Brochage Prise Péritel

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Brochage Prise Péritel
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Ano XXV • Nº 302
maio 2014
Exposição25
No Palmeiras Shopping
16 de Maio a
1 de Junho
Ministro Japonês visitou Sintra
O primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou estar “encantado” com os monumentos
de Sintra, onde se deslocou no âmbito de uma
visita oficial realizada ao nosso país, tendo sido
recebidos pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Sintra, Rui Pereira,
O governante japonês iniciou a visita ao concelho de Sintra com uma deslocação ao Palácio da
Pena, onde conheceu a história do monumento
mandado construir por D. Fernando II.
A comitiva esteve no Cabo da Roca, o ponto
mais ocidental da Europa continental, naquele que é um dos pontos turísticos portugueses
mais visitados por turistas japoneses, onde Shinzo Abe e a mulher, cruzaram-se com dezenas de
compatriotas e acederam aos vários pedidos
para posarem para fotografias com turistas japoneses.
Rui Pereira considerou que a visita do governante significa que o concelho é muito atrativo
para o turismo daquela região do mundo.
Junta de Freguesia
de Alfragide
vai apoiar
familias
carenciadas
808 201 500
A Funerária
São João das Lampas
Quintino e Morais
25 Anos de serviço com Competência e Honestidade
O Nosso
Percurso
Numa parceria com o Palmeiras Shopping em Oeiras e os SMAS de Sintra, e depois do sucesso desta exposição num espaço em Sintra, o nosso jornal vai expor
diversos acontecimentos dos nossos 25 anos de existencia, a informar, com largas
centenas de fotografias, 25 capas e 25 entrevistas, onde se leva o visitante a recordar, eventos, locais, pessoas, acontecimentos, etc. também em parceria com o Macdonalds de Oeiras no dia 1 de Junho - Dia da Criança, vamos entregar diversas
prendas/surpresas às crianças entre as 15 e as 17 horas.
Director: Paulo Pimenta
Atendimento
Permanente:
Oeiras
Almirante Rodrigues Pereira
"O Mar
é a minha
verdadeira
paixão"
Dia da Marinha celebra-se em Cascais
Funeral Social:
391,50€
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Telef. 21 961 85 94 – Fax. 21 961 85 80
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BREVEMENTE NA TERRUGEM
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
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Câmara de Cascais toma decisão polémica
Uma medida recente da Câmara Municipal de Cascais tem gerado polémica.
No passado dia 16 de abril, a autarquia
autorizou o abate de cinco árvores no
“triângulo gerador” entre a Marginal
de Cascais e a Avenida de Sabóia, em
frente à construção do “Atlântico Estoril Residence”. Estas árvores seriam da
espécie Casuarina e Tamargueira. Entretanto, a 17 de abril, foi a vez de uma
Araucária centenária ser abatida, no espaço contíguo. Tratava-se de uma árvore que contava com aproximadamente
15 ou 20 metros de altura. Esta decisão
da Câmara Municipal de Cascais não
passou despercebida. Por exemplo,
Paulina Esteves, eleita pelo Bloco de
Esquerda na Assembleia Municipal de
Cascais, num e-mail dirigido ao Gabinete de Apoio da Assembleia Municipal, sublinhou a importância da Araucária. Segundo Paulina, “no passado,
pelo seu porte, antiguidade e outras características, a Araucária já tinha sido, inclusive, proposta para árvore protegida nacional”. Para a representante do Bloco de
Esquerda, esta medida
da autarquia é incompreensível: “Não consigo
entender como não foram
acautelados os planos de
arruamentos de modo a
evitar este abate. A arquitectura paisagística moderna não se coaduna com
esta atitude. A preservação
das espécies de grande porte também não. De resto, o
turista que vem a Cascais,
e mais especificamente a
Monte Estoril, gostaria
de ter usufruído da beleza
deste espécime, tal como
eu gostei. Além disso, questiono se
houve algum aviso público de que estas árvores iriam ser abatidas. Numa
página do site da Câmara Municipal
de Cascais, em que se informa sobre
a construção da nova rotunda na
Avenida Marginal e sobre a requalificação da 3ª Circular, não é claro este
abate”. Paulina Esteves ainda refere que contactou a Comissão de
Educação da Assembleia Municipal de Cascais… mas as respostas
foram desanimadoras: “Quando
informei os presentes de tudo o que
se estava a passar, foi-me dito que no
lugar da Araucária iriam por certo
ser plantadas outras árvores… E que,
provavelmente, esta, ao ser plantada,
tê-lo-á sido no lugar de outras, também elas arrancadas. Tudo em prol
do progresso. Outras pessoas ainda
alegaram que nem sempre as árvores têm
de ser protegidas, nomeadamente os plátanos, que até podem causar alergias. Houve
algumas (poucas) que disseram que iriam
passar pelo local para estudar melhor a situação”. A Coordenadora Concelhia do
Bloco de Esquerda de Cascais conclui a
mensagem, reforçando a importância
daquela Araucária: “O que terá condu-
Trio Mário Laginha
apoia Bombeiros
de Almoçageme
Junta da Mina de Água
celebra 40 anos de Abril
A propósito das comemorações do 40º
aniversário do 25 de Abril de 1974, a
Junta de Freguesia de Mina de Água
organizou uma grande festa no Salão
Nobre dos Bombeiros Voluntários da
Amadora, que incluiu actuações de
ranchos folclóricos, de grupos de hip-hop e de danças de salão, entre muito
mais entretenimento. Numa entrevista
exclusiva ao jornal “O Correio da Linha”, o Presidente da Junta de Freguesia de Mina de Água, Joaquim Marques
Rocha, fez um balanço positivo deste
evento tão especial: “Estas comemorações
do 25 de Abril foram um espelho do vasto
número de actividades que este órgão autárquico se encontra a desenvolver no panorama cultural da freguesia, actualmente
sob a responsabilidade do vogal Vítor Miranda. Correu tudo muito bem, desde a organização à prestação de todos os artistas
convidados. Felizmente, o público acolheu
esta iniciativa de braços abertos e tivemos
uma casa cheia de gente! Aliás, foi a primeira vez, ao longo dos dezasseis anos em
que estou à frente da Junta, que assisti a
um evento com tamanha dimensão. Sublinho ainda que todo este sucesso se deve a
um eficaz trabalho de equipa, coordenado
pelo vogal Vítor Miranda”. Para além dos
momentos festivos, que contaram com
mais de 90 artistas, este evento ainda
teve espaço para uma homenagem à
Presidente da Direcção da Associação
Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Amadora, Maria Alcide Martinho Marques. Na opinião de Joaquim
Rocha, este foi um tributo muito justo:
“Realmente, foi sobretudo graças à senhora Alcide que nós conseguimos organizar
esta festa. Sem o seu empenho, nada teria
sido possível. Por esse motivo, decidimos
realizar um acto simbólico e entregámos-lhe
um troféu”. A execução deste grande
evento contou com o auxílio da “prata
da casa”, como destaca o Presidente da
Junta de Freguesia: “Na verdade, todos os
grupos que participaram nesta cerimónia
festiva pertencem à Mina de Água. As associações, colectividades, enfim, todos os intervenientes são desta região, um facto que
muito nos orgulha”. Para os próximos
tempos, Joaquim Rocha promete estar
sempre a postos para dinamizar ainda
mais a vida cultural da freguesia de
Mina de Água: “Um dos meus objectivos
é precisamente apoiar iniciativas ligadas à
cultura e ao desporto, sempre que me
for possível. Afinal de contas, trata-se de actividades que trazem uma
maior satisfação a toda a população,
o principal propósito do trabalho
desta Junta de Freguesia”. Já Vítor
Miranda contou que o evento de
comemoração do 40º aniversário
do 25 de Abril foi uma excelente oportunidade para conseguir
divulgar junto do público as actividades culturais desenvolvidas
por algumas das mais importantes instituições da freguesia de
Mina de Água: “Quando fui convi-
zido a esta decisão? Insensibilidade? Falta
de visão… estratégica? É que não estamos
propriamente a falar de um plátano, mas
sim de uma árvore protegida pelo Regulamento Municipal de Cascais”. “O Correio
da Linha” tentou entrar em contacto
com a Câmara Municipal de Cascais
para obter esclarecimentos sobre esta
polémica, mas sem sucesso.
dado pelo Presidente da Junta para integrar
o Executivo deste órgão autárquico, desconhecia o que é que se fazia nesta localidade,
em termos culturais. Por isso, visitei colectividades que desenvolvem actividades culturais e recreativas. No final, perante tanta
qualidade, comecei a pensar que deveria ser
organizado um espectáculo no qual todo
este trabalho seria mostrado ao público. Felizmente, consegui fazer este evento e tudo
correu muito bem. O espectáculo teve uma
adesão fantástica”. Para Vítor Miranda, o
êxito desta iniciativa deve-se sobretudo aos apoios do restante Executivo da
Junta de Freguesia de Mina de Água,
dos Bombeiros Voluntários da Amadora (que cederam o espaço do salão nobre) e de todos os colaboradores.
Pela quinta vez consecutiva, no dia 13
de junho, em Almoçageme (Sintra),
realiza-se mais uma edição do “Sons e
Sabores”, desta vez dedicada ao Brasil.
O Trio de Mário Laginha, composto
por Mário Laginha (piano), Alexandre
Frazão (bateria) e Nelson Cascais (contrabaixo), assim como os convidados
Rita Maria (voz) e Ricardo Toscano
(Saxofone) vão apresentar uma viagem
musical pelo Brasil, que será antecedida de um jantar de “cozinha mineira”,
confecionada pelo chef Ailton do Restaurante lisboeta UAI.
Este ano o “Sons e Sabores” tem lugar
na “Adega Viúva Gomes” em Almoçageme, um espaço de finais do século XIX, um cenário perfeito para esta
simbiose única entre música e gastronomia.
A confeção dos pratos é feita na Escola
Alda Brandão de Vasconcelos, em Colares, sob a supervisão do chef.
O lucro deste evento reverte na totalidade para a Associação dos Bombeiros
Voluntários de Almoçageme para ajudar na construção da futura farmácia.
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
Um Clube virado para a comunidade
Em 81 anos de história, o Grupo
Desportivo e Recreativo “Os Fixes”,
em Queluz de Baixo, só conheceu
homens como presidentes. Mas como
na vida tudo muda, a nova presidência, eleita com maioria absoluta,
em Dezembro, é composta por duas
mulheres: Ivânia Carvalho, 30 anos, e
Mafalda Ferreira, 31 anos. Estranho?
Só para alguns. Sangue novo, num
clube “de referência” da freguesia,
que querem ver mais “moderno” e
virado para o “amanhã”. Sem perder
a identidade e esquecer as origens,
procuram nos próximos dois anos
“aproximar o clube da comunidade e
conseguir uma estrutura sólida”.
O Correio da Linha (CL): Pela primeira vez na história do clube uma mulher assume a presidência. Qual é a
importância que isto tem?
Ivânia Carvalho (IC): Para nós foi algo
natural, mas pelo que tenho estado a
sentir tem alguma importância por não
ser comum. O facto de sermos mulheres e jovens tem dado muito que falar.
CL: O que é que uma mulher pode trazer de novo?
Mafalda Ferreira (MF): A mulher pode
trazer uma sensibilidade diferente em
relação a alguns pormenores e uma
gestão mais cuidadosa. Porque as coletividades estão ainda muito direcionadas para atividades do género masculino, o que não implica que as mulheres
não as possam ter.
CL: Comemorou-se recentemente o
Dia Internacional da Mulher. O que é
para vocês este dia?
MF: Eu vejo o Dia Internacional da
Mulher não como o dia em que eu queira comemorar esse dia por ser mulher,
mas um dia em que se comemora os
direitos adquiridos da mulher. Ou seja,
é importante celebrar o que se conquistou para as mulheres e todos os benefícios que isto trouxe, como a igualdade
entre géneros que foi a maior vitória e
o contributo que as mesmas têm para
a sociedade. Acho que não devemos
encarar este dia para celebrar porque,
hoje em dia, todas as mulheres gostam
de ser mulher.
IC: Eu penso que o facto de nós não
termos nascido com aquela ideia da
mulher ser submissa ao homem faz-nos ver este dia de maneira diferente. Devemos sim ficar contentes por
aquilo que as mulheres conquistaram
e celebrar por aquelas mulheres que no
passado eram colocadas de parte pela
sociedade. A igualdade de géneros faz
todo o sentido porque a mulher tem direito a trabalhar, tomar decisões e acima de tudo ter direito à vida.
CL: Já tinham alguma ligação ao clube?
IC: Sim. Nós somos de Queluz de Baixo
e crescemos com o clube. De alguns
anos para cá tínhamos vindo sempre a
colaborar com as direções do clube na
organização de eventos e outro tipo de
iniciativas.
CL: Na gestão do desporto a mulher
ainda não tem um espaço firmado. O
que é que é preciso para alterar este
panorama?
IC: Eu acho que é preciso trabalho e
empenho e dar provas que conseguimos fazer as coisas tão bem quanto os
homens.
CL: Relativamente aos homens, como
é que encaram esta nova situação?
IC: Aqui juntos de nós há muitos homens que encaram bem esta nova situação. No início notamos
que havia umas atitudes mais
machistas, mas agora já não
sentimos isso. A principal
dúvida que os homens têm é
se somos capaz de assumir o
papel que nos foi destinado.
Relativamente ao exterior e as
pessoas com que lidamos de
outras instituições temos recebido um grande apoio.
MF: Na minha opinião o facto
dos sócios e das pessoas que
Ficha Técnica
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Registo na I.­C.S. N.º 114185. Tiragem do mês: 15 mil exemplares Preço de Assinatura anual – 12
edições: 13 euros
frequentam o clube já estarem
habituados à nossa presença fez
com que a adaptação fosse mais
rápida, porque já conheciam o
nosso trabalho e a nossa forma
de estar. Por outro lado, penso
que cada uma de nós tem características que também ajudam
a um bom relacionamento com
todos os intervenientes e que
permite haver respeito.
CL: O clube tem 81 anos de
história. Começaram há pouco
tempo este mandato, o que é
que falta?
IC: Falta uma estrutura sólida e organizada. Mas o facto de sermos jovens traz
muitas vantagens, porque queremos
que o clube atinja outros patamares,
nomeadamente entrar na era digital.
CL: De que forma é que pretendem
fazer isso?
IC: Nós queremos dinamizar o clube,
e muitas das coisas que se fazem ainda é à moda antiga. Nós não queremos
esquecer o passado e apagar o que tem
sido feito, mas é preciso modernizar e
dinamizar a coletividade em diversos
aspetos. Isto é, na forma como nos organizamos e a forma como nos projetamos para o exterior. Queremos tirar o
máximo partido da internet e redes sociais e da própria comunicação social,
para projetarmos ao máximo o clube.
CL: Quais são os objetivos que têm
para estes dois anos?
IC: Temos muitos objetivos. Mais até
do que o tempo permite. Como já disse
queremos criar uma estrutura sólida no
clube em geral e ao nível do atletismo,
que é uma atividade muito importante
para o clube. Queremos também reativar o futsal sénior, mas aí já entra o
aspeto financeiro, mas se for possível
é isso que queremos fazer, porque foi
uma modalidade que já trouxe muita
glória ao clube.
CL: Que modalidades têm neste momento?
IC: A participar oficialmente em provas
só o atletismo e nem todos os atletas
são federados. Depois temos o futebol
com três categorias (Petizes, Traquinas
e Benjamins), onde participa cada equipa num torneio, mas nada federado.
Numa outra vertente, temos aulas de
ballet para crianças, aulas de hip-hop,
zumba para adultos e
ginástica
localizada.
Dentro do clube ainda há jogos de cartas,
snooker e matraquilhos.
CL: Quantos jovens
têm atualmente?
IC: Nós contamos ainda
com bastantes jovens, aí
cerca de 150.
CL: Quantos sócios é
que o clube tem?
IC: 387 sócios pagantes.
A quota é um euro por
mês, sendo que as crianças só pagam metade
desse valor.
CL: Qual é o papel que o clube tem
junto da comunidade?
IC: O clube tem um papel de certa forma importante junto da comunidade,
principalmente por causa das modalidades que podemos oferecer. Queluz
de Baixo é um sítio bastante fechado e
não há muita oferta neste sentido e os
‘Os Fixes’ vieram revolucionar um bocado essa situação.
MF: Nós também promovemos alguns
eventos ao longo do ano junto da comunidade e temos já alguns pensados
para este mandato. São eventos que
não virados para a parte desportiva,
mas virados para a parte recreativa
com jogos culturais, onde apelamos à
participação de toda a população. Não
nos podemos esquecer, também, que
o clube é um espaço que está aberto
diariamente e que a comunidade mais
idosa pode utilizar para passar as suas
tardes.
CL: Podemos então dizer que é um
clube dos 8 aos 80 anos?
IC/MF: Completamente!
CL: Portugal atravessa problemas económicos. De que forma condicionou o
clube?
IC: A crise condiciona-nos bastante,
no sentido em que os apoios que podemos pedir ou que nos são atribuídos
são cada vez menores e que nos criam
mais transtornos. Nós tentamos manter o clube sempre aberto e ativo, independentemente das verbas que nos
são atribuídas. No entanto, com mais
apoios conseguiríamos oferecer outras
condições às pessoas, mas é tudo uma
questão de tempo.
MF: Eu acho que uma das coisas que
a crise tem e que provoca em nós é
obrigar-nos a aumentar a criatividade. Quando há recursos financeiros
onde podemos recorrer tudo é mais
fácil, porque há um valor para gastar.
Contudo, quando esse valor não existe
as coisas não se deixam de fazer, mas
se calhar exige de nós mais criatividade e olharmos mais para os apoios da
comunidade para continuar a fazer as
atividades.
CL: Contam com algum tipo de ajuda
externa?
IC: O único apoio externo com que con-
O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
tamos é o mesmo apoio que
existe para todas as coletividades e é dado pela Câmara
Municipal de Oeiras.
CL: Organizaram uma prova de atletismo. Qual é o
balanço que fazem?
IC: Um balanço muito positivo em termos de organização, porque não tivemos
muito tempo desde o início
da preparação até à data da
prova. No final da prova
estávamos muito satisfeitas,
porque o feedback de participantes e dos colaboradores
foi positivo e que tudo tinha corrido
muito bem, o que para nós é muito importante esse reconhecimento.
CL: Quantos atletas estiveram presentes?
IC: Cerca de 700 atletas, mais treinadores e respetivas equipas.
CL: Para quando é que estão marcados
os próximos eventos?
IC: Agora só organizamos a prova de
atletismo para o ano. Porque isto é um
Grande Prémio que está inserido na
Corrida das Localidades, que é disputado em 12 provas e cada coletividade
organiza uma. Por outro lado, temos já
várias iniciativas pensadas fora do âm-
5
Praça Mandela em Oeiras
bito desportivo, como, os santos populares e outras onde pensamos juntar a
população. Queremos juntar a comunidade e celebrar estas datas simbólicas.
CL: O que esperar dos próximos 81
anos?
IC: Estar cá já seria bom (Risos). Para
já, esperamos que nos próximos dois
anos consigamos fazer aquilo que nos
propomos e que seja uma melhoria
para a coletividade. Esperamos, ainda,
que quem venha a seguir a nós consiga
manter e melhorar tudo aquilo que nós
deixarmos feito.
MF: É importante antes de pensar nos
próximos 81 anos, no que foi feito para
trás. Nós queremos, que neste
mandato e nos próximos se cá
estivermos, é manter a identidade do clube. Este é um clube
com história e portanto manter
a identidade é essencial para o
futuro. Todas as melhorias e a
modernização fruto dos tempos
que fizermos é uma obrigação
nossa, mas temos que ter sempre em conta toda a história do
clube, que é muito grande.
l Texto:Tomas Tim-Tim
lFotos: J.R e Fixes
No âmbito das comemorações
do 40º aniversário do 25 de abril
de 1974, a Câmara Municipal de
Oeiras inaugurou a Praça Nelson
Mandela, na Taguspark, em Porto Salvo. Através desta atribuição
do nome de “Nelson Mandela” a
uma praça do concelho, a autarquia pretende prestar uma homenagem a uma das personalidades mais marcantes da História
Mundial, perpetuando o nome
e o legado deste enorme vulto.
Esta cerimónia de tributo a “Madiba” contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras,
Paulo Vistas, do Vice-Presidente da
autarquia, Carlos Morgado, da Embaixadora da República da África do Sul,
Keitumetse Matthews, do Presidente
da Junta de Freguesia de Porto Salvo,
Dinis Penela Antunes, do Reitor da
Universidade de Lisboa e Presidente do
Conselho de Administração da Taguspark, António Cruz Serra, entre muitas
outras diversas personalidades. No seu
discurso, Paulo Vistas elogiou Nelson
Mandela, uma figura que, segundo o
Presidente da Câmara Municipal de
Oeiras, “foi capaz de ter a coragem física
de enfrentar um dos mais cruéis regimes
que todo o mundo conheceu”. Para Paulo
Vistas, “Madiba” destaca-se ainda “pela
dignidade com que enfrentou a provação da
prisão política e pela superioridade moral
com que sempre agiu em liberdade, conseguindo perdoar todo o mal que lhe fizeram”.
O presidente da Câmara Municipal de
Oeiras considera, desta maneira, que a
homenagem prestada pela autarquia
é mais que justa: “Este singelo tributo é
um sinal do enorme respeito que o concelho de Oeiras tem por este grande homem
e pela luta que travou. É igualmente uma
forma de agradecer o seu exemplo e todos
os seus ensinamentos. Deus abençoe África. Deus abençoe todos os povos do mundo.
Muito obrigado, Nelson Mandela”, concluiu Paulo Vistas. A Embaixadora da
República da África do Sul, Keitumetse
Matthews, acredita que Nelson Mandela ficaria muito feliz com este tributo:
“Todos os que conheceram o sr. Mandela
devem saber o quão contente ele estaria por
este gesto da autarquia de Oeiras. Daquilo
que pude ver, creio que o estilo da praça se
adequa perfeitamente à sua personalidade”.
Keitumetse Matthews ainda relembrou
alguns traços do carácter do líder africano: “Realmente, o senhor Mandela tinha
uma personalidade muito especial. Era um
crente. Acreditava na mudança. Acreditava
que, quer tenhamos cinco ou noventa anos,
conseguimos sempre mudar alguma coisa
no mundo, a partir do nosso próprio desenvolvimento pessoal”.
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
Dia da Marinha celebra-se em Cascais
De 13 a 20 de Maio, as comemorações
do Dia da Marinha vão juntar-se às celebrações dos 650 anos da vila de Cascais, num programa repleto das mais
diversas actividades. Exposições, baptismos de mergulho, concertos, actividades desportivas, cerimónia religiosa,
cerimónia militar, demonstração de
capacidades e o desfile naval são apenas algumas das variadas iniciativas do
programa de celebrações que este ano
acontece em Cascais por celebrar os
seus 650 anos de elevação a vila. Desta
maneira, por exemplo, o parque de estacionamento junto à Cidadela de Cascais será palco de diversas actividades
para prática de mergulho, simuladores,
com uma torre de escalada e uma piscina. A 16 de Maio, na Praça da Cidadela,
irá ainda realizar-se um concerto ao ar
livre da Banda da Armada. Já no Jardim
do Tabaco, em Lisboa, o público pode-
rá visitar os navios NRP
Álvares Pereira e o NMT
Creoula, a 17 de Maio,
visto que ainda não é
permitido ancorar navios
em Cascais. Na Baía de
Cascais, entre 17 e 19 de
Maio, vão decorrer baptismos de mar a partir de
lanchas anfíbias e, na Marina, a partir de lanchas
de fiscalização rápidas. O
culminar das comemorações acontecerá a 18 de Maio, com uma cerimónia
religiosa na Igreja Nossa Senhora da
Assunção, seguida de uma cerimónia
militar e da demonstração de capacidades,
na Baía de Cascais que,
finalmente, acolhe um
desfile naval. Numa
conferência de imprensa realizada no passado
dia 5 de Maio para apresentar o programa das
comemorações do Dia
da Marinha, o Chefe do
Estado-Maior da Armada, almirante Macieira
Fragoso, afirmou que o
programa de actividades resulta de “um grande esforço” para mostrar
o que faz a Marinha
Portuguesa: “A Marinha, tal como todo o
país, sofreu e sofre de restrições financeiras
severas, mas não deixa de ter a capacidade
de fazer um grande esforço, com todos os
recursos que tem, de tentar mostrar aquilo
que faz de melhor”. “Foi uma grande oportunidade e uma honra para nós, porque Cascais é uma vila que sempre foi muito ligada
ao mar e continua a afirmar essa sua vocação. Vamos poder partilhar com os cidadãos
aquilo que fazemos e vamos poder dar-nos a
conhecer”, acrescentou o Chefe do Estado-Maior da Armada. O presidente da
Câmara Municipal de Cascais, Carlos
Carreiras, mostrou-se “profundamente
agradecido” por a Marinha Portuguesa
JF de Alfragide vai apoiar familias carenciadas
A Presidente da Junta de Freguesia
de Alfragide, Beatriz Azevedo de Noronha, e o Presidente da Direcção da
Associação RE-FOOD, Hunter Halder,
assinaram um Protocolo de Colaboração, no passado dia 30 de abril, no auditório da Junta de Freguesia. Através
deste acto oficial, foi formalizada a cedência de um espaço para a instalação
do Centro de Operações do Núcleo RE-FOOD de Alfragide, um projecto sem
fins lucrativos cujo principal objectivo
é redireccionar refeições (sobras) para
os cidadãos mais carenciados. Nesta cerimónia, Beatriz Azevedo de Noronha
confessou que sempre considerou que
o projecto RE-FOOD de Alfragide era muito “audaz”: “Não
estarei a exagerar se afirmar que
há menos de um ano eu nem sequer acreditava que fosse possível
assinar este protocolo e que a RE-FOOD de Alfragide se tornasse
numa realidade. Na altura, julgava que seria muito difícil firmar
esta parceria, mas ainda bem que
me foi provado que isso não era
verdade. Toda a freguesia de Alfragide está de parabéns, apesar de fazer um
agradecimento especial a todos aqueles que
contribuíram directamente para a execução
deste projecto”. Esta felicidade foi partilhada por Hunter Halder: “A assinatura
do protocolo é o ponto alto de toda esta jornada, que demorou ainda uns bons meses.
Foi um período pontuado por um trabalho
profundo através do qual eu descobri que
só nesta região de Alfragide existe 242 potenciais fontes de sobras e cerca de 391 empresas que podem colaborar neste projecto e
contribuir para o seu desenvolvimento. Esta
fase de investigação foi essencial não só para
aprofundar o conhecimento sobre esta freguesia, mas também para seguir, com mais
segurança, para a etapa de implementação
da RE-FOOD”. O presidente da Direcção da Associação RE-FOOD destacou
ainda que esta iniciativa é um verdadeiro “projecto de comunidade”: “Trata-se de um trabalho que consegue envolver
tudo e todos, nomeadamente instituições
públicas e privadas. Aliás, a RE-FOOD só
pode existir com o contributo total da comunidade, cada sector fazendo o que lhe for
possível. Sublinho também que esta parceria com a Junta de Freguesia de Alfragide
tem uma enorme importância, visto que se
trata do primeiro núcleo da RE-FOOD que
se localiza fora da área da Grande Lisboa”.
No final do seu discurso, Hunter Halder revelou quando é que a população
mais carenciada irá sentir os efeitos do
trabalho da RE-FOOD: “Em breve, ainda
antes do verão, iremos inaugurar o Núcleo
e, logo no dia seguinte, se iniciará o processo de recolha e de distribuição de sobras
em toda a região. Tudo para acabar com o
desperdício alimentar e com a fome nesta
comunidade”. Este protocolo também
foi assinado por Ângela Ferreira, representante da Tesouraria deste projecto,
que espera “dedicar muitas horas ao RE-FOOD”, uma iniciativa “apaixonante”,
segundo as palavras da própria. Rui
Gonçalves, pertencente ao Núcleo RE-FOOD de Alfragide, frisou a importância da assinatura deste protocolo:
“Trata-se de um documento essencial, visto
que permitirá a construção do nosso centro
de operações, sem o qual não poderíamos
cumprir aquilo a que nos propomos. Apenas
peço para continuarem atentos a novidades
e, já agora, alerto para o facto de estarmos
sempre à procura de novos voluntários para
desenvolver este projecto”. Após a assinatura do protocolo, decorreu a realização do acordo de honra e uma visita ao
espaço que abrigará as actividades do
Núcleo RE-FOOD de Alfragide. Nesta
visita, foi frisado que, actualmente, a
RE-FOOD necessita de chão e projectores para continuar a construção do seu
Centro de Operações na freguesia de
Alfragide.
ter aceitado o convite da autarquia para
integrar as suas comemorações no 650º
aniversário da vila: “É uma parceria que
faz todo o sentido. Afinal de contas, Cascais
é um concelho com uma fortíssima ligação
ao mar, quer geografica quer historicamente. Quando fizemos o convite percebeu-se
logo a satisfação, por isso, estamos profundamente agradecidos”.
Soltas
Câmara de Sintra
apoia corporações
de bombeiros
O executivo municipal aprovou uma
proposta que visa atribuir um subsídio
às nove corporações de bombeiros do
concelho de Sintra, destinado a apoiar
os custos na aquisição botas antifogo.
Este subsídio de 54.600 euros prevê a
aquisição de 364 pares de botas antifogo.
De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Sintra, Basílio Horta, a
área da Proteção Civil não sofreu qualquer redução de verbas da autarquia
por ser uma área fundamental e de
grande responsabilidade para o município.
Assim, com este novo protocolo, a autarquia de Sintra contribui para que as
corporações de bombeiros tenham as
melhores condições para enfrentar o
período de incêndios que se avizinha.
“É fundamental que os bombeiros tenham todas as condições para salvaguardar o seu trabalho. É muito dinheiro que a Câmara investe, mas as botas
antifogo são importantes para a segurança destes homens”, afirmou Basílio
Horta.
"Oeiras esta lá "
O serviço “Oeiras Está Lá” tem um
novo contato telefónico. A partir de
agora os utilizadores deste serviço devem marcar o número de telefone 707
201 486
Recorda-se, que este serviço consiste
na prestação gratuita de serviços de
reparações domésticas e de entrega e
colaboração domiciliária a todos os cidadãos residentes no concelho de Oeiras, com idade igual ou superior a 65
anos e que se enquadrem no conceito
de carência económica ou que sejam
portadores de deficiência.
Mudar uma lâmpada, desempenar
uma porta, pintar uma parede ou simplesmente sair de casa para comprar
um produto são tarefas banais para
a maioria das pessoas, mas que para
algumas de mais idade e com problemas de mobilidade podem ser bastante complicadas ou até impossíveis de
realizar. É a pensar nestes casos que a
Câmara Municipal de Oeiras tem o Serviço “Oeiras Está Lá”.
O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
7
Almirante Rodrigues Pereira
“O mar é a minha grande paixão”
que tomei.
C.L. - Sentiu, na altura, que
era uma vocação?
A.R.P. - Sim. Era uma vocação.
C.L. - Mas tinha algum contacto com o mar?
A.R.P. - Não. Apenas o habitual, da praia. Não há qualquer
tradição de mar na minha família. Os meus pais eram funcionários dos correios e o meu
avô era da GNR e portanto
nada me ligava ao mar.
C.L. - E este gosto pela
História da Marinha nasceu
consigo ou foi sendo cultivado durante a Escola Naval?
A.R.P. - O gosto pela História
já vem dos tempos do Liceu. Gostei
sempre muito desta disciplina e, na
altura, quando tive de fazer a opção
se seguir pela via das Letras ou das
Ciências, optei pela via das Ciências
mas a História continuou sempre a ser
o meu hobby.
C.L. - E uma vez terminada a Escola
Naval…
A.R.P. - Depois da saída da Escola
Naval, em Janeiro de 1970, embarquei
num navio patrulha, fiz fiscalização da
pesca aqui na zona centro, próximo de
Lisboa, depois fiz uma comissão de oito
meses nos Açores e depois fui Imediato
num draga-minas, que recupera minas
lançadas ao mar. Depois fiz então aquilo a que se chama um curso de especialização, uma espécie de pós-graduação,
com um ano letivo de duração, na área
da Eletrotecnia, em Vila Franca de Xira.
Foi um período complicado em termos
psicológicos porque eu sabia que mal
acabasse o curso ia para o Ultramar,
só não sabia para onde. Acabei por ir
para Moçambique durante dois anos,
entre 1973 e 1975. Apanhei lá o 25 de
Abril e o 28 de Setembro e regressei em
Fevereiro de 1975. Apanhei, portanto, a
fase final da guerra de África e o período de descolonização.
C.L. - Como é que foi “ver” o 25 de
Abril à distância, do lado de fora?
A.R.P. - Nós estávamos
à espera que acontecesse
qualquer coisa. Nós sabíamos que ia haver qualquer coisa. E lembro-me
que tínhamos feito uma
comissão de serviço no
norte de Moçambique, na
zona que hoje é Pemba e
regressámos à Beira no
momento da Revolta
das Caldas. E nós ouvimos as notícias da rádio
da Rodésia, que dizia
“depois deste golpe, o
problema político de
Portugal vai resolver-se
Numa altura em que se assinala o Dia
da Marinha, a 20 de Maio, o Jornal
O Correio da Linha esteve à conversa com o Almirante José António
Rodrigues Pereira. Este capitão-de-mar-e-guerra, já na reforma, residente em Caxias, fez da História e da
Marinha as suas paixões. Das missões
em Portugal Continental e nas ilhas
da Madeira e dos Açores, de fiscalização e de busca e salvamento, às
passagens por Timor e pela Guerra
do Golfo, aos livros que escreve e às
aulas que lecionou, Rodrigues Pereira
passou em revista uma carreira de várias décadas ao serviço do país.
O Correio da Linha (C.L.) - Como é
que surgiu a sua entrada na Escola
Naval? Foi uma opção sua ou foi por
influência? Já ia com uma ideia concreta do que queria fazer na vida?
Almirante Rodrigues Pereira (A.R.P.)
- Foi uma opção minha e já ia com uma
ideia muito concreta. Eu costumo dizer,
por graça, que a única imposição que
os meus pais me fizeram foi que eu, simultaneamente com a Escola Naval,
concorresse ao Instituto Superior
Técnico. Eu assim fiz: fiz o exame de
admissão ao Técnico mas nem fui ver
a nota! Seguir para a Marinha foi uma
opção minha. Não tenho ninguém
na família ligado a esta área e costumo dizer que a minha influência foi o
Adamastor porque em miúdo morava
no Alto de Santa Catarina, em Lisboa,
onde está essa estátua. No fundo, foi
uma ideia que criei, de jovem, decidindo que queria seguir a carreira da
Marinha. Segui e estou contente com a
decisão que tomei.
C.L. - Nunca pensou no que seria a sua
vida se tivesse ingressado no Instituto
Superior Técnico?
A.R.P. - Não, eu nunca coloquei essa
hipótese. A carreira foi muito variada,
obviamente que teve momentos melhores e piores, bons e maus, mas de
uma maneira geral gostei muito da carreira e nunca me arrependi da decisão
NE Sagres - 1968
ra
u
t
na
w
i
ss
A
e
Cu
d
pão
os
Nome:
6
Pearl Harbor - 1976
nas messes dos oficiais nas próximas
três semanas”. Entretanto nós estávamos na doca seca e por problemas de
corrente tínhamos todos os equipamentos eletrónicos desligados. E foram os
operários do estaleiro que entraram às
oito da manhã a bordo que nos contaram o que estava a acontecer. E nós, aí,
ligámos o rádio e começámos a tentar
perceber o que estava a acontecer.
C.L. - Foi uma temporada difícil?
A.R.P. - Foi bastante difícil porque, ao
contrário do que aconteceu noutros
lugares, o Governador não entregou o
cargo. E, na altura, Moçambique tinha
muita influência política na África do
Sul. Gerou-se por isso uma situação
em que não sabíamos muito bem o que
ia acontecer. E depois foi período da
descolonização, tão complicado, como
sabemos.
C.L. - Prestou serviço em várias unidades navais… há alguma função que
destaque?
A.R.P. - Nós na Marinha temos o cargo a que sempre aspiramos, que é o
comando de navios. Eu comandei o
navio-patrulha Zaire entre 1979 e 1982
que ainda está ao serviço. Fiz muita fiscalização da pesca no Algarve e
na zona centro, fiz três comissões na
Região Autónoma da Madeira, também dedicadas à fiscalização e à busca
e salvamento e fiz também algumas
viagens de apoio a regatas internacionais na Madeira. Ou seja, basicamente,
essa comissão como comandante de
patrulha tem vários aspetos que muito
me agradaram, nomeadamente a fiscalização da pesca, que é quase um jogo
do gato e do rato. Depois, na Madeira,
tive uma situação que podia ter sido
complicada porque numa das muitas
idas que fiz às ilhas selvagens encontrei um espanhol à pesca. Trouxe-o
para o Funchal mas com muito cuidado porque sempre acharam que a embarcação era muito pequena e não iria
aguentar as 160 milhas que separam
as Selvagens do Funchal mas a embarcação lá veio, com três marinheiros lá
dentro. Foi, digamos, uma ação que me
marcou porque foi efetivamente a primeira vez que se apanhou um espanhol
à pesca. Estávamos em 1981. Um outro
marco, mais tarde, foi um comando especial num navio à vela, um navio escola com 30 metros de comprimento que
está atribuído à Escola Naval. Era um
navio com características especiais porque habitualmente eu embarcava com
os cadetes e não levávamos guarnição,
só o mínimo, e a vida a bordo era assegurada pelos quatro oficiais e os doze
cadetes que embarcavam no navio. E
assim fizemos viagens de mais de um
mês… corremos tudo, desde o norte do
país até à Madeira, naquele veleiro.
C.L. - Este tipo de missões exigem determinadas características psicológicas…
A.R.P. - Sim. Eu julgo que aquilo que
mais pode preocupar é a questão do
isolamento porque nós, no fundo, somos umas dezenas de pessoas metidas
dentro de uma caixa metálica, num espaço confinado e em condições adversas porque o mar, habitualmente, não é
um local amigável. E, afinal, o Homem
foi feito para andar em terra e não no
mar…
C.L. - Diria que a carreira na Marinha
não é para qualquer pessoa…
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8
9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
O Almirante em 1965
A.R.P. - Certamente que não. É preciso
um certo perfil. Mas diria que isso se
notava mais antigamente do que agora.
Atualmente perdeu-se um bocadinho
aquilo que eu chamo o espírito… afinal,
nós íamos para África dois anos, íamos
para os Açores um ano. Eram portanto comissões muito maiores do que os
três, quatro meses que agora se fazem.
As missões eram muito complicadas e
acredito que haja muita gente que não
conseguiria suportar.
C.L. - Esteve, por exemplo, em Timor,
na altura da invasão…
A.R.P. - Sim… foi um período complicado na minha vida. Regressei de
Moçambique em 1975 e quinze dias depois estava em Espanha para ir buscar
um navio novo que estava em construção. Cheguei a Lisboa no final de Julho
de 1975, durante o mês de Agosto estivemos a fazer exercícios no navio e
no princípio de Setembro arrancámos
para Timor. Foi na altura em que começaram lá os acontecimentos, houve lá
alguma revolta e nós fomos mandados
NE Polar - 1986
para Timor basicamente para garantir
as comunicações com Lisboa. Foi uma
viagem quase épica, muito complicada,
porque foi preparada em cima do joelho. O navio tinha acabado de sair do
estaleiro, não tinha munições sequer…
foram dez dias a abastecer tudo e a
tentar garantir que não falhava nada,
tendo em conta que nós íamos praticamente para o outro lado do Mundo.
Precisávamos de obter cartas, roteiros
dos locais por onde andaríamos, sítios
onde a Marinha não navegava desde
os anos 50. Repare que desde 1954 que
não passava nenhum navio português
no canal do Suez! Toda aquela região
do Índico norte era praticamente desconhecida. Nós acabámos por viajar
com cartas que tínhamos a sensação, e
tivemos depois a certeza, que não estavam devidamente atualizadas. Havia
obstáculos que não estavam registados
na carta e que foram uma dificuldade
acrescida para nós. Por outro lado, foi
uma viagem feita sob pressão porque
precisávamos de chegar a Timor o
quanto antes. Acabámos por demorar
cerca de um mês. Depois tivemos por
ali, fomos fazendo a patrulha daquela
região, onde os indonésios já estavam e
pronto, no dia 7 de Dezembro lá assistimos à invasão. Por acaso era eu que
estava de Oficial de Dia quando começou a invasão… eram quatro da manhã.
C.L. - Qual é a sensação? O que é que
sentiu no momento em que se apercebeu que as coisas estavam de facto a
acontecer?
A.R.P. - Sabe, o navio chamava-se
Afonso Serqueira e nós dizíamos, por
graça, que para sermos como o Afonso
de Albuquerque, que foi o navio que
foi afundado em Goa, já tínhamos o
Afonso. Portanto nós íamos preparados, psicologicamente, para o pior. E
portanto, quando a invasão acontece,
nós estávamos preparados para
responder se fossemos atacados.
Mas tínhamos a noção que, com
dois navios portugueses contra os doze navios indonésios, a
nossa possibilidade era diminuta. Mas felizmente eles não nos
atacaram, mantiveram-se apenas
junto a Timor. Nós tínhamos instruções de Lisboa para só atuarmos no caso de sermos atacados
e não fomos, felizmente. Depois
acabámos por ir para a Austrália
abastecer e acabámos a comissão.
Quando cheguei de Timor tive o
comando dos navios e depois
estive dez anos na Escola Naval
como professor de História.
C.L. – Entretanto, a Guerra do
Golfo…
A.R.P. - Sim, a Guerra do Golfo
aparece no final da minha comissão na Escola Naval, ou seja
1990/1991. Foi outras das missões de combate que eu tive,
também complicada porque nós
fomos preparando o navio pelo
caminho. A Marinha tinha perdido na década de 80, perante a
ameaça da guerra
nuclear, a noção
dos preparativos
para a guerra química e biológica.
Tínhamos a teoria
mas não tínhamos
a prática e portanto nós fomos
fazendo esse treino pelo caminho.
Sem dúvida que
levamos o melhor
equipamento que
havia na época…
Dia da Marinha - 1969
era o que usavam
os ingleses e os
americanos. O problema era a falta de veu também a sua vocação para o entreino.
sino…
C.L. - E isso refletiu-se no terreno?
A.R.P. - Sim, fui professor de História
A.R.P. - Bom, quando chegámos lá so- Marítima na Escola Naval durante dez
fremos uma ameaça de ataque e ainda anos e acumulei, em parte do tempo,
tivemos de vestir os fatos NBQ, um com as funções de comandante do
fato camuflado, com uma camada de navio-escola Polar. Naquela altura, a
um centímetro de pó de carvão, muito Marinha precisava de um professor de
quente, quase insuportável face às al- História e, conhecido o meu interesse
tas temperaturas que se faziam sentir. pela área e tendo em conta o trabalho
Era uma situação real, uma ameaça que já tinha desenvolvido até à época,
real, e estivemos quatro horas sujeitos fui escolhido para assumir aquele cara ataque. Mas fomos gerindo as coisas go. Entretanto voltei à Escola Naval
o melhor possível. Ao todo, foi uma em 2007 para dar aulas de História
comissão de seis meses. Acabámos em Marítima. Na altura já era diretor do
Abril de 1991. E é curioso que a ida foi Museu da Marinha. Dei aulas tamfeita com um tempo magnífico, mes- bém no Instituto Superior de Estudos
mo no Mediterrâneo, com o mar chão. Militares, uma disciplina de História da
Costumo dizer que a fotografia do meu Marinha, e na Universidade Autónoma
filho que eu levava na secretária nem de Lisboa. Mantive-me ligado ao ensise mexeu. Na segunda viagem, até os no da História durante bastante tempo.
armários se soltaram com a violência C.L. - Por gosto…
do mar.
A.R.P. - Sim, por gosto. É uma coisa de
C.L. - Como é que uma pessoa se pre- que eu gostava e de que continuo a gospara física e psicologicamente para tar. Quando há o Mestrado de História
uma missão desse género?
Marítima ainda vou lá à Escola Naval
A.R.P. - Nós temos de estar preparados fazer umas conferências.
para tudo. Vamos para um determina- C.L. - Foi também diretor do Museu da
do local e já sabemos que tudo pode Marinha…
acontecer. Afinal, nós prometemos de- A.R.P. - Sim. Fui secretário da Comissão
fender a pátria com o sacrifício da pró- Cultural da Marinha e, por inerência
pria vida e portanto é assim que tem de dessas funções eu era o comissário das
ser.
exposições do Dia da Marinha. Comecei
C.L. - E como é gerir a família com este
tipo de missões? Como é que se consegue articular tudo isto?
A.R.P. - Bom, é de facto difícil porque
passava longos períodos fora. Um dos
momentos que mais me marcou, como
pai, foi uma ausência quando o meu
filho tinha dois meses. No meu regresso, ele já tinha seis ou sete e quando
cheguei a Lisboa não me reconheceu e
começou a chorar. É isto que é complicado. Mas temos de saber compensar
isto. E como é que isso se faz? Quando
estamos cá temos de ter o máximo de
atenção com os miúdos. Portanto eu
quando estava cá esforçava-me para
o ir buscar à escola e para lhe dedicar
todo o tempo disponível. Mas é de facto difícil. Repare, eu, quando comandei
o navio patrulha, em cada mês estava
mais de duas semanas fora. Mas acabei
por criar uma boa relação com o meu
filho portanto acho que conseguir gerir
Com o colar de Académico da Academia
as coisas.
de Marinha
C.L. - No meio de tudo isto desenvol-
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O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
em 2001 em Cascais, em 2002
foi em Lisboa, em 2003 fizemos o Dia da Marinha em
Ílhavo, em 2004 em Viana do
Castelo e em 2005 em Aveiro.
Nesse ano fui também o comissário do Dia das Forças
Armadas em Estremoz.
Nesse ano atingi o limite de
idade e passei à reserva mas
a Marinha chamou-me e nomeou-me diretor do Museu
da Marinha, a partir de 2006.
Estive lá até ao final de 2010.
Podia ter ficado lá até 2013
mas razões de carácter pessoal e algumas mudanças na O Almirante oferece ao O Correio da Linha uma das
suas mais importantes publicações
organização da Marinha, que
provocaram uma perda de
autonomia na minha função, levaram- to por dois secretários de Estado - Melo
-me a tomar a decisão difícil de me afas- e Castro e Sousa Coutinho – homens
tar e pedi a passagem à reforma.
que durante trinta anos chefiaram poC.L. - E tem escrito também bastante… liticamente a Marinha e que apostaram
A.R.P. - Sim. Felizmente alguns dos no desenvolvimento da Marinha e da
meus livros têm tido alguma saída edi- construção naval. Foi o período em
torial. O mais recente é a História dos que se construiu o arsenal da Marinha
Grandes Naufrágios Portugueses, edi- que agora vai ser recuperado na Av.
tado em 2013 pela Editora Esfera dos Da Ribeira das Naus, foi o período em
Livros, e que tem tido grande aceitação. que se construiu o Hospital da Marinha
e em que é criada aquilo
a que hoje chamamos a
Escola Naval. A formação, as infraestruturas…
há todo um desenvolvimento da Marinha de
Guerra e Mercante. E
mercante porquê? Porque
estamos no período áureo
das relações com o Brasil,
em que era preciso escoltar os navios que iam e
vinham e protege-los do
corso francês, espanhol,
Com representantes da Associação de Oficiais da
argelino e tunisino. É esta
Reserva Naval
Marinha que permite ao
Tem sido apresentado em vários locais, D. João VI ir para o Brasil. Foram prenomeadamente no Porto e em Aveiro. parados 50 navios para levar o Rei e
Falando para trás, tenho um conjunto a Corte para o Brasil. E atenção que o
de três livros sobre a Marinha no tem- projeto de levar para o Brasil não foi de
po de Napoleão e depois, na Guerra D. improviso… surgiu da ideia do Padre
Pedro e D. Miguel. Agora estou a pre- António Vieira e foi muito bem planeparar um sobre biografias de homens ada. Mas com as Invasões Francesas
do mar, numa perspetiva ampla: tenho tudo isto se perdeu.
histórias dos homens do bacalhau, es- C.L. – E atualmente como é que olha
trategas, cartógrafos, cientistas… por para o futuro da Marinha?
exemplo, antes de vir para esta entre- A.R.P. - Vejo-o como o futuro do país…
vista estive a acabar a biografia de D. muito mal. Eu costumo dizer, e esJoão de Castro.
crevo isto nos meus livros, que o país
C.L. - Alguma das obras o marcou par- teve sempre altos e baixos em termos
ticularmente?
económicos, há sempre períodos bons
A.R.P. - Digamos que o grande traba- e períodos maus. Mas há uma coisa
lho que fiz, a que eu chamo a obra da que eu verifico nestes estudos: é que a
minha vida porque sempre a quis pu- Marinha, porque o navio é um objeto
blicar, foi juntar num único livro 900 sé- caro, foi sempre a última a começar a
culos de História. Foi um livro lançado recuperação e a primeira a quem corem 2010 pelas edições da Marinha: 700 tam o dinheiro. E portanto os nossos
páginas de texto que levaram sete anos períodos bons são sempre muito cura escrever!
tos. E neste momento a crise apanhou
C.L. - Sendo um conhecedor profundo a Marinha num estado muito fraco: as
da História da Marinha portuguesa, patrulhas que fiscalizam a nossa costa
consegue destacar momentos cruciais? têm quarenta anos! É notório que nós
A.R.P. - Bom, eu não vou falar no perí- precisamos de navios, nomeadamente
odo dos Descobrimentos, que é do co- para a proteção da costa, busca e salvanhecimento de todos mas digo-lhe que mento e combate à poluição. Os planos
tivemos um período áureo, e muito des- estão feitos, sendo que o projeto era seconhecido, que é exatamente o período rem construídos dez navios, mas não
antes das Invasões Francesas. No final há dinheiro para construir. Claro que,
do século XVIII e no princípio do século não havendo dinheiro para hospitais,
XIX há um armamento da Marinha, fei- temos de entender que também não há
para navios. Mas que fazem falta fazem… a nível da nossa soberania mas
também ao nível da nossa saúde e da
nossa educação. Em 1714 os argelinos
vieram aqui à boca da barra, apanhar
navios. Porquê? Porque não tínhamos
Marinha. Nós atualmente temos um
problema, não com os argelinos mas
com a pesca e com a atividade económica. Preocupa-me muito esta situação.
Com o Almirante CEMA Melo Gomes
l Texto:Diana Duarte Matias
lFotos: David Pimenta e Arquivo de RP
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
Uma forma diferente de conhecer a Natureza
“Vá para fora cá dentro”. É este o
lema que David Monteiro e Octávio
Machado querem incutir nos portugueses. Os mentores da empresa
‘Montes e Vales’, criada em 2008,
querem promover junto do público
iniciativas na natureza, em ambientes rurais, mas também na cidade.
Canyoning, escaladas, Peddy Paper
e fins-de-semana temáticos são algumas das opções para quem quer
escapar da azafama da cidade.
O Correio da Linha (CL): Para quem
não conhece o que é a Montes e Vales?
David Monteiro (DM): A Montes e
Vales é um projeto muito variado de
atividades de ar livre. O nosso grande
objetivo é criar histórias e daí o nosso slogan ‘Uma história para contar’.
Queremos que as pessoas contem a sua
própria história, isto é, algo que se lembre durante anos e que lhe deixe uma
marca profunda e para sempre. Sempre
com o enquadramento de atividades ao
ar livre.
CL: Que tipo de atividades é que estamos a falar?
DM: Desde atividades urbanas, como
por exemplo um Peddy Paper, a atividades mais radicais como o canyoning,
descida de cascatas e um tracking.
Dentro das atividades ao ar livre temos
vários conceitos que podem ser explorados pelas pessoas.
CL: Como é que surgiu a ideia de criar
a Montes e Vales?
DM: Antes de mais é importante falar
da empresa que dá início à Montes e
Vales que é a Nómada, que foi criada
em 1997. Depois surgiu a necessidade, em 2008, de separar algum tipo de
serviços e criou-se a marca de serviços
Montes e Vales que se dirige na sua essência ao consumidor final.
CL: Porquê Montes e Vales?
DM: Eu e o Octávio já somos amigos
há muitos anos. Em determinada altura
estava na Serra da Freita, uma mancha
verde perto de Arouca, no norte, e estava com a ideia de abandonar a consultoria e fazer algo diferente. Eu sabia que a minha vida já tinha chegado
àquele ponto em que eu tinha de fazer
outra coisa completamente diferente.
Na serra da Freita estava a fazer canyoning dentro de uma vale e aquilo que
eu mais gosto é de fazer montanhismo,
andar lá em cima. Não tendo eu experiência dentro deste contexto, recorro aos
serviços do Octávio, e depressa percebi
que era isto que eu queria fazer o resto
da minha vida. Depois muitas coisas
passam, e juntando este projeto nasce a
Montes e Vales.
CL: Onde é que está localizada a empresa?
DM: A empresa está sediada em
Oeiras, mas depois cada um de nós é
responsável por uma zona. Um no norte, em Viseu, e outro, em Lisboa
CL: Como é que é feita a promoção da
Montes e Vales junto da comunidade?
DM: Até agora não temos feito praticamente nada. Nós vivemos quase do boca-a-boca e à base de e-mails que enviamos para empresas e para alguns particulares. Para que se perceba do que
estamos a falar, a esmagadora maioria
dos nossos clientes foram indicados por
outros que já tinham experimentado.
CL: Mas são vocês que procuram as
pessoas ou é o contrário?
DM: Temos as duas coisas. Nós temos
um calendário que está no nosso site,
onde publicamos os próximos eventos
que vamos organizar no espaço de dois
meses. Depois temos os grandes eventos, que são organizados com muitos
meses de antecedência, como por exemplo uma ida aos Alpes, e por fim temos
os eventos ‘flash’, que são organizados
de forma muito rápida, consoante várias variantes. Para se ter uma ideia do
que estamos a falar, se sabemos que vai
chover muito, podemos organizar um
canyoning.
MEDICINA Tradicional chinesa
Acupunctura | Fitoterapia | Massagem Tuina
Mário Lameiras
Pós-Graduado pelo Instituto
de Ciências Biomédicas
Abel Salazar - Universidade do Porto
Consultório Rua Artur Brandão, s/n | Nova Oeiras
Marcações Tlm. 91 443 69 50 | Email: [email protected]
Parceria:
Instalações do CETO
Clube Escola de Ténis de Oeiras - PALMEIRAS
CL: Qual é que o papel que a empresa
tem na sociedade?
Octávio Almeida (OA): O nosso papel
é promover nas pessoas experiências
diferentes. Queremos que as pessoas
saiam da rotina e que experimentem
algo de novo. Há um mundo que elas
não conhecem, porque 99% são da cidade. E das experiências que temos
tido, quando estas pessoas tomam contacto
com uma cascata ou com
uma montanha coberta
de neve sempre em segurança, torna-se inesquecível. Nós queremos ajudar as pessoas a conhecer
melhor o nosso mundo.
CL: Qual é o feedback
que têm tido?
OA: Temos tido o melhor feedback possível. E
o mais importante é que
as pessoas para além de
voltarem para repetir as
experiências, passam a
mensagem a outras pessoas. Desta forma, o projeto vai crescendo.
CL: Na vossa opinião quais foram as
vossas principais atividades?
DM: Sem dúvida o tracking, em que
estivemos vários dias na montanha
nos Picos da Europa, Pirenéus e Alpes.
Temos também muitas atividades marcantes de canyoning e descida de cascatas. Depois temos no outro extremo
as atividades culturais, como os Peddy
Papers, visitas históricas e coisas mais
urbanas.
CL: Qual foi a experiência onde houve
mais participantes?
DM: Os Peddy Papers de Lisboa, sem
dúvida. Já tivemos grupos de 150 pessoas.
CL: Como é que surgiu a ideia do
Peddy Paper?
DM: A ideia surgiu nos restauradores como tema base a
conquista do castelo e
o grande terramoto. A
ideia veio do estrangeiro com um grupo
que queria algo deste
género e entretanto
pensamos porque não
fazer isto para portugueses. A iniciativa
correu bem, houve
adesão e depois disso
tentamos
melhorar
e inovar o serviço, e
hoje as pessoas cantam, fazem pequenas
encenações e interagem com as pessoas
que encontram na
rua. Neste momento, estamos dispostos a que câmaras municipais nos contactem para abrirem
espaços para que
possamos divulgar
sítios que o público
muitas vezes desconhece. Dou exemplo
do Palácio Marquês
de
Pombal,
em
Oeiras. Por que não?
CL: Como é que
processam a logística dos eventos?
OA: A logística
pode ser feita de
várias formas, tudo
depende das pessoas. Temos uma carrinha nossa de nove
lugares, que pode
transportar 8 pessoas. No entanto, há
clientes que gostam sempre de levar
o carro, mas se nos pedirem podemos
alugar um autocarro para transportar
toda a gente. Há uma grande flexibilidade nesse aspecto.
CL: Com quantas pessoas contam para
vos apoiar nos eventos?
OA: Normalmente somos dez pes-
soas, que são nossos colaboradores.
Contudo, o número pode aumentar
quando os eventos são maiores. Estas
pessoas têm formação dada por nós,
têm o nosso padrão de trabalho e quando as chamamos sabem aquilo com o
que vamos contar. Para nós a segurança é o mais importante, porque tentamos tornar possível o impossível. As
pessoas por vezes ficam surpreendidas
porque fazem coisas que seriam impossíveis, mas com o equipamento certo
tudo se consegue.
CL: Qual é o programa mais procurado
pelos vossos clientes?
DM: Ao longo do tempo começamos a
perceber que os portugueses não compram programas de uma semana em
Portugal. Na nossa opinião seria uma
opção muito mais interessante e mais
barata do que outros programas que
temos. Os portugueses optam sempre
por um fim-de-semana.
CL: Que iniciativas têm preparadas a
curto prazo?
DM: Estamos agora a preparar uma
atividade de escalada e canyoning para
pais e filhos, a realizar no fim de junho.
Voltamos à Serra da Freita e há muitos
clientes repetidos, e isso sem dúvida é
o nosso grande ativo. Há uma necessidade muito grande de fazer iniciativas
com pais e filhos e somos muito requisitados nesse sentido. Nesta iniciativa em
particular, quem participar tem que escalar cerca de 70 metros de altura, sempre com muita segurança. Isto num dia,
depois no outro fazem uma descida de
canyoning a pé num determinado sítio
no meio da serra. Depois ao jantar temos a vitela no forno, que as pessoas
O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
deliciam-se a comer . Ao longo dos dois
dias as pessoas conhecem sítios lindíssimos que desconheciam no nosso país
e muitas dizem que não pensavam que
pudesse existir tal coisa em Portugal.
A mensagem que queremos passar é
vá para fora cá dentro. Há de facto um
profundo desconhecimento do nosso
país, a começar por Lisboa.
CL: Portugal atravessa neste momento
uma crise económica. De que forma é
que vos afetou?
DM: Há dois anos sentimos um grande
impacto. Houve uma contração enorme
no consumo e isso manifestou-se diretamente nas pessoas, que deixaram de
procurar este tipo de atividades. Foi a
partir daí que nós começámos com produtos diferentes, como por exemplo o
Peddy Paper que já falámos anteriormente. Com isso, percebemos
que havia um grande desconhecimento por parte das
pessoas da área rural, como
da própria área urbana. Desta
forma, conseguimos dar a
volta a situação, com produtos diferentes, mas pessoalmente vi casos bem piores.
CL: A nível de serviços qual
é o preço médio?
DM: Nós temos preços que
podem ir dos 10 aos 1500 euros.
CL: O que é que difere?
DM: Por exemplo, 10 euros
será um Peddy Paper e 1500
será uma semana de montanha. Depois temos atividades
médias de fim-de-semana,
que podem custar entre os 60 e os 120
euros.
CL: Qual é que é o vosso público alvo?
DM: Na Montes e Vales é o público em
geral. Na Nómada estamos mais direcionados para as empresas. Há sim um
dado curioso, que é o facto da grande
maioria dos nossos clientes serem mulheres.
CL: Para que faixas etárias é que se dirigem?
DM: Para todas as faixas etárias. Desde
as crianças até aos avós, todos estão
convidados para vir fazer as nossas experiências.
CL: Qual é o número mínimo de participantes em cada atividade?
DM: Tudo depende da atividade que o
público escolhe. Para se ter uma ideia,
um Peddy Paper tem que ter no mínimo 20 pessoas. Já a canoagem têm que
ter um mínimo de 12 participantes. Há
sempre um número mínimo, depois é
consoante a escolha do público que varia.
CL: A Montes e Vales foi fundada em
2008. Seis anos depois qual é o balanço que fazem?
DM: Se não conseguisse fazer melhor,
faria tudo outra vez! Têm sido os melhores momentos da minha vida. Eu
era gestor profissional em Oeiras antes
de entrar neste projeto. Passei também
pela área de consultoria, como já referi,
até chegar a este sonho que é onde estou agora. Eu sinto que faço um trabalho que promove sorrisos nas pessoas e
pagam-me por isso, o que é que é preciso dizer mais.
CL: Há margem de progressão?
OA: Claro que sim. Repare que houve
uma contração muito grande, por isso
agora o rumo só pode ser o crescimento. Além disso, sentimos que temos
cada vez mais clientes, porque descobrem esta nova forma de ver o mundo
e uma maneira de preencherem o seu
tempo livre.
CL: Têm como objetivo alagar o número de serviços?
DM: Para ser muito honesto, não sabemos. Temos que manter este caminho
para já, até conseguirmos perceber qual
vai ser a forma de crescimento e o caminho que as pessoas querem seguir. Nós
trabalhamos para as pessoas e não para
nós próprios. Quando fazemos alguma
coisa é porque alguém quer fazer isso.
O nosso objetivo, como já referimos, é
introduzir histórias nas pessoas. Tudo
vai depender do público, e neste momento não sabemos o rumo que vamos
seguir. Podemos dizer que estamos em
fase de reflexão, mas esperamos rapidamente perceber o que vamos fazer.
CL: O que esperam do futuro?
OA: Esperamos um futuro mais risonho. Queremos continuar a promover
sorrisos nas pessoas e ter cada vez mais
público. Temos a esperança que o mercado retome porque dá sinais disso.
DM: Há uma área que começámos a
explorar há algum tempo, e acho que o futuro
pode passar por aí. Nós
não trabalhamos só para
os nossos produtos, e
contamos também com
parceiros internacionais
que nos subcontratam.
Nós fomos considerados
os melhores guias dessas
empresas internacionais,
que estão no mundo inteiro. Isto quer dizer que
os clientes com que nós
trabalhamos valorizaram
de forma muito positiva
o nosso trabalho. Há que
parar, refletir e pensar como podemos
aplicar essa experiência em Portugal.
É importante, também, colocar o nosso
país lá fora.
CL: Gostavam de exportar o
projeto Montes e Vales para
o estrangeiro?
DM: O que nós queremos
é trazer os estrangeiros a
Portugal. É importante vender o nosso país lá fora e a
nossa cultura única, que é
aquilo que nos distingue dos
demais. Agora, sozinhos não
o conseguimos fazer, e se o
país não for promovido a
missão fica ainda mais difícil.
Uma das maiores críticas que
ouvimos dos nossos clientes
é que encontraram Portugal
por acaso.
CL: Acham que os serviços
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que oferecem em Portugal seriam bem
recebidos lá fora?
DM: Claro que sim. Muitos deles já
funcionam e nós estamos muito atrás.
CL: Qual é que é a vossa ambição?
DM: Neste momento não temos planos
a longo prazo por um motivo muito
simples. Antes de mais, e no meu caso,
fazer planos a longo prazo foi sempre
o que eu fiz profissionalmente antes de
entrar na Montes e Vales. Hoje em dia,
a sociedade e a forma como a economia
está ensinou-me que não vale a pena fazer objetivos a longo prazo, porque vão
ser destruídos. Eu prefiro fazer planos
a médio prazo. Se andarmos na rua, e
se de alguma maneira o nome Montes e
Vales for reconhecido já foi algo muito
bem feito.
l Texto:Tomas Tim-Tim
lFotos: JR e MV
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
Festival de música em Sintra
Sintra recebe
Feira Saloia
A Comissão das Festas de N.ª S.ª do
Cabo Espichel 2014/15, da Paróquia
de S. Pedro de Penaferrim, vai promover nos dias 17 e 18 de Maio a IV
edição da “Feira Saloia”, sendo uma
vertente a reconstituição da feira
saloia de S. Pedro de Penaferrim
dos anos 30 do séc. XX, e a outra
vertente uma feira de artesanato e
velharias. Esta atividade decorrerá
na Praça D. Fernando II (largo da
feira), em S. Pedro de Sintra, entre
as 10 e as 18h de ambos os dias.
Produtos agrícolas, chitas, trapologia, cestaria, vinhos e doces são
alguns dos “ingredientes” que fazem o
mote desta Feira, para além de diversos
“comes e bebes” e do delicioso “porco
no espeto”.
As receitas destinam-se à organização
das Festas que têm início no próximo
dia 13 de Setembro, dia do acolhimento
à Veneranda Imagem de N.ª S.ª do Cabo
Espichel que, 25 anos depois, regressa
à Paróquia de S. Pedro de Penaferrim.
Para mais informações: 938 694 560 ||
91 617 70 64.
Vai realizar-se pela primeira vez, de 30
de Maio a 01 de Junho, a primeira edição do INCANTUS - Festival de Música
de Sintra, que promete trazer música de
qualidade e encanto aos lugares históricos mais emblemáticos desta histórica
vila.
A iniciativa encontra-se a cargo do
Coro de câmara Outros Cantos e da
União das Freguesias de Sintra.
O INCANTUS é um festival dedicado à
interpretação de música erudita, aliada
à beleza
incondicional de Sintra, vila caracterizada pela riqueza histórico-cultural de
espaços naturais e monumentos. A presente iniciativa representa uma oportunidade única, na qual o público pode
apreciar música em ambientes privilegiados. O festival reúne a interpretação
de música secular e clássica, através de
múltiplas formas de expressão musical,
a cargo de artistas que cultivam peças
musicais de qualidade, a par do gosto
de cantar e tocar em conjunto, proporcionando, a toda a comunidade, o acesso gratuito a atividades culturais de
destaque.
O festival terá lugar nos dias 30, 31 de
Maio e 1 de Junho de 2014, nas principais Igrejas históricas da vila de Sintra.
Nesta edição, a direção artística do festival decidiu centrar a programação na
música coral polifónica. Pela primeira
vez, estarão reunidos nove coros de
diversas localidades do país, num programa único que inclui a interpretação
de mais de 60 peças musicais. O festival
aposta na diversidade musical, a par
da promoção do intercâmbio de ideias,
experiências e conhecimentos musicais,
fomentando o espírito de cooperação
entre os grupos musicais participantes,
a fim de possibilitar uma relevante plataforma de contactos , com a finalidade
de valorizar a música erudita de renome.
O festival pretende
posicionar-se
como
referência
cultural da região,
jogando com a envolvência de sentidos e sentimentos
potenciados
pela
ocasião única de
aliar a música aos
espaços históricos
da vila”, asseguram
os responsáveis do
evento.
Igualmente na opinião de Eduardo Casinhas presidente
da União das Freguesias de Sintra, que
afirma:
"A cultura é uma marca de Sintra e a
União das Freguesias de Sintra não
pode deixar de se associar e promover
eventos culturais que elevem o nome de
Sintra no panorama regional, nacional e
até internacional.
Este tipo de iniciativa potencia a cultura na sua vertente musical e promove o
património histórico de Sintra, nomeadamente as Igrejas de Sta. Maria, S.
Pedro e S Martinho, espero que outras
iniciativas consigam valorizar de igual
forma outros espaços desta bela região.
Estamos atentos à necessidade de colaborar com quem faz cultura em Sintra e
continuaremos a dar o nosso apoio para
que a cultura seja um elemento de inspiração para todos."
O Festival Incantus é o primeiro Festival do género promovido por esta Junta posicionando-se, como iniciativa de
destaque, no contexto cultural da vila
e agora levantando um pouco a ponta
do véu em relação ao futuro mais boas
surpresas estão a ser preparadas.
Todos os concertos são gratuitos, mas
deverão ser asseguradas reservas através do telefone da União das Freguesias
de Sintra: 219 100 390
À Margem...
É raro escrever no jornal, do qual sou o director, mas infelizmente existem
situações que acho tristes, descabidas e sem respeito por quem trabalha, quando,
pessoas pensam que são donos e querem mandar
Fomos contactados por uma senhora do Incantos que pretendia saber valores de
publicidade para ocupar 1/4 ,1/2 ou uma pagina com localização especifica, capa,
contracapa, 2ª ou 3ª pag. Com estas solicitações, respondi com valores especiais e
até uma possível parceria, respondeu-me se poderíamos reduzir valores, informei
que não seria possível e disponibilizo para ser enviada uma noticia que seria
colocada na edição. Respondeu agradecendo a minha explicação e enviou um link
para tirar as notícias.
Sabendo do interesse deste evento solicitei ao Sr. presidente Eduardo Casinhas
da Junta de Freguesia de Sintra, um texto para ser inserido na noticia o que muito
amavelmente agradeceu a nossa iniciativa e enviou de imediato o texto.
Passados uns dias a mesma senhora envia um email a perguntar “não recebemos
resposta ao mail enviado anteriormente” e “É importante que nos próximos dias e durante
o próximo mês sejam divulgadas elementos que foram disponibilizados no ultimo mail”.
Isto pareceu uma imposição, respondia que não existia obrigação da nossa parte
de publicar, pois a nossa inicial proposta tinha sido recusada, ficando ao livre
critério do jornal a publicação de algo. Mas a seguir, o caso que para mim estava
encerrado, sofre alterações e Jorge Afonso envia um mail que “Não ficou de dar
resposta” e “ ….é relevante entender se os mesmos estão previstos serem ou não publicados
no jornal” e termina “Objectivamente, é isso que pretendemos saber.”. Para mim
excedeu-se e muito, mas ainda respondi, “Que esse assunto passou para chefia
de redacção e quando o jornal for editado pode constar se foi publicada, alguma
notícia sobre o Incantos”
Mas, Jorge Afonso Diretor Artístico respondeu-me e afirma “Como lhe disse, o
mail anterior tinha apenas um único objectivo: saber se o Correio da Linha iria ou não
colaborar com a divulgação” e termina com uma frase que deixo á consideração dos
leitores, pois não tenho o “estatuto” desta pessoa, para lhe responder sou educado
e respeitador, assim fui ensinado na escola e com os meus pais ”Dado que não existe
uma resposta certa à minha questão, não faz sentido mantermos esta conversação e, na
altura da publicação logo se verá”.
Nada tenho mais a dizer, acrescentar ou responder, nem aceito respostas, lamento
apenas.
CL-Maio 2014
Paulo Pimenta
Director
O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
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Palácio da Pena com mais motivos
para ser visitado
A Parques de Sintra concluiu este mês
a remodelação da loja, do restaurante
e da cafetaria do Palácio da Pena, resultado de um trabalho de 15 meses
(10 meses de projeto e 5 de obra) e de
um investimento de cerca de 750.000
Euros. A intervenção vem dar resposta ao aumento constante do número de
visitantes do Palácio da Pena, que em
2013 recebeu cerca de 780.000 entradas
(aumento de mais de 8% relativamente
ao ano anterior), bem como ao objetivo
de acolher melhor os cidadãos com mobilidade condicionada.
O aumento do número e diversidade
dos visitantes tem sido constante, pelo
que a empresa optou por avançar com
a remodelação da loja, restaurante e cafetaria, para conseguir acolher todos,
nomeadamente os que têm mobilidade condicionada, e que podem agora
circular nestas três áreas utilizando os
novos elevadores.
Com o objetivo de permitir uma melhor
experiência, os espaços foram reorganizados, valorizando a estrutura original
do edifício, e de forma a aumentar e
requalificar a loja, restaurante e cafetaria. Assim, otimizaram-se condições de
acesso e utilização, melhorando inclusive a circulação entre cada um dos três
pisos onde estes locais se encontram.
De sublinhar que, antes desta intervenção, não existia acesso direto entre o
restaurante e a cafetaria.
Os maiores desafios consistiram em
conseguir definir estas novas áreas
tendo em conta a arquitetura pré-existente do Palácio, que naturalmente
não foi pensada para estas funções, e
que implicou também a remodelação
das zonas técnicas de apoio. O espaço
que agora é a loja, no séc. XIX era as
cocheiras, o espaço onde está o restaurante funcionava como aposentos dos
criados do Palácio e a cafetaria como
ucharia da Cozinha Real. A adaptação
dos espaços tinha sido já realizada nos
anos 90.
O edifício dispõe agora de dois elevadores: um de utilização pública, que
permite uma melhor acessibilidade entre os três pisos - nomeadamente para
os visitantes com mobilidade reduzida – e um elevador de serviço que liga
os pisos do armazém, do restaurante e
da cafetaria. Estes foram construídos
alargando o espaço do simples monta-cargas existente. Ambos os elevadores
possuem um sistema de geração de
energia que utilizam para seu próprio
consumo. A energia que é gerada na
descida é utilizada diretamente no funcionamento dos elevadores (iluminação, ventilação e som).
Ainda ao nível da poupança energética, as luzes e o sistema de ventilação
desligam-se quando não estão a ser utilizados, o que, associado à tecnologia
LED de iluminação das cabines, resulta
em consumos energéticos inferiores aos
sistemas convencionais.
Outra das inovações implementadas
prende-se com o sistema de reaproveitamento de água: a água dos lavatórios
é encaminhada e reutilizada nas descargas dos autoclismos.
As instalações elétricas e mecânicas fo-
CL-Maio 2014
ram integralmente renovadas, dando
seguimento à revisão em curso em todo
o Palácio. A iluminação utiliza tecnologia LED em todo o edifício, incluindo
nos equipamentos de iluminação cénica das abóbodas da loja, restaurante e
terraço da cafetaria.
Em relação à loja, a maior intervenção prendeu-se com a recuperação da
espacialidade original das arcadas, removendo elementos acrescentados em
intervenções anteriores, para permitir o
aumento da área de exposição de produtos e também uma maior fluidez de
circulação.
O mobiliário escolhido é de cor branca,
o que confere um maior destaque aos
produtos, apelando aos sentidos dos
visitantes. O balcão é de vidro lacado
branco, material que cria um compromisso harmonioso com o edifício original.
No que se refere especificamente ao
restaurante, o maior desafio colocou-se
ao nível da remodelação da cozinha,
dada a configuração irregular e a necessidade de incorporar todas as funções necessárias e o cumprimento da
legislação.
Os novos equipamentos de cozinha
permitem agora prestar ao visitante um
serviço mais rápido e mais moderno,
respeitando simultaneamente as regras
atuais de segurança e higiene. Optou-se também por um sistema elétrico de
alimentação dos equipamentos, em detrimento do gás, minimizando o risco
de incêndios e explosões.
A inclusão de instalações sanitárias no
piso do restaurante, inexistentes até à
data, trará maior comodidade aos visitantes, que já não terão que se deslocar
ao piso inferior, como anteriormente.
No que diz respeito ao mobiliário, incluindo o balcão, foi utilizada a madeira de kambala (que torna o espaço
acolhedor) reaproveitada de um antigo
painel existente no restaurante. Foram
também recuperados diversos painéis
de cobre de revestimento de prateleiras
e reintegrados no novo mobiliário. Para
ser mais rápido e ajustado às necessidades dos visitantes, o serviço do restaurante vai basear-se numa lógica de
buffet assistido.
A cafetaria seguirá uma lógica de self-service, no qual os visitantes recolhem
os produtos que se encontram em estantes refrigeradas e efetuam o pagamento no balcão de atendimento, para
um serviço mais rápido. Esta opção
pretende dar resposta às exigências de
rapidez por parte dos mais de 780.000
visitantes anuais ao Palácio da Pena,
que habitualmente pretendem também
visitar o Parque e outros monumentos,
pelo que procuram um serviço rápido.
A cor branca, também escolhida para o
mobiliário, tal como na loja, adequa-se
a um espaço onde os visitantes permanecem menos tempo, e em que o destaque deve ser dado aos produtos.
Ao terraço da cafetaria, local de predileção para uma pausa, a partir do qual
é possível desfrutar de uma ampla vista
panorâmica.
CL-Maio 2014
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
Festa do Cavalo comemora 15 anos
Como já é tradição no concelho de
Oeiras, Porto Salvo recebe a 15ª edição da Festa do Cavalo, nos dias 30 e
31 de maio e 1 de junho. O Correio da
Linha foi falar com Ricardo Baptista,
que na véspera de mais uma edição,
mostra-se preocupado com o futuro
do certame. No entanto, o sócio-fundador e atual presidente, da Festa do
Cavalo descansa os participantes, e
garante que este ano tudo se vai realizar dentro da normalidade, apesar
da falta de apoios. O Correio da Linha
associa-se mais uma vez a este tipo de
iniciativas e vai patrocinar a prova de
‘Equitação de Trabalho’, que decorre
ao longo dos três dias.
O Correio da Linha (CL): Esta é a 15ª
edição da Festa do Cavalo. Quais é que
são as expectativas para este ano?
Ricardo Baptista (RB): As expectativas
deste ano são aquelas que trazemos
dos anos anteriores. Isto é, tentar ver
se é possível levar a festa para a frente.
Embora possa parecer triste, a cerca de
um mês enfrentamos várias dificuldades que colocam em risco a 15ª edição.
Em relação à festa em si, porque tenho a
certeza que a vamos realizar, porque estamos cá para vencer as dificuldades, o
objetivo é tentar manter a tradição, porque é isso que atrai as pessoas e faz com
que marquem presença todos os anos.
Com o investimento que se tem feito e
com as condições a reduzirem drasticamente, o que se pode dizer é que fazemos muito. Tudo isto só é possível com
ajuda de amigos.
CL: Qual é o público-alvo desta festa?
RB: Esta é uma festa que é para todos e
é transversal a todas as gerações. Uma
festa de família e é assim que queremos
que continue por muitos e longos anos.
CL: Qual é a média de visitantes que
costuma ter por cada edição?
RB: Entre os 20 e os 30 mil visitantes.
CL: Para quem desconhece esta festa,
o que é pode encontrar se marcar presença?
RB: Para além do cavalo que é a atração maior da Festa, em cada edição nós
procuramos associar a gastronomia e
o artesanato, porque na minha opinião
enriquece muito o evento. Temos o vinho de Carcavelos, que desde a primeira edição tem estado sempre associado.
Depois temos também a gastronomia,
porque sabemos que as pessoas apreciam a boa comida. Para além de tudo
isto, quem nos visita tem contacto com
todas as modalidades equestres, como
o horseball, os saltos, a equitação de
trabalho, atrelagem, entre outras e nós
tentamos explica-las ao máximo.
CL: Vai ser feita uma homenagem durante a Festa a Miguel Félix. Foi uma
pessoa importante?
RB: O Miguel Félix é uma pessoa da
terra e que esteve sempre ligado aos
cavalos. Morreu o ano passado por
um infortúnio, e nós queremos fazer-lhe uma homenagem por tudo aquilo que fez.
Apesar de estar mais ligado
aos touros, onde foi forcado
em Cascais, este vai ser um
agradecimento por todo o seu
percurso e por ser uma pessoa da terra.
CL: O último dia do programa coincide com o Dia
Mundial da Criança. Vai haver atividades dedicadas aos
mais novos?
RB: Para o dia 1 de junho escolhemos todas as modalidades
que estejam relacionadas com crianças.
Vai estar presente o Francisco Campeão
com a equipa de juvenis de Horseball, o
Centro Equestre João Cardiga vai organizar pela primeira vez o Oeiras Open
Dressage com Póneis e praticamente vamos absorver tudo o que é relacionado
com as crianças. A Junta de Freguesia
também me garantiu que vai canalizar
para a Festa do Cavalo algumas atividades dirigidas aos mais novos e acho que
vai ser um grande dia.
CL: Quais é que são as principais dificuldades que têm?
RB: As nossas principais dificuldades
são de logística. A Câmara tem-nos
dado sempre apoio através de um subsídio, que tem vindo a ser reduzido. A
logística não é contabilizada no subsí-
dio, mas dá-nos muita despesa. Quando
falo em logística estou a referir-me à
limpeza do terreno, à preparação das
boxes, à eletrificação, entre outros aspetos que tudo somado eleva em muito as despesas. Oeiras é um concelho
rico com infraestruturas para tudo, no
entanto falta um recinto para a atividade equestre que não temos. Lá fora em
qualquer sítio encontramos um espaço
equestre, em Portugal não. Se Oeiras
tivesse investido num espaço onde tivéssemos todas as condições, tudo seria
diferente e teríamos menos gastos.
CL: Qual é a área que ocupa a Festa do
Cavalo?
RB: Nós estamos num terreno com 12
hectares. Tirando as questões de logística, para o público temos uma área de
3 hectares, onde as acessibilidades são
ótimas. Para quem sai da A5 pela saída
de Porto Salvo vê logo o local da Festa
do Cavalo.
CL: Os três dias vão ser exclusivos em
Porto Salvo ou vai passar por outros
sítios?
RB: Todas atividades vão ser desenvolvidas no recinto da Festa do Cavalo,
com exceção ao passeio, que passa por
Paço de Arcos e a Vila de Oeiras. Vai
ser feito um brinde com o vinho de
Carcavelos e uma bênção dos cavalos,
no sábado, dia 31, às 11 da manhã, em
frente à Igreja de Oeiras.
CL: O Correio da Linha vai apadrinhar
uma das provas da Festa do Cavalo.
Qual é que é?
RB: É a Equitação de Trabalho. É um
regresso desta modalidade a Oeiras,
depois de uns anos de ausência. É um
desejo de vários visitantes que marcam
presença todos anos e decidimos aceder
a esse pedido. É uma prova que tem
uma longa tradição e consiste na ligação
do cavalo com as lides do campo, mas
numa vertente desportiva. A prova
vai decorrer durante três dias, e temos
muito gosto que O Correio da Linha
esteja associado a esta prova que tem
bastante interesse.
CL: Relativamente à Festa do ano passado, qual é o balanço que faz?
RB: O ano passado fomos prejudicados
pelo mau tempo. Isto é uma atividade
ao ar-livre, mas a chuva e o frio estragaram-nos os planos e não tivemos o
público que gostaríamos. Tirando isso
faço um balanço positivo, e acho que
conseguimos manter a tradição da Festa
do Cavalo.
CL: O que esperar do futuro?
RB: A caminharmos da forma como
estamos a caminhar eu temo que se vá
perder uma tradição e a Festa do Cavalo
pode estar em causa nos próximos anos.
O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
A Nossa Estante
TIO apresenta
sucessos
Titulo: O Ataque aos Milionários
Autor: Pedro Jorge Castro
Editora: Esfera dos Livros
Estava prestes a entrar em acção o tenente Rosário
Dias, assessor económico do primeiro-ministro.
«Tenho informações de que neste momento os administradores do Banco Espírito Santo estão reunidos
e vou lá prendê-los», anunciou. Começou assim a
vaga de prisões que atingiu as famílias Espírito Santo,
Mello e Champalimaud, transformadas em alvos do
poder revolucionário por terem apoiado o Estado
Novo e por terem enriquecido com o regime. Foi criado no país um ambiente generalizado de ódio aos ricos. Álvaro Cunhal, líder do PCP, admitiu na altura:
«Tem que se fazer contra alguém uma revolução (…)
Se é para pôr outra vez os patrões à frente das empresas, nós dizemos não. Queremos que não haja uma
recuperação pelos Champalimaud e pelos Mello». O
objectivo foi atingido: as nacionalizações começaram
a ser discretamente preparadas nos bastidores muito
antes de terem sido oficialmente decretadas; e o gabinete de Vasco Gonçalves elaborou uma lista com
15
305 nomes de altos
quadros dos bancos
que não podiam
sair do país e ficaram com as contas
bancárias sob vigilância. A Revolução
de 1974/1975 é
uma das páginas
mais fascinantes da
História contemporânea de Portugal: permitiu pôr
fim à ditadura, à repressão da polícia política e à censura. Mas teve um lado controverso de excessos e perseguições. Com base em três dezenas de entrevistas
e em documentos, na maioria inéditos, conservados
numa dezena de arquivos, o jornalista Pedro Jorge
Castro reconstitui neste livro a forma como as famílias mais ricas viveram a Revolução que há 40 anos
sacudiu Portugal
O Teatro Independente de Oeiras leva à cena três dos
seus maiores sucessos: Sexo? Sim,
Obrigada, Eclipse Lunar e H2M1, entre os meses de
Abril e Junho de 2014.
A primeira produção, Sexo? Sim, Obrigada, protagonizada por Patrícia Adão Marques e Rita Frazão,
estreou no dia 3 de Abril e esteve até 26.
A segunda produção, Eclipse Lunar, estará em cena
de 1 a 31 de Maio, de Quinta a Sábado às 21h30 e
conta no elenco com: Carlos d'Almeida Ribeiro, Vitor
Coelho, Patrícia Adão Marques, Lourenço Henriques,
Rita Frazão, Filipe d'Aviz, Luis Viegas e João Cobanco.
H2M1, protagonizado por Carlos d'Almeida Ribeiro,
Lourenço Henriques e Rita Frazão, estará em cena de
5 a 28 de Junho, de Quinta a Sábado às 21h30.
A encenação das três peças é assinada por Carlos
d'Almeida Ribeiro, director, fundador e actor da
Companhia.
Inatel oferece Turismo Sénior
Quase duas décadas após a sua primeira edição, o
“Turismo Sénior” - cujo público-alvo é o dos cidadãos com 55 ou mais anos, que podem fazer-se acompanhar por outros de qualquer idade - continua a
apresentar-se como um inovador programa de férias
turísticas e culturais, eleito por muitos dos que, ao
longo de milhares de viagens já realizadas, nos conti-
CCD 477 tem
novo presidente
Decorreu no passado dia 7
de Maio na sede do CCD a
realização de eleições para
o triénio de 2014/17 no
CCD 477, tendo sido eleito para presidente o sócio
nº 1162 António Moura da
CM de Oeiras, a lista vencedora lista A contou com
442 votos contra 337 da
lista B num total de 2922
sócios, existindo 2131 abstenções, 7 votos brancos e
5 nulos.
Núcleo Museográfico
da Amadora
No âmbito das comemorações do 6º aniversário do
Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira e do Dia
Internacional dos Museus, tem lugar a 17 de maio,
das 14.00h às 17.00h, uma Recriação Histórica na Necrópole de Carenque, e pelas 18.00h, no Núcleo Museográfico do Casal da Falagueira, a inauguração da exposição “Pela Estrada da Porcalhota: A Venda Nova”.
Esta exposição desvenda particularidades sobre este
lugar e a sua caminhada da ruralidade ao urbanismo.
Apresenta peças e documentos cedidos por particulares e entidades, que traçam o percurso e a evolução da
malha urbana, interpretando o papel distintivo que
essas mudanças tiveram neste território.
nuam acompanhando nos momentos de alegria e de
convívio.
Esta 2ª fase do programa de férias, realiza viagens de
Outubro de 2014 a maio de 2015, compreendendo um
processo de inscrições a partir de 15 de abril de 2014.
A gastronomia das várias regiões do nosso país é um
factor absolutamente determinante desta iniciativa
em que será possível saborear as muitas iguarias de
Norte a Sul, entre pratos de peixe e carne, enchidos e
queijos, pão, azeite e onde não faltarão doces conventuais e regionais.
Prosseguindo os objetivos de sempre, que visam a
criação de experiências enriquecedoras e a oferta de
oportunidades para o conhecimento e a amizade entre os participantes, o “Turismo Sénior” apresenta-se
constantemente renovado, com iniciativas culturais
atualizadas de edição para edição, uma maior flexibilidade na aquisição e na participação nos passeios turísticos e culturais e, mais importante, a possibilidade
de os participantes partilharem tais experiências com
familiares e amigos.
Paço de Artes expõe
A Paço de Artes - Associação dos Artistas de Paço
de Arcos em parceria com a Associação dos Artistas
Plásticos de Setúbal vão promover da sede em Paço
de Arcos. uma exposição colectiva subordinada ao
tema "Elas são mais fortes" sendo a inauguração no
dia 17 de Maio pelas 17 horas, podendo ser visitada
nos dias 18, 24, 25 e 31 de maio entre as 16 e as 19
horas.
Nova clínica para
cuidar da saude
Abriu um nova Clinica, com um novo conceito, de
ajudar as pessoas a tratarem da saúde, em S Domingos de Rana, em frente à esquadra da PSP .
Desde 2007 que a Clinica Therápia proporciona aos
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de diferentes terapias na área da medicina alternativa, sendo os utentes sempre acompanhados por profissionais especializados, dentro da sua área especifica , assim como os diversos exames, proporcionando
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vida, e é utilizado para desenvolver
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
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Destacável
Director: Paulo Pimenta
Palácio da Cidadela
atrai cada vez mais visitantes
Começou por ser a casa de veraneio no tempo da Monarquia, dando espaço a acontecimentos que ficaram a História de Portugal. Quase votada ao
abandono a partir dos anos 50, ganhou nova vida por iniciativa do atual
Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Hoje, o Palácio da Cidadela
de Cascais é um edifício que une o charme do século XIX e com os atributos de uma belíssima intervenção de reabilitação urbana, decorado com
peças que vão desde imagens de arte sacra dos séculos XV e XVI até peças
barrocas e peças do século XX, plenas de contemporaneidade. O ex-libris
será talvez a deslumbrante vista sobre a baía de Cascais, dada a sua posição privilegiada. O jornal O Correio da Linha faz uma espécie de visita
guiada pela história deste edifício através da voz do diretor do Museu
da Presidência da República, Diogo Gaspar. Arquivista de profissão, Diogo
Gaspar foi o responsável pela criação deste Museu, em 2001, vindo por
arrasto o projeto da requalificação do Palácio da Cidadela de Cascais.
Correio da Linha (C.L.) - Este Palácio
começa por ser uma casa de veraneio
da Casa Real, ainda no tempo da
Monarquia, certo?
Diogo Gaspar (D.G.) - Sim. Não se
conhecem exatamente as razoes da
escolha do local e do edifício mas
não me parece difícil adivinhar porquê. Em meados do século XIX, um
pouco por todo o Mundo mas sobretudo na Europa, as casas reais começam a ter as suas casas de veraneio
e os chalés junto ao
mar… o ir- a-banhos
torna-se moda. O rei
D. Luís, até pela sua
relação com a rainha
de Saboia, D. Maria
Pia, vão criar e cultivar esse gosto do ir-a-banhos. E nesses meados do século XIX,
depois de Sintra, que
era o local escolhido
para passar o verão,
o ir-a-banhos, nos
meses de Setembro e
Outubro, torna-se um desejo na vida
dos monarcas. E não é difícil imaginar que o rei D. Luís, com a sua visão e conhecimento do mundo e das
artes, tenha rapidamente vindo a
esta baía de Cascais, que obviamente nada teria a ver com a de hoje em
termos de fisionomia mas sobretudo
em termos urbanísticos, e tenha decidido que era o local mais acertado
para desenvolver este gosto dos banhos. Assim, rapidamente se percebe
O Director do
Museu na sala
árabe junto
de um pote
da coleção
Reinaldo dos
Santos e uma
pintura "Praia
Valenciana"
da coleção
do presidente
Manuel Teixeira
Gomes
que, numa zona que era sobretudo
piscatória, tivesse escolhido a fortaleza, especialmente porque tinha já
segurança uma vez que, nessa altura, este edifício era já a residência do
Governador da Cidadela de Cascais.
Calculamos, portanto, que o rei tivesse pedido o edifício para a Casa Real
com todo este espaço que corresponde ao Palácio da Cidadela de Cascais
e que aqui tivesse feito grandes obras
de transformação a adaptação. No
fundo, podemos dizer que o chefe
de Estado escolheu este edifício pela
sua posição geográfica, pelo facto de
já haver um edificado aqui neste local
e pela segurança que lhe estava associada.
C.L. - Há momentos altos que se possam destacar na época da Monarquia
relativamente a este espaço?
D.G. - Sim. No meu ponto de vista,
um deles é o facto de o edifício passar
a ser uma residência para o Chefe de
Estado. Obviamente que a coisa mais
importante é talvez o impulso que a
construção de um edifício com estas
características trouxe a todo o território. Falo de uma alteração geográfica
e urbanística. Basta nós
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
da
aristocracia
do seu tempo; ele
próprio caricaturava essas figuras.
Por outro lado, havia a rainha Maria
Pia que, com o seu
gosto e vivência,
gostava de Cascais
e tinha uma relação mais próxima
com esta vida que
Cascais proporcionava. No entanto,
Diogo Gaspar na actual Sala de Bilhar com desenhos
há aqui uma invere pinturas de artistas portugueses dos séculos XX e XXI
são porque o facto
olharmos para o recorte de toda esta do rei D. Luís ter vivido aqui uma
costa entre a baía de Cascais até ao parte da sua doença e as sucessivas
Estoril ou Carcavelos e pensarmos na visitas que o seu filho, o príncipe
quantidade de edifícios, casas nobres, herdeiro D. Carlos e a sua mulher, a
que foram sendo construídas. Dentro princesa D. Amélia faziam a Cascais,
desta casa, propriamente, destacaria fizeram com que a princesa fosse pronão só a vivência que proporciona- gressivamente ficando mais afastada
vam os fins-de-tarde no verão e as da casa. Ela não gostava muito de vir
soirées mas também os aniversários aqui, não gostava de Cascais e nem
dos príncipes herdeiros que eram sequer gostava da vida desta aristonormalmente festejados aqui. Para cracia de Cascais. E isso foi sempre
isso, os reis mandavam cobrir todo o um senão na relação mais complexa
terraço da bateria, paralelo ao passeio que a rainha D. Amélia tem com o
Maria Pia, desde o cimo da escadaria Palácio. Ainda assim, tendo em conta
que dá acesso à entrada do edifício que eles acabam por não ter um reiaté à outra ponta, que hoje é a parte nado muito longo, fizeram-se aqui aldo salão de banquetes. Todo este espaço era coberto por um grande toldo, o que permitia que se fizessem
aqui festas e bailes que faziam catalisar para Cascais toda essa nobreza
e aristocracia que começava a dar os
primeiros passos numa arquitetura
de veraneio.
Por outro lado destacaria também a
morte do rei D. Luís. Ele morre aqui,
no Palácio da Cidadela de Cascais, a
olhar o mar, uma das suas paixões e
esse é talvez um dos mais tristes episódios do final da monarquia porque
este rei era um rei muito querido. Era,
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ele próprio, um crítico da nobreza e
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gumas festas. Desse período destaca-se sobretudo o facto do rei D. Carlos
ter construído um piso no primitivo
edifício construído pelo seu pai porque não quis ocupar o quarto onde
o pai morrera. E constrói também o
primeiro laboratório oceanográfico
em Portugal. Isso é fundamental nesta ligação constante entre Cascais e o
mar. Repare que a primeira pessoa
que aqui ficou hospedada a convite
do atual Presidente da República foi
o príncipe Alberto do Mónaco, neto
de Alberto I, que foi o grande impulsionador e entusiasta do rei D. Carlos
na formação deste laboratório oceanográfico.
Um dos outros episódios que marcam
sem dúvida a viragem do século XIX
para o século XX é a inauguração da
luz elétrica pública. E foi precisamente no Palácio da Cidadela que o rei D.
Carlos manda instalar o sistema e foi
aqui que ele foi testado e inaugurado
com uma grande festa. É, sem dúvida, um dos grandes acontecimentos
da época no país e no Palácio.
C.L. - Mais tarde, com a chegada da
República, como é que os chefes de
Estado lidaram com esta “herança”
da Casa Real?
D.G. - É uma boa pergunta… eu acho
que não existe
uma rutura naquilo que é a chefia
do Estado, apesar
da mudança de
regime. E portanto
os presidentes da
República encararam esta casa da
mesma maneira
que os monarcas
o fizeram, isto é,
como uma casa de
veraneio. Ainda
assim, não nos
podemos esquecer
que a I República
passa um período muito conturbado, com a pneumónica e a Grande
Guerra, que obrigaram a que muitos
chefes de Estado tivessem utilizado o
Palácio da Cidadela de Cascais para
curas. E alguns presidentes, nomeadamente o primeiro presidente da
República, Manuel de Arriaga, vêm
a conselho do seu médico, tal como
Bernardino Machado ou António
José de Almeida, para o Palácio da
Cidadela de Cascais dado a sua posição geográfica, útil para curar esses males de época. A casa foi sendo
utilizada, também, para veraneio. É
preciso dizer que, nesta altura, há um
incremento do automóvel e o facto de
o carro ser utilizado para as viagens
encurtou a distância entre Lisboa
e Cascais, tornando-as rotineiras.
Depois, com a construção da via-férrea e da Avenida Marginal, esta casa
foi sendo utilizada muito mais amiúde, deixando de ser propriamente um
casa de veraneio.
Com o advento do Estado Novo, o
Marechal Carmona decide fixar aqui
a sua residência permanente e é portanto a primeira vez que na história
desta casa que um chefe de Estado
tem aqui a sua residência permanente. Não é a residência oficial porque
esta se mantem sempre em Belém.
Mas, no fundo, o Palácio da Cidadela
passa a ser a sua residência particular
que lhe é disponibilizada no exercício de funções. Obviamente que aí
esta casa ganha mais História. Posso
dizer que era aqui que reunia todas
as quintas-feiras com o Presidente
do Conselho, António de Oliveira
Salazar, e era aqui que eram recebidos muitos dos chefes de Estado que
vinham a Portugal. Claro que todo o
enfoque desta casa passa a estar no
Presidente e na família, voltando-se
um bocadinho a uma velha tradição
monárquica em que o chefe de Estado
está com a sua família e esta faz parte
do quotidiano das pessoas. É uma altura em que a propaganda do Estado
Novo começa a proliferar e em que os
jornais começam a centrar-se na vida
do Presidente da República, nos seus
filhos e nos seus netos, que eram muitos (nomeadamente a pintora Menez,
que começou a pintar aqui neste
Palácio) e ganham uma exposição
mais pública.
Um contador Mongol do século XVI e
uma pintura de Júlio Resende de 1957
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Director: Paulo Pimenta Texto:Diana Duarte Matias Fotografias: David Pimenta Paginação: Pedro
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O CORREIO DA LINHA | 9 Maio 2014
esta pudesse servir de palco a alguns acontecimentos
do Estado e ao cómodo de
chefes de Estado estrangeiros que aqui pudessem ficar
alojados durante as visitas
oficiais. Como eu dizia,
houve aqui, além da iniciativa do Presidente Cavaco
Silva, uma vontade do município de Cascais em tomar
a gestão de todo o perímetro da Cidadela e encontrar
um modelo de negócio, nomeadamente com o Grupo
Pestana, que permitisse a
reabilitação e a construção
de edifícios para uma unidade hoteleira de cinco estrelas, e onde o Palácio da
Cidadela de Cascais, por ser
o edifício mais imponente
do perímetro, não poderia
ficar de fora. Conseguimos
O sistema de despejo dos lavatórios do antigo
então que o então presidente
quarto de toilette do rei D. Carlos
da Câmara de Cascais, Dr.
António Capucho, se assoDaí para a frente, o Presidente ciasse a este projeto e nos ajudasse
Craveiro Lopes vive aqui dois anos a encontrar um projeto para que o
enquanto decorrem obras no Palácio Turismo pudesse apoiar a intervende Belém e, a partir daí e até ao ção, num montante que a Presidência
Presidente Aníbal Cavaco Silva, há da República não tinha porque haum processo de progressivo afasta- via apenas uma pequena verba de
mento e abandono desta casa. Desde PIDAC que não chegava para a interos anos 50 até há poucos anos atrás venção que era necessária. E foi assim
esta casa é abandonada, pouco ou que se conseguiu fazer a recuperação
nada aqui acontece a não ser aconte- deste imóvel.
cimentos muito esporádicos. A casa C.L. - Foi um trabalho complexo?
era fechada constantemente, o que le- D.G. - Foi um trabalho muito comvou a que, no atual mandato do pre- plexo porque a casa assim o exigia.
sidente Cavaco Silva se tomasse a de- Era um edifício classificado, com
cisão de recuperar a casa com o apoio algumas vicissitudes, com muitas
da Câmara Municipal de Cascais e do possibilidades mas com algumas liTurismo de Portugal para que a casa mitações. Sabe que intervir em casas
voltasse a ganhar o fulgor de outras antigas é complicado porque hoje em
épocas, enquanto edifício classificado dia são necessárias infraestruturas
património do Estado, e também para muito difíceis de instalar, como é o
que aqui pudessem ser palco uma sé- caso dos sistemas de ar condicionarie de atividades que hoje dão uma do, de eletricidade nova e dos sistenova nobreza a este edifício, ao qual mas de deteção de incêndio. Foi por
se vai acrescentando história diaria- isso uma intervenção muito rigorosa
mente.
e muito cautelosa, promovida pela
C.L. - De quem é que partiu essa ini- Presidência da República e coordenaciativa?
da por um arquiteto da Presidência
D.G. - Bom, há uma feliz conjuga- da República, Pedro Vaz. Foi preciso
ção de interesses e vontades. Por um pensar como instalar aparelhos de ar
lado, quando o Museu da Presidência
da República foi criado e se começou
a fazer um estudo grande sobre as coleções da presidência da República,
eu e a minha equipa entrámos aqui
pela primeira vez e ficámos aterrados
com a qualidade do edifício e com o
abandono a que ele tinha sido votado. E por isso desde 2003 ou 2004 fizemos muita força na Presidência da
República, na altura na pessoa do Dr.
Jorge Sampaio, para que se começasse a ter um outro olhar sobre a casa
mas sobretudo que esse sentimento
passasse para o novo Presidente da
República e fosse uma vontade do seu
mandato. E, de facto, o Sr. Presidente
da República, logo após a sua eleição, visitou o Palácio da Cidadela de
Cascais e percebeu que era urgente
tomar uma decisão sobre a casa: ou
era entregue à Câmara Municipal ou
a património do Estado, e outra entidade que assumisse essa responsabilidade, ou, mantendo-se a tradição
da casa na posse do chefe de Estado,
o Sr. Presidente da República tentava encontrar várias entidades que se
associassem ao seu objetivo de remodelar toda a casa e devolvê-la aos
cascalenses, abrindo-a ao público em
visitas orientadas, fazendo com que
condicionado e sistemas elétricos que
não ficassem visíveis, apetrechar as
cozinhas com equipamento industrial
que permitisse receber banquetes de
Estado e outros eventos semelhantes
e portanto foi um trabalho grande de
equipa. Seguiu-se um trabalho que o
Museu fez de pensar que peças colocar e onde colocá-las para que o trabalho de reabilitação pudesse orientar-se para um programa que estava
previamente definido. Foi um trabalho muito intenso, muito interessante
e executado em tempo recorde.
C.L. - E quando é que o Palácio renovado abriu portas?
D.G. - Bom, tivemos várias fases. Em
2011 o Palácio abre as portas por decisão do Sr. Presidente da República
para uma vista ao edifício mas antes
disso já tinha sido palco de uma conferência sobre conservação e uso de
palácios para que pudéssemos perceber como é que se conserva casas
e peças que são utilizadas no quotidiano. Depois da visita fechámos durante um ano para podermos restaurar algumas peças e escolher outras
que tínhamos em vista em museus
e coleções de forma a museografar e
decorar a casa. Ou seja, de modo definitivo, abrimos há pouco mais de um
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9 Maio 2014 | O CORREIO DA LINHA
Uma escultura de Alexandre Falguière no
hall de entrada do palácio
ano e meio, com visitas orientadas
que proporcionamos ao público.
C.L. - Como é que foram escolhidas
essas peças que referiu?
D.G. - Por determinação do Sr.
Presidente da República nós não podíamos gastar dinheiro na aquisição
das peças e portanto decidimos pedir
a museus, colecionadores, centros de
investigação e outras entidades que
tivessem peças em reserva que nos
emprestassem essas peças ao Palácio
da Cidadela de Cascais para que nós
pudéssemos redecorar o espaço com
a dignidade que ele merece, mostrando uma vivência secular e não apenas uma reconstituição histórica do
Palácio ao tempo de um determinado
rei. Assim, temos hoje peças que vão
desde o século XV até à atualidade,
como tapeçarias de Portalegre e pinturas contemporâneas.
C.L. - O que é que um visitante pode
encontrar aqui? Porque é que vale a
pena visitar o Palácio?
D.G. - É difícil escolher uma ou duas
razões mas eu diria que o primeiro
argumento é o edifício em si, o imóvel, que é extraordinário e muito
curioso nas relações entre os espaços
e na diversidade da decoração. Eu
acho que o edifício vale uma visita
enquanto espaço do século XIX e com
uma belíssima intervenção de reabilitação urbana. Pode ser um “case
study” para quem queira aprofundar
aquilo que envolve uma intervenção
num edifício histórico.
Outro argumento é a coleção, a variedade de peças, de grandes artistas como Malhoa, Vieira da Silva,
Marques de Oliveira, Siza Vieira,
Filipe Ventura… temos peças desde
Sala de estar privada da suite D. Carlos
Salão Nobre do Palácio
imagens de arte sacra dos séculos
XV e XVI até peças barrocas e peças
do século XX, peças de coleções privadas, coleções municipais, coleções
nacionais, coleções de presidentes da
República… todas elas servem para
mostrar como é que, dentro do espírito de uma casa do século XIX, se faz
a evolução e a adequação de peças de
diferentes estilos. Trata-se de um gosto muito eclético, que mistura peças
de várias épocas e que dão uma vivência e um gosto de muita contemporaneidade.
Defino uma terceira razão que mostra
o interesse da visita e que trouxe o rei
D. Luís para este edifício e que é esta
vista absolutamente extraordinária
sobre a baía de Cascais. O príncipe
Alberto do Mónaco dizia-me, à noite, que esta tinha sido uma das vistas
mais deslumbrantes que tinha visto
na sua vida. E é de facto uma vista
maravilhosa, de dia ou à noite.
Não posso também deixar de dizer
que uma quarta razão será a simpatia dos meus colaboradores que estão
aqui sempre dispostos a fazer um
bom trabalho, mesmo com as limitações que a atualidade nos impõe e
sabendo lidar com a dificuldade que
é circular numa casa pequena que
tem constrangimentos. É uma equipa
muito empenhada, que trabalha em
colaboração com a Câmara Municipal
de Cascais, no sentido de fazer com
que as pessoas se interessem pelo
nosso património.
C.L. - Como é que tem sido o fluxo
de visitas? Nota que há adesão?
D.G. - Cascais é um fenómeno que
eu ainda não consegui compreender
bem. Há alturas em que temos muita gente, outras em que temos muito
menos visitas do que aquilo que podíamos expectar. Eu acho que é um
trabalho muito intenso que temos
de fazer, em parceria com os vários
equipamentos culturais que Cascais
tem. Sem dúvida que o Palácio da
Cidadela é um dos elementos mais
interessantes e mais valiosos em termos históricos da vila de Cascais, não
só por ter sido um Palácio Real mas
também pelos episódios que aqui se
passaram. Obviamente que o impulso que as exposições temporárias que
o Museu da Presidência aqui faz têm
um impacto grande e portanto nós estamos a desenhar uma programação
com uma rotina bianual ou trianual
que eu acho que vão atrair muitos visitantes, além dos cascalenses. A pouco e pouco começamos a ter muitos
pedidos e isso é muito interessante.
Obviamente que isto está um pouco dependente do “passa-palavra”:
as pessoas vêm e gostam e dizem a
outros para virem também. Portanto
nota-se que, com o passar do tempo, estamos a ganhar capacidade de
atração. Há ainda outro fenómeno:
as salas são utilizadas para banquetes e outros eventos de Estado mas
também podem ser alugadas para a
realização de eventos particulares. E
tem havido uma crescente procura.
Só este ano já tivemos mais de 12 pedidos. Esta cedência é muito curiosa
e faz com que as pessoas venham ao
jantar mas acabem também por conhecer a casa e ficar com vontade de
saber mais sobre ela, voltando para
uma visita guiada.
•
I
I•
l Texto:Diana Duarte Matias
lFotos: David Pimenta
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