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Jornal 10 io ÑH m o Prém c l a a orn DE LEIRIA J ign d or des melh ula Ibérica s Penín 2.º ano pelo utivo c conse PUBLICIDADE Semanário Regional Director de Mérito José Ribeiro Vieira Director João Nazário Ano XXVIII Edição 1549 Quinta-feira, 20 de Março de 2014 € 1,00 www.jornaldeleiria.pt CMMG Economia recupera mas trabalhadores estão à beira da exaustão Estudo Mais de 70% dos profissionais inquiridos estão em risco de exaustão, e 62% sofrem de stress. Pág. 20 JOANA CARRIÇO Latoeiro, vedor, cesteiro, pastor ou amolador Profissões onde o tempo e a paciência ainda mandam T Resistente ao compasso acelerado das tecnologias, um punhado de gente luta todos os dias por manter acesa a sua profissão ances- tral. Com a sua paixão e ao seu ritmo, lavadeiras, moleiros ou tecedeiras são os últimos guardiões desse saber popular. Págs. 4/6 Leiria Suplemento nesta edição MARINHA GRANDE Raul Castro ameaça fechar bares no centro histórico Pág. 11 Receba fascículo sobre o sector dos Moldes com esta edição História da indústria: memórias que não se podem deixar perder T O JORNAL DE LEIRIA inicia com o sector dos Moldes a publicação de sete fascículos sobre a História da Indústria na região de Leiria, com os quais pretende não deixar morrer as memórias e homenagear os empresários e trabalhadores que contribuíram para a dinâmica empresarial desta região PUBLICIDADE 2 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 A Grécia tem mais reservas de capital e mais recursos económicos e geográficos do que Portugal, apesar de ser mais mal governada e mais corrupta Clara Ferreira Alves, jornalista, Expresso Radar Pintar o Papa como uma espécie de Super-Homem, uma espécie de estrela, parece-me ofensivo Papa Francisco, Corriere della Sera Comentário enigmático João dos Santos Olho clínico Passado e Futuro António Poças A inCentea, cujo Conselho de Administração é presidido por António Poças, viu a sua política de gestão de recursos humanos ser distinguida recentemente com um prémio Masters Capital Humano. A empresa de Leiria foi premiada na categoria de Melhor política de integração e promoção do bem-estar. Emprega 272 colaboradores. Algumas Perplexidades Jorge Santos É o presidente da Nerlei, associação que tem sido um “excelente embaixador” da região e das suas empresas. O reconhecimento foi feito recentemente numa sessão pública por Ana Abrunhosa, vogal executiva do Mais Centro, que destacou o papel da Nerlei na melhoria da competitividade e da internacionalização do tecido empresarial da região. Filipa Alves É a administradora-delegada delegada da Simlis, empresa que está a promover um ciclo de mini-concertos no âmbito da campanha de sensibilização ambiental O cano é que paga. As actuações decorrem nos sanitários do LeiriaShopping, em Leiria, pela mão de músicos da SAMP. a semana passada houve dois acontecimentos que me causaram alguma perplexidade: as primeiras declarações de Francisco Assis como cabeça de lista do PS às próximas eleições europeias e as reacções provocadas pelo Manifesto dos 70 sobre a chamada reestruturação da dívida do Estado. No primeiro caso Francisco Assis não encontrou nada melhor para fazer do que a tentativa canhestra de reabilitar José Sócrates e os seus governos, com o argumento simplório da unidade do PS. Ou seja, encontrou o melhor argumento para perder as próximas eleições, já que não sendo fácil saber se no PS a memória de José Sócrates conta para alguma coisa, há a certeza de que no País quase ninguém quer ouvir falar mais de José Sócrates e menos ainda da sua herança política. De facto José Sócrates é, provavelmente, o mais odiado político português, pelo que fez de destruição da economia e do Estado Social e pela pouca seriedade e sentido ético com que conduziu a sua governação. Compreende-se que Francisco Assis esteja reconhecido a José Sócrates por favores pessoais em que o ex -Primeiro ministro era fértil para com os seus amigos, já que não por serviços prestados ao País, mas não ao ponto de prejudicar o PS nas próximas eleições. Nada tenho contra Francisco Assis como líder da lista do PS ao Parlamento Europeu, ou que ele pertença à ala direita ou à ala esquerda do partido, o que para alguns parece ser um problema, essa não é a questão, a minha estupefacção é apenas com a tentativa de reabilitação de José Sócrates, porque isso é condenar o actual PS pelos desmandos e erros cometidos pela anterior direcção. António José Seguro deveria compreender isso, mas aparentemente não se dá conta de que a convivência com este problema lhe pode custar o lugar de Primeiro Ministro. N Henrique Neto Quanto ao Manifesto dos 70 subscritores, de facto foram 74, a minha surpresa vem da enormidade dos ataques que foram feitos ao texto publicado, cuja única explicação deriva da má consciência de muita gente, incluindo a do Primeiro Ministro. Este, em dois dias seguidos, só faltou chamar traidores aos signatários na melhor tradição de Salazar e de Marcelo Caetano. Como se não fosse um direito, nas actuais circunstâncias um dever, que a sociedade civil, ou algumas elites portuguesas, procurem alternativas ao bloqueio político e económico a que Portugal chegou. Como se não soubéssemos que a questão da dívida é intratável com as actuais políticas de Passos Coelho de empurrar as soluções para um futuro incerto, ao mesmo tempo que deixa acumular mais dívida por força das reformas do Estado que não fez, dos juros que aceitou pagar e da amizade e consideração para com os grupos económicos e financeiros em cujos interesses se recusa a tocar. Como se os portugueses pudessem aceitar mais vinte anos de austeridade e mais cortes nos seus rendimentos, como previsto nos escritos recentes do Presidente da República. O que explica a animosidade da classe política relativamente ao Manifesto, bem como de alguns comentaristas do sistema, é que eles continuam a viver bem e com rendimentos muito acima da média nacional e, assim sendo, não surpreende que não queiram perturbar a paz dos credores e do sistema financeiro mundial. E tal é o seu medo da Troika e companhia que pensam com os bolsos e não vêem qualquer problema no desemprego, na velhice amargurada e na emigração da juventude. Por isso, felizmente, que o Manifesto os confrontou com a procura de novos caminhos e com o debate de novas alternativas. Empresário Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 3 O Evereste é hoje uma montanha de turistas e não de alpinistas João Garcia, alpinista, i Os paparazzi deviam ser todos presos Eduardo Gajeiro, fotógrafo, Tabu Os professores foram robotizados ao longo dos anos e isso agravou-se muitíssimo Maria Filomena Mónica, socióloga, Diário de Notícias Na primeira tournée [como The Legendary Tigerman] estive para acabar: na última data andei à pancada, toquei em sítios horríveis, foi uma cena terrífica! Paulo Furtado, músico, Atual Fórumdasemana Um em cada seis jovens fora da escola ou sem emprego Um em cada seis jovens entre os 15 e os 24 anos não estava a trabalhar, estudar ou a ter formação em Portugal, o que coloca o País na oitava posição entre as taxas mais elevadas. Os dados (referentes ao quarto trimestre de 2012, último período disponível), foram divulgados a semana passada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e revelam que a taxa NEET (sigla em inglês que se refere a jovens que não estão a trabalhar, estudar ou em formação) era de 15,3%, acima da média dos 33 Fábio Franco, técnico agrário Margarida Balseiro Lopes, consultora fiscal Paulo Tojeira, professor Esta situação deve-se, essencialmente, a hábitos sociais e mentalidades. À minha geração foi incutida a ideia de que apenas os 'doutores' poderiam viver bem. Como se vê, essa ideia revelou-se errada e desactualizada e está a afectar a vida de muitos jovens. Trabalho não falta, há que arregaçar as mangas. Actividades até aqui vistas como inferiores estão agora a alavancar a economia. É preocupante. Falamos de pessoas sem projecto de vida. Acontece porque há universidades com cursos que não correspondem às necessidades do mercado, e porque a legislação laboral também impede a integração de jovens no mercado de trabalho. A crise não ajuda. Terão de ser analisados cursos e reduzidas vagas. E sejamos honestos com os jovens mostrando à partida a empregabilidade dos cursos. O Garantia Jovem é um programa centrado nesta questão. Penso que a realidade é ainda mais dura. Alguns jovens não fazem parte destes números porque estão em empregos precários ou em escolas sem qualidade. É assim que estamos a formar o amanhã? Quem provocou isto não foram eles, nem os pais deles, que trabalham, mas outros que têm interesses no Iraque, Croácia, Venezuela e outros países. Temos de trabalhar no sentido de lhes dar consciência cívica do querem para si e para a sociedade. Que comentários lhe merece este assunto? Elísio Estanque, sociólogo João José Almeida, Agrupamento Escolas Porto Mós Isabel Rufino, socióloga do trabalho países que pertencem à organização, que ronda os 12,6%. A crise e consequente subida da taxa de desemprego, especialmente a dos jovens, que em 2013 alcançou pela primeira vez os 40% em Portugal, estarão na origem de uma subida de 1,5 pontos percentuais da taxa NEET em Portugal entre o quarto trimestre de 2007 e igual período de 2012. Na média dos países da OCDE, a taxa subiu também, mas a um ritmo mais baixo, passando de 11,5% em 2007 para 12,6% em 2012. Estamos a falar da chamada geração 'nem nem'. Penso que na base desta situação está uma relação directa com a crise. As dificuldades económicas das famílias, a subida dos índices de pobreza e os cortes nas despesas de educação são as razões que estarão na origem do fenómeno, que é preocupante para Portugal. Tem-se assistido ao abandono de estudantes do ensino superior, que deixaram de poder pagar propinas. A taxa de desemprego entre os jovens atingiu valores inéditos e a isto junta-se a sangria da emigração, com os mais qualificados e dinâmicos a saírem do País. Falta uma viragem económica e medidas que ajudem a fixar os jovens. Esses números pecam por defeito. Vejo esta situação com muita apreensão. Os jovens acabam a sua formação superior e sentem-se defraudados, porque não encontram emprego na sua área, ou só encontram trabalho precário. Depois, a perspectiva é de novo o desemprego. Esta mensagem vai-se espalhando e os jovens do ensino secundário interrogam-se por que hão-de estudar. Procuram outras saídas, mas também não conseguem. Vivem o dia-a-dia sem se preocuparam muito com o futuro, porque o descrédito se instalou. Na sequência de tudo isto surgem muitas vezes comportamentos desviantes. Portugal está mal colocado em vários indicadores que se interligam com esse. Mas mesmo uma taxa de 12,6% de jovens inactivos é um absurdo. Não acredito que todos esses jovens estejam obrigatoriamente inactivos. Podem não estar na escola ou num emprego e fazer muita coisa. Temos de criar uma outra sociedade, que não assente apenas na escolarização e no emprego, mas na acção. Há a educação não formal e toda uma série de dinâmicas do mundo do trabalho que se podem accionar. Editorial História da Indústria na região de Leiria JORNAL DE LEIRIA publica nesta edição o primeiro fascículo da História da Indústria na região de Leiria, projecto inserido nas comemorações do seu trigésimo aniversário, que se assinala este ano. Com este projecto, que se inicia com os moldes e que abordará seis outros sectores da indústria transformadora com tradição e relevância nesta região, o JORNAL DE LEIRIA pretende homenagear os muitos empresários e seus colaboradores que ao longo dos anos empreenderam, investiram e inovaram, não raras vezes com sacrifícios pessoais e familiares e quase sempre com muita dedicação, tornando possível que Leiria seja actualmente das economias mais dinâmicas e exportadoras do País. Tem também o objectivo de preservar memórias e deixar registado o testemunho de alguns dos actores principais da história da indústria na região de Leiria, de intervenientes cimeiros no rumo que seguiu até aos dias de hoje. Não é, nem pretende ser, naturalmente, um trabalho exaustivo e de investigação profunda, características que ficarão para trabalhos académicos e estudos de outra natureza, sendo muito provável, inclusive, que os conteúdos destes fascículos não surpreendam quem está mais ligado aos respectivos sectores de actividade. Esperamos, no entanto, que ajude os leitores em geral, nomeadamente os mais jovens e com menos memórias, a perceberem as razões das características que o tecido empresarial da região de Leiria apresenta. A conhecerem a génese das diferentes actividades industriais, os acontecimentos que influenciaram os seus percursos e as personalidades que o marcaram. A terem consciência que o êxito é muito difícil de alcançar e de manter, exigindo visão, rigor, inovação, resiliência, muito trabalho e, por vezes, porque não, alguma dose de sorte. Terão estado nestes aspectos (ou na falta deles), as razões do êxito e do fracasso de muitos projectos industriais, com a história a evidenciar a importância da acção das lideranças, que incluiu muita ousadia e verdadeiros golpes de génio. São histórias que poderão, inclusive, motivar e inspirar novos empresários a garantirem para esta região um futuro que dignifique a sua história empresarial. A terminar, uma palavra para as empresas e instituições que acreditaram no valor deste projecto e decidiram apoiá-lo, mesmo sem que isso lhes proporcione a visibilidade da publicidade em trabalhos mais comerciais. O João Nazário PUBLICIDADE C L Í N I C A M AT E R N O I N F A N T I L D E L E I R I A > Alexandra Luz - Pediatra > Alicia Rita -Obstetra Ginecologista > Bilhota Xavier - Pediatra > Manuela Soares - Pedopsiquiatra > João Morgado - Ortopedista > Matos Cabeças - Psiquiatra e Sexologia Clínica> Alexandre Pena - Psicólogo Clínico > Inês Lopes - Terapeuta da Fala > Raquel Oliveira - Dietista > Paulo Enes - Otorrinolaringologista > Profas. Amélia do Vale e Isabel Lopes - Oficinas do comportamento e apoio ao estudo (solicitar informações complementares [email protected]) Consultas por marcação todos os dias úteis a partir das 14.00h | R.Paulo VI- Ed. Olhalvas Piso 0, Porta 2 A , 5 E | 2400-502 Leiria | Tm. 912 483 731 | Tel. 244 827 956 | Email: [email protected] 4 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Abertura JOANA CARRIÇO 1 Ainda há pastores? Há! E vedores, lavadeiras, amoladores… Tradição Num mundo apressado e pautado pela tecnologia, o JORNAL DE LEIRIA foi ao encontro daqueles que, tranquilamente, trabalham os materiais com as suas mãos, tecendo, cortando e entrelaçando séculos de mestria popular. Daniela Franco Sousa [email protected] T O que têm em comum Maria Antónia, lavadeira da Nazaré, e José Marques, latoeiro da Batalha? São embaixadores de actividades seculares que, apesar de um mundo dominado pelas tecnologias, teimam, orgulhosamente, em trabalhar como no tempo dos seus avós. À conversa com estes e outros guardiões de antigos ofícios, o JORNAL DE LEIRIA foi perceber que ainda existem pessoas para quem as máquinas têm importância muito relativa. Gente para quem trabalhar os materiais à mão é fonte de prazer e garantia de perfeição. São negócios rentáveis? É quase certo que não. Mas enchem o coração dos que fazem e os olhos de quem compra um pedaço de tradição. Lavadeira sem máquina Maria Antónia Meco tem 78 anos e uma vida cheia de trabalho como lavadeira. É uma das últimas nazarenas que ainda se dedica a lavar roupa para fora, e não lhe faltam clientes. Na sua casa nunca entrou nem vai entrar nenhuma máquina de lavar a roupa, garante a nazarena, orgulhosa do que as suas mãos sabem fazer com mais perfeição do que qualquer electrodoméstico. Não há engenhoca que consiga, como ela, tirar todos os vincos e nódoas e deixar a roupa a cheirar tão bem. Maria Antónia não conheceu os bancos da escola. Em menina ajudava a mãe a empilhar lenha no pinhal, para vender e alimentar a família. E aos 14 anos já ia ao rio lavar roupa para outras senhoras. Sabão azul, cloreto, e muito bate e esfrega deixavam a roupa num primor. “E hoje ainda fica melhor”, Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 5 JOANA CARRIÇO 2 PAULA SOFIA LUZ 1. José Marques, latoeiro; 2. Bernardino Jorge, pastor; 3. Maria Antónia Meco, lavadeira; 4. Manuel Salvador, amolador e moleiro; 5. Fernado Lopes, alfaiate 4 MARCELO BRITES MARCELO BRITES 5 3 nota a lavadeira, agradada com a aparição do sabão líquido, da lixivia e do amaciador. Cerca de 15 euros é quanto Maria Antónia cobra por cada carpete grande ou édredon. Peças mais leves e mais pequenas custam menos. Antes de ficar viúva, era o marido quem a levava até ao rio, em Valado dos Frades. Eram duas da manhã e já tinha as mãos dentro da água gelada. O esposo fazia companhia até aos primeiros raios de sol e depois partia. Regressava mais tarde para a levar. Outras vezes, era a própria nazarena, desembaraçada, que fazia o caminho inverso, com as roupas, de camioneta. Aposentada à custa de uma persistente tendinite, Maria Antónia continuou sempre a lavar e a esfregar. Quando não há boleia para o rio, põe-se a bacia à cabeça e soube-se a calçada até ao lavadouro municipal. “É isto que eu gosto de fazer”, remata de forma simples a lavadeira. Fazer vida da lata Na Jardoeira, concelho da Batalha, todos conhecem José Marques por “Latas”, alcunha conquistada depois de longos anos de dedicação à arte da latoaria. Do bater do seu martelo e do corte dos metais saem regadores, recipientes para resina, lamparinas e tudo o que a imaginação e a destreza dos seus 70 anos lhe permitem. Foi na oficina por baixo da casa onde mora que aprendeu o ofício, tinha 13 anos. Nessa velha oficina, havia por essa altura seis trabalhadores. Hoje, resta-se a si mesmo, com esperança de que algum familiar possa seguir-lhe as pisadas. Antes da indústria do plástico tomar expressão, boa parte dos artigos usados na agricultura eram feitos de lata. As próprias tubagens para o regadio também o eram, lembra José Marques. A explosão dos plásticos e as lojas de pechinchas, com as suas imitações de qualidade duvidosa não ajudam o negócio. Mas a ideia do mestre é manter a cabeça a trabalhar e dar forma à arte que ama. Noutros tempos, oito horas chegavam para fazer quatro regadores. “Hoje, se conseguir terminar três já fico contente”, admite o artesão, lembrando que cada regador é composto por 14 peças. Vinte e cinco euros é quanto pede por cada um, que, bem estimado, dura um quarto de século, assegura José Marques. Ainda há pastores “Meninas, meninas, meninas!” Ao chamado doce de Bernardino Jorge justam-se 58 cabras. Estamos na serra, em São Bento, concelho de Porto de Mós, e sim, ainda há pastores. Sem feriados, domingos ou dias santos, a profissão de Bernardino Jorge, 56 anos, exige compromisso a tempo inteiro. O pastor sai da cama todos os dias às 7 horas e vai directo para o campo, onde solta e vigia as cabras, que conhece uma a uma. Noutras pastagens tem mais uma vintena de vacas, com as quais também divide o seu tempo. Acompanhar e alimentar o gado é a única profissão de Bernardino Jorge, que chegou a ser calceteiro mas que, com a derrocada da construção, decidiu voltar às origens onde se estreara ainda menino. Já foram muitos os pastores em São Bento. O bisavô de Bernardino chegou a ter 400 cabras. Mas os mais novos emigraram ou fixaram-se nas vilas, deixando a pastorícia para trás. É com pena que o pastor assiste ao abandono da actividade, defendendo que nenhuma outra forma de criar animais proporciona tanta qualidade à carne e ao leite. Manuel Salvador O homem dos sete ofícios É a meio de um caminho estreito, de terra batida, ali entre o Louriçal e as Matas (Pombal) que Manuel Gomes da Silva Salvador passa os dias a trabalhar. É assim há 79 anos, desde que ali nasceu, no lugar do Furadouro, na velha casa do moinho de água. “O meu pai já trabalhava nisto. E eu comecei cedo a ajudá-lo. Primeiro a picar uns foicinhos, depois a trabalhar o ferro, e fui aprendendo tudo”. E tudo quer dizer o conjunto de ofícios que lhe cabem na vida: amolador, ferreiro, moleiro, agricultor e tudo o que envolva alfaias. De resto, passa os dias numa espécie de oficina onde há ainda de tudo, até um fole, que ainda trabalha. Naquele dia está a moer uma farinha para um cliente, e já arranjou “umas máquinas de sulfatar”, o grosso do trabalho que lhe aparece, por estes dias. Vem de um tempo em que toda aquela ribeira era povoada por outros moleiros e muitos campos de arroz, hoje ao abandono. Foi assim que retirou sustento para criar duas filhas, que lhe deram quatro anos e quatro bisnetos. Namorou a vida inteira com a mulher, com quem só casou há menos de cinco anos, meio século depois do prometido e no mesmo dia do casamento do neto Márcio, talvez o mais próximo. Por insistência da família acabou por aceder morar em casa de uma das filhas, numa aldeia próxima, mas nada lhe altera a rotina: às 9 em ponto estaciona a velha motorizada no alpendre da oficina e agarra-se ao trabalho. “Podem aparecer pessoas, clientes a precisar de moer uma farinha ou arranjar alguma coisa…” Paula Sofia Luz Trabalha até às 21 horas, é certo, mas disfruta do ar livre, come bons queijos e assados de se lhe tirar o chapéu. O último da dinastia Fernando Lopes, do Arrabal, é o último alfaiate de uma longa dinastia de homens dedicados à costura. Por graça, costuma dizer que até as ceroulas de D. Dinis terão sido feitas por algum familiar seu. Fernando Lopes tem hoje 84 anos, 73 dos quais dedicados a esta arte, que ainda o apaixona. Era adolescente quando, às escondidas do pai, conseguiu fazer o seu primeiro casaco. Quando descobriu o autor da proeza, o homem até chorou, recorda o alfaiate. Primeiro sozinho, depois como empresário de confecções, Fernando Lopes já perdeu a conta aos fatos que terá feito ao longo da vida. Lembra, com carinho, que quase todas as bandas filarmónicas >>> PUBLICIDADE 6 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Abertura JOANA CARRIÇO JOANA CARRIÇO 2 1 DANIELA FRANCO SOUSA 3 da região encomendaram fardas no seu atelier. Os alfaiates que conhecia já morreram quase todos. Poucos continuam a cortar e a coser roupas por medida. Foram os negócios do pronto-a-vestir e as lojas de chineses que vieram matar o negócio da alfaiataria, aponta Fernando Lopes, que, apesar de tudo, reconhece enorme “perfeição” no trabalho dos asiáticos. Sempre que começa o noticiário na televisão, o seu olhar recai de imediato sobre o fato do apresentador. Para estas coisas, Fernando Lopes tem olho de lince e detecta à primeira uma fatiota de bom corte. A tecer para os netos Na mesma freguesia de Bernardino Jorge, o pastor, em São Bento, uma artesã luta todos os dias para manter a tradição das tecedeiras no concelho de Porto de Mós. Deonilde Fortunato tem 67 anos e depois do emprego no posto médico e de anos de dedicação às suas vacas, achou que também gostaria de aprender tecelagem. Foi há cerca de 20 anos que o gosto se aguçou. Pediu a alguém que montasse o tear e a teia de fios, seguiram-se breves explicações sobre o objectivo e, em menos de nada, Deonilde Fortunato já sabia seguir os livros de pontos e replicar nos tapetes os desenhos estampados nas páginas. É um trabalho que requer mui- ta concentração e que demora tempo a ficar concluído, mas que vale a pena. Ao contrário de outros, estes tapetes podem ser lavados à máquina e mantêm-se iguais durante anos, garante a tecedeira. Além disso, é um trabalho bonito e uma forma de arte que é importante preservar, considera a artesã, que já ensinou alguns truques à filha e à neta. Com muitas cores ou mais sóbrios, Deonilde Fortunato tem feito tapetes de inúmeros desenhos. A ideia é fazer para si e para os netos, para que possam ter recordações da avó e de uma actividade que, acredita, pode ter os dias contados. Apesar da concorrência asiática e da famigerada crise, vai conquistando clientes através de uma publicidade que nasce do boca-em-boca. Não é trabalho que enriqueça, adverte. São precisos dois ou três dias consecutivos de trabalho de alta concentração para produzir um tapete de 50 euros. Entrelaçar o vime Jacinto Pedro, 77 anos, é um dos últimos cesteiros numa terra que até há umas décadas era conhecida precisamente pelo número de artesãos ligados à cestaria. Com o tempo, o saber foi-se perdendo, o plástico foi ganhando expressão e, em Casal dos Claros, Leiria, restam apenas os poceiros de Jacinto Pedro. Aprendeu o ofício com o pai, que 1. Deonilde Fortunato, tecedeira; 2. Manuel Passadouro, vedor; 3. Jacinto Pedro, cesteiro. se dedicou à cestaria toda a vida. Teria 4 ou 5 anos e já tentava seguir os seus passos. Aos 14, conseguia perfeitamente dividir tarefas com ele. Foi quando casou e se tornou também ele pai, de quatro raparigas, que Jacinto Pedro teve de juntar ao negócio dos cestos, e da agricultura, o trabalho operário numa fábrica de vidro, na Marinha Grande, de forma a equilibrar o orçamento. Agora aposentado, continua a trabalhar nos cestos. “É uma arte em extinção e que não dá para enriquecer nada”, salienta o artesão, lembrando que é preciso o dia inteiro de labuta para fazer cinco poceiros, vendidos a sete euros cada. Ao tempo e ao engenho necessários para entrelaçar as braças, é preciso somar o trabalho de colher e limpar o vime, frisa Jacinto Pedro. Apesar da proliferação do plástico, certo é que “não há máquina que substitua o homem nesta actividade”, e que cestos bem feitos duram dezenas de anos, nota Jacinto Pedro, que continua a traba- lhar num produto em que acredita. Furo de água. Foi você que pediu? Manuel Passadouro tem 51 anos e reside na Mata dos Milagres, em Leiria. Profissão? Vedor. Como? Vedor, aquele que sem recurso a qualquer máquina ou engenhoca consegue afirmar com segurança por onde passa água no subsolo. De que modo? Manuel Passadouro explica e demonstra de forma simples a sua forma de actuação. Basta pegar numa qualquer braça fina de uma árvore, torcêla no sentido do seu corpo e caminhar. Ao passar sobre um local onde passe água, mesmo que a alguns metros de profundidade, a braça torcida começa a fazer força no sentido oposto, e por vezes até se parte. É este o sinal de que há água sob o solo, diz Manuel Passadouro, explicando, contudo, que este tipo de actividade depende muito do magnetismo de cada corpo. Manuel aprendeu esta prática com o seu avô, e com ele próprio também resulta, mas o seu filho, por exemplo, não consegue fazê-lo. É uma técnica “certeira” observa Manuel Passadouro, para quem são “falsas” todas as notícias acerca de máquinas capazes de detectar água. A detecção de água, e a respectiva captação, são de resto as actividades principais de Manuel Passadouro. 8 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Entrevista Fernando Veloso Gomes Especialista em hidráulica costeira diz que muitos dos problemas da costa têm por trás a mão humana, que permitiu, por exemplo, que a “moda de construir quase em cima do mar” vingasse Erros na ocupação do litoral estão a sair-nos caros Maria Anabela Silva [email protected] Em destaque O ministro do Ambiente anunciou, na semana passada, a demolição, já este ano, de mais de 800 construções ilegais ao longo da costa. É uma medida que peca por tardia? Não é minimamente viável demolir essa quantidade de construções em apenas um ano. Só no concelho de Esposende estão previstas relocalizações e demolições em três zonas (São Bartolomeu do Mar, Cedovém e Pedrinhas). Apenas está preparado o processo de São Bartolomeu, que é a situação mais simples. São cerca de 20 habitações, sendo que apenas duas ou três estão permanentemente habitadas. Todos os outros processos só poderão ser resolvidos a cinco ou dez anos. O mais simples seria deixar o mar avançar e planear a retirada das populações. A maioria dos POOC [Plano de Ordenamento da Orla Costeira], em vigor há mais de dez anos, já previa deslocalizações. Por que é que a medida ainda não avançou? Sobretudo, pela sua complexidade. Mais do que questões técnicas, há problemas de percepção social, jurídicos e económicos. A retirada de populações de forma planeada implica dar-lhes condições de vida noutros locais, sendo que, muitas dessas pessoas, têm o direito de viver relativamente perto do mar. Mesmo que, em alguns casos, se faça a deslocalização da primeira frente marítima e se deixe o mar avançar, teremos depois segundas frentes que, mais tarde, poderão vir a ter problemas. Devíamos ter uma atitude preventiva. E por que é que não temos? Por vezes, somos confrontados com decisões jurídicas, que eu respeito, mas que nem sempre acautelam as questões de segurança e que, muitas vezes, são baseadas em actos administrativos. Veja-se o que aconteceu no Furadouro [Ovar], onde parte da área atingida ultimamente pelo mar foi ocupada por um empreendimento construído há cerca de dez anos. O mar não chegou ao edifício, que está rodeado por um muro, mas foi circundado pela água. O empreendimento teve a oposição de técnicos do Ministério do Ambiente e de especialistas na área, devido aos proble- Se um dia o mar chegar mesmo ao edifício, quem vamos responsabilizar? Em muitas situações conseguiu-se travar a expansão urbana em zonas de risco, noutras criaram-se novas situações mas de erosão que já se faziam sentir, mas houve uma decisão do tribunal favorável, com base em compromissos assumidos anos antes. Se um dia o mar chegar mesmo ao edifício, quem vamos responsabilizar? Em muitas situações conseguiu--se travar a expansão urbana em zonas de risco, noutras criaram-se novas situações. Mas temos casos centenários, como Espinho, onde os problemas de erosão são reportados há 200 anos. A linha de costa de Espinho estava avançada cinco quarteirões em relação à actual frente marítima, que é hoje mais ou menos igual àquela que era há 100 anos. A Sul há, no entanto, situações com recuos da linha de costa de dezenas de metros. A costa continua a evoluir a uma escala preocupante e galopante. Os estragos da intempérie do último Inverno são apenas resultado de um fenómeno natural ou resultam de problemas provocados pela acção do homem? Muitos desses estragos estão relacionados com o tipo de ocupação do solo. Foram destruídos quilómetros de passadiços ao longo da costa. Há 30 ou 40 anos, este temporal não destruiria qualquer passadiço, porque estes não existiam. Nos últimos anos, foi feita uma grande intervenção de pro- tecção de dunas, permitindo que as pessoas tenham acesso a esses espaços, mas de forma controlada. Fizeram-se quilómetros e quilómetros de passadiços, alguns demasiado próximos da linha de água. Há 30 ou 40 anos quase não havia apoios de praia, que foram, de alguma forma, incentivados pelos POOC. Cometemos muitos erros na ocupação do litoral, que nos estão a sair caros. Ocupámos aquilo que era dinâmico. A partir dos anos 60 do século XX, vingou a moda de construir quase em cima do mar. As Torres de Ofir quando foram construídas, nos anos 70, eram um exemplo de modernidade. Braga estava também a começar a construir em altura e isso era visto como sinal de desenvolvimento. Guimarães, que hoje é património mundial, não seguiu essa prática e era considerado um 'atraso de vida'. Essa política de ocupação do litoral coincidiu também com um aumento do número de barragens. Houve uma grande transformação nas bacias hidrográficas. Os rios, nomeadamente aqueles que alimentavam as praias de areia, foram artificializados, com a construção de barragens. Há mais de 20 anos que não podemos contar com sedimentos transportados pelos rios para alimentar as praias. Por outro lado, queremos controlar cheias, mas esquecemo-nos que elas são fundamentais para alimentar as praias. Depois, temos os portos com canais de navegação cada vez mais profundos. A areia que chega lá é depositada e tem depois de ser dragada. Por que é que essas areias dragadas não são depois colocadas nas praias? Até há cerca de dez anos uma das grandes fontes de receitas dos portos de Aveiro, Viana do Castelo e Figueira da Foz provinha da venda de areias. As que não eram vendidas para a construção civil, eram colocadas em alto mar. Ninguém fazia barulho contra isso. Em Lisboa, por exemplo, as areias retiradas do porto são levadas para alto mar ou colocadas em grandes aterros. Se dizemos para as colocarem na Costa da Caparica, dizem que estamos a deitar dinheiro fora, porque o mar as leva. Os portos precisam, cada vez mais, de aumentar as suas condições de segurança, com canais mais profundos e quebra- mares mais extensos, como aconteceu na Figueira da Foz, com o prolongamento do molhe. Esse prolongamento já está a ter reflexos nas praias a Sul. Mas o que dizia o estudo de impacto ambiental era que o efeito seria localizado no tempo e no espaço e que depois esses efeitos desapareceriam. Protestei contra isso e quase que fui insultado. Um engenheiro do Ambiente de um porto da região Centro acusou-me de desonestidade intelectual por eu dizer que havia um problema de erosão a Sul de Aveiro relacionado com o porto e que as areias dragadas teriam de ser colocadas a Sul. Em Aveiro o prolongamento foi de 200 metros, na Figueira foi de 400 metros. Não ponho em causa a importância dessas intervenções para o desenvolvimento regional, mas temos de mitigar os aspectos negativos. Como se podem minimizar os efeitos do prolongamento do molhe do Mondego? O bypasse é uma solução, mas não é simples. Estamos a falar de um sistema de transposição de areias, que faz a bombagem de água com areia de Norte, onde os sedimentos se acumulam, para Sul, onde eles chegariam se não houvesse esse obstáculo artificial. Há alguns a funcionar bem na Austrália, mas nos EUA alguns foram desactivados. São estruturas com custos de manutenção muito elevados. Na Austrália essas zonas são visitáveis, sendo cobrado uma pequena verba aos visitantes. É uma forma de gerar alguma receita para tentar custear a manutenção do sistema. Sempre que se dragam areias, estas têm de ser colocadas na praia. Com a situação crítica a que chegámos, temos de saturar as praias com areia e só depois colocá-la no mar. Foi isso que se fez na Holanda, onde existe um plano nacional de reposição de areia. Há 30 anos que os holandeses andam a pôr areia nas praias. Isso teve implicações nos impostos. Quando, por uma questão de segurança e defesa nacional, decidiram fazer essa intervenção, consultaram a população para perceber se os contribuintes estavam dispostos a pagar a factura. As soluções técnicas existem, mas têm custos e não há soluções perfeitas do ponto de vista ambiental ou técnico. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 9 ENTREVISTA COM O APOIO DE: RICARDO GRAÇA Controvérsia “Há uma diabolização dos esporões” T Uma das soluções para combater o problema da erosão é a construção de esporões, que, se por um lado resolvem o problema a Norte, por outro, agravam-no a Sul. É uma solução a evitar? Nos últimos dez anos foram construídos apenas dois: Areão e Poço da Cruz. Essa paragem foi o reconhecimento de que a estratégia não era a mais correcta? Até há 20 ou 30 anos, a estratégia era construir em todo o lado e, depois, erguer esporões para proteger esses locais. Isso foi travado. Alguns esporões funcionaram bem até há pouco tempo e salvaram muitas zonas urbanas. Se eles não estivesse lá, essas zonas já não existiam. O que aconteceria se retirássemos os esporões de Ofir, Esmoriz, Vagueira ou Cortegaça? Já se tentou fazer isso em Ofir, mas ninguém assinou um termo de responsabilidade para retirada. Os esporões servem para interceptar correntes de areia. Ao interceptarmos essa areia, estamos a beneficiar uma área, mas estamos a antecipar problemas noutra. Mas os problemas nesta última zona existiriam na mesma. O que se vê a Sul dos esporões não é o impacto negativo dessas estruturas, mas o que teria sucedido normalmente, sem qualquer protecção, antecipado no tempo pela construção dos esporões, para proteger uma zona urbana. Há uma diabolização dos esporões, mas há povoações que sobrevivem à custa deles. Espinho é disso exemplo. O problema da falta de areia registado nos últimos Verões nas Praias do Pedrógão e São Pedro de Moel, poderia ter ocorrido mesmo sem o prolongamento do molhe do Mondego? Já no passado houve situações dessas no Pedrógão. São ondas cíclicas. Há um problema de erosão gene- ralizado que, depois, é agravado por certas intervenções, até uma nova estabilidade, que pode atingir-se ao fim de cinco, dez ou 15 anos ou que nunca mais se conseguirá. Antes da obra avançar, defendi que o prolongamento iria agravar as situações de erosão a Sul. Mas também está a trazer problemas a Norte. A praia da Figueira da Foz já se torna desagradável para usufruto público, por estar tão afastada do mar. Considera que é um “mito” pensar que é possível resolver definitivamente os problemas das orlas costeiras. Por que diz isso? Essa não uma questão que se aplica apenas à orla costeira, mas à sociedade em geral. Temos muito a ideia de procurar soluções para resolver definitivamente os nossos problemas de dividia pública, de pobreza..., quando muitas vezes o que podemos fazer é mitigar ou adiar problemas. Isso já é muito. Em Espinho conseguimos adiar um problema que era crítico há 100 ou 200 anos. O quebra-mar de Leixões está, na parte mais alta, 15 metros a cima do zero hidrográfico. E foi galgado por ondas. Se quisermos fazer uma parede com 20 metros pela costa baixo, provavelmente evitaremos galgamentos. Mas isso cabe na cabeça de alguém? Então, ou recuámos ou fazemos mais estruturas (quebras-mares) ou trabalhamos para minimizar as consequências. Choca-me ver banquinhos frágeis junto ao mar, onde a água chega, e que facilmente são arrastados pelo mar. Não tem pés nem cabeça fazer calcetamentos em cima de areia onde o mar chega. Há questões de desenho urbano que não se podem manter. Temos de preparar essas frentes urbanas pensando que são galgáveis. Perfil Especialista em hidráulica Professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (Departamento de Engenharia Civil), Fernando Veloso Gomes é licenciado em Engenharia Civil e doutorado em Hidráulica Aplicada. É especialista nas áreas de hidráulica, recursos hídricos e ambiente, sendo responsável por mais de 350 publicações, entre teses, livros, relatórios técnicos e artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais. Fernando Veloso Gomes desempenha, desde 1993, as funções de director do Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos, uma associação sem fins lucrativos criada em 1986 com o objectivo de ser uma instituição de transferência de conhecimentos e de prestação de serviços de investigação, desenvolvimento experimental e outras actividades científicas e técnicas, nos domínios da hidráulica e da engenharia de recursos hídricos e ambiente. O docente integra ainda o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto. 10 Jornal de Leiria 13 de Março de 2014 ONU cria Dia Internacional Contra a Discriminação Sociedade O Dia Internacional Contra a Discriminação Racial foi criado pela ONU, em memória do Massacre de Sharpeville, no dia 21 de Março de 1960. Foi nesta data, na África do Sul, que se realizou um protesto contra a lei do passe, que obrigava os negros daquele país a usarem uma caderneta onde estavam descriminados os espaços que podiam frequentar. Discriminação racial diminui mas não desaparece Efeméride Comemora-se amanhã o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. A globalização aumentou a tolerância entre os povos, mas a cor e a etnia ainda fazem a diferença Elisabete Cruz [email protected] T “Vai-te embora para a tua terra”. “Estas brasileiras vêm aqui só para sacar homem...” Estas são duas das muitas frases que alguns estrangeiros já ouviram em Portugal. O estigma tem vindo a cair, mas teima em não desaparecer. Amanhã assinala-se o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. O JORNAL DE LEIRIA foi ouvir pessoas de vários países. Todos concordam que a globalização diminuiu a discriminação e que os novos imigrantes também mudaram a má imagem que alguns compatriotas deixaram. Há 14 anos em Portugal, Natanael Gomes sofreu na pele a discriminação. “Trabalhava e não me pagavam e quando pedia o dinheiro o patrão ameaçava que me ia entregar ao SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras], porque ainda estava ilegal. Diziam constantemente 'vai-te embora, saíste do mato para vir aprender aqui'...”, recorda o mecânico de automóveis, que têm formação técnica e especializações na área. Segundo conta, naquela época os brasileiros eram “olhados com desconfiança”. Os homens “estavam em Portugal para fugir de algum crime cometido” e as mulheres eram “prostitutas”. “Não vim tirar o lugar a ninguém, vim procurar melhores condições de vida como fazem os portugueses”, salienta, recordando que muitas mulheres brasileiras acabaram em bares, “porque foram enganadas”. Ana Carvalho é filha de pai português e mãe brasileira. “Vim para Portugal, depois de estar no Canadá, em 1990. Lembro-me de entrar num café para comprar tabaco e vestia um top e umas bermudas. A mulher do dono do café virou-se para ele e disse: 'não atendas essa gaja. Tu és o meu homem'. E em seguida disse-me: 'vai-te embora sua p..., não te quero mais aqui.” A discriminação não foi só no atendimento, mas também no trabalho. Ana Carvalho não concluiu o último ano de Sociologia “por falta de dinheiro”, e a maioria dos empregos que teve foi de cozinheira, limpeza ou a cuidar de idosos. “Nunca me deram um emprego de acordo com o meu estatuto cultural”, lamenta, criticando os rótulos que lhes são aplicados. Por isso, sentiu sempre “uma gran- Associação critica ineficácia da justiça Imigrantes querem direitos e não caridade A associação Solidariedade Imigrante luta pela igualdade de direitos dos cidadãos imigrantes há vários anos e lamenta a ineficácia da justiça e das instituições governamentais. “Se um imigrante vai à polícia apresentar queixa por discriminação racial, os agentes estão pouco interessados na sua reclamação. Por isso, há muita gente que nem faz queixa porque não acredita que se venha a fazer justiça”, salienta Timóteo Macedo, presidente da Solidariedade Imigrante. “Quando uma cidadã romena é vítima de tráfico humano, denuncia a situação e depois não tem resposta das autoridades, algo está mal. A justiça tem de ser mais célere, isenta e não discriminatória.” Timóteo Macedo frisa que a discriminação “não é só chamar nomes”. Há estigmas que não são visíveis. “É sentir, quando se vai ao hospital ou a uma instituição pública, a forma diferente como se é tratado. Não somos um país de brandos costumes como se costuma dizer. Existe muito racismo em Portugal, mas, por vezes, oculto”, acrescenta o dirigente. Para Timóteo Macedo, a Guerra Colonial deixou marcas na cultura de alguns portugueses, “que mantiveram uma postura de supremacia sobre o africano”. Por outro lado, “há muito a atitude do coitadinho e da caridade”. Estas posturas “também são actos de submissão e de dar a entender que os outros são burros e que temos de cuidar deles”. Os imigrantes “não querem caridade, mas direitos”. “Eles têm de ter o poder de decidir e de serem cidadãos iguais aos outros, sem terem de viver da caridade”. de vigilância” sobre si e era obrigada a fazer o trabalho que outros, com o mesmo cargo, não faziam. “Passados 20 anos as coisas estão muito melhores. As pessoas têm a mente mais aberta e o modo de vestir de homens e mulheres portugueses também se alterou”, constata. Ana Carvalho diz ainda que deixou de se auto-marginalizar. “Quando vou a algum lado já não falo quase como que a pedir desculpa. Tenho uma postura idêntica a qualquer pessoa e isso faz com que conquiste o respeito das pessoas.” Cláudio Renê, angolano, 25 anos, chegou a Portugal com 8 anos com os pais. Foi bem acolhido pela comunidade, primeiro em Coimbra e mais tarde em Leiria. “Os meus melhores amigos até eram portugueses, que iam a minha casa e eu à deles.” Curiosamente, foi no futebol, um mundo onde a multiculturalidade predomina, que sentiu a discriminação. “Lembro-me de marcar um golo, em Peniche, e de me chamarem preto e outras coisas. Mantive-me calmo, apesar de ter ficado triste e magoa- do”, conta. O pior ainda estava para vir. Já a jogar no escalão de seniores, Cláudio Renê foi fortemente discriminado pela cor num jogo na Mata Mourisca, em Pombal. “No decorrer do jogo, ouço colegas de profissão a chamarem-me barrote queimado, preto, entre outros nomes. Uma coisa são as bocas vindas da bancada, outra é o racismo vindo dos próprios colegas e dirigentes. Deixaram-me triste e revoltado, sobretudo, porque nem a polícia interveio”, critica. O jovem admite que “ainda existe alguma discriminação”, e muita dela “silenciosa”. “As coisas melhoraram bastante. A globalização tem vindo a unir as pessoas, mas mesmo assim, nunca vamos conseguir controlar na totalidade o racismo”, constata. Tatiana, 39 anos, deixou a Ucrânia há 12 anos, onde era médica parteira. Em Portugal, tem trabalhado nas limpezas, cafés e cozinha. “Faço o trabalho mais duro e difícil, que as portuguesas não fazem, apesar de terem a minha função”, lamenta, revelando que pedir a equivalência da licenciatura “é muito caro”, pelo que não tem condições para o fazer. É também por precisar do dinheiro que nunca reclama, pois tem medo de perder o emprego. “Ouvi algumas pessoas dizerem: 'isto não é a Ucrânia'. Muitas vezes chegava a casa e desatava a chorar. No início não sabia a língua, mas agora consigo pôr algumas pessoas no seu lugar, de forma educada.” De qualquer forma, Tatiana considera que entre a reclamação de uma portuguesa e de uma ucraniana, “vão dar razão à portuguesa”. Trabalhos sem receber são experiências que não esquece. “Além de não pagarem o salário, também não me pagavam os meus direitos”, revela, admitindo que os patrões “se aproveitavam” do facto de desconhecer as leis portuguesas e por estar ilegal. “Tive amigos que trabalharam no duro nas obras e no final disseram-lhes que ter comida já era muito bom.” A vida não tem sido fácil, mas Tatiana agradece a Portugal a oportunidade que lhe deu para melhorar a vida. “Nem toda a gente me tratou mal. Também tive ajuda e este foi o País que me legalizou. Estou grata por isso.” Tatiana também reconhece que alguns imigrantes vieram para a prostituição ou para trabalhos ilícitos, o que contribuiu para uma má imagem. “As pessoas têm de pensar que não somos todos iguais.” Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 11 Sociedade Moradores do centro histórico voltam a queixar-se do excesso de barulho Leiria Raul Castro admite fechar bares incumpridores Empresa oferece árvores em troca de 'likes' RICARDO GRAÇA/ARQUIVO Maria Anabela Silva [email protected] T No rescaldo de mais uma reunião com moradores do centro histórico, realizada na segunda-feira, o presidente da Câmara de Leiria veio a público admitir o encerramento de bares que não cumpram a legislação. Neste momento, existe já um estabelecimento notificado para encerrar. “Quando há abusos, devidamente confirmados por testes acústicos, só há um caminho a seguir: notificar para encerrar”, afirmou Raul Castro no final da reunião de câmara de terça-feira. Em declarações aos jornalistas, o autarca explicou que o caso já notificado se trata de um estabelecimento “várias vezes avisado”, cuja “avaliação acústica demonstrou incumprimento”. Face a isso, “o caminho é o encerramento, a não ser que consigam insonorizar o espaço devidamente”, adianta o presidente da câmara, para Moradores pedem à câmara actuação mais firme quem a entrada em vigor do Licenciamento Zero veio trazer dificuldades acrescidas. “A legislação veio agravar a situação, porque permite que se abra o estabelecimento sem as condições adequadas e depois se trate do licenciamento”, diz, assegurando que a câmara irá “continuar as acções de fiscalização”. Segundo o autarca, a reunião com moradores do centro histórico realizou-se a pedido dos residentes, T A propósito do Dia Mundial da Árvore, a Efficit, empresa de Leiria, desenvolveu uma campanha, em parceria com os Viveiros Quinta da Gândara, que consiste na oferta de uma árvore por cada 'Gosto' e/ou partilha da sua imagem promocional através do facebook. Para amanhã, está marcada a plantação de 20 árvores junto à Ribeira do Amparo, na zona da Quinta do Bispo, em Leiria, que será feita por crianças do Jardim de Infância Divertidos e Geniais, supervisionadas por técnicos da câmara. As restantes árvores – cerca de 300 – destinam-se a florestar uma zona junto ao Parque de Campismo do Pedrógão, tarefa que caberá à câmara. Entretanto, a autarquia irá, em pareceria com a Junta Regional de Leiria do Corpo Nacional de Escutas, plantar cerca de 100 árvores em vários locais da cidade e do concelho. PUBLICIDADE No fim-de-semana, em Lisboa NEL – Pédatleta/HRV e atletas “especiais” correram a maratona DR Veja anúncios de emprego na página 27 Dos 127 atletas que o NEL levou à maratona, dois eram muito especiais T O Pédatleta, secção de corrida, do Núcleo de Espeleologia de Leiria (NEL) através de uma parceria com a HRV - Equipamentos de Processo, S.A., da Marinha Grande, participou na 24.ª Meia Maratona de Lisboa e na Mini Maratona de Lisboa com o objectivo de angariar fundos para a Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral – Leiria (APPC-Leiria). As provas decorreram no domingo, 16 de Março, tendo alinhado 127 atletas da Equipa NEL - Pédatleta/HRV, entre eles dois utentes da APPC-Leiria. Em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Figueiró dos Vinhos, o NEL-Pé- que voltaram a queixar-se do excesso de barulho provocado por alguns estabelecimentos. “Somos muito sensíveis aos problemas dos moradores. Há pessoas com problemas de saúde preocupantes, por terem alterado hábitos de sono, porque há estabelecimentos que teimam em fazer barulho às 3 ou 4 horas da manhã sem estarem legitimados para tal”, acrescentou. Fernanda Sobreira, uma das moradoras presentes na reunião, explica que o encontro pretendeu, “mais uma vez”, chamar para os problemas com os quais se debate quem vive naquela zona da cidade, como o barulho e o vandalismo. “Com o bom tempo, voltou a ser impossível dormir antes das três horas da manhã nas noites de terça e quinta-feiras e de sábado”, conta . Convicta que “a coabitação saudável entre bares e moradores é possível”, pede, no entanto, à câmara “uma actuação mais firme” em relação aos incumpridores. datleta levou ainda os atletas “especiais”, Tony Johnathan e Nuno Costa, em duas cadeiras adaptadas (joelettes). Os dois percorreram os mais de 21 quilómetros do percurso, impulsionados por elementos da equipa NEL – Pédatleta/HRV. Por cada inscrição na prova, a HRV efectuou um donativo à Delegação de Leiria da Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral, correspondente ao valor da inscrição. Assim, foi possível reunir um montante final superior a dois mil euros que será entregue, em breve, à instituição. Para saber como anunciar na secção de classificados do Jornal de Leiria ligue 244 800400 12 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Sociedade Pombal divulga lista de benefícios atribuídos O município de Pombal vai passar a divulgar mensalmente as subvenções e benefícios públicos aprovados em reunião de câmara. A publicação no site da autarquia vai ao encontro da “política de transparência de gestão” prometida pelo presidente da câmara, Diogo Mateus, no início do seu mandato. Gestão dos parquímetros passará a ser feita directamente pela câmara Batalha alarga zonas de estacionamento pago e cria novo parque gratuito MARIA ANABELA SILVA Maria Anabela Silva [email protected] T A zona central da vila da Batalha vai passar a ficar coberta com parquímetros, com o alargamento do estacionamento pago às Ruas Infante D. Fernando (em frente à câmara), Dona Filipa de Lencastre (paralela à primeira) e Luís Silva Mouzinho de Albuquerque (em frente ao posto da GNR). Também o Parque dos Canteiros, localizado junto à rotunda de acesso ao IC2, e a zona frontal à estátua de D. Nuno Alvares Pereira, na envolvente ao Hotel Mestre Afonso Domingues, passarão a ser tarifadas. Ao todo serão mais 50 lugares pagos, que a autarquia pretende compensar com a criação de um novo parque gratuito no terreno existente em frente à sede da Junta de Freguesia da Batalha e que terá capacidade para cerca de 60 viaturas. Assegurando que as mudanças foram feitas em “articulação” com os comerciantes, o presidente da câmara diz que “o estacionamento é um instrumento fundamental das políticas de ordenamento do território e de mobilidade, sobretudo para uma vila turística como a Batalha”. “O objectivo é favorecer o turista e quem nos visita, promovendo alguma rotatividade do parqueamento nas zonas mais centrais da vila”, afirma Paulo Batista dos Santos, frisando que houve a preocupação de fixar valores “baixos”. Nessa lógica, a primeira fracção de 15 minutos custará dez cêntimos, enquanto as seguintes têm um preço de O Segredo de Fátima – uma abordagem histórico-cultural será o tema do primeiro de vários jantares-conferência que o Museu de Arte Sacra e Etnologia, dos Missionários da Consolata, em Fátima, irá promover este ano. O primeiro está marcado para o próximo dia 27, a partir das 19:45 horas, e terá como orador convidado Marco Daniel Duarte, director do Serviço de Estudos e Difusão do Santuário de Fátima Distrital Margarida Balseiro Lopes recandidata-se na JSD A actual presidente da Regional de Leiria da JSD, Margarida Balseiro Lopes, vai recandidatar-se ao cargo. As eleições irão decorrer durante o II Congresso Regional de Leiria, a realizar no início de Abril. Margarida Balseiro Lopes diz que volta a apresentar-se a sufrágio porque o projecto iniciado há dois anos “tem de continuar”, mantendo a aposta na produção de propostas políticas e na formação de quadros. Rua em frente à câmara vai passar a ter parquímetros O número 413 mil euros é o valor da receita anual que a câmara poderá arrecadar com a gestão directa do estacionamento pago 15 cêntimos, o que perfaz um custo de 55 cêntimos por hora. Além da aprovação da expansão do estacionamento tarifado na vila, que passará totalizar cerca de 200 lugares, a câmara aprovou, na segunda-feira, a alteração do modelo de gestão das áreas abrangidas pelos parquímetros, que passará a ser assegurada directamente pela autarquia. “De acordo com o estudo económico que fizemos, se for o município a assumir a gestão há uma receita prevista de cerca de 413 mil euros por ano. Seguindo o modelo de concessão com a partilha de receitas, a autarquia receberia metade desse valor”, explica Paulo Batista dos Santos. De acordo com o autarca, esta alteração já está em curso com a abertura de concurso para a aquisição de parquímetros, estimada em cerca de 50 mil euros, prevendo-se que as novas máquinas estejam a funcionar ainda antes do Verão. Junto ao antigo hotel Lis, em Leiria Quiosque há mais de três anos em contentor T Inicialmente previa-se que fosse uma situação provisória, enquanto decorressem as obras de recuperação do antigo Hotel Lis, em Leiria. Mas os anos passaram e o quiosque, que antes estava no rés-do-chão daquele edifício, continua num contentor, instalado em frente ao que resta do antigo hotel, localizado numa das principais artérias da cidade. A situação arrasta-se desde finais de 2010, quando a câmara emitiu uma licença de ocupação de espaço público, permitindo a instalação do contentor no local. Uma autorização que, segundo o vereador do Desenvolvimento Económico, Vítor Marques, “tem sido renovada”, sendo que esse deferimento “dependeu sempre Ourém Jantar-conferência sobre o segredo de Fátima MARIA ANABELA SILVA de um parecer por parte do Igespar [actual Direcção- Geral do Património Cultural]”. Alice Lopes, proprietária do quiosque, considera que o contentor “não dá má imagem ao local”. Pelo contrário: “até disfarça as ruínas do antigo hotel”. A comerciante assegura ainda que tem a preocupação de “manter o espaço cuidado”, tendo, no ano passado. Ex-proprietário do edifício do antigo Hotel Lis, Jorge Santo explica que o contentor seria uma solução “provisória enquanto decorriam as obras”, findas as quais a inquilina regressaria ao edifício”. O problema é que as obras não avançaram e não há previsão de quando isso possa acontecer. MAS Ansião Assembleia aprova moção em defesa do IC8 A Assembleia Municipal de Ansião aprovou, por unanimidade, uma moção de protesto pelo facto do Governo não ter incluído a conclusão da requalificação do IC8 no relatório Infra-estruturas de Elevado Valor Acrescentado. Os deputados entendem a não inclusão daquele investimento “como contrária aos princípios de coesão territorial, pela sua importância estratégica e por ser um investimento reivindicado há 30 anos”. Pombal Intervenções urgentes nas margens dos rios O mau tempo provocou “debilidade das margens” dos rios Carnide (nas freguesias da Mata Mourisca e Almagreira) e Pranto (na freguesia do Louriçal), pelo que a autarquia considera que “há um conjunto de intervenções que têm que ser realizadas rapidamente, sob pena de impossibilitar o cultivo dos campos de arroz aí existentes”, salienta o vereador Pedro Murtinho, após uma visita ao local com técnicos da Administração da Região Hidrográfica do Centro. 14 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Sociedade Serviço gratuito de apoio ao preenchimento de IRS O Movimento para uma Civilização do Amor, de Pombal, está a informar quem está obrigado a preencher declaração de IRS, apoiando gratuitamente nesta tarefa aqueles que tenham vencimento/pensão/reforma inferior ao ordenado mínimo nacional, ou superior se o agregado for numeroso. Secretário de Estado do Ambiente em Leiria Cardeal visitava quase todas as freguesia onde fez a instrução primária “Os aterros sanitários têm de acabar” D. José Policarpo tinha a Benedita no coração T “A lógica de enterrar os resíduos é para terminar. Os aterros [sanitários] têm de acabar”. Quem o diz é o secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, que defende que, cada vez mais, os resíduos devem ser encarados como “um recurso”, frisando que o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos 2020 já preconiza uma estratégia que passa por “voltar a colocar na economia tudo aquilo que é produzido”. As declarações do secretário de Estado foram proferidas à margem da sessão de abertura da conferência Recursos energéticos renováveis, que decorre, desde ontem, em Leiria e que termina hoje. Na sua intervenção, o secretário de Estado defendeu ainda a criação de “interconexões” que permitam aos países trocarem energia, uma medida que colocaria Portugal como um país exportador nesta área. “Este Inverno tivemos energia em excesso, quer hidráulica quer eólica, que poderíamos estar a exportar”, disse o governante, sublinhando ainda o “grande potencial” que o País tem ao nível solar, um sector que, no seu entender, representará a “próxima PUBLICIDADE revolução em termos de energia renovável”. Em declarações aos jornalistas, o secretário de Estado admitiu também que a crise contribuiu para “sermos mais eficientes no uso dos recursos”, situação que teve reflexos na redução das emissões de carbono (12% desde 2005). “O nosso PIB [Produto Interno Bruto] não baixou tanto. Isso significa que houve um grande esforço por parte das empresas e dos cidadãos. Quanto mais eficientes formos, menos custos teremos e isso torna-nos mais competitivos”, afirmou. Por seu lado, o presidente da Câmara de Leiria frisou que “a responsabilidade social das autarquias exige hoje, mais do que nunca, uma aposta na área ambiental”. Raul Castro sublinhou ainda a importância de, neste domínio, os municípios adoptarem “uma filosofia de cooperação”, dando como exemplo o trabalho que as autarquias da região têm vindo a fazer na área dos resíduos, com a eliminação de lixeiras e o investimento na valorização de resíduos sólidos urbanos. MAS DR D. José Policarpo morreu aos 78 anos Luci Pais [email protected] T Ao longo de dois anos lectivos, Rui Fialho partilhou a mesma sala e o recreio que José da Cruz Policarpo, na Escola Primária de Frei Domingos. Na Benedita, o antigo cardeal, natural de Alvorninha (Caldas da Rainha) que faleceu no passado dia 12, é admirado como um homem simples e bom ouvinte. Na sala de aula, o cardeal patriarca emérito de Lisboa já deixava adivinhar, entre colegas e professora, o futuro de relevo e promissor que viria, anos mais tarde, a abraçar e desempenhar. “Era um rapaz muito pacato, sossegado, compenetrado e de uma inteligência impressionante”, testemunha Rui Fialho, de 75 anos. Como todos os meninos, gostava de brincar, embora “sempre de uma forma mais calma e pensada”. Refere o septuagenário que, naquela ocasião, D. José ainda não deixava transparecer a forte ligação à Igreja Católica: “Todos éramos e não éramos. Naquele tempo, era uma obrigação. Tínhamos todos de alinhar”. Na escola primária, agora encerrada, continua exposta uma fotografia do antigo Patriarca de Lisboa. A história daquele senhor da Alvorninha era partilhada, como exemplo, juntos das crianças que frequentavam aquele estabelecimento de ensino. Praticamente todas as semanas, D. José Policarpo visitava a Benedita. Vila que sempre frequentou, dada a proximidade com a sua aldeia. A sua casa foi construída na extremidade do concelho das Caldas da Rainha. Havia paragens obrigatórias. O Café dos Carmos foi sempre o espaço que escolheu para beber o seu café, fumar o seu cigarro e ler o jornal. “Era uma simpatia de pessoa. Tinha sempre uma palavra amiga. Gostava muito de ficar no seu canto”, conta Luís Pereira. Há mais de quatro décadas que o cardeal patriarca emérito frequentava o Café dos Carmos, juntamente com a família. “Por vezes, juntava-se aqui com os irmãos e os sobrinhos”, relembra. Era nas mãos do cabeleireiro Rui Fialho que D. José Policarpo confiava, há cerca de 24 anos, o seu cabelo. “Era um cliente muito regular. Era, sem dúvida, uma pessoa muito fiel à Benedita”. As conversas eram variadas, normalmente os temas da actualidade eram os mais debatidos. “O D. José era muito inteligente. Falava, sobre os mais variados temas, com muita facilidade. Eu muitas vezes é que não tinha conversa para ele”, salienta o cabeleireiro. O antigo presidente da Junta da Benedita e ex-vereador na Câmara de Alcobaça, José Vinagre, partilha uma “história engraçada” que viveu com o patriarca. A rua que dava acesso à casa de D. José recebeu o seu nome. Na ocasião, ao maior representante da Igreja Católica em Portugal José Vinagre prometeu manter a via e a placa limpa. Acto que lhe exigia sempre que o encontrava, relembra, entre sorrisos, o antigo presidente da Junta. É à conversa com Ferreira Vicente que ficamos a conhecer melhor José da Cruz Policarpo. “Era um homem tão normal e simples como outro qualquer”, esclarece o primo em segundo grau. O advogado, com escri- tório na Benedita, testemunha que o cardeal patriarca “ajudava e dava apoio moral, sempre que necessário, à família”. A sua simplicidade é explicada pelas suas raízes: “é uma pessoa com origens no campo. Cresceu no meio rural”. Há dias, relembra Ferreira Vicente, “chegou muito bem-disposto de Roma. Era uma pessoa do mais normal que se pode imaginar, no seio da família”. Além do patriarca, também dois primos ordenaram-se padres. Dos oito irmãos, apenas D. José Policarpo seguiu a vida religiosa, embora outros tenham estudado no seminário. Conduzia o seu carro com mais de duas décadas. Apenas teve motorista durante os anos em que foi patriarca, por questões de agenda. “Ainda assim, muitas vezes, fazia as viagens sozinho entre Alvorninha e Lisboa ou outras paragens”, revela o primo. A morte chegou aos 78 anos, depois de D. José Policarpo se ter sentido mal num retiro de bispos em que participava em Fátima. Foi de emergência para o Hospital do SAMS (Serviços de Assistência Médico Social), em Lisboa, onde lhe foi detectado um aneurisma na aorta. Morreu na sala de operações, durante a intervenção cirúrgica de emergência. O corpo do Patriarca Emérito de Lisboa foi sepultado no Panteão dos Patriarcas, no Convento de S. Vicente de Fora. José da Cruz Policarpo continuará a ser uma referência da Benedita e a sua fotografia continuará, nem que não seja na memória, pendurada na antiga sala de aula, que um dia foi a sua. Sociedade Ciência e Tecnologia Setenta investigadores contribuíram para o site que assinala os locais geológicos do País Leiria tem 20 dos 300 geossítios mais importantes de Portugal RICARDO GRAÇA Miguel Sampaio [email protected] T Quando pensamos em fenómenos geológicos da região, as pegadas de dinossauros da Pedreira do Galinha e as grutas do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, são, por norma, as primeiras a ser lembradas. No entanto, o distrito de Leiria e o concelho de Ourém são particularmente ricos neste tipo de herança natural. Há pelo menos duas dezenas de locais que estão referenciados como estando entre os 300 mais importantes do País. Esta informação consta do portal geossitios.progeo.pt, lançado recentemente, e que resulta do projecto Identificação, caracterização e conservação do património geológico: uma estratégia de conservação para Portugal. “Em Portugal, de um ponto de vista histórico, o património natural tem sido abordado apenas na perspectiva biótica, ou seja, como se a natureza apenas fosse formada por elementos da fauna e flora. Assim, era imperioso saber o que existe no País de relevante no que diz respeito à geodiversidade, como minerais, rochas, fósseis e formas de relevo”, explica ao JORNAL DE LEIRIA José Brilha, professor da Universidade do Minho e coordenador do projecto de investigação. “Só depois de saber o que temos, podemos tomar medidas concretas para proteger o que é mais relevante. A conservação da natureza em Portugal pode agora agir, não só na protecção da biodiversidade, mas também da geodiversidade”, adianta o investigador. Para José Brilha, a geodi- Península de Peniche e Berlengas, dois geossítios de referência versidade marca, de forma directa e indirecta, todas as características do território. “Se quisermos compreender porque temos um relevo montanhoso na metade Norte do País e mais aplanado a Sul, por que é que no Minho chove mais, porque temos uma tão grande diversidade de regiões demarcadas de vinhos, ou porque é na Nazaré que existem as ondas gigantes usadas pelos surfistas... temos de conhecer a geodiversidade de Portugal.” A conservação é uma preocupação constante e este inventário permite que se passe a proteger o que é ver- dadeiramente relevante.. “Claro que não podemos nem queremos proteger toda a geodiversidade, uma vez que necessitamos de consumir enormes quantidades de minerais e rochas para fabricar tudo aquilo que necessitamos para a nossa vida quotidiana, apesar da maior parte das pessoas nem se aperceber deste facto. Porém, existem alguns elementos que devem ser conservados devido ao seu valor científico, educativo e turístico excepcionais.” Quanto à região de Leiria, o docente entende ter “um apreciável número de geossitios e com características dis- tintas”, o que revela bem a existência de uma “razoável geodiversidade”. As pegadas de dinossauro da Pedreira do Galinha são já classificadas como Monumento Natural, mas José Brilha destaca ainda as “ocorrências da Península de Peniche”, que do ponto de vista científico “são particularmente interessantes e estão em processo de reconhecimento pela comunidade internacional”. Tratase, segundo o portal, de uma “plataforma calcária lapiasada, parcialmente fossilizada e parcialmente exumada pelo mar, associada a grutas habitadas pelo Homem.” Lista dos geossítios referenciados na região de Leiria ALCOBAÇA • Arriba da Praia da Senhora da Vitória Valor científico (0-100): 43,75 Vulnerabilidade (100-400): 220 • Grutas e nascentes do Vale do Mogo Valor científico (0-100): 31,25 Vulnerabilidade (100-400): 260 • Vale Furado Valor científico (0-100): 57,5 Vulnerabilidade (100-400): 250 ANSIÃO • Deslizamento sin-sedimentar da Ateanha Valor científico (0-100): 41,25 Vulnerabilidade (100-400): 240 • Início de enchimento da Bacia Lusitaniana Valor científico (0-100): 61,25 Vulnerabilidade (100-400): 205 • Transversal Ateanha – Dueça Valor científico (0-100): 53,75 Vulnerabilidade (100-400): 210 LEIRIA • Vale da Grota e Nascentes do Lis Valor científico (0-100): 31,25 Vulnerabilidade (100-400): 240 • Vale do Lapedo Valor científico (0-100): 33,75 Vulnerabilidade (100-400): 190 MARINHA GRANDE • São Pedro de Moel Valor científico (0-100): 61,25 Vulnerabilidade (100-400): 250 NAZARÉ • Rochas cretácicas do Sítio da Nazaré Valor científico (0-100): 50 Vulnerabilidade (100-400): 190 ÓBIDOS • Deformação sin-sedimentar no Jurássico Superior da Bacia Lusitaniana Valor científico (0-100): 32,5 Vulnerabilidade (100-400): 350 • Vale tifónico de Óbidos Valor científico (0-100): 41,25 Vulnerabilidade (100-400): 275 OURÉM • Monumento Natural Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire Valor científico (0-100): 85 Vulnerabilidade (100-400): 190 PENICHE • Granito da Berlenga Valor científico (0-100): 67,5 Vulnerabilidade (100-400): 100 • Península de Peniche Valor científico (0-100): 92,5 Vulnerabilidade (100-400): 280 POMBAL • Nascentes de Anços e Vale dos Poios Valor científico (0-100): 33,75 Vulnerabilidade (100-400): 205 PORTO DE MÓS • Arriba Fóssil da Serra dos Candeeiros Valor científico (0-100): 53,75 Vulnerabilidade (100-400): 220 • Campos de lapiás, dolinas e algares das serras da Mendiga e São Bento Valor científico (0-100): 53,75 Vulnerabilidade (100-400): 220 • Faixa Transpressiva de Minde – Alvados Valor científico (0-100): 72,5 Vulnerabilidade (100-400): 240 • Barranco do Zambujal Valor científico (0-100): 68,75 Vulnerabilidade (100-400): 145 Fonte: http://geossitios.progeo.pt/ PUBLICIDADE Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 15 16 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Sociedade Educação Correcções já estão a ser feitas pela nova administração da escola de Pombal Controlo de Gestão Auditoria à ETAP revela ‘incorrecções’ e 149 mil euros de prejuízo Jovem de Leiria conquista bolsa de estágio no CERN Elisabete Cruz [email protected] A auditoria pedida pela Câmara de Pombal à Pombal Prof, empresa que detém a Escola Tecnológica e Artística e Profissional do concelho, revelou várias “incorrecções” e 149 mil euros de prejuízo, entre 1 de Janeiro e 30 de Setembro de 2013. De acordo com a auditoria, o balanço às contas da empresa dariam um resultado líquido negativo de 74.788 euros. No entanto, após os ajustes e reclassificações que o auditor entendeu serem mais correctos, o resultado líquido apurado foi de 149.481 euros negativos. Tendo em conta o balanço no período homólogo de 2012, houve um acréscimo de prejuízo de 2.752 euros. Outra situação detectada foi o incumprimento das regras do Código dos Contratos Públicos (CCP). “Dos 15 contratos celebrados apenas dois foram rubricados em resultado da selecção dos fornecedores ter por base as regras do CCP”, refere o docu- mento. O auditor considera ainda que o processo de decisão de aquisição de imobilizado “não deve ser decidido apenas pela direcção geral, mas também em sede de gerência da sociedade”. No período analisado registou-se uma diminuição de 10.974 euros (14,3%) nos sub-contratos e uma redução no sector da limpeza na ordem dos 11.877 euros (38,5%) e de honorários de 180.625 euros (61,1%), “essencialmente pelas actividades do CNO terem terminado”. Por seu lado, houve um aumento de 10.959 euros na rubrica de rendas e alugueres. De realçar ainda o aumento da remuneração de 8,5% com directores, de 69.901 euros para 75.816 euros. A auditoria concluiu que “estava tudo em ordem” relativamente ao fundo fixo de caixa, mas foram detectados saldos “incorrectos” relativos a algumas candidaturas do Programa Operacional Potencial Humano (POPH). O relatório realça ainda as certidões de não dívida à Autoridade Tributá- ETAP PS alertou para irregularidades Após a análise do relatório, a Concelhia do PS de Pombal adianta que “a gestão da ETAP foi uma preocupação constante do PS”, que “identificou vários problemas financeiros na Pombal Prof/ETAP, que os responsáveis pela gerência à data sempre procuraram sonegar e branquear”. Os socialistas destacam o “elevado passivo, a excessiva dependência de créditos bancários de curto prazo, a diminuição das receitas próprias, a insuficiência dos capitais próprios e a situação de falência técnica em que a sociedade esteve vários anos”. O PS lembra ainda que, em 2011, votou contra a alienação parcial da participação da autarquia no capital social da Pombal Prof, pois iria “diminuir o acompanhamento municipal sobre o funcionamento da escola”. ria e à Segurança Social, não obstante de existirem dívidas de 16.314 euros à Segurança Social respeitando ao mês de Novembro de 2013 e de cerca de 2400 euros à ADSE. O auditor apontou também a inexistência de um organograma, plano anual de actividades, orçamento e plano de investimento anuais. A Câmara de Pombal adianta que o “relatório está a ser analisado” e que várias irregularidades detectadas no auditoria “já foram rectificadas”. Além disso, “está a ser desenhada uma nova oferta formativa, mais ajustada à realidade actual” e estão a ser estabelecidas “novas parcerias com empresas e com o Instituto Politécnico de Leiria”. “Queremos abrir a escola à comunidade, pelo que já avançámos para a criação do Conselho Consultivo, que não existia. Este é o momento de credibilizar aquela que foi a primeira escola profissional do País”, acrescenta fonte do gabinete do presidente, revelando que o relatório e contas será apresentado no próximo mês. Young Business Talents Sessão solene junta forças vivas da Marinha Grande Secundária de Leiria conquista dois prémios Duas equipas da Escola Secundária Domingos Sequeira, em Leiria, conquistaram o primeiro lugar dos respectivos grupos na edição de estreia do Young Business Talents, cuja final decorreu no fim-de-semana, no Colégio Salesianos, em Lisboa. A escola de Leiria foi a única a obter dois primeiros lugares, num total de 15 grupos, com cinco equipas cada. Akobir Akhrorov, Ana Filipa Inês Góis e Rute Marlene Vieira (Halloffame) e Daniel Marques Henriques, Carla Lourenço e Cristina Santos Martins (ContaConnosco) venceram a simulação 14 e 4, respectivamente, entre 300 participantes. A Escola Secundária do Restelo foi a vencedora do concurso, sendo a representante de Portugal na final internacional, que vai decorrer em Madrid. Na edição que agora terminou, Leiria foi o quarto distrito mais representado, com 13 escolas, atrás de Porto (37), Lisboa (28) e Setúbal (15). O concurso, que tem como objectivo melhorar as competências de gestão dos alunos do ensino secundário, regressa no próximo ano e tem a ambição de atingir as cinco mil inscrições. Procura de engenheiros do ISDOM é já superior à oferta DANIELA FRANCO SOUSA Daniela Franco Sousa [email protected] Uma estreita ligação entre o Instituto Superior D. Dinis e o tecido empresarial, que se reflecte numa elevada procura por alunos do ISDOM, sobretudo pelos das engenharias, onde a procura ultrapassa já a oferta disponível. Estes foram alguns dos motivos de orgulho partilhados por Cristina Simões, directora do instituto, na sessão solene 2013/2014 do ISDOM, que juntou diversas forças vivas da Marinha Grande e o orador convidado, professor Almeida Santos. “O curso de licenciatura em Engenharia da Produção Industrial do ISDOM é um exemplo de sucesso. A qualificação e competências adquiridas pelos nossos alunos são reconhecidas pelos empresários e pelas entidades empregadoras, sendo crescente a procura de alunos a terminar o curso”, sublinhou Cristina Simões. “A recepção de ofertas de emprego para Engenheiros da Produção Industrial é uma constante, o que nos deixa certos de que este curso é uma forte aposta para os nossos alunos. Sara Macena, aluna do mestrado Controlo de Gestão, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), do Instituto Politécnico de Leiria, garantiu um estágio remunerado na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), na Suíça. Sara Macena de 23 anos concorreu a uma bolsa para estudantes na área da administração e foi contemplada com um estágio de seis meses, a começar no próximo mês de Maio. A jovem enviou o seu currículo, duas cartas de recomendação e o certificado de habilitações com as notas obtidas. Depois de seleccionada foi alvo de uma entrevista via skype. Passou no teste. “Vou trabalhar no departamento de engenharia de metais, na gestão de projectos”, conta Sara Macena, salientando que esta oportunidade surge depois de muitos currículos enviados sem resposta ou com propostas pouco aliciantes. “Já andava um bocadinho desanimada.” Licenciada em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, a falta de oportunidades na área levou-a a arriscar o mestrado em Controlo de Gestão, na ESTG. “Estou bastante entusiasmada. As condições de trabalho não têm nada a ver com as de Portugal e o valor da bolsa é bastante acima da média, apesar do custo de vida também ser mais elevado na Suíça”, revela. A estudante possui amigos na Suíça, pelo que tem garantido o apoio inicial, nomeadamente na procura de alojamento. “Dizem que é mais difícil encontrar cada na Suíça do que trabalho.” Sara Macena admite que será difícil ficar a trabalhar no CERN, mas confessa que irá “explorar outras áreas” na Suíça para poder trabalhar após o estágio. Instituto promove ligação com empresas da região Neste momento, temos os nossos alunos todos colocados e alguns estão ainda no primeiro ano e já os conseguimos colocar no mercado de trabalho”, explicou a directora, realçando que, “na área da engenharia, a procura é superior à oferta”. O facto de o ISDOM funcionar em horário pós-laboral, apresentar uma oferta formativa adaptada às necessidades de uma a região fortemente industrializada, bem como o estabebelicimento de protocolos com com entidades e empresas para realização de estágios, são algumas das razões do sucesso do instituto e dos seus alunos, defende a directora. Só em 2013, foram realizadas parcerias com 120 empresas, nota a responsável. Sara Macena vai para a Suíça em Maio Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 17 Sociedade Saúde Atlas organiza workshop sobre alimentação Como fazer escolhas alimentares saudáveis em altura de crise? Este é o tema do segundo workshop organizado pela associação Atlas, a realizar no próximo dia 27, pelas 21:30 horas. A dietista Raquel Godinho será a oradora do evento, cuja inscrição tem o valor simbólico de três euros ou a entrega de bens alimentares. Secretário de Estado admite alterações ao nível da urgência e em algumas consultas Região Parte dos utentes de Ourém a caminho Leiria Sindicato alerta para falta de enfermeiros MARIA ANABELA SILVA Maria Anabela Silva [email protected] Parte do concelho de Ourém pode vir a ser servida, em termos de consultas de especialidade e de urgências, pelo hospital de Leiria. A informação foi dada na terça-feira pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, durante a inauguração da Unidade de Saúde Familiar (UFS) Auren, que, desde o início do ano, funciona no Centro de Saúde de Ourém “Num plano de reorganização dos serviços não deixaremos de olhar com muita atenção para a forma mais conveniente de disponibilizar cuidados hospitalares à população de Ourém”, disse o governante durante inauguração. Em declarações aos jornalistas, Fernando Leal da Costa reconheceu que o actual mapa das Administrações Regionais de Saúde provoca “constrangimentos às populações que estão nas fronteiras”. No caso de Ourém defendeu a necessidade de criar condições para Unidade de Saúde Familiar, inaugurada na terça-feira, abrange 7500 utentes que, em especialidades onde o hospital de Leiria tenha capacidade de resposta, parte da população do concelho possa utilizar esta unidade hospitalar. O secretário de Estado adiantou ainda que, no âmbito “redefinição de mapas” que está a ser feita com o INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), “os utentes do Norte e Oeste do concelho de Ourém possam ser encaminhados directa- mente para Leiria”, para que “as ambulâncias não tenham de fazer viagens tão longas”. “Com bom senso, tentaremos encontrar equilíbrios que possam melhorar as respostas à população”, disse Fernando Leal da Costa, frisando, no entanto, que a transferência total de um município de uma região de saúde para outra não é simples. “Há um centro hospitalar que fica descapitalizado em termos de trabalho e outro que fica sobrecarregado”, referiu, sublinhando que o Centro Hospitalar de Leiria “já tem uma carga assistencial muito grande”. A cerimónia de inauguração serviu para o presidente da Câmara de Ourém, Paulo Fonseca, garantir que, na área da saúde, a autarquia “quer ser parte da solução”, e reforçar algumas das reivindicações que o município tem vindo a fazer, como a disponibilização de duas viaturas medicalizada para prestar apoio às povoações mais distantes e a abertura do Centro de Saúde de Ourém até à meia-noite. O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) alerta para uma “carência grave” destes profissionais nos centros de saúde da região, onde também falta material clínico e de apoio. À Agência Lusa, a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) reconhece a falta de cerca de 20 enfermeiros e nega problemas de material clínico. Segundo o sindicato, cuja direcção regional de Leiria efectuou, no último mês, reuniões de trabalho nos vários centros de saúde do agrupamento Pinhal Litoral, estima-se em 50 o número de enfermeiros em falta, situação que determina o encerramento de “várias extensões de saúde”, algumas há mais de dois anos. A ARSC adianta que “está em curso um concurso, lançado em Março de 2013, para 122 vagas de enfermagem” para os agrupamentos da região Centro, 27 das quais para o Pinhal Litoral. PUBLICIDADE 18 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Leitores A direcção do Jornal de Leiria recebe com agrado para publicação a correspondência dos leitores que tratem de questões do interesse público. Reserva-se o direito de seleccionar os trechos mais importantes das Cartas ao Director devidamente identificadas, publicadas nesta secção. [email protected] É Preciso Ter Lata O Agrupamento de Escolas de Caranguejeira - Santa Catarina da Serra abraçou o desafio de participar no projecto É Preciso Ter Lata, sob a orientação dos docentes do Departamento de Educação Especial. É um projecto internacional de solidariedade com 20 anos, patenteado pela Society for canstruction® Design Administration- American Institute of Architect (Atlanta, Geórgia, E.U.A.). Em Portugal, o Agrupamento de Escolas de Fajões é a instituição organizadora do evento oficial Canstruction®, que conta este ano com a 2.ª edição. Este evento traduz-se numa causa contra a fome que é, simultaneamente, um concurso e um desafio à criatividade e à capacidade de mobilização das comunidades educativas. Um evento canstruction® é um divertido concurso de esculturas construídas com latas de comida, angariadas junto de toda a comunidade educativa, permitindo, nomeadamente aos alunos, compreender o alcance e a nobreza de um valor como a solidariedade. Também foi e está a ser uma oportunidade de se estreitar relações entre o Agrupamento e as comunidades, mediante o pedido de apoios que dirigimos a empresas diversas e grandes superfícies. É de salientar que os produtos enlatados foram angariados exclusivamente junto da comunidade educativa envolvente. Encontramo-nos na fase de construção da escultura com as latas recolhidas. Esta escultura consiste em reproduzir o símbolo like que foi um dos projectos desenvolvidos por um dos alunos participantes. A escultura será construída no Pavilhão gimnodesportivo da Escola Básica e Secundária de Fajões – Concelho de Oliveira de Azeméis, distrito de Aveiro - por uma equipa de seis docentes de Educação Especial, no dia 11 de Abril e estará em exposição entre 12 e 16 de Abril, juntamente com as restantes 19 esculturas dos agrupamentos de escola e escolas não agrupadas participantes. No dia 17 as esculturas serão desmanteladas e, posteriormente, as latas da escultura construída no nosso Agrupamento reverterão a favor da Cáritas da Caranguejeira e da Conferência de S. Vicente de Paulo em Stª Catarina da Serra e Stª Eufémia, instituições de solidariedade social previamente seleccionadas pela direcção do Agrupamento. O júri atribuirá três prémios: melhor refeição; melhor escultura e melhor uso de rótulos. As obras vencedoras representarão Portugal no concurso anual internacional. Pelo segundo ano consecutivo, a marca Bom Petisco associa-se ao evento, doando, desta vez, mais de duas toneladas de É bom viver em Leiria? “O Lis da minha Leiria/ Faz recordar belos tempos/Eram anos de alegria/Hoje sopram outros ventos”. Quando li algures, na imprensa, que Leiria foi classificada como uma das primeiras cidades do País onde “é bom viver”!... Acreditei que sim!!! Está localizada numa bonita região entre o mar e a serra, tem recantos maravilhosos, as suas gentes são hospitaleira! Mas a cidade senhor, porque a tratam assim, porque está tão “desarrumada” e também tão esburacada? Poetas e escritores como Rodrigues Lobo, Acácio de Paiva, Américo Cortês Pinto, Afonso Lopes Vieira, Eça de Queirós e Miguel Torga, entre outros, viveram junto ao Lis e escreveram sobre os seus encantos! Hoje, os tempos de outrora são vividos numa época em que os valores históricos desta urbe são esquecidos e, por vezes, “abandonados” no silêncio do seu valioso património monumental e dos velhos casarios, que davam alegria aos típicos bairros de antigamente… Com a crise económica e financeira e a austeridade que coarctou drasticamente os orçamentos das autarquias, o município local vai ter muitas dificuldades para cumprir com os seus projectos e planos de conservação e reabilitação! Apenas algumas “imagens” para turista ver: centro histórico (a solidão sem população), ex-Hotel Lis e D. João III (espantalhos), Igreja da Misericórdia (degradada e fechada), museu de Sto. Agostinho…(em standby), Estádio…(milhões a pesar nas contas da Câmara), Loja do Cidadão… (uma ilusão), Torre sineira (relógio para quê?), etc. Se é esta a Leiria onde “Viver é bom” venham os 400 eventos previstos para 2014!!! A cidade precisa de mais gente, mais alegria e muito turismo… Edgar de Carvalho [email protected] DR deveras positivo, demonstrativo, mais uma vez, da união, espírito associativo e humanitário das gentes das freguesias de Arrabal, Caranguejeira e UF St Catarina e Chaínça, bem como demais cidadãos que comungam desta causa que é o bem comum, ora representado pelos bombeiros. A associação agradece especialmente a todos, particulares e empresas, que contribuíram com a doação das sopas, sobremesas, bebidas e demais víveres, bem como com o seu esforço, dedicação e empenho, sem os quais aquela iniciativa e outras do género, não são possíveis de concretizar. Esperanos continuar a contar com o apoio de todos os cidadãos em geral, em futuras e novas iniciativas de cariz social, cultural, desportivo e humanitário, promovidas e/ou apoiadas por esta associação. Bem hajam. Pela Direcção, Filipe Ferreira, presidente @: [email protected] Os “ventos de cobiça” e os “traidores” na Guerra Colonial atum. Estas 18 mil latas serão utilizadas por artistas convidados, que irão conceber e construir três esculturas à margem do concurso. No final da exposição, estes enlatados serão distribuídos pelas instituições ou projectos comunitários indicados pelas equipas participantes. Podem ser consultadas as imagens das esculturas da 1ª edição, que se realizou no ano lectivo anterior, no site www.eprecisoterlata.org. É com muita expectativa e entusiasmo que se está a viver a experiência da primeira participação do Agrupamento de escolas de Caranguejeira – Santa Catarina da Serra num Projecto aglutinador, cuja grandiosidade reside na sua essência solidária e altruísta, retratada no lema “Ajuda a Ajudar”, que por si só nos tem impelido ao optimismo e a uma imensa felicidade de contribuirmos de mãos dadas para a concretização de uma causa tão nobre. Lurdes Guarda, Coordenadora de Educação Especial do Agrupamento de Escolas de Caranguejeira e Santa Catarina da Serra [email protected] A queda da ponte em Rebotim, Alcobaça Há mais de 21 anos que não se faz nada para melhorar as estradas municipais de acesso a Alpedriz, em Alcobaça. Alerto para o péssimo estado em que se encontra a ligação entre a Ribeira do Pereiro e a Rebotim e para a necessidade de alargar as outras pontes de ligação a Neste ano de mau tempo, vento e chuvas fortes, as águas do rio DR fizeram abater as terras e a ponte de Rebotim. Mas tudo isto já vem de tempos anteriores! Passaram anos a tapar buracos nas vias, esquecendo que boas acessibilidades contribuiriam para desenvolver as localidades desta nova freguesia de União das Freguesias de Coz, Alpedriz e Montes Darlindo Gil, Alpedriz [email protected] Nota de agradecimento Festival das Sopas 2014 A Associação dos Amigos da Secção dos Bombeiros do Sul do Concelho de Leiria (Bombeiros em Cardosos), com sede em Cardosos, St. Catarina (Leiria), juntamente com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Leiria (que ali possuem aquartelada a sua 6ª Companhia), realizou no passado dia 22 de Fevereiro o 3º Festival de Sopas. O evento resultou Acerca do artigo Os “ventos de cobiça” e os “traidores” na Guerra Colonial, publicado na edição de 13 de Março, de 2014, do JORNAL DE LEIRIA, afirma o antigo 1.º cabo João Vicente Teixeira o seguinte: “fiz parte de uma companhia que cumpriu, obrigado, o serviço militar em Angola, durante quatro anos. Estive em Onzo, a quatro quilómetros de Nambuangongo. Estive um ano fechado na mata e integrei uma Bateria de Artilharia e, de facto, as únicas duas baixas que sofremos foram devido a esse traidor de que fala o artigo. Foi um “cobarde” porque fugiu à tropa e um “traidor”, porque fez chorar tantas lágrimas a tanta mãe e porque fez tantos filhos morrer, devido às informações que dava ao inimigo. Fui ferido numa perna, estive 60 dias no Hospital Militar e nunca pedi um tostão de indemnização, ao contrário dele que recebe uma pensão do Estado”. João Vicente Teixeira, 1.º cabo, 371/64, Angola 1964-1968 Rectificação Na página 23 da edição da semana passada, a legenda da foto saiu errada. Assim, onde se lia “Trabalhadores da Nemoto têm, em média, 12 anos de casa” deveria ler-se “A empresa da Benedita produz cutelarias para segmentos doméstico e profissional”. Aos visados as nossas desculpas. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 19 Opinião Itinerários jacobeus por terras de Leiria noção de património cultural da Humanidade assume, nos nossos dias, um significado amplo e plural. Há alguns anos atrás, falar de património cultural era reduzir o debate a património monumental ou a património histórico. A evolução do pensamento e do conhecimento científico em torno dos marcos culturais dos povos teve como consequência o derrube dos muros que tornavam demasiado redutoras as ideias sobre o que se queria significar quando se aludia a património. Hoje em dia, o património tornou-se num assunto central das políticas económicas e culturais dos governos de todas as nações. Não se considera já e apenas o património reduzido a monumentos, a sítios arqueológicos ou a colecções artísticas em museus, prevalecendo, antes, uma nova e mais ampla noção de património cultural, material e imaterial, dos povos. O património deixou de ser uma "alegoria" do passado para se tornar na afirmação de uma realidade social que diz respeito a todas as pessoas. Mais do que nunca, percorremos um tempo em que se vive realmente o património cultural e em que este assumiu uma dimensão de cidadania verdadeiramente irrevogável nas agendas políticas nacionais e mundiais. Uma das faces desta nova vivência do património cultural revela-se na reanimação das rotas culturais muitas delas assumindo a conotação do religioso ou redimensionando o significado dessas memórias espirituais de antanho. Penso, por exemplo, nos roteiros de caminhos de peregrinação de que os mais famosos serão, por herança história, cultural e espiritual, os de São Tiago de Compostela, de tanta A Saul Gomes relevância na Europa medieval. Portugal não foi um país alheio a esses itinerários que são bem conhecidos e que tiveram uma expressão muito forte no Norte. A região de Leiria, todavia, também oferece um conjunto diversificado de marcas jacobeias que permanecem em igrejas, ermidas e lugares que relembram antigas devoções a este Apóstolo. Teria interesse, nomeadamente económico, que as autarquias do distrito de Leiria e sua região valorizassem significativamente os antigos itinerários jacobeses atlânticos, pelos quais, todos quantos desejassem caminhar no usufruto único de uma experiência de viagem e de descoberta da natureza, da história, do conhecimento e do espírito, encontrassem motivos de satisfação e de visita e estadia nestas paragens. Antigas igrejas e ermidas, entre outras marcas patrimoniais materiais e imateriais, atestam um caminho litoral estremenho e atlântico de matiz jacobeia. Outros existiram ou ainda existem, assinalando devoções diferentes, com especial destaque para os caminhos que conduzem a Fátima. O potencial da região leiriense, neste domínio, é significativo para uma oferta turístico-cultural mais qualificada e diversificada. Foi um itinerário de peregrinação, aliás, que deu origem ao conceito de "turismo", entroncado no nome da cidade de Tours e das peregrinações religiosas ao lugar da memória matricial de S. Martinho de Tours. Uma devoção bem incorporada, aliás, nas tradições populares portuguesas que o comemoram na partilha do alimento quente e do vinho novo. Historiador O amor s vezes, esquecemo-nos do poder que temos para fazer os outros felizes. Centramo-nos nos nossos umbigos e apenas vemos como valiosos e a merecer atenção, os nossos interesses, as nossas angústias, em suma, os nossos “quereres”. Quando assim é, ignoramos o valor do outro nas nossas vidas e passamos, voluntariamente, a viver no centro de uma bolha auto transformando-nos num alvo fácil para sermos, mais tarde ou mais cedo, atingidos, certeira e brutalmente, por quem lá está connosco: apenas os nossos “quereres”. Num espaço tão limitado, corremos o risco de nos eternizarmos como vítimas e de nos acharmos num permanente estado de insatisfação. Insatisfação sedutora, sem dúvida, de tão útil que se nos apresenta na conservação da nossa, exclusiva e preciosa, identidade da qual não queremos abdicar! Dentro da bolha tornamo-nos inacessíveis, do tipo: eu não saio, tu não entras! Sim, às vezes, esquecemo-nos do poder que temos para fazer os outros felizes e dessa forma, ignoramos o quanto fazer parte da felicidade de alguém nos transporta a patamares de suprema felicidade. E, é isso mesmo, estou a falar de amor, dessa coisa maravilhosa que apesar de ser o mais poderoso sentimento humano ainda surge, quando referido no quotidiano e como agora, no discurso de uma pessoa vulgar, como algo piegas e quase “pimba”. Como algo com necessidade de ser tipificado para ser compreendido! Amor físico, amor platónico, amor materno, paterno, fraterno, conjugal etc., etc., etc., o que é isso? Que me desculpem os religiosos, os filósofos, os poetas e os “psis”, mas para mim o amor é só um. Invisível e com um imenso À Amélia do Vale potencial, só se manifesta quando e só quando, alguém o quer mesmo transmitir a outro com uma única intensão: o de o transformar numa pessoa mais feliz! Entendo, por isso, o amor como a chave da felicidade. Transferindo-se de pessoa para pessoa é uma fonte primária e inesgotável na fabricação do que está certo e é um bem, nas decisões e ações humanas, em todos os contextos. Talvez por pensar assim, tornam-se-me incompreensíveis múltiplas situações geradas e protagonizadas voluntariamente por adultos. São disso exemplos, as separações litigiosas de casais em que os filhos são instrumentalizados como armas de arremesso; mães ou pais idosos esquecidos e abandonados pelos filhos que criaram e a quem dedicaram toda uma vida; crianças e jovens a quem pessoas concretas negaram a possibilidade de ter legalmente constituída a sua família, apenas porque nela existem dois pais ou duas mães. Pais, filhos e pessoas (parlamentares), cada um a viver na sua bolha e que, de tão preocupados com o seus “quereres”, ainda não tocaram a suprema felicidade de se libertarem através da transmissão do amor! Como se fossem elos defeituosos de uma cadeia de amor, mais tarde ou mais cedo, serão substituídos e deitados fora. Talvez pelos filhos que no meio dos seus conflitos transformaram em armas, talvez pelos filhos a quem mostraram o que fazer com os pais idosos, talvez pelos filhos a quem negaram o direito de ter legalmente uma família. Não, não vou dizer ámen. Apetece-me, mas não quero sucumbir à sedução de viver numa bolha, quero ser feliz! Professora Os incêndios florestais de 2013 (II) m texto recente, publicado neste jornal, abordei os resultados do combate aos incêndios no ano de 2013 face aos objectivos do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios, identificando algumas causas dos resultados alcançados, nomeadamente na área do combate. Importa agora abordar as causas relacionadas com os outros pilares do sistema nacional de defesa da floresta contra incêndios. Refiro, desde logo, o fraco investimento na prevenção estrutural, nomeadamente nas redes primária (executada a 15%), secundária e terciária de gestão de combustível, desaproveitando-se os abundantes recursos do PRODER. Destacam-se ainda as insuficiências na fiscalização das obrigações das entidades públicas e privadas no âmbito da gestão de combustível, bem como na instauração e decisão dos processos de contra-ordenação. Os municípios e a GNR têm de desenvolver, necessariamente, um trabalho mais consistente e eficaz neste domínio. Além disso, num contexto em que é preciso investir na diminuição do número de ocorrências, as acções de sensibilização e fiscalização no que diz respeito ao uso negligente do fogo – responsável por mais de 1/3 das ocorrências – devem ser intensificadas, bem como o controlo de indivíduos com antecedentes de incendiarismo. Por último, foi notória a ausência de um trabalho de planeamento distrital, nos âmbitos da prevenção operacional, da vigilância, da detecção e da primeira intervenção, com a participação e mobilização dos diversos agentes. No passado, este trabalho era desenvolvido pelos governos civis. A partir deste ano, espera-se que as novas comunidades intermunicipais assumam um papel decisivo no âmbito da protecção e socorro. Em conclusão, importa corrigir os erros e melhorar a eficácia no combate, relançar a coordenação da prevenção operacional e alargar a vigilância da floresta com recurso a meios tecnológicos. Na prevenção estrutural importa aplicar os normativos legais em vigor; avaliar os resultados das medidas; trabalhar em novas políticas para o ordenamento, a gestão e a valorização económica e social da floresta; implementar novos modelos de gestão territorial, com incentivos ao cultivo de áreas abandonadas com aptidão agrícola. É preciso transformar a economia no mais importante factor de resiliência do território. E Adelino Mendes Geógrafo e Gestor 20 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Economia Sobrecarga e falta de perspectivas levam trabalhadores à exaustão Trabalho A degradação das condições laborais está a traduzir-se no agravamento das situações de stress e de esgotamento dos trabalhadores, com impactos na produtividade das organizações RICARDO GRAÇA Raquel de Sousa Silva [email protected] T José tem cada vez mais dificuldade em desempenhar as suas tarefas na empresa de plásticos onde trabalha. Sente-se pressionado com tanto trabalho, cansado física e psicologicamente, e não vê da parte dos superiores hierárquicos grande reconhecimento pelo seu esforço. Este profissional integra a cada vez maior percentagem de pessoas que a Associação Portuguesa de Psicologia da Saúde Ocupacional (APPSO) aponta como estando em situação de risco. Um estudo da APPSO, apresentado a semana passada à Comissão Parlamentar de Saúde, revela que 73% dos inquiridos (38791 no total, dos quais 24493 do sector privado) apresentavam risco moderado de exaustão. Por outro lado, 89% encontravam-se em risco elevado no indicador energia (sentem que não têm energia suficiente para fazer face aos desafios colocados). O trabalho revela ainda que, entre 2008 e o ano passado, vários indicadores se agravaram: subiu de 36% para 62% a percentagem de trabalhadores em situação de stress e passaram de 9% para 15% os casos diagnosticados de burnout (esgotamento). Outro indicador que, segundo a associação, é revelador do mal-estar que se vive nas organizações é a intenção de abandonar o emprego (turnover), que está a aumentar e que tem impacto na produtividade. Em 2008, cerca de 35% das pessoas manifestavam esta vontade, quando agora são 78%. De acordo com os resultados do estudo, o sector público apresenta piores resultados do que o privado em todas as variáveis analisadas. Segundo o documento, as mudanças na natureza e conteúdo do trabalho, incorporando novas tecnologias, maior flexibilidade, extrema competitividade e alterações das características dos próprios locais de trabalho, estão na origem do cenário apurado. “A globalização e maior abertura da economia, a facilidade de mobilidade dentro do espaço europeu e a presente crise económica originaram novos modelos de trabalho com repercussões nas características laborais e na qualidade de vida e bem-estar psicológico do trabalhador em Portugal”, lê-se no estudo. A situação económica, política e Cerca de 60% dos inquiridos prevê crescimento do stress no trabalho nos próximos anos financeira do País tem impactos nas pessoas e na sua energia, concorda João Paulo Pereira. Mas para o presidente da APPSO, o que realmente contribuiu para o agravamento da situação foram as mudanças: nas organizações, no modelo de trabalho e nas exigências pessoais no trabalho. “As pessoas não estavam culturalmente preparadas”, diz o especialista, apontando como exemplos de mudança os novos regimes de relação laboral, os open office e o teletrabalho. Por outro lado, as pessoas “sentem-se cada vez menos recompensadas”, seja em termos salariais seja ao nível do reconhecimento. Esta situação leva a um sentimento de “sobrecarga” que contribui para a exaustão. Para ela contribui igualmente a falta de perspectivas. “A pessoa não está bem, sonha com algo melhor, mas não consegue ou tem medo de mudar, e por isso também não investe naquilo que tem”, aponta João Paulo Pereira. Para as empresas, as consequências do cenário apurado no estudo Os números 38791 foi o número de inquiridos no trabalho da associação. Destes, 24493 eram trabalhadores do sector privado 92 por cento dos inquiridos apresentam risco elevado no indicador implicação, ou seja, não se sentem suficientemente implicados nas tarefas laborais “são graves”, quer no que diz respeito à produtividade, que baixa, quer no que se refere aos custos, que aumentam. “Se as pessoas trabalham em piores condições podem aumentar os acidentes, faltam e torna-se um ciclo vicioso”. E se não faltam mais – o estudo concluiu por uma manutenção deste indicador – é porque “não podem abdicar de rendimentos que lhes fazem muita falta”, frisa o especialista em work-engagement, burnout e stress. Ao consultório de João Borges Lopes chegam cada vez mais pessoas com diagnóstico de depressão, “mas que na verdade sofrem de burnout”. Na origem destes casos – que “têm aumentado muito significativamente” - estão as relações inter-pessoais em contexto de trabalho, aponta o especialista em psicologia do trabalho. “Em muitas empresas falta pessoal, as pessoas têm mais trabalho e o grau de exigência não é compatível com o grau de motivação”. Também este investigador em saúde ocupacional diz que por trás desta problemática está um mundo do trabalho que é hoje “muito exigente e dinâmico”, para o qual os profissionais precisam de uma estrutura de competências diferente da do passado. “O novo paradigma impõe mudanças a todos os níveis e nem todos estão preparados”, diz João Lopes, que considera mesmo que a mudança veio para ficar. Mas o presidente da APPSO entende que a situação “não é uma fatalidade”. Há práticas que as empresas podem adoptar para minimizar os impactos daquele cenário. Na área da formação, por exemplo, e sem “gastar muito”, podem apostar em acções que ajudem a “atenuar e inverter a espiral negativa”. Podem ainda envolver os trabalhadores, criando um compromisso organizacional top down, ou seja, desde os níveis de topo aos inferiores. “As organizações saudáveis não são as que não têm doentes, mas as que criam condições para fazer face aos desequilíbrios que vão surgindo”, frisa João Paulo Pereira. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 21 Economia Leiria Global Recursos humanos em debate na Nerlei Construção de uma empresa baseada na valorização dos recursos humanos é o tema sobre o qual falará Joaquim Tarré, vice-presidente da Gelpeixe, numa conferência que se realiza na próxima quarta-feira, às 18 horas, na Nerlei, em Leiria. Metalmarinha vende mais de 90% da sua produção no exterior Exportação de resíduos metálicos chega à China e à Índia DANIELA FRANCO SOUSA Daniela Franco Sousa [email protected] T Marco Pereira fundou a Metalmarinha em 2002 para se dedicar ao comércio internacional de resíduos metálicos, negócio onde havia de resto uma certa tradição familiar, na Marinha Grande. Em poucos anos, a actividade da empresa cresceu de forma significativa, e hoje, a partir das instalações de Brejo da Água, no concelho Alcobaça, a Metalmarinha exporta já cerca de 90% dos resíduos metálicos quer para destinos mais próximos, como Espanha e Alemanha, quer para paragens distantes como Índia e China. Emprega 19 colaboradores. Com escritório na Marinha Grande e armazém no concelho de Alcobaça, a Metalmarinha dedica-se à recolha de resíduos metálicos, que adquire junto de outras empresas, desde alumínio, bronze, níquel, cobre, inox, latão ou tungsténio, passando ainda por resíduos eléctricos e electrónicos. Compra, selecciona, prensa e revende os resíduos de acordo com as necessidades dos clientes. E, através de outsoursing, executa também transformação de latão em barras e lingotes, que comercializa a partir das instalações situadas em Avintes. Apesar de ter registado no ano passado um volume de negócios inferior ao de 2012, justificado pelo fundador e director-executivo da Empresa sediada na Marinha Grande emprega 19 colaboradores O número 55 Milhões de euros foi o volume de negócios registado pela Metalmarinha em 2013 empresa com a diminuição do preço médio dos metais, a empresa de Marco Pereira alcançou mesmo assim negócios na casa dos 55 milhões de euros. Este limite foi também determinado pela actuação das próprias seguradoras que decidiram baixar os tectos dos seguros prestados às suas empresas clientes, salienta o director-executivo. A Metalmarinha optou por não correr riscos e vender apenas até aos montantes cobertos pelos seguros, nota o empresário. Apesar da conjuntura de crise, projectos não faltam à Metalmarinha, que pretende investir tanto na unidade de Brejo de Água como em Avintes. Na calha está o projecto de construção de um novo armazém, junto ao existente, no concelho de Alcobaça, equipado com máquina compactadora au- tomática e linha de separação de resíduos. Este investimento, orçado em cerca de 250 mil euros, resultará na criação de mais três ou quatro postos de emprego, adianta o responsável pela empresa. Em Avintes está também prevista a transferência para um novo armazém, de maior dimensão, um investimento que rondará os 300 mil euros, expõe Marco Pereira. Marco Pereira, director-executivo “O nosso sistema alfandegário é o mais complicado da Europa” T Que constrangimentos tem esta actividade, que tanto depende pelo transporte das mercadorias? Os custos com os portos e com os transportes marítimos em Portugal são algo completamente surreal. Recentemente, durante a greve dos portos, tivemos cerca de 30 contentores no Porto de Lisboa, que ficaram lá parados dois meses. Acabámos por ter de pagar para os transferir para o Porto de Leixões. Ter milhões de euros de material parado também causa contratempos aos clientes. Nunca sabemos se os contentores que temos no Porto de Lisboa embarcam ou não, por causa das greves. Além disso, o nosso sistema alfandegário é o mais complicado da Europa. Porquê? É um sistema muito burocrático, JOANA CARRIÇO que apresenta mil e uma complicações. Presentemente, temos mais de vinte contentores vendidos a uma empresa da Europa, que não está a conseguir importá-los, porque não entende as nossas leis alfandegárias. Em causa está uma empresa que está habituada a comprar em Espanha, França ou Alemanha, onde os sistemas alfandegários são muito idênticos, mas que em Portugal encontra uma série de condições diferentes para importar. Essas condicionantes têm afectado a nossa imagem no exterior? Passamos a imagem de que não é fácil trabalhar em Portugal. Muitas vezes perdemos clientes, que preferem desistir dos negócios a resolver tantos problemas. E em Portugal, é já diferente a imagem sobre quem trabalha com resíduos? Por trabalharmos com sucata, havia algumas reticências na forma como éramos percepcionados. No entanto, com a tendência crescente para reciclar, começámos a ser vistos de outra maneira. O problema prende-se agora com os roubos de cobre, que criam uma imagem um tanto ou quanto deturpada sobre as empresas. Há empresas que, como nós, tentam combater o problema. Instalámos câmaras de vídeo-vigilância nas nossas instalações e filmamos todos aqueles que chegam, assim como todos os materiais que são descarregados, no sentido de dissuadir ao máximo a entrada de resíduos de proveniência duvidosa. É também por essa razão que não compramos materiais a particulares, mas só a empresas devidamente licenciadas. A nova lei também vem ajudar, porque é mais apertada e exige a identificação de quem vende, assim como da proveniência dos materiais. 22 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Economia Girândola com nova loja na Batalha Abriu no final de Fevereiro no Edifício Avis, na Batalha, uma loja Girândola. O espaço vende roupas e acessórios “100% feitos em Portugal”, para bebés e crianças até aos 12 anos. Empresa da Marinha Grande em parceria com Centimfe Leiria Planimolde desenvolve pedaleiro inovador para bicicletas Aricop certificada pela DGERT para fazer formação Raquel de Sousa Silva [email protected] T A Planimolde, empresa de moldes da Marinha Grande, está a desenvolver um pedaleiro de baixo peso, materiais diferentes dos habituais e novo design que, num conceito inovador, poderá ser usado tanto em bicicletas de montanha como de estrada. Pretende-se que o produto, que deverá chamar-se BestCRANK, chegue ao mercado até ao primeiro semestre de 2015, revela Telmo Ferraz, director-geral da empresa. O desenvolvimento do produto está a ser feito em parceria com o Centimfe e com a Tomazzini, empresa nacional distribuidora de acessórios e produtos para bicicletas. O target do novo produto é o mercado profissional e de média e alta gama. Neste momento estão a ser criados modelos 3D e a ser feitos estudos de automação e resistência de materiais. “O projecto nasce por acção de um quadro superior da empresa, que nos propõe investigar e desenvolver um novo produto fora Produto deverá estar no mercado no próximo ano da fabricação de moldes, usando saberes, tecnologia e equipamentos que existem na empresa”, explica o empresário. “Em termos de rentabilidade, o que se pretende numa primeira fase é tão só dar maior ocupação aos equipamentos de alta tecnologia instalados ou a instalar na empresa, aproveitando períodos de menor carga, fabricando automaticamente este novo produto que, para ser fabricado, Empresa de tecnologias de Leiria aproveita saberes acumulados na empresa na área da modelação e metodologias de maquinação de diferentes materiais”, adianta Telmo Ferraz. O projecto foi aprovado para apoio ao investimento pela Agência de Inovação Adi e co-financiado pelo Compete e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, revela o empresário, sem contudo adiantar o valor do investimento elegível. Com 50 trabalhadores, a Planimolde exporta 90% da sua produção de moldes que destina aos mercados da Alemanha, Áustria, Suécia, Noruega e França. Telmo Ferraz prevê que 2014 seja de crescimento, “porque há uma recuperação da economia europeia”, principalmente da alemã. “Quando a Alemanha recupera, tudo cresce ou, pelo menos, não decresce”, afirmou à revista Gestão PME. Para atrair mais turistas à região inCentea premiada por boas Turismo Centro de Portugal práticas nos recursos humanos quer rede de programação T As boas práticas de gestão de pessoas da inCentea foram reconhecidas na terceira edição dos Masters Capital Humano, que decorreu recentemente no âmbito da Expo RH. A empresa de Leiria recebeu o prémio na categoria de Melhor política de integração e promoção do bem-estar, revela em comunicado. Foram distinguidas quatro outras empresas, em outras tantas categorias. O prémio agora atribuído à inCentea destina-se às organizações que demonstrem que “o desenvolvimento de uma política de promoção de integração social e do bem-estar dos colaboradores teve um claro impacto na performance da organização, quer ao nível da motivação quer ao nível da retenção dos colaboradores”. Para Raquel Rita, directora de recursos humanos da inCentea, este prémio significa que o caminho que a empresa tem percorrido ao nível da cidadania em- presarial “vai no bom sentido”. Segundo diz, “há práticas, iniciativas e actividades desenvolvidas internamente há já algum tempo que acabamos por encarar como naturais e, talvez por esse motivo, algumas vezes nem lhes atribuímos o devido valor”. Externamente, tem havido um “reconhecimento simpático” dessas práticas, “que são expressão do nosso compromisso de sermos socialmente intervenientes, de incentivar a participação cívica dos nossos colaboradores e de apoiá-los enquanto cidadãos responsáveis”. Foi a primeira vez que a empresa de tecnologias de informação e comunicação concorreu, “numa atitude de simples partilha” do que tem feito ao nível da conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, igualdade de género, diagnóstico do clima organizacional, gestão da diversidade, apoio a causas sociais, entre outras. T Pedro Machado, presidente do Turismo Centro de Portugal, defendeu a semana passada na Batalha a criação de uma rede de programação e gestão cultural que possa potenciar a região. A ideia é que esta entidade, com o envolvimento de outros parceiros, como a Direcção Regional da Cultura e os municípios, pegue na programação existente, mas dispersa, e a uniformize, através de uma “agenda comum”, por forma a promover o património natural e classificado. À margem da conferência sobre os novos apoios comunitários, o responsável reconheceu que a região Centro não tem “uma rede instalada que permita ter uma oferta integrada daquilo que é a diversidade do património” e que, por isso, faria sentido que a criação desta rede fosse um dos projectos a apoiar publicamente. O presidente do Turismo Centro de Portugal considera a sazonalidade e a estadia média como dois problemas da região Centro, que RICARDO GRAÇA/ARQUIVO tem uma média de 1,8 noites de estadia média, contra as 2,2 a nível nacional. Para este dirigente, para que os turistas fiquem na região é preciso criar respostas à pergunta: “O que é que podemos fazer aqui?”. Lembrou, a este propósito, que um dos mercados “mais emergentes e com maior crescimento para a região Centro tem sido o Brasil” e que o brasileiro “é ávido de shopping e de programação cultural”. T A Associação Regional dos Industriais de Construção e Obras Públicas de Leiria (Aricop) viu recentemente o seu processo de certificação como entidade formadora aprovado pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). Estão abrangidas pela certificação as seguintes áreas de formação: secretariado e trabalho administrativo; enquadramento na organização/empresa; metalurgia e metalomecânica; electricidade e energia; construção civil e engenharia civil; segurança e higiene no trabalho. “Apesar da profunda crise que o sector atravessa, [a associação] procura proporcionar aos seus associados novos conhecimentos e práticas, fundamentais para enfrentarem e vencerem os novos desafios que, assim desejamos, os próximos tempo trarão”, aponta a direcção. “Como também no sector da construção o futuro exigirá competência, qualidade e recursos humanos habilitados e motivados, serão estes os parâmetros que balizarão as próximas acções de formação a serem promovidas pela Aricop”. Alcobaça Seminário incentiva promoção de inovação na agricultura T O Crédito Agrícola de Alcobaça vai realizar um seminário para promover a cultura de inovação na agricultura, agro-indústria e floresta em Portugal. O evento está agendado para o dia 2 de Abril, às 15:30 horas, no Cine-teatro de Alcobaça. O seminário, que pretende sensibilizar os participantes para as medidas de apoio ao investimento, à inovação e aos jovens empresários rurais, no âmbito do novo Quadro Comunitário, contará com a presença de Carlos Courelas, presidente do Conselho Geral e de Supervisão do Grupo Crédito Agrícola, e por Maria Elizete Jardim, directora regional da Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo. Na mesma ocasião, José Fernando Alexandre, presidente do Conselho de Administração Executivo da Caixa Agrícola de Alcobaça, vai apresentar o Prémio Inovação Crédito Agrícola – Agricultura, AgroIndústria e Floresta, que pretende contribuir para a disseminação de uma cultura de inovação no sector primário. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 23 Economia Concelho apresenta nova “identidade agregadora” Marinha Grande Marinha assume-se como centro de engenharia Centimfe e IEFP assinam protocolo para formação profissional Raquel de Sousa Silva [email protected] T Reforçar o posicionamento estratégico, corporizar a identidade industrial, promover uma política de promoção agregada e potenciar a visibilidade “inovadora e integradora” são alguns dos objectivos da identidade criada para promover a Marinha Grande. A marca, Marinha Grande – centro da engenharia & design, pretende traduzir a imagem que o concelho tem hoje nos mercados, nomeadamente externos, onde é conhecida por ser “geradora de produtos e projectos inovadores e tecnologicamente avançados”, já que “desenvolve e implementa conceitos como a inovação, design e criatividade, que se constituem como uma vantagem competitiva”, lembrou Álvaro Pereira na sessão de apresentação da nova identidade, na segunda-feira. “O trabalho de excelência desenvolvido pelo tecido empresarial do concelho faz com que a Marinha Grande seja conhecida no estrangeiro, junto dos mercados de vanguarda com quem trabalha. Neste contexto, pretendemos garantir o reforço do território como região propícia ao desenvolvimento de negócios”, acrescentou o presidente da câmara. O autarca explicou que a definição de uma marca para o território “de- Escola tem 20 cursos previstos este ano D. Dinis Business School quer ser instituto de referência no Centro Veja anúncios de emprego na página Vítor Hugo Ferreira visto o começo de quatro cursos: Liderança e Gestão de Equipas, Estratégias de Internacionalização, Marketing para PME e Programa Executivo Agroindústria, de acordo com informação disponível no site. Durante o ano passado foram realizados seis cursos de formação executiva, no qual participaram cerca de 70 pessoas, sobretudo empresários, quadros intermédios e superiores, revela o director executivo da DDBS. O responsável reconhece que o ano de arranque de uma instituição “é sempre difícil”, porque é preciso “ganhar notoriedade”, mas acredita que a escola já conseguiu criar uma boa imagem e está a responder às necessidades do tecido empresarial. T O Centimfe e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) assinam amanhã às 16 horas, nas instalações do centro tecnológico da Marinha Grande, um acordo de cooperação para o desenvolvimento de um projecto no âmbito da formação profissional. O Tooling Vida Activa – projecto, programação e tecnologias de produção resulta de uma parceria entre estas duas entidades e tem como objectivo a dinamização de um conjunto de acções de formação profissional (técnica e tecnológica), direccionadas para licenciados desempregados, promovendo a sua requalificação profissional por forma a aumentar a taxa de empregabilidade, em especial nas indústrias de moldes de plásticos, explica o Centimfe. PUBLICIDADE 27 Raquel de Sousa Silva [email protected] T Ser uma “alavanca para a competitividade das empresas” é um dos grandes objectivos da D. Dinis Business School (DDBS), em Leiria, cuja actividade lectiva foi iniciada há cerca de um ano, período do qual Vítor Hugo Ferreira faz um balanço “muito positivo”. “Estamos a conseguir atingir os objectivos a que nos propusemos, a estender as parcerias e a ser um instituto de referência na região Centro”, aponta o director-executivo. Os responsáveis da escola de negócios acreditam que 2014 será um ano de consolidação deste projecto direccionado a empresários, gestores, quadros e empreendedores da região Centro. Para este ano o catálogo da oferta formativa conta com uma panóplia variada de propostas, num total de cerca de 20 cursos, entre formação executiva, pós-graduações, cursos de pequena duração e formação à medida de cada empresa. “Depois do sucesso da primeira edição”, voltou a ser lançado o curso de Gestão para PME actualmente a decorrer. Já iniciado foi também o de Controlo de Gestão. Para hoje está previsto o arranque do curso de Administração de Insolvências; em Maio prevê-se o início da acção sobre Criação e Gestão de Negócios de Turismo; em Setembro deverá arrancar um Mini-MBA e para Outubro está pre- corre da necessidade identificada pelo município e pelos diversos agentes económicos de afirmar a região de acordo com as suas características diferenciadoras”, realçando que o concelho é um espaço “pleno de potencialidades”. Agora, “o maior desafio é continuar a afirmar o nome da Marinha Grande como território de excelência, rigor, inovação, trabalho e vanguarda tecnológica”, acrescentou Álvaro Pereira. A acompanhar a designação Marinha Grande – centro da engenharia & design, a nova identidade apresenta uma imagem composta por “um conjunto de linhas que caminham para o centro”, reflectindo o “fluxo de pessoas, ideias, perspectivas, em busca de um único objectivo comum, explicou na apresentação Pedro Jerónimo, técnico da autarquia. “As cidades, as regiões, são hoje como produtos. Como tal, devem ter uma identidade, que deve ser comunicada”, disse na ocasião Vítor Hugo Ferreira. O docente do Politécnico de Leiria lembrou que, neste caso, se trata de um produto “complexo, com história”, aspectos que influenciam a comunicação. Por outro lado, referiu, criar e afirmar uma identidade “não acontece de um dia para o outro”. “Demora tempo e implica investimento”. Para saber como anunciar na secção de classificados do Jornal de Leiria ligue 244 800400 24 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Economia Sessão na Batalha sobre fundos comunitários Produtividade e eficiência energética prioritárias no novo quadro de apoio Portugal 2020 Mais de 2,1 mil milhões para o Centro Os custos energéticos “podem colocar em causa” a competitividade das empresas e o relançamento da economia, reconheceu no evento a oradora, lembrando que o Estado tem um papel importante nesta matéria, mas cabe também às empresas investir em processos produtivos mais eficientes energeticamente. Por isso, a eficiência energética é uma área prioritária de apoio, quer para projectos apresentados por empresas quer por municípios, disse Ana Abrunhosa. O presidente do IAPMEI, Miguel Campos Cruz, frisou que “este é o momento de olhar para os vários sistemas de incentivo e para a forma como os podemos gerir”, defendendo a importância da simplificação. Defendeu que “faz todo o sentido” olhar para as empresas a apoiar e diferenciar em função dos níveis de risco. O responsável disse ainda que se espera que as candidaturas abram no segundo semestre do ano. Competitividade, internacionalização, eficiência energética e inovação são “palavras-chave” a ter em conta pelas empresas que pretendam ter acesso a incentivos no âmbito do novo quadro estratégico, frisou Ana Abrunhosa numa sessão de esclarecimentos realizada a semana passada na Batalha. No evento, subordinado ao tema O novo quadro estratégico europeu 20142020, oportunidade económica - novos desafios para as empresas, a vogal executiva do programa Mais Centrofrisou que este quadro europeu denota uma “preocupação muito grande” com o desemprego, a coesão social e territorial. No que toca às empresas, internacionalização e competitividade são as linhas orientadoras. A melhoria da competitividade é, para aquela responsável, um dos desafios das empresas portuguesas. Por isso, deixou um alerta: “não é no cus- to da mão-de-obra que pode ser encontrada a solução para o problema da produtividade. Um país com mão-deobra barata é geralmente de baixa produtividade”. Para aumentar este indicador, e além da tecnologia, “é necessário investir em modernização, métodos de gestão e organização”. Para Ana Abrunhosa é ainda preciso “aproximar a academia e os centros de investigação às empresas”, para que haja transferência de conhecimento. “Estas entidades são fundamentais para o reposicionamento das empresas na cadeia de valor”. “Componente importante” da competitividade, a inovação não pode igualmente ser descurada. Portugal está já “bem posicionado” no que toca ao investimento em Investigação & Desenvolvimento, “mas os resultados ainda ficam aquém” do desejado. “O desafio não se prende tanto com o investimento, mas com a melhoria do processo de transferência do conhecimento, para que haja criação de riqueza”. Alcobaça Lis, em Leiria, e Cela, em Alcobaça Dino’s abre estúdio feminino em Leiria Regadios classificados como projectos de interesse regional Há duas décadas na Benedita, há dez anos em Alcobaça, no final deste mês em São Martinho do Porto e a partir de Abril em Leiria (Avenida Marquês de Pombal), onde a Dino’s Health & Fitness Centers vai abrir um ginásio feminino, com o nome Chic by Dino’s. “O conceito de fitness é muito mais alargado do que aquele que tem chegado ao grande público e para o grupo Dino’s esta questão adquire uma grande importância, tornando-se assim fundamental abrir e alargar este conceito”, explica Dino Pedras, responsável da empresa. “Trata-se de um conceito de treino funcional onde iremos utilizar padrões de movimento do quotidiano feminino, como pegar no bebé ao colo, empurrar o carrinho das compras ou tirar objectos de um armário e transformá-los em programas de exercício e treino”, explica o empresário, confessando que a abertura do espaço representa um grande desafio. Em Alcobaça, o espaço vai receber entretanto equipamentos de última geração, resultado de um investimento na ordem dos 170 mil euros. “O elevado interesse destes empreendimentos para o desenvolvimento agrícola das respectivas regiões impõe a sua classificação como obras de aproveitamento hidroagrícola de interesse regional”. Foi esta a justificação para a classificação dos regadios do Vale do Lis, em Leiria, e da Cela, no concelho de Alcobaça, no início deste mês, em Conselho de Ministros. Henrique Damásio, da Associação de Regantes do Vale do Lis, diz que a associação está ainda a tentar perceber o que significa esta classificação e que impactos práticos poderá ter naquela obra de aproveitamento hidroagrícola, que abrange 2145 hectares (cerca de 11 mil parcelas), distribuídos por perto de quatro mil proprietários. Para Carlos Malhó, presidente da Associação de Beneficiários da Cela, a classificação “é o reconhecimento que faltava, sendo mais uma prova de que o perímetro da Cela tem os melhores campos de Alcobaça e Nazaré”. Também Paulo Mateus, presidente da Junta de Freguesia da Cela, entende tratar-se de “um reconhecimento do trabalho que os agricultores têm desenvolvido ao longo dos anos”, sublinhando o valor do espa- Raquel de Sousa Silva [email protected] No nosso País, o novo quadro (chamado Portugal 2020) estrutura as intervenções, os investimentos e as prioridades de financiamento fundamentais para promover o crescimento “inteligente, sustentável e inclusivo” entre 2014 e 2020, no pressuposto de que hoje o principal défice não é de infraestruturas “mas sim de competitividade”. Por isso, o primeiro objectivo para a aplicação dos fundos é a “dinamização de uma economia aberta ao exterior, capaz de gerar riqueza de maneira sustentada”. O quadro está estruturado em quatro programas operacionais temáticos e cinco programas operacionais regionais, entre outros. Para o PO Centro estão disponíveis 2,1 mil milhões de euros. A quarta edição do workshop Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes com ferramentas criativas decorre sábado, entre as 15 e as 18 horas, na Arquivo Livraria, em Leiria. Será orientado por Sandrina Leal e Djanira Costa e tem como objectivos despertar e desenvolver as capacidades já existentes no indivíduo e consolidar o conhecimento através das ferramentas criativas (pintura, modelagem e corte e colagem). Abertura “Pão com tradição” em nova padaria na Barosa Foi inaugurado sábado passado na Barosa, Leiria, um novo espaço onde é possível comprar pão “acabadinho de sair do forno”, com “sabor a tradição”. Trata-se da Padaria Antiga, projecto familiar que nasce da necessidade de preencher uma lacuna existente na zona, onde não havia nenhuma padaria com fabrico próprio, apontam os responsáveis. O novo espaço “promete redescobrir o conceito de padaria de bairro”, com pão e bolos tradicionais. Jornadas Escola Profissional de Leiria debate emprego ARQUIVO/JL Obra do Vale do Lis abrange 2145 hectares de terreno ço mas também dos solos, “que em termos de matéria orgânica são muito superiores aos da região e até do País”. O autarca quer acreditar que “isto significa ainda o acelerar do processo da requalificação do regadio, que já se arrasta alguns anos”. Da mesma ambição partilha Paulo Inácio, presidente da Câmara de Alcobaça. “Esta classificação vem ao encontro do projecto de sete milhões de euros para o regadio”, acrescentando que “se trata de uma Leiria Workshop ensina hábitos para aumentar eficácia candidatura estratégica e vital para o concelho”. O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Francisco Gomes da Silva, em Fevereiro, aquando da visita aos campos da Cela, Bárrio e Valado dos Frades, depois da intempérie, reiterou a garantia relativamente à aprovação da candidatura ao PRODER para a reabilitação do aproveitamento hidroagrícola da Cela, pelo que a obra deverá avançar até ao final do ano. Debater temáticas com incidência sobre o ensino profissional, quer do ponto de vista técnico e institucional, quer no âmbito das áreas de empregabilidade e perspectivas futuras é o objectivo das IV Jornadas da Escola Profissional de Leiria, que se realizam nos próximos dias 24 e 25, no auditório do Isla. Cozinha, pastelaria, climatização, energias renováveis e electrónica são algumas das áreas em análise. Ourém Feira estimula actividades do mundo rural A III Feira dos produtos da terra decorre nos dias 29 e 30 em Ourém e tem como principal objectivo estimular e apoiar os agentes económicos ligados às actividades relacionadas com o mundo rural. Além dos “muitos e bons produtos” produzidos na região, será ainda possível contar com animação no Centro de Negócios. Economia Motores Classe A e GLA no centro histórico de Leiria Mercedes com novos modelos à conquista de outros mercados GRAÇA MENITRA Marca animou cidade no passado fim-de-semana Graça Menitra [email protected] T A dança e a música animaram, em Leiria, a apresentação nacional dos novos modelos Classe A e GLA da Mercedes – Benz. A festa, organizada pela Sodicentro, empresa concessionária na região desta marca, decorreu no passado fim-de-semana, no Mercado de Sant’Ana. O objectivo, segundo Sérgio Gil, director comercial da Sodicentro, foi sair do espaço habitual da concessão e vir até ao centro histórico da cidade, desenvolvendo não só a actividade comercial mas trazendo também alguma animação. Ainda segundo este responsável, para fazer face à conjuntura económica, a marca Mercedes tem, nos últimos anos, alargado o seu espectro de vendas e mercados alvos, com outro tipo de produtos que, sem perderem o denominador comum da marca e dos seus valores (exemplo da fiabilidade e elegância), tenta chegar a mais públicos, designadamente com preços mais baixos. Essa mudança começou em 2012, com o lançamento do novo Classe A, a que se seguiu quer o SLA, lançado em 2013, quer agora o GLA, com incidência para segmentos para quem a Mercedes antes não tinha produto. Já relativamente ao Classe C é diferente, porque se trata de um produto tradicional da marca mas que também tem vindo a evoluir ao longo do tempo, pelo design e inovação, indo buscar públicos ao segmento médio-alto, antes direccionados para marcas concorrentes. Em 2013, as vendas da Mercedes cresceram acima da média nacional e em 2014 essa subida está a acentuar-se ainda mais. Estas acções fora do concessionário, ainda segundo Sérgio Gil, têm a mais valia de fazer também um certo tipo de desmistificação em relação à marca Mercedes. No fim-de-semana, no Mercado de Sant'Ana Equipa de Formula Student apresenta-se em Leiria T Equipa de Formula Student do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) irá apresentar-se ao público este fim-de-semana, dias 22 e 23 de Março, no Mercado de Sant'Ana, em Leiria. O evento destina-se a apresentar a equipa, as competições e o protótipo do automóvel de competição da FSIPLeiria, equipa de Formula Student do IPL. Paralelamente, acontecem também várias oficinas temáticas. Além disso, durante o evento, vários espaços darão a conhecer o trabalho de cada departamento, havendo ainda um espaço dedicado aos mais novos onde lhes será proposto desenharem a sua interpretação do veículo e experimentarem conduzir o original em versão digital. Integram a FSIPLeiria 62 alunos, de vários cursos das escolas superiores do Politécnico, participando em várias categorias da competição. A Formula Student é um dos maiores eventos de desporto automóvel estudantil de todo o mundo, sendo que a competição visa, não apenas, o desempenho do carro nas provas, mas também toda a sua concepção e construção, incluindo a sustentabilidade, viabilidade, produção e plano de inserção no mercado. PUBLICIDADE Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 25 26 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Economia Opinião O óbvio custa muito a compreender! sto de ser cronista amador de economia está a tornar-se um pesadelo. Não há assunto, as novidades não existem e os protagonistas são cada vez mais cinzentos. A teoria económica estiolou desde as discussões apaixonantes sobre economia iniciadas há 80 anos atrás. O que existiu de novas teorias económicas é comparável ao fado, ou seja variações de letra sobre temas musicais básicos: fado corrido, fado-canção, fado vadio, fado menor, etc. até às aparentes novas categorias de fado dos nossos tempos. Como se dizia na minha aldeia nos tempos da grafonola do clube lá da terra: “vira o disco e toca o mesmo!” O clube só tinha dois ou três discos e, portanto, tínhamos que dançar toda a noite ao som fanhoso da mesma música. Fartos do mesmo velho disco de 78 rotações sempre louvando as virtudes da austeridade, apareceu há dias um grupo de 70 notáveis com uma nova música: temos que pedir a renegociação da dívida para nos tirarem a corda do pescoço! Confesso que não tenho opinião formada sobre as virtudes desta solução por estarmos nas mãos de uma rede internacional de malfeitores, exactamente aqueles que provocaram a Grande Recessão de 2008, ou seja os tais mercados compostos por especuladores financeiros de variadas proveniências incluindo os banqueiros, embora nutra uma enorme admiração por alguns dos subscritores desse manifesto, a começar por Adriano Moreira. É evidente que me parece racional que, para quem é sério e quer pagar a dívida, peça mais prazo e juro mais baixo para poder honrar os seus compromissos sem definhar de fome e de angústia. Contudo, estou inclinado a pensar que, no contexto do pensamento europeu dos nossos dias e da ditadura dos chamados I Manuel Gomes mercados, continuaremos com a corda ao pescoço pelos próximos 20 anos ou mais como muito bem diz, finalmente, o Presidente da República no prefácio ao novo volume dos seus “Roteiros”. Claro que estes dois documentos perturbaram muito o nosso Primeiroministro já embalado para uma nova vitória eleitoral à força de passar continuamente o velho disco do fado corrido, cantando as alegrias do regresso aos mercados à custa da espoliação dos mais pobres. E logo ele, o nosso Grande Líder, que nem vai querer um programa cautelar após a saída dos burocratas da troika, armados em quadros de grande inteligência porque ganham bem e saem cedo mas não percebem nada da vida. Mas, como disse Tom Peters (mais ou menos) “se o óbvio fosse assim tão óbvio, toda a gente o faria”. E o óbvio foi dito pela excelente economista Teodora Cardoso, Presidente do Conselho de Finanças Públicas (e crítica do Manifesto dos 70), sempre com o seu aspecto humilde do tipo “dona de casa”, em recente entrevista à Agência Lusa: "Ficamos mais seguros se tivermos um programa cautelar" acrescentando que as incertezas em torno deste tipo de assistência financeira não são necessariamente negativas: "Podemos jogar exactamente com isso porque, como não se sabe muito bem o que é, será muito aquilo que for negociado". Pois é, caros leitores, tenhamos esperança! Ainda há gente inteligente, sensata e bem-intencionada no nosso País, independentemente de estarmos sempre de acordo ou não com as suas opiniões. É pena que sejam os últimos representantes de uma elite admirável, num país hoje dominado pelos carreiristas das “jotas” do Centrão. Economista Mais um iscutiu-se (?) muito nos últimos dias um certo manifesto de umas dezenas de indivíduos, sobre uma qualquer dívida de não sei quem. Como é característico de indivíduos que apreciam e apelam ao consenso, o Primeiro-ministro apressou-se a explicar que aquela coisa era um disparate masoquista. E nem precisou de ler o documento para concluir que aqueles indivíduos de extrema esquerda – como o presidente da CIP, da CCP, Bagão Félix, Adriano Moreira ou Anacoreta Correia – estavam à procura de protagonismo político e não eram patriotas! Uma reacção em linha com a actuação recente do PM: ainda há algumas semanas amuou no Parlamento. Faz sentido portanto que José Gomes Ferreira se tenha apressado a mandar calar os setenta e tal indivíduos para deixar “a nova geração” resolver estes problemas. E, para além de todas estas cortinas de fumo, o que dizia o Manifesto: Preparar a reestruturação da dívida para crescer sustentadamente? Pouca coisa nova. Que é fundamental conjugar crescimento económico e criação de emprego para assegurar a coesão nacional e assim poder pagar a dívida pública portuguesa. E que isto só se consegue se mudarmos as condições da dívida a que nos comprometemos. O argumento simplificado é que o brutal serviço da dívida (os juros que pagamos todos os anos) superior a € 8.000 milhões – mais que TODO o orçamento do Ministério da Saúde – impede todas as políticas de estímulo à economia e de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. Juntando a este montante anual (crescente!) a amortização (devolver a quantia que nos emprestaram) que será necessária fazer nos próximos anos, rapidamente compreendemos porque a dívida é insustentável nestas circunstâncias. E são feitas propostas para ultrapassar este problema: redução da taxa média de juros, D Nuno Reis alargamento do prazo de pagamento e mutualização da dívida à escala da UE. Não pagar? Não é o que leio no documento. As reacções dos fãs da austeridade não se fizeram esperar. Os mesmos que clamam por consensos entre os partidos políticos apressaram-se a desvalorizar um documento assinado por personalidades de todos os espectros políticos, todas as classes profissionais e experiências de vida diversas. Argumentando que este é o caminho correto (Carlos Moedas dixit) e que a dívida é pagável – agora que se aproxima de 140% do PIB e com a economia aos níveis de 2000 mas em escombros, ao contrário do que acontecia quando a dívida era “só” 90% do PIB. Para estes nefelibatas a austeridade está a resultar e o país está melhor, mesmo que as pessoas estejam pior. Sobretudo, livre-nos Deus de “Os mercados” ouvirem esta gente anti-patriota: ainda podem seguir a reacção do nosso PM e fazer uma birra. Cito, a propósito deste caminho, o Professor Viriato Soromenho Marques (DN, 13/03/2014): “O país e a Europa só poderão sobreviver se forem resgatados de líderes medíocres, com fobia da verdade”. Não ouso colocar-me em bicos de pés e afirmar que também subscreveria um manifesto repleto de gente experiente, qualificada e com larga experiência na vida política, empresarial e académica. Nem tampouco consigo dizer que o caminho que o Manifesto dos 70 propõe é o certo ou sequer se é possível. Sei, contudo, que este caminho da austeridade não permite resolver a situação sem que nos tornemos no Vietname da Europa. Aprendi, como todos os portugueses, que assim estão a destruir o país e não só a vida das pessoas. Sou, apenas, mais um a considerar que esta situação é insustentável. Professor e investigador Destruição Criativa a passada semana, Bill Gates declarou que muitos dos empregos que existem hoje serão feitos por robots/software. No mundo moderno, a pressão para a automação tem partido da possibilidade de substituir recursos humanos (tendo em conta o valor acrescentado gerado por estes), ponderando os custos do trabalho a longo prazo. Por exemplo, na tarefa de embalar um produto, a empresa pode ter um incentivo racional para comprar uma máquina de embalamento. Alguns economistas afirmam que salários baixos, para tarefas que exigem poucos ou nenhuns conhecimentos, impedem a automação. Contudo, muitas empresas estão hoje a substituir trabalho relativamente barato por máquinas (a chinesa Foxconn procedeu à aquisição de um milhão de robots para substituir centenas de milhar de trabalhadores). Neste sentido, as tarefas de maior valor acrescentado ou serviços poderiam estar livres deste negro futuro. A verdade é que talvez não. O futuro próximo será de carros que se conduzem a si próprios (destruindo a profissão de condutor), de telemarketing robotizado (nos Estados Unidos existem hoje soluções de software capazes de conversar, tornando-se quase indistinguíveis de pessoas reais), de programas automatizados de contabilidade e até de software capaz de fazer ciência, resolver problemas complexos ou apto para aprender melhorando-se a si próprio (como acontece já com alguns algoritmos do Google). Por outro lado, empresas com menos pessoas significam menos posições de gestão e estruturas bem mais achatadas. Um caso interessante, onde o software e os grandes sistemas de TI transformaram a face das empresas, é a Banca, onde há 30 anos uma agência média teria 20 a 30 colaboradores, mas que hoje tem 2 a 4 (com funções eminentemente comerciais, uma vez que parte do trabalho técnico é hoje feito por software em servidores). Temos bancos com menos pessoas mas com mais funções comerciais e menos técnicas (e outras novas funções, que empregam matemáticos e informáticos, a desenhar software de arbitragem de risco ou novas formas de servir o cliente online). No fundo, esta é uma descrição da “destruição criativa” de Schumpeter, onde novas tecnologias transformam/destroem velhos setores, criando novos. O problema é que com a crescente automação do mundo, com o advento de formas mais complexas de inteligência artificial, talvez seja necessário um novo modelo social que permita a criação de novas profissões, mas que contemple também menos horas de trabalho (de resto, uma previsão feita há cerca de 240 anos pelo pai da Economia – Adam Smith). N Vítor Hugo Ferreira Membro do Conselho de Administração da D. Dinis Business School e docente do Inst. Politécnico de Leiria Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 27 Trespassa-se Salão de Cabeleireiro e Estética Moderno. Boa clientela. 2 km de Leiria. Tm. 914 972 347 Trespassa-se Café bar bem localizado, em funcionamento com boa clientela Leiria. Comerciais Independentes (M/F) Multinacional americana, no setor da Saude&Beleza procura Comerciais para desenvolver o seu próprio negócio. Atrativo plano de comissões em função das vendas. Tm. 917 847 966 ImobiliárioArrenda ESCRITÓRIOS (SALAS) LEIRIA ARRENDAM-SE localizados na Z. Ind. da Barosa junto ao nó da A8, com frente para a variante Leiria - Mª Grande. Excelentes infra-estruturas de apoio: cantina e serviços administrativos. Bons Preços. Tm: 914 655 373/ 918 724 417 Tel. 255 495 459 | 255 495 461 E-mail: [email protected] Somos uma empresa do grupo KEY PLASTICS de origem americana, tendo como principais clientes, as empresas do sector automóvel a nível mundial e, seleccionamos para entrada imediata: Advogados/Solicitadores TÉCNICO DE MANUTENÇÃO DE MOLDES TELEFONE, FAX, INTERNET, A.C., SERV. LIMP. INCLUÍDOS M/F (Junto aos Tribunais, Câmara, Seg. 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TIAGO CLÍNIGRANDE PUERICIA - CLÍNICA DA CRIANÇA Tel. 244824805 - LEIRIA Tel. 244574060 - Mª GRANDE Tel. 244503809 - Mª GRANDE Análise de emissões gasosas Análises de ruído e vibração Avaliação da acústica das construções Análise da Qualidade do Ar Interior Certificação e auditoria energética Análise de fibras de Amianto Análise de poeiras PM10 no ar ambiente SEDE: Rua da Indústria 13 2430-069 Marinha Grande Tel. 244 560 534 . Fax 244 568 071 [email protected] DEL. NORTE: Rua D. Manuel Trindade Salgueiro, 29 3830-655 Gafanha da Nazaré Tel. 234 087 820 Fax 234 087 844 [email protected] www.pedamb.com Dr. Eduardo Fatela ADS MONTE REAL AGRUPAMENTO DEFESA SANITÁRIA ESPECIALISTA OUVIDOS, NARIZ E GARGANTA MEDICINA INTERNA CONVOCATÓRIA Jornal de Leiria - Edição 1549 - 20.03.2014 Consultas, exames e cirurgias Convenções: GNR, PSP, PT, SAMS, CGD, EDP, Medis, Advance Care, AMI EUROMEDIC - Olhalvas Park, 1º Andar (Intermarché) Contactos: 244 832 136 / 967 042 005 NOS TERMOS DOS ESTATUTOS DESTE ADS CONVOCO UMA ASSEMBLEIA GERAL PARA REUNIR NO DIA 28 DE MARÇO DE 2014, PELAS 11.00 HORAS, NAS INSTALAÇÕES SITAS NO PRÉDIO DA ASSOCIAÇÃO DE REGA NTES, QUINTA DO PICOTO, MONTE REAL, COM A SEGUINTE: ORDEM DE TRABALHOS Para saber como anunciar na secção de classificados do Jornal de Leiria ligue 244 800 400 ELSA ABRAÚL CHEFE DE SERVIÇO DE GINECOLOGIA DOS H.U.C Médica Especialista GINECOLOGIA/DOENÇAS DA MAMA Consultório: Ed. Nª Sra do Amparo, n.º 1A - 1º Est. Marrazes - Arrabalde da Ponte - 2400 Leiria Tel.: 244 819 010 PONTO ÚNICO - APRECIAÇÃO, DISCUSSÃO E VOTAÇÃO DO RELATÓRIO DE CONTAS E EXERCÍCIO REFERENTE AO ANO 2013 - OUTROS ASSUNTOS DE INTERESSE PARA O ADS E SEUS ASSOCIADOS. CASO À HORA DETERMINADA NÃO ESTEJAM PRESENTES PELO MENOS 1/3 DOS ASSOCIADOS A MESMA FUNCIONARÁ 30 MINUTOS DEPOIS COM QUALQUER NÚMERO DE ASSOCIADOS O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA-GERAL MANUEL LEAL ROSA Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 29 Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística AVISO N.º 11/14/SODPGU Jornal de Leiria - Edição 1549 - 20.03.2014 Alteração à licença de loteamento. Abertura de procedimento de consulta pública e notificação para pronúncia dos proprietários dos lotes. Processo de loteamento n.º 3/91. Ricardo Miguel Faustino Santos, Vereador da Câmara Municipal de Leiria, no uso da competência que lhe é conferida pelo Edital n.º 136/2013, e ao abrigo do disposto no artigo 27.º do Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, conjugado com o artigo 17.º do Regulamento de Operações Urbanísticas do Município de Leiria e a alínea d) do n.º 1 do artigo 70.º do Código do Procedimento Administrativo, torna público que se submete a discussão pública o pedido de alteração à licença de loteamento, bem como a pronúncia dos proprietários dos lotes constantes do alvará de loteamento n.º 696/94, emitido em 16/09/1994 e respetivos aditamentos, cuja apreciação decorre na Câmara Municipal em sede do processo n.º 3/91. O pedido de alteração é apresentado por Armando de Sousa Rato, incide sobre o Lote n.º 12, descrito na Conservatória do Registo Predial de Leiria sob o n.º 3662/19950306 e inscrito em matriz omissa, da extinta freguesia de Marrazes, atual União de Freguesias de Marrazes e Barosa, lote este resultante da operação de loteamento do prédio sito em Vale da Fonte, na referida freguesia. A alteração pretendida visa o aumento da área de implantação e a alteração da área bruta de construção. O período de discussão pública e pronúncia decorre pelo prazo de quinze dias úteis, contados a partir do primeiro dia útil seguinte à data da última publicação em jornal e no site do Município de Leiria, podendo no decorrer deste período os interessados vir a pronunciar-se por escrito sobre a alteração à operação de loteamento pretendida, mediante requerimento dirigido ao Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Leiria. Para eventual consulta, informa-se que o respetivo processo se encontra patente no Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística, sito no edifício da Câmara Municipal, todos os dias úteis entre as 09:00 horas e as 16:30 horas. Para constar se lavrou o presente Aviso que vai ser inserido na Intranet, na página eletrónica do Município de Leiria e publicado em dois jornais de âmbito local, bem como o correspondente edital que vai ser afixado no edifício dos Paços do Concelho e no edifício sede da respetiva freguesia. Leiria, 26 de fevereiro de 2014. O Vereador (Por subdelegação – Edital n.º 136/2013) Ricardo Santos Largo da República, 2414-006 Leiria • N.I.P.C.: 505 181 266 • Telef.: 244 839 500 • N.º Verde: 800 202 791 Sítio: www.cm-leiria.pt • email: [email protected] CARTÓRIO NOTARIAL DE MANUEL FONTOURA CARNEIRO Rua Francisco Serra Frazão, lote B, 4.º r/c dto — 2480-337 Porto de Mós Telt": 244 401 344 * Fax: 244 401 385 PORTO DE MÓS Jornal de Leiria - Edição 1549 - 20.03.2014 Certifico para fins de publicação, que por escritura de justificação celebrada neste Cartório Notarial, no dia catorze de março de dois mil e catorze, exarada a folhas cinquenta e duas do livro de Notas para Escrituras Diversas Duzentos e Noventa e Oito— A: ADRIANO PEREIRA RODRIGUES e cônjuge MARIA DE FÁTIMA CARREIRA ANTUNES RODRIGUES, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais da freguesia de Caranguejeira, concelho de Leiria, residentes na Rua Nossa Senhora de Fátima, 490, Mourã, Barreira, Leiria, Nifs: 115 303 375 e 115 303 367, declararam: Que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores dos seguintes bens: UM: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, concelho de Leiria, composto de eucaliptal, com a área de três mil seiscentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com Manuel Lopes Antunes, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Rua António Antunes e do poente com Regueira, não descrito na Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 11969, por proveniência do artigo rústico 2727 da freguesia de Barreira (extinta), com o valor patrimonial IMT de €1.090,00. DOIS: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, concelho de Leiria, composto de terra de cultura, com a área de mil quatrocentos e noventa metros quadrados, a confrontar do norte com Henriqueta Lopes Antunes Machado, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Maria de Fátima Carreira Antunes Rodrigues e do poente com Rua Nossa Senhora de Fátima, não descrito na Ficha Técnica JORLIS, LDA. Gerência Maria Alexandra Vieira, João Nazário Direcção Editorial Maria Alexandra Vieira, Arnaldo Sapinho Orlando Cardoso Director João Nazário ([email protected]) Redacção Raquel de Sousa Silva (coordenação) ([email protected]) Daniela Franco Sousa, Elisabete Cruz, Graça Menitra, Jacinto Silva Duro, Maria Anabela Silva, Miguel Sampaio Copydesk Orlando Cardoso [email protected] Colaboradores permanentes Joaquim Paulo, Lurdes Trindade, Orlando Cardoso, Sal Nunkachov, Sara Vieira Direcção Gráfica Gabinete Técnico Jorlis Paginação e Produção Isilda Trindade (coordenação) ([email protected]) Rita Carlos ([email protected]) Serviços Administrativos/Assinantes Cília Ribeiro ([email protected]) ([email protected]) Tesouraria Patrícia Carvalho ([email protected]) Serviços Comerciais Lúcia Alves ([email protected]), Rui Pereira ([email protected]) e Sandra Nicolau ([email protected]) Área de Projectos Sandra Nicolau ([email protected]) Propriedade/Editor Jorlis - Edições e Publicações, Lda. Capital Social: €600.000 NIF 502010401 Sócios com mais de 10%: Movicortes, Serviços e Gestão, Lda. José Ribeiro Vieira Morada Parque Movicortes 2404-006 Azoia - Leiria Email [email protected] Telefones Geral: 244 800 400 Redacção: 244 800 405 Fax: 244 800 401 Impressão Grafedisport Distribuição VASP Dia de publicação: Quinta-feira Preço avulso: 1€ Assinatura anual: 35€ (Portugal) 65€ (Europa) 93€ (outros países do mundo) Tiragem média por edição Mês de Fevereiro: 15 000 exemplares N.º de registo: 109980 Depósito legal n.º 5628/84 Palavras cruzadas HORIZONTAIS:1- Atascadeiro. Cevada ou aveia verde para penso dos animais. 2-Prefixo de posição. Com forma de ouriço. Lugar de sacrifícios. 3-Quantia que recebe diariamente um soldado. Abrev. de altitude. Perseguir a caça até a obrigar a acantoar-se. 4-Monógamo. Negação (pref). Actínio (s.q). 5-Nome da quinta letra do alfabeto grego, correspondente ao latino. Feito ás avessas. 6-Abrev. de avenida. Relativo ao rio Sado ou à cidade de Setúbal. Alternativa (fig.) 7- Rádio (s.q). Ganhar crosta. Macho. 8- Juntar. Vinagre na sua maior pureza. Medida de líquidos usada na Holanda, Alemanha e Suiça. 9- Simb. químico do cobre. Coberta leve de cama. Montanha da Arábia Pétrea. 10- Larva de uma pequena ténia que, neste estado, se pode localizar em diferentes órgão do organismo humano, desenvolvendo os chamados quistos hidáticos. Árvore cuja casca aromatiza o vinho. Centro e cinquenta (rom.). 11- Rezar. Descrição das propriedades e dimensões da atmosfera. VERTICAIS: 1- Pequenino. 2- Prefixo de privação. Neptúnio (s.q.). Consentir. 3- Acto de pisar. Quinto filho de Jacob (Bíbl.). 4- Voltar as costas. 5- Praia.Abrev. De Antigo Testamento. 6Símb. químico do níquel. Grande quantidade de moscas. 7- Enfezado. Pertencente à arcádia. 8- Simb. químico do alumínio. Tornar doente. 9- Partidário da doutria dos que pretendem realizar pela acção. 10- Nome de letra. Queixo. Prata (s.q.). 11- Rio de Portugal. Sobradar. 12Cabelos brancos. Onda. 13- Valores depositados ou aceites para garantirem qualquer responsabilidade. Aspecto. 14- Período. Combinação da preposição de com o artigo ou pronome uma. 101 (rom.) 15- Toucinho cortado em tiras para entremear em peças de outra carne. Peixe teleósteo. Solução do problema anterior: Horizontais: 1-VILEGIATURA. ANT; 2-AL. MAN. I. ALIMPA; 3 - G. EPIDIDIMO. A. G; 4 - ANTRO. RO. PENSAR; 5 - BOCELAR. PA. ASCA; 6 - UR. IE. IPO. COAR; 7 - N. ATINGIVEL. DEI; 8 - DESERTAR. SOPE. B; 9-ESTIO. CANTARIDE; 10 - ASAR. AAL. ACERAR; 11 - RE. ORTOEPIA. ARO. Verticais: 1-VAGABUNDEAR; 2-IL.NOR.ESSE; 3-L.ETC.ASTA; 4-EMPREITEIRO; 5GAIOLEIRO.R; 6-IND.A.NT.AT; 7-A.IRRIGACAO; 8-TIDO.PIRALE; 9-U.I.POV.N.P; 10RAMPA.ESTAI; 11 - ALOE. CLOACA; 12 - I. NAO. PRE; 13 - AMASSADEIRA; 14 -NP. ACRE. DAR. 15 - TAGRA. IBERO. Sudoku Grau: Suave O Jornal de Leiria está aberto à participação de todos os cidadãos de acordo com o ponto 5 do Estatuto Editorial Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 11970, por proveniência do artigo rústico 2728 da freguesia de Barreira (extinta), com o valor patrimonial IMT de €810,00. TRÊS: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, concelho de Leiria, composto de terra de semeadura, com a área de dois mil quinhentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com Henriqueta Lopes Antunes Machado, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Rua do Areeiro e do poente com Adriana Pereira Rodrigues, não descrito na Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 11971, por proveniência do artigo rústico 2729 da freguesia de Barreira (extinta), com o valor patrimonial IMT de €1.370,00. QUATRO: Prédio rústico sito em Mourã, freguesia de União das Freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes, concelho de Leiria, composto de olival, com a área de mil trezentos e vinte metros quadrados, a confrontar do norte com Henriqueta Lopes Antunes Machado, do sul com Vítor Pereira Antunes Marcelino, do nascente com Rua Nossa Senhora de Fátima e do poente com Rua António Antunes, não descrito na Primeira Conservatória de Registo Predial de Leiria, inscrito na matriz sob o artigo 11972, por proveniência do artigo rústico 2730 da freguesia de Barreira (extinta), com o valor patrimonial IMT de €640,00. Que os prédios vieram à sua posse por doação verbal de António Antunes Júnior e esposa Eva Carreira, residentes que foram em Mourã, Barreira, Leiria, doação essa que teve lugar no ano de mil novecentos e setenta e um, já no seu estado de casados. Que, não obstante não terem título formal de aquisição dos referidos prédios, foram eles que sempre os possuíram, desde aquela data até hoje, logo há mais de vinte anos, em nome próprio, gozaram todas as utilidades por eles proporcionadas, pagaram os respectivos impostos, cultivaram-nos, colheram os seus frutos sempre com o ânimo de quem exerce direito próprio, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, fazendo-o ostensivamente, e sem oposição de quem quer que seja, posse essa de boa — fé, por ignorarem lesar direito alheio, pacífica, porque sem violência, contínua e pública, por ser exercida sem interrupção e de modo a ser conhecida pelos interessados. Tais factos integram a figura jurídica da usucapião, que os justificantes invocam, como causa de aquisição dos referidos prédios, por não poderem comprovar a sua aquisição pelos meios extrajudiciais normais. Porto de Mós, catorze de março de dois mil e catorze. A colaboradora com delegação de poderes, (Ana Paula Cordeiro Pires de Sousa Mendes) Emitida Factura/Recibo n°02/497/001/2014 Boletim de assinatura Nome | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Morada | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | CP | | | | | - | | | | Localidade | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | País | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Telefone | | | | | | | | | | | | | | | | | | Profissão | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Habilitações Literárias | | | | | | | | | | | N.º Elementos agregado familiar | | | NIF | | | | | | | | | | Data de nascimento | | | - | | | - | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Junto envio cheque/vale postal n.º | | | | | | | | | | no valor de 35€ (Portugal), 65€ (Europa), 93€ (outros países do Mundo) emitido à ordem de Jorlis, Lda., para pagamento da minha assinatura anual do Jornal de Leiria (renovável anualmente, salvo indicações em contrário). Para pagamento por transferência bancária para o NIB 003503930008317863056 (anexar comprovativo). Para mais informações contactar pelo Tel. 244 800 400 - E-mail: [email protected] Assinatura | | | | | | | 30 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Desporto Fernando Niza O histórico treinador, nascido em Vieira de Leiria há 65 anos, explica o segredo do seu sucesso e o que o impediu de chegar ao topo do futebol português “A minha transpiração é perfumada e o seu cheiro é a futebol” ALBINO BRANCO Miguel Sampaio [email protected] O mestre, mestre dos mestres, mago ou Mourinho da zona centro. Não faltam epítetos para classificar Fernando Niza, treinador do FC Pampilhosa, clube do concelho da Mealhada, pela décima temporada. Nascido em Vieira de Leiria há 65 anos, terra da qual saiu aos 15 anos para ir jogar no Benfica, é um nome incontornável do futebol português. Pela forma como vive apaixonadamente a modalidade, pela forma diferente com encara o jogo, o treino e o balneário. Tio de Rui Nascimento, está a comemorar a 30.ª época enquanto técnico. Subiu oito vezes de divisão, só que a oportunidade para treinador noutros patamares jamais chegou, por “nunca” ter hipotecado os seus princípios. É administrativo em Coimbra, onde vive há quatro décadas, cidade onde representou o União local na 1.ª Divisão. Gosta de ser tratado por mestre. Porquê? Mestre não, o mestre! Cansei-me, ao fim de 30 anos de carreira de treinador, de ser tratado por mister. Mas, sobretudo, a experiência enriquecedora, adquirida e vivida intensamente no mundo que é o futebol fazem de mim, de facto, um mestre. Digamos que a minha transpiração é perfumada e o seu cheiro é a futebol. Nesses 30 anos conseguiu oito subidas de divisão. Por que razão nunca teve possibilidade de liderar uma equipa das competições profissionais? Resolvi seguir a carreira de treinador por intuição e por paixão pelo futebol, e, de facto, possuía uma ambição sem limite. Comecei logo a vencer e acreditei que, com mérito, chegaria – e sem grande dificuldade – à 1.ª Divisão. Nas minhas primeiras seis épocas consegui quatro subidas de divisão. As direcções pediam a manutenção e eu dava-lhes as subidas. Fui convidado por um ou outro empresário e inclusive, por colegas e amigos treinadores, a frequentar os bastidores do mundo do futebol. Dirigentes, jornalistas, empresários e treinadores em grandes jantaradas e noitadas. Recusei sempre tais convites, uma vez que tenho uma forte personalidade e nunca iria bajular quem quer que fosse. Vendo agora que a oportunidade não surgiu... Nunca hipotequei os meus princípios e não estou arrependido. Fiz a minha carreira, que foi aquela que desejei, “Nunca hipotequei os meus princípios e não estou arrependido. Fiz a minha carreira, que foi aquela que desejei, sem mácula.” Treinar um grande do futebol português? Seria o mesmo que engordar a minha conta bancária, só que ela está de dieta sem mácula. Era e sou um ganhador. Não faz sentido estar no futebol sem espírito de conquista. Sendo assim, o caminho é e será sempre o da vitória e quando surge a derrota ser digno da mesma. É este o meu lema. Ainda acredita que é possível orientar uma equipa na 1.ª Liga? Mentir-lhe-ia se lhe dissesse que sim. Vivo num país em que a idade define uma pessoa. Aos 50 anos é considerada velha e garanto-lhe que não é só no futebol. A experiência, o conhecimento e o saber é considerado lixo. Pobre da mentalidade que pensa assim. As suas palestras são consideradas míticas. Canta, põe a equipa a rezar, coloca os jogadores a dar o onze... Com que objectivo o faz? A competição eleva os índices de ansiedade dos atletas. Este estado explica-se pela pressão decorrente da necessidade de vencer o adversário. A motivação e a descontracção, minutos antes do jogo, dão aos atletas uma maior confiança para ir ao encontro do êxito. Quer dar exemplos de algumas das mais originais? Num certo jogo em Viseu inspireime em Viriato. Nós seriamos os guer- reiros com alma lusitana e iríamos vencer essa batalha. O jogo foi mesmo uma grande luta e vencemos o Académico de Viseu, por 5-4. É verdade que nas palestras não há referências ao adversário? Porquê? Sim! Dedico os cinco a dez minutos de palestra aos meus jogadores. Valorizo a minha equipa e faço o estudo do adversário nos primeiros dez minutos de jogo. O que acha da periodização táctica e do treino integrado, tão em voga pelo nova vaga de treinadores? Respeito quem se dedica ao estudo e que faz dele a sua arma. Já eu prefiro outros métodos, que é estar na linha da frente da psicologia e retirar o máximo rendimento do atleta. Como? Tem de ter a cabeça limpa e saber que vai competir para vencer, com grande motivação e sem pressão de espécie alguma. Para que isso seja possível, no período pré-competitivo, nas primeiras semanas da época, dedico-me ao estudo das personalidades dos jogadores que vão trabalhar comigo. Disse que quanto mais novo for o treinador adversário mais gozo lhe dá derrotá-lo. Porquê? É uma questão de aprendizagem com um dinossauro do futebol... Como deve ser um treino? O mais simples e com grande intensidade possíveis, sem grandes quebras de dinâmica. É preciso evitar muitas interrupções e intervenções de correcção. Uma hora de treino tem de ser uma hora e não duas. Aos 65 anos o que o motiva a continuar a treinar? Ainda tenho paixão pelo futebol e quero continuar a ganhar. Quando começar a perder, aí sim, será o final da carreira e a motivação perde-se, mas estou preparado para tomar essa decisão a qualquer momento. O banco é um modo de viver e não de morrer. E treina o Pampilhosa sem receber nada em troca. Sente-se bem lá? Se me sinto! Já lá vão uns anitos e o Pampilhosa é o Niza e o Niza é o Pampilhosa: Existe uma identificação e uma ligação muito forte desde o primeiro dia. É um orgulhoso desalinhado? Direi que o desalinhamento vem das minhas fortes convicções e do grande respeito que tenho pelo futebol. Até quando vai continuar a espalhar magia pelos campos de futebol do País? Até a saúde o permitir... Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 31 Desporto Pavilhão da Maceira acolhe ronda do Campeonato Nacional em cadeira de rodas Andebol adaptado jogado pela primeira vez em Leiria Miguel Sampaio [email protected] T Leiria, todos o sabem, é uma cidade que dedica particular atenção ao andebol. Juventude do Lis e Atlético Clube da Sismaria continuam a ser os elos de ligação com a modalidade, que já teve na União e no Académico focos de pujança. Pois bem, no próximo fim-desemana, o concelho, que já recebeu jogos da selecção nacional e finais da Taça de Portugal, vai estrear-se numa prova de completamente diferente, com a realização da terceira jornada do Campeonato Nacional de andebol em cadeira de rodas, modalidade que arrancou formalmente esta temporada. A defender as cores da casa estará a equipa da delegação de Leiria da Associação Portuguesa de Deficientes (APD Leiria) que agora alia os sucessos no basquetebol – já conquistou campeonatos nacionals, taças de Portugal e supertaças – ao andebol. O que é certo é que tem dominado por completo os encontros disputados até agora, não tendo sofrido qualquer derrota. Ainda no passado sábado, em Setúbal, na segunda jornada da competição, não deixou os créditos por mãos alheias e goleou os adversários. Na parte da manhã, na variante de 7, bateu o ACM/YCMA-Vitória de Setúbal, por 23-3, e a Associação Rovisco Pais, da Tocha, por 18-4. À tarde, já na variante de 4, triunfou por dois sets a zero os mesmos adversários. Ora, depois destes resultados, o objectivo para o próximo não pode ser outro que não seja mais e mais vitórias e, assim, ficar com o apuramento para a fase final nacional, que irá decorrer em Viseu, mais próximo. E depois será hora de sonhar com o título. RICARDO GRAÇA APD Leiria defende a honra da região Mas vamos lá saber, afinal de contas, quais são as principais diferenças entre o andebol e a variante em cadeira de de rodas. Se- PUBLICIDADE Voleibol da Marinha Grande em destaque Veja anúncios de Saúde na página Operário Marinhense apura-se para a fase final da 3.ª Divisão T A equipa masculina de voleibol do Sport Operário Marinhense (SOM) garantiu no sábado um lugar na fase final da 3.ª Divisão, depois de vencer em casa do FC Amares, por 1-3 (16-25, 21-25, 25-13 e 13-25). O grupo de Cláudio Sousa, que destacou o “espírito de grupo” da sua equipa, bem como a “demonstração de grande sabedoria na interpretação do esquema táctico” da equipa adversária, garante o 2.º lugar da série e o consequente apuramento para a fase final, onde só o primeiro será promovido à 2.ª Divisão. 28 DR Triatlo João Silva em Ténis Ekaterina Lopes 12.º na Taça do Mundo vence Azores de Moolooba Ladies Open O triatleta da Benedita João Silva terminou neste sábado na 12.ª posição a Taça do Mundo de Mooloolaba, na Austrália, a 1.19 minutos do vencedor, o espanhol Mario Mola. Nono do ranking mundial, o atleta do Benfica assume como objectivo o Campeonato do Mundo, disputado em oito etapas, a primeira das quais já a 4 e 5 de abril, em Auckland, na Austrália gundo o treinador João Jerónimo, na variante de 7, “muito poucas”. O andebol de 4 é mais semelhante ao andebol de praia. “É espectacular. Os pontas fazem grandes chapeladas e são partidas muito emocionantes, com choques entre as cadeiras, muitos remates, grandes defesas e contra-ataques.” Por isso, já sabe. Sábado é dia de fazer uma visita ao pavilhão da Maceira. A manhã está reservada ao andebol de 4 e a APD Leiria joga logo às 10:15 horas com a Associação Rovisco Pais e às 11:45 coma equipa do Vitória de Setúbal. À tarde joga-se andebol de 7, com os mesmos adversários, a partir das 14:30 horas. João Jerónimo deixa o convite a todos os amantes da modalidade. “Venham, sentem-se na bancada, e sintam e vivam o andebol connosco. Leiria é, sem dúvida, uma idade de andebol e creio que todos irão ficar orgulhosos de termos a nossa modalidade na vertente adaptada.” Está à espera de quê? A russa Ekaterina Lopes, radicada em Leiria, foi a grande vencedora do Azores Ladies Open em ténis, competição com 10 mil dólares de prémio e que decorreu até domingo na ilha de São Miguel. A actual 741ª tenista do mundo, esposa do seleccionador nacional feminino André Lopes, bateu na final a portuguesa Bárbara Luz, n,º 372 do ranking ATP, por 6-4 e 6-2. Para saber como anunciar na secção de classificados do Jornal de Leiria ligue 244 800400 32 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Desporto Classificação Hóquei em patins 1.ª Divisão Resultados CH Carvalhos-Óquei Barcelos Física T. Vedras-HC Mealhada HA Cambra-Benfica HC Turquel-HC Braga Juv. Viana-AD Valongo Paço Arcos-Oliveirense Sporting Tomar-FC Porto Sporting-Candelária SC 3-2 2-2 1-6 3-5 8-3 2-0 2-3 1-2 Classificação FC Porto AD Valongo Benfica Oliveirense Juv. Viana HC Turquel Candelária SC HC Braga Óquei Barcelos Paço Arcos Física T. Vedras Sporting CH Carvalhos HA Cambra HC Mealhada Sporting Tomar P 53 50 50 49 43 35 31 26 25 22 21 21 18 16 15 7 J 21 21 21 21 21 21 21 21 21 21 21 21 21 21 21 21 V 17 16 16 16 14 11 8 8 7 6 6 5 5 5 4 2 E 2 2 2 1 1 2 7 2 4 4 3 6 3 1 3 1 D 2 3 3 4 6 8 6 11 10 11 12 10 13 15 14 18 G 134-48 96-58 147-62 115-63 115-89 65-71 54-55 68-102 69-80 47-64 49-69 70-84 60-110 61-105 67-99 45-103 Próxima jornada 22 de Março Benfica-Paço Arcos, Candelária SC-CH Carvalhos, FC Porto-HA Cambra, HC Braga-Juv. Viana, HC Mealhada-Sporting, Oliveirense-Física T. Vedras, Óquei Barcelos-HC Turquel, AD ValongoSporting Tomar Andebol 2.ª Divisão – Zona Sul Resultados AC Sismaria-V. Setúbal Benavente-CD Marienses Boa-Hora FC-CDE Camões Ginásio Sul-Vela Tavira Ílhavo AC-Benfica B NA Redondo-Alto Moinho Samora Correia-IFC Torrense 28-25 30-29 27-16 27-21 27-31 31-24 24-18 Classificação Benfica B CDE Camões Benavente Boa-Hora FC CD Marienses IFC Torrense Ílhavo AC Ginásio Sul AC Sismaria Alto Moinho V. Setúbal Samora Correia NA Redondo Vela Tavira P 64 56 56 53 51 42 41 41 38 37 37 36 34 29 J 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 V 21 17 15 15 14 9 9 9 7 7 6 6 5 3 E 0 0 4 1 1 2 2 1 2 1 3 2 2 1 D 1 5 3 6 7 11 11 12 13 14 13 14 15 18 G 645-440 586-487 647-571 559-498 561-513 486-495 539-565 594-583 543-607 547-614 550-568 509-590 568-648 475-630 Próxima jornada 22 de Março Alto Moinho-AC Sismaria, Benfica B-Ginásio Sul, CD Marienses-NA Redondo, CDE CamõesÍlhavo AC, IFC Torrense-Boa-Hora FC, V. Setúbal-Samora Correia, Vela Tavira-Benavente 3.ª Divisão – 2.ª fase – Zona Norte Resultados ACD Monte-Estarreja AC Arsenal Devesa-SIR 1.º Maio Boavista -Juventude Lis Gondomar Cultural-Albicastrense 29-34 39-17 26-22 25-34 Classificação P Arsenal Devesa 9 Estarreja AC 9 Boavista 7 Juventude Lis 7 Albicastrense 5 Gondomar Cultural 3 ACD Monte 2 SIR 1.º Maio 2 J 3 3 3 3 3 3 2 2 V 3 3 2 2 1 0 0 0 E 0 0 0 0 0 0 0 0 D G 0 104-69 0 98-84 1 79-79 1 75-68 2 90-88 3 76-97 2 47-57 2 41-68 Próxima jornada 22 de Março Albicastrense-SIR 1.º Maio, Estarreja AC-Boavista , Gondomar Cultural-ACD Monte, Juventude Lis-Arsenal Devesa 1.ª Divisão feminina Resultados Col. João Barros-Madeira SAD Juventude Lis-Sports Madeira Col. João Barros-Sports Madeira Juventude Lis-Madeira SAD Maiastars-Alavarium 30-33 21-22 25-15 14-25 20-31 Madeira SAD Col. João Barros Alavarium Colégio Gaia JAC Alcanena Maiastars Juventude Lis Sports Madeira CA Leça Juventude Mar Assomada Vela Tavira P 63 60 55 53 50 45 41 40 38 30 27 26 J 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 22 V 20 18 15 14 14 11 8 8 8 4 2 1 E 1 2 3 3 0 1 3 2 0 0 1 2 D 1 2 4 5 8 10 11 12 14 18 19 19 G 637-455 625-463 665-533 589-538 690-576 540-551 516-536 526-563 500-605 459-612 540-650 471-676 Nota Enquanto segundo e sétimo classificados, as duas equipas da região, Colégio João de Barros e Juventude do Lis, vão encontrar-se na primeira ronda do playoff. A primeira mão está marcada para 26 de Abril. Futsal Lombos 4-6 6-1 6-2 0-2 2-2 5-4 4-5 Classificação J 19 19 19 19 19 18 19 19 19 19 19 18 19 19 V 14 14 13 13 9 8 8 8 6 6 6 5 4 2 E 1 0 1 1 3 4 4 1 4 2 2 4 0 5 D 4 5 5 5 7 6 7 10 9 11 11 9 15 12 G 100-55 93-60 91-56 72-67 56-63 73-63 75-75 83-84 88-93 68-78 82-114 71-72 41-72 69-110 Próxima jornada 22 de Março Amarense-Quinta Lombos, AMSAC-Albufeira Futsal, Burinhosa-Os Vinhais, Fabril Barreiro-Sportivo Loures, Operário-Mendiga, Rabo Peixe-Fonsecas e Calçada, UP Venda Nova-AM Portela 3.ª Divisão – Série C Resultados Boa Esperança-Belhó Eléctrico P. Sôr-Caldas SC Olho Marinho-GDR São Bento Os Patos-MTBA Retaxo-GARECUS 7-1 5-3 4-2 3-0 8-0 Classificação Olho Marinho Boa Esperança Eléctrico P. Sôr Retaxo MTBA Alhadense Quiaios Caldas SC GR Vilaverdense Os Patos GDR São Bento GARECUS Belhó P 45 43 36 35 34 30 27 22 19 13 12 12 0 J 18 18 17 18 17 17 18 17 17 18 17 17 17 V 15 13 11 11 11 9 8 7 5 4 4 4 0 E 0 4 3 2 1 3 3 1 4 1 0 0 0 D G 3 62-39 1 74-34 3 69-44 5 73-38 5 65-37 5 60-49 7 66-70 9 74-64 8 55-64 13 53-82 13 36-62 13 54-94 17 32-96 Próxima jornada 22 de Março Alhadense-Boa Esperança, Belhó-Os Patos, Caldas SC-GARECUS, GDR São Bento-Quiaios, MTBAEléctrico P. Sôr, Olho Marinho-Retaxo Campeonato Nacional feminino Apuramento de campeão Resultados ACRD Louriçal-Benfica ARJ Mogege-Novasemente FC Vermoim-Rest. Avintenses Quinta Lombos-CR Golpilheira 0-5 4-3 5-3 2-3 Classificação CR Golpilheira Benfica FC Vermoim ARJ Mogege ACRD Louriçal Rest. Avintenses Novasemente Quinta Lombos P 7 5 5 4 4 3 2 1 J 3 3 3 3 3 3 3 3 V 2 1 1 1 1 1 0 0 Futebol Principais provas nacionais invadem região Campeonato Nacional de Seniores Apuramento de subida – Zona Sul Resultados Benfica C. Branco-FC Ferreiras Oriental-CD Mafra Pinhalnovense-Sportivo Loures Sertanense-União Leiria 7-2 0-0 4-3 2-1 Dinâmica e natureza fazem do distrito de Leiria rei do BTT RICARDO GRAÇA/ARQUIVO Classificação Oriental União Leiria Sertanense CD Mafra Sportivo Loures Benfica C. Branco Pinhalnovense FC Ferreiras P 11 9 8 8 6 5 4 4 J 5 5 5 5 5 5 5 5 V 3 3 2 2 2 1 1 1 E 2 0 2 2 0 2 1 1 D 0 2 1 1 3 2 3 3 G 6-3 7-5 6-4 5-3 6-10 8-5 5-8 7-12 Próxima jornada 23 de Março Benfica C. Branco-União Leiria, CD Mafra-Sertanense, FC Ferreiras-Pinhalnovense, Loures-Oriental 2.ª Divisão – Série B Resultados Albufeira Futsal-Operário AM Portela-Amarense Fabril Barreiro-AMSAC Fonsecas e Calçada-Burinhosa Mendiga-Rabo Peixe Os Vinhais-UP Venda Nova Sportivo Loures-Quinta Lombos P Burinhosa 43 AM Portela 42 Quinta Lombos 40 Os Vinhais 40 Amarense 30 Fabril Barreiro 28 Operário 28 Sportivo Loures 25 AMSAC 22 UP Venda Nova 20 Albufeira Futsal 20 Rabo Peixe 19 Fonsecas e Calçada 12 Mendiga 11 Lombos E 1 2 2 1 1 0 2 1 D 0 0 0 1 1 2 1 2 G 7-5 8-3 11-9 7-8 6-9 7-8 9-10 5-8 Próxima jornada 22 de Março Benfica-Quinta Lombos, CR Golpilheira-FC Vermoim, Novasemente-ACRD Louriçal, Rest. Avintenses-ARJ Mogege Campeonato Nacional de Seniores Fase de manutenção – Série F Resultados AD Carregado-At. Riachense Lourinhanense-Caldas SC Portomosense-Alcanenense Torreense-CD Fátima 1-2 0-0 1-2 3-1 Olímpico David Rosa compete nos Marrazes a 30 deste mês Classificação Caldas SC Torreense CD Fátima Alcanenense Lourinhanense AD Carregado At. Riachense Portomosense P 25 23 21 21 20 15 10 7 J 5 5 5 5 5 5 5 5 V 4 4 2 2 2 2 2 0 E 1 0 1 0 1 0 0 1 D 0 1 2 3 2 3 3 4 G 6-2 9-4 5-4 5-6 3-4 3-4 6-9 1-5 Próxima jornada 23 de Março AD Carregado-CD Fátima, Alcanenense-Lourinhanense, At. Riachense-Portomosense, Caldas SC-Torreense Divisão de Honra – AF Leiria Resultados Beneditense-AR Meirinhas Figueiró Vinhos-Sporting Pombal Ginásio Alcobaça-GD Peniche GRAP-Pataiense Guiense-Alqueidão Serra Leiria e Marrazes-Vieirense AC Marinhense-Moita Boi Nazarenos-GD Pelariga 3-1 0-1 3-1 2-0 4-0 3-2 2-1 1-0 Classificação Sporting Pombal GD Peniche Pataiense Ginásio Alcobaça Guiense Alqueidão Serra GD Pelariga Vieirense Moita Boi Leiria e Marrazes Beneditense GRAP Nazarenos AR Meirinhas AC Marinhense Figueiró Vinhos P 48 46 43 41 39 31 30 27 26 23 23 21 18 17 17 13 J 21 21 21 21 21 21 20 21 21 21 20 21 21 21 21 21 V 15 14 12 11 12 8 8 7 8 6 5 6 4 4 5 4 E 3 4 7 8 3 7 6 6 2 5 8 3 6 5 2 1 D 3 3 2 2 6 6 6 8 11 10 7 12 11 12 14 16 G 43-14 43-19 34-19 39-28 47-27 27-31 32-27 21-21 37-43 30-41 21-23 24-35 23-38 19-37 19-37 19-38 Próxima jornada 23 de Março Alqueidão Serra-Leiria e Marrazes, Figueiró VinhosBeneditense, GD Peniche-AR Meirinhas, Moita Boi-Ginásio Alcobaça, Pataiense-Guiense, GD Pelariga-AC Marinhense, Sporting Pombal-GRAP, Vieirense-Nazarenos 1.ª Divisão feminina Apuramento de campeão Resultados Atlético Ouriense-Futebol Benfica Clube Albergaria-A-dos-Francos 1-1 2-2 Classificação A-dos-Francos Futebol Benfica Atlético Ouriense Clube Albergaria P 25 23 21 20 J 1 1 1 1 V 0 0 0 0 E 1 1 1 1 D 0 0 0 0 G 2-2 1-1 1-1 2-2 Próxima jornada 23 de Março A-dos-Francos-Atlético Ouriense, Futebol BenficaClube Albergaria Miguel Sampaio [email protected] O número T É muita animação para os estradões e caminhos de cabras da região, mas não é mais do que a consolidação de um fenómeno que tem trazido – e vai continuar a trazer – os melhores atletas nacionais ao distrito. Mais de 1.200 ciclistas percorrem, este domingo, os trilhos do Parque Nacional das Serras de Aire e Candeeiros na Maratona do Centro. A prova, com partida e chegada na Batalha, é a primeira pontuável para a Taça de Portugal de Maratonas, em BTT. No fim-de-semana seguinte, nos dias 29 e 30 de Maio, o mata dos Marrazes, em Leiria, vai acolher o XCO Internacional de Marrazes, também ela etapa inaugural da Taça de Portugal, mas de cross country olímpico. Presente estará o representante luso em Londres'2012, David Rosa que, vindo de leão, no passado fim-de-semana obteve o quarto lugar numa prova pontuável para a o ranking mundial, em Valladolid. No entanto, há mais, muito mais... Nesta Primavera irão decorrer ainda duas provas, curiosamente no mesmo fim-de-semana, na região. A 31 de Maio e 1 de Junho, a Batalha recebe a terceira prova pontuável para a Taça de Portugal de trial bike e Porto de Mós a quarta etapa de downhill. Para trás ficou o Campeonato Nacional de ciclocrosse, modalidade de Inverno que, para muitos atletas, serve de preparação para a época de Verão e que decorreu em Janeiro na Benedita, concelho de Alcobaça. Isto já para não falar das dezenas provas que todos os fins-de-semana povoam os montes e vales que circundam as nossas cidades. Isto já para não falar do Centro de BTT Pia do Urso, na Batalha, o primeiro certificado a nível nacional e que dispõe de uma rede de trilhos cicláveis e devidamente sinalizados num total de 265 qui- 5 O distrito de Leiria recebe em 2014 cinco provas de BTT de âmbito nacional, nas mais variadas disciplinas. Uma já decorreu, em Janeiro, as outras estão marcadas para os próximos meses. lómetros, divididos em quatro níveis de dificuldade. “Condições perfeitas.” Para Alexandre Domingues, director responsável pelo BTT e ciclocrosse da Federação Portuguesa de Ciclismo, esta aposta na região é, simplesmente, a confiança de provas com qualidade.”Temos bons organizadores que dão total garantia à federação que as provas de alta responsabilidade vão correr bem”, diz o dirigente que salienta ainda as “óptimas condições de terreno” e a “centralidade” , “com boa acessibilidades” da região que, dessa forma “coloca todos os atletas em pé de igualdade e a custos mais baixos”. Boom de atletas No ano passado havia mais de 10 mil atletas inscritos na Federação Portuguesa de Ciclismo. Este ano, o ritmo aponta para um crescimento de 70%. Este “salto gigantesco”, diz Alexandre Domingues, explica-se pela criação de uma nova figura, de bttista e cicloturista, com “preocupação com a segurança e seguros mais vantajosos”. “Uma espécie de filiação mais light”, concluiu o director, numa modalidade em que o “contacto com a natureza” e o “convívio” explicam o sucesso. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 33 Desporto Marco Fortes foi segundo no lançamento do peso O atleta do Benfica foi o melhor português na Taça da Europa de Lançamentos, ao ser 2.º no lançamento do peso, com 21,01 metros, a um escasso centímetro do recorde nacional. Entre os atletas de Leiria, Irina Rodrigues foi 6.ª no disco, com a melhor marca da época, 57,79 metros. Vânia Silva foi 21.ª no martelo, com 63,24. . Juventude Vidigalense organizou Taça da Europa de Lançamentos no fim-de-semana Organização mais do que aprovada: está na hora de acolher um Europeu FOTOS: LUÍS MENDES Futebol Caldas SC solidariza-se com GD Monte Real O Caldas Sport Clube disponibilizou a sua equipa de futebol sénior para realizar um jogo de futebol com o intuito de angariar verbas para o reerguer do Grupo Desportivo de Monte Real, clube que viu todo o seu espólio debaixo de água aquando das recentes cheias no rio Lis. O clube do Oeste vai ainda fazer um peditório no jogo com o Torreense, no domingo, com a verba angariada a ser entregue ao emblema do concelho de Leiria. BTT Pia do Urso comemora segundo aniversário Tendo em vista a comemoração do segundo aniversário do Centro de BTT da Batalha-Pia do Urso, a Câmara Municipal da Batalha leva a efeito no dia 30 de Março, domingo pelas 10 horas, um passeio de BTT, aberto às famílias, com duas distâncias à disposição: 12 ou 24 quilómetros. Inscrições gratuitas até à próxima quinta-feira em [email protected]. Paisagens fantásticas, boa disposição e animação garantida para todos. Andebol Cinco jogadoras do distrito chamadas à selecção Bronze em Londres'2012, Linda Stahl venceu o dardo, com 61,20 metros. Campeão mundial em 2013, Pawel Fajdek ganhou o martelo, com 78,75 metros. Juliana Pereira, da Juventude Vidigalense, fez mínimos para o Mundial júnior. Miguel Sampaio [email protected] T Foram dois intensos dias de provas, com alguns dos mais fortes homens e mulheres do Mundo. No passado fim-de-semana, Leiria foi o centro europeu do sector dos lançamentos, num evento organizado pela Juventude Vidigalense (JV) e que levou à região centenas e centenas de pessoas. A Associação Europeia de Atletismo ficou encantada com as condições e o balanço é claramente positivo, garante Daniel Pereira, presidente do clube, que quer levar o emblema que dirige a mares nunca dantes navegados a nível organizativo. E o próximo patamar pode muito bem ser um Campeonato da Europa... Ao longo dos últimos anos, primeiro a autarquia e depois a JV têm aproveitado as condições do Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa e do Centro Nacional de Lançamentos para a realização de eventos internacionais. De forma ininterrupta, Leiria acolhe eventos internacionais desde 2005. A Taça da Europa de Lança- Os números 32 recordes pessoais batidos durante os dois dias e 16 provas da Taça da Europa de Lançamentos 47,90 metros foi a marca alcançada pela atleta da Juventude Vidigalense, Juliana Pereira, no lançamento do disco, que lhe dá o passaporte para o Campeonato do Mundo de juniores. mentos do passado fim-de-semana foi a mais importante até hoje organizada pelo emblema fundado por Paulo Reis e os amigos Carlos Santos e Sérgio Ferreirinho há quase três décadas, mas o patamar é para subir nos próximos tempos. Daniel Pereira não consegue esconder o orgulho pelo resultado deste trabalho de seis meses. “Confesso que tinha algumas dúvidas devido à nossa falta de experiência neste tipo de evento, que tem algumas particularidades. O facto de ser disputado em dois locais – estádio e CNL -, em dois dias e por quase três centenas de atletas de 35 países, com todas as nuances ao nível de transporte, alimentação e alojamento inerentes, poderia criar-nos problemas, mas a verdade é que correu tudo bem, os resultados foram bons, e a Associação Europeia de Atletismo e as comitivas ficaram satisfeitas.” De tal forma que cada vez será mais comum ter “campeões olímpicos e do Mundo a estagiar em Leiria”, aproveitando as condições melhoradas do Centro Nacional de Lançamentos. Para o presidente, “o clube ficou reforçado do ponto de vista institucional”, o que só foi possível “pela grande ajuda dos 130 voluntários”, mas também da “Câmara Municipal”. Contudo... “O ambiente estava muito agradável, com muita gente a ver as provas, mas claro que nunca ficamos satisfeitos. A mudança de paradigma demora tempo”, desabafa. Certo é que já houve algumas conversas exploratória com a Associação Europeia de Atletismo para trazer uma prova de ainda maior calibre para a cidade que, claro, “só tem a ganhar”. O que se pode seguir? Como o segredo é a alma do negócio, Daniel Pereira prefere não desvendar totalmente o que aí vem, até porque para já está focado no Meeting Internacional de Leiria, que a JV organiza em Junho e que está a ter uma procura intensa por parte de atletas internacionais. Mas o Campeonato da Europa de Equipas – que Leiria até já recebeu em 2009 – ou o Campeonato Europeu de sub-23, no próximo par de anos estão, definitivamente, nos horizontes do dirigente. As pivot Telma Amado, das islandesas do IBV Vestmannaeyjar, e Mariama Sanó, do Colégio João de Barros, as laterais Maria Pereira, do mesmo clube, e a júnior Ana Gante, da Juventude do Lis, e a ponta Ana Marques, actualmente no Alavarium, foram convocadas por João Florêncio para o duplo duelo de Portugal com a Polónia em andebol sénior feminino, de apuramento para o Mundial. Os jogos estão marcados para dia 26, na Maia, e 31, em Zielona Góra. Basquetebol Carlos Ferreirinho conquista Taça pelo Benfica O atleta do Benfica Carlos Ferreirinho conquistou este domingo a Taça de Portugal de basquetebol. O extremo, de 22 anos, que começou no CBL e passou pela IEJOTA, jogou 10 minutos na final da competição. Os encarnados ganharam o troféu pela 19.ª vez, graças a um triunfo folgado sobre o Galitos do Barreiro (74-52), na final disputada em Fafe. 34 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Viver RICARDO GRAÇA Poesia desenhada em pedra alvinegra Calçada portuguesa Quem, em criança, nunca saltou de forma geométrica em forma geométrica desenhada a negro na alva calçada portuguesa? Quem nunca viu um turista a fotografar, arrebatado, em deslumbre visual, as figuras a preto e branco que vivem debaixo dos nossos pés? É uma manifestação de arte que quase passa despercebida no dia-a-dia Jacinto Silva Duro [email protected] T Em padrões de um negro vulcânico e de branco, ora polido, do vidraço, ora calcário, mais macio, a calçada portuguesa é mais do que uma singularidade das muitas cidades e vilas de Portugal ou de países onde a cultura portuguesa marca a sua presença. É uma afirmação de identidade e herança cultural. Pedra a pedra, o calceteiro, mestre nesta arte complexa, dura e mal paga, cria padrões e desenhos, num rendilhado quase poético. Com martelo e molde, ajusta os cubos de pedra ao padrão. É com a ajuda desta forma de expressão artística feita com pedra extraída das pedreiras das Serras de Aire e Candeeiros que Lisboa vai sendo cada vez mais conhecida no estrangeiro e coleccionando galardões em concursos de beleza, onde deixa as restantes capitais europeias a morder os lábios de inveja. Estranharíamos as nossas ruas e praças se não fosse a nossa calçada. Portugal não seria Portugal. Parecer-nos-ia alienígena, estrangeiro. É uma arte omnipresente e ubíqua em todas as vilas e cidades nacionais. A norte, em Guimarães, Aveiro, Porto, a calçada portuguesa mostra-se em várias ruas históricas. No centro, está presente em Caldas da Rainha, Leiria, Nazaré, Coimbra, Castelo Branco, Santarém... nas ilhas e a Sul, do Alentejo ao Algarve, de Sines a Lagos, Portimão, Faro e Tavira. No estrangeiro, Angola, Brasil, Cabo Verde, Macau e Moçambique contam também com a sua dose de calçada portuguesa, brilhante com o sol, cintilante com a chuva. Recentemente, na comunicação social apareceram notícias sobre a intenção da Câmara Municipal de Lisboa de retirar a calçada portuguesa de alguns locais da capital. A autarquia justificava a medida com o perigo que, em alguns locais, a calçada representa para os transeuntes. Houve mesmo petições para impedir que o tradicional revestimento do pavimento fosse arrancado. Origem no século XIX A actual calçada portuguesa surgiu como arte decorativa em Lisboa, em meados do século XIX, corria o ano de 1842. Terá sido idealizada por Eusébio Furtado, governador de Armas do Castelo de São Jorge, que concebeu um pavimento de pequenas pedras pretas e brancas, em ziguezague, para a fortaleza e arredores. Depois disso, a Praça do Rossio foi um dos primeiros locais a receber o pavimento. A execução do trabalho coube aos presos do Estabelecimento Prisional de Lisboa. Ou seja, sempre que caminhar na secção central do Rossio, em Lisboa, estará a pisar uma porta para o passado. Essa calçada chama-se Mar Largo e os desenhos Gato de olhos rosa - Largo do Gato Preto, Leiria Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 35 Cópia dos chineses A China é um dos países que demonstraram interesse na utilização da calçada portuguesa, tendo mesmo, em meados da década passada, comprado vários contentores de pedra branca e negra das Serras de Aire e Candeeiros para aplicar nas suas cidades homenageiam os Descobrimentos Portugueses. Dessa altura Baixa pombalina, Praça de Camões e Avenida da Liberdade exibem os intrincados desenhos monocromáticos. Mas as raízes da calçada podem ser ainda mais antigas. Quem já visitou sítios arqueológicos com ruínas romanas, como Conimbriga, reconhece com facilidade, no chão ricamente decorado das villas e edifícios públicos, algumas técnicas e até o mesmo tipo de desenhos. Nos seus escritos, o escritor Almeida Garrett falava do empedrado alvinegro, tal como o poeta Cesário Verde. Ambos gabavam a beleza e os motivos decorativos. “De cócoras, em linha (…), Com lentidão, terrosos e grosseiros, Calçam de lado a lado a longa rua", escreveu Cesário, em Cristalizações, onde o poeta descreve um quotidiano urbano, por onde o sujeito poético deambula, encontrando-se com as típicas manifestações de vida da capital portuguesa. “O famoso Calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, foi todo colocado por calceteiros portugueses. Em 1950, porque as ondas do mar nele representado estavam ao contrário, foi arrancado e foram, novamente, portugueses a colocá-lo”, conta Celso Gonçalves, responsável pela Roc2c, empresa de Turquel, Alcobaça, especializada na colocação de calçada que colocou o empedrado na Avenida D. José Alves Correia da Silva, em Fátima. O empresário de 35 anos é igualmente um apaixonado por esta arte decorativa, fotografando praticamente todos exemplares que encontra. “O problema da calçada é que, nas obras públicas, quando os trabalhos terminam e só falta colocar o pavimento, sub-contrata-se mão-de-obra que não é especializada e o trabalho fica mal feito. Uma calçada portuguesa bem feita dura vidas. Lisboa foi considerada como uma das mais belas capitais europeias devido ao trabalho dos calceteiros”, refere. Até há poucos anos, quem visitasse Alqueidão da Serra, no concelho de Porto de Mós, encontraria, aqui e ali, pequenas pedreiras onde, pacientemente, homens de peles curtidas pelo sol e pelo ar da serra partiam em pequenos blocos a pedra cor de leite. Mãos ágeis rodopiavam pedaços de rocha até sentirem um veio natural, uma linha de fissura, e um martelo abatia-se, talhando na perfeição um paralelepípedo. Hoje, as pequenas explorações quase desapareceram. Restam os buracos na rocha, desabitados. A crise na construção e o travão a fundo na despesa pública ajudaram ao estado moribundo das pedreiras. Chegou a haver interesse de locais remotos, como a China que comprou contentores de pedra para aplicar não apenas em Macau, mas também na parte continental do Império do Meio, mas a ausência de uma união entre produtores – chegou-se a falar de uma cooperativa, que nunca chegou a avançar -, aliada a uma deficiente divulgação em feiras internacionais, que teria permitido a conquista de novos mercados, impediu que a calçada portuguesa conquistasse esse e outros importantes mercados. As Serras de Aire e Candeeiros são também o único sítio em Portugal onde a pedra negra da calçada é produzida. “Em 2000, chegou a haver 300 produtores. Hoje, haverá cerca de 50”, contabiliza o gerente da Roc2c. Tradicionalmente, o “habitat” natural do calcário da serra estende-se da Mendiga à “Terra das Ervanárias” [Alcanede] e do Casal Val Ventos à Portela do Pereiro. Pretos, cinzentos-claros, cinzentos-escuros, cor-derosa e brancos, os calcários desenham várias formas e rendilhados quasi-poéticos, evocativos de uma portugalidade e saudade de grandiosidade que há muito existem no modo de ser lusitano. No início, a pedra negra era o basalto. Depois, por ser de talhe difícil, foi substituída, não apenas pelo calcário das Serras de Aire e Candeeiros, mas também pelo rosa do Algarve ou pelo avermelhado da Serra de Sintra. Mas não é só a pedra da calçada portuguesa que tem diferentes origens geográficas. O mesmo acontece com as mãos que a talham e assentam. No meio, diz-se que os calceteiros do Norte são os que melhor sabem assentar a calçada à fiada ou quando o material Escola de Calceteiros Martelo, carro-de-mão e mãos desenrascadas Como tudo neste mundo, a utilização e o passar do tempo deterioram a conservação do piso. Ainda que simples de fazer, por comparação a outros tipos de pavimento, a manutenção é obrigatória e deve ser feita por mestres calceteiros, sob pena de o trabalho final ficar perigoso e mal feito. Para resolver a falta de profissionais desta arte, a Câmara Municipal de Lisboa criou há cerca de 15 anos uma Escola de Calceteiros que também dá formação a artistas oriundos de vários pontos do País. “Deve ser o único tipo de calçada que, para reparar precisa apenas de um martelo, um carro-de-mão e umas mãos desenrascadas”, afirma Celso Gonçalves, responsável pela Roc2c, empresa de Turquel, Alcobaça. é o granito. No entanto, quando se trata de calcário ou vidraço, os melhores são os da zona Centro. Enquanto houver pedra alvinegra nas Serras de Aire e Candeeiros e enquanto a inspiração não abandonar as mãos dos poetas calceteiros, a calçada portuguesa continuará a fazer parte da identidade da alma lusa e a encantar não somente quem nos visita, mas também cada um de nós, porque esta arte é tão indissociável da portugalidade como os galos de Barcelos, as Cruzes de Cristo das caravelas que deram novos mundos ao Mundo, o pastel-de-nata, o fado ou as filigranas. Um dia destes, volte a ser criança. Olhe para o chão que pisa e pule de padrão negro em padrão negro. Os calceteiros agradecem o reconhecimento. PUBLICIDADE 36 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Viver Micro-concertos por uma causa ambiental Há música nas casas de banho do LeiriaShopping MARIA ANABELA SILVA Maria Anabela Silva [email protected] T Filha de músico e, por isso, familiarizada com os mais variados instrumentos musicais, a pequena Sophia Faria acabou, no entanto, surpreendia com o micro-concerto que Paulo Lameiro e Yumiko Ishisuka, músicos da SAMP (Sociedade Artística e Musical dos Pousos), deram, na sexta-feira à tarde, à entrada de uma das casas de banho do LeiriaShopping. A iniciativa serviu de 'aperitivo' para o que aconteceu nas tardes de sábado e de domingo, quando oito músicos da SAMP surpreenderam os utentes do centro comercial com performance artísticas num palco aparentemente improvável: os sanitários do LeiriaShopping. A acção, que irá repetir-se nos dias 29 e 30 de Março, insere-se no projecto de sensibilização ambiental O cano é que paga, promovido pela Simlis e que pretende alertar para as consequências da colocação de resíduos nos esgotos. "As casas de banho estão cheias de sons, haja mais ou menos pudor em falar dos sons que cada um de nós emite ou ouve lá dentro. Há água e ar a correr em várias circunstâncias”, disse o director pedagógico da SAMP, durante a apresentação dos micro-concertos. Paulo Lameiro explicou que os artistas envolvidos no projecto foram “estimulados a explorar” os sons provenientes das casas de banho, integrando-os na música que tocam e “interagindo” com os utilizadores do espaço, que podem ser convidados a fazer duetos com os artistas da SAMP “Cada músico improvisará com base nos sons que forem produzidos pelas pessoas que estão ao pé de si”, acrescentou Paulo Lameiro, reconhecendo que o projecto envolve “alguns riscos”, porque pode ser visto por algumas pessoas como “invasão de privacidade”. O representante da SAMP assegura, no entanto, que esses “riscos” serão contornados com o “respeito pela privacidade de quem quer mais intimidade”. Quem não se sentiu minimamente perturbada com a música foi a pequena Sophia, que olhava, de forma embevecida, para a actuação do 'duo' formado por Yumiko Ishisuka e Paulo Lameiro. “É uma iniciativa muito boa. Tudo o que fazemos deve envolver música. Por que não quando usamos a casa de banho?”, questionava Wilza Faria, tia da criança. O ciclo de micro-concertos integra a campanha de sensibilização que a Simlis, empresa de recolha e tratamento de águas residuais, está a desenvolver para alertar a comunidade para as consequências de colocar resíduos, como pensos higiénico, tampões, esfregões ou cotonetes, para os esgotos. “Para mudar MARIA ANABELA SILVA Micro-concertos vão repetir-se nos próximos dias 29 e 30 Projecto da Simlis tem como parceiros o Leiria-Shopping e a SAMP comportamentos é preciso que a população conheça os impactos dessas práticas”, nota Filipa Alves, administradora-delegada da Simlis, que justifica a escolha das artes como aliada para este projecto pelo facto de “a música ser um factor chave e uma arma poderosa na melhoria do alcance que essa mensagem pode ter”. Os próximos micro-concertos no LeiriaShopping terão lugar no dia 29, sábado, das 16:30 às 18 horas, e no dia 30, domingo, das 13:30 às 15 horas. Entretanto, no âmbito da estratégia da Simlis de se socorrer das artes para as suas acções de educação ambiental, a empresa desafiou alunos e professores da Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha a desenvolverem exemplos de protótipos da “casa de banho do futuro”. Comemorado no sábado Simlis assinala Dia Mundial da Água O Dia Mundial da Água, que se comemora no sábado, será assinalado pela Simlis com a entrega dos prémios referentes ao concurso O videoclip + fixe, destinado a alunos dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico dos concelhos de Batalha, Leiria, Marinha Grande, Ourém, Pombal e Porto de Mós. Os estudantes foram desafiados a criar um videoclip que ilustrasse a mensagem do projecto de sensibilização ambiental O cano é que paga, que alerta para a colocação de determinados resíduos no sistema de esgotos. Os trabalhos serão exibidos, no sábado, no cinema do LeiriaShopping, pelas 10 horas. Também no âmbito do Dia Mundial da Água, a Simlis vai realizar visitas guiadas a infra-estruturas de tratamento de águas residuais e acções de educação ambiental. 0.P.A. Ouve-se Por Aí 12 pontos vão para… Rúben Gomes Twitter: rubencgomes T No passado sábado (15) assistimos à final do Festival da Canção 2014! Juro que pensava que já tinham desistido de tal coisa! Depois de termos desistido da Eurovisão em 2013 por razões financeiras, embora eu ache que tenha sido por vergonha uma vez que continuamos pobres, insistimos em regressar! Somos um género de Marítimo na Liga Europa, gostamos de lá ir, mas fazemos sempre má figura. Portugal é, de facto, um país que gosta de ver um bom acidente e como se não fosse triste o suficiente a existência deste festival em Portugal ainda acharam por bem fazer um especial para comemorar os seus cinquenta anos! Aqui para nós, a comemorar não seriam as bodas de ouro mas sim as de lata! Confesso que comecei a assistir por engano. Nem estava a ligar ao que passava na televisão até que comecei a ouvir a voz do Son Goku [era Henrique Feist na abertura do festival]. Como é que um jovem vai de Son Goku a anfitrião de Festival da Canção em Portugal? Coitado! Pelo sim, pelo não, deixei de procurar o avião da Malaysia Airlines dentro da mala da minha mãe, sim se está desaparecido há tanto tempo e como se encontra lá de tudo, o mais certo é que esteja perdido no interior de uma mala de senhora, e coloquei-me a assistir para ver se aparecia a Bulma. A final contou com cinco canções e os intérpretes antes de entrarem em palco apresentaram-se ao público dizendo o seu nome, a idade, de onde vinham, o que gostavam e não gostavam de fazer e essas coisas que não interessam a ninguém! A não ser que ao invés de irem para cantar fossem para encontrar alguém para acasalar. E criativos? É impressionante, sempre que existe um concurso musical todos utilizam a frase “Sonho em ser cantor/a”. E eu a pensar que iam com a esperança de saírem de lá bate-chapas... No final ganhou a senhora de nome Susana Guerra, mas como é conhecida desde pequenina por “Suzy”, assim ficou! Os portugueses que se acostumem a tratarem-na como se a conhecessem desde o tempo da Cerelac! Sinceramente já desconfiava que seria ela a vencedora, tendo em conta que é um festival com 50 anos, transmitido pela RTP para pessoal sénior e com um “padrinho” pimba. Vencer a senhora com a saia mais curta e com sinal no queixo como os rostos da estação pública de televisão, Catarina Furtado e Sílvia Alberto, parecia-me lógico. Nem tudo é mau, não posso embirrar com tudo. Com música pimba mas interpretada por uma artista com nome estrangeiro pode ser que os enganemos e pensem que somos de um país que costuma ficar acima da linha de despromoção. Acreditem ou não, não tenho rigorosamente nada contra a música pimba, desde que o botão mute esteja acessível. A canção vencedora desta edição foi escrita e composta pelo cantor de música popular, Emanuel, e é ai é que eu volto a ligar o embirrómetro. Um senhor que ganha a Canção do Ano 2012 em Portugal com um tema onde 20% da letra é na língua de Camões e o resto é uma salada “Love me baby nanananana / Es una bomba / Inspiras mi vida / Di amore y paisón ... Y hace bumbum / En mi corazón”, agora que é uma canção para tentar não ficar em último num festival europeu, escreve tudo em português? Sem querer ser chato, a única coisa que na Europa sabem dizer em português é: “Quando pagam o que nos devem?”. Ao menos escrevia no idioma do Jorge Jesus, ele costuma dar-se bem na Europa e até já ficou em segundo. No final a interprete emocionada fez os habituais agradecimentos, entre os quais à Figueira da Foz e às Caldas. Só faltou agradecer o autocarro disponibilizado pelo Presidente da Junta de Freguesia como fazem no Preço Certo. Argumentista/Humorista PUBLICIDADE Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 37 38 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Curtas Centenário Leiria que nos viu nascer marca aniversário da Caixa de Leiria Figueiró dos Vinhos Biblioteca recolhe documentos da Guerra Leiria Mais de 100 mil euros atribuídos a 53 entidades culturais A Caixa de Crédito de Leiria está a preparar um programa de celebração do seu centenário que inclui, entre outras iniciativas a inauguração de uma exposição fotográfica dedicada à cidade-sede da instituição financeira que se tornou, com o tempo num dos seu principais mecenas. A mostra intitula-se Leiria que nos viu nascer, e será acompanhada pelo lançamento do um livro homónimo. Os trabalhos patentes são de autoria de Raul de Sousa e de José Fabião e integraram o circuito (Re)Conhecer Leiria. O evento terá lugar no dia 27 de Março, pelas 18:30 horas, na sede da Caixa de Crédito de Leiria, no Largo Cândido dos Reis – Terreiro -, em Leiria. A exposição ficará patente até dia 30 de Junho, de segunda a sexta-feira. Figueiró dos Vinhos e a I Guerra Mundial é uma iniciativa da Biblioteca Municipal da vila que tem como objectivo, através da recolha de documentos, objectos e memórias, mostrar o impacto que o conflito teve a nível local. Mais do que celebrar o centenário da Grande Guerra, a iniciativa pretende recordar os combatentes, estudar e compreender a importância que o conflito teve em Portugal e, sobretudo, as marcas que deixou a nível local. Para isso, a instituição está a apelar a todas as pessoas dêem testemunhos ou cedam fotografias, diários, condecorações ou correspondência da época. Os documentos serão digitalizados pelos serviços técnicos da biblioteca, e logo devolvidos aos proprietários. Informação nos contactos: 236 559 230 ou [email protected]. A autarquia de Leiria deliberou, na terça-feira, atribuir apoios no total de 100.250 euros a 53 entidades associativas de carácter cultural, na sequência de candidaturas ao Regulamento PRO Leiria, para a atribuição de auxílios financeiros no ano de 2014. Os apoios são dirigidos a associações que organizaram eventos culturais, ranchos folclóricos, filarmónicas, grupos de música tradicional e grupos corais do concelho de Leiria. Segundo um comunicado da Câmara, embora o valor se mantenha em relação ao ano passado, a autarquia pretende promover eventos culturais cuja relevância e interesse fomentam o enriquecimento da oferta cultural. Iniciativas que, por outro lado, incentivam a criatividade, a inovação e a mobilização das associações e da população em geral. DR Arquitecta de Leiria representa Kuwait em Veneza A arquitecta natural de Leiria, Sara Saragoça Soares, vai marcar presença na Bienal de Veneza, que se realiza entre 7 de Junho e 3 de Novembro. Representará o país onde agora reside, o Kuwait, a partir do tema Acquiring Modernity. O nome foi anunciado durante a conferência de imprensa de apresentação do evento pelo curador da exposição Fundamentals, Rem Koolhaas, no início desta semana. A arquitecta, sentada, na foto, nasceu em 1975 e é licenciada em Arquitectura pela ARCA Escola Universitária das Artes de Coimbra. Frequentou um mestrado em Reabilitação Urbana e Arquitectura da Faculdade de Arquitectura de Lisboa onde investigou o tema da preservação da cidade árabe pós-colonial entre 1950 e 1970, em especial Kuwait City. Em 2010, colaborou com a MultitudeAgency, no Kuwait, e Museu dos Emir, numa consultoria para a Casa Civil do Emir do Estado do Kuwait. Coimbra Carlos Barão expõe no Edifício Chiado O pintor de Leiria Carlos Barão é o senhor que se segue no Museu Municipal de Coimbra - Edifício Chiado, com uma exposição de pintura até 11 de Maio numa mostra retrospectiva. Artista plástico muito conhecido e reconhecido, ao longo da sua carreira tem participado em inúmeras mostras individuais e colectivas. Conta ainda com obras em museus e colecções como o da Banque Privée, Suíça, do Município de Keflavik, Islândia, do Museu de Arte Contemporânea Keflavik, Islândia, da Presidência da República da Islândia e do Burj Khalifa Building, Dubai. Portuguese Small Press Yearbook em digital nas Caldas Hoje, quinta-feira, dia 20, às 18 horas, o Museu José Malhoa, em Caldas da Rainha, acolhe a apresentação da www.tipo.pt, uma base de dados sobre livros de artista e edição de autor, produzidos em Portugal ou por artistas de nacionalidade portuguesa. A Tipo.pt, projecto da responsabilidade de Catarina Figueiredo Cardoso e Isabel Baraona, edita o Portuguese Small Press Yearbook, anuário impresso em papel, com texto críticos e páginas criadas por artistas, O anuário e o website são trilíngues, com edição em Português, Inglês e Francês. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 39 Almanaque RICARDO GRAÇA Queriam o quê? Mesa de Cabeceira Carlos Martins Sandra José, dramaturga e actriz “Gostava de ser mais solidária comigo mesma” Se não estivesse ligada ao mundo da arte, o que seria? Tudo, menos eu… O projecto que mais gosto lhe deu fazer É sempre o último, mas tenho estado envolvida em Teatro para Bebés e, de facto, foi o último. Dá-me muito gozo ver o sorriso dos bebés a envolverem-se no espectáculo. O espectáculo, concerto ou exposição que mais lhe ficou na memória Um concerto dos Trovante, ainda na minha terra natal, Chaves. Tinha uns 15 anos e foi a primeira vez que saí à noite (bem vigiada, claro!) O livro da sua vida Aparição, de Vergílio Ferreira. A seguir a esse, qualquer um deste autor me encaixa perfeitamente. Um filme inesquecível A Lista de Schindler, de Steven Spielberg. Chorei baba e ranho e choro só de pensar. Se tivesse de escolher uma banda sonora para si, qual seria? Rodrigo Leão, sem pestanejar. Escrevo sempre a ouvir música e o texto que estará em cena no mês de Abril, no Teatro Rápido, Check Mater, tem precisamente a banda sonora do Alma Mater, de Rodrigo Leão, como útero. Um artista que gostaria de ter visto no Teatro José Lúcio da Silva Não cheguei a ver Rodrigo Leão, por isso não me importava que voltasse. Uma viagem inevitável Qualquer viagem para mim vale a pena. É inevitável que seja assim, mas gosto de ir para sítios onde me entendam, por isso não tenho muita escolha. Um vício que gostava de não ter Tenho aquela pancada das limpezas e da organização e isso cansa-me. Gostava de ser mais solidária comigo mesma. Pode ser que, com a idade, acalme por falta de força. É sempre uma esperança… Uma personalidade que admira Simone de Oliveira é o meu exemplo de vida. Admiro-a da cabeça aos pés. E, hoje em dia, admiro todos os portugueses que lutam para ir vivendo. Um actor que gostasse de levar a jantar Se ainda estivesse vivo, Raul Solnado. Um restaurante da região O culto do arroz, na Praia de Paredes de Vitória. Um prato de eleição Feijoada de todos os tipos e feitios. Um refúgio (na região) Castelo de Leiria (foi muitas vezes o meu refúgio, ainda em tempos de estudante) Um sonho para Leiria Um sonho com vários sonhos: que aprenda a sonhar e saia das muralhas; que seja amiga de quem dá o nome por ela; que dê ouvidos à cultura que lhe nasceu no ventre e que seja justa quando “abrir a cortina”. DR Raul Solnado Simone de Oliveira DR A Lista de Schindler Uma Susy. Uma música "escrita" (!?) pelo Emanuel. Um país onde se constroem altares ao pindérico e ainda se manda dinheiro para cima deles. Queriam que isto fosse representado por um tema do Rodrigo Leão cantado pelo Noiserv? Num país onde existe um evento organizado por uma empresa gigantóide mega capitalista com um "artista" (eu sou cómico. Sou mesmo, pronto) mega nulidade num mega picnic à beira do rio que passa em Lisboa.. Junta-se o povo e surge a terrível mega constatação indignada: a Susy é portuguesa. Pois é. Não só é portuguesa como também é uma boa parte de Portugal. Aquilo é Portugal. Uma vez, para aí no dia 24 de Agosto de 2012 às 11h35, escrevi: "Goucha todó-poderoso, Nossa senhora da Fátima Lopes, Ó Júlia nas alturas, o país desistiu. De maneiras que Gouchas, Fátimas, Júlias: o país é vosso, roda o palco, bate a palminha ao som do meu vómito que se ouvirá ao longe, num país distante chamado cérebro." Agora já estou grande, quero lá saber de mediocridades, já nem me irritam nem desirritam. Espanta-me a indignação. As músicas dos outros anos eram boas? Se não é Suzy é Sabrina, se não é Sabrina é outra coisa qualquer acabada em nada. De maneiras que me espanta o espanto. Portugal é isto, deseducado, desinformado, desinteressado, desinspirado à mercê de instintos primários. Como o Nilton, por exemplo. Se a educação e a cultura fossem um tudo de nada mais competentes o Nilton ficava desempregado ou seria funcionário público em Boliqueime. Mas o Nilton é Portugal, era aquele gajo que comia num canto do recreio para não lhe pedirem um bocado, era invejoso, comichoso, usava perfume, era o gajo que merecia sempre levar no focinho mas safava-se sempre por ser o chibo, enfim, fica-se sempre aquém quando toca a falar do "comediante" (a sério que me sinto com um nível de comicidade muito acima da média). Enquanto o gajo que ama você e a miúda que quer ser tua forem Portugal, eu mantenho-me na minha ignorância totalmente arrogante que só faz intervalos para ler a Lady Mustache. Procurem no facebook, é giro mas agarrem-se. Estou cáustico, a culpa não é vossa mas também não é minha.. Um dia destes falamos melhor. Músico 40 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Entrevista Paulo José Costa, escritor “A poesia encerra imensos mistérios” RICARDO GRAÇA Jacinto Silva Duro [email protected] T “Partir não é deixar. Partir é não regressar ao coração de quem nos vê diluir-se no horizonte”, pode ler-se no seu livro O menino que acordava as estrelas (ilustrações de Nídia Nair Marques). É uma obra infanto-juvenil, mas, à semelhança do Principezinho, é também um livro com mensagens fortes para os adultos? Pode haver essa comparação, mas não houve a intenção. O meu universo estético e área onde me sinto mais à vontade é, de facto, a poesia e isso aconteceu por acaso. O livro surgiu de uma coisa fortuita... comecei a contar uma história ao meu filho para o adormecer e começou a tomar aquela forma. Fui escrevendo uma notas e, quando chegou o momento de passar para o papel, não conseguia escrever de outra maneira. Há ali um estilo poético ao qual não me consigo deixar de agarrar, com consequências positivas e negativas, pois pode não ser um livro fácil para um público mais novo entender... Obriga os pais a pensar... Esse é um objectivo mais deliberado. Poderia ter esquartejado o texto final e deixado ficar apenas frases mais simples e não tão directas, com menos segundos sentidos. Contudo, isso seria desvirtuar a minha visão estética. Quando apresentei o livro à editora, houve a ideia inicial de publicarmos algo que seria, simultaneamente, para crianças e pais. Uma página seria para os mais novos e outra, ao lado, seria para os adultos. Mas percebi que não faria sentido e não se avançou por aí. Sopro da voz, foi o seu livro antes deste, é uma colectânea de cerca 70 poemas, da colecção Poesia Novos Talentos, da Textiverso. Participou também na IV Antologia de Poetas Lusófonos, da editora Folheto Edições & Design. O psicólogo refugia-se na poesia para fugir ao quotidiano? A poesia é um território de evasão para me afastar dos “fantasmas” do dia-a-dia. São “fantasmas” cada vez maiores relacionados com a minha prática profissional, porque as problemáticas que surgem no campo da infância, adolescência e famílias são cada vez mais avultadas e de grande impacto emocional, para os pacientes e para o psicólogo. Se não tiver um escape, não me consigo situar de forma objectiva nas problemáticas. Há muitos psiquiatras e psicólogos que têm esta forma de escape. Mas a poesia também remete para as minhas experiências pessoais; a minha forma de estar e de me expressar. A poesia é um universo que encerra imensos mistérios. Tem uma componente de existencialismo e de “salvação”... é essa a principal função daquilo que escrevo. Acaba por ser introspecção e auto-avaliação sobre aspectos pessoais ou profissionais. Especializou-se em dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita dos jovens. Que conselho dá a quem não consegue ler com facilidade? Um dos princípios básicos da obtenção de mais competências em qualquer área, é o treino sistemático - trabalhar de forma estruturada e cumulativa -, em relação aos aspectos que possam estar deficitários. Na leitura e escrita, num processo de reabilitação, deve haver um treino sistemático. Não é possível ler, ou escrever bem, se isso não se fizer regularmente. Claro que existem métodos apropriados para treinar as crianças que têm dificuldades na consciência fonológica ou na ortografia. É preciso treinar o “músculo” do cérebro. Exacto. Para nadar bem, é preciso ir à piscina e praticar. Tenho lido alguns estudos muito recentes que referem que o nosso cérebro é o mesmo do Homo sapiens, em termos estruturais, anatómicos, emocionais e não houve uma evolução filogenética da estrutura que, à nascença, é a menos desenvolvida. Infelizmente, pecamos por achar que todos os seres humanos têm de, no mesmo momento do desenvolvimento, revelar as mesmas competências. No processo de leitura e escrita e noutros processos psico- O seu próximo projecto passa por associar, em Junho, fotografia e poesia, o que resultará numa exposição, patente no Mimo e na edição de um livro. “A fotografia será de uma pessoa de Leiria. Mas ainda é cedo para revelar mais detalhes. A minha intenção é fazer uma publicação com componente visual e estética, anualmente, e que poderá ser itinerante.” motores ou da atenção, há cada vez mais investigações sérias que reportam que o nosso cérebro apreende estímulos para os quais, filogeneticamente, não estávamos prédestinados para ter acesso tão precocemente. Daniel Bowman, no livro Foco, e o neuropsicólogo sueco Torkel Klingberg, que escreveu The overflowing brain, referem também o assunto... O cérebro transborda com informação e solicitações? Claramente... A leitura é um processo treinado. Não se pode dizer que há um boom de dislexia mas ela pode estar a ser mais favorecidos, porque a escola coloca, desde muito cedo, a criança perante exigências, no domínio do material de leitura que, provavelmente, do ponto de vista maturacional ainda não está preparada para entender. Pode-se dizer o mesmo da Matemática? Sim, também. O cérebro tem áreas específicas que fazem a descodificação fonológica , que também são usadas para a memória do trabalho. São funções neuropsicológicas mais do que identificadas e que estão a ser requeridas nesses processo. Se elas não estão devidamente maturadas, a criança é sujeita a um determinado desempenho que lhe é imposto por um currículo cada vez mais exigente. A sobre-estimulação pode redundar em erros e pode ser mais prejudicial que a sub-estimulação. Há quem defenda que a simplificação da escrita – aproveitando o Acordo Ortográfico (AO) – é o caminho para diminuir a percentagem de analfabetos. É o que afirma o linguista brasileiro Ernani Pimentel que conseguiu que fosse criado, no Senado Federal brasileiro, um grupo de trabalho destinado a propor a simplificação da escrita. Concorda com este caminho? É um processo de facilitismo gratuito. É óbvio que não podemos ficar estanques perante a evolução da língua, mas chegar a esse facilitismo porque é mais simplista e porque vai favorecer outros interesses, não é um bom princípio. Desconheço o trabalho de Ernani Pimental, mas as crianças e adultos que têm a vida mais facilitada, não progridem na aquisição de competências. Está con- firmado, através de investigação, que um cérebro bilingue é muito mais activo e disposto a aprender outras informações. Nessa lógica de simplificação, a aprendizagem da leitura com uma escrita simples poderá redundar num processo de sub-estimulação do cérebro. A propósito do AO devo dizer que discordo dele em absoluto. Na minha escrita literária, académica e documentos oficiais continuo a escrever sem AO e, até agora, ninguém se queixou. Conhecer a raiz por detrás de um vocábulo é extremamente enriquecedor. O AO propicia a perda do conhecimento e da história da língua. Perfil Psicologia e letras Paulo José Costa, 37 anos, natural de Leiria, é doutorando em Psicologia – Área de Especialização em Avaliação Psicológica na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra com o projecto de tese: Avaliação Neuropsicológica da Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção: Diferenças no domínio das Funções Executivas, Atenção, Memória e Linguagem em Crianças e Adolescentes. Licenciou-se em Psicologia Educacional pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada e Pós-Graduado em Psicologia Clínica e da Saúde e é docente do ensino superior. É também assistente de Psicologia do Serviço de Pediatria, no Hospital Santo André. Autor, co-autor e organizador de diversas publicações no domínio da psicologia, destaca-se a co-autoria, com Susana Heleno e Carla Pinhal, do livro Juntos no desafio – Guia para a promoção de competências parentais. A sua obra poética e infanto-juvenil está publicada pelas editoras Textiverso e Folheto Edições & Design. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 41 Olhar Estações Arquitectura como finalidade Primavera DR Pedro Cordeiro [email protected] T A Primavera pede um clima bem temperado, de azuis e verdes limpos, desejada por meses cinzentos, na companhia revigorada das árvores e das folhas viçosas, depois da provação da chuva e do frio do inverno. Porém, o brilho da sua chegada é cada vez menos evidente, perante esta tosca “modernidade”, empenhada no desaparecimento das árvores desta cidade. Pois é! É caso para repetir “o saneamento contínua”, não bastava terem “limpo” a José Jardim e outras tantas ruas de Leiria, como era também necessário depenar os canteiros das escadas do eixo “Korrodi”. [Não obstante o reconhecimento qualitativo daquele acesso pedonal na cidade, no que diz respeito à eficácia da estrutura urbana, como no cuidado detalhado do seu desenho.] Aquela escadaria é, além de um digno corredor de acesso entre a alta sul da cidade (na rua José Jardim) e o centro do Largo de Sant'Ana, um momento de serenidade civilizacional, onde é normal tirar partido de uma sequência de árvores que, anualmente, teimam em brotar a Primavera. Isto, claro, para quem não tem por perto um pedaço de terra eleito por narcisos, aquelas flores amarelas, que, como por um ego inaugural, serão sempre as primeiras. A versatilidade do conceito de Primavera difunde-o globalmente e está bem presente nos momentos simbólicos de libertação dos povos, implícito nos cravos de Abril (1974) os quais serviram de inspiração para a Revolução das Rosas (Geórgia 2003), subjacente na Revolução de Jasmim (Tunísia 2010) enquanto um primeiro passo no despontar da Primavera Árabe (Egipto 2011; Líbia 2011; Síria 2011 + 3 anos de guerra…). Uma inspiração radiosa, também sugerida nas actuais sombras que pairam sobre a Venezuela ou no sobranceiro drama ucraniano. Mas, em tempos de paz, os homens distintos apreciam a Primavera, de Verdi, porventura outras sensibilidades preferem Ravel, e a sua caminhada ascendente para a floração de um Bolero. Pelo deleite musical, sugeria a interpretação do Bolero, por Frank Zappa (Barcelona 1988), alguém de que é sempre bom encontrar uma oportunidade para lembrar. Contudo, para os bichinhos, a Primavera é o tempo do amor obsessivo. Animal. Nesta matéria, para nós, poderá ser sempre Primavera… Como não temos a evidência de um despertar sazonal, o nosso sistema fisiológico parece orientado pela cultura, pelo Homem (e pelo corpo), indicando, por exemplo, o ginásio, como o lugar mais adequado aos preparativos dos banhos de Verão, lugar do desbaste dos exageros do Inverno. E porque a inevitabilidade do tempo só engana quem quer ser enganado, façamos o que temos de fazer! Na pintura, gosto do imperecível Paul Klee e da sua “abstracção como referência para a árvore florida”. Um tema de 1925 tratado por formas geométricas que parecem animar-se de vida pela energia e expressividade das cores, sobre uma moldura de sombras frescas que exaltam o acto inaugural desse estado – a floração. Do outro lado, está o Estádio Magalhães Pessoa como a fixação multicolor de uma enorme e egocêntrica Primavera, fora do tempo e do lugar, destinado a morrer sem que alguma vez tenha vivido. Mas a Primavera é também um momento adequado à esperança. Por exemplo, à esperança de uma ética que possa resistir aos tempos da técnica, aos valores da eficácia e das suas frígidas escolhas. Isto, do ponto de vista de um sonho projectado na construção do futuro de uma civilização, em que os valores se centrariam, paulatinamente, nas subtilezas do humano. Primavera, Paul Klee, 1925 Todavia, tudo indica que vamos ter de aguentar uma condição que é tão “humanesca” quanto animalesca, o que me parece inevitável e até suportável, não fosse a consciência da maioria na condução do processo e dos seus modos, cada vez mais, postiços. Mas foquemo-nos na Primavera e nas coisas boas, como a reanimada força do sol e os pés descalços na praia, os passeios de bicicleta, as esplanadas e os amigos, o cheiros das flores, a mesa posta no quintal e aquele ar da Primavera. Entretanto, surgem até as cerejas, que, para quem não sabe, têm uma época, que não tem nada a ver com a logística dos supermercados, mas, com essa Primavera. Assim, como as ameixas, amarelas e vermelhas – de preferência da mesma cor, por fora e por dentro. Mais tarde, as nêsperas e os pêssegos anunciam o Verão com um “até mais!” à Primavera, em ciclos que se repetem por princípios e fins. E que são, minuciosamente, inscritos nos anéis de crescimento das árvores, mais claros ou mais espessos, conforme o rigor das chuvas e das temperaturas. Por fim, se seguirmos o principio etimológico da palavra, verificamos que a Primavera está para a (prim)eira parte do (Verã)o como a “flor da idade” está para a “Primavera da vida”… o que é bom! MARIA GALVÃO MARIA GALVÃO 42 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Obrigatório Cinema Leiria Film Fest acontece este sábado Acontece este sábado, dia 22 de Março, a partir das 14 horas, no Teatro Miguel Franco, em Leiria, a segunda edição do Leiria Film Fest. O certame da 7.ª arte é dedicado a curtas-metragens de ficção e entre os 16 filmes a projectar, serão atribuídos prémios nas categorias: curta-metragem nacional, curta-metragem internacional, realizador, fotografia, edição, sonoplastia, argumento e representação. A entrada é livre e o público é convidado a votar no Prémio do Público. O programa inicia com uma conversa, pelas 14 horas, sobre Como Fazer Cinema, com Álvaro Romão (júri) e Bruno Carnide (júri e organizador). As sessões competitivas iniciam às 15 horas e a entrega de prémios decorre a partir das 21 horas. Mais informações em http://www.leiriafilmfest.pt.vu DR Arquivo À conversa com... Lídia Jorge DR A Arquivo Livraria realiza mais uma sessão de À conversa com..., desta vez com Lídia Jorge a propósito do livro Os Memoráveis. O encontro com a autora acontece na terça-feira, dia 25, às 18:30 horas. Escreveu acerca deste livro Miguel Real, no Jornal de Letras, que é um “romance de leitura imprescindível para quem viveu o 25 de Abril, para quem queira interrogar hoje a história recente de Portugal, descobrindo-lhe um sentido superior ao dos slogans proferidos no Parlamento nos dias comemorativos, e para quem ame deixar-se impregnar esteticamente pelo doce 'sabor' da língua portuguesa.. A história começa em 2004, quando Ana Maria Machado, repórter em Washington, é convidada a fazer um documentário sobre Abril de 1974. ELISABETE CRUZ Atreva-se a resistir ao chocolate de Óbidos O Festival Internacional de Chocolate, no Castelo de Óbidos, abriu portas na passada sexta-feira. A edição deste ano é inspirada no Jardim Zoológico de Lisboa, pelo que, logo no início do evento os visitantes têm oportunidade de visitar uma exposição de esculturas em chocolate com diversos animais. Delicie-se com a girafa, o crocodilo, o leão ou o gorila, mas... resista e não os coma. Terá até a oportunidade de eleger as suas esculturas preferidas... verá que não é tarefa fácil. Figurantes e músicos garantem a animação do evento, onde os chocolates branco, de leite, com amêndoas, negro e até de azeite não faltam, assim como a tradicional ginja, servida em copo de... chocolate. A organização proporciona, pela primeira vez, uma oficina de bombons em que os participantes aprendem a fazer os seus próprios bombons e um espaço dedicado às crianças, onde estas podem experimentar a culinária. Apesar de o evento se centrar na Cerca do Castelo, toda a vila está engalanada. O festival decorre até dia 6 de Abril, estando aberto às sextas, sábados e domingos. Leiturasdasemana Os Memoráveis Lídia Jorge Editora: D. Quixote Tudo são histórias de amor Dulce Maria Cardoso Editora: Tinta da China Lidia Jorge estará à conversa com os seus leitores na livraria Arquivo no próximo dia 25 de março, terça-feira, 18h30. «Romance de leitura absolutamente imprescindível para quem viveu o 25 de Abril, para quem queira interrogar hoje a história recente de Portugal, descobrindo-lhe um sentido superior ao dos slogans proferidos no Parlamento nos dias comemorativos, e para quem ame deixar-se impregnar esteticamente pelo doce 'sabor` da língua portuguesa – tripla constelação da leitura de Os Memoráveis.» Miguel Real, Jornal de Letras n.º 1133. Livro do ano em 2012, O Retorno consagrou Dulce Maria Cardoso como um dos grandes nomes do romance contemporâneo. "Tudo são Histórias de Amor" reúne doze contos – alguns dos quais adapatados para teatro e cinema – que evidenciam a intensidade e mestria literária de Dulce Maria Cardoso enquanto contista. 44 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Desenho o vento por entre as árvores, exposição de Daniel Moreira, na Arquivo Livraria, Leiria, até 4 de Abril A igreja matriz da Marinha Grande acolhe domingo, dia 23, às 15 horas, um concerto pelo pianista e compositor português Sérgio Varalonga (em solo de piano), com participação do Grupo Coral Cantu Angeli. Entrada livre O Clube de Leitura Arquivinho, encontro mensal da comunidade de leitores da Arquivo Livraria, em mais uma sessão sábado, 22, pelas 15 horas, com o livro O Ultimato na Ópera Momo A Senhora Vendedeira de Laranjas é o nome do conto dramatizado para pais e filhos, que decorre no Museu José Malhoa, Caldas da Rainha, domingo, 23, pelas 10:30 horas, com dinamização de Cláudia Pujol. Baseado na obra A vendedeira de laranjas?, de Maria de Lourdes de Melo e Castro, este atelier une teatro, musicalidade e expressão plástica. Para crianças dos 6 aos 12 anos Jantar seguido de espectáculo pela Orquestra de Sopros da AMBO-Academia de Música Banda de Ourém, sábado, 22, a partir das 20 horas, no Salão dos Combustíveis do Nabão em Arneiro, Ourém. A iniciativa é da Liga de Amigos da Secção de Bombeiros de Freixianda A Sociedade Filarmónica Maceirense, Maceira, Leiria, comemora o 139º aniversário nos próximos dias 22 e 23 de Março, com o I Encontro de Orquestras Juvenis e o VIII Festival de Bandas, em colaboração com orquestras da Vestiaria (Alcobaça) e Montalvo, sábado, pelas 20 horas e domingo, a partir das 14 horas A 2ª Mostra Leirimar com Arte 2014 (pintura, escultura e fotografia de alunos e professores de escolas associadas do Centro de Formação Leirimar) decorre até dia 25, no Arquivo Distrital de Leiria Exposição de pintura l'Arche d'Hélène da artista francesa Hélène Legrand, na Galeria Quattro, Leiria, até 15 de Abril Mostra de Filatelia de Classe Aberta sobre o Japão, no Teatro José Lúcio da Silva (TJLS) e Cores da Amizade, na Biblioteca Municipal são as exposições patentes em Leiria, no âmbito das comemorações dos 45 anos da geminação com Tokushima, patentes até dia 28 e 31 deste mês, respectivamente Viagens, mostra de homenagem a dois dos fundadores da Biblioteca da Nazaré (Branquinho da Fonseca e José Maria Carvalho Jr.), no âmbito do seu 75º aniversário, patente no Centro Cultural da Nazaré Blackstone em versão acústica em concerto amanhã, 21, pelas 19:30 horas, no Fábrica.música, Marinha Grande Acústico é o nome do novo projecto dos Anjos em que recuperam os êxitos de mais de 15 anos de carreira. Os músicos Nelson e Sérgio Rosado estão hoje, dia 20, às 21:30 horas, no palco do TJLS, Leiria, para mais um concerto A Campanha da resina, da extracção à transformação é o mote para a exposição organizada por Paulo Antunes Santiago, até dia 31, no foyer do Teatro Miguel Franco (TMF), Leiria Exposição fotográfica Subir, Descer e Ver, A excelência do barroco do Bom Jesus de Braga, da autoria de Miguel Louro, até dia 29, na Galeria Municipal da Nazaré Homenagem a Astor Piazzolla por solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa, sábado, 22, às 21:30 horas, no CCC, Caldas da Rainha. Liviu Scripcaru (violino), Ana Cláudia Serrão (violoncelo) e Savka Konjikusic (piano), apresentam neste concerto várias obras de Piazzolla Numa parceria com a Fnac, o bar Chico Lobo, em Leiria, apresenta os DJ Henrique Pereira e Edgar Santini, sábado, 22, pelas 17 horas Exposição de ilustração Olhar o interior e trazê-lo para fora, de Helena Zália, na galeria municipal de Ourém, até dia 23 Cinematemúsicas 2011, projecto dos alunos da Escola de Artes SAMP, amanhã, 21, pelas 21 horas, no TMF, Leiria. Entrada livre Solistas da Orquestra Metropolitan a de Lisboa interpretam Piazzolla em Caldas da Rainha O Centro Cultural Gonçalves Sapinho, em Benedita, Alcobaça, apresenta sábado, 22 de Março pelas 21:30 horas um espectáculo pela Orquestra Ligeira de Óbidos, com direcção de Rodrigo Martins Orquestras de Guitarras pelo Conservatório de Música de Ourém e Fátima, domingo, dia 23, às 17 horas, no auditório da Junta de Freguesia de Arrabal, Leiria Concerto de Abertura da Concerto solidário com o trio de música celta Espiral, domingo, 23, pelas 15 horas, no Teatro-Cine de Pombal, a favor da construção de uma escola na Guiné-Bissau Teatro Ana Vale inaugura a mostra de pintura intitulada Os Quatro Elementos, sábado, 22, pelas 16 horas, no Centro Cultural Mercado de Sant´Ana, Leiria. Haverá um momento musical com o pianista Fabrício Cordeiro e uma abordagem ao tema da mostra, a cargo do artista plástico e escultor Rodrigo Baeta Cerâmica de Vitor Reis no a9)))), Leiria Temporada 2014 pela Banda Sinfónica de Alcobaça, com direcção de Rui Carreira, domingo, dia 23, pelas 18 horas, no cine-teatro desta cidade O Instituto Jovens Músicos realiza, na sua sede em Caldelas, Caranguejeira, Leiria, uma sessão gratuita de Música para Pais e Bebés, domingo, dia 23, pelas 10:30 horas Cinema Tubaralhas-me, exposição de cerâmica de Vitor Reis, na Sede do colectivo a9)))), Leiria, até 3 de Abril Música Artes Crianças Agenda O Cine-Teatro Municipal de Ourém apresenta sábado, dia 22, às 21:30 horas, a comédia Cucurrucucu, de Alfonso Paso, interpretada por um elenco liderado por Tozé Martinho, que também encena esta obra, inicialmente adaptada por Henrique Santana e Ribeirinho O Grupo de Teatro da Associação Sénior de Ourém sobe ao palco amanhã, dia 21, pelas 21:30 horas, do Cine-teatro Municipal de Ourém, com a peça O Soldado Raso-No âmbito do festival Cenourém´14 O IX Festiv'Álvaro continua no Cine-teatro Actor Álvaro, em Vieira de Leiria, Marinha Grande, sábado, 21, pelas 21:30 horas, com a peça Crimes Exemplares, pelo Teatro Nova Morada (maiores de 16 anos) e domingo, às 16 horas, com sessão infantil, com a peça Vampiro que bebia groselha, pelo Palco Oriental (maiores de 4 anos). A iniciativa é do Teatresco Demain dès l'aube (Amanhã desde a madrugada) é o filme de Denis Dercourt a ver sábado (entrada livre) na Arquivo Livraria Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 45 Tertúlia sobre escritores de Leiria, com Paulo Moreiras, Cristina Nobre, Jaime de Oliveira Martins, Leonor Lourenço e Manuel Leiria, amanhã, dia 21, pelas 21 horas, na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, Leiria. Esta iniciativa, no âmbito da 5.ª Semana da Leitura de Leiria, será moderada por Dulce Correia Apresentação da obra Terra:Escuto (recriação de uma atmosfera rural, onde não faltam humanismo, espiritualidade, amor, determinação e inteligência para vencer a adversidade) da escritora Isabel Madaleno, sábado, 22, pelas 16 horas, na Biblioteca Municipal de Alcobaça Clube de Leitura Arquivo, dia 26, pelas 18:30 horas, na Arquivo Livraria, Leiria, à volta do livro Vidas Perdidas, de Nelson Algren Apresentação do livro Bandas Sonoras, de Rita Carmo, no Fórum da Fnac de Leiria, sábado, dia 22, às 21:30 horas * Só Exibe Sábado, Domingo e 3ªFeira; LEIRIA Cineplace Leiria Shopping . Tel. 760789789 De quinta a quarta-feira Sala 1 . 300 . A Ascensão do Império . 3D . 17:00 , 21:40 e 00:00* horas; Sala 1 . 300 . A Ascensão do Império . 3D . 19:30 e 00:00 horas; Sala 1 . 300 . A Ascensão do Império . 2D . 17:20 , 21:40 horas; Sala 1 . Lego . 3D . 13:00 e.15:10 horas; Sala 2 . Need For Speed 2D . 13:00 , 15:50 , 18:40 , 21:30 e 00:20 horas; Sala 2 . Divergente . 2D . 21:30 horas; Sala 3 . Mr. Peabody & Sherman . 3D . 12:40 , 14:50 e 17:00 horas; Sala 3 . The FrozenGround . Sangue e Gelo . 2D . 19:10 , 21:30 e 23:50 horas; Sala 4 . A Casa Mágica . 2D . 13:10 , 15:10 , 17:10 e 19:10 horas; Sala 4 . The Monuments Men . Os Caçadores de Tesouros . 2D . 21:10 e 23:40 horas; Sala 5 . Non Stop . 2D . 14:50 , 19:30 , 21:50 e 00:10 horas; Sala 5 . PompeII . 2D . 17:10 horas; Sala 6 . The Raiway Man - Uma Longa Viagem . 13:50 , 16:20 , 18:50 , 21:20 , 23:50 horas; Sala 7 . Um Quente Agosto . 13:30 , 16:00 , 18:30 , 21:00 e 23:30 horas; À conversa com... Lídia Jorge, a propósito do seu último livro Os Memoráveis, terça-feira, dia 25, pelas 18:30 horas, na Arquivo Livraria. Para Miguel Real, no Jornal de Letras,trata-se de um romance de leitura absolutamente imprescindível para quem viveu o 25 de Abril e para quem queira interrogar hoje a história recente de Portugal Noite de poesia em mais uma Toada Poética, com poemas seleccionados e ditos por David Teles Ferreira, amanhã, dia 21, pelas 21:30 horas, na sede do Te-Ato, Leiria, na companhia de uma taça de vinho da Herdade do Rocim. Entrada livre Eventos Demain dès l'aube (Amanhã desde a madrugada) é o filme de Denis Dercourt, com Jérémie Renier e Vincent Perez, a exibir sábado, dia 22, pelas 18:30 horas, na Arquivo Livraria, Leiria. Com entrada livre, é uma iniciativa em colaboração com a Alliance Française de Leiria. Mathieu é um apaixonado por encenações épicas. Dedica toda a sua vida a esta paixão, chegando a um ponto em que não consegue discernir a ficção da realidade. Paul terá como objectivo ajudar o irmão a combater esta obsessão e, inevitavelmente, terá de entrar no mundo fantástico dele Cinema City Tel. 244 845 071 De quinta a quarta-feira Sala 7 . Curta . Mr.Peabody e Sherman VP 3D . 11h15 horas; Sala 1 .Ffrozen Ground - Sangue e Gelo . 21h45 e 00h00 horas; Sala 5-L . Frozen Ground Sangue e Gelo . 13h20 e 15h25 e 17h30 e 19h35 horas; Sala 2 K . O Lego - O Filme VP . 11h30 , 15h40 e 17h50 horas; Sala 5-L . o Lego -O Filme VP 3D . 11h10 horas; Sala 2-K . 300: O Inicio de Um Império . 13h40 , 20h00 , 22h05 , 00h15 horas; Sala 6-S . 300: O Inicio de Um Império 3D . 00h25 horas; Sala 3 . A Casa da Magia VP . 11h35 , 13h30 , 15h35 , 17h30 e.19h30 horas; Sala 3 . A Enfermeira . 21h35 , 23h55 horas; Sala 6-S . A Enfermeira . 11h30 , 13h30 , 15h30 , 17h25 e 19h20 horas; Sala VIP 4 . Need For Speed: O Filme . 13h00 , 15h40 , 18h30 , 21h30 e 00h10 horas; Sala 5-L . The Railway Man UmaLonga Viagem . 21h40 e 00h05 horas; Sala 7 . The Railway Man - Uma Longa Viagem . 13h20 e 17h40 horas; Sala 6-S . Pompeia . 21h50 horas horas; Sala 6-S . Divergente . 21h30 horas; Sala 7 . Non-Stop . 15h35 , 19h55 ,22h00 e 00h20 horas; Letras A Loucura dos 50, com Joaquim Nicolau, António Melo, Almeno Gonçalves e Fernando Ferrão é a comédia a apresentar sábado, dia 22, às 21:30 horas, no Cine-teatro de Alcobaça a) Só exibe Sábado e Domingo; b) Não exibe Sábado e Domingo; a) Só exibe de Sábado a 3ª feira; b) Não exibe de Sábado a 3ª feira; d) Só exibe 6ª feira, Sábado e 2ªfeira; Sarau de Poesia Na Ponta da Língua, amanhã, dia 21, pelas 21:30 horas, no Teatro-Cine de Pombal, no âmbito da Semana da Leitura Quem tem boca vai a Pombal CALDAS DA RAINHA VIVACINE Tel. 262 840 197 De quinta a quarta-feira Sala 1 . Lego – O Filme V.P. 2D . 13:30 , 16:00 e 18:20 horas; Sala 1 . A Casa da Magia 2D . V.P . 13:20 , 15:45 e 18:00 horas; Sala 1 . Frozen Ground – Sangue e Gelo . 21:25 e 23:45 horas; Sala 2 . Mr. Peabody e Sherman 2D . 13:25 , 16:00 e 18:10 horas; Sala 2 . Monuments Man . 21:15 e 23:50 horas; Sala 3 . Need For Speed – O Filme . 12:40 , 15:30 , 18:20 , 21:20 e 00:05 horas; Sala 4 . Non Stop . 12:50 , 15:15 , 17:45 , 21:30 e 23:55 horas; Sala 5 . 300 . A Ascensão do Império 2D . 13:00 , 15:20 , 17:50 , 21:25 e 00:00 horas; Feira da Flor (também com livros, artesanato e gastronomia), sábado, dia 22, entre as 9 e as 18:30 horas, no Parque Olímpio Duarte Alves, Monte Real, Leiria. O evento integra a apresentação de vários projectos e o colóquio com Catarina Rivero sobre Florescimento Humano da Felicidade. Lançamento do livro Chamada não atendida de César Adão, amanhã, dia 21, pelas 21:30 horas, na Feira do Livro de Ourém Apresentação do livro Notas Paridas da Terra, com recriação de cantigas, cantares e modas do Rancho Folclórico de Pussos, sábado, dia 22, a partir das 15:30 horas, na Casa Municipal da Cultura de Alvaiázere Tertúlia com Pedro Mexia, coordenador da colecção de poesia nas Edições Tinta-da-China, amanhã, 21 (Dia da Poesia), pelas 21 horas, na Livraria Bertrand, Caldas da Rainha Véspera de Feriado; *** Sábado, Domingos e Feriados PEDRÓGÃO GRANDE Casa Municipal da Cultura Tel. 236 480 156 Sexta e sábado, às 21:30 horas O Sobrevivente Feira de Artesanato e Gastronomia, sábado, 22, a partir das 14:30 horas, na Casa do Povo de Reguengo do Fetal, Batalha, onde não faltam algumas das melhores iguarias locais, como bucho ou bruzegos. Entrada livre Lançamento do livro A Filha do Gelo, de Luis Magalhães, domingo, dia 23, às 16:30 horas, no CCC, Caldas da Rainha * Domingos e Feriados; ** Sexta, Sábado e Lídia Jorge apresenta o seu novo livro, Os Memoráveis, na Arquivo Livraria Lançamento do livro Pergunto… Logo… Respondo: Disrupção em Alzheimer, da autoria de Armando Castro, sábado, 22, pelas 15 horas, no auditório da Biblioteca Municipal da Marinha Grande. Trovas & Canções - Actores, Poetas e Cantores, espectáculo inédito com três gerações da mesma família: Ruy de Carvalho e João e Henrique de Carvalho, a que se juntam a cantora e actriz Ana Marta e os dois músicos Diogo Tavares e Ricardo Gama, amanhã, dia 21, pelas 21:30 horas, no TJLS, Leiria. O projecto vive do contraponto entre a récita e o canto, guiado pelos tons das guitarras portuguesa e clássica Aeromodelismo Indoor, domingo, dia 23, a partir das 9 horas, no Pavilhão Desportivo de Porto de Mós, numa iniciativa do município, Clube Automóvel local e Rodas no Ar Ruy de Carvalho em espectáculo inédito com três gerações da sua família, amanhã, no Teatro José Lúcio da Silva O Agrupamento de Escolas de Marrazes, Leiria, abre portas à comunidade no próximo sábado, dia 22, com mais de 100 actividades culturais, lúdicas e desportivas em permanência, na 5ª edição do C.A.C:E. Faz a Festa na Escola- Dia Aberto 46 Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 Gente&lustre Neurociências Investigadora de Coimbra premiada Música Jovem de Minde dá masterclass de piano Aluna da ESTM Joana Poças investiga cancro no Reino Unido LeiriaJoaquim Vieira investiga 25 de Abril no Mundo Ordem Mapril Bernardes reconduzido na Delegação de Leiria Por identificar o alvo terapêutico para a doença de Parkinson, Sandra Morais Cardoso, investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, venceu o Prémio Janssen Neurociências, no valor de 50 mil euros. A equipa que desenvolve este trabalho científico desde 2009 integra ainda as alunas de doutoramento Ana Raquel Esteves e Daniela Arduino. Marta Menezes dirige, em Abril, a masterclass de piano no Conservatório de Música de Ourém e Fátima. Esta jovem de Minde terminou recentemente, com distinção, o curso de Master of Performance no Royal College of Music (Londres) e venceu vários prémios, entre eles o Concurso Beethoven na mesma instituição (2013) e o Concurso Internacional de Piano de Nice Côte D'Azur. A estudante de mestrado em Biotecnologia Aplicada da Escola Superior de Tecnologia do Mar de Peniche, do Instituto Politécnico de Leiria, Joana Poças, integra um projecto científico piloto de investigação oncológica na Universidade de Hull, Reino Unido. A estudante vai trabalhar num projecto que visa avaliar o potencial anticancerígeno dos óleos essenciais de plantas dunares de Peniche. O jornalista de Leiria, Joaquim Vieira, lança hoje, pelas 18 horas, na Associação 25 de Abril, um livro sobre o 25 de Abril e o PREC na imprensa internacional. A apresentação será feita por Vasco Lourenço. Intitulado Nas Bocas do Mundo, a obra foi feita em co-autoria com Reto Monico e resulta da consulta feita em publicações de 20 países, reproduzindo um total de 400 imagens. O jurista Mapril Bernardes foi reeleito presidente da Delegação de Leiria da Ordem dos Advogados para o próximo triénio, pelo quarto mandato consecutivo. A lista liderada por Mapril Bernardes foi a única candidata às eleições, que decorreram na quinta-feira. Foram também eleitos Isabel Borges (secretária), Ana Monteiro Gomes (tesoureira), Vítor Monteiro e Luís de Oliveira (vogais). HistóriadeVida Isabel Gonçalves Militante de causas e convicções GRAÇA NENITRA Graça Menitra [email protected] Presidente da Associação Mulher Século XXI e responsável, desde 2007, pelo Núcleo de Atendimento às Vitimas de Violência Doméstica do Distrito de Leiria, Isabel Gonçalves, 68 anos, natural de Coimbra, cedo começou a sentir na pele a discriminação em relação aos dois irmãos, só pelo facto de ser do sexo feminino. “Apesar de ser a mais nova, achava-me discriminada. Como era muito voluntariosa, a minha mãe mandavame fazer todas as tarefas domésticas e os meus irmãos eram sempre dispensados. Saiam de casa quando queriam e eu não podia. Inconformada, comecei a pensar que também queria ser rapaz. Mesmo ainda sem essa consciência, começou aí a minha luta pela igualdade de direitos”, lembra. Logo após o 25 de Abril de 1974, Isabel Gonçalves pôsse em acção. Em 1976, integrou uma comissão de residentes de Casa Branca, onde morava, para criar e instalar um centro recreativo e cultural. Desenvolveu trabalho comunitário, criando uma biblioteca e chamando as mulheres a participar. Organizou turmas para que estas concluíssem a 4ª.classe e tivessem assim instrução suficiente para integrarem o mercado de trabalho. Após frequentar o antigo 5º ano do Liceu, Isabel Gonçalves começou a trabalhar como bancária, licenciando-se mais tarde em História, como trabalhadora-estudante. Ainda na sua cidade natal, enveredou pela carreira sindical, como directora do Sindicato dos Bancários do Centro. Posteriormente, já em Lisboa, ingressou na UGT, onde presidiu à comissão de mulheres e representou esta central sindical na União Europeia em muitos fóruns. “Fui desde sempre militante das causas dos direitos das mulheres e passava a vida a reivindicar. Mesmo na actividade sindical, ia para as negociações da contratação colectiva a reivindicar mais direitos para as “Quantas Assunções Cristas não há por aí à espera de uma oportunidade?” mulheres”, diz. Lembra por exemplo a luta pelos cinco meses de licença de maternidade, apesar da oposição de alguns colegas homens que não gostavam que ela lançasse estas questão ao debate. “Hoje já ninguém se assusta comigo porque já estou numa faixa etária em que não tenho ambições políticas. Mas quando era mais nova era completamente bloqueada por eles. Os homens na política têm muito receio da competitividade das mulheres e de perderem o poder de mudarem as pedras do tabuleiro”, lamenta. Isabel Gonçalves chegou à política em 1985, aquando da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, aderindo então ao PS, partido no qual ainda milita. Há 17 anos a residir em Leiria (cidade da qual diz gostar muito, sobretudo pelo afecto das pessoas), cumpre actualmente o seu quarto mandado como membro da Assembleia Municipal de Leiria. Foi também candidata duas vezes à Assembleia da República, embora em lugares não elegíveis. Lutadora pelas quotas das mulheres nas listas do seu partido, fundou, primeiro em Coimbra, e depois em Leiria, o Departamento das Mulheres do Partido Socialista, do qual foi presidente durante nove anos. De 1991 até hoje é membro do Conselho Consultivo da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, actualmente Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. “As mulheres não são diferentes, têm as mesmas competências e capacidades que os homens. É preciso é que lhe dêem oportunidades”, diz convicta. “Mas não sou a favor de guetos e por isso quando fundei a Associação Mulher Século XXI foi em paridade, convidando homens também. A partir do momento em que os homens defendem os direitos das mulheres, estas têm muito mais probabilidades de lutar pelas suas convicções”, diz. Curioso é que com esta militância granjeou alguns anticorpos e precisamente junto de algumas mulheres de Leiria, que lhe chamavam a D. Quota. Hoje questiona: “Afinal quantas Assunções Cristas (mãe de quatro filhos e uma das ministras mais activas) não há por aí à espera de uma oportunidade?” Ao longo de toda a vida foram muitos os eventos em que participou, nomeadamente a 4ª. Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres, realizada em Pequim, em 1995, que reuniu mais de 180 países. Entre 1993 e 1998, representou a UGT no Comité des Femmes (Confederação Europeia de Sindicatos), em Bruxelas e, também em 1993, representou o País na Assembleia Constituinte do Lobby Europeu de Mulheres, ficando na assembleia desta instituição até 1996. Para os seus quatro filhos (uma do primeiro casamento e os restantes, filhos do seu actual marido, viúvo, com quem casou há 32 anos), assim como para os oito netos em comum, ficam para a posterioridade as fotografias deste e de muitos outros acontecimentos em que participou. Apesar do passar dos anos, Isabel Gonçalves continua hoje tão ou mais inconformada em relação aos direitos das mulheres tal como quando, ainda criança, teve desejo de ser rapaz para não ter de fazer sozinha as lides domésticas. Jornal de Leiria 20 de Março de 2014 47 Aconteceu Ponto Paulo Lameiro comemorou 800 concertos para bebés Modalx Vision dia dois O projecto Concertos para bebés, liderado pelo musicólogo de Leiria, Paulo Lameiro, assinalou o nº 800 no passado domingo, no Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra. Nascido em 1998, este projecto tem estreia marcada no Brasil para final deste mês, país a que voltarão em Maio, para participar num festival internacional, no âmbito de uma digressão apoiada pela Direcção Geral das Artes. Os Concertos para Bebés já viajaram praticamente por toda a Europa e também na China, tendo assistido a estes concertos cerca de 56 mil bebés. DR Fuga Sal Nunkachov Pombal comemorou 203 anos da Batalha da Redinha A freguesia da Redinha, em parceria com a autarquia de Pombal, comemorou domingo, dia 16, o aniversário da Batalha da Redinha, dada nesta vila há 203 anos e que marcou o inicio da retirada das tropas francesas invasoras do nosso País. Este evento prestou homenagem aos que, independentemente da sua nacionalidade, perderam a vida na sequência desses trágicos acontecimentos. DR Procissão do Senhor dos Passos volta a Alcobaça Mais de um século depois da última edição, a procissão do Senhor dos Passos voltou às ruas de Alcobaça, por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia. Integrada nas comemorações dos 450 anos daquela irmandade, a procissão realizou-se no sábado, com a saída à rua da renovada imagem do Senhor dos Passos, que faz parte do espólio da misericórdia. A presidir à cerimónia esteve D. Nuno Brás, bispo auxiliar de Lisboa, que, durante a missa, celebrada no mosteiro, evocou a memória de D. José Policarpo, patriarca emérito de Lisboa sepultado no dia anterior. DR Yulia Leontieva (Just) para Ricardo Preto O orgulho que almoça vaidade janta desprezo Benjamin Franklin Organização promete um dos cartazes “mais fortes de sempre” Semana académica vai realizar-se no espaço das últimas edições Maria Anabela Silva [email protected] T Afinal a edição deste ano da Semana Académica de Leiria irá realizar-se no local onde decorreram as últimas edições, junto à antiga Auto Leiria. Tal como o JORNAL DE LEIRIA noticiou recentemente, a organização pretende encontrar espaços alternativos, mas uma fonte ligada ao processo adianta que se entendeu que não estavam reunidas condições para fazer a mudança já este ano. Assim, a edição deste ano, a decorrer de 27 de Abril a 3 de Maio, voltará a ocupar a zona en- volvente à antiga Auto Leiria, havendo, no entanto, algumas iniciativas previstas para outros pontos da cidade, com o objectivo de “mostrar a Leiria o que é o IPL [Instituto Politécnico de Leiria] e algumas das actividades e projectos desenvolvidos pelos alunos”, explica a organização do evento, que está a cargo das associações de estudantes do ensino superior. Além do cartaz de espectáculos musicais, que está a ser finalizado e que a organização promete ser “um dos mais fortes de sempre”, estão previstas várias acções paralelas onde se pretende também envolver a comunidade. Entre as Jorlis - Edições e Publicações, Lda. Parque Movicortes 2404-006 Azoia - Leiria Tel. 244 800 400 Fax 244 800 401 [email protected] Viagens (fora) da minha terra actividades pensadas está a realização de rastreio na área da saúde, animação para crianças na Praça Rodrigues Lobo ou a criação de brigadas de estudantes que participem na pintura/limpeza de paredes com graffiti, segundo revelou recentemente a Câmara de Leiria ao JORNAL DE LEIRIA. Nesse esclarecimento, a autarquia frisava ainda que o envolvimento do município no evento “passa, como tem sucedido todos os anos”, pelo licenciamento do evento, “cuja organização é da responsabilidade dos estudantes”, nomeadamente a questão da localização. PUBLICIDADE Bruxelas Bianca Santos O Jornal de Leiria convida os seus leitores a partilharem ideias para a região observadas noutros locais do País ou do estrangeiro. Basta enviarem duas ou três fotografias e um texto com 1500 caracteres para direccao@jor naldeleiria.pt T É em Bruxelas que se decide muito do que afecta a nossa vida diária. A capital belga acolhe a sede da Comissão Europeia, presidida por Durão Barroso, mas também de outras importantes organizações internacionais. A cidade é, sem dúvida, o epicentro da política europeia, mas é muito mais do que isso. O seu património arquitectónico, que muito bem sabe promover, tornam-na motivo de interesse para inúmeros turistas. Mesmo quem nunca foi a Bruxelas já ouviu falar do menino a urinar, o famoso Manneken Pis. Chegados à cidade, espera-se encontrar uma estátua enorme, em local nobre. Nada disso. É uma pequena estátua em bronze, perdida numa ruela no centro histórico, que não se encontra à primeira tentativa. Mas o facto é que os turistas dão as voltas que forem precisas até o encontrarem, tal é a fama que o menino granjeou mundo fora. Lamentavelmente, não estou a ver na região de Leiria nada que leve os turistas a este tipo de esforço. Não quer dizer que não haja, se calhar não é promovido de forma a que, por si só, seja um chamariz tão forte. Mas mesmo os turistas que não queiram andar às voltas até encontrar o Manneken Pis original podem ficar a saber o que é: o marketing e o merchandising por aquelas bandas funcionam muito bem e o menino está por todo o lado, em íman para o frigorífico, em postal, em pin, em chocolate e se calhar noutras formas que nem cheguei a ver. Em Bruxelas há ainda o famoso chocolate, tão bom como o suíço, e os moules, ou mexilhões. Se quanto ao primeiro talvez não tenhamos tantos trunfos na manga (mesmo assim o nosso Regina não é nada inferior), no que toca a mexilhões e companhia não ficamos atrás. Os nossos peixes e mariscos têm qualidade para ombrear com qualquer outro e o arroz de marisco da Vieira até foi considerado uma das maravilhas da gastronomia. Mas será que os belgas e os outros turistas que vêm a Portugal sabem disso?
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- Capacité à organiser votre travail, à le planifier et à respecter les échéances,
- Forte motivation
- Utilisation régulière des outils NTIC (Nouvelles Technologies et de l’Information et
de la Co...
Devenir Infirmier - comment se former - IRFSS Limousin
IFSI de la CRF en France est organisé
(en avril). 2 épreuves écrites (pour
l'admissibilité) et 1 épreuve orale en
juin (pour l'admission)
Arrêté du 31 juillet 2009 relatif au diplôme d`Etat d`infirmier
principaux éléments du contenu, de situer la problématique dans le contexte, d'en commenter
les éléments, notamment chiffrés, et de donner un avis argumenté sur le sujet. Cette épreuve
permet d'éva...
Notice Classe Prépa AS AP IFSI ST Brieuc
2009 relatif au diplôme d’Etat d’infirmier) dans les conditions optimales au moment de
l’examen d’admission.
2. Prévenir l’échec lors de l’entrée en formation infirmière.