"L`ÉQUIPEMENT PROFESSIONNEL ET DU BRICOLAGE
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nº 1110 CÂMARA PORTUGUESA EM REVISTA Palavra do Associado Saiba mais sobre a nova Lei Anticorrupção Cafés da manhã Eventos debateram política, infraestrutura, arbitragem e leis de incentivo A FESTA DOS 101 ANOS Câmara Portuguesa comemorou seu aniversário com alta gastronomia, homenagens e música Capa.indd 1 10/03/14 23:11 BRANDIA INSTITUCIONAL_OKp.pdf 1 1/10/13 6:21 PM C M Y CM MY CY CMY K 2 Capa.indd 1 10/03/14 23:06 sumário CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Presidente: Ricardo Abecassis Espírito Santo Silva Espirito Santo Investment Bank Vice Presidente: João Frederico Oliveira Neves Teixeira de Abreu Millennium BCP Conselheiros: Ana Cristina Guimarães Critical Software Brasil Ana Maria Machado Fernandes EDP – Energias do Brasil Antonio Dias Felipe Grupo Tejofran Carlos Alberto Miranda BR Opportunities Carlos Antonio Dias Silva Reis Logoplaste Clavio Valença Valença Advogados Deborah Stern Vieitas Banco Caixa Geral Domingos Espírito Santo Pereira Coutinho BES DTVM Felipe Videira Cisa Trading Francisco Santos Martifer Frederico Guedes Monteiro Vilhena Vilar Northgate Arinzo Brasil Gladstone Medeiros de Siqueira Banco Banif Jackson Schneider Embraer João Pereira Real Banco Caixa Geral José da Costa Lima Mascarenhas Brasil Econômico José Francisco Ribeiro Banco Luso-Brasileiro Kalil Cury Filho Partner Desenvolvimento Marcos Augusto Coelho do Nascimento Tecniplan Mario Augusto Monteiro Cera de Carvalho TAP Portugal Miguel Antonio von Rechberg Lins Espirito Santo Investment Bank Miguel Nuno Simões Nunes Ferreira Setas EDP – Energias do Brasil Nelson Tambelini Junior Intercement Brasil Nuno Rebelo de Sousa EDP – Energias do Brasil Pedro Roque de Pinho de Almeida Unidas Ricardo Jorge Fernandes Peixoto Petrogal Rui Fernando Mesquita Branco MBM - Comunicação & Marketing Shakhaf Wine Portugal Telecom CONSELHEIROS NATOS: Antonio Pedro Pereira de Bacelar Carrelhas Antonio José Louçã Pargana Fernando José Prado Ferreira (Conselheiro Jurídico) Luis Eduardo Ramos Lisboa Manuel Rodrigues Tavares de Almeida Filho Pedro Miguel Nuno Rebelo de Sousa Cisa Trading Pinheiro Neto Advogados ABBI Tavares de Almeida Participações SRS Advogados CONSELHEIROS HONORÁRIOS: Francisco Ribeiro Teles Embaixada de Portugal no Brasil Paulo Lourenço Consulado Geral de Portugal em São Paulo Carlos Moura AICEP CONSELHO CONSULTIVO: Presidente: Antonio de Almeida e Silva Conselho da Comunidade Luso Brasileira do Estado de São Paulo Conselheiros Consultivos: Antonio Júlio Machado Rodrigues Casa de Portugal de São Paulo Antonio Ramos Casa de Portugal de São Paulo Benjamin Steinbruch CSN – Companhia Siderúrgica Nacional Fernando Ramalho L. da Silva Provedoria da Comunidade Portuguesa de SP João Manuel Campos Botelho Banco Caixa Geral Júlio Francisco Semeghini Neto Sec. da Gestão Publica do Estado de SP Manuel da Conceição Ferreira Associação Portuguesa de Desportos Paulo Manuel Pires dos Santos Almeida Clube Português Rogério Igreja Brecha Intermatrix Vitor Manuel da Silva Morgado Cotia Trading Willy Haas Filho Rede Globo PUBLICAÇÃO BIMESTRAL Av. da Liberdade, 602 - 2º andar - 01502-001 - São Paulo - SP Tel/Fax: (55 11) 3340-3333 E-mail: [email protected] Editora: Pricila Del Claro Projeto gráfico e diagramação: MBM Comunicação & Marketing Impressão e acabamento: Indusplan Express Tiragem: 2000 exemplares em papel certificado. COMITÊ DE COMUNICAÇÃO CÂMARA PORTUGUESA Rui Fernando Mesquita Branco | Presidente Ana Carolina Ramos Fioravante Caio Rocha Torrão Flávio Bissolotti Jaqueline Lacerda Andrade Pricila Del Claro CÂMARA PORTUGUESA EM REVISTA Sumario_Expediente.indd 3 nº 1110 CÂMARA PORTUGUESA EM REVISTA Palavra do Associado Saiba mais sobre a nova Lei Anticorrupção Cafés da manhã Eventos debateram política, infraestrutura, arbitragem e leis de incentivo A FESTA DOS 101 ANOS Câmara Portuguesa comemorou seu aniversário com alta gastronomia, homenagens e música Curtas 6. Breves notícias Palavra do Associado 16. Por Paulo Sérgio de Moura Franco e Maria Perestrelo Eventos 18. Café da manhã: Leis de incentivos fiscais e financiamentos públicos 24. Café da manhã: A conjuntura política do Brasil 30. Café da manhã: O mercado de infraestrutura do Brasil 36. Café da manhã: Arbitragem no setor de energia, óleo e gás 42. Jantar de aniversário da Câmara Portuguesa Raio X 52. Gilberto Giusti POR+Negócios 54. Canal de negócios Happy Hour 56. Setembro Associados 58. Novos associados Câmara Portuguesa em Revista 3 10/03/14 23:12 Editorial.indd 4 10/03/14 23:13 editorial Mais que centenária N esta edição trazemos como matéria especial a cobertura do jantar de aniversário da Câmara Portuguesa. A cerimônia foi uma celebração dos seus 101 anos e de tudo o que essa longa trajetória marcou: conquistas, aprendizados, mudanças, planejamentos e realizações. Completar mais de cem anos é ultrapassar um século de vida, período de tempo em que a história mudou, a sociedade mudou, o mundo mudou. E tantas mudanças trouxeram à Câmara uma experiência ímpar, uma vivência rica e uma bagagem consistente e sólida para lidar com os desafios que vieram e que virão. Sempre com o intuito de aprimorar as relações comerciais entre Brasil e Portugal, a Câmara Portuguesa cresceu, formou-se, amadureceu, mas não envelheceu. Pelo contrário. Está continuamente desafiando-se a um olhar novo para o país, para as diferentes relações que se estabelecem entre as nações e para os novos rumos que precisam ser tomados. Que assim seja por muitos anos e – por que não? – por muitos séculos! Um forte abraço, CÂMARA PORTUGUESA EM REVISTA Câmara Portuguesa em Revista Editorial.indd 5 5 10/03/14 23:13 curtas FUSÃO ENTRE OI E PORTUGAL TELECOM É APROVADA A decisão, anunciada pelo Cade em janeiro, era aguardada desde 2011 O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) anunciou, em janeiro, sua aprovação à fusão entre as operadoras Oi e Portugal Telecom. O parecer positivo foi dado sem restrição alguma e permite que seja criada a CorpCo, companhia que vai controlar as duas empresas no Brasil e em outros países do mundo. Anunciada em 2011, a união entre as empresas estava em processo de aprovação para garantir a inexistência de problemas de concorrência ou possíveis formações de monopólio. Justamente por isso, a Portugal Telecom teve que abrir mão de suas ações da Vivo, por já atuar no Brasil por meio da Oi. A fusão trará R$ 7 bilhões em capital para a Oi e resultará na criação de uma multinacional com mais de 100 milhões de clientes. luso1551 /#® 6²/ Fonte: http://corporate.canaltech.com.br BRASIL É UM DOS DEZ MAIORES DESTINOS DA INDÚSTRIA CRIATIVA PORTUGUESA Estudo revelou que Brasil é forte mercado nos segmentos de artes visuais, edições impressas e arquitetura O estudo “A cultura e a criatividade na internacionalização da economia portuguesa”, coordenado pelo economista Augusto Mateus, acaba de revelar para onde Portugal está exportando as suas indústrias criativas. E o Brasil é um dos principais destinos. O relatório indica que, em 2011, os dez principais clientes das artes visuais portuguesas foram Alemanha, Espanha, França, EUA, Reino Unido, Dinamarca, Países Baixos, Angola, Hong Kong e Brasil. No domínio das edições, o mercado brasileiro é também um destino relevante para Portugal. Algo que se tem traduzido num número crescente de editoras portuguesas apostando no Brasil, como o grupo Leya, a Porto Editora e a Almedina. A expressão de mercado do Brasil estende-se ainda à arquitetura, já que em 2011 o país foi um dos dez principais clientes dos desenhos de arquitetura portugueses. C M Y CM MY CY CMY K Fonte: www.portugal.gov.pt /"ANCO EXPORTA #OMO" 6 Câmara Portuguesa em Revista Curtas.indd 6 10/03/14 23:14 MUSEU AFRO BRASIL EXPÕE MISSÕES CIENTÍFICAS DO IMPÉRIO PORTUGUÊS Em janeiro, na abertura das comemorações dos seus 10 anos, o Museu Afro Brasil levou à Oca do Parque Ibirapuera a exposição “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber”, em parceria com a Universidade de Coimbra. Com peças raras do acervo da centenária Faculdade de Ciências de Coimbra e de colecionadores particulares, a mostra refletiu sobre a construção do conhecimento científico português em relação aos povos e territórios do alémluso1551_13_cr_anuncio_cambio_21x14cm_.pdf 1 02/12/13 mar, principalmente na África e no Brasil. A exposição, que foi apresentada inicialmente em Portugal, no Brasil ganhou versão ampliada pelo museu, que incorporou objetos valiosos sobre a história de Angola e artistas contemporâneos brasileiros. Entre as peças e obras expostas, viam-se astrolábios, esferas, lunetas, mapas, cartas geográficas, desenhos, bustos frenológicos, fotografias e documentos históricos, entre outras. Fonte: www.museuafrobrasil.org.br Fotos: Divulgação Mostra foi feita em parceria com a Universidade de Coimbra 18:34 /#®-")/³4²/&#),15%4/$/3/30!·3%3 6²/0!2%#%24%2!-%3-!-/%$! C M Y CM MY CY CMY K /"ANCO,USO"RASILEIRODESENVOLVEUSOLU ÜESDESCOMPLICADASPARAFACILITAR EXPORTA ÜESIMPORTA ÜESEREMESSASFINANCEIRAS,IDARCOMOCÊMBIOFICOUMAISSIMPLES #OMO"ANCO,USO"RASILEIROVOCÐAUMENTAASSUASCHANCESDEFAZERUMBOMNEGØCIO Curtas.indd 7 10/03/14 23:14 curtas ESTUDANTES DE TURISMO BRASILEIROS PREPARAM-SE EM PORTUGAL PARA COPA E OLIMPÍADAS Intercâmbio faz parte do programa “Formação Brasil – Hospitalidade e Turismo” I JORNADA INTERNACIONAL DEDICADA À POESIA E À CONTEMPORANEIDADE EM PORTUGAL E NO BRASIL Evento aconteceu no Palácio do Vimioso, da Universidade de Évora A I Jornada Internacional de Investigação dedicada à Crítica, Poesia e Contemporaneidade no Brasil e em Portugal aconteceu no dia 15 de janeiro, no Palácio do Vimioso da Universidade de Évora, na região do Alentejo, Portugal. A reunião foi marcada pelo debate das tendências e das questões relacionadas com o estudo literário em Portugal e no Brasil e pela apresentação de trabalhos de pesquisadores dos dois países. Na sessão de abertura, Odete Jubilado, professora do departamento de Linguística e Literaturas da Universidade, salientou a importância de “partilhar e discutir o conhecimento, de maneira a que este evolua e dê frutos”. Cinquenta alunos de universidades e cursos técnicos brasileiros estão em Portugal para participar do programa “Formação Brasil – Hospitalidade e Turismo”, numa ação multidisciplinar de preparação para a Copa 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016. O curso acontece na Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, como resultado de um intercâmbio entre Portugal e Brasil, firmado em setembro pelo secretário de Estado do Turismo de Portugal, Adolfo Mesquita Nunes, e o ministro de Estado e Turismo do Brasil, Gastão Dias Vieira. Hospitalidade, recepção e acolhimento, gestão e organização de eventos turísticos são áreas que compõem o currículo, a que se juntam aulas de inglês, técnicas de atendimento a clientes com necessidades especiais e ainda técnicas de gestão de riscos e a importância da segurança na imagem do país. diária de des porqu mais q de car quand Fonte: www.publico.pt frota e mult Fonte: www.nosrevista.com.br para aluga Respeite 8 Câmara Portuguesa em Revista Curtas.indd 8 10/03/14 23:14 FICOU MAIS FÁCIL TIRAR CPF BRASILEIRO NO EXTERIOR Procedimento, que antes levava 20 dias, agora é concluído na hora Cidadãos brasileiros e mesmo estrangeiros já podem obter a inscrição no Cadastro da Pessoa Física (CPF) de forma instantânea em uma representação diplomática brasileira no exterior. O processo, que levava no mínimo 20 dias, agora é concluído na hora. Para agilizar, o interessado pode preencher um formulário, que se encontra no site da Receita Federal, e procurar uma representação do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) com os documentos pessoais necessários. Todo o processo de solicitação do CPF pode ser acompanhado online. Com mais de 300 mil CPFs emitidos, os cidadãos portugueses lideram a lista diárias de locação com 60% de desconto na unidas. porque você merece muito mais quando se trata de carro e muito menos quando se trata de preço. frota nova e multimarca Km livre mais de 140 pontos de atendimento de estrangeiros com inscrição no Cadastro da Pessoa Física da Receita Federal. Fonte: www.portugaldigital.com.br Associados da Câmara Portuguesa têm vantagens exclusivas na Unidas. • Presença nos principais aeroportos do País. • Mais de 13 mil veículos para locação. • Acessórios como GPS e cadeirinha de bebê. • Rapidez e simpatia no atendimento. • Central de Assistência 24h. unidas.com.br facebook.com/unidasoficial para alugar um carro entre em contato com a câmara. É como tem que ser Respeite os limites de velocidade. Curtas.indd 9 10/03/14 23:14 curtas SUSTENTABILIDADE PARA A COMUNIDADE DE PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA Tema é meta de nova diretora-geral da CPLP Ao assumir, em fevereiro, a Diretoria Geral da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), a economista cabo-verdiana Georgina Mello afirmou que seu principal objetivo é a sustentabilidade da comunidade lusófona. Georgina ressaltou que pretende acrescentar a sustentabilidade ao que já existe, sobretudo nos três eixos da comunidade: a difusão da língua portuguesa, a cooperação e a concertação político-diplomática. “Falta aquilo que eu chamo sustentabilidade: criar um tecido econômico e social que suporte isso tudo, que transforme a CPLP naquilo que os cidadãos querem. Eles querem senti-la mais próxima, que lhes diga respeito”, explicou Georgina. Para ela, isso será feito intensificando-se a comunicação, a circulação de pessoas, de bens e de serviços, o comércio, os investimentos, as relações empresariais e o intercâmbio entre as organizações da sociedade civil. Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br BRASIL QUER USAR ESTALEIROS PORTUGUESES Portugal, com suas estruturas qualificadas, é potencial parceiro De acordo com o secretário estadual da Indústria Naval e Portuária do Brasil, Carlos Costa, o Brasil está num momento ímpar da indústria naval, porém não tem estaleiros suficientes, devido às necessidades da exploração de petróleo em altomar, que requer plataformas flutuantes. “O Brasil tem encomendas e Portugal tem um estaleiro que precisa de trabalho. Portanto, os países precisam conversar”, disse. Conforme anunciou o secretário, a Petrobras vai investir 70,4 bilhões de euros em mais de 500 navios, desde sondas, barcos de apoio ou plataformas. Mas há mais, já que o Brasil precisa reforçar a sua frota mercante para fazer o transporte das mercadorias entre cidades e também de modernizar a marinha de guerra. Fonte: www.dinheirovivo.pt 10 Câmara Portuguesa em Revista Curtas.indd 10 10/03/14 23:14 EQUIVALÊNCIA DE DIPLOMAS PORTUGUESES NO BRASIL AINDA NÃO ESTÁ RESOLVIDA Profissionais continuam a ter dificuldade em obter o reconhecimento dos seus certificados no país SALDO COMERCIAL DE PORTUGAL COM ANGOLA CAI 60% EM 2013 Queda é referente à comparação com o ano anterior O saldo positivo para Portugal no seu relacionamento comercial com Angola caiu 60% em 2013. Os dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), com base nos números do Instituto Nacional de Estatísticas, indicam que Portugal exportou para Angola 3,1 bilhões de euros, que representam uma subida de 4,1% face a 2012, um aumento de 122 milhões de euros com relação aos produtos vendidos em 2012. As importações, por seu turno, subiram 47,8%, tendo valido, no ano passado, 2,6 bilhões de euros, o que representa uma variação de 851 milhões de euros a favor de Angola, que vê o seu défice da balança comercial com Portugal encurtar para 480 milhões de euros, o valor mais baixo já medido. Angola é o quarto destino das exportações portuguesas, depois da Espanha, Alemanha e França, e é o sexto maior fornecedor de Portugal, a seguir a Espanha, Alemanha, França, Itália e Países Baixos. Mesmo depois do memorando assinado entre o CRUP (Conselho de Reitores das Universidades de Portugal) e a congênere brasileira, a ANDIFES (Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), e do posterior acordo entre os governos dos dois países – realizado em junho de 2013, quando a presidente Dilma Rousseff esteve em Portugal –, os profissionais portugueses que chegam ao Brasil para trabalhar continuam a encontrar entraves quando se dirigem às universidades para obter o reconhecimento dos seus diplomas. O protocolo assinado estipula que as universidades brasileiras e portuguesas aprovem critérios para os processos de reconhecimento. O CRUP declarou, contudo, que a avaliação científica dos cursos a serem reconhecidos encontra-se em andamento. Ou seja, as universidades ainda estão na fase de troca de informações sobre as matrizes curriculares. Só depois dessa avaliação e deliberações é que o reconhecimento dos graus deverá ser automático. Fonte: http://economico.sapo.pt Fonte: www.macauhub.com.mo Câmara Portuguesa em Revista Curtas.indd 11 11 10/03/14 23:14 AF_anunci curtas PORTUGAL EXPORTOU MAIS DE 1 BILHÃO DE DÓLARES PARA O BRASIL EM 2013 Valor supera recorde atingido em 2012 As exportações portuguesas para o Brasil atingiram, em 2013, o valor recorde de 1,09 bilhão de dólares, ultrapassando em 8,86% o anterior recorde registrado em 2012, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil. Este nível de exportações garantiu a Portugal o primeiro excedente anual em mais de 20 anos nas relações comerciais com o Brasil. Em 2013, o Brasil exportou produtos no valor de 854,4 milhões de dólares para o mercado português (menos 47,4% que em 2012), o que resultou num saldo negativo para o Brasil de 233,2 milhões de dólares. O montante do comércio luso-brasileiro em dezembro foi igualmente favorável a Portugal, com um saldo positivo de 47,2 milhões de dólares. Fonte: www.macauhub.com.mo C M Y PORTUGAL SUBIU NO RANKING DA LIBERDADE DE IMPRENSA País alcançou a 28ª posição A organização Repórteres sem Fronteiras divulgou, no início de fevereiro, o seu relatório anual de 2013 sobre liberdade de imprensa no mundo. Na lista, Portugal surge no 28º lugar, entre um conjunto de 180 países. A conclusão é que a liberdade de imprensa melhorou no país luso, que subiu cinco posições, se comparado ao ano anterior. A Finlândia é apontada no estudo como a nação onde a liberdade de imprensa é mais respeitada, ocupando a primeira posição pelo quarto ano consecutivo, seguida por outros países também do norte-europeu, como a Holanda e a Noruega. Nas últimas posições da tabela estão Coreia do Norte e Turquemenistão, locais onde a liberdade de imprensa “simplesmente não existe”, segundo os relatores. O Brasil aparece no 111º lugar e mereceu um destaque negativo no relatório. CM MY CY CMY K Para invest Para soluçõ Corretora www.bcgb Ouvidoria: Fonte: www.jornaldenegocios.pt 12 Câmara Portuguesa em Revista Curtas.indd 12 10/03/14 23:14 AF_anuncio_camara_portuguesa_agosto.pdf 1 21/08/2012 16:37:37 C M Y CM MY CY CMY K Para investir: São Paulo 11 3509 9370 / Rio de Janeiro 21 3237 6650 Para soluções empresariais: 11 3509 9311 Corretora CGD Securities: São Paulo 11 3074 8004 / Rio de Janeiro 21 3138 3100 www.bcgbrasil.com.br Ouvidoria: 0800 940 3810 - [email protected] Curtas.indd 13 10/03/14 23:14 curtas CPLP E A QUESTÃO DA SAÚDE Ministro português Paulo Macedo defendeu que a Comunidade deve investir na área Paulo Macedo, que discursou durante a III Reunião dos Ministros da Saúde da CPLP, considerou que a continuidade da cooperação na área está dependente da definição de “metas exequíveis”. Ele afirmou que é fundamental que todos foquem nos objetivos do Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP, contribuindo para o reforço dos sistemas de saúde de cada Estado-membro. Paulo Macedo apelou ainda para o aumento da solidariedade entre os membros da CPLP, argumentando que “sem solidariedade, não há equidade”. A III Reunião dos Ministros da Saúde da CPLP visou, entre outros temas, à prorrogação, até 2016, do Plano Estratégico, lançado em 2009. Fonte: www.noticiasaominuto.com EUROPA DEFENDE REFORMA NO MODELO GLOBAL DA INTERNET Proposta se alinha com evento sobre o tema que Brasil sediará Em fevereiro, a Comissão Europeia se alinhou formalmente ao que chamou de “reforma na forma em que a internet é gerenciada”. Alinhase, assim, às propostas de fortalecimento do Fórum de Governança da Internet (IGF, na sigla em inglês) e também com a agenda do Encontro Multissetorial Global, que o Brasil sediará no final de abril. Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia, criticou abertamente a espionagem dos Estados Unidos e seus aliados sobre a humanidade em geral, inclusive defendendo que os europeus deixassem de utilizar serviços de ‘nuvem’ americanos. “Os próximos dois anos serão críticos para redesenhar o mapa global da governança da internet. A Europa deve contribuir para um papel forte na definição do que a rede do futuro será”, defendeu Kroes. Fonte: http://convergenciadigital.uol.com.br 14 Câmara Portuguesa em Revista Curtas.indd 14 10/03/14 23:15 PRÊMIO EDP NAS ARTES Iniciativa está em sua 4ª edição Visando formar e orientar novos talentos artísticos em todo o país, o Instituto EDP e o Instituto Tomie Ohtake realizam a 4ª edição do Prêmio EDP nas Artes. Conhecido por estimular a formação de jovens artistas, neste ano o prêmio dará mais um passo nesse sentido, já que os artistas selecionados receberão a orientação de curadores e críticos de arte durante o processo de realização de seus trabalhos para a exposição. As inscrições poderão ser feitas até 4 de abril de 2014. Serão selecionados até 10 artistas, que receberão acompanhamento dos membros do júri entre junho e agosto de 2014. Por fim, a exposição dos trabalhos no Instituto Tomie Ohtake ocorrerá em setembro de 2014. Fonte: www.institutotomieohtake.org.br EDITORA PORTUGUESA ADAPTA DICIONÁRIO AO MERCADO BRASILEIRO Publicação registra português do Brasil e de Portugal A Porto Editora adaptou o seu dicionário de Língua Portuguesa para o mercado brasileiro, envolvendo novas tecnologias. De acordo com a empresa, o Grande Dicionário da Língua Portuguesa na versão “kindle”, já disponível, constitui a maior cobertura do vocabulário do português do Brasil e do português de Portugal, incluindo uma sucinta gramática. Segundo representantes da editora, o dicionário registra as grafias anteriores e posteriores ao Acordo Ortográfico, informando, por meio de notas, as grafias preferenciais do Brasil e de Portugal. A edição foi concebida para brasileiros e apresenta boas características de usabilidade, que vão agradar aos que desejam tirar dúvidas de forma rápida e aprofundar o conhecimento sobre a língua. Fonte: http://diariodigital.sapo.pt Câmara Portuguesa em Revista Curtas.indd 15 15 10/03/14 23:15 PALAVRA DO ASSOCIADO LEI ANTICORRUPÇÃO por Paulo Sérgio de Moura Franco e Maria Perestrelo Contextualização sobre a nova lei sabilização individual de seus dirigentes ou administradores ou de qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito. Quer dizer, passa também a ser impossível a transferência da responsabilidade para um funcionário da empresa, posto que esta é independente da relativa às pessoas naturais, e ambos – pessoa jurídica e pessoa natural – poderão ser responsabilizados. Ainda, as empresas deixam de poder alegar desconhecimento das atividades dos representantes e órgãos estatais, como forma de evitar a sua responsabilização, o que era frequente na grande maioria dos escândalos de corrupção. Outra novidade desta lei – e que a nosso ver é dos aspectos que traz maior incentivo ao combate à corrupção – é a possibilidade de acordo que ocorre quando a empresa, após descobrir a infração cometida, voluntariamente denuncia a sua infração aos órgãos fiscalizadores, podendo adquirir com A referida essa denúncia vários atenuantes nas suas sanções. Abrangência da lei legislação Contudo, não basta a autoincriA mencionada lei tem abrangência nadispõe sobre a minação: para determinar o valor da cional e pode ser aplicada pela União, responsabilização multa, os órgãos do Estado vão levar pelos estados e municípios e ainda peem conta, entre outros fatores, o nílos três poderes – Executivo, Legislativo objetiva vel de colaboração da empresa com e Judiciário. administrativa e civil a investigação, a vantagem auferida de pessoas jurídicas ou pretendida do infrator, os valores Escopo da lei 12.846 envolvidos, entre outros. A lei nº 12.846/13 visa responsabilizar pela prática de Releva salientar, por sua importânas empresas na esfera administrativa e atos contra a cia, que a existência de mecanismos e civil por lesão ao patrimônio público. administração procedimentos internos de integridade, A nova lei preenche um vazio legislaauditoria e incentivo à denúncia de irtivo, uma vez que até hoje não havia pública regularidades e a aplicação efetiva de legislação específica que imputasse às pessoas jurídicas sanções pela prática de atos de cor- códigos de ética e de conduta no âmbito da pessoa rupção. A grande inovação desta lei – que está sendo jurídica serão levadas em consideração quando da aplialvo de algumas críticas – é a adoção do conceito de cação das sanções da lei (art. 7º, VIII). É dizer que a existência de tais procedimentos pode atenuar as peresponsabilidade objetiva. Isto significa que, para haver punição, deixa de ser sadas penalidades. necessário que se verifique a comprovação da culpa ou dolo. Assim, basta que se prove que a empresa foi Sanções aplicáveis às empresas beneficiada com o ato ilícito, exclusivamente ou não, Toda empresa que esteja envolvida em atos de corpara se dar início a um processo. rupção com o poder público, em qualquer uma das Com a introdução desse conceito, a pessoa jurídica, esferas, será objeto de multa. E em caso de se averinacional ou estrangeira que esteja aqui estabelecida, guar culpa na prática de atos ilícitos dos dirigentes ou será responsabilizada independentemente da respon- administradores da empresa, estes também poderão Em janeiro de 2014, entrou em vigor a lei nº 12.846/13, que visa combater a corrupção existente no Brasil. Por ser uma legislação que terá um impacto forte, especialmente nas relações com a administração pública, consideramos essencial analisar os seus principais aspectos e as suas possíveis consequências práticas para as empresas brasileiras, bem como sociedades estrangeiras que tenham sede, filial ou representação no território brasileiro. A referida legislação dispõe sobre a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. O principal impulsionador da lei nº 12.846 foi o acordo celebrado entre o Brasil e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que 36 países se comprometeram a criar legislações que fossem absolutamente eficientes no combate à corrupção. “ ” 16 Câmara Portuguesa em Revista palavra_do_associado.indd 16 10/03/14 23:16 vir a ser responsabilizados. Regra geral, as sanções variam conforme a gravidade do caso, e englobam: multas de 0,1% até 20% do faturamento bruto (ou de R$ 6 mil até R$ 60 milhões, quando não for possível usar o critério do faturamento); publicação da decisão condenatória. Atuando pela via judicial, o Ministério Público e Advocacia Pública podem requerer a imposição de: proibição da empresa receber qualquer tipo de subsídio ou incentivos de recursos públicos; suspensão e interdição parcial das suas atividades. Em casos extremos, quando for constatada a prática reiterada de atos de corrupção, o poder público pode solicitar a dissolução compulsória da empresa. Efeitos práticos da entrada em vigor da nova lei A nova legislação, pela sua imposição Outras, que já operam com áreas de compliance ou radical no combate à corrupção, irá alterar a forma como determinadas empresas atuam no mercado. As possuem tais mecanismos de prevenção, necessitam empresas passam inevitavelmente a ter de adequar revisitá-los para se certificarem de que possuem estruturas adequadas e eficientes. as suas atividades à nova realidade, Não temos dúvidas de que a nova devendo se preocupar mais com ações A lei tem legislação comportará alterações na preventivas. abrangência atuação das empresas brasileiras e Estas precauções passam pela estrangeiras aqui estabelecidas que, orientação, formação, reciclagem e nacional e pode ser além de procurarem agir de forma treinamento profissional aos seus aplicada pela União, transparente, buscarão cada vez mais colaboradores, de diversos níveis hiepelos estados e mecanismos e boas práticas que as rárquicos, acerca da nova legislação; “defendam” de eventuais sanções. pela criação de um código de conduta municípios e Apesar da criação de uma lei sevee ética que esclareça a todos, de forainda pelos três ra e rígida não ser a solução para ma didática, o que a empresa espera poderes – Executivo, todos os problemas, é um começo da conduta dos seus colaboradores; e para um mercado mais transparente a criação ou atualização de mecanisLegislativo e competitivo. mos para detectar possíveis irregularie Judiciário Nosso escritório está preparado dades, tais como canais de denúncia, para colaborar com as empresas, a auditorias periódicas e outros sistemas de controles, que devem ser relembrados e esti- fim de que implementem as medidas de prevenção mulados periodicamente, a fim de que tais sistemas adequadas e harmonizadas à nova legislação. estejam sempre oxigenados para que se estimule e facilite o repasse de informações sobre atos suspeitos, que podem e devem ser apurados dentro da própria empresa com as respectivas sanções discipliEste é um espaço aberto a você, associado, nares, se for o caso. para que possa expor suas ideias e Cabe às empresas que ainda não adotaram proviopiniões, referentes aos mais variados dências concretas fazê-lo brevemente, para estarem assuntos. Os interessados em participar preparadas às exigências da nova legislação, com devem entrar em contato pelo e-mail: maior ênfase para as que atuam em setores mais [email protected] gulados ou com grande atuação no setor público. “ ” Câmara Portuguesa em Revista palavra_do_associado.indd 17 17 10/03/14 23:16 eventos 18 Câmara Portuguesa em Revista eventos_incentivos.indd 18 10/03/14 23:16 Fotos: Baobá Fotografia Leis de incentivos fiscais e financiamentos públicos Assunto foi debatido em evento matutino organizado pela Câmara Portuguesa C om 23 anos de experiência em programas de incentivo de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), a F. Iniciativas foi convidada para falar sobre o tema “Leis de Incentivos Fiscais e Financiamentos Públicos – Recursos para fomentar a inovação e aumen- tar a competitividade das empresas”. Anderson Rodrigues, product manager do grupo no Brasil, foi quem realizou a palestra, no dia 2 de outubro, no auditório do Edifício E-Tower. A seguir, você lê os principais tópicos abordados pelo especialista. Câmara Portuguesa em Revista eventos_incentivos.indd 19 19 10/03/14 23:17 eventos LEIS DE INCENTIVOS FISCAIS INOVAR-AUTO O que é Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores. Tem como objetivo apoiar o desenvolvimento tecnológico, a inovação, a segurança, a proteção ao meio ambiente, a eficiência energética e a qualidade dos veículos e das autopeças. Pré-requisitos Poderão se habilitar ao Inovar-Auto as empresas que: • Produzem no país os produtos classificados nos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Fernando Aquino e Carolina Estenssoro. Produtos Industrializados (automóveis, chassis com motor e caminhões); • Não produzem, mas comercializam no país tais produtos. A pesquisa se dá para melhorias e adaptações ao mercado brasileiro; • Tenham projetos de investimento aprovados para instalação de fábrica ou, em relação a empresas já instaladas, de novas plantas ou projetos industriais para produção de novos modelos dos produtos. LEI DA INFORMÁTICA O que é Daniel Dal’laqua, Anderson Rodrigues e Nelson Barbosa. A Lei da Informática, mais conhecida como PPB (Processo Produtivo Básico), concede incentivos fiscais para empresas produtoras de hardwares e automação específicos e que tenham como prática investir em Pesquisa e Desenvolvimento. Ela permite que empresas de desenvolvimento ou produção de bens ou serviços de informática e automação gozem de benefícios fiscais. A Lei da Informática terá vigência até 31 de dezembro de 2019, data em que poderá ser novamente revogada ou cessarão todos seus efeitos. Como benefício fiscal, a lei oferece a redução do IPI dos produtos habilitados/incentivados. Esse benefício obedece a um critério de desconto gradual de até 95% no recolhimento do IPI, podendo chegar à isenção em algumas regiões do país. Pré-requisitos Caio Rocha Torrão, José Barardo, Miguel Crespo e Nuno Rebelo de Sousa. Poderão se habilitar à Lei da Informática as empresas: • De hardware e automação; • Que tenham PPB (Processo Produtivo Básico); • Que comprovem regularidade fiscal; • Que invistam em Pesquisa e Desenvolvimento. 20 Câmara Portuguesa em Revista eventos_incentivos.indd 20 10/03/14 23:17 LEI DO BEM O que é Regulamenta os incentivos fiscais às atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação tecnológica, de que tratam os artigos 17 a 26 da lei 11.196, de 21 de novembro de 2005. O objetivo é estimular: criação de ambientes cooperativos de inovação; participação de Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) no processo de inovação; inovação nas empresas; e o inventor independente. Pré-requisitos Poderão se habilitar à Lei do Bem as empresas que: • Estejam no Lucro Real; • Tenham Lucro Fiscal durante o ano; • Comprovem Regularidade Fiscal (Certidão Negativa de Débito ou Certidão Positiva de Débito com efeito Negativo); • Invistam em Pesquisa e Desenvolvimento. Redução da carga tributária • Redução de até 34% no IR e CSLL; • Redução de 50% no IPI na compra de equipamentos destinados exclusivamente para P&D; • Depreciação imediata dos equipamentos comprados para P&D; • Amortização acelerada dos dispêndios para aquisição de bens intangíveis para P&D. 1 2 1. Miguel Crespo e José Barardo. • 2. Antonio Caldeira e Domingos Ricca. FINANCIAMENTOS PÚBLICOS BNDES O que é O BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento é uma empresa pública federal, fundada em 1952. O seu objetivo é desenvolver operações que fomentem o desenvolvimento de ambientes inovadores, com intuito de gerar valor econômico ou social e melhorar o posicionamento competitivo das empresas, contribuindo para: criação de empregos de melhor qualidade; aumento da eficiência produtiva; sustentabilidade ambiental e crescimento sustentado do país. Pré-requisitos O que a empresa precisa para solicitar financiamento ao BNDES: • Estar em dia com obrigações fiscais, tributárias e sociais; • Cumprir a legislação ambiental; • Não estar em regime de recuperação de crédito. As operações de financiamento realizadas diretamente com o BNDES são projetos de investimento com valor de financiamento de no mínimo R$ 10 milhões, por meio do BNDES Finem. Contudo, o BNDES pode estabelecer outros valores mínimos, de acordo com as áreas de atuação ou programas de financiamento. O que não é financiável pelo BNDES • Setores não financiáveis: comércio de armas; motéis; saunas e termas; jogos de prognósticos e assemelhados; atividade bancária/financeira, exceto o apoio ao microcrédito. • Empreendimentos não financiáveis: empreendimentos imobiliários, como residenciais e comerciais destinados à revenda ou aluguel; hotel-residência e loteamento; em- Câmara Portuguesa em Revista eventos_incentivos.indd 21 21 10/03/14 23:17 eventos 1 3 2 1. Mauro Schweizer e Livia Balbino. • 2. Anderson Rodrigues preendimentos do setor de mineração que incorporem processo de lavra rudimentar ou garimpo; ações e projetos sociais contemplados com incentivos fiscais. • Itens não financiáveis: aquisição de terrenos e desapropriações; custeio e gastos com manutenção corrente; aquisição de software produzido no exterior, exceto adaptações (customização) realizadas no país ou quando associada a projetos de desenvolvimento tecnológico e inovação; aquisição de animais para revenda; aquisição de bens importados, exceto máquinas e equipamentos sem similar nacional; despesas de internalização de bens importados, exceto para máquinas e equipamentos sem similar nacional. O que é financiável pelo BNDES Entende-se que todos os demais setores são financiáveis, a depender do tipo de projeto envolvido. • Itens financiáveis: projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação; produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos (de fabricação nacional), credenciados pelo BNDES; importação de máquinas e equipamentos sem similar nacional; aquisição de ônibus e caminhões; produção e aquisição de software, bens de informática e automação, preferencialmente nacionais; produção e exportação de bens e serviços, assim como a comercialização destes no exterior; capital de giro. • Empreendimentos financiáveis: implantação; expansão; modernização da capacidade produtiva de empresas; ampliação; recuperação. Custos de um financiamento • Nas operações diretas: custo financeiro + remuneração básica do BNDES + taxa de risco de crédito. • Nas operações indiretas: custo financeiro + remuneração básica do BNDES + taxa de intermediação financeira + remuneração da instituição financeira credenciada. Há programas, contudo, que têm taxa de juros fixa. Garantias: São definidas na fase de análise de crédito. Por norma, é necessária apresentação de garantias em 120% a 130% do valor solicitado. As garantias aceitas (podem ser usadas de forma cumulativa ou não) são: fiança; aval; hipoteca; penhor; propriedade fiduciária. Os mecanismos de apoio Horacio Villen Neto e Anderson Rodrigues. • Produtos: mecanismos mais básicos de crédito em longo prazo do BNDES. Eles definem as regras gerais de condições financeiras e procedimentos operacionais do financiamento (Ex: BNDES Finem). • Linhas de financiamento: seguem as condições do respectivo produto e destinam-se a beneficiários, setores e empreendimentos específicos e, por isso, po- 22 Câmara Portuguesa em Revista eventos_incentivos.indd 22 10/03/14 23:18 3 4 3. Tais Motta Ribeiro e Rogério Leite Araujo. • 4. David Pereira e João Cardoso. dem trazer regras particulares, mais adequadas aos objetivos da linha. • Programas: de caráter transitório, são voltados para um determinado segmento econômico (Ex: Prosoft, PSI, Proengenharia). • Fundos: também são destinados a setores específicos de atividade. FINEP O que é Empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Seu objetivo é promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil, por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas. Atua em toda a cadeia da inovação, com foco em ações estratégicas, estruturantes e de impacto para o desenvolvimento sustentável do Brasil. A cobertura da FINEP abrange pesquisa básica nas universidades, pesquisa aplicada nos institutos de pesquisa e atividades de inovação nas empresas. Modalidades de financiamento • Financiamento não reembolsável: através de chamadas públicas ou editais, cujos destinatários são instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos; subvenção econômica para empresas. • Financiamento reembolsável: crédito para empresas que desenvolvam projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Programas Plano Inova (energia, saúde, agro etc.); subvenções econômicas; Inova Brasil; Brasil Sustentável; Programa de Inovação em Tecnologias Assistivas; Inovar; Cooperação internacional. Os projetos são classificados por linha de ação e natureza de atividade e têm taxas que variam de 2,5% a 6,5%. As garantias vão de 120% a 130% do valor que vai ser financiado. Você sabe o que é o MaNuaL De FRascaTI? Foi criado em 1963, por especialistas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) em conjunto com o grupo NESTI (Especialistas Nacionais em Indicadores de Ciência e Tecnologia), na Villa Falconieri de Frascati, na Itália. É reconhecido como referência para exames de Pesquisa e Desenvolvimento Experimental. Suas definições são internacionalmente aceitas e tornaram-se uma linguagem comum para a discussão das políticas de ciência e tecnologia. Atualmente, encontra-se na sexta edição. As razões para a revisão desse manual são justificadas pela crescente necessidade de dados de P&D no setor de serviços, sobre internacionalização de P&D e recursos humanos afetados. Câmara Portuguesa em Revista eventos_incentivos.indd 23 23 10/03/14 23:18 eventos Fotos: Baobá Fotografia A conjuntura política DO BRASIL Renomado cientista político foi o palestrante convidado do mês da Câmara Portuguesa N o café da manhã do mês de outubro, Carlos Alberto Furtado de Melo falou sobre as dificuldades e perspectivas políticas do Brasil. O evento aconteceu no dia 30 de outubro, no Hotel Tivoli – Mofarrej. Acompanhe a seguir os principais trechos da exposição do especialista. 24 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_30_out.indd 24 10/03/14 23:19 20 anos de avanço anos do presidente Itamar. O Brasil passou por uma enorme transformação nas últimas duas décadas. Esses 18 anos de Fernando Henrique, Itamar e Lula são fundamentais. O que era o Brasil antes? Era uma economia completamente desorganizada. No último mês do presidente Sarney, nós tivemos uma inflação de 89%. Então o Brasil, comparado a si próprio, à sua história, deu um salto extraordinário. O governo Fernando Henrique promoveu mudanças muito importantes, fundamentais para a estabilização da economia e do processo político. Vamos lembrar que o FHC recebe o poder do Itamar, que é o vice do Collor, que passou por um impeachment, que foi o primeiro presidente eleito depois de um governo eleito indiretamente e de uma ditadura de 21 anos. Então, se olharmos da Constituição para cá, veremos um salto extraordinário. O presidente Lula também foi importante nesse processo. Eu não gosto muito desse Palmeiras e Corinthians que se transformou a política brasileira, ou você é Lula ou você é Fernando Henrique, ou é PT ou é PSDB, porque acho que os dois tiveram um papel muito importante. Na história do Brasil, houve um processo em que Fernando Henrique teve um papel muito importante, e Lula também, priO Brasil, comparado meiro porque este não fez besteia si próprio, à sua ra, segundo porque avançou. Era importante manter uma estabilihistória, deu um salto dade, mas era importante tamextraordinário bém começar a distribuir renda, fazer a inclusão social. Aqueles anos de FHC, com todas as suas solver. De algum modo, me parece que há um ciclo crises, talvez não tenham permitido isso, e também havia uma visão um tanto ideológica de setores do que se esgota e que precisa se renovar. Há uma velha frase entre os cientistas políticos que governo FCH que achavam que políticas públicas eram diz o seguinte: ‘o velho está agonizando, mas o novo uma bobagem, que o mercado ia se resolver por si ainda não nasceu’. A nossa questão é: quanto tempo próprio. E não é assim. Então o governo Lula teve uma ainda dura esse ciclo? Em quanto tempo aparecerá importância muito grande.” algo novo na política do Brasil? O que justificava o bom momento? Por que todos nós achávamos que o Os desafios pós-crise Brasil estava muito bem? “Em 2008, quando veio a grande crise, o Brasil Em primeiro lugar, tivemos uma perspectiva muito encontrou uma janela de oportunidade de fazer granpositiva nos últimos 18 anos, incluindo aqui os dois des investimentos. Infelizmente, não foram feitos in“Até meados deste ano, havia uma sensação de que o Brasil ia muito bem, obrigado. Mas vieram aquelas manifestações todas de junho, que certamente ficarão para a história, e elas quebram o cristal. E um cristal quando trinca não cola. Em virtude da falta de organização desses movimentos todos, e por alguma habilidade, sobretudo do ex-presidente Lula, o sistema político de alguma forma conseguiu frear esse processo. Mas há uma crise no Brasil, há um grande problema político, e não só por conta do governo Dilma. Nós temos uma série de problemas que precisamos re- “ ” Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_30_out.indd 25 25 10/03/14 23:19 eventos 2 1 1. Fernando Ramalho. • 2. Miguel Lins, Débora Almeida e Eduardo Bierrenbach. • 3. Domingos Pereira Coutinho e Ricardo Espirito Santo. 3 vestimentos de grande qualidade. Por quê? Porque não foram exatamente investimentos da sociedade, dos investidores, foram feitos pela mão do Estado, que achou ali a sua janela de oportunidades para as suas políticas anticíclicas, fez grandes investimentos por meio do aumento do crédito, do BNDES, dos fundos de pensão, e em 2011 o Brasil cresceu 7,5%, o que na história do país é algo extraordinário. Quando crescemos nesse patamar? Só na década de 70, sob o milagre do regime militar, depois disso nunca mais. Então qual era o desafio da presidente Dilma? Dar sequência e sustentabilidade, do ponto de vista econômico, ao processo de desenvolvimento pelo qual o Brasil vinha passando. Significava resolver todos os nossos gargalos: a nossa estrutura tributária, que é uma loucura; o nosso sistema previdenciário, que é bastante custoso e precisa ser revisto; o nosso sistema político, que é anacrônico. Se o Brasil se modernizou como se modernizou, se avançou como avançou, econômica, social e culturalmente, não teve esse mesmo avanço do ponto de vista político. Do Plano Real até o final do governo Lula, fomos tendo consistentemente uma melhora na distribuição de renda. Isso levou com que o Brasil fosse o campeão mundial do Índice de Felicidade Futura. Estamos na frente de Dinamarca, Suíça, Inglaterra. Esse ambiente de felicidade, de otimismo, se estabeleceu. No entanto, vejamos outro dado importante. Entre 2001 e 2011, famílias dirigidas por analfabetos tiveram um ganho de renda de 88,6%. Isto é extraordinário, porque é uma mudança fantástica na vida da família. Mas esse mesmo dado mostra que famílias dirigidas por pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade tiveram um decréscimo de renda de 11,1%. O intervalo aí é de quase 100%. Se olharmos com olhos de governistas, diremos que isso é distribuição de renda. É verdade, mas temos alguns problemas sérios aí. Primeiro, a escolaridade ou o prêmio por estudar baixou. Em segundo lugar, essa transferência se deu quase exclusivamente por via tributária. Esse ganho dos mais pobres não pode ser só por via tributária, ele tem que ser por vias de produtividade. Mas fazer essa melhora apenas por políticas de transferência de renda tem um valor muito limitado. Qual era o desafio? Primeiro que esse número de famílias dirigidas por analfabetos diminuísse drasticamente, porque o sucesso de política pública de combate à miséria é a miséria acabar por si própria, não existir 26 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_30_out.indd 26 10/03/14 23:20 1. Caio Rocha Torrão e Antonio Carlos Franchini. 2. Jankiel Santos. 3. Alexandre Ribeiro Ferreira e Kalil Cury Filho. 1 2 “ A sequência natural do desenvolvimento do Brasil seria a estabilização econômica e política, distribuição de renda e, nesta fase, a melhora geral das condições de infraestrutura e de superestrutura ” 3 mais no longo prazo. Como mudar? Qual é a grande transformação? Essas políticas públicas desaparecem ao longo prazo e você vai tendo políticas naturais de inclusão social, que é pela melhora do ambiente de negócios para a melhora do ambiente produtivo. E quando olhamos para o ambiente produtivo do Brasil, é um problema sério. Há um dado que me deixa estarrecido: para um contêiner com produtos vir da China até o Porto de Santos, ele leva 35 dias de navio, percorre 70 mil quilômetros e custa 2 mil dólares. Esse mesmo contêiner, para vir do Porto de Santos à cidade de São Paulo, percorre 170 quilômetros e custa os mesmos 2 mil dólares. Isso não faz sentido. Então, seja pela infraestrutura, seja pela superestrutura, pela questão legal, temos ainda muito a desejar no Brasil. A sequência natural do desenvolvimento do Brasil seria a estabilização econômica e política, distribuição de renda e, nesta fase, a melhora geral das condições de infraestrutura, de superestrutura etc. Mas o governo Dilma começou a acreditar que podia resolvê-los exclusivamente pela mão do Estado, por uma visão discutida só entre técnicos. Mas não é possível. Primeiro porque faltam recursos para o Esta- do, sobra muito pouco para o investimento, além da qualidade desse investimento. Em qualquer lugar do mundo, pela mão do Estado esse investimento acaba tendo muitas dificuldades de ser encaminhado da forma mais eficiente. Ao invés de criar um ambiente de estímulo para o empresário, para o investidor fazê-lo, o Estado começa a criar um ambiente de restrições. E o governo força a mão, muda as regras quando acredita que é capaz de fazer por si próprio. Não é.” Política como instrumento “Nós temos uma visão muito ruim da política. Todos nós avacalhamos a política. E a política que se faz no Brasil de fato merece ser avacalhada, mas o problema é que nós avacalhamos a política enquanto atividade, e a política é um instrumento importante. Hoje não temos um Estado governado por políticos. E isso não é uma qualidade, é um defeito. Temos basicamente uma visão técnica, o que é, por incrível que pareça, mais ideológica do que política. Porque a visão política se baseia no pragmatismo, na ideia de resultado, e o político vai trabalhar com os instrumentos que ele tem. Enquanto que uma visão técnica, seja de direita, seja de esquerda, se reduz a uma Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_30_out.indd 27 27 10/03/14 23:20 eventos 1 2 1 1. Maria Cunha Matos, Débora Almeida e Maria da Paz Tierno Lopes. • 2. Antonio Caldeira, Domingos Ricca e Laercio de Oliveira. • 3. Domingos Pereira Coutinho e Samanta Santilli. • 4. Luiz Mário de Azevedo Ramos e Fernando Ramalho. 3 única visão. Que tipo de liberdade a presidente Dilma tem? Nenhuma, porque ela tem uma visão técnica, não política. A boa política é essa amplidão, esse pragmatismo. Quando houve a crise em junho, a presidente Dilma saiu desesperadamente falando da colocação de uma Constituinte para fazer a reforma política. Foi precipitado, foi um desastre no quesito articulação política, jogando nas costas do Congresso todo o desgaste daquele junho. O que Deus deu em excesso para o presidente Lula foi impiedoso com a presidente Dilma, em capacidade de comunicação, articulação, motivação e persuasão. Então nós temos um problema sério. A visão ortodoxamente heterodoxa do governo diz o seguinte: basta que o empresário queira. Se ele quiser, ele vai investir, se a gente motivar o espírito animal do empresário, ele fará os investimentos que precisa fazer para a economia crescer, e todos acreditarão. Sim, economia e política são uma questão de crença, e aí o Brasil vai. Mas é preciso mostrar o futuro, dar condições, incentivar, criar a vontade e a esperança de investir.” O jogo de 2014 “De acordo com a última a pesquisa IBOPE, a presidente Dilma ganha no primeiro turno. Se observarmos os dados da pesquisa, veremos que ela tem em torno de 40%, o que significa que 60% não estão com ela. 4 E, num governo com esses instrumentos todos, 40% não são grande coisa. Aliás, especialistas em marketing eleitoral falam que o ponto de segurança para reeleição é 45%. O governo Dilma tem esse grande desafio: reverter a reversão de expectativas. Mas, para fazer isso, precisa de resultados, de política, rápido. Então a presidente Dilma pode ganhar a eleição? Claro, é evidente. Ela tem os melhores e mais eficazes instrumentos eleitorais: uma grande máquina; visibilidade, porque é a presidente da República, está todos os dias na televisão; tem a iniciativa da agenda; os dois maiores partidos; palanques no Brasil inteiro; um extraordinário marqueteiro, que é o João Santana; um excepcional cabo eleitoral, talvez o maior da história desse país. Então ela é a favorita para ganhar as eleições em 2014. Se a eleição fosse hoje, ela ganharia. A questão é que a eleição não é hoje, então muita coisa pode acontecer. O que se pode dizer é que não dá para acreditar que não haverá segundo turno. Quando olhamos para o jogo de 2014, a Dilma ainda tem alguns desafios. Esse ambiente nas ruas e esse ambiente de desânimo da economia não são uma boa em nenhuma eleição. O jogo será mais sofisticado; os adversários, o Aécio e o Eduardo Campos, têm desafios para resolver, mas terão argumentos mais sólidos e mais fortes que o José Serrra teve em 2010. O bloco que apoiou Dilma em 2010 se fragmen- 28 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_30_out.indd 28 10/03/14 23:20 1 2 “ 1. Ricardo Espirito Santo, Carlos Alberto de Melo e Kalil Cury Filho. • 2. Regina Costa e Silva. • 3. Maria Tereza Rodrigues. • 4. Nuno Araújo, António Ramos e Sergio Teles. É preciso mostrar o futuro, dar condições, incentivar, criar a vontade e a esperança de investir 3 ” 4 tou, havia bancos, indústrias, agronegócios, comércio, tudo junto com o Lula, ele conseguiu essa coesão. Em 2014, a Dilma não chega com essa coesão toda. Tudo indica que o Eduardo Campos é um profissional da política, porque se refez das polêmicas dos precatórios, se reinventou, é um governador muito bem avaliado e vai aproveitando todas as circunstâncias e dando certo, demonstra qualificações. Já o Aécio não tem demonstrado isso, ele tem alguns desafios muito sérios: ainda caiu no jogo do próprio PT que é ficar comparando o passado com o passado. E ele tem no seu partido uma divisão muito séria: o Alckmin faz o seu jogo, o Serra faz o seu jogo, o Aécio faz o seu jogo, e ninguém faz o jogo do PSDB. Mas é o jogo que vai ser jogado em 2014. Nós temos aqui uma situação que se assemelha a um jogo de dominó: o ‘fecha natural’, que acontece quando os participantes têm pedras na mão, mas são pedras que não se encaixam em nenhuma das pontas, e ao contar as pedras de cada um, dá empate. Então a saída é embaralhar todas as pedras e começar a jogar de novo. O grande desafio do Brasil, neste momento, é justamente perceber que nós temos um ‘fecha’ muito grande, vamos ter que recomeçar o jogo e recuperar esse sentido de transformação que veio ao longo das duas últimas décadas.” QUEM É O PALESTRANTE CARLOS ALBERTO FURTADO DE MELO é cientista político, mestre e doutor pela PUC-SP; analista de conjuntura política brasileira e internacional; palestrante e consultor de bancos, corretoras, empresas, consultorias nacionais e internacionais; pesquisador de liderança política, política e cultura brasileiras; pesquisador associado do NUPPs da USP; professor do Insper desde 1999; articulista e colaborador do Estadão, UOL, Globo News; autor de Collor: o ator e suas circunstâncias, da editora Novo Conceito. Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_30_out.indd 29 29 10/03/14 23:21 eventos Arbitragem no setor de energia, óleo e gás “ Fotos: Baobá Fotografia Especialistas compartilharam suas experiências sobre o tema em evento matutino o último café da manhã do ano do Centro de Mediação e Arbitragem da Câmara Portuguesa teve como assunto central “Arbitragem, energia, óleo e gás”. Para os painéis de debate, realizados no dia 29 de novembro, no Hotel Tivoli, foram convidados profissionais experientes, que dividiram com os presentes seus conhecimentos e vivências em cada um dos segmentos. A seguir, selecionamos alguns trechos dos discursos de cada um dos palestrantes. 30 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_29_nov.indd 30 10/03/14 23:22 1º PAINEL: ENERGIA As partes, o terceiro e o alcance dos poderes do árbitro A Comercialização de energia elétrica por Ana Amélia Santos Galli – Advocacia Waltenberg “H “ Há dois á dois ambientes muito distintos de comercialização de energia elétrica. Do ACL, que é o Ambiente de Comercialização Livre, participam consumidores livres e especiais, que são aqueles com carga acima de 500 quilowatts que podem comprar de fontes alternativas; comercializadores de energia elétrica e geradores. Há volumes, preços e prazos livremente negociados, as condições desses contratos são livres. No ACR, que é o Ambiente de Comercialização Regulada, a aquisição de energia se dá via leilão. Dele participam distribuidores de energia elétrica que adquirem energia, regra geral, via um prévio procedimento licitatório. Esses leilões podem ser de energia nova, que são os leilões onde existe um procedimento licitatório tanto para outorga da geração de energia da usina quanto para a venda dessa energia para os distribuidores, e também de energia velha. Quem pode ser gerador? Os comercializadores de energia elétrica. Os geradores podem transitar nesses dois ambientes de comercialização, exceto os geradores que tiveram ou terão suas concessões renovadas nos termos da nova MP 579. Desses ambientes saem dois tipos de contrato. O CCEAL, contratos livremente negociados, sem partici- pação da ANEEL e da CCE, oriundos do Ambiente de Comercialização Livre. E os contratos do ACR, que são os famosos CCEAR, contratos regulados, sujeitos à regulação da ANEEL; no entanto, a ANEEL admite certas alterações desses contratos, desde que sujeitas a sua aprovação. O que pode gerar um desequilíbrio contratual? Fatores imprevisíveis ou de consequências imprevisíveis e extraordinárias. O desequilíbrio contratual pode se dar de duas formas: pela caracterização como um evento de caso fortuito ou força maior, quando existe uma impossibilidade completa da prestação; ou pelo enquadramento na Teoria da Onerosidade Excessiva, no âmbito do Direito Civil, ou do Desequilíbrio Econômico-financeiro, no âmbito dos contratos administrativos, o que gera uma necessidade de revisão ou até mesmo de resolução do contrato.” Luiza Fernandes, Debora Almeida e Maria da Paz Tierno Lopes. Priscila Knoll Aymone e Caio Campello. ambientes muito distintos de comercialização de energia elétrica: o livre e o regulado ” Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_29_nov.indd 31 31 10/03/14 23:22 eventos Arbitragem e o setor de energia por Flávio Pereira Lima – Mattos Filho Advogados “N “ ormalmente, a gente imagina a jurisprudência como o jeito que uma corte costuma decidir uma questão. No caso da arbitragem, cada tribunal arbitral é a sua própria corte. Mas, no setor elétrico, verifica-se uma coerência nas decisões. Percebi que é possível falar da arbitragem no Brasil pelo setor de energia, pois os grandes casos que motivaram as discussões mais importantes da arbitragem, que nos ajudaram a formar a arbitragem como é hoje, surgiram de questões envolvendo energia. A jurisprudência hoje está consolidada, pelo menos a maioria das decisões arbitrais segue neste sentido: os fatores climáticos e a alteração do preço no mercado spot e opções melhores de energia não dão causa à revisão contratual. No caso, por exemplo, de falta de gás, pode ser que haja alguns outros fatores, e isso sim pode alterar a relação. Mas no geral está muito claro, todo mundo que entra em uma arbitragem do setor já sabe qual vai ser o final. Então se é assim, se você entra numa arbitragem e já sabe qual será o resultado, vai gastar tempo e dinheiro para utilizar árbitros importantes para resolver o problema? Se sabe que são empresas sérias, a questão de mérito é pacificada, porque normalmente a questão não é essa, a questão é uma deficiência no fluxo de caixa. Por isso, temos que parar de tratar o assunto como uma questão de energia. A questão é de um devedor que está com dificuldade de honrar uma obrigação. Se é assim, será que já não deveríamos pensar diferente? Não deveríamos tentar uma mediação? O Centro de Mediação e Arbitragem da Câmara Portuguesa oferece um regulamento de mediação que é um dos mais modernos do mundo, porque não interfere em nada na mediação. E cada vez que eu penso na mediação, penso que pode ser uma solução. Há sempre oportunidades de se negociar de boa-fé e de se tentar um caminho mais inteligente, mais racional do que delegar para um terceiro uma decisão que não é mais de Direito, mas sim comercial.” Rodrigo Nikobin, Luiza Tieppo e Camila Duarte. Ana Rita Bibá, Olivia Aragon, Thais Araujo e Larissa Machado. Há sempre oportunidades de se negociar de “ boa-fé e de se tentar um caminho mais inteligente, mais racional ” 32 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_29_nov.indd 32 10/03/14 23:22 2º PAINEL: ÓLEO E GÁS o papel das agências reguladoras nas arbitragens envolvendo contratos da indústria de gás e petróleo André de Luizi Correia – Wald Advogados “E u vou tratar de um tema que tem se tornado muito presente nas arbitragens do setor de gás e petróleo: o papel das agências reguladoras nessas disputas oriundas desses contratos. São setores extremamente regulados, que têm muitas vezes as agências participando como partes nos contratos, e ninguém se atentou para o fato de que, em algum momento, esses contratos gerariam disputas e então seriam questionadas a necessidade, a possibilidade ou a conveniência das agências reguladoras participarem, ou que de alguma forma tenham algum tipo de intervenção nesses procedimentos arbitrais. A arbitrabilidade dos contratos do setor de gás e petróleo já é uma questão plenamente consolidada na doutrina, na jurisprudência, não suscita nenhum tipo de dúvida. Eu só gostaria de acrescentar que, em relação à indústria de gás e petróleo especificamente, a gente pode classificar os contratos em duas grandes categorias. A primeira é a categoria dos contratos privados dessa indústria, em relação aos quais não existe nenhuma dúvida em relação à possibilidade das controvérsias oriundas dessas avenças serem submetidas à resolução por arbitragem. Existem também os contratos de concessão, e dúvida não há a respeito da possibilidade das controvérsias oriundas dessas avenças serem submetidas à arbitragem. Já existe uma farta legislação, que inclusive prevê a arbitragem como forma de solução de conflitos. Essa previsão consta expressamente da Lei do Petróleo; agora da recente Lei do Gás; na lei das PPPs também existe essa previsão de solução de conflitos por arbitragem. Além de se tratar de uma questão já muito recorrente na indústria de gás e petróleo, a inclusão de cláusulas compromissórias nos contratos vem desde a década de 1990, é uma questão também que já foi experimentada em outros setores como o de telefonia e energia. Tendo dito isso, é importante observar qual é o papel de uma agência reguladora nessas duas cate- “ A arbitrabilidade dos contratos do setor de gás e petróleo já é uma questão plenamente consolidada na doutrina ” gorias de contratos da indústria de gás e petróleo. O papel mais comum é da agência reguladora como agência reguladora, regulando e fiscalizando aquela atividade, que de alguma forma é objeto do contrato ou está permeando esse contrato. Outro papel muito corriqueiro das agências reguladoras é o de parte no contrato, atuando como representante do poder concedente e, portanto, assinando o contrato de concessão. Nesse caso, ela é a contratante, e o que vai acontecer se houver uma disputa submetida à arbitragem decorrente desse contrato? A agência muito provavelmente vai ter que ser parte da arbitragem, ou não vai haver arbitragem. E há uma terceira forma das agências reguladoras nesses contratos de gás e petróleo que muito pouca gente percebe, mas é muito corriqueira: é aquela hipótese em que a agência reguladora não está simplesmente regulando a atividade no âmbito em que aquele contrato está inserido, ela não é parte no contrato como poder concedente ou representante do poder concedente, mas tem, por força de lei, ou de regulamento, ou das circunstâncias, que aprovar previamente ou anuir aquele contrato, como condição de validade eficaz do contrato inteiro ou de algumas cláusulas, ou de alguma forma intervir nesse contrato. Nesses casos o que se caracteriza é uma situação de ato biface, ou seja, existe um contrato entre A e B, mas a partir do momento em que a agência tem que aprovar, anuir ou intervir, aquele contrato se amplia e passa a contar com a participação da agência.” Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_29_nov.indd 33 33 10/03/14 23:23 VO nó eventos Quantificação de danos em arbitragem de óleo e gás Caio Campello – Manassero Campello Advogados “E ste é um tema extremamente recente, atual, bastante complexo. Vou focar em dois pontos. O primeiro é a forma, ou seja, quais os tipos de perícia mais adequados para se chegar na quantificação do dano. O outro ponto são os critérios e metodologias usados para se chegar no valor da quantificação do dano no final da arbitragem. Quanto à forma pela qual se apura o dano na arbitragem, eu não poderia deixar de mencionar o bifurcation, um procedimento dentro da arbitragem em que ela se divide em duas fases: a fase 1, de apuração da responsabilidade; e a fase 2, que é a apuração dos danos. E como fazer essa apuração de danos? As perícias nas arbitragens têm se tornado cada vez mais custosas e longas. Além disso, nas arbitragens de óleo e gás as perícias são multidisciplinares. O grande desafio dos experts no setor de óleo e gás em arbitragens é saber traduzir para os árbitros essa parte técnica, de forma que isso não se perca e seja aproveitado na decisão final do tribunal arbitral. Há alguns tipos ou formas de perícia: aquela que tem 1 perito; 2 peritos; 3 peritos; uma que só o tribunal indica; uma que só as partes indicam. Enfim, as variações são quase infinitas. Mas todos com seus prós e contras. Em um seminário realizado pelo ICCA [International Council for Commercial Arbitration] em 2010, apresentou-se a seguinte sugestão: fazer um mix entre tribunal e partes. A ideia é: a parte A manda uma lista com 2 a 5 nomes de peritos de confiança; a parte B faz o mesmo, e aí o tribunal escolhe um de cada lista e “ O grande desafio dos experts no setor de óleo e gás em arbitragens é saber traduzir para os árbitros essa parte técnica ” forma o expert time do tribunal arbitral. As vantagens são: as partes poderem fazer uma lista de confiança, as duas partes são representadas, mas quem vai liderar e tomar conta desse expert time é o tribunal arbitral e não as partes. Com isso ganham-se imparcialidade e acesso a informações. Quanto à metodologia para a quantificação de danos, é preciso antes lembrar que nas arbitragens de óleo e gás os assuntos são variados, um pode ter um caráter mais financeiro, outro mais ambiental, outro mais regulatório. Quando o caso é perda de concessão, por exemplo, quando o ente público comunica o fim da concessão e a empresa tinha uma planejamento de 30 anos para o fornecimento, surge um desafio: saber quais os critérios para determinar a quantificação de danos. Muitas coisas podem estar previstas no próprio contrato, mas quando não estão, é preciso avaliar: qual foi e seria o volume de extração, qual foi e seria o preço do petróleo, a qualidade do petróleo, a estimativa das despesas, os investimentos feitos e qual a reputação da empresa no mercado. Esse é um assunto que promete.” Esta da t func • Fin • me • pro F Maria da Paz Tierno Lopes e Gonçalo Cunha Ferreira. Valeria Galindez, Ana Amélia Galli e André Luizi Correia. 34 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_29_nov.indd 34 10/03/14 23:23 VOcê já SaBE para OndE quEr Ir. nóS ajudamOS VOcê a chEgar lá maIS rápIdO. Estamos presentes em 4 continentes e 13 países, sempre prontos a oferecer novos caminhos. Além da tradição do Grupo Banco Espírito Santo, oferecemos serviços integrados de investimento, estrutura funcional e multiproduto com elevada especialização geográfica e setorial. O futuro passa pelo BESI. • Financiamento e gestão de risco • mercado de capitais • project Finance FIT FOr a nEW Era • Acquisition Finance • corporate Finance • corretora • asset management • private Equity • Wealth management lISBOa • cOlônIa • duBlIn • EdImBurgO • hOng KOng • lOndrES • luanda madrI • cIdadE dO méxIcO • mumBaI • nOVa IOrquE • SãO paulO • VarSóVIa www.espiritosantoib.com.br • Telefone: +55 (11) 3074-7444 • Ouvidoria: 0800 7700 668 eventos_cafe_29_nov.indd 35 10/03/14 23:23 eventos o d a c r e Om a r u t u r t s e fra n i e d L I S A R B O D e s a c oPortugu ra a m â C o de anhã da Mer cad m “O a d e r fé b Hélcio br o, o ca estões so tema foi bate qu e o m novem d e r o b d o s u tos. centr o de Pr oje uem falo a Q ir ”. e locou no il il s s ra ra B , r ealiradora B utura do palestra – Estrutu a Infraestr P d B E s a te d n eral importa dir etor-g rtes mais a p Tokeshi, s a a ri ta maté T ivoli. Leia nes no Hotel , 8 1 ia d zada no E Exemplos passados “Quando Juscelino Kubitschek foi eleito presidente no Brasil, ele se aproveitou de uma inovação institucional importante, que já tinha acontecido no mandato anterior, do Getúlio Vargas: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, o BNDE. Já havia muito planejamento no Brasil naquela época, sabia-se relativamente bem o que faltava, tanto de infraestrutura em transportes como em energia, educação e saúde, um leque relativamente amplo de ações em várias áreas. E o Juscelino, quando ganhou, não inventou nenhum plano novo, apenas criou uma forma de viabilizar e executar o que já estava planejado e deu o nome de Plano de Metas. Ele pegou o embrião do BNDE, que era uma equipe de cerca de 50 pessoas, e associou ao Plano de Metas, que era o conjunto de objetivos. Designou, assim, o BNDE não como um órgão de planejamento, mas como um órgão de execução do Plano. Isso foi, na épo- ca, uma inovação institucional. Primeiro porque o Banco de Desenvolvimento já por si era uma inovação institucional, e o arranjo de grupos executivos embaixo de um órgão coordenador, com a tarefa de executar o plano, também era uma inovação institucional. É um caso interessante porque estamos aqui, em 2013. Mas vou voltar cinco anos, quando a EBP – Estruturadora Brasileira de Projetos foi criada, esta que também demandou uma inovação institucional. Não para planejar, mas para executar aquilo que já se sabia que era necessário. Nessa analogia, os PACs [Programas de Aceleração do Crescimento], principalmente o primeiro PAC, são uma tentativa de identificar aqueles projetos que seriam necessários, que já faziam sentido do ponto de vista dos vários planos que foram sendo criados ao longo dos anos 90 e 36 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_18_nov.indd 36 10/03/14 23:25 a “ A EBP é uma empresa especial, porque é uma empresa privada voltada ao interesse público 1 ” 1. Miguel Lins, Alan Fernandes, Helcio Tokeshi, Ricardo Espirito Santo e Gladstone Siqueira. • 2. Soraya Vallilo, Eduardo Bierrenbach e Riuji Kiyohara. • 3. João Teixeira de Abreu. 3 Fotos: Baobá Fotografia 2 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_18_nov.indd 37 37 10/03/14 23:25 eventos 2 1 1. Ricardo Espirito Santo. • 2. José de Mesquita Filho, Izabel Ribeiro e Antonio Freixo. na primeira década do século XXI, numa lista prioritária. No fundo, o PAC é uma lista de projetos prioritários. Mas como eles não estavam andando, surgiu a ideia dessa inovação institucional que é a EBP.” A Estruturadora Brasileira de Projetos “A EBP foi concebida pelos seus acionistas, e eu tive a sorte de ser chamado para diretor-geral quando já estava tudo montado, estruturado. Então o mérito de concepção cabe totalmente aos acionistas. É uma empresa especial, porque é uma empresa privada voltada ao interesse público; só faz projetos de infraestrutura, e tem que ser com algum governo na forma de uma parceria. Não existe contrato entre nenhum governo e a EBP, o que existe é o interesse comum no desenvolvimento de algum projeto. Esse projeto tem que ser feito na forma de um contrato de serviço, não é obra. Só que contrato de serviço no arcabouço jurídico brasileiro se chama concessão ou PPP. E como é um contrato de serviço em que o governo acha um parceiro privado para ajudá-lo a desenvolver alguma infraestrutura, tem que juntar as duas coisas, ser de interesse público e um negócio atrativo para o setor privado. Ora, o fato da EBP ter a maior parte do seu capital constituído por bancos privados faz com que ela seja uma S.A. e possa trabalhar pelo interesse público, mas com a agilidade de uma empresa privada. Como é, entretanto, que se concilia isso? Uma empresa privada voltada ao interesse público? Acho que essa inovação institucional é importante, é uma inovação genuinamente brasileira. No fundo, é um conjunto de regras, um estatuto da empresa privada que faz com que os acionistas privados da empresa não tenham acesso privilegiado à informação e que dão ao corpo técnico independência e imparcialidade para poder atuar e ser visto como assessor técnico, neutro, do governo. Esse estatuto foi submetido ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e ele fez exatamente aquilo que os acionistas queriam, que é dizer ‘ótimo, vocês são bancos, concorrem entre si no setor privado, no mercado financeiro, mas vou abrir uma exceção, não vou considerar isso uma situação de cartelização, desde que vocês cumpram à risca o que está escrito no estatuto, e não podem mexer. Se mexer, a gente manda fechar’. Dessa forma, os acionistas se restringiram a atuar e serem vistos como assessora técnica do governo. Essa condição estrutural da EBP tem permitido que ela trabalhe com vários governos de cidades, estados ou com o governo federal no Brasil. Com a primeira carteira e uma base capital de 50 milhões de reais, nós viabilizamos, em contratos assinados, algo na faixa de 20 a 25 bilhões em investimentos no país, em aeroportos, estradas, hospitais, sistemas de saneamento, requalificação urbana. A empresa tem atuado não só naquela que é uma infraestrutura mais tradicional, mas também em coisas mais ligadas à área social como hospital e sistema de saneamento. A segunda carteira, que nós estamos gerenciando agora, inclui os aeroportos de Confins e Galeão, todas 38 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_18_nov.indd 38 10/03/14 23:26 2 1 4 5 3 1. André Penido e Miguel Coelho. • 2. Domingos Ricca. • 3. Paulo Renelli Neto. • 4. Rinaldo Lucas de Almeida. • 5. Elaine Carvalho. • 6. Denis Roberto de Castro. 6 de desinfecção do centro cirúrgico; ou tempo de fila de espera para se fazer o check in etc., temos uma mudança estrutural do ponto de vista de quem faz e das empresas que atuam nesses mercados. E veremos uma mudança da construtora que gosta de obra para o empreendedor que gosta de montar o conjunto de empresas que é necessário para prestar o serviço. É esse empreendedor que vai achar quem vai construir o que for necessário, O processo de amadurecimento do mercado de mas vai procurar também o infraestrutura no Brasil operador, o financiador, o con“Quando eu disse que a genO setor público vai ter que junto de expertises que é mais te não estrutura obra e sim complexo e necessário para contratos de serviço, é porresponder de maneira mais explorar uma oportunidade que acho que está aconteinovadora e inteligente de médio, longo prazo em um cendo uma mudança impora essa nova pressão da contrato de serviço. tante na forma de pensar a Mas, em algum momeninfraestrutura no país. Ainda sociedade, o que vai to, o conflito inerente a essa é incipiente, mas começa criar essa mudança de situação de ter por um lado a haver sinais muito claros mentalidade também no alguém preocupado com o dessa mudança. Por exemcontrato de serviço e queplo, quando a Odebrecht gagestor público rendo construir o mais banha um contrato para prestar rato possível e, embaixo do serviço de construção e manutenção de escolas e creches, e começamos a ver mesmo telhado, alguém querendo fazer uma obra e contratos de 25 anos, quando há uma mudança de lucrar única e exclusivamente com ela, cria uma tenfoco na obra, e que prefeitos e governadores param são muito grande dentro do próprio negócio e, em de pensar que estrada é quilômetro de asfalto, ou algum momento, essas empresas todas fazem uma esque hospital é metro quadrado de planta construída, colha estratégica. Vão mudar as construtoras no Braou que aeroporto é pista e páteo, e passam a pensar sil, algumas vão ser só construtoras, outras vão virar em índices de fluidez para atravessar de uma cidade a concessionárias. E essa é uma escolha que elas vão outra; em frequência de troca na roupa de cama e grau ter que fazer do ponto de vista estratégico, ou seja, as estradas que estão no programa do governo federal, todos os portos, dois projetos de saneamento, um projeto de qualificação urbana no centro de São Paulo e dois de estacionamento, para Belo Horizonte e para São Paulo. É uma carteira bastante diversificada e interessante, porque envolve os três níveis de governo.” “ ” Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_18_nov.indd 39 39 10/03/14 23:26 eventos 1 2 3 1. Mauro de Andrade. • 2. Patricia do Vale. • 3. Carlos Moura. como vão se posicionar nesse mercado novo. Assim como do lado público dessa história, nós vamos ver, pelo efeito demonstração da qualidade do serviço, muitos prefeitos parando de discutir sobre quantas escolas eles construíram; o político vai perceber que dá para vender um programa de saúde, um programa de educação, e não mais inaugurar e cortar fita de três creches. Isso acontece porque a escala e a eficiência são completamente diferentes quando você começa a pensar em um contrato em que está agregando diversas unidades. Você para de pensar que tem que construir só a escola física e passa a pensar que é muito parecido com o modelo de franquia, que tem unidades relativamente pequenas de prestação de algum tipo de serviço e que é bom que esse serviço seja padronizado, porque isso garante qualidade, garante escala na hora de comprar o equipamento e de treinar os funcionários e proporciona uma melhora significativa na qualidade da prestação de serviços. Nós vamos ver mais e mais gestores públicos pensando com essa cabeça. Essa é a grande mudança no mercado de infraestrutura brasileiro. Não são mais estradas ou mais aeroportos, pois isso também vai acontecer, mas o setor público vai ter que responder de maneira mais inovadora e mais inteligente a essa nova pressão da sociedade, o que vai criar necessariamente essa mudança de mentalidade também no gestor público. Vejamos um exemplo prático: o Brasil precisa de seis a oito mil creches; com muito esforço, o governo federal, que prometeu oito mil, vai entregar, se muito, mil em um mandato. Nós não vamos resolver essse problema picadinho, temos que fazer no atacado, ou seja, a cidade de São Paulo pode perfeitamente ter um contrato de 200 creches. Se precisa de 800, por que não?” Programa atual do governo “Vamos sim ter uma malha rodoviária de alta capacidade; e, num ritmo mais devagar, mas também vamos ter um sistema ferroviário de alta capacidade. Mas o Brasil é uma economia globalizada, já estamos inseridos na economia global, portanto, ter a malha interna e não resolver os polos de conexão e de comunicação do sistema doméstico com o mercado internacional não adianta nada. Então não é por gosto, pela briga, ou por voluntarismo político que o governo resolveu enfrentar o problema dos portos. É quase que inevitável, não tem jeito, é preciso mexer nos portos. É um processo muito turbulento, mas é absolutamente necessário. Agora, na medida em que fizermos isso, a infraestrutura do Brasil vai alcançar o dinamismo que já temos internamente, porque o processo de incorporação de milhões e milhões de pessoas à classe média, o acesso ao crédito e a formalização do emprego já estão aí. Essa mudança de escala já aconteceu, já estamos vivendo uma dinâmica de mercado de consumo de massas. A explosão de venda de automóveis, a explosão do crédito, de eletrodomésticos, essas indústrias já falam que mudaram de patamar, o Brasil deixou de ser um mercado de 3 milhões de automóveis para ser um mercado de 5 milhões. Mudou completamente a escala da indústria. Outro lugar onde isso vai acontecer: aeroportos. Felizmente existe planejamento, a Secretaria de Aviação Civil já tem um programa com apoio do Banco 40 Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_18_nov.indd 40 10/03/14 23:27 1 3 2 1. Eduardo Bierrenbach e Riuji Kiyohara. • 2. Sergio Teles. • 3. Deniane Bezerra. do Brasil para investimento em 270 aeroportos regionais, para os quais a licitação para projetos de obra e planos de negócios, o levantamento ambiental e o levantamento geológico já estão sendo contratados. Então no ano que vem já veremos o mercado aéreo mudar de patamar. Para não acharem que eu sou otimista demais, vejamos: é muito mais fácil fazer rodovia do que ferrovia. Tanto é que, no próprio plano de metas, a meta de rodovias foi mais do que ultrapassada, eles fizeram 138% da meta, enquanto de ferrovias fizeram só 30%. Isso vai acontecer de novo, ou melhor, já está acontecendo, mas em várias outras áreas o Plano de Metas foi de fato bastante bem-sucedido. Fora as rodovias, ninguém atingiu 100% das metas, mas faz parte do processo. O governo tem mesmo que ser ambicioso, colocar uma meta que é difícil para ver o que consegue viabilizar. Eu não quero deixar vocês com a impressão de que isso é pouco. E acho muito importante que as pessoas, os decisores e a elite do país percebam qual é a escala do impacto que nós estamos discutindo. Vamos ter o privilégio de viver essa escala de transformação. Vai ser turbulento, vai ser agitado, mas vai ser muito cheio de oportunidades. Porque nós vamos ver uma descentralização de atividade econômica e a criação de novos modelos de negócios. As oportunidades começam no mercado de infraestrutura, mas não param nele. Isso vai contaminar e vai mudar a cara do Brasil, porque vamos virar uma sociedade de consumo de massas.” QuEm é O PAlEstrAntE HELCIO TOKESHI é diretor-geral da EBP – Estruturadora Brasileira de Projetos, uma joint-venture do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e de oito grupos financeiros – Banco do Brasil, Banco Espirito Santo, Bradesco, Citibank, Itaú-BBA, Santander, HSBC e Banco Votorantim, que auxiliam entidades do governo brasileiro no desenvolvimento de projetos de infraestrutura. Atuou como diretor associado no escritório de São Paulo e de Nova York da McKinsey & Co. e como economista no Banco Mundial, além de ter trabalhado no Ministério das Finanças do Brasil, em 1990. Entre 2004 e 2006, ocupou o cargo de chefe da Agência de Concorrência na Secretaria de Acompanhamento Econômico – SEAE. É graduado em Economia pela Universidade de São Paulo, mestre pela Universidade Estadual de Campinas e doutor pela Universidade de Berkeley. Câmara Portuguesa em Revista eventos_cafe_18_nov.indd 41 41 10/03/14 23:27 42 Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 42 10/03/14 23:28 Fotos: Baobá Fotografia e Matsunaga Fotografia 101 ANOS DE VIDA N o dia 12 de dezembro, a Câmara Portuguesa comemorou uma data mais do que especial: o seu aniversário de 101 anos. Na cerimônia, realizada no Hotel Unique, estiveram presentes autoridades políticas e empresariais do Brasil e de Portugal, além de associados e amigos da entidade. Como faz anualmente, a Câmara concedeu o prêmio Personalidade do Ano, e desta vez o homenageado foi Roberto Medina, idealizador e produtor do Rock in Rio e Rock in Rio em Lisboa, por sua contribuição ao crescimento dos negócios entre os dois países. A festa contou com um elegante jantar e terminou com um animado show de pop, soul e blues da cantora portuguesa Aurea, um dos destaques do palco sunset no Rock in Rio 2013. Acompanhe, a seguir, os discursos proferidos na ocasião. Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 43 43 10/03/14 23:28 RICARDO ESPIRITO SANTO eventos Presidente da Câmara Portuguesa UMA HISTÓRIA DE SUCESSO “Estamos começando um novo século de atividades da Câmara Portuguesa, pois comemoramos 101 anos, como uma associação civil que tem como principal objetivo promover e assessorar o comércio e incentivar o desenvolvimento dos negócios e das relações econômicas e sociais entre Portugal e o Brasil. Promovemos encontros, seminários, palestras e missões empresariais, visando ao aprimoramento das relações bilaterais, bem como ao intercâmbio tecnológico, cultural e turístico dos dois países. Desde 1912, nossa entidade tem atuado sempre de forma dinâmica em prol de seus associados, acompanhando o processo decisório do poder público em assuntos que afetam os negócios bilateriais, mantendo-os informados acerca das tendências dos setores de comércio, investimento e tecnologia.” ra-se para entrar em sua nova fase. Em conjunto com a Casa de Portugal, vamos criar o Centro +Negócios, que alguns chamam de Aceleradora de Negócios, para apoiar as empresas portuguesas que chegam a São Paulo e necessitam de um espaço para se instalar e promover suas reuniões de negócios. Com serviços completos de secretariado, acesso a internet, além do networking dos associados e amigos da Câmara, as empresas que usarem esse serviço terão o apoio necessário para conquistar o novo mercado do Brasil.” “ REVISÃO E AGRADECIMENTOS “Neste ano que passou, promovemos vários cafés da manhã do Centro de Mediação e Arbique hoje fazemos o nosso tragem; promovemos um almojantar de comemoração ço com o ministro da Pequena a um novo século de e Média Empresa, Guilherme Afif Domingos; diversos cafés atividades da Câmara da manhã com personalidades Portuguesa do mundo acadêmico e empresarial; assim como jantares UM PRESENTE DE harmonizados, happy hours e RENOVAÇÕES E INICIATIVAS “Atualmente, nossos associados já formam quase outros grandes eventos de relacionamento. É importante também mencionar aqui o apoio que 300 empresas e pessoas físicas. Em 2010, liderando o processo de reformulação, inauguramos o Centro temos recebido do Consulado Geral de Portugal em São de Mediação e Arbitragem, que oferece não apenas Paulo, na pessoa do Dr. Paulo Lourenço, assim como o serviços para atendimento no âmbito jurídico, como apoio recebido também da Aicep, na pessoa do seu rerealiza sessões de esclarecimento sobre os mais diver- presentante, Dr. Carlos Moura. Aproveito também para agradecer nossos mantenedores que, ao longo deste sos aspectos relacionados ao tema. Em 2012, impulsionada por essas mudanças, a Câ- último ano, nos permitiram desenvolver todas as ativimara Portuguesa deu mais um salto. Lançou sua nova dades da Câmara com seu suporte financeiro.” imagem, mais moderna e ligada aos avanços dos dois países. O nosso POR+ significa aquilo que queremos HOMENAGEM E RECONHECIMENTO fazer por nossos associados. E, dentro desse espírito, “Mas estamos também aqui hoje para prestar uma a Câmara procura agregar cada vez mais valor aos homenagem a Roberto Medina, que nos últimos anos seus associados. O que nos fez criar, dentro do nosso tem aproximado brasileiros e portugueses por meio site, na área exclusiva ao associado, o POR+Contatos, da música, tendo criado um dos maiores espetáculos que conta hoje com mais de 12 mil contatos para que de rock no mundo, o Rock in Rio, agora com versões os associados possam localizar clientes, parceiros e internacionais: o Rock in Rio Lisboa e o Rock in Rio outros fornecedores.” Madri. Esse grandioso espetáculo de música e comunicação aproxima pessoas, empresas, movimenta a indústria do turismo e a economia, aproxima nações e UM FUTURO PROMISSOR “Recém-reformada e modernizada, a Câmara prepa- contribui para um mundo melhor.” É com grande alegria ” 44 Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 44 10/03/14 23:29 1 2 3 5 4 6 1. Orlando Machado e Vilma Machado. • 2. Ricardo Espirito Santo, Stella Espirito Santo, Roberto Medina, Mariana Medina e João Teixeira de Abreu. • 3. Maristela Araujo, Ernani Araujo, Ivone Redondo , Sergio Redondo, Edward Karic. • 4. Paulo de Freitas e Aurora de Jesus Freitas. • 5. Dora Correia, Carlos Moura, Rita Santos e Dina Moura. • 6. Milena Machado. Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 45 45 10/03/14 23:29 ROBERTO MEDINA eventos 1 3 2 4 1. Carlos Alberto Miranda, Antonio Pargana e Carlos Reis. • 2. Roberto Medina, Manuel Rodrigues Tavares de Almeida e Luciano Tavares de Almeida. • 3. Stella Espirito Santo, Ricardo Espirito Santo, Estela de Bastos Lima de Oliveira e Antonio Carrelhas. • 4. Alexandra Garcia Pulido, Luisa Fernandes, Graça Evaristo da Silva, Daniela Guiomar, Aurea, Maria da Paz Tierno Lopes, Ana Maria Almeida Garrett, Sonia Lopes Da Costa e Sofia Navarro Machado. • 5. Fernando Diniz, João Caldas, Miguel Coelho, Carlos Pascoa e Fernando Ramalho. • 6. Andrea de Ulhoa Cintra Ballario e Nelson Kuhl Junior. • 7. Hans Morgenroth e Iaci Rios. 6 5 7 46 Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 46 10/03/14 23:30 ROBERTO MEDINA Idealizador do Rock in Rio e eleito Personalidade do Ano de 2013 O SONHO DO ROCK IN RIO “Há 28 anos, o Brasil estava saindo da ditadura militar e eu achava que deveria tentar fazer com que a juventude comemorasse a liberdade, com que os mais velhos reeencontrassem a liberdade, e me veio o sonho do Rock in Rio, de juntar um monte de gente, de todas as gerações, com música diferente, porque a música é uma linguagem universal e toca dentro de cada um. Mas eu não imaginava a trajetória de problemas que a gente ia ter, se me contassem as dificuldades de se construir um evento como aquele, naquela época, não teria feito. Como fazer um evento que custa três vezes mais que os eventos de música americanos e com um ingresso que custa 10 vezes menos? Eu usei a pequena capacidade de comunicação para fazer muito mais do que um evento de música. E já naquele momento a gente conseguiu captar recursos incríveis, com resultados incríveis com os parceiros. Foi uma trajetória muito difícil.” SINATRA NO BRASIL “Eu trouxe o Frank Sinatra para o Brasil, depois de muitos anos, e o Brasil é uma coisa incrível, a nossa plateia emocionou o Sinatra, ele que durante gerações emocionou o mundo. E o Sinatra saiu chorando do show no Brasil.” 70 ‘NÃOS’ “ Portugal foi a janela para a internacionalização do Rock in Rio ” “Quando eu fui para os Estados Unidos contratar as bandas para o primeiro Rock in Rio, eu achava que, tendo patrocínio e com o projeto de construir a Cidade do Rock, seria fácil. Mas não. Fiquei dois meses nos EUA, e lá me contaram que o Brasil não pagava as contas, que roubavam equipamentos aqui na alfânde- Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 47 47 10/03/14 23:30 eventos “ ga. Cheguei a fazer 70 reuniões VALE A PENA SONHAR em NY e recebi 70 ‘nãos’. “Essa trajetória toda do Rock in Eu nunca aceitei Então fui para Los Angeles, Rio e a dimensão que as coinão na minha vida sem saber o que fazer, liguei sas tomaram me fazem refletir para o Sinatra e disse que ese perceber que vale a pena sotava em uma encrenca, que ninnhar. Eu não sabia que chegaria guém acreditava em mim. Pedi que ele reunisse a im- com esse projeto tão longe e que mobilizaria tantas prensa para que eu pudesse contar essa história. Então pessoas. E meu horizonte não são só os EUA, vou ele marcou uma coletiva e, no dia seguinte, todos os fazer na Ásia daqui uns três ou quatro anos. jornais americanos publicaram que o maior show do E quero fazer um grande movimento social. O mundo ia acontecer no Brasil. Depois disso, as bandas Rock in Rio já investiu cerca de 20 milhões de todas fecharam contrato comigo, naquele mesmo dia.” dólares, do dinheiro dele, em projetos sociais em Portugal, no Brasil e na Espanha. Para fazer coisas boas, como plantar árvores e implantar um prograPORTUGAL, SEGUNDA FAMÍLIA “Este dia de hoje é um muito especial para mim, por- ma de painéis solares em escolas de Portugal. A que Portugal é minha segunda família. A minha filha é gente tem investido para levar uma imagem positiportuguesa, eu virei português, foi um capítulo muito va para o mundo.” forte na vida do Rock in Rio. Portugal foi a janela para a internacionalização. Ali eu aprendi que esse modelo QUEBRANDO PARADIGMAS que eu tinha criado vinte anos antes era um modelo “Além de ser um gerador de economia, nesses 28 replicável no mundo inteiro. Se a gente pegar as pro- anos o Rock in Rio empregou 170 mil pessoas, invesporções de habitantes, Lisboa tem 800 mil pessoas, e timos mais de 500 milhões de dólares. Isso tudo a tivemos na Cidade do Rock de Portugal 300 mil espec- partir das pessoas, da crença dos empresários que eu tadores, ou seja, 300 mil pessoas que compartilharam fui conquistando, vendendo meu sonho. O capital era esse sonho conosco.” a vontade enorme e muita garra de não aceitar não. Eu nunca aceitei não na minha vida. Então acho que o Rock in Rio é uma mensagem para o empreendedor PATROCÍNIO “Nos EUA, a maior captação de patrocínio para música jovem: não desista dos sonhos. Cada vez a vida está aberta é de 5 milhões de dólares. O Rock in Rio, só de mais complexa, por isso a gente tem que quebrar papatrocínio este ano teve 52 milhões de dólares. Nós so- radigmas, sair da caixa.” mos um país que é dez vezes menor economicamente que os EUA, e os eventos do Rock in Rio, não só aqui AGRADECIMENTO mas em Portugal também, são muito mais bem feitos “Eu agradeço muito a homenagem de hoje, não meredo que na capital do entretenimento, que são os EUA.” ço isso, mas fico muito feliz. ” 1 2 1. Ana Carolina Ramos Fioravante, Roberto Medina, Miguel Macedo, Ricardo Espirito Santo, Mariana Medina e Caio Rocha Torrão. • 2. Joana Marques Silva, Carlos Alberto Lopes, Carla Ramos e Nuno Melo da Soares da Costa. 48 Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 48 10/03/14 23:31 3 4 3. Monica Guimarães, Maria Mendia Avillez e Jose Moura-George. • 4. Antonio Pargana, Pedro Sirgado, Carlos Moura, Rogério Brecha e Kalil Cury Filho. Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 49 49 10/03/14 23:31 eventos Saiba mais sobre ROBERTO MEDINA, eleito Personalidade do Ano de 2013 Roberto Medina nasceu em 1947, no Rio de Janeiro. Em 1962, adquiriu os controles gerais da Artplan Comunicação e, em cinco anos, a transformou em uma das maiores agências do Brasil. Foi o primeiro homem da propaganda do Brasil a contratar grandes astros internacionais para participar de comerciais de televisão: David Niven, em 1976; Frank Sinatra, em 1977; Burt Bacharach, em 1978. Em 1980, trouxe o Frank Sinatra ao Brasil, em um show que entrou para o Guiness Book of Records como o maior público pagante em 1 show de um só cantor. Em 1985, criou o projeto que se transformaria no maior evento de música do mundo, o Rock in Rio. Em 13 edições, cinco no Brasil, cinco em Portugal e três na Espanha, o Rock in Rio reuniu mais de 7 milhões de pessoas na Cidade do Rock e foi transmitido para mais de 1 bilhão de pessoas em 200 países, por TV e internet. É o maior festival de música do mundo também nas redes sociais, com mais de 10 milhões de seguidores, três vezes mais que o segundo colocado. 2 7 6 50 Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 50 10/03/14 23:32 3 4 5 1. Brinde da mesa principal. • 2. João Palhinha, Miguel Palmeiro, Mariana Panhoni, Vasco Lencastre Campos, Alexandre Guimarães e Sergio Ramos. • 3. Aurea. • 4. João Carapeto, Miguel Guiomar, Ricardo Magalhães, Aurea, Felipe Alegria, Miguel Lins e Rodrigo Simões de Almeida. • 5. Pedro Baptista, Livia Rossi, Rodolfo Medina, Raul Azevedo e Luis Justo. • 6. Ana Maria Almeida Garrett e José Galvão de Melo Macedo. • 7. Filipa Fleming Alegria e Miguel Alegria. • 8. Bernardo Faria e Maia e Teresa Faria e Maia. 7 8 Câmara Portuguesa em Revista Eventos_jantar.indd 51 51 10/03/14 23:32 Raio X GILBERTO GIUSTI Esta coluna é dedicada aos profissionais que compõem o corpo de árbitros do Centro de Mediação e Arbitragem da Câmara Portuguesa Histórico profissional rabalha há 31 anos no escritório Pinheiro Neto Advogados. “É bastante tempo, o que costuma causar espanto nas pessoas, mas esse é o plano de carreira que foi concebido pelo Dr. Pinheiro Neto há décadas: contratar estudantes para trabalhar meio período e torná-los sócios um dia, seguindo o conceito de prata da casa”, revela. Giusti ingressou no escritório aos 18 anos e aos 29 tornou-se sócio. Logo percebeu que a sua vocação era para a área de contencioso cível. Hoje é um dos coordenadores da área de Resolução de Litígios Cíveis da firma, que engloba a prevenção e/ou a condução de litígios administrativos, judiciais e arbitrais. Trabalhou também por quase um ano no escritório Cleary Gottlieb, Steen & Hamilton, em Nova York, com total apoio dos sócios da Pinheiro Neto. Há três anos, o escritório apoiou o seu projeto de fazer mestrado na Universidade da Califórnia, em Berkley. T A experiência em arbitragem O primeiro contato com arbitragem aconteceu 13 anos antes da edição da Lei nº 9.307/96. Ainda como estagiário de Pinheiro Neto, o primeiro caso em que trabalhou foi a execução de uma carta de ordem do Supremo Tribunal Federal, extraída de um processo de homologação de sentença estrangeira que havia ratificado um laudo arbitral. “Eu cuidava da execução forçada, mas a curiosidade e o interesse me levaram a ler todo o processo, desde a emissão da sentença da corte estatal francesa que homologara o laudo arbitral proferido em Paris, em 1972, até a sua homologação defini- Gilberto Giusti ingressou no escritório Pinheiro Neto Advogados aos 18 anos e aos 29 tornou-se sócio. tiva pelo Supremo Tribunal Federal, em 1982”. Já atuou como advogado em mais de 30 arbitragens domésticas e cerca de 20 arbitragens internacionais. Também tem atuado como árbitro em arbitragens domésticas (20, das quais cinco em andamento) e internacionais (oito, das quais três em andamento). 52 Câmara Portuguesa em Revista entrevista_arbitro.indd 52 10/03/14 23:38 COLÓQUIO Quais as vantagens gerais da arbitragem? Costuma-se destacar que os benefícios que a arbitragem oferece às partes em litígio, mormente quando o instituto é comparado à resolução judicial de conflitos, são: maior celeridade do procedimento; confidencialidade; e possibilidade de escolha de julgadores com maior conhecimento técnico no assunto sob litígio. Concordo plenamente com o destaque dado a esses itens, mas certamente a conveniência da solução arbitral vai além, devendo ser ressaltado que a arbitragem, atualmente, é importante ferramenta para que as empresas, sem abrir mão da plena defesa de seus interesses e direitos, possam resolver seus conflitos de maneira a preservar relações a longo prazo. Na sua avaliação, qual a importância do Centro de Medicação e Arbitragem da Câmara Portuguesa? Os centros de mediação e arbitragem mantidos pelas câmaras de comércio já provaram o acerto dessa iniciativa no Brasil. A Câmara Portuguesa em especial, pela sua própria importância e relevância econômica e cultural que a destaca entre as câmaras de comércio, não poderia prescindir de apoiar um centro que administre esses que são os métodos eficientes de solução de conflitos que mais crescem em nosso país atualmente. Conquanto o Centro de Mediação e Arbitragem da Câmara Portuguesa não esteja voltado, é claro, apenas à administração de conflitos de empresas brasileiras e portuguesas, é alvissareiro que a Câmara, com todo o conhecimento que tem e a identidade que guarda com a realidade brasileira, prestigie e divulgue cada vez mais seu Centro de Mediação e Arbitragem. Por que o empresário deve escolher o CMA da Câmara Portuguesa? Acredito que pelas exatas razões que expus na resposta anterior e que podem ser resumidas no conhecimento que a Câmara Portuguesa tem e a identidade que guarda com a realidade brasileira. Como o senhor analisa a situação da arbitragem no Brasil hoje? Acredito que passamos muito bem a fase de intro- dução da arbitragem nos meios jurídico e empresarial brasileiros, assim como a fase de consolidação do instituto em termos de credibilidade e eficiência. Grandes indicadores disso são o número crescente de disputas arbitrais envolvendo partes brasileiras e o extraordinário apoio que o Poder Judiciário, depois de um início titubeante, atualmente tem dado aos institutos tanto da arbitragem quanto da mediação, garantindo-lhes a validade e a eficácia. Es- “ A arbitragem, atualmente, é importante ferramenta para que as empresas possam resolver seus conflitos de maneira a preservar relações a longo prazo ” tamos em um momento, porém, de aperfeiçoamento da prática arbitral, com cuidados cada vez maiores na negociação de cláusulas compromissórias, eleição dos árbitros e acompanhamento adequado dos procedimentos para que o resultado seja uma decisão que efetivamente atenda aos anseios das partes de uma solução correta e eficaz. O que é ser um bom árbitro? Os árbitros, além das qualidades de imparcialidade e independência que lhes são impostas por lei, devem atuar com atenção e respeito às partes e seus advogados, de modo a conhecer todos os fatos que lhes são postos e proferir uma sentença que responda aos anseios das partes de que suas pretensões, providas ou não, foram profundamente apreciadas e julgadas. Câmara Portuguesa em Revista entrevista_arbitro.indd 53 53 10/03/14 23:38 Por+Negócios Canal de negócios A coluna POR+Negócios é uma iniciativa da Câmara Portuguesa em prol de seus associados. Um canal aberto a empresas que desejam divulgar seus negócios e abrir novos caminhos POR+ contatos, clientes e parcerias. Conheça as empresas participantes deste mês: Focada em recursos humanos, a empresa tem o modelo de negócio baseado em outsourcing, consulting e technology. Tem mais de 8.500 empregados em 35 países, com 250 colaboradores só no Brasil. Sua rede global de serviços para RH tem 8 centros partilhados, em mais de 100 países e 25 idiomas, 100 clientes BPO e mais de 100 implementações de ERP’s. Empresa especializada em assessoria e consultoria jurídica e negocial na área de propriedade intelectual, no Brasil e no exterior. Atua no mercado há mais de dez anos, nos seguintes segmentos: proteção, defesa, Empresa de capitais portugueses, concessionária da Volvo do Brasil, responsável pela venda e pós-venda (peças e serviços técnicos) de caminhões e ônibus Volvo. Disponibiliza também soluções de financiamento para a aquisição de veículos, seguros e contratos de manutenção. Atua na Grande São Paulo, região de Campinas, Baixada Santista, Litoral Norte e Vale do Paraíba. negociação e comercialização de marcas, patentes, regulações nacionais e internacionais, transferência de tecnologia, softwares, direitos autorais, direitos personalíssimos e projetos culturais, entre outros. 54 Câmara Portuguesa em Revista mais_negocios.indd 54 10/03/14 23:38 Ferreira e indig alves advogados No Brasil desde 2004, a empresa dedica-se à corretagem e à consultoria de seguros, com grande expertise e foco no segmento corporate. Unindo uma visão global executada com uma precisão local, tem a experiência de mais de 90 anos do sócio controlador, Grupo Costa Duarte – um dos principais corretores de seguros portugueses –, e da parceria estabelecida com a Lockton Brasil Seguros. Atua na assessoria jurídica de empresas de médio e pequeno porte, com foco nas áreas de direito empresarial, contratual, societário, investimentos, estruturação de negócios, fusões e aquisições, trabalhista, administrativo, consumidor, contencioso cível e tributário. O atendimento preventivo é uma das características do relacionamento mantido com os clientes. Especializada em extrusão e injeção de termoplásticos, a empresa atende o mercado varejista na área de perfis para gôndola, suportes e adaptadores injetados. Possui uma gama variada de produtos que atendem as necessidades de identificação em redes de supermercados, lojas, atacados e outros estabelecimentos comerciais. Atua há mais de 12 anos no segmento. Há 28 anos no mercado, a importadora de vinhos tem se consolidado no ramo com a comercialização de rótulos da Quinta da Bacalhôa. Em 2012, passou a trabalhar com as vinícolas Quinta da Herdade e Quinta da Romaneira. Atende empórios, lojas especializadas como a Adega Santiago, St Marche, Rei dos Whisky’s & Vinhos, além dos restaurantes portugueses A bela Sintra e Trindade. Empresa internacional criada há mais de 20 anos, é especializada na assessoria a empresas e grupos empresariais familiares. É líder no mercado espanhol e português, intervindo atualmente também no Brasil, México e Colômbia. Apoia e intervém no planejamento sucessório da empresa familiar e atua na elaboração do protocolo familiar, de acordos de sócios, do modelo empresarial de futuro, entre outros serviços. Para saber mais sobre essas empresas, entre em contato com a Câmara Portuguesa: [email protected] ou pelo telefone (11) 3340-3333. Câmara Portuguesa em Revista mais_negocios.indd 55 55 10/03/14 23:38 guesa é também da Câmara Portu ur Ho y pp Ha o nte, momento relaxa Além de ser um de +Negócios uma oportunidade ppy Hour da cal diferente, o Ha lo um em e pr m , se im. a cada dois meses nsagrado, no Ita Agora realizado onteceu no Bar Co ac o br m ve no nhou mais um esa de atos, o evento ga Câmara Portugu nt co s ao io íc op e pr l ima descontraído a mais agradáve Além do usual cl gócios neste clim ne r ze fa e s ro ei rc tworking. quer conhecer pa a realização de ne aliado para quem ra pa te en m al ci espe área direcionada e informal: uma por lá. Veja quem esteve Novembro Diversão e contatos happy hour 56 Câmara Portuguesa em Revista Eventos_happy_hour.indd 56 10/03/14 23:39 Eventos_happy_hour.indd 57 10/03/14 23:40 Os mais recentes integrantes da Câmara Portuguesa novos associados PESSOA JURÍDICA I GesPlanninG consultinG ramo de atuação: Consultoria / Auditoria contato: Geraldo Inácio Maciel Fone: (11) 3156-9363 e-mail: [email protected] site: www.gesplanning.com.br costa e silva comunicação ramo de atuação: Comunicação / Marketing / Publicidade contato: Regina Costa e Silva Fone: (11) 3024-8733 e-mail: [email protected] site: www.costaesilva.inf.br oPenbook brasil ramo de atuação: Engenharia e Arquitetura contato: Maria Lígia Parise Penteado Fone: (11) 3887-7637 e-mail: [email protected] site: www.openbook-brasil.com PortuGal Premium tour ramo de atuação: Viagens / Turismo / Tours Turísticos em Portugal contato: Anabela Cunha Fone: (11) 96367-7497 e-mail: [email protected] site: www.premiumtours.pt SOFTWARE DEVELOPMENT Psi enGine ramo de atuação: Consultoria / Auditoria, Informática / Tecnologia contato: Paulo Gambôa Fone: (351) 217 970 731 e-mail: [email protected] site: www.psiengine.com Para se associar: (11) 3340-3333 • [email protected] • www. camaraportuguesa.com.br 58 Câmara Portuguesa em Revista Novos Associados.indd 58 10/03/14 23:40 Anúncio_21X28.pdf 1 13/3/2013 11:33:10 A energia elétrica da sua empresa pode custar menos. Depende da sua escolha. C M Y CM MY CY CMY K Somos a EDP Comercializadora. Uma das líderes na negociação de energia e na gestão de risco do mercado livre de energia elétrica. Fornecemos excelentes condições de aquisição de energia para a sua empresa. Entre em contato conosco e descubra como essa energia pode custar menos. 11 2185-5801 .................................................................. [email protected] www.edp.com.br /edpbr 3 Capa.indd 1 @edpbr uma boa energia /edpnobrasil 10/03/14 23:09 4 Capa.indd 1 10/03/14 23:10