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Pr´ atica 4 Estudo do pˆ endulo f´ısico 4.1 Objetivo Determinar o raio de gira¸c˜ao de uma barra atrav´es do per´ıodo de oscila¸c˜ao. 4.2 Introdu¸ c˜ ao Quando estudamos o papel do momento de in´ercia na rota¸c˜ao de um corpo r´ıgido, aprendemos que a forma do corpo ´e fundamental para definir seu comportamento em movimentos de rota¸c˜ao [1]. Para um corpo de massa M, girando em torno de um eixo O, podemos expressar essa propriedade pela defini¸c˜ao do raio de gira¸c˜ao rO , em termos de seu momento de in´ercia IO como IO = MrO2 . (4.1) O raio de gira¸c˜ao nos fornece a informa¸c˜ao sobre a geometria do objeto no valor do momento de in´ercia e ´e fundamental na determina¸c˜ao do comportamento de um corpo r´ıgido em movimento de rota¸c˜ao. Em princ´ıpio, bastaria calcular o momento de in´ercia para se saber o raio de gira¸c˜ao. Por exemplo, ´e f´acil calcular o momento de in´ercia de uma barra uniforme de massa M e comprimento L, girando em torno de um eixo que passa pelo seu cetro 2 de massa (CM). Vocˆe j´a deve ter feito esse c´alculo: ICM = M12L . Assim, neste caso, 2 2 rCM = L12 . Mas, como fazer se o objeto tiver uma forma tal que seja dif´ıcil definir o volume de integra¸c˜ao? Neste caso, podemos determinar raio de gira¸c˜ao estudando o comportamento do per´ıodo de oscila¸c˜ao do objeto. Vamos ver como. 4.3 Modelo te´ orico A diferen¸ca entre os modelos do pˆendulo simples e pˆendulo f´ısico ´e o fato de que no segundo caso o corpo oscilante n˜ao ´e puntual. No mundo real n˜ao existem corpos puntuais, usamos essa aproxima¸c˜ao em pˆendulos em que as dimens˜oes do corpo oscilante sejam muito menores que a distˆancia do CM dele ao eixo de oscila¸c˜ao, como indicado na figura 4.1(a). Quando n˜ao for poss´ıvel fazer essa aproxima¸c˜ao, como na 23 ´ ˆ PRATICA 4. ESTUDO DO PENDULO F´ISICO 24 O O h CM h L L (a) (b) Figura 4.1: Diferen¸ca entre os modelos pˆendulo simples e pˆendulo f´ısico.(a) No modelo do pˆendulo simples as dimens˜oes do corpo que oscila, L, s˜ao muito menores que a distˆancia do CM ao eixo de oscila¸c˜ao, h e podemos dizer que o corpo ´e puntual. (b) Neste caso L e h s˜ao compar´aveis e n˜ao podemos desprezar a extens˜ao do corpo, portanto devemos usar o modelo do pˆendulo f´ısico. situa¸c˜ao indicada na figura 4.1(b), temos o pˆendulo f´ısico. Neste caso o per´ıodo de oscila¸c˜ao depende da forma do corpo e da distˆancia h de seu CM ao eixo de oscila¸c˜ao. A forma do corpo pode ser traduzida matematicamente pelo raio de gira¸c˜ao com rela¸c˜ao ao eixo de oscila¸c˜ao, rO , definido a partir do momento de in´ercia com rela¸c˜ao ao mesmo eixo como IO = MrO2 . O per´ıodo do pˆendulo f´ısico pode ser escrito em fun¸c˜ao de rO como Tpf = 2π s rO2 . hg 1 (4.2) Podemos usar o teorema dos eixos paralelos para escrever rO de forma mais conveniente, em termos de um eixo que passe por seu CM, como 2 rO2 = rCM + h2 (4.3) Com isso, podemos escrever o per´ıodo do pˆendulo f´ısico como Tpf = 2π s 2 + h2 rCM . hg (4.4) Compara¸c˜ ao entre os pˆ endulos simples e f´ısico Para entender a rela¸c˜ao entre os dois modelos de pˆendulo, vamos reescrever a express˜ao (4.4) como s s 2 h rCM Tpf = 2π +1 (4.5) g h2 1 Vocˆe pode ver o c´ alculo detalhado em [2] 29 de Setembro de 2014 ´ 4.3. MODELO TEORICO 25 Identificamos o per´ıodo do pˆendulo simples, Tps = 2π s h , g (4.6) e com isso podemos escrever Tpf = Tps r2 1 + CM h2 !1/2 (4.7) Desta forma fica f´acil de ver que lim Tpf = Tps ou h→∞ lim Tpf = Tps rCM→0 , ou seja, quando a distˆancia h for muito grande, ou rCM muito pequeno, podemos usar o modelo do pˆendulo simples. A figura 4.2 mostra a compara¸ca˜o gr´afica das duas express˜oes de per´ıodo evidenciando a diferen¸ca de comportamento dos dois modelos. Figura 4.2: Compara¸c˜ao gr´afica entre as curvas do per´ıodo dos pˆendulos simples e f´ısico de acordo com as rela¸c˜oes (4.6) e (4.7), para um objeto qualquer com rCM = 0,30 m. Vamos fazer uma an´alise quantitativa e verificar como escolher entre um modelo e outro. O ponto de partida ´e o modelo do pˆendulo simples, por ser o mais restritivo. Queremos saber, dado um certo objeto de raio de gira¸c˜ao rCM , para que valor de h se torna inadequado descrever o sistema como um pˆendulo simples. Para responder a essa pergunta vamos calcular ∆T ≡ Tpf − Tps para alguns valores de h considerando um objeto com rCM = 0,30 m: 29 de Setembro de 2014 ´ ˆ PRATICA 4. ESTUDO DO PENDULO F´ISICO 26 • h = 0,9 m = 3 rCM → ∆T = 0,1 s • h = 1,5 m = 5 rCM → ∆T = 0,05 s • h = 2,1 m = 7 rCM → ∆T = 0,03 s • h = 3,0 m = 10 rCM → ∆T = 0,02 s Agora imagine uma situa¸c˜ao t´ıpica em que s˜ao feitas medidas de 5 per´ıodos seguidos, com incerteza de 0,1 s. Neste caso, a incerteza nos valores experimentais de per´ıodo ser´a de 0,02 s. Para valores h > 3,0 m ser´a dif´ıcil perceber a diferen¸ca entre os dois modelos, o que quer dizer que se pode usar o modelo mais simples. Ao contr´ario, para h < 3,0 m, os resultados experimentais seriam perceptivelmente maiores do que a previs˜ao do modelo do pˆendulo simples. Essa discrepˆancia aumenta quanto menor for o valor de h. Insistir com esse modelo e realizar o ajuste dos dados com ele levaria a parˆametros de ajuste bastante inexatos. Tacos e raquetes O projeto de uma boa raquete ou taco depende diretamente do entendimento da oscila¸c˜ao do pˆendulo f´ısico. Observe a figura 4.3, mostrando um taco de basebol. Imagine que ele ´e seguro no ponto O (centro de oscila¸c˜ao) e recebe o golpe de uma bola no ponto O’ (centro de percuss˜ao). Sejam F~ e F~ 0 as for¸cas nos pontos O e O’, respectivamente. Num taco bem desenhado F = 0, ou seja, quem segura o taco n˜ao sente a pancada da bola, que ´e fort´ıssima. A mesma situa¸ca˜o ocorre em raquetes. Quem j´a se iniciou em algum esporte com taco ou raquete sabe bem como ´e a dor no cotovelo resultante de se ter o taco ou raquete atingido pela bola no ponto errado. A quest˜ao ´e como determinar a posi¸c˜ao de O’. Este c´alculo est´a fora do escopo desta disciplina, mas n˜ao ´e complicado e pode ser encontrado em livros de Mecˆanica [3]. O resultado ´e que devemos ter os pontos de percuss˜ao e oscila¸c˜ao tais que 2 hh0 = rCM (4.8) Ocorre que ´e muito f´acil encontrar valores adequados de h e h0 atrav´es de an´alise gr´afica. Observando a figura 4.2 vemos que ´e poss´ıvel se obter o mesmo per´ıodo para dois valores distintos de h, que definem o que chamamos de pontos is´ ocronos. Vamos impor esta condi¸c˜ao matematicamente: s 2 + h2 rCM = hg s 2 + h02 rCM h0 g Como resultado temos a mesma condi¸c˜ao (4.8)! Assim, se definimos onde queremos segurar o taco, o que corresponde a escolher O j´a que o CM ´e fixo, podemos recorrer ao gr´afico para localizar o eixo O’, que ficar´a a uma distˆancia h0 do CM, para o outro lado. Os pontos is´ocronos tamb´em tem outra propriedade interessante. Vamos definir a distˆancia entre O e O’ como mostrado na figura 4.3: ` = h + h0 . 29 de Setembro de 2014 ˜ DA EXPERIENCIA ˆ 4.4. DESCRIC ¸ AO 27 Usando a express˜ao (4.8) para eliminar h0 temos `= 2 h2 + rCM , h (4.9) ou seja, podemos reescrever a express˜ao para o per´ıodo como s s r2 + h2 ` Tpf = 2π CM = 2π . hg g (4.10) Assim, ` = h + h0 ´e o comprimento do pˆendulo simples equivalente. F F’ l O’ h’ CM h O Figura 4.3: Ilustra¸c˜ao de um taco de basebol mostrando a posi¸c˜ao onde deve ser segurado, O, para que um impacto em O’ n˜ao seja sentido, ou seja, para que F = 0. 4.4 Descri¸ c˜ ao da experiˆ encia Queremos estudar a dependˆencia do per´ıodo com a separa¸ca˜o h entre eixo de oscila¸c˜ao e centro de massa da barra. Para tal ser´a medido o tempo total de 5 per´ıodos para cada valor de h. A adequa¸c˜ao entre modelo e experiˆencia ser´a analisada em termos do ajuste n˜ao linear dos dados experimentais. Material • Cronˆometro; • Barra com orif´ıcios; • R´egua; • Computador com programa gr´afico para an´alise dos dados 4.5 Procedimentos experimentais Planejamento • Determine o centro de massa da barra equilibrando-a horizontalmente sobre um eixo. 29 de Setembro de 2014 ´ ˆ PRATICA 4. ESTUDO DO PENDULO F´ISICO 28 • Escolha alguns orif´ıcios, ponha a barra para oscilar e observe seu movimento. A oscila¸c˜ao deve ser sempre no mesmo plano, paralelo `a parede. Caso a barra comece a ter um movimento peri´odico de tor¸c˜ao, interrompa o movimento e verifique a raz˜ao disso. Esse tipo de oscila¸c˜ao n˜ao est´a previsto no modelo e levar´a a medidas erradas de per´ıodo. Aqui tamb´em, uma pequena amplitude n˜ao s´o garante a aproxima¸c˜ao sen θ ≈ θ, como leva a um movimento mais controlado. Realiza¸c˜ ao da experiˆ encia As medidas de per´ıodo ser˜ao realizadas com um cronˆometro digital. Para tal usaremos um procedimento semelhante ao da Pr´atica 2, ou seja ser˜ao medidos os tempos referentes a 5 per´ıodos. Lembre-se de associar a essas medidas o valor do desvio padr˜ao obtido na Pr´atica 2. A tabela abaixo mostra como seus dados devem ser organizados. Lembre-se que h ´e definido como a distˆancia entre o eixo de oscila¸c˜ ao e o CM. As incertezas em h devem incluir a dificuldade na determina¸c˜ao do CM. pˆ endulo f´ısico L= h( ) σh ( ) 5T ( ) σ5T ( ) T( ) σT ( ) 1 2 .. . 10 4.6 An´ alise dos dados A rela¸c˜ao T (h) ´e claramente n˜ao linear e a obten¸c˜ao experimental de rCM depende do resultado do ajuste explicado no Apˆendice D. Vamos associar a vari´avel x a h. A fun¸c˜ao de ajuste ter´a a forma y= v u u1 2π t b2 x+ a x ! . (4.11) Comparando as express˜oes (4.4) e (4.11), vemos que o parˆametro a ser´a a acelera¸c˜ao da gravidade e b, o raio de gira¸c˜ao com rela¸c˜ao ao centro de massa. Como explicado no Apˆendice D, a escolha inicial dos dos valores de a e b ´e fundamental para o sucesso do ajuste. No caso de a, observe em que sistema de unidades ele dever´a sair e compare com g nas mesmas unidades. Para se ter uma ideia do valor de b podemos calcular o √ rCM de uma barra homogˆena de comprimento L, sem orif´ıcios, que ´e rCM = L 3/6. 29 de Setembro de 2014 ´ 4.6. ANALISE DOS DADOS 29 Outro ponto importante ´e o espa¸camento dos valores de h. A assimetria e a n˜ao linearidade da rela¸c˜ao T (h) faz com que o espa¸camento possa ser diferente ao longo da barra. Sugerimos que vocˆe acompanhe a experiˆencia no QtiPlot, observando a posi¸c˜ao dos pontos no gr´afico. Assim, vocˆe poder´a decidir onde s˜ao necess´arias mais medidas e qual deve ser o espa¸camento entre elas. 29 de Setembro de 2014 76 29 de Setembro de 2014 ´ ˆ PRATICA 4. ESTUDO DO PENDULO F´ISICO Bibliografia [1] H. Moys´es Nussenzveig. Curso de F´ısica B´asica 1 - Mecˆanica. Edgard Bl¨ ucher, 1983. [2] H. Moys´es Nussenzveig. Curso de F´ısica B´asica 2 - Flu´ıdos, Oscila¸c˜oe e Ondas, Calor. Edgard Bl¨ ucher, 2002. [3] Keith R Symon. Mecˆanica, Ed. Campus, 1982. [4] B P Flannery, W H Press, S A Teukolsky, and W Vetterling. Numerical recipes in C. University of Cambridge, New York, 1992. 77
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