Camille Pissarro - Musée dans la nature
Transcription
Camille Pissarro - Musée dans la nature
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ MESTRADO PROFISSIONAL EM TECNOLOGIA DE ALIMENTOS CARLINE MARQUETTI OBTENÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE FARINHA DE CASCA DE JABUTICABA (Plinia cauliflora) PARA ADIÇÃO EM BISCOITO TIPO COOKIE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO LONDRINA 2014 CARLINE MARQUETTI OBTENÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE FARINHA DE CASCA DE JABUTICABA (Plinia cauliflora) PARA ADIÇÃO EM BISCOITO TIPO COOKIE Dissertação de mestrado, apresentada ao Curso de Mestrado Profissionalizante em Tecnologia de Alimentos, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Tecnologia de Alimentos. Orientador: Prof. Dr. Luciano Lucchetta Co-orientador: Profª. Drª. Ivane Benedetti Tonial LONDRINA 2014 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca UTFPR - Câmpus Londrina M357o Marquetti, Carline Obtenção e caracterização de farinha de casca de jabuticaba (Plinia cauliflora) para adição em biscoito tipo cookie / Carline Marquetti. Londrina: [s.n.], 2014. XV, 117 f. : il. ; 30 cm. Orientador: Prof. Dr. Luciano Lucchetta Co-orientadora: Prof.ª Drª Ivane Benedetti Tonial Dissertação (Mestrado) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos. Londrina, 2014. Bibliografia: f. 87-104. 1. Farinhas como alimento. 2. Jabuticaba. 3. Biscoitos. 4. Alimentos Avaliação sensorial. I. Lucchetta, Luciano, orient. II. Tonial, Ivane Benedetti, co-orient. III. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. IV. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos. V. Título. CDD: 664.7525 Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos Nível Mestrado Profissional FOLHA DE APROVAÇÃO Título da Dissertação Nº 14 “Obtenção e caracterização de farinha de casca de jabuticaba (Plinia cauliflora) para adição em biscoito tipo cookie” por Carline Marquetti Esta dissertação foi apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de MESTRE EM TECNOLOGIA DE ALIMENTOS – Área de Concentração: Tecnologia de Alimentos, pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Alimentos – PPGTAL – da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR – Câmpus Francisco Beltrão, às 14:00 hs de 20 de março de 2014. O trabalho foi aprovado pela Banca Examinadora, composta por: ________________________________ Dr Luciano Lucchetta UTFPR Câmpus Francisco Beltrão Orientador _______________________________ Dr Américo Wagner Júnior UTFPR Câmpus Dois Vizinhos Membro examinador titular ________________________________ Drª Ivane Benedetti Tonial, Dra. UTFPR Câmpus Francisco Beltrão Membro examinador titular Visto da coordenação: ________________________________ Prof. Fábio A. Coró, Dr. (Coordenador do PPGTAL) Dedico este trabalho à minha família, pelo apoio e incentivo em tudo que escolhi fazer. AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Luciano Lucchetta, pela sabedoria e paciência com que me guiou nesta trajetória. À minha co-orientadora Profª. Drª. Ivane B. Tonial, pela preocupação, atenção e disposição em todos os momentos. Ao professor colaborador Dr. Américo Wagner Junior, pela colaboração única em todas as etapas do trabalho. Ao professor colaborador Dr. Vanderlei A. de Lima, pelas aulas de estatística e disposição em ajudar em todas as fases. Ao Prof. Dr. Alexandre T. Alfaro, por acreditar na minha capacidade, me dando oportunidades de crescer e me incentivando em diversos momentos de minha vida. Aos alunos de Iniciação Científica, Kellen C. Kaipers, Bruna R. Böger, Tatiane dos Santos e Artur Ferreira, pelo auxílio na etapa analítica. À aluna de Tecnologia de Alimentos, Adriana de Oliveira, por auxiliar na formulação dos biscoitos. Aos meus pais e irmão, pelo apoio e compreensão de minha ausência. Ao meu namorado Rober Mayer, pela paciência, compreensão e auxílio. À minha amiga Maira Casagrande, pela amizade, pelas dicas, ensinamentos e horas dedicadas a me ajudar. À minha amiga Silvana de Lima Freitas, pela amizade, pela estadia e pelo apoio em todos os momentos. Às minhas amigas e colegas de mestrado Márcia R. Sinhorini, Débora Folhe e Camila da Rosa Vanin, pela parceria, por sempre podermos contar umas com as outras, pelos ensinamentos e auxílio durante o projeto. À UTFPR e ao PPGTAL por me proporcionarem a oportunidade de subir mais um degrau rumo aos meus projetos de vida. Aos meus colegas de trabalho pela compreensão e cobertura nos momentos de ausência. Enfim, a todos os que por algum motivo contribuíram para a realização desta pesquisa. "Todo o futuro da nossa espécie, todo o governo das sociedades, toda a prosperidade moral e material das nações dependem da ciência, como a vida do homem depende do ar. Ora, a ciência é toda observação, toda exatidão, toda verificação experimental. Perceber os fenômenos, discernir as relações, comparar as analogias e as dessemelhanças, classificar as realidades, e induzir as leis, eis a ciência; eis, portanto, o alvo que a educação deve ter em mira. Espertar na inteligência nascente as faculdades cujo concurso se requer nesses processos de descobrir e assimilar a verdade." Rui Barbosa. RESUMO MARQUETTI, Carline. Desenvolvimento e obtenção de farinha de casca de jabuticaba (Plinia cauliflora) para adição em biscoito tipo cookie. 2014. 116f. Dissertação (Mestrado Profissionalizante em Tecnologia de Alimentos) Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Londrina, 2014. A jabuticaba é fruto tropical com propriedades nutricionais importantes, sendo excelente fonte de carboidratos, fibras, compostos fenólicos e minerais como ferro, cálcio e fósforo. Esse fruto e suas frações podem ter extensa aplicabilidade tanto para a indústria, como para a comercialização e consumo in natura. Pesquisas apontam que a maior fração de espécies biologicamente ativas da jabuticaba encontra-se na casca, podendo viabilizar seu uso para elaboração de um produto como alternativa de aproveitamento da mesma, possibilitando a produção de alimentos com propriedades funcionais. Tal iniciativa permite avançar com estudos direcionados aos compostos bioativos presentes tanto na fruta como nos produtos derivados, bem como avaliar a influência do processamento nestes compostos. Com base no exposto, o presente estudo teve como objetivo avaliar os compostos bioativos da casca de jabuticaba (Plinia cauliflora) e dos remanescentes na farinha da casca de jabuticaba para posterior aplicação em biscoito tipo cookie. A variação entre os teores destes compostos presentes na casca e na farinha da casca de jabuticaba também foram avaliados. O estudo foi realizado por meio de análises físico-químicas dos extratos hidroalcoólicos da casca e farinha deste, sendo elas, umidade, proteína, lipídeos, cinzas, fibras, carboidratos, valor calórico, acidez total titulável, pH, compostos bioativos (fenóis, flavonóides, antocianinas, taninos condensados) e atividade antioxidante por três métodos distintos (DPPH expresso em TEAC, DPPH expresso em EC50 e FRAP). A casca demonstrou ser rica em compostos fenólicos, dentre eles, antocianinas, flavonóides e taninos condensados, reforçando que a composição apresentou teores consideráveis de atividade antioxidante, tanto no sequestro como na interação com radicais livres. Também apresentou altos teores de umidade e conteúdos consideráveis de fibras e carboidratos. A farinha da casca de jabuticaba apresentou umidade condizente com a legislação e teores consideráveis de carboidratos, compostos fenólicos em geral e atividade antioxidante, além de ser fonte de fibras. Também se observou na mesma a concentração dos compostos analisados devido à desidratação das cascas e outros fatores. A partir da farinha foram elaborados biscoitos tipo cookie com substituições de 0,0, 2,5, 5,0 e 7,5% de farinha de trigo integral por farinha da casca de jabuticaba e os mesmos avaliados físico-quimicamente através das mesmas variáveis utilizadas na casca e farinha. Posteriormente foram avaliados microbiologicamente antes de serem encaminhados à análise sensorial, já aprovada pelo Comitê de Ética, onde foram realizados testes de aceitação e intenção de compra. Os cookies obtiverem teores de umidade condizentes com a legislação, além de revelarem-se fonte de proteínas e fibras. Todas as formulações apresentaram redução na concentração dos compostos bioativos devido ao processo de cocção, porém também houve manutenção de teores desejáveis de compostos fenólicos e atividade antioxidante. Os resultados sensoriais permitem concluir que todas as amostras foram aceitas, comparadas ao padrão. A formulação com 7,5% de farinha da casca de jabuticaba foi considerada ideal para adicionar em biscoitos tipo cookie, pois resultou em maiores teores de compostos fenólicos e também em maiores níveis de ação antioxidante, resultando em produto com conteúdo de propriedades biologicamente ativas elevado, sem interferir na qualidade sensorial e nos padrões de identidade do mesmo. Palavras-chave: Plinia cauliflora. Compostos fenólicos. Propriedades bioativas. Capacidade antioxidante. ABSTRACT MARQUETTI, Carline. Development and acquisition of jabuticaba (Plinia cauliflora) flour skin in addition to biscuit type cookie. 2014. 116f. Dissertação (Mestrado Profissionalizante em Tecnologia de Alimentos) - Federal Technology University - Parana. Londrina, 2014. The jabuticaba is a tropical fruit with important nutritional properties, and excellent source of carbohydrates, fiber, phenolic compounds and minerals like iron, calcium and phosphorus. This fruit and its fractions may have extensive applicability both for industry and for the commercialization and consumption in natura. Research indicates that the greatest fraction of the jabuticaba biologically active species is in the skin, may enable their use for production of a product as an alternative use of the same, enabling the production of foods with functional properties. This allows forward with studies directed to the bioactive compounds present in both the fruit as in derivatives and to evaluate the influence of processing these compounds. Based on the above, the present study aimed to evaluate the bioactive compounds from the jabuticaba skin (Plinia cauliflora) and remaining in the jabuticaba flour skin for later use in biscuit type cookie. The variance between the levels of these compounds in the jabuticaba skin and flour skin were also evaluated. The study was conducted by means of physicochemical analysis of hydroalcoholic extracts of the skin and flour, they being, moisture, protein, lipid, ash, fiber, carbohydrates, calories, total titratable acidity, pH, bioactive compounds (phenols, flavonoids, anthocyanins, condensed tannins) and antioxidant activity by three different methods (DPPH expressed in EC50, DPPH expressed in TEAC and FRAP). The skin has proved to be rich in phenolic compounds, among them, anthocyanins, flavonoids and condensed tannins, reinforcing that the composition showed considerable levels of antioxidant activity in both the scavenging and the interaction with free radicals. Also showed high levels of moisture and considerable content of fiber and carbohydrates. The jabuticaba flour skin showed consistent moisture with legislation and considerable amounts of carbohydrates, overall phenolic compounds and antioxidant activity, besides being a source of fiber. It is also noted there in the concentration of the analyzed compounds due to dehydration of the skins and other factors. From flour, biscuits type cookie were prepared with substitutions of 0.0, 2.5, 5.0 and 7.5% whole wheat flour for jabuticaba skin flour and they assessed physicochemical form with the same variables used in the skin and flour. Subsequently were evaluated microbiologically before being forwarded to the sensory analysis, already approved by the Ethics Committee, where acceptance and purchase intent tests were performed. Cookies obtain moisture levels consistent with the law, apart from revealing the source of protein and fiber. All formulations showed reduction in the concentration of bioactive compounds due to the cooking process, but also there was maintenance of desirable levels of phenolics and antioxidant activity. Sensory results showed that all samples were accepted, compared to the standard. The formulation with 7.5 % jabuticaba skin flour was considered ideal for adding in biscuits type cookie, as showed higher content of phenolic compounds and also in higher levels of antioxidant activity, resulting in products with high content of biologically active properties without interfering with the sensory quality and standards of identity. Keywords: Plinia cauliflora. Phenolics compounds. Bioactive properties. Antioxidant capacity. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Estrutura básica de uma molécula flavonóide...........................................23 Figura 2 - Estrutura do cátion flavilium (r1 e r2: h, oh ou och3; r3: h ou glicosídeo; r4: oh ou glicosídeo)................................................................................................24 Figura 3 - Estrutura básica dos taninos. (1) tanino hidrolisável (elagitanino); (2) radical que completa a estrutura 1; (3) tanino condensado ou proantocianidina26 Figura 4 - Representação dos métodos competitivos (a) e não competitivos (b). .....29 Figura 5 - Estrutura química do radical DPPH• .........................................................30 Figura 6 - Reação de redução de complexo férrico [(Fe+3-TPTZ)2]+3 para um complexo ferroso [(Fe+2-TPTZ)2]+2 .....................................................................31 Figura 7 - Casca de jabuticaba após secagem, farinha da casca de jabuticaba em flocos e biscoitos tipo cookie formulados a partir de substituições de farinha de trigo integral por farinha de casca de jabuticaba................................................40 Figura 8 - Teores de fenóis totais (a), flavonóides totais (b), antocianinas totais (c) e taninos condensados (d) dos biscoitos tipo cookie de acordo com a percentagem de adição de farinha da casca de jabuticaba em sua composição ...........................................................................................................................72 Figura 9 - Atividade antioxidante (AA) via DPPH expressa em EC50 (a), atividade antioxidante via DPPH expressa em TEAC (b) e atividade antioxidante via FRAP (c) dos biscoitos tipo cookie de acordo com a percentagem de adição de farinha da casca de jabuticaba em sua composição......................................................79 LISTA DE TABELAS Tabela 1- Formulação dos cookies elaborados com adição de farinha da casca de jabuticaba em diferentes percentuais.................................................................40 Tabela 2 - Composição proximal da casca de jabuticaba e da farinha da casca ......53 Tabela 3 - Compostos bioativos da casca de jabuticaba e da farinha da casca .......58 Tabela 4 - Atividade antioxidante da casca de jabuticaba e da farinha da casca......62 Tabela 5 - Composição proximal dos biscoitos tipo cookie adicionados de farinha de casca de jabuticaba ...........................................................................................65 Tabela 6 - Coeficientes de correlação (r) entre compostos fenólicos totais e atividade antioxidante da casca, da farinha da casca (FCJ) e dos biscoitos tipo cookie adicionados de diferentes percentagens de FCJ ...............................................82 Tabela 7 – Avaliação microbiológica dos biscoitos tipo cookie adicionados de diferentes percentagens de FCJ ........................................................................84 Tabela 8 - Médias do teste de aceitação dos cookies adicionados de farinha de casca de jabuticaba ...........................................................................................84 Tabela 9 - Intenção de compra dos biscoitos tipo cookie adicionados de farinha de casca de jabuticaba ...........................................................................................85 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Principais métodos in vitro para determinação da atividade antioxidante e seus princípios de ação......................................................................................28 LISTA DE ABREVIATURAS AA AGE ATT CE Cy ENN EROs FCJ IA IDR OH PA RL UFC Atividade Antioxidante Ácido Gálico Equivalente Acidez Total Titulável Catequina Equivalente Cianidina Extrato Não Nitrogenado Espécies Reativas ao Oxigênio Farinha da Casca de Jabuticaba Índice de Aceitabilidade Ingestão Diária Recomendada Hidroxila Polifenoloxidase Radicais Livres Unidades Formadoras de Colônia LISTA DE SIGLAS ABTS ANOVA ANVISA BHA BHT DNA DPPH DPPH-H EC50 FRAP HPLC LDL MAPA ORAC TBHQ TEAC TCLE TPTZ TRAP UEPEs Ácido 2,2-azinobis-(3-etilbenzoatiazolina)-6-sulfônico) Análise de Variância Agência Nacional de Vigilância Sanitária Butilhidroxianisol Butilhidroxitolueno Desoxyribonucleic Acid – Ácido Desoxirribonucléico 2,2-difenil-1-picril-hidrazil 2,2-difenilpicril-hidrazina Equivalente Concentration 50% Ferric Reducing Antioxidant Power Cromatografia Líquida de Alta Eficiência Low Density Lipoproteins – Proteínas de Baixa Densidade Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Oxigen Radical Absorbance Capacity Butilhidroxiquinona Trolox® Equivalent Antioxidant Capacity Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 2,4,6-tripiridil-s-triazina Total Reactive Antioxidant Potential Unidades de Ensino e Pesquisa SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................16 2 OBJETIVOS...........................................................................................................18 2.1 OBJETIVO GERAL .............................................................................................18 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ...............................................................................18 3 REFERENCIAL TEÓRICO.....................................................................................19 3.1 COMPOSTOS ANTIOXIDANTES .......................................................................19 3.1.1 Mecanismos de ação ....................................................................................20 3.1.2 Compostos fenólicos.....................................................................................21 3.1.3 Quantificação da atividade antioxidante .......................................................27 3.2 JABUTICABA ......................................................................................................32 3.2.1 Composição e benefícios da jabuticaba .......................................................32 3.2.2 Aproveitamento do subproduto da jabuticaba (casca) ..................................34 4 MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................38 4.1 LOCAL E PERÍODO............................................................................................38 4.2 MATERIAL UTILIZADO.......................................................................................38 4.3 PREPARO DAS AMOSTRAS .............................................................................38 4.4 PREPARO DA FARINHA ....................................................................................38 4.5 ELABORAÇÃO DOS COOKIES..........................................................................39 4.6 PREPARO DAS AMOSTRAS PARA ENSAIOS..................................................41 4.6.1 Preparo da casca, da farinha e dos cookies .................................................41 4.6.2 Preparo do extrato ........................................................................................41 4.7 ANÁLISES REALIZADAS....................................................................................41 4.7.1 Umidade .......................................................................................................42 4.7.2 Cinzas...........................................................................................................42 4.7.3 Proteína ........................................................................................................42 4.7.4 Lipídeos ........................................................................................................43 4.7.5 Fibra total......................................................................................................44 4.7.6 Carboidratos – ENN......................................................................................44 4.7.7 Valor calórico total ........................................................................................44 4.7.8 Acidez total titulável ......................................................................................45 4.7.9 pH .................................................................................................................45 4.7.10 Compostos fenólicos totais .........................................................................45 4.7.11 Flavonóides totais .......................................................................................46 4.7.12 Antocianinas Totais.....................................................................................46 4.7.13 Taninos condensados.................................................................................47 4.7.14 Atividade antioxidante – DPPH...................................................................47 4.7.15 Atividade antioxidante - FRAP ....................................................................49 4.8 ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS........................................................................50 4.9 ANÁLISE SENSORIAL........................................................................................51 4.10 TRATAMENTO DOS DADOS ...........................................................................52 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................................53 5.1 CARACTERIZAÇÃO DA CASCA E DA FARINHA DA CASCA DE JABUTICABA ..................................................................................................................................53 5.1.1 Caracterização proximal ...............................................................................53 5.1.2 Compostos bioativos.....................................................................................57 5.1.3 Atividade antioxidante...................................................................................61 5.2 CARACTERIZAÇÃO DOS BISCOITOS TIPO COOKIE ......................................65 5.2.1 Caracterização proximal ...............................................................................65 5.2.2 Compostos bioativos.....................................................................................71 5.2.3 Atividade antioxidante...................................................................................76 5.2.4 Correlações entre compostos fenólicos e atividade antioxidante .................80 5.2.5 Avaliação microbiológica ..............................................................................83 5.3 ANÁLISE SENSORIAL DOS BISCOITOS TIPO COOKIE ..................................84 5.3.1 Teste de aceitação........................................................................................84 5.3.2 Intenção de compra ......................................................................................85 6 CONCLUSÕES ......................................................................................................87 7 REFERÊNCIAS......................................................................................................88 ANEXO 01. Aprovação no comitê de ética .............................................................106 ANEXO 02. TCLE ...................................................................................................110 ANEXO 03. Ficha de avaliação sensorial ...............................................................113 ANEXO 04. Análise de variação dos compostos fenólicos totais das quatro formulações de biscoitos tipo cookie.......................................................................115 ANEXO 05. Análise de variação dos flavonóides totais das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. ...............................................................................................115 ANEXO 06. Análise de variação das antocianinas totais das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. ...............................................................................................115 ANEXO 07. Análise de variação dos taninos condensados das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. ..........................................................................................115 ANEXO 08. Análise de variação da atividade antioxidante via DPPH expressa em EC50 das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. ...........................................115 ANEXO 09. Análise de variação da atividade antioxidante via DPPH expressa em TEAC das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. .........................................116 ANEXO 10. Análise de variação da atividade antioxidante via FRAP das quatro formulações de biscoitos tipo cookie.......................................................................116 16 1 INTRODUÇÃO Nos últimos anos tem-se observado apelo por estilos de vida mais saudáveis, existindo a preocupação por dietas ricas em frutas e vegetais que estão ligados à prevenção de doenças, os conhecidos alimentos funcionais. Muitos dos constituintes destes alimentos são substâncias bioativas derivadas do metabolismo secundário das plantas, como os compostos fenólicos. Devido a isso, existe cada vez maior interesse por parte da indústria e dos consumidores em utilizar ingredientes naturais obtidos de cascas, caules, folhas, polpas, sementes, raízes, entre outros, que podem conter características importantes como atividade antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória e anticancerígena. Nas cascas e sementes de frutas têm-se a alternativa potencial de usá-las como matéria prima para enriquecer os alimentos. A jabuticaba é uma das frutas que possuem estas características qualitativas interessantes, como atividade antioxidante. Porém, grande parte não é devidamente utilizada, principalmente pela ainda incipiente exploração comercial. Em relação à jabuticaba ainda prevalece o extrativismo, com a comercialização da fruta na beira das rodovias. A jabuticaba é conhecida por possuir altos teores de compostos fenólicos como antocianinas e taninos, principalmente em sua casca, o que contribui com sua elevada capacidade antioxidante (REYNERTSON et al., 2008; SANTOS et al., 2010; CAVALCANTI et al., 2011). A atividade antioxidante representa papel importante na prevenção de doenças relacionadas ao estresse oxidativo. O dano oxidativo é por vezes equilibrado por antioxidantes endógenos, mas a proteção fornecida por alimentos com características bioativas é fundamental. Trabalhos recentes apontam que a casca de jabuticaba apresenta atividades biológicas, tanto in vitro quanto in vivo. (LENQUISTE et al., 2012; LEITE-LEGATTI et al., 2012; SANTOS et al., 2012; WU et al., 2013). Na tentativa de elevar o consumo desses compostos algumas alternativas têm sido propostas, dentre elas a produção de novos alimentos que possuam alto valor nutricional e que sejam acessíveis como, por exemplo, o uso de cascas de 17 frutas para a elaboração de subprodutos diferenciados que contenham ingredientes biologicamente ativos. Os mais diversos produtos são utilizados na elaboração das mesmas e um deles pode ser a casca de jabuticaba, pois a mesma abrange propriedades que acarretam benefícios à saúde por meio de compostos de natureza antioxidante, fibras, minerais, entre outros (GOMES et al., 2010; SILVA et al., 2011; UTPOTT, 2012; FERREIRA et al., 2012). O uso alternativo da farinha da casca de jabuticaba pode ser aplicada em diversos modelos alimentares como bolos, pães, barras de cereal, sorvetes, biscoitos etc. A região Sudoeste do Paraná possui sua economia baseada na agropecuária e agricultura familiar, onde o cultivo de frutas e a implantação de agroindústrias ainda incipientes, mas com grande expectativa de crescimento, se justifica pelo significativo potencial de produção existente. Com isso, o desenvolvimento dessa atividade de transformação em pequena escala aponta novo horizonte para a região, possibilitando diversificação, agregação de valor aos produtos e ocupação de espaços consistentes de mercado com produtos diferenciados, ou seja, poderá proporcionar geração de alternativas econômicas, em um produto que apresenta muitas perdas quando comercializado na forma in natura. 18 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Caracterizar bioquimicamente as propriedades da casca de jabuticaba, bem como da sua farinha, e avaliar o uso da farinha como ingrediente em biscoito tipo cookie. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Quantificar as propriedades nutricionais da casca de jabuticaba; • Preparar farinha em flocos a partir da casca de jabuticaba; • Quantificar os compostos bioativos remanescentes na farinha de casca de jabuticaba; • Desenvolver modelo alimentício (biscoito tipo cookie) utilizando a farinha da casca de jabuticaba em flocos; • Avaliar o biscoito tipo cookie com diferentes percentagens de farinha de casca de jabuticaba em sua formulação, a partir das propriedades bioativas e análise sensorial (teste de aceitação e intenção de compra). 19 3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 COMPOSTOS ANTIOXIDANTES A partir do início dos anos 80, o interesse em encontrar antioxidantes naturais para o emprego em produtos alimentícios ou para uso farmacêutico aumentou consideravelmente (ZHENG e WANG, 2001), cujo intuito foi de oferecer ao consumidor fontes de compostos biologicamente ativos, que contribuíssem para melhoria no estilo de vida. Muitos estudos têm comprovado relação inversa entre o consumo de frutas e vegetais com a incidência de determinados tipos de câncer, doenças cardiovasculares, inflamatórias, diabetes e aterosclerose. Essas doenças estão associadas à oxidação nos sistemas biológicos, que envolvem a geração e reação em cadeia de radicais livres (RL) no organismo, os quais estão diretamente ligados ao surgimento dessas patologias (PRADO, 2008; CARDOSO et al., 2011; LENQUISTE et al., 2012). Os RL são moléculas que possuem número ímpar de elétrons, constituindose em espécies instáveis e extremamente reativas, que para atingir estabilidade reagem com o que encontram capazes de lhes ceder elétrons levando a outras espécies instáveis (CABRERA, 2004; PRADO, 2008; BERNARDES et al., 2011). Os radicais livres são resultado de diversas reações catabólicas do organismo humano como imunológicas, de coagulação e cicatrização. Tal ocorrência é comum nas reações orgânicas na faixa de 5% porém, com o consumo de alimentos com agrotóxicos, aditivos, cigarro, álcool, drogas e também o estresse, aumenta o número de radicais livres presentes, principalmente substâncias reativas de oxigênio (EROs), o que podem ocasionar ruptura da membrana celular e núcleo, interação com mediadores vasomotores, inativando seus efeitos vasodilatadores, oxidação de lipídeos das LDL (Lipoproteínas de Baixa Densidade) que são elementos chave na aterosclerose, reações em cadeia nos ácidos graxos da membrana lipoproteica afetando sua integridade estrutural e funcional, mutação do DNA (Ácido Desoxirribonucléico), envelhecimento precoce e diversas patologias como citado anteriormente (RICE-EVANS et al., 1997; SCALBERT e WILLIAMSON, 20 2000; SOARES, 2002; CABRERA, 2004; PRADO, 2008; BERNARDES et al., 2011; CARDOSO et al., 2011). Tais radicais são, por vezes, inativados por compostos antioxidantes através de mecanismos de defesa antioxidante que o organismo humano possui. Esses mecanismos atuam dentro e fora da célula e mantém o equilíbrio redução-oxidação (redox) da mesma, assegurando que o aumento das EROs seja transitório (RIBEIRO et al., 2008; CARDOSO et al., 2011). Porém, quando existe excesso na produção desses radicais pelo organismo, devido a diversos fatores como hábitos alimentares, rotina estressante, entre outros, somente os sistemas de defesa endógenos não são capazes de inativar tais moléculas necessitando-se de fontes alternativas para assegurar a saúde. Existem dois mecanismos de defesa no organismo, o enzimático que é considerado a primeira linha de defesa contra o estresse oxidativo, constituído de enzimas como a superóxido dismutase, glutationa peroxidase e redutase, catalase, tiorredoxinas, peroxirredoxinas e inúmeras outras redutases e; o não-enzimático, formado pelo grupo de compostos de baixo peso molecular ingeridos pela dieta ou sintetizados no organismo, como as vitaminas A, C e E, o peptídeo glutationa e os flavonóides (SINGH e JIALAL, 2006; RIBEIRO et al., 2008; CARDOSO et al., 2011). 3.1.1 Mecanismos de ação De acordo com o mecanismo de ação, os antioxidantes podem ser classificados em primários e secundários. Os antioxidantes primários atuam removendo ou inativando os radicais livres formados durante a iniciação ou propagação da reação de oxidação, através da doação de átomos de hidrogênio a estas moléculas, interrompendo a reação em cadeia (CAREY, 2008). Assim, formam-se espécies inativas e um radical inerte procedente do antioxidante. Este radical não tem a capacidade de iniciar ou propagar as reações oxidativas (WANASUNDARA e SHAHIDI, 2005; PRADO, 2008). Esse mecanismo se dá através da reação abaixo, onde “ROO•” e “R•” são radicais livres, “AH” antioxidante com um átomo de hidrogênio ativo e “A•” um radical inerte. ROO• + AH → ROOH + A• R• + AH → RH + A• 21 Os compostos que possuem atividade antioxidante primária incluem moléculas que na sua estrutura possuem anel aromático substituído por grupamentos hidroxila. Quanto mais substituído for o anel aromático, maior será a atividade antioxidante. Entre os antioxidantes considerados primários usados em alimentos, destacam-se o butilhidroxianisol (BHA), butilhidroxitolueno (BHT), tercbutilhidroxiquinona (TBHQ), os galatos (propilgalato, octilgalato e dodecilgalato), carotenóides, flavonóides, ácidos fenólicos, tocoferóis e tocotrienóis (MADHAVI e SALUNKHE, 1995). A principal diferença entre os antioxidantes primários e secundários consiste no fato de que os antioxidantes secundários não são capazes de converterem radicais livres para moléculas estáveis. Os antioxidantes secundários, também classificados como agentes preventivos, atuam como sinergistas dos antioxidantes primários. Os sinergistas são substâncias com pouca ou nenhuma atividade podendo aumentar a ação dos antioxidantes primários quando usados em combinação adequada. Eles podem agir através de diferentes mecanismos de ação (WANASUNDARA e SHAHIDI, 2005). Alguns antioxidantes secundários agem como sequestrantes através da complexação de metais. Esses agentes complexam íons metálicos, principalmente cobre e ferro, que são responsáveis por catalisar a oxidação lipídica (PRADO, 2008). Os antioxidantes secundários podem agir também como removedores de oxigênio através de reações químicas estáveis, tornando as moléculas de oxigênio, indisponíveis para atuarem como propagadores da auto-oxidação. Além disso, podem atuar como agentes redutores, retardando o processo oxidativo. Os ácidos ascórbicos e eritórbicos, o eritorbato de sódio, o palmitato de ascorbila e os sulfitos são exemplos de agentes redutores e removedores de oxigênio (RAMALHO e JORGE, 2006). Os antioxidantes são encontrados geralmente em plantas na forma de compostos fenólicos (flavonóides, ácidos, alcoóis, estilbenos, tocoferóis, tocotrienóis), de ácido ascórbico e de carotenóides (BERNARDES et al., 2011). 3.1.2 Compostos fenólicos Os compostos fenólicos são definidos como substâncias que possuem anel aromático com um ou mais substituintes hidroxílicos, incluindo seus grupos 22 funcionais. Estão amplamente distribuídos no Reino Vegetal, englobando desde moléculas simples até outras com alto grau de polimerização (SOARES et al., 2008). Os compostos fenólicos presentes nas plantas estão relacionados, principalmente, com a proteção, conferindo-a maior resistência a microrganismos e pragas. Nos alimentos, estes compostos podem influenciar no valor nutricional e na qualidade sensorial, conferindo atributos como cor, textura, amargor e adstringência (ROCHA et al., 2011). Formados a partir do metabolismo secundário das plantas, os compostos fenólicos são importantes para seu crescimento e reprodução. Esses compostos também podem ser formados sob algumas condições adversas como injúrias e radiação ultravioleta, dentre outros (BATTESTIN et al., 2004). A presença de compostos fenólicos nos frutos é relevante também em termos de qualidade, participando em atributos como aparência (pigmentação e escurecimento), sabor (adstringência) e propriedades de promoção à saúde (sequestro de radicais livres) (TOMÁS-BARBERÁN e ROBINS, 1997). Na maioria dos vegetais, os compostos fenólicos constituem-se nos antioxidantes mais abundantes (EVERETTE et al., 2010). Em função da elevada atividade antioxidante que possuem, uma variedade de compostos fenólicos desempenha papel importante nos processos de inibição do risco das doenças cardiovasculares e podem atuar sobre o estresse oxidativo, relacionado com diversas patologias crônico-degenerativas, como diabetes, câncer e nos processos inflamatórios. Entretanto, quando em concentração muito elevada ou em composição inadequada, estes compostos podem conferir características indesejáveis, como o escurecimento enzimático de frutas e a interação com proteínas, carboidratos e minerais (IMEH e KHOKHAR, 2002; VEGGI et al., 2011; BERNARDES et al., 2011). Frutas coloridas são fonte potencialmente rica de compostos fenólicos e acredita-se que desempenham importante papel na prevenção de muitas doenças oxidativas e inflamatórias (ARTS e HOLLMAN, 2005; CAVALCANTI et al., 2011). Entre os compostos fenólicos naturais com ampla distribuição no Reino Vegetal, estão os derivados dos ácidos benzóicos e dos ácidos cinâmicos, cumarinas, flavonóides e derivados de polimerização como taninos e ligninas (CARVALHO et al., 2007; BATTESTIN et al., 2004; PRADO, 2008). Os flavonóides constituem-se na classe importante de polifenóis presentes em abundância entre os metabólitos secundários, apresentando-se frequentemente 23 oxigenados e havendo grande número que ocorre conjugado com açúcares (ZUANAZZI, 2007; PRADO, 2008). Estes podem ser classificados em seis classes, como flavonas, flavononas, isoflavonas, flavonóis, flavanóis e antocianinas (KRISETHERTON et al., 2002), tendo baixo peso molecular (BALASUNDRAM et al., 2006), cuja estrutura básica da molécula pode ser observada na Figura 1. Figura 1 - Estrutura básica de uma molécula flavonóide Fonte: Prado, (2008). As moléculas flavonóides são conhecidas por fazerem a captura e neutralização de espécies oxidantes, atuando juntamente com outros antioxidantes como a vitamina C. São capazes também de se ligar a íons metálicos, impedindo-os de atuarem como catalisadores na produção de radicas livres (TRUEBA e SANCHEZ, 2001). A relação entre a atividade antioxidante e a molécula flavonóide é bastante complexa. Na maioria das vezes varia de acordo com a estrutura da molécula e as ligações nos anéis B e C (Figura 1). Normalmente, tem sua capacidade antioxidante aumentada conforme aumenta-se o grau de hidroxilação no anel B, quando possuem ligações duplas entre os carbonos 2 e 3 combinadas com um grupo hidroxila (3-OH) no anel C, e ainda, quando ocorrem substituições dos grupos –OH no anel B por grupos metoxila (CH3O) capazes de alterar o potencial redox, alterando-se assim a capacidade sequestrante dos flavonóides (BALASUNDRAM et al., 2006; PRADO et al., 2008). A avaliação e determinação de polifenóis totais em frutas e hortaliças produzidas e consumidas no Brasil são essenciais para avaliar os alimentos-fonte de compostos bioativos e estimar sua ingestão pela população (SUCUPIRA et al., 2012). 24 Dentro da classe dos flavonóides, pode-se ressaltar compostos amplamente estudados devido às suas características bioativas, como as antocianinas. As antocianinas são compostos polares cuja estrutura básica é o cátion flavilium ou flavílico (PRADO, 2008) conforme Figura 2. Podem apresentar diferentes formas estruturais além do cátion flavilium e tais estruturas são suscetíveis a diversos fatores como temperatura, pH e possíveis ligações com outras substâncias, como açúcares, influenciando principalmente nas diferentes colorações das mesmas (CARDOSO et al., 2011). Figura 2 - Estrutura do cátion flavilium (R1 e R2: H, OH ou OCH3; R3: H ou glicosídeo; R4: OH ou glicosídeo) Fonte: Guimarães et al. (2012). Na natureza as antocianinas ocorrem como glicosídeos das antocianidinas (cianidina, malvidina, delfinidina, pelargonidina, petunidina e peonidina). Os açúcares mais comumente ligados as antocianinas são glicose, galactose e arabinose (TIMBERLAKE, 1980; MAZZA e MINIATI, 1993; CARDOSO et al., 2011). O cátion flavilium é carente de elétrons e consequentemente altamente reativo, instável e suscetível a agressões por vários reagentes nucleofílicos como peróxidos e dióxido de enxofre (GARCÍA-VIGUERA e BRIDLE, 1999). Os efeitos biológicos antioxidantes das antocianinas dependem da sua estrutura química, tais como graus de glicosilação e números de grupos hidroxila (OH) na molécula (KONG et al., 2003). O número de –OH total, a presença de hidroxilas nos carbonos 3 e 4 no anel B e no carbono 3 do anel C parecem ser os principais requisitos para as antocianinas inibirem a injúria oxidativa das células endoteliais e a atividade intracelular de radicais livres. Em contrapartida, a presença de metilações nos carbonos 3, 4 e 5 reduzem esses efeitos (CARDOSO et al., 2011). Pode-se dizer também que as antocianinas que possuem os 25 monossacarídeos glicose e galactose apresentam potencial antioxidante superior em relação às que contém dissacarídeos (KONG et al., 2003). A capacidade antioxidante das antocianinas tem sido extensivamente avaliada em derivados de vegetais ricos nessa classe de flavonóides como em polpas, cascas, sementes e sucos de frutas. Os frutos de cor púrpura escura ou quase negra apresentam alto teor de antocianinas, um flavonóide com ação antioxidante e anti-inflamatória (KONG et al., 2003; SANTOS e MEIRELES, 2009; VEGGI et al., 2011). Essas propriedades já foram demonstradas em estudos in vitro e in vivo (GALVANO et al., 2004) e um aumento de publicações nesse domínio tem sido observadas nos últimos anos a fim de avaliar a utilização desses compostos em escala industrial (SANTOS e MEIRELLES, 2009; VEGGI et al., 2011). Estima-se que a ingestão de antocianinas nos Estados Unidos esteja entre 12 a 215 mg dia-1 indivíduo-1, a qual é maior que outros flavonóides como a quercetina e o kaempferol (HERTOG et al., 1993; WU et al., 2006; CARDOSO et al., 2011). Santos e Meireles (2009), em artigo de revisão, compilaram estudos sobre os benefícios das antocianinas à saúde, como na redução do risco de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, sobre o efeito protetor contra a lesão hepática e gástrica e, com a degradação do colágeno, o aumento do desempenho cognitivo, entre outras. A introdução das antocianinas em alimentos e/ou no campo da medicina tem provado ser desafio tecnológico uma vez que esses compostos têm estabilidade baixa nas condições ambientais utilizadas durante o processamento, estocagem e consumo (SANTOS et al., 2011). Os compostos fenólicos são suscetíveis à degradação por meio de alguns fatores tal como a presença de luz, pH (superior a 7,0), presença de sulfito de sódio, ácido ascórbico, temperaturas superiores a 6080ºC, dependendo do grupo da antocianina neste último caso, entre outros (WESCHE-EBELING e ARGAIZ-JAMET, 2002; GIUSTI e WALLACE, 2009; SANTOS et al., 2011). Dentre os compostos fenólicos com características antioxidantes de ampla distribuição nos vegetais estão os derivados de polimerização, como os taninos (SOARES, 2002; PRADO, 2008). Os taninos são presentes na maioria das plantas, cuja concentração varia de acordo com o tecido vegetal, bem como da idade e 26 tamanho da planta, da parte coletada, da época ou ainda, do local de coleta (MONTEIRO et al., 2005). Os taninos são compostos de alto peso molecular encontrados em muitas frutas, principalmente nas cascas, os quais têm a capacidade de precipitar proteínas incluindo as salivares da cavidade oral. Tais características explicam o papel dos taninos na proteção vegetal contra patógenos e na detenção de herbívoros (PRADO, 2008; RODRIGUES, 2009). De acordo com sua estrutura, os taninos podem ser classificados em hidrolisáveis (incluem galitaninos e elagitaninos) e condensados ou proantocianidinas (Figura 3). Os taninos possuem três características gerais que são comuns em maior ou menor grau aos dois grupos de classificação. Eles são capazes de complexar íons metálicos, como o ferro, manganês, vanádio, cobre, alumínio e cálcio, de exercer atividade antioxidante e sequestradora de radicais livres e de complexar macromoléculas como proteínas e polissacarídeos (MUELLER-HARVEY, 2001; BATTESTIN et al., 2004; EFRAIM et al., 2006; MELLO e SANTOS, 2007; PRADO, 2008). Figura 3 - Estrutura básica dos taninos. (1) Tanino hidrolisável (elagitanino); (2) Radical que completa a estrutura 1; (3) Tanino condensado ou proantocianidina Fonte: Queiroz et al. (2002). Os taninos condensados possuem menor capacidade de complexação com proteínas do que os taninos hidrolisados, resultando em baixa adstringência (PERTUZATTI et al., 2008), o que é sensorialmente positivo. De acordo com Moure 27 et al. (2001), os polifenóis poliméricos são antioxidantes mais potentes do que os fenólicos monoméricos. Isto significa que os taninos condensados e hidrolisáveis possuem maior habilidade antioxidante. Os taninos condensados estão presentes em diversos produtos de origem vegetal, o que confere às frutas, hortaliças e condimentos alto valor nutritivo e boa propriedade terapêutica. Esses alimentos apresentam substâncias que estão relacionadas aos efeitos benéficos para o organismo humano, como a ação antioxidante, que certamente vem contribuindo para contínua melhoria da saúde humana, como o retardo do envelhecimento e a prevenção de certas doenças (ROESLER et al., 2007; SCHWAGER et al., 2008). Os taninos são usados na indústria alimentícia como antioxidante nos sucos de frutas e bebidas; como clarificante de vinhos, como corantes têxteis; na produção de borrachas e, como coagulantes e floculantes no tratamento de água (SANTOS e MELLO, 1999). Também podem ser aplicados no curtimento de couro, que se baseia na associação de polifenóis com o colágeno (KHANDABABAEE e REE, 2001; PANSERA et al., 2003). Esses taninos podem interagir com proteínas alimentares e formar complexos insolúveis que provocam danos à saúde, como baixa digestibilidade proteica, inibição de enzimas, comprometimento do crescimento e outros. Por isto é importante a caracterização desse constituinte a fim de dar segurança ao uso tanto do fruto inteiro como de suas frações na indústria alimentícia (BOARI LIMA et al., 2008). 3.1.3 Quantificação da atividade antioxidante Para a saúde humana, a capacidade antioxidante ou de sequestrar radicais é considerada especialmente como frutos atividade comestíveis importante ricos em de frutas ricas antocianinas. em polifenóis, Algumas frutas, especialmente aquelas de cor escura (uva, mirtilo, ameixa, cereja, cranberry, amora, entre outras), têm sido chamadas de “super frutas” devido à sua alta capacidade antioxidante (WU et al., 2013). Ao decidir utilizar determinado composto com atividade antioxidante em um modelo alimentar algumas características são consideradas importantes como, sua eficácia em baixas concentrações, a ausência de efeitos indesejáveis na coloração, 28 no aroma, no sabor e nas demais características importantes para o alimento escolhido. Devem ser observadas e testadas a compatibilidade com o alimento, o fácil emprego, a ausência de toxicidade, os produtos originados caso ocorra a oxidação do mesmo, entre outros. Além disso, é imprescindível considerar a legislação vigente, o custo-benefício e a aceitação do consumidor (RAFECAS et al., 1998; WANASUNDARA e SHAHIDI, 2005; PRADO, 2008). Considerando-se a grande diversidade química dos compostos fenólicos, diferentes solventes são empregados no processo de extração e variadas metodologias analíticas são empregadas no processo de quantificação e do poder oxidativo destes compostos (EFRAIM et al., 2006; RODRIGUES, 2009). Os principais métodos in vitro para determinação de atividade antioxidante estão citados no Quadro 1. Quadro 1 - Principais métodos in vitro para determinação da atividade antioxidante e seus princípios de ação. Método Princípio ABTS (ácido 2,2-azinobis-(3-etilbenzotiazolina)-6-sulfônico) Transferência de elétrons DPPH (2,2-difenil-1-picril-hidrazil) Transferência de elétrons FRAP (Ferric Reducing Antioxidant Power) Transferência de elétrons ORAC (Oxigen Radical Absorbance Capacity) Transferência de átomo de hidrogênio TRAP (Total Reactive Antioxidant Potential) Transferência de átomo de hidrogênio β-caroteno/ácido linoléico Transferência de átomo de hidrogênio Inibição da oxidação do LDL Transferência de átomo de hidrogênio Fonte: Rodrigues, (2009). Alguns pesquisadores (MAGALHÃES et al., 2008; RODRIGUES, 2009) classificaram os métodos analíticos para determinar a atividade antioxidante em competitivos e não competitivos. Nos competitivos a espécie alvo é definida como composto que representa biomolécula que pode ser atacada in vivo e o composto antioxidante aplicado compete pelas espécies reativas (radicais ou não radicais). Na maioria dos casos, a avaliação da atividade antioxidante baseia-se na quantificação da espécie alvo ou de sua forma oxidada. Os métodos não competitivos, por sua vez, (os prováveis antioxidantes: DPPH e ABTS) interagem com espécies reativas sem a presença da molécula alvo. A avaliação da capacidade antioxidante é monitorada pela quantificação da espécie reativa (MAGALHÃES et al., 2008; RODRIGUES, 2009). Os métodos podem ser mais bem ilustrados na Figura 4. 29 Figura 4 - Representação dos métodos competitivos (a) e não competitivos (b). Fonte: Rodrigues, (2009). Os métodos DPPH (2,2-difenil-1-picrilhidrazila), ABTS (ácido 2,2-azinobis-(3etilbenzotiazolina)-6-sulfônico) e FRAP (Ferric Reducing Antioxidant Power) fazem parte dos métodos não competitivos, enquanto o β-caroteno/ácido linoléico representa método competitivo (RODRIGUES, 2009). Para a escolha do método que corresponda aos objetivos da pesquisa é importante conhecer o mecanismo reacional de cada um. O radical estável 2,2-difenil-1-picril hidrazil (DPPH•) tem sido amplamente utilizado para avaliar a capacidade de antioxidantes naturais em sequestrar radicais livres (BRAND-WILLIAMS et al., 1995; BONDET et al., 1997; SANCHEZ-MORENO et al., 1998; ROESLER et al., 2007). A avaliação da atividade antioxidante utilizando DPPH• consiste em quantificar a atividade sequestradora do radical (FIRMINO, 2011). O DPPH• é um dos poucos radicais estáveis e orgânicos de nitrogênio comercialmente disponíveis (HUANG et al., 2005), tendo estrutura caracterizada por valência com um elétron desemparelhado em um átomo de nitrogênio (EKLUND et al., 2005), conforme Figura 5. 30 Figura 5 - Estrutura química do radical DPPH• Fonte: Rodrigues, (2009). Nesse método, por ação de um antioxidante, o radical cromógeno púrpura (DPPH•) é reduzido à hidrazina (2,2-difenilpicril-hidrazina – DPPH-H) de coloração amarelo pálida. Essa avaliação é realizada comumente em meio orgânico (etanol, metanol, entre outros) pelo monitoramento do decaimento da absorbância a 515-528 nm por tempo determinado ou até sua constância. A partir dos resultados obtidos determina-se a porcentagem de atividade antioxidante (quantidade de DPPH• consumida pelo antioxidante) ou sequestradora de radicais e/ou a porcentagem de DPPH• remanescente no meio. O mecanismo da reação é baseado na transferência de elétrons, sendo fortemente influenciada pelo solvente e pelo pH do meio reacional (PELLEGRINI, et al., 2007; MAGALHÃES et al., 2008; FIRMINO, 2011). O radical DPPH reage rapidamente com alguns fenóis e α-tocoferol, mas ocorrem reações secundárias concomitantemente de forma lenta causando progressivo decréscimo na absorbância, podendo demorar várias horas para que a reação seja estabilizada. Os dados são comumente expressos como EC50 (Equivalent Concentration - amostra necessária para reduzir em 50% a concentração inicial do radical DPPH), que é a concentração de antioxidante requerida para 50% do radical DPPH ser sequestrado no período de tempo especificado. Paralelamente, pode-se expressar os resultados do ensaio DPPH em TEAC (Capacidade Antioxidante Equivalente ao Trolox®), através da medida do decréscimo da absorbância (BRAND-WILLIAMS et al., 1995; PRADO, 2008). Analisando-se grande parte das pesquisas já realizadas através desse método (EINBOND et al., 2004; REYNERTSON et al., 2008; ALEZANDRO et al., 2010; HAMINIUK et al., 2011; RUFINO et al., 2011; ABE et al., 2012; WU et al., 2012), pode-se observar que são utilizados diferentes protocolos, no qual variam na 31 concentração inicial do radical, tempo de reação, solvente e pH reacional, devido à particularidade de cada amostra. Essas variáveis afetam o resultado obtido e por consequência torna-se difícil comparar os resultados de diferentes autores (SHARMA et al., 2009). Apesar disso, é considerado método válido e fácil para avaliar a atividade antioxidante de compostos puros e/ou extratos complexos (SANCHEZ-MORENO, 2002; RODRIGUES, 2009). O método FRAP (Ferric Reducing Antioxidant Power) também é utilizado para medir o potencial antioxidante em frutos e suas frações. Esse método mede a habilidade de compostos reduzirem o complexo férrico Fe+3-2,4,6-tripiridil-s-triazina [(Fe+3-TPTZ)2]+3 para um complexo ferroso [(Fe+2-TPTZ)2]+2 intensamente azul na presença do antioxidante em condições ácidas (Figura 6). A quantificação é feita pela medida da absorbância de 590-620 nm e a partir de soluções padrão de ferro ou com solução de um antioxidante padrão (MAGALHÃES et al., 2008; RODRIGUES, 2009; SUCUPIRA et al., 2012). +3 2 +3 Figura 6 - Reação de redução de complexo férrico [(Fe -TPTZ) ] +2 2 +2 [(Fe -TPTZ) ] Fonte: Rodrigues, (2009). para um complexo ferroso A efetividade dos compostos antioxidantes nos alimentos deve ser estudada através de mais de uma metodologia, devido ao fato da capacidade antioxidante sofrer influência de diversos fatores como polaridade, solubilidade e atividade quelante de metais (GORDON, 2001; PRADO, 2008). Dessa forma, levando-se em conta os pontos fortes, pontos fracos e aplicabilidade de cada tipo de ensaio, atualmente, preconiza-se a utilização de duas ou mais técnicas, já que nenhum ensaio usado isoladamente para determinar a 32 capacidade antioxidante irá refletir exatamente na “capacidade antioxidante total” da amostra (RODRIGUES, 2009; SUCUPIRA et al., 2012). 3.2 JABUTICABA 3.2.1 Composição e benefícios da jabuticaba Os consumidores têm se preocupado com o uso de aditivos sintéticos em alimentos, pressionando a indústria de alimentos a buscar novas fontes de compostos bioativos naturais (MONTES et al., 2005; VEGGI et al., 2011). Além disso, nos últimos anos têm-se observado apelo por uma vida mais saudável, existindo a preocupação por dietas ricas em frutas e vegetais que estão ligados a redução da incidência de doenças cardíacas, neurodegenerativas, entre outras (YOUDIM e JOSEPH, 2001; ARTS e HOLLMAN, 2005; CAVALCANTI et al., 2011). As dietas ricas em fitoquímicos podem reduzir a incidência de doenças do coração, bem como, alguns tipos de câncer e de desordens neurológicas devido a sua capacidade de sequestrar os radicais livres produzidos no organismo, como já citado anteriormente (REYNERTSON et al., 2008). Muitos dos produtos químicos que constituem os alimentos funcionais são substâncias bioativas que pertencem ao grupo de compostos provenientes do metabolismo secundário das plantas. Esses são chamados de compostos fitoquímicos e podem ser considerados altamente ativos em termos nutricionais, fisiológicos e medicinais (GOLDBERG, 1994; TAIZ e ZEIGER, 2009; CAVALCANTI et al., 2011). Assim, muitas atividades funcionais são atribuídas aos extratos e seus ingredientes ativos derivados das plantas (LEAL et al., 2003; CAVALCANTI et al., 2011). O Brasil, apesar de ser considerado um dos países com a maior biodiversidade do mundo, muitas vezes é ineficiente no uso de seus recursos naturais (CALIXTO, 2005; CAVALCANTI et al., 2011). Uma das formas para melhor aproveitamento desses recursos e que está sendo muito estudada nas últimas décadas é o uso de ingredientes naturais obtidos de alguns componentes das plantas como casca, caule, folha, polpa, semente e raiz, nos quais pode conter atividade antioxidante, antimicrobiana, anti-inflamatória e anticancerígena. 33 Considerando-se que algumas frutas podem conter maior teor de compostos bioativos nas sementes e nas cascas em relação à polpa, existe elevada proporção de resíduos com potencial antioxidante que pode ser gerada pela indústria processadora de frutas, principalmente quando relacionada à jabuticaba (SILVA et al., 2010a). A jabuticaba pertence à família Myrtaceae, sendo nativa do Brasil e com maior predominância nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (ZURLO e BRANDÃO, 1990; BRASIL, 2002; PEREIRA, 2003). Dentre as espécies conhecidas destacam-se a Plinia cauliflora (jabuticaba paulista ou jabuticaba açú), a Plinia jabuticaba (jabuticaba sabará) e a Plinia trunciflora (jabuticaba de cabinho), sendo esta primeira com maior predominância na região Sudoeste do Paraná (MATOS, 1983; DONADIO, 1983; OLIVEIRA et al., 2003). A jabuticabeira produz frutas em forma de bagas sub-globulares, com casca fina, lisa e frágil, de cor roxa escura quando madura, medindo em média 1,6 a 2,2 cm de diâmetro, contendo de 1 a 4 sementes por fruto, cuja polpa é branca, suculenta, doce e ligeiramente ácida. O fruto apresenta consistência firme, brilhante e sem rachaduras (ANDERSEN e ANDERSEN, 1989; ZURLO E BRANDÃO, 1990; WHALEN et al., 1997; BRASIL, 2002; CAVALCANTI et al., 2011). A jabuticaba possui alto teor de taninos (MORTON, 1987), vitamina C (GIACOMETTI et al. 1994) e conteúdo de flavonóides, mais especificamente antocianinas em sua casca (GIACOMETTI et al., 1994; TERCI, 2004; ZANATTA et al., 2005; CAVALCANTI et al., 2011). Isto significa possuir considerável potencial antioxidante e, assim, papel na prevenção de muitas doenças relacionadas com o estresse oxidativo. O dano oxidativo é equilibrado por antioxidantes endógenos, mas a proteção adicional, fornecida pelos alimentos nutritivos e não nutritivos, é fundamental para a quimioprevenção de doenças (CAVALCANTI et al., 2011). Popularmente, a casca da jabuticaba é destaque em tratamentos de hemoptise, asma, disfunção entérica e inflamações crônicas nas amígdalas (SANTOS e MEIRELES, 2009; CAVALCANTI et al., 2011). Trabalhos recentes têm apontado também que as cascas de jabuticaba apresentam atividades biológicas (antioxidante, antiradical etc.), devido a componentes fenólicos presentes em sua composição (REYNERTSON et al., 2008; SANTOS et al., 2010). Lenquiste et al. (2012) realizaram testes in vivo adicionando 1, 2 e 4% de farinha de casca de jabuticaba liofilizada em rações para ratos obesos, com o 34 consumo diário, durante 30 dias e verificaram que o composto pode agir na prevenção de doenças como diabetes tipo II, pois reduziu em 10% a glicemia e o colesterol sanguíneo. Testes in vitro também foram realizados utilizando extratos de casca de jabuticaba em células humanas com algum tipo de câncer, no qual verificou-se redução de 50% no crescimento de células de leucemia e células de câncer de próstata (LEITE-LEGATTI et al., 2012). Santos et al. (2012) demonstraram que as cascas de jabuticaba parecem ser fonte promissora de compostos antioxidantes, incluindo antocianinas (cianidina-3-glicosídeo e delfinidina-3-glicosídeo), sendo compostos naturais coloridos que podem ser considerados potenciais substitutos para os corantes alimentares sintéticos. Estudos in vitro e in vivo relataram que as antocianinas podem atenuar o estresse oxidativo no processo aterosclerótico, sendo que vários mecanismos podem estar envolvidos como a capacidade das antocianinas em inibir a oxidação do LDL (YI et al., 2010) e reduzir a injúria oxidativa das células endoteliais vasculares (CHANG et al., 2006). A casca de jabuticaba pode ser fonte de fibras alimentares (BOARI LIMA et al., 2008), sendo composta por uma fração insolúvel que contém celulose, algumas hemiceluloses e a lignina e, outra fração solúvel por pectinas, gomas, mucilagens e algumas hemiceluloses (POURCHET-CAMPOS, 1988). A fração solúvel age absorvendo água, transformando-se em espécie de "gel" capaz de eliminar gorduras e evitar que as mesmas sejam absorvidas pelo intestino. Elas também retardam a absorção de carboidratos (prolongando a sensação de saciedade) e ajudam a diminuir as taxas de LDL (colesterol ruim). Já a fração insolúvel tem como principal função regular o funcionamento do intestino (STELLA, 2009). Boari Lima et al. (2008) ao avaliarem as frações de jabuticaba das espécies Paulista e Sabará ressaltaram que os maiores teores de fibras solúveis e insolúveis estavam nas cascas da mesma. 3.2.2 Aproveitamento do subproduto da jabuticaba (casca) O mercado consumidor está cada vez mais exigente em relação aos alimentos e produtos, procurando por aqueles mais nutritivos, seguros e que 35 preservem a saúde (DURIGAN, 2004). Essa é a tendência mundial que tem reflexo na produção de alimentos de qualidade (VIEITES et al., 2011). O baixo consumo de fibras, vitaminas e minerais é comum na população brasileira em função da baixa ingestão de frutas e vegetais e, também do desperdício destes alimentos (GONDIM et al., 2005). Na tentativa de elevar o consumo de nutrientes e de ingerir compostos que possuam atividade biológica, algumas alternativas têm sido propostas, dentre elas, a produção de novos alimentos que possuam valor nutricional superior ao alimento in natura, mas que sejam acessíveis às classes economicamente menos favorecidas (VORAGEN, 1998), como por exemplo, o uso de cascas de frutas para preparação de farinhas (ASCHERI et al., 2006; BORGES et al., 2009; GOMES et al., 2010; FERREIRA et al., 2012), a inclusão de sementes como ingrediente bioativo (SILVA et al., 2011; UTPOTT, 2012), entre outros. Uma das opções está na elaboração de farinhas diferenciadas, que já se mostra bem explorada pela indústria (EL-DASH et al., 1994; RIBEIRO e FINZER, 2010), uma vez que a alta nos preços do milho, trigo, soja e leite compromete a alimentação das pessoas mais carentes e força a procura por alimentos alternativos (KUNTS et al., 2008). Essas farinhas devem oferecer ao consumidor produto de boa qualidade nutricional e sensorial (FASOLIN et al., 2007), sem causar prejuízos à saúde. Os mais diversos subprodutos são utilizados com a finalidade de aproveitar as propriedades funcionais nas mesmas como polpas e cascas de banana, seja madura ou verde, subprodutos da indústria da uva (mosto, bagaço, cascas, entre outros), cascas de maracujá, maçã, manga, batata, laranja etc (AROGBA, 1999; ASCHERI et al., 2006; FERNANDES et al., 2008; SOUZA et al., 2008; BORGES et al., 2009; ALKARKHI et al., 2011; ARAÚJO, 2011; FERREIRA et al., 2012; LAGE et al., 2012). Uma das matérias-primas que podem ser utilizadas para elaboração de farinhas diferenciadas é a casca de jabuticaba, já que a mesma abrange propriedades bioativas, que acarretam em benefícios à saúde por meio dos compostos de natureza antioxidante, que também podem auxiliar na conservação do alimento e, além disso possuem fibras, minerais e carboidratos. Há, até o momento, pelo menos dezessete estudos na literatura que citam o forte potencial antioxidante da jabuticaba e suas frações (EINBOND et al., 2004; 36 REYNERTSON et al., 2004; REYNERTSON et al., 2006; REYNERTSON et al., 2008; ASSIS et al., 2009; RUFINO et al., 2010; SANTOS et al., 2010; ALEZANDRO et al., 2010; ROMERO et al., 2010; LEITE et al., 2011; RUFINO et al., 2011; HAMINIUK et al., 2011; DASTMALCHI et al., 2012; WU et al., 2012; ABE et al., 2012; LEITE-LEGATTI et al., 2012; WU et al., 2013). A farinha da casca de jabuticaba pode ser alternativa para uso em pães, bolos, sorvetes, biscoitos tipo cookies, barras de cereais, entre outros. Os biscoitos tipo cookies, que tem como base em sua formulação farinha, ovos, açúcar e gordura, entre outros ingredientes e condimentos que conferem sabor característico aos mesmos (PERES, 2010), podem ser uma das opções para aproveitamento da casca de jabuticaba, pois apresentam grande consumo, longa vida de prateleira e boa aceitação por parte da população, principalmente entre jovens e crianças. Devido a essa aceitabilidade têm-se procurado alternativas com a intenção de torná-los “fortificados”, como fontes de compostos com atividade biológica benéfica, devido ao grande apelo para a melhoria da qualidade de vida através de hábitos alimentares mais saudáveis (FASOLIN et al., 2007; RIBEIRO e FINZER, 2010). Tais biscoitos têm sua origem artesanal, vinda da cultura alemã onde eram utilizados para testar a temperatura do forno antes de assar bolo, até os britânicos descobrirem tal iguaria para acompanhar o tradicional chá das cinco. Posteriormente, foi difundido pela América através da colonização onde ganhou maior destaque e consumo, principalmente nos Estados Unidos, que inseriu as gotas de chocolate na receita. Tal país é o maior consumidor desse biscoito, atingindo mais de 2 bilhões de cookies/ano, o que significa 300 cookies para cada cidadão (LISBOA, 2010). No Brasil, o consumo desses biscoitos concretizou-se a partir de 1967, porém somente nos últimos anos teve-se seu consumo aumentado significativamente devido a variedade de ingredientes com propósito nutricional agregados à receita, como grãos, frutas secas, farinhas integrais, açúcar mascavo, entre outros. Diversas pesquisas já testaram farinhas alternativas elaboradas com ingredientes naturais na confecção de biscoitos tipo cookie, dentre os quais teve-se sucesso com a farinha de jatobá (SILVA et al., 1999), farinha de casca de maracujá (ISHIMOTO et al., 2007), farinha de casca de pequi (SOARES JR et al., 2009), 37 farinha de sabugo de milho e casca de banana (RIBEIRO e FINZER, 2010), farinha de casca de maracujá amarelo e Okara (LUPATINI et al., 2011), farinha de bagaço de uva (PERIN e SCHOTT, 2011), farinha de banana (AGAMA-ACEVEDO et al., 2012), farinha de casca de maracujá amarelo e fécula de mandioca (SANTANA et al., 2011), farinha de casca de jabuticaba (FERREIRA et al., 2012), farinha de banana verde (SARAWONG et al., 2014), entre outros. O enriquecimento desses biscoitos com a farinha oriunda da casca de jabuticaba além de ser alternativa econômica, pode agregar propriedades desejáveis ao produto final. Essas características desejáveis, quando mantidas durante o cozimento do produto, estarão relacionadas especialmente aos compostos antioxidantes como antocianinas e taninos e, aos compostos que auxiliam em funções vitais como fibras. A utilização do subproduto gerado no consumo e industrialização da jabuticaba para obtenção de um novo produto com propriedades bioativas apresenta-se como tecnologia alternativa e de grande potencial para mercado. 38 4 MATERIAL E MÉTODOS 4.1 LOCAL E PERÍODO O estudo pesquisa foi realizada nos Laboratórios de Bioquímica, Química Orgânica e Análise Sensorial e nas Unidades de Ensino e Pesquisa - UEPEs de Frutas, Hortaliças e Bebidas e de Panificação, ambos nas dependências da UTFPR Câmpus Francisco Beltrão. 4.2 MATERIAL UTILIZADO As amostras de jabuticaba (Plinia cauliflora) foram obtidas na região Sudoeste do Paraná, sendo selecionados aproximadamente 15,0 Kg de frutas inteiras e maduras, no período de dezembro de 2012 a janeiro de 2013. Para a pesquisa separou-se a polpa e semente das cascas. As cascas foram embaladas e armazenadas em freezer a -18ºC até sua utilização para preparo das amostras. 4.3 PREPARO DAS AMOSTRAS Para a realização dos experimentos as cascas foram transferidas do freezer para refrigerador a 5ºC durante 1 dia para o processo de descongelamento. Após foram previamente higienizadas com água corrente e solução de hipoclorito de sódio 15 mg L-1 por 15 minutos (CASARIN, 2012). 4.4 PREPARO DA FARINHA As cascas de jabuticaba (80,0 g) previamente descongeladas foram submetidas à secagem em estufa com circulação de ar a 60 ± 5ºC, por 10h para posterior elaboração da farinha. Para isso, utilizou-se a metodologia proposta por Casarin (2012), visando-se garantir amostra com baixos índices de umidade (de 5 a 15% conforme Resolução - CNNPA nº 12, de 1978) bem como, a preservação das características nutricionais das frutas e/ou subprodutos (alto teor de compostos fenólicos e atividade antioxidante). 39 A amostra após processo de secagem foi triturada em processador de alimentos, sendo peneirada para obtenção de tamanho padronizado em jogo de peneiras de 20 a 50 mesh, à temperatura ambiente e sob abrigo de luz. O peneiramento permitiu obter farinha em flocos aparentes (Figura 7). A farinha foi embalada a vácuo, em sacos de polipropileno, e armazenada sob refrigeração até sua utilização. 4.5 ELABORAÇÃO DOS COOKIES Foram realizados testes preliminares para a obtenção dos biscoitos, utilizando substituições da farinha de trigo integral por farinha da casca de jabuticaba nas percentagens de 5%, 10% e 15%. As formulações com 10% e 15% foram descartadas por sensorialmente apresentarem amargor. A partir disso, e com base em estudos (FERREIRA et al., 2012), decidiu-se utilizar a formulação com 5% como ponto intermediário, e trabalhar com substituições abaixo e acima desse ponto, além da formulação padrão (0%). Partindo-se desse estudo, os cookies foram elaborados realizando substituições de 2,5%, 5% e 7,5% da quantidade de farinha de trigo integral pela farinha da casca de jabuticaba elaborada (Tabela 1). Também foi elaborado um biscoito sem adição de farinha da casca de jabuticaba (padrão). O processo de fabricação desse biscoito foi baseado nos trabalhos realizados por Perin e Schott (2011) e Ferreira et al. (2012). Os ingredientes adicionados são amplamente conhecidos pelos benefícios à saúde, como a farinha de trigo integral, aveia em flocos e açúcar mascavo. Inicialmente, foram adicionados e misturados os ingredientes secos (farinha de trigo integral, farinha da casca de jabuticaba, açúcar mascavo, açúcar branco, aveia em flocos, amido de milho e fermento químico). Após, inseriu-se os ingredientes úmidos (margarina, ovos e essência de baunilha) e misturaram-se os mesmos até obter massa homogênea. A massa foi então moldada e os cookies assados a 180-220°C por 11 minutos (Figura 7). Após foram resfriados à temperatura ambiente e embalados a vácuo, para posteriores análises físicoquímica, microbiológica e sensorial. 40 Tabela 1- Formulação dos cookies elaborados com adição de farinha da casca de jabuticaba em diferentes percentuais Tipo de Formulação (g%) Ingredientes Cookie (0%) Cookie (2,5%) Cookie (5%) Cookie (7,5%) 31,07 28,57 26,07 23,57 FCJ em flocos 0,00 2,50 5,00 7,50 Amido de milho 15,53 15,53 15,53 15,53 Açúcar mascavo 7,77 7,77 7,77 7,77 Açúcar branco refinado 7,77 7,77 7,77 7,77 Aveia em flocos 7,77 7,77 7,77 7,77 Fermento químico 1,94 1,94 1,94 1,94 Essência de baunilha 0,97 0,97 0,97 0,97 Margarina 15,53 15,53 15,53 15,53 Ovos 11,65 11,65 11,65 11,65 Farinha de trigo integral 1 1 Farinha da casca de jabuticaba Figura 7 - Casca de jabuticaba após secagem, farinha da casca de jabuticaba em flocos e biscoitos tipo cookie formulados a partir de substituições de farinha de trigo integral por farinha de casca de jabuticaba. 41 4.6 PREPARO DAS AMOSTRAS PARA ENSAIOS 4.6.1 Preparo da casca, da farinha e dos cookies As amostras da casca, da farinha da casca e dos biscoitos tipo cookie foram preparadas segundo Cecchi (2003). Primeiramente, efetuou-se o quarteamento das amostras e em seguida as mesmas foram trituradas em liquidificador em velocidade média até obtenção de flocos pequenos (média de 5 minutos). A partir da obtenção destas amostras, parte foi separada para as análises de composição proximal e o restante foi destinado ao preparo de extratos para realização das análises de compostos bioativos e de atividade antioxidante. 4.6.2 Preparo do extrato Os extratos foram obtidos pelo método de extração hidroalcoólica a frio segundo Vedana (2008). Homogeneizou-se 60 g de cada amostra em 60 mL de etanol 80%, em liquidificador durante 10 minutos. Após, cada amostra foi levada para centrifugação a 3500 rpm por 20 minutos. Ao precipitado obtido, adicionou-se mais 60 mL de etanol 80% para realização de mais uma extração de 10 minutos e posterior centrifugação por 20 minutos, sendo esse procedimento repetido mais uma vez. Todos os sobrenadantes foram reunidos constituindo-se no extrato hidroalcoólico por amostra. Os extratos foram mantidos a -18ºC até o momento das análises. 4.7 ANÁLISES REALIZADAS As amostras de casca, farinha e cookies de jabuticaba foram avaliadas quanto as variáveis umidade, cinzas, proteína, lipídeos, fibra total e carboidratos totais por diferença, valor calórico, acidez total titulável, pH, fenóis totais, flavonóides totais, antocianinas totais, taninos condensados, atividade antioxidante por DPPH (expressa em EC50 e TEAC) e atividade antioxidante pelo método de redução do ferro - FRAP. 42 Adicionalmente, as amostras de cookies foram submetidas a ensaios microbiológicos para constatar a inocuidade dos mesmos e destiná-los à análise sensorial. Todas as análises foram realizadas em triplicata. 4.7.1 Umidade A umidade foi determinada por gravimetria em estufa a 105°C até massa constante de massa seca, conforme o Instituto Adolfo Lutz (2008). Pesou-se 2,0 g de amostra em cápsula de vidro previamente tarada. As mesmas foram levadas à estufa com circulação de ar até peso constante (em média 6 horas). Os resultados foram expressos em g 100g-1. 4.7.2 Cinzas As cinzas foram determinadas por gravimetria segundo a metodologia descrita nos Métodos Físico-Químicos para Análise de Alimentos do Instituto Adolfo Lutz (2008). Foram pesados 5,0 g de amostra em cadinho previamente seco e de massa conhecida. Primeiramente, os mesmos foram encaminhados à chapa aquecedora para queima preliminar. Após, estes foram destinados para a mufla à 550ºC para incineração durante 4 horas, retirados, resfriados à temperatura ambiente e novamente pesados. Os resultados foram expressos em g 100g-1 de cinzas. 4.7.3 Proteína A determinação de proteínas foi realizada pelo processo de digestão semi micro Kjeldahl segundo IAL (2008). A análise foi iniciada pela digestão das amostras pesando-se 0,25 g das mesmas em papel de pesagem e transferindo-as para tubo de digestão. Após, foi adicionado em cada tubo 2,5 g de mistura catalítica (Na2SO4 e CuSO4.5H2O 10:1 m/m) e 7,0 mL de H2SO4 p.a. Posteriormente, os tubos foram encaminhados ao bloco digestor ainda frio e iniciou-se o aquecimento lento até atingir 350-400ºC. A digestão foi considerada completa quando o líquido do tubo estava límpido e 43 transparente e, com coloração levemente azulada. Os tubos foram retirados do bloco e resfriados à temperatura ambiente para a destilação Para a destilação, inicialmente, diluiu-se cada amostra com 10 mL de água ultrapura vagarosamente para evitar fervura e encaminhou-se os tubos para destilador Kjeldahl onde foi adicionada cuidadosamente solução de NaOH 50% até a viragem da coloração para marrom escuro indicando-se sua neutralização. Terminada a neutralização, separadamente adicionou-se em erlenmeyer de 125 mL, 20 mL de H3BO3 4% e 3 gotas de indicador misto. Acoplou-se o erlenmeyer no destilador e recolheu-se aproximadamente 50 mL de destilado para a titulação. Titulou-se o conteúdo do erlenmeyer com solução de H2SO4 0,1N padronizado até viragem para coloração rósea. A conversão do teor de nitrogênio em proteína foi feita através do fator de conversão 6,25 (BOARI LIMA et al., 2008). O resultado foi expresso em g 100g-1 de proteína bruta. 4.7.4 Lipídeos Para determinação de lipídeos foi utilizada a metodologia proposta por Bligh e Dyer (1959), utilizada para amostras com alto teor de umidade, a qual emprega a mistura de três solventes, clorofórmio, metanol e água (2:1:1 v/v). A amostra é misturada com metanol e clorofórmio que estão numa proporção que forma uma fase só com a amostra. Após adiciona-se mais clorofórmio e água de maneira a formar duas fases distintas, uma de clorofórmio, contendo lipídios, e outra de metanol e água, contendo substâncias não lipídicas. A fase de clorofórmio com gordura é isolada e, após a evaporação do clorofórmio, obtém-se a quantidade de gordura por pesagem. Quinze gramas (15 g) de amostra fresca foram pesadas em bécker de 250 mL, sendo em seguida adicionados clorofórmio (15 mL) e metanol (30 mL), agitandose por 15 minutos. Posteriormente, foi adicionado mais clorofórmio (15 mL) agitandose por mais 2 minutos e água ultrapura (15 mL) agitando-se por mais 5 minutos. Todas as agitações foram realizadas com bastão de vidro. Filtrou-se a solução em funil de Buchner acoplado a kitassato, utilizando-se bomba de vácuo. Após repetiuse lavagem mais 2 vezes com 10 mL de clorofórmio com agitações de 5 minutos cada, filtrando-a sempre. O filtrado foi transferido para funil de separação e permaneceu em repouso por 12 horas. Recolheu-se a fase inferior (clorofórmio + 44 gordura) em balão de fundo chato e o mesmo foi levado ao rotaevaporador até completa evaporação do clorofórmio. O mesmo foi resfriado em dessecador e pesado. A fase inferior (metanol + água) foi descartada em local adequado. O resultado foi expresso em g 100g-1 de lipídeos. 4.7.5 Fibra total As fibras foram determinadas conforme metodologia descrita pelo Instituto Adolfo Lutz (2008). Pesou-se 2,0 g de amostra em papel filtro. Fez-se extração contínua em aparelho Soxhlet usando éter como solvente. Encaminhou-se a amostra para estufa para eliminar o resíduo de solvente. O resíduo foi transferido para erlenmeyer de 750 mL com boca esmerilhada, ao qual foram adicionados 100 mL de solução ácida (500 mL ácido acético, 450 mL água ultrapura, 50 mL ácido nítrico e 20 g ácido tricloroacético). O mesmo foi adaptado a refrigerador de fluxo por 40 minutos, mantido sobre aquecimento. Após, a amostra foi filtrada em cadinho de Gooch com agente filtrante e auxílio de vácuo e lavada com água fervente, 20 mL de álcool e 20 mL de éter, seca em estufa a 105ºC por 2 horas, pesada e incinerada em mufla a 550ºC até peso constante. Os resultados foram expressos em g 100 g-1 de fibra bruta. 4.7.6 Carboidratos – ENN O extrato não nitrogenado (fração glicídica) foi determinado pela diferença entre 100 e os teores de extrato etéreo, proteína bruta, cinzas e fibra alimentar (BOARI LIMA et al., 2008). 4.7.7 Valor calórico total O valor calórico total foi calculado com base na composição das amostras, utilizando os fatores de conversão de Atwater: 4 kcal g-1 para proteína, 4 kcal g-1 para carboidratos e 9 kcal g-1 para lipídeos, conforme Ferreira et al. (2012). O conteúdo energético total foi expresso em kcal 100g-1. 45 4.7.8 Acidez total titulável A acidez foi medida através da determinação de acidez total titulável por volumetria potenciométrica, que é indicada em casos de soluções escuras ou fortemente coloridas, conforme Instituto Adolfo Lutz (2008). Pesou-se 5,0 g de amostra em bécker de 250 mL e diluiu-se a mesma com 100 mL de água ultrapura, agitando-a moderadamente. Após, mergulhou-se o eletrodo na solução e passou-se a titular a amostra com NaOH 0,1 M até a faixa de pH 8,2-8,4. O resultado foi expresso em g de ácido cítrico 100g-1, utilizando o número de equivalente do ácido cítrico = 64, segundo Boari Lima et al. (2008). 4.7.9 pH O pH foi determinado por método potenciométrico utilizando pHmetro previamente calibrado com tampão pH 4,0 e 7,0 (IAL, 2008). 4.7.10 Compostos fenólicos totais Os compostos fenólicos totais foram determinados pelo método de FolinCiocalteau (SINGLETON et al., 1999). Primeiramente, preparou-se curva padrão de ácido gálico a partir da solução mãe (diluída em metanol) de concentração 1 mg mL-1 (0,001, 0,002, 0,003, 0,004, 0,005, 0,006, 0,007, 0,008, 0,009, 0,010 mg mL-1). Os padrões foram deixados ao abrigo da luz por 1h, lidos em espectrofotômetro a 765 nm e utilizados para gerar a equação da reta. Em tubos de falcon, foram adicionados 100 µL das amostras, 7,5 mL de água ultrapura e 300 µL de reagente de Folin 0,9 N. Os mesmos foram agitados manualmente e acrescentados de 1 mL de solução de Na2CO3 20%, 1,1 mL de água ultrapura e homogeneizados com auxílio de vortex. Foram deixados ao abrigo da luz por 1 h e lidos a 765 nm. Substituíram-se as leituras das absorbâncias na equação da reta e fazendo-se as estequiometrias para as diluições, no qual obtiveram-se os resultados em AGE - Ácido Gálico Equivalente (g AGE 100g-1). 46 4.7.11 Flavonóides totais Para análise de flavonóides totais foi utilizada a metodologia descrita por Zhishen et al. (1999). Inicialmente foi preparada curva de calibração, utilizando-se solução de 0,1 g de catecol em 100 mL como padrão. Diluiu-se a mesma nas concentrações 2, 4, 6, 8, 10 e 20 mg L-1 em balões de 10 mL contendo 4 mL de água ultrapura. No tempo zero foi adicionado 0,3 mL de NaNO2 5% (m/v), após 5 minutos 0,3 mL de AlCl3 10% (m/v) e após 6 minutos 2 mL de NaOH 1M padronizado. Os volumes foram completados com água ultrapura e a leitura da absorbância realizada a 510 nm em espectrofotômetro UV-VIS. Os dados foram plotados em figura, o qual gerou a equação da reta. Para as amostras foi transferido 1 mL do extrato para balões de 10 mL contendo 4 mL de água ultrapura. Após foi procedido conforme a curva de calibração. Substituíram-se as leituras das absorbâncias na equação da reta e fazendo as estequiometrias para as diluições, obtiveram-se os resultados em mg de catequina equivalente (CE) 100g-1 da fruta. 4.7.12 Antocianinas Totais As antocianinas foram determinadas através de metodologia de pH diferencial proposta por Lee et al. (2005), onde primeiramente foram preparadas soluções tampão pH 1 (KCl 0,025M) e pH 4,5 (C2H3NaO2 0,4M). Após testes preliminares de diluição foram adicionados 1,5 mL de extrato em 2 balões de 50 mL e completados com os respectivos tampões. Depois de 20 minutos foram medidas as absorbâncias de ambos em 520 e 700 nm. O branco foi preparado com água ultrapura. O valor de antocianinas totais foi obtido através da equação 1 e expresso em 100 g de cascas de jabuticaba: AT (mg cianidina – 3 – glicosídeo.L-1) = (A x MW x DF x 103)/ (ε x I) Onde: A = (A520nm- A700nm) pH 1 – (A520nm- A700nm) pH 4,5; (Eq. 1). 47 MW = 449,2 g mol-1 por cianidina-3-glicosídeo; DF = fator de diluição; I = caminho ótico em cm; ε = 26.900 coeficiente de extinção molar (L x mol-1 x cm-1). 103= fator de conversão de gramas para miligramas. 4.7.13 Taninos condensados A determinação de taninos condensados foi realizada de acordo Queiroz et al. (2002). Primeiramente foi preparada curva padrão estabelecida com ácido tânico em diferentes concentrações (2 a 100 µg mL-1), a qual gerou a equação da reta. Em tubos de ensaios adicionou-se 1 mL de amostra e 1 mL de 1-butanol em HCl. Os mesmos foram aquecidos em banho-maria a 95ºC por 2 horas, desenvolvendo coloração vermelha ou violácea nas amostras positivas. As amostras foram lidas a 540 nm após 10 minutos. Substituíram-se as leituras das absorbâncias na equação da reta e fazendo as estequiometrias para as diluições, obtiveram-se os resultados expressos em g 100g-1. 4.7.14 Atividade antioxidante – DPPH A atividade antioxidante foi determinada pelo método DPPH (2,2-difenil-1picril-hidrazil) (BRAND-WILLIAMS et al., 1995) com modificações de Rufino et al. (2007). A partir do extrato foi feita a preparação da solução mãe partindo-se de 5 mL da amostra e 100 mL de água ultrapura. A partir da solução mãe foram preparadas cinco diluições das amostras em balão volumétrico de 50 mL, sendo elas 100, 80, 60, 40 e 20 g L-1. Em tubos de ensaio, em ambiente escuro, foi transferida alíquota de 0,1 mL de cada diluição da amostra para tubos de ensaio com 3,9 mL da solução de DPPH 0,06M e em seguida foi realizada a homogeneização em agitador de tubos. Utilizou-se 0,1 mL da solução controle de álcool metílico com 3,9 mL da solução de DPPH e foi realizada a homogeneização. O álcool metílico foi utilizado como branco para calibrar o espectrofotômetro. As leituras de absorbância foram 48 realizadas após 30 minutos de reação a 515 nm e o resultado final expresso em EC50 (g g-1 DPPH). Ainda em relação à atividade antioxidante foi feita curva padrão, onde partiuse da solução inicial de DPPH (0,06M), as quais foram preparadas em balões volumétricos de 10 mL, tendo variação na concentração de 0,01M a 0,05M completando-se os volumes com álcool metílico. As leituras foram realizadas a 515 nm utilizando-se álcool metílico para calibrar o espectrofotômetro. A leitura da absorbância final para o cálculo do EC50 foi feita após 30 minutos (tempo EC50). Após, foi substituído o valor correspondente à metade da absorbância inicial do controle pelo y da equação da curva do DPPH (Eq. 2) para encontrar o consumo em µM DPPH e, em seguida, transformou-se para g DPPH. Equivalência de controle e DPPH: y = ax - b (Eq. 2). Onde: y = Absorbância inicial do controle / 2 x = resultado em µM DPPH Obs.: conversão para g DPPH através da transformação: g DPPH = (µM DPPH/ 1.000.000) * 394,3 (peso molecular do DPPH). A partir das absorbâncias obtidas das diferentes diluições dos extratos foi plotado a absorbância no eixo y e diluição (mg L-1) no eixo x e, determinou-se a equação da reta. Para calcular a atividade antioxidante total foi substituída a absorbância equivalente a 50% da concentração do DPPH pelo y e encontrado o resultado que corresponde à amostra necessária para reduzir em 50% a concentração inicial do radical DPPH (EC50) (Eq. 3). Cálculo do EC50: y = - ax + b (Eq. 3). Onde: y = Absorbância inicial do controle / 2 x = EC50 (mg L-1). A partir do resultado (mg L-1) encontrado na equação 3, o valor foi dividido por 1.000 para se ter o valor em g. Posteriormente, esse valor foi dividido pelo valor 49 encontrado em g DPPH (Eq. 2) para obtenção do resultado final (Eq. 4) que foi expresso em g g-1 DPPH. EC50 (g g-1 DPPH) = (EC50 (mg L-1) / 1.000 * 1) / g DPPH (Eq. 4). A atividade sequestrante de radicais livres foi determinada adicionalmente a partir de curva padrão de Trolox®-DPPH. A partir da solução de Trolox® 20 µM foram preparadas soluções nas concentrações 0,1, 0,5, 1,0, 2,0 e 3,0 µM. De cada diluição foram transferidos 20, 100, 200, 300 e 600 µL para tubos de ensaio e adicionados 4 mL da solução de DPPH. Procedeu-se a leitura em espectrofotômetro a 515 nm após 30 min. O resultado final foi expresso em capacidade antioxidante equivalente a Trolox® relativa (TEAC – Trolox® Equivalent Antioxidant Capacity) em µM TE g-1. 4.7.15 Atividade antioxidante - FRAP A atividade antioxidante total através do método de redução do ferro - FRAP (Ferric Reducing Antioxidant Power) foi determinada conforme Rufino et al. (2006). A partir da solução padrão de sulfato ferroso (2000 µM) foram preparadas, em ambiente escuro, em balões volumétricos de 10 mL, soluções variando de 500 µM a 1500 µM. A partir dessas foram transferidos 90 µL de cada solução de sulfato ferroso para tubos de ensaio, adicionados 270 µL de água ultrapura e 2,7 mL de reagente FRAP (25 mL tampão acetato 0,3 M, 2,5 mL solução de TPTZ 10 mM e 2,5 mL solução cloreto férrico 20 mM). Os tubos permaneceram em banho-maria a 37ºC por 30 minutos. As leituras foram realizadas a 595 nm e foi utilizado reagente FRAP como branco para calibrar o espectrofotômetro. A partir da equação da reta, foi calculada a absorbância equivalente a 1000 mM de acordo com a equação 5. Absorbância 1000 mM sulfato ferroso: y = ax + b Onde: x = 1.000 µM de sulfato ferroso y = Absorbância correspondente a 1.000 µM de sulfato ferroso (Eq. 5). 50 A partir dos extratos, foram preparadas 5 diluições diferentes (2,5, 2,0, 1,5, 1,0 e 0,5 mg L-1) em tubos de ensaio, em triplicata. Em ambiente escuro, foi transferida alíquota de 90 µL de cada diluição do extrato para tubos de ensaio, adicionados 270 µL de água ultrapura e 2,7 mL de reagente FRAP. Os tubos permaneceram em banho-maria a 37ºC por 30 minutos. A leitura foi realizada do mesmo modo que a curva. A partir das absorbâncias determinou-se a equação da reta. Para calcular a AAT, substituiu-se na equação da reta a absorbância equivalente a µM do padrão sulfato ferroso. O valor obtido para o termo x (Eq. 6) corresponde à diluição da amostra (mg L-1) equivalente a 1.000 µM de sulfato ferroso. Diluição amostra (1000 µM de sulfato ferroso) = y = ax + b (Eq. 6). Onde: y = Absorbância correspondente a 1.000 µM de sulfato ferroso x = Diluição da amostra (mg L-1) equivalente a 1.000 µM de sulfato ferroso A partir do resultado encontrado (x) na equação 2, dividiu-se por 1.000 para obtenção do valor em g. O resultado final (Eq. 7) foi calculado pela divisão de 1.000 (µM) pelo valor de X(g) e multiplicado por 1(g) para encontrar o valor final (Z) que foi expresso µM sulfato ferroso g-1. Z = 1.000 / X(g).1 (Eq. 7). 4.8 ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS Foram realizadas, anteriormente à avaliação sensorial, análises microbiológicas exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, através da resolução - RDC nº 12, de 02 de janeiro de 2001, que regulamentou os padrões microbiológicos para alimentos. Os cookies estão classificados no grupo de alimentos nº. 10: farinhas, massas alimentícias, produtos para e de panificação, (industrializados e embalados) e similares, letra f: bolachas e biscoitos, sem recheio, com ou sem cobertura, incluindo pão de mel, cookies e similares. Para tal grupo são 51 exigidas as avaliações de coliformes a 45ºC g-1, Staphylococcus coagulase positiva g-1 e Salmonella sp 25g-1 (BRASIL, 2001). As amostras foram avaliadas segundo metodologia proposta pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (BRASIL, 2003) por laboratório terceirizado credenciado para tal fim. 4.9 ANÁLISE SENSORIAL O projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da UTFPR responsável pela avaliação e acompanhamento dos aspectos éticos de todas as pesquisas envolvendo seres humanos, e aprovado conforme Anexo 01. Uma vez aprovado o projeto pelo Comitê de Ética e constatada inocuidade dos produtos perante a avaliação microbiológica, os mesmos foram submetidos a teste de aceitação com escala hedônica de 9 pontos de acordo com Stone e Sidel (2004). Foram recrutados 100 julgadores não treinados, selecionados de forma aleatória, que assinaram termo de consentimento livre e esclarecido - TCLE (Anexo 2) conforme Resolução nº 196/96 do Ministério da Saúde (BRASIL, 1996) e informaram dados pessoais de idade e sexo. Em cabines individuais, sob luz branca, as amostras foram oferecidas aos julgadores em pratos plásticos descartáveis, à temperatura ambiente, sendo codificadas por quatro números aleatórios. No teste de aceitação os julgadores receberam ficha de avaliação (Anexo 3) contendo escala hedônica estruturada em 9 pontos (gostei muitíssimo a desgostei muitíssimo) de acordo com os atributos sabor, cor, aroma, textura e impressão global. Tais atributos foram considerados funções-resposta e avaliados estatisticamente. Os cookies foram avaliados e comparados a um padrão sem casca de jabuticaba, com o objetivo de alcançarem, em nível de aceitação, o mais próximo possível de biscoito tipo cookie comercial. Essa orientação foi dada aos julgadores antes da avaliação (STONE e SIDEL, 2004). Já na avaliação da intenção de compra, os julgadores avaliaram os biscoitos a partir de escala de 7 pontos (comeria sempre a nunca comeria). Os testes foram realizados nas cabines do Laboratório de Análise Sensorial da UTFPR - Câmpus Francisco Beltrão. 52 4.10 TRATAMENTO DOS DADOS Os dados para casca e farinha que não apresentaram normalidade pelo teste de Lilliefors foram padronizados pela equação x + 1 . Após a padronização realizou-se Análise de Variância (ANOVA) e teste de Duncan a um nível de significância de 5% (p<0,05) a partir do software Genes (CRUZ, 2006). Foi determinado adicionalmente o coeficiente de Pearson (r), o qual determina o grau de correlação entre duas variáveis quantitativas (compostos fenólicos totais e atividade antioxidante), também através do software Genes. Em relação aos biscoitos tipo cookie os dados coletados foram submetidos a teste de normalidade. Os dados que não apresentaram a mesma pelo teste de Lilliefors foram padronizados pela equação x + 1 (CRUZ, 2006). Após foram submetidos à análise de variância com regressão polinomial a 5% de significância através do software Sanest (ZONTA e MACHADO, 1987). Para a análise sensorial, os resultados do teste de aceitação para as quatro formulações de biscoitos foram analisados por ANOVA. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade através do software Statistica (STATSOFT, 2005). Já o teste de intenção de compra foi avaliado atribuindo-se notas de 1 a 7 de acordo com os critérios estabelecidos e obtido a média aritmética, que posteriormente foi submetida à “regra de três”. O índice de aceitabilidade (IA) foi calculado segundo a fórmula: IA% = Escore médio de Aceitação x 100/ Escore máximo de aceitação (FERREIRA et al., 2012). O resultado para ser favorável deve apresentar no mínimo 70% de aceitação (TEIXEIRA et al., 1987). 53 5 RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1 CARACTERIZAÇÃO DA CASCA E DA FARINHA DA CASCA DE JABUTICABA 5.1.1 Caracterização proximal Os resultados da composição proximal da casca e da farinha da casca de jabuticaba foram expressos na Tabela 2. Tabela 2 - Composição proximal da casca de jabuticaba e da farinha da casca 1 Amostras Variáveis analisadas Casca Farinha -1 a Umidade (g 100g ) 78,69 -1 b Cinzas (g 100g ) 0,51 -1 b Proteína bruta (g 100g ) 2,31 -1 b Lipídeos (g 100g ) 0,85 -1 b Fibra total (g 100g ) 2,30 -1 b Carboidratos (g 100g ) 15,34 -1 b Valor calórico (kcal 100g ) -1 Acidez total (g ácido cítrico 100g ) b 0,30 a 0,22 a 0,29 a 0,49 a 0,22 8,63 1,13 3,77 1,54 5,81 a 79,05 a 345,00 0,13 b a 0,38 b 0,34 0,56 3,77 3,77 2,81 2 0,18 78,00 a pH CV (%) 1 Todos os resultados estão expressos em Massa Fresca (MF). As análises foram realizadas em triplicata e os resultados estão expressos pela média; Letras diferentes, na mesma linha, diferem 2 entre si pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade. CV: coeficiente de variação. Conforme se pode verificar em todas as variáveis centesimais (Tabela 2), exceto na umidade, os teores foram maiores na farinha em comparação a casca, principalmente em função da concentração ocasionada pela sua secagem. Quanto ao teor de umidade, a casca de jabuticaba e a farinha da casca de jabuticaba (FCJ) diferiram estatisticamente entre si (p<0,05), sendo maior teor observado na casca (Tabela 2). O teor de umidade alcançado na farinha está dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação brasileira (BRASIL, 1978), que preconiza o valor de 5 a 15% de umidade, o que torna a mesma adequada para uso em produtos alimentícios. A manutenção da umidade nessa faixa estabelecida é importante, pois farinhas com umidade acima de 14% tendem a formar grumos, o que pode prejudicar a produção de massas por processo contínuo (FERNANDES et al., 2008). 54 Além disso, em farinhas com excesso de umidade, há possibilidade de desenvolvimento de microrganismos, como fungos e da diminuição da estabilidade da farinha, já que a água é componente essencial para que as reações químicas e enzimáticas ocorram, diminuindo assim a sua vida de prateleira (SGARBIERI, 1987). O conteúdo de cinzas obtido na casca e na farinha da casca de jabuticaba diferiram estatisticamente (p<0,05), sendo maiores na farinha (Tabela 2). O teor de cinzas indica, dentre outras coisas, a quantidade de resíduo mineral presente. A casca de jabuticaba, segundo Boari Lima et al. (2011), pode ser considerada fonte alternativa de minerais, principalmente ferro, potássio, magnésio, manganês, fósforo, cálcio e cobre. Valores aproximados foram expressos por Dessimoni-Pinto et al. (2011) (0,54 g 100g-1) e por Silva et al. (2013) (0,51 g 100g-1). Teores superiores também foram observados por Boari Lima et al. (2008) para a casca de jabuticaba Paulista (2,88 g 100g-1 de massa seca) e Sabará (4,40 g 100g-1 de massa seca) e por Lenquiste et al. (2012) para cascas liofilizadas (3,52 g 100g-1). Os teores de proteína bruta e lipídeos diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si, apresentando-se maiores na farinha (Tabela 2). Tanto a casca quanto a farinha da casca de jabuticaba apresentaram teores inferiores de proteína quando comparados a alimentos utilizados comumente como fonte proteica, como milho (8,0 a 10,0 g 100g-1) e farelo de soja (44,0 a 48,0 g 100g-1). Também se ressalta a baixa concentração de gordura das mesmas, o que pode ser ponto positivo quando se objetiva formular alimentos saudáveis. Em estudos recentes com casca de jabuticaba foram demonstrados valores próximos aos obtidos nesse estudo para ambas as variáveis como de 1,10 e 1,16 g 100g-1 para proteína e, de 0,68 e 0,57 g 100g-1 para lipídeos na caracterização do fruto da jabuticaba Paulista e Sabará e suas frações (BOARI LIMA et al., 2008), 1,38 g 100g-1 para proteína e 0,92 g 100g-1 para lipídeos na utilização da casca da jabuticaba para preparo de geleia (DESSIMONI-PINTO et al., 2011), 4,89 e 1,72 g 100g-1 em massa seca para proteína bruta e lipídeos, ao avaliarem os benefícios da casca de jabuticaba liofilizada em ratos obesos (LENQUISTE et al., 2012) e 0,02 e 1,06 g 100g-1 para proteína e lipídeos em base seca, ao utilizarem o resíduo da despolpação da jabuticaba para produção de pigmentos com propriedades funcionais (SILVA et al., 2013). 55 A casca e a farinha da casca foram diferentes estatisticamente (p<0,05) em relação ao teor de fibras, sendo esse teor maior na farinha (Tabela 2). De acordo com os valores de fibra total encontrados nesse estudo, a farinha pode ser classificada como alimento fonte de fibra. Segundo a Portaria nº. 27/1998 – ANVISA, um alimento sólido que contenha de 3,0 a 6,0 g 100g-1 de fibras é considerado “fonte” de fibras e acima disso classificado como alimento com “alto teor” de fibras (BRASIL, 1998). Portanto, ressalta-se que, ao ser inserida em modelos alimentares a FCJ poderá incrementar o produto final em quantidade de fibras. Fibras são nutricionalmente recomendadas na prevenção e no tratamento de constipação e doenças do cólon, como também melhoram a velocidade do movimento peristáltico do intestino, regulam a glicose do sangue, as taxas de colesterol e triglicerídeos (CUPPARI, 2005; DESSIMONI-PINTO et al., 2011). A casca de jabuticaba é conhecida por apresentar alto teor de fibra total, quando comparada as demais frações dos frutos (BOARI LIMA et al., 2008). Pesquisas anteriores a esse estudo relataram teores superiores de fibras (8,00 g 100g-1) para a casca fresca (Plinia spp.) em produção de geleias (DESSIMONI-PINTO et al., 2011) e para cascas liofilizadas (25,0 g 100g-1) (LENQUISTE et al., 2012), e teores inferiores (1,7 g 100g-1) analisando resíduos de despolpação da jabuticaba para posterior aproveitamento (SILVA et al., 2013). Para a variável carboidratos, a casca e a farinha foram diferentes entre si ao nível de significância de 5%, sendo maior valor obtido na farinha (Tabela 2). Altos teores foram observados em ambas, o que pode estar relacionado à presença de compostos bioativos de natureza antioxidante que se apresentam, muitas vezes, ligados aos açúcares. Quantidades maiores foram encontradas na farinha, o que é ponto positivo, pois indica a possibilidade de incorporação da mesma no enriquecimento de pães, biscoitos e em outras receitas. Pesquisas demonstraram que os maiores teores de açúcar estão na polpa, seguidos pelo fruto inteiro, semente e por último a casca. A semente e a casca mantêm pequenas porções de polpa agarradas a elas, sendo, portanto, parte desses açúcares provenientes das mesmas (BOARI LIMA et al., 2008; BOARI LIMA et al., 2011). Todavia, a diferença entre os teores estudados pode estar diretamente relacionada à quantidade de polpa remanescente na casca. Em estudos anteriores a esse, Dessimoni-Pinto et al. (2011) ao aproveitarem a casca de jabuticaba para fins tecnológicos obtiveram teores próximos de 56 carboidratos (13,36 g 100g-1) para a casca fresca (Plinia spp.). Já Boari Lima et al. (2010) e Lenquiste et al. (2012) alcançaram valores superiores para as cascas das espécies de jabuticaba Paulista (46,57 g 100g-1 de matéria seca) e Sabará (38,93 g 100g-1 de matéria seca) e para cascas liofilizadas (Plinia jaboticaba) (49,46 g 100g1 ), respectivamente. Por outro lado, Silva et al. (2013) atingiram para o resíduo da despolpação da jabuticaba valores inferiores (6,69 g 100g-1). Tratando-se da farinha da casca de jabuticaba, pesquisas utilizando farinhas alternativas observaram conteúdos superiores ao desse estudo para fração glicídica, como é o caso da farinha produzida por Borges et al. (2009) e Torres et al. (2005) através da banana verde (87,92 g 100g-1 e 91,70 g 100g-1, respectivamente). Também foram observados valores inferiores, como citado por Ferreira et al. (2012) ao produzirem e utilizarem farinha de casca de jabuticaba em biscoito tipo cookie (58,70 g 100g-1) e por Ascheri et al. (2006) ao caracterizarem a farinha do bagaço da jabuticaba (56,06 g 100g-1). O conteúdo energético ou valor calórico da casca e da FCJ diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si. Observou-se que a casca de jabuticaba apresentou baixo conteúdo energético enquanto que a farinha apresentou-se com maior quantidade de calorias (Tabela 2). Isso se deve ao teor de açúcares, lipídeos e proteínas concentrados no processo de secagem, que são mais expressivos do que os da casca. O valor energético obtido para farinha aproxima-se das demais consumidas habitualmente pela população, como a farinha de trigo (360 kcal 100g-1) e a farinha de milho (351 kcal 100g-1) (FERREIRA et al., 2012) e também das consumidas de forma alternativa, como a farinha de banana verde (373 kcal 100g-1) e farinha de batata (340 kcal 100g-1) (PEREIRA et al., 2005; BORGES et al., 2009). Tal resultado já era esperado, pois se pretendia elaborar ingrediente que, ao ser inserido em formulações, adicionasse propriedades bioativas sem alterar bruscamente os padrões de identidade e qualidade do modelo escolhido. Dessimoni-Pinto et al. (2011) encontraram valores inferiores para casca de jabuticaba fresca (63 kcal 100g-1) e Lenquiste et al. (2012) relataram teores superiores, porém, em cascas de jabuticaba liofilizada (232 kcal 100g-1), onde também ocorreu a concentração dos compostos presentes. Os índices de acidez total titulável para a farinha da casca de jabuticaba são maiores que na casca, sendo diferentes estatisticamente (p<0,05) (Tabela 2). A 57 casca apresenta teor de acidez relativamente baixo, partindo-se da premissa que níveis de acidez considerados ideais para alimentos localizem-se na faixa de 0,5 a 1,5 % (g ácido cítrico 100g-1) (FONTES, 2010), pois são considerados índices baixos em relação à deterioração do alimento. Já na farinha encontraram-se níveis de acidez maiores (Tabela 2), podendo estar relacionados à diferença de pH entre a farinha e a casca e, também à concentração do ácido cítrico presente naturalmente. Tais teores, tanto na casca e na farinha são passíveis de serem utilizados para a elaboração de alimento, não prejudicando suas propriedades físicas e sensoriais. Silva et al. (2013) descreveram teores similares (0,71 g de ácido cítrico 100g1 ) aos obtidos nesse estudo em resíduo proveniente da despolpação da jabuticaba. Já Boari Lima et al. (2008) observaram teores superiores na polpa fresca das jabuticabas Paulista e Sabará (1,37 e 1,67 g de ácido cítrico 100g-1) e DessimoniPinto et al. (2011) evidenciaram níveis inferiores de acidez para casca de jabuticaba (0,31 g de ácido cítrico 100g-1 de polpa fresca). Chisté et al. (2006) em trabalhos realizados com farinha de mandioca obtiveram valores de acidez superiores (4,11 g 100g-1) aos obtidos nesse trabalho. O valor de pH para a casca de jabuticaba apresentou-se na faixa ácida (Tabela 2). Tal resultado já era esperado devido à mesma apresentar tal característica (BOARI LIMA et al., 2008; DESSIMONI-PINTO et al., 2011). Porém, na farinha houve decréscimo, diferindo estaticamente da casca ao intervalo de confiança de 95%, resultando na acidificação da mesma. Pode-se considerar esse teor peculiar da farinha, devido a matéria prima da qual foi elaborada também apresentar pH ácido. Acredita-se que essa característica da farinha não irá interferir nos atributos sensoriais quando a mesma for aplicada em alimentos. Um pH ácido pode ser considerado benéfico analisando-se ao nível de conservação do alimento (FERNANDES et al., 2008). 5.1.2 Compostos bioativos Os resultados da quantificação de compostos bioativos da casca e da farinha da casca de jabuticaba foram descritos na Tabela 3. 58 Tabela 3 - Compostos bioativos da casca de jabuticaba e da farinha da casca 1 Amostras Compostos bioativos Casca Farinha -1 2 b Fenóis totais (g AGE 100g ) 1,19 -1 3 Flavonóides totais (mg CE 100g ) Antocianinas totais (mg Cy-3-glicosídeo 100g ) -1 Taninos condensados (g 100g ) 110,97 1,64 b a a 32,58 41,93 1,71 b a 9,57 4,94 6,47 5 0,55 b 53,43 -1 4 a 2,45 CV (%) 1 Todos os resultados estão expressos em Massa Fresca (MF); As análises foram realizadas em triplicata e os resultados estão expressos pela média; Letras diferentes, na mesma linha, diferem 2 3 entre si pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade. AGE: Ácido Gálico Equivalente. CE: 4 5 Catequina Equivalente. Cy: Cianidina. CV: Coeficiente de Variação A casca e a farinha da casca de jabuticaba demonstram conter teores elevados de compostos fenólicos, diferindo (p<0,05) entre si. Com o advento da secagem esses índices se concentraram, apresentando-se maiores na farinha. Tal comportamento já era esperado, mesmo que parte dos compostos se perca durante o tratamento de secagem pela ação da temperatura (VEDANA, 2008; LI et al., 2011), através da conversão de compostos fenólicos insolúveis em solúveis após tratamento com calor (LEE et al., 2003). É importante ressaltar que ocorreu a manutenção de grande parcela desses compostos mesmo após os processos de armazenamento e desidratação, e que os mesmos podem ser carregados para os alimentos onde serão utilizados como ingrediente bioativo. Dados apontam que a principal contribuição para o total de compostos fenólicos da jabuticaba vem da casca (ABE et al., 2012; LEITE-LEGATTI et al., 2012), mencionando que a extração etanólica resultou em extratos com maiores conteúdos (OLIVEIRA et al., 2003; BOARI LIMA et al., 2011b). Em diferentes condições de tratamento, os compostos fenólicos mantiveram níveis significativos (1,01 g AGE 100g-1), mesmo em processos como o da geleia com cascas de jabuticaba frescas, onde se utiliza temperaturas acima de 100ºC (DESSIMONI-PINTO et al., 2011). Silva et al. (2010a) ao avaliarem cascas de jabuticaba utilizadas na obtenção de corantes, extraídas com etanol 70% e padronizadas, também relataram altos teores destes compostos (0,636 g AGE 100g1 ). Dados próximos ao observado nesse estudo foram relatados por Abe et al. (2012) ao analisarem diversos frutos consumidos no Brasil, dentre eles Plinia jabuticaba (jabuticaba Sabará) e Plinia dubia (camu-camu), utilizando os frutos 59 liofilizados e extraídos em mistura de metanol 70% e ácido acético 5%, no qual observaram altos teores de compostos fenólicos (0,74 g AGE 100g-1 e 1,48 g AGE 100g-1). Situação essa observada também por Boari Lima et al. (2008) que ao avaliarem duas variedades de jabuticaba, Paulista e Sabará, observaram teores de compostos fenólicos na ordem de 2,70 e 1,89 g AGE 100g-1 para a casca fresca, respectivamente. Faller e Fialho (2009) ao analisarem as principais frutas e hortaliças consumidas diariamente no Brasil (abacaxi, banana, laranja, mamão, tangerina, brócolis, repolho, batata, tomate, cebola e cenoura) obtiveram valores de polifenóis totais de 15,3 a 215,7 mg AGE 100g-1 (0,0153 a 0,2157 g AGE 100g-1) em peso fresco. Pode-se observar nesses resultados conteúdos relativamente baixos de fenóis totais quando comparados com a casca da jabuticaba. Nesse sentido, a inserção da jabuticaba na alimentação diária da população brasileira, poderá enriquecer o consumo de compostos biologicamente ativos, o que poderia influenciar beneficamente na saúde da mesma. Cascas de cajá umbu desidratadas (farinha) apresentaram teor superior de polifenóis quando comparadas ao resíduo do cajá (cascas) (SILVA et al., 2010b), apresentando comportamento similar aos compostos aqui estudados. Yu et al. (2004) ao avaliarem farinhas de trigo encontraram compostos fenólicos e atividade antioxidante. As diferenças entre os valores encontrados nas mais diversas pesquisas citadas acima se explicam pelas diferentes variedades estudadas, condições climáticas, grau de maturação do fruto, práticas de cultivo, origem geográfica, estágio de crescimento, processos de colheita e armazenamento, condições de extração dos compostos, metodologias analíticas aplicadas para a quantificação, entre outras variáveis. O teor de flavonóides encontrado para farinha de jabuticaba foi superior ao encontrado na casca, diferindo estatisticamente (p<0,05) entre si (Tabela 3). Assim, como no conteúdo de fenóis totais, os flavonóides se concentraram no processo de secagem. A temperatura utilizada nesse processo foi favorável à conservação desse composto de interesse, o que favorece para seu uso como ingrediente na elaboração de produtos funcionais. O aumento significativo no teor de flavonóides em extratos orgânicos submetidos a tratamento térmico que utilizam de temperaturas brandas foi relatado 60 por Cataneo et al. (2008). Dessimoni-Pinto et al. (2011) que expressaram valores superiores para casca de jabuticaba cultivada em Diamantina – MG, a qual foi utilizada para fabricação de geleias (87,80 mg CE 100g-1 de massa fresca) e consideraram a mesma rica em flavonóides. Já Abe et al. (2012) ao avaliarem diversas frutas como fontes alimentares potenciais de compostos bioativos, observaram teores inferiores (33,0 mg CE 100g-1) para a jabuticaba e para camucamu (Plinia dubia) (31,0 mg CE 100g-1). O conteúdo de antocianinas totais encontrado na casca de jabuticaba foi inferior ao observado na FCJ, diferindo estatisticamente (p<0,05) entre si (Tabela 3). Tais teores demonstram que ambas contém elevadas concentrações desse composto. Devido à coloração da casca de jabuticaba (pigmentada, de cor roxa escura), fazia-se a previsão (KONG et al., 2003; SANTOS e MEIRELES, 2009; VEGGI et al., 2011). O teor de antocianinas presente na farinha também pode ser atribuído a concentração de compostos e a temperatura utilizada, no entanto as antocianinas não mantiveram a mesma resposta na farinha que os demais compostos fenólicos, isso porque são mais suscetíveis a ação do calor (WESCHE-EBELING e ARGAIZJAMET, 2002; GIUSTI e WALLACE, 2009; SANTOS et al., 2011). Estudos anteriores que objetivaram examinar as características de frutas tropicais não tradicionais no Brasil relataram resultados superiores no teor de antocianinas para a jabuticaba Paulista (58,1 mg Cy-3-glicosídeo 100g-1) e camucamu (42,2 mg Cy-3-glicosídeo 100g-1) (RUFINO et al., 2010). Em trabalho recente, Böger (2013) ao analisar diferentes extratos etanólicos da casca de jabuticaba obteve valores similares aos obtidos nesse estudo (27,02 a 60,32 mg Cy-3glicosídeo 100g-1), nas mesmas condições analíticas. Ao ser avaliado o teor de taninos condensados na farinha de casca de jabuticaba verificou-se que maior teor desses compostos foi encontrado na casca, sendo diferentes estatisticamente (p<0,05) (Tabela 3). Nesse caso, também verificou-se a manutenção dos compostos fenólicos mesmo após o aquecimento. O processo de retirada de grande parte da umidade contribuiu para o aumento dos compostos fenólicos totais e taninos. Segundo Palácio (2008) compostos de aroma e outros constituintes importantes como antocianinas, vitaminas, açúcares, ácidos e minerais são concentrados nesse processo. Assim como nos demais compostos bioativos 61 avaliados nesse trabalho, a manutenção de grande parte dos taninos condensados presentes na casca da jabuticaba faz com que a farinha seja considerada ingrediente potencial para a elaboração de alimentos que proporcionem benefícios à saúde do consumidor. Pesquisas com aplicação da jabuticaba na elaboração de novos produtos alimentícios encontraram valores inferiores de taninos totais, como em leite fermentado a partir de extratos aquosos de jabuticaba (2,34 g L-1 para o extrato não concentrado e 10,70 g L-1 para o extrato concentrado) (ZICKER, 2011), licores de jabuticaba (0,047 a 0,075 g 100g-1) (GEÓCZE, 2007), suco de jabuticaba (1,25 a 2,11 g L-1) (TEIXEIRA, 2011) e aguardente de jabuticaba (0,03 g L-1) (ASQUIERI et al., 2009). Abe et al. (2012) ao caracterizarem a casca de jabuticaba em cinco diferentes estágios de maturação, afirmaram valores superiores de taninos totais (21,87 a 96,12 g 100g-1) na casca fresca, via HPLC. Rocha et al. (2011) ao caracterizarem frutas nativas do cerrado observaram para o cambuçá (Plinia edulis) do Distrito Federal e de Goiás valores de taninos condensados inferiores aos obtidos nessa pesquisa (58 mg 100g-1 e 159 mg 100g-1, respectivamente). Vale ressaltar que frutos conhecidos por seus elevados teores de taninos, como a goiaba e o araçá pitanga, apresentaram no máximo 20% (20 g 100g-1) de taninos totais. Portanto, pode-se afirmar que a casca de jabuticaba possui teores moderados de taninos condensados e que logicamente contribuem para sua atividade antioxidante. 5.1.3 Atividade antioxidante Os resultados da atividade antioxidante da casca e farinha da casca de jabuticaba foram apresentados na Tabela 4. Nesse estudo avaliou-se o potencial antioxidante da casca da jabuticaba e da farinha da casca baseado na transferência de elétrons através da avaliação da redução do radical DPPH• em 50% (EC50), da capacidade antioxidante equivalente ao Trolox® (TEAC) e da redução do ferro (FRAP). 62 Tabela 4 - Atividade antioxidante da casca de jabuticaba e da farinha da casca 1 Amostras Atividades antioxidantes avaliadas Casca Farinha 2 -1 Atividade antioxidante - EC50 (g g DPPH) 4 3 a -1 5 0,85 a Atividade antioxidante – TEAC (µM TE g ) 6 b 1,61 638,66 -1 Atividade antioxidante – FRAP (µM FeSO4 g ) a 242,73 CV (%) 7 0,79 b 0,18 b 1,83 468,54 169,17 1 Todos os resultados estão expressos em Massa Fresca (MF); As análises foram realizadas em triplicata e os resultados estão expressos pela média; Letras diferentes, na mesma linha, diferem 2 entre si pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade. EC50: Equivalent Concentration (amostra 3 necessária para reduzir em 50% a concentração inicial do radical DPPH). DPPH: 2,2-difenil-1-picril4 5 6 hidrazil. TEAC: Trolox® Equivalent Antioxidant Capacity. TE: Trolox® Equivalente. FRAP: Ferric 7 Reducing Antioxidant Power. CV: Coeficiente de Variação. O potencial antioxidante expresso em EC50 demonstrou quanto dos compostos estudados (casca de jabuticaba e FCJ) foram necessários para reduzir em 50% a ação do radical DPPH•, utilizado nesse caso como a espécie a ser restringida. É importante ressaltar que, nesse caso específico, quanto menor a quantidade (em gramas) de casca de jabuticaba ou de FCJ necessária para reduzir em 50% a ação do radical DPPH•, maior foi a capacidade antioxidante dessas matérias (Tabela 4). Os valores obtidos foram expressivos, observando-se maior atividade antioxidante na farinha da casca de jabuticaba, diferindo estatisticamente (p<0,05) da casca. Resultado esse esperado devido à concentração dos compostos bioativos relatados anteriormente no processo de secagem, os quais provavelmente determinaram o potencial antioxidante. Tais resultados demonstraram potencial antioxidante em ambas as amostras analisadas, favorecendo o uso da casca de jabuticaba na obtenção de farinha para agregar a produtos alimentares propriedades benéficas à saúde relacionadas à atividade antioxidante. Algumas pesquisas observaram resultados superiores para cascas de jabuticaba liofilizadas (4,54.10-5 g g-1 DPPH) (LEITE-LEGATTI et al., 2012), extratos metanólicos de jabuticaba (1,94.10-2 g g-1 DPPH) (REYNERTSON et al., 2008) e extratos etanólicos da jabuticaba (4,70.10-5 g g-1 DPPH) (HAMINIUK et al., 2011). Com a finalidade de comparar a atividade antioxidante de extratos comerciais com cascas de frutas, Roesler et al. (2007) obtiveram valores inferiores de EC50 de 9,44.10-6 g g-1 DPPH para extrato etanólico de casca de pequi, 4,92.10-5 g g-1 DPPH para extrato etanólico de araticum, 8,10.10-5 g g-1 DPPH para extrato 63 etanólico de alecrim comercial e 1,38.10-6 g g-1 DPPH para extrato etanólico de ácido gálico. Como relatado anteriormente, baixos valores de EC50 indicam potencial antioxidante elevado. Portanto, os valores encontrados, tanto na a casca quanto na farinha da casca de jabuticaba (Tabela 4), indicaram potencial antioxidante menor se comparado a outros estudos, embora existam diferenças entre as metodologias aplicadas para extração bem como, das espécies avaliadas que podem explicar tais apontamentos. Porém, ainda assim, pode-se considerar ambas fontes de compostos antioxidantes de alto potencial. A concentração do antioxidante que exibe a mesma ação que 1µM de Trolox® é conhecida como capacidade antioxidante equivalente ao Trolox® (TEAC). Assim, quanto maior for o valor de TEAC maior será a atividade anti-radical da amostra (SILVA et al., 2010b). Para a presente variável obteve-se com a casca valores superiores de atividade antioxidante em relação ao da farinha, sendo diferentes estatisticamente (p<0,05). Tal teor confirma a elevada capacidade antioxidante da casca devido à concentração de compostos fenólicos da mesma e corrobora com o resultado expresso em EC50. O decréscimo observado na atividade antioxidante na farinha pode estar relacionado à capacidade de interação de determinados compostos antioxidantes remanescentes na farinha com Trolox® (PRADO, 2008) e também as perdas de compostos responsáveis pela ação antioxidante durante a secagem, onde utilizou-se temperaturas superiores a 180ºC (VEDANA, 2008; LI et al., 2011). Porém, tal resultado ainda é positivo, pois houve permanência dos compostos fenólicos de interesse, mantendo-se significativa a atividade antioxidante na farinha. Atividade superior (723,84 µM TE g-1) a observada nesse estudo foi percebida por Silva et al. (2010a) ao utilizarem extratos de casca fresca de jabuticaba para a formulação de corantes, em diferentes condições de extração e método analítico de quantificação. Teores inferiores (121 a 362,5 µM TE g-1) também foram relatados por Silva et al. (2013) ao avaliarem resíduos da despolpação da jabuticaba por meio de quatro métodos diferentes de extração e por Leite-Legatti et al. (2012) (45,38 µM TE g-1) ao avaliarem o extrato da casca de jabuticaba liofilizada. Também foram observados resultados inferiores para o fruto, polpa, sementes, casca e produtos oriundos da jabuticaba, como licores de jabuticaba 64 (1,88 a 3,57 µM TE kg-1) (GEÓCZE, 2007), extratos aquosos de sua casca (8,29 a 10,19 µM TE g-1) (BÖGER, 2013) e para a fruta liofilizada (62 µM TE kg-1) (ABE et al., 2012). Kuskoski et al. (2006) ao caracterizarem a polpa de diversos frutos de cor púrpura obtiveram resultados inferiores aos obtidos no presente estudo para amora (4,3 µM TE g-1), uva (7,0 µM TE g-1), açaí (6,9 µM TE g-1) e jambolão (15,0 µM TE g1 ). Isso demonstra que a jabuticaba se destaca dentre as frutas escuras quando se trata de potencial antioxidante. O ensaio de quantificação da atividade antioxidante através do método FRAP baseia-se na habilidade de redução do ferro e não no sequestro de radicais livres como no caso do DPPH expresso em Trolox® (PRADO, 2008). Em meio ácido, o ferro é reduzido formando-se composto colorido na presença de antioxidantes, causando aumento na absorbância (BENZIE e STRAIN, 1996). Para a casca de jabuticaba obteve-se, no presente trabalho, o valor de 242,73 µM FeSO4 g-1 (Tabela 4). Tal resultado demonstrou que cada 1,0 grama de casca de jabuticaba é capaz de reduzir 242,73 µM de Ferro III para Ferro II. Já para farinha encontrou-se atividade menor, mostrando-se que os compostos são diferentes estatisticamente (p<0,05) entre si. Nesse caso, também houve decréscimo na atividade antioxidante, possivelmente ocasionado pela diminuição na habilidade de reduzir o ferro, ocasionalmente pela dificuldade de interação dos compostos fenólicos com os íons de Ferro III e pela possível perda de parte dos compostos responsáveis pela atividade antioxidante na desidratação e armazenamento das cascas. Mesmo assim, o resultante teor foi considerado expressivo, pois ainda ocorre a manutenção da característica desejada. A casca e a farinha da casca de jabuticaba podem ser exploradas pela indústria alimentícia, levando ao produto final propriedades funcionais de interesse. Em estudo com jabuticaba, camu-camu e açaí, utilizando extratos aquosos, Rufino et al. (2010) relatou resultados inferiores para a jabuticaba (87,9 µM FeSO4 g1 ) e açaí (279 µM FeSO4 g-1) e resultado aproximado para o camu-camu (32,1 µM FeSO4 g-1). Rodrigues (2009) ao quantificar a atividade antioxidante in vitro de cultivares de mirtilo (Vaccinium sp.) produzidas no Brasil encontrou, em média, 12,5 µM FeSO4 g-1, a qual foi considerada de alta atividade antioxidante. Portanto, pode- 65 se considerar que as matrizes estudadas na presente pesquisa com presença de ação antioxidante. Neste estudo, pode-se inferir que a farinha de casca de jabuticaba contém alta capacidade antioxidante, podendo ser utilizada em produtos alimentares promovendo a saúde humana, além de prevenir doenças associadas às espécies reativas de oxigênio - ROS. 5.2 CARACTERIZAÇÃO DOS BISCOITOS TIPO COOKIE 5.2.1 Caracterização proximal Os resultados da composição proximal do biscoito tipo cookie de acordo com a percentagem de farinha de casca de jabuticaba foram expressos na Tabela 5. Tabela 5 - Composição proximal dos biscoitos tipo cookie adicionados de farinha de casca de jabuticaba Amostras Variáveis analisadas Cookie (0%) -1 Umidade (g 100g ) -1 Cinzas (g 100g ) -1 Proteína bruta (g 100g ) -1 Lipídeos (g 100g ) b 1,52 d 7,01 d 12,09 -1 Fibra total (g 100g ) 3,80 -1 Carboidratos (g 100g ) Valor calórico (kcal g ) ATT (g ácido cítrico 100g ) 1,43 8,46 d c a 14,40 4,78 a b a 1,56 d 434,28 -1 1,67 d 74,36 -1 2 1,23 Cookie (2,5%) c 69,14 0,87 d 0,92 d 1,67 b b b b 70,38 1,12 c c CV (%) c 0,57 1,87 a 0,35 7,43 b 0,24 17,20 6,04 b 439,21 Cookie (7,5%) 1,11 c 14,67 5,33 c 439,96 Cookie (5%) 7,03 c 1 a a 66,34 1,99 a 0,05 0,43 d 449,92 3 a 0,07 0,04 0,06 1 Todos os resultados estão expressos em Massa Fresca (MF). As análises foram realizadas em triplicata e os resultados estão expressos pela média; Letras diferentes, na mesma linha, diferem 2 3 entre si pelo teste de Duncan a 5% de probabilidade. ATT: Acidez Total Titulável. CV: coeficiente de variação. Os teores de umidade das quatro formulações de biscoito diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si (Tabela 5), sendo menores em relação a farinha de casca de jabuticaba e para a casca de jabuticaba fresca (Tabela 2). Fato esse decorrente da temperatura (180-220ºC) utilizada na cocção dos cookies, o que ocasiona perda da umidade. Este resultado era esperado, e deve ser considerado positivo levando-se em conta que uma das características apreciadas nesses biscoitos é a crocância/textura e, isso está também relacionado ao baixo teor de água. 66 Do ponto de vista da conservação do alimento, uma baixa umidade também é favorável visto que dificulta o desenvolvimento de processos indesejáveis como a proliferação de microorganismos e a ocorrência de reações químicas, como fermentação e rancificação, que possam depreciar o produto. A umidade dos biscoitos está de acordo com o estabelecido pela ANVISA (BRASIL 1978; BRASIL, 2005), os quais devem apresentar valor máximo de 14 g 100g-1 de umidade. É importante ressaltar também que biscoitos comerciais como de maisena, recheados, wafer, salgados e cookies em geral possuem umidade de 1 a 8,43 g 100g-1 (NEPA, 2011). Portanto, os biscoitos produzidos atendem aos padrões da legislação e contêm características agradáveis aos consumidores. A variação entre os teores de umidade dos biscoitos pode estar relacionada a alguns fatores, tais como: como posição do biscoito no forno no momento de assar, tempo de resfriamento, diâmetro e espessura dos mesmos, entre outros. A absorção de água por produtos de panificação depende, principalmente, de dois parâmetros, os conteúdos de proteína e de fibras da massa. A proteína pode absorver seu mesmo peso em água e as fibras têm grande capacidade de união com a água, podendo ser responsáveis pela absorção da mesma em até um terço de sua massa (CAUVAIN e YOUNG, 2002). Conteúdos inferiores foram encontrados por Aquino et al. (2012) ao elaborarem biscoitos tipo cookies adicionados com óleo de buriti (4,03 a 6,30 g 100g1 ), ressaltando porém que, nas formulações foi utilizado água. Já Lupatini et al. (2011) obtiveram valores superiores em formulações de biscoitos com casca de maracujá amarelo e okara (4,25 e 4,56 g 100g-1, respectivamente). Porém, ressaltaram que a farinha de casca de maracujá é resíduo que apresenta grande capacidade de retenção de água. As quatro formulações de biscoito apresentaram teores de cinzas que diferiram estatisticamente ao nível de significância de 5% (Tabela 5). Os mesmos estão de acordo com o que especifica a legislação (máximo de 3 g 100g-1) (BRASIL 1978; BRASIL, 2005) e superiores aos encontrados na casca e na farinha da casca de jabuticaba. Tais teores obedecem à legislação, portanto não interferem na qualidade sensorial dos mesmos. Peres (2010) ao desenvolver biscoito tipo cookie adicionando vitamina D e cálcio obteve teores de cinzas superiores (3,55 g 100g-1), que não atenderam aos padrões estabelecidos pela lei específica (BRASIL, 2005). Já Ribeiro e Finzer (2010) 67 ao formularem biscoitos tipo cookie com aproveitamento do sabugo de milho e casca de banana, adicionado de Purelac® (composto lácteo utilizado para melhoria de textura), obtiveram valores de 0,21 a 2,37 g 100g-1 para cinzas, obedecendo à legislação. Em relação ao teor de proteínas os quatro biscoitos elaborados diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si (Tabela 5). Segundo a RDC/ANVISA nº. 269/2005 (BRASIL, 2005), o consumo desse biscoito se considerada qualquer uma das formulações, supre, em média, 14,97% da IDR (Ingestão Diária Recomendada) de proteína para adultos. Dessa forma, pode-se considerar o produto como fonte de proteínas para adultos, uma vez que 100 g do biscoito supre mais de 10% da IDR (BRASIL, 1998). É importante relatar que a formulação com 2,5% de farinha da casca de jabuticaba (FCJ) supre 16,92% da IDR para adultos, sendo considerada com maior quantidade de proteína. O conteúdo de proteínas obtido (Tabela 5)nas formulações desenvolvidas permitiu agregar valor aos biscoitos oferecendo, desta forma, um alimento com fonte de proteínas de forma inovadora. O acréscimo no teor de proteínas no cookie em relação à casca e à farinha da casca de jabuticaba se deve, principalmente, à adição da farinha de trigo integral que contém aproximadamente 13,2 g 100g-1 de proteínas e ao ovo que contém, em média, 13,0 g 100g-1 no alimento cru. Santana et al. (2011) ao elaborarem biscoito rico em fibras por substituição parcial da farinha de trigo por farinha da casca do maracujá amarelo e fécula de mandioca avaliaram teores de proteína inferiores aos obtidos no presente trabalho (4,55 g 100g-1 para o biscoito otimizado e 6,73 g 100g-1 para o padrão), porém com diferente formulação. Todavia, resultados semelhantes aos encontrados nesse estudo foram obtidos por Ribeiro e Finzer (2010) em formulações de cookies com sabugo de milho e casca de banana (7,93 g 100g-1), por Peres (2010) em biscoito tipo cookie com 50% de aveia e 30% de óleo de canola enriquecido com cálcio e vitamina D (8,81 g 100g-1) e, por Silva et al. (1999) ao utilizar farinha de jatobá em biscoitos tipo cookie (6,90 a 7,70 g 100g-1). Os teores de lipídeos dos biscoitos contendo FCJ diferiram estatisticamente (p<0,05) e foram superiores aos encontrados na casca e na farinha (Tabela 2) devido, principalmente, à incorporação de gordura vegetal, já que contém 70% de lipídeos (margarina) na massa do biscoito. 68 Pode-se também verificar que o teor de lipídeos aumentou à medida que a concentração de FCJ elevou-se (Tabela 5). Isso pode ser considerado benéfico se houver teor de gorduras boas (insaturadas e poli-insaturadas) sobressalentes às ruins (saturadas e trans) no biscoito. Analisando-se os rótulos de biscoito tipo cookie comerciais, pode-se verificar quantidades de 15 a 25 g 100g-1 por porção de lipídeos, observando assim que, o cookie desenvolvido encontra-se dentro dos padrões de fabricação e consumo. Soares Jr et al. (2009) ao avaliarem a qualidade de biscoitos formulados com diferentes teores de farinha da casca de pequi obtiveram valores similares para lipídeos (9,67 a 18,04 g 100g-1). Já Aquino et al. (2012) ao processarem biscoitos adicionados de óleo de buriti com a intenção de aumentar a ingestão de vitamina A na merenda escolar relataram conteúdo de lipídeos inferior em três diferentes formulações (4,03 a 10,58 g 100g-1). Em relação ao teor de fibras, observa-se aumento gradativo de seu valor nas formulações dos biscoitos à medida que foram sendo acrescentados maiores percentuais de FCJ, diferindo estatisticamente (p<0,05) umas das outras (Tabela 5). Tais teores foram maiores que o encontrado na casca de jabuticaba, menores para os cookies 0%, 2,5% e 5% se comparado a farinha e maior ao encontrado na casca e na farinha para o cookie 7,5%. Pode-se observar claramente que as substituições de 2,5%, 5% e 7,5% da farinha de trigo integral por FCJ proporcionaram acréscimo significativo do teor desse nutriente quando comparado ao biscoito sem FCJ. Todos os biscoitos podem ser considerados fonte de fibras segundo a legislação, que preconiza para tal classificação a faixa de 3,0 g 100g-1 a 6,0 g 100g-1 (BRASIL, 1998). A American Dietetic Association recomenda, para um indivíduo adulto, ingestão diária de 20 a 30 g de fibras quando em uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras (ADA, 2008). Nessas condições, 100 g do cookie com maiores quantidades de casca de jabuticaba (7,5%) atende em torno de 30,2% dessas recomendações. Estudos relacionaram a ingestão das fibras com a prevenção de diversas doenças como câncer de cólon, obesidade, disfunções cardiovasculares, diabetes, entre outros (SALGADO et al., 2008). Além disso, a inserção desse biscoito na alimentação da população iria auxiliar no aumento do consumo de fibras, pois sabe-se que a população, em relação aos seus hábitos alimentares, não consomem fibras (VORAGEN, 1998). 69 Angelo et al. (2010) ao elaborarem biscoitos com adição de farinha de resíduo agroindustrial da produção de vinho obtiveram teores de fibra total similares aos formulados nesse trabalho com 5% e 7,5% de FCJ, com relação ao biscoito com 5% de FRV (farinha do resíduo do vinho) (5,26 g 100g-1). Santana et al. (2011) obtiveram para biscoitos tipo cookie formulados através da substituição parcial da farinha de trigo por farinha da casca do maracujá e fécula de mandioca teores de fibra de 0,17 g 100g-1 para o biscoito padrão e 4,55 g 100g-1 para o biscoito otimizado, comprovando-se assim a incorporação de fibras nesse modelo alimentar através de farinhas diferenciadas. Santos et al. (2011) ao elaborarem biscoitos de farinha de buriti, com e sem aveia, observaram que o biscoito sem aveia apresentou conteúdos inferiores de fibras (3,41 g 100g-1) e que a partir da inserção da aveia no biscoito, houve acréscimo nesse teor (7,71 g 100g-1). Os níveis de carboidratos totais para os biscoitos tipo cookie diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si (Tabela 5), sendo maiores que os encontrados na casca e menores em relação a farinha (Tabela 2). Pode-se observar também que houve redução nos carboidratos totais a partir da incorporação da FCJ. Esperava-se que aproximadamente 70% da composição dos cookies fossem de carboidratos devido aos ingredientes utilizados para sua elaboração e ao grupo alimentar ao qual pertencem (grupo dos carboidratos). Pode-se avaliar positivamente esse alto teor de carboidratos presente nos biscoitos, pois trata-se de alimento considerado fonte de energia, e por isso deve ser consumido com moderação. Peres (2010) ao formular biscoito tipo cookie adicionado de vitamina D e cálcio e Lupatini et al. (2011) ao desenvolver biscoitos com farinha da casca de maracujá amarelo e okara utilizando formulações com diferentes concentrações de okara, encontraram teores inferiores de carboidratos totais (54,69 g 100g-1 e 49,10 a 50,62 g 100g-1, respectivamente). Moraes et al. (2010) ao avaliarem tecnologicamente biscoitos tipo cookie com variações nos teores de lipídeo e açúcar obtiveram médias similares (69,23 g 100g-1) de carboidratos para sete formulações diferentes. Aquino et al. (2012) ao processarem biscoitos a partir de óleo de buriti encontraram teores similares aos obtidos no presente estudo para carboidratos, em três formulações diferentes de biscoitos (72,03, 76,36 e 75,86 g 100g-1). 70 Em relação ao valor energético dos biscoitos, os mesmos diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si (Tabela 5) e foram maiores em relação à casca e a farinha (Tabela 2). Também pode-se observar aumento no valor calórico a partir da inserção da farinha da casca de jabuticaba na formulação. O conteúdo energético é reflexo dos teores de proteínas, lipídeos e carboidratos, que também se apresentam maiores nos biscoitos que nas matérias-primas (Tabela 5). Os teores observados para os biscoitos tipo cookies estão entre 434,28 a 449,92 kcal 100g-1 (Tabela 5). Em comparação aos biscoitos comerciais que contém, em média, 450 kcal 100g-1, assim pode-se considerar que as formulações apresentadas estão de acordo com os padrões industriais. Altos valores energéticos eram previstos, devido à grande quantidade de carboidratos presente nos biscoitos. Estudos anteriores avaliaram o conteúdo energético de biscoitos tipo cookie utilizando as mais diferentes matérias primas e obtiveram resultados similares ao do presente estudo, como o de Peres (2010) ao formular biscoitos enriquecidos com vitamina D (414,38 kcal 100g-1) e Santana et al. (2011) ao desenvolverem cookies formulados através da substituição parcial da farinha de trigo por farinha da casca do maracujá e fécula de mandioca (432,48 kcal 100g-1 para o biscoito padrão e 398,60 kcal 100g-1 para o biscoito otimizado). Os valores de acidez total titulável dos biscoitos tipo cookie diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si (Tabela 5), foram maiores em relação à casca e menores em relação à farinha (Tabela 2). Essa diminuição na acidez dos biscoitos em relação à farinha deve-se a perda de parte dos ácidos orgânicos durante o processo de cocção dos biscoitos. Uma acidez adequada para comercialização de produtos que contenham ácido cítrico é de 0,5 a 1,5 % (g ácido cítrico 100g-1) (FONTES, 2010), pois apresenta índices baixos em relação à deterioração do alimento e também agradável ao paladar. Portanto, pode-se dizer que os biscoitos com 0%, 2,5% e 5% encontram-se de acordo com este e o cookie 7,5% apresenta acidez um pouco superior (1,99 g ácido cítrico 100g-1), porém ainda assim baixa, possibilitando a comercialização dos mesmos sem alterações sensoriais e de qualidade. Santana et al. (2011) obtiveram para biscoitos tipo cookie formulados com farinha da casca do maracujá e fécula de mandioca teores de acidez similares para o biscoito padrão (3,77 g ácido cítrico 100g-1) e superior ao biscoito otimizado (5,23 g ácido cítrico 100g-1). 71 5.2.2 Compostos bioativos Os teores de compostos bioativos presentes nos biscoitos tipo cookies de acordo com sua concentração de FCJ foram apresentados na Figura 8. Os teores de compostos fenólicos presentes nos biscoitos apresentaram diferença (p<0,05) entre as formulações. Foram maiores que os encontrados na casca para os biscoitos com adição de FCJ, e semelhantes aos obtidos na farinha (Tabela 3). Apenas pequena parcela desses compostos pode estar atrelada aos fenóis presentes na aveia. Os lipídeos da aveia são protegidos por vários componentes com propriedades antioxidantes e os compostos fenólicos são um desses componentes (WEBER et al., 2002). Também podem estar atrelados aos produtos originados na reação de Maillard (melanoidinas), que ocorre quando aminoácidos ou proteínas e açúcares são aquecidos (cozidos) (YILMAS e TOLEDO, 2005), e às proantocianidinas presentes no trigo (GUPTA et al., 2011). Porém, verificou-se que, com o aumento da inserção de FCJ, houve incremento na quantidade de compostos fenólicos nos biscoitos (Figura 8A), comprovando-se assim que se conseguiu manter, mesmo após a cocção, compostos fenólicos oriundos da casca de jabuticaba. A variável compostos fenólicos totais apresentou comportamento linear (Anexo 04), apresentando excelente coeficiente de determinação igual a 94% (Figura 8A). A equação mostrou que a cada 1% de FCJ, teve-se aumento de 0,3116 g AGE 100g-1. É importante salientar que mesmo tendo sido utilizado intervalo de quatro pontos (percentagens de FCJ), o modelo permite estimar qualquer % de interesse em todo o intervalo. Tal dado é de extrema importância, visto que quanto maiores quantidades de farinha de casca de jabuticaba forem adicionadas, maior o teor de compostos com ação bioativa no produto final. 72 A B 3 20 y = 0,7156x + 13,324 y = 0,3116x + 0,674 R2 = 0,94 R2 = 0,97 18 2.5 FLAVONOIDES (mg CE 100g −1) FENOIS TOTAIS (g GAE 100g−1) 16 2 1.5 1 14 12 10 8 6 0.5 4 0 0 2.5 5 2 7.5 0 2.5 5 7.5 5 7.5 FCJ (%) FCJ (%) C D 4 1 y = 0,0748x + 0,357 y = 0,476x + 0,18 2 R2 = 0,90 0.8 TANINOS CONDENSADOS (g 100g −1) ANTOCIANINAS (mg Cy−3−glicosideo 100g −1) 0.9 R = 0,99 3.5 3 2.5 2 1.5 1 0.7 0.6 0.5 0.4 0.3 0.2 0.5 0 0.1 0 2.5 5 FCJ (%) 7.5 0 0 2.5 FCJ (%) Figura 8 - Teores de fenóis totais (A), flavonóides totais (B), antocianinas totais (C) e taninos condensados (D) dos biscoitos tipo cookie de acordo com a percentagem de adição de farinha da casca de jabuticaba em sua composição. Gupta et al. (2011) ao desenvolverem biscoitos tipo cookie a partir da farinha da cevada e ao avaliar seu efeito com ciclos de congelamento e descongelamento nas propriedades funcionais e nutricionais dos biscoitos, relataram baixos teores de compostos fenólicos no produto final, sendo inferiores aos relatados no presente estudo, já que variaram entre 190 a 249 µg AGE 100g-1 para formulações de 0 a 40% de farinha de cevada. Os biscoitos antes de assar possuíam de 311 a 433 µg AGE 100g-1. Perin e Schott (2011) ao elaborarem cookies a partir do resíduo do bagaço da uva oriundo da produção do vinho, obtiveram para biscoitos com 10% da farinha do bagaço 0,01 g AGE 100g-1, sendo que a farinha continha 0,05 g AGE 100g-1 e o bagaço 0,06 g AGE 100g-1, havendo diminuição no teor de compostos fenólicos. Böger (2013) ao elaborar sorvetes com extrato da casca de jabuticaba obteve teor de polifenóis totais de 0,10 g AGE 100g-1 para o sorvete padrão (sem 73 extrato da casca), 0,12 g AGE 100g-1 para sorvete com 5% de extrato, 0,17 g AGE 100g-1 para sorvete com 10% e 0,19 g AGE 100g-1 para sorvete com 15% de extrato, sendo que o extrato utilizado para a produção das formulações continha inicialmente 0,21 g AGE 100g-1. Sharma e Gujral (2014) ao analisarem o comportamento de biscoitos tipo cookie formulados com farinhas de trigo e cevada obtiveram teores de compostos fenólicos de 0,07 g AGE 100g-1 para o biscoito com 0% e 0,22 g AGE 100g-1 para aquele com 100% de farinha de trigo e cevada, sendo que em todos ocorreu diminuição de 19,2% dos compostos fenólicos após assar. Isso comprova a perda de parte de compostos de interesse na cocção, mas ressalta-se que pode haver manutenção dos mesmos em parcelas diferentes, dependendo da matéria-prima utilizada. Em relação aos valores para flavonóides totais encontrados nas quatro formulações de biscoito pode-se verificar que os mesmos diferiram estatisticamente (p<0,05) entre si e foram menores que os obtidos para a casca e farinha (Tabela 3). Tal diminuição já era esperada, uma vez que os cookies passaram por processo que utilizou temperaturas elevadas por período de tempo considerável, o que pode ter levado a alterações e/ou degradações desses componentes. Domingues (2010) ressaltou que as taxas de degradação desses compostos são maiores em condições de altas temperaturas e umidade relativa, visto que são sensíveis a essas condições, bem como, à luminosidade, pH, entre outras. O teor de flavonóides obtido para o biscoito com 0% de FCJ pode ser atribuído à aveia, que tem em sua composição flavonóides (avenantramidas) (KOENIG et al., 2011), aos compostos originários de possível reação de Maillard e também à espécies presentes que permitam leitura no mesmo comprimento de onda dos flavonóides. Todavia, avaliando-se os resultados obtidos para todos os biscoitos pode-se assegurar que houve aumento expressivo no teor de flavonóides com a adição de FCJ nas formulações (Figura 8B), comprovando a permanência de parte dos compostos de interesse após o processo de cozimento. O ajuste do modelo linear (Anexo 05) ao teor de flavonóides totais foi excelente, apresentando coeficiente de determinação igual a 97% (Figura 8B). A equação ajustada mostrou que cada 1% de FCJ, representou um aumento médio no teor de flavonóides totais de 0,7156 mg CE 100g-1. Ressalta-se também que o modelo predito permite estimar as mesmas em todo o intervalo utilizado. O 74 comportamento dessa variável na formulação de biscoitos é interessante, pois a partir dele pode-se verificar que quanto maior a inserção de FCJ nos cookies maior será o conteúdo de flavonóides, que logicamente é um dos compostos de interesse a serem mantidos no produto final devido às propriedades biologicamente ativas. Zielinski et al. (2009) citaram que a torra do trigo sarraceno leva à significativa diminuição no conteúdo de flavonóides. Do mesmo modo AlvarezJubete et al. (2010) relataram diminuição significativa no teor de flavonóides após o cozimento de pão preparado com amaranto, quinoa, trigo sarraceno e trigo comum. Sharma e Gujral (2014) ao analisarem o comportamento de biscoitos tipo cookie formulados com farinhas de trigo e cevada observaram valores para flavonóides totais de 0,21 a 0,80 mg CE 100g-1 em formulações de 0 a 100% de farinha, sendo que os biscoitos pré-cocção possuíam de 0,33 a 0,91 mg CE 100g-1, confirmando assim que existe perda de compostos no momento do tratamento térmico. Os teores de antocianinas obtidos para os biscoitos foram diferentes entre si estatisticamente (p<0,05) e são menores do que os observados na casca e na farinha da casca de jabuticaba (Tabela 3). Tal queda brusca já era esperada devido às condições de temperatura e tempo utilizadas no processo de cocção dos cookies. Decréscimos similares no conteúdo de antocianinas foi reportado por Li et al. (2011) durante o cozimento de biscoitos preparados a partir da incorporação de farinha de milho. Porém, observa-se que o conteúdo de antocianinas também aumenta à medida que a proporção de farinha de casca de jabuticaba aumenta, confirmando assim a manutenção, mesmo que pequena, desse composto de interesse à medida que são adicionadas maiores quantidades de FCJ. Os níveis de antocianinas totais ajustaram-se ao modelo linear (Anexo 06) apresentando excelente representatividade (Figura 8C). A equação ajustada mostrou que cada 1% de FCJ, refletiu em aumento médio no teor de antocianinas de 0,476 mg Cy-3-glicosídeo 100g-1, o que proporciona resultados positivos, pois quanto maior a inserção de FCJ nas formulações dos biscoitos, maior será o teor de antocianinas, sendo a mesma uma das espécies alvo a serem mantidas. Vedana (2008) relatou que os principais fatores que influenciam na estabilidade das antocianinas são a temperatura (extremamente termolábeis), pH (influência na cor, sendo mais estáveis em meio ácido), estrutura química (a presença de oxigênio degrada mais rapidamente esse componente) e a presença de 75 luz (acelera a degradação e as interações entre os componentes dos alimentos). Estudos demonstraram relação logarítmica entre a destruição das antocianinas e o aumento aritmético da temperatura. Portanto, processos utilizando baixo tempo e alta temperatura têm sido recomendados para melhor retenção desse composto (PERIN e SCHOTT, 2011). Na legislação brasileira, somente o uso de antocianinas é previsto, mas com a finalidade de corante com limite quantum satis ou q.s.p. (quantidade suficiente para), ou seja, que só deverá ser utilizado em quantidade suficiente para obter-se o efeito tecnológico desejado, desde que não seja alterada a identidade e a genuinidade do alimento, segundo RDC nº. 45/2010 da ANVISA (BRASIL, 2010). Perin e Schott (2011) ao produzirem biscoitos tipo cookie a partir da farinha do bagaço da uva, obtiveram para o biscoito com 10% de farinha 172,66 mg Cy-3glicosídeo 100 mL-1 de extrato, observando-se que os teores iniciais de antocianinas eram de 560,38 mg Cy-3-glicosídeo 100 mL-1 para o bagaço e 202,11 mg Cy-3glicosídeo 100 mL-1 para a farinha, comprovando-se também perdas nos processos de obtenção dos biscoitos. Böger (2013) ao elaborar sorvetes com extratos hidroalcoólicos de casca de jabuticaba (Plinia cauliflora) observou teores de antocianinas superiores aos do presente trabalho (2,77, 6,69 e 10,75 mg Cy-3glicosídeo 100 g-1 em formulações com 5%, 10% e 15% de extrato), porém em diferentes processos de fabricação. Tratando-se do teor de taninos condensados presentes nos cookies observa-se decréscimo (Figura 8D) em relação à casca e à farinha (Tabela 3). Tais teores diferiram estatisticamente (p<0,05) entre as formulações. Os taninos, assim como os demais compostos fenólicos, são suscetíveis ao calor e são parcialmente ou totalmente destruídos em processos térmicos (SHARMA e GUJRAL, 2014), o que já era previsto no presente estudo. O ajuste do modelo linear (Anexo 07) ao teor de taninos condensados foi bom, apresentando coeficiente de determinação igual a 90% (Figura 8D). A equação ajustada mostrou que cada 1% de FCJ, ocasionou aumento médio no teor de flavonóides totais de 0,0748 g 100g-1. Tal dado demonstrou que quanto maior a inclusão de FCJ, maiores serão os níveis de taninos condensados nas formulações, e consequentemente acarretará em produto com maior quantidade de substâncias bioativas. Não se tem registros na literatura de quantificação de teores de taninos condensados em alimentos sólidos que passaram por processo de cocção. Todavia 76 pode-se observar que os taninos, assim como os demais compostos, aumentaram conforme foram adicionadas maiores quantidades de farinha da casca de jabuticaba, confirmando assim a conservação desses compostos nas formulações. 5.2.3 Atividade antioxidante As atividades antioxidantes avaliadas nos biscoitos tipo cookies de acordo com suas percentagens de FCJ estão expressas na Figura 9. Os teores de atividade antioxidante presentes nos biscoitos diferiram estatisticamente entre si (p<0,05) e foram menores que os obtidos na casca e na farinha da casca de jabuticaba (Tabela 4). Tal diminuição já era prevista devido ao tratamento térmico utilizado para cocção dos biscoitos, que poderia ocasionar perda de parte dos compostos bioativos que explicam o potencial antioxidante do alimento. O mesmo ocorreu ao avaliar-se os teores de compostos fenólicos dos cookies, comparados à casca e à farinha. Existem relatos de que a atividade antioxidante diminui aparentemente ao decréscimo do conteúdo dos compostos fenólicos. No entanto, as proantocianidinas (PAs) presentes na farinha de trigo são também conhecidas por serem complexadas com frações de carboidratos e proteínas, tornando-os menos extraíveis. As PAs também podem ser modificadas pela ação de enzimas oxidativas presentes (polifenoloxidase). Além disso, esses compostos podem complexar íons metálicos, o que é provável que interfira na quantificação do conteúdo de fenólicos totais. Também foi descrito que durante a caramelização e degradação de açúcares no trigo os derivados do furfural formados podem sofrer condensação com as PAs durante o cozimento. No entanto, algumas perdas de antioxidantes durante a mistura da massa e o assar são igualmente relatados (GUPTA et al., 2011). É importante ressaltar também que os teores de atividade antioxidante aumentaram à medida que foram adicionadas maiores quantidades de FCJ, comprovando-se assim que houve a incorporação dessa característica de interesse no biscoito através da FCJ e conservação de parte dos compostos que determinam a atividade antioxidante após o processo térmico. A atividade antioxidante expressa em EC50, traz quanto de amostra (biscoito) é necessária para reduzir em 50% a concentração inicial do DPPH• (espécie alvo), pode-se verificar que não houve atividade no biscoito sem FCJ (0%). Observa-se também que a maior atividade antioxidante está presente no biscoito com 7,5% de 77 farinha da casca de jabuticaba, lembrando que ao interpretarmos os resultados dessa análise devemos considerar a atividade antioxidante mais expressiva a de menor valor, pois necessita de menores quantidades do composto (amostra) para reduzir o radical livre. A atividade antioxidante via DPPH expressa em EC50 apresentou comportamento quadrático (Anexo 08), cujo ponto de máximo obteve-se aos 3,86 g 100 g-1 de farinha da casca de jabuticaba na composição do cookie possibilitando atingir 6,19% (g g-1 DPPH) de atividade antioxidante (Figura 9A). Porém, esse teor representou o maior valor de atividade antioxidante, o que demonstra que o menor potencial antioxidante será alcançado nessas quantidades de FCJ. Desse modo, é interessante que se padronize faixas de trabalho abaixo disso para que se alcance maior atividade antioxidante. Misan et al. (2011) ao avaliarem a atividade antioxidante de extratos de plantas medicinais em cookies após 6 semanas de estocagem obtiveram resultados superiores para o biscoito adicionado do extrato Vitalplant (salsa, espinheiro, hortelã e cominho) 0,296 g g-1 DPPH, sendo considerado com apreciável atividade antioxidante. Monteiro (2011) ao desenvolver bebida a partir da farinha do bagaço da uva obteve nível de atividade antioxidante superior (3,30 g g-1 DPPH) comparado ao biscoito com 2,5% de FCJ avaliado nesse estudo e inferior comparado às demais formulações. Porém, Davidov-Pardo et al. (2012) ao avaliarem a percepção sensorial de biscoitos tipo cookies adicionados de extrato de semente de uva obtiveram para atividade antioxidante níveis próximos ao biscoito com 2,5% de FCJ (0,8, 6,8, 7,5 e 7,8 g g-1 DPPH para o controle, massa crua e duas diferentes formulações de biscoito, respectivamente). Sharma e Gujral (2014) ao prepararem biscoitos tipo cookies com farinha de trigo e cevada observaram atividade antioxidante de 10,8 a 17,9 g g-1 DPPH para formulações com 0 a 100% de farinha. A massa antes da cocção possuía teores de 8,8 a 17,0 g g-1 DPPH. Tal acréscimo em algumas formulações na atividade antioxidante após a cocção é citada como oriunda da formação de pigmentos de cor escura (pigmentos marrons) durante o processo de cozimento através da reação de Maillard e esses pigmentos são descritos por possuírem atividade antioxidante. Observando as pesquisas relatadas e a bibliografia consultada, mesmo não se obtendo níveis altíssimos de atividade antioxidante, medida através da restrição 78 de uma espécie comercial (DPPH•), ainda assim conseguiu-se manter nos biscoitos com FCJ ação antioxidante de extrema importância, e que pode ser destinada aos alimentos, agregando aos mesmos propriedades benéficas à saúde. A atividade antioxidante expressa em TEAC (capacidade antioxidante equivalente ao Trolox®) apresentou-se também nula no cookie com 0% de FCJ (Figura 9B). O biscoito com maiores teores de potencial antioxidante foi aquele com maiores quantidades de FCJ, o que já era esperado devido às espécies fenólicas se apresentarem crescentes, ao mesmo modo que foram acrescentadas maiores percentagens de farinha. O potencial antioxidante lido em TEAC é diretamente proporcional, ou seja, quanto maior o valor, melhor a atividade da amostra. A variável atividade antioxidante via DPPH expressa em TEAC apresentou comportamento quadrático (Anexo 09), cujo ponto de máximo obteve-se aos 18,05 g 100 g-1 de farinha da casca de jabuticaba na composição do cookie possibilitando atingir 225,38% de atividade antioxidante (Figura 9B). Tal avaliação é de extremo interesse, pois a partir dela pode-se mensurar qual quantidade exata de FCJ é necessária para que seja obtida a melhor ação antioxidativa. Perin e Schott (2011) ao desenvolverem biscoito tipo cookie a partir da farinha do resíduo do bagaço da uva oriundo da produção de vinhos relataram teores inferiores (6,74 µM TE g-1) para o biscoito com 10% de farinha, ressaltando que as atividades obtidas no bagaço e na farinha (12,04 e 8,75 µM TE g-1) foram superiores ao produto final, demonstrando-se também que houve diminuição em seus níveis após os processos de obtenção da farinha e do biscoito. Böger (2013) ao elaborar sorvetes com extratos hidroalcoólicos de casca de jabuticaba (Plinia cauliflora) observou níveis de atividade antioxidante inferiores para formulações com 0%, 5%, 10 e 15% (1,50, 3,10, 6,67 e 10,51 µM TE g-1), porém comprovou-se o aumento nos níveis de atividade antioxidante a partir da inserção dos extratos de casca de jabuticaba. 79 A B 10 150 y = −0,6924x2 + 25,002x − 0,3195 R2 = 0,99 2 y = −0,3488x + 2,6912x + 0,998 2 9 R = 0,49 7 AA DPPH TEAC (uM TE g−1) AA DPPH EC50 (g g−1 DPPH) 8 6 5 4 3 100 50 2 1 0 0 2.5 5 7.5 0 0 2.5 5 7.5 FCJ (%) FCJ (%) C 70 y = 7,6316x + 2,704 2 R = 0,89 60 AA FRAP (uM FeSO4 g−1) 50 40 30 20 10 0 2.5 5 7.5 FCJ (%) Figura 9 - Atividade antioxidante (AA) via DPPH expressa em EC50 (A), atividade antioxidante via DPPH expressa em TEAC (B) e atividade antioxidante via FRAP (C) dos biscoitos tipo cookie de acordo com a percentagem de adição de farinha da casca de jabuticaba em sua composição. Foi observado potencial antioxidante expresso em FRAP (poder antioxidante através da redução do ferro) para o biscoito sem FCJ (Figura 9C). Tal valor pode estar associado aos ingredientes adicionados ao biscoito que possuem compostos fenólicos, como a aveia, que pode conter compostos com habilidade em reduzir Fe III para Fe II, aos produtos da reação de Maillard (melanoidinas) (YILMAS e TOLEDO, 2005) e também a compostos que se expressam no mesmo comprimento de onda da análise de FRAP. Nas demais formulações de biscoito, a atividade se comportou de maneira linear crescente, quanto maior a quantidade de FCJ maior a atividade antioxidante, ressaltando que, nesse caso, os resultados também foram diretamente proporcionais (Figura 9C). A equação ajustada mostrou que a cada 1% de FCJ, esperou-se aumento médio nessa atividade antioxidante de 7,6316 µM FeSO4 g-1, o que proporciona resultados positivos, pois quanto maior for a inserção de FCJ nas formulações dos 80 biscoitos, maior a atividade antioxidante em relação à redução do ferro, possibilitando assim a inclusão de ingredientes com mecanismos de ação direcionada. Kilci e Gocmen (2014) ao avaliarem a composição de ácidos fenólicos, atividade antioxidante e conteúdo fenólico de diferentes formulações de tarhana (sopa típica da Ásia Central) suplementada com farinha de aveia obtiveram resultados de atividade antioxidante via FRAP inferiores aos obtidos nesse estudo (Figura 9C), sendo que as sopas continham de 0 a 40% de farinha de aveia, afirmando que a inserção da farinha de aveia reforçou os níveis de atividade antioxidante. Apesar das perdas ocasionadas pelo processo de cocção, foi possível formular biscoitos que conservaram parte das características desejadas e que apresentam potencial antioxidante significativo, podendo proporcionar ao consumidor alimento com propriedades funcionais contribuindo para a melhoria da qualidade de vida. 5.2.4 Correlações entre compostos fenólicos e atividade antioxidante Na Tabela 6 foram apresentados os coeficientes de correlação para as amostras da casca de jabuticaba, farinha da casca de jabuticaba e dos cookies nas diferentes formulações com FCJ. Observou-se correlação significativa negativa entre as variáveis atividade antioxidante via DPPH EC50 e atividade antioxidante via FRAP da casca de jabuticaba, o que significa que quanto maiores forem os teores de uma variável, menores os da outra, e vice versa (Tabela 6). Isso é perfeitamente aceitável, pois são propriedades que agem, muitas vezes, por vias metabólicas diferentes e com funções distintas. Vale ressaltar que quanto menor o valor de DPPH expresso em EC50, melhor o potencial antioxidante. Já a atividade antioxidante via FRAP é diretamente proporcional. Portanto, tal coeficiente corrobora com os resultados obtidos para ambas as variáveis. Verificou-se correlação significativa positiva entre atividade antioxidante expressa em Trolox® para a casca com a farinha da casca de jabuticaba. Isso explica que quando a ação antioxidante de uma amostra aumenta, a outra também aumenta (Tabela 6). Tal correlação já era prevista, devido à farinha ser obtida 81 através da casca, e quanto maior seu potencial antioxidante, mais elevado será o da farinha. Também foi constatado correlação significativa negativa entre a atividade antioxidante via FRAP do biscoito tipo cookie sem farinha da casca de jabuticaba (0%) com a atividade antioxidante expressa em TEAC da casca e da farinha da casca (Tabela 6). Para o cookie com 5% de FCJ, o potencial antioxidante expresso em TEAC apresentou correlação significativa positiva em relação ao potencial antioxidante com a farinha via FRAP (Tabela 6). Tal fato comprovou os resultados obtidos em todos os níveis da pesquisa, pois ambos são diretamente proporcionais, indicando que quando um aumentou o outro também apresentou o mesmo comportamento. Também no biscoito com 5%, a atividade antioxidante expressa em EC50 apresentou correlação significativa positiva com o teor de fenóis totais presente na farinha (Tabela 6), confirmando-se que o conteúdo de compostos fenólicos dita a atividade antioxidante do alimento, e que quanto maior o valor desses maior será a ação antioxidante presente. Já o biscoito tipo cookie com 7,5% de FCJ apresentou correlação significativa negativa entre a atividade antioxidante expressa em EC50 com a atividade antioxidante expressa em TEAC, tanto para a casca quanto para a farinha (Tabela 6). Tais resultados já eram previstos, devido a essas variáveis serem interpretadas de forma oposta. Portanto, quanto menor o valor em EC50, maior o valor em TEAC. Isso comprovou todos os dados obtidos para essas variáveis, reforçando o potencial antioxidante das amostras estudadas. Ressalta-se também que o potencial antioxidante expresso em TEAC do cookie 7,5% e o potencial antioxidante expresso em EC50 da FCJ obtiveram correlação significativa positiva, o que significa que quanto maior o valor de um, maior será o do outro, corroborando com todos os resultados obtidos. 82 AA DPPH TEAC 0,79 0,94 -0,18 0,41 0,68 0,20 AA DPPH EC50 -0,97 - -0,92 -0,99* 0,41 0,60 -0,84 0,04 AA DPPH TEAC 0,79 -0,92 - 0,95 -0,74 -0,24 0,99* -0,43 AA FRAP 0,94 -0,99* 0,95 - -0,49 -0,53 0,88 -0,13 Fenóis totais -0,18 0,41 0,68 0,20 - -0,48 -0,84 0,93 AA DPPH EC50 0,41 0,60 -0,84 0,04 -0,50 - -0,07 -0,77 AA DPPH TEAC -0,74 -0,24 0,99* -0,43 -0,84 -0,11 - -0,58 AA FRAP -0,49 -0,53 0,88 -0,13 0,93 -0,77 -0,58 - Fenóis totais -0,60 0,39 0,01 -0,31 -0,68 0,97 0,17 -0,31 AA DPPH EC50 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,74 AA DPPH TEAC 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 -0,74 AA FRAP -0,78 0,91 -0,99* -0,94 0,75 0,22 -0,99* 0,45 Fenóis totais -0,61 0,40 0,00 -0,32 -0,67 0,97 0,16 -0,90 AA DPPH EC50 0,39 -0,60 0,87 0,67 -0,97 0,27 0,94 -0,82 AA DPPH TEAC 0,43 -0,64 0,89 0,70 -0,97 0,23 0,95 -0,80 AA FRAP 0,74 -0,55 0,18 0,48 0,53 -0,99 0,01 0,81 Fenóis totais 0,45 -0,62 -0,24 0,72 -0,96 0,21 0,96 -0,78 AA DPPH EC50 -0,08 0,32 -0,67 -0,40 0,99* -0,56 -0,79 0,96 AA DPPH TEAC 0,40 -0,16 -0,24 0,07 0,83 -0,88 -0,40 0,98* AA FRAP -0,41 0,62 -0,88 -0,68 0,97 -0,25 -0,95 0,81 Fenóis totais 0,42 -0,63 0,88 0,69 -0,97 0,24 0,95 -0,80 AA DPPH EC50 -0,81 0,93 -0,99* -0,96 0,73 0,26 -0,98* 0,42 AA DPPH TEAC -0,80 0,64 -0,28 -0,56 -0,44 0,99* -0,11 -0,74 AA FRAP 0,91 -0,78 0,46 0,72 0,25 -0,97 0,31 0,60 AA FRAP AA DPPH EC50 Casca Farinha Cookie 0% Cookie 2,5% Cookie 5% Fenóis totais AA DPPH TEAC -0,97 Fenóis totais AA FRAP AA DPPH EC50 - Variáveis Cookie 7,5% Fenóis totais Tabela 6 - Coeficientes de correlação (r) entre compostos fenólicos totais e atividade antioxidante da casca, da farinha da casca (FCJ) e dos biscoitos tipo cookie adicionados de diferentes percentagens de FCJ Casca Farinha AA: Atividade Antioxidante. r: Coeficiente de Correlação de Pearson. EC50: Equivalent Concentration (amostra necessária para reduzir em 50% a concentração inicial do radical DPPH). DPPH: 2,2-difenil1-picril-hidrazil. TEAC: Trolox® Equivalent Antioxidant Capacity. TE: Trolox® Equivalente. FRAP: Ferric Reducing Antioxidant Power. * significativo a p<0,01 83 Algumas variáveis apresentaram coeficientes lineares altos, porém não foram significativos. Tais correlações podem ser resultantes da presença de compostos com atividade antioxidante, mas que não são compostos fenólicos ou a presença de compostos fenólicos com maior eficiência do que outros. Além disso, pode ser resultado de efeitos antagônicos ou sinérgicos entre os mesmos presentes na casca (RODRIGUES, 2009; BERNARDES et al., 2011). Vários estudos reportaram a relação entre conteúdo de compostos fenólicos e atividade antioxidante, confirmando o papel dos mesmos nas propriedades bioativas das matrizes estudadas (KUSKOSKI et al., 2005; CATANEO et al., 2008; PRADO, 2008; RODRIGUES, 2009; MITIC et al., 2010; BERNARDES et al., 2011; ABE et al., 2012; SUCUPIRA et al., 2012). Para se estabelecer relação direta de cada grupo ou composto fenólico, será necessário estudo específico com os compostos isolados, assim como para se determinar as quantidades diárias necessárias e ideais de antioxidantes na alimentação equilibrada, levando-se em consideração diversas variáveis e condições de vida de cada indivíduo. Entretanto, a partir desses dados admite-se que a casca, a farinha da casca de jabuticaba e as quatro formulações de biscoito são alimentos com capacidade antioxidante e que a mesma está correlacionada com o conteúdo de compostos fenólicos totais. 5.2.5 Avaliação microbiológica A avaliação microbiológica foi realizada a fim de detectar a inocuidade do alimento produzido antes de submetê-lo a avaliação sensorial para garantir a segurança do provador. Na Tabela 7 foram apresentados os resultados das análises microbiológicas realizadas. 84 Tabela 7 – Avaliação microbiológica dos biscoitos tipo cookie adicionados de diferentes percentagens de FCJ Amostras Análises microbiológicas -1 2 1 -1 2 Coliformes a 45ºC g (até 1,0.10 UFC g ) -1 2 -1 Staphylococcus coagulase positiva g (até 5,0.10 UFC g ) Cookie Cookie Cookie Cookie (0%) (2,5%) (5%) (7,5%) <1,0.10 2 <1,0.10 2 <1,0.10 <1,0.10 2 2 <1,0.10 2 <1,0.10 2 <1,0.10 2 <1,0.10 2 -1 Salmonella sp 25g (Ausência) 1 2 Ausência Ausência Ausência Ausência Análises microbiológicas exigidas pela RDC/ANVISA nº. 12/2001 (BRASIL, 2001). -1 UFC g : Unidade Formadoras de Colônia por grama de amostra. A partir dos resultados obtidos na Tabela 7, pôde-se afirmar que as quatro formulações de biscoito tipo cookie estavam adequadas ao consumo no que diz respeito aos padrões microbiológicos, podendo as mesmas serem destinadas à análise sensorial. 5.3 ANÁLISE SENSORIAL DOS BISCOITOS TIPO COOKIE 5.3.1 Teste de aceitação Os escores médios de aceitação do sabor, aroma, textura e impressão global dos biscoitos obtidos em cada formulação foram apresentados na Tabela 8. Verificou-se que não houve diferença significativa (p<0,05) entre as formulações de biscoito tipo cookie de acordo com a percentagem de incremento de FCJ. Tabela 8 - Médias do teste de aceitação dos cookies adicionados de farinha de casca de jabuticaba 1 Médias Cookies Sabor Aroma Textura Impressão Global 1 0% 7,30ª 7,20ª 7,19ª 7,28ª 2,5% 7,22ª 7,30ª 7,33ª 7,31ª 5% 7,08ª 7,04ª 7,12ª 7,05ª 7,5% 7,22ª 7,09ª 7,23ª 7,09ª Médias com letras iguais na coluna não possuem diferença estatística (p<0,05) entre si pelo teste de Tukey. 85 Analisando-se os resultados, verificou-se que todas as formulações obtiveram escores de impressão global na região positiva da escala hedônica, ou seja, entre 7 (gostei) e 8 (gostei muito), o que evidencia que houve aceitação dos biscoitos pelos consumidores de forma satisfatória (Tabela 8). As médias de aceitação dos biscoitos com relação ao sabor, aroma e textura também foram altas, variando também entre 7 (gostei) e 8 (gostei muito) (Tabela 8). Esses valores sugerem que nesse produto, os três atributos avaliados determinaram com a mesma intensidade sua boa aceitação global e ao consumo junto aos consumidores. Considerando que um dos objetivos do trabalho foi o aproveitamento da casca de jabuticaba para o enriquecimento dos biscoitos em propriedades funcionais e verificando que todos os níveis de adição de farinha de casca de jabuticaba propiciaram biscoitos com aceitação satisfatória em todos os atributos, pode-se assumir que o uso de todas as substituições de farinha de trigo integral por farinha da casca de jabuticaba produziram alimento com nível de aceitação similar ao da formulação padrão. A intenção era formular um biscoito com propriedades biologicamente ativas e com padrões sensoriais próximos aos biscoitos usualmente consumidos foi atendida. 5.3.2 Intenção de compra Na Tabela 9 verificou-se a intenção de compra dos julgadores em relação a cada biscoito de acordo com a percentagem de FCJ em sua composição. Tabela 9 - Intenção de compra dos biscoitos tipo cookie adicionados de farinha de casca de jabuticaba 1 Média Intenção de compra (%) Cookies 1 0% 4,86ª 69,43ª 2,5% 4,72ª 67,43ª 5% 4,60ª 65,71ª 7,5% 4,65ª 66,43ª Médias com letras iguais na coluna não possuem diferença estatística (p<0,05) entre si pelo teste de Tukey. 86 Para a intenção de consumo, as médias obtidas encontraram-se entre os escores 4 (comeria ocasionalmente) e 5 (comeria frequentemente) (Tabela 9), o que é considerado excelente levando em consideração que na dieta alimentar da população brasileira os biscoitos tipo cookie estão em fase de inserção. Verificou-se que não houve diferença significativa (p<0,05) para a intenção de compra dos biscoitos comparando-os com biscoito padrão (Tabela 9). Por conseguinte, comprovou-se que a substituição parcial da farinha de trigo integral pela farinha da casca de jabuticaba não afetou a decisão de compra do consumidor, visto que, de maneira geral, as médias de aceitação foram satisfatórias. Para esse teste se aplica o que foi relatado por Teixeira et al. (1987) no qual descreveram que para que seja confirmada que uma amostra é aceita, em termos de suas características sensoriais, a mesma deve obter índice de aceitabilidade de no mínimo 70%. Logo, em relação ao teste de intenção de consumo aplicado, nenhuma amostra apresentou valor acima de 70%. Porém, ambas as amostras se aproximaram a esse valor (Tabela 9). Ferreira et al. (2012) ao formularem também biscoitos tipo cookie a partir da farinha da casca de jabuticaba obtiveram bons resultados, concluindo que o acréscimo de até 5% de farinha da casca de jabuticaba nas formulações permitiu elaboração de biscoitos com índice de aceitabilidade de 79%. Assim, analisando os dados dos dois testes juntamente com o teor de compostos bioativos, pode-se sugerir uso do biscoito com até 7,5% de FCJ, por apresentar maior quantidade dos compostos de interesse e não mostrar diferença significativa na análise sensorial em relação ao padrão de consumo (sem FCJ). 87 6 CONCLUSÕES A casca de jabuticaba possui significativos índices nutricionais e funcionais, apresentando alto teor de carboidratos, sendo fonte de fibras e, compostos fenólicos como antocianinas, flavonóides e taninos. Além disso, apresenta elevada capacidade antioxidante atrelada aos compostos fenólicos e pode ser utilizada em produtos alimentares para promover a saúde humana, prevenindo doenças associadas às espécies reativas de oxigênio. A farinha da casca de jabuticaba, após passar por processo de aquecimento, manteve grande parte dos compostos presentes na casca, apresentando alto conteúdo de carboidratos e fenóis, além de ser fonte de fibras e ter alto potencial antioxidante, o que reforça a utilização da mesma em alimentos cujo objetivo é acrescentar propriedades bioativas. Os dados sensoriais desse trabalho permitem concluir que todas as amostras com substituição parcial de farinha de trigo integral por farinha de casca de jabuticaba foram aceitas. A dosagem de até 7,5% de farinha de jabuticaba é sugerida para adicionar em biscoitos tipo cookie, pois resultou em maiores teores de compostos fenólicos em geral, e também nos maiores níveis de atividade antioxidante, resultando em um produto com conteúdo de propriedades biologicamente ativas elevado, sem interferir na qualidade sensorial e nos padrões de identidade. Tais biscoitos além de atingirem diversos nichos de mercado, podem ser destinados à alimentação infantil, objetivando a prevenção de doenças e a obesidade infantil, tão decorrente na atualidade. Conseguiu-se o desejado nesse estudo, pois além de ser possível a elaboração da farinha e dos cookies, foram encontrados compostos de ação bioativa desde a casca de jabuticaba até as três formulações de biscoito adicionadas de farinha da casca de jabuticaba. Como continuidade nas pesquisas com casca de jabuticaba pode-se realizar testes com a mesma na forma in natura ou liofilizada, testando suas propriedades em modelos alimentares diferenciados. 88 7 REFERÊNCIAS ABE, L. T.; LAJOLO, F. M.; GENOVESE, M. I. Potential dietary sources of ellagic acid and other antioxidants among fruits consumed in Brazil: Jabuticaba (Myrciaria jaboticaba (Vell.) Berg). Journal of the Science of Food and Agriculture, v. 9, p. 1679-1687, 2012. ADA. AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION. Position of the American Dietetic: health implication of dietary fiber. Journal of the American Dietetic Association, v. 108, n. 10, p. 1716-1731, 2008. AGAMA-ACEVEDO, E.; ISLAS-HERNÁNDEZ, J. J.; PACHECO-VARGAS, G.; OSORIO-DÍAZ, P.; BELLO-PÉREZ, L. A. Starch digestibility and glycemic index of cookies partially substituted with unripe banana flour. LWT - Food Sciencie and Technology, v. 26, p. 177-182, 2012. ALEZANDRO, M. R.; LAJOLO, F. M.; GENOVESE, M. Functional potential of jaboticaba, a Brazilian native fruit. In: PACIFICHEM 2010 / INTERNATIONAL CHEMICAL CONGRESS OF PACIFIC BASIN SOCIETIES, Analls. Honolulu, United States, 2010. ALKARKHI, A. F. M.; RAMLI, S. B.; YONG, Y. S.; EASA, A. M. Comparing physicochemical properties of banana pulp and peel flours prepared from green and ripe fruits. Food Chemistry, v. 129, p. 312-318, 2011. ALVAREZ-JUBETE, L.; WIJNGAARD, H.; ARENDT, E. K.; GALLAGHER, E. Polyphenol composition and in vitro antioxidant activity of amaranth, quinoa buckwheat and wheat as affected by sprouting and baking. Food Chemistry, v. 119, p. 770-778, 2010. ANDERSEN, O.; ANDERSEN, V. U. As Fruteiras Silvestres Brasileiras. Rio de Janeiro: Globo, 1989. ANGELO, M. A.; GARMUS, T. T.; BEZERRA, J. R. M. V. Elaboração de biscoitos com adição de farinha de resíduo agroindustrial da produção de vinho. In: XIX EAIC / Encontro Anual de Iniciação Científica, UNICENTRO, 2010, Guarapuava. Anais. 2010. AQUINO, J. S.; PESSOA, D. C. N. P.; OLIVEIRA, C. E. V.; CAVALHEIRO, J. M. O.; STAMFORD, T. L. M. Processamento de biscoitos adicionados de óleo de buriti (Mauritia flexuosa L.): uma alternativa para o consumo de alimentos fontes de vitamina A na merenda escolar. Revista Nutrição, v. 25, n. 6, p. 765-774, 2012. ARAÚJO, Clináscia. R. R. Composição química, potencial antioxidante e hipolipidêmico da farinha da casca de Myrciaria cauliflora (jabuticaba). 2011. 119f. Dissertação (Mestrado em Química) – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, UFVJM, Diamantina, 2011. 89 AROGBA, S. S. The performance of processed mango (Mangifera indica) kernel flour in a model food system. Bioresource Technology, v. 70, p. 277-281, 1999. ARTS, I. C. W.; HOLLMAN, P. C. H. Polyphenols and disease risk in epidemiologic studies. American Journal of Clinical Nutrition, v. 81, n. 1, p. 317-325, 2005. ASCHERI, D. P. R.; ANDRADE, C. T.; CARVALHO, A. W. P.; ASCHERI, J. L. R. Efeito da extrusão sobre a adsorção de água de farinhas mistas pré-gelatinizadas de arroz e bagaço de jabuticaba. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 26, n. 2, p. 325-335, 2006. ASSIS, S. A.; VELLOSA, J. C. R.; BRUNETTI, I. L.; KHALIL, N. M.; LEITE, K. M. D. C.; MARTINS, A. B. G., et al. Antioxidant activity, ascorbic acid and total phenol of exotic fruits occurring in Brazil. International Journal of Food Science and Nutrition, v. 60, p. 439–448, 2009. ASQUIERI, E. R.; SILVA, A. G. M.; CÂNDIDO, M. A. Aguardente de jabuticaba obtida da casca e borra da fabricação de fermentado de jabuticaba. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 29, n. 4, p. 896-904, 2009. BALASUNDRAM, N.; SUNDRAM, K; SAMMAN S. Phenolic compounds in plants and agri-industrial by-products: Antioxidant activity, occurrence, and potential uses. Food Chemistry, v. 99, p. 191 - 203, 2006. BATTESTIN, V.; MATSUDA, L. K.; MACEDO, G. A. Fontes e aplicações de taninos e tanases em alimentos. Alimentos e Nutrição, v.15, p. 63-72, 2004. BENZIE, I. F. F.; STRAIN, J. J. The ferric reducing ability of plasma (FRAP) as a measure of antioxidant power: the FRAP assay. Analytical Biochemistry, v. 239, p. 70 - 76, 1996. BERNARDES, N. R.; GLÓRIA, L. L.; NUNES, C. R.; PESSANHA, F. F.; MUZITANO, M. F.; OLIVEIRA, D. B. Quantificação dos teores de taninos e fenóis totais e avaliação da atividade antioxidante dos frutos de aroeira. Vértices, v. 13, n. 3, p. 117-128, 2011. BLIGH, E. G.; DYER, W. J. A rapid method for total lipid extraction and purification. Canadian Journal of Biochemistry and Physiology, v. 37, p. 911-917, 1959. BOARI LIMA, A. J.; CORRÊA, A. D.; ALVES, A. P. C.; ABREU, C. M. P.; DANTAS, B. A. M. Caracterização do fruto jabuticaba (Myrciaria cauliflora) e de suas frações. Archivos Latinoamericanos de Nutrición, v.58, n. 4, p. 416-421, 2008. BOARI LIMA, A. J.; CORRÊA, A. D.; DANTAS, B. A. M.; LEE, N. D.; AMORIM, A. C. L. Sugars, organic acids, minerals and lipids in jabuticaba. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 33, p. 540-550, 2011. BOARI LIMA, A. J.; CORRÊA, A. D.; SACZK, A. A.; MARTINS, M. M.; CASTILHO, R. O. Anthocyanins, pigment stability and antioxidant activity in jabuticaba [Myrciaria 90 cauliflora (Mart.) O. Berg]. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 33, n. 3, p. 877887, 2011b. BÖGER, Bruna R. Elaboração de sorvete adicionado de extrato de cascas de jabuticaba (Plinia cauliflora): avaliação de compostos bioativos. 2013. 81f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Curso Superior de Tecnologia de Alimentos. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Francisco Beltrão, 2013. BONDET, V.; BRAND-WILLIAMS, W.; BERSET, C. Kinetics and mechanisms of antioxidant activity using the DPPH free radical method. LebensmittelWissenschaft & Technologie, v. 30, n. 6, p. 609-615, 1997. BORGES, A. M.; PEREIRA, J.; LUCENA, E. M. P. Caracterização da farinha de banana verde. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 29, n. 2, p. 333-339, 2009. BRAND-WILLIANS, W.; CUVELIER, M. E.; BERSET, C. Use of free radical method evaluate antioxidant activity. Lebensmittel-Wissenschaft & Technologie, v. 28, n. 1, p. 25-30, 1995. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Instrução Normativa nº. 62, de 26 de agosto de 2003. Métodos Analíticos Oficiais para Análises Microbiológicas para Controle de Produtos de Origem Animal e Água. Diário Oficial da União. Brasília, DF, 26 ago. 2001. Disponível em: <http://extranet.agricultura.gov.br/sislegisconsulta/consultarLegislacao.do?operacao=visualizar&id=2851>. Acesso em: 16 jan. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria nº. 31, de 13 de janeiro de 1998. Regulamento técnico referente à informação nutricional complementar (declarações relacionadas ao conteúdo de nutrientes). Diário Oficial da União, (11-E):5, Seção 1, Brasília, DF, 16 jan. 1998. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: 05 jan. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução CNNPA nº. 12, de 24 de julho de 1978. Regulamento técnico para produtos de cereais, amidos, farinhas e farelos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 24 jul. 1978. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: 01 out. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº. 12, de 02 de janeiro de 2001. Regulamento técnico sobre padrões microbiológicos para alimentos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 02 jan. 2001. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/12_01rdc.htm>. Acesso em: 05 jan. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 269, de 22 de setembro de 2005. Regulamento técnico sobre a ingestão diária recomendada de proteína, vitaminas e minerais. Diário Oficial da União. Seção 1, Brasília, DF, 23 set. 2005. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: 01 dez. 2012. 91 BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC nº 45, de 03 de novembro de 2010. Aditivos alimentares autorizados para uso segundos as Boas Práticas de Fabricação. Diário Oficial da União. Seção 1, Brasília, DF, 03 nov. 2010. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: 01 dez. 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº. 196, de 10 de outubro de 1996. Normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 out. 1996. Disponível em: <conselho.saude.gov.br/resolucoes/1996/reso196.doc>. Acesso em: 06 jan. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Alimentos regionais brasileiros. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/alimentos_regionais_brasileiros.pdf>. Acesso em: 27 ago. 2012. CABRERA, G. A. Radicais Livres. 2004. Disponível em: <http://bioquimica.ufcspa.edu.br/seminario/radicaislivresgeovana.pdf>. Acesso em: 01 dez. 2012. CALIXTO, J. B. Twenty-five years of research on medicinal plants in Latin América: a personal view. Journal of Ethnopharmacology, v. 100, p. 131-143, 2005. CARDOSO, L. M.; LEITE, J. P. V.; PELUZIO, M. C. G. Efeitos biológicos das antocianinas no processo aterosclerótico. Revista Colombiana de Ciências Químico Farmacêuticas, v. 40, n. 1, p. 116-138, 2011. CAREY, F. A. Química Orgânica. 7. ed. São Paulo: AMGH. 2008. CASARIN, Fabiana. Otimização do processo de secagem da amora preta (Rubus sp.) para a produção de farinha. 2012. 97f. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais) - Universidade Comunitária Regional de Chapecó, Chapecó, 2012. CARVALHO, J. C. T.; GOSMANN, G.; SCHENKEL, E. P. Compostos fenólicos simples e heterocíclicos. In: SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, G. G.; GOSMANN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6. ed. 2007, Porto Alegre/Florianópolis: Ed. Universidade / UFGRS / UFSC, 2007. CATANEO, C. B.; CALIARI, V.; GONZAGA, L. V.; KUSKOSKI, E. M.; FETT, R. Atividade antioxidante e conteúdo fenólico do resíduo agroindustrial da produção de vinho. Semina Ciências Agrárias, v. 29, n. 1, p. 93-102, 2008. CAUVAIN, S. P.; YOUNG, L. Fabricación de pan. 1. ed. Zaragoza-ES: Editora Acribia, 2002. CAVALCANTI, R. N.; VEGGI, P. C.; MEIRELES, M. A. A. Supercritical fluid extraction with a modifier of antioxidant compounds from jabuticaba (Myrciaria 92 cauliflora) byproducts: economic viability. Procedia Food Science, v. 1, p. 16721678, 2011. CECCHI, H. M. Fundamentos teóricos e práticos em análise de alimentos. 2 ed. Campinas: Editora Unicamp, 2003. CHANG, Y. C.; HUANG, K. X.; HUANG, A. C.; HO, Y. C; WANG, C. J. Hibiscus anthocyanins-rich extract inhibited LDL oxidation and oxLDL-mediated macrophagesapoptosis. Food and Chemical Toxicology, v. 44, n. 7, p. 1015-1023, 2006. CHISTÉ, R. C.; COHEN, K. O. Estudo do processo de fabricação da farinha de mandioca. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária / EMBRAPA. Documentos 267. 2006. CRUZ, C. D. Programa genes: estatística experimental e matrizes. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 2006. CUPPARI, L. Nutrição clínica no adulto. 2. ed. São Paulo: Manole, 2005. DANNER, M. A.; CITADIN, I.; SASSO, S. A. Z. ; TOMAZONI, J. C. Diagnóstico ecogeográfico da ocorrência de jabuticabeiras nativas no Sudoeste do Paraná. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 32, n. 3, p. 746-753, 2010. DASTMALCHI, K.; FLORES, G.; WU, S. B.; MA, C. H.; DABO, A. J. Edible Myrciaria vexator fruits: Bioactive phenolics for potential COPD therapy. Bioorganic & Medicinal Chemistry, v. 20, p. 4549–4555, 2012. DAVIDOV-PARDO, G.; MORENO, M.; AROZARENA, I.; MARÍN-ARROYO, M. R.; BLEIBAUM, R. N.; BRUHN, C. M. Sensory and consumer perception of the addition of grape seed extracts in cookies. Journal of Food Science, v. 77, n. 12, p. S430S438, 2012. DESSIMONI-PINTO, N. A. V.; MOREIRA, W. A.; CARDOSO, L. M.; PANTOJA, L. A. Jaboticaba peel for jelly preparation: an alternative technology. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 31, n. 4, p. 864-869, 2011. DOMINGUES, Elisa. S. Seleção de linhagens de leveduras pectinolíticas para fermentação de sementes de cacau. 2010. 78f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”. Piracicaba, 2010. DONADIO, L. C. Cuidados com a Jabuticabeira. O Estado de São Paulo, São Paulo, Suplemento Agrícola, p.16, 1983. DURIGAN, J. F. Panorama do processamento mínimo de frutas. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE PROCESSAMENTO MÍNIMO DE FRUTAS E HORTALIÇAS, 3. 2004, Viçosa. Anais. p. 9-12. 93 EFRAIM, P.; TUCCI, M. L.; PEZOA-GÁRCIA, N. H.; HADDAD, R.; EBERLIN, M. N. Teores de compostos fenólicos de sementes de cacaueiro de diferentes genótipos. Brazilian Journal of Food Technology, v. 9, n. 4, p. 229-236, 2006. EINBOND, L. S.; REYNERTSON, K. A.; LUO, X.; BASILE, M. J.; KENNELLY, E. J. Anthocyanin antioxidants from edible fruits. Food Chemistry, v. 84, p. 23-28, 2004. EKLUND, P. C.; LANGVIK, O. K.; WARNA, J. P.; SALMI, T. O.; WILLFOR, S. M.; SJOHOLM, R. E. Chemical studies on antioxidant mechanisms and free radical scavenging properties of lignans. Organic and Bimolecular Chemistry, v. 21, p. 3336–3347, 2005. EL-DASH, A.; CABRAL, L. C.; GERMANI, R. Uso de farinha mista de trigo e soja na produção de pães. In: EMBRAPA. Coleção Tecnologia de Farinhas Mistas. Brasília: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, v. 3, 1994. EVERETTE, J. D.; BRYANT, Q. M.; GREEN, A. M.; ABBEY, Y. A.; WANGILA, G. W.; WALKER, R. B. Thorough study of reactivity of various compound classes toward the Folin-Ciocalteou reagent. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 58, p. 8139-8144, 2010. FALLER, A. L. K.; FIALHO, E. Disponibilidade de polifenóis no Brasil. Revista de Saúde Pública, v. 43, n. 2, p. 211-218, 2009. FASOLIN, L. H.; ALMEIDA, G. C.; CASTANHO, P. S.; NETTO-OLIVEIRA, E R. Biscoitos produzidos com farinha de banana: avaliações química, física e sensorial. Revista Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 27, n. 3, p. 524-529, 2007. FERNANDES, A. F.; PEREIRA, J.; GERMANI, R.; OIANO-NETO, J. Efeito da substituição parcial da farinha de trigo por farinha de casca de batata (Solanum tuberosum Lineu). Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 28, n. Supl., p. 56-65, 2008. FERREIRA, A. E.; FERREIRA, B. S.; LAGES, M. M. B.; RODRIGUES, V. A. F.; THÉ, P. M. P.; PINTO, N. A. V. D. Caracterização e uso da casca de jabuticaba. Alimentos e Nutrição, v. 23, n. 4, p. 603-607, 2012. FIRMINO, Luziana. de A. Avaliação da qualidade de diferentes marcas de chá verde (Camellia sinensis) comercializadas em Salvador-Bahia. 2011. 112f. Dissertação (Mestrado em Ciência de Alimentos) – Faculdade de Farmácia, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2011. FONTES, S. M.; FELINTO, M. Relatório de Análise de Alimentos. Universidade Federal de Campina Grande. Centro de Ciências e Tecnologia Agroalimentar. Unidade Acadêmica de Tecnologia de Alimentos. Pombal-PB, 2010. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABNTwAA/relatorio-3-laboratorio-analisealimentos>. Acesso em: 11 nov. 2013. GALVANO, F.; LA FAUCI, L.; LAZZARINO, G.; FOGLIANO, V.; RITIENI, A.; CIAPPELLANO, S.; BATTISTINI, N. C.; TAVAZZI, B.; GALVANO, G. Cyanidins: 94 metabolism and biological properties. The Journal of Nutritional Biochemistry, v. 15, n. 1, p. 2-11; 2004. GARCÍA-VIGUERA, C.; BRIDLE, P. Infuence of structure on colour stability of anthocyanins and favylium salts with ascorbic acid. Food Chemistry, v. 64, p. 21-26, 1999. GEÓCZE, Andréa. C. Influência da preparação do licor de jabuticaba (Myrciara jaboticaba Vell berg) no teor de compostos fenólicos. 2007. 81f. Dissertação (Mestrado em Ciência de Alimentos) – Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. GIACOMETTI, D.; LLERAS, E. In: BERMEJO, J. E. H.; LEON, J. Neglected Crops: 1492 from a different perspective. Rome: FAO, 1994. GIUSTI, M. M.; WALLACE, T. C. Flavonoids as natural pigments. In: BECHTOLD, T.; MUSSAK, R. Handbook of natural colorants. Chichester: John Wiley & Sons, 2009. GOLDBERG, I. Functional Foods: designer nutraceuticals. New York: Chapman & Hall, 1994. foods, pharmafoods and GOMES, F. O.; SOUSA, M. M.; SOUSA, L. M. C.; CARDOSO, J. R.; SILVA, R. A. Desenvolvimento de barras de cereais à base de farinha de albedo de maracujá amarelo (Passiflora edulis). ACTA Tecnológica, v. 5, n. 2, p. 116-125, 2010. GONDIM, J. A. M.; MOURA, M. F.; DANTAS, A. S.; MEDEIROS, R. L.; MEDEIROS, K. M. Composição centesimal e de minerais em cascas de frutas. Revista Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 25, n. 4, p. 825- 827, 2005. GORDON, M. H. Measuring antioxidant activity. In: POKORNY, J.; YANISHLIEVA, N.; GORDON, M. H. Antioxidants in food: Pratical applications. England: CRC Press, 2001. GUIMARÃES, W.; ALVES, M. I. R.; ANTONIOSI FILHO, N. R. Antocianinas em extratos vegetais: aplicação em titulação ácido-base e identificação via cromatografia líquida/espectrometria de massas. Química Nova, v. 35, n. 8, p. 16731679, 2012. GUPTA, M.; BAWA, A. S.; ABU-GHANNAM, N. Effect of barley flour and freeze–thaw cycles on textural nutritional and functional properties of cookies. Food and Bioproducts Processing, v. 89, p. 520-527, 2011. HAMINIUK, C. W. I.; PLATA-OVIEDO, M. S. V.; GUEDES, A. R.; STAFUSSA, A. P.; BONA, E.; CARPES, S. T. Chemical, antioxidant and antibacterial study of Brazilian fruits. International Journal of Food Science and Technology, v. 46, p. 1529– 1537, 2011. 95 HERTOG, M. G. L; HOLLMAN, P. C. H.; KATAN, M. B.; KROMHOUT, D. Intake of potentially anticarcinogenic flavonoids and their determinants in adults in the Netherlands. Nutritional Cancer, v. 20, n. 1, p. 21-29, 1993. HUANG, D.; OU, B.; PRIOR, R. L. The chemistry behind antioxidant capacity assays. Journal of Agriculture and Food Chemistry, v. 53, p. 1841–1856, 2005. IMEH, U.; KHOKHAR, S. Distribution of Conjugated and Free Phenols in Fruits: Antioxidant Activity and Cultivar Variations. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 50, p. 6301- 6306, 2002. INSTITUTO ADOLFO LUTZ. Normas Analíticas do Instituto Adolfo Lutz. Métodos físicos e químicos para análise de alimentos. 4. ed., 1. ed. digital. São Paulo: IAL, 2008. ISHIMOTO, F. Y.; HARADA, A. I.; BRANCO, I. G.; CONCEIÇÃO, W. A. S.; COUTINHO, M. R. Aproveitamento alternativo da casca do maracujá amarelo (Passiflora edulis f. var. flavicarpa Deg.) para produção de biscoitos. Revista Ciências Exatas e Naturais, v. 9, n. 2, 2007. KHANDABABAEE, K.; REE, T. V. Tannins: classification and definition. Nature Product Reports, v. 18, p. 641-649, 2001. KILCI, A.; GOCMEN, D. Phenolic acid composition, antioxidant activity and phenolic content of tarhana supplemented with oat flour. Food Chemistry, v. 151, p. 547-553, 2014. KOENIG, R. T.; DICKMAN, J. R.; WISE, M. L.; JI, L. L. Avenanthramides are bioavailable and accumulate in hepatic, cardiac and skeletal muscle tissue following oral gavage in rats. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 59, n. 12, p. 6438-6443, 2011. KONG J.; CHIA L.; GOH N.; CHIA T.; BROUILLARD R. Analysis and biological activities of anthocyanins. Phytochemistry, v. 64, n. 5, p. 923-933, 2003. KRIS-ETHERTON, P. M.; HECKER, K. D.; BONANOME, A.; COVAL, S. M.; BINKOSKI, A. E.; HILPERT, K. F.; GRIEL, A. E.; ETHERTON, T. D. Bioactive compounds in foods: their role in the prevention of cardiovascular disease and cancer. The American Journal of Medicine, v. 113, p. 71 - 88, 2002. KUNTS, R.; CHADE, J.; CHIARA, M. Alerta global. Revista OESP Alimentação, v. 2, n. 7, p. 8, 2008. KUSKOSKI, E. M.; ASUERO, A. G.; MORALES, M. T.; FETT, R. Frutos tropicais silvestres e polpas de frutas congeladas: atividade antioxidante, polifenóis e antocianinas. Ciência Rural, v. 36, n. 4, p. 1283-1287, 2006. LAGE, F. F.; CORRÊA, A. D.; SIMÃO, A. A.; OLIVEIRA, F. C.; ALVES, A. P. C.; SANTOS, C. M.; MARQUES, T. R. Efeito de extratos de farinha de cascas de 96 jabuticaba sobre a inibição de enzimas digestivas. In: 52º CONGRESSO BRASILEIRO DE QUÍMICA, 2012, Recife. Anais. 2012 LEAL, P. F.; BRAGA, M. E. M.; SATO, D. N.; CARVALHO, J. E.; MARQUES M. O. M.; MEIRELES, M. A. A. Functional properties of spice extracts obtained via supercritical fluid extraction. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 51, p. 2520-2525, 2003. LEE, J.; DURST, R. W.; WROLSTAD, R. E. Determination of total monomeric anthocyanin pigment content of fruit juices, beverages, natural colorants, and wines by the pH. Journal of AOAC International, v. 88, n. 5, p. 1-10, 2005. LEE, K. W.; LEE, H. J.; SURH, Y. J.; LEE, C. Y. Vitamin C and cancer chemoprevention: reappraisal. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 78, p. 1074-1078, 2003. LEITE, A. V.; MALTA, L. G.; RICCIO, M. F.; EBERLIN, M. N.; PASTORE, G. M.; MARÓSTICA JÚNIOR, M. R. Antioxidant potential of rat plasma by administration of freeze-dried jaboticaba peel (Myrciaria jaboticaba Vell Berg). Journal of Agriculture and Food Chemistry, v. 59, p. 2277–2283, 2011. LEITE-LEGATTI, A. V.; BATISTA, A. G.; DRAGANO, N. R. V.; MARQUES, A. C.; MALTA, L. G.; RICCIO, M. F.; EBERLIN, M. N.; MACHADO, A. R. T.; CARVALHOSILVA, L. B.; RUIZ, A. L. T.; CARVALHO, J. E.; PASTORE, G. M.; MARÓSTICA JR, M. R. Jaboticaba peel: Antioxidant compounds, antiproliferative and antimutagenic activities. Food Research International, v. 49, p. 596-603, 2012. LENQUISTE, S. A.; BATISTA, A. G.; SILVA MARINELI, R.; DRAGANO, N. R. V.; MARÓSTICA JR, M. R. Freeze-dried jaboticaba peel added to high-fat diet increases HDL-cholesterol and improves insulin resistance in obese rats. Food Research International, v. 49, p. 153–160, 2012. LI, J.; WALKER, C. E.; FAUBION, J. M. Acidulant and oven type affect total anthocyanin content of blue corn cookies. Journal of Science and Food Agricultural, v. 91, p. 38-43, 2011. LISBOA, M. História dos cookies. 2010. Disponível em: <http://fundojornalistico.wordpress.com/2010/09/05/historia-dos-cookies/>. Acesso em: 21 jan. 2014. LUPATINI, A. L.; FUDO, R. M.; MESOMO, M. C.; CONCEIÇÃO, W. A. S.; COUTINHO, M. R. Desenvolvimento de biscoitos com farinha de casca de maracujá amarelo e okara. Revista Ciências Exatas e Naturais, v. 13, n. 3, 2011. MADHAVI, D. L.; SALUNKHE, D. K. Antioxidants. In: MAGA, J. A.; TU, A. T. Food additive toxicology. 1. ed., v. 1. New York: Marcel Dekker, 1995. MAGALHÃES, L. M.; SEGUNDO, M. A.; REIS, S.; LIMA, J. L. F. C. Methodological aspects about in vitro evaluation of antioxidant properties. Analytica Chimica Acta, v. 613, p. 1-19, 2008. 97 MATOS, J. L. R. Frutíferas nativas do Brasil. São Paulo: Nobel, 1983. MAZZA, G.; MINIATI, E. Anthocyanins in fruits, vegetables and grains. Florida: CRC Press, 1993. MELLO, J. C. P.; SANTOS, S. C. Taninos. In: SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, G. G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6. ed. Porto Alegre: Editora da Universidade, Florianópolis: EdUFSC, 2007. MITIC, M. N.; OBRADOVIC, M. V.; GRAHOVAC, Z. B.; PAVLOVIC, A. N. Antioxidant capacities and phenolic levels of different varieties of Serbian white wines. Molecules, v. 15, p. 2016-2027, 2010. MISAN, A.; MIMICA-DUKIC, N.; SAKAC, M.; MANDIC, A.; SEDEJ, I.; SIMURINA, O.; TUMBAS, V. Antioxidant activity of medicinal plant extracts in cookies. Journal of Food Science, v. 76, n. 9, p. C1239-C1244, 2011. MONTEIRO, J. M.; ALBUQUERQUE, U. P.; ARAÚJO, E. L. Taninos: uma abordagem da química à ecologia. Química Nova, v. 28, p. 892-896, 2005. MONTEIRO, Marcela. P. Bebida à base da uva: efeito sobre o estresse oxidativo e marcadores de risco de doenças cardiovasculares em mulheres saudáveis. 2011. 101f. Tese (Doutorado em Ciências) – Programa de Pós Graduação em Nutrição e Saúde Pública, Faculdade de Nutrição, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. MONTES, C.; VICÁRIO, I. M.; RAYMUNDO, M.; FETT, R.; HEREDIA, F. J. Application of tristimulus colorimetry to optimize the extraction of anthocyanins from Jaboticaba (Myrciaria jaboticaba Berg.). Food Research International, v. 38, n. 8-9, p. 983-988, 2005. MORAES, K. S.; ZAVAREZE, E. R.; MIRANDA, M. Z.; SALAS-MELLADO, M. M. Avaliação tecnológica de biscoitos tipo cookie com variações nos teores de lipídio e de açúcar. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 30, supl. 1, p. 233-242, 2010. MORTON, J. Fruits of warm climates. New York: Winterville, 1987. MOURE, A.; CRUZ, J. M.; FRANCO, D.; DOMINGUEZ, J. M.; SINEIRO, J.; DOMINGUEZ, H.; NUNEZ, M. J.; PARAJO, J. C. Natural antioxidants from residual sources. Food Chemistry, v. 72, n. 2, p. 145 - 171, 2001. MUELLER-HARVEY, I. Analysis of hydrolysable tannins. Animal Feed and Technology, v. 91, p. 3-20, 2001. NEPA. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação. Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO), 4 ed, Campinas: NEPA– UNICAMP, 2011. Disponível em:< http://www.unicamp.br/nepa/taco/>. Acesso em: 01 jul. 2012. 98 OLIVEIRA, A. L.; BRUNINI, M. A.; SALANDINI, C. A. R.; BAZZO, F. R. Caracterização tecnológica de jabuticabas Sabará provenientes de diferentes regiões de cultivo. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 25, p. 397-400, 2003. PALACIO, Denise. N. M. Concentração de suco clarificado de açaí por osmose inversa. 2008. 73f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos) - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2008. PANSERA, M. R.; SANTOS, A. C. A.; PAESE, K.; WASUM, R.; ROSSATO, M.; ROTA, L. D.; PAULETTI, G. F.; SERAFINI, L. A. Análise de taninos totais em plantas aromáticas e medicinais cultivadas no Nordeste do Rio Grande do Sul. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 13, n. 1, p. 17-22, 2003. PELLEGRINI, N.; COLOMBI, B.; SALVATORE, S.; BRENNA, O. V.; GALAVERNA, G.; DEL RIO, D.; BIANCHI, M.; BENNETT, R. N.; BRIGHENTI, F. Evaluation of antioxidant capacity of some fruit and vegetable foods: efficiency of extraction of a sequence of solvents. Journal of the Science of Food and Agriculture, v. 87, p. 103-111, 2007. PEREIRA, C. A.; CARLI, L.; BEUX, S.; SANTOS, M. S.; BUSATO, S. B.; KOBELNIK, M.; BARANA, A. C. Utilização de farinha obtida a partir de rejeito de batata na elaboração de biscoitos. Ciência Agronômica de Engenharia, v. 11, n. 1, p. 19-26, 2005. PEREIRA, Marcio. Propagação via estacas apicais, caracterização morfológica e molecular de jabuticabeiras (Myrciaria spp). 2003. 101f. Tese (Doutorado em Recursos Florestais) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2003. Disponível em: <http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/11/11150/tde-24032004-151150/>. Acesso em 23 nov. 2012. PERES, Andrea. P. Desenvolvimento de um biscoito tipo cookie enriquecido com cálcio e vitamina D. 2010. 93f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia de Alimentos) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2010. PERIN, Ellen. C.; SCHOTT, Igor. B. Utilização de farinha extraída de resíduos de uva na elaboração de biscoito tipo cookie. 2011. 62f. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação (Curso Superior de Tecnologia em Alimentos) - Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Francisco Beltrão, 2011. PERTUZATTI, P. B.; JACQUES, A. C.; BARCIA, M. T.; SGANZERLA, M.; SANT´ANNA, L. A.; ZAMBIAZI, R. C. Quantificação de taninos condensados e hidrolisados na casca e polpa de mirtilo (Vaccinium ashei Reade). In: XVII CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA / X ENCONTRO DE PÓS GRADUAÇÃO, 2008, Pelotas. Anais eletrônicos. Disponível em: <http://www.ufpel.edu.br/cic/2008/cd/pages/pdf/CA/CA_00112.pdf>. Acesso em 26 jan. 2013. POURCHET-CAMPOS, M. A. Fibra e nutrição. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 22, p. 167-171, 1988. 99 PRADO, Ana Cristina. P. do. Avaliação da atividade antioxidante da casca e torta de noz-pecã [Carya illinoinensis (Wangenh) C. Koch]. 2008. 131f. Dissertação (Mestrado em Ciência de Alimentos) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008. QUEIROZ, C. R. A. A.; MORAIS, S. A. L.; NASCIMENTO, E. A. Caracterização dos taninos da aroeira-preta (Myracrodruon urundeuva). Revista Árvore, v. 26, n. 4, p. 485-492, 2002. RAFECAS, M.; GUARDIOLA, F.; ILLERA, M.; CODONY, R.; BOATELLA, J. Liquid chromatographic determination of phenolic antioxidants in bakery products. Journal of Chromatography A, v. 822, p. 305-309, 1998. RAMALHO, V. C.; JORGE, N. Antioxidantes utilizados em óleos, gorduras e alimentos gordurosos. Química Nova, v. 29, n. 4, p. 755-760, 2006. REYNERTSON, K. A.; BASILE, M. J.; KENNELLY, E. J. Antioxidant potential of seven Myrtaceous fruits. Ethnobotany Research & Applications, v. 3, p. 25–35, 2004. REYNERTSON, K. A.; WALLACE, A. M.; ADACHI, S.; GIL, R. R.; YANG, H.; BASILE, M. J.; D’ARMIENTO, J.; WEINSTEIN, I. B.; KENELLY, E. J. Bioactive depsides and anthocyanins from jaboticaba (Myrciaria cauliflora). Journal of Natural Products, v. 69, p. 1228–1230, 2006. REYNERTSON, K. A.; YANG, H.; JIANG, B.; BASILE, M. J.; KENNELLY, E. J. Quantitative analysis of antiradical phenolic constituents from fourteen edible Myrtaceae fruits. Food Chemistry, v. 109, n. 4, p. 883–890, 2008. RIBEIRO, R. D.; FINZER, J. R. D. Desenvolvimento de biscoito tipo cookie com aproveitamento de farinha de sabugo de milho e casca de banana. FAZU em Revista, v. 7, p. 120-124, 2010. RIBEIRO, S. M. R.; QUEIROZ, M. E. L. R.; PELUZIO, M. C. G.; COSTA, N. M. B.; MATTA, S. L. P.; QUEIROZ, J. H. Antioxidantes na dieta, In: COSTA, N. M. B.; PELUZIO, M. C. G. Nutrição básica e metabolismo. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, 2008. RICE-EVANS, C. A.; MILLER, N. J.; PAGANCA, G. Antioxidant properties of phenolic compounds. Trends in Plant Science, v. 2, n. 4, p. 152 - 159, 1997. ROCHA, W. S.; LOPES, R. M.; SILVA, D. B.; VIEIRA, R. F.; SILVA. J. P; AGOSTINICOSTA, T. S. Compostos fenólicos totais e taninos condensados em frutas nativas do cerrado. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 33, n. 4, p. 1215-1221, 2011. RODRIGUES, Eliseu. Atividade antioxidante in vitro e perfil fenólico de cultivares de mirtilo (Vaccinium sp.) produzidas no Brasil. 2009. 86f. Dissertação (Mestrado em Ciência de Alimentos) – Centro de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2009. 100 ROESLER, R.; MALTA, L. G.; CARRASCO, L. C.; HOLANDA, R. B.; SOUSA, C. A. S.; PASTORE, G. M. Atividade Antioxidante de frutas do cerrado. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 27, p. 53-60, 2007. ROMERO, M.; ROJANO, B.; MELLA-RAIPAN, J.; PESSOA-MAHANA, C. D.; LISSI, E.; LOPEZ-ALARCON, C. Antioxidant capacity of pure compounds and complex mixtures evaluated by the ORAC-pyrogallol red assay in the presence of Triton X100 micelles. Molecules, v. 15, p. 6152–6167, 2010. RUFINO, M. S. M.; ALVES, R. E.; BRITO, E. S.; MORAIS, S. M.; SAMPAIO, C. G.; PÉREZ-JIMÉNEZ, J.; SAURA-CALIXTO, F. D. Metodologia Científica: Determinação da atividade antioxidante total em frutas pelo método de redução do ferro (FRAP). Comunicado técnico online 125. Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 2006. RUFINO, M. S. M.; ALVES, R. E.; BRITO, E. S.; MORAIS, S. M.; SAMPAIO, C. G.; PÉREZ-JIMÉNEZ, J.; SAURA-CALIXTO, F. D. Metodologia Científica: Determinação da Atividade Antioxidante Total em Frutas pela Captura do Radical Livre DPPH. Comunicado técnico online 127. Embrapa Agroindústria Tropical. Fortaleza, 2007. RUFINO, M. S. M.; ALVES, R. E.; BRITO, E. S.; PÉREZ-JIMÉNEZ, J.; SAURACALIXTO, F.; MANCINI-FILHO, J. Bioactive compounds and antioxidant capacities of 18 non-traditional tropical fruits from Brazil. Food Chemistry, v. 121, p. 996-1002, 2010. RUFINO, M. S. M.; ALVES, R. E.; FERNANDES, F. A. N.; BRITO, E. S. Free radical scavenging behavior of ten exotic tropical fruits extracts. Food Research International, v. 44, p. 2072–2075, 2011. SALGADO, J. M.; BIN, C.; MANSI, D. N.; SOUZA, A. Efeito do abacate (Persea americana Mill) variedade hass na lipidemia de ratos hipercolesterolêmicos. Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 28, n. 4, p. 922-928, 2008. SANCHEZ-MORENO, C. Review: methods used to evaluate the free radical scavenging activity in foods and biological systems. Food Science and Technology International, v. 8, p. 121-137, 2002. SANCHEZ-MORENO, C.; LAURRAURI, J. A.; SAURA –CALIXTO, F. A. Procedure to measure the anti-radical efficiency of polyphenols. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 76, n. 10, p. 270-276, 1998. SANTANA, F. C.; SILVA, J. V.; SANTOS, A. J. A. O.; ALVES, A. R.; WARTHA, E. R. S. A.; MARCELLINI, P. S.; SILVA, M. A. A. P. Desenvolvimento de biscoito rico em fibras elaborado por substituição parcial da farinha de trigo por farinha da casca do maracujá amarelo (Passiflora edulis Flavicarpa) e fécula de mandioca (Manihot esculenta Crantz). Alimentos e Nutrição, Araraquara, v. 22, n. 3, p. 391-399, 2011. SANTOS, C. A.; RIBEIRO, R. C.; SILVA, E. V. C.; SILVA, N. S.; SILVA, B. A.; SILVA, G. F.; BARROS, B. C. V. Elaboração de biscoito de farinha de buriti ( Mauritia flexuosa L. f ) com e sem adição de aveia (Avena sativa L.). Revista Brasileira de Tecnologia Agroindustrial, v. 5, n. 1, p. 262-273, 2011. 101 SANTOS, D. T.; ALBARELLI, J. Q.; BEPPU, M. M.; MEIRELES, M. A. A. Stabilization of anthocyanin extract from jabuticaba skins by encapsulation using supercritical CO2 as solvent. Food Research International, v. 50, n. 2, p. 617-624, 2011. SANTOS, D. T.; MEIRELES, M. A. A. Jabuticaba as a source of functional pigments. Pharmacognosy Reviews, v. 3, n. 5, p. 127-132, 2009. SANTOS, D. T.; VEGGI, P. C.; MEIRELES, M. A. A. Extraction of antioxidant compounds from Jabuticaba (Myrciaria cauliflora). Journal of Food Engineering, v. 101, p. 23-31, 2010. SANTOS, D. T.; VEGGI, P. C.; MEIRELES, M. A. A. Optimization and economic evaluation of pressurized liquid extraction of phenolic compounds from jabuticaba skins. Journal of Food Engineering, v. 108, p. 444-452, 2012. SANTOS, S. C.; MELLO, J. C. P. Taninos. In: SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, E. P.; GOSMANN, G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento. Porto Alegre: Editora da Universidade, Florianópolis: EdUFSC, p. 323-354, 1999. SARAWONG, C.; SCHOENLECHNER, R.; SEKIGUCHI, K.; BERGHOFER, E.; PERRY, K. W. NG. Effect of extrusion cooking on the physicochemical properties, resistant starch, phenolic content and antioxidant capacities of green banana flour. Food Chemistry, v. 143, p. 33-39, 2014. SCALBERT, A.; WILLIAMSON, G. Dietary intake and bioavail-abbility of polyphenols. Journal of Nutrition, v. 130, n. suppl. 8S, p. 2073S-2085S, 2000. SCHWAGER, J.; MOHAJERI, M. H.; FOWLER, A.; WEBER, P. Challenges in discovering bioactives for the food industry. Current Opinion in Biotechnology, v.19, p. 66-72, 2008. SGARBIERI, V. C. Alimentação e Nutrição: fator de saúde e desenvolvimento. São Paulo: Almed, 1987. SHARMA, O. P.; BHAT, T. K. DPPH antioxidant assay revisited. Food Chemistry, v. 113, p. 1202-1205, 2009. SHARMA, P.; GUJRAL, H. S. Cookie making behavior of wheatebarley flour blends and effects on antioxidant properties. LWT - Food Science and Technology, v. 55, p. 301-307, 2014. SILVA, G. J. F.; CONSTANT, P. B. L.; FIGUEIREDO, R. W.; MOURA, S. M. Formulação e estabilidade de corantes de antocianinas extraídas das cascas de jabuticaba (Myrciaria ssp.) Alimentos e Nutrição, v. 21, n. 3, p. 429-436, 2010a. SILVA, L. M. M.; SOUSA, F. C.; FEITOSA, M. K. S. B.; CRUZ, C. S. A.; SOUSA, E. P. Qualidade físico-química de farinha da semente de abóbora desidratada em estufa a 40ºC. Revista Verde, v. 6, n. 5, p. 154-159, 2011. 102 SILVA, M. R.; SILVA, M. A. A. P; CHANG, Y. K. Uso de farinha de jatobá (Hymenaea stigonocarpa Mart.). Alimentos e Nutrição, v. 10, p. 7-22, 1999. SILVA, P. I.; STRINGHETA, P. C.; TEÓFILO, R. F.; OLIVEIRA, I. R. N. Parameter optimization for spray-drying microencapsulation of jaboticaba (Myrciaria jaboticaba) peel extracts using simultaneous analysis of responses. Journal of Food Engineering, v. 117, p. 538–554, 2013. SILVA, R. C. O.; NASCIMENTO, J. D. M.; CURVÊLO, A. C.; ARAÚJO, C. R.; LIMA, V. L. A. G.; MACIEL, M. I. S.; SILVA, C. G. M.; MELO, E. A. Atividade antioxidante de extratos das cascas desidratadas de frutos de cajá umbuzeiros. In: X JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO / JEPEX, 2010, Recife. Anais. 2010b. SINGH, U.; JIALAL, I. Oxidative stress and atherosclerosis. Pathophysiology, v. 13, n. 3, p. 129-142, 2006. SINGLETON, V. L.; ORTHOFER, R.; LAMUELA-RAVENTOS, R. M. Analysis of total phenols and others oxidation substrates and antioxidants by mean Folin-Ciocalteau reagent. Methods in Enzymology, v. 299, p. 152-178, 1999. SOARES JR, M. S.; REIS, R. C.; BASSINELLO, P. Z.; LACERDA, D. B. C.; KOAKUZU, S. N.; CALIARI, M. Qualidade de biscoitos formulados com diferentes teores de farinha de casca de pequi. Pesquisa Agropecuária Tropical, v. 39, n. 2, p. 98-104, 2009. SOARES, M.; WELTER, L.; KUSKOSKI, E. M.; GONZAGA, L.; FETT, R. Compostos fenólicos e atividade antioxidante da casca de uvas Niágara e Isabel. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 30, n. 1, p. 59-64, 2008. SOARES, S. E. Ácidos fenólicos como antioxidantes. Revista de Nutrição, v. 15, n. 1, p. 71-81, 2002. SOUZA, M. W. S.; FERREIRA, T. B. O.; VIEIRA, I. F. R. Composição centesimal e propriedades funcionais tecnológicas da farinha da casca do maracujá. Alimentos e Nutrição, v. 19, n. 1, p. 33-36, 2008. STATSOFT, Inc. (2005). STATISTICA (data analysis software system), version 7.1. Disponível em: www.statsoft.com. 2005. STELLA, R. Conheça todos os benefícios das fibras. Minha Vida, São Paulo, 13 ago. 2009. Disponível em: <http://www.minhavida.com.br/alimentacao/materias/10036conheca-todos-os-beneficios-das-fibras>. Acesso em: 31 jul. 2013. STONE, H.; SIDEL, J. L. Sensory evaluation practices. 3. ed. New York: Academic Press, 2004. SUCUPIRA, N. R.; SILVA, A. B.; PEREIRA, G.; COSTA, J. N. Métodos para determinação da atividade antioxidante de frutos. UNOPAR Científica, v. 14, n. 4, p. 263-269, 2012. 103 TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia Vegetal. Porto Alegre: Artmed, 2009. TEIXEIRA, E.; MEINERT, E. M.; BARBETTA, P. A. Análise sensorial de alimentos. Florianópolis: UFSC, 180p, 1987. TEIXEIRA, Natália. de C. Desenvolvimento, caracterização físico-química e avaliação sensorial de suco de jabuticaba (Myrciaria jaboticaba (Vell) Berg). 2011. 139f. Dissertação (Mestrado em Ciência de Alimentos) – Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011. TERCI, Daniela. B. L. Aplicações analíticas e didáticas de antocianinas extraídas de frutas. 2004. 213f. Tese (Doutorado em Química Analítica) – Instituto de Química, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004. TIMBERLAKE, C. F. Anthocyanins occurrence, extraction and chemistry. Food Chemistry, v. 5, p. 69-80, 1980. TOMÁS-BARBERÁN, F. A.; ROBINS, R. J. Introduction in phytochemistry of fruit and vegetables, proceedings of the phytochemical society of Europe 41. Oxford: Clarendon Press, 1997. TORRES, A. L. G.; EL-DASH, A. A.; CARVALHO, C. W. P.; ASCHERI, J. L. R.; GERMANI, R.; MIGUEZ, M. Efeito da umidade e da temperatura no processamento de farinha de banana verde (Musa acuminata, grupo AAA) por extrusão termoplástica. Boletim da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 23, n. 2, p. 273-290, 2005. TRUEBA, G. P.; SANCHEZ, G. M. Los flavonoides como antioxidantes naturales. Acta Farmaceutica Bonaerense, v. 20, p. 297-306, 2001. UTPOTT, M. Utilização da mucilagem da chia (Salvia hispânica I) na substituição de gordura e/ou gema de ovo em maionese. Repositório Digital. UFRGS. 2012. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/72798/000870940.pdf?sequence= 1>. Acesso em: 02 fev. 2013. VEDANA, Maria. I. S. Efeito do processamento na atividade antioxidante da uva. 2008. 88 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologia em Alimentos) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2008. VEGGI, P. C.; SANTOS, D. T.; MEIRELES, M. A. A. Anthocyanin extraction from Jabuticaba (Myrciaria cauliflora) skins by different techniques: economic evaluation. Procedia Food Science, v. 1, p. 1725-1731, 2011. VIEITES, R. L.; DAIUTO, E. R.; MORAES, M. E.; NEVES, L. C.; CARVALHO, L. R. Caracterização físico-química, bioquímica e funcional da jabuticaba armazenada sob diferentes temperaturas. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 33, n. 2, p. 362-375, 2011. 104 VORAGEN, A. G. J. Technological aspects of functional food-related carbohydrates. Trends in Food Science & Technology, v. 9, p. 328-335, 1998. WANASUNDARA, P. K. P. D.; SHAHIDI, F. Antioxidants: science, technology and applications. In: SHAHIDI, F. Bailey's industrial oil and fat products: chemistry, properties and health effects. 6. ed., v. 1, Wiley: Interscience, 2005. WEBER, F. H.; ELIAS, M. C.; GUTKOSKI, L. C. Estabilização de farinha de aveia da cultivar UPF 18 por tratamento hidrotérmico a vapor. Revista Brasileira de Agrociência, v. 8, n. 3, p. 253-258, 2002. WESCHE-EBELING, P.; ARGAIZ-JAMET, A. Stabilization mechanisms for anthocyanin: The case for copolymerization reactions. In: J. WELTI-CHANES, J.; BARBOSA- CÁNOVAS, G. V.; AGUILERA, J. M. Engineering and food for the 21st century. Florida: CRC Press, 2002. WHALEN, P. J.; BASON, M. L.; BOOTH, R. I.; WALKER, C.E.; WILLIAMS, P.J. Measurement of extrusion effects by viscosity profile using the rapid viscoanalyser. Cereal Foods World, v. 42, n. 6, p. 469-475, 1997. WU, S. B.; DASTMALCHI, K.; LONG, C. L.; KENNELLY, E. J. Metabolite profiling of jaboticaba (Myrciaria cauliflora) and other dark-colored fruit juices. Journal of Agriculture and Food Chemistry, v. 60, p. 7513–7525, 2012. WU, S. B.; LONG, C.; KENNELLY, E. J. Phytochemistry and health benefits of jaboticaba, an emerging fruit crop from Brazil. Food Research International, v. 54, p. 148-159, 2013. WU, X.; BEECHER, G. R.; HOLDEN, J. M.; HAYTOWITZ, D. B.; GEBHARDT, S. E.; PRIOR, R. L. Concentrations of anthocyanins in common foods in the United States and estimation of normal consumption. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 54, n.11, p. 4069-4075, 2006. YI, L.; CHEN, C.; JIN, X.; MI, M.; LING, W.; ZHANG, T. Structural requirements of anthocyanins in relation to inhibition of endothelial injury induced by oxidized lowdensity lipoprotein and correlation with radical scavenging activity. FEBS Letters, v. 584, n. 3, p. 583-590, 2010. YILMAS, Y.; TOLEDO, R. T. Antioxidant activity of water soluble Maillard reaction products. Food Chemistry, v. 93, n. 2, p. 273–278, 2005. YOUDIM, K. A.; JOSEPH, J. A. A possible emerging role of phytochemicals in improving age-related neurological dysfunctions: a multiplicity of effects. Free Radical Biology and Medicine, v. 30, n. 6, p. 583-594, 2001. YU, L.; HALLEY, S.; PERRET, J.; HARRIS, M. Comparision of wheat flours grown at different locations for their antioxidant properties. Food Chemistry, v. 86, p. 11-16, 2004. 105 ZANATTA, C. F.; CUEVAS, E.; BOBBIO, F. O.; WINTERHALTER P.; MERCADANTE, A. Determination of anthocyanins from camu-camu (Myrciaria dubia) by HPLC-PDA, HPLC-MS and NMR. Journal of Agricutural and Food Chemistry, v. 53, n. 24, p. 9531-9535, 2005. ZICKER, Marina. C. Obtenção e utilização do extrato aquoso de jabuticaba (Myrciaria jabuticaba (Vell) Berg) em leite fermentado: caracterização físico química e sensorial. 2011. 139f. Dissertação (Mestrado em Ciência de Alimentos) – Faculdade de Farmácia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011. ZIELINSKI, H.; MICHALSKA, A.; AMIGO-BENAVENT, M.; CASTILLO, D.; PISKULA, M. K. Changes in protein quality and antioxidant properties of buckwheat seeds and groats induced by roasting. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 57, p. 4771-4776, 2009. ZHENG, W.; WANG, S.Y. Antioxidant activity and phenolic compounds in selected herbs. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v.49, p. 5165 - 5170, 2001. ZHISHEN, J.; MENGCHENG, T.; JIANMING, W. The determination of flavonoid contents in mulberry and their scavenging effects on superoxide radical. Food Chemistry, v. 64, p. 555-559, 1999. ZONTA, E.P.; MACHADO, A.A. SANEST – Sistema de análise estatística para microcomputadores. Pelotas: DMEC/IFM/UFPel, 1987. ZUANAZZI, J. A. S. Flavonóides. In: SIMÕES, C. M. O.; SCHENKEL, G. G.; MELLO, J. C. P.; MENTZ, L. A.; PETROVICK, P. R. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6. ed. Porto Alegre: Editora da Universidade, Florianópolis: EdUFSC, 2007. ZURLO, C.; BRANDÃO, M. As ervas comestíveis: descrição, ilustração e receitas. 2. ed. São Paulo: Globo, 1990. 106 ANEXO 01. Aprovação no comitê de ética 107 108 109 110 ANEXO 02. TCLE TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE) Titulo da pesquisa: Desenvolvimento e obtenção de farinha de casca de jabuticaba (Plinia cauliflora) para adição em biscoito tipo cookie. Pesquisador(es), com endereços e telefones: Carline Marquetti. Mestranda em Tecnologia de Alimentos. Rua Olavo Bilac, 150, Bairro Bortot, CEP 85504-080, Pato Branco – PR. Telefone: (46) 8801-7856. Engenheiro ou médico ou orientador ou outro profissional responsável: Professor Orientador: Dr. Luciano Lucchetta. Professor Co-orientador: Dra. Ivane Benedetti Tonial. Local de realização da pesquisa: Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós Graduação em Tecnologia de Alimentos Nível Mestrado Profissional Endereço, telefone do local: Linha Santa Bárbara s/n, CEP 85601-970, Caixa Postal 135, Francisco Beltrão – PR, Brasil. Telefone (46) 3523-6370. A) INFORMAÇÕES AO PARTICIPANTE 1. Apresentação da pesquisa. Considerando a evidente busca dos consumidores por alimentos prontos para consumo, as comunidades industrial e científica vêm investindo em desenvolvimento de novos produtos que, além de atenderem a essa demanda, possam oferecer benefícios para a saúde do consumidor. Dentre os alimentos que apresentam grande consumo, longa vida de prateleira e boa aceitação por parte da população estão os biscoitos tipo cookie. Devido a essa aceitabilidade têm-se procurado alternativas com a intenção de conferir aos mesmos características funcionais, como fontes de compostos com atividade biológica benéfica. Isso será possível utilizando como matéria prima a farinha da casca de jabuticaba em flocos. A casca de jabuticaba apresenta em sua estrutura compostos com propriedades bioativas como antocianinas (compostos fenólicos do grupo dos flavonóides com ação antioxidante e antiinflamatória), taninos (compostos fenólicos com ação antioxidante, retardo no envelhecimento e prevenção de certas doenças), vitamina C, entre outros. Nesse contexto, o projeto em questão propõe o desenvolvimento de biscoito tipo cookie com características funcionais e que, além de nutrir, possa oferecer benefícios à saúde do consumidor. 2. Objetivos da pesquisa. Caracterizar bioquimicamente as propriedades da casca e da farinha da casca de jabuticaba e avaliar o uso da farinha em biscoito tipo cookie. 3. Participação na pesquisa. O provador deverá provar as amostras, sendo necessário comer bolacha água e sal e tomar água entre uma amostra e outra (limpar o paladar), e julgar as amostras de cookie quanto ao sabor, aroma, consistência e impressão geral, de acordo com a sua aceitação numa escala de 9 (nove) pontos (de gostei muitíssimo a desgostei muitíssimo). Após provar e julgar as amostras, o mesmo será submetido ao teste de intenção de compra, que será em escala estruturada de 7 (sete) pontos 111 (7 = comeria sempre e 1 = nunca comeria). Em seguida, o julgador deverá informar o término da análise, acionando o botão verde localizado à sua frente na cabine e aguardar até que os outros provadores concluam a análise. Depois de informado do término da análise pela equipe condutora o provador, após preencher e assinar o TCLE, deverá se retirar do local de análise juntamente com os demais julgadores. A inocuidade do produto desenvolvido é garantida pela pesquisadora Carline Marquetti, a qual garante que o produto é isento de riscos à saúde do provador, em decorrência dos resultados microbiológicos terem atendido aos padrões microbiológicos de qualidade, bem como os mesmos terem sido elaborados seguindo as boas práticas de fabricação e com matéria-prima de boa qualidade. 4. Confidencialidade. Considerando a intenção dos pesquisadores envolvidos na pesquisa em, depois de validado o método, pleitear patente do produto desenvolvido, o sigilo do projeto é imprescindível. 5. Desconfortos, Riscos e Benefícios. 5a) Desconfortos e ou Riscos: O produto desenvolvido não apresenta riscos potenciais à saúde do sujeito de pesquisa (julgador) em relação à inocuidade do alimento, porém cabe ressaltar que o produto será formulado com farinha de trigo, farinha da casca de jabuticaba, ovos, gordura vegetal, sal, açúcar, entre outros. Os provadores que apresentarem alergenicidade ou intolerância a algum componente da fórmula, como por exemplo, o glúten presente na farinha de trigo, não deverão ser submetidos ao teste. A equipe condutora alertará a todos os julgadores a composição do produto. Caso algum julgador não aprecie biscoitos tipo cookie ou jabuticaba, também não realizará o teste. 5b) Benefícios: Por apresentar características funcionais, como propriedades antioxidantes e nutritivas, o produto pode oferecer benefícios à saúde do julgador. 6. Critérios de inclusão e exclusão. 6a) Inclusão: Os provadores foram incluídos na pesquisa para estimar a aceitação do produto caso o mesmo, num segundo momento, seja disponibilizado no mercado. Serão recrutados 100 julgadores, na faixa etária de 18 a 40 anos, de ambos os sexos, apreciadores de biscoitos tipo cookie das mais diversas variedades ou que tenham a intenção de experimentá-los. 6b) Exclusão: Os indivíduos que por motivos de alergenicidade ou intolerância a qualquer componente da fórmula, ou que não apreciarem biscoitos tipo cookie ou jabuticaba, não serão participantes da pesquisa. 7. Direito de sair da pesquisa e a esclarecimentos durante o processo. O sujeito da pesquisa, enquanto provador participante da avaliação sensorial tem o direito a deixar o estudo a qualquer momento e a receber esclarecimentos em qualquer etapa da pesquisa, sem penalização. 8. Ressarcimento ou indenização. Acredita-se que, considerando a isenção de riscos à saúde do sujeito de pesquisa em relação à inocuidade, excluindo-se os provadores que possam apresentar riscos potenciais e os possíveis benefícios do produto elaborado, não haverá insatisfação por parte dos julgadores. Porém, a pesquisadora compromete-se em prestar toda a assistência em caso de descontentamento por parte de qualquer julgador. B) CONSENTIMENTO (do sujeito de pesquisa ou do responsável legal – neste caso anexar documento que comprove parentesco/tutela/curatela) Eu declaro ter conhecimento das informações contidas neste documento e ter recebido respostas claras às minhas questões a propósito da minha participação direta (ou indireta) na pesquisa e, adicionalmente, declaro ter compreendido o objetivo, a natureza, os riscos e benefícios deste estudo. 112 Após reflexão e um tempo razoável, eu decidi, livre e voluntariamente, participar deste estudo. Estou consciente que posso deixar o projeto a qualquer momento, sem nenhum prejuízo. Nome completo:___________________________________________________________________ RG:_____________________ Data de Nascimento:___/___/______ Telefone:__________________ Endereço:_________________________________________________________________________C EP: ___________________ Cidade:____________________ Estado: ________________________ Assinatura: ________________________________ Data: ___/___/______ Eu declaro ter apresentado o estudo, explicado seus objetivos, natureza, riscos e benefícios e ter respondido da melhor forma possível às questões formuladas. Assinatura ________________________ (ou seu representante) pesquisador: Data: ______________________________ Nome completo:___________________________________________________________________ Para todas as questões relativas ao estudo ou para se retirar do mesmo, poderão se comunicar com Carline Marquetti via e-mail: [email protected] ou telefone: (46) 8801-7856. Endereço do Comitê de Ética em Pesquisa para recurso ou reclamações do sujeito pesquisado Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (CEP/UTFPR) REITORIA: Av. Sete de Setembro, 3165, Rebouças, CEP 80230-901, Curitiba-PR, telefone: 3310-4943, e-mail: [email protected] OBS: este documento deve conter duas vias iguais, sendo uma pertencente ao pesquisador e outra ao sujeito de pesquisa. 113 ANEXO 03. Ficha de avaliação sensorial Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Francisco Beltrão Diretoria de Pesquisa e Pós Graduação Programa de Pós Graduação em Tecnologia de Alimentos FICHA DE AVALIAÇÃO SENSORIAL TESTE DE ACEITAÇÃO E INTENÇÃO DE CONSUMO Nome:____________________________________________ Idade:____ Sexo: ( )F ( )M Data ___/___/___ Teste de preferência com escala hedônica verbal Por favor, prove as amostras codificadas de cookie, da esquerda para a direita e marque a alternativa que melhor indica a sua opinião. Amostra 859 Sabor ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Aroma ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Textura ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Impressão Geral ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Comentários: Amostra 284 Sabor ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Comentários: Aroma ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Textura ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Impressão Geral ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo 114 Amostra 558 Sabor ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Aroma ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Textura ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Impressão Geral ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Comentários: Amostra 093 Sabor ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Aroma ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Textura ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Impressão Geral ( ) gostei muitíssimo ( ) gostei muito ( ) gostei ( ) gostei pouco ( ) não gostei nem desgostei ( ) desgostei pouco ( ) desgostei ( ) desgostei muito ( ) desgostei muitíssimo Comentários: Teste de intenção de compra Por favor, prove as amostras codificadas de cookies, da esquerda para a direita, e avalie segundo sua intenção de consumo utilizando a escala abaixo. ( ) Amostra 859 ( ) Amostra 284 7 – Comeria sempre 6 – Comeria muito frequentemente 5 – Comeria frequentemente 4 – Comeria ocasionalmente Comentários: ( ) Amostra 558 ( ) Amostra 093 3 – Comeria raramente 2 – Comeria muito raramente 1 – Nunca comeria 115 ANEXO 04. Análise de variação dos compostos fenólicos totais das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. Causas da Variação Regressão Linear Regressão Quadrática Regressão cúbica CV (%) * Significativo a p<0,05. Graus de liberdade 1 1 1 Quadrado Médio 9,0948264 0,6348001 0,0029400 Valor F Prob.>F 1140,39944 79,59753 0,36864 0,00001* 0,00010* 0,56569 4,85 ANEXO 05. Análise de variação dos flavonóides totais das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. Causas da Variação Regressão Linear Regressão Quadrática Regressão cúbica CV (%) * Significativo a p<0,05. Graus de liberdade 1 1 1 Quadrado Médio 47,9183979 0,0096331 1,3620246 Valor F Prob.>F 479,45128 0,09638 13,62784 0,00001* 0,76066 0,00629 1,98 ANEXO 06. Análise de variação das antocianinas totais das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. Causas da Variação Regressão Linear Regressão Quadrática Regressão cúbica CV (%) * Significativo a p<0,05. Graus de liberdade 1 1 1 Quadrado Médio 17,9853736 0,0126750 0,0700417 Valor F Prob.>F 355,96747 0,25086 1,38627 0,00001* 0,63364 0,27261 10,99 ANEXO 07. Análise de variação dos taninos condensados das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. Causas da Variação Regressão Linear Regressão Quadrática Regressão cúbica CV (%) * Significativo a p<0,05. Graus de liberdade 1 1 1 Quadrado Médio 0,0814017 0,0000750 0,0088816 Valor F Prob.>F 1221,03855 1,12501 133,22619 0,00001* 0,32086 0,00004 0,64 ANEXO 08. Análise de variação da atividade antioxidante via DPPH expressa em EC50 das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. Causas da Variação Regressão Linear Regressão Quadrática Regressão cúbica CV (%) * Significativo a p<0,05. Graus de liberdade 1 1 1 Quadrado Médio 0,3270815 3,3814085 2,8210023 Valor F Prob.>F 76,06571 786,37647 656,04905 0,00011* 0,00001* 0,00001* 3,31 116 ANEXO 09. Análise de variação da atividade antioxidante via DPPH expressa em TEAC das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. Causas da Variação Regressão Linear Regressão Quadrática Regressão cúbica CV (%) * Significativo a p<0,05. Graus de liberdade 1 1 1 Quadrado Médio 36780,981462 224,3810770 6,1120421 Valor F Prob.>F 15570,92327 94,98987 2,58748 0,00001* 0,00007* 0,14415 1,96 ANEXO 10. Análise de variação da atividade antioxidante via FRAP das quatro formulações de biscoitos tipo cookie. Causas da Variação Regressão Linear Regressão Quadrática Regressão cúbica CV (%) * Significativo a p<0,05. Graus de liberdade 1 1 1 Quadrado Médio 46,0425657 0,2296338 2,7392074 Valor F Prob.>F 9288,39509 46,32517 552,59388 0,00001* 0,00031* 0,00001* 1,32
Documents pareils
Portrait de Cézanne Camille Pissarro, entre 1874 et 1879 Portrait de
chaumière à droite du tableau
toujours proche de l’observateur.
Cette
technique
de
la
construction du paysage sera
reprise par d’autres artistes, ainsi
Camille Pissarro en référence
rétrospective c...