novembre 2007 - Guts Of Darkness

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novembre 2007 - Guts Of Darkness
http://dx.doi.org/10.12702/ii.inovagri.2014-a149
VIABILIDADE DO TOMATE IRRIGADO EM SUBSTITUIÇÃO AO FUMO
A. C. BARROS1, K. F. DE LIMA², J. O. DOS SANTOS², A. O. AGUIAR NETTO³, P. F. SILVA4
RESUMO: Após a crise do fumo, os produtores do agreste de Alagoas iniciaram a transição para outras
culturas e para atender as demandas hídricas, usa-se a irrigação. A cultura do tomate possui potencial
produtivo e aceitação no mercado interno, sendo uma alternativa à produção de fumo. Assim, objetivou-se
com este trabalho avaliar a viabilidade econômica da irrigação do tomate, em função do tipo de sistema,
época de plantio, tipo de bombeamento e substituição da cultura do fumo, para a região agreste de Alagoas.
O trabalho foi conduzido na UFAL, Campus Arapiraca. Os dados edafoclimáticos são de Arapiraca - AL.
Os cenários foram baseados em 3 datas de plantio (15 de maio, 15 de janeiro e 15 de setembro), 2 sistemas
(aspersão convencional e gotejamento) e 2 bombeamento (Motor a Diesel, Motor elétrico tarifação verde e
convencional). Para a simulação dos custos fixos e variáveis utilizou-se o Modelo Computacional para
Determinação do Risco Econômico em Culturas Irrigadas (Marques et al., 2005), que utiliza o método de
Monte Carlo. A receita líquida irrigada (RLi) e de sequeiro (RLs) , Benefício Líquido (BL) e
Benefício/Custo (B/C) foram feitas em planilha eletrônica. O menor BL para a irrigação do tomate foi de
R$ 22.000,00, por ha, e B/C acima de 4,2; a substituição do fumo só é viável quando BL for de R$
39.000,00 e a relação B/C acima e 5,42.
PALAVRA-CHAVE:
bombeamento
Viabilidade
da
Irrigação,
Nicotianatabacum
L,
Lycopersiconesculentum,
FEASIBILITY OF TOMATO IRRIGATED ON REPLACING THE SMOKE
SUMARY: After the tobacco’s crisis, producers from Alagoas started the transition to other cultures and to
meet the water demands of these new crops, irrigation is used. However, some producers still produce
tobacco due to uncertainty of success in other culture irrigated mainly by the high value for the purchase of
an irrigation system. The tomato crop, according their productive potential and acceptance in the domestic
market is an alternative to tobacco production. Thus, the aim of the present study was to evaluate the
economic feasibility of irrigation tomato, depending on the system type , planting date, type of pumping in
replacement to tobacco, in agreste region of Alagoas state. The work was conducted at the Federal
University of Alagoas, Campus Arapiraca. The soil and climate data were originating the city of Arapiraca.
The simulation scenarios were based on planting date (15° May, 15° January and 15° September), on
irrigation system (sprinkler and drip) and the type of pump (diesel engine, electric motor with charging
green and conventional). For the simulation of fixed costs (FC) and variable (CV) was used the
Computational Model for Determination of Economic risk Cheap in Irrigated Crops (Marques et al., 2005),
which uses the Monte Carlo method for generating different combinations of data. The net revenue
irrigated (RLi) and rainfed (LRs), Net Benefit (BL) and Benefit / Cost (B / C) were done in a spreadsheet.
The lower net benefit for irrigation tomato was R $ 22,000.00 per hectare, and B / C above 4.2, the tomato
crop to replace tobacco culture is feasible only in agreste alagoas when the BL is R $ 39,000.00 and the
relationship B / C is 5.42 and above.
KEYWORD: Feasibility of Irrigation, Nicotiana tabacum L, Lycopersicon esculentum, pumping
1
Doutor, Prof. UFAL, Arapiraca - Alagoas. Email: [email protected]
² Graduando em Agronomia, Arapiraca - Alagoas. Email: [email protected], [email protected]
³ Doutor, Prof. UFS, São Cristóvão - Sergipe. Email: [email protected]
4 Mestranda, UFCG, Campina Grande – Paraíba. Email: [email protected]
A. C. Barros et al.
INTRODUÇÃO
A crise na produção de fumo, em detrimento à queda do consumo interno, e as leis
antitabagistas, incentivou a busca por culturas alternativas na região agreste de Alagoas. Atrelado a
isso, a possibilidade de utilização de irrigação nessas áreas (presença do canal do sertão e perímetro
irrigado bananeiras), gerou dúvidas sobre qual sistema e qual cultura deveria ser utilizada para
substituir, de forma econômica, a cultura do fumo (Nardi, 2004).
Apesar de já preconizado que a irrigação possibilita o aumento de produtividade, principalmente
em áreas com déficit hídrico ou com má distribuição das chuvas, esse alto investimento na aquisição
do sistema precisa passar por uma análise para conhecer o real benefício e os riscos inerentes ao
projeto. Frizzone (2005) define risco como uma estimativa do grau de incerteza que se tem com
respeito à obtenção dos resultados futuros desejados. De acordo com Marques & Frizzone (2005),
decisões tomadas sob risco são aquelas em que o analista modela o problema de decisão em termos de
resultados futuros .
Marques & Frizzone (2005) desenvolveram um programa para avaliar a viabilidade das culturas
irrigadas (Modelo Computacional para Determinação do Risco Econômico em Culturas Irrigadas).
Esse modelo utiliza o método de monte Carlo para geração de diferentes combinações de dados a
partir de valores máximo, mínimo e modais, permitindo uma distribuição de frequência dos valores
simulados. O mesmo já foi utilizado para as culturas do tomate, cana-de-açúcar (Marques, 2005; 2006)
e orégano (Marques, et al. 2012).
Segundo Santos et al. (2006), um projeto é economicamente viável quando obtiver receita
líquida do pomar irrigado, no mínimo, igual à receita líquida do pomar de sequeiro. A receita líquida é
dada pela diferença entre a renda bruta, os custos de produção e custos totais anuais da irrigação
(CTA). Os CTA são a soma dos custos fixos (fator de recuperação do capital e preço de aquisição do
sistema de irrigação) e dos custos variáveis (custos de bombeamento, de manutenção, de mão-de-obra
e custo da água) (Marques & Coelho, 2003).
Dentre as alternativas à cultura do fumo, a produção de tomate surge como uma boa escolha
por possuir alta produtividade, valor agregado e facilidade de comercialização. Segundo o Instituto
Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (IDERAL, 2013), os tomates consumidos no
CEASA-AL, nas diversas categorias, são provenientes principalmente do ES, BA, CE e PE,
demonstrando o potencial agrícola que a cultura possui para abastecimento interno, sema necessidade
de buscar mercado fora do Estado.
Além da seleção da cultura para a realização da transição, informações sobre o tipo de sistema
utilizado e o tipo de bombeamento podem auxiliar os futuros produtores e os técnicos que atuam na
área. Frizzone et al. (1994)estudaram a influência da tipo de bombeamento na cultura do feijão,
Santos et al. (2006), na cultura da laranja, Marques et al. (2012), no orégano, Marques e Coelho
(2003) para a pupunha.
Assim, visando subsidiar a tomada de decisão dos produtores de fumo para uma nova cultura,
objetivou-se com o presente trabalho avaliar a viabilidade econômica da irrigação do tomate, em
função do tipo de sistema, época de plantio e tipo de bombeamento e a sua substituição na cultura do
fumo, para a região agreste do Estado de Alagoas.
METODOLOGIA
O estudo foi desenvolvido na Universidade Federal de Alagoas, Campus Arapiraca, em
pareceria com a Universidade Federal de Sergipe. A viabilidade econômica da transição da cultura do
fumo pela cultura do tomate foi feita com os dados da cidade de Arapiraca, AL (09°45'09'' S,
36°39'40''O e 264 metros). O clima de Arapiraca é do tipo As’, segundo a classificação climática de
Koppen, com uma estação seca no verão e chuvas de outono/inverno. A temperatura média anual é de
25°C, e precipitação total anual varia entre 750 a 1000 mm.
O solo da área experimental da UFAL- campus Arapiraca onde foi realizado o
experimento possui um solo classificado como Argissolo Vermelho distrófico típico
(EMBRAPA, 2006), as características químicas na profundidade de 0-20 cm, encontram- se na
Tabela 1.
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II INOVAGRI International Meeting, 2014
Os tratamentos consistiram em três cenários são eles: tipo de bombeamento (Motor a diesel,
Elétrico – tarifa verde e convencional) X época de plantio (15 de janeiro, 15 de maio e 15 de
setembro) X Sistema de irrigação (gotejamento e Aspersão convencional), totalizando 18 tratamentos.
Considerou-se viável economicamente a simulação que obteve Benefício/Custo (B/C),
superior ou igual a 1.
Determinou-se a relação beneficio custo (B/C), custos de produção e custos totais anuais da
irrigação (CTA), custos variáveis (CVa),receita líquida irrigada (RLi), receita liquida sequeiro (RLs) e
Benefício Líquido (BL) pelas equações (1), (2), (3), (4), (5) e (6).
𝐡𝐿
𝐡/𝐢 =
𝐢𝑇𝐴
𝐢𝑇𝐴 = πΆπΉπ‘Ž + πΆπ‘‰π‘Ž
πΆπ‘‰π‘Ž = 𝐢𝑏 + πΆπ‘š + πΆπ‘šπ‘œ + 𝐢𝑀
𝑅𝐿𝐼 = [π‘Œπ‘–. 𝑃𝑝𝑑 βˆ’ (𝐢𝑃𝑑. π‘Œπ‘–) + 𝐢𝐼]
𝑅𝐿𝑠 = [π‘Œπ‘ π‘‘. 𝑃𝑝𝑑 βˆ’ (𝐢𝑃𝑑. π‘Œπ‘ π‘‘)] ou
𝐡𝐿 = 𝑅𝐿𝑖 βˆ’ 𝑅𝐿𝑠
(1)
(2)
(3)
(4)
𝑅𝐿𝑠 = [π‘Œπ‘ π‘“. 𝑃𝑝𝑓 βˆ’ (𝐢𝑃𝑓. π‘Œπ‘ π‘“)]
(6)
(5)
Em que:
CI é custo anual da irrigação (R$ ha-1 year-1);
CF custo fixo anual da irrigação (R$ ha-1 year-1);
Cb é o custo anual de bombeamento (R$ ha-1 year-1);
Cm é o custo anual de manutenção (R$ ha-1 year-1);
Cmo é o custo anual de mão-de-obra (R$ ha-1 year-1);
Cw é o custo anual da água (R$ ha-1 year-1);
RLi receita líquida anual da cultura irrigada (R$ ha-1 year-1);
RLs receita líquida anual da cultura não irrrigada (R$ ha-1 year-1);
Yi produtividade irrigada do tomate (kg ha -1 year-1);
Ppt preço pago ao produtor de tomate (R$ kg-1);
Ppf preço pago ao produtor de fumo (R$ kg-1);
CPt é o custo de produção do tomate sem considerar o custo da irrigação (R$ kg -1);
CPf é o custo de produção do fumo sem considerar o custo da irrigação (R$ kg -1);
Yst produtividade do tomate sequeiro (kg ha-1year-1);
Ysf produtividade do fumo sequeiro (kg ha -1year-1);
BL é o benefício líquido anual (R$ ha-1 year-1);
B/C é a taxa de benefício custo.
Para determinação dos custos (fixo e variável) utilizou-se o programa β€œModelo Computacional
para Determinação do Risco Econômico em Culturas Irrigadas”, desenvolvido por Marques &
Frizzone (2005), que em cada simulação de fator econômico são analisados através de distribuição de
probabilidade triangular através do Método de Monte Carlo.
De posse dos dados foram feitos os cálculos, em planilha eletrônica, para calcular as receitas
do tomate e do fumo.
No programa foram cadastrados os dados de clima da região estudada, solo e da cultura.
Utilizaram-se os dados climatológicos de 2009 a 2012, coletados pelo Inmet para a região de
Arapiraca.
As partes da Cultura do Fumo que são utilizadas no comércio são: Baixeiras (as folhas mais
baixas); o meião e a primeira (as folhas do meio e do ápice) e a rebrota (soca). As folhas baixeiras e da
rebrota são vendidas a R$ 2,5 e R$ 1,30, respectivamente e possui produção de 570 kg ha-1 e 660 kg
ha-1. (CAPA, 2010).
Do meião e da primeira, são coletadas as folhas, secadas e curadas, formando a β€œbola” de 80 kg
que é vendida a R$ 8,00 kg-1. O total produzido nessas folhas é em torno de 650 kg ha -1(CAPA, 2010).
Assim, considerou-se a produtividade total de 1800 T.ha-1 e Ppf de R$ 3,70.
Para o calculo da tarifa de enérgica será utilizada horosazonal-verde que ainda é pouco utilizada
devido ao baixo nível tecnológico da irrigação entre os agricultores. A grande maioria dos irrigantes
paga a tarifa de convencional, os dados utilizados no estudo encontra-se na Tabela 2.
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A. C. Barros et al.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Viabilidade da irrigação do tomate
Os valores médios dos custos fixos e variáveis esperadas para cada época do ano em função do
tipo de motor e de tarifa, para a cultura do tomate irrigado na região de Arapiraca – Al encontram-se
na (Tabela 3).
Os maiores custos no presente trabalho são associados ao sistema com motor diesel, mesmo
resultado encontrado por Marques et al. (2005), quando avaliou a viabilidade econômica do tomate na
cidade de Piracicaba – SP. Esse resultado demonstra uma tendência avaliada por Marques et al. (2005)
que estudando o custo fixo e variável, considerando-se todos os desníveis e comprimentos de recalque,
para um volume bombeado de 8400 m.dia-¹, constataram que os sistemas movidos à diesel
apresentaram valores superiores aos sistema movidos por energia elétrica, para as regiões de PB, PE,
CE e BA.
No entanto, vale ressaltar que existem algumas regiões irrigáveis onde não se possuem
proximidade com redes elétricas ou tem acesso a elas, tornado o sistema por bombeamento movido à
diesel essencial. Monteiro et al. (2007) recomenda um estudo para analisar o custo proveniente da
distância da rede elétrica até o local de bombeamento.
A aspersão convencional possuem os menores Custos Fixos (CF) e os maiores valores de Custo
Variável (CVA), em todas as situações. Essa situação já era esperada, uma vez que o custo do sistema
por aspersão é superior e possui um sistema moto-bomba com maior potencia em CV (cavalo vapor) e
maior vazão demandada, devido à eficiência do sistema ser menor que na do sistema por gotejamento.
Observa-se que os plantios realizados em 15-maio evidenciam os menores valores, já os
plantios em 15 de setembro os maiores. Fato este explicado pela disponibilidade hídrica maior entre
os meses de maio a agosto, época das chuvas. Utilizou-se em média, uma lâmina bruta total de 547,03
mm no plantio em maio e de 1009,81 mm para o plantio em setembro.
Comparando a CVA entre os tipos de bombeamento, percebe-se uma grande variação entre o
sistema elétrico tarifação verde e o diesel, obtendo um valor médio de R$1872,00 e 2692,00, aspersão
e gotejo, podendo atingir valores de R$ 3481,00 e R$ 2400,00 considerando o plantio no mês de
setembro. Existe pouca diferença entre o CVa para a tarifação verde e convencional, o aumento
observado foi , em média para as épocas de plantio de R$ 238, e R$ 344,00, para gotejamento e
aspersão convencional, representando um aumento de12,5 e 15,9%.
Marques et al. (2005) encontraram diferença de aproximadamente 36%. Assim, a escolha do
tipo de tarifação, caso haja disponibilidade de rede elétrica, torna-se uma questão mais técnica que
econômica, devendo levar em consideração o grau de tecnificação do produtor e da mão-de-obra
disponível.
Comparando o Benefício líquido (Tabela 4) do tomate irrigado em relação ao sequeiro, percebese que o menor BL encontrado é superior a R$ 21.00,00, demonstrando alta lucratividade da cultura
irrigada. A probabilidade de benefício líquido anual maior que zero é uma análise de sensibilidade dos
fatores envolvidos, permitindo, assim, que a decisão de investir ou não em um sistema de irrigação
seja baseada em valores probabilísticos que representem as possíveis consequências dessa decisão
(Marques & Frizzone, 2005).
Vale salientar que a maior parte dos tomates comercializados no CEASA de Alagoas são
provenientes de outros estados (IDERAL, 2013), demonstrando que há espaço para a comercialização
interna de tomate. Dessa forma, a alta rentabilidade e a possibilidade de venda do produto no local de
origem ajudariam ao produtor na transição da cultura do fumo para tomate irrigado.
Segundo Santos et al. (2006), um projeto de irrigação é considerado viável economicamente
quando obtiver a receita líquida da cultura irrigada, no mínimo, igual à receita líquida em um cultivo
em condições de sequeiro, ou seja, a BL superior ou igual a 0. Dessa forma, pode-se afirmar que em
todas as ocasiões avaliadas há BL superior a 0.
Frizzone & Silveira (2000) afirmam que um projeto para ser viável deve apresentar B/C maior
que 1, e quanto maior essa relação, mais atrativo é o projeto (Clark et al., 1993). Assim, os projetos
mais atrativos são os com plantio em 15-mai para ambos os sistemas de irrigação e entre os sistemas o
mais atrativo é o gotejamento.
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II INOVAGRI International Meeting, 2014
Vale salientar que foi considerado apenas um preço pago ao produtor de tomate (Ppt) para todas
as simulações anteriores, assim, deve-se examinar a variação sazonal da oferta e demanda de tomate,
consequentemente uma mudança no Ppte nos valores de BL encontrados.
Verificou-se pouca diferença do B/C e BL entre os sistemas de irrigação, quando utilizado o
bombeamento a diesel, essa diferença entre o BL é de aproximadamente 0,32% em maio, 2,17 em
janeiro e 3,2 em setembro. Dessa forma podemos inferir que o plantio de tomate quando utilizado
sistema por bombeamento a diesel não sofre grande diferenciação econômica pelo sistema de irrigação
utilizado. Ocorrendo também pouca diferença entre as tarifas.
Apesar do sistema por Aspersão Convencional possuir os maiores valores de CFa e CVa ele
ainda obteve valores de BL e B/C superiores aos encontrados por Marques et al. (2005), que foram de
R$ 1.158,15 e 2,64, motor a combustão. No entanto, quando se utilizou o motor elétrico o sistema por
aspersão obteve melhores resultados que o sistema por bombeamento. Fato este que se deve a
diferença de preço entre o sistema de irrigação por gotejamento em relação ao sistema por aspersão.
A menor relação beneficio custo B/C encontrado foi para o aspersão convencional em 15-set,
com motor a diesel, e o maior foi para Aspersão em 15-mai, tarifação verde.
Apesar de já utilizarmos o método de Monte Carlo para prever a variação de algumas variáveis,
escolheu-se analisar a sazonalidade de alguns fatores, para se obter conhecimento de até quando um
determinado fator irá proporcionar influenciar a viabilidade do projeto. Deste modo, avaliou-se o
impacto do acréscimo da produtividade sequeiro (Figura 1), do custo de produção (Figura 2) e a
redução do preço pago ao produtor de tomate (Figura 3), considerou-se apenas os plantios em maio e
set e o bombeamento a diesel e energia elétrica tarifa verde, por possuírem os melhores e piores
valores simulados anteriormente.
O aumento da produtividade sequeiro (Ys) serviu para variar a amplitude entre a mesma e a
produtividade irrigada (Yi). Notou-se que a viabilidade do tomate, plantio irrigado, com bombeamento
por motor diesel só se tornou inviável, na aspersão, o aumento foi de 54% e, no gotejamento, 66%,
para plantio em setembro. Ou seja, diferença de produtividade entre irrigado e sequeiro (Yi-Ys)
superior a 26 de Mg.ha-¹. Quando utilizamos tarifação verde, o projeto continua viável até um
aumento de produtividade de mais de 90%. Nessa condição, a amplitude entre a Yi e Ys foi menor que
11 Mg.ha-¹. Ou seja, para um aumento de produtividade superior a 26Mg.ha-¹, o plantio de tomate
para qualquer sistema e tipo de bombeamento por gotejamento é viável a utilização da irrigação, na
região de estudo.
O aumento do Custo de Produção Total (CP) serviria para prever os aumentos dos custos de
forma generalizada. Aumentando o custo de produção em 50% ainda é possível plantar o tomate de
forma irrigada e obter lucro. Vale ressaltar que foi obtido B/L mínimo de 2,0 para bombeamento à
diesel e 5,8 para tarifação verde.
A redução do preço pago ao produtor representa um aumento de oferta do produto no mercado
local, ou uma elevação no custo de Produção do tomate. Mesmo com a redução do Ppt em 40%, ainda
é possível obter uma relação beneficio custo B/C acima de 1,4, ou seja, para uma diferença entre o Ppt
e o CPt acima de R$ 0,17 é possível obter renda, nas condições de estudo.
Esses valores demonstram a viabilidade da irrigação do tomate nos mais diferentes cenários,
no entanto, no momento da decisão de se irrigar o tomate, deve ser realizado um estudo com as
características de cada área.
Viabilidade da transição do Tabaco para o Tomate irrigado
A produtividade média do Tabaco na Turquia encontrada por Çakir & Çebi (2010), foi de
1,39Mg.ha-¹, sendo o maior valor observado de 3,13 Mg.ha-¹. Assim para analise de rentabilidade da
cultura do fumo nos estudos de Çakir & Çebi (2010), eles adotaram a maior produtividade encontrada
para a cultura.
Os valores de receita bruta do presente estudo encontra-se na Tabela 5, observa-se uma receita
bruta de R$ 11.926,96 por hectare, para a cultura do fumo e uma receita líquida de R$ 5667,59 por ha.
Aos produtores mais desatentos, esse valor torna-se atrativo, no entanto, quando contabilizado os
gastos no processo, ocorre uma redução de mais de 50%, valor bem abaixo dos valores encontrados
para o tomate. Esse também deve ser um dos motivos que os produtores de fumo levam em
consideração para transitar para outras culturas.
1115
A. C. Barros et al.
O benéfico liquido (Tabela 5) do tomate irrigado em relação ao fumo foi acima de R$
39.000,00, e a relação beneficio custo acima de 5,40, utilizando motor elétrico, esse valor pode atingir
valores acima de R$ 43.000,00, valor equivalente à 7,6 anos de plantio de fumo.
Vargas & Oliveira (2012), avaliando os produtores da região do Vale do Rio Pardo, no Rio
Grande do Sul, observaram que os produtores que produziam na maior parte da sua área agrícola a
cultura do fumo (fumicultores) apresentaram Receita líquida anual 14% inferior a receita líquida
observada pelos não fumicultores, obtendo um valor de R$ 17.571,71.
Contudo, dentre os motivos apresentados pelos produtores dessa região para plantar fumo estão:
a rentabilidade mais elevada (94,5% - Sim), o tamanho reduzido da propriedade (90,5%- Sim) e a
possibilidade de ocupação da mão de obra familiar (89,1% -sim) (Vargas & Oliveira,2012). No
entanto, a questão cultural é um fator que não foi levado em consideração durante a aplicação dos
questionários aos produtores desta região.
Valores elevados de BL e B/C são em função principalmente da qualidade genética do tomate,
que ano após ano são lançadas novas cultivares que possuem potencial produtivo elevado; ao grande
consumo no mercado interno; e, à desvalorização e falta de incentivo da cultura do fumo. Vale
ressaltar, que a cultura do fumo é muito exigente em mão-de-obra e o seu ciclo produtivo é maior que
o do tomate, não permitindo mais de um plantio por ano.
Dessa forma pode-se inferir que os produtores de fumo que pretendem fazer a substituição da
produção do fumo pelo tomate irrigado, pode fazê-lo, com alta atratividade do projeto. A escolha do
bombeamento dependerá da disponibilidade de energia na região, e a escolha do sistema dependerá do
grau de tecnificação do produtor. O preço da água não foi considerado na discussão, já que não se
paga pela água proveniente dos rios, lagos e reservatórios na região de estudo.
CONCLUSÕES
O plantio do tomate irrigado, na região agreste de alagoas, é viável economicamente, para
todos os tipos de sistema de irrigação, época de plantio e tipo de bombeamentos avaliados.
Mesmo com uma redução do preço pago ao produtor de 40% é possível obter uma relação
beneficio custo maior que zero capaz de gerar rentabilidade aos produtores.
O bombeamento vai depender exclusivamente da disponibilidade de energia na propriedade do
agricultor.
A substituição da cultura do fumo pelo tomate irrigado é viável economicamente para a região
agreste de alagoas.
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p.175-192, 2012. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-20032012000100010
Tabela 1. Analise química do solo utilizado no experimento.
pH
(H2O)
5,7
P
(mg dm-3)
13
M.O
(g dm-3)
15
K
Ca
0,2
1,4
Mg
Al
(cmolcdm-3)
1,4
0,2
H+Al
T
4,0
7,0
V
(%)
42,9
Fe
44,5
Cu
Zn
(mg dm-3)
0,86
2,4
Mn
32
Tabela 2. Tabela de energia elétrica fornecida pela Eletrobrás, distribuição Alagoas.
Tarifa
Demanda
PUP
Verde
Azul
Convencional
13,56
13,56
1,15905
0,16816
PUFP
R$/KW
0,10689
0,10689
PSP
PSFP
1,17647
0,18558
0,11699
0,11699
Tabela 3.Valores médios dos custos fixos e variáveis esperadas para cada época do ano em função do
tipo de motor e de tarifa na cultura do tomate irrigado na região de Arapiraca – Al.
Valores (R$.ha-¹.ano-¹)
Motor diesel
Tarifa convencional
Tarifa verde
Custo fixo
Custo variável
Custo fixo
Custo variável
Custo fixo
Custo variável
15-jan
15-mai
15-set
15-jan
15-mai
15-set
15-jan
15-mai
15-set
Gotejamento
1.157,07
3.710,60
2.660,90
4.254,70
873,61
1.853,65
1.727,26
2.144,25
873,61
1.648,39
1.507,59
1.854,20
Asper. Conv.
623,1
4.742,66
3.273,01
5.504,98
560,79
2.074,98
1.977,01
2.421,85
560,79
1.770,81
1.647,82
2.023,05
1117
A. C. Barros et al.
Tabela 4. Custo total anual, Benefício líquido e B/C da cultura do tomate irrigado em relação ao
tomate sequeiro.
15 de janeiro
15 de maio
15 de setembro
Gotejamento
CTA
BL
B/C
CTA
BL
B/C
CTA
BL
B/C
Diesel
4867.30
22964.71
4.7
3817.71
24014.29
6.3
5411.35
22420.66
4.1
El. Conv.
2727.10
25104.90
9.2
2600.70
25231.30
9.7
2992.63
24839.37
8.3
El. Verde
2530.83
25301.18
10.0
2381.05
25450.95
10.7
2727.62
25104.38
9.2
Aspersão
5366.77
22465.23
4.2
3896.83
23935.17
6.1
6129.24
21702.76
3.5
El. Conv.
2636.24
25195.76
9.6
2538.26
25293.75
10.0
2983.17
24848.83
8.3
El. Verde
2333.26
25498.74
10.9
2283.99
25548.01
11.2
2584.33
25247.67
9.8
B/C
Diesel
11
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
-1
45
50
55
Diesel - got - mai
Verde - got -mai
Diesel - got - set
Verde - got -set
Diesel - asp - mai
Verde - asp -mai
Diesel - asp - set
Verde - asp -set
60
65
Ys (Mg.ha-¹)
70
75
80
85
Figura 1. Impacto do acréscimo da produtividade sequeiro simulado para a região agreste de alagoas
no cultivo de tomate em substituição a cultura do fumo.
1118
B/C
II INOVAGRI International Meeting, 2014
12
11
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
5
10
15
Diesel - got - mai
Verde - got -mai
Diesel - got - set
Verde - got -set
Diesel - asp - mai
Verde - asp -mai
Diesel - asp - set
Verde - asp -set
20
25
30
35
Aumento do CP (%)
40
45
50
B/C
Figura 2. Impacto do acréscimo custo de produção simulado para a região agreste de alagoas no
cultivo de tomate em substituição a cultura do fumo.
14
13
12
11
10
9
8
7
6
5
4
3
2
1
0
-1
Diesel - got - mai
Verde - got -set
Diesel - asp - set
1
0,9
0,8
Verde - got -mai
Diesel - asp - mai
Verde - asp -set
0,7
PPt (R$.Kg)
Diesel - got - set
Verde - asp -mai
0,6
0,5
Figura 3. Impacto da redução do preço pago ao produtor de tomate simulado para a região agreste de
alagoas no cultivo de tomate em substituição a cultura do fumo.
1119
A. C. Barros et al.
Tabela 5. Valores de receita bruta, liquida( BL)e relação benéfico custo (B/C) em função da época de
plantio e do tipo de bombeamento.
RLs Fumo
Gotejamento
Aspersão
1120
jan
mai
set
Bombeamento
BL
B/C
BL
B/C
BL
B/C
diesel
41153.12
5.60
42202.71
5.74
42901.57
5.83
convencional
43293.32
5.89
43419.72
5.90
43868.51
5.96
verde
43489.59
5.91
43639.37
5.93
43940.89
5.97
diesel
40653.65
5.53
42123.59
5.73
39891.17
5.42
convencional
43384.18
5.90
43482.16
5.91
43037.25
5.85
verde
43687.16
5.94
43736.43
5.95
43436.09
5.91