC Mealhada
Sporting Tomar
P
53
50
50
49
43
35
31
26
25
22
21
21
18
16
15
7
J
21
21
21
21
21
21
21
21
21
21
21
21
21
21
21
21
V
17
16
16
16
14
11
8
8
7
6
6
5
5
5
4
2
E
2
2
2
1
1
2
7
2
4
4
3
6
3
1
3
1
D
2
3
3
4
6
8
6
11
10
11
12
10
13
15
14
18
G
134-48
96-58
147-62
115-63
115-89
65-71
54-55
68-102
69-80
47-64
49-69
70-84
60-110
61-105
67-99
45-103
Próxima jornada 22 de Março
Benfica-Paço Arcos, Candelária SC-CH Carvalhos, FC Porto-HA Cambra, HC Braga-Juv. Viana,
HC Mealhada-Sporting, Oliveirense-Física T. Vedras, Óquei Barcelos-HC Turquel, AD ValongoSporting Tomar
Andebol
2.ª Divisão – Zona Sul
Resultados
AC Sismaria-V. Setúbal
Benavente-CD Marienses
Boa-Hora FC-CDE Camões
Ginásio Sul-Vela Tavira
Ílhavo AC-Benfica B
NA Redondo-Alto Moinho
Samora Correia-IFC Torrense
28-25
30-29
27-16
27-21
27-31
31-24
24-18
Classificação
Benfica B
CDE Camões
Benavente
Boa-Hora FC
CD Marienses
IFC Torrense
Ílhavo AC
Ginásio Sul
AC Sismaria
Alto Moinho
V. Setúbal
Samora Correia
NA Redondo
Vela Tavira
P
64
56
56
53
51
42
41
41
38
37
37
36
34
29
J
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
V
21
17
15
15
14
9
9
9
7
7
6
6
5
3
E
0
0
4
1
1
2
2
1
2
1
3
2
2
1
D
1
5
3
6
7
11
11
12
13
14
13
14
15
18
G
645-440
586-487
647-571
559-498
561-513
486-495
539-565
594-583
543-607
547-614
550-568
509-590
568-648
475-630
Próxima jornada 22 de Março
Alto Moinho-AC Sismaria, Benfica B-Ginásio
Sul, CD Marienses-NA Redondo, CDE CamõesÍlhavo AC, IFC Torrense-Boa-Hora FC, V. Setúbal-Samora Correia, Vela Tavira-Benavente
3.ª Divisão – 2.ª fase – Zona Norte
Resultados
ACD Monte-Estarreja AC
Arsenal Devesa-SIR 1.º Maio
Boavista -Juventude Lis
Gondomar Cultural-Albicastrense
29-34
39-17
26-22
25-34
Classificação
P
Arsenal Devesa
9
Estarreja AC
9
Boavista
7
Juventude Lis
7
Albicastrense
5
Gondomar Cultural 3
ACD Monte
2
SIR 1.º Maio
2
J
3
3
3
3
3
3
2
2
V
3
3
2
2
1
0
0
0
E
0
0
0
0
0
0
0
0
D
G
0 104-69
0 98-84
1 79-79
1 75-68
2 90-88
3 76-97
2 47-57
2 41-68
Próxima jornada 22 de Março
Albicastrense-SIR 1.º Maio, Estarreja AC-Boavista , Gondomar Cultural-ACD Monte, Juventude Lis-Arsenal Devesa
1.ª Divisão feminina
Resultados
Col. João Barros-Madeira SAD
Juventude Lis-Sports Madeira
Col. João Barros-Sports Madeira
Juventude Lis-Madeira SAD
Maiastars-Alavarium
30-33
21-22
25-15
14-25
20-31
Madeira SAD
Col. João Barros
Alavarium
Colégio Gaia
JAC Alcanena
Maiastars
Juventude Lis
Sports Madeira
CA Leça
Juventude Mar
Assomada
Vela Tavira
P
63
60
55
53
50
45
41
40
38
30
27
26
J
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
22
V
20
18
15
14
14
11
8
8
8
4
2
1
E
1
2
3
3
0
1
3
2
0
0
1
2
D
1
2
4
5
8
10
11
12
14
18
19
19
G
637-455
625-463
665-533
589-538
690-576
540-551
516-536
526-563
500-605
459-612
540-650
471-676
Nota
Enquanto segundo e sétimo classificados, as
duas equipas da região, Colégio João de Barros
e Juventude do Lis, vão encontrar-se na primeira ronda do playoff. A primeira mão está
marcada para 26 de Abril.
Futsal
Lombos
4-6
6-1
6-2
0-2
2-2
5-4
4-5
Classificação
J
19
19
19
19
19
18
19
19
19
19
19
18
19
19
V
14
14
13
13
9
8
8
8
6
6
6
5
4
2
E
1
0
1
1
3
4
4
1
4
2
2
4
0
5
D
4
5
5
5
7
6
7
10
9
11
11
9
15
12
G
100-55
93-60
91-56
72-67
56-63
73-63
75-75
83-84
88-93
68-78
82-114
71-72
41-72
69-110
Próxima jornada 22 de Março
Amarense-Quinta Lombos, AMSAC-Albufeira Futsal, Burinhosa-Os Vinhais, Fabril Barreiro-Sportivo
Loures, Operário-Mendiga, Rabo Peixe-Fonsecas e
Calçada, UP Venda Nova-AM Portela
3.ª Divisão – Série C
Resultados
Boa Esperança-Belhó
Eléctrico P. Sôr-Caldas SC
Olho Marinho-GDR São Bento
Os Patos-MTBA
Retaxo-GARECUS
7-1
5-3
4-2
3-0
8-0
Classificação
Olho Marinho
Boa Esperança
Eléctrico P. Sôr
Retaxo
MTBA
Alhadense
Quiaios
Caldas SC
GR Vilaverdense
Os Patos
GDR São Bento
GARECUS
Belhó
P
45
43
36
35
34
30
27
22
19
13
12
12
0
J
18
18
17
18
17
17
18
17
17
18
17
17
17
V
15
13
11
11
11
9
8
7
5
4
4
4
0
E
0
4
3
2
1
3
3
1
4
1
0
0
0
D
G
3 62-39
1 74-34
3 69-44
5 73-38
5 65-37
5 60-49
7 66-70
9 74-64
8 55-64
13 53-82
13 36-62
13 54-94
17 32-96
Próxima jornada 22 de Março
Alhadense-Boa Esperança, Belhó-Os Patos, Caldas
SC-GARECUS, GDR São Bento-Quiaios, MTBAEléctrico P. Sôr, Olho Marinho-Retaxo
Campeonato Nacional feminino
Apuramento de campeão
Resultados
ACRD Louriçal-Benfica
ARJ Mogege-Novasemente
FC Vermoim-Rest. Avintenses
Quinta Lombos-CR Golpilheira
0-5
4-3
5-3
2-3
Classificação
CR Golpilheira
Benfica
FC Vermoim
ARJ Mogege
ACRD Louriçal
Rest. Avintenses
Novasemente
Quinta Lombos
P
7
5
5
4
4
3
2
1
J
3
3
3
3
3
3
3
3
V
2
1
1
1
1
1
0
0
Futebol
Principais provas nacionais invadem região
Campeonato Nacional de Seniores
Apuramento de subida – Zona Sul
Resultados
Benfica C. Branco-FC Ferreiras
Oriental-CD Mafra
Pinhalnovense-Sportivo Loures
Sertanense-União Leiria
7-2
0-0
4-3
2-1
Dinâmica e natureza fazem do
distrito de Leiria rei do BTT
RICARDO GRAÇA/ARQUIVO
Classificação
Oriental
União Leiria
Sertanense
CD Mafra
Sportivo Loures
Benfica C. Branco
Pinhalnovense
FC Ferreiras
P
11
9
8
8
6
5
4
4
J
5
5
5
5
5
5
5
5
V
3
3
2
2
2
1
1
1
E
2
0
2
2
0
2
1
1
D
0
2
1
1
3
2
3
3
G
6-3
7-5
6-4
5-3
6-10
8-5
5-8
7-12
Próxima jornada 23 de Março
Benfica C. Branco-União Leiria, CD Mafra-Sertanense, FC Ferreiras-Pinhalnovense, Loures-Oriental
2.ª Divisão – Série B
Resultados
Albufeira Futsal-Operário
AM Portela-Amarense
Fabril Barreiro-AMSAC
Fonsecas e Calçada-Burinhosa
Mendiga-Rabo Peixe
Os Vinhais-UP Venda Nova
Sportivo Loures-Quinta Lombos
P
Burinhosa
43
AM Portela
42
Quinta Lombos 40
Os Vinhais
40
Amarense
30
Fabril Barreiro
28
Operário
28
Sportivo Loures 25
AMSAC
22
UP Venda Nova 20
Albufeira Futsal 20
Rabo Peixe
19
Fonsecas e Calçada 12
Mendiga
11
Lombos
E
1
2
2
1
1
0
2
1
D
0
0
0
1
1
2
1
2
G
7-5
8-3
11-9
7-8
6-9
7-8
9-10
5-8
Próxima jornada 22 de Março
Benfica-Quinta Lombos, CR Golpilheira-FC Vermoim, Novasemente-ACRD Louriçal, Rest. Avintenses-ARJ Mogege
Campeonato Nacional de Seniores
Fase de manutenção – Série F
Resultados
AD Carregado-At. Riachense
Lourinhanense-Caldas SC
Portomosense-Alcanenense
Torreense-CD Fátima
1-2
0-0
1-2
3-1
Olímpico David Rosa compete nos Marrazes a 30 deste mês
Classificação
Caldas SC
Torreense
CD Fátima
Alcanenense
Lourinhanense
AD Carregado
At. Riachense
Portomosense
P
25
23
21
21
20
15
10
7
J
5
5
5
5
5
5
5
5
V
4
4
2
2
2
2
2
0
E
1
0
1
0
1
0
0
1
D
0
1
2
3
2
3
3
4
G
6-2
9-4
5-4
5-6
3-4
3-4
6-9
1-5
Próxima jornada 23 de Março
AD Carregado-CD Fátima, Alcanenense-Lourinhanense, At. Riachense-Portomosense, Caldas SC-Torreense
Divisão de Honra – AF Leiria
Resultados
Beneditense-AR Meirinhas
Figueiró Vinhos-Sporting Pombal
Ginásio Alcobaça-GD Peniche
GRAP-Pataiense
Guiense-Alqueidão Serra
Leiria e Marrazes-Vieirense
AC Marinhense-Moita Boi
Nazarenos-GD Pelariga
3-1
0-1
3-1
2-0
4-0
3-2
2-1
1-0
Classificação
Sporting Pombal
GD Peniche
Pataiense
Ginásio Alcobaça
Guiense
Alqueidão Serra
GD Pelariga
Vieirense
Moita Boi
Leiria e Marrazes
Beneditense
GRAP
Nazarenos
AR Meirinhas
AC Marinhense
Figueiró Vinhos
P
48
46
43
41
39
31
30
27
26
23
23
21
18
17
17
13
J
21
21
21
21
21
21
20
21
21
21
20
21
21
21
21
21
V
15
14
12
11
12
8
8
7
8
6
5
6
4
4
5
4
E
3
4
7
8
3
7
6
6
2
5
8
3
6
5
2
1
D
3
3
2
2
6
6
6
8
11
10
7
12
11
12
14
16
G
43-14
43-19
34-19
39-28
47-27
27-31
32-27
21-21
37-43
30-41
21-23
24-35
23-38
19-37
19-37
19-38
Próxima jornada 23 de Março
Alqueidão Serra-Leiria e Marrazes, Figueiró VinhosBeneditense, GD Peniche-AR Meirinhas, Moita Boi-Ginásio Alcobaça, Pataiense-Guiense, GD Pelariga-AC
Marinhense, Sporting Pombal-GRAP, Vieirense-Nazarenos
1.ª Divisão feminina
Apuramento de campeão
Resultados
Atlético Ouriense-Futebol Benfica
Clube Albergaria-A-dos-Francos
1-1
2-2
Classificação
A-dos-Francos
Futebol Benfica
Atlético Ouriense
Clube Albergaria
P
25
23
21
20
J
1
1
1
1
V
0
0
0
0
E
1
1
1
1
D
0
0
0
0
G
2-2
1-1
1-1
2-2
Próxima jornada 23 de Março
A-dos-Francos-Atlético Ouriense, Futebol BenficaClube Albergaria
Miguel Sampaio
[email protected]
O número
T É muita animação para os estradões e caminhos de cabras da região, mas não é mais do que a consolidação de um fenómeno que
tem trazido – e vai continuar a trazer – os melhores atletas nacionais
ao distrito. Mais de 1.200 ciclistas
percorrem, este domingo, os trilhos
do Parque Nacional das Serras de
Aire e Candeeiros na Maratona do
Centro. A prova, com partida e
chegada na Batalha, é a primeira
pontuável para a Taça de Portugal
de Maratonas, em BTT. No fim-de-semana seguinte, nos dias 29 e 30
de Maio, o mata dos Marrazes, em
Leiria, vai acolher o XCO Internacional de Marrazes, também ela
etapa inaugural da Taça de Portugal, mas de cross country olímpico.
Presente estará o representante
luso em Londres'2012, David Rosa
que, vindo de leão, no passado
fim-de-semana obteve o quarto
lugar numa prova pontuável para
a o ranking mundial, em Valladolid.
No entanto, há mais, muito
mais... Nesta Primavera irão decorrer ainda duas provas, curiosamente no mesmo fim-de-semana, na região. A 31 de Maio e
1 de Junho, a Batalha recebe a terceira prova pontuável para a Taça
de Portugal de trial bike e Porto de
Mós a quarta etapa de downhill.
Para trás ficou o Campeonato Nacional de ciclocrosse, modalidade
de Inverno que, para muitos atletas, serve de preparação para a
época de Verão e que decorreu em
Janeiro na Benedita, concelho de
Alcobaça. Isto já para não falar
das dezenas provas que todos os
fins-de-semana povoam os montes
e vales que circundam as nossas cidades. Isto já para não falar do
Centro de BTT Pia do Urso, na Batalha, o primeiro certificado a nível
nacional e que dispõe de uma rede
de trilhos cicláveis e devidamente
sinalizados num total de 265 qui-
5
O distrito de Leiria recebe em 2014
cinco provas de BTT de âmbito
nacional, nas mais variadas
disciplinas. Uma já decorreu, em
Janeiro, as outras estão marcadas
para os próximos meses.
lómetros, divididos em quatro níveis de dificuldade.
“Condições perfeitas.” Para Alexandre Domingues, director responsável pelo BTT e ciclocrosse da
Federação Portuguesa de Ciclismo, esta aposta na região é, simplesmente, a confiança de provas
com qualidade.”Temos bons organizadores que dão total garantia
à federação que as provas de alta
responsabilidade vão correr bem”,
diz o dirigente que salienta ainda as
“óptimas condições de terreno” e
a “centralidade” , “com boa acessibilidades” da região que, dessa
forma “coloca todos os atletas em
pé de igualdade e a custos mais baixos”.
Boom de atletas
No ano passado havia mais de 10
mil atletas inscritos na Federação Portuguesa de Ciclismo. Este
ano, o ritmo aponta para um crescimento de 70%. Este “salto gigantesco”, diz Alexandre Domingues, explica-se pela criação de
uma nova figura, de bttista e cicloturista, com “preocupação com
a segurança e seguros mais vantajosos”. “Uma espécie de filiação
mais light”, concluiu o director,
numa modalidade em que o “contacto com a natureza” e o “convívio” explicam o sucesso.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 33
Desporto
Marco Fortes foi segundo no lançamento do peso
O atleta do Benfica foi o melhor português na Taça da
Europa de Lançamentos, ao ser 2.º no lançamento do
peso, com 21,01 metros, a um escasso centímetro do
recorde nacional. Entre os atletas de Leiria, Irina
Rodrigues foi 6.ª no disco, com a melhor marca da época,
57,79 metros. Vânia Silva foi 21.ª no martelo, com 63,24.
.
Juventude Vidigalense organizou Taça da Europa de Lançamentos no fim-de-semana
Organização mais do que aprovada:
está na hora de acolher um Europeu
FOTOS: LUÍS MENDES
Futebol Caldas SC
solidariza-se
com GD Monte Real
O Caldas Sport Clube disponibilizou
a sua equipa de futebol sénior para
realizar um jogo de futebol com o
intuito de angariar verbas para o
reerguer do Grupo Desportivo de
Monte Real, clube que viu todo o
seu espólio debaixo de água
aquando das recentes cheias no rio
Lis. O clube do Oeste vai ainda fazer
um peditório no jogo com o
Torreense, no domingo, com a
verba angariada a ser entregue ao
emblema do concelho de Leiria.
BTT Pia do Urso
comemora
segundo aniversário
Tendo em vista a comemoração do
segundo aniversário do Centro de
BTT da Batalha-Pia do Urso, a
Câmara Municipal da Batalha leva a
efeito no dia 30 de Março, domingo
pelas 10 horas, um passeio de BTT,
aberto às famílias, com duas
distâncias à disposição: 12 ou 24
quilómetros. Inscrições gratuitas
até à próxima quinta-feira em
[email protected]. Paisagens
fantásticas, boa disposição e
animação garantida para todos.
Andebol Cinco
jogadoras do distrito
chamadas à selecção
Bronze em Londres'2012, Linda Stahl venceu o dardo, com 61,20 metros. Campeão mundial em 2013, Pawel Fajdek ganhou o martelo,
com 78,75 metros. Juliana Pereira, da Juventude Vidigalense, fez mínimos para o Mundial júnior.
Miguel Sampaio
[email protected]
T Foram dois intensos dias de provas,
com alguns dos mais fortes homens
e mulheres do Mundo. No passado
fim-de-semana, Leiria foi o centro europeu do sector dos lançamentos,
num evento organizado pela Juventude Vidigalense (JV) e que levou à região centenas e centenas de pessoas.
A Associação Europeia de Atletismo
ficou encantada com as condições e
o balanço é claramente positivo, garante Daniel Pereira, presidente do
clube, que quer levar o emblema que
dirige a mares nunca dantes navegados a nível organizativo. E o próximo
patamar pode muito bem ser um
Campeonato da Europa...
Ao longo dos últimos anos, primeiro a autarquia e depois a JV têm
aproveitado as condições do Estádio
Municipal Dr. Magalhães Pessoa e
do Centro Nacional de Lançamentos
para a realização de eventos internacionais. De forma ininterrupta, Leiria
acolhe eventos internacionais desde
2005. A Taça da Europa de Lança-
Os números
32
recordes pessoais batidos durante
os dois dias e 16 provas da Taça da
Europa de Lançamentos
47,90
metros foi a marca alcançada pela
atleta da Juventude Vidigalense,
Juliana Pereira, no lançamento do
disco, que lhe dá o passaporte para
o Campeonato do Mundo de
juniores.
mentos do passado fim-de-semana
foi a mais importante até hoje organizada pelo emblema fundado por
Paulo Reis e os amigos Carlos Santos
e Sérgio Ferreirinho há quase três
décadas, mas o patamar é para subir
nos próximos tempos.
Daniel Pereira não consegue esconder o orgulho pelo resultado deste trabalho de seis meses. “Confesso
que tinha algumas dúvidas devido à
nossa falta de experiência neste tipo
de evento, que tem algumas particularidades. O facto de ser disputado em
dois locais – estádio e CNL -, em dois
dias e por quase três centenas de atletas de 35 países, com todas as nuances ao nível de transporte, alimentação e alojamento inerentes, poderia
criar-nos problemas, mas a verdade
é que correu tudo bem, os resultados
foram bons, e a Associação Europeia
de Atletismo e as comitivas ficaram
satisfeitas.” De tal forma que cada vez
será mais comum ter “campeões
olímpicos e do Mundo a estagiar em
Leiria”, aproveitando as condições
melhoradas do Centro Nacional de
Lançamentos.
Para o presidente, “o clube ficou reforçado do ponto de vista institucional”, o que só foi possível “pela grande ajuda dos 130 voluntários”, mas
também da “Câmara Municipal”.
Contudo... “O ambiente estava muito agradável, com muita gente a ver as
provas, mas claro que nunca ficamos
satisfeitos. A mudança de paradigma
demora tempo”, desabafa. Certo é
que já houve algumas conversas exploratória com a Associação Europeia de Atletismo para trazer uma prova de ainda maior calibre para a cidade que, claro, “só tem a ganhar”.
O que se pode seguir? Como o segredo é a alma do negócio, Daniel Pereira prefere não desvendar totalmente o que aí vem, até porque para
já está focado no Meeting Internacional de Leiria, que a JV organiza em Junho e que está a ter uma procura intensa por parte de atletas internacionais. Mas o Campeonato da Europa de
Equipas – que Leiria até já recebeu em
2009 – ou o Campeonato Europeu de
sub-23, no próximo par de anos estão,
definitivamente, nos horizontes do dirigente.
As pivot Telma Amado, das
islandesas do IBV
Vestmannaeyjar, e Mariama
Sanó, do Colégio João de Barros,
as laterais Maria Pereira, do
mesmo clube, e a júnior Ana
Gante, da Juventude do Lis, e a
ponta Ana Marques, actualmente
no Alavarium, foram convocadas
por João Florêncio para o duplo
duelo de Portugal com a Polónia
em andebol sénior feminino, de
apuramento para o Mundial. Os
jogos estão marcados para dia 26,
na Maia, e 31, em Zielona Góra.
Basquetebol Carlos
Ferreirinho conquista
Taça pelo Benfica
O atleta do Benfica Carlos
Ferreirinho conquistou este
domingo a Taça de Portugal de
basquetebol. O extremo, de 22
anos, que começou no CBL e
passou pela IEJOTA, jogou 10
minutos na final da competição.
Os encarnados ganharam o
troféu pela 19.ª vez, graças a um
triunfo folgado sobre o Galitos do
Barreiro (74-52), na final
disputada em Fafe.
34 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Viver
RICARDO GRAÇA
Poesia
desenhada em
pedra alvinegra
Calçada portuguesa Quem, em
criança, nunca saltou de forma
geométrica em forma geométrica
desenhada a negro na alva calçada
portuguesa? Quem nunca viu um
turista a fotografar, arrebatado, em
deslumbre visual, as figuras a preto e
branco que vivem debaixo dos nossos
pés? É uma manifestação de arte que
quase passa despercebida no dia-a-dia
Jacinto Silva Duro
[email protected]
T Em padrões de um negro vulcânico e de branco, ora
polido, do vidraço, ora calcário, mais macio, a calçada
portuguesa é mais do que uma singularidade das
muitas cidades e vilas de Portugal ou de países
onde a cultura portuguesa marca a sua presença. É
uma afirmação de identidade e herança cultural.
Pedra a pedra, o calceteiro, mestre nesta arte
complexa, dura e mal paga, cria padrões e desenhos,
num rendilhado quase poético. Com martelo e
molde, ajusta os cubos de pedra ao padrão.
É com a ajuda desta forma de expressão artística feita com pedra extraída das pedreiras das
Serras de Aire e Candeeiros que Lisboa vai sendo
cada vez mais conhecida no estrangeiro e coleccionando galardões em concursos de beleza, onde
deixa as restantes capitais europeias a morder os lábios de inveja.
Estranharíamos as nossas ruas e praças se não
fosse a nossa calçada. Portugal não seria Portugal. Parecer-nos-ia alienígena, estrangeiro.
É uma arte omnipresente e ubíqua em todas
as vilas e cidades nacionais. A norte, em Guimarães, Aveiro, Porto, a calçada portuguesa
mostra-se em várias ruas históricas. No centro,
está presente em Caldas da Rainha, Leiria, Nazaré, Coimbra, Castelo Branco, Santarém... nas
ilhas e a Sul, do Alentejo ao Algarve, de Sines a
Lagos, Portimão, Faro e Tavira.
No estrangeiro, Angola, Brasil, Cabo Verde,
Macau e Moçambique contam também com a sua
dose de calçada portuguesa, brilhante com o sol,
cintilante com a chuva.
Recentemente, na comunicação social apareceram
notícias sobre a intenção da Câmara Municipal de Lisboa de retirar a calçada portuguesa de alguns locais
da capital. A autarquia justificava a medida com o perigo que, em alguns locais, a calçada representa para
os transeuntes. Houve mesmo petições para impedir que o tradicional revestimento do pavimento fosse arrancado.
Origem no século XIX
A actual calçada portuguesa surgiu como arte decorativa em Lisboa, em meados do século XIX, corria o ano de 1842. Terá
sido idealizada por Eusébio Furtado,
governador de Armas do Castelo de
São Jorge, que concebeu um pavimento de pequenas pedras pretas e
brancas, em ziguezague, para a fortaleza e arredores. Depois disso, a Praça
do Rossio foi um dos primeiros locais a receber o pavimento. A execução do trabalho coube aos presos do Estabelecimento Prisional de
Lisboa. Ou seja,
sempre que caminhar na secção central do Rossio, em Lisboa,
estará a pisar uma porta para
o passado. Essa calçada chama-se Mar Largo e os desenhos
Gato de olhos
rosa - Largo do
Gato Preto, Leiria
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 35
Cópia dos chineses
A China é um dos países que demonstraram
interesse na utilização da calçada portuguesa,
tendo mesmo, em meados da década passada,
comprado vários contentores de pedra branca e
negra das Serras de Aire e Candeeiros para aplicar
nas suas cidades
homenageiam os Descobrimentos Portugueses. Dessa altura Baixa pombalina, Praça de Camões e Avenida da Liberdade exibem os intrincados desenhos
monocromáticos.
Mas as raízes da calçada podem ser ainda mais antigas. Quem já visitou sítios arqueológicos com ruínas romanas, como Conimbriga, reconhece com facilidade, no chão ricamente decorado das villas e edifícios públicos, algumas técnicas e até o mesmo tipo
de desenhos. Nos seus escritos, o escritor Almeida
Garrett falava do empedrado alvinegro, tal como o
poeta Cesário Verde. Ambos gabavam a beleza e os
motivos decorativos. “De cócoras, em linha (…),
Com lentidão, terrosos e grosseiros, Calçam de lado
a lado a longa rua", escreveu Cesário, em Cristalizações, onde o poeta descreve um quotidiano urbano,
por onde o sujeito poético deambula, encontrando-se com as típicas manifestações de vida da capital
portuguesa.
“O famoso Calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi todo colocado por calceteiros portugueses.
Em 1950, porque as ondas do mar nele representado estavam ao contrário, foi arrancado e foram, novamente, portugueses a colocá-lo”, conta Celso
Gonçalves, responsável pela Roc2c, empresa de Turquel, Alcobaça, especializada na colocação de calçada
que colocou o empedrado na Avenida D. José Alves
Correia da Silva, em Fátima. O empresário de 35 anos
é igualmente um apaixonado por esta arte decorativa, fotografando praticamente todos exemplares
que encontra.
“O problema da calçada é que, nas obras públicas,
quando os trabalhos terminam e só falta colocar o pavimento, sub-contrata-se mão-de-obra que não é especializada e o trabalho fica mal feito. Uma calçada
portuguesa bem feita dura vidas. Lisboa foi considerada como uma das mais belas capitais europeias
devido ao trabalho dos calceteiros”, refere.
Até há poucos anos, quem visitasse Alqueidão da
Serra, no concelho de Porto de Mós, encontraria, aqui
e ali, pequenas pedreiras onde, pacientemente, homens de peles curtidas pelo sol e pelo ar da serra partiam em pequenos blocos a pedra cor de leite. Mãos
ágeis rodopiavam pedaços de rocha até sentirem um
veio natural, uma linha de fissura, e um martelo abatia-se, talhando na perfeição um paralelepípedo.
Hoje, as pequenas explorações quase desapareceram.
Restam os buracos na rocha, desabitados.
A crise na construção e o travão a fundo na despesa
pública ajudaram ao estado moribundo das pedreiras. Chegou a haver interesse de locais remotos, como
a China que comprou contentores de pedra para aplicar não apenas em Macau, mas também na parte continental do Império do Meio, mas a ausência de uma
união entre produtores – chegou-se a falar de uma
cooperativa, que nunca chegou a avançar -, aliada a
uma deficiente divulgação em feiras internacionais, que teria permitido a conquista de novos mercados, impediu que a calçada portuguesa conquistasse esse e outros importantes mercados.
As Serras de Aire e Candeeiros são também o único sítio em Portugal onde a pedra negra da calçada
é produzida. “Em 2000, chegou a haver 300 produtores. Hoje, haverá cerca de 50”, contabiliza o gerente
da Roc2c. Tradicionalmente, o “habitat” natural do
calcário da serra estende-se da Mendiga à “Terra das
Ervanárias” [Alcanede] e do Casal Val Ventos à Portela do Pereiro.
Pretos, cinzentos-claros, cinzentos-escuros, cor-derosa e brancos, os calcários desenham várias formas
e rendilhados quasi-poéticos, evocativos de uma portugalidade e saudade de grandiosidade que há muito existem no modo de ser lusitano.
No início, a pedra negra era o basalto. Depois, por
ser de talhe difícil, foi substituída, não apenas pelo
calcário das Serras de Aire e Candeeiros, mas também
pelo rosa do Algarve ou pelo avermelhado da Serra
de Sintra.
Mas não é só a pedra da calçada portuguesa que
tem diferentes origens geográficas. O mesmo acontece com as mãos que a talham e assentam. No meio,
diz-se que os calceteiros do Norte são os que melhor
sabem assentar a calçada à fiada ou quando o material
Escola de Calceteiros
Martelo, carro-de-mão e mãos desenrascadas
Como tudo neste mundo, a
utilização e o passar do tempo
deterioram a conservação do piso.
Ainda que simples de fazer, por
comparação a outros tipos de
pavimento, a manutenção é
obrigatória e deve ser feita por
mestres calceteiros, sob pena de o
trabalho final ficar perigoso e mal
feito. Para resolver a falta de
profissionais desta arte, a Câmara
Municipal de Lisboa criou há cerca
de 15 anos uma Escola de
Calceteiros que também dá
formação a artistas oriundos de
vários pontos do País. “Deve ser o
único tipo de calçada que, para
reparar precisa apenas de um
martelo, um carro-de-mão e umas
mãos desenrascadas”, afirma Celso
Gonçalves, responsável pela Roc2c,
empresa de Turquel, Alcobaça.
é o granito. No entanto, quando se trata de calcário
ou vidraço, os melhores são os da zona Centro.
Enquanto houver pedra alvinegra nas Serras de
Aire e Candeeiros e enquanto a inspiração não abandonar as mãos dos poetas calceteiros, a calçada
portuguesa continuará a fazer parte da identidade da
alma lusa e a encantar não somente quem nos visita, mas também cada um de nós, porque esta arte é
tão indissociável da portugalidade como os galos de
Barcelos, as Cruzes de Cristo das caravelas que deram novos mundos ao Mundo, o pastel-de-nata, o
fado ou as filigranas.
Um dia destes, volte a ser criança. Olhe para o chão
que pisa e pule de padrão negro em padrão negro. Os
calceteiros agradecem o reconhecimento.
PUBLICIDADE
36 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Viver
Micro-concertos por uma causa ambiental
Há música nas casas de banho
do LeiriaShopping
MARIA ANABELA SILVA
Maria Anabela Silva
[email protected]
T Filha de músico e, por isso, familiarizada com os
mais variados instrumentos musicais, a pequena Sophia Faria acabou, no entanto, surpreendia com o micro-concerto que Paulo Lameiro e Yumiko Ishisuka,
músicos da SAMP (Sociedade Artística e Musical dos
Pousos), deram, na sexta-feira à tarde, à entrada de
uma das casas de banho do LeiriaShopping.
A iniciativa serviu de 'aperitivo' para o que aconteceu nas tardes de sábado e de domingo, quando oito
músicos da SAMP surpreenderam os utentes do
centro comercial com performance artísticas num
palco aparentemente improvável: os sanitários do
LeiriaShopping. A acção, que irá repetir-se nos dias
29 e 30 de Março, insere-se no projecto de sensibilização ambiental O cano é que paga, promovido pela
Simlis e que pretende alertar para as consequências
da colocação de resíduos nos esgotos.
"As casas de banho estão cheias de sons, haja mais
ou menos pudor em falar dos sons que cada um de
nós emite ou ouve lá dentro. Há água e ar a correr em
várias circunstâncias”, disse o director pedagógico
da SAMP, durante a apresentação dos micro-concertos. Paulo Lameiro explicou que os artistas envolvidos no projecto foram “estimulados a explorar”
os sons provenientes das casas de banho, integrando-os na música que tocam e “interagindo” com os
utilizadores do espaço, que podem ser convidados a
fazer duetos com os artistas da SAMP
“Cada músico improvisará com base nos sons
que forem produzidos pelas pessoas que estão ao pé
de si”, acrescentou Paulo Lameiro, reconhecendo que
o projecto envolve “alguns riscos”, porque pode ser
visto por algumas pessoas como “invasão de privacidade”. O representante da SAMP assegura, no entanto, que esses “riscos” serão contornados com o
“respeito pela privacidade de quem quer mais intimidade”.
Quem não se sentiu minimamente perturbada
com a música foi a pequena Sophia, que olhava, de
forma embevecida, para a actuação do 'duo' formado por Yumiko Ishisuka e Paulo Lameiro. “É uma iniciativa muito boa. Tudo o que fazemos deve envolver música. Por que não quando usamos a casa de banho?”, questionava Wilza Faria, tia da criança.
O ciclo de micro-concertos integra a campanha de
sensibilização que a Simlis, empresa de recolha e tratamento de águas residuais, está a desenvolver para
alertar a comunidade para as consequências de colocar resíduos, como pensos higiénico, tampões, esfregões ou cotonetes, para os esgotos. “Para mudar
MARIA ANABELA SILVA
Micro-concertos
vão repetir-se
nos próximos
dias 29 e 30
Projecto
da Simlis
tem como
parceiros
o Leiria-Shopping
e a SAMP
comportamentos é preciso que a população conheça os impactos dessas práticas”, nota Filipa Alves, administradora-delegada da Simlis, que justifica a escolha das artes como aliada para este projecto pelo facto de “a música ser um factor chave
e uma arma poderosa na melhoria do alcance que
essa mensagem pode ter”.
Os próximos micro-concertos no LeiriaShopping terão lugar no dia 29, sábado, das 16:30 às 18
horas, e no dia 30, domingo, das 13:30 às 15 horas.
Entretanto, no âmbito da estratégia da Simlis de
se socorrer das artes para as suas acções de educação ambiental, a empresa desafiou alunos e professores da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha a desenvolverem exemplos de protótipos da “casa de banho do futuro”.
Comemorado no sábado
Simlis assinala Dia Mundial da Água
O Dia Mundial da Água, que se
comemora no sábado, será
assinalado pela Simlis com a
entrega dos prémios referentes ao
concurso O videoclip + fixe,
destinado a alunos dos 2.º e 3.º
ciclos do ensino básico dos
concelhos de Batalha, Leiria,
Marinha Grande, Ourém, Pombal e
Porto de Mós. Os estudantes foram
desafiados a criar um videoclip que
ilustrasse a mensagem do projecto
de sensibilização ambiental O cano
é que paga, que alerta para a
colocação de determinados
resíduos no sistema de esgotos. Os
trabalhos serão exibidos, no
sábado, no cinema do
LeiriaShopping, pelas 10 horas.
Também no âmbito do Dia Mundial
da Água, a Simlis vai realizar visitas
guiadas a infra-estruturas de
tratamento de águas residuais e
acções de educação ambiental.
0.P.A. Ouve-se Por Aí
12 pontos vão para…
Rúben Gomes
Twitter: rubencgomes
T No passado sábado (15) assistimos à final do
Festival da Canção 2014! Juro que pensava que já
tinham desistido de tal coisa! Depois de termos
desistido da Eurovisão em 2013 por razões
financeiras, embora eu ache que tenha sido por
vergonha uma vez que continuamos pobres,
insistimos em regressar! Somos um género de
Marítimo na Liga Europa, gostamos de lá ir, mas
fazemos sempre má figura. Portugal é, de facto,
um país que gosta de ver um bom acidente e
como se não fosse triste o suficiente a existência
deste festival em Portugal ainda acharam por
bem fazer um especial para comemorar os seus
cinquenta anos! Aqui para nós, a comemorar não
seriam as bodas de ouro mas sim as de lata!
Confesso que comecei a assistir por engano. Nem
estava a ligar ao que passava na televisão até que
comecei a ouvir a voz do Son Goku [era Henrique
Feist na abertura do festival]. Como é que um
jovem vai de Son Goku a anfitrião de Festival da
Canção em Portugal? Coitado! Pelo sim, pelo não,
deixei de procurar o avião da Malaysia Airlines
dentro da mala da minha mãe, sim se está
desaparecido há tanto tempo e como se encontra
lá de tudo, o mais certo é que esteja perdido no
interior de uma mala de senhora, e coloquei-me a
assistir para ver se aparecia a Bulma.
A final contou com cinco canções e os intérpretes
antes de entrarem em palco apresentaram-se ao
público dizendo o seu nome, a idade, de onde
vinham, o que gostavam e não gostavam de fazer
e essas coisas que não interessam a ninguém! A
não ser que ao invés de irem para cantar fossem
para encontrar alguém para acasalar. E criativos?
É impressionante, sempre que existe um
concurso musical todos utilizam a frase “Sonho
em ser cantor/a”. E eu a pensar que iam com a
esperança de saírem de lá bate-chapas...
No final ganhou a senhora de nome Susana
Guerra, mas como é conhecida desde pequenina
por “Suzy”, assim ficou! Os portugueses que se
acostumem a tratarem-na como se a
conhecessem desde o tempo da Cerelac!
Sinceramente já desconfiava que seria ela a
vencedora, tendo em conta que é um festival com
50 anos, transmitido pela RTP para pessoal sénior
e com um “padrinho” pimba. Vencer a senhora
com a saia mais curta e com sinal no queixo como
os rostos da estação pública de televisão,
Catarina Furtado e Sílvia Alberto, parecia-me
lógico.
Nem tudo é mau, não posso embirrar com tudo.
Com música pimba mas interpretada por uma
artista com nome estrangeiro pode ser que os
enganemos e pensem que somos de um país que
costuma ficar acima da linha de despromoção.
Acreditem ou não, não tenho rigorosamente nada
contra a música pimba, desde que o botão mute
esteja acessível.
A canção vencedora desta
edição foi escrita e
composta pelo cantor de
música popular, Emanuel,
e é ai é que eu volto a ligar
o embirrómetro. Um
senhor que ganha a
Canção do Ano 2012 em
Portugal com um tema
onde 20% da letra é na
língua de Camões e o resto
é uma salada “Love me
baby nanananana / Es una
bomba / Inspiras mi vida /
Di amore y paisón ... Y
hace bumbum / En mi
corazón”, agora que é uma
canção para tentar não
ficar em último num
festival europeu, escreve
tudo em português? Sem
querer ser chato, a única
coisa que na Europa
sabem dizer em português
é: “Quando pagam o que
nos devem?”. Ao menos
escrevia no idioma do
Jorge Jesus, ele costuma
dar-se bem na Europa e
até já ficou em segundo.
No final a interprete
emocionada fez os
habituais agradecimentos,
entre os quais à Figueira
da Foz e às Caldas. Só
faltou agradecer o
autocarro disponibilizado
pelo Presidente da Junta
de Freguesia como fazem
no Preço Certo.
Argumentista/Humorista
PUBLICIDADE
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 37
38 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Curtas
Centenário Leiria que nos viu nascer
marca aniversário da Caixa de Leiria
Figueiró dos Vinhos Biblioteca
recolhe documentos da Guerra
Leiria Mais de 100 mil euros
atribuídos a 53 entidades culturais
A Caixa de Crédito de Leiria está a preparar um programa
de celebração do seu centenário que inclui, entre outras
iniciativas a inauguração de uma exposição fotográfica
dedicada à cidade-sede da instituição financeira
que se tornou, com o tempo num dos seu
principais mecenas. A mostra intitula-se Leiria
que nos viu nascer, e será acompanhada pelo
lançamento do um livro homónimo. Os
trabalhos patentes são de autoria de Raul de
Sousa e de José Fabião e integraram o circuito
(Re)Conhecer Leiria. O evento terá lugar no dia 27
de Março, pelas 18:30 horas, na sede da Caixa de
Crédito de Leiria, no Largo Cândido dos Reis – Terreiro -,
em Leiria. A exposição ficará patente até dia 30 de Junho,
de segunda a sexta-feira.
Figueiró dos Vinhos e a I Guerra Mundial é uma
iniciativa da Biblioteca Municipal da vila que tem como
objectivo, através da recolha de documentos, objectos e
memórias, mostrar o impacto que o conflito teve a
nível local. Mais do que celebrar o centenário da
Grande Guerra, a iniciativa pretende recordar os
combatentes, estudar e compreender a importância
que o conflito teve em Portugal e, sobretudo, as marcas
que deixou a nível local. Para isso, a instituição está a
apelar a todas as pessoas dêem testemunhos ou cedam
fotografias, diários, condecorações ou correspondência
da época. Os documentos serão digitalizados pelos
serviços técnicos da biblioteca, e logo devolvidos aos
proprietários. Informação nos contactos: 236 559 230
ou [email protected].
A autarquia de Leiria deliberou, na terça-feira, atribuir
apoios no total de 100.250 euros a 53 entidades
associativas de carácter cultural, na sequência de
candidaturas ao Regulamento PRO Leiria, para a
atribuição de auxílios financeiros no ano de 2014. Os
apoios são dirigidos a associações que organizaram
eventos culturais, ranchos folclóricos, filarmónicas,
grupos de música tradicional e grupos corais do
concelho de Leiria. Segundo um comunicado da
Câmara, embora o valor se mantenha em relação ao ano
passado, a autarquia pretende promover eventos
culturais cuja relevância e interesse fomentam o
enriquecimento da oferta cultural. Iniciativas que, por
outro lado, incentivam a criatividade, a inovação e a
mobilização das associações e da população em geral.
DR
Arquitecta de
Leiria representa
Kuwait em Veneza
A arquitecta natural de Leiria, Sara Saragoça
Soares, vai marcar presença na Bienal de Veneza,
que se realiza entre 7 de Junho e 3 de Novembro.
Representará o país onde agora reside, o Kuwait, a
partir do tema Acquiring Modernity. O nome foi
anunciado durante a conferência de imprensa de
apresentação do evento pelo curador da exposição
Fundamentals, Rem Koolhaas, no início desta
semana. A arquitecta, sentada, na foto, nasceu em
1975 e é licenciada em Arquitectura pela ARCA Escola Universitária das Artes de Coimbra.
Frequentou um mestrado em Reabilitação
Urbana e Arquitectura da Faculdade de
Arquitectura de Lisboa onde investigou o tema
da preservação da cidade árabe pós-colonial
entre 1950 e 1970, em especial Kuwait City. Em
2010, colaborou com a MultitudeAgency, no
Kuwait, e Museu dos Emir, numa consultoria para
a Casa Civil do Emir do Estado do Kuwait.
Coimbra Carlos Barão expõe
no Edifício Chiado
O pintor de Leiria Carlos Barão é o senhor que
se segue no Museu Municipal de Coimbra
- Edifício Chiado, com uma exposição
de pintura até 11 de Maio numa
mostra retrospectiva. Artista
plástico muito conhecido e
reconhecido, ao longo da sua
carreira tem participado em
inúmeras mostras individuais e
colectivas. Conta ainda com obras
em museus e colecções como o da
Banque Privée, Suíça, do Município
de Keflavik, Islândia, do Museu de
Arte Contemporânea Keflavik, Islândia,
da Presidência da República da Islândia e do
Burj Khalifa Building, Dubai.
Portuguese Small
Press Yearbook em
digital nas Caldas
Hoje, quinta-feira, dia 20, às 18 horas, o Museu José Malhoa, em Caldas
da Rainha, acolhe a apresentação da www.tipo.pt, uma base de dados
sobre livros de artista e edição de autor, produzidos em Portugal ou
por artistas de nacionalidade portuguesa. A Tipo.pt, projecto da
responsabilidade de Catarina Figueiredo Cardoso e Isabel
Baraona, edita o Portuguese Small Press Yearbook, anuário
impresso em papel, com texto críticos e páginas criadas
por artistas, O anuário e o website são trilíngues, com
edição em Português, Inglês e Francês.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 39
Almanaque
RICARDO GRAÇA
Queriam o quê?
Mesa de
Cabeceira
Carlos
Martins
Sandra José, dramaturga e actriz
“Gostava de ser mais solidária
comigo mesma”
Se não estivesse ligada ao mundo da arte, o que
seria?
Tudo, menos eu…
O projecto que mais gosto lhe deu fazer
É sempre o último, mas tenho estado envolvida em
Teatro para Bebés e, de facto, foi o último. Dá-me
muito gozo ver o sorriso dos bebés a envolverem-se
no espectáculo.
O espectáculo, concerto ou exposição que mais lhe
ficou na memória
Um concerto dos Trovante, ainda na minha terra
natal, Chaves. Tinha uns 15 anos e foi a primeira vez
que saí à noite (bem vigiada, claro!)
O livro da sua vida
Aparição, de Vergílio Ferreira. A seguir a esse,
qualquer um deste autor me encaixa perfeitamente.
Um filme inesquecível
A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Chorei
baba e ranho e choro só de pensar.
Se tivesse de escolher uma banda sonora para si,
qual seria?
Rodrigo Leão, sem pestanejar. Escrevo sempre a
ouvir música e o texto que estará em cena no mês de
Abril, no Teatro Rápido, Check Mater, tem
precisamente a banda sonora do Alma Mater, de
Rodrigo Leão, como útero.
Um artista que gostaria de ter visto no Teatro José
Lúcio da Silva
Não cheguei a ver Rodrigo Leão, por isso não me
importava que voltasse.
Uma viagem inevitável
Qualquer viagem para mim vale a pena. É inevitável
que seja assim, mas gosto de ir para sítios onde me
entendam, por isso não tenho muita escolha.
Um vício que gostava de não ter
Tenho aquela pancada das limpezas e da
organização e isso cansa-me. Gostava de ser mais
solidária comigo mesma. Pode ser que, com a idade,
acalme por falta de força. É sempre uma esperança…
Uma personalidade que admira
Simone de Oliveira é o meu exemplo de vida.
Admiro-a da cabeça aos pés. E, hoje em dia, admiro
todos os portugueses que lutam para ir vivendo.
Um actor que gostasse de levar a jantar
Se ainda estivesse vivo, Raul Solnado.
Um restaurante da região
O culto do arroz, na Praia de
Paredes de Vitória.
Um prato de eleição
Feijoada de todos os tipos e
feitios.
Um refúgio (na região)
Castelo de Leiria (foi
muitas vezes o meu
refúgio, ainda em tempos
de estudante)
Um sonho para Leiria
Um sonho com vários
sonhos: que aprenda a
sonhar e saia das muralhas;
que seja amiga de quem dá o
nome por ela; que dê ouvidos
à cultura que lhe nasceu no
ventre e que seja justa quando
“abrir a cortina”.
DR
Raul Solnado
Simone
de Oliveira
DR
A Lista de Schindler
Uma Susy. Uma música
"escrita" (!?) pelo Emanuel. Um
país onde se constroem altares
ao pindérico e ainda se manda
dinheiro para cima deles.
Queriam que isto fosse
representado por um tema do
Rodrigo Leão cantado pelo
Noiserv?
Num país onde existe um evento
organizado por uma empresa
gigantóide mega capitalista com
um "artista" (eu sou cómico. Sou
mesmo, pronto) mega nulidade
num mega picnic à beira do rio
que passa em Lisboa.. Junta-se o
povo e surge a terrível mega
constatação indignada: a Susy é
portuguesa.
Pois é. Não só é portuguesa
como também é uma boa parte
de Portugal. Aquilo é Portugal.
Uma vez, para aí no dia 24 de
Agosto de 2012 às 11h35, escrevi:
"Goucha todó-poderoso, Nossa
senhora da Fátima Lopes, Ó Júlia
nas alturas, o país desistiu. De
maneiras que Gouchas, Fátimas,
Júlias: o país é vosso, roda o
palco, bate a palminha ao som
do meu vómito que se ouvirá ao
longe, num país distante
chamado cérebro."
Agora já estou grande, quero lá
saber de mediocridades, já nem
me irritam nem desirritam.
Espanta-me a indignação. As
músicas dos outros anos eram
boas? Se não é Suzy é Sabrina, se
não é Sabrina é outra coisa
qualquer acabada em nada. De
maneiras que me espanta o
espanto. Portugal é isto,
deseducado, desinformado,
desinteressado, desinspirado à
mercê de instintos primários.
Como o Nilton, por exemplo. Se
a educação e a cultura fossem
um tudo de nada mais
competentes o Nilton ficava
desempregado ou seria
funcionário público em
Boliqueime. Mas o Nilton é
Portugal, era aquele gajo que
comia num canto do recreio para
não lhe pedirem um bocado, era
invejoso, comichoso, usava
perfume, era o gajo que merecia
sempre levar no focinho mas
safava-se sempre por ser o chibo,
enfim, fica-se sempre aquém
quando toca a falar do
"comediante" (a sério que me
sinto com um nível de
comicidade muito acima da
média). Enquanto o gajo que ama
você e a miúda que quer ser tua
forem Portugal, eu mantenho-me na minha ignorância
totalmente arrogante que só faz
intervalos para ler a Lady
Mustache. Procurem no
facebook, é giro mas agarrem-se.
Estou cáustico, a culpa não é
vossa mas também não é minha..
Um dia destes falamos melhor.
Músico
40 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Entrevista
Paulo José Costa, escritor
“A poesia encerra imensos mistérios”
RICARDO GRAÇA
Jacinto Silva Duro
[email protected]
T “Partir não é deixar. Partir é não regressar ao coração
de quem nos vê diluir-se no horizonte”, pode ler-se no seu
livro O menino que acordava as estrelas (ilustrações de
Nídia Nair Marques). É uma obra infanto-juvenil, mas, à
semelhança do Principezinho, é também um livro com
mensagens fortes para os adultos?
Pode haver essa comparação, mas não houve a intenção.
O meu universo estético e área onde me sinto mais à vontade é, de facto, a poesia e isso aconteceu por acaso. O livro surgiu de uma coisa fortuita... comecei a contar uma
história ao meu filho para o adormecer e começou a tomar aquela forma. Fui escrevendo uma notas e, quando
chegou o momento de passar para o papel, não conseguia
escrever de outra maneira. Há ali um estilo poético ao qual
não me consigo deixar de agarrar, com consequências positivas e negativas, pois pode não ser um livro fácil para
um público mais novo entender...
Obriga os pais a pensar...
Esse é um objectivo mais deliberado. Poderia ter esquartejado o texto final e deixado ficar apenas frases mais simples e não tão directas, com menos segundos sentidos.
Contudo, isso seria desvirtuar a minha visão estética. Quando apresentei o livro à editora, houve a ideia inicial de publicarmos algo que seria, simultaneamente, para crianças
e pais. Uma página seria para os mais novos e outra, ao lado,
seria para os adultos. Mas percebi que não faria sentido e
não se avançou por aí.
Sopro da voz, foi o seu livro antes deste, é uma colectânea de cerca 70 poemas, da colecção Poesia Novos Talentos, da Textiverso. Participou também na IV Antologia de Poetas Lusófonos, da editora Folheto Edições & Design. O psicólogo refugia-se na poesia para fugir ao quotidiano?
A poesia é um território de evasão para me afastar dos “fantasmas” do dia-a-dia. São “fantasmas” cada vez maiores
relacionados com a minha prática profissional, porque as
problemáticas que surgem no campo da infância, adolescência e famílias são cada vez mais avultadas e de grande impacto emocional, para os pacientes e para o psicólogo. Se não tiver um escape, não me consigo situar de forma objectiva nas problemáticas. Há muitos psiquiatras e
psicólogos que têm esta forma de escape. Mas a poesia também remete para as minhas experiências pessoais; a minha forma de estar e de me expressar. A poesia é um universo que encerra imensos mistérios. Tem uma componente de existencialismo e de “salvação”... é essa a principal função daquilo que escrevo. Acaba por ser introspecção e auto-avaliação sobre aspectos pessoais ou profissionais.
Especializou-se em dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita dos jovens. Que conselho dá a quem não consegue ler com facilidade?
Um dos princípios básicos da obtenção de mais competências em qualquer área, é o treino sistemático - trabalhar de forma estruturada e cumulativa -, em relação aos
aspectos que possam estar deficitários. Na leitura e escrita,
num processo de reabilitação, deve haver um treino sistemático. Não é possível ler, ou escrever bem, se isso não
se fizer regularmente. Claro que existem métodos apropriados para treinar as crianças que têm dificuldades na
consciência fonológica ou na ortografia.
É preciso treinar o “músculo” do cérebro.
Exacto. Para nadar bem, é preciso ir à piscina e praticar.
Tenho lido alguns estudos muito recentes que referem que
o nosso cérebro é o mesmo do Homo sapiens, em termos
estruturais, anatómicos, emocionais e não houve uma evolução filogenética da estrutura que, à nascença, é a menos desenvolvida. Infelizmente, pecamos por achar que
todos os seres humanos têm de, no mesmo momento do
desenvolvimento, revelar as mesmas competências. No
processo de leitura e escrita e noutros processos psico-
O seu próximo
projecto passa
por associar,
em Junho,
fotografia e
poesia, o que
resultará
numa
exposição,
patente no
Mimo e na
edição de um
livro. “A
fotografia será
de uma
pessoa de
Leiria. Mas
ainda é cedo
para revelar
mais detalhes.
A minha
intenção é
fazer uma
publicação
com
componente
visual e
estética,
anualmente,
e que poderá
ser
itinerante.”
motores ou da atenção, há cada vez mais investigações sérias que reportam que o nosso cérebro apreende estímulos para os quais, filogeneticamente, não estávamos prédestinados para ter acesso tão precocemente. Daniel
Bowman, no livro Foco, e o neuropsicólogo sueco Torkel
Klingberg, que escreveu The overflowing brain, referem
também o assunto...
O cérebro transborda com informação e solicitações?
Claramente... A leitura é um processo treinado. Não se pode
dizer que há um boom de dislexia mas ela pode estar a ser
mais favorecidos, porque a escola coloca, desde muito
cedo, a criança perante exigências, no domínio do material de leitura que, provavelmente, do ponto de vista maturacional ainda não está preparada para entender.
Pode-se dizer o mesmo da Matemática?
Sim, também. O cérebro tem áreas específicas que fazem a descodificação fonológica , que também são
usadas para a memória do trabalho. São funções
neuropsicológicas mais do que identificadas e que estão a ser requeridas nesses processo. Se elas não estão devidamente maturadas, a criança é sujeita a um
determinado desempenho que lhe é imposto por
um currículo cada vez mais exigente. A sobre-estimulação pode redundar em erros e pode ser mais prejudicial que a sub-estimulação.
Há quem defenda que a simplificação da escrita – aproveitando o Acordo Ortográfico (AO) – é o caminho para
diminuir a percentagem de analfabetos. É o que afirma o linguista brasileiro Ernani Pimentel que conseguiu que fosse criado, no Senado Federal brasileiro, um
grupo de trabalho destinado a propor a simplificação
da escrita. Concorda com este caminho?
É um processo de facilitismo gratuito. É óbvio que não
podemos ficar estanques perante a evolução da língua,
mas chegar a esse facilitismo porque é mais simplista
e porque vai favorecer outros interesses, não é um bom
princípio. Desconheço o trabalho de Ernani Pimental,
mas as crianças e adultos que têm a vida mais facilitada,
não progridem na aquisição de competências. Está con-
firmado, através de investigação, que um cérebro bilingue é muito mais activo e disposto a aprender outras
informações. Nessa lógica de simplificação, a aprendizagem da leitura com uma escrita simples poderá redundar num processo de sub-estimulação do cérebro.
A propósito do AO devo dizer que discordo dele em absoluto. Na minha escrita literária, académica e documentos oficiais continuo a escrever sem AO e, até agora, ninguém se queixou. Conhecer a raiz por detrás de
um vocábulo é extremamente enriquecedor. O AO propicia a perda do conhecimento e da história da língua.
Perfil
Psicologia e letras
Paulo José Costa, 37 anos, natural de Leiria, é
doutorando em Psicologia – Área de Especialização
em Avaliação Psicológica na Faculdade de
Psicologia e Ciências da Educação da Universidade
de Coimbra com o projecto de tese: Avaliação
Neuropsicológica da Perturbação de
Hiperactividade e Défice de Atenção: Diferenças
no domínio das Funções Executivas, Atenção,
Memória e Linguagem em Crianças e
Adolescentes. Licenciou-se em Psicologia
Educacional pelo Instituto Superior de Psicologia
Aplicada e Pós-Graduado em Psicologia Clínica e
da Saúde e é docente do ensino superior. É
também assistente de Psicologia do Serviço de
Pediatria, no Hospital Santo André. Autor, co-autor
e organizador de diversas publicações no domínio
da psicologia, destaca-se a co-autoria, com Susana
Heleno e Carla Pinhal, do livro Juntos no desafio –
Guia para a promoção de competências parentais.
A sua obra poética e infanto-juvenil está publicada
pelas editoras Textiverso e Folheto Edições &
Design.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 41
Olhar
Estações Arquitectura como finalidade
Primavera
DR
Pedro Cordeiro
[email protected]
T A Primavera pede um clima bem temperado, de
azuis e verdes limpos, desejada por meses cinzentos,
na companhia revigorada das árvores e das folhas viçosas, depois da provação da chuva e do frio do inverno. Porém, o brilho da sua chegada é cada vez menos evidente, perante esta tosca “modernidade”,
empenhada no desaparecimento das árvores desta cidade.
Pois é! É caso para repetir “o saneamento contínua”,
não bastava terem “limpo” a José Jardim e outras tantas ruas de Leiria, como era também necessário depenar os canteiros das escadas do eixo “Korrodi”. [Não
obstante o reconhecimento qualitativo daquele acesso pedonal na cidade, no que diz respeito à eficácia
da estrutura urbana, como no cuidado detalhado do
seu desenho.]
Aquela escadaria é, além de um digno corredor de
acesso entre a alta sul da cidade (na rua José Jardim)
e o centro do Largo de Sant'Ana, um momento de serenidade civilizacional, onde é normal tirar partido de
uma sequência de árvores que, anualmente, teimam
em brotar a Primavera. Isto, claro, para quem não tem
por perto um pedaço de terra eleito por narcisos, aquelas flores amarelas, que, como por um ego inaugural,
serão sempre as primeiras.
A versatilidade do conceito de Primavera difunde-o globalmente e está bem presente nos momentos
simbólicos de libertação dos povos, implícito nos cravos de Abril (1974) os quais serviram de inspiração para
a Revolução das Rosas (Geórgia 2003), subjacente na
Revolução de Jasmim (Tunísia 2010) enquanto um primeiro passo no despontar da Primavera Árabe (Egipto 2011; Líbia 2011; Síria 2011 + 3 anos de guerra…).
Uma inspiração radiosa, também sugerida nas actuais
sombras que pairam sobre a Venezuela ou no sobranceiro drama ucraniano.
Mas, em tempos de paz, os homens distintos apreciam a Primavera, de Verdi, porventura outras sensibilidades preferem Ravel, e a sua caminhada ascendente para a floração de um Bolero. Pelo deleite
musical, sugeria a interpretação do Bolero, por Frank
Zappa (Barcelona 1988), alguém de que é sempre bom
encontrar uma oportunidade para lembrar.
Contudo, para os bichinhos, a Primavera é o tempo do amor obsessivo. Animal. Nesta matéria, para
nós, poderá ser sempre Primavera… Como não temos
a evidência de um despertar sazonal, o nosso sistema
fisiológico parece orientado pela cultura, pelo Homem
(e pelo corpo), indicando, por exemplo, o ginásio,
como o lugar mais adequado aos preparativos dos banhos de Verão, lugar do desbaste dos exageros do Inverno. E porque a inevitabilidade do tempo só engana quem quer ser enganado, façamos o que temos de
fazer!
Na pintura, gosto do imperecível Paul Klee e da sua
“abstracção como referência para a árvore florida”. Um
tema de 1925 tratado por formas geométricas que parecem animar-se de vida pela energia e expressividade
das cores, sobre uma moldura de sombras frescas que
exaltam o acto inaugural desse estado – a floração.
Do outro lado, está o Estádio Magalhães Pessoa
como a fixação multicolor de uma enorme e egocêntrica Primavera, fora do tempo e do lugar, destinado
a morrer sem que alguma vez tenha vivido.
Mas a Primavera é também um momento adequado à esperança. Por exemplo, à esperança de uma ética que possa resistir aos tempos da técnica, aos valores
da eficácia e das suas frígidas escolhas. Isto, do ponto de vista de um sonho projectado na construção do
futuro de uma civilização, em que os valores se centrariam, paulatinamente, nas subtilezas do humano.
Primavera,
Paul Klee,
1925
Todavia, tudo indica que vamos ter de aguentar uma
condição que é tão “humanesca” quanto animalesca,
o que me parece inevitável e até suportável, não fosse a consciência da maioria na condução do processo e dos seus modos, cada vez mais, postiços.
Mas foquemo-nos na Primavera e nas coisas boas,
como a reanimada força do sol e os pés descalços na
praia, os passeios de bicicleta, as esplanadas e os amigos, o cheiros das flores, a mesa posta no quintal e
aquele ar da Primavera.
Entretanto, surgem até as cerejas, que, para quem
não sabe, têm uma época, que não tem nada a ver com
a logística dos supermercados, mas, com essa Primavera. Assim, como as ameixas, amarelas e vermelhas – de preferência da mesma cor, por fora e por dentro.
Mais tarde, as nêsperas e os pêssegos anunciam o
Verão com um “até mais!” à Primavera, em ciclos que
se repetem por princípios e fins. E que são, minuciosamente, inscritos nos anéis de crescimento das árvores, mais claros ou mais espessos, conforme o rigor
das chuvas e das temperaturas. Por fim, se seguirmos
o principio etimológico da palavra, verificamos que
a Primavera está para a (prim)eira parte do (Verã)o
como a “flor da idade” está para a “Primavera da
vida”… o que é bom!
MARIA GALVÃO
MARIA GALVÃO
42 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Obrigatório
Cinema Leiria Film Fest acontece
este sábado
Acontece este sábado, dia 22 de Março, a partir das 14
horas, no Teatro Miguel Franco, em Leiria, a segunda
edição do Leiria Film Fest. O certame da 7.ª arte é
dedicado a curtas-metragens de ficção e entre os 16
filmes a projectar, serão atribuídos prémios nas
categorias: curta-metragem nacional, curta-metragem
internacional, realizador, fotografia, edição,
sonoplastia, argumento e representação. A entrada é
livre e o público é convidado a votar no Prémio do
Público. O programa inicia com uma conversa, pelas 14
horas, sobre Como Fazer Cinema, com Álvaro Romão
(júri) e Bruno Carnide (júri e organizador). As sessões
competitivas iniciam às 15 horas e a entrega de prémios
decorre a partir das 21 horas. Mais informações em
http://www.leiriafilmfest.pt.vu
DR
Arquivo À conversa com...
Lídia Jorge
DR
A Arquivo Livraria realiza mais uma sessão de À
conversa com..., desta vez com Lídia Jorge a
propósito do livro Os Memoráveis. O encontro com
a autora acontece na terça-feira, dia 25, às 18:30
horas. Escreveu acerca deste livro Miguel Real, no
Jornal de Letras, que é um “romance de leitura
imprescindível para quem viveu o 25 de Abril, para
quem queira interrogar hoje a história recente de
Portugal, descobrindo-lhe um sentido superior ao
dos slogans proferidos no Parlamento nos dias
comemorativos, e para quem ame deixar-se
impregnar esteticamente pelo doce 'sabor' da
língua portuguesa.. A história começa em 2004,
quando Ana Maria Machado, repórter em
Washington, é convidada a fazer um documentário
sobre Abril de 1974.
ELISABETE CRUZ
Atreva-se a resistir
ao chocolate
de Óbidos
O Festival Internacional de Chocolate, no
Castelo de Óbidos, abriu portas na passada sexta-feira. A edição deste ano é inspirada no Jardim
Zoológico de Lisboa, pelo que, logo no início do
evento os visitantes têm oportunidade de visitar
uma exposição de esculturas em chocolate com
diversos animais. Delicie-se com a girafa, o
crocodilo, o leão ou o gorila, mas... resista e não os
coma. Terá até a oportunidade de eleger as suas
esculturas preferidas... verá que não é tarefa fácil.
Figurantes e músicos garantem a animação do
evento, onde os chocolates branco, de leite, com
amêndoas, negro e até de azeite não faltam, assim
como a tradicional ginja, servida em copo de...
chocolate. A organização proporciona, pela
primeira vez, uma oficina de bombons em que os
participantes aprendem a fazer os seus próprios
bombons e um espaço dedicado às crianças, onde
estas podem experimentar a culinária. Apesar de o
evento se centrar na Cerca do Castelo, toda a vila
está engalanada. O festival decorre até dia 6 de
Abril, estando aberto às sextas, sábados e
domingos.
Leiturasdasemana
Os Memoráveis
Lídia Jorge
Editora: D. Quixote
Tudo são histórias de amor
Dulce Maria Cardoso
Editora: Tinta da China
Lidia Jorge estará à conversa com os seus leitores
na livraria Arquivo no próximo dia 25 de março,
terça-feira, 18h30. «Romance de leitura
absolutamente imprescindível para quem viveu o
25 de Abril, para quem queira interrogar hoje a
história recente de Portugal, descobrindo-lhe um
sentido superior ao dos slogans proferidos no
Parlamento nos dias comemorativos, e para quem
ame deixar-se impregnar
esteticamente pelo doce 'sabor` da língua
portuguesa – tripla constelação da leitura de Os
Memoráveis.» Miguel Real, Jornal de Letras n.º
1133.
Livro do ano em 2012, O Retorno consagrou Dulce
Maria Cardoso como um dos grandes nomes do
romance contemporâneo. "Tudo são Histórias de
Amor" reúne doze contos – alguns dos quais
adapatados para teatro e cinema – que evidenciam
a intensidade e mestria literária de Dulce Maria
Cardoso enquanto contista.
44 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Desenho o vento por entre as árvores,
exposição de Daniel Moreira, na
Arquivo Livraria, Leiria, até 4 de
Abril
A igreja matriz da Marinha
Grande acolhe domingo, dia 23,
às 15 horas, um concerto pelo
pianista e compositor português
Sérgio Varalonga (em solo de
piano), com participação do
Grupo Coral Cantu Angeli.
Entrada livre
O Clube de Leitura Arquivinho,
encontro mensal da comunidade
de leitores da Arquivo Livraria, em
mais uma sessão sábado, 22, pelas
15 horas, com o livro O Ultimato na
Ópera Momo
A Senhora Vendedeira de Laranjas é
o nome do conto dramatizado para
pais e filhos, que decorre no Museu
José Malhoa, Caldas da Rainha,
domingo, 23, pelas 10:30 horas,
com dinamização de Cláudia Pujol.
Baseado na obra A vendedeira de
laranjas?, de Maria de Lourdes de
Melo e Castro, este atelier une
teatro, musicalidade e expressão
plástica. Para crianças dos 6 aos 12
anos
Jantar seguido de espectáculo
pela Orquestra de Sopros da
AMBO-Academia de Música
Banda de Ourém, sábado, 22, a
partir das 20 horas, no Salão dos
Combustíveis do Nabão em
Arneiro, Ourém. A iniciativa é da
Liga de Amigos da Secção de
Bombeiros de Freixianda
A Sociedade Filarmónica
Maceirense, Maceira, Leiria,
comemora o 139º aniversário nos
próximos dias 22 e 23 de Março,
com o I Encontro de Orquestras
Juvenis e o VIII Festival de
Bandas, em colaboração com
orquestras da Vestiaria
(Alcobaça) e Montalvo, sábado,
pelas 20 horas e domingo, a
partir das 14 horas
A 2ª Mostra Leirimar com Arte 2014
(pintura, escultura e fotografia de
alunos e professores de escolas
associadas do Centro de Formação
Leirimar) decorre até dia 25, no
Arquivo Distrital de Leiria
Exposição de pintura l'Arche
d'Hélène da artista francesa Hélène
Legrand, na Galeria Quattro, Leiria,
até 15 de Abril
Mostra de Filatelia de Classe Aberta
sobre o Japão, no Teatro José Lúcio
da Silva (TJLS) e Cores da Amizade,
na Biblioteca Municipal são as
exposições patentes em Leiria, no
âmbito das comemorações dos 45
anos da geminação com
Tokushima, patentes até dia 28 e 31
deste mês, respectivamente
Viagens, mostra de homenagem a
dois dos fundadores da Biblioteca da
Nazaré (Branquinho da Fonseca e
José Maria Carvalho Jr.), no âmbito
do seu 75º aniversário, patente no
Centro Cultural da Nazaré
Blackstone em versão acústica em
concerto amanhã, 21, pelas 19:30
horas, no Fábrica.música, Marinha
Grande
Acústico é o nome do novo projecto
dos Anjos em que recuperam os
êxitos de mais de 15 anos de
carreira. Os músicos Nelson e
Sérgio Rosado estão hoje, dia 20, às
21:30 horas, no palco do TJLS,
Leiria, para mais um concerto
A Campanha da resina, da extracção
à transformação é o mote para a
exposição organizada por Paulo
Antunes Santiago, até dia 31, no
foyer do Teatro Miguel Franco
(TMF), Leiria
Exposição fotográfica Subir, Descer e
Ver, A excelência do barroco do Bom
Jesus de Braga, da autoria de Miguel
Louro, até dia 29, na Galeria
Municipal da Nazaré
Homenagem a Astor Piazzolla por
solistas da Orquestra
Metropolitana de Lisboa, sábado,
22, às 21:30 horas, no CCC, Caldas
da Rainha. Liviu Scripcaru
(violino), Ana Cláudia Serrão
(violoncelo) e Savka Konjikusic
(piano), apresentam neste
concerto várias obras de Piazzolla
Numa parceria com a Fnac, o bar
Chico Lobo, em Leiria, apresenta
os DJ Henrique Pereira e Edgar
Santini, sábado, 22, pelas 17 horas
Exposição de ilustração Olhar o
interior e trazê-lo para fora, de
Helena Zália, na galeria municipal
de Ourém, até dia 23
Cinematemúsicas 2011, projecto dos
alunos da Escola de Artes SAMP,
amanhã, 21, pelas 21 horas, no TMF,
Leiria. Entrada livre
Solistas da
Orquestra
Metropolitan
a de Lisboa
interpretam
Piazzolla em
Caldas da
Rainha
O Centro Cultural Gonçalves
Sapinho, em Benedita, Alcobaça,
apresenta sábado, 22 de Março
pelas 21:30 horas um espectáculo
pela Orquestra Ligeira de
Óbidos, com direcção de Rodrigo
Martins
Orquestras de Guitarras pelo
Conservatório de Música de
Ourém e Fátima, domingo, dia
23, às 17 horas, no auditório da
Junta de Freguesia de Arrabal,
Leiria
Concerto de Abertura da
Concerto solidário com o trio de
música celta Espiral, domingo,
23, pelas 15 horas, no Teatro-Cine
de Pombal, a favor da construção
de uma escola na Guiné-Bissau
Teatro
Ana Vale inaugura a mostra de
pintura intitulada Os Quatro
Elementos, sábado, 22, pelas 16
horas, no Centro Cultural Mercado
de Sant´Ana, Leiria. Haverá um
momento musical com o pianista
Fabrício Cordeiro e uma abordagem
ao tema da mostra, a cargo do artista
plástico e escultor Rodrigo Baeta
Cerâmica de
Vitor Reis no
a9)))), Leiria
Temporada 2014 pela Banda
Sinfónica de Alcobaça, com
direcção de Rui Carreira,
domingo, dia 23, pelas 18 horas,
no cine-teatro desta cidade
O Instituto Jovens Músicos realiza,
na sua sede em Caldelas,
Caranguejeira, Leiria, uma sessão
gratuita de Música para Pais e
Bebés, domingo, dia 23, pelas 10:30
horas
Cinema
Tubaralhas-me, exposição de
cerâmica de Vitor Reis, na Sede do
colectivo a9)))), Leiria, até 3 de Abril
Música
Artes
Crianças
Agenda
O Cine-Teatro Municipal de
Ourém apresenta sábado, dia 22,
às 21:30 horas, a comédia
Cucurrucucu, de Alfonso Paso,
interpretada por um elenco
liderado por Tozé Martinho, que
também encena esta obra,
inicialmente adaptada por
Henrique Santana e Ribeirinho
O Grupo de Teatro da Associação
Sénior de Ourém sobe ao palco
amanhã, dia 21, pelas 21:30
horas, do Cine-teatro Municipal
de Ourém, com a peça O Soldado
Raso-No âmbito do festival
Cenourém´14
O IX Festiv'Álvaro continua no
Cine-teatro Actor Álvaro, em
Vieira de Leiria, Marinha Grande,
sábado, 21, pelas 21:30 horas,
com a peça Crimes Exemplares,
pelo Teatro Nova Morada
(maiores de 16 anos) e domingo,
às 16 horas, com sessão infantil,
com a peça Vampiro que bebia
groselha, pelo Palco Oriental
(maiores de 4 anos). A iniciativa
é do Teatresco
Demain dès
l'aube
(Amanhã
desde a
madrugada) é
o filme de
Denis
Dercourt a ver
sábado
(entrada livre)
na Arquivo
Livraria
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 45
Tertúlia sobre escritores de Leiria,
com Paulo Moreiras, Cristina
Nobre, Jaime de Oliveira Martins,
Leonor Lourenço e Manuel Leiria,
amanhã, dia 21, pelas 21 horas, na
Biblioteca Municipal Afonso Lopes
Vieira, Leiria. Esta iniciativa, no
âmbito da 5.ª Semana da Leitura de
Leiria, será moderada por Dulce
Correia
Apresentação da obra Terra:Escuto
(recriação de uma atmosfera rural,
onde não faltam humanismo,
espiritualidade, amor,
determinação e inteligência para
vencer a adversidade) da escritora
Isabel Madaleno, sábado, 22, pelas
16 horas, na Biblioteca Municipal de
Alcobaça
Clube de Leitura Arquivo, dia 26,
pelas 18:30 horas, na Arquivo
Livraria, Leiria, à volta do livro
Vidas Perdidas, de Nelson Algren
Apresentação do livro Bandas
Sonoras, de Rita Carmo, no Fórum
da Fnac de Leiria, sábado, dia 22, às
21:30 horas
* Só Exibe Sábado, Domingo e 3ªFeira;
LEIRIA
Cineplace
Leiria Shopping . Tel. 760789789
De quinta a quarta-feira
Sala 1 . 300 . A Ascensão do
Império . 3D . 17:00 , 21:40 e
00:00* horas;
Sala 1 . 300 . A Ascensão do
Império . 3D . 19:30 e 00:00
horas;
Sala 1 . 300 . A Ascensão do
Império . 2D . 17:20 , 21:40
horas;
Sala 1 . Lego . 3D . 13:00 e.15:10
horas;
Sala 2 . Need For Speed 2D .
13:00 , 15:50 , 18:40 , 21:30 e
00:20 horas;
Sala 2 . Divergente . 2D . 21:30
horas;
Sala 3 . Mr. Peabody & Sherman .
3D . 12:40 , 14:50 e 17:00 horas;
Sala 3 . The FrozenGround .
Sangue e Gelo . 2D . 19:10 , 21:30
e 23:50 horas;
Sala 4 . A Casa Mágica . 2D .
13:10 , 15:10 , 17:10 e 19:10 horas;
Sala 4 . The Monuments Men .
Os Caçadores de Tesouros . 2D .
21:10 e 23:40 horas;
Sala 5 . Non Stop . 2D . 14:50 ,
19:30 , 21:50 e 00:10 horas;
Sala 5 . PompeII . 2D . 17:10
horas;
Sala 6 . The Raiway Man - Uma
Longa Viagem . 13:50 , 16:20 ,
18:50 , 21:20 , 23:50 horas;
Sala 7 . Um Quente Agosto .
13:30 , 16:00 , 18:30 , 21:00 e
23:30 horas;
À conversa com... Lídia Jorge, a
propósito do seu último livro Os
Memoráveis, terça-feira, dia 25,
pelas 18:30 horas, na Arquivo
Livraria. Para Miguel Real, no Jornal
de Letras,trata-se de um romance
de leitura absolutamente
imprescindível para quem viveu o
25 de Abril e para quem queira
interrogar hoje a história recente de
Portugal
Noite de poesia em mais uma
Toada Poética, com poemas
seleccionados e ditos por David
Teles Ferreira, amanhã, dia 21, pelas
21:30 horas, na sede do Te-Ato,
Leiria, na companhia de uma taça
de vinho da Herdade do Rocim.
Entrada livre
Eventos
Demain dès l'aube (Amanhã desde a
madrugada) é o filme de Denis
Dercourt, com Jérémie Renier e
Vincent Perez, a exibir sábado, dia
22, pelas 18:30 horas, na Arquivo
Livraria, Leiria. Com entrada livre, é
uma iniciativa em colaboração com
a Alliance Française de Leiria.
Mathieu é um apaixonado por
encenações épicas. Dedica toda a
sua vida a esta paixão, chegando a
um ponto em que não consegue
discernir a ficção da realidade. Paul
terá como objectivo ajudar o irmão
a combater esta obsessão e,
inevitavelmente, terá de entrar no
mundo fantástico dele
Cinema City
Tel. 244 845 071
De quinta a quarta-feira
Sala 7 . Curta . Mr.Peabody e
Sherman VP 3D . 11h15 horas;
Sala 1 .Ffrozen Ground - Sangue
e Gelo . 21h45 e 00h00 horas;
Sala 5-L . Frozen Ground Sangue e Gelo . 13h20 e 15h25 e
17h30 e 19h35 horas;
Sala 2 K . O Lego - O Filme VP .
11h30 , 15h40 e 17h50 horas;
Sala 5-L . o Lego -O Filme VP 3D
. 11h10 horas;
Sala 2-K . 300: O Inicio de Um
Império . 13h40 , 20h00 , 22h05 ,
00h15 horas;
Sala 6-S . 300: O Inicio de Um
Império 3D . 00h25 horas;
Sala 3 . A Casa da Magia VP .
11h35 , 13h30 , 15h35 , 17h30
e.19h30 horas;
Sala 3 . A Enfermeira . 21h35 ,
23h55 horas;
Sala 6-S . A Enfermeira . 11h30 ,
13h30 , 15h30 , 17h25 e 19h20
horas;
Sala VIP 4 . Need For Speed: O
Filme . 13h00 , 15h40 , 18h30 ,
21h30 e 00h10 horas;
Sala 5-L . The Railway Man UmaLonga Viagem . 21h40 e
00h05 horas;
Sala 7 . The Railway Man - Uma
Longa Viagem . 13h20 e 17h40
horas;
Sala 6-S . Pompeia . 21h50 horas
horas;
Sala 6-S . Divergente . 21h30
horas;
Sala 7 . Non-Stop . 15h35 , 19h55
,22h00 e 00h20 horas;
Letras
A Loucura dos 50, com Joaquim
Nicolau, António Melo, Almeno
Gonçalves e Fernando Ferrão é a
comédia a apresentar sábado, dia
22, às 21:30 horas, no Cine-teatro
de Alcobaça
a) Só exibe Sábado e Domingo; b) Não exibe
Sábado e Domingo; a) Só exibe de Sábado a 3ª
feira; b) Não exibe de Sábado a 3ª feira; d) Só
exibe 6ª feira, Sábado e 2ªfeira;
Sarau de Poesia Na Ponta da
Língua, amanhã, dia 21, pelas 21:30
horas, no Teatro-Cine de Pombal,
no âmbito da Semana da Leitura
Quem tem boca vai a Pombal
CALDAS DA RAINHA
VIVACINE
Tel. 262 840 197
De quinta a quarta-feira
Sala 1 . Lego – O Filme V.P. 2D .
13:30 , 16:00 e 18:20 horas;
Sala 1 . A Casa da Magia 2D . V.P
. 13:20 , 15:45 e 18:00 horas;
Sala 1 . Frozen Ground – Sangue
e Gelo . 21:25 e 23:45 horas;
Sala 2 . Mr. Peabody e Sherman
2D . 13:25 , 16:00 e 18:10 horas;
Sala 2 . Monuments Man . 21:15 e
23:50 horas;
Sala 3 . Need For Speed – O
Filme . 12:40 , 15:30 , 18:20 ,
21:20 e 00:05 horas;
Sala 4 . Non Stop . 12:50 , 15:15 ,
17:45 , 21:30 e 23:55 horas;
Sala 5 . 300 . A Ascensão do
Império 2D . 13:00 , 15:20 , 17:50
, 21:25 e 00:00 horas;
Feira da Flor (também com livros,
artesanato e gastronomia),
sábado, dia 22, entre as 9 e as
18:30 horas, no Parque Olímpio
Duarte Alves, Monte Real, Leiria.
O evento integra a apresentação
de vários projectos e o colóquio
com Catarina Rivero sobre
Florescimento Humano da
Felicidade.
Lançamento do livro Chamada não
atendida de César Adão, amanhã,
dia 21, pelas 21:30 horas, na Feira do
Livro de Ourém
Apresentação do livro Notas Paridas
da Terra, com recriação de cantigas,
cantares e modas do Rancho
Folclórico de Pussos, sábado, dia 22,
a partir das 15:30 horas, na Casa
Municipal da Cultura de Alvaiázere
Tertúlia com Pedro Mexia,
coordenador da colecção de poesia
nas Edições Tinta-da-China,
amanhã, 21 (Dia da Poesia), pelas 21
horas, na Livraria Bertrand, Caldas
da Rainha
Véspera de Feriado; *** Sábado, Domingos e
Feriados
PEDRÓGÃO GRANDE
Casa Municipal da Cultura
Tel. 236 480 156
Sexta e sábado, às 21:30 horas
O Sobrevivente
Feira de Artesanato e
Gastronomia, sábado, 22, a partir
das 14:30 horas, na Casa do Povo
de Reguengo do Fetal, Batalha,
onde não faltam algumas das
melhores iguarias locais, como
bucho ou bruzegos. Entrada livre
Lançamento do livro A Filha do
Gelo, de Luis Magalhães, domingo,
dia 23, às 16:30 horas, no CCC,
Caldas da Rainha
* Domingos e Feriados; ** Sexta, Sábado e
Lídia Jorge
apresenta o
seu novo
livro, Os
Memoráveis,
na Arquivo
Livraria
Lançamento do livro Pergunto…
Logo… Respondo: Disrupção em
Alzheimer, da autoria de Armando
Castro, sábado, 22, pelas 15 horas, no
auditório da Biblioteca Municipal da
Marinha Grande.
Trovas & Canções - Actores, Poetas
e Cantores, espectáculo inédito
com três gerações da mesma
família: Ruy de Carvalho e João e
Henrique de Carvalho, a que se
juntam a cantora e actriz Ana
Marta e os dois músicos Diogo
Tavares e Ricardo Gama, amanhã,
dia 21, pelas 21:30 horas, no TJLS,
Leiria. O projecto vive do
contraponto entre a récita e o
canto, guiado pelos tons das
guitarras portuguesa e clássica
Aeromodelismo Indoor, domingo,
dia 23, a partir das 9 horas, no
Pavilhão Desportivo de Porto de
Mós, numa iniciativa do
município, Clube Automóvel
local e Rodas no Ar
Ruy de
Carvalho em
espectáculo
inédito com
três gerações
da sua família,
amanhã, no
Teatro José
Lúcio da Silva
O Agrupamento de Escolas de
Marrazes, Leiria, abre portas à
comunidade no próximo sábado,
dia 22, com mais de 100
actividades culturais, lúdicas e
desportivas em permanência, na
5ª edição do C.A.C:E. Faz a Festa
na Escola- Dia Aberto
46 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014
Gente&lustre
Neurociências
Investigadora de
Coimbra premiada
Música Jovem de
Minde dá masterclass
de piano
Aluna da ESTM
Joana Poças investiga
cancro no Reino Unido
LeiriaJoaquim Vieira
investiga 25 de Abril no
Mundo
Ordem Mapril
Bernardes reconduzido
na Delegação de Leiria
Por identificar o alvo terapêutico
para a doença de Parkinson,
Sandra Morais Cardoso,
investigadora do Centro de
Neurociências e Biologia Celular da
Universidade de Coimbra, venceu
o Prémio Janssen Neurociências, no
valor de 50 mil euros. A equipa que
desenvolve este trabalho científico
desde 2009 integra ainda as alunas
de doutoramento Ana Raquel
Esteves e Daniela Arduino.
Marta Menezes dirige, em Abril, a
masterclass de piano no
Conservatório de Música de Ourém
e Fátima. Esta jovem de Minde
terminou recentemente, com
distinção, o curso de Master of
Performance no Royal College of
Music (Londres) e venceu vários
prémios, entre eles o Concurso
Beethoven na mesma instituição
(2013) e o Concurso Internacional de
Piano de Nice Côte D'Azur.
A estudante de mestrado em
Biotecnologia Aplicada da Escola
Superior de Tecnologia do Mar de
Peniche, do Instituto Politécnico de
Leiria, Joana Poças, integra um
projecto científico piloto de investigação oncológica na Universidade
de Hull, Reino Unido. A estudante
vai trabalhar num projecto que visa
avaliar o potencial anticancerígeno
dos óleos essenciais de plantas
dunares de Peniche.
O jornalista de Leiria, Joaquim
Vieira, lança hoje, pelas 18 horas, na
Associação 25 de Abril, um livro
sobre o 25 de Abril e o PREC na
imprensa internacional. A
apresentação será feita por Vasco
Lourenço. Intitulado Nas Bocas do
Mundo, a obra foi feita em co-autoria
com Reto Monico e resulta da
consulta feita em publicações de 20
países, reproduzindo um total de
400 imagens.
O jurista Mapril Bernardes foi
reeleito presidente da Delegação de
Leiria da Ordem dos Advogados
para o próximo triénio, pelo quarto
mandato consecutivo. A lista
liderada por Mapril Bernardes foi a
única candidata às eleições, que
decorreram na quinta-feira. Foram
também eleitos Isabel Borges
(secretária), Ana Monteiro Gomes
(tesoureira), Vítor Monteiro e Luís
de Oliveira (vogais).
HistóriadeVida Isabel Gonçalves
Militante de causas e convicções
GRAÇA NENITRA
Graça Menitra
[email protected]
Presidente da Associação Mulher Século XXI e
responsável, desde 2007, pelo Núcleo de Atendimento
às Vitimas de Violência Doméstica do Distrito de Leiria,
Isabel Gonçalves, 68 anos, natural de Coimbra, cedo
começou a sentir na pele a discriminação em relação
aos dois irmãos, só pelo facto de ser do sexo feminino.
“Apesar de ser a mais nova, achava-me discriminada.
Como era muito voluntariosa, a minha mãe mandavame fazer todas as tarefas domésticas e os meus irmãos
eram sempre dispensados. Saiam de casa quando
queriam e eu não podia. Inconformada, comecei a
pensar que também queria ser rapaz. Mesmo ainda
sem essa consciência, começou aí a minha luta pela
igualdade de direitos”, lembra.
Logo após o 25 de Abril de 1974, Isabel Gonçalves pôsse em acção. Em 1976, integrou uma comissão de
residentes de Casa Branca, onde morava, para criar e
instalar um centro recreativo e cultural. Desenvolveu
trabalho comunitário, criando uma biblioteca e
chamando as mulheres a participar. Organizou turmas
para que estas concluíssem a 4ª.classe e tivessem assim
instrução suficiente para integrarem o mercado de
trabalho.
Após frequentar o antigo 5º ano do Liceu, Isabel
Gonçalves começou a trabalhar como bancária,
licenciando-se mais tarde em História, como
trabalhadora-estudante. Ainda na sua cidade natal,
enveredou pela carreira sindical, como directora do
Sindicato dos Bancários do Centro. Posteriormente, já
em Lisboa, ingressou na UGT, onde presidiu à
comissão de mulheres e representou esta central
sindical na União Europeia em muitos fóruns. “Fui
desde sempre militante das causas dos direitos das
mulheres e passava a vida a reivindicar. Mesmo na
actividade sindical, ia para as negociações da
contratação colectiva a reivindicar mais direitos para as
“Quantas
Assunções
Cristas não há
por aí à espera
de uma
oportunidade?”
mulheres”, diz. Lembra por exemplo a luta pelos cinco
meses de licença de maternidade, apesar da oposição
de alguns colegas homens que não gostavam que ela
lançasse estas questão ao debate. “Hoje já ninguém se
assusta comigo porque já estou numa faixa etária em
que não tenho ambições políticas. Mas quando era
mais nova era completamente bloqueada por eles. Os
homens na política têm muito receio da
competitividade das mulheres e de perderem o poder
de mudarem as pedras do tabuleiro”, lamenta.
Isabel Gonçalves chegou à política em 1985, aquando
da candidatura de Mário Soares à Presidência da
República, aderindo então ao PS, partido no qual ainda
milita. Há 17 anos a residir em Leiria (cidade da qual diz
gostar muito, sobretudo pelo afecto das pessoas),
cumpre actualmente o seu quarto mandado como
membro da Assembleia Municipal de Leiria. Foi
também candidata duas vezes à Assembleia da
República, embora em lugares não elegíveis. Lutadora
pelas quotas das mulheres nas listas do seu partido,
fundou, primeiro em Coimbra, e depois em Leiria, o
Departamento das Mulheres do Partido Socialista, do
qual foi presidente durante nove anos. De 1991 até hoje é
membro do Conselho Consultivo da Comissão para a
Igualdade e para os Direitos das Mulheres, actualmente
Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. “As
mulheres não são diferentes, têm as mesmas
competências e capacidades que os homens. É preciso é
que lhe dêem oportunidades”, diz convicta. “Mas não
sou a favor de guetos e por isso quando fundei a
Associação Mulher Século XXI foi em paridade,
convidando homens também. A partir do momento em
que os homens defendem os direitos das mulheres,
estas têm muito mais probabilidades de lutar pelas suas
convicções”, diz. Curioso é que com esta militância
granjeou alguns anticorpos e precisamente junto de
algumas mulheres de Leiria, que lhe chamavam a D.
Quota. Hoje questiona: “Afinal quantas Assunções
Cristas (mãe de quatro filhos e uma das ministras mais
activas) não há por aí à espera de uma oportunidade?”
Ao longo de toda a vida foram muitos os eventos em que
participou, nomeadamente a 4ª. Conferência Mundial
das Nações Unidas sobre as Mulheres, realizada em
Pequim, em 1995, que reuniu mais de 180 países. Entre
1993 e 1998, representou a UGT no Comité des Femmes
(Confederação Europeia de Sindicatos), em Bruxelas e,
também em 1993, representou o País na Assembleia
Constituinte do Lobby Europeu de Mulheres, ficando na
assembleia desta instituição até 1996.
Para os seus quatro filhos (uma do primeiro casamento
e os restantes, filhos do seu actual marido, viúvo, com
quem casou há 32 anos), assim como para os oito netos
em comum, ficam para a posterioridade as fotografias
deste e de muitos outros acontecimentos em que
participou. Apesar do passar dos anos, Isabel Gonçalves
continua hoje tão ou mais inconformada em relação aos
direitos das mulheres tal como quando, ainda criança,
teve desejo de ser rapaz para não ter de fazer sozinha as
lides domésticas.
Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 47
Aconteceu
Ponto
Paulo Lameiro comemorou 800 concertos para bebés
Modalx Vision dia dois
O projecto Concertos para bebés, liderado pelo
musicólogo de Leiria, Paulo Lameiro, assinalou o nº
800 no passado domingo, no Centro Cultural Olga
Cadaval, Sintra. Nascido em 1998, este projecto tem
estreia marcada no Brasil para final deste mês, país a
que voltarão em Maio, para participar num festival
internacional, no âmbito de uma digressão apoiada
pela Direcção Geral das Artes. Os Concertos para Bebés
já viajaram praticamente por toda a Europa e também
na China, tendo assistido a estes concertos cerca de 56
mil bebés.
DR
Fuga Sal Nunkachov
Pombal comemorou 203 anos da Batalha da Redinha
A freguesia da Redinha, em parceria com a autarquia de
Pombal, comemorou domingo, dia 16, o aniversário da
Batalha da Redinha, dada nesta vila há 203 anos e que
marcou o inicio da retirada das tropas francesas
invasoras do nosso País. Este evento prestou
homenagem aos que, independentemente da sua
nacionalidade, perderam a vida na sequência desses
trágicos acontecimentos.
DR
Procissão do Senhor dos Passos volta a Alcobaça
Mais de um século depois da última edição, a procissão
do Senhor dos Passos voltou às ruas de Alcobaça, por
iniciativa da Santa Casa da Misericórdia. Integrada nas
comemorações dos 450 anos daquela irmandade, a
procissão realizou-se no sábado, com a saída à rua da
renovada imagem do Senhor dos Passos, que faz parte
do espólio da misericórdia. A presidir à cerimónia
esteve D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, que,
durante a missa, celebrada no mosteiro, evocou a
memória de D. José Policarpo, patriarca emérito de
Lisboa sepultado no dia anterior.
DR
Yulia
Leontieva
(Just) para
Ricardo Preto
O orgulho que almoça vaidade janta
desprezo
Benjamin Franklin
Organização promete um dos cartazes “mais fortes de sempre”
Semana académica vai realizar-se
no espaço das últimas edições
Maria Anabela Silva
[email protected]
T Afinal a edição deste ano da Semana Académica de Leiria irá realizar-se no local onde decorreram
as últimas edições, junto à antiga
Auto Leiria. Tal como o JORNAL
DE LEIRIA noticiou recentemente, a organização pretende encontrar espaços alternativos, mas
uma fonte ligada ao processo
adianta que se entendeu que não
estavam reunidas condições para
fazer a mudança já este ano.
Assim, a edição deste ano, a
decorrer de 27 de Abril a 3 de
Maio, voltará a ocupar a zona en-
volvente à antiga Auto Leiria, havendo, no entanto, algumas iniciativas previstas para outros pontos da cidade, com o objectivo de
“mostrar a Leiria o que é o IPL [Instituto Politécnico de Leiria] e algumas das actividades e projectos
desenvolvidos pelos alunos”, explica a organização do evento, que
está a cargo das associações de estudantes do ensino superior.
Além do cartaz de espectáculos
musicais, que está a ser finalizado
e que a organização promete ser
“um dos mais fortes de sempre”,
estão previstas várias acções paralelas onde se pretende também
envolver a comunidade. Entre as
Jorlis - Edições e Publicações, Lda.
Parque Movicortes
2404-006 Azoia - Leiria
Tel. 244 800 400 Fax 244 800 401
[email protected]
Viagens (fora)
da minha terra
actividades pensadas está a realização de rastreio na área da saúde, animação para crianças na
Praça Rodrigues Lobo ou a criação
de brigadas de estudantes que
participem na pintura/limpeza de
paredes com graffiti, segundo revelou recentemente a Câmara de
Leiria ao JORNAL DE LEIRIA.
Nesse esclarecimento, a autarquia frisava ainda que o envolvimento do município no evento
“passa, como tem sucedido todos os anos”, pelo licenciamento
do evento, “cuja organização é
da responsabilidade dos estudantes”, nomeadamente a questão da localização.
PUBLICIDADE
Bruxelas
Bianca
Santos
O Jornal de
Leiria convida
os seus
leitores a
partilharem
ideias para a
região
observadas
noutros locais
do País ou do
estrangeiro.
Basta
enviarem
duas ou três
fotografias e
um texto com
1500
caracteres
para
direccao@jor
naldeleiria.pt
T É em Bruxelas que se decide muito do que afecta a nossa vida diária. A capital belga acolhe a sede da Comissão
Europeia, presidida por Durão Barroso, mas também de
outras importantes organizações internacionais. A cidade é, sem dúvida, o epicentro da política europeia, mas é
muito mais do que isso. O seu património arquitectónico,
que muito bem sabe promover, tornam-na motivo de interesse para inúmeros turistas.
Mesmo quem nunca foi a Bruxelas já ouviu falar do
menino a urinar, o famoso Manneken Pis. Chegados à
cidade, espera-se encontrar uma estátua enorme, em
local nobre. Nada disso. É uma pequena estátua em
bronze, perdida numa ruela no centro histórico, que
não se encontra à primeira tentativa. Mas o facto é que
os turistas dão as voltas que forem precisas até o
encontrarem, tal é a fama que o menino granjeou
mundo fora.
Lamentavelmente, não estou a ver na região de Leiria
nada que leve os turistas a este tipo de esforço. Não
quer dizer que não haja, se calhar não é promovido de
forma a que, por si só, seja um chamariz tão forte.
Mas mesmo os turistas que não queiram andar às
voltas até encontrar o Manneken Pis original podem
ficar a saber o que é: o marketing e o merchandising por
aquelas bandas funcionam muito bem e o menino está
por todo o lado, em íman para o frigorífico, em postal,
em pin, em chocolate e se calhar noutras formas que
nem cheguei a ver.
Em Bruxelas há ainda o famoso chocolate, tão bom
como o suíço, e os moules, ou mexilhões. Se quanto ao
primeiro talvez não tenhamos tantos trunfos na manga
(mesmo assim o nosso Regina não é nada inferior), no
que toca a mexilhões e companhia não ficamos atrás.
Os nossos peixes e mariscos têm qualidade para
ombrear com qualquer outro e o arroz de marisco da
Vieira até foi considerado uma das maravilhas da
gastronomia. Mas será que os belgas e os outros turistas
que vêm a Portugal sabem disso?

Documents pareils

Notice Classe Prépa bac IFSI ST Brieuc bis

Notice Classe Prépa bac IFSI ST Brieuc bis - Capacité à organiser votre travail, à le planifier et à respecter les échéances, - Forte motivation - Utilisation régulière des outils NTIC (Nouvelles Technologies et de l’Information et de la Co...

Plus en détail

Devenir Infirmier - comment se former - IRFSS Limousin

Devenir Infirmier - comment se former - IRFSS Limousin IFSI de la CRF en France est organisé (en avril). 2 épreuves écrites (pour l'admissibilité) et 1 épreuve orale en juin (pour l'admission)

Plus en détail

Arrêté du 31 juillet 2009 relatif au diplôme d`Etat d`infirmier

Arrêté du 31 juillet 2009 relatif au diplôme d`Etat d`infirmier principaux éléments du contenu, de situer la problématique dans le contexte, d'en commenter les éléments, notamment chiffrés, et de donner un avis argumenté sur le sujet. Cette épreuve permet d'éva...

Plus en détail

Notice Classe Prépa AS AP IFSI ST Brieuc

Notice Classe Prépa AS AP IFSI ST Brieuc 2009 relatif au diplôme d’Etat d’infirmier) dans les conditions optimales au moment de l’examen d’admission. 2. Prévenir l’échec lors de l’entrée en formation infirmière.

Plus en détail